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10º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde Tendências em Psicologia da Saúde: Contextos e Interdisciplinaridades

O CUIDADOR FAMILIAR DE PACIENTE PSIQUIÁTRICO: SUAS DORES Creudênia de Freitas Santos (Universidade Estadual da Paraíba)

Priscila Magalhães Barros (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Maria do Carmo Eulálio (Universidade Estadual da Paraíba)


Introdução A Reforma  Psiquiátrica  propõe-se  a  cria  uma  nova  maneira  de  olhar,  de  escutar,  de  cuidar,  através  do  diálogo  entre  as  diferentes  e  diversas  disciplinas  que  cuidam  do  sofrimento  humano. Lei  Nº  10.216,  de  6  de  abril  de  2001,  “dispõe  sobre  a  proteção  e  os  direitos  das  pessoas  portadoras  de  transtornos  mentais  e  redireciona  o  modelo  assistencial em saúde mental.” Yasui, 2010. Brasil, 2004.


Introdução CAPS - Centros de Atenção Psicossocial, são serviços abertos e comunitários do Sistema Único de Saúde (SUS). Substitutivos ao hospital psiquiátrico, que oferecem tratamento para pessoas que sofrem de transtornos mentais severos e/ou persistentes. O atendimento busca a inserção e a reabilitação psicossocial dos usuários, em ambiente humanizado, que priorize o respeito, a dignidade e a cidadania.

As famílias viram-se estimuladas e pressionadas a assumirem a responsabilidade de seus membros doentes e de tê-los de volta aos seus cuidados. Brasil, 2004. Melman, 2006.


Introdução

Cuidar

Identificamos princípios, valores e atitudes fundamentais ao humano, no sentido de ser realmente humano. Nasce o amor por si mesmo e o amor ao próximo.

Boff, 1999.


Introdução Cuidar de uma pessoa doente psíquica, além de ser um ato de satisfação para quem realiza o cuidado também pode representar para o cuidador, perdas significativas à nível social, econômico, físico, emocional e espiritual, conforme o grau de dependência do doente. Saraiva, 2011.


Objetivo Compreender como o cuidador familiar representa o cuidar de um doente psĂ­quico.


Metodologia Participantes Dezasseis (16) participantes, de ambos os sexos, que possuem vínculo familiar com pacientes atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Integração (CAPS I), de um Município do Estado da Paraíba. Não foram considerados apenas os vínculos de consanguinidade, porém só foram inclusos à pesquisa os participantes que possuíam vínculo afetivo equivalente ao familiar.


Metodologia Instrumentos •Questionário sociodemográfico •Entrevista semi-estruturada, composta por questões subjetivas e abertas sobre o tema estudado. Gaudêncio, 2005.


Metodologia Procedimentos Todos os participantes foram contactados previamente; As entrevistas foram realizadas nos seus domícilios; As entrevistas foram gravadas, com o consentimento dos participantes; Todos aceitaram participar livremente mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Nos recortes das falas dos participantes aparecem a letra C (de cuidador) seguida do número do protocolo de coleta de dados e da idade. Ainda nos discursos dos entrevistados, onde consta citação de nomes de filhos foram usados nomes ficticios.


Metodologia Questões éticas Aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba, nº 638.0.133.000-10. Análise dos Dados Estudo descritivo e analítico, com abordagem qualitativa. Os dados objetivos foram analisados segundo estatística descritiva e os dados subjetivos foram agrupados e categorizados a luz da análise temática de conteúdo. Bardin, 1977.


Resultados e Discussão Aspectos sociodemográficos

Idade 33 a 81 anos, (M= 56,63; Dp = ±12,6)

Mulheres 75%

Casados (81,3%)

Pais e mães cuidadores (68,8% ) Mães (50%) Não concluíram o Ensino Fundamental (56,3%) Católicos (62,5%); Praticantes (73,4%).

Donas de casa (31,3%) Aposentados (18,8%)

Casa própria (87,5%) Pertence ao próprio (60%).

cuidador


Resultados e Discussão Sobrecarga objetiva, cuidados práticos, referentes às demandas concretas do paciente Função cuidar

Sobrecarga subjetiva, resultantes primeira, as quais representam questões emocionais.

da as

(Melman, 2006). (Ricarte, 2009


categoria: medo; preocupação com o futuro; características para ser um bom cuidador e CAPS como instrumento de apoio.

