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Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Roraima EDIÇÃO: 38ª | Setembro 2013

NOVA GESTÃO DO CRM – RR toma posse em outubro PÁG. 6 E 7

EDITORIAL Faltou coragem e competência ao Governo Federal para criar o programa “Mais Médico” PÁG. 2

Balanço da atual gestão PÁG. 8 A 10

ENTREVISTA Conheça um pouco mais do anestesiologista Hélio Marques PÁG. 15


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EDITORIAL

Setembro - 2013

Faltou coragem e competência ao Governo Federal para criar o programa “Mais Saúde”

A

partir do movimento popular de junho passado que levou a população brasileira às ruas - “Movimento Vem Pras Ruas” - o Governo Federal, sem saber

como enfrentar o sentimento de indignação do povo brasileiro e, com a queda vertiginosa nas pesquisas, recrutou seus “iluminados” ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Aluisio Mercadante (Educação) que juntos buscaram a solução mais rápida para melhorar a imagem do governo. Pensaram os ministros... “Como será mais fácil ludibriar a população e dar uma resposta ao clamor das ruas com a rapidez que exige a ocasião?” A resposta estava no sentimento mais sagrado do ser humano: Sentir-se com saúde. A solução foi rápida. Editou-se a Medida Provisória 621 que criou o Programa “Mais Médico”. Mas, qual era o verdadeiro clamor das ruas com relação à saúde pública?

Wirlande da Luz

Não se viu em nenhum dos

Presidente do CRM Roraima

milhares de cartazes e faixas, ou

“Confundir a cabeça do povo dando a falsa impressão de que a simples presença de médicos nas áreas carentes resolve os problemas da saúde pública, é enganar de maneira sórdida aqueles que lhes confiaram o comando da nação”

manifestos à imprensa, a população pedir “mais médicos”. O

Carreira de Estado para médicos no âmbito do Sistema Único

verdadeiro grito do povo brasileiro

de Saúde que garanta uma assistência médica em localidades

foi, e continua sendo, por uma

distantes, prestada em condições adequadas de trabalho e

saúde pública de qualidade. Con-

segurança, com remuneração digna para os profissionais vin-

fundir a cabeça do povo dando a

culados ao SUS.

falsa impressão de que a simples

Nenhum médico ou outro profissional de saúde, em

presença de médicos nas áreas

sã consciência, é contra qualquer programa que venha de

carentes resolve os problemas

fato melhorar a saúde da população. Por isso, gostaríamos

da saúde pública, é enganar de

imensamente que o governo criasse um Programa que pu-

maneira sórdida aqueles que lhes

desse ser denominado de “Mais Saúde”. Porém, criar um

confiaram o comando da nação.

programa com essa filosofia requer muito mais que uma

Uma saúde pública de qualidade requer muito mais que

canetada editando uma Medida Provisória. Requer esforço

a simples presença de médicos. É necessário que a atenção

intelectual, vontade política, recuperação física e adequação

básica seja preventiva e resolutiva com acesso a exames com-

das Unidades de Saúde, investimento em equipamentos e

plementares, medicamentos, vacinas, programas de educação

alocar mais recursos para aplicar efetivamente em saúde. E,

em saúde, além de outros profissionais como: Fisioterapeutas,

acima de tudo, estancar a corrupção.

farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros, bioquímicos, dentistas

Mas a MP não ficou por aí. Foi mais além. Mexeu na

e os demais profissionais de saúde, que juntos, formam a grande

grade curricular dos cursos de medicina e nos programas de

rede de atenção e promoção à saúde. Na média e alta comple-

Residência Médica. Tudo isso sem que tenha sido discutido

xidade são necessários médicos especialistas em todas as áreas,

com as instituições de ensino, as entidades médicas, com os de-

equipamentos de qualidade, hospitais decentes, ambulâncias e

mais organismos envolvidos diretamente no assunto e sem um

mais leitos de enfermarias e UTI.

projeto efetivo de expansão de vagas nas residências médicas.

O Programa “Mais Médicos” instituído pelo governo não contempla mais recursos para a saúde, tão pouco, um Plano de

É uma medida que desrespeita as Instituições, a autonomia do profissional e os princípios básicos das relações trabalhistas.


ARTIGO

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Essa tal felicidade I ATO Feriado. Madrugada. Toca o alarma do telefone. O objetivo e a procedência são imediatamente identificados: atender uma chamada de urgência psiquiátrica no PA do HGR (Hospital Geral de Roraima). Enquanto o cérebro refaz rapidamente o percurso teta - alfa - beta, surge o primeiro pensamento: - Trata-se realmente de uma urgência ou emergência médica? - Explico:- Nos últimos tempos em decorrência da desorganização e do caos instalado na rede pública de saúde do país e em particular nas unidades de emergências, o conceito de urgência e emergência médica tornou-se bastante elástico. Fim do I ATO.

