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HC testa estímulo magnético para tratar dor crônica Jornal Folha de São Paulo, 5 de Maio de 2011

Ana Carolina Monteiro e Mariana Mendes Domingues O Hospital das Clínicas de São Paulo está testando um tratamento com estimulação magnética. Ele é constituído por uma bobina que gera um campo eletromagnético que estimula áreas do cérebro ligadas à dor, que induz a produção e liberação de substâncias produzidas pelo próprio corpo que tem efeito analgésico. Para Pedro Schestatsky, chefe do comitê europeu de dor da Sociedade Europeia de Neurologia, não há dúvidas sobre os benefícios da estimulação magnética. Uma vantagem da técnica é a redução do número de remédios para pacientes que já tomam outras medicações, como diabéticos. Segundo o neurologista e coordenador do grupo de dor clínica do HC, Daniel Ciampi, 25% dos pacientes com dores crônicas neuropáticas não respondem aos medicamentos. A estimulação magnética é contra indicada para gestantes, pessoas portadoras de implantes metálicos no crânio, implantes cocleares para surdez e marca-passos. Porém, mesmo com o grande benefício de reduzir os medicamentos usados por pacientes que possuem outros tipos de doenças, estudos apontam que a estimulação transcraniana pode causar dor de cabeça, alteração na visão e mais raramente epilepsia. Existe um outro tratamento, o eletrochoque, que possui as mesmas finalidades do tratamento de estimulação magnética, porém, nele o paciente recebe anestesia diferentemente do estímulo eletromagnético em que o paciente fica acordado durante a sessão que dura aproximadamente 15 minutos. O eletrochoque tem efeito antidepressivo mais eficiente, apesar de efeitos cognitivos indesejáveis, como perda de


memória. Pacientes que aceitam ser submetidos a este tipo de terapia em seu estágio de experimento são os que não têm mais perspectiva de melhora com outros tratamentos convencionais. Este tipo de terapia pode causar efeitos colaterais ainda não esperados além dos já descritos como dor de cabeça, visão com pontos luminosos e tontura, além de crise convulsiva. É um tratamento a longo prazo, pois ele não atua diretamente na causa do problema e sim, minimiza os sintomas do paciente como a dor e a depressão. Em 1937, um neurologista italiano chamado Ugo Cerletti sabia que a convulsão induzida por metrazol era muito perigosa e o paciente tinha medo da terapia. A partir de então, sabia também que um choque elétrico aplicado à cabeça produzia convulsões por já ter realizado experimentos em animais. A ideia de usar o choque eletroconvulsivo em seres humanos ocorreu depois de Ugo ter visto porcos serem anestesiados por eletrochoque antes de serem abatidos em Roma. Ele e seus colegas, Lucio Bini e L.B. Kalinowski, trabalharam juntos para desenvolver um equipamento para dar breves choques elétricos em seres humanos. Após aperfeiçoar a técnica, após de 10 a 20 eletrochoques em dias alternados, começou a aparecer a melhoria nos pacientes. Na época, o paciente não recebia anestesia e relaxamento muscular nenhum, por isso a aplicação era muito agressiva, o paciente se debatia por conta da convulsão gerada em seu corpo.

Fig. 1. No tratamento de eletrochoque do passado, o paciente tinha de ser segurado por várias pessoas para não resistir ao choque elétrico que receberia.


Hoje em dia a reação do paciente é diferente, já que alguns aceitam até serem cobaias enquanto o tratamento não sai apenas do processo experimental comprometendo sua vida caso algo dê errado.

Fig. 2. No tratamento atual, a estimulação magnética não requer anestesia e é utilizada somente uma bobina sobre a cabeça que irá gerar um campo eletromagnético estimulando áreas do cérebro ligadas à dor.

Referências Bibliográficas http://www.santalucia.com.br/neurologia/depressao/default-p.htm http://www.cerebromente.org.br/n04/historia/shock.htm#cerletti


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