Issuu on Google+

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO A radioterapia é um dos tratamentos indicados em diversos casos de oncologia. Ela é um método capaz de destruir células tumorais através da aplicação de feixes de radiação ionizantes, onde se determina uma dose pré-calculada em um determinado tempo na célula tumoral com a finalidade de erradicá-la, procurando causar menor dano possível às células normais circunvizinhas, pois são elas as responsáveis pela regeneração das áreas irradiadas. Esse tipo de tratamento foi descoberto em 1.895, obtendo-se sucesso em 1.898 quando foi usada num tratamento de câncer, mas causando algumas complicações pelas doses elevadas usadas. No decorrer deste estudo, observar-se-ão mais argumentos a respeito do assunto. Serão abordados também quais os tipos de radioterapia existentes e como é realizada; sobre as modalidades existentes, sempre acompanhando a evolução da tecnologia; abordará também sobre qual é a vantagem para o paciente à radioterapia de alta tecnologia.

1


No capítulo cinco (5), explicará a quem este tratamento é indicado e sua finalidade. Segue-se a seguir o passo a passo para a radioterapia, às informações importantes para o paciente, quanto tempo dura o tratamento, quais os efeitos colaterais causados pela radioterapia e quais sintomas merecem cuidados imediatos. Como todo e qualquer tratamento médico, aqui também serão abordados a Assistência da Enfermagem nos cuidados com pacientes em Radioterapia. A pesquisa para o desenvolvimento deste trabalho foi baseado em referências literárias, atualidades e sites na internet, com o objetivo de um conhecimento mais amplo sobre como funciona esse tipo de tratamento e qual benefício para pacientes oncológicos.

2. O QUE É RADIOTERAPIA? É um método capaz de radiações ionizantes. Uma determinado tempo, a um erradicar todas as células normais circunvizinhas, à irradiada. (1)

destruir células tumorais, empregando feixe de dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um volume de tecido que engloba o tumor, buscando tumorais, com o menor dano possível às células custa das quais se fará a regeneração da área

As radiações ionizantes são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia. Ao interagirem com os tecidos, dão origem a elétrons rápidos que ionizam o meio e criam efeitos químicos como a hidrólise da água e a ruptura das cadeias de ADN. A morte celular pode ocorrer então por variados mecanismos, desde a inativação de sistemas vitais para a célula até sua incapacidade de reprodução.(1) A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a qualidade e a quantidade da radiação e o tempo total em que ela é 2


administrada.(1) Para que o efeito biológico atinja maior número de células neoplásicas e a tolerância dos tecidos normais seja respeitada, a dose total de radiação a ser administrada é habitualmente fracionada em doses diárias iguais, quando se usa a terapia externa. (1) A radioterapia pode ser usada para dar alívio ao paciente e melhorar a qualidade de vida, diminuir o tamanho dos tumores, diminuir ou estancar hemorragias, ou atuar sobre outros sintomas, como dor. As células do câncer crescem e se multiplicam muito mais rapidamente do que as células normais que as rodeiam. O tratamento se baseia justamente na fase de multiplicação celular. (6) 2.1. A HISTÓRIA DA RADIOTERAPIA A Radioterapia surgiu no final do século XIX na sequência da descoberta dos raios X, por Röentgen em 1895, e do rádio, por Marie e Pierre Curie em 1898. [4]. A radiação foi uma das primeiras vias de tratamento do câncer, tendo sido realizado o primeiro tratamento com sucesso em 1898. Nessa época se utilizava doses elevadas num único tratamento, o que acabou por provocar muitas complicações. [4] Inicialmente as doses eram avaliadas pelas reações induzidas na pele e a unidade correspondente foi denominada "dose eritema". A dose administrada era avaliada segundo a intensidade do eritema (dermatose manifestada por manchas rubras). (2) A experiência mostrou ainda que a sensibilidade das células tumorais à exposição desses raios não era idêntica em todas elas. Algumas eram destruídas imediata e completamente com doses baixas de radiação; outras precisavam de doses muito altas para reagir. Descobrir que a radiação danifica o material genético da célula maligna foi o passo definitivo para o surgimento da radioterapia, uma especialidade médica reconhecida em 1922 pelo Congresso Mundial de Oncologia de Paris, que evoluiu muito no decorrer do século XX e chega ao século XXI contando com aparelhos de altíssima precisão para destruir o tumor sem causar danos às células normais que lhe são próximas. (1) 2.2 RADIOSSENSIBILIDADE E RADIOCURABILIDADE A velocidade da regressão tumoral representa o grau de sensibilidade que o tumor apresenta às radiações. Depende fundamentalmente da sua origem celular, do seu grau de diferenciação, da oxigenação e da forma clínica de apresentação. A maioria dos tumores radiossensíveis são radiocuráveis. Entretanto, alguns se disseminam independentemente do controle local; outros apresentam sensibilidade tão próxima à dos tecidos normais, que esta impede a aplicação da dose de erradicação. A curabilidade local só é atingida quando a dose de radiação aplicada é letal para todas as células tumorais, mas não ultrapassa a tolerância dos tecidos normais.

