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Edição 10 - Ano 2 - Número 2 / 2013

GESTÃO NEGÓCIOS POLÍTICA CULTURA

INDIVIDUALISMO NÃO É A SOLUÇÃO

OBRAS NÃO SAEM DO PAPEL PASSAM DE R$100 MILHÕES AS DEMANDAS EM INFRAESTRUTURA “É preciso questionar e se mobilizar”, diz AD Alto Uruguai

Acelerando a integração regional

Lixo? Não! Novas oportunidades

Grupo MotoSport: desafios, gestão, foco e investimentos


PA L AV R A D E AT O S

SEM INTERAÇÃO RESTA ESTAGNAÇÃO Como aumentar a interação entre organizações públicas e privadas? De que maneira fortalecer e promover diferentes grupos de transformação social, e não deixar passar e desperdiçar inúmeras oportunidades de desenvolvimento humano, social e econômico? Apesar de existir alguns avanços, ainda predomina uma visão fragmentada e limitada de desenvolvimento. O Alto Uruguai não tem capital social para reivindicar recursos, infraestrutura e, assim, efetivar obras fundamentais para o crescimento e desenvolvimento socioeconômico. Toda a riqueza da região não está a serviço de nada, não serve para buscar investimentos públicos ou privados, nem para o próprio conforto pessoal, relacionado às questões sociais. É como se não vivêssemos em sociedade, todos trabalham, produzem, circulam pelas mesmas calçadas e ruas esburacadas, mas não há nenhuma interação social. Os exemplos são claros, recentemente a América Latina Logística (ALL), simplesmente, adiou a reativação da malha ferroviária entre Marcelino Ramos - Erechim - Passo Fundo. O governo do estado do Rio Grande do Sul enrola, dá desculpas, e prorroga o asfaltamento dos acessos municipais na região. A Transbrasiliana (BR 153), trecho entre Erechim e Passo Fundo, também não sai do papel. A não realização dessas obras contribui significativamente para o atraso da região e do país. Infraestrutura é o básico, elementar, sem ela não é possível estabelecer um sistema produtivo eficiente e competitivo, em qualquer área, aqui ou em outra parte do globo. Não há manifestações, reclamações, se está completamente esterilizado. Por que essas obras tão importantes não acontecem? Por que não há cobrança e liderança social? O que fazer? É necessário mostrar o valor social das obras e reivindicar juntos a sua execução. Senão, nada vai acontecer, e se continuará sem um projeto que re-estruture o desenvolvimento regional, redimensione cada setor e incorpore novos mercados à economia local. Essas obras de infraestrutura terão impacto em todas as áreas econômicas e produtivas, trazendo benefícios imediatos para empresários e trabalhadores. Redimensionará a vida local, vai “abrir as cabeças”, permitindo uma nova organização social, instigando novas conquistas e um novo status para o desenvolvimento social e econômico: uma cultura de transformação coletiva. Mas é preciso se permitir e, de preferência, ainda nessa vida. Não é nenhum exagero dizer que há tudo por fazer no Brasil, industrialização de matérias-primas, qualificação profissional, infraestrutura, tecnologia, educação, saúde, habitação, saneamento básico, desburocratização e eficiência da gestão pública, cuidar do bem-estar da população brasileira. A lista é infinita, proporcional aos avanços, quanto mais melhorias, maior o número de demandas. A região tem um enorme poder econômico sem cara e ação, sem representação política pública e privada, isto é, sem condições ou sem intenções de atrair empresas e recursos públicos. Parece ser necessário refazer a identidade social, mudar conceitos, gerar novos parâmetros e um modelo pragmático que envolva ação. O que a região precisa e como vamos conseguir. O desenvolvimento econômico regional – lazer e cultura ficaram em segundo plano – de modo geral se alicerçou por iniciativas individuais, é eficiente e próspero até o momento. A questão principal, agora, é torná-lo coletivo, social, abrangente, para que as novas conquistas moldem outra organização, que envolva aspectos empresariais, sociais, culturais, econômicos e de lazer. Não há mais como separar esses elementos se o objetivo é compor um modelo mais humano, ecológico, eficiente, estável e autônomo. Ígor Dalla Rosa Müller Editor e jornalista ATOS JORNALISMO E CONSULTORIA LTDA

Um grande abraço Boa leitura.