Confesso que terminado o atendimento não respondi à pergunta formulada pelo filho porque preferiria dizer: - Tem cura sim e não: - Seria bom para todos nós e melhor ainda para seu pai se dispuséssemos hoje de meios para curá-lo. Intrigado, no dia seguinte, procurei responder à questão: Qual o atual estado da arte no diagnóstico e tratamento das doenças neorodegenerativas? Pesquisando, descobri que os cientistas do Baylor College of Medicine em Houston, Texas, Estados Unidos, em cuja equipe trabalha o pesquisador espanhol Juan Botos (primeiro a usar a melanogaster no estudo da neurodegeneração humana) utilizaram uma engenhosa estratégia para identificar - primeiro II ATO na mosca Drosophila, depois em ratos e células humaTrata-se de um homem de 75 anos. Está acomnas - alvos terapêuticos na via RAS-MAPK-MSK (via panhado do filho. Na chegada cumprimento-os e antes de modulação dos níveis da proteína ataxina 1) e os que me apresente, ele foi logo falando: - Papai está componentes responsáveis pela acumulação das pladeprimido, vive esquecido, fica agitado e às vezes tem cas senil e neurítica. A pesquisa comprovou também “comportamentos esquisitos”. Depois de uma breve que, atuando contra essas placas, pequenas moléculas pausa completou: - Será que tem inibidoras são capazes de diminuir cura doutor? O DSM-IV já estava os níveis de ATXN1(trato polia caminho e a pouca distância dele glutamínico da ataxina), reverter enciumado vinha o CID-10. Fim a neurodegeneração em modelos do II ATO. animais da ataxia espinocerebelar É grande a tentação de àquetipo 1 além de fornecer uma prova las horas, especialmente quando de princípio para abordar outras não há história familiar detalhada classes de doenças neurodegeneda patologia que estamos suspeirativas intratáveis. tando somado a relato de alteração Fiquei feliz em constatar os do humor cursando com alterações avanços das pesquisas e também o do comportamento e “coisas esquifato de que depois de mais de cem sitas”) - de direcionar o raciocínio anos de sua estréia encontrá-la de para um diagnóstico eminentevolta, contribuindo mais uma vez mente psiquiátrico. Mas sem que para o desenvolvimento da ciência Dr. Laerth Thomé, eu percebesse, lá atrás, letamente, (lembram-se de Morgan /Thomas Médico Psiquiatra caminhava na minha direção o Hunt e a sala 613 do Schermerhorn NINCDS-ADRDA*. Hall na Columbia University, na Antes de prosseguir é bom lembrar que existem primavera de 1910?). Feliz mais ainda com a expectamuitas fantasias acerca dos poderes da psiquiatria e tiva de síntese de um medicamento eficiente e eficaz dos psiquiatras de entenderem e tratarem esquisitices. para tratamento dessas doenças. Com isso em mente, perguntei ao filho:- Pode me O envelhecimento da população nos países deexplicar melhor o que seriam esses “comportamentos senvolvidos está convertendo as enfermidades neuroesquisitos”? Silêncio! O que a dificuldade de verbadegenerativas em uma das questões mais preocupantes lização encobria, a mímica e os gestos do pai logo para os gestores da área de saúde pública e certamente denunciariam: sinais de hipersexualidade. no decorrer da década aumentará e se estenderá para os países emergentes - Brasil inclusive - com graves reIII ATO percussões na saúde da população e de suas economias. MEEM - fica em aberto para que o colega exercite Não sem propósito o presidente dos Estados a memória. Unidos anunciou recentemente um ambicioso prograAs enfermidades neurodegenerativas - DHq ma - BRAIN (acrônimo em inglês de “Brain Research (Enfermidade de Huntington/George), DA (Doença Through Advancing Innovative Neurotechnologies”), de Alzheimer/Alois) DP (Doença de Parkinson/James) liderado pelo professor Rafael Yuste, que pretende e a SCA1 (ataxia espinocerebelar) apesar de cursarem traçar um mapeamento do cérebro humano com o com sintomas físicos e psíquicos diferentes e estarem objetivo de auxiliar no tratamento, cura e prevenção associadas a fatores genéticos diversos têm como caracdessas alterações genéticas. terística comum a existência de acumulação de placas Finalizamos com um pedido: Senhor Presidente senil e neurítica tóxica resultante do metabolismo Barack Obama, não se esqueça de na sua próxima enanormal da proteína precursora do amilóide (APP). trevista agradecer não só à equipe do Baylor College A formação de agregados do peptídeo β-amilóide em of Medicine mais também e especialmente à nossa forma de emaranhados neurofibrilares formados a parPequena Notável. tir do colapso do citoesqueleto neuronal decorrente da De nossa parte, aceite o muitíssimo obrigado de hiperfosforilação do splicing alternativo de diferentes todos os médicos de Roraima, Drosophila (Sophophogenes - MAPT (proteína τ) na Doença de Alzheimer, ra) melonogaster (Meigen, 1830). HTT (huntingtina - proteína mHTT) na Doença de Huntington e SNCA (synucleina alfa) na Doença de *National Institute of Neurological and CommunicaParkinson têm sido responsabilizados pela devastadora tive Disorders and Stroke - Alzheimer’s Disease and sintomatologia observada nessas entidades clínicas. Related Disorders Association.

Expediente Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Roraima DIRETORIA Presidente: Wirlande Santos da Luz 1º Vice-Presidente: José Antônio do Nascimento Filho 2º Vice-Presidente: Marcos Antônio Chaves Cavalcanti de Albuquerque 1ª Secretária: Marilza Bezerra Martins 2ª Secretária: Francinéa Rodrigues de Moura Tesoureira: Niete Lago Modernell Corregedor: Alexandre de Magalhães Marques Corregedora de Sindicância: Blenda Avelino Garcia COMISSÃO DE ESPECIALIDADE: Presidente: Jucineide Vieira Araújo Membro: Blenda Avelino Garcia COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO: Coordenador: José Antônio do Nascimento Filho Membro: Luiz Andres Bazan Sanchez Membro: Victória Maria Leão de Aquino Botelho Membro: Nympha Carmen Akel Thomaz Salomão Membro: Aderbal Alves de Figueiredo Filho Membro: Wirlande Santos da Luz Membro: Alexandre de Magalhães Marques COMISSÃO DE ASSUNTOS POLÍTICOS – CAP Coordenador: Helder Teixeira Grossi Membro: Blenda Avelino Garcia Membro: Magnólia de Sousa Monteiro Rocha Membro: Wirlande Santos da Luz Membro: Wilson Franco Rodrigues Membro: José Nunes da Rocha CONSELHO EDITORIAL Coordenador: José Antônio do Nascimento Filho Membro: Antonio Carlos Sansevero Martins Membro: Alberto Ignácio Olivares Olivares Membro: Francinéa Rodrigues de Moura Membro: Wirlande Santos da Luz COMISSÃO DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA Coordenador: José Antônio do Nascimento Filho Membro: Marilza Bezerra Martins Membro: Antonio Carlos Sansevero Martins Membro: Alberto Ignácio Olivares Olivares Membro: Mauro Shosuka Asato Membro: Jucineide Vieira Araújo CÂMARA TÉCNICA DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Jucineide Vieira Araújo José Antônio do Nascimento Filho Niete Lago Modernell Nilo Brandão Neto Maria Hormecinda Almeida de Souza Cruz Douglas Henrique Teixeira COMISSÃO DE TOMADA DE CONTAS Alberto Ignácio Olivares Olivares Luiz Andrés Bazan Sanchez Carlos Alberto Fernandes Neves COMISSÃO DE LICITAÇÃO PERMANENTE Presidente: José Antônio do Nascimento Filho Membro: Marcelo Cabral Barbosa Membro: Sorahyda Monteiro de Alencar Comissão de Defesa Profissional Nympha Carmen Akel Thomaz Salomão Alexandre de Magalhães Marques REPRESENTANTES DO CONSELHO ESTADUAL DE SAÚDE Alberto Ignácio Olivares Olivares Heloísa Jane Bini Banhara REPRESENTANTES DO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE Magnólia de Sousa Monteiro Rocha Francinéa Rodrigues de Moura Assessoria Contábil Eudes Martins Filho Assessoria Jurídica Kardec e Advogados Associados Assessoria de Comunicação Marta Gardênia Barros Jornalista Responsável Marta Gardênia Barros Revisão textual Rita de Cássia Costa Fotos Guilherme Moraes

