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Revista

ANO 7 - EDIÇÃO 4

Rua Cincinato Braga, 277 - Bela Vista - CEP 01333-011 - São Paulo

Exemplos de sucess o! Conheça os fisioterapeu tas e terapeuta s ocupaciona is que se destacam e m suas áreas >>

Explorando novos mares

Planos de saúde reservam boas oportunidades para os profissionais. Mas fique atento às armadilhas!


dice índice

ín

taques

des

Editorial

3

Espaço do leitor

4

Dúvidas

5

Entrevista Presidente do Coffito

6

Planos de saúde Explorando novos mares

8

Planos de saúde Impondo nosso valor

12

Planos de saúde Com a palavra os pacientes

16

Planos de saúde Cooperativas

20

Planos de saúde Exija seu direito

22

Pesquisa As armadilhas da musculação

24

Fisioterapia e Terapia Ocupacional Exemplos de sucesso

28

Notas Mais espaço para a Fisioterapia

32

Notas Contribuições sindical, confederativa e assistencial

33

Comunicado oficial Mais trabalho é a melhor resposta

34

Informações úteis

35

Ilustração - Bruna Amaro

08 24 28 ops!

Planos de saúde

Armadilhas da musculação

Exemplos de sucesso

Série de reportagens mostra as oportunidades, armadilhas e direitos para profissionais da saúde e pacientes

Exercícios realizados com a postura incorreta ocasionam alterações e dores na coluna em vez de promover a saúde

Profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional contam como conseguiram se destacar no mercado de trabalho

erramos !!!

Revista do Crefito-SP - edição 3 de 2010

[2]

Na matéria O melhor amigo do paciente, página 28, por uma falha da redação, não foi divulgado o nome do condutor do pônei que aparece na foto. Trata-se

de Claudio Aleoni Arruda, 25, voluntário no Grupo de Abordagem Terapêutica Integrada (Gati). Pedimos sinceras desculpas pelo equívoco.


Chegou

CREFITO-3 Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Terceira Região Serviço Público Federal Área de Jurisdição: Estado de São Paulo Rua Cincinato Braga, 277 - Bela Vista São Paulo - SP - CEP 01333-011 www.crefitosp.gov.br GESTÃO 2008 / 2012 DIRETORIA Presidente: Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida Crefito-3 nº 18.719 – Ft Vice-Presidente: Prof. Dr. Augusto Cesinando de Carvalho Crefito-3 nº 6.076 – Ft Diretor–Secretário: Dr. Neilson S. G. Palmieri Spigolon Crefito-3 nº 15.577 - Ft Diretor Tesoureiro: Dr. Elias Ferreira Porto Crefito-3 nº 34.739 – Ft COMISSÃO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA DA FISIOTERAPIA (CEDF) Presidente: Dr. Elias Ferreira Porto Crefito-3 nº 34.739 – Ft Secretária: Dra. Anice de Campos Pássaro Crefito-3 nº 24.093 – Ft Vogal: Dr. Marcus Vinícius Gava Crefito-3 nº 9.015 – Ft COMISSÃO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA DA TERAPIA OCUPACIONAL (CEDTO) Presidente: Dra. Danielle dos Santos Cutrim Garros Crefito-3 n° 6.155 - TO Secretária: Dra. Osmari Virgínia de Mendonça Andrade Crefito-3 n° 2.356 - TO Vogal: Dra. Maria Cândida de Miranda Luzo Crefito-3 n° 4.906 – TO COMISSÃO DE TOMADA DE CONTAS (CTC) Presidente: em recomposição Secretário: em recomposição Vogal: Dra. Danielle dos Santos Cutrim Garros Crefito-3 n° 6.155 - TO DEPARTAMENTO DE FISCALIZAÇÃO (DEFIS) Coordenador: Dr. Neilson S. G. Palmieri Spigolon SECRETARIA GERAL Coordenadores: Ailton Alves Ferreira Elza Martinhão ASSESSORIA JURÍDICA Dra. Adriana Clivatti Moreira Gomes OAB SP nº 195660 CONTABILIDADE Contadora: Cíntia Mieko Kusaba Pasqualini CRC – 1SP n° 213203/O-0 COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO (CPL) Presidente: Dr. Rubens Fernando Mafra OAB SP n° 280695 Secretária: Linda Magali Abdala Santos Vogal: Felipe de Oliveira Simoyama ASSESSORIA E ANÁLISE TÉCNICA (AATEC) Dr. Carlos Henrique Bruxelas Dra. Fernanda Onaga ouvidoria@crefitosp.gov.br DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO Editora Responsável: Francine Altheman – MTb 42.713/SP francine@crefitosp.gov.br Redação: Lúcia Passafaro Peres – MTb 01790/SC Estagiários: Paulo Cabral / Juliana Menezes Designer / Infografista: Tommy Pissini Estagiários: Bruna Amaro / Giuliano Gusmão Secretária: Daiana Veronez Impressão: Plural Indústria Gráfica Periodicidade: trimestral Tiragem: 80 mil exemplares

ao

leitor ao leitor

2011!

A grande virada na administração da saúde no Brasil começa a aparecer em várias áreas. Somente no Estado de São Paulo, já são 18 milhões de pessoas com planos de saúde. A iniciativa privada, seja através de clínicas particulares ou de cooperativas, começa a ganhar novo impulso. Para mostrar esse campo de trabalho, preparamos nesta edição matérias especiais sobre planos de saúde, seu crescimento entre a classe C, sua atuação junto aos profissionais da saúde, o trabalho das cooperativas e, especialmente, o que pensam os segurados. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem tomado decisões favoráveis aos profissionais da saúde e aos segurados, demonstrando que o pleno exercício da cidadania dá resultados. Mas ainda podemos muito mais. O trabalho incansável do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), um órgão independente, para garantir o direito do consumidor, além da atuação incansável do Ministério Público e da Justiça Federal para assegurar o acesso aos serviços de saúde para toda a população, são exemplos louváveis de atuação cidadã. O Crefito-SP soma esforços nesse sentido. A nossa campanha na mídia, indicando para os profissionais e a população como exigir seus direitos, tem sido um sucesso. Veja os vídeos e como exercer a cidadania no site do Conselho. Esta edição também traz uma entrevista com o presidente do Coffito, Dr. Roberto Mattar Cepeda, mostrando as ações do Conselho Federal nos últimos anos. Temos ainda uma matéria com alguns profissionais que fazem sucesso na Fisioterapia e na Terapia Ocupacional, conquistando a admiração e o respeito da população. Nas próximas edições, traremos outros profissionais, de outras áreas. Além disso, há uma reportagem sobre uma pesquisa que demonstra os benefícios da avaliação correta para o praticante de musculação, indicando que a equipe multidisciplinar em academias é a melhor opção.

Assim, você vai ver nesta edição que os ventos de 2010 já sopram no ano de 2011. Feliz ano novo!


itor leitor

le

Fale

revista do crefito-sp .dezembro.2010

com a gente

[4]

Envie sugestões, críticas e elogios para a Revista do Crefito-SP. As cartas ou emails devem conter, obrigatoriamente, nome completo do profissional, número de inscrição no Crefito ou, se for estudante, nome da instituição de ensino, telefone e email para contato (caso não deseje a publicação, basta colocar esta informação). Por motivos de espaço ou de clareza, as cartas ou emails recebidos poderão ser publicados resumidamente ou não ser publicados, mas todos serão respondidos.

Revista do Crefito-SP edição 3 de 2010

Parabenizo os editores da Revista do Crefito-SP pela matéria publicada no último exemplar de aniversário da Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Para nós, fisioterapeutas, que nos deparamos a cada dia com as adversidades do mercado de trabalho, é bom ver bons exemplos de profissionais que permanecem exercendo a profissão com amor e dedicação. Dra. Erika Félix Fisioterapeuta da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp

Dra. Érika Agradecemos os elogios e ficamos felizes que a revista do Crefito-SP seja útil para os profissionais. Meu nome é Daiane e sou estudante de Fisioterapia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Gostaria de receber a revista do Crefito-SP, pois tive a oportunidade de lê-la nas vezes em que esteve disponível na minha faculdade e achei a revista muito interessante. Ler a revista me ajuda muito e, como me formo no 1º semestre de 2011, a revista iria me ajudar a tomar a decisão de qual área seguir, pois ainda estou confusa em relação à minha especialização. Gostaria de saber como faço para receber a revista em minha residência. Daiane Leonardo dos Santos Estudante de Fisioterapia

Prezada Daiane Todos os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais inscritos no Conselho recebem automaticamente a revista do Crefito-SP. Então, assim que você se formar passará a fazer parte desse grupo. Enquanto isso, iremos mandar as edições da revista para você. Obrigada pelo seu contato.

Meu nome é Lucas Lima Ferreira. Sou fisioterapeuta e atualmente estou cursando Aprimoramento Profissional em Fisioterapia pela Famerp. Gostaria de saber como posso fazer para publicar uma matéria (artigo) de minha autoria sobre o Programa de Aprimoramento em que estou inserido. Lucas Lima Ferreira Fisioterapeuta

Prezado Dr. Lucas A revista do Crefito-SP não publica artigos assinados, mas sim reportagens de profissionais da fisioterapia, da terapia ocupacional ou de outras áreas. Recomendamos, para a publicação de seu artigo, as revistas científicas, como a Revista Brasileira de Fisioterapia (contato@rbf-bjpt.org.br). Ou se preferir, nos envie uma sugestão de pauta, com o tema que deseja ver na revista, e poderemos desenvolver uma matéria sobre o assunto para as próximas edições.

//Contato: Para se corresponder com o Departamento de Comunicação do Crefito-SP

Email: dveronez@crefitosp.gov.br / Cartas: Departamento de Comunicação Rua Cincinato Braga, 277 - 9º andar - Bela Vista - São Paulo / SP - CEP 01333-011


vidas dúvidas

DeFis

A Revista do Crefito-SP preparou nesta edição uma série de explicações sobre o trabalho do Departamento de Fiscalização do Conselho e sua importância

??

Compete ao Conselho fiscalizar o exercício profissional na área de sua jurisdição, tomando as providências cabíveis ou avisando às autoridades competentes sobre os fatos que apurar e que não for de sua alçada. A fiscalização tem como objetivo verificar a habilitação profissional do fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional e o registro do estabelecimento junto ao Crefito-SP, observar se existe a ocorrência de publicidade irregular (seja ela profissional ou empresarial) e fiscalizar o exercício da profissão.

