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EDIÇÃO 17 - GOIÂNIA, JUNHO DE 2015

Imóveis comerciais Cenário e perspectivas do segmento imobiliário. Empresários e corretores de imóveis compartilham estratégias para driblar as adversidades do mercado.

INTERIOR

Anápolis: o 22º maior importador do Brasil e os reflexos do desenvolvimento no mercado imobiliário

PROSPECÇÃO DE CLIENTES Tudo sobre a técnica que abre as portas para novos negócios

MAPA DE REGIÕES

Da fundação como Bairro Botafogo à consolidação como Setor Universitário

CRECI-GO CONSELHO REGIONAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS 5ª REGIÃO / GO


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PALAVRA DO PRESIDENTE

Programa de Qualidade Imobiliária O SISTEMA COFECI/CRECI, de acordo com a Lei 6530/78, é o órgão de fiscalização do exercício da profissão do corretor de imóveis, bem como das imobiliárias, e deve zelar pela qualidade dos serviços prestados pelos inscritos. É notório que, no mundo de hoje, a permanente atualização do conhecimento, para que haja uma prestação de serviço com qualidade à sociedade, é um objetivo que deve ser alcançado pela empresa e pelos profissionais. Somos conhecedores que a globalização trouxe para o mercado imobiliário brasileiro, uma desigual concorrência internacional. E para que os profissionais e as empresas possam fazer frente é preciso que haja uma qualificação e estejam preparados para as mudanças que ocorrem constantemente. Preocupado e atento ao mercado, o Sistema Cofeci/Creci criou o PQI, Programa de Qualidade Imobiliária, através da Portaria Cofeci 1363/15, que deverá ser implantado em todos os estados da federação, com o intuito de atualizar os conhecimentos na área, colocando os profissionais e as empresas no mesmo nível dos concorrentes internacionais. Esse Programa vai contemplar um amplo leque de ações para aqueles que dele participar, pois será um processo de melhoria contínua das ações profissionais ou empresariais, facilitando a integração entre os envolvidos e aqueles que operam no mercado imobiliário. Para aqueles que aderirem ao programa, além de poderem conquistar o ISO 9001, receberão os selos Bronze, Prata e Ouro e passarão a fazer parte do Cadastro Nacional de Empresas Certificadas, no sítio do Cofeci e do Creci local. Conclamamos os empresários, bem como os profissionais, para que possam aderir ao PQI, pois o conhecimento não tem fim, a educação é continuada, por isso é necessário que, dia após dia, haja a atualização do conhecimento. Para aqueles que interessarem, devem procurar o Creci de sua base e aqueles que quiserem conhecer a Resolução do Cofeci 1.363/2015, deverão acessar o QR-CODE abaixo:

OSCAR HUGO MONTEIRO GUIMARÃES presidente do Creci de Goiás, diretor pedagógico do COFECI, e coordenador de implantação do PQI no Brasil crecigo@crecigo.gov.br

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SUMÁRIO expediente

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ENTREVISTA

CAPA

Jean Jardim fala sobre a intelectualidade e a busca do conhecimento científico

Imóveis comerciais: ofertas em alta e salas vazias

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INTERIOR

MAPA DE REGIÕES

Anápolis: polo industrial, logístico e educacional

Setor Universitário: educação, lazer e saúde em um único lugar

ARTIGO 6 40 + QUE CORRETOR O perigo da dispensa de certidão cível A fraude na venda de imóvel urbano O Cadastro Ambiental Rural e o corretor de imóveis

DE OLHO NA LEI 14

Agenda legislativa dos corretores de imóveis As mudanças no financiamento imobiliário

41 FISCALIZAÇÃO Creci-GO inova com fiscalização eletrônica 42 DIRETO DO CRECI

Simpósio sobre Ciências Imobiliárias Semana Cultural prestigia artistas goianos Conselho leva qualificação ao interior Conciliação profissional

PARCEIROS 20

VOCABULÁRIO DO CORRETOR 22

CULTURA & LAZER 23

PROFISSÃO 30

A arte de prospectar clientes Parceria imobiliária: dividir para realizar mais vendas

44 SOCIAL 45 CRECI NA MÍDIA 46 PARA REFLETIR

EXPEDIENTE O Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 5ª Região-GO é uma autarquia federal de disciplina e fiscalização da profissão de corretor de imóveis. Regulamentada pela Lei Federal 6.530/1978 Endereço: Rua 56, Nº 390, Palácio dos colibris, JARDIM GOIÁS, goiânia-GO - CEP: 74810-240 - Fone/ fax: 62 3236-7350 - Homepage: www.crecigo.gov.br, E-mail: crecigo@crecigo.GOV.br Diretoria: OSCAR HUGO MONTEIRO GUIMARÃES, EDUARDO COELHO SEIXO DE BRITO, RAFAEL NASCIMENTO AGUIRRE, JUSCEMAR ANTÔNIO DE OLIVEIRA, JACKSON JEAN SILVA, WÁLTER SÃO FELIPE, JAIR REIS DE MELO. Conselheiros: ANA MÔNICA BARBOSA DA CUNHA, ANTÔNIO ALVES DE CARVALHO, ANTÔNIO ROSA DE MESQUITA, ANTÔNIO SPINETTI ALVES, CARLOS CÉSAR LEMOS DO PRADO, EDUARDO COELHO SEIXO DE BRITO, ELMO MONTEIRO CLEMENT AGUIRRE, FRANCISCO CARLOS LOBO, GERALDO DIAS FILHO, JACKSON JEAN SILVA, JAIR REIS DE MELO, JOÃO BENICIO GOMES, JOÃO PEDRO VIEIRA, JOSÉ MACHADO RESENDE, JOSÉ MÁRCIO MOREIRA SANTOS, ANTÔNIO DE OLIVEIRA, lEANDRO DAHER DA 4 |JUSCEMAR Painel Imobiliário

COSTA, LUIS CLEMENTE BARBOSA, MARCIO ANTONIO FERREIRA BELO, MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA, MARIA FRANCISCA ALVES CARVALHO, OMAR ATAÍDES DE CASTRO, OSCAR HUGO MONTEIRO GUIMARÃES, RAFAEL NASCIMENTO AGUIRRE, RICARDO ALVES VIEIRA, WALTER SÃO FELIPE, WILDES MARCOS FAUSTINO. Suplentes: ADEMIR SILVA, ANDRÉ LUIZ FRANÇA DE MELO, ALEXANDRE GUIMARÃES ROSA DE MOURA, CELSO MONTEIRO BARBUGIANI, CÉSAR FELICIANO DE OLIVEIRA, CLAUDIO GONÇALVES DE ARAUJO, EDGARD FURTADO MARTINS, EVALDO EULER DUARTE DE ALMEIDA, FRANCISCO LUDOVICO MARTINS, HELDER JOSÉ FERREIRA PAIVA, ISMAILDE GOMES DA SILVA, JOSÉ HUMBERTO MARTINS VIEIRA CARVALHO, JOSÉ VIRGÍLIO FERREIRA FILHO, LUCIMAR ALVES ELIAS, LUIZ ANTÔNIO DO NASCIMENTO, LUIZ ANTÕNIO MADY, MARGORETH ALVES DE CASTRO GUIMARÃES, MARIA APARECIDA DIONÍSIO, MURILO SOUSA DE ANDRADE, NEILA ETERNA DE MORAES NASCENTE, PEDRO ANTÔNIO COTECHESKI BOBROFF, RODRIGO PAULLUS BARRETO MACHADO, RONALDO ODORICO VEIGA, SAUL PEREIRA DA COSTA, VALGMAR DOMINGOS TAVARES, VALONI ADRIANO PROCÓPIO, VERONDE ANTÔNIO DE OLIVEIRA.

A Revista Painel é uma publicação do CRECI-GO ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO: Thaysa Mazzarelo e caROLINA DINIZ Diagramação: Neide Ataíde - GO-2690 JD REVISÃO ORTOGRÁFICA: Isa Daher COMERCIAL: OBJETIVA COMUNICAÇÃO E MARKETING - objetivacomercial@ig.com.br Revisão jurídica: FERNANDO DE PÁDUA - OAB 17840 Tiragem: 15.000 exemplares Fotolito e impressão: FLEX GRÁFICA As opiniões expressas nessa publicação são de exclusiva responsabilidade de seus autores e não refletem, obrigatoriamente, a opinião deste Conselho

www.crecigo.gov.br imprensa@crecigo.gov.br


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ARTIGO

O perigo da dispensa de certidão cível E

m um momento histórico, em que nossa profissão se torna cada vez mais jurídica do que comercial, observa-se uma prática perigosa e negligente com repercussão patrimonial imediata às partes envolvidas em uma transação imobiliária, não só para o comprador, mas também para o corretor de imóveis intermediador da mesma, que é a dispensa da certidão do Cartório Cível Distribuidor. Tal cenário apresentado pode ser constatado com o que vem ocorrendo em diversas transações imobiliárias, onde as partes têm sido orientadas por alguns cartorários, despachantes e por alguns corretores de imóveis a dispensá-la, tendo inclusive uma declaração formal pronta já digitada, bastando apenas o comprador assinar, com a alegação de ser uma exigência irrelevante a apresentação desta para a lavratura de escritura. Como corretor de imóveis, conselheiro do CRECI-GO e atual coordenador da Comissão de Ética e Fiscalização Profissional (CEFISP), vejo a preocupação em alertar os corretores de imóveis acerca desta armadilha que esta dispensa representa. O primeiro prisma a ser abordado é o aspecto ético disciplinar, pois ao deixar de apresentar a respectiva certidão, o profissional incorre em conduta infracional ética tipificada no artigo 4º Incisos I, II e III da Resolução 326/92: "Cumpre ao Corretor de Imóveis, em relação aos clientes: I - inteirar-se de todas as circunstâncias do negócio, antes de oferecê lo; II - apresentar, ao oferecer um negócio, dados rigorosamente certos, nunca omitindo detalhes que o depreciem, informando o cliente dos riscos e demais circunstâncias que possam comprometer o negócio; e III - recusar a transação que saiba ilegal, injusta ou imoral, que em caso de denúncia junto ao CRECI-GO, pode impor ao profissional multa pecuniária de até 04 (quatro) anuidades no caso de ser o denunciado primário".

