Page 4

ARTIGO Marta Gardênia

O

Dr. Laerth Thomé Médico Psiquiatra e Conselheiro Titular

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: ‘o suicídio’ Albert Camus em

A Morte de Sísifo”.

4 | CRM-RR

SUICÍDIO

suicídio é mais que uma questão filosófica ou religiosa, é um problema de saúde pública. O “Setembro Amarelo” é uma campanha a nível nacional e internacional para se falar sobre esse tema que na prática tornou-se uma questão grave. Apesar da relevância e da incidência o problema é negligenciado, daí o Egrégio Conselho Regional de Medicina de Roraima dentro das prioridades previstas pela sua Câmara Técnica de Psiquiatria e por sugestão da senhora Presidente do CRM-RR, Dra. Blenda Avelino Garcia, da Comissão de Ações Sociais (CAS) do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Psiquiátrica Brasileira (APB) e considerando seu dever de participação na Sociedade Civil Organizada se fez representar em todos os eventos programados pelos organizadores do Setembro Amarelo ocorridos em Boa Vista. O suicídio é um fenômeno complexo e um tema amplamente relatado através dos séculos. Mas foi Emile Durkheim, em 1897, que usou de rigor científico em um vasto tratado sobre o tema. O termo suicídio surge no século XVII em tratados teológicos, religiosos e médicos e é formado do pronome sui (si) e do verbo caedere (matar). Também é um fenômeno multicausal que se caracteriza pelo ato de infligir a morte a si mesmo. Na raiz do problema interveem diversos fatores que vão desde os políticos, econômicos, ambientais, biológicos, psicológicos, genéticos, psicodinâmicos e socioculturais dentre outros. Desta maneira sua tentativa ou consumação impacta significativamente no plano individual, familiar e social e seus prejuízos podem ser detectados em várias gerações seguintes. É a consequência final de um de acúmulo de fatores e acontecimentos ocorrido longo da vida do sujeito. A Organização Mundial de Saúde estima que no mundo ocorram ao redor de um milhão de homicídios, enquanto as tentativas

de suicídio chegam a ser aproximadamente de 25 milhões por ano. No Brasil 17% da população, em algum momento de sua vida, pensou em se matar. Estamos no oitavo lugar em números absolutos de suicídios. Em 2012 foram registradas 30 mortes por dia e esse número é ainda maior se considerarmos o problema da subnotificação. Um coeficiente nacional de mortalidade por suicídio esconde importantes variações regionais. A Região Sul teve coeficiente médio de 9,9 suicídios para cada 100 mil habitantes, no triênio 2004-2006 (13,2 em homens e 3 em mulheres). No Centro-Oeste, no mesmo período, o coeficiente médio foi de 7,4 (9,1 em homens; 2,8 em mulheres). Nas regiões com menores coeficientes de mortalidade por suicídio, Norte (4,3) e Nordeste (4,6) algumas capitais notabilizam - se por índices que destoam da média regional: Boa Vista (9,30), Macapá (8,7) e Fortaleza (7,3). O Estado de RORAIMA, proporcionalmente a seu contingente populacional, depois do Estado do Rio Grande do Sul ,o segundo em violência autoprovocada de acordo com os registros no Sistema de Informação e Agravos - SINAN NET-503. Em 2015 foi observado um aumento de 60% de casos notificados. Apesar do envolvimento dessas questões na quase totalidade das tentativas de suicídios e naqueles consumados encontra-se presente uma doença mental o que denota a possibilidade de prevenção. Essa seria mais uma razão dentre tantas outras, a exemplo do Setembro Amarelo, talvez a mais dramática, para que de fato seja criada uma Rede de Atenção Integral em Saúde Mental que efetivamente atenda às necessidades dos pacientes com doença mental em todos os níveis de assistência, como preconizado, pela Associação Brasileira de Psiquiatria - (ABP). Uma epidemia silenciosa! Um caso gravíssimo de Saúde Pública que necessita ser rapidamente enfrentado!

Jornal CRMRR - 47ª edição  

Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Roraima | Dezembro de 2016 - 47ª edição

Jornal CRMRR - 47ª edição  

Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Roraima | Dezembro de 2016 - 47ª edição

Advertisement