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IDADE MÉDIA O CULTO: PEREGRINAÇÕES E ROMARIAS História A

Escola Secundária Gabriel Pereira Cristina Saraiva nº7 10ºD


INTRODUÇÃO Durante a Idade Média, a religião tornou-se um forte meio de união entre o povo visto que a igreja representava um papel proeminente na manutenção da civilização europeia. No Ocidente, o Cristianismo torna-se a religião predominante e as suas formas de culto envolvem a prática da oração, a confissão, a penitência, os jejuns e a leitura alternada de passagens bíblicas tais como as de livros do Antigo Testamento e os Evangelhos que eram por norma lidos e citados em missas (cerimónias de eucaristia) onde os seguidores desta religião se reuniam diariamente ou semanalmente. Existiam ainda as peregrinações que se tornaram uma metáfora, relacionando a jornada humana à salvação e à vida eterna e, também, as romarias que se dedicavam à celebração em honra de um determinado santo, geralmente, o padroeiro da cidade/vila/aldeia. Este trabalho concentra-se sobretudo nas formas de culto prestadas pelas peregrinações e romarias.


Peregrinações Na impossibilidade de encontrarem na oração uma relação direta entre o Homem e Deus, os devotos encontraram outras formas de devoção. A que ocupa o 1º lugar na piedade dos fiéis é sem dúvida a peregrinação. Chegados ao santuário, os peregrinos pagavam as suas promessas e participavam das cerimónias religiosas que incluíam sempre: -Uma missa; -Uma procissão. Tomar o cajado de peregrino é, antes de tudo, ganhar um espaço sagrado onde o poder divino escolheu manifestar-se através de milagres. São vários os lugares privilegiados que se multiplicam no Ocidente do séc. XVII por receberem esta forma de culto. A par dos santuários regionais como Rocamadour ou Sainte-Foy de Conques em França, os fiéis frequentavam cada vez mais as peregrinações longínquas como as de Santiago de Compostela na Galiza e São Miguel do Gargano ou São Nicolau de Bári em Itália. Roma por outro lado, passa também a ser um destino habitual, já para não falar de Jerusalém, um destino quase obrigatório já que se trata da Terra Santa. Á exceção de Jerusalém, os lugares de peregrinação mais frequentados são aqueles que possuem preciosas relíquias, objeto de uma intensa veneração por parte do clero e dos fiéis, tal como o testemunha o esplendor dos cofres e relicários nos quais elas se encontram encerradas.

Santiago de Compostela Em meados do século IX, encontrou-se aí, um túmulo identificado como sendo do apóstolo S.Tiago, a partir daí tornou-se um dos principais centros de peregrinação tradicionalmente feita a pé, podendo ter dois pontos de partida: França e Portugal. Este centro é simbolicamente representado: - Pela Concha ou Vieira: afirma a lenda que S.Tiago Símbolos do peregrino de Santiago terá chegado às terras da Galiza por via marítima assim, os de Compostela peregrinos que faziam os diversos caminhos de Santiago nomeadamente os que chegavam por via marítima, ao chegar às praias, apanhavam as vieiras como prova da sua viagem. A Vieira, assumiu-se então, como símbolo das peregrinações a Santiago de Compostela até aos nossos dias. Hoje, sob a forma de recordação, os peregrinos levam-na pendurada ao pescoço utilizando-a para saciar a sede nas ribeiras, rios ou fontanários por onde passam. Imagem do apóstolo S.Tiago representado como peregrino


Jerusalém Jerusalém é um dos principais centros de peregrinação pois foi cenário da paixão, vida e da morte de Jesus. Simbolicamente, é representado por palmas, que significavam o triunfo da viagem entre os peregrinos.

Palmas

Roma A peregrinação a Roma e aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo ganhou uma nova dimensão e um novo significado a partir do séc. XIV com o primeiro jubileu cristão instituído pelo Papa Bonifácio VIII em Fevereiro de 1300 com a bula Antiquorum fide relatio. O início do novo século trouxe a Roma um número excecional de peregrinos para venerar a mais famosa relíquia romana, uma pintura de Santa Verónica na qual está representada o rosto sofredor de Jesus na sua Paixão, guardada em São Pedro. O contínuo fluxo de peregrinos levou Bonifácio VIII a convocar um Jubileu a cada cem anos. Segundo um comentador da época, não houve, desde os tempos mais antigos, tão grande devoção e manifestação de fé do povo cristão. Famosa imagem de Santa O símbolo da peregrinação é uma chave visto que era em Roma que se Verónica segurando o pano com localizava a sede do papado (a chave da religião) onde predomina atualmente. a imagem de Jesus

ROMARIAS No fundo, romarias consistiam em pequenas peregrinações que ocorrem numa data fixa todos os anos em honra de um determinado santo. São celebrações organizadas que atraíam numerosos fiéis das zonas circundantes que faziam o caminho em grupos, na maioria das vezes a pé com a duração de um a vários dias. Esta jornada, relativamente curta, assumia muitas vezes um caráter lúdico e folião. Tal como nas grandes peregrinações, durante estas celebrações, os romeiros pagavam as suas promessas e participavam nas cerimónias religiosas que incluíam a eucaristia e a procissão a fim de verem os seus pedidos (milagres) realizados. Após o caráter religioso da romaria, aproveitava-se a ocasião para realizar negócios, trocar notícias, cantar e bailar ao som dos instrumentos tradicionais. As romarias foram uma das expressões mais notáveis da cultura popular medieval que persistem até aos nossos dias animando na sua maioria, os meses de Verão.


Conclusão Os milagres desempenham um importante papel na vida espiritual durante a Idade Média e não só para os leigos. Para os fiéis, eles constituem um dos mais importantes meios de comunicação entre este mundo e o ‘’além’’ . Os milagres acentuavam a ideia de que Deus continuava a revelar-se aos homens através de prodígios e encontrava-se presente em todos os espíritos, por isso, os cristãos da Idade Média viviam permanentemente em busca de milagres e dispostos a identificá-los em qualquer fenómeno extraordinário. Aqueles que realizavam esses fenómenos eram assim, considerados santos. A igreja rejubilava por contar com grande número deles nas suas fileiras pois numa época em que as heresias lhe abalavam as estruturas eram eles a prova de que o espírito de Deus se encontrava sempre presente. Quanto aos simples fiéis, os milagres que esperavam dos servos de Deus eram sobretudo curas como, por exemplo, devolver a paz de espírito aos possessos, fazer caminhar os coxos, fazer ver os cegos estes, eram então, os principais critérios de santidade. Foi a procura da fé e da salvação e a busca do contacto mais próximo com Deus por parte dos fiéis que influenciou os seus hábitos religiosos e que os levou a dedicarem parte do seu tempo à religião criando assim, as peregrinações e romarias.

BIBLIOGRAFIA VAUCHEZ, André, A espiritualidade da Idade Média Ocidental, Editorial Estampa, 2ª edição, 1995 PINTO DO COUTO, Célia, Um Novo Tempo da História parte 2, Porto Editora, 1ª edição, 2013 http://aventura-caminhos-santiago.iblogger.org/paginas/simbolos.html consultado a 02/03/2014 http://pt.wikipedia.org/wiki/Caminhos_de_Santiago consultado a 01/03/2014 http://pt.wikipedia.orh/wiki/Cristianismo consultado a 02/03/2014

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