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Analisando a dispensa desta sobre o aspecto cível, o corretor de imóveis, por força da previsão legal expressamente contida no artigo 723 do Código Civil Brasileiro, que versa que “o corretor é obrigado a executar a mediação com diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio. Deve ainda, sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência”. Tal dispositivo cumulado com o disposto no Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 14, §4º, que versa acerca do dano causado por prestador de serviço, e artigo 927 do Código Civil Brasileiro que versa acerca da obrigação civil de reparar os danos causados. Por mais que pareça exigir conhecimento jurídico, além do que esteja ao alcance do profissional corretor de imóveis, tais observações visam alertar o mesmo de que sua omissão na apresentação da certidão do imóvel pode ensejar em uma fraude a credor ou até mesmo a uma fraude a execução e levar este profissional a responder com seu patrimônio, seja ele físico-monetário ou imaterial, que seria a sua honra e condição de primariedade junto a seu conselho regulador-fiscalizador. Desta forma, conclui-se que a apresentação desta nas transações imobiliárias consiste na defesa do patrimônio do cliente-comprador, na defesa das prerrogativas coletivas da categoria e, sobretudo, na defesa do patrimônio e carreira do profissional. Logo, meu caro colega corretor de imóveis, jamais, em hipótese alguma, dispense a certidão do cartório distribuidor cível-criminal nas transações que realizar. Resguarde seu cliente, defenda sua categoria, resguarde seu patrimônio e imagem profissional e boas vendas!

Edgard Furtado Corretor de Imóveis Creci n°º 10006, 5aª Região


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Goiânia

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ENTREVISTA

Emissário do conhecimento Goiano, membro da rede acadêmica La Internacional del Conocimento, Jean Jardim inseriu Goiânia no cenário internacional de discussões da comunidade científica da América Latina e Caribe

A

rticulista, congressista, escritor, palestrante e até poeta. Jean Jardim acumula atribuições, mas tem como principal papel o de divulgador do conhecimento. Integrante de rede de conhecimento da Universidade de Santiago, Internacional do Conhecimento e do Diálogos do Mercosul, o goiano, que representa Goiás na América Latina, criou em Goiânia evento que visa compartilhar, com os países vizinhos do Brasil, a cultura goiana e os conhecimentos científicos, entre eles a Ciências imobiliárias. Em entrevista à Painel Imobiliário, Jean Jardim fala sobre como despertou o interesse pela intelectualidade e explica sobre os eventos que promove para difundir o conhecimento na América Latina, especialmente em Goiás.

em eventos que acontecem a cada dois anos. Em 2008 foi a primeira edição, com aceitação fecunda. Depois disso, o professor Dr. Carlos Túlio de Medeiro, que está ligado ao comitê, e eu pensamos que poderia ser diferente, não só um evento fixo em Santiago, mas que pudesse caminhar na América Latina e Caribe. Assim, ele surgiu com essa ideia itinerante, com o nome de Diálogos do Mercosul, com várias atividades entre esses dois eventos, que compõem o Encuentro de las Ciencias Humanas y Tecnológicas para la Integracion en la America Latina y Caribe (ECHTEC), já realizado em 2011 em Pelotas (RS), em 2013 em Bogotá (Colômbia) e em maio de 2015, em Goiânia (GO).

Como iniciou seu interesse pela educação e o conhecimento? Começou quando descobri a Rede Internacional do Conhecimento em um evento internacional do qual participei em Buenos Aires, na Universidade Austral, e depois, na Universidade Católica de Santa Fé. A Internacional do Conhecimento, idealizada pelo filósofo chileno Eduardo Devés, tem o propósito de criar uma rede acadêmica para integração do conhecimento, que vem discutindo de forma constante essa integração

No que consistiu o ECHTEC? O evento reuniu mais de 13 países, 104 instituições e movimentou uma discussão constante por essa busca de integração latino-americana. Essa integração é mais do que urgente e necessária, faz com que a gente discuta em um mesmo espaço todas as áreas de conhecimento. Quando falo de integração, falo de uma integração genuína, de um diálogo constante e profundo sobre questões que envolvem a América Latina. Nós não podemos dissociar todas as áreas do conhecimento. É

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um diálogo entre ciências distintas em um mesmo espaço, com pessoas distintas, de distintos países discutindo essas questões pertinentes à integração. O evento contou com a realização de mais de 50 simpósios sobre variados temas, conferências e mesas de discussão. Por que trazer a terceira edição do Encontro para Goiânia? Como orador de Goiás, defendi nossa capital como sede do evento na edição de Bogotá. Em detrimento de outras cidades candidatas, por maioria de votos, conseguimos trazer o evento para Goiânia. O objetivo é colocar Goiânia e o Estado de Goiás no cenário de ‘grandes pensares’ para uma eficaz e profícua integração intelectual latino-americana. Além dos simpósios, quais outras atividades aconteceram no III ECHTEC? Tivemos a Ars Gratia Artis - Exposição de Artes de artistas locais, cuja curadoria foi respondida pelo Artista Plástico Elifas Modesto, do Mosarte e a Intellectus - Feira do Livro de cogressistas e escritores de Goiás e do Brasil, sob a curatela dos escritores Getúlio Targino, da Academia Goiana de Letras; Elisabeth Fleury, da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás; Edival Lourenço e Vanderlan Domingos, da União Brasilei-


ra de Escritores – Seção de Goiás. E ainda, no encerramento do evento, tivemos a sessão de homenagem para destaques na cultura, ciências, política de Goiás e colaboradores do III ECHTEC GOIÂNIA 2015.

de estabelecer uma integração com aqueles que vêm ao evento, que vão lançar suas obras, que vão relançar seus pensamentos em livro, para que estejam dialogando com aqueles que estão fazendo isso aqui no Estado.

Por que essa integração com as artes e os livros? Entendemos que se quisermos conhecer um povo, precisamos fazer uma etnografia na cultura desse povo. E para tanto, é preciso entender o que faz parte da cultura desse povo. A cultura é uma mistura de tudo que existe na sociedade, das artes, da poesia, da política, da filosofia, tudo aquilo que envolve as raízes, que mantém a identidade desse povo. E resgatar os artistas de Goiás, do Brasil e da América Latina para essas discussões é uma busca ousada, mas necessária. E a Feira do Livro, nós realizamos com esse intuito

Está previsto outro evento para novembro. Qual e como será organizado? Nós conseguimos trazer o III ECTHEC para Goiânia e ficamos pensando: o evento vai passar por aqui e talvez nunca mais volte. Como nós ficaremos nesse processo de integração? Em um dos dias iluminados eu tive a ideia e criei uma outra rede, dentro dessas duas redes, porque todo esse movimento é feito por redes que utilizam a rede mundial de computadores como primeiro momento de discussão. A Internacional já tem quase meio milhão de pessoas se ligando, discutindo em vários países, o Diálogos do Mercosul já tem 200

mil pessoas conectadas. E nós criamos a rede Américas em Foco, para ter Goiânia como referência nessas discussões e trazer esse pensamento para a nossa realidade. Em menos de 2 meses, já temos muitas pessoas de vários países, e todos os dias mais pessoas se interessam pelo nosso movimento. Já temos a aceitação da Colômbia, Costa Rica, Bolívia, Peru, Argentina, Venezuela, Equador, entre outros vários países. Dentro do Américas em Foco nós criamos o primeiro evento que acontecerá entre os dias 19 e 21 de novembro, chamado ELAC (Encontro Latino Americano de Culturas). Nesse momento, nós queremos de fato e de direito fazermos uma integração e usamos o mote 'Goiás pensa a América Latina'. Nós queremos que isso seja constante, não só aqui mas em vários pontos da América Latina, que tenhamos a participação de Goiás.

É a primeira vez que discutiremos Ciências Imobiliárias nos simpósios e isso muito me agrada. É importante discuti-la por causa dessa realidade que o Brasil vive.”

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O objetivo é colocar Goiânia e o Estado de Goiás no cenário de ‘grandes pensares’ para uma eficaz e profícua integração intelectual latino-americana.” Entre os diversos simpósios do ELAC, haverá um Simpósio sobre Ciências Imobiliárias. Qual a importância de discutir sobre essa ciência? É a primeira vez que discutiremos Ciências Imobiliárias nos simpósios e isso muito me agrada. É importante discuti-la por causa dessa realidade que o Brasil vive. O Brasil é um país novo que tem deficiências habitacionais e se tem essas deficiências, se tem a necessidade de criar edificações, tem a necessidade de vender as edificações. Nesse momento, entra o papel que vocês exercem muito bem, de corretor imobiliário. E discutir essas temáticas, não só no âmbito local, mas nacional e latino-americano e caribenho é fundamental. Por isso, quando o presidente do Creci trouxe essa possibilidade que agora já é realidade, nós ficamos muito felizes. Além do compartilhamento dos conhecimentos, qual legado esse evento pode deixar para os corretores de imóveis? Negócios. Ele gera relacionamentos no primeiro momento, que é fundamental, as pessoas se conhecem e conhecem as ideias dos outros. Mas queremos que a América Latina conheça o que os corretores de Goiás pensam, assim como uma via de mão dupla, nós precisamos conhecer também o que é pensado no âmbito da corretagem da América Latina e Caribe. No primeiro momento, o evento proporciona uma integração por afinidade de ideias e depois, os negócios. Nós queremos celebrar negócios, queremos fazer parcerias para fazer com que os negócios aconteçam, porque o Brasil hoje, Goiânia principalmente, está aberta ao mundo para investimento imobiliário. É importante que alguém, por exemplo, da Costa Rica que queira investir em Goiás, ou alguém de Goiás que queira investir na Costa Rica, Venezuela, tenha essa oportunidade para, de forma mais ligeira, celebrar esses negócios. O evento é para relacionamento, mas também é para negócios e, acima de tudo, é para pensar o conhecimento. Quem e como pode participar do evento? Toda comunidade acadêmica, profissionais de todas as áreas do conhecimento e amantes do saber podem participar. As inscrições seguem o protocolo da Convocatória, para quem deseja apresentar artigos, partindo da submissão do resumo e artigo completo aprovado pelos coordenadores de cada um dos simpósios aprovados. Para quem quer participar apenas como ouvinte, deve escolhe um dos simpósios e se inscrever a qualquer momento, pois as inscrições estão abertas e, em alguns casos, poderão ser feitas no dia do evento. A sugestão é que façam assim que estiverem disponíveis para garantir a vaga.