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Como posso ter certeza que o fiscal pertence ao Crefito-SP? Os fiscais podem ser identificados pela apresentação de carteira de identidade com foto expedida pelo CrefitoSP. Eles são os responsáveis pela fiscalização dos estabelecimentos onde exista a prática e/ou anúncio de fisioterapia ou terapia ocupacional. Como devem ser feitas as denúncias sobre prática irregular da profissão para que elas sejam aceitas e encaminhadas ao DeFis? As denúncias devem ser feitas através da ouvidoria, por e-mail ou pelo site do Crefito-SP. As instruções de como realizar a denúncia estão em www.crefitosp. gov.br, no link Ouvidoria e Denúncias. São aceitas denúncias com identificação do anunciante ou anônimas, sendo que as nonimais têm prioridade para averiguação. A ouvidoria providencia o encaminhamento das denúncias para o DeFis, onde o gestor do departamento distribui as tarefas aos fiscais.

O denunciante pode acompanhar o andamento das averiguações da denúncia? Embora tanto as denúncias anônimas como as nominais sejam averiguadas, o acompanhamento só pode ser realizado pelos denunciantes que devidamente se identificaram. Após a averiguação da denúncia, o denunciante poderá solicitar ao DeFis informações sobre a averiguação, que serão apresentadas resumidamente. Em breve, o cidadão também poderá acompanhar o caso pelo WebGov.

//Na internet:

Como o DeFis procede quando verifica alguma irregularidade que não é de sua competência? Caso constatada alguma irregularidade que não seja da alçada do Crefito-SP, como por exemplo estruturas e higiene inadequadas no local de trabalho ou até mesmo remuneração abaixo do piso salarial, esta é anotada no auto de fiscalização para ser encaminhada à autoridade competente. Caso seja confirmada a irregularidade ou exercício ilegal da profissão, qual é o procedimento adotado pelo DeFis? Uma vez constatada a irregularidade, o fiscal emite uma notificação de autuação, constando a identificação do estabelecimento ou o profissional notificado, com a descrição da fiscalização e o embasamento deontológico. A notificação pode ser emitida no ato da fiscalização ou enviada por carta, com o devido aviso de recebimento. Após notificado, o profissional ou responsável pelo estabelecimento deve providenciar a apresentação de sua defesa. O profissional que exerce a profissão irregularmente pode ser multado? Após a emissão de notificação de autuação pelo DeFis, o notificado poderá ser multado caso não comprove que está regularizado. Na fixação da pena serão considerados os antecedentes profissionais do infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes ou agravantes e as consequências da infração.

www.crefitosp.gov.br (11) 3252-2342 Contato ou dúvidas: fiscalizacao@crefitosp.gov.br defesa@crefitosp.gov.br (específico para defesa e recursos)

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Quais são os objetivos da fiscalização realizada pelo DeFis?

[5]


“O desenvolvimento de uma profissão depende necessariamente de reconhecimento social”

e

O que, na sua opinião, é preciso ser feito com mais urgência para desenvolver a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional no país? O desenvolvimento de uma profissão depende necessariamente de vários fatores, entre eles: investimentos em pesquisa, remuneração digna para que o profissional possa investir em educação permanente, condições de trabalho, reconhecimento social e empregabilidade. Portanto, pensando no desenvolvimento de uma profissão ou de uma nação, é necessário investir mais em pesquisas, politizar os profissionais, educar a sociedade para o exercício da cidadania e exigir mais dos nossos representantes políticos para que, em um futuro próximo, tenhamos melhores condições de trabalho, maiores oportunidades de emprego e certamente uma maior inserção dos nossos profissionais nas políticas públicas de saúde deste país.

Peres

O Coffito também tem um projeto de informatização? Como é e quais são os benefícios que poderá trazer ao Conselho, aos profissionais e à sociedade? Na última reunião de presidentes discutimos sobre a necessidade da integração do setor de Secretaria de todos os Regionais com o Coffito. Implementada esta ação, via sistema WebGov, a emissão da LTT pelo Conselho Regional, assim como o registro para inscrição definitiva te-

rão atendimento online. Além disso, poderemos disponibilizar para a sociedade consulta pública sobre os profissionais regularmente habilitados para o exercício profissional da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, bem como tais informações: área de atuação, área de especialidade, endereço do consultório ou clínica (região/estado,cidade).

ssafaro

[6]

Durante a visita, o senhor conheceu o sistema do Crefito-SP, o Siscref/Webgov? O que achou? Aproveito esta oportunidade para parabenizar publicamente a atual gestão do Crefito-SP pela aquisição e inauguração da nova sede, assim como por toda a logística tecnológica que foi implantada. Certamente a entidade tornou-se mais eficiente para todos aqueles que dela necessitam, ou seja, acadêmicos, profissionais e sociedade em geral. Além da eficiência, o sistema WebGov apresenta informações precisas em tempo real sobre todos os processos administrativos, financeiros e éticos da entidade. Portanto, é um exemplo admirável de gestão pública que deve ser multiplicado nas demais autarquias federais e regionais deste país.

a Lúcia P Foto -

revista do crefito-sp .dezembro.2010

m entrevista à Revista Crefito-SP, o presidente do Coffito, Dr. Roberto Mattar Cepeda, fala sobre a administração do Coffito/Crefitos e as principais necessidades da profissão. Dr. Cepeda visitou o Crefito-SP para discutir a informatização e integração dos atendimentos dos Conselhos Regionais e Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Dr. Roberto Mattar Cepeda, presidente do Coffito


As conquistas mais recentes para a Fisioterapia e Terapia Ocupacional O Coffito tem muitas conquistas para comemorar nesses dois anos de gestão

Reconhecimento de mais cinco especialidades para a fisioterapia: Saúde Dermatofuncional, Oncofuncional, Uroginecofuncional, Saúde Coletiva e Saúde da Mulher, e de seis para a Terapia Ocupacional: Contextos Hospitalares, Contextos Sociais, Saúde Mental, Saúde Coletiva, Saúde Funcional e Saúde da Família; Atualização dos referenciais de honorários da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, bem como a criação da resolução que os estabelecem como parâmetros mínimos e éticos de remuneração das respectivas categorias; Inclusão da Família da Fisioterapia na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO); Encomenda de uma pesquisa científica à Fundação Getúlio Vargas (FGV), com o objetivo de avaliar a sustentabilidade dos Serviços de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em todo território nacional;

Mudança na portaria nº 409/2008, possibilitando ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional serem contratados em duas equipes do Nasf, com carga horária de 20 horas; Participação, com outras entidades, na reformulação da Resolução nº 7 da Anvisa, que dispõe sobre Regulamento Técnico que estabelece os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Com a nova redação, ampliou-se a permanência dos serviços nas terapias intensivas e instituiu-se um coordenador fisioterapeuta responsável dentro das UTIs; Assinatura do Termo de Cooperação entre o Coffito e o MEC: o Coffito, na qualidade de órgão consultivo, se manifestará nos próximos processos para autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em todo território nacional;

Criação de um grupo de trabalho que deverá formatar e apresentar ao Ministro da Saúde o projeto de Política Nacional de Saúde Funcional; Assinatura de Termo de Cooperação com Associações Nacionais e Sociedades Científicas, entre elas: Assobrafir, AFA, Sobrafisa, AFB, Abradimene, Abrato, Abrafiq, Abrafism e Abrafit; Assinatura de Termo de Cooperação com a Revista Brasileira de Fisioterapia que socializará aos aproximadamente 140 mil profissionais conhecimentos científicos de excelência; Inserção do fisioterapeuta em 90% das equipes do Nasf de todo o território nacional;

Combate permanente pela Comissão Parlamentar do Coffito aos projetos de Lei que tramitam no Congresso que possam cercear Criação da portaria SAS/MS o exercício e a autonomia nº4, que dispõe sobre o código de qualquer profissional de procedimento para pagamen- da saúde ou que prejudito de acupuntura pelo SUS, quan- quem a saúde da população do realizado por fisioterapeuta; brasileira.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Permanência do Coffito na coordenação da Comissão de Práticas Integrativas junto ao Conselho Nacional de Saúde (CNS);

[7]


Credenciar-se a eles para aumentar sua cartela de pacientes pode ser uma grande oportunidade. Mas fique atento às armadilhas das operadoras

s

saúde

Foto - Manipulação de imagem Tommy Pissini sobre foto www.sxc.hu

Planos de

revista do crefito-sp .dezembro.2010

por Francine Altheman

[8]

aúde é direito de todos e dever do Estado. Essa é uma premissa constitucional que deveria ser respeitada em todos os âmbitos, especialmente no que se refere à prevenção. No entanto, o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende 75% dos brasileiros, ainda remunera mal o profissional, não dando ao paciente o atendimento de qualidade. O resultado é que boa parte da população, principalmente a classe C, aumentou sua renda de tal forma que resolveu trocar o deficitário SUS pelo supostamente confiável plano de saúde. De acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em dez anos o número de

brasileiros com plano privado de saúde aumentou 43,3%, saindo de 30,7 milhões em 2000 para pouco mais de 44 milhões de usuários hoje. Somente no estado de São Paulo, são quase 18 milhões, o que transformou os planos de saúde em um grande oceano a ser explorado. Novas resoluções e medidas da ANS têm colaborado para dar cobertura e ampliar o atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional. Um exemplo disso é a Resolução normativa nº 211, de janeiro de 2010, que insere 70 novos procedimentos na cobertura dos planos e amplia o número de sessões de algumas áreas da saúde, como a terapia ocupacional, que passa a ser de 12 por ano, de acordo com o

300 R$900 R$

são gastos pelo governo por ano por habitante com saúde

são gastos por pessoa pelos planos de saúde


Foto - Arquivo Pessoal

Planos de Saúde

O que é o Idec? O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) é uma associação de consumidores, fundada em 1987, sem fins lucrativos, que não tem qualquer vínculo com empresas, governos ou partidos políticos. Os recursos financeiros para o desenvolvimento de suas atividades têm origem nas anuidades pagas pelos associados, entre outras fontes. O Idec encara o consumidor dentro de uma visão cida-

dã. Sua missão é promover a educação, a conscientização, a defesa dos direitos do consumidor e a ética nas relações de consumo, com total independência política e econômica. Assim, o papel do instituto é informar o consumidor e incentivá-lo a lutar pelos seus direitos. “Esperamos que um dia os consumidores deixem de ser reféns dos planos de saúde e possam fazer valer o direito de todo cidadão que paga imposto e contribuições sociais”, diz a, advogada do Idec.