Projeto Gráfico e Diagramação David Eugene Impressão Gráfica Ioris Tiragem 1000 exemplares

Av. Ville Roy, 4123, Canarinho, Boa Vista, Roraima Tel.: (95) 3623-1542 Fax: (95) 3623-1554 E-mail: crmrr@portalmedico.org.br Site: www.crmrr.cfm.org.br

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ARTIGO

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Médicos Cubanos Por Alexandre Garcia

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ão pensem em correntes. Em algemas. Em porões fétidos. Em gente suja e maltrapilha. Estes são os escravos normalmente libertos das pequenas confecções das grandes cidades, vindos de países miseráveis. Agora pense em pessoas vestidas de branco. Com diplomas universitários. Que exibem sorrisos simpáticos e uma grande alegria em servir o próximo, como se estivessem em uma missão humanitária. Estes são os médicos escravos cubanos que o Brasil vai traficar, cometendo toda a sorte de crimes hediondos contra os direitos humanos, que só republiquetas totalitárias, a exemplo da Venezuela, ousaram cometer. E vamos aqui deixar ideologias de lado. E até mesmo as discutíveis competências profissionais. Vamos ser civilizados e falar apenas de pessoas, de seres humanos, de gente. O Brasil democrático é signatário de uma dezena de tratados internacionais que protegem os trabalhadores. No entanto, o Governo do PT está firmando um convênio com Cuba, um país que está traficando pessoas para fins econômicos. Cuba esta vendendo médicos. Cuba utiliza de coerção, que é crime, para que estes escravos de branco sejam enviados, sem escolha, para onde o governo decidir. Isto é crime internacional. Hediondo. Que nivela o Brasil com as piores ditaduras. E não venham colocar a Organização Pan Americana de Saúde como escudo protetor destes crimes contra a Humanidade. É uma entidade sabidamente aparelhada por socialistas, mas que, ao que parece, pela primeira vez assume o papel de “gato”, o operador, o intermediário, aquele que aproxima as partes, que fecha o negócio, que “lava” as mãos dos criminosos que agem nas duas pontas. Não há como esconder que o Governo do PT está pagando a Ditadura de Cuba para receber mão-de-obra em condições análogas à escravidão, como veremos neste post. O trabalhador estrangeiro tem, no Brasil, os mesmos direitos de um trabalhador brasileiro. Tem os mesmos ônus e os mesmos bônus. Não é o que acontece neste convênio que configura um verdadeiro tráfico em massa de pessoas de um país para outro. Os escravos cubanos não pagarão Imposto de Renda e INSS. Sobre um salário de R$ 10 mil, deveriam reter mais de R$ 2.700. Pagariam em torno de R$ 400 de INSS. Mas também teriam direito ao FGTS, ao aviso prévio, às férias, ao décimo-terceiro salário. Não é o que acontece. O escravo cubano não recebe o seu salário. Ele é remetido para um governo de país. É como se este país tivesse vendido laranjas.

Charutos. Rum. Ou qualquer commodities. A única coisa que o trabalhador recebe é uma ajuda de custo para tão somente sobreviver no país pois, em condição análoga à escravidão, este médico cubano receberá alojamento e comida das prefeituras municipais. Trabalhará, basicamente, por cama, comida e sem nenhum direito trabalhista. Outro crime do qual o Governo do PT é mentor, é idealizador, é fomentador, é financiador, é concordar com as práticas de coerção exercida por Cuba quando vende os seus médicos escravos. O passaporte é retido pela Embaixada de Cuba no Brasil. A família fica em Cuba, sem poder sair do país. O escravo cubano não pode mudar de emprego, pois se o fizer a sua família sofre perseguição. Existe ameaça. Existe abuso de autoridade. Existe abuso de poder econômico. Existe retenção de documento para impedir a livre locomoção. Existe lesão ao Fisco. Sonegação. E, por conseguinte, sendo dinheiro originário de crimes, remessa ilegal de divisas do Governo do PT para a Ditadura de Cuba. Este convênio que o Governo do PT está fazendo com Cuba não resiste a uma fiscalização do Ministério do Trabalho e a uma auditoria do Ministério Público. São tantos os crimes cometidos contra a Humanidade e contra os Direitos Humanos que envergonham a todos os brasileiros. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo, deveria ir a ferros junto com os bandidos mensaleiros do seu partido. A ministra dos Direitos Humanos, Maria o Rosário, está em silêncio obsequioso. A partir do momento em que 4.000 cubanos botarem o pé no solo brasileiro, nosso país terá se transformando num campo de concentração e numa imensa prisão para escravos políticos. A nossa Constituição será rasgada, pois: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) III – ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; Da mesma forma, o Governo do PT está jogando no lixo o Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que trata da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que tem definições fundamentais sobre o tema: Art. 2°. § 4o A intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento

de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas. Art. 2°. § 5° O tráfico interno de pessoas é aquele realizado dentro de um mesmo Estado-membro da Federação, ou de um Estado-membro para outro, dentro do território nacional. Art. 2o. § 6° O tráfico internacional de pessoas é aquele realizado entre Estados distintos. Art. 2° § 7o O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas. Ou seja: o que determina se existe a escravidão não é o depoimento do escravo, pressionado por dívidas, sem documentos ou tendo a integridade da sua família ameaçada, mas sim o que a sua situação configura, mediante fiscalização. Com a importação em massa dos médicos escravos cubanos. os acordos internacionais firmados pelo Brasil contra a escravidão serão derrogados. Não seremos mais uma democracia. Se alguém tem alguma dúvida sobre isso, leia o MANUAL DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS ÀS DE ESCRAVO, publicado pelo Ministério do Trabalho. E sinta vergonha, talvez um pouco de medo, de ser brasileiro. Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha em mãos o seu passaporte. Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha uma Carteira de Trabalho. Eu desafio o Governo do PT a depositar o salário do médico cubano em uma conta pessoal, que lhe garanta livre movimentação. Eu desafio o Governo do PT a garantir todos os direitos trabalhistas ao médico cubano. Eu desafio o Governo do PT a cumprir a Lei, a Constituição e os Tratados Internacionais. -“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” (Mahatma Gandhi O SER HUMANO PRECISA APRENDER A SER HUMANO. “A vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não irá protegê-lo.” “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se opor a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”. (Gen Walter Pires-Ex Ministro do Exército)