3. QUAIS TIPOS DE RADIOTERAPIA EXISTEM? 3


De acordo com a localização do tumor, a radioterapia é feita de duas formas: Externa: onde as radiações são emitidas através de aparelhos que ficam afastados do paciente. É chamada Radioterapia Externa ou Teleterapia. (7) A teleterapia, significa que a fonte de irradiação fica longe e nem toca no paciente, a fonte emissora de radiação fica a mais ou menos 1 metro do paciente. Nesta categoria, enquadram-se os feixes de raios-X, de raios gama, elétrons de alta energia e nêutrons (10). Esta é a terapia realizada com aceleradores lineares e é um tratamento diário. Não há dor ou mal estar durante a aplicação. Cada sessão dura cerca de 15 minutos por dia durante um período que é definido pelo médico radio-oncologista dependendo do tipo do tumor.(8)

Interna: onde o material radioativo é aplicado por meio de aparelhos que ficam em contato com o organismo do paciente, chamada Radioterapia de Contato ou Braquiterapia. (7) Significa que a fonte de irradiação é colocada dentro ou junto do tumor. É um procedimento realizado sob anestesia ou sedação e dura de 15 minutos a 15 horas e pode exigir a internação de um dia. (8) É uma técnica em que o material radioativo, na forma de sementes, fios ou placas, fica em contato direto com o tumor (fig.3). A exemplo do que ocorre na radioterapia externa, para realização de braquiterapia é necessária fazer simulação prévia, seja por meio de técnica convencional ou tridimensional. A escolha depende da avaliação individual do caso e do planejamento do tratamento. Indicado para tratar casos de próstata, retinoblastoma e na ginecologia. (9) Na braquiterapia intersticial, os implantes são inseridos no tecido do tumor ou num local próximo dele através de uma injeção que os contém no seu interior e através de cirurgia, pois alguns implantes são cirúrgicos. É geralmente utilizada para o tratamento de tumores da cabeça, do pescoço, (fig.0 a 0. b), da próstata, do cérvix, dos ovários, da mama e das regiões perianal e pélvica. Na braquiterapia intracavitária ou intraluminal, é inserida no organismo através de um aplicador e é, geralmente, usada no tratamento de tumores ginecológicos (Fig. 1 a 3). 4


Dependendo do local do corpo em questão, é possível realizar o tratamento sem necessidade de anestesia como é o caso, por exemplo, de tumores superficiais de pele.

3.1. MODALIDADES DE BRAQUITERAPIA

5


(fig.0)

(fig.0.a)

(fig.0.b)

(fig.1)

(fig.2)

(fig.3)

(fig.3)

