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1 Ano 5


APRESENTAÇÃO Com muita alegria entregamos para cada um/a de vocês um novo Espaço Mariano. Em sintonia com a CF e as orientações litúrgicas da Igreja, em 2014, daremos uma atenção especial ao Evangelho de Mateus, cujo evangelista anuncia que as promessas da antiga aliança se realizam em Jesus. Nosso Salvador é apresentado por Mateus como o “Mestre da justiça”, que veio habitar entre os humanos para realizar o projeto de Deus. A Boa Nova do Reino de Deus se transforma em alicerce das comunidades cristãs, comprometidas no seguimento de Jesus e dispostas a dar continuidade à sua missão (Dom Leonardo Ulrich Steiner, CNBB, Diretório da Liturgia). Com o profundo desejo de que a Boa Nova do Reino de Deus se transforme em alicerce das nossas comunidades, Irmã Monica apresenta neste número de Espaço Mariano, Maria no Evangelho de Mateus, dando ênfase à presença de José e sua relação, qualificada pelo amor, com Jesus e com Maria na casa de Nazaré. Por sua vez, o jovem Valdinei, nos presenteia com uma reflexão sobre o Evangelho de Mateus e sua comunidade. Mateus apresenta os discípulos como aqueles que ainda não entenderam totalmente a proposta de Jesus; que o discipulado requer um processo, uma busca constante. Jesus anuncia o Reino em várias dimensões: o semeador, a semente de mostarda, o fermento, o tesouro escondido, a rede lançada ao mar. Jesus ensina e explica. Seu objetivo comum é mostrar que colocar-se a serviço da missão, significa ser construtor/a de Reino, de um novo povo; que a missionariedade desejada por Jesus está pautada no amor a Deus que conduz a amar os irmãos. Neste sentido, temos a alegria de conhecer mais um pouco a história de Madre Elisa Andreoli e de Maria Inglese, cujo encontro enriqueceu a espiritualidade tão atual da família religiosa das Servas de Maria Reparadoras, ou seja, o compromisso de viver os valores da comunhão entre irmãs e irmãos, de servir a exemplo de Maria, a Serva do Senhor, de viver a reparação evidenciando os valores do Reino escrevendo deste modo, através da própria vida, a história de hoje, junto às pessoas em situações de vulnerabilidade ao tráfico, de prevenção, de proteção, do respeito à dignidade humana, enquanto irmãos e irmãs em Jesus Cristo. A redação


I MARIA DE NAZARÉNO EVANGELHO DE MATEUS Somente nele encontramos... Existem situações na nossa vida que faz pensar: “Isso não pode ser normal”! Ou: “Duvido que seja possível!”. Com o Evangelista Mateus inicio este ano com esta reflexão sobre Maria de Nazaré. Por isso a afirmação “somente nele encontramos...” uma específica citação sobre Maria de Nazaré sempre ligada aos amados: o filho Jesus e o esposo, José. Esta realidade não será contemplada, por enquanto, mas aprofundada ao longo deste ano. Entretanto, neste evangelista percebemos uma atitude existencial entre Jesus, Maria e José, apresentada de certa forma “exagerada” induzindo ao “... não pode ser desse jeito...”; “... será assim mesmo”? Então... convido a observar as figuras com atenção e deixe-se envolver por elas. Certamente um dos sentimentos que emerge da observação é satisfação por acreditar que essa atitude entre José e o menino Jesus foi vivenciada e testemunhada por Maria no aconchego de Nazaré. Iniciada em Belém, período não narrado nos evangelhos da infância ou pré-evangelhos do próprio Mateus e de Lucas nos primeiros Capítulos. Todavia, a alegre relação entre José e Jesus foi compartilhada, incentivada e mantida pela esposa/mãe daquela casa em Nazaré onde os dois viviam. Faz bem começar um novo ano do nosso folheto Espaço Mariano, com a clareza da afirmação: “pode ter acontecido”, “isso é normal”. 2

