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A caipora habita as florestas ermas, passa o dia dormindo, e somente levanta-se para sair em suas excursões noturnas. É da sua habitação nas florestas que vem o seu nome de Kaapora ou caipora, termo da língua Tupi que significa morador do mato. No auto popular do Bumba-meu-boi figura como um menino de caiporinha, com a sua enorme cabeça, convenientemente arranjada com uma urupema de mais de dois palmos de diâmetro.49

Nestas páginas Imagem 236: Caipora e pigmeu do Boi Teimozo. (Encontro de Bois, Pátio de São Pedro, 27 jan. 2008. Fotógrafa: Cris Nery.) Imagem 237: Pigmeu do Boi Malabá. (Encontro de Bois, Pátio de São Pedro,15 fev. 2009 Fotógrafa: Priscila Ribeiro.) Imagem 238: Caipora do Boi Manhoso. (Encontro de Bois, Pátio de São Pedro, 27 jan. 2008. Fotógrafa: Cris Nery.) Imagem 239: Caiporas do Boi Estrela. (Concurso de Agremiações, Avenida Nossa Senhora do Carmo, 04 fev. 2008. Fotógrafo: Guilherme Tosetto.)

No boi de carnaval, trata-se de uma figura realmente impressionante e, como não dizer, assombrosa, não pelo tamanho, mas pela indumentária, bastante intrigante e curiosa. É encenado geralmente por um menino, que permanece sob diversos tipos de armações e fantasias. O pigmeu assemelha-se muito ao caipora; ainda segundo Hermilo Borba (op. cit., p. 13.), ele é uma figura criada por Antônio Pereira, capitão do Boi Misterioso. O acervo desta agremiação encontra-se no Museu do Homem do Nordeste no Recife. Não é de se espantar que a figura do Pigmeu apareça no Boi Teimozo de dona Marina, porque, como já foi dito anteriormente, seu marido e fundador do grupo, Nelson José dos Santos, era amigo de Antôno Pereira e participou do Boi Misterioso antes de fundar sua própria agremiação. Originário da mitologia Tupi, de acordo com Câmara Cascudo (2001, p. 223-225; 332-334.), caipora ou caiporinha é “o Curupira com os pés normais”. O curupira é um dos “mais espantosos e populares entes fantásticos das matas brasileiras. De curu, contrato de corumi, e pira, corpo, corpo de menino [...].” Reside no interior das matas, protege os animais, aterroriza as pessoas e traz má sorte. De acordo com Pereira da Costa, em seu Folk-lore pernambucano,

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Imagens Fantásticas do Carnaval do Recife  

Esse livro foi desenvolvido a partir da dissertação do Mestrado em Multimeios do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNICAMP...

Imagens Fantásticas do Carnaval do Recife  

Esse livro foi desenvolvido a partir da dissertação do Mestrado em Multimeios do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNICAMP...

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