6


Existem outras modalidades também, como: Radioterapia Conformada ou Tridimensional (RT3D): Planejamento e tratamento baseados em tomografia ou, em alguns casos, ressonância magnética e PET-CT (tomografia computadorizada). Permite melhor definição do volume-alvo e proteção de estruturas normais, uma vez que estas são visualizadas e delimitadas, acarretando menor efeito colateral durante o tratamento e menor risco de sequelas. Indicada na maioria dos tratamentos curativos em cabeça e pescoço, tórax (pulmão, esôfago e mediastino), abdômen (estômago, pâncreas, vias biliares e rim) e pelve (colo do útero, bexiga, testículo, próstata, reto e canal anal). Também em pacientes obesos ou com mama muito volumosa e com tumor de mama à esquerda, que tenham recebido quimioterapia com antracíclico (droga cardiotóxica). Em casos como esses, somente com a tomografia é possível ver o coração e usar campos que reduzam o volume cardíaco irradiado. A técnica também é usada em alguns casos de metástases ósseas, viscerais ou de partes moles, com perspectiva de boa sobrevida. Radioterapia Convencional (RT2D) Baseada em radiografias, o que limita a visualização da lesão e estruturas normais. Técnica indicada em casos paliativos e/ou com prognóstico ruim. Também pode ser usada em situações curativas em pacientes magras, lesões de pele (elétrons), superficiais, ou mulheres com diagnóstico de câncer de mama já operadas. Radioterapia com Modulação da Intensidade do Feixe (IMRT) Técnica baseada em tomografia e, às vezes, ressonância magnética e PETCT. Indicadas na existência de estruturas nobres muito próximas ao tumor e com menor tolerância à radiação; necessidade de aplicar altas doses no tumor; e quando o volume a ser irradiado é muito grande. São utilizadas em casos de tumores de cabeça e pescoço, com o intuito de obter doses maiores e minimizar sequelas como xerostomia (também conhecida como boca seca ou secura da boca é um sintoma relacionado à falta de saliva), tumores de base do crânio, tumores cerebrais próximos a estruturas importantes como tronco cerebral, quiasma óptico, nervo óptico, etc. Aplicada também para pacientes obesos e com tumores volumosos em que não se consegue um planejamento adequado com RT3D, como em casos de tumores de próstata volumosa, canal anal, tumores pélvicos, mama obesa ou que se tenha de irradiar a cadeia mamária interna, e todos os pacientes que necessitem de reirradiação. Radioterapia Intraoperatória Aplicada em apenas uma fração, de dose alta, com feixe de elétrons, no leito tumoral após a retirada por cirurgia total ou parcial do tumor. Esse procedimento é realizado em uma sala cirúrgica no Departamento de Radioterapia. Após o tumor ser ressecado, coloca-se um cone para dirigir o feixe de radiação, que é fixado ao leito tumoral. O paciente é levado à sala do 7


acelerador linear, onde são feitos o alinhamento do feixe e o cálculo da dose, procedendo-se em seguida à irradiação. Depois, o paciente volta à sala cirúrgica para conclusão da cirurgia. Indicada para tumores recidivados ( que aparece de novo) em abdômen e pelve, com contraindicação para radioterapia externa ou que já tenham sido irradiados. Também usada em alguns casos de tumor inicial de mama.

Radiocirurgia (RCir) ou Radioterapia Estereotáxica Fracionada (REF) Uma extensão da radiocirurgia, liberada em fração única (RCIr) ou frações que podem variar de 2 a 30 (REF). Utiliza sistema de imobilização próprio, não rígido, propiciando, assim, a precisão da estereotaxia e permitindo às estruturas normais adjacentes repararem o dano sublateral. Geralmente indicada para lesões maiores de sistema nervoso central (SNC) e base do crânio. Tanto a radiocirurgia quando a radioterapia esterotáxica fracionada utilizam sistemas de referência tridimensionais para localização e tratamento precisos. A técnica permite margens milimétricas, devido às altas doses e estruturas nobres próximas. Para o tratamento é usados ângulo sólido amplo, para minimizar a dose de entrada e, principalmente, o volume de tecido normal irradiado. A escolha de uma ou outra depende da natureza, tamanho, número das lesões, proximidade com estruturas nobres e condição clínica do paciente. IGRT A técnica IGRT (radioterapia guiada por imagem, na sigla em inglês) que, associada à IMRT, tem o potencial de irradiar as células doentes preservando ao máximo os tecidos saudáveis. Aliados ao avanço nas técnicas de imagem, os novos aparelhos permitem visualizar, em tempo real, onde o tumor está. Eles levam em conta, inclusive, os movimentos da respiração do paciente. Trata-se de um equipamento que acompanha a movimentação do tumor a ser tratado, oferecendo uma "mira" mais precisa e com menos riscos de sequelas. Dessa forma, a técnica torna possível usar doses de radiação maiores em alvos cada vez mais específicos, num tempo menor. A técnica é indicada para irradiar células doentes nos mais variados órgãos como próstata, cabeça e pescoço, abdômen, reto, dentre outros. (9)

3.2. TIPOS DE TELETERAPIA Teleterapia Os principais aparelhos utilizados são: - Raios X Superficiais, Semi-Profundo ou de Ortovoltagem. 8


- Cobalto-60 - Aceleradores Lineares Estes aparelhos usam micro-ondas para acelerar elétrons a grandes velocidades em um tubo com vácuo. Podem gerar fótons de energia muito maior que os do cobalto-60(10)