//Na internet:

www.ans.gov.br www.idec.org.br

item 67 do anexo um da Instrução Normativa nº 25/2010 da ANS. Já o item 66 da mesma instrução fala em 40 sessões de psicólogo e/ ou terapeuta ocupacional. Ainda não é o suficiente. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) é contra a limitação das consultas com especialistas. “Estas limitações são consideradas abusivas pelo Código de Defesa do Consumidor, além de prejudicial do ponto de vista terapêutico, afinal o tratamento pode vir a ser interrompido antes mesmo de atingir seu objetivo”, alerta a advogada do Idec, Dra. Juliana Ferreira. A Resolução normativa nº 167, de janeiro de 2007, já previa o número ilimitado para as sessões de fisioterapia, um grande avanço. Mas descreve de forma genérica os procedimentos estabelecidos.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Dra. Juliana Ferreira, advogada do IDEC

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Planos de Saúde

Cuidado... não deixe o barco à deriva

Crescimento dos planos de saúde

Apesar de ser uma fatia interessante do mercado de trabalho, os planos de saúde podem esconder armadilhas. Além da baixa remuneração, os profissionais encontram diversos obstáculos em seu exercício profissional. O Idec conta que a interferência das operadoras no trabalho dos profissionais da saúde é um dos maiores problemas que atingem o consumidor. Mas ressalta que a lei que regulamenta os planos de saúde (Lei nº 9.656/1998) garante aos consumidores a cobertura para quaisquer tratamentos necessários para as doenças listadas pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que sejam nulas as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. “O critério que deve balizar a concessão do serviço em questão é a garantia da saúde ao consumidor, o que impõe a cobertura de todo o proce-

Número de usuários

44 milhões milhões

de aumento

18 milhões

2000 Fonte: ANS

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Gráfico mostra que planos individuais perdem espaço para os planos coletivos

[10]

21,3

estão em % planos individuais

de usuários

Fonte: ANS

somente em São Paulo

2010

Como o plano de saúde está dividido

44 milhões

43%

30,7

184%

de aumento

em planos 5,8% estão não identificados

em 72,9% estão planos coletivos

nos planos coletivos em 6 anos


Planos de Saúde

Planos de saúde são os líderes de reclamações no ranking do Idec por dez anos consecutivos. “As reclamações mais recorrentes são sobre reajustes abusivos e negativas de coberturas”, conta Dra. Juliana. Entre 2000 e 2007, as mensalidades dos planos de saúde aumentaram 96,7%. O Idec já ajuizou diversas ações coletivas, em benefício de seus associados, e ações civis públicas, em favor de todos os consumidores de planos de saúde. Atualmente, cerca de 30 dessas ações ainda estão tramitando na Justiça. O Crefito-SP também acionou a ANS judicialmente, pois entende que ela deveria arbitrar os valores mínimos a serem pagos aos profissionais da saúde. O Crefito-SP também está trabalhando com outros regionais e com o Coffito para aprovar uma lei federal que torne mais explícita a obrigação da ANS de estabelecer os valores mínimos dos procedimentos realizados pelos profissionais da saúde.

5,0

BRASIL

Datafolha divulga pesquisa sobre planos de saúde O Instituto Datafolha divulgou recentemente dados de pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM) e Associação Médica Brasileira (AMB) sobre as pressões exercidas pelos planos de saúde nos credenciados. Foram realizadas 2.184 entrevistas com médicos de todo o Brasil e o resultado é alarmante, pois 92% dos entrevistados afirmam que os planos de saúde interferem em sua autonomia. Entre os tipos de interferências praticadas pelas operadoras de planos ou seguros saúde, os médicos apontam principalmente as glosas de procedimentos ou medidas terapêuticas (78%) e a interferência no número de exames e procedimentos (75%). Citadas por cerca de sete em cada dez, vale destacar as restrições a doenças pré-existentes e a interferência em atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores. No caso da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, esses problemas são ainda mais graves, pois muitos contratos estão sem reajustes há quase duas décadas. Buscando corrigir essa distorção, o Crefito-SP ajuizou uma medida em face de diversos planos de saúde. O entendimento é que o Crefito-SP não pode representar os interesses dos profissionais, já que o Conselho é considerado parte ilegítima para propor a ação. Como o contrato é firmado entre o profissional e a seguradora, cabe aos profissionais lesados procurar o judiciário para fazer valer o direito a uma justa contratação.

Veja a pesquisa completa no site www.apm.org.br

Norte 5,4

Nordeste 5,1

Centro Oeste 4,7

Sudeste 4,9

Sul 5,3

1.065

Arte - Tommy Pissini

Nota de 0 a 10

operadoras

de planos de saúde no Brasil e a receita delas em 2009 foi de R$ 65 bilhões

Fonte: Pesquisa DataFolha

Planos de saúde são os líderes de reclamações no Idec há 10 anos consecutivos Sobre a ANS A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi criada pela Lei nº 9.961 de 2000. Sua função é normatizar, controlar e fiscalizar as operadoras de planos de saúde em todo o Brasil, que atualmente são 1.065. A ANS custa aos cofres públicos R$ 150 milhões e tem como foco os planos individuais, embora cubram a menor parcela da população (21,3%). A Revista do Crefito-SP procurou a ANS para uma entrevista, mas não houve resposta.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Líder de reclamação

Avaliação por região dos planos de saúde

Foto - Manipulação de imagem Tommy Pissini sobre foto www.sxc.hu

dimento e tratamento que se fizer necessário”, garante Dra. Juliana. Outro grave problema enfrentado pelos segurados é o tempo de espera exagerado a que são submetidos os consumidores que precisam de uma consulta ou exame. Em pesquisa realizada recentemente pelo Idec, 88% dos entrevistados com plano de saúde relataram que já sofreram com a demora em ser atendidos. A ANS divulgou em setembro que as operadoras terão prazos máximos para atender seus clientes, porém a resolução ainda não foi publicada. (veja matéria na página 16). Dra. Juliana afirma que “essas regras representam um avanço, mas a publicação da resolução é fundamental para a efetividade da medida”. Por outro lado, o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), em entrevista para o jornal Brasil Econômico, afirma que “determinar um prazo de dez dias é inviável, principalmente no caso de médicos mais procurados”.

[11]


Planos de Saúde

Foto - www.sxc.hu

Impondo

nosso valor União da classe é forma de enfrentar realidade de anos sem reajuste e de tabelas de remuneração defasadas

[12]

em média 50 minutos a uma hora, já que exige contato direto do profissional com o paciente na maior parte do tempo. “Não é só dando “choquinho”, aplicando ultrassom que eu vou conseguir resultados. Tenho que fazer intervenções, manipular”, explica o fisioterapeuta Dr. Marco Antonio Nogueira. Por ter sua clínica em uma cidade industrial, São José dos Campos, onde prevalecem os planos de saúde coletivos empresariais, Dr. Marco Antonio atende 80% dos seus pacientes pelos planos. Para cobrir suas despesas, conta com renda extra de um negócio que possui no comércio. Apesar de a inflação ter sido de 21,31% nos últimos três anos, segundo IGP-M, e o valor da mensalidade dos planos aumentar todo ano para o consumidor, o

O fisioterapeuta Dr. Marco Antonio Nogueira atende 80% dos pacientes por plano de saúde

Fotos - Arquivo Pessoal

revista do crefito-sp .dezembro.2010

u

por Lúcia Passafaro Peres m fisioterapeuta que atende por plano de saúde pode ganhar R$ 4,05 por uma sessão para tratamento de sinusite e R$ 10,08 por uma sessão de reabilitação de hemiparesia e hemiplegia. Para calcular o valor da sessão, multiplica-se o valor do coeficiente de honorário (CH) da operadora, que no interior de São Paulo é em média 27 centavos, pelo número de CH do procedimento. O de sinusite, por exemplo, é cotado em 15 CH e o de hemiparesia e hemiplegia em 40 CH, sendo que em alguns planos chega a 28 CH. Para conseguir se manter, os profissionais acabam tendo que atender vários pacientes ao mesmo tempo e trabalhar durante longas jornadas. Outro fator que amplia a jornada é o fato de a sessão de fisioterapia e terapia ocupacional durar


Planos de Saúde Foto - Sindhosp

Situação das clínicas de saúde Recebimento de reajuste de CH (Coeficiente de Honorários) nos últimos três anos

17operadoras reajustaram o CH, sendo o reajuste médio de 6, 3%, para uma inflação de 21, 31% (IGP-M). Mesmo assim, 9 operadoras, em média,

Não 46,7%

Em média,

Clínica

Sim 53,3%

não concederam nenhum reajuste.

Principais queixas 47,6% 27,5% 19% Glosas (falha em prazos e informação)

Demora na liberação de procedimentos

17,1% Demora no pagamento

13,3% Dificuldades para negociar reajustes

9,5% Dificuldade de contato com centrais

5,7% Demora no atendimento telefônico/ fax

Outros

A ANS precisa mudar sua forma de atuação, olhar mais para os prestadores de serviços” Dr. Dante Montagnana

Fonte: Pesquisa sobre relação de prestadores e operadoras encomendada pelo Sindhosp e Fehoesp ao Vox Populi (11/2010)

reajuste da remuneração aos prestadores de serviço é pequeno. De acordo com pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp) e publicada em novembro de 2010, o aumento no valor das mensalidades nos últimos três anos foi de 19, 74%, de acordo com índices autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), enquanto no mesmo período as clínicas de saúde receberam em média um aumento de 6,3% na remuneração dos serviços prestados. Esta porcentagem é referente a operadoras que concederam algum reajuste, pois 34% delas não reajustaram o valor repassado aos prestadores de serviço, de acordo com a pesquisa. Além

disso, 46,7% das 105 clínicas consultadas alegam não ter recebido nenhum reajuste nos últimos três anos. Segundo o presidente do Sindhosp, Dr. Dante Montagnana, os contratos entre prestadores e operadoras deveriam ter uma cláusula clara sobre periodicidade e índice ou fórmula de reajuste. “Mas, infelizmente, isso não acontece. A ANS, que deveria fiscalizar esses contratos e obrigar que essa cláusula fosse incluída, até agora foi omissa, nada fez. A ANS precisa mudar sua forma de atuação, olhar mais para os prestadores de serviços”, diz. Montagnana também ressalta que além da falta de reajustes, os prestadores sofrem com as glosas, que representam, em média, 5% de todo o fatura-

mento da instituição, e chegam a esperar 134 dias para receber por esses serviços glosados. Ao ser questionada por esta reportagem sobre ações feitas para regular reajustes de valores pagos a profissionais pelos planos de saúde, a ANS respondeu que a agência “só normatiza, regula e fiscaliza planos de saúde” e que “não regula a relação entre planos e prestadores”. O artigo 3º da Lei 9.961, de 2000, que cria a Agência, determina que “a ANS terá por finalidade institucional promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde no País”.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Arte - Tommy Pissini

Problemas mais frequentes no relacionamento com as operadoras de saúde (soma - múltipla resposta)

Presidente do Sindhosp, Dr. Dante Montagnana, encomendou pesquisa sobre relação de planos com prestadores