Afirmo que sim, pelo simples fato de que esses seres humanos amavam-se e o amor é contagioso, se propaga, se espalha, e, é para todo ser humano o desejo maior de amar e ser amado/a! Maria, segundo Mateus, é submissa ao esposo José, como característica do estilo literário da época de Mateus, cuja comunidade convivia com tranquilidade. É o que lemos nos dois Capítulos iniciais (cf. Mt 1 e 2). O desafio é formar-se marianamente. A provocação que faço é descobrir a protagonista que Maria foi para a vida desses dois homens, a ponto das narrações sobre Jesus, Maria e José, nos envolver, nos levar a contemplar o Mistério da filiação, da maternidade e paternidade, porque Deus se comunicou a um homem e a uma mulher. Leia com atenção a narração do “anúncio a José” (Mt 1). A comunicação com Maria encontra-se em Lc 1. Este ambiente de anúncio divino e de acolhida do casal de Nazaré faz de Jesus, Mestre e o Cristo, o Esperado, o Messias. Ele nos envolve no sorriso, no abraço, enviando-nos aos braços dos mais necessitados, às “estrebarias” das comunidades onde estamos e onde ainda não estamos. Contudo, refletir/meditar os textos sobre o casal de Nazaré, significa chegar à contemplação do Emanuel o Deus conosco. Há uma cumplicidade de amor que é o próprio Deus, na relação de Maria, Jesus e José. Foi inspirado quem escreveu o mantra: “Deus é amor, arrisquemos viver no amor. Deus é amor, Ele afasta o medo!” A maravilhosa leveza de experimentar a presença de Deus na vida possui uma certeza que perpassa e se mantém. Assim foi na vida de Maria, da comunidade de seu tempo e pode ser na nossa também. O imperativo para essa constância é exercitar-se no contemplar o cotidiano que nos oferece descobertas inusitadas, “perder-se nos detalhes da relação com a outra pessoa, com a natureza e, talvez, deixar-se envolver pelas palavras do coração orante. De fato, o mistério foi internalizado por Maria, porque ela não deixou muito espaço para as expressões: “isso não pode ser normal”! Ou: “Duvido que seja possível”! Faça o exercício de observar José, apresentado por Mateus na cena do anúncio: “... o

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Na Igreja começou um novo Ano Litúrgico com o tempo do Advento. O Ano Litúrgico se configura pela passagem em situações e contextos mais importantes da vida de Jesus que culmina na sua Paixão, Morte e Ressurreição. O Evangelho é o próprio Jesus Cristo, sua mensagem messiânica e salvadora. O Cânon Romano nos apresenta os Evangelhos que assemelham entre si, uma vez que a narração de Marcos dá base à narração dos demais, exceto de João. Por isso, conhecidos como Evangelhos sinóticos são apenas os três primeiros da ordem canônica. Marcos apresenta uma Igreja Discípula que fez a experiência do mestre. Mateus uma Igreja Missionária que de maneira mais didática insere a todos na continuidade do povo de Deus. Lucas uma Igreja Servidora, comprometida com a causa do Reino. Enquanto João fica fora dessa lógica já que seus escritos divergem e não se assemelham mais contundentemente com os mesmos, mas

não se exclui seu modelo histórico e litúrgico na história da Salvação. Nesse Ano A, um novo Ano na Liturgia Romana, celebra-se o mistério da fé a partir das reflexões do Evangelho de Mateus e sua comunidade. Ele apresenta de maneira mais didática e densa a história da Salvação, a sua experiência e a do seu povo com o Mestre. Levi como diz Marcos e Lucas, um cobrador de impostos, subordinado às leis dos publicanos cobrava altas taxas de tributos, tirava do povo, sobretudo, os mais explorados eram os pobres, pessoas simples e castigadas pelo sistema nacionalista da época. Segundo a história da tradição o Evangelho de Mateus foi escrito em Aramaico, língua falada por Jesus, embora tenha vestígios de alguns relatos em grego. Há estudos como apresentado no artigo de Luis Heriberto Rivas de que o Cenário histórico é a região da Palestina ou Síria e que a obra tenha sido construída aproximadamente pelos anos 80, ou seja, após a destruição do Templo de Jerusalém, período de grandes problemas de perseguição. Mateus narra a vida de Jesus a partir da descendência de Davi, muito parecido com alguns relatos do Primeiro Testamento que narram a descendência do povo de Israel. Isso porque quer mostrálo num contexto de família patriarcal, onde existe uma cabeça centralizadora de decisões e direcionamento do povo. Começando de Abraão até chegar a José que aceita o projeto de Deus e assume Jesus nas raízes de sua descendência. Isso para dar sentido à maneira como Jesus é apresentado inicialmente na obra como o Emanuel o “Deus Conosco”, ou seja, o anunciado pelos profetas no Primeiro Testamento, nascido e esperado pelo antigo povo de Deus para recuperar o reino estagnado de Israel. Agora quem o anuncia e profetiza um novo tempo a partir de Jesus é João o Batista, que batiza o próprio Jesus no rio Jordão, na Galileia. Simbolicamente o espaço dos esquecidos também será o espaço de sua iniciação na vida pública a partir do batismo. João Batista realiza uma verdadeira catequese, os que entendiam sua mensagem confessavam seus pecados e pediam o batismo. O batismo é o sinal de adesão e pertença ao reino, portanto logo após a prisão de João, Jesus voltará à Galileia, e Mateus fará referência a narração de