ACELERADOR LINEAR

9


4. QUAL É A VANTAGEM PARA PACIENTE RADIOTERAPIA DE ALTA TECNOLOGIA?

COM

A

Reduz a toxicidade e também permitindo que seja possível o emprego de maiores doses com muita segurança e maiores chances de controle local dos tumores malignos. Isto reflete em melhor qualidade de vida e maior chance de cura. A seguir, veja como cada uma das tecnologias pode trazer benefícios ao paciente:  Na técnica de teleterapia, o feixe de irradiação atravessa tecidos sadios

para conseguir chegar ao tumor, e isto é uma das causas dos efeitos colaterais do tratamento. Portanto, quanto menos tecido normal for incluído no tratamento menos efeitos colaterais e complicações tardias ocorrerão. As técnicas de estereotaxia (forma minimamente invasiva de intervenção cirúrgica que usa um sistema de coordenadas tridimensional para localizar pequenos alvos no interior do corpo e para executar nestes alguma atividade tal

a utilização de muitas entradas de irradiação definidas em reconstrução digital do paciente e, de todos os órgãos, por tomografia computadorizada de cortes de 2 mm. Com isto, além de precisão na localização do alvo é possível definir a dose de irradiação em cada segmento do paciente, virtualmente, evitando doses altas inadvertidas em áreas sadias e maior dose no tumor, que é um ganho importante, por exemplo, nos tumores cerebrais, aonde cada centímetro de tecido poupado significa muito na preservação das funções mentais. Por esta tecnologia foi possível o desenvolvimento da radiocirurgia e da radioterapia estereotaxica hipofracionada aonde os tratamento são realizados em 1 a 7 dias. como ablação,biópsia, lesão, injeção, estimulação, implante, radiocirurgia e

etc.)

,permitem

 A técnica conhecida pela sigla IMRT, que significa: modulação da

intensidade do feixe de irradiação tornou-se possível realmente “fazer curvas” com a irradiação, pois o feixe é produzido com intensidade 10


variável permitindo que ao mesmo tempo áreas recebam doses maiores ou menores conforme a tolerância de cada órgão e isto acrescentaram muito no tratamento dos tumores da região de cabeça e pescoço e pelve com redução importante dos efeitos colaterais agudos e tardios, mantendo altas doses na área de interesse. Sistemas de cálculo extremamente sofisticados associados a aceleradores lineares de alta tecnologia são necessários para entregar ao paciente um tratamento de IMRT ideal. Mas estas não são as únicas exigências. É necessário que se reproduza diariamente, com perfeição, o que foi planejado, tanto em posicionamento do paciente quanto na emissão modulada da irradiação, de modo que sistemas de localização com lasers associadas com radiografias digitais diárias e a realização de checagem diária da fluência do feixe fazem parte da rotina obrigatória destes tratamentos.  A possibilidade de tratamento de radioterapia apenas durante a cirurgia

já existe na técnica conhecida como radioterapia intra-operatória. Após análise conjunta do cirurgião e do radio-oncologista, a irradiação poderá ser realizada durante a cirurgia, apenas no local aonde o tumor foi ressecado com o afastamento de todas as estruturas e órgãos normais da área. Utilizam-se cones especialmente desenvolvidos para conduzir esta irradiação ao leito da cirurgia. O feixe de irradiação é selecionado de acordo com as informações obtidas no ato cirúrgico. Esta tecnologia pode ter indicação em tumores de pâncreas, tumores de partes moles e tumores de mama.  Na braquiterapia, a grande revolução ocorreu com o desenvolvimento da

tecnologia de alta taxa de dose, o que permite a realização de tratamentos em minutos no lugar de horas. A cápsula deste material radioativo (iridium), por ser muito pequena e com alta taxa de irradiação, permite a realização de tratamento em localizações antes impossíveis como esôfago e pulmões, além de criar novas possibilidades no tratamento de tumores de próstata e de sarcomas de partes moles. O planejamento com reconstrução digital da tomografia computadorizada da região, sistema de cálculo sofisticado e aplicação robótica do material radioativo garantem a precisão e segurança nesta técnica. (8)

5. COMO É INDICADA A RADIOTERAPIA E QUAL SUA FINALIDADE? Como a radioterapia é um método de tratamento local e/ou regional, pode ser indicada de forma exclusiva ou associada aos outros métodos terapêuticos. Em combinação com a cirurgia, poderá ser pré, per ou pós-operatória. Também pode ser indicada antes, durante ou logo após a quimioterapia. 11


A finalidade da radioterapia varia entre neoadjuvante, curativa, adjuvante e paliativa, de acordo com o quadro do paciente: •

Neoadjuvante - Para diminuir o volume do tumor, com objetivo de facilitar a cirurgia, possibilitar a preservação de um membro, permitir uma cirurgia e menos mutiladora. Usada em tumores d0000e reto baixo, sarcomas de partes moles e estômago.