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CHAPA 1

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Novo corpo de conselheiros e nova diretoria do CRM–RR serão empossados em outubro

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o dia 5 de agosto aconteceram as eleições para a escolha da gestão 2013-2018 do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR). Duas chapas foram inscritas e participaram do processo. As eleições foram realizadas na sede do CRM – RR, no horário das 8h às 20h. O voto foi feito por cédula. De acordo com a Comissão de Eleitoral, todo o processo ocorreu em clima de tranquilidade e cordialidade entre as duas chapas concorrentes. No total 500 profissionais votaram. Sendo que 42 votos foram feitos por correspondências. A Chapa 1 foi escolhida para administrar o CRM – RR no período de 1º de outubro deste ano a 1º de outubro de 2018 com 260 votos. Já, a chapa 2 teve 187 votos.

Estavam aptos a votarem 620 médicos, os profissionais que não participaram do processo eleitoral têm até o dia 2 de setembro para justificarem o motivo pelo qual não votou. Caso isso não ocorra, é gerado uma multa no valor de R$ 60. O voto era obrigatório e secreto para os médicos que estavam em gozo dos direitos políticos e profissionais, além de terem inscrição primária ou secundária no CRM – RR e que estivessem quites com o pagamento de suas anuidades. Já, para os profissionais maiores de 70 anos o voto foi facultativo. Para o presidente do CRM – RR, Wirlande da Luz, o processo democrático de escolha da diretoria do Conselho foi ético, cada chapa

apresentou suas propostas e provaram que o principal interesse é o beneficio da sociedade e dos profissionais. “Todos os participantes tiveram quase dois meses para apresentarem suas propostas. Nesse período não houve nenhum impasse, muitas das propostas foram até parecidas. Porque o objetivo de luta é só um: sociedade e valorização dos nossos profissionais”, disse Wirlande. A posse da nova diretoria acontecerá no dia 1º de outubro. Em seguida, serão escolhidos os profissionais que assumirão o cargo de presidente, 1º vice-presidente, 2º presidente, secretária geral, 1ª secretária geral, 2ª secretária geral, corregedor de processos, corregedor de sindicância e tesoureiro.


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Setembro - 2013

Novo corpo de conselheiros é formado por novatos e veteranos no CRM–RR

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Dos 40 profissionais que compõe o novo corpo de conselheiros do CRM – RR, 70% participam pela primeira vez do Conselho

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o caso do pediatra Ricardo Loureiro, para ele a principal expectativa é a fazer diferença e tornara instituição um espaço atrativo para os médicos jovens. “A grande motivação é saber que participarei ativamente da história da medicina em Roraima”. A atual corregedora do CRM – RR, Blenda Avelino, continuará a fazer parte da gestão do Conselho. Segundo ela, o trabalho continuará árduo, “pois nos últimos meses a Medicina brasileira sofreu duros golpes do Governo Federal (com os vetos da Lei do Ato Médico e com a MP 621)”. Para o oftalmologista Alexandre Marques o CRM – RR é o principal órgão ético e fiscalizador da atividade médica, além de desempenhar um canal importante na comunicação entre os profissionais e suas reivindicações.

Alberto Olivares

Alexandre Marques

Alexandre Klippel

Álvaro Túlio

Ana Paula Neves

Anete Vasconcelos

Antônio Sansevero

Aurino José

Blenda Garcia

Bruno Figueiredo

Cleyton Sampaio

Cristiane Greca

Débora Maia

Denise Moreth

Domingos Sávio

Edson Bussad

Elana Almeida

Fabrício Lessa

Francinéa Moura

Hélio Macedo

Heloisa Jane

José Nunes

José Antônio

Laerth Thomé

Luiz Sena

Magnólia Monteiro

Marcelo Arruda

Marcia Marques

Marcos Albuquerque

Mareny Damasceno

Maria Hormecinda (Dra. Zita)

Marilza Bezerra

Niete Lago

Paulo Roberto

Raimundo Prado

Ricardo Loureiro

Rosa de Fátima

Samanta Hosokava

Sandra Lacerda

Vitor Montenegro


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BALANÇO

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Diretoria faz balanço da gestão 2011/2013

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proximação com a sociedade, fortalecimento do programa de Educação Médica Continuada, participação em audiências públicas, mobilização por melhorias nas condições de saúde, busca por valorização do trabalho médico, apoio ao Sindicato dos Médicos de Roraima e a diversas manifestações significativas para a categoria – incluindo a aprovação do Código de Ética Médica e do projeto da Regulamentação da Medicina. Essas foram algumas das principais ações da diretoria da gestão 2011 – 2013 do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM- RR), presidida pelo pediatra Wirlande da Luz, que encerra seu mandato no dia 1º de outubro.

Eu tenho dedicado os meus últimos anos ao Conselho, às causas de interesse da categoria médica e também por uma saúde com mais qualidade e digna para a nossa população. Por isso, durante a minha gestão, juntamente com os demais membros da diretoria, nós não medimos esforços para alcançarmos nossos objetivos”, disse Wirlande da Luz, presidente do CRM – RR.

Atualização Profissional Guilherme Morais

A diretoria do Conselho Federal de Medicina esteve presente no I Fórum de Ética Médica

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esses três últimos anos, por meio do Programa de Educação Médica Continuada (EMC), foram realizados mais de 10 grandes eventos com temas variados, como drogas, aborto, pediatria, câncer de colo de útero, entre outros. O principal objetivo é promover a qualifi-

cação e atualização dos profissionais por meio de cursos, fóruns, jornadas ou congressos. Dentre os eventos realizados destaca-se o I Fórum de Ética Médica, realizado em 2012, com a participação da diretoria do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Fiscalização O CRM – RR, além de defender o exercício ético da Medicina, fiscaliza as condições de trabalho dos profissionais e condições de estruturas físicas dos locais. Nos últimos 30 meses, foram realizadas 146 fiscalizações. As fiscalizações aconteceram tanto nos municípios do interior quanto na capital Boa

Vista. O resultado do trabalho foram constatações de como anda precária a situação do serviço público. Os leitos estão deteriorados, a maioria dos locais não oferece conforto nem para a população e nem para os profissionais de saúde. Além, comprovadamente, da falta de medicamentos e materiais necessários para o trabalho.