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mensageiro do Senhor lhe disse: não temas...” (cf. Mt 1,20). É possível entrever Maria, esposa prometida (cf. Mt 1,18), à luz de uma relação sem medos, sentimento que às vezes inspira postura libertadora com sabor e com sentido de vida ! É possível perceber que ambos, crescem na relação de “aconchegar na alegria e ternamente a vida”, ou seja, Jesus. Para nós o Cristo, Mestre, Senhor! Partilhe com alguém, converse em grupo. Ir. Maria Monica Gomes Coutinho, smr Rio de Janeiro

II EVANGELHO DE JESUS SEGUNDO A COMUNIDADE DE MATEUS: UMA IGREJA MISSIONÁRIA


Marcos (1,16-20) ao começar a chamar os discípulos ao seguimento consciente e comprometido: “Sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens”. Não se vê aqui uma preocupação no sentido de recusa ao chamado. Sem se preocupar com as consequências, eles deixam tudo, literalmente tudo, e seguem a Jesus. Até aqui Mateus está narrando um discipulado de quem fez experiência do mestre e ainda testemunhou as grandes obras realizadas por Ele. Mas, é fato que a fama de Jesus se espalhou, e estando Jesus na montanha, lugar de preferência d’Ele para a intimidade com o Pai, as multidões vão e Ele começa a ensiná-los (5,1-12). Aqui se configura o novo Moisés. No Primeiro Testamento, o escolhido para guiar o povo à libertação. No Segundo Testamento, o enviado para libertar o povo de um sistema opressor que denigre o homem, e destrói o desejo de Deus que é construir o reino para todos. A partir desse relato, Mateus começa a referenciar uma Igreja missionária, não só ouvinte e seguidora, mas comprometida com o anúncio da Boa Noticia. Por isso, é preciso descer do monte. Descer simboliza voltar às estruturas opressoras e ser presença vivificadora e libertadora do povo. É preciso viver e testemunhar a fé. Por isso Jesus chega a dizer que “vocês são o sal da terra... vocês são a luz do mundo” (5,13-14). É preciso comprometimento com a missão, ao contrário deixam de ser discípulos. Podem ser discípulos sem ser missionários, mas não se pode ser missionário sem ser discípulo/a. O missionário precisa se comprometer, estabelecer novos relacionamentos pautados na escuta e no perdão. No amor que nos leva à compreensão do/a outro/a. Mateus antecipa a narração do Pai nosso. A oração do Pai nosso é o resumo da mensagem de Jesus. Narrado também por Lucas de maneira mais curta, porém não significa que seja a fórmula original ou que Jesus tenha ensinado em duas ocasiões. O Evangelho narrado por Mateus vem primeiro na ordem, justamente por se mostrar mais didático e litúrgico. Até na oração do Pai nosso é possível perceber essa catequese, uma vez que Mateus esteja falando para judeus neoconvertidos, para fariseus (grupo dos criticados por Jesus) e pagãos. Não há como falar de missionariedade sem aprofundar esta Oração. 6