Adjuvante - Quando a radioterapia é associada à quimioterapia ou a cirurgia. Aplicada em regiões na cabeça e no pescoço, do colo e corpo uterino, pulmão, esôfago, sistema nervoso central (SNC), mama, linfomas etc.

Curativa - Quando a radioterapia é considerada a principal arma no combate ao câncer, podendo ser associada à quimioterapia ou utilizada em casos no quais a cirurgia não é possível ou muito arriscada para o paciente. Aplicada em regiões na cabeça e no pescoço, tumores localmente avançados do colo e corpo uterino, canal anal, pulmão, esôfago, sistema nervoso central (SNC), etc.

Paliativa - Para melhorar a qualidade de vida do paciente oncológico, propiciando melhora da dor, redução de sangramento ou de outros sintomas.

Ablativa: Quando se administra a radiação para suprimir (anular) a função de um órgão, como, por exemplo, o ovário, para se obter a castração.(9)

6. RADIOTERAPIA: PASSO A PASSO Consulta médica para avaliação: é o primeiro passo para iniciar o tratamento. O médico radioterapeuta irá avaliá-lo verificando o estágio da doença e se existe ou não necessidade de realizar a Radioterapia. A partir daí, poderá solicitar exames complementares para definir melhor as áreas comprometidas e que deverão ser irradiadas e orientar quanto ao tratamento (se ele estiver indicado). Simulação e planejamento: nessa etapa, com o auxílio de um equipamento chamado Simulador, a equipe médica (formada também por físicos e técnicos de radioterapia) irá estudar o melhor posicionamento (do seu corpo e do local que a radioterapia vai agir) para receber o tratamento. Com a ajuda de radiografias localizam-se os locais desejados marcados na pele com uma tinta 12


vermelha e/ ou uma forma de picadas de agulha com tinta preta (uma espécie de “tatuagem” definitiva, que ficarão como pintas na pele) e, em alguns casos, pode-se utilizar moldes para mantê-lo na mesma posição. É fundamental e imprescindível que você não perca esses desenhos para que seja reproduzido diariamente com segurança o campo de tratamento. Tomografia: Em alguns casos, será necessária a realização de um exame de tomografia (exame computadorizado para que sejam feitas imagens “fatiadas” dos objetos analisados - seja um órgão ou uma parte do corpo). Com as imagens obtidas, o médico irá delimitar o campo de tratamento e os órgãos sadios que deverão ser protegidos da radiação. Ao sair do simulador ou da tomografia, um físico utilizará a sua ficha para calcular a dose correta para o seu tratamento. Início do tratamento: após a ficha ser liberada pelo físico, você será conduzido a um aparelho onde um técnico em radioterapia o atenderá e prontamente o posicionará para as aplicações radioterápicas. Você deve permanecer imóvel durante as aplicações. Neste período você permanecerá sozinho na sala, sendo observado por câmeras de vídeo do lado externo. (7)

7. INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA A RADIOTERAPIA 1 - A radiação permanece no seu corpo apenas durante o tempo em que você fica no aparelho. Não precisa se afastar de crianças ou gestantes durante o seu tratamento. 2 - Não há necessidade de mudanças nos hábitos ou nos contatos pessoais, pois os pacientes em radioterapia não se tornam radioativos. 3 - É muito importante que o paciente esteja bem alimentado para ter melhores condições de reagir aos efeitos colaterais. Não há necessidade de grandes modificações na alimentação. No entanto, o paciente deve incluir nas refeições diárias frutas, verduras, cereais, carnes, para que possa obter todos os nutrientes de que o organismo precisa. 4 - Durante o período de radioterapia deve-se evitar a gravidez, pois a radiação utilizada pode causar riscos na formação do bebê. É importante pedir orientação ao médico sobre o melhor método de anticoncepção a ser usado durante o tratamento.

