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socialista

Novembro 2013 // N.º 51 // Publicação da Corrente Socialista dos Trabalhadores - CST // Tendência Interna do PSOL

GOVERNO DO PT PRIVATIZA E REPRIME Unificar as Greves, fortalecer o PSOL de esquerda

PSB / REDE Marina-Campos: Nova cara da direita

Rio de Janeiro Lição de uma greve heroica da educação

Pará Greve radicalizada da Educação

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ATO NO RIO LANÇA PRÉ-CANDIDATURA DE LUCIANA GENRO A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Editorial

DILMA privatiza e reprime Nunca na história desse país ocorreu uma privatização como a que Dilma e o PT realizaram com o Leilão de Libra. Um campo que abriga uma reserva de Petróleo avaliada em R$ 3 Trilhões, a maior da nação, vendida por R$ 15 bilhões para multinacionais como a Shell. Esse entreguismo é parte das privatizações que incluem portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, previdência dos servidores, hospitais universitários e a elevação da participação do capital estrangeiro no Banco do Brasil. Para garantir o Leilão, o governo Dilma utilizou a Força Nacional, o Exército e a Marinha. Repetiu a repressão utilizada nos peões dos canteiros do PAC, na greve dos militares da Bahia e nas manifestações de junho. Tudo isso após falar na ONU que não reprime manifestações. Fica comprovado que Lula/Dilma são privatistas, repressores e não defendem a soberania nacional. Tanto que Libra

foi o quinto leilão do PT/PCdoB, superando os 4 realizados na “era FHC”. A privataria petista se explica pela estagnação da economia, os problemas nas contas externas e o alto endividamento do Brasil. Por isso a subserviência de Dilma diante dos mercados, vide seu discurso na sede do Goldman Sachs em Nova Iorque, garantindo que o PT “cumpre contratos” e a insistência em dizer ao FMI que o pacto pelo ajuste fiscal é cumprido à risca. Nunca é demais lembrar que os 15 bilhões do Leilão são para o Superávit Primário, a fim de pagar as dívidas externa e interna, que consomem quase metade do orçamento nacional. Unificar as lutas! Construir uma greve geral! A greve bancária foi a maior nos últimos 20 anos e permitiu o surgimento do “Novo Rumo”, movimento unitário da esquerda que pode ser uma alternativa de direção contra a burocracia petista, como se

Petroleiros fizeram greve após anos sem paralisar

pode notar na rebelião do Banrisul/RS. Os trabalhadores dos correios protagonizaram uma greve nacional, apesar da divisão em três federações e da traição do PCdoB e PT. Os Petroleiros, após anos sem realizar nenhuma greve, cruzaram os braços por todo país por uma semana. Um dado qualitativo foi a pauta politica pelo fim do leilão de Libra, que só não foi alcançada pela traição das direções à frente da FUP e pela ausência de uma direção alternativa. Mesmo assim arrancou avanços econômicos, embora abaixo da força do movimento. A greve dos educadores cariocas propiciou novas manifestações com milhares de pessoas, mesmo sem que a direção estivesse à altura. Os professores de Goiânia ocuparam a Câmara e os educadores do Pará continuam em greve realizando fortes passeatas, fechando estradas e ocupando prédios. Ocorrem, ainda, outras greves, mobilizações de

Expediente Publicação da Corrente Socialista dos Trabalhadores - CST - www.cstpsol.com Seção da Unidade Internacional dos Trabalhadores - UIT - www.uit-ci.org Avenida Gomes Freire 367, 2º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ Telefone (21) 2507-9337 - e-mail combatesocialista@gmail.com Editoria: Silvia Santos, Rosi Messias e Michel Oliveira Correção e Tradução: Eloísa Mendonça e Neide Solimões Projeto Gráfico e Diagramação: Marcello Bertolo As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores e colaboradores 2 combate socialista

sem-teto, da juventude e das comunidades. A criminalização da luta é a resposta desesperada que os governos tentam implementar contra os manifestantes. A novidade foi a utilização da Lei de Segurança Nacional da ditadura em São Paulo e a utilização da Lei 12.850 de Dilma no Rio de Janeiro. Uma lei feita pelo PT após junho para criminalizar movimento sociais, garantindo até a infiltração policial. Mais do que nunca temos que unir as lutas e coordenar as greves. A esquerda precisa rever sua postura e deve batalhar pela unificação de todos os que estão em luta. É absurdo que a CNTE permaneça imóvel enquanto os educadores estão lutando ou que a CUT não faça nada enquanto sua base está em greve. Devemos exigir que as federações, confederações e centrais sindicais convoquem uma greve geral nacional, construída por meio de assembleias de base, para derrotar o ajuste fiscal, acabar com a LRF, por fim ao pagamento das dívidas externa e interna, para cancelar os leilões do petróleo e todas as privatizações, conquistar uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, acabar com a repressão e desmilitarizar a PM, garantindo o direito de greve aos militares. Esse é o caminho que devemos seguir, ligado aos trabalhadores e às grandes manifestações. Evitando

atos isolados ou ações que atrapalhem nosso vínculo com o movimento de massas. Fortalecer o PSOL de esquerda e anticapitalista! A crise econômica e a onda de lutas estão impondo a desagregação da base governista, com repercussões em todos os terrenos, inclusive nas próximas eleições, sendo que Dilma, Aécio e Campos/Marina já se definiram como os candidatos da velha ordem e do ajuste fiscal. Por isso, a esquerda socialista necessita também ter uma alternativa política, para confluir com a radicalidade das ruas em meio às lutas que estamos participando e também para expressar o programa das jornadas de junho no processo eleitoral que se avizinha. Nesse sentido, surgiu um pólo no PSOL que começa a agrupar uma serie de tendências do bloco de esquerda, parlamentares do Rio, o prefeito de Itaocara, intelectuais, personalidades, dirigentes grevistas e da juventude ao redor do nome de Luciana Genro (uma das parlamentares radicais expulsa do PT em 2003), com um claro perfil anticapitalista e fiel à revolta de junho. Uma batalha que temos que aprofundar nos próximos meses nos congressos estaduais do PSOL e em dezembro no IV Congresso Nacional do Partido.


Conjuntura

MarinaCampos: “A nova cara da direita” Adolfo Santos CST-PSOL

A filiação de Marina Silva ao PSB de Eduardo Campos tira de vez a máscara da ex-ministra de Meio Ambiente do governo Lula. Seu discurso de uma nova forma de se fazer política, para o qual queria fundar uma Rede e não um partido fica demonstrado que não passa de uma falsa propaganda, cujo objetivo é tentar arrebanhar eleitoralmente o descontentamento generalizado com o governo do PT para,definitivamente, aplicar a mesma política. As explicações de que ela não fez uma aliança eleitoral, mas sim uma aliança programática, sendo que a definição de se aliar ao PSB veio 24 horas depois que o TSE vetou o registro legal da Rede, não tem sustentabilidade. Onde foi discutido esse programa com seu novo aliado se até ela reconhece que boa parte de seus parceiros foram surpreendidos com essa decisão?Dias antes da decisão do TSE, Alfredo Sirkis declarava: “... depois de pregar a criação de um partido com compromisso programático, Marina seria muito cobrada caso decidisse ir para outra sigla

somente para disputar as eleições”. Na verdade, o discurso de Marina Silva é só perfumaria, basta ver a política que pratica. Enquanto fala da “nova cultura do desenvolvimento sustentável”, de “democratizar a democracia”, de “fundar uma nova república e aposentar a velha”, de “não fazer alianças para não ficar refém do fisiologismo”, continua apostando na continuidade de tudo o que aí está. Não é casual que se alia a um partido que acaba de sair do governo do PT, não por divergências ideológicas, mas por prazos eleitorais, o mesmo partido que em Pernambuco, estado de Eduardo Campos, fez alianças com 14 siglas politicas para ganhar a eleição. Por isto, a aliança Rede/PSB não passa de um bom negócio eleitoral que nada tem de novo. O que tem de novo no palanque armado em SC pelo PSB com a família UDN/PFL/DEM dos Bornhausen? O que tem de novo um possível apoio ao PSDB de Alckmin em SP e integrar a chapa tucana encabeçada por Pimenta da Veiga em MG como propõe o PSB? Tirando o recuo, óbvio

