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José Rodrigues é o novo Secretário Geral da Fentect José Rodrigue s dos Santos Neto, 49, advog a d o e sindicalista foi eleito Secretário Geral no XI Contect(Con gre s s o Nacion al dos Trabahad ore s dos Correios), maior instân cia da categoria, ocorrido de 12 a 17 de junho/2012, em Fortaleza- Ceará. Aos radialista s Marco Aurélio e Gleydjane Moura, que fazem o program a Revista Popular Sindical na Rádio Pioneira de Teresina, Rodrigue s conta como tudo aconteceu. “A minha eleição foi uma vitória da categoria...” Confira.

Qual sua avaliação desse Congresso que o elegeu Secretário Geral? José Rodrigues – Bastante disputado e durante 5 dias em Fortaleza-CE, a delegação que se organizava em torno das oposições, por conta das últimas traições ocorridas na categoria, com a cooptação de sindicalistas como o Cantuara que hoje é diretor em Brasília, com alto salário, e o Talibã, que é o atual secretário geral da Fenctect, na greve do ano passado, de 28 dias, aceitou a imposição do TST(Tribunal Superior do Trabalho) e orientou os sindicatos a recuar da greve, permitindo a intervenção do judiciário nas negociações coletivas. Não podemos permitir isso. Então foram erros graves, e por isso a categoria se revoltou porque está sofrendo muito ataque e, inclusive na última greve, os carteiros ainda estão pagando o banco de horas e nem isso foi negociado, então há uma revolta dos trabalhadores dos correios de todo país, em especial os do Piauí, não só carteiros, mas todos os trabalhadores dos Correios podem contar com o compromisso sério desse bloco de oposição que derrotou o setor da Articulação do PT que vem enganando os trabalhadores com políticas de alianças com o governo, dando prioridade a partido político, e para nós, primeiro é a categoria, o trabalhador que contribui com o sindicato e com a Federação. Você esperava por essa vitória? Rodrigues - Eu não imaginava a liderança que a gente conquistou nacionalmente. Ganhamos a eleição com a diferença de dois votos, isso na madrugada de sábado para domingo, então foi uma vitória da categoria, não foi uma vitória pessoal, porque eu mesmo não esperava. Você se acha preparado para mais esta atividade? Rodrigues - Isso envolve mudanças muito radicais, como a questão familiar, mas me acho preparado, por conta mesmo do conhecimento que adquiri em todos esses anos, na reivindicação da categoria, conheço as lideranças em todo o país, de cada sindicato, sei que muito deles não são maldosos, são enganados, envolvidos pela política do capitalismo que prejudica muito o trabalhador. Não é à-toa que vários sindicalistas morrem de derrame, adoece ou fica inválido, porque é uma perversidade grande, então fui eleito liderando esse bloco de oposição, e assumo o compromisso com os trabalhadores dos Correios de lutar com coerência, com tranqüilidade, com diálogo, e pela primeira vez vai secretariar os 35 Sindicatos dos Correios do Brasil, um sindicalista e advogado.


Como advogado você acha que isso facilita o diálogo? Rodrigues - Imagino ter um diálogo melhor com os advogados da nossa federação, com os advogados dos sindicatos e também com os advogados da Empresa, ou seja, faço avaliação que isso vai facilitar porque tenho o entendimento que o setor jurídico tem uma importância grande e quem não é da área é muitas vezes manobrado pelos advogados, então foi uma vitória espetacular e os trabalhadores como já disse podem contar com nossa aguerrida luta. O Correio continua como empresa pública? Rodrigues – É uma empresa 100% pública, apesar de no ano passado a presidente Dilma aprovar a MP 532 modificando-a para sociedade anônima, de capital fechado e como próprio nome sociedade anônima diz, mas no momento ainda está sendo capital fechado, a empresa está se adequando, arrochando salário, tentando reduzir direitos, para o capital aberto, e isso é um passo para o governo conseguir, mas vamos combater isso, porque isso é andar para trás. No momento que entra o capital privado, o objetivo vai ser só um: lucro. Com essa medida você acredita ser um passo para a privatização da empresa? Rodrigues – Não tenho a menor dúvida, pois o trabalho social do Correio vai ser colocado em terceiro plano. Então, quando entra o capital privado, já existe uma certa privatização da empresa, pelas terceirizações, muitos setores dos correios sendo terceirizados, inclusive as atividades fins como Carteiro, Atendente, OTT e principalmente motorista, porque o setor de transporte do Correio está quase todo terceirizado, está com mais de 15 anos que não há concurso público para motorista, então temos que acabar com isso. Através de uma ação judicial nós acabamos com a terceirização mas ainda vai ser julgado o processo da fase final no TST, que está analisando, dizendo que a súmula 331 do TST, não é a melhor forma de diferençar a atividade fim de atividade meio, ou seja, eles já estão discutindo, principalmente os tribunais superiores, que fazem mais um trabalho político do que jurídico. Eles fazem aliança para ajudar o governo de plantão, então isso é uma traição. Estão atuando contra a Constituição brasileira, que é bem clara quando definiu que todas as empresas públicas têm que contratar através de concurso público, ou seja, é um absurdo se o TST resolver mudar essa súmula, que é uma decisão de todo o Tribunal Superior do Trabalho. E sobre a campanha salarial desse ano, qual sua avaliação? Rodrigues – Na verdade a campanha salarial já começou. Neste XI Congresso nós aprovamos a Pauta Nacional de Reivindicação, a Convenção, enfim, fizemos algumas mudanças necessárias no Estatuto, até voltarmos a ter uma federação democratizada, principalmente voltar que só pode ser assinado o ACT com autorização de 2/3 dos sindicatos e isso foi uma das conquistas, já na mudança do Estatuto que estava apenas 50% mais 1. Outro ponto importante que aprovamos no Congresso, foi um Comando mais amplo, pois estava sendo feito o Comando com apenas 7 membros, e com este número ficava fácil do governo e da direção da empresa cooptar, com promessas de cargos. Por isso que a gente diz que a greve estava sendo traída. Os carteiros hoje me questionam nos CDDs: José Rodrigues não adianta a gente fazer greve porque eles traem a gente lá em cima. E aí nós ampliamos esse comando de negociação, vai ser 1 por sindicato, ou seja, 35 membros, mais 6 membros da direção da Fentect. Então são 41 membros que vão negociar. E destes 41, elege-se 15 para ir negociar com a Empresa.