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APROVEITE!

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ARTIGO

A fraude na venda de imóvel urbano E

m conformidade com a Lei do Registro Público (Lei 6.015/73), os imóveis são identificados por matrícula única com a descrição do perímetro que possibilite identificar sua área. Começa aqui um dos primeiros cuidados a ser tomado na aquisição de um imóvel, pois, na matrícula podem incidir uma ou mais das 42 (quarenta e duas) situações de registros e 30 (trinta) situações de averbações (Art. 167). Essas situações precisam ser analisadas pelo adquirente comprador, pois podem indicar ser o negócio juridicamente desaconselhável, pela incidência de gravames permanentes ou temporários de direitos de terceiros, dentre eles, o bem de família, a hipoteca, contrato de locação, existência de usufruto, usucapião ou alienação fiduciária. Quanto à matrícula, outro cuidado refere-se a certidão que deverá ser de inteiro teor, inclusive das certidões das matrículas antecedentes. Isso possibilitará a contextualização geográfica do imóvel, com sua cadeia dominial. Na compra direta ou através de imobiliárias ou corretores de imóveis, não basta a quitação de débitos atrasados como IPTU, ITU ou mesmo ITR para uma transferência segura da propriedade. É preciso verificar a historicidade dos vendedores e conhecer seus familiares, inclusive com a observância da cadeia dominial. Grande número de fraudes ocorre via instrumento procuratório, onde o estelionatário se faz passar por outra pessoa. De posse de documento falso é possível obter a chancela até dos tabelionatos na emissão de procurações públicas. Em vários casos, a responsabilidade aqui recai sobre o cartório, mas uma ação de indenização por perdas e danos contra o responsável do tabelionato demanda

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tempo e nem sempre é julgada procedente. O costume descrito no jargão popular “quem não registra não é dono” constitui um risco para o comprador de um imóvel. Pode acontecer de uma transação imobiliária ter sido efetivada mediante contrato de compra e venda, lavrado em cartório de notas ou mesmo via procuração e não ser registrada no cartório competente. Não registrada, nenhum efeito terá perante terceiros. Antes de comprar um imóvel, verifique sempre na certidão de inteiro teor todos os nomes dos antigos proprietários e se existe alguma ação judicial, pois o imóvel pode estar fidelizado para pagamento de dívidas, assim existe a possibilidade do juiz determinar em sentença o bloqueio, a penhora e até a devolução do imóvel para outra pessoa como pagamento de dívida. Caso o proprietário atual tenha comprado o imóvel de boa-fé de terceiros e já tenha edificado benfeitorias no imóvel, este poderá propor ação de retenção por benfeitorias em desfavor da pessoa beneficiaria da decisão do juiz. Cabe, ainda, ação regressiva contra aquele que vendeu imóvel, isso se tal pessoa puder ser encontrada, além, é claro, de ações por danos morais e materiais contra o cartório. Em última instância, a questão da fraude imobiliária transcende a ordem civil para configurar crime contra o patrimônio. Portanto, cabe analisar com cautela a história do imóvel retirando a certidão descritiva de inteiro teor ao invés de requerer a certidão resumida. Verificar nos meios jurídicos se existe ações contra os antigos proprietários que mencionem na ação a alienação deste imóvel e ter muita cautela na compra de imóvel por procuração.

Arquivo pessoal

Alguns cuidados para evitá-la

JULIANA TATAGIBA FERREIRA ASSUNÇÃO Corretora e Avaliadora de Imóveis. Trabalha no escritório Daniel Alvarenga & Advogados Associados, desde 2010. Bacharel em Direito especialista em Direito Civil, Imobiliário, Negocial e Docência Jurídica. Técnica em Contabilidade. Membro no ano 2012/2013 da Comissão de Ética e Fiscalização Profissional (CEFISP) do CRECI/GO. Voluntária (Assistente de Juiz) e Conciliadora das Varas na Justiça Federal do 14o Juizado Especial Federal Cível de Goiânia, 5oº e 11oº Vara Criminal Federal em 2006 e 2007. Assistente Administrativo de Juiz na Banca Permanente de Conciliação de 1oº e 2oº Grau do Tribunal de Justiça de Goiás de 2007 a 2009.


ARTIGO

O Cadastro Ambiental Rural e o Corretor de Imóveis Para a regularização das propriedades que tem passivo ambiental nas áreas de Reserva Legal, existe a possibilidade da compensação, apenas para as áreas consolidadas, ou seja, abertas anteriormente à 22 julho de 2008. Nesse caso, as áreas de RL podem ser compensadas como extra pro-

priedade (desde que no mesmo Bioma e dentro do Estado de Goiás), aquisição de cotas de reserva ambiental (CRA), arrendamento de área sob regime de servidão ambiental ou até mesmo doando outra área em Unidade de Conservação. Nessas formas de compensação, por apresentar possibilidades de compra e venda de propriedades, para as regularizações ambientais, faz-se interessante o papel do corretor de imóveis. Sendo ele capaz de apresentar ao produtor rural propriedades que possibilitem sua regularização ambiental, facilitando a negociação, principalmente, por apresentar conhecimento das legislações ambientais que afetam diretamente o produtor rural e a propriedade em questão.

Arquivo pessoal

O

CAR – Cadastro Ambiental Rural, é uma ferramenta criada pelo novo Código Florestal Brasileiro Lei 12.651/2012, e teve sua regulamentação em maio de 2014, com a Instrução Normativa nº 02/MMA. O CAR é um registro público e eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais. A finalidade dessa ferramenta é a integração das informações ambientais, para compor um banco de dados auxiliando, principalmente, no controle dos desmatamentos ilegais (abertura de novas áreas sem as licenças ambientais necessárias). O CAR tem o prazo de um ano para ser requerido, após sua regulamentação, que se deu em 6 de maio de 2014, podendo ser prorrogado por mais um ano, caso o poder público entenda necessário. O CAR desobriga a averbação de Reserva Legal (RL), ou seja, propriedades inscritas no CAR não precisam mais averbar sua RL junto a matrícula do imóvel. O CAR deve constar os seguintes dados da propriedade: perímetro do imóvel, áreas de interesse social ou utilidade pública, localização de remanescentes de vegetação nativa, áreas de preservação permanente (APP), áreas de uso restrito, áreas consolidadas e localização da Reserva Legal (RL). Tendo em vista o nível de informações técnicas que o cadastro deve conter, o produtor rural deve procurar fazê-lo da forma mais responsável possível, checando as informações e medidas a campo, quando necessário, para não ter o CAR cancelado no futuro. Hoje, o proprietário que deseja adquirir, vender ou desmembrar terras deve estar inscrito no CAR, pois já é uma exigência legal dos cartórios de registro de imóveis, visto que não existe mais a averbação de Reserva Legal, pois a mesma é declarada no CAR.

Jordana Gabriel Sara Consultora técnica para área de Meio Ambiente do Senar-GO

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DE OLHO NA LEI

Agenda Legislativa dos Corretores de Imóveis Se aprovados, projetos de lei em tramitação podem afetar o mercado imobiliário

O

Sistema Cofeci-Creci realizou, no mês de abril, um levantamento no Congresso Nacional onde concluiu que existem 55 projetos de lei em tramitação que, de alguma forma, podem influenciar na vida profissional do corretor de imóveis e demais personagens envolvidos no mercado imobiliário. A íntegra do levantamento foi compilada na Agenda Legislativa do Corretor de Imóveis, edição 2015, que a instituição lançou para deputados federais e senadores. De acordo com o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva, “o principal objetivo é mobilizar os parlamentares para dar celeridade ao exame de cada uma dessas propostas. Muitos favorecem e outras tantas atravancam o mercado imobiliário.”

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Para facilitar a compreensão do leitor, seja parlamentar ou corretor de imóveis, a autarquia expôs seu posicionamento diante de cada um dos projetos em tramitação, como favorável, contra ou com ressalvas. “Temos PLs que irão alavancar o segmento”, informa Teodoro. Entre eles, o presidente cita a que amplia o uso de recursos do FGTS para financiamentos de lotes urbanizados com fins residenciais (Projeto de Lei 3439/200, de autoria do deputado Cezar Schirmer, do PMDB-RS) e o que prevê a desburocratização da documentação para a concessão de financiamentos imobiliários (PLS 19/2014, de autoria do senador Jorge Afonso Argelo, do PTB-DF). “Um dos projetos, que não foi pensado exclusivamente para o setor imobiliário, mas que ajudará muito o segmento, é o que incentiva empresas a investirem em capacitação profissional (PLC 68/2011), de autoria do deputado Enio Bacci (PDT-RS). A atualização constante de conhecimento é uma das necessidades, e das bandeiras que empunhamos, para os profissionais do nosso segmento”, acrescenta o presidente Teodoro. A Agenda Legislativa do Corretor de Imóveis versa sobre o Simples Nacional, financiamento imobiliário, locação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), registro de imóveis, consumidor, tributação, entre outras proposições de maior relevância.