[13]


Defasagem A realidade da falta de reajustes é uma velha conhecida dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Além de trabalharem anos sem reajuste no valor do CH, grande parte desses profissionais tem sido remunerada pelo número de CHs definido por tabelas de procedimentos criadas pela Associação Médica Brasileira (AMB) no início da década de 90. Desde então a AMB já editou oito versões dessa tabela, sendo que desde 2003 é denominada CBHPM – Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, com última versão em 2010. A fisioterapeuta Dra. Thaís Rodrigues Homem de Melo, graduada em 2007, abriu uma clínica em Pindamonhangaba, que atende metade dos pacientes por planos de saúde. “Minha clínica é credenciada há dois anos por convênios e o último reajuste foi da tabela AMB92 para TUSS. É a única modificação que presenciei desde que concluí a graduação”, diz. A terapeuta ocupacional, de São José dos Campos, Dra. Regina Helena Ferraro conta que já formulou com outros colegas de profissão

um abaixo-assinado solicitando a uma operadora de saúde que reajustasse a remuneração, porém o pedido não foi atendido. Os terapeutas ocupacionais também têm de lidar no dia a dia com a restrição do número de sessões por paciente. Dra. Regina já tentou negociar várias vezes a continuação do tratamento, porém não obteve sucesso. “Trabalhar hoje em dia está muito difícil. Os profissionais estão nas mãos dos planos”. Além da baixa remuneração, a restrição do número de sessões também é um dos principais problemas segundo a terapeuta ocupacional Dra. Débora Martins Ramos, de São Paulo. Ela explica que grande parte dos pacientes que necessitam de terapia ocupacional possue quadros mais graves. “Não são em seis ou doze sessões que nós vamos resolver o problema”. Ela também ressalta a necessidade de se rever as terminologias estabelecidas pela ANS, pois a falta de detalhamento faz com que alguns procedimentos não sejam atribuídos diretamente ao terapeuta ocupacional, como por exemplo, treino de AVD, um ato privativo da profissão.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Para a terapeuta ocupacional Dra. Débora Ramos, há urgência de se rever as terminologias estabelecidas pela ANS

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A terapeuta ocupacional Dra. Regina Ferraro já tentou negociar o aumento do número de sessões, mas não obteve sucesso

TUSS

Em outubro de 2010 tornou-se obrigatória a adoção da Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (TUSS), implantada pela ANS. A TUSS tem o objetivo de ser a tabela de pro-

cedimentos padrão para pagamento de serviços na saúde suplementar. A elaboração da TUSS foi baseada na CBHPM e não define valores, apenas a definição de procedimentos.

A fisioterapeuta Dra. Thaís Homem de Melo não presencia reajustes desde que entrou no mercado, em 2007

RNHF e RNHTO Desde 1998 o sistema Coffito/Crefitos disponibiliza uma tabela de procedimentos e valores, os Referenciais Nacionais de Honorários da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional (RNHF e RNHTO), definidos a partir de um estudo econômico que considera dados como custos fixos e operacionais do profissional e quantidade de pacientes envolvidos. Para o procedimento mais simples, o RNHF e o RNHTO determinam um valor mínimo de 75 CH e para o mais complexo, 500 CH. Porém esses referenciais não são adotados pelas operadoras. Geralmente o fisioterapeuta recebe pelo procedimento mais simples 15 CH. Em 2009, o Sistema Coffito/Crefitos lançou um abaixo-assinado online para que os profissionais solicitassem que o SUS e as operadoras de saúde seguissem o RNHF e o RNHTO.

Fotos - Arquivo Pessoal

Planos de Saúde


Planos de Saúde

Compare as diferenças

RNHTO (Sistema Cofitto/Crefitos)

TUSS (Tabela da ANS)

Código

Procedimento

20103212

Distúrbios circulatórios arteriovenosos e linfáticos

28 CH

20103182

Desvios posturais da coluna vertebral

40 CH

20103468

Parkinson

40 CH

20103328

Lesão nervosa periférica afetando um nervo com alterações sensitivas e/ou motoras

25 CH

20.07.500-2

Treinamento do uso de prótese, órtese e/ou outros dispositivos de Tecnologia Assisitiva (por sessão)

117 CHTO**

20.07.400-1

Estimulação, treino e/ou resgate das atividades das áreas de desempenho ocupacional

117 CHTO

20.07.600-1

Planejamento ergonômico da empresa (por hora técnica)

500 CHTO

20.07.900-3

Atendimento domiciliário

234 CHTO

71.04.000-1

Assistência fisioterapêutica - clínica, pré e pós cirúrgico, nas disfunções decorrentes de  alterações do sistema músculoesquelético.

Nível de complexidade I - Paciente portador de lesão

RNHF (Sistema Cofitto/Crefitos)

71.04.001-0

Arte - Tommy Pissini

Valor aproximado*

segmentar intercorrente em uma estrutura e/ou segmento corporal, independente ou parcialmente dependente na realização de atividades.

--

Valor 100 CHF**

71.04.002-1

II - Paciente com lesão segmentar intercorrente em duas ou mais estruturas e/ou segmentos corporais, independente ou parcialmente dependente na realização de atividades.

120 CHF

71.04.003-2

III – Paciente com lesão segmentar intercorrente em uma ou mais estruturas e/ou segmentos corporais, totalmente dependente na realização de atividades.

150 CHF

* A TUSS não define valores. O valor foi baseado na tabela AMB/92, usada na remuneração de diversas clínicas de Fisioterapia e Terapia Ocupacional no estado de São Paulo. O valor do CH varia de operadora para operadora. ** Os coeficientes de honorários de Terapia Ocupacional (CHTO) e de Fisioterapia (CHF) têm o valor de no mínimo R$ 0,30. Fonte: Site da ANS e do Crefito-SP

Tabelas de 1992 ainda são usadas na remuneração Ação A falta de regulamentação para os reajustes e os valores precários, além de atingir diretamente na qualidade dos serviços prestados, resultam em desânimo para grande parte dos profissionais. Segundo Dr. Marco Antonio, além da falta de tempo e dinheiro para os profissionais se dedicarem ao aperfeiçoamento de sua formação e em melhorias na clínica, muitas vezes eles não têm retorno do investimento. “Nosso trabalho não é só manual, temos que investir em infra-estrutura, em equipamentos, mas ficamos desmotivados”. Apesar da insatisfação, é comum os profissionais não reclamarem às operadoras com receio de perder o credenciamento. “Esse receio realmente existe. Para tentar reverter esse quadro, acredito que os prestadores de serviços – pessoas físicas e jurídicas – devem se organizar, se unir em torno das suas entidades representativas, pois só assim ganharão força para lutar contra o poder das operadoras”, diz o presidente do Sindhosp, Dr. Dante Montagnana. Para Dra. Thaís, a principal forma também é a união da classe. Para melhorar a situação, é necessário sempre negociar junto aos contratantes, mas de forma unida. Se os valores forem baixos, todos devem negar, pois se outros aceitam, quebramos esta ação. Acredito que a única forma de vencer esse combate é unindo nossa classe volumosa e promover atitudes e movimentações em busca dessa justiça social”.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Confira alguns exemplos de procedimentos definidos pela ANS e pelo Sistema Coffito/Crefitos

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Arte: Bruna Amaro

Planos de Saúde

COM A PALAVRA

OS PACIENTES

Segurados contam suas experiências com o atendimento pelos planos privados

revista do crefito-sp .dezembro.2010

o

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Sistema Único de Saúde (SUS) há tempos não comporta a demanda por atendimentos. Quem pode pagar prefere contratar um plano de saúde. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mais de 43 milhões de brasileiros optam pelos planos privados no país. Depois de constatar em pesquisa um elevado tempo de espera para marcação de consultas e atendimentos, a ANS resolveu estipular um prazo máximo para o atendimento que varia de três a 21 dias. No caso de consultas a fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional e exames de diagnóstico por imagem, o serviço deverá ser prestado em até dez dias. O auxiliar de escrita fiscal Valquer Rodrigues da Silva, 25, sabe muito bem o que é esperar para ser atendido. Em 2010, ele aguardou quatro meses até conseguir fazer as sessões de fisioterapia, para o tratamento de uma hérnia de disco em estágio inicial.

por Juliana Menezes

Das 1.162 operadoras que receberam o ofício sobre a pesquisa da ANS, 840 participaram o que significa 72,3% do total Valquer mora em Guarulhos e o convênio não tinha nenhuma clínica credenciada na cidade. “Eles alegaram que o RPG, o tratamento que precisava fazer, era uma especialidade diferenciada que não é oferecida em todas as clínicas. Comecei então a fazer na Vila Maria, para não ficar mais tempo sem atendimento, até conseguir fazer as sessões na minha região”, diz Valquer. Já o auxiliar de máquina, Júlio César da Silva, 24, não tem reclamações sobre o atendimento que recebeu do convênio, quando sofreu um acidente de moto, que o deixou em coma por três meses.

Júlio precisou fazer sessões de fisioterapia para a reabilitação. “Tinha um bom convênio, que cobriu todo o meu tratamento, incluindo a fisioterapia. Fazia sessões três vezes por semana, foi muito importante para a minha recuperação”. Hoje ele não tem mais o mesmo plano da época do acidente, em 2007, e diz não gostar muito do seu plano atual. Um dos graves problemas que os segurados enfrentam é no momento da mudança de plano. O paciente se vê obrigado a mudar sua rotina e continuar o tratamento com profissionais que ele não está habituado. A dona de casa Márcia Batista, 35, teve que mudar de plano, porém não se adaptou às sessões de fisioterapia na nova clínica. “Fazia fisioterapia em grupo, a sala era pequena, o tratamento não era individualizado”, diz. Depois que foi diagnosticada com uma escoliose, em 2008, a dona de casa passou a fazer fisioterapia, mas não ficou satisfeita com o atendimento que recebeu do plano e avalia mudar mais uma vez.


Planos de Saúde

Direito dos segurados A operadora alegou que o procedimento era realizado por esteticistas e, portanto, estava fora da cobertura do plano. Com base no parecer do Crefito-SP, o MPF sustentou que a drenagem linfática é um dos recursos terapêuticos manuais realizados pelo fisioterapeuta, devendo ser coberto pelo plano de saúde. A segurada recebeu parecer favorável e a ANS foi obrigada a fiscalizar se a operadora estava cumprindo com a sua obrigação e assegurando serviço de drenagem linfática para todos os seus clientes. Outro caso parecido aconteceu

em 2010 com um bebê de Catanduva, interior de São Paulo. Ele necessitava de atendimento de fisioterapia e fonoaudiologia, mas teve o acesso restringido pelo convênio para apenas seis consultas anuais. A família procurou a justiça. A 1º Vara Cível de Catanduva determinou por meio de liminar que o paciente deverá ser atendido pelo plano enquanto for necessário o tratamento. A operadora poderá recorrer da decisão. Segundo a ANS, as sessões de fisioterapia são ilimitadas e a operadora tem que arcar com o número necessário de sessões.