Discurso cai por terra: Marina se alia à velha política

ululante como diria o genial Nelson Rodriguez, da dobradinha que o PSB tinha acertado com o ruralista Ronaldo Caiado em Goiás, o resto das alianças com os velhos partidos da ordem continuam intactas. Marina defende o ajuste e tripé econômico neoliberal Marina Silva, longe de defender mudanças profundas na economia, defende a “herança” de FHC e Lula. Não cansa de afirmar que ela quer dar continuidade às políticas econômicas de Lula e FHC, de quem se diz admiradora. Nada novo para quem já teve como vice o empresário da Natura Guilherme Leal, e como caixa da campanha, Álvaro de Souza, ex presidente do Citibank, agora trocado pela Neca Setúbal, herdeira do banco Itaú. A grande “novidade” apresentada por Marina é a defesa do tripé que sustentou a política econômica de FHC e Lula. Como afirma o economista Eduardo Giannetti, um de seus principais assessores, o centro de sua política seria “austeridade fiscal, superávit primário para valer e câmbio flutuante”. A partir daí, ele promete que Marina

será menos estadista que Dilma. Com razão, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos diz: “Ela é a cara nova da direita”. Na verdade, o tripé serve para apoiar as armas com as quais o governo ataca aos trabalhadores e o povo pobre. Austeridade fiscal é para reduzir gastos e abrir mão de projetos e investimentos em obras para a população, para que sobre dinheiro para dar ao sistema financeiro. O superávit primário tem por objetivo fazer caixa para pagar os juros da dívida ao sistema financeiro tirando recursos dos gastos sociais. Por fim, o câmbio flutuante é para que os grandes capitais façam seus negócios sem a intervenção do Estado. É a receita neoliberal. Não é casual que Marina, que em 2000 votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma política do FMI, hoje se diga arrependida e defenda um maior ajuste para manter as contas em ordem. Marina critica Dilma, justamente por entender que a presidente estaria traindo a herança de Lula e FHC ao abandonar a política do tripé. Aliás, os principais candidatos a presidente defendem essa mesma

política de ajuste fiscal.“Marina Silva faz juras de amor ao tripé. Dilma Rousseff diz que jamais o abandonou. Aécio Neves e Eduardo Campos também querem um relacionamento sério com o tripé...” escreve Vinicius Torres Freire na FSP. Todos estão no mesmo barco e defendem a mesma política econômica ordenada pelo BM. São os candidatos do sistema financeiro, os candidatos do ajuste. Não é a saída que nós, socialistas, propomos. Diferente da Rede e do PSB, estivemos e estaremos nas ruas junto aos que lutam por transporte público, saúde e educação de qualidade, por mais Estado para o povo trabalhador. Para tanto, é necessário derrotar os planos econômicos de ajuste de Dilma, Cabral, Paes, Alckmin ou Jatene e seus parceiros: as empreiteiras, o sistema financeiro e as multinacionais. A única saída para fundar uma nova república e poder atender os interesses do povo pobre e trabalhador é romper os contratos econômicos com o imperialismo e deixar de pagar a dívida pública. Somente assim haverá dinheiro suficiente para aumentar salários e resolver os graves problemas sociais.

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Conjuntura Rio de Janeiro

A Greve da Educação e a luta por um sindicato combativo Claudia Gonzalez CST-PSOL

Na sexta feira 25/10, a educação do Rio de Janeiro definiu finalizar a heroica greve que estremeceu a cidade por dois meses e meio, enfrentando Paes, Cabral e o PT de Dilma. Os profissionais expressaram sua indignação com o governo e a direção do sindicato em assembleia lotada, após o acordo assinado pela direção do SEPE e o STF. Algumas professoras colocaram nariz de palhaço, muitas levaram cartazes repudiando o acordo e a direção do sindicato. A assembleia foi tensa, todos eram conscientes de que o acordo era uma vergonha, pois nenhuma das reivindicações da categoria foi atendida, limitando-se somente a acabar com as punições anunciadas pelo prefeito Paes: fim da multa ao SEPE, não cortar os dias parados, não demitir. Uma votação muito dividida obrigou a uma confusa contagem individual de votos que culminou com uma pequena maioria pela saída da greve. O Prefeito Paes ganhou repúdio e rejeição Apesar de que a 4 combate socialista

categoria não obteve os pontos reivindicados, quem saiu pior dessa greve foi o governo Paes (PMDB/PT) que se gabava de contar com 70% de aceitação. Durante a greve só semeou rejeição, aversão e indignação entre os profissionais e a população. As medidas adotadas para desmontar a greve demostraram a verdadeira cara do garoto simpático que tirava fotos nas favelas dançando com os moradores. Ameaças de corte de ponto, demissão e a brutal repressão montada na Câmara de vereadores para votar às pressas o PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) demostraram a intransigência do prefeito para manter a todo custo o plano meritocrático e privatista da educação pública. O plano, diferente do anunciado pelo prefeito, só contempla parcialmente os professores de 40 horas, bem menos que 10% da categoria. A força da categoria Depois de mais de uma década e seguindo os ventos das jornadas de junho, que colocaram nas ruas a prioritária demanda da necessidade de uma educação pública de qualidade, os profissionais

Somados, atos unificados em outubro reuniram mais de cem mil pessoas no Centro do Rio

da educação decidiram dar um basta a tanta arbitrariedade e deram uma aula de combatividade. Assembleias cheias, passeatas multitudinárias, coragem para afrontar a repressão expressaram a força da categoria disposta a enfrentar governo, regime e polícia. Era possível obter um resultado melhor. A situação era muito favorável, os protestos de junho manifestaram sua continuidade no Rio de Janeiro. Durante a greve houve protestos pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo, usuários queimaram trens frente ao descaso do transporte, os bancários e petroleiros fizeram uma forte greve, a população se mobilizou para repudiar a repressão dos governos. A educação estadual permanecia em greve, a população apoiou a luta da educação e compareceu em peso nas marchas unitárias que mobilizaram setenta mil pessoas no cento do Rio. A categoria sempre manifestou sua disposição de luta deixando em xeque os governos Cabral e Paes. A direção não esteve à altura da luta Desde o início da greve a

direção do sindicato, composta majoritariamente pelas correntes sindicais Conlutas e Intersindical, não confiando na força da base vacilaram e assinaram uma primeira ata aceitando propostas rebaixadas do governo. A base da categoria rejeitou em assembleia e a partir deste fato orientou o rumo da greve impondo sua continuidade e a mobilização nas ruas. A direção orientou sair da greve como propusera o prefeito, para estudar o PCCR, e como era óbvio, Paes desconheceu o SEPE e enviou o Plano para ser votado na Câmara, o que obrigou à retomada da greve. Estas vacilações foram indignando a base, mas o erro mais importante da direção foi a política de evitar sempre a unificação das redes em luta, que foi também imposta pela base e a falta de política para unificar com as demais categorias em greve, sendo uma das principais batalhas que a tendência sindical Unidos pra Lutar travou nos fóruns da categoria. Finalmente frente à última negociação, aceitou, sem denunciar e sem consultar a base, um acordo vergonhoso. Na última assembleia, Leandro Galindo, professor,

da Unidos pra Lutar da Regional I, interveio na assembleia denunciando o acordo e a direção do SEPE: “É um acordo vergonhoso proposto pelos mesmos que deixaram livres os culpados do mensalão, que esta direção não poderia ter aceitado, por isso temos que continuar a luta, se a assembleia votar pela continuidade da greve temos que eleger um comando de greve agora na base e se a categoria decidir sair temos que chamar já uma assembleia para definir um congresso que discuta os rumos da categoria.” A categoria está indignada com o governo e com a direção. Na proposta da saída da greve efetivada pela dirigente da Conlutas, a assembleia gritou: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão...” Esta foi a expressão de que os profissionais pregam por uma nova direção no sindicato e que ainda estão com força para continuar lutando. Agora é ir para as escolas, debater as conclusões desta luta heroica e preparar a exigência da realização de um Congresso imediato da categoria para disputar na próxima assembleia que se reorganize a categoria e se prepare novas batalhas.