Confira alguns

projetos:

P FGTS para obras de acessibilidade em imóvel próprio P PL que fixa o valor da contribuição sindical anual P PL que estabelece a incidência de multa no caso de atraso na entrega do imóvel por parte da construtora

P Preferência na aquisição de imóveis por parte do locatário P Aquisição de imóveis rurais por usucapião P Proibição de regras contratuais para atrasos na entrega de imóveis


A Caixa Econômica Federal tomou medidas que podem dificultar a vida do brasileiro na compra da casa própria. Em abril, foram reajustadas novamente as taxas para financiamento de imóveis residenciais contratados com recursos da poupança (SBPE) no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O primeiro aumento já havia sido aplicado em janeiro deste ano. Em menos de duas semanas, a Caixa anunciou três medidas consideradas desfavoráveis aos interessados em adquirir um imóvel. Reduziu o limite de financiamento para imóveis em geral de 90% para 80% e elevou a taxa de juros. Diante da escassez de dinhei-

Imóveis usados

ro por causa da queda nos depósitos da caderneta de poupança, o banco foi mais radical e derrubou de 80% para 50% o limite de crédito para quem quiser comprar um imóvel usado dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH); e de 70% para 40% para imóveis usados enquadrados no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). Em virtude da decisão da CEF, o Banco do Brasil e os bancos privados também resolveram elevar as taxas. O BB foi o primeiro a manifestar as alterações, elevando as taxas de 9,9% para 10,4%. Na sequência, o Santander subiu de 9,6% para 10,1%. O Bradesco pratica juros mais baixos, mesmo com a altera-

A mudança imposta pela Caixa começou a valer a partir do dia 4 de maio, quando o limite máximo de financiamento para compra de imóveis usados passou de 80% a 50%. De acordo com o superintendente executivo Cleomar Dutra Ferreira, o argumento é a mudança de foco. “Para a Caixa, 2015 é o ano de preparar para crescer em 2017. A prioridade do banco, no segmento habitacional para este ano, será o financiamento de habitação popular, custeada em sua maior parte pelo FGTS. No caso da habitação de mercado, que utiliza recursos da Poupança, a prioridade tem sido o financiamento de imóveis novos, enquadráveis no Sistema Financeiro da Habitação (SFH)”, explica. Na maioria dos estados, o total a ser financiado será reduzido para os imóveis entre R$ 190 mil até R$ 650 mil. No Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o valor do imóvel pode chegar a R$ 750 mil. Em qualquer uma dessas situações, o comprador poderá utilizar o dinheiro que tem na conta do FGTS, já para casas ou apartamentos acima de R$ 750 mil, em que o FGTS não pode ser usado, o consumidor poderá financiar apenas 40% do valor do imóvel. Com as mudanças, quem comprar um imóvel usado pelo SFH terá que dar uma entrada de no mínimo 50% e financiar a outra metade. Antes, a entrada mínima era de 20%. No caso do SFI, o valor mínimo da entrada passará a ser de 60%, para o consumidor financiar os outros 40%. Na avaliação dos economistas, a redução nos limites de financiamento faz uma diferença enorme no planejamento da população de renda menor, pois aumenta o custo total do imóvel e o tempo necessário para ter o dinheiro da entrada. Bancos privados e consórcios passam a ser atraentes para quem persistir na ideia de comprar um imóvel.

Foto: Divulgação

As mudanças no financiamento imobiliário

O superintendente executivo da CEF, Cleomar Dutra, esclarece sobre as novas taxas de financiamento

ção da taxa de balcão de 9,6% para 9,8%, no financiamento de imóveis de até R$ 750 mil. O Banco Itaú não divulgou seus reajustes, mas anunciou a redução do percentual máximo de financiamento, de 80% para 70%. O aumento da taxa Selic foi um dos motivos alegados pelos bancos para elevar os juros.

Imóveis novos

Pela segunda vez no ano, a Caixa Econômica Federal aumentou a taxa de juros para os financiamentos novos da casa própria. Para quem não é cliente do banco, a taxa subiu para 9,45% ao ano, enquanto os clientes deverão arcar com 9,30% ao ano. De acordo com a Caixa, as novas condições passaram a valer para financiamentos concedidos a partir de 13 de abril. A alteração foi feita "por motivo do aumento das taxas básicas de juros", segundo Cleomar Dutra. De acordo com a informação, o dinheiro do FGTS usado no financiamento que não sofreu aumento da taxa não é o do trabalhador que está tendo seu imóvel financiado, mas vem do montante global depositado no banco. Já os financiamentos que são feitos com recursos da poupança sofreram aumento nas taxas de juros. Nesse caso, o dinheiro utilizado no financiamento também não vem da conta do trabalhador, mas das poupanças que fazem parte do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE).

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CAPA

Imóveis comerciais:

ofertas em alta e salas vazias diante do cenário, Mercado exige estratégias DOS EMPRESÁRIOS E CORRETORES DE IMÓVEIS

I

nvestir em imóveis comerciais: até quando vale a pena? Segundo a pesquisa do Depami, somente no ano de 2014, haviam 24 prédios comerciais em Goiânia com salas novas, ou seja, nunca usadas. Devido a grande demanda que existia por volta de 2010, muitas construtoras investiram neste modelo de empreendimento. No início, as vendas superaram as expectativas, o que impulsionou o mercado a lançar mais produtos voltados para o comércio. No entanto, o cenário atual apresenta um descompasso, onde a oferta é maior que a demanda. Com a crise econômica que o país enfrenta, a situação se agrava. Cada vez mais salas estão sendo desocupadas ou permanecem à espera do primeiro interessado. Para o diretor de negócios João Antônio Guerra Neto, a situação era, de certa forma, esperada, já que “o mercado de imóveis comerciais funciona em um ciclo de cinco a seis anos”. No entanto, não se imaginava que as condições financeiras de toda população fossem se complicar. “Agora, é preciso aguardar um reequilíbrio entre ofertas e demanda. O momento é de oportunidade, pois, com a quantidade de imóveis disponíveis, é possível escolher a melhor opção, com a melhor estrutura e com soluções para a empresa”, sugere Antônio. O proprietário de imobiliária e diretor comercial, Juliano Maia, explica

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que a adversidade não atinge todas as salas comerciais, mas sim aquelas com metragens menores, entre 30 e 45 metros quadrados. “Imóveis de meia laje, ou uma laje, têm liquidez melhor, pois estão sendo menos ofertados e atraem mais interessados”, comenta. Com quase 60 imóveis comerciais, a imobiliária possui 20 disponíveis para aluguel ou venda. Para não deixar seus clientes com salas fechadas, Juliano conta que investiram na divulgação pela internet e outras estratégias. “O cliente sabe que o cenário está complicado, então recomendamos que ele abaixe o valor do aluguel ou proponha alguns benefícios como desconto em salas sem acabamento ou período de carência para o locatário”, detalha o diretor, que possui mais uma carta na manga. Quando existe mais de uma sala disponível no mesmo andar de um prédio, Juliano negocia com os outros proprietários para que possam unir as salas, transformando em uma só, com espaço maior, para atender as necessidades dos clientes. Juliano acredita que a situação possa piorar, já que alguns empreendimentos em construção ainda não foram entregues, então a oferta pode aumentar. Marcelo Machado, outro proprietário da imobiliária, afirma que para conseguir emplacar os negócios, o corretor tem que conhecer bem a respeito do imóvel e ressaltar os diferen-

ciais que os prédios oferecem, como salas de reunião comunitárias, equipamentos de vídeo conferência, hall de entrada com portaria, sistema de segurança, heliponto, entre outros. “É preciso atender as particularidades de cada empresa na hora de oferecer uma sala, como galpão de estoque para empresas de logística, estacionamento, proximidade às rodovias ou outras características”, explica Machado. Com a grande oferta no mercado e os preços baixos, os diretores explicam que os clientes dão preferência por salas já prontas, com acabamento, e priorizam também a localização. “No Jardim América temos certa dificuldade para locar, acredito que pela falta de infraestrutura da região. Geralmente o cliente procura algo próximo a grandes órgãos públicos, tais como Fórum e Tribunal Regional do Trabalho. Os demais imóveis apresentam o preço de metro quadrado bem semelhante, mas com localização estratégica, como Setor Marista, Oeste, Jardim Goiás e o Parque Lozandes” comenta Juliano. Segundo ele, os imóveis estão demorando de 6 a 12 meses para alugar, sendo que antes da alta oferta, a média de tempo era de até três meses.


Lançamentos

As placas de "aluga-se" e "vende-se" demonstram as condições do segmento comercial

Mas com a enorme quantidade de salas disponíveis, por que as construtoras continuam lançando empreendimentos comerciais? Segundo o diretor comercial Juliano Maia, é possível perceber que já houve uma redução de lançamentos e que as construtoras devem frear ainda mais, para que a oferta diminua e o público possa ocupar os imóveis vagos. No entanto, os diretores concordam que se algum produto diferenciado for lançado, os investidores vão se interessar. Para Marcelo, “a localização também deve ser observada para garantir o sucesso das vendas.” Com uma proposta diferente, um empreendimento foi entregue recentemente em uma localização estratégica do Jardim Goiás. O representante da região, o diretor João Antônio, conta que o objetivo era oferecer praticidade em todos os sentidos. “O público quer morar bem, perto de áreas de lazer e também contar com diversos serviços sem precisar se deslocar pela cidade. A proximidade com a rodovia também motivou os compradores”, afirma. De acordo com João, este conceito de multiuso, torre comercial junto com torre residencial, caiu no gosto da sociedade e a aceitação é mostrada pelo sucesso das vendas. “Infelizmente, com a situação atual do país, tivemos alguns distratos inesperados, mas a quantidade de unidades disponíveis ainda é muito baixa”, conta. Atento à situação do mercado, às demandas e às necessidades da sociedade, o diretor comercial Rodrigo Meirelles parece estar no caminho certo. A construtora, da qual é sócio, possui um lançamento de conceito parecido. Com praticamente 600 unidades, entre comerciais, residenciais e corporativas, o projeto de mixed-use garantiu 98% das vendas do mais novo imóvel do Jardim Goiás. De acordo com Rodrigo, alguns anos atrás não existiam ofertas de salas de 150m² e hoje há uma demanda para este tipo de imóvel. “A razão de não existir é que o movimento cultural de tirar as empresas das casas e mudar para prédios, é algo novo, tendência rePainel Imobiliário

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cente. Ainda é comum encontrar escritórios de advocacia e consultórios em casas, mas hoje a situação está mudando”, explica. Apostar no mixed-use, no entanto, depende muito do projeto da localização, não é o produto ideal para qualquer área. “O mixed-use depende da fase em que o bairro se encontra. Se o lugar estiver carente de serviços, por exemplo, instalar um complexo comercial com lojas, pode atrair esses serviços e mais consumidores”, completa. Sobre a dificuldade de locação das salas comerciais, o diretor acredita que a culpa se deve, em parte, à falta de força de vendas. “Ninguém liga para as pessoas oferecendo salas para

Foto: Fernando Martinho

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Para o diretor de negócios João Antônio, a atual situação do segmento comercial já era esperada

locar. Ninguém te incomoda fazendo trabalho de oferta ativa de um imóvel comercial. É um trabalho mais difícil, pois o corretor tem que entender do negócio do cliente, do projeto, fazer um estudo de layout etc”, ressalta Ro-

O diretor comercial Rodrigo Meirelles afirma: é tempo de comprar imóveis comerciais

drigo, que concorda também com Juliano em relação à flexibilidade que o proprietário deve ter na hora de abaixar o preço do aluguel para não ficar com a sala vazia. Contrariando a sugestão dos profissionais, Wilson Batista, proprietário de cinco salas comerciais, afirma que não pretende reduzir o valor do aluguel do seu único imóvel desocupado. A sala de 74m², situada em um empreendimento no Setor Marista, está disponível há três meses, com o aluguel de R$2.900 mil. O empresário diz que não vai ceder, pois o preço estipulado, segundo ele, é o mesmo aplicado no ano anterior, ou seja, não sofreu reajuste. “Já considero que estou dando desconto porque não fiz a correção do valor referente ao ano passado”, explica. Para Batista, “a situação está mais difícil, mas deve ser temporária”, porém não pretende adquirir outras salas durante os próximos meses.