Gostaria de fazer fisioterapia novamente, mas em um convênio que me atenda bem de verdade. A gente contrata um plano de saúde para ter um atendimento diferenciado”

Acho importante a ANS estipular prazos máximos para o atendimento. Felizmente o meu caso não era grave, o problema é para quem não pode esperar”

Márcia Batista, 35 anos Dona de casa

//Na internet:

Valquer Rodrigues da Silva, 25 anos Auxiliar de escrita fiscal

Não tenho do que reclamar, fui bem atendido. Acho que fui mais bem atendido do que seria em um hospital público. As sessões de fisioterapia ajudaram muito na minha recuperação” Júlio César da Silva, 24 anos Auxiliar de máquina

Cartilha Idec O Idec disponibiliza em seu site uma cartilha com informações e dicas sobre planos de saúde, com o título “Seu plano de saúde: Conheça os abusos e armadilhas”. Veja em: www.idec.org.br

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Fotos - Arquivo Pessoal

Segundo o Idec, todo cliente que se sentir lesado pelo plano de saúde pode fazer valer os seus direitos. Primeiramente, ele deve fazer uma reclamação para a operadora de saúde, para tentar uma negociação amigável. O usuário pode reclamar também à ANS, ao Ministério Público Federal (MPF), por meio de uma representação, denunciando o problema, ou ainda propor uma ação judicial. Foi o que fez uma cliente, em 2009. O plano de saúde se negou a oferecer o tratamento de drenagem linfática que a paciente necessitava após uma cirurgia.

[17]


Feliz An Um ano chega ao fim e outro se inicia. Nesse ciclo de ir e vir, o tempo passa e nem sempre nos damos conta do que realmente importa. Então, aproveite esse novo ano para pintar um novo quadro em sua vida, em busca de um mundo melhor, menos individualista e mais humano, onde a compreensão, o respeito e o amor ao próximo valem mais do que qualquer outra coisa. Ame, respeite, entenda... e faça do seu mundo um mundo melhor!


2011

um próspero

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Foto - Manipulação de imagem Tommy Pissini sobre foto www.sxc.hu

no Novo


u

Planos de Saúde

Um por Um Um por todos,

[20]

um um Nas cooperativas, profissionais participam das decisões administrativas e constroem juntos a credibilidade do grupo por Lúcia Passafaro Peres Foto - sxc.hu

revista do crefito-sp .dezembro.2010

todos, todos por todos todos por

ma empresa onde todos decidem juntos os rumos administrativos, financeiros e a agenda de atividades. Pode parecer uma situação utópica, porém é assim que funciona uma cooperativa. No estado de São Paulo existem diversas cooperativas formadas por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que distribuem entre os associados as demandas dos pacientes ou empresas parceiras. “A cooperativa é uma oportunidade para o profissional mostrar seu trabalho. Quando precisar novamente de atendimento, o paciente lembra primeiro do profissional que o atendeu e não da empresa a que estava vinculado. Então a cooperativa facilita essa exposição, e se ele é um profissional competente, isso vai aparecer”, diz o fisioterapeuta Dr. Luiz Gustavo Ghion, atual diretor-presidente da Cooperativa de Trabalho de Fisioterapeutas (Cooperfit), em São Paulo, especializada em atendimento domiciliar. Fundada em 2001, a cooperativa tem 106 profissionais e atende cerca de 500 pacientes. Como reúne um grupo de profissionais, a cooperativa permite a troca de experiências e a ajuda mútua entre os sócios. Além disso traz outras vantagens que seriam mais difíceis de ser obtidas por um profissional sozinho. “Por ser uma pessoa jurídica, a cooperativa consegue mais facilmente parcerias e divulgar suas áreas bem como toda a abrangência de atuação”, explica a fisioterapeuta Dra. Ana Lucia Patto dos Santos, diretora-financeira da cooperativa Uniser do Vale, em São José dos Campos. Com 17 anos de existência, a Uniser tem 77 profissionais, de diversas áreas da saúde, como psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia e nutrição, que atendem uma média de 800 pacientes por mês. Geralmente as cooperativas remuneram o profissional com um valor único por atendimento, sendo uma porcentagem do valor destinada para pagar as despesas administra-


Planos de Saúde

Qualidade x valores

Fisioterapeuta Dra. Ana Lucia Patto dos Santos, diretora-financeira da cooperativa Uniser do Vale

O que é uma cooperativa? As cooperativas são associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns a

seus integrantes. Constituemse em empresas de propriedade coletiva, a serem geridas democraticamente.

//Na internet:

Fonte: Ocesp

A qualificação dos profissionais tem feito com que a Cooperfit consiga parcerias duradouras. Dr. Luiz Gustavo cita casos de tomadoras de serviço que preferem contratar os profissionais da cooperativa mesmo por valores mais altos que a média do mercado. “Apesar do custo mais alto, eles têm menos gastos, pois conseguem ‘desmamar’ mais pacientes”, conta. Apesar disso, muitas empresas dão preferência aos valores mais baixos em detrimento da qualidade do atendimento. “A área em que a gente encontra mais dificuldade é a da remuneração. Os contratantes não querem pagar um valor adequado”, diz Dra. Ana Lucia. A Uniser já chegou a perder parcerias, pois antes de fechar o contrato um outro grupo de profissionais da saúde ofereceu uma proposta por um valor três vezes menor. A Cooperfit também passou por situações semelhantes. “Já rompemos contrato com prestadores de serviço porque não achamos que era um valor justo. Os profissionais têm que ter qualificação, oferecer algo a mais, não abaixar o preço para ganhar mercado”, diz Ghion.

“ Na cooperativa todos são donos. As decisões são feitas em assembleia e a decisão da maioria prevalece”, Dr. Luiz Gustavo

Ocesp - Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo www.ocesp.org.br Código Civil Brasileiro – artigos 1.093 a 1.096 www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm Lei 5.764, de 1971, alterada pela Lei 6.981/82, que regulamenta o cooperativismo no país www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5764.htm

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Fisioterapeuta Dr. Luiz Gustavo Ghion, diretor-presidente da Cooperfit

Fotos - Arquivo Pessoal

tivas da sociedade. Ao final do ano, quando é feito o balanço financeiro, se houver sobra de produtividade, o valor é dividido entre os cooperados proporcionalmente ao tanto que cada um trabalhou. “Na cooperativa todos são donos. As decisões são feitas em assembleia e a decisão da maioria prevalece”, explica Dr. Luiz Gustavo. As contas e o destino do dinheiro são aprovados em grupo e a compra de um equipamento, por exemplo, é para o uso de todos. Porém para que uma cooperativa cresça e ganhe credibilidade, é fundamental a união do grupo e o comprometimento. Quanto mais preparado o profissional e melhor o seu atendimento, mais ele estará contribuindo para o fortalecimento do grupo e, consequentemente, para a sua própria imagem. Com o objetivo de melhorar a capacitação dos profissionais, a Cooperfit oferece cursos, realiza reuniões científicas mensais entre os cooperados, avalia o desempenho deles nos atendimentos, além de fazer um treinamento com os recémassociados. “Por essa qualificação, muitas vezes conseguimos um valor maior no mercado”, diz Ghion.

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direito! Planos de Saúde

É seu

Saúde é direito de todos e dever do Estado. Exija Fisioterapia e Terapia Ocupacional

a

pesar de ser um direito previsto na Constituição, na prática nem sempre a população tem a assistência à saúde assegurada. A demora na obtenção e até mesmo a negativa de atendimento são temas frequentes e bastante vivenciados. Nesse sentido, o Crefito-SP vem empreendendo ações para melhorar o acesso ao bom atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional. Afinal, o Conselho tem por função principal fiscalizar o exercício dessas profissões, protegendo a sociedade de maus profissionais e velando pelo prestígio e bom conceito dos que a exercem, fomentando, assim, o reconhecimento da fisioterapia e da terapia ocupacional. Entre essas ações, a mais recente está no site do Conselho e incentiva a população a exigir o atendimento quando este lhe for negado, indicando, inclusive, os meios para verificar se a negativa é ou não legítima. Caso não seja, no site também é possível conhecer as formas de buscar eficácia ao direito à assistência de saúde. Há, inclusive, um modelo de pedido de atendimento, em forma de representação dirigida ao Ministério Público do Estado de São Paulo.

Foto - www.sxc.hu

revista do crefito-sp .dezembro.2010

[22]

por Francine Altheman

//Na internet:

http://www.crefito.com.br/imp/2010/duvidas/atendimento.html


Fotos - Reprodução

Todo cidadão que comprovar a necessidade desses serviços, e ainda, aqueles que tiveram essa oferta negada na rede pública de saúde e/ou nos planos de saúde. Os menores ou incapacitados devem ser representados pelos seus responsáveis. Quem são as autoridades competentes para fazer valer o meu direito?

O Ministério Público é legitimado para acionar o Poder Judiciário de forma a eventualmente obrigar o Estado a cumprir os seus compromissos constitucionais-Constituição Federal, art. 129, III e IX e Lei Complementar 75/93, que conferem ao MP competência para promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção de "interesses individuais indisponíveis, homogêneos, sociais, difusos e coletivos" (art. 6º, VII, d) e para "propor ação civil coletiva para a defesa de interesses individuais homogêneos" (art. 6º, XII). Em cidades grandes ou médias existem as Promotorias de Justiça, que normalmente estão instaladas no edifício do Fórum local; as cidades pequenas pertencem às comarcas de cidades maiores da região. Em São Paulo, o Ministério Público atende em edifícios próprios. Sede Central: Rua Riachuelo, 115, Centro - CEP 01007-904.