EXPEDIENTE

Endereço: Rua Itália 1023, apto 10 - Erechim - RS

Atendimento: 54.3321.0211 Administração: 54.9609.3859 Redação: 54.9109.1009 adm@atosrevista.com.br redacao@atosrevista.com.br contato@atosrevista.com.br Editor e jornalista: Ígor Dalla Rosa Müller - 15841 Administração e vendas: Carina Dalla Rosa Müller Vendas: Cristian de Oliveira Abreu Vendas: Lucila Dalla Rosa Müller Gráfico: Lucas Carbonari Capa: Leandro Bartz Execução Gráfica: Arcus Indústria Gráfica Os conceitos e idéias dos artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

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ÍNDICE

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ENTREVISTA EM FOCO

“É PRECISO QUESTIONAR E SE MOBILIZAR”, DIZ AD ALTO URUGUAI

06 CHARGE 14 É POSSÍVEL TER

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INVESTIMENTOS

INFRAESTRUTURA ACELERANDO A INTEGRAÇÃO REGIONAL

EQUILÍBRIO E RESULTADOS SIMULTANEAMENTE?

22 COLOQUE PAIXÃO

NAQUILO QUE FAZ, MAS TOME CUIDADO PRA NÃO SE PERDER DE ILUSÃO

26 CURTAS 38 INFORMÁTICA:

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NOVA PERSPECTIVA

LIXO? NÃO! NOVAS OPORTUNIDADES

AUXÍLIO AO PROCESSO EDUCATIVO

45 CURTAS 46 APAE 47 ENSAIO COTIDIANO 48 ARTES, MÚSICA, LIVROS

49 CLASSIFICADOS

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EMPREENDEDORISMO

GRUPO MOTO SPORT: DESAFIOS, GESTÃO, FOCO E INVESTIMENTOS ATO S

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C U LT U R A C H A R G E | L E I T O R | S U G E S T Õ E S

Moro em Erechim, mas trabalho na Argentina, no ramo da construção civil, na empresa ODEBRECHT, e tive a oportunidade de ler a REVISTA ATOS, edição 9. Queria parabenizar a matéria de Christian Barbosa, muito bem colocada, é o que acontece exatamente no nosso mercado interno e externo de mão de obra. Eu uso este perfil, dou espaço para as pessoas crescerem. Parabéns a revista por ter ótimas matérias. Atenciosamente. José Carlos Bertuol | Erechim (RS) Muito boa a reportagem e entrevista com o presidente do Ibram, José do Nascimento Junior. Parabéns! Mateus Dalla Rosa | Porto Alegre (RS)

Envie seu comentário sobre a edição, textos, fotos, faça sugestões e críticas. redacao@atosrevista.com.br 06

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www.atosrevista.com.br


G E S TÃ O E P O L Í T I C A E N T R E V I S TA E M F O C O

“É PRECISO QUESTIONAR E SE MOBILIZAR”, DIZ AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO O Alto Uruguai não tem infraestrutura para crescer. Mais uma vez a América Latina Logística (ALL) adia recuperação da malha ferroviária e atrasa o desenvolvimento regional. Governo do Estado também prorroga obras dos acessos municipais e faz novas promessas. Não há unidade política, empresarial ou social para buscar investimentos. Região precisa se mobilizar para garantir recursos e seus direitos. A primeira grande iniciativa que poderia estimular ações de reestruturação de todo sistema produtivo regional, a reativação do transporte ferroviário entre Marcelino Ramos, Erechim e Passo fundo, é novamente adiada. Soma-se a esta realidade o não asfaltamento da BR 153 - Transbrasiliana – trecho entre Passo Fundo e Erechim, e o atraso nas obras dos acessos a 12 municípios da região. Por que essas obras não acontecem? A hipótese é a mesma: descompasso entre empresários, políticos e sociedade civil. Quem perde? Todos. As perdas são incalculáveis, passam de milhões, pois estamos falando de famílias destruídas por acidentes de trânsito decorrentes da caótica e insuficiente infraestrutura de transportes. Atraso, estagnação e aumento significativo do valor dos bens e dos custos de toda cadeia produtiva. Falta comprometimento com o projeto de desenvolvimento 08

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social e econômico, isto é, a perpetuação dessa realidade.