BALANÇO

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Comunicação

Sindicâncias

Nesta gestão, a comunicação ganhou destaque com o uso de mídias sociais, como twitter e facebook. “Hoje a Internet tem um papel muito importante e de grande alcance. Por meio dessas ferramentas passamos a estreitar o canal de comunicação com os profissionais e a sociedade. Até mobilizações importantes surgiram por meio da Internet, como, por exemplo, a manifestação em favor do revalida”, disse Wirlande da Luz, presidente do CRM – RR. Outra ferramenta utilizada para levar informação e buscar aproximação com a sociedade foi a criação da página “CRM Saúde – O que você precisa saber”, veiculada no jornal Folha de Boa Vista. No espaço, continha matérias esclarecendo diversas patologias, sintomas, tratamentos, todas escritas com informações repassadas por profissionais da área em questão. O site do Conselho (www.crmrr.cfm.org.br) é outra ferramenta de informação para os médicos e sociedade. Sempre atualizado com matérias de interesse da categoria, seja de notícias locais ou nacionais. A assessoria de imprensa do CRM - RR atuou na repercussão e visibilidade das atividades e dos posicionamentos da entidade junto aos diversos setores da mídia, consolidando o Conselho de Medicina como referência para a sociedade e formadores de opinião. Por meio da produção de textos, organização de entrevistas coletivas, divulgação de notícias institucionais e contato direto com jornalistas.

No período de 2011 a 2013, foram instauradas 117 expediente denúncia referentes a suposta negligência médica. Das quais 19 delas transformaram-se em processos ético-profissionais.

Parcerias Estar aberto a parcerias foi um dos posicionamentos da entidade. Este ano, foram firmadas duas: Uma com o projeto Mais Clínicas, do SEBRAE/RR e outra com o Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil para adotar medidas que coíbam excesso de atestados médicos apresentados por servidores públicos. “Abrimos as nossas portas para receber e atender todas as entidades e a sociedade que nos procura com o intuito de formar parcerias”, comentou Wirlande da Luz.

Apoio ao Sindicato dos Médicos Apoio para o fortalecimento do Sindicato dos Médicos de Roraima (Simed –RR) resultou em conquistas para os profissionais. Depois de anos de luta, Simed – RR e CRM –RR conseguiram que o governo estadual acabasse com a Dedicação Exclusiva e instituísse a Gratificação Permanente de Atividade Médica (GAM) para os ocupantes de cargos efetivos de médico no Estado. “Tanto o Sindicato, o Conselho quanto a Associação têm objetivos iguais: a defesa da classe médica, salários dignos e condições necessárias para executar um bom trabalho. Com isso, a atuação em conjunto de nossa categoria ganha mais força”, disse Wilson Franco, presidente do Simed – RR.

Mobilizações DO

DAVID ESSA FOTO SAIU NO JOR

NAL PASSA-

Foto: pag. 12 Legenda:

Com faixas e cartazes, profissionais e acadêmicos de Medicina foram à Praça das Águas protestarem

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Página veiculada mensalmente no jornal Folha de Boa Vista

dia 3 de julho entrou para a história das manifestações realizadas pelos médicos em Roraima. Médicos, acadêmicos de medicina, familiares dos profissionais foram à Praça das Águas reivindicarem a revalidação do diploma de médicos estrangeiros, mais

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investimento para a saúde e valorização dos profissionais. “Nesse dia, mostramos para a sociedade que estamos preocupados com o rumo da saúde e com as medidas adotadas pelo Governo Federal que não beneficiam a população”, comentou José Antônio, vice-presidente do CRM – RR.


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Entrega de carteiras para os recém-formados Nesta última gestão, o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR), retornou com a entrega em foi solenidade especial das carteiras profissionais para médicos recém-formados. “O acadêmico passa seis anos estudando, quando ele conclui o curso é a concretização de um sonho. E a entrega da carteira é outro momento importante, pois só com o documento em mãos é possível o exercício da profissão”, disse Wirlande da Luz.

Saúde Mais Dez Guilherme Moraes

A cerimônia de entrega das carteiras profissionais foi marcada por emoção

Audiências públicas O presidente do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR), Wirlande da Luz, participou em agosto, na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), de uma audiência pública para atender as reivindicações de representantes de organizações sociais sobre problemas da educação e saúde em Roraima. Para Wirlande da Luz, o debate teve grande importância, pois foi uma iniciativa da sociedade que anseia por mudanças e sofre com os problemas existentes na área de educação e saúde.

O Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR) participou da coleta de assinaturas do movimento “Frente Nacional por mais Recursos para a Saúde”, a convite da deputada estadual Angela Águida Portella, que estava à frente da coleta.

Wirlande da Luz, esteve reunido com várias entidades participantes do Movimento Charles Welligton

Discussões com o poder público

“Nesses últimos anos temos acompanhado as queixas da população sobre a precariedade da saúde, ocasionada, sobretudo, por falta de uma política de investimento e valorização do profissional. No que nos compete, estamos lutando para que este quadro mude. Esta, também é uma causa nossa”, disse Wirlande da Luz.

Presidente do CRM – RR eleito para presidência da Unimed Boa Vista

Nos últimos anos, o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR) tem participado ativamente das discussões e decisões referentes à saúde no Estado e às condições de trabalho e remuneração dos médicos. Este ano, por duas vezes, a diretoria do CRM – RR esteve reunida com o secretário municipal de saúde, Marcelo Lopes, tratando de questões inerentes a atuação médica quanto ao oferecimento de condições de atendimento com qualidade e respeito ao cidadão que utiliza a rede publica de saúde do município e a salários condizentes com a responsabilidade médica. Para Wirlande da Luz, presidente do CRM – RR, manter um diálogo aberto e claro quanto às decisões que irão influenciar na carreira dos médicos e também no bem estar da população é necessário e de vital importância. Guilherme Moraes

Guilherme Moraes

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o dia 2 de abril, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR), Wirlande Santos da Luz, foi empossado como presidente da Cooperativa Unimed Boa Vista para a gestão 2013/2016. A nova diretoria executiva da Unimed Boa Vista tem como presidente Wirlande da Luz, vice-presidente Marco Aurélio da Silva e diretor operacional José Nunes da Rocha.