Conjuntura Greve da Educação - Pará

“Força da categoria derrota as manobras do governo” A greve da educação no Pará ultrapassa os trinta dias. As últimas semanas de luta da categoria têm sido cada vez mais radicalizadas e com maior adesão dos trabalhadores. O governador Simão Jatene (PSDB) tem vivido um verdadeiro inferno astral com fechamento de rodovias, ocupação do prédio da Secretaria de Educação e várias outras ações do movimento grevista, que tem como parte de seu perfil a participação de jovens professores e servidores que, ao lado de estudantes, tem protagonizado um dos maiores e mais combativos movimentos de greve dos últimos anos no Pará. O Combate Socialista entrevistou a professora Silvia Leticia Luz, Secretária Geral do SINTEPP (Sindicato da categoria), dirigente nacional da UNIDOS PRA LUTAR e da CST (Corrente Interna do PSOL). Combate Socialista: São mais de 30 dias de greve, mais de 80% de adesão da categoria, o que explica essa grande participação dos trabalhadores? Silvia Leticia: A cada semana cresce nossa greve. Os estudantes estão participando ativamente, como os jovens militantes do Coletivo Vamos à Luta, dos grêmios do Ulysses

Guimarães, escola na qual trabalho, do NPI e várias outras. A adesão só se explica pela legitimidade de nossa pauta e o apoio da população. A justiça do estado determinou a abusividade da greve antes mesmo de começarmos a parar as escolas. Essa decisão foi derrubada logo no primeiro dia da greve com uma forte mobilização da categórica em repúdio a posição da justiça estadual. Recorremos e o STF disse que nossa greve era legal. CS: Quais as principais reivindicações da greve? SL: Nossa greve é por melhores condições de trabalho, pagamento do retroativo do piso, lotação por jornada com horaatividade; regulamentação das aulas suplementares e do trabalho no Sistema Modular de Ensino (SOME); PCCR Unificado, incorporação de abono aos servidores da Seduc; gestão democrática e reforma nas escolas. O governo passou semanas tentando nos enrolar. Tentou, com apoio do MPE, criminalizar a greve. Na mídia dizem ter respondido a 90% da pauta de reivindicação, uma grande mentira! CS: Então o governo está tentando enganar os trabalhadores e a população?

Professora Silvia Letícia durante atividade de greve

SL: Sim. Não existe cronograma para reformar as escolas. Afirma que não tem dinheiro para pagar os 72 milhões que nos deve do retroativo do piso e para assegurar a Lei pagando integralmente o piso em 2014. Nos últimos anos o governo criou a taxa mineral com a qual arrecadou, só em 2012, cerca de R$ 538 milhões. A arrecadação do estado aumenta ano a ano: em 2011 foram 5,5 bilhões a mais; 2012 7,1 bi; em janeiro de 2013 já estava em 13% de aumento em relação a janeiro do ano anterior. O Pará tem o segundo melhor resultado do Brasil. Se o imposto recolhido com a taxa mineral fosse revertido para educação muitos dos problemas que temos hoje poderiam ser solucionados. CS: Qual sua avaliação sobre o processo de ocupação da Secretaria de Educação (SEDUC) pela categoria? SL: O governo após lançar uma brutal repressão sobre a categoria, proibindo inclusive que entrasse comida e água no prédio ocupado, teve que recuar. Esse recuo se deu fundamentalmente pela resposta dada por nossa categoria que realizou um 'trancasso' e bloqueou as principais rodovias do estado. Jatene, o grupo ORM (filiado da Rede Globo), o

Ministério Público que tinha ordenado o corte de ponto e a Policia Militar utilizada para reprimir nossa luta, foram os grandes derrotados nesse episódio pela força da categoria que se deslocou em caravanas do interior do estado, muitos inclusive tendo que viajar mais de 8 horas, para fortalecer a luta. CS: As jornadas de junho também produziram e inspiraram em algum grau a sua e outras categorias a se mobilizar no Pará? Quais? SL: As jornadas de junho foram fundamentais para inspirar a luta de nossa categoria e de vários setores da classe que hoje fazem suas campanhas salariais com muito mais força do que antes. A população viu que com luta é possível vencer. Não existe um dia em nossa cidade que não tenhamos uma rua ocupada pela população. Tivemos a espetacular greve dos trabalhadores dos supermercados, greve de garis, recentemente a heroica greve dos jornalistas do Dário do Pará e Diário OnLine, meios de comunicação pertencentes à família Barbalho. A greve da educação também tem essas características. Veja o exemplo de como estão atuando os servidores da secretaria de educação que aderiram fortemente à

greve. Há mais de dez anos não faziam uma mobilização tão forte. A nova vanguarda de trabalhadores que entrou em nossa categoria é parte da vanguarda juvenil que foi às ruas e rechaça os governos e seus ajustes. CS: Sobre o movimento sindical, que achas que é preciso fazer para superar a crise de direção e as traições das direções governistas, como CUT e Força Sindical? SL: É um fato que hoje temos todas as condições de construir uma greve nacional da educação. Porém o grande obstáculo para avançarmos é o papel que cumprem as direções da CNTE e da CUT devido ao atrelamento que tem ao governo. Nós da Unidos Pra Lutar acreditamos que o movimento sindical tem que ser independente de governos e patrões. Construir greves e mobilizações pela base é também parte dos desafios que temos para superar os problemas das direções traidoras. A forma como se configura a greve da educação no Pará com a massiva participação da base do sindicato nas assembleias é a demonstração de que existe um espaço enorme para a construção de uma nova direção.

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Partido

A voz de junho está presente: é o PSOL com Luciana presidente! CST - PSOL

No dia 24/10, num ato interno, mais de 300 militantes se reuniram no Rio de Janeiro para lançar Luciana Genro como précandidata a presidência da república pelo PSOL, relembrando os 10 anos da expulsão dos “radicais do PT” e o inicio do movimento que deu origem ao PSOL. Uma atividade necessária após a revolta popular de junho e as definições de Dilma, Aécio e Campos/Marina como os candidatos do ajuste fiscal. O ato foi convocado pela CST, MES, Reage Socialista, TLS e se somaram os camaradas da LSR. Plínio de Arruda Sampaio já havia manifestado apoio a Luciana. Surgiu, portanto, um polo que agrupa a maior parte das forças de esquerda do PSOL, daqueles que combatem o projeto liquidacionista de Ivan Valente/Randolfe e Janira/Edilson. Um importante passo para fortalecer o PSOL como uma alternativa política anticapitalista confluindo com a radicalidade das ruas e também para expressar o programa de junho no processo eleitoral. A mesa foi composta pelos radicais Babá e Luciana Genro, Silvia Santos da CST, Roberto Robaina do MES, Leandro Recife da TLS e Mariana Cristina da LSR. Presentes inúmeros dirigentes sindicais, juvenis, 6 combate socialista

