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HSM #EMPREENDEDORISMOFEMININO

PUBLICADO POR HOSPITAL SANTA MÔNICA

OUTUBRO 2018

SUZANA B.AMARAL

CEO do Hospital Santa Mônica, advogada por formação, conta sobre a sua carreira e como empreendeu na área da saúde ao assumir a gestão do Hospital e torná-lo referência em saúde mental e dependência química  


#EMPREENDEDORISMOFEMININO

PERFIL

Suzana Amaral é um exemplo de empreendedorismo feminino na saúde A CEO DO HOSPITAL SANTA MÔNICA FALA SOBRE CARREIRA, DESAFIOS E OPORTUNIDADES Com formação em direito, advogada regularmente

não enfrentados na sua carreira profissional.

inscrita na OAB, se formou na Universidade Mackenzie e se especializou em Direito Civil na Faculdade de Direito

Tomou a difícil decisão de sair do escritório de

do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo.

advocacia para assumir a Diretoria Administrativa do Hospital Santa Mônica e começar a se envolver mais de

Foi sócia em um escritório de advocacia em São Paulo

perto com as áreas de gestão operacional, financeira e

que na época, em 1987, prestava assessoria jurídica nas

administrativa.

áreas civil e trabalhista para o Hospital Santa Mônica hospital com 260 leitos fundado em 1969 e destinado a

Os desafios na época consistiam em montar sistemas de

internação de pacientes crônicos, encaminhados por

controle e mensuração de resultados, manter bons

meio do Sistema Único de Saúde - SUS.

padrões operacionais e diversificar fontes de renda a fim de manter o hospital sustentável, apesar de sua, até

Seu primeiro trabalho no hospital foi o de

então, total dependência do SUS. Esta dependência

reorganização do Departamento de Recursos Humanos,

significava repasses baixos, valores congelados em uma

com a revisão de documentos e o estabelecimento de

época de inflação alta e carga tributária igual à de

processos e protocolos.

qualquer empresa privada com fins lucrativos, sem qualquer benefício ou isenção fiscal apesar de ser um

Na área comercial reviu contratos de convênios e de

hospital que atendia apenas o SUS.

fornecedores, orientou e acompanhou a participação do hospital em diversas licitações públicas e

Com este envolvimento crescente na administração do

acompanhou todos os contratos feitos pela área

hospital, sentiu a necessidade de aperfeiçoar sua

administrativa.

formação e decidiu estudar Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde na FGV - CEASH e se especializar

Como assessora jurídica, participou dos acordos com a

nesta área.

Secretaria Estadual de Saúde, com a Secretaria Estadual da Fazenda que repassava recursos financeiros

Hoje, ter uma estrutura administrativa assertiva e

ao Hospital e representou a instituição perante o

eficiente parece óbvio, mas naquela época, início dos

Ministério da Saúde, em Brasília.

anos 90, orçamento, planejamento estratégico, levantamento e controle de custos, demonstrativo

Com o passar do tempo, se deparou com desafios

de resultados, gestão de fluxo de caixa, análise crítica

maiores, fora de sua área de formação e até então

da carteira de clientes, análise de viabilidade


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PERFIL

financeira em hospitais eram coisas que não se viam

de saúde deixaram de reconhecer a importância

com muita frequência. Reforça que a

destes hospitais de retaguarda e durante muitos anos

profissionalização na área da saúde, de forma geral,

adotaram a regra de não reajustar os preços da tabela

foi tardia. Assim como, ter uma mulher à frente das

SUS referente às diárias hospitalares de pacientes

decisões em um hospital, também era algo novo.

crônicos, o que levou a grande maioria, senão todos, os hospitais de retaguarda de então, a fecharem suas

Ao olhar para trás, percebe que este movimento de

portas. Para se ter uma ideia, em época de inflação

aprendizagem e desafios constantes, aliados ao

altíssima, as diárias globais incluíam tudo o que o

sonho de manter o hospital em funcionamento, fez

paciente precisava para o seu tratamento com valor

com que o Santa Mônica mantivesse suas portas

de R$ 70,00, por mais de 22 anos.

abertas, enquanto todos os hospitais de retaguarda de então fecharam suas portas.

Isto acabou com os hospitais de retaguarda e o Santa Mônica viveu anos de muita dificuldade.

Encabeçou o desafio da reinvenção do Hospital que deixou de atender o SUS, passou a atender pacientes

Diante desta realidade de desmonte, assumiu a

particulares e os principais convênios de saúde e, se

gestão com o foco e determinação de manter aberto

especializou em atendimentos de psiquiatria. Enorme

e sustentável o hospital de retaguarda que seu pai,

desafio, mas muito gratificante e que norteou os

Doutor Romolo Bellizia, um cirurgião geral, formado

planos futuros de crescimento, desenvolvimento e

pela Santa Casa, construiu e que sempre adotou

especialização cada vez maiores.

como objetivo de vida da família. Conseguiu reinventá-lo e mantê-lo no mercado, onde hoje tem

Contextualizando o momento na época:

uma posição de relevância no segmento da saúde mental.