5 - Procure manter uma alimentação saudável e ingerir bastante líquido. (7) 6- Trabalho: a maioria dos pacientes pode e deve continuar trabalhando durante o tratamento. Não há indicação para que as atividades habituais sejam paralisadas, a menos que sejam bastante pesadas e exijam muita condição física. Na maioria das vezes o paciente precisa apenas ajustar o período e o horário das sessões, para que possa entrar em acordo e ser dispensado do trabalho se necessário. 7. Relações sexuais: o tratamento contra o câncer, para muitos pacientes, provoca tensões físicas e emocionais que podem estar ligadas não só aos efeitos colaterais, como também às mudanças no ritmo de vida, alimentação e 13


trabalho, além de ansiedades em relação à saúde, à família. Todos esses aspectos juntos podem contribuir para que haja uma diminuição no interesse sexual. Ocasionalmente, os efeitos locais da radioterapia na pelve do paciente, podem causar desconforto local, queimaduras e até mesmo sangramento local. Isto pode atrapalhar muito uma relação sexual. No entanto, é importante que o paciente saiba que a radioterapia por si só não o impede de manter relações sexuais normalmente. 8. Uso de outros medicamentos: alguns medicamentos, mesmo os homeopáticos e "naturais", podem interferir no tratamento radioterápico. Por isso, o médico deve ser sempre consultado antes de o paciente fazer uso de qualquer medicamento. 9. Atividades físicas: durante o período de tratamento não há contraindicação à prática de exercícios físicos ou modalidades esportivas. Porém, é bastante comum que ocorra fadiga durante o tratamento. Por esta razão, o paciente deve estar atento para não forçar suas condições físicas, e para estabelecer horários de descanso durante o dia. 10. Cuidados com a pele: a pele que recebe a radioterapia deve ser bem cuidada, pois fica mais sensível. Alguns detalhes são especialmente importantes: • Lavar a pele diariamente, com sabão neutro e água morna ou fria (nunca quente); • Usar roupas leves, de tecidos naturais (como algodão), folgadas; • Proteger a pele da exposição solar, de preferência cobrindo-a com roupas leves; • Evitar atritos na região - como coçar, esfregar ou utilizar joias ou roupas justas; • Não aplicar compressas no local (quentes ou frias); • Utilizar pomadas, loções, cremes, hidratantes, desodorantes somente sob orientação médica.

8. QUANTO TEMPO DURA O TRATAMENTO? Em geral, o tratamento dura apenas alguns minutos, não causa dor nem sensação de calor. Para uma melhor qualidade de tratamento, todas as etapas de radioterapia requerem certo tempo. O tratamento é realizado de segunda a sexta, podendo ser interrompido apenas de sábado, domingo e feriado ou por recomendação médica. (7)

9. QUAIS SÃO OS EFEITOS COLATERAIS DA RADIOTERAPIA? Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, desde que sejam respeitados os princípios de dose total de tratamento e a aplicação fracionada. Os efeitos colaterais podem ser classificados em imediatos e tardios. Os efeitos imediatos são observados nos tecidos que apresentam maior capacidade proliferativa, como as gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos 14


digestivo, urinário e genital, e a medula óssea. Eles ocorrem somente se estes tecidos estiverem incluídos no campo de irradiação e podem ser potencializados pela administração simultânea de quimioterápicos. Os efeitos tardios são raros e ocorrem quando as doses de tolerância dos tecidos normais são ultrapassadas. Os efeitos tardios manifestam-se por atrofias e fibroses. As alterações de caráter genético e o desenvolvimento de outros tumores malignos são raramente observados. Todos os tecidos podem ser afetados, em graus variados, pelas radiações. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos. Entre os efeitos colaterais mais comuns, destacamos: Feridas na boca A irradiação de tumores de cabeça e pescoço pode provocar aparecimento de aftas, irritação nas gengivas, na garganta e até feridas na boca. Isso pode causar muita dor e ainda dificultar a alimentação. Algumas medidas podem ser seguidas, nestes casos: • Manter a boca sempre limpa, escovando os dentes com maior frequência. • Evitar ingerir alimentos duros, quentes, ácidos e condimentados. • Procurar usar cremes dentais mais suaves, fazendo bochechos quando necessário com produtos indicados pelo médico. • Ingerir maior quantidade de líquidos (água, chás e sucos). Queimaduras na pele Podem ocorrer queimaduras na pele que recobre a área irradiada. Para diminuir os efeitos locais, é ideal manter a pele bem hidratada, e não utilizar substâncias que podem irritar ainda mais o local. O uso de pomadas ou loções deve sempre ser orientado pelo médico radioterapeuta, para não haver risco de piora do quadro. Diarréia A irradiação de tumores localizados no abdome e na pelve pode causar diarreia em maior ou menor intensidade, dependendo da reação do organismo. Se ela persistir por mais de 24 horas, o paciente deverá obter orientação médica. Nos casos menos intensos, algumas medidas podem ajudar: • Procurar manter uma alimentação mais líquida (chás, água e sucos); • Evitar tomar leite e derivados; • Procurar fazer pequenas refeições, evitando alimentos gordurosos e frituras. Dor para urinar A irradiação de tumores localizados na pelve pode causar irritação na bexiga, causando desconforto ou dor para urinar, e às vezes até sangramento. O paciente deve procurar orientação médica para controlar os sintomas e diminuir o risco de complicações. Boca seca (xerostomia) 15