Hora de investir O diretor Rodrigo Meirelles aposta que é viável investir no imóvel comercial hoje, considerando que demora em média cinco anos para a conclusão da obra, então a oferta atual já terá sido absorvida. “Todas essas salas disponíveis hoje, serão absorvidas nesse período. Ou seja, quando o empreendimento ficar pronto, você vai estar com o produto certo, na hora certa”, avalia. O pensamento é o mesmo de João Antônio. Segundo ele, é preciso

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olhar o mercado a longo prazo, pois crises vêm e vão. “Goiânia está em processo de maturação da economia, deixando de focar somente no mercado agrário e investindo em outras áreas”, complementa. Seguindo esta linha de raciocínio e observando as áreas com demanda, Rodrigo conta que existe um projeto em andamento para o lançamento de um edifício comercial no Setor Aeroporto. Sem lançamentos similares na

região há mais de seis anos, o diretor acredita que muitos consumidores finais vão se interessar pelo empreendimento. “Os consultórios atualmente não possuem estacionamento, boa aparência ou segurança, e o médico quer estar próximo ao hospital em que trabalha para qualquer emergência, então a gente acredita que este seja um dos principais públicos interessados em adquirir o imóvel”, relata. Além da segurança e da prati-


cidade que os prédios comerciais oferecem, a estética também é um dos motivos que atraem os empresários. Sócia-proprietária de uma empresa de engenharia, Fabiana do Amaral aluga três salas em um edifício do Setor Bueno. A exigência era de que as duas salas juntas tivessem pelo menos 60m² para acolher uma sala de reuniões, mesa da diretoria e a equipe de consultoria. A terceira sala, com a metade do tamanho é ocupada com o pessoal de T.I. Ela conta que a aparência do imóvel foi o que incentivou a mudança do escritório antigo. “Recebemos muitos clientes que vêm de fora de Goiânia e eles se assutavam ao se deparar com uma casa. A gente precisava de um lugar mais bonito, então optamos pelo prédio, que está bem conservado e tem uma apresentação melhor”, justifica. Com o valor do aluguel parecido com outros imóveis, a localização também influenciou, já que o restante da equipe, que realiza menos atendimentos, permaneceu na sede, localizada no Parque Amazônia, que antiga-

mente era uma residência. Na hora de escolher o imóvel, um dos fatores que mais pesou foi a sala já estar pronta, com todos os acabamentos e não precisar de reforma. Há dois anos com as salas comerciais, Fabiana afirma que não pretende permanecer no local por muito tempo. “Compramos um terreno e vamos construir um prédio, onde caiba toda a equipe e tenha uma aparência mais profissional”, conta.

Atualmente, a empresa tem o custo de R$ 2 mil com o aluguel da casa de 350m². Com as três salas comerciais, ela gasta aproximadamente R$ 5 mil, referente ao aluguel e condomínio, ocupando um total de 90m². A construção da nova sede vai permitir que todos funcionários e a diretoria permaneçam no mesmo local e ainda seja possível receber os clientes, mantendo uma boa aparência.

A localização e a aparência do imóvel e do bairro foram fatores cruciais para a empresária Fabiana do Amaral

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PARCEIROS SINDUSCON-go

Confira ABAIXO o que foi e é notícia nas demais entidades que atuam no setor imobiliário GOIANO: ADEMI-GO Salão do Imóvel 2015 O Salão do Imóvel 2015, iniciativa da AdemiGO numa parceria com o Grupo Jaime Câmara, promete muitas novidades no mês de outubro. A começar do conceito do salão em si, com estandes padronizados e praça de alimentação diferenciada. E, principalmente, a expectativa de bons negócios, o que se espera da reação prospectada no mercado a partir de intervenções das empresas, o que estimula a dedicação das construtoras para levar o melhor que têm, dando alternativa real de bons negócios. Será no deck do Flamboyant, hoje com montagem esmerada, requinte nos detalhes e espaço climatizado, para a garantia das melhores condições de conforto para o público. Vinte e seis construtoras já reservaram espaço para uma boa presença no Salão.

SINDIMÓVEIS-go Contrato do corretor associado O Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado de Goiás (Sindimóveis-GO) está preparado para receber e registrar o contrato referente ao corretor associado. Previsto em Lei 13.097/15, art.139, fica regulamentada a possibilidade de o corretor de imóveis poder associar-se a uma ou mais imobiliárias, “mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis”. O Sindicato montou um departamento específico no qual o assessor jurídico, Jeferson Faria, prestará todo auxílio para o corretor de imóveis.

Núcleo de Proteção aos Queimados realiza festa junina com doações O Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO) definiu que, ao longo de 2015, todas as ações de Responsabilidade Social Empresarial que a entidade realizar serão focadas no apoio ao Núcleo de Proteção aos Queimados (NPQ). No último dia 25 de maio, o Sindicato realizou a entrega ao NPQ de doações de diversos empresários que compõem o quadro de diretores e associados do Sinduscon-GO. A renda da doação da indústria da construção goiana vai custear a realização da tradicional “Festa Junina sem Queimaduras”, promovida anualmente pela organização. O evento configura a maior fonte de arrecadação de recursos destinados ao atendimento às vítimas de queimaduras. Neste ano, foi realizada na área de estacionamento do Goiânia Shopping, nos dias 12 e 13 de junho. Diversas ações já foram realizadas, como “O Natal Solidário” no final de 2014 e almoço com representantes do segmento empresarial, que foram convidados a ser voluntários e auxiliar no trabalho da instituição, dentre outros projetos em fase de formatação.

SecoviGoiás Instituição lança Fórum Permanente Em mais uma iniciativa inédita e arrojada, no dia 17 de março, o SecoviGoiás lançou o Fórum Permanente dos Advogados do Direito Imobiliário, Desenvolvimento Urbano e Ambiental. Um grupo que se reunirá mensalmente para enfrentar desafios comuns do setor e estudar soluções que promovam avanços consistentes no direito imobiliário, urbanístico e ambiental.

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Além disso, o Fórum debaterá com os legisladores os projetos de lei pertinentes ao mercado imobiliário/condominial, participando de suas discussões e buscando as melhores maneiras de contribuir. O primeiro tema discutido no fórum foi a Lei do Corretor Associado e suas implicações trabalhistas, tributárias e comerciais.


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vocabulário do corretor de imóveis

ABC do corretor de imóveis Um pouco mais sobre os termos que todo profissional deve saber, mas não tem coragem de perguntar:

Apropriação Indébita: ato pelo qual alguém, abusando da confiança de outrem, converte dolosamente em própria a coisa alheia móvel de que tenha guarda, posse ou detenção para qualquer fim.

Certidão Vintenária:

Anuência: ato ou efeito de anuir; consentimento, acordo, aprovação. Manifestação da vontade favorável à conclusão de um ato jurídico. Pode ser expressa ou tácita, conforme o ato exija, ou não, consentimento ou aprovação escrita ou verbal.

é a certidão que transcreve todas as alterações e registros de imóvel a vinte anos retroativos à data do pedido.

Estado civil: situação jurídica de uma pessoa em relação à família ou à sociedade, considerando-se o nascimento, filiação, sexo etc (solteiro, casado, desquitado, viúvo, filho natural etc).

Servidão:

Direito Imobiliário: é o direito de propriedade sobre bens imóveis ou direito real ou qualquer outro que tenha por objeto uma coisa imóvel. Direito predial.

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encargo imposto num prédio, em proveito de outro, de proprietário diferente. Passagem para uso do público por um terreno que é propriedade particular. Fonte: Dicionário Imobiliário, de Celso Pereira Raimundo e Wilson Carvalho de Almeida - Editora Imobiliária


CULTURA & LAZER

Cultura & lazer é um espaço para você, corretor de imóveis, relatar o que faz de melhor nos momentos de folga, COMpartilhando com os colegas de profissão por meio de dicas de locais e atividades para a descontração

Muito ligada à família, no seu tempo livre Halyne gosta de se reunir com o esposo e casais de amigos. Ela frequenta o Parque Vaca Brava, onde fica sentada admirando a natureza enquanto coloca a conversa em dia. Sem paciência para ficar inerte no cinema, a corretora prefere fazer um churrasco com os amigos para conversar bastante e distrair dos assuntos de trabalho. Halyne Paula Arantes

“Além de cinema e barzinhos, gosto muito de ir para a fazenda. Quando estou por lá aproveito para descansar bastante e cozinhar. Adoro culinária. Faço uma Alcatra na Cerveja acompanhada da cebola ao estilo Outback. Fica perfeito!” Leonardo Pacheco Barbosa

Há dois anos o corretor e seus amigos vão até a saída de Aragoiânia para andar de moto nas trilhas da região. Por lá, acabam encontrando outros interessados no esporte e participam juntos da brincadeira. Aos sábados a tarde, Vagner também costuma frequentar o Oscar Niemeyer para andar de skate. Sozinho, faz uma amizade aqui e ali, entre um flip e outro. Vagner Santos (Robinho)