TRANSPORTE FERROVIÁRIO Segundo a Agência de Desenvolvimento Alto Uruguai (AD Alto Uruguai) a recuperação do trecho de 174 km entre Passo Fundo, Erechim e Marcelino Ramos deveria estar chegando ao final. Mas para surpresa de todos a obra foi novamente prorrogada, esta poderia ter sido mais uma conquista para o desenvolvimento regional, empresas privadas, públicas, associações e entidades setoriais. Quais são os motivos do cancelamento das obras? A empresa concessionária ALL argumenta que é preciso fazer ajustes no projeto, que a partir de agora envolve a extensão entre Passo Fundo – Erechim – Marcelino Ramos até Porto União em


Estação ferroviária de Marcelino Ramos-RS

Santa Catarina, quase duplicando a quilometragem do percurso. Dados da agência mostram que o potencial de movimentação de carga geral e granel sólido da região Alto Uruguai é de 3 milhões de toneladas/ ano. Um vagão de trem carrega em media 50 toneladas, assim o Alto Uruguai Gaúcho pode ter uma movimentação estimada de 60 mil vagões por ano, um fluxo médio de 5 mil vagões por mês. A participação do Ministério Público Federal foi fundamental e resultou na Deliberação n. 124 de julho de 2011 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que determinou à concessionária apresentar um cronograma para execução de obras de recuperação, e a se manifestar quanto a regularização de trechos e ramais ferroviários sub-utilizados ou

sem tráfego de cargas. No entanto, mesmo com a intervenção do Ministério Público Federal a América Latina Logística (ALL) acha meios de prorrogar as obras sem sofrer nenhuma cobrança por parte do poder judiciário ou do governo federal, que concede a licença pública para exploração das linhas férreas. De acordo com o programa as obras de recuperação do trecho entre Passo Fundo – Erechim - Marcelino Ramos iniciariam no mês de outubro de 2012 com prazo de 12 meses para terminar, isto é, outubro de 2013. A manutenção atingiria toda a extensão do trecho de 174 km com a substituição de 136 mil dormentes, nivelamento de linha, colocação de pedra (lastro) e remoção de terra. Um investimento de R$ 18. 879. 674,00. A ALL garante que em 2014 iniciará a ATO S

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recuperação da malha ferroviária na região Alto Uruguai. A Agência de Desenvolvimento explica que essa é mais uma estratégia utilizada pela ALL para prorrogar novamente o início das obras. Agora com prazos cada vez maiores e indefinidos, que serão justificados por problemas ambientais, técnicos e de qualquer outra natureza.

ACESSOS MUNICIPAIS O crescimento e desenvolvimento social, econômico, político e cultural da região depende da efetivação de um projeto que envolva todos os setores da sociedade, afirma AD Alto Uruguai. O mapa estratégico do desenvolvimento regional, delineado no livro, Planejamento Estratégico do Alto Uruguai Gaúcho, mostra que para ter avanços efetivos é necessário existir infraestrutura de transporte, comunicação e energia, áreas de responsabilidade dos governos municipal, estadual e federal. Além disso, buscar mercados externos, agregar valor aos seus produtos e serviços investindo em recursos humanos e tecnológicos. Tudo isso associado à qualidade de vida das pessoas através de investimentos em saúde, segurança, educação e habitação. Um estudo realizado pela AD Alto Uruguai mostrou que as principais demandas socioeconômicas da região, formada por cerca de 230 mil habitantes, se concentram nas áreas de 1) infraestrutura, 2) parques tecnológicos, 3) economia regional, 4) estruturação do sistema de saúde da região, 5) questões tributárias, 6) educação/qualificação técnica e 7) segurança pública. A região tem 12 municípios sem ligação asfáltica, para reverter esse quadro é preciso pavimentar 178,9 km de rodovias. Segundo a agência em dois anos e quatro meses (28 meses) foram feitos 13 km de pavimentação. A agência destaca que faltam 20 meses para terminar o mandato legislativo de governador e deputado e 165,9 km de estradas. Isto é, praticamente toda a obra prometida, que ainda não foi realizada. No mês de abril, a pedido da presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU), Adriana Kátia Tozzo, prefeita de Itatiba 10