da luta indígena e do partido. Babá, professor da UFRJ e fundador do PSOL, abriu o ato relembrando a traição do PT, o mensalão e a expulsão dos Radicais. Reafirmou o projeto original do Partido como oposição de esquerda e lançou Luciana Genro para enfrentar as candidaturas da ordem e colocar os recursos do país a serviço dos trabalhadores e do povo: realizando uma auditoria e suspendendo o pagamento da divida, conquistando Petrobras 100% estatal, educação e saúde de qualidade, pondo fim às privatizações e à repressão aos movimentos sociais. O Professor da USP, Vladimir Safatle, analisou o vazio político existente após o fim do “ciclo PT” e a importância de uma candidatura de esquerda nas eleições se colocando à disposição dessa batalha. Gelsimar Gonzaga, prefeito de Itaocara/RJ, afirmou que fez campanha sem alianças espúrias e sem financiamento privado e que governa com os trabalhadores e o povo reclamando que Macapá não faz isso. No mesmo sentido se pronunciaram Paulo Eduardo Gomes e Renatinho - Vereadores de Niterói/RJ, Prof. Josemar – Presidente do PSOL São Gonçalo, Fernanda Melchiona e Pedro Ruas Vereadores de Porto Alegre/RS, Fernando Arcênio - Vereador de Itaocara/RJ e Sandro Pimentel – Vereador

de Natal/RN, Leandro Recife da TLS e Mariana Cristina da LSR. Falaram ainda dirigentes do movimento sindical e da juventude. Pedro Rosa (Fasubra e Sintuff/RJ) lembrou a luta contra a reforma da previdência e que devemos ser o partido das ruas e dos grevistas. Lurdinha (Oposição Metalúrgica Niterói/RJ) relatou a luta operária contra a burocracia petista. A professora Valdenise Ribeiro falou sobre a heroica greve dos educadores do Rio de Janeiro e Thiago Aguiar (DCE/USP) sobre a luta dos estudantes de São Paulo. Wellington Cabral, dirigente dos Químicos do Vale do Paraíba/SP, falou da luta contra a reforma da previdência e criticou duramente o grupo do senador Randolfe. Breno Rocha dirigente do Sindreceita/DF relatou o apoio que sua categoria obteve dos parlamentares radicais.

estar no mesmo nível dos demais pontos programáticos do PSOL, realizando uma campanha com a voz das ruas e concluiu declarando estar ao lado de Luciana. Eliomar Coelho, vereador do Rio e autor da CPI dos Transportes, declarou estar muito à vontade para dar apoio ao nome de Luciana, discorrendo sobre a importância das próximas eleições. O cabo Daciolo, recém integrado à Corporação, líder dos bombeiros, ressaltou a atuação do PSOL nas greves da categoria, a luta dos militares por dignidade e fez questão de declarar apoio a Luciana. Bruno Bimbi (em representação do mandato do deputado Jean Willys) falou da importância de uma candidatura que expresse a luta LGBT, feminista e antiproibicionista, afirmando que o governo Dilma é aliado dos conservadores. E espera que o bloco de esquerda tenha um nome unitário.

Freixo, Eliomar, o mandato de Jean e Daciolo marcam presença! O deputado Marcelo Freixo, do PSOL/RJ, interviu para mostrar que o partido deve analisar bem o momento atual e estar conectado com as ruas, afirmando nossas diferenças em relação às demais siglas, sem medo do partido que podemos ter. Defendeu que as pautas libertárias têm que

Campanha com a voz das ruas e o programa das jornadas de junho Por fim, nossa précandidata falou como o projeto anticapitalista e revolucionário, a luta por uma sociedade sem exploração e comunista, está mais forte após as jornadas de junho. Analisou os 10 anos do PT, delineando com nitidez que este partido somente fortaleceu os pilares

da dominação burguesa e por isso é contestado pelos manifestantes. Nessa nova correlação de forças, afirmou que devemos estar nas ruas e que a utilização da institucionalidade – no parlamento ou numa prefeitura – deve estar a serviço de questionar e subverter a própria ordem. Por esses motivos defendeu a importância de manter vivo o espírito de junho na campanha eleitoral, dialogando com a indignação que percorre os protestos pelo país. A palavra de ordem “a voz de junho está presente: é o PSOL com Luciana Presidente” e as musicas “o Rap do bandido” e “A primavera Brasileira” do MC PH Lima finalizaram o ato. Mais do que nunca, é necessário fortalecer essa alternativa como parte da disputa geral na vida política do país e como uma das batalhas que devemos fazer internamente no PSOL. Por isso é muito importante que as demais forças políticas da esquerda, os dirigentes, parlamentares e personalidades do Partido também se somem a campanha por Luciana Presidente. Em especial os companheiros que compõe o Bloco da esquerda partidária. Construir os atos que serão convocados nos demais estados e integrar o debate sobre o programa que defenderemos nessa disputa.


Partido

Lançamento da Pré-candidatura de Luciana superlotou o Auditório do Sindjustiça

A luta contra a fraude: a carta dos parlamentares Os parlamentares do Rio de Janeiro: Chico Alencar e Jean Willys, Marcelo Freixo, Eliomar Coelho, Renato Cinco e Paulo Pinheiro, Paulo Eduardo Gomes, Renatinho e Henrique Vieira, escreveram uma Nota respaldando a decisão da Executiva Estadual do PSOL/RJ que impugnou os delegados eleitos pelo grupo dos chantagistas que pertenceram à corrente e ao

mandato da deputada Janira Rocha. A nota critica duramente a decisão de parte da Executiva Nacional que votou referendar esses mesmos delegados. “Blindar delegados eleitos em chapas articuladas por chantagistas não é uma atitude cuidadosa da direção nacional. Com a responsabilidade de quem compõe a feição pública do partido no Rio de Janeiro,

esperamos uma imediata reconsideração de tal medida”. A politica do setor de Ivan Valente/Randolfe visa referendar os delegados eleitos pelo grupo de chantagistas, com o único objetivo que os mesmos votem em sua tese no IV Congresso Nacional, já que Kuka, Marquinho e Valadão assinaram a Tese da Unidade Socialista. Esta

atitude desesperada coloca em xeque um dos princípios básicos de nosso partido, o respeito democrático às instâncias partidárias. Estamos com os parlamentares do partido, que junto à militância do PSOL do Rio de Janeiro, repudiam as fraudes e a politica de intervenção do grupo de Ivan/Randolfe, resolução votado no

congresso carioca do partido. No IV Congresso Nacional do PSOL está colocada a tarefa de construir uma nova direção para o PSOL, democrática e que respeite as instâncias, que ajude na armação da militância para intervir com uma política de esquerda e de enfrentamento, sintonizando o partido com a nova situação das ruas.

Paulo Ramos não cabe no PSOL A Executiva Nacional votou intervir no PSOL do Rio de Janeiro e filiar o deputado estadual Paulo Ramos. Essa intervenção contraria a decisão da Executiva Estadual do partido, que votou por amplíssima maioria de 7 votos a 2, a não filiação do deputado no partido. Vale ressaltar que foram realizadas duas reuniões da Executiva,

abertas a demais setores políticos que não compunham a instância, tudo para garantir uma ampla discussão. O deputado Paulo Ramos nunca foi da ala esquerda do PDT, sempre ligado a figuras como o ex-prefeito de Niterói/RJ, Jorge Roberto Silveira, responsável pela morte de dezenas de pessoas na tragédia do Morro do

Bumba. Recentemente, os dirigentes do PSOL de Niterói denunciaram o deputado por requerer o Sr. Zeca Morcarzel para trabalhar no seu gabinete. Mocarzel integrava o governo de Jorge Roberto e é alvo de uma ação civil pública, encaminhada pelo PSOL, sobre a tragédia do Bumba. E também sofre investigação pela CPI dos

Transportes de Niterói/RJ, visto que compunha a subsecretaria de Transportes. Além de defender o exprefeito Jorge Roberto e ser amigo e parceiro de Mocarzel, Paulo Ramos foi alvo de duras criticas do movimento LGBT por pronunciamentos homofóbicos e por defender o pastor Marcus, acusado de estupro de várias mulheres. A ampliação de nosso

partido é necessária, mas não pode ser a qualquer custo: Paulo Ramos não cabe no PSOL. Devemos ampliar o partido para os grevistas da educação, a juventude de junho, os metalúrgicos, bombeiros, servidores públicos, bancários, petroleiros, lutadores sociais das causas feministas, antirracistas e antihomofóbicas.

