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24 Sábado, 21.12.2013 / JORNAL NH

E!

técnica - Para Cláudio Pereira, que acompanha Rafael Lenhard desde os sete anos, o tenista é uma grande promessa para o esporte brasileiro. “Ele tem uma técnica de bater na bola, um top-spin de cima para baixo, com o movimento de braço que dá mais velocidade à bola, como os jogadores top do mundo têm hoje”, destaca.

esporte

Ele ataca em todas Tenista hamburguense que vive nos Estados Unidos tornou-se boleiro de quadra e convive de perto com atletas como Rafael Nadal e Novak Djokovic

Para um tenista em formação, assistir a técnica dos melhores

de perto tem sido importante para o crescimento de Lenhard. É uma espécie de estágio. Como está no último ano de júnior, o jovem tenista busca somar o maior número de pontos para conquistar uma bolsa em uma universidade norte-americana e seguir jogando. Já no início de janeiro, quando retornar à Califórnia, ele terá uma disputa regional pela frente. Nesse ano ele disputou o circuito júnior com jogos na Colômbia, El Salvador, República Dominicana, Bolívia e Panamá.

Cristofer de Mattos

conhecer um pouco das características de cada jogador. Cada atleta tem um cacoete para receber as bolas ou toalhas. O ritual dura no máximo 25 segundos. “Alguns jogadores querem sempre a mesma bola. Outros querem várias para escolher. E tem a Maria Sharapova (tenista russa), que quer sempre a bola do lado direito da quadra”, revela.

Para Lenhard

Fotos Inézio Machado/GES

Além de dois treinadores norte-

, o mais simpático entre os tenistas top é o sérvio Djokovic, que sempre mostra irreverência e atende a todos com simpatia ao final dos jogos. Já os mais “fechadões” são o suíço Roger Federer e o argentino Juan Martín Del Potro. Mas, como atleta, o favorito do jovem hamburguense é Rafael Nadal. “Eu gosto da raça dele, do jeito que ele joga e da técnica de bater na bola”, destaca.

americanos, Lenhard conta também com o apoio de Paulo Hexsel, que também já treinou na Wallau. Ele mora em Miami e tem acompanhado o jovem tenista em alguns torneios. Fora a questão de jogo, o treinador tem sido importante para o hamburguense manter a língua portuguesa em dia, já que o idioma lhe cerca apenas em casa, ao lado de seu pai e sua mãe.

Rafael Lenhard divide a formação como atleta, iniciada com o professor Cláudio Pereira (à direita, acima), com uma rotina de trabalho nos grandes torneios de tênis, que tem servido para ele conhecer de perto atletas como Rafael Nadal (ao lado)

arquivo pessoal

A timidez e o sotaque inglês carregado contrastam com os movimentos rápidos e modernos com a raquete empunhada na mão direita. A fala firme e objetiva compõe, com os olhos e cabelos claros, as raízes tradicionais de quem nasceu no Vale do Sinos. Mas, para encontrá-lo por aqui, é melhor reservar uma data na agenda nos últimos dias de dezembro. Durante o ano, será mais fácil vê-lo dentro de uma quadra nos Estados Unidos ou em algum outro país da América Latina. Aos 17 anos, Rafael Lenhard é mais um dos jovens que precisou deixar Novo Hamburgo junto com os pais em função da nova geografia do calçado. Foi na pouca conhecida Carlsbad, na costa oeste da Califórnia, que ele seguiu as raquetadas iniciadas na Wallau Centro de Esportes, aos 7 anos. Mas há uma peculiaridade ímpar em Rafael: desde 2009, ele tem sido boleiro (gandula) de tenistas consagrados como Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer. Em torneios como Indian Wells – um dos principais do circuito internacional –, Rafael tem assistido aos melhores do mundo de perto, em um lugar que sequer está à venda, de dentro da quadra. Ser boleiro não é para qualquer um, há disputa entre os jovens tenistas, que passam por testes em que têm avaliadas a agilidade, a atenção e os conhecimentos sobre o esporte. E esse hamburguense conseguiu. Mas quer ir bem mais longe. Como um apaixonado pelo tênis, este tem sido um game do jogo em que ele entrou para vencer. Deixar Novo Hamburgo, a Wallau, o Colégio Pio XII e os amigos foi um choque para Lenhard, então com 11 anos, que estava entre os melhores do Estado em sua categoria. Treinava até mais que seu professor Cláudio Pereira indicava. “Às vezes, precisávamos desligar a luz e dizer para ele ir embora, se não ele ficava batendo bola. Mas é essa determinação que caracteriza o Rafa”, afirma Pereira. O que amenizou o trauma foi exatamente o tênis. Logo ele encontrou uma academia, retomou a rotina de treinos e campeonatos. Desde então, nos finais de ano, quando a família retorna para passar o final de ano com parentes, o jovem tenista retorna aos treinos na Wallau e, claro, com o inseparável treinador Cláudio Pereira. “Ele poderia estar na piscina mas está aqui, suando, treinando, porque ele tem um objetivo maior”, conta Pereira, orgulhoso do pupilo.

Ser boleiro exige

Tenistahamburguense  

Tenista hamburguense, que mora no Estados Unidos, trabalha como gandula em grandes eventos de tênis, e convive com atletas como Rafael Nadal...

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