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“Vamos jogar limpo. O trabalho em conjunto é a única forma para viabilizar o desenvolvimento do Alto Uruguai Gaúcho. A região tem que incorporar esse espírito”, explica. do Sul, houve uma reunião com representantes do governo e do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), e a nova promessa de 430 km de estradas na região e antecipação de obras do lote 3 (três). A iniciativa particular da prefeita, no entanto, desconsiderou e comprometeu todas as ações já realizadas pelas principais entidades regionais, AD Alto Uruguai, Conselho Regional de Desenvolvimento do Norte do RS (Credenor) e Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), que sempre buscaram em conjunto resolver as demandas da região. A agência lembra que o Alto Uruguai demanda e aguarda a realização de 165 km de pavimentação para os municípios sem asfalto, e não de 430 km como apresentado pelo DAER. Essa afirmativa do DAER tem um único propósito, desviar o foco, atrasar as obras, criar uma cortina de fumaça, gerar novas expectativas que não serão realizadas. A postura da atual presidente da AMAU, Adriana Kátia Tozzo, observa a agência, demonstra que não há um pensamento voltado para a integração


dos municípios, mas parece que a disposição em se autoenganar, autopromover e se ludibriar em novas promessas, que não se efetivam ano após ano. “A relação institucional da AD Alto Uruguai com a atual postura da AMAU pode ser prejudicada, porque está claro que não está priorizando o desenvolvimento socioeconômico regional”, afirma a agência. A AD Alto Uruguai enfatiza que 99% do que já foi proposto através do Planejamento Estratégico do Alto Uruguai Gaúcho, visando um crescimento

alternativas, proporcionar a ele conhecimento e informação. O jovem tem que produzir, ganhar dinheiro fruto do seu trabalho. e para isso precisa de infraestrutura”, ressalta agência. Por isso é tão grande a preocupação da agência com a eficiência da gestão pública, pois ela é fundamental para efetivar um projeto de desenvolvimento integrado dos municípios da região. As ações político-partidárias não olham para o conjunto das demandas, são pontuais, imediatistas,

Ponte ferroviária localizada em Viadutos-RS

e desenvolvimento equilibrado e sustentável, está sendo desconsiderado pelos representantes políticos regionais. “As demandas regionais continuam abertas. As dificuldades dos empresários e das pessoas são as mesmas, não vamos ter desenvolvimento sem estradas, energia e comunicação. Qualificação e capacitação profissional do jovem em atividades

individualistas, restringem e limitam o avanço harmônico de todos os municípios.

TRANSBRASILIANA – BR 153 O asfaltamento da BR 153 (Transbrasiliana) trecho entre Erechim e Passo Fundo é outra obra fundamental para o desenvolvimento socioeconômico ATO S

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regional, que não sai do papel. A rodovia federal foi construída em 1950 ligando o país de Norte a Sul, é a principal rota de escoamento da produção industrial e do agronegócio regional, e, também, via estratégica entre os países do Mercosul e o centro do país. O detalhamento do período de execução da obra de 68,5 km ocorreu no dia 16.10.2009. Quase quatro anos depois nada aconteceu. O cronograma de ações iniciaria no mês de novembro de 2009 e o investimento seria em torno de R$ 80 milhões. O

e Ambiental (EVTEA), que já foi aditado em prazo duas vezes, foi novamente adiado para junho de 2013. A empresa vencedora da licitação de R$ 262.619,22 para o EVTA foi a empresa STE, que não finalizou o trabalho. Informações técnicas de especialistas do setor mostram que a pavimentação da Transbrasiliana terá um custo de 30% do investimento necessário para duplicar a RS 135, que também deveria acontecer. Atualmente, a única via de circulação asfaltada entre

Transbrasiliana (BR 153) trecho Erechim - Passo Fundo

asfaltamento da BR 153 ficaria pronto em dois anos. No mês de outubro deste ano completa quatro anos que o diretor do DNIT anunciou a pavimentação da BR 153, e segundo a AD Alto Uruguai ainda não foi realizado o primeiro passo do projeto, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica 12