Outro momento dos relatos traz o chamado de Mateus. Ele chega a ser questionado por se pôr à mesa com pecadores. A mesa é o espaço da fração, da comunhão. Daqueles que aderiram à catequese e se colocaram a comungar de um mesmo ideal. Embora estejam também à mesa os demais pecadores, Mateus mostra que não há missão separada da misericórdia. É preciso compreender que Jesus não quer sacrifício, e sim compaixão, misericórdia. A missionariedade precisa ser comprometida com uma resposta firme à bondade que não julga, mas nos convida a contribuirmos para a construção de um Reino de compaixão e misericórdia. Por isso Ele vem contrapor um sistema de leis que classifica o homem como pecador e não lhe dá abertura à mudança. Assim, ainda em meio à sua prática Jesus tem a necessidade de continuar a chamar. Aquele povo está meio que sem pastor. Precisa-se de operários, pessoas que se comprometam com a missão: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita” (9,37). Ele continua a chamar. Mostra que todo ser humano é corresponsável pelo projeto da salvação. Há trabalho para todos, e a catequese precisa ser uma catequese que forme discípulos missionários como o Documento de Aparecida ressaltou de maneira densa e atual. Tanto que, a partir do Capítulo 10, Jesus chama os discípulos, dá nome e autoridade para agora saírem. Jesus já sente que sua mensagem não pode ficar retraída apenas a uma minoria. Precisa ser difundida para todos. Por isso, os envia. A partir daqui, Mateus já enfatiza mais a palavra “Apóstolo”. O grupo dos Doze protagoniza a missão salvífica de Jesus. Saem agora para fazerem discípulos missionários, formar o novo povo de Deus. Eles são alertados que o seguimento gera perseguição, por isso, alerta que são enviados como ovelhas em meio a lobos (10,16). O discípulo missionário precisa estar aberto às novidades que lhes são apresentadas na caminhada. Entre elas, estão as dificuldades. Estar com o Senhor é sinônimo de afastamento de situações impostas pela sociedade que nos fazem diferenciados. Por isso, ser do Senhor, permanecer com o Senhor, ser a voz do Senhor incomoda a muitos. Pois, sua mensagem gera no verdadeiro missionário comprometimento com os pequenos. E 7


também saber escutar as pessoas, pois é um dar e receber no processo de evangelização... Nesse contexto, João Batista ouve falar de tantas obras que Jesus realiza e quer saber se é Jesus o esperado pelo povo de Israel, Então, envia seus discípulos que voltam com a resposta do Mestre: “... e digam o que eles estão vendo. Mas, Jesus também alerta que, infelizmente, muitos ouviram e viram, no entanto não se converteram”. Entre eles estão muitos das cidades por onde ele passou bem como diversas autoridades. Que não só ouviram a Ele, mas ainda tiveram a oportunidade de ouvirem a catequese de João Batista. Uma catequese comprometida na construção do reino, por isso se alegra por esse reino ter sido revelado justamente aos pequenos. Depois de relatar isso, passando ainda pela cura do homem com a mão paralisada, pela narração do reino dividido, pelos sinais que o povo busca; Mateus conclui o Capítulo 12 fazendo referência a Marcos, narrando o momento em que sua “mãe e seus irmãos” chegam a sua procura. Os discípulos estão com sua mãe. Discípulos aqui não se trata apenas dos Doze, mas daqueles que já se colocaram ao seguimento. Eles ficam de fora porque também Mateus apresenta-os como aqueles que ainda não entenderam a sua proposta. Por isso Jesus diz: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, pois todos os que fazem a vontade...” (12,49-50). Em meio a tantos sinais de libertação muitos ainda não entenderam o Reino. Ele começa a ensinar em parábolas. Mostra o reino em várias dimensões: o semeador, a semente de mostarda, pequena, mas, com propriedades que multiplica grande quantidade de novas sementes, o fermento, o tesouro escondido, a rede lançada ao mar. Jesus ensina e explica. O objetivo comum é mostrar que ao se colocar a serviço da Missão compromete-se em ser construtor desse reino que nas parábolas têm objetivos comuns: formar um novo povo, disposto a viver um novo projeto, um novo reino. Afinal Jesus veio para todos, sem exclusão de pessoas. Mas convida a uma acolhida comprometida e servidora, por isso Mateus mostra também a inauguração de um novo sistema econômico baseado na partilha: a multiplicação dos pães (15,34-38).