A irradiação em tumores de cabeça e pescoço pode causar irritação nas glândulas salivares, causando diminuição da salivação. Atualmente existem medicamentos que aplicados concomitantemente à radioterapia podem diminuir este efeito. Para controle dos sintomas, o paciente deve aumentar a ingestão de líquidos, e ocasionalmente recorrer a produtos artificiais que imitam a saliva (saliva artificial). Existem ainda os riscos de toxicidade tardia, geralmente decorrentes de alterações inflamatórias nos locais que receberam irradiação. O médico especialista em radioterapia deve esclarecer ao paciente os riscos e os sintomas possíveis, que dependem da dose utilizada e da área utilizada, bem como da aparelhagem e tipo de energia utilizada 9.1- SINTOMAS QUE MERECEM CUIDADOS IMEDIATOS: Caso o paciente apresente algum sintoma novo que o incomode, ou ainda um dos sintomas relacionados abaixo, deve procurar orientação médica, o mais rápido possível. • Febre (temperatura igual ou maior que 38 graus) • Falta de ar ou dificuldade respiratória; • Dificuldade de controlar a urina; • Dificuldade na visão (dupla ou borrada); • Dor de localização ou intensidade anormal; • Sangramento de qualquer região, que persista por tempo mais prolongado. (6)

10. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NOS CUIDADOS COM PACIENTES RADIOTERÁPICOS: Para que o enfermeiro tenha segurança para desempenhar estas atividades, necessita conhecer: •

Princípios de Radioterapia;

Finalidades da Radioterapia;

Se a Radioterapia vai ser administrada isolada ou combinada com outras modalidades de tratamento (ex: Quimioterapia);

Principais características dos efeitos colaterais mais frequentes

Medidas necessárias para diminuir os efeitos mais frequentes.

Durante a consulta de enfermagem devem ser fornecidas orientações sobre: •

Os objetivos do tratamento;

A marcação do campo que será irradiado no caso de Teleterapia, e cuidados para mantê-la durante o tratamento;

Como será realizado o tratamento (tipo, posicionamento, preparo, duração);

No caso de teleterapia é importante ressaltar que o cliente não fica radioativo, nem sendo necessário isolamento; 16


Prevenção da complicação e minimização dos efeitos colaterais inevitáveis.

No caso de pacientes que serão submetidos à Braquiterapia, ainda devem ser fornecidas orientações sobre: •

Preparo do cliente antes da terapia;

Procedimentos relacionados à terapia;

Restrição de visita: proibir visitas de menores e de gestantes ou mulheres que estejam planejando engravidar;

Necessidades de isolamento temporário;

O cliente permanece num quarto monitorado por circuito interno de TV;

Serão prestados os cuidados essenciais de enfermagem, porém o tempo de permanência junto ao cliente será o menor possível;

Dependendo do procedimento a atividade física pode ficar limitada, sendo recomendadas atividades de lazer como televisão, leitura, palavra-cruzada, etc.

Após a alta hospitalar deve ser observada a presença de efeitos colaterais tardios:

Implantes pélvicos: diarreia, disúria, infecção urinária, estenose de vagina (neste último caso a paciente deve ser orientada a fazer exercícios de dilatação vaginal três vezes por semana até um ano após o tratamento radioterápico).