Congresso do / PSOL Pará O congresso do partido ocorreu nos dias 25 e 26/10 em meio a uma conjuntura importante para os trabalhadores do Pará, em especial para os trabalhadores em educação que fazem mais de 30 dias de greve. No dia 25 destaque para a defesa de teses. A tese da CST foi defendida por Júlio

Miragaia, que fez uma saudação a greve dos trabalhadores em Educação afirmando que a mesma ocorria na esteira das jornadas de junho. Júlio fez duras criticas a posição adotada pela Unidade Socialista (US), corrente de Edmilson Rodrigues, por ter colocado o PT e o governo no programa de

televisão na disputa pela prefeitura de Belém em 2012. Ainda pelo bloco de esquerda, cada um defendendo sua tese, falaram Max do MES, e o vereador Fernando Carneiro da APS que também fez duras criticas US. O dia 26 foi marcado pelo debate de grupos e

também pelo lançamento feito pela CST e pelo MÊS da candidatura presidencial de Luciana Genro. Na ocasião foi lançada também a pré-candidatura ao governo do estado de Fernando Carneiro pelo bloco de esquerda. A esquerda disputou o diretório municipal de Belém e Estadual com os

professores grevistas Silvia Leticia e Alberto Andrade respectivamente. O congresso demonstrou uma forte polarização política entre o Bloco de Esquerda que batalha por um PSOL de oposição ao governo Dilma (PT/PMDB) e a US que milita para transformar o PSOL em um partido da ordem combate socialista 7


Sindical Greve dos bancários

Bancários do BANRISUL ocupam as ruas

Disposição de luta dos trabalhadores e traição da burocracia sindical Diego Vitello Diretor da FETRAFI-RS

Enfrentando os banqueiros e os governos de Dilma e Tarso, os bancários fizeram a maior greve dos últimos 20 anos. Foram 23 dias e mais de 12 mil agências foram fechadas em todo Brasil. A proposta de aumento salarial feita pelos banqueiros, começou em 6,1% e com a greve alcançou 8,5% para o piso (R$1.648,12) e 8% nas demais verbas. Frente aos absurdos lucros dos bancos, que somaram cerca de R$60 bi no último ano, estes índices aceitos pelos governistas do “Comando Nacional” foram extremamente rebaixados. Para piorar o quadro, nas mesas específicas dos bancos públicos como a

CEF e o BB, pela traição da burocracia sindical, não se avançou quase nada. Os aliados de Dilma da CONTRAF-CUT desmontam a greve nacional A burocracia sindical aliada de Dilma, que controla a CONTRAF-CUT, fez de tudo para encerrar a greve. Mostrando que estava de joelhos para os banqueiros e os governos, de forma humilhante aceitou ficar reunindo de madrugada com a FENABAN. Logo em seguida, às 3h da manhã, o “Comando Nacional” já saiu para a grande imprensa dizendo que a greve dos bancários iria terminar, sendo que nenhum bancário da base havia sido consultado! Depois disso, em acordo com as

direções dos bancos, chamaram centenas de gerentes fura-greve para ir votar o final da greve, sobretudo nas principais bases da categoria, como DF, SP e RJ. A ampla maioria dos bancários em greve votou pela continuidade da luta e rejeição da proposta rebaixada da FENABAN, mas mesmo assim, o voto dos não grevistas se impôs e a greve chegou ao fim, quando poderia ter arrancado muito mais. Novo Rumo: avança a construção de uma alternativa de direção para os bancários Frente a essa traição do “Comando Nacional” e ao crescimento cada vez maior da rejeição dos bancários à maioria dos dirigentes sindicais, tem se

consolidado em vários estados o Movimento por um Novo Rumo nos Bancári@s. É uma necessidade que fica explícita a cada greve, que nossa categoria precisa construir pela base uma nova direção. Em diversas assembleias do RS conseguimos votar, por ampla maioria, uma moção de repúdio ao “Comando”, denunciando a traição da greve nacional. Além disso, em Porto Alegre, graças à luta dos companheiros que hoje compõem o Novo Rumo, não são mais aceitos os votos dos fura-greves em assembleias de greve. A base da categoria está cada vez mais cansada dos mesmos dirigentes sindicais que sempre traem as greves e estão há mais de 20 anos fora dos locais de

trabalho, somente “lutando” para manter seus cargos e quem sabe almejando uma “boquinha” nas diretorias dos bancos, como fazem ex sindicalistas petistas vinculados à Articulação Bancária e à CUT Socialista e Democrática. Hoje temos presença em estados como RS, MA, SP, RJ, SC e DF. As correntes sindicais que compõem esta importante unidade dos principais setores antigovernistas da categoria: UNIDOS PRA LUTAR, CUT pode MAIS, MNOBCSP/Conlutas, INTERSINDICAL-ASS e MES. Com materiais nacionais durante a greve e disputa pelos rumos de cada assembleia de base, temos certeza que Novo Rumo sai fortalecido da campanha salarial de 2013.

Banrisul: em greve histórica base passa por cima do “Comando Nacional” No Banrisul (RS), no momento em que estamos fechando este jornal, a greve chega a 40 dias e já é a maior das últimas décadas. A diretoria do banco, vinculada ao PT e completamente intransigente às demandas dos trabalhadores, acaba de pedir a mediação do TRT para a greve. Os trabalhadores seguem mobilizados para aumentar a pressão sobre a diretoria e o judiciário, com atos, passeatas e vigílias.

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A diretoria do banco contou mais uma vez com seus aliados no movimento sindical para terminar com a greve, porém desta vez eles não conseguiram enganar a maioria das bases. Com exsindicalistas de suas correntes atuando nas direções dos bancos públicos, a Articulação Bancária e a Cut Socialista e Democrática, ambas vinculadas ao PT, desmontaram a greve do Banrisul em várias cidades do

interior do RS, fazendo inclusive assembleias sem convocação. Em Porto Alegre e nas principais cidades do estado, devido à enorme pressão da base, não ousaram fazer o mesmo que o ano passado, onde os governistas vinculados ao sindicato da capital, propuseram o fim da greve antes do tempo e foram derrotados pela base. Em conexão com as Jornadas de Junho, que abalaram o país, a base da

categoria dá um enorme exemplo de que é possível rejeitar o atual script de campanha salarial imposto pelos governistas do “Comando Nacional”. Uma verdadeira rebelião por melhores condições de trabalho, por um Plano de Carreira decente, pela gratificação para os trabalhadores do Call Center e Plataformistas e um aumento no piso para os colegas da TI. Nos dias 17/10 e 25/10,

mais de 2 mil trabalhadores de todo o RS, marcharam até o Palácio Piratini exigindo que o governador Tarso pare com sua enrolação. Foram duas passeatas importantíssimas, pois apesar da maioria dos sindicatos do RS serem comandadas por governistas e não vincularem os problemas dos trabalhadores do Banrisul ao governo Tarso, a base da categoria se impôs e exigiu esta marcha.