O Crefito-SP tem feito várias ações para melhorar o acesso ao bom atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional. A mais recente está na mídia e no site do Conselho, incentivando a população a exigir o atendimento quando este lhe for negado. Confira os vídeos veiculados na campanha “Chegue aos 100 anos com saúde – Exija fisioterapia e terapia ocupacional”no site www.crefitosp.gov.br

Existem também outras ações que o Crefito-SP já tomou e deram resultado. Um bom exemplo é a Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público Federal, em face de uma seguradora e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Na ação, o Crefito-SP deu parecer sobre o procedimento de drenagem linfática no pós-operatório. Assim, a seguradora teve que dar a “cobertura ao procedimento de drenagem linfática a ser realizado por fisioterapeuta”, determinando que ela se abstivesse de negar tal terapêutica aos seus segurados/consumidores. Isso porque, conforme informado nos autos daquele processo pelo Crefito-SP, a Resolução Normativa nº 167, de 9 de janeiro de 2007, já impunha que todo procedimento de “Reeducação e Reabilitação do Sistema Linfático e/ou Vascular Periférico” seja de cobertura obrigatória pelos planos privados de assistência à saúde, tendo o Conselho trabalhado para que, no caso concreto, fosse imposta a obrigação de cobertura de drenagem linfática em número ilimitado de sessões. A recente conquista junto à ANS também é uma importante vitória, que por meio da Resolução nº 211/2010 ampliou as coberturas de atendimentos em fisioterapia e terapia ocupacional para os planos de saúde. A normativa é fruto de diversos encontros em que representantes do Coffito e dos Crefitos expuseram as fragilidades da cobertura de terapias abrangida pelos planos, demonstrando a necessidade de [23] melhorias na normatização. revista do crefito-sp .dezembro.2010

Quem pode recorrer para ter acesso gratuito a esses serviços?


As armadilhas da

musculação Fot o

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Exercícios realizados com a postura incorreta ocasionam alterações e dores na coluna em vez de promover a saúde

Segundo o Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, a técnica de Estabilização Vertebral fortalece os músculos profundos da coluna

a

por Paulo Cabral

[24]

bdominais, flexões, legpress. Esses são termos conhecidos da chamada “geração saúde”. Jovens, adultos e idosos ingressam nas academias em busca da saúde corporal e bem-estar, além da preocupação em afastar as doenças e melhorar o desempenho nos esportes. E parte deles recorre ao “exercício resistido sistematizado”. Em outra designação mais conheci-

da e popular, a musculação. Entretanto, o que essas pessoas não sabem é que a prática da musculação pode ter efeito inverso do que é esperado. Sem a devida avaliação postural, praticantes acabam sofrendo, entre outros problemas, alterações na coluna vertebral decorrentes dos exercícios, provocando dores e incômodos. É esse tema que um estudo re-

alizado em 2007, na Academia Escola da Universidade de Caxias do Sul, aborda. Pessoas entre 14 e 73 anos, 113 homens e 193 mulheres, em um total de 306 indivíduos praticantes de musculação, passaram por avaliações posturais realizadas por fisioterapeutas. O resultado final do estudo não é só preocupante, como também demonstra a importância do trabalho do fisioterapeuta na academia.


Juliana Menezes

306 praticantes

de musculação passaram por avaliações posturais

113

homens

193

mulheres

A faixa etária dos avaliados variava entre 14 e 73 anos

estavam entre 21 e 30 anos estavam entre 30 e 50 anos pessoas tinham mais de 50 anos

Dentre os resultados, destacam-se as alterações na coluna vertebral*

43,4 % 55,2% 73,8%

na região cervical na região torácica na região lombar

*Aumento da curvatura ou retificação da coluna Fonte: Revista Fisioterapia em Movimento

“A equipe multidisciplinar composta por fisioterapeutas e profissionais de educação física garantia uma prescrição realmente individualizada do treinamento”

Dr. Bruno Manfredini, fisioterapeuta envolvido no estudo

Aumenta cada vez mais a procura por exercícios de musculação para a manutenção da saúde e não só para fins estéticos

A importância da avaliação postural Prevalência de alterações posturais em praticantes de musculação é o título do estudo que concluiu o quanto a inclusão de programas de avaliação postural e a presença do fisioterapeuta e do educador físico nas academias é importante, sendo essas algumas das maneiras de investir na qualidade dos serviços prestados e potencializar os resultados do treinamento realizado pelo profissional de Educação Física. Para que os praticantes de musculação possam realizar os exercícios físicos de maneira adequada, é imprescindível o bom alinhamento postural do corpo. Na avaliação da região da coluna lombar, das 306 pessoas, 61% das mulheres apresentaram hiperlordose e 73,2% dos participantes do estudo tinham algum tipo de alteração na curvatura fisiológica considerada normal da região. Fisioterapeuta e praticante de musculação, Dr. Bruno Manfredi-

ni Baroni é um dos cinco profissionais que participaram da elaboração dessa pesquisa. Ele explica que a atuação da fisioterapia na academia era bastante ampla. “Entre outras atividades, utilizávamos os resultados das avaliações posturais e ortopédicas para planejar e supervisionar o treinamento dos alunos junto à equipe de educação física”. Outra profissional envolvida no estudo é a professora do curso de fisioterapia da UCS, Dra. Claudia Adriana Bruscatto. Ela explica que é fundamental o trabalho do profissional de fisioterapia e do educador físico na prática da musculação, pois a elaboração do treino e os cuidados com a postura trazem resultados mais satisfatórios aos praticantes, tanto em questões estéticas como de saúde. “A soma da avaliação postural e do treino, baseada nas alterações pré-existentes, traz a prevenção de lesões ortopédicas mais graves e de dores na coluna, além de minimizar os desvios posturais”, diz [25] a fisioterapeuta. revista do crefito-sp .dezembro.2010

74 127 40 65

eram menores de 21 anos


O consultor Roberto Azevedo, na Mesa de Tração Eletrônica que faz parte do RMA

revista do crefito-sp .dezembro.2010

[26]

O tratamento Veja quais são as mesas utilizadas no método fisioterapêutico:

Fotos - Divulgação

O Sindicato das Academias do Estado de São Paulo (Seeaatesp) possui registro de mais de 5 mil academias no Estado de São Paulo, sendo que a grande maioria possui equipamentos para a Ginástica de Aparelho (musculação). O presidente do sindicato, Prof. Gilberto Bertevello, lembra que “a grande maioria das lesões são provocadas por exercícios inadequados, feitos por conta própria e sem a indicação e acompanhamento do educador físico”. Integrante do grupo de profissionais da academia Companhia Athletica há 13 anos, o profissional de educação física Ronaldo Vilela constata que cerca de 60% dos alunos procuram a academia para fins estéticos, com objetivos de adquirir massa corporal. Porém, recentemente surgiu uma nova tendência entre essas pessoas. “Vem aumentando a procura também para a área de saúde, apesar de a estética ainda ser o ponto importante para o frequentador da academia”, pondera. Ronaldo acredita que a avaliação postural não garante os resultados adequados ao praticante se as recomendações não forem utilizadas no momento do exercício, o que é fundamental. “Será que na prática teremos um trabalho coerente com o que foi detectado e transmitido nas avaliações? Esse é o grande problema”, justifica. Além de enfatizar que a prática da musculação feita de maneira errada pode causar danos sérios ao praticante, Ronaldo aponta a solução para garantir a eficácia dos exercícios: um fluxo de informações adequado entre os profissionais da saúde que trabalham na academia, desempenhando um trabalho multidisciplinar. “A academia deve ter um sistema eficiente para fazer com que as informações sobre o aluno cheguem ao professor, para que ele possa trabalhar com coerência. Deve existir interação entre os departamentos de saúde e a atividade física”, conclui.

Paulo Cabral

As academias

Mesa de Tração Eletrônica

Mesa de Flexão-Descompressão

Possui mecanismo de deslizamento com molas que controlam o atrito do paciente sobre a mesa. Traz uma série de benefícios, entre eles, a melhora na mobilidade dos ligamentos.

Equipamento que permite ao fisioterapeuta o controle total sobre a mobilidade da coluna. Entre os efeitos no paciente após a flexão da coluna vertebral está a redução de tensão no disco posterior.

Fonte: I TC

Cuidados com sua coluna Assim como o pilates, a musculação pode ser um aliado no tratamento fisioterapêutico para os problemas da coluna. O Instituto da Coluna Vertebral (ITC), presente em 11 estados do Brasil, incluindo São Paulo, utiliza não só a musculação, mas também a Reconstrução Músculo-Articular da Coluna Vertebral (RMA) para reabilitar seus pacientes. Idealizado pelo fisioterapeuta Dr. Helder Montenegro, o RMA divide o processo de tratamento em etapas. “Usamos a fisioterapia manual na fase aguda e em seguida a mesa de tração eletrônica em conjunto com a mesa de flexão dinâmica. Finalizamos com a estabilização vertebral e os exercícios na sala de musculação ou pilates,

onde o paciente será monitorado”, detalha o fisioterapeuta. Apesar de os benefícios da musculação no tratamento contra doenças da coluna vertebral, Dr. Helder adverte sobre os cuidados necessários no “antes e depois” dos exercícios. “Todos os pacientes do ITC realizam sessões de Estabilização Segmentar Vertebral antes das atividades de musculação. Desta forma, eles já sabem quais os músculos mais importantes que devem ser ativados durante a execução dos exercícios”. Ainda de acordo com o fisioterapeuta, a musculação e o pilates são importantes no tratamento da coluna vertebral, mas “por falta de academias e centros especializados nessa questão, esta prática esportiva ainda provoca muitas crises de dores nas costas aos praticantes”.


Veja alguns exercícios não recomendados para quem já possui problemas na coluna:

Agachamento guiado

Os pacientes que têm ou tiveram problemas na coluna cervical ou lombar deverão evitar este equipamento, pois o mesmo favorece a pressão na coluna.

Puxada por trás

Extensão do quadril

De acordo com Dr. Helder, a musculação é uma grande aliada ao tratamento da coluna vertebral

Este exercício favorece a compressão posterior dos discos intervertebrais.

Mesa Flexora Horizontal

Posição ventral da mesa flexora não é ideal para quem tem dor na coluna e o movimento de flexionar os joelhos é um abuso para os músculos da coluna.

Quem tem dores na coluna deve evitar este equipamento que facilita a rotação posterior da bacia.

Arte - Tommy Pissini

Cadeira xx.Flexora

Fonte: I TC

//Na internet:

“Quando eu comecei o tratamento, mal conseguia andar. Uma semana depois, eu já caminhava normalmente”, Roberto Azevedo, 31 anos, consultor

Juliana Menezes

Este exercício favorece a contração dos músculos superiores da coluna cervical provocando uma pressão discal posterior.

