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“Cientistas conseguem criar e armazenar átomos de antimatéria pela primeira vez”

Estadão.com.br, 17 de novembro de 2010 Carlos Orsi, Ciência Felipe Falcão Pereira Augusto Rodrigues de Oliveira

Uma conquista científica e suas verdades É a primeira vez na história da física de partículas que cientistas, além de produzir, conseguiram, de forma controlada, aprisionar no mínimo 38 átomos da versão “antimaterial” do hidrogênio por 170 milissegundos, aproximadamente.

O procedimento se deu por meio do financiamento dos

países participantes da Organização Europeia de Pesquisas Nucleares (CERN), que, por sua vez, tem investido nos experimentos que envolvem processos inversos ao do decaimento radioativo e altíssimas energias na forma de calor, para a criação de átomos da antimatéria. Para melhor compreender a notícia, é essencial ter conhecimento mínimo do objeto em questão: a massa e a carga elétrica são as características primordiais da matéria como nós conhecemos. Porém, a antimatéria se difere desta devido ao fato de que suas partículas, apesar de apresentarem massa em comum, possuem cargas elétricas opostas.

Assim, os antielétrons ou

pósitrons possuem carga positiva, enquanto os antiprótons possuem carga negativa. Até mesmo partículas desprovidas de carga elétrica (nêutrons e neutrinos) possuem versões “antimateriais”. É importante ressaltar o quanto a proeza dos 200 cientistas que trabalham com LHC (entre eles quatro físicos brasileiros), o maior acelerador de partículas já construído, é especial. Isto porque, até então, por mais que


átomos de antimatéria fossem criados, eles eram desintegrados ou aniquilados em virtude do imediato contato com a matéria contida no meio. Portanto, é um marco histórico para a ciência, que representa grande avanço e perspectivas futuras brilhantes. Infelizmente, os primeiros testes de produção falharam. Isso se deveao fato relatado anteriormente, ou seja, o contato entre matéria e antimatéria que, quando ocorre, gera uma aniquilação dos átomos já que as cargas têm sinais opostos e possuem mesmo módulo. O procedimento do experimento abordado não foi simples e foi denominado “Alpha” pelos cientistas do CERN. Eles utilizaram temperaturas extremamente baixas próximas ao zero absoluto (0K ou -273°C), com o objetivo de desacelerar pósitrons e antiprótons de maneira que esses interagissem e formassem os átomos de anti-hidrogênio. Em seguida, aplicaram campos magnéticos para isolá-los. O experimento foi bem sucedido poisesses átomos diferenciados permaneceram estáveis por mais de um décimo de segundo ( tempo suficiente para que os cientistas os analisassem). Por curiosidade, eles possuíam uma temperatura de 0,5K (um pouco acima do zero absoluto) quando formados na câmera onde ocorrem os choques das partículas atômicas. Mas, afinal, qual é a relevância dos estudos da antimatéria para a humanidade e porque o experimento foi algo tão especial? Após a comprovação experimental da existência da antimatéria em meados do século XX, confirmou-se que uma quantidade extrema de energia poderia ser produzida a partir de uma quantidade mínima, em massa, de antimatéria. Isto porque, ela, quando se aniquila com a matéria do meio, libera radiação gama que, por sua vez, é uma onda eletromagnética (desprovida de massa e carga elétrica) de alta frequência da qual se pode extrair essa energia. Eis a razão dos investimentos de grande porte de diversas nações para conseguir armazenar átomos tão desejados. Não há garantias de que esses investimentos não serão utilizados para, além do domínio da tecnologia, criar armas extremamente poderosas para esses países porque o sigilo das


informações é maciço. Porém, até então,o diretor da CERN assegura a existência de um único objetivo: a nova fonte energética. Provavelmente nada, além disso, é visado, apenas especulado. Estima-se que as futuras carências energéticas poderão ser supridas caso aprendamos a controlar ou manipular essa nova fonte. E, a energia proveniente da mesma, pode ser obtida em quantidade suficiente para propiciar viagens espaciais de longas distancias e, talvez, o homem possa, num futuro não tão distante, caminhar sobre Marte. Os átomos de anti-hidrogênio que foram estudados conferem um passo além dos cientistas para a manipulação da antimatéria e a conquista das proezas citadas acima. É nesse sentido que se pode afirmar que o feito dos pesquisadores do CERN foi de importância inquestionável, uma vez que suas realizações demonstram a possibilidade de um grande proveito para todos nós. Há apenas uma questão que não pode ser respondida. O diretor da CERN convocou, recentemente, o Brasil para participar da organização já que, de acordo com ele, possui tradição na área de físicas de partículas e alguns cientistas que trabalham no LHC. Há quem diga que o verdadeiro motivo dessa convocação foi a futura necessidade de aproveitar o extenso território brasileiro para realização de testes dessa nova fonte energética. A grande dimensão geográfica é uma das características que nenhum dos países pertencentes à CERN, atualmente, possui. Os cientistas enviados para conhecer os projetos da organização europeia terão contato direto com a SBF (Sociedade Brasileira de Física), bem como suas realizações, de modo que quaisquer grandes feitos sejam difundidos para as instituições de tecnologia brasileiras. Ainda sim, pelo fato de a CERN ser uma organização privada, pouco atinge aos ouvidos da população. O sigilo permanece.


Referencias bibliográficas  http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-conseguem-criar-e-

armazenar-atomos-de-antimateria-pela-primeira-vez,641263,0.htm  http://pt.wikipedia.org/wiki/Antimat%C3%A9ria  http://ciencia.hsw.uol.com.br/antimateria1.htm  http://hypescience.com/lhc-consegue-produzir-mini-big-bang/

 http://www.clicrn.com.br/noticias.php? noticia=163848&categoria=2&titulo=programa+leva+professores+brasilei ros+para+curso+no+maior+centro+de+pesquisas+fisicas+do+mundo+  Livro: Anjos e Demônios (Brown, Dan).

antimatéria  

resumo critico

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