Conjuntura Itaocara: os avanços políticos, o combate à LRF e o ódio golpista da direita local Sem dúvida, um ponto específico que sintetiza a maioria das questões reivindicadas nas jornadas de junho é a luta contra o ajuste fiscal, que é o centro da política econômica do país nos últimos 20 anos. E é o que faz, em última instância, que o Brasil seja governado para banqueiros, grandes empreiteiras e latifundiários. Um dos instrumentos deste ajuste é a Lei Complementar 101/2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Aprovada no auge das contrarreformas neoliberais de FHC, por exigência do Banco Mundial e do FMI, ela define, entre outras coisas, que a União, Estados e Municípios podem gastar no máximo 54% das suas receitas com folha de pagamento. Como todo instrumento de exploração e dominação, a LRF foi uma pílula muito bem dourada. O governo, os partidos da ordem e a mídia corporativa se empenharam em dizer que a LRF foi um grande avanço para o país, combatendo a corrupção e moralizando os gastos dos gestores públicos. Nada mais falso. O resultado prático e imediato da sua aplicação é o arrocho salarial, precarização do serviço público e privatizações. Pois a lei define que o gestor que ultrapassar o tal limite de 54% tem seu mandato cassado, e nós que conhecemos bem a "classe política" brasileira sabemos que eles fazem de tudo para salvar a sua própria pele. E é justamente por isso que os salários ficam arrochados e/ou que se privatizam setores - geralmente a coleta de lixo e a saúde-, através de

OS´s e OSCIPS. O ajuste fiscal no centro do debate eleitoral. Os "grandes" blocos políticos não cogitam mexer na política econômica. Neste tema assistimos trocas de farpas entre Dilma (PT) e Marina (PSB). A acusação partiu de Marina afirmando que "Dilma afrouxou o ajuste Fiscal". Dilma por sua vez retrucou dizendo que "nunca o ajuste fiscal esteve tão garantido". Ambas as candidatas confiáveis dos patrões brasileiros e estrangeiros. Aécio (PSDB) e Campos (PSB) declaram que ninguém pensa em quebrar o ajuste. Municípios penalizados exigem mudanças na lei. A aplicação do tripé ortodoxo neoliberal superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação simbolizada também no cumprimento da LRF, é o que aprofunda a crise em estados e municípios. E é nos municípios onde a população sente de perto o peso da aplicação da política econômica do Governo Dilma, implementada por governadores e prefeitos. Em todo país começam a surgir associações de prefeitos e municípios que se mobilizam contra os ajustes, em especial contra a LRF, que penaliza a possibilidade de mais investimentos. No congresso nacional existem projetos que alteram a legislação ampliando os limites com folha de pagamento. Defendemos que a ampliação seja vinculada a necessidade de realização de concurso público para que as

Prefeito Gelsimar fala durante Assembleia Popular em Itaocara (RJ)

contratações não se transformem em cabides de emprego eleitoral, que devem ser acompanhadas da exigência de mais verbas do governo federal. Um orçamento para banqueiros O orçamento público em 2014 destinará mais de um trilhão de reais para banqueiros, o que significa um repasse de 42,2% do orçamento para especuladores, enquanto que para a educação serão destinados 3,44% e para saúde 3,91% agravando ainda mais a situação da população. Segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida, até 04/10/13, a dívida pública consumiu R$ 690 bilhões, 46% do orçamento federal, sendo que a dívida interna chega a mais de R$ 2 trilhões e a externa mais de U$400 bilhões A Prefeitura de Itaocara enfrenta a LRF  "Eu me recuso a demitir 200 pais e mães de família... entre o emprego de vocês e o meu, eu escolho o emprego de vocês!". Com essas palavras, Gelsimar Gonzaga Prefeito de Itaocara anunciou na assembleia dos servidores que não admite as imposições da LRF e que a Prefeitura começaria a travar uma luta local, estadual e nacional para a revisão global da lei. De lá pra cá a administração da Prefeitura de Itaocara está se empenhando em convocar e contatar diversos setores políticos para questionarem a lei. A "Carta de Itaocara" convida o conjunto do PSOL, militantes, dirigentes,

parlamentares e o prefeito de Macapá - Clécio Luís - que encarem essa tarefa primordial. O ódio golpista da direita local Em Itaocara temos enfrentado cotidianamente o ódio da direita local que nos ataca através das rádios e com a maioria da Câmara de Vereadores. Inventam mentiras e tentam provocar confusões na cabeça do povo e falam que estão preparando a cassação do Prefeito Gelsimar. Sabemos que não há nenhum motivo jurídico ou falha moral (corrupção) que justifique uma cassação do nosso mandato, mas também sabemos que toda aberração é possível quando os privilégios e as "mamatas" de oligarquias locais são cortados. A verdade é que a política que estamos conduzindo em nada interessa aos que sempre mandaram na cidade e por isso as "forças da reação" também se organizam para tentar nos derrotar. Nacionalizar a luta contra a LRF e a solidariedade ao processo de Itaocara Em cada greve, cada luta anticapitalista, a pauta da negação à LRF tem que estar presente. Nosso Governo, também necessita de solidariedade para seguir governando diferente. Para nós, governar é contrariar os interesses da burguesia em favor da maioria, do povo pobre e dos trabalhadores. Só há sentido em governar uma cidade, um estado ou um país, se for para irmos contra toda a lógica capitalista de funcionamento do regime e

do sistema. Os governos dirigidos pela esquerda, como o de Itaocara, tem que ser cada vez mais anticapitalistas e transformar cada contradição e dificuldade numa trincheira de luta dos trabalhadores. Essa é a única possibilidade de governarmos de uma forma totalmente distinta das direitas clássicas e dos setores reformistas. Vice-prefeito rompe com PSOL O vice-prefeito de Itaocara, Juninho Figueira, rompeu com o PSOL e anunciou em uma rádio local a sua filiação ao PROS. Desde o início, Juninho vinha demonstrando diferenças na forma de fazer política do novo Governo. O centro de seus argumentos era de que "não tinha espaço no governo". Por isso o mesmo resolveu "exigir" do Prefeito Gelsimar três secretarias para continuar no PSOL. Nada mais despolitizado e associado à velha política. Infelizmente, Juninho não se convenceu de um projeto alternativo e deixou-se seduzir pelas promessas de ser o "próximo prefeito", feitas pela maioria dos vereadores e por alguns setores da cidade. Frente à crise da LRF, Juninho cerrou fileiras junto aos setores que defendiam demissões em massa. A lógica de defender seu salário e da "intocabilidade" do primeiro escalão o fizeram sair do PSOL, um partido onde não há espaço para que os interesses pessoais estejam acima dos interesses da classe trabalhadora e do povo pobre. combate socialista 9


Conjuntura PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

“Governo promove a maior privatização e entrega da história” Durante a campanha eleitoral, na tentativa de se diferenciar dos tucanos, Dilma chegou a afirmar que privatizar o pré-sal seria um crime, já que o pré-sal era nosso passaporte para o futuro. Porém, em 21 de outubro último, a presidente cometeu o crime. Aliás, um crime em dobro. Privatizou Libra, o maior campo do présal e mandou as Forças Armadas às ruas para defender, não a soberania nacional, mas os interesses da Shell (holandeses/britânicos), da Total (francesa), e das estatais chinesas, baixando o cassetete contra os trabalhadores petroleiros e os movimentos sociais que protestavam contra esta nova traição. Para entender melhor a gravidade deste fato reproduzimos alguns trechos de uma longa entrevista*realizada no dia 16 de outubro deste ano para o Correio da Cidadania pelos jornalistas Valéria Nader e Gabriel Brito ao engenheiro, professor da USP e ex-diretor da Petrobras no mandato de Lula, companheiro Ildo Sauer. Ildo Sauer: “... (o) hibridismo do projeto fernandista com o projeto lulista/dilmista coloca um contexto no qual o governo, agora, promove o leilão parcial do petróleo já 10 combate socialista