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A missionariedade exige cuidado. É preciso ficar atento ao fermento dos fariseus, pois suas ideologias podem corromper o verdadeiro missionário/a, levando-o a romper com o projeto de Deus. Tudo que Jesus fez gera na comunidade diversos comentários. Ele se dirige e pergunta: “Quem dizem os homens que é o filho do homem?” (16,13) muitas são as respostas. Mas Jesus ressalta a de Pedro que professa a fé que tem em Jesus; e antecipa confiando-lhe a responsabilidade de conduzir a sua Igreja, o grupo do novo povo de Deus que está sendo formado, e continua subindo para Jerusalém. Pois, o verdadeiro Rei precisa ter honras de Rei. Seguilo exige tomada de consciência para carregar a cruz, ser como criança, e doar-se para partilhar. Prometendo ser glorificados com Ele. (19,27-30). Jesus então começa a falar da sua subida a Jerusalém, da sua entrega. Aqui (20,29-34) os cegos filhos de Zebedeu representam aqueles que voltaram a ver e seguiram a Jesus, mostrando comprometimento com serviço. Depois disso começa a subir para Jerusalém, passando pelo Templo expulsa os vendedores, faz referência à destruição do mesmo, abrangendo a reconstrução a partir da Ressurreição, acrescenta que a comunidade de seguidores que não se colocar a serviço da missão e não produzir fruto será como uma figueira estéril, incapaz de suprir a necessidade biológica do homem. A missionariedade desejada por Jesus está pautada no seu desejo de amor a Deus que nos leva a amar todos os irmão e irmãs. O Papa Francisco desejoso de uma Igreja menos Institucionalizada, mais acolhedora e esvaziada de si mesma, que saia das periferias imaginárias e territoriais, direcionada à justiça social e testemunha do Cristo servidor de todos, a fim de nos prepararmos para o Senhor que vem, como relata Mateus falando sobre os sinais dos tempos: a postura do Papa Francisco não é novidade é um retorno às raízes da Igreja Nascente. Jesus Cristo a instituiu assim: pobre, servidora, acolhedora, esvaziada de si e missionária. O desafio para atualizar o jeito de ser Igreja hoje é ir, especialmente para as novas inserções no mundo e promover a justiça social porque a paz mundial é fruto da justiça. 9


Jesus Morreu, mas está vivo! Ele ressuscitou: seu corpo foi roubado, não está mais lá... Mas o amor venceu a morte, a doença e o mal para sempre. Encerrando a obra de Mateus, os onze foram à Galileia. Vale lembrar que a Galileia é o espaço onde Ele foi batizado e começou sua vida pública. É também lá que o Ressuscitado os envia: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (28,16-20). Portanto, como batizado/a participa-se de um novo povo, o povo de Deus com a responsabilidade de testemunhar a fé, assumindo a missão de filhos e filhas de Deus, comprometidos na construção do Seu Reino que começa aqui e agora.

Valdinei Santana de Carvalho Paróquia de S. Antônio de Urandi – Diocese de Caetité/BA

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III Um dia memorial – 08 de dezembro 1913-2013 Centenário do nome de Servas de Maria Reparadoras

No dia 08 de dezembro celebra-se a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Nesta data, em 1913, Madre Elisa Andreoli anotava com alegria em uma de suas agendas: “Recebo Carta expressa do Bispo Pellizzo: “Nossa Senhora Imaculada, neste ano, lhe faz um presente: as Santas Constituições aprovadas; quartafeira as levarei em Rovigo. É uma Bênção!” (O Estatuto da Congregação é aprovado!). E Elisa, muito feliz, comenta: Deo Gratias! (Obrigada Deus!). Deus não se deixa vencer em generosidade!”. Na quarta-feira seguinte madre Elisa anota: “Irmã Madalena com Irmã Nazarena vão ao Episcopado: Dom Pellizzo entrega a elas as Constituições aprovadas pela Igreja. Laus Deo!” (Louvor a Deus!). Eram diversos os motivos da espera das novas Constituições: tratava-se de um Texto mais completo e aberto às exigências da Família religiosa no processo de expansão e agregada à Ordem dos Servos de Maria por exigência da própria Igreja. Além disso, este presente tão desejado e solicitado, libertava Madre Elisa de uma significativa preocupação: as novas Constituições continham também o elemento carismático da Reparação Mariana. De fato, o Bispo conhecia muito bem a intenção e o caminho já percorrido neste sentido por Madre Elisa e Maria Inglese. Esta última, já era terciária (associada à espiritualidade) dos Servos de Maria, já havia dado início à Pia obra reparadora em honra de 11