Resultados e Discussão Como o cuidador representa o cuidar de um familiar doente psíquico

Categorias

Medo; Preocupação com o futuro; Características para ser um bom cuidador; CAPS como instrumento de apoio.


Resultados e Discussão Medo Existe uma predisposição do cuidador familiar em sentir medo de adoecer ou de vir a morrer e de não conseguir prestar o apoio que o parente precisa. Barroso et al, 2007 Baptista, 2011 Saraiva, 2011.


Resultados e Discussão Medo “Cada dia que vai se passando eu peço conforto a Deus pra viver muitos anos, para tomar conta delas, quando eu morrer o que será delas, é só o que eu penso na minha vida, o futuro velho não tem”. (C. 2, 74 anos) “Eu só penso uma coisa, é no dia que eu não puder mais cuidar dele (voz chorosa), só o que eu lamento, não gosto de falar disso não (pausa), porque no dia que eu não puder mais cuidar dele eu não sei como é que vai ficar”. (C. 13, 63 anos)


Resultados e Discussão Preocupação com o futuro

Quem cuidará do filho doente psíquico?


Resultados e Discussão Tomado por grande angústia, gerada pelas incertezas que cercam o destino do filho, o cuidador procurar atenuar o desassossego com a procura de quem irá assumir, por si, os cuidados de que o seu dependente carece. Goes, 2007; Navarini & Hirdes, 2008; Santin & Klafke, 2011.


Resultados e Discussão Empatia Confiança em serviços públicos O familiar escolhido não sabe que será o tutor.

“eu já pedi a minha irmã e ao marido, se eu morrer que eles tomem conta de Pedro (filho mais velho), porque José (filho mais novo) é muito apaixonado pela família do pai e eu já pedi a família do pai para tomar conta de José para mim”. (C. 8, 44 anos) “Tem que falar com o promotor, com vocês do CAPS para ver o que vai fazer, que eu já estou velho, para ver o que vai fazer para ele ficar interditado com outra pessoa, para tomar conta do dinheiro dele e cuidar dele”. (C. 16, 79 anos) “Eu guardo pra mim, eu imagino Joana, se eu morrer, como diz a história, que a gente não sabe a hora que vai, Joana, minha filha que mora perto daqui é quem vai tomar conta da irmã... fico calada, não converso isso com ninguém, só fica para eu mesma”. (C. 9, 81 anos)


Resultados e Discussão Os pais possuem um grau maior de preocupação comparado a outros cuidadores, isso se deve ao fato de os pais não acreditarem que outros membros da família possam em algum momento assumir a função de cuidador do paciente. Albuquerque, 2010.

“Se a pessoa morre! Aí fica no nome da família e eu sei lá como a família vai se comportar, como é que vai fazer, já são outros que vão policiar a família, como é que deve agir, por isso eu digo para os meninos, vamos para o CAPS”. (C. 15, 56 anos)


Resultados e Discussão Características para ser um bom cuidador Atributos subjetivos; Doação; Fazer o possível e o impossível; Esquecer-se de si mesmo; Religiosidade.

O amor; a gratidão (noção de dever; dever ou pressão social; modelo da família tradicional); A  moralidade (expectativas sociais; dever moral; reciprocidade); A solidariedade conjugal (laços filiais e laços familiares) A vontade própria em promover cuidados a alguém.  Ricarte, 2009.


Resultados e Discussão CAPS como instrumento de apoio

Partilhar angústias e experiências com outros cuidadores familiares é uma forma de centrar-se nos aspectos positivos do cuidar Saraiva, 2011. Andrade et al, 2013

A família, particularmente marido e filho, e os amigos também são mencionados pelo cuidador como fontes de apoio, não apenas em termos práticos como a nível emocional. A presença de alguém próximo proporciona o compartilhamento dos sofrimentos vividos . Pegoraro & Caldana , 2006.


Conclusão É imprescindível singularizar os apoios ao cuidador, de acordo com aspectos ligados em termos materiais, psicossociais, de saúde e de qualidade de vida. É preciso ultrapassar dois grandes desafios no campo da saúde mental: compreender a família em seu contexto cultural, considerando sua especificidade e a sua diversidade e; assisti-la de acordo com esses contextos, respeitando a dinâmica própria de cada uma. Conceber uma relação de cooperação positiva é possível, sem vitimização ou culpabilidade da família, para isso os profissionais de saúde mental deverão encarar a família com outros olhos, acolhendo as suas especificidades.


Obrigada!

O Cuidador Familiar de Paciente Psiquiátrico: Suas Dores  
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