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rainha dos oceanos, protetora das embarcações, dos navegantes e da pesca. Sua imagem só ou acompanhada de outros deuses, em uma barca, é recorrente na arte egípcia, aparecendo na barca do sol, na barca que conduz os mortos e na barca representativa daquela com a qual procurou o corpo de Osíris, seu marido. Outra comemoração em sua homenagem, que acontecia em meados de março, mais precisamente no equinócio vernal, era a chegada da primavera, uma vez que a deusa é, também, associada à fertilidade e à vegetação. As imagens dos deuses eram, geralmente, carregadas em barcos, uma vez que parte da procissão acontecia no rio Nilo19. O costume de se utilizarem barcos com rodas nos festejos era muito comum, e a palavra carnaval foi, durante um longo período, entendida como um desdobramento de carrus navalis, “carro em forma de navio”. Outra festa que pode ser relacionada ao carnaval e a outros folguedos tais como o bumba meu boi, como veremos mais adiante, é a procissão em honra do boi Ápis. Felipe Ferreira20 explica, no Livro de ouro do carnaval brasileiro, que ela constava de uma farra de sete dias, com muita comida e bebida, ocasião em que um boi, enfeitado com fitas e chifres pintados, saía em desfile seguido por mascarados e fantasiados. Desde os tempos mais remotos, a figura do touro, no Egito, era venerada como a personificação da força e da virilidade. Lewis Spence21, no livro Ancient Egyptian myths and legends, descreve as homenagens prestadas à Ápis e explica que ele era a manifestação terrestre, inicialmente do deus Ptah e, posteriormente, do deus Osíris. A identificação do Touro sagrado era feita no nascimento, observando-se determinadas características físicas, sendo uma delas o pelo negro e a marca branca na fronte. Ao longo da vida, o animal era tratado de forma especial e, ao morrer, era embalsamado e adorado.

R. L. Vos22, em The Apis Embalming Ritual: P. Vindob. 3873, relata que, no ritual funerário, os sacerdotes saíam em procissão levando a múmia do boi em uma barca de papiro, a qual remete à barca do Sol, transportada por um carro apropriado e lançada nas águas do lago dos Reis. A procissão pode ser interpretada como um episódio relacionado a morte e ressurreição, uma vez que se associa a Osíris, deus que, teve seu corpo encontrado por sua esposa Ísis e, apesar de morto, a engravidou de seu filho Hórus. Sarah Iles Johnston23, em Religions of the Ancient World: a guide, lista e descreve inúmeras festas do mundo antigo, sendo possível perceber a proximidade de muitas delas com o atual carnaval, por meio não só da coincidência entre as datas, mas também da presença de música, máscaras, costumes, e da saída de uma procissão cujo formato mostra-se bastante conveniente para adaptação ao desfile carnavalesco. Além das festas citadas acima, o autor relata também que, no Egito, acontecia a Sarapia e o Kbun festival of Esnia, ambos com presença de mascarados em procissão. Na Grécia, havia a Kronia, festa com características bastante carnavalescas, sendo uma delas a temporária liberdade dos escravos e, no mundo grecoromano, realizavam-se as saturnais, as lupercais e as dionisíacas. as Segundo Hiram Aráujo24, saturnais aconteciam no mês de dezembro 41

Imagens Fantásticas do Carnaval do Recife  

Esse livro foi desenvolvido a partir da dissertação do Mestrado em Multimeios do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNICAMP...

Imagens Fantásticas do Carnaval do Recife  

Esse livro foi desenvolvido a partir da dissertação do Mestrado em Multimeios do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNICAMP...

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