Os pacientes Rubens Camargo e Roberto Azevedo passaram pelo tratamento de RMA no ITC, após confirmarem uma hérnia de disco. O comerciante Rubens Azevedo sofreu sua primeira crise de dor em 2002. Desde então, passou por várias crises que foram solucionadas com tratamentos fisioterapêuticos. A última, em 2009, fez com que Rubens procurasse o ITC. Após quatro meses utilizando os métodos do RMA, Rubens finalizou o tratamento e hoje retorna ao consultório para consultas de acompanhamento. Atualmente, faz pilates e natação para manter os benefícios obtidos. “O método de fato funciona. Essas atividades paralelas (natação e pilates) ajudam a construir minha saúde hoje”. Já o consultor Roberto Azevedo sofreu fortes dores no início do Carnaval. Recebeu muitas medicações para alívio da dor no hospital, porém não sentiu o efeito. Após os exames de ressonância, os médicos detectaram a hérnia de disco. Ao pesquisar possíveis tratamentos, Roberto fez a avaliação no ITC e adquiriu ânimo ao saber que deveria interromper o uso dos medicamentos. “Os remédios me preocupavam, pois eram todos fortes e afetavam o meu estômago”, lembra. Em dois meses de tratamento, Roberto já podia desempenhar seu trabalho normalmente, dirigindo cerca de três horas por dia em visitas constantes a cidades vizinhas. O que se nota é que a fisioterapia é essencial para a prevenção e melhora das doenças relacionadas aos problemas da coluna. Seja na avaliação postural ou no tratamento fisioterapêutico, o fisioterapeuta é peça fundamental para garantir a saúde corporal e uma coluna livre de mazelas.

Para ver mais sobre o estudo www2.pucpr.br/reol/index.php/RFM?dd1=3499&dd99=view www.crefito.com.br/imp/revista/fisionaacademia.html

revista do crefito-sp .dezembro.2010

Após o tratamento

Perigos da musculação

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Exemplos de n

por Juliana Menezes

ão existe nada melhor do que trabalhar no que se gosta. Muitos sonham com uma profissão desde pequenos, mas poucos conseguem desempenhála na vida adulta. Mais difícil ainda é ser bem-sucedido na profissão escolhida. Veja o exemplo de profissionais que obtiveram o tão almejado sucesso.

sucesso Fotos - Arquivo Pessoal

Profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional contam como conseguiram se destacar no mercado de trabalho

revista do crefito-sp .dezembro.2010

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Dra. Cilmara Moretti, 48, é formada pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Fez especialização em Fisiologia do Exercício na Unifesp e diversos cursos na área, como reabilitação em Pilates, RPG, entre outros. “Você tem que se atualizar. Novas técnicas e protocolos, além de equipamentos fisioterapêuticos, vão surgindo a cada momento. A fisioterapia evolui como a informática, guardada as devidas proporções”, diz. A fisioterapeuta trabalha no São Paulo há 23 anos e há um ano no setor de reabilitação do time profissional, o Reffis, núcleo de fisioterapia do São Paulo Futebol Clube (SPFC). Ao todo o clube conta com doze fisioterapeutas.

Dra. Cilmara entrou em contato com a fisioterapia pela primeira vez quando precisou fazer reabilitação, devido a uma cirurgia no joelho. “Naquele momento eu me interessei pela área e logo resolvi fazer a faculdade,” relata. Ela sempre gostou de esportes. Iniciou a carreira como estagiária do time de basquete do BCN, em Piracicaba, onde permaneceu por um ano. No time do São Paulo, a fisioterapeuta atende os atletas que apresentam lesões e estão em recuperação. Em seus vários anos no clube acompanhou casos bem sérios, de atletas que estiveram desacreditados, mas voltaram à prática esportiva. “A maior satisfação de um fisioterapeuta do esporte é ver seu atleta recuperado, em campo, fazendo gols. Para isso o paciente e o profissional têm que se empenhar, é um trabalho em conjunto”, afirma.

Ilustraçoes - Tom

Toque feminino na fisioterapia esportiva

my Pissini

Dra. Cilmara Moretti com o jogador Bosco no Reffis do SPFC

A maior satisfação de um fisioterapeuta do esporte é ver seu atleta recuperado, em campo, fazendo gols. Para isso o paciente e o profissional têm que se empenhar, é um trabalho em conjunto” Dra. Cilmara Moretti


Dr. João Carlos Ferreira de Souza, 35, é formado pela Uniban e atualmente faz especialização em Fisiologia e Biomecânica do Aparelho Locomotor: Reabilitação e Treinamento, pela USP. Ele trabalha na Sociedade Esportiva Palmeiras há quatro anos. “Escolhi ser fisioterapeuta justamente para atuar com reabilitação física no esporte. Sem dúvida o momento mais marcante da minha carreira até agora foi quando tive o primeiro contato com a clínica de fisioterapia do Palmeiras e com os profissionais que lá trabalham”, conta. No começo da carreira estagiou na área de ortopedia, em uma clínica na zona norte de São Paulo, e depois na Associação de Reabilitação Física Frederico Ozanam (Arffo). Logo em seguida começou o estágio no Departamento de Futebol Profissional do Palmeiras,

onde trabalha até hoje. No clube seu trabalho é cuidar dos atletas lesionados, acompanhar os jogadores durante as partidas e trabalhar também na prevenção de lesões que possam ocorrer durante a prática esportiva. Segundo ele, trabalhar com esporte requer muita disciplina e dedicação, pois o atleta tem data e hora marcada para estar em campo. Isso significa que deve ser mantido em tratamento intensivo, o que inclui finais de semana de trabalho. “Escolhi trabalhar com esporte por ser uma atividade extremamente dinâmica e complexa, cada dia é um desafio. Sempre gostei e estive ligado ao esporte, é uma boa especialidade para se trabalhar”, indica o profissional.

Portas abertas para a terapia ocupacional

A terapeuta ocupacional, Dra. Silmara Nicolau Pedro da Silva, também atende em domicílio

Dra. Silmara Nicolau Pedro da Silva, 35, é formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Fez especialização em Terapia da Mão e Reabilitação do Membro Superior na Faculdade de Medicina da USP. Atualmente, além de atender pacientes na área de Terapia da Mão e confecção de órteses em domicílio, atua no Hospital Universitário da USP. É professora assistente do Centro Universitário São Camilo e secretária da Sociedade Brasileira de Terapia da Mão. Há 18 anos, quando prestou vestibular para terapia ocupacional, a profissão era menos conhecida. Entrou na faculdade sem saber bem como era o curso, mas certa de que queria trabalhar na área da saúde e lidar com pessoas. “Acho que a escolha da profissão teve a ver com o fato de ser uma carreira diferente, portanto desafiadora. É muito difí-

Dr. João Carlos no S.E. Palmeiras com o jogador Rivaldo

cil optar por uma carreira quando se é jovem”, pondera Dra. Silmara. No último ano da faculdade fez estágio no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC), na área de Reabilitação Ortopédica e Terapia da Mão. “No estágio, finalmente encontrei uma área de atuação que me motivou. Foi uma satisfação ver como o trabalho do terapeuta ocupacional faz toda a diferença na reabilitação das pessoas”, observa. Depois de terminar a faculdade, permaneceu voluntariamente no IOT por mais cinco anos, e atendeu dez anos em clínica particular. Quando se casou achou melhor, para otimizar o seu tempo, começar a fazer atendimento em domicílio. “Só não atendo mais pacientes porque não tenho disponibilidade. É bom para o paciente que não precisa sair de casa e do trabalho e para o profissional, que pode organizar me[29] lhor seu tempo”, afirma. revista do crefito-sp .dezembro.2010

Fisioterapia entra em campo


Não adianta fazer alguma coisa que você não goste simplesmente para ganhar dinheiro. Se tiver amor naquilo que faz, acaba desempenhado bem as suas funções e se torna um bom profissional”

Ilustraçoes - Tommy

Pissini

Dr. André é especialista em acupuntura e trabalha em academia

Dr. André B. F. Ramos

Malhação e fisioterapia

Os professores indicam o acompanhamento quando o aluno apresenta alguma dor, disfunção ou desconforto [30]

Dr. André Bento Ferreira Ramos, 48, faz parte da equipe de profissionais da academia Companhia Athletica, em São Paulo. Graduou-se na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, e é especialista em Acupuntura. “Sempre gostei da área de saúde, mas quando eu era criança, não ouvíamos falar muito em fisioterapia”, lamenta. Logo que se formou veio para São Paulo, quando começou a trabalhar em academia. Hoje, trabalha na filial do Shopping

Morumbi da Companhia Athletica, onde atua há nove anos. O profissional também trabalhou em clínica e hospital com reabilitação de cardiopatas durante seis anos. Durante os vários anos de atuação em academia, o caso mais marcante foi o de um paciente que fez reabilitação depois de um grave acidente de carro. “Ele chegou na cadeira de rodas e os médicos deram um prazo de dois anos para ele voltar a andar, porém depois de seis meses o paciente já estava caminhando novamente”, recorda. Sua rotina na academia é bem agitada. Às 6h15 já atende pacientes. Faz parte de suas atribuições fazer a reabilitação dos alunos da academia e utilizar também a acupuntura para atendê-los. Se necessário, acompanha-os durante a execução dos exercícios. Os professores indicam o acompanhamento quando o aluno apresenta alguma dor, disfunção ou desconforto. Segundo Dr. André para crescer profissionalmente tem que se dedicar, ser criativo, saber trabalhar em grupo e principalmente gostar do que faz. “Não adianta fazer alguma coisa que você não goste simplesmente para ganhar dinheiro. Se tiver amor naquilo que faz, acaba desempenhado bem as suas funções e se torna um bom profissional”, esclarece.


Empresária bemsucedida

De acordo com a Dra. Ana, conhecimento técnico, ética e profissionalismo são fundamentais Dra. Ana Luisa Massardi, 38, é for- para vencer na profissão. Portanmada em Fisioterapia pela Uniban e to, não se deve divulgar técnicas especialista em Linfoterapia, drena- milagrosas que não sejam vergem linfática manual profunda. Aos dadeiras. É necessário entender 17 anos, abandonou o curso de pu- o que se está falando, fazendo e blicidade na Faap quando descobriu indicando para os pacientes. Em que sua verdadeira vocação era a fi- 2010 o SPA Hara completou 16 sioterapia. A decisão surgiu após ela anos. A proprietária continua fater feito alguns cursos de massagem zendo alguns atendimentos, mas e ter conhecido a área de Dermato- se concentra em dar treinamento funcional. Enfrentou muitas dificul- para os seus funcionários. Dra. dades para se manter enquanto tra- Ana se orgulha da sua trajetória balhava e estudava. Sua maior alegria de sucesso. “Todos os dias que era conseguir pagar as mensalidades chego à empresa rezo e agradeço a em dia. A primeira clínica era um Deus, cada elogio de uma pacienespaço pequeno com três salas, onde te, cada relato do quanto a vida ela também morava. Hoje tem um delas melhorou com a drenagem. espaço com 34 salas, no Jardim Eu- Isso me faz acreditar que eu consropa, e atende clientes ilustres como truí algo muito importante, um Hebe Camargo, Mariana Ximenes, negócio único no segmento de Thiago Lacerda, entre outros. dermatofuncional”, comemora.