MUCOSITE- Diagnóstico de enfermagem: Mucosa oral prejudicada relacionada à irradiação de cabeça e pescoço. Intervenção de enfermagem (recomendar aos Pacientes): •

Higiene bucal cuidadosa sempre que se alimentar;

Gargarejos e bochechos de solução alcalina (solução de água fervida + bicarbonato de sódio), à temperatura ambiente;

Evitar alimentos quentes, ácidos e sólidos;

Retirar próteses dentárias móveis, se existentes;

Utilizar borrifos de anestésico local na cavidade bucal e orofaringe antes da refeição, em caso de dor à deglutição;

Evitar tratamento dentário; 17


Orientar ingestão hídrica.

Diagnóstico de enfermagem: Náusea relacionada à exposição da mucosa gástrica no campo de irradiação. Intervenção de enfermagem: •

Dieta branda, refeições pequenas e frequentes, preferir alimentos frios;

Evitar condimentos e alimentos ácidos e gordurosos;

Evitar ingerir líquidos durante as refeições;

Ingestão de líquidos gelados ou à temperatura ambiente;

Orientar sobre o uso de antieméticos, se prescrito.

Diagnóstico de enfermagem: Diarreia relacionada à exposição da mucosa intestinal ao campo de irradiação; Intervenção de enfermagem: •

Orientar dieta branda e pobre em fibras e gorduras;

Orientar sobre reposição hidroeletrolítica oral (soro caseiro água de coco);

Diagnóstico de enfermagem: Fadiga relacionada ao tratamento radioterápico; Intolerância à atividade relacionada à fraqueza generalizada e/ou anemia secundária ao tratamento radioterápico. Intervenção de enfermagem: •

Monitorar hemograma;

Reposição nutricional;

Estímulo ao repouso e relaxamento;

Apoio emocional para reforçar a importância da continuidade do tratamento; explicando-se também que a fadiga é temporária.

Diagnóstico de enfermagem: Risco de integridade da pele prejudicada relacionada ao tratamento radioterápico. Intervenção de enfermagem: •

Manter a pele do campo de tratamento o mais possivelmente seco e livre de irritações;

Não usar loções, cremes, talcos, desodorantes ou álcool; usar somente o que for recomendado pelo médico, ou enfermeiro; 18


Lavar a pele do campo de tratamento com água morna apenas, e secar sem esfregar; recomenda-se o uso de sabonete neutro e sem perfume;

Evitar vestir roupas justas (lycras, jeans);

Não usar esparadrapo ou adesivo sobre a pele.

Evitar extremos de calor e frio (bolsa de água quente ou gelo) sobre a pele irradiada;

Evitar o contato de tecidos sintéticos com a área tratada; o algodão é menos irritante e mais confortável;

Não esfregar, coçar, arranhar ou esfregar a pele irradiada;

Nas áreas pilosas, não usar lâminas de barbear, nem navalha. Usar barbeador elétrico durante o tratamento;

Proteger a área do tratamento da exposição solar com uso de filtro solar nº 30.

Continuar a tomar precauções durante seis meses a um ano após o tratamento, devido ao risco de que sejam causados danos severos à pele, inclusive tumores malignos;

Manter a pele do campo de tratamento hidratada, seguindo o protocolo de prevenção de radioepitelite da instituição, com o uso de Aloe Vera ou Ácidos Graxos Essenciais (AGE) no campo demarcado;

Comparecer semanalmente à revisão médica e de enfermagem;

Estimular ingestão hídrica.

Diagnóstico de enfermagem: Risco de nutrição desequilibrada menos do que as necessidades corporais, relacionadas à dificuldade para ingerir alimento, secundária ao tratamento radioterápico. •

Intervenção de enfermagem:

Recomendar aos pacientes o fracionamento da dieta e a ingestão de refeições leves e a intervalos curtos e em pequenas quantidades;

A adequação da dieta deverá da preferência à qualidade dos alimentos ingeridos e não à quantidade;

O encaminhamento ao nutricionista nos casos mais agudos ou graves. 19


Diagnóstico de enfermagem: Risco para a imagem corporal prejudicada relacionada ao tratamento radioterápico; Risco para a integridade da pele do couro cabeludo prejudicada, relacionado ao tratamento radioterápico. Intervenção de enfermagem: •

Evitar lavar e manipular excessivamente os cabelos durante a terapia;

Usar xampu suave e lavar os cabelos a cada 4 a 7 dias;

Evitar escovar excessivamente;

Evitar o uso de secadores elétricos, elásticos, pregadores, presilhas e grampos;

Evitar tintura ou descoloração dos cabelos;

Proteger a cabeça;

Proteger o couro cabeludo da exposição solar.

11. CONCLUSÃO

20


O QUE É RADIOTERAPIA