O CRM–RR reuniu-se com diversos profissionais para debater o PCCR da saúde da Capital


NACIONAL

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Resolução do CFM determina que médico deve acompanhar todas as etapas do teste ergométrico

O

médico deve acompanhar todas as etapas do teste ergométrico aplicado aos pacientes. Ele precisa estar habilitado e capacitado para atender emergências cardiovasculares que porventura ocorram, sendo considerada falta de ética a delegação do acompanhamento deste tipo de exame para outro profissional da área da saúde. Essas determinações constam na Resolução 2021/13 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada na sexta-feira (27) no Diário Oficial da União. O teste ergométrico é um procedimento em que o paciente é submetido a um esforço físico programado e individualizado com a finalidade de avaliar as respostas clínica, hemodinâmica, autonômica, eletrocardiográfica, metabólica e, eventualmente, ventilatória ao exercício. Ele configura um método universalmente aceito para o diagnóstico de doenças cardiovasculares e é também útil na determinação prognóstica e na avaliação da resposta terapêutica, da tolerância ao esforço e de sintomas compatíveis com arritmias. Entre os aspectos que devem ser observados pelos médicos na aplicação do teste ergomé-

trico está a necessidade de obter consentimento esclarecido do paciente ou de seu representante legal. Em casos de menores de idade, pais ou responsável deve permanecer na sala de exame. No entendimento do CFM, sua aplicação exige solicitação por escrito. A liberação do paciente só deve acontecer após o restabelecimento de suas condições de repouso adequadas.Para aprovar a medida, o CFM levou em consideração vários aspectos, como o fato de que o teste só pode ser realizado por solicitação médica e que a emissão do laudo seja precedida de interpretação clínica, hemodinâmica, autonômica e eletrocardiográfica, além de orientação do indivíduo para retorno ao médico assistente. De acordo com o presidente do CFM, o cardiologista Roberto Luiz d’Ávila, o teste ergométrico possibilita ao médico detectar isquemia miocárdica, reconhecer arritmias cardíacas e distúrbios homodinâmicos induzidos pelo esforço. Avaliar a capacidade funcional e a condição aeróbica, diagnosticar e estabelecer o prognóstico de determinadas doenças cardiovasculares,

prescrever exercícios, avaliar objetivamente os resultados de intervenções terapêuticas, fornecer dados para a perícia médica e demonstrar ao paciente suas reais condições físicas também são detectáveis. “A despeito do baixo risco inerente à realização do teste ergométrico, ele é importantíssimo no diagnóstico de algumas doenças, com implicações jurídicas relacionas ao procedimento, sendo imperativa a existência de resolução específica regulamentando o assunto”, argumenta o presidente do CFM, que foi o relator da proposta no plenário. Estudos científicos identificam a incidência de uma morte a cada 10 mil exames. De acordo com a resolução, é imprescindível a presença do médico na sala durante o teste ergométrico. As condições adequadas para sua realização estão previstas no Manual de Fiscalização do Conselho Federal de Medicina e incluem a obrigatoriedade de equipamentos, como o desfibrilador, e de medicamentos no local de realização do teste para viabilizar o atendimento de intercorrências – especialmente de paradas cardiorrespiratórias.

Conselhos de Medicina farão registros provisórios de intercambistas após compromisso da AGU na Justiça Com base em compromisso assumido pela Advocacia-Geral da União (AGU) diante da Justiça do Rio Grande do Sul, o plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM) repassou aos Conselhos Regionais da categoria (CRMs) orientação para que sejam emitidos os registros provisórios dos intercambistas do Programa Mais Médicos, desde que a documentação de cada candidato esteja completa e sem inconsistências. Os CRMs darão um prazo de 15 dias, a partir da entrega de cada registro, para que o Ministério da Saúde informe às entidades o endereço de trabalho e os nomes dos tutores e supervisores de cada um dos intercambistas inscritos. Essa posição foi tomada após o CFM ter acesso à resposta enviada pela AGU à Justiça do Rio Grande do Sul, na qual o órgão admite que “os requisitos dispostos na MP 621/13 podem e devem ser observados”, mas argumenta da impossibilidade de providenciar as informações solicitadas antes da emissão dos registros. Para os Conselhos de Medicina, isso demonstra a compreensão da Advocacia-Geral da União de que os pedidos de informações para viabilizar as ações de fiscalização relativas ao Programa Mais Médicos estão pautados pelo princípio da razoabilidade. O entendimento também indica que o Governo assume sua capacidade e dever de atender à integra dos

requisitos deste programa caracterizado como de educação e pós-graduação médica. Assim, ao conceder os CRMs provisórios, as entidades colaboram com a conclusão da logística de alocação dos intercambistas e solicitam em 15 dias – a partir da entrega do documento – o envio dos requisitos estabelecidos pela Medida Provisória e que ainda não foram atendidos. Após o recebimento dos dados faltantes, os Conselhos de Medicina estarão com acesso às informações que lhes permitirão fiscalizar a execução do Programa, conforme previsto na MP 621, com atenção especial à segurança dos pacientes e à defesa do exercício ético em parâmetros do desempenho ético da profissão. O prazo definido é exatamente igual ao dado pelo Governo para que os Conselhos de Medicina procedam à inscrição dos intercambistas. Este período deve ser suficiente para o levantamento e a oficialização às entidades médicas do local de trabalho e dos responsáveis pela tutoria de cada profissional alocado. Ao fim deste período, caso a entrega não tenha sido efetuada, estabelece-se o descumprimento das regras do Programa, o que fere o disposto na MP 621/13, expõe a população atendida ao risco assistencial e limita a ação fiscalizadora dos Conselhos de Medicina. Com essa orientação, os Conselhos Regionais de Medicina, que têm suas autonomias

respeitadas, poderão concluir à análise do dossiê de cada um dos intercambistas do Programa Mais Médicos. Aqueles que apresentarem documentação completa (sem inconsistências), conforme os itens elencados na MP 621/2013 e no artigo 7º do Decreto Presidencial 8.040, receberão seu CRM provisório. No entanto, os intercambistas que não entregarem documentos de identificação em acordo com as exigências estabelecidas pelas regras do Programa Mais Médicos não receberão o CRM provisório. Nestas situações, eles serão informados das inconsistências e orientados a providenciar os dados faltantes para que os CRMs procedam uma segunda análise. Um levantamento preliminar realizado junto aos CRMs mostra um número significativo de dossiês incompletos. Apenas as inconsistências que desobedecem à MP estão sendo apontadas. Entre os problemas mais comuns estão falta de legalização consular dos diplomas e dados de identificação pessoal com inconsistência. Diplomas e declarações sem tradução juramentada, escritos à mão e sem estarem acompanhadas dos respectivos originais estão sendo aceitos, com base na orientação do Governo. No entendimento dos Conselhos, a responsabilidade pela originalidade, autenticidade e legitimidade desses documentos está sendo assumida pelo Governo Federal.