encontrado, coisa que nenhum país do mundo faz. Vender petróleo já descoberto, em leilão, sem quantificar exatamente seu valor, é uma inovação absolutamente estarrecedora, criada por este governo, inspirado na legislação do modelo de partilha, proposto em 2002, como um avanço em relação às concessões, quando ainda persistia um risco grande em relação aos modelos geológicos. Porém, quando o pré-sal foi confirmado (uma teoria de décadas, que só pôde ser comprovada com o avanço da geofísica e dos novos modelos computacionais, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007 na Petrobras), o modelo de partilha foi superado... No estágio em que nos encontramos, depois que o modelo geológico do pré-sal foi confirmado, como uma nova e imensa província petrolífera, o normal em qualquer país do mundo, seria delimitar o volume de petróleo envolvido e eventualmente até certificar tal volume. Depois, definir uma estratégia, o que não foi feito. (...) C da C: Caso fosse pra tratar o assunto petróleo com seriedade hoje, o que deveria ser feito, em sua opinião, tanto em termos

operacionais, como no que se refere à atual legislação que arbitrará a partilha? IS: A primeira medida, em qualquer país, seria concluir o processo exploratório, a um custo de aproximadamente 7 bilhões de dólares, fazendo uns 100 poços exploratórios de Santa Catarina ao Espírito Santo, permitindo-nos delimitar o volume de reservas. Isso proporcionaria avaliarcom segurança qual estratégia poderia ser tomada. Ao longo de 60 anos, a Petrobras foi capaz de descobrir 20 bilhões de barris convencionais. (...) Mas, no modelo do pré-sal, já temos assegurados, sem confirmação formal, cerca de 60 bilhões de barris. (...) Há, no entanto, muitos geólogos e especialistas acreditando que o Brasil tem no mínimo 100 bilhões de barris, podendo chegar a 300 bilhões, o que seria a maior reserva do mundo. Esse é o quadro. Quando vamos fatiar e vender, fazendo um leilão de 15 bilhões de barris, o acontecimento não é grave só pelo que o país conseguiu acumular em 60 anos de história, com todo o trabalho envolvido da Petrobras; significa também que o modelo de tratar petróleo como algo

convencional, e não como um assunto estratégico, está equivocado. (...) Todos os países do mundo que possuem grandes reservas, como Arábia, Venezuela, Irã, Iraque, a própria Líbia, Kuwait, Emirados Árabes, todos eles têm uma empresa 100% estatal, que é o modelo preferido. (...) (...) O governo resolve fazer um leilão que assemelho ao seguinte: suponha que cada campo de petróleo corresponde a uma fazenda cheia de bois. E o dono da fazenda vai leiloála sem sequer contar o número de bois. É o caso de Libra. A ANP diz que pode ter entre 8 e 12 bilhões de barris, mas muitos geólogos da Petrobras acreditam até em 15. Como fazer o leilão? ... Indica que estamos abrindo mão de uma estratégia global em benefício de um contrato microeconômico, que se resolve sozinho... É uma avaliação simples: se esse campo de Libra tiver de fato 15 bilhões de barris, serão necessárias cerca de 20 plataformas, ao custo de 3 a 4 bilhões de dólares, cerca de 70 bilhões de dólares ao todo. Mas, se a produção for acelerada, por exemplo, pra exaurir o campo em 20 anos, ao invés dos 35 anos possíveis, significa produzir 2 milhões de barris por dia. Com o custo de capital, somado à

operação e manutenção, em 15 dólares, com os 15% de royalties, também 15 dólares, sobram 70 dólares, caso o atual preço de 100 dólares por barril seja mantido. Isso multiplicado por 2 milhões de barris por dia dá 730 milhões de barris por ano, mais de 50 bilhões de dólares de ganho líquido por ano. Ou seja, o investimento se paga em um ano ou um ano e meio. No máximo, em dois anos. É o dilema que está colocado”. Ildo Sauer é categórico. O governo petista de Dilma acaba de promover a maior privatização e entrega da historia. Esta nova traição de quem foi direção histórica do movimento provocará novas crise e rupturas com o PT e seu governo, como acaba de expressar o companheiro Emanuel Cancela, Secretario Geral do Sindipetro/RJ, na sua carta pública de renúncia ao partido que ajudou a construir. Essas rupturas, com certeza, poderão fortalecer uma alternativa de luta para derrotar as políticas neoliberais do governo PT/PMDB. Uma das principais batalhas que teremos pela frente será lutar por uma Petrobrás e um pré-sal 100% estatais. *Leia entrevista na íntegra no portal do Correio da Cidadania


História

“CHE” VIVE! Mário Makaiba CST-PSOL

Em 9 de outubro de 1967, na Bolívia, aos 39 anos de idade, o argentino Che Guevara foi assassinado com tiros de fuzil disparados pelo sargento Mário Terán. Porém, ali, na cidadezinha boliviana de La Higuera, o carrasco do herói da Revolução Cubana, só havia matado “o homem”, porque o exemplo solitário do “Novo Homem” tornouse maior que a sua própria morte no ícone do guerrilheiro eternamente jovem estampado no imaginário popular e na verve revolucionária de grande parte da juventude em todo o mundo. É como disse a frase pichada no muro da central telefônica de Vallegrande, o vilarejo para onde foi levado de helicóptero o cadáver do guerrilheiro: “Che – Vivo como jamás quisierom que estuvieras.” Em um artigo publicado no La Verdad, (23/10/67) jornal do PRT argentino, referindo-se ao guerrilheiro morto, o compatriota de Che e dirigente trotskista Nahuel Moreno (1924 – 1987) lamentava a perda do “ardente defensor da revolução permanente de nossa época”. Em outro parágrafo, reivindicando o

internacionalismo do guerrilheiro, acrescentou que Che “...Não esqueceu seu caráter de revolucionário latino-americano e não deixou, nem por um minuto, de assinalar que Cuba é parte da revolução continental. Em suas visitas à China, URSS e África foi reconhecido como um dos maiores líderes do internacionalismo proletário. De volta à Cuba passa das declarações e enunciados para a preparação da guerrilha no elo mais fraco da cadeia capitalista da América do Sul: Bolívia”. Porém, mesmo reivindicando Che como um herói e mártir da revolução mundial, Moreno discordava do guerrilheiro com respeito a sua estratégia de estender, como o único método de luta revolucionária, a guerra de guerrilhas a todo o continente sul-americano. Os argumentos de Moreno foram publicados na revista Estratégia com o título de “Dois Métodos frente à Revolução LatinoAmericana”, ainda em 1966 – quando de norte a sul da América Latina o “guerrilheirismo” de Fidel e Che era uma influência incontestável nas organizações de esquerda. As críticas de Moreno ao “foquismo” (da teoria do foco) de Che

estavam baseadas na essência do marxismo que consiste em partir da realidade, do concreto, para voltar à ela modificando-a. Somente com a “análise concreta da realidade concreta” nacional, em cada país, se poderia chegar à política e aos métodos corretos para o avanço da revolução no continente. Sobre isso, Moreno levantou a questão: “Será a guerra de guerrilhas o único método de luta viável?” Moreno reconhecia que a perspectiva da luta armada é parte da luta dos trabalhadores pelo poder. Mas, para ele, isso não significava “por um sinal de igual, como fizeram Che e Fidel, entre a inevitabilidade da luta armada e a generalização da guerra de guerrilhas para todo o continente, ignorando olimpicamente a necessidade dos organismos de massas e do partido marxista revolucionário e os aspectos específicos de cada país, caindo num esquematismo antimarxista que levaria às imensas derrotas do movimento revolucionário latinoamericanos daquela geração.”Inspirados pelo triunfo da guerra de guerrilhas em Cuba, muitos