“Todos os dias rezo e agradeço a Deus por cada elogio de uma paciente, cada relato do quanto a vida delas melhorou com a drenagem. Isso me faz acreditar que eu construí algo muito importante, um negócio único no segmento de dermatofuncional” Dra. Ana Luisa Massardi

Fotos -

Arquiv o

Dra. Ana Luisa Massardi em sua clínica o SPA Hara

r e v i s t a d o c r e f iPetssooal - s p . d e z e m b r o . 2 0 1 0

Dr. Ana Luisa atende clientes ilustres como Hebe Camargo, Mariana Ximenes e Thiago Lacerda

Veja novos exemplos de sucesso nas próximas edições...

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tas notas

no

MAIS ESPAÇO PARA A FISIOTERAPIA EM SÃO PAULO A cidade de São José do Rio Preto deverá abrir 15 vagas para fisioterapeutas no próximo concurso público

revista do crefito-sp .dezembro.2010

por Juliana Menezes

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São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, deverá abrir concurso que oferecerá 15 vagas para fisioterapeutas e remuneração de R$ 3.284,03. A abertura do concurso está prevista até o mês de janeiro, quando sairá o edital, segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura. Os fisioterapeutas serão contratados para as unidades de saúde do município e para a área de reabilitação física. O concurso da Secretaria de Saúde prevê o preenchimento de 574 vagas de nível médio e superior. A prefeitura de São José do Rio Preto tem realizado diversas ações para aumentar a oferta do atendimento fisioterapêutico à população. A cidade foi dividida em cinco distritos de saúde (DS), todos com um fisioterapeuta. Também foi implantada a Coordenadoria de Reabilitação pelo prefeito Valdomiro Lopes, médico fi-

siatra, junto com o secretário de saúde, Dr. José Victor Maniglia. A Coordenadoria de Reabilitação da Secretaria de Saúde tem atuação na saúde básica (promoção à saúde e à saúde físicofuncional) e na atenção especializada (reabilitação). A atenção especializada conta com um centro de referência para pessoas com deficiência física, o Núcleo Municipal de Reabilitação, além da Unidade de Reabilitação para Idosos e Doentes Crônicos, cinco unidades de Reabilitação da Dor e Incapacidades Físicas Transitórias e o Programa de Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção. A Coordenadoria de Reabilitação é dirigida pela fisioterapeuta Dra. Neuseli Marino Lamari, que atua na rede de saúde pública há 23 anos e colaborou na criação da coordenadoria com apresentação de um projeto hierarquizado de promoção e reabilitação físicofuncional.


Fotos - sxc.hu

CONTRIBUIÇÕES SINDICAL, CONFEDERATIVA E ASSISTENCIAL Colaboração Departamento Jurídico

Contribuição Confederativa O objetivo da Contribuição Confederativa é o de custear o sistema confederativo do qual fazem parte integrante os sindicatos, federações e confederações, de categorias econômicas e profissionais e é DEVIDA apenas pelos que SÃO ASSOCIADOS a sindicato da categoria econômica ou profissional, segundo densa Doutrina e Jurisprudência de nossas altas Cortes em tal direção.

Contribuição Assistencial

A Contribuição Assistencial é uma prestação voluntária efetuada pela pessoa que pertence à categoria econômica ou profissional ao sindicato da correspondente categoria e visa custear a participação do sindicato nas negociações coletivas. A fonte de tal Contribuição, assim, é a norma coletiva, seja ela o acordo, a convenção coletiva ou a sentença normativa. A Contribuição Assistencial, de acordo com forte Doutrina e Jurisprudência de nossas altas Cortes também só é DEVIDA de quem é associado a sindicato. Observação:

O STF editou a Súmula nº 666, pela qual assentou que a Contribuição Confederativa só é exigível dos associados, não sujeitando-se a ela aquele que não é sindicalizado. O Precedente Normativo TST 119 assentou que a Contribuição Confederativa e a Assistencial são devidas apenas de quem é sindicalizado.

revista do crefito-sp .dezembro.2010

A Contribuição Sindical tem por objetivo o custeio de atividades do sindicato e de outras que estejam previstas em lei. Tem natureza jurídica de tributo, sendo ela, pois, uma contribuição de interesse das categorias econômicas e profissionais e das profissões liberais e é devida pelos empregados, pelos trabalhadores autônomos, avulsos e profissionais liberais, assim como pelos empregadores. A Contribuição Sindical é DEVIDA ainda que essas pessoas NÃO SEJAM SINDICALIZADAS, ou seja, é devida pelo empregado, pelos trabalhadores autônomos, avulsos e profissionais liberais, independentemente de SEREM ou NÃO SINDICALIZADOS, porquanto se está diante de uma Contribuição que tem natureza jurídica de tributo, sendo, destarte, compulsória.

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oficial comunicado oficial

comunicado

revista do crefito-sp .dezembro.2010

MAIS TRABALHO É A MELHOR RESPOSTA

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Desde o começo sabíamos que resgatar o Crefito-SP e colocá-lo a serviço dos interesses da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional não seria uma tarefa fácil. Em resposta às intimidações, incluindo ameaça de morte, optamos pela coragem e a busca incansável do exercício pleno da cidadania. Interesses poderosos e encastelados no Crefito-SP e no Coffito, durante duas décadas, foram destronados. A vontade de vencer e deixar um legado sufocou o medo. Hoje, o Crefito-SP dá passos largos para melhorar a empregabilidade e os serviços prestados à comunidade. Celebramos a conquista de um patrimônio maior que os valores arrecadados e de uma autarquia totalmente operada via web, que está abolindo o uso do papel. Com a casa construída iniciamos uma campanha publicitária a favor das nossas profissões. O segredo desse sucesso foi entender desde o começo que “nossos inimigos perdoam mais facilmente nossos erros que os acertos” e que o foco deveria ser os interesses das profissões que representamos. Prometeram dar o troco, fomos vítima das mais variadas denúncias anônimas feitas aos Órgãos Controladores Externos, tendo sido todas arquivadas por falta de qualquer veracidade. Mais recentemente, o presidente do Crefito-SP sofreu inúmeras denúncias. Um pequeno grupo de profissionais se escondeu atrás do anonimato para atacar vários atos administrativos, como se esses ilegais fossem. Da “Virada da Saúde”, feita pelos Conselhos da Saúde do Estado de São Paulo, para evitar a aprovação do Projeto de Lei

do Ato Médico, à “Calçada Mão da Fama”, uma premiação para marcar os que ajudaram a consolidar nossas profissões nos últimos 40 anos, tudo teria sido ilegal, de acordo com as denúncias. Desde 2004, o Crefito-SP e seu presidente vêm realizando um incansável trabalho: discutindo com prefeitos, secretários de saúde, profissionais, alunos e a sociedade, os novos caminhos para fazermos a virada na administração da saúde, colocando as virtudes dos profissionais a serviço da vida saudável (veja no nosso site o vídeo e o projeto para melhorar a empregabilidade). Para esse grupo de denunciantes, todo esse envolvimento, muitas vezes realizado depois de um dia exaustivo de trabalho, não passou de promoção pessoal. Não contentes em quebrar o sigilo bancário, contábil do Crefito-SP, bem como fornecendo dados de seus funcionários, essas pessoas deturparam esses dados e outros mais para induzir as autoridades a erros. Ao Crefito-SP e ao seu presidente não foi dado o direito sagrado ao contraditório. Felizmente, a Justiça Federal garantiu esse direito e agora se poderá demonstrar as improcedências de cada alegação. Para dar transparência total aos atos administrativos: 1) O presidente do Crefito-SP disponibiliza o seu sigilo fiscal, bancário e telefônico às autoridades, desde que assumiu o comando da autarquia; 2) O Crefito-SP presta contas ao TCU e ao Coffito; 3) O Crefito-SP dá ampla publicida-

de aos seus atos no site www.crefitosp. gov.br e no Diário Oficial da União; 4) O Crefito-SP tem insistido e pedido aos conselheiros e profissionais que fiscalizem a autarquia. Qualquer profissional pode visitar a sede do Crefito-SP e pedir vista de qualquer documento econômicofinanceiro da autarquia; 5) O Crefito-SP solicitou ao TCU que faça uma auditoria na autarquia no período de 2004 a 2010. Todos os processos administrativos dos profissionais e empresas já foram digitalizados e encontram-se disponíveis, via web, na área de cada profissional. Agora o Crefito-SP está digitalizando os processos econômico-financeiros e os licitatórios para que os profissionais possam exercer um controle social absoluto sobre a autarquia, também via web. 2011 será um ano de eleições no Crefito-SP. A organização política dos profissionais fortalece a instituição. Da vontade soberana de cada um, através do voto, devem sair nossos representantes. A sociedade não tolera aqueles que pensam em chegar ao poder por vias escusas. Mais trabalho a favor da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional será a resposta aos que se escondem no anonimato, para tentar ceifar um trabalho aplaudido pelos profissionais e pela sociedade.

Um Feliz Natal para todos e um 2011 cheio de paz, prosperidade e muita justiça.


ações informações

inform Anuidade 2011

Fique atento às opções para pagamento:

Em janeiro, o Crefito-SP encaminhará dois boletos:

1º vencimento 31/01 R$ 278,10 10% de desconto Para receber as demais opções, basta não pagar a anterior 2º vencimento 28/02 R$ 293,55 5% de desconto 3º vencimento 31/03 R$ 309 valor é integral*

Parcelar em três vezes 1ª parcela 31/01 R$ 103

Atenção!

Somente pague a opção que escolher, a outra será desconsiderada. Não pague as duas!

As demais parcelas serão enviadas nos meses seguintes 2ª parcela 28/02 R$ 103 3ª parcela 31/03 R$ 103

Situação OK!

* Valor da anuidade de 2011 fixada pela Resolução Coffito nº 379/2010

//Contato:

Veja mais informações pelo site: www.crefitosp.gov.br ou ligue: (11) 3252-2345 Email SeGer srp@crefitosp.gov.br / sre@crefitosp.gov.br Financeiro financeiro@crefitosp.gov.br Ouvidoria ouvidoria@crefitosp.gov.br Novo Telefone da Sede (11) 3252-2255 Endereço Rua Cincinato Braga, 277 Bela Vista - CEP 01333-011 São Paulo-SP

Subsedes Os profissionais do interior do Estado devem entrar em contato com a subsede mais próxima de sua cidade: Campinas (19) 3295-9361 Marília (14) 3454-4827 Presidente Prudente (18) 3916-6919 São José do Rio Preto (17) 3212-9381 Ribeirão Preto (16) 3635-8307 Santos (13) 3225-7670 São José dos Campos (12) 3911-9022

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Revista CrefitoSP - Ano 7 Edição 4