12 NACIONAL

Setembro - 2013

Em três anos e meio, SUS perde quase 13 mil leitos Análise do Conselho Federal de Medicina aponta queda acentuada de leitos do SUS desde 2010 Quase 13 mil leitos foram desativados na rede pública de saúde desde janeiro de 2010. Naquele mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) contava com 361 mil leitos, número que, em julho deste ano, caiu para 348.303. As informações foram apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. O período escolhido levou em conta informação do próprio governo de que os números anteriores a 2010 poderiam não estar atualizados. Para o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila, os dados revelam, de forma contraditória, o favorecimento da esfera privada em detrimento da pública na prestação da assistência à saúde. “Estes números são apenas uns dos desdobramentos do subfinanciamento público no Brasil, principal responsável pelas dificuldades do SUS. Convocar mais médicos e oferecer menos leitos me parece uma contradição. Isso é jogar sob a responsabilidade dos médicos esse cenário de abandono do sistema público de saúde”. As especialidades mais atingidas com o corte foram a psiquiatria (-7.449 leitos), pediatria (-5.992), obstetrícia (-3.431) e cirurgia geral (-340). Em números absolutos, os estados das regiões Sudeste e Nordeste foram os que mais sofreram redução no período. Só no Rio de Janeiro, por exemplo, 4.621 leitos foram desativados desde 2010. Na sequência, aparece Minas Gerais (-1.443 leitos) e São Paulo (-1.315). No Nordeste, foi no Maranhão o maior corte (-1.181). Entre as capitais, foram os fluminenses os que mais perderam leitos na rede pública (-1.113), seguidos pelos fortalezenses (-467) e curitibanos (-325). Na outra ponta, apenas nove estados apresentaram números positivos no cálculo final de leitos ativados e desativados nos últimos dois anos e meio: Rondônia (629), Rio Grande do Sul (351), Espírito Santo (239), Santa Catarina (205), Mato Grosso

(146), Distrito Federal (123), Amapá (93), Roraima (24) e Tocantins (9). Nas capitais, 14 delas conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda recaiu sobre as demais cidades metropolitanas ou do interior dos estados.

Menos 26 mil leitos no SUS desde 2005 No ano passado, o CFM fez um levantamento semelhante nos recursos físicos disponíveis no SUS e identificou que 42 mil leitos haviam sido desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012. Após a denúncia, o Ministério da Saúde justificou que a queda de leitos representa uma tendência mundial devido aos avanços em equipamentos e medicamentos que possibilitam o tratamento sem necessidade de internação do paciente. Em seguida, no entanto, chegou a tirar o banco de dados do ar (disponível em http:// www2.datasus.gov.br/DATASUS/index. php?area=0204&id=11663), alegando que o sistema passava por atualização. Meses depois a consulta aos recursos físicos foi restaurada. Com a “atualização” da queda, a base CNES revelou uma queda menor: 26.404 leitos desativados entre outubro de 2005 e julho de 2013. A partir dos novos números, é possível observar que a quantidade de leitos desativados nos últimos três anos e meio (2010 a julho de 2013) representa 48% do total de leitos fechados nos últimos oito anos. Segundo nota explicativa do Ministério da Saúde, as informações relativas aos leitos complementares (Unidades de Terapia Intensiva e Unidades Intermediárias), “compreendidas entre agosto/2005 a junho/2007, estavam publicadas de forma equivocada, contabilizando em duplicidade os quantitativos desses tipos de leitos”. A partir de outubro de 2012, no entanto, foram corrigidas as duplicidades identificadas nos totais dos leitos complementares.

Leitos Complementares e de Internação Quantidade, segundo Capitais Quantidade de leitos no SUS Capital

Out/05

Jan/10

Jul/13

Variação 2011/2013

Aracaju

2.048

1.617

1.971

354

Belém

2.406

2.662

2.736

74

Belo Horizonte

6.504

6.284

6.245

-39

391

601

611

10

Brasília

4.767

4.930

5.053

123

Campo Grande

1.487

1.621

1.616

-5

Cuiabá

1.040

1.163

1.331

168

Curitiba

3.565

3.939

3.614

-325

Florianópolis

1.301

1.322

1.339

17

Fortaleza

6.639

6.684

6.217

-467

Goiânia

3.954

3.910

3.761

-149

João Pessoa

2.524

2.484

2.549

65

613

642

670

28

Maceió

2.749

2.759

2.653

-106

Manaus

2.897

3.083

2.880

-203

Natal

2.089

2.493

2.340

-153

259

341

407

66

5.876

5.646

5.547

-99

657

874

1.251

377

6.192

6.655

6.882

227

737

744

699

-45

13.480

14.418

13.305

-1.113

Salvador

5.858

6.261

6.401

140

São Luíz

3.127

3.234

3.480

246

17.828

17.761

17.521

-240

Teresina

2.662

2.652

2.386

-266

Vitória

1.434

1.371

1.461

90

TOTAL

103.084

106.151

104.926

-1.225

Boa Vista

Macapá

Palmas Porto Alegre Porto Velho Recife Rio Branco Rio de Janeiro

São Paulo

Fonte: Ministério da Saúde - Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil - CNES A partir da competência de Janeiro 2010 os dados referentes a leitos Complementares foram retirados da consulta referente a leitos de Internação, passando a construir uma consulta específica conforme Nota Técnica do Datasus/MS.


CULTURA

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Ícone do teatro roraimense: Chacon

A

s brincadeiras de crianças costumam revelar a paixão pela arte e, para alguns, chega a ser o inicio de uma carreira artística. Foi assim com o ator, diretor e professor de teatro Raimundo Nonato Chacon. Segundo ele, na escola sempre participava nas aulas de educação artística do coral e teatro. Em casa, brincava de interpretar com as irmãs, e onde podia estava sempre encenando. “Eu considero a arte inerente aos seres humanos. Eu sempre fui muito danado, na escola participei de coral e teatro. A professora me expulsou do coral, já no teatro, continuei. Em casa também sempre estava fazendo algo”. Raimundo é mais conhecido como Chacon. O seu trabalho com teatro é referência em Roraima no segmento teatral de comédia e infanto-juvenil. Principalmente com o grupo A Bruxa Tá Solta, do qual é sócio fundador. A sua história em Roraima começa em 1975 quando ele deixou sua cidade natal, Amazonas – AM, para vir trabalhar como funcionário do antigo Território. Chacon, logo ingressou num grupo de teatro e começou a trilhar sua carreira.