“Costumo levar minha netinha de quatro anos ao teatro, para assistir à Peppa Pig e outras peças infantis. Também faço piquenique com ela e a outra neta de 1 aninho nos parques. Quando tem feriado, gosto de viajar para o Mato Grosso e Tocantins, para visitar a família.” Maria Francisca

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Mapa de Regiões ESPECIAL

setor univ

educação, lazer e saúd

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versitário:

de em um único lugar

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Mapa de Regiões

Referência em universidades e hospitais, a região está na mira de construtoras e investidores

POR CAROLINA DINIZ

A

ntigo Bairro Botafogo, o Setor Leste Universitário, como é chamado atualmente, começou a se formar na década de 60. A região já fazia parte do planejamento do arquiteto Atílio Correia Lima, responsável por desenhar o centro de Goiânia. O setor já constava como ponto de expansão do plano, por possuir grandes espaços desocupados e, na época, ser afastado de aglomerações urbanas. O urbanista Garibaldi Rizzo conta que a ocupação do Bairro Botafogo começou já nos primeiros anos de existência da nossa capital. Na década de 30, as margens do Córrego Botafogo abrigaram as primeiras ocupações de operários e outros personagens das classes mais humildes, que não tinham condições de adquirir um lote na cidade planejada. Muitos lotes foram invadidos de forma desordenada, o que fez com que o setor não seguisse um padrão. “A ocupação irregular tornou o bairro um dos pioneiros da capital, porém, depois da instalação das universidades é que o bairro teve seu devido desenvolvimento”, relata o urbanista. Com a doação do governo de lotes para as universidades, o setor tomou outro impulso e mudou o nome para Leste Universitário. Apesar de faculdades e universidades estarem presentes em outras áreas da cidade, hoje, é no bairro que se concentram várias unidades das duas mais antigas e atuantes instituições de ensino superior de Goiânia: Universidade Federal de Goiás, que teve como seu primeiro campus o Colemar Natal e Silva, e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com o

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O setor possui quatro Campus da PUC Goiás. Na foto a Área III que abrange os cursos de Engenharias e Arquitetura e Urbanismo

Campus I. Com a formação da turma de medicina da UFG, veio a necessidade da criação de um hospital para os estudantes. Assim, foi fundado o Hospital das Clínicas em 1962, quando já havia sido iniciada a construção do Hospital Araújo Jorge. No final dos anos 60, o início da construção da Praça Universitária acarretou o boom imobiliário da região. Segundo Garibaldi, muitos moradores foram atraídos para o setor devido a proximidade com o Centro e com a abertura das avenidas Anhanguera e Universitária. No entanto, mesmo após

20 anos, centenas de moradores ainda continuavam vivendo em áreas ilegais, em condições precárias. A PUC-GO desenvolveu, então, um projeto para regularização fundiária de algumas dessas áreas. Nesses locais, o projeto de urbanização foi diferente do restante do bairro. As ruas são mais estreitas, em alguns pontos, e alguns lotes são menores. A lógica da urbanização foi invertida: o desenho urbano é que obedeceu a ordem dos imóveis já edificados. Depois dessa intervenção, houve uma melhoria no planejamento do setor.


Perfil dos moradores Atualmente, boa parcela dos moradores do Setor Leste Universitário são transitórios. São familiares e pacientes dos hospitais da redondeza e jovens que vêm do interior do Estado para estudar e depois regressam à sua cidade natal. Devido a este perfil, as construtoras investem em apartamentos entre 34m² e 79m². Um empreendimento de médio padrão, previsto para entregar em 2017, teve 100% das unidades de um quarto vendido na semana do lançamento. Segundo Deivyd Junio Machado, gerente comercial da construtora responsável pelo imóvel em questão, o setor desperta o interesse de clientes, pois possui um valor de metro quadrado razoável e pela proximidade com o Centro. Ele afirma que a maioria dos compradores do residencial são investidores já familiarizados com a rapidez do aluguel na área, graças à demanda da região. O empreendimento possui o metro quadrado em torno de R$ 4.400 mil e possui apenas unidades de dois quartos disponíveis. A partir dessas vendas, Deivyd afirma que a intenção do próximo lançamento no setor é de maior quantidade de apartamentos com um quarto. No entanto, uma nova demanda vem sendo percebida por outra construtora. Estudos e levantamentos realizados pela empresa apontam que moradores dos bairros mais antigos de Goiânia, tendem a buscar novos imóveis no mesmo setor. Visando atender este públi-

co, que por vezes já constitui uma família com filhos, a construtora deu início a lançamentos de apartamentos com três quartos, quando até então o foco era de um e dois quartos. “Moradores querem sair da casa, por motivo de segurança ou do imóvel ser muito antigo, mas não querem sair do bairro”, afirma o diretor de vendas Edmilson Soares Borges. Segundo ele, o último lançamento da construtora onde trabalha, que possui apartamento de três quartos, superou as expectativas de vendas. Com o sucesso, a empresa se sentiu motivada a lançar um novo empreendimento com plantas de metragem ainda maior. O setor, segundo Edmilson, possui algumas zonas internas, umas mais nobres e outras nem tanto. O local escolhido para levantar o novo edifício faz parte de uma das áreas com o padrão mais elevado, de acordo com o diretor. Com o metro quadrado custando em torno de R$ 4.500 mil, um pouco acima da média registrada em janeiro deste ano pelo Departamento de Prospecção e Análise do Creci de Goiás (DEPAMI), “a construtora pretende elevar o nível das classes ocupantes da região”, explica. O empreendimento, que contará com 36 andares, faz parte dos novos planos que a construtora tem para o setor. O diretor acredita que a verticalização é um fator positivo para a comunidade, pois permite que comércios, escolas e hospitais atendam maior quantidade de famílias sem que elas tenham que se deslocar de carro ou por outros meios de transporte. No setor, as principais vias de acesso são as avenidas Fued José Sebba

Moradores querem sair da casa por motivo de segurança ou do imóvel ser muito antigo, mas não querem sair do bairro”.

e Universitária. Diante desse fato, Edmilson não enxerga muita interferência por parte do projeto BRT (Bus Rapid Transit), previsto para ocupar a Avenida Anhanguera. Considerado o maior projeto de transporte coletivo da história de Goiânia, o BRT Goiás Norte-Sul vai ligar o Recanto do Bosque ao terminal de Integração Cruzeiro do Sul, na divisa com Aparecida de Goiânia, com atendimento direto a 148 bairros de Goiânia e Aparecida. Em contrapartida, o urbanista Garibaldi Rizzo pensa que a implantação do novo sistema viário pode atrair mais interessados em morar no Setor Universitário, devido a facilidade de locomoção para outros bairros da capital que o BRT irá permitir. “O Eixo Anhanguera pode promover uma ocupação fixa na região, não somente de estudantes e pacientes dos hospitais”, acredita Garibaldi. Porém, os dois concordam em um fato: a verticalização do setor é uma forte tendência. “Com a saturação dos setores Alto da Glória e Jardim Goiás, o Universitário tem grandes chances de ser o próximo foco das construtoras”, garante o urbanista, que defende o adensamento da região. De acordo com a pesquisa do Depami, o Leste Universitário teve uma valorização de 74,5% nos últimos cinco anos. Somente em janeiro de 2015, foram registrados quatro lançamentos na região.

O urbanista Garibaldi Rizzo contou a história da ocupação do bairro

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Mapa de Regiões

Praça Universitária: Palco das diversidades Com o objetivo de aproximar os moradores da região e proporcionar espaço para lazer, cultura e recreação, a Praça Universitária, que já constava nos planos de Atílio Correia, foi projetada por Elder Rocha Lima e outros arquitetos no final dos anos 60. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Goiás, a praça foi, e ainda é, palco de grandes manifestações, sejam elas políticas, culturais, sociais ou estudantis. Ao longo dos 45 anos de existência, o local foi cenário de protestos contra a ditadura, reivindicações estudantis, espetáculos circenses e shows variados. No início do ano, a praça foi ponto de encontro para manifestantes do protesto contra o aumento da passagem de ônibus. Em 2011, a praça sediou o fórum de discussão estudantil da UNE, que promoveu debates, seminários e atos públicos em prol de melhorias para os estudantes. Foi

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também onde o Goiânia Noise, festival de música do rock alternativo independente realizou sua primeira edição, em 1995, com a participação de 14 atrações. A praça ainda serve como ponto de encontro de grupos que vão conversar e descontrair, além de ser um lugar de descanso para acompanhantes de pacientes dos hospitais da redondeza. O Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG) realiza diferentes

No início do ano, a praça foi ponto de encontro para manifestantes do protesto contra o aumento da passagem de ônibus”.

atividades culturais, de entretenimento, atraindo pessoas de toda a cidade e ainda promovendo artistas goianos. A Biblioteca Marietta Telles Machado, que também divide o espaço da praça, acolhe pessoas interessadas pela leitura, conhecimento e pesquisa. Dezenas de estudantes e moradores se encontram também no Bar da Tia, por exemplo, um dos mais antigos do local, além de outros bares e pit-dogs que predominam na região. Nos finais de semana, alguns visitam a praça a fim de contemplar a exposição de esculturas ao ar livre. Aos domingos, a feira proporciona os encontros semanais da comunidade, assim como aos que vêm de outros bairros e municípios. Nas proximidades da praça, encontra-se ainda o Museu Antropológico da UFG, que tem por objetivo apoiar e desenvolver a pesquisa antropológica interdisciplinar.


Região atrai pacientes em busca de tratamento

A Praça Universitária reúne obras artísticas

O outro lado Apesar da diversidade de atividades que acontecem diariamente no setor, a violência se faz presente a qualquer momento. Assim como em outros cenários da capital goiana, a Praça Universitária está sujeita a atrair traficantes, usuários de drogas e grupos rivais. Por vezes, foi ocupada por essas pessoas que, inclusive, amedrontam quem passa pelas ruas, vítimas de assalto e até assassinato. De segunda a sexta-feira, devido a grande aglomeração de faculdades, escolas, hospitais e comércios, a praça é utilizada, principalmente, como estacionamento. De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSPGO), em 2014 foram registradas 292 ocorrências de furto e roubo de veículos. Como se pode acompanhar nos noticiários, alunos constantemente reclamam da falta de segurança quando chegam ou vão embora das instituições. Os dados confirmam o motivo das reclamações. A SSP recebeu, no ano passado, 358 queixas de roubo a pedestres. Porém, não só os jovens são vítimas. Em abril, um senhor de 77 anos foi morto a tiros durante um assalto em um dos bares da região.