Maria Santíssima. Ela entrou na Congregação das Servas de Maria, em dezembro de 1911, e emitiu a Profissão religiosa em maio de 1913, recebendo o nome de Irmã Maria Dolores Inglese. Em seguida, nomeada responsável pela Obra Reparadora, ela também desejava ardentemente que fosse difundido o empenho de louvor e de reparação à Virgem Maria, pois se tratava de um grande valor espiritual e apostólico, a ser difundido entre os fiéis, como já era costume divulgá-lo através do Folheto “Quanto é boa Maria”, que a própria Maria Inglese criou e continuava a elaborando-o. Este livrinho indicava a finalidade, a oração e o empenho em relação à reparação. O dia 08 de dezembro de 1913 assume, para as Servas de Maria Reparadoras, um notável significado espiritual, ou seja, a realização de uma identidade carismática no seu processo de consolidação que, aos poucos, vai acontecendo. Nela, os valores da fraternidade, da vida em comunidade entre irmãs, do serviço e da reparação, vividos no sulco da Família Servita, isto é, dos Servos e Servas de Maria que, iluminados pela Regra de Santo Agostinho, harmonizam-se em um único empenho no anúncio dos valores do Reino. Tal empenho é fortificado pela inspiração em Santa Maria, a mulher do “Sim” ao Senhor, a Mãe dolorosa junto à cruz do Filho, presente na Igreja das origens e sinal de esperança. Portanto, as Servas de Maria Reparadoras, continuam honrando a sua Senhora no dia 08 de dezembro, recordando também este dom do Espírito Santo e reconhecido pela Igreja; dom incluído no nome de Servas de Maria Reparadoras, que exprime “uma significativa composição de virtudes cristãs”, assim se expressou o Beato João Paulo II, em 1980. Nossa gratidão às veneráveis Madre Elisa e Irmã Dolores por terem amado, servido e difundido um carisma tão atual; às Irmãs, os Associados, a todos os que partilham desta espiritualidade, um apelo a escreverem através da própria vida, a história de hoje, junto a muitos irmãos e irmãs que necessitam de amor e de aproximação solidária. Maria Rosaura Fabbri smr – Roma

Concluindo o primeiro número de Espaço Mariano de 2014, Ano dedicado à Caridade Social e a Campanha da Fraternidade sobre o Tráfico Humano, temas que tocam profundamente o coração de toda pessoa convocada a ser discípula de Jesus, convida à conversão, à mudança de mentalidade, para que o Seguimento de Jesus Cristo seja edificante e sustente a Igreja em sua missão de anunciar o Evangelho e contemplar a dimensão do amor vivido pela família de Nazaré. O amor se propaga, é contagioso, todo ser humano tem o desejo de amar e ser amado. Uma profunda gratidão a Deus brota ao coração por Ele, através do seu Espírito, ter suscitado na Igreja por meio de Madre Elisa, a espiritualidade da comunhão, do serviço inspirado em Maria Serva do Senhor, e da reparação, valores cristãos que, quanto mais são vividos, tanto mais harmonizam a pessoa e, consequentemente, se expandem. Portanto, somos convidados/as a acolher este dom e escrever através da própria vida a história, evidenciando a comunhão, a solidariedade, o bem, somando com outras comunidades, famílias, grupos, que vivem esta espiritualidade tão atual, buscando superar a globalização da indiferença em relação ao tráfico humano e outros desafios que afetam a nossa sociedade e o mundo, amando e servindo todos os filhos e filhas muito amados por Deus.

(Cf Irmã M. Rosaura Fabbri, IN: Rivista Riparazione Mariana, Rovigo – Itália, 4/2013, p. 21).

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Espaço Mariano nº 1 ano 5