Como mencionado acima, o Hospital Santa Mônica foi inaugurado em maio de 1969, para ser um hospital de

A ideia inicial foi dar um tratamento profissional aos

retaguarda para pacientes do Sistema Público de

pacientes, mas com um cuidado familiar, o que fez

Saúde. Durante um bom tempo, os hospitais de

enorme diferença na vida de quem passou por lá.

retaguarda tiveram grande relevância, pois os

Retirou o Santa Mônica desta dependência integral

pacientes eram atendidos nos hospitais gerais e

do SUS, diversificando e aumentando as fontes de

quando ficavam crônicos ou precisavam estrutura

receitas e rede de atendimentos, aumentando a

hospitalar para terminar tratamentos específicos,

rentabilidade de cada uma delas, buscando

eram encaminhados para os hospitais de retaguarda,

desenvolver o capital humano, buscando um novo

liberando leitos dos hospitais gerais para pacientes

posicionamento para o hospital, esforço este que

que necessitavam de elucidação diagnóstica,

acaba de transformá-lo no primeiro hospital

tratamentos cirúrgicos, intensivos, dentre outros.

psiquiátrico particular acreditado pela ONA Organização Nacional de Acreditação, órgão brasileiro

Cada hospital tinha seus leitos utilizados dentro de

que avalia os padrões de qualidade de instituições de

suas especialidades, o que otimizava bastante a

saúde. Foi um caminho looooongo e árduo, mas cheio

ocupação de leitos do SUS. Curiosamente, hoje muito

de prazeres e satisfações.

tem se falado em voltar a este modelo. Entretanto, ao longo do tempo, as políticas públicas

Suzana Bellizia Amaral foi movida e moveu sua equipe por um forte senso profissional, muita  


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PERFIL

resiliência e uma enorme consciência da

Na história deste hospital, há inúmeras famílias que

responsabilidade de manter aberto um serviço

se formaram e se desenvolveram juntamente

importante para os inúmeros pacientes que buscam

com a Instituição, o que é bastante gratificante.

um tratamento especializado em saúde mental, além de manter vivo o sonho dos seus pais.

O hospital mudou seu foco de atendimento, seu mix de clientes, seus níveis de exigências internas,

A estrutura financeira sempre foi equacionada e

aumentou drasticamente seu faturamento, focou

controlada com indicadores constantemente

seus atendimentos em saúde mental de adultos,

monitorados, pois qualquer descontrole colocaria a

crianças, adolescentes e dependentes químicos, se

sobrevivência do hospital em risco e pôde contar com

tornou referência neste segmento.

investimentos feitos pela família que sempre acreditou no negócio.

Recentemente, o staff do Hospital visitou hospitais na Europa (Inglaterra e França), e se surpreendeu ao

Os esforços foram direcionados à estruturação dos

encontrar muita semelhança no modelo de gestão e

serviços e adequação da estrutura física para atender

entre o que é feito nestes países e as práticas

pacientes particulares, de convênios, autogestões e

assistenciais e protocolos de atendimento adotados

planos de saúde diferentes dos que até então

no Hospital. Com essa visita, novas ideias surgiram

atendiam.

para tornar ainda melhores os serviços já prestados.

Fez o que era possível e conseguiu ampliar serviços

Sua missão é conduzir a Instituição de maneira

conforme os resultados foram sendo atingidos. Os

objetiva, responsável e consistente.

desafios foram imensos, mas contou com várias forças e com a missão definida de atender e manter

Suzana Bellizia Amaral é o exemplo de uma mulher

funcionando um serviço que tem muita relevância

que empreendeu na área da saúde, um segmento

social. Não acredita que alguém possa fazer qualquer coisa

até pouco tempo muito masculino, enfrentou

sozinho, buscou formar uma equipe afinada com a

hospital e fez importantes conquistas, junto com seu

cultura organizacional e bem capacitada

time, para colocar o hospital no patamar hoje

tecnicamente, que fosse o grande sustentáculo para

conquistado.

o desempenho da Instituição. Como o Santa Mônica está em uma área afastada do centro de São Paulo, a 10 km do bairro do Morumbi, conseguiu contar com uma equipe bastante empenhada, engajada ao processo de crescimento e modernização do hospital, o que certamente fez enorme diferença no enfrentamento dos obstáculos que surgiram ao longo desta mudança de perfil dos pacientes atendidos. Percebeu que não somente os pacientes e suas famílias sentem o Santa Mônica como seu porto seguro.  

preconceitos por ser mulher, filha do fundador do

Revista Saúde Mental - Hospital Santa Mônica  

Suzana Amaral, CEO do Hospital Santa Mônica, fala de carreira, desafios, empreendedorismo feminino e oportunidades

Revista Saúde Mental - Hospital Santa Mônica  

Suzana Amaral, CEO do Hospital Santa Mônica, fala de carreira, desafios, empreendedorismo feminino e oportunidades

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