O Setor Leste Universitário também é frequentemente lembrado pela concentração de consultórios e hospitais em suas ruas.O Hospital das Clínicas, por exemplo, foi fundado em 1962 em razão da primeira turma de medicina da UFG. Apesar das dificuldades financeiras decorrente das políticas econômicas do país, tornou-se o principal hospital público do Estado de Goiás, atendendo usuários de diversas regiões brasileiras, em especial a Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Por meio do ensino, pesquisa e extensão, o HC contribui para a formação de inúmeros profissionais da área de saúde, da UFG e de outras instituições de ensino. No setor também encontra-se o Hospital Araújo Jorge (HAJ), referência nacional no combate ao câncer. Em 1967, a primeira unidade da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG) foi entregue à sociedade. O HAJ atende pacientes de todas as idades e oferece tratamento para todos os tipos

de câncer. Pacientes de outras regiões brasileiras, principalmente Norte e Nordeste (Acre, Pará, Rondônia, Tocantins e Bahia), são atendidos com frequência na unidade. Há mais de 50 anos o hospital está no grupo dos maiores hospitais brasileiros especializados em cancerologia, atendendo por mês cerca de 30 mil pacientes e realizando, em média, 83 mil procedimentos mensais, entre consultas, internações, cirurgias, entre outros serviços oferecidos. Devido a grande demanda de pessoas do interior que buscam tratamento de saúde, as prefeituras decidiram instalar casas de apoio para dar auxílio a essas pessoas. As casas do interior, como são conhecidas, oferecem basicamente refeições, dormitórios, algumas incluem também espaço para orações e ônibus para vir e retornar à cidade de origem. No setor, encontram-se as casas de apoio dos municípios de Mineiros e Estrela do Norte, além de outras casas de organizações não filantrópicas.

O HC contribui para a formação de inúmeros profissionais da área de saúde, da UFG e de outras instituições de ensino”.

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PROFISSÃO

A arte de prospectar clientes Planejamento, técnicas de abordagens e atitudes do corretor de imóveis são determinantes para o sucesso da prospecção

N

o mundo empresarial, prospectar é despertar o interesse das pessoas para que se tornem novos clientes. Apesar da simples definição, na prática, a prospecção exige conhecimentos e habilidades dos corretores de imóveis por ser uma técnica imprescindível aos profissionais. O autor de livros sobre o mercado imobiliário, Ari Travassos, considera que a prospecção é uma necessidade funcional da profissão: "o mais importante fator para um corretor é possuir um maior número de clientes, pois quanto mais contatos ele fizer, maior possibilidade de fazer novos negócios". Para o diretor comercial Wanderick Pires Filho, a prospecção é a forma mais eficiente de dar entrada na carteira de clientes, principalmente no mercado competitivo em que os corretores de imóveis estão hoje inseridos. "Visitas espontâneas ou nos estandes não rendem mais clientes. O corretor tem que ir para a rua, desenvolver relacionamentos, conversar com os lojistas do shopping, na padaria, na porta de escola", comenta. Wanderick acredita que o corretor de imóveis tem que ter uma mudança de posicionamento, não basta ter a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, ele tem que criar oportunidades e a melhor forma de conseguir

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A corretora de imóveis Maria Rosa em atendimento


isso é criando relacionamentos. "O relacionamento é a maior forma de prospecção, assim como a reputação. Conseguir uma indicação é a melhor forma de trabalhar sua rede, é um ganho incrível de novos clientes", comenta. A corretora de imóveis Maria Rosa Rodrigues Martins é um exemplo de profissional que conquistou clientes por meio de seus relacionamentos. O cunhado veterinário tinha uma cliente que ele considerava muito parecida com Maria Rosa. A semelhança levou ao primeiro contato, que gerou uma amizade e por fim levou a venda de dois apartamentos. "Procuro fazer amizades, ser o mais natural possível com as pessoas. Não focar no dinheiro da venda, mas demonstrar interesse pela história dos possíveis clientes", ressalta a corretora de imóveis. Além da facilidade para se relacionar, outras habilidades e atitudes são requeridas dos corretores de imóveis para prospecção de clientes, entre elas estão: a boa aparência e dicção, o conhecimento, a simpatia, a pró-atividade, o comprometimento, a organização e a iniciativa. "O cliente necessita acreditar no profissional. O corretor tem que vender a credibilidade pessoal, profissional e funcional junto aos seus clientes, além de demonstrar a sua competência através do conhecimento do produto que vende", orienta Ari Travassos. Para aumentar no dia a dia o número de prospecções, o consultor

"O profissional tem que vender credibilidade pessoal, profissional e funcional", ressalta o autor Ari Travassos

Para o diretor comercial Wanderick Pires, o planejamento é fundamental na prospecção de clientes

O corretor tem que ir para a rua, desenvolver relacionamentos, conversar com os lojistas do shopping, na padaria, na porta de escola”

ensina que os profissionais devem fazer um planejamento no qual se comprometam a realizar determinada quantidade de contatos por dia para descobrir novos clientes. "Se ele fizer 10 contatos por dia, de 2ª a 6ª feira, fará um total de 50; multiplicado por 4 semanas do mês fará 200; em 12 mêses fará 2.400. Será que desta forma descobre novos clientes? Será que descobre imóveis para vender?", questiona. O planejamento é parte essencial da prospecção. Wanderick Pires, em seus treinamentos para os corretores de imóveis, reforça a necessidade de se planejar o ato de prospectar levando em conta onde está o cliente, o seu perfil, a forma de falar, estabelecer uma estratégia de abordagem, um script e fazer um relatório da prospecção. "Planejando, você se prepara para a ação, pode ser até duas horas antes do contato com a pessoa, mas tem que colocar no papel o que pretende", reforça. O diretor comercial considera que existem mil formas de prospecção, mas que em todas elas o corretor de imóveis deve: conhecer bem o produto, estar preparado, estabelecer uma estratégia, ter uma atitude positiva, despertar o interesse dos possíveis clientes, traçar um cronograma e manter a concentração e a disciplina. "Faça a ação, meça o resultado que você teve e depois ajuste o que tiver que ajustar para executar novamente", finaliza.

Os seis pecados dos corretores de imóveis na prospecção 1- Parar de prospectar na primeira oportunidade.

Não pode parar. Prospecção exige manutenção.

2- Prospecção de má atitude.

O corretor de imóveis que acorda se sentindo fracassado, sem vontade, faz com que o cliente perca o interesse.

3-

Não manter contato com quem prospectou. A prospecção é apenas o início, é necessário continuar o contato com o possível cliente.

4-

Não pedir indicação para os clientes. Os possíveis clientes precisam de indicação.

5- Falta de divulgação pessoal

As pessoas tem que saber que você é corretor de imóveis. Você tem que divulgar sua atividade.

6- Não prospectar. Painel Imobiliário

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PROFISSÃO

Parceria imobiliária: dividir para realizar mais vendas Ainda que informalmente, corretores de imóveis vêm realizando parcerias imobiliárias ao longo dos anos. Com o avanço da tecnologia e maior acessibilidade à internet, a prática se tornou mais fácil e comum. Por outro lado, os meios de divulgação também aumentaram, fazendo com que diminuam as chances do comprador encontrar o seu anúncio. A parceria hoje é uma estratégia para o corretor aumentar a quantidade de negócios e não ficar tão dependente de uma empresa. Fundador de uma associação entre imobiliárias e corretores, Juscemar Antônio de Oliveira acredita no seguinte lema: a união faz a força. Para ele, o parceiro só tem a ganhar quando resolve se juntar a grupos e associações. “Mesmo naqueles grupos formados no aplicativo WhatsApp, corretores estão fazendo parcerias para diminuir o risco de perder vendas”, declara. A parceria imobiliária é aquela em que corretores de imóveis ou imobiliárias compartilham informações

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Os benefícios para quem faz parceria são incontáveis, desde que a empresa ou profissional tenham a mente aberta”

Os corretores de imóveis Jackson Jean e Juscemar Oliveira realizam parceria por meio de associação

para acelerar o processo de compra e venda. O detentor da exclusividade de um determinado imóvel pode alcançar um maior número de possíveis compradores quando trabalha com um parceiro, já que este pode encontrar, ou ser encontrado pelo cliente. “Os benefícios para quem faz parceria são incontáveis, desde que a empresa ou profissional tenha a mente aberta”, afirma o empresário. Segundo ele, em vez de somente um corretor tentar vender o imóvel do cliente, são vários na tentativa. Juscemar destaca ainda que “o corretor que faz a venda é aquele que fica na memória do cliente, e não quem captou o produto”.


Portanto, se o trabalho for bem realizado, é possível sair ganhando além da comissão, o reconhecimento e a fidelidade do cliente. Apesar do lucro ser menor quando se divide com o parceiro, o volume de negócios é maior, o que pode garantir uma boa remuneração no final do mês. Com a praticidade da internet, o corretor consegue aumentar a área de atuação no mercado. Utilizando das redes sociais, é possível fazer parceiros a distância e oferecer imóveis para clientes em qualquer lugar. Com vários parceiros atuando ao seu lado, os imóveis serão divulgados em diversos meios, aumentando o nível de competitividade no mercado. Algumas redes ou associações disponibilizam sites onde cada parceiro pode anunciar uma quantidade ilimitada de imóveis. Neste caso, o cliente também ganha com a parceria, já que ele recebe muitas opções de compra, aumentando as chances de que alguma delas atenda suas necessidades. A troca de experiências com outros corretores é também um fator vantajoso para quem faz parcerias. De acordo com Juscemar, semanalmente, associados e parceiros se encontram em reuniões de negócios, onde trocam informações sobre os imóveis, clientes e esclarecem dúvidas jurídicas. “Uma das grandes vantagens, o que mais faz sucesso nas associações, são essas reuniões semanais. O contato físico, o encontro entre os participantes faz com que a parceria cresça muito mais, faz com que a confiança cresça, a relação fica mais estreita”, comenta o fundador. O corretor de imóveis e membro de associação imobiliária, Jackson Jean, relata que são inúmeras vantagens oferecidas pelo grupo, como “a troca de experiência, dúvidas que podem ser esclarecidas, indicações profissionais”.