revolucionários naquela época tombaram sob as balas dos exércitos burgueses, incluindo o próprio Che. Desde o início dos anos 60, Moreno afirmava que o dever de todo revolucionário era assimilar criticamente a experiência guerrilheira cubana. Não só para romper com os aparatos contrarrevolucionários estalinistas e socialdemocratas, mas também com as concepções messiânicas de luta armada, de “violência revolucionária” por si só, que hoje como ontem, elevam à categoria de estratégia a ação tática de guerrilhas de um grupo de “eleitos” e desprezam a necessidade do partido revolucionário da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo em que chamava atenção para o caráter progressivo da Revolução Cubana e a defendia incondicionalmente contra todo tipo de ataque do imperialismo e da burguesia, Moreno sublinhava a necessidade de se construir partidos trotskistas - direções operárias revolucionárias - em Cuba e em toda a América Latina para se combater, intransigentemente, no campo revolucionário, a corrente não operária do castrismo,

contra seu caráter oportunista e burocrático, que naquela época defendeu a aplicação mecânica do método de guerrilha em todos os países do continente. Apesar de seu equívoco estratégico com respeito à ação revolucionária para a América Latina, uma característica de Che, que o destacava como um revolucionário autêntico, era o seu anti-burocratismo que se traduzia na sua luta contra qualquer tipo de privilégios para os dirigentes e sua insistência da importância da planificação e centralização da economia cubana como motor do desenvolvimento socialista, e, como também, do progresso permanente da consciência revolucionária nos trabalhadores. Já próximo do final de sua epopeia revolucionária, quando acampado na mata boliviana em 14 de junho, no dia em que completaria 39 anos, Che escreveu em seu diário, entre anotações sobre a economia socialista e seus registros cotidianos, uma reflexão em tom fatalista: “Estou me aproximando inexoravelmente da idade em que meu futuro como guerrilheiro tem que ser revisto. Por enquanto, ainda estou inteiro.” combate socialista 11


Internacional

ESTADOS UNIDOS: FALÊNCIA DO IMPÉRIO? Miguel Lamas UIT-QI

O assim chamado “corte do governo”, que suspendeu o emprego de 800 mil funcionários públicos durante duas semanas e colocou o país à beira do “default”, embora tenha fechado um acordo temporário no último momento, mostra a profundidade da crise e da política econômica dos Estados Unidos. O acordo alcançado em 17 de outubro, data limite para que os EUA ficasse sem condições de cumprir seus pagamentos, e que poderia causar problemas muito sérios para a economia mundial, não resolve nenhum dos problemas estruturais e tampouco resolve a disputa e a crise dos partidos imperialistas, democratas e republicanos, cada vez menos confiáveis diante de sua população global. O acordo para elevar o " teto da dívida " é temporário, irá durar até 7 de fevereiro. A dívida do governo ianque é de 16,8 trilhões (milhões de milhões) de dólares (equivalente ao total do produto interno bruto). Um pouco mais de um trilhão dessa dívida está em mãos do governo capitalista chinês e quase outro tanto em mãos do Japão. O resto é majoritariamente devido aos próprios capitalistas ianques (ou à Reserva Federal, gerido pelos banqueiros) e aos países árabes produtores de petróleo. A "paralisação do governo " já aconteceu cerca de 17 vezes na história moderna ianque, porém não com uma ameaça de suspensão do pagamento da dívida em meio à uma crise capitalista global. O acordo político é uma solução conjuntural. Porém o que não se resolve é a crise de fundo do imperialismo, tanto econômica como política. Os distintos setores capitalistas brigam entre si e contra os trabalhadores, buscando alcançar o maior lucro possível, explorando cada vez mais a classe operária, eliminando serviços sociais e disputando reduções de 12 combate socialista

impostos e “ajudas” estatais a um ou outro setor econômico, etc. Nos Estados Unidos esta disputa se expressa sem mediações no Congresso, porque cada deputado tem seus próprios financiadores, empresários que pagam suas campanhas eleitorais e muitas vezes os próprios deputados são fortes acionistas das maiores empresas. Logo, cada qual defende seu próprio negócio. Neste momento uma das principais disputas é o chamado " O bama Care ", plano de saúde de baixo custo, uma das promessas de campanha de Obama, que o Partido Republicano quer boicotar (50 milhões de americanos não têm seguro de saúde e a medicina é extremamente cara). O “ Obama Care” não é sequer uma saúde gratuita, somente um serviço mais barato para os pobres, a US$ 100 por mês, com subsídio do Estado, para torná-lo “acessível a todos” de acordo com Obama. Os milionários não querem pagar impostos O enorme déficit dos EUA tem a ver em grande parte às mudanças neoliberais que significaram uma verdadeira contrarrevolução econômica contra os trabalhadores e os pobres. Nos últimos 30 anos reduziram os impostos sobre os ricos, argumentando que isso iria os ajudar a ganhar mais e, portanto, impediria uma crise econômica. Enquanto os impostos sobre os lucros das empresas responderam por 6% do PIB norte americano na década de cinquenta, agora nem mesmo chegam a 2 %. Nessa época, para cada dólar pago em impostos por um trabalhador dos EUA, as empresas pagavam três, mas agora pagam apenas 22 centavos de dólar (Cinco Falácias fiscais Inventadas por 1%). De acordo com um relatório do Escritório do Orçamento do Congresso, cortes de impostos dos EUA que estão sendo feitos pelo governo têm um custo de 900.000 milhões de dólares este ano. E se a estes são adicionados os auxílios

fiscais aos ricos e o que se perde pela evasão de benefícios aos paraísos fiscais, a queda anual das receitas do Estado é de cerca de 2 trilhões de dólares. Isso é mais que o dobro do déficit. Para “solucionar" o mesmo se fecham hospitais, escolas, asilos e agora os republicanos querem, inclusive, anular a reforma da saúde. Tudo isso não foi mudado por Obama, que também aumentou os gastos militares para mais de 700 mil milhões de dólares por ano, o maior gasto na história dos EUA. A crise política A crise política não só expressa esta disputa pela distribuição dos benefícios capitalistas, mas principalmente as mudanças graduais, mas importantes, na consciência dos trabalhadores e dos pobres. O movimento da juventude " Nós somos os 99% ", observando que apenas 1% dos ricos se beneficia da economia, expressa essas mudanças de amplos setores, como as greves de professores de Chicago contra o fechamento de escolas, que questionaram diretamente os gastos militares, e o movimento anti-guerra, que transformou as guerras imperialistas em algo

massivamente impopular depois da derrota no Iraque. Esse foi um dos fatores que impediu Obama de bombardear a Síria e realimenta a crise imperialista. Sem dúvida, toda esta luta

política parlamentar também terá um efeito educativo sobre setores importantes das massas que, a cada dia mais desconfiam do sistema político bi partidarista e imperialista, democrata – republicano.

Eleição histórica da esquerda argentina Com índices altíssimos em várias províncias e na Capital Federal, a FIT – Frente de Esquerda e os Trabalhadores conquistou uma eleição histórica. Formada pelo PO (Partido Obrero), o PTS (Partido dos Trabalhadores pelo Socialismo) e a IS (Esquerda Socialista), três organizações de origem trotskista, a frente elegeu 3 deputados federais e 6 estaduais nas restritivas eleições que renovou a metade das bancas legislativas em todo país. Alguns destaques da eleição da FIT foram a Província de Buenos Aires, com 5,04% dos votos, Mendoza, com 14,13% dos votos, Capital Federal com 5,65 %, Córdoba com 7,5%, Salta ocupando o segundo lugar com 19,11% ou Rio Negro com 8,58%. Pese as grandes votações obtidas em Córdoba, Rio Negro, ou Capital federal, o restritivo sistema eleitoral argentino impediu a obtenção de bancas nessas províncias. Os 1.360.000 votos da FIT a nível nacional, o equivalente a uns 6.800.000 de votos no Brasil se tomamos em conta a sua população, demonstram que Argentina faz parte do mapa dos países que querem impor mudanças de fundo aos governos e regimes que, ainda posando de progressistas, aplicam planos econômicos de ajuste em consonância com a política do Banco Mundial. Numa próxima edição estaremos fazendo um balanço mais acabado deste importante avanço da esquerda argentina.

Cs 51 menor (1)  
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