Por que isso? Rodrigues - Porque 41 é muito confuso para negociar com a Empresa, mas esses 15 só vão definir alguma coisa se os 41 autorizar, só vão assinar alguma coisa se 2/3 dos sindicatos autorizar. E sobre o percentual de reajuste? Rodrigues – Decidimos por um piso salarial de R$ 2.500,00, reposição da inflação do período, reposição das perdas no percentual de 43% e aumento linear de R$ 200,00, etc. O que você destacaria para sua gestão, que será diferente da anterior, que você chama de traidor? Talibã no colo do governo Rodrigues - Esse grupo que estar na direção da Fentect comandado pelo Talibã, que é o secretário geral, está totalmente no colo do governo. Na minha gestão a diferença é que vai haver uma mudança de direcionamento das discussões. A empresa vai respeitar os trabalhadores. Vai negociar de fato e não vai marcar reunião com os trabalhadores e nem aparece, vai ter que respeitar porque vamos coordenar esse bloco de oposição, vencemos a eleição com o clamor das bases em todo o país, então temos que fazer diferente. Uma diferença de voto do Talibã que era da Articulação, com o racha do PC do B, a diferença foi apenas de 2 votos, 131 a 129, com duas abstenções. Nós vamos organizar a reivindicação do PCCS que estamos a quase 5 anos discutindo e a empresa enrolando e só termina discutindo PCC, o S de salário sai. Não quer melhorar o piso salarial do setor operacional e não podemos permitir que continue com R$ 800 reais, temos que ter um piso decente, pago por uma empresa que tem o lucro que tem, a credibilidade que tem não podemos permitir. Existe previsão para concurso? Rodrigues - Existe o pessoal aprovado no concurso do ano passado, que eles estão chamando aqui e acolá, em alguns estados estão terceirizando, mantendo a terceirização, e aí em outros cargos não vão fazer outro concurso, mas vão ter que fazer porque há uma necessidade muito grande de trabalhadores nos Correios. Qual é o faturamento anual dos Correios? Rodrigues - Só no ano de 2011, o lucro que a empresa apresentou e aí não sei se tem transparência nisso, foi em torno de 900 milhões de reais. Mas não reconhecem a importância dos trabalhadores. Não é só carteiro, atendente, ott que o salário está defasado, são o de todos os trabalhadores dos Correios ganhando mal. E aí a empresa fica criando um monte de funções de confiança, para poder dividir a categoria e deixar aqueles que acreditam que podem ainda assumir uma função, naquela expectativa para não participar do movimento, não participar de greve. Não lutar. Ou seja, uma divisão maldosa para prejudicar toda a classe. E a posse está marcada para quando? Rodrigues – Para o dia 5 de julho em Brasília-DF. Estamos alegre, não pela vitória pessoal de José Rodrigues um piauiense, mas pela vitória do bloco de esquerda que organizamos durante esses anos, e principalmente durante o XI Congresso. Foi uma vitória espetacular, uma vitória dos trabalhadores.

Entrevista Jose Rodrigues - Secretario Geral  

Entrevista Jose Rodrigues - Secretario Geral da FENTECT

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