Escolhendo o parceiro Como qualquer negócio pode trazer riscos, uma parceria mal escolhida pode dar prejuízos. Portanto, os corretores recomendam muita cautela na hora de escolher com quem vai trabalhar. De acordo com Jackson, é importante analisar características como ética, idoneidade, credibilidade e seriedade da empresa ou do corretor no mercado imobiliário. Jackson explica que em relação à ética, a empresa deve cumprir o que promete ao cliente e seus corretores devem ser éticos com os colegas de profissão, como por exemplo, dividir honestamente a comissão recebida, conforme combinado previamente e também reconhecer o trabalho do parceiro. “Ética é transparência em todos os sentidos numa transação. Você não pode omitir informações e detalhes sobre um produto. O parceiro tem que ter acesso a todos os documentos do imóvel e cada particularidade”, reforça o empresário Juscemar Antônio, que citou um exemplo dos efeitos da falta de transparência. “Um corretor que fez a captação do imóvel 'esqueceu' de contar ao parceiro que o imóvel não poderia ser vendido com o FGTS pois estava no período de três anos de carência, e somente após este

prazo ele seria liberado para compra usando o Fundo de Garantia. A situação gerou constrangimento para o corretor que estava vendendo, pois o cliente já havia pago um sinal, e só depois o banco informou que a transação não poderia concluir daquela forma. Ou seja, nenhum tipo de informação deve ser omitida, podendo acarretar em processo civil da parte do cliente que se sentir lesado”, conta. Antes de definir o parceiro, é recomendável que o corretor verifique a situação dele junto ao Creci e outras referências. Caso seja você quem estiver à frente da transação, procure alcançar resultados no negócio que está fazendo que possam ser, ao mesmo tempo, favoráveis tanto para você quanto para o outro corretor com quem estiver trabalhando em parceria. Afinal, a parceria é uma atividade de ajuda mútua e seu parceiro nunca deve ser esquecido ou desprezado. Quando for a vez dele de liderar alguma negociação em parceria com você, com certeza ele se lembrará de seu ato, o que provavelmente o fará agir em retribuição. Mantendo um bom relacionamento com seus parceiros, você só tem a ganhar e também irá conquistar os clientes.

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Dividindo os lucros O corretor deve especificar como vai ser dividida a comissão, caso o negócio seja efetivado, e deixar tudo muito bem acordado com o parceiro. Na prática, não há uma regra para a definição do percentual da comissão e quem está chamando para a parceria normalmente propõe como será feita a divisão. “Geralmente, os parceiros dividem a comissão em 50% para quem captou o imóvel e 50% para quem vendeu. No caso de três ou mais pessoas envolvidas na transação, o costume é dividir em partes iguais”, explica o corretor de imóveis Juscemar. Acontece também, segundo ele, da empresa detentora da exclusividade retirar para si 20% da comissão e só então dividir o restante em partes iguais. Esse valor costuma ser destinado à remuneração de quem fez a captação do imóvel, seja tudo para o corretor ou dividido com a empresa em que ele trabalha. Considerando que as parcerias são eventuais, muitos corretores não se preocupam em fazer contratos e acordos por escrito detalhando a divisão de lucro. “Na maioria dos casos, nenhum contrato é firmado, a não ser no caso dos associados que fazem parte da di-

retoria da associação”, diz Juscemar. Acostumado a lidar com situações constantes sobre desentendimentos na divisão de comissão, o advogado e coordenador do departamento jurídico do Creci, Fernando de Pádua, esclarece que é de “fundamental importância a materialização do contrato escrito de parceria, visto que este poderá evitar futuras desavenças entre as

partes. Se possível, com testemunhas”. Caso nenhuma regra seja estabelecida por escrito, se os corretores não entrarem em acordo após a efetivação da venda, prevalece a norma prevista no Artigo 728 do Código Civil: se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajusto em contrário.

Redes de parceria Além das parcerias entre corretores, existem grupos e associações entre imobiliárias e autônomos. Atualmente em Goiânia, os corretores de imóveis podem buscar pela Associação Imobiliárias de Goiânia e Rede Imobiliária. No passado, existiam ainda o Armazém de Imóveis, Projeto 10, Bolsa Imobiliária e outras. Cada associação determina os critérios da formação do grupo. Algumas estabelecem uma quantidade máxima de parceiros, enquanto outras são mais flexíveis. Existem associações entre imobiliárias e corretores autônomos e existem aquelas restritas a imobiliárias. Para participar de uma as-

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sociação, é preciso passar por alguns critérios de avaliação. O associado Jackson Silva ressalta que é importante que o corretor de imóveis não tenha vínculos com nenhuma imobiliária para participar da associação. “No entanto, estes corretores precisam ter um escritório fixo, pagar a taxa de licença da prefeitura e seguir todos os procedimentos necessários”, descreve. Pessoas físicas ou jurídicas precisam estar de acordo com as normas estabelecidas para participar do grupo. Ao longo do tempo, se ficar comprovado que o parceiro desrespeitou alguma regra da associação, ele pode ser destituído. “Se constatarmos que a presença da pessoa não é para somar, mas sim atrapa-

lhar, então ela será convidada a se retirar do grupo”, explica Jackson. Além de parceiros, os associados que desempenham alguma função na diretoria do grupo pagam uma mensalidade de valor simbólico para arcar com os gastos da associação, como manutenção do site para divulgar quantidade ilimitada de imóveis, entre outras despesas. Existem aqueles que dizem não ver resultado das parcerias, mas os corretores advertem: a pessoa tem que participar! “Se ele não comparece às reuniões, não divulga os imóveis no site, não faz uso das ferramentas que a associação oferece, então ele realmente não vai ter resultado.”


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INTERIOR

Anápolis: polo industrial, logístico e educacional Vocações do município impulsionam mercado imobiliário regional

A

localização, a 54 km de Goiânia e a 171 km do Distrito Federal, já dá as primeiras pistas da importância de Anapólis para o Estado. O município é o terceiro maior em população, com 361.991 habitantes de acordo com os dados de 2014 do IBGE, e o segundo em maior arrecadação de impostos no ranking da Seplan-GO, com 10,9% de participação em 2011. Uma soma de fatores fazem

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com que Anápolis seja considerada polo industrial e logístico. Compondo o eixo Goiânia-Anápolis-Brasília, a cidade é cortada pelas rodovias federais BR-153, BR-060 e BR-414, pelas rodovias estaduais GO-222, GO-437 e GO330, e pela Ferrovia Centro-Atlântica. Fatores que impulsionam o desenvolvimento do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), criado em 1976. A área que, segundo a Associa-

ção Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), possui 1.700 hectares, abrange mais de 200 empresas, principalmente indústrias do ramo farmacêutico, e é responsável por gerar mais de 20 mil empregos diretos. Aliado ao DAIA, o município possui o Porto Seco, terminal alfandegário de uso público destinado à prestação de serviços de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, responsável


por fazer do município o 22° maior importador do Brasil. A cidade ainda é considerada centro de formação técnica e universitária, com sete universidades, que oferecem mais de 50 cursos nas mais diversas áreas do conhecimento. Estão presentes no município instituições de ensino, como a UniEvangélica, a Universidade Católica de Anápolis e a Universidade Estadual de Goiás (UEG), que possui sede na cidade, e entidades de cursos profissionalizantes, como Senac, Senai e Sesc. "Anápolis é uma cidade referência na região, um polo econômico e social. Ela atende mais de 20 cidades, em saúde, educação e serviços" ressalta o prefeito da cidade, João Batista Gomes Pinto, ao comentar que nos últimos cinco anos o município atingiu um desenvolvimento acima da média nacional, que trouxe qualidade de vida às pessoas. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis, Anastacios Apostolos Dagios, devido a sua posição geográfica, a topografia privilegiada, abundância de água, o clima ameno e a vocação econômica, com forte apelo industrial, contrabalanceando com um comércio bastante ativo e uma extraordinária rede de serviços, com destaque para a educação, a saúde e o entretenimento, o município se destaca na região. "Anápolis se impõe como um grande potencial em desenvolvimento, com perspectivas de atingir, em curto prazo, a categoria das mais importantes cidades do País", comenta. Todo esse desenvolvimento também reflete no mercado imobiliário. De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, desde o início do Programa Minha Casa, Minha Vida, em 2009 até o ano passado, foram entregues mais de 9.500 unidades habitacionais. Somente em 2014, foram entregues 1.025 unidades do Pro-

Em sua gestão, o prefeito João Gomes preza pela qualidade de vida

grama Habitacional e os financiamentos pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) totalizaram mais de 230 milhões. O corretor de imóveis Dênio Assunção Santos, que representa o Creci de Goiás na cidade como delegado, comenta que o mercado imobiliário da cidade é movimentado, principalmente por aluguéis. "São pessoas que estão chegando para estudar ou trabalhar na cidade", conta o delegado ao relatar que 90% dos seus inquilinos são de fora. A preferência é por quitinetes e por apartamentos pequenos, de dois quartos, próximos às universidades que estão localizadas ao longo da Avenida Universitária, da BR 153 ou do Centro. Os valores de aluguel variam dependendo do tipo e da localização do imóvel. Em áreas menos centralizadas ficam entre R$ 400 e 500 reais. Já perto das universidades, giram em torno de R$ 600 a 650. As indústrias também movimentam o mercado de imóveis residenciais, com os diretores que fixam residência na cidade e os empregos que atraem cada vez mais moradores para o município. "A cida-

Anápolis é uma cidade referência na região, um polo econômico e social. Ela atende mais de 20 cidades, em saúde, educação e serviços”

de está em franco desenvolvimento. Tudo que se constrói, vende", ressalta o delegado que aponta que o mercado imobiliário da região é eclético, possui condomínios de todos os tipos. Exemplo disso, são os bairros Anápolis City, com imóveis de alto padrão e Vila Jaiara, considerada quase uma cidade independente pelo grande comércio local e sua distância com o Centro. Anápolis possui cerca de seis condomínios