Atualmente, além de diretor e ator, também é professor de teatro no Instituto Federal de Roraima (IFRR) “O que mais me dá orgulho, é do meu trabalho como professor de teatro desde a época do Oswaldo Cruz,de nos anos de 1980.Quando eu me encontro com ex-alunos eles lembram com carinho dessa fase. Uma pesquisa do IFRR, realizado pela professora de história Eli Macuxi ,mostrou que uma das coisas mais marcante na vida dos estudantes que passaram por lá foram as aulas de teatro, e isso me deixa muito feliz”, contou ele. Além o teatro, o cinema faz parte de sua carreira. Ele atuou no curta metragem “O último lamento” no papel de um capanga prestes a executar o protagonista e foi diretor de elenco do longa roraimense “Bromance” de Thiago Sardenberg. “De todos esses anos de teatro, eu vou guardar aprendizados: o teatro é uma arte que não se domina, sempre existem novos desafios. Estamos sempre em busca de uma perfeição que nunca iremos alcançar, e por assim dizer, estamos sempre iniciando com uma história nova, um personagem novo, um espetáculo novo e um público novo”, disse Chacon.

Fotos: Arquivo Pessoal

Raimundo Nonato Chacon se dedica há mais de 30 anos pelo Teatro

A Bruxa tá solta O grupo de teatro A Bruxa tá solta surgiu em 1994 e até hoje é referencia nas artes cênicas em Roraima. Uma das peças que marcou o grupo foi a peça “Wanda, Pintou Sujeira”, que tratava do tema ambiental e era voltado para o público infantil. “Com a peça Wanda, Pintou Sujeira nos fizemos faculdade, mestrado e doutorado em teatro. Porque passamos três anos apresentando esse espetáculo. Com ele, viajamos para a Venezuela e apresentamos em várias cidades de lá. Ao todo foram mais de 300 apresentações”, contou Chacon. O grupo, também, faz parte do projeto do Ministério da Cultura Ponto da Cultura, onde trabalha com a comunidade do município de Rorainopolis. A Bruxa Ta Solta é a única ação articulada e continuada de resgate da memória

Ano que vem o grupo A Bruxa tá solta completa 20 anos das comunidades, que oferece formação de artes, informações, lazer e a convivência comunitária saudável, para assim, estimular a manutenção do jovem rural no seu lugar de origem, nas vilas. O Ponto de Cultura A Bruxa Ta Solta atende a três vilas na zona rural do Município de Rorai-

nópolis: Martins Pereira, Nova Colina e Equador. “Nesse ponto de cultura trabalhamos o regionalismo, as falas das peças são de acordo com a realidade dos moradores. Essa é a mágica do teatro, pode se adaptar a cada local. Fazer teatro é um aprendizado diário”, disse Chacon.


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Entrevista

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ENTREVISTA Dr. Hélio Marques

O

entrevistado desta edição é o médico anestesista e pediatra Hélio Marques. Ele é per-

nambucano, mas roraimense de coração e paixão. Como características de sua personalidade destacam-se: simpatia, bom humor, ética, praticidade e uma preocupação constante com a prática

Porque o senhor escolheu a profissão de médico?

Para o senhor o que significa a Medicina?

Eu achava bonito ser médico. Apenas isso e nada mais. Eu identificava o médico como um prestador de serviço para a comunidade.

Tratar o próximo como se fosse uma pessoa da sua família, um ente querido, uma pessoa amada.

da boa medicina. Hélio Marques saiu de Recife – PE para Manaus – AM para estudar medicina na Universidade Federal do Amazonas. Ele foi aluno da quarta turma do

Como o senhor decidiu a escolha da sua especialidade médica?

curso daquela instituição. Em 1975, com a abertura da BR – 174, Hélio deixou o Amazonas para vir trabalhar em Roraima como médico civil contratado pelo 6º BEC. No ano seguinte casou com uma roraimense com quem tem um filho, o médico oftalmologista Alexandre Marques. Ao contrário de muitos que escolheram a medicina para realizar o sonho de ser médico, Hélio contou que

Eu fiz pediatria durante 15 anos. Mas, é uma especialidade que todo mundo mete o bico, mãe, avó e o homem da farmácia. Ai, eu desisti e fui fazer anesteologia. Só faz anestesia o anestesiologista e, sendo assim, nada e nem ninguém pode se meter ou interferir na nossa especialidade.

a escolha se deu unicamente por achar bonita a profissão. A sua primeira especialidade foi pediatria, onde atuou durante 15 anos. Mas, decidido a atuar em outra área, voltou aos estudos para ser médico anestesiologista. Atualmente é aposentado pelo Ministério de Defesa e trabalha no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora do Carmo como anestesista. Os 38 anos de carreira foram todos dedicados ao serviço público, com ética e preocupação com o próximo. Para ele a boa medicina está pautada no atender bem, no olhar humanizado ao paciente. Saiba um pouco mais do Dr. Hélio Marques na entrevista a seguir.

Nessas quase quatro décadas, deve haver muitas histórias. Existe alguma que o senhor considera emocionante? Têm várias. Mas, a que me causou mais surpresa foi o nascimento da minha neta. Não fui o anestesista, pois, de acordo com o código de ética você não deve tratar de parentes, eu chamei um colega e foi uma emoção muito grande.

Quais são os maiores desafios da prática médica? Você viver num país onde criticam muito o médico, mas não dão condições para os médicos exercerem sua profissão com dignidade. As pessoas da periferia são jogadas às traças, quem tem um bom poder aquisitivo vai aos grandes centros.

O senhor disse que preferia que seu filho não fosse médico, por quê? Eu queria que ele seguisse a carreira de direito, fosse juiz, desembargador. Porque são bem mais reconhecidos do que os médicos.

Qual o segredo para ser um bom médico? Você se dedicar ao paciente como sendo uma pessoa da sua família. Se você fizer da medicina um comercio, você não será feliz.


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