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Erechim e Passo Fundo paralela a BR 153. De acordo com a AD Alto Uruguai a hipótese plausível para o atraso nas obras da Transbrasiliana se deve ao pedágio de Coxilha (RS-135). Isso porque nesse trecho circulam em media 100 mil veículos por mês, representando recursos significativos


aos cofres do Estado do Rio Grande do Sul. Com a pavimentação da Transbrasiliana (BR 153) essa receita líquida mensal deve reduzir drasticamente, por que o fluxo de veículos migraria para a rodovia federal. Além de limitar a capacidade de escoamento da produção agrícola e industrial, outra grave conseqüência é o elevado número de acidentes na rodovia com mortes no trecho da RS 135 entre Passo Fundo e Erechim. A não realização dessa obra é um exemplo claro em que se desconsidera por completo o desenvolvimento humano, social e econômico de uma região. Prevalecendo um projeto que não tem como efetivar a melhoria da qualidade de vida regional para os próximos anos.

RODOVIAS A construção da Rodovia da Integração está também entre as demandas de infraestrutura da região do médio Alto Uruguai, isso porque ligaria as regiões Norte e Nordeste do RS, contornando o Rio Uruguai. Esse eixo dinamizará os mercados internos e centros produtores locais, fortalecendo o desenvolvimento regional. A AD Alto Uruguai ressalta que há outros pontos críticos que precisam urgentemente de intervenção, como as pontes entre Mariano Moro Severiano de Almeida e Erechim – Áurea. Nestes locais há pontes de uma via só que oferecem perigo diário aos motoristas. Atualmente, o fluxo de veículos é muito superior ao período de instalação das pontes. A pavimentação de 18 km que falta executar na RS 420 entre os municípios de Aratiba - Itá, e cerca de 30 km da RS 126 entre Erechim - Maximiliano de Almeida contribuiriam muito para o fortalecimento da economia e do turismo regional.

AVALIAÇÃO Para a agência nenhuma das atuais demandas do Alto Uruguai serão atendidas, a não ser que haja atenção especial por parte de lideranças empresariais, políticas e sociais. Para AD Alto Uruguai é preciso uma ação pró-ativa de cobrança efetiva e permanente. Sem os investimentos em infraestrutura de transportes, energia, comunicação haverá estagnação econômica e outras consequências. A cada dia a

região perde competitividade e deixa de ser atrativa para novos investimentos, que migram para cidades mais estruturadas como já vem ocorrendo com Chapecó e Passo Fundo. Estas regiões além de atrair os novos investimentos, concentram também os profissionais mais qualificados do mercado. O Alto Uruguai precisa se organizar e trabalhar por um projeto coletivo de desenvolvimento social, cultural e econômico. Se não houver organização, planejamento e cobrança, o detalhamento de todos os passos do projeto a curto, médio e longo prazo, os resultados continuarão sendo nulos, e a situação do Alto Uruguai em relação a outras regiões só vai piorar, observa a agência. A cultura de não querer se melindrar com ninguém, não se expor, não ter um posicionamento individual claro do que é o melhor para si e a maioria, é um dos fatores que impedem o desenvolvimento na região. “Tenhamos menos conveniência e mais convicção”, diz. “Vamos jogar limpo. O trabalho em conjunto é a única forma para viabilizar o desenvolvimento do Alto Uruguai Gaúcho. A região tem que incorporar esse espírito”, explica. A lógica é simples, nenhum empresário vai investir em um local sem infraestrutura. E, sozinho, nenhum prefeito vai conseguir recursos para investir nessa área. Agora, juntos, é possível reverter esse processo identificando as vocações, habilidades produtivas de cada cidade, canalizar investimentos e viabilizar o sistema produtivo e o desenvolvimento socioeconômico. O planejamento estratégico da região está pronto, talvez necessite de alguns ajustes, temos que colocá-lo em prática e tornar o Alto Uruguai um exemplo para o Brasil. Formar grupos de trabalho, por exemplo, é um importante passo para participar, acompanhar e monitorar o andamento de obras ou processos, observa AD Alto Uruguai. Esse modelo já vem sendo utilizado pela região na área da saúde e traz bons resultados. A AD Alto Uruguai observa, no entanto, que a reativação do transporte ferroviário, o asfaltamento dos acessos municipais e da BR 153, e tantas outras demandas vão se resolver com mobilização. “Temos que colocar o ‘bloco na rua’, de uma forma educada questionar e se mobilizar. Só baixar a cabeça e trabalhar não vai mudar a realidade da região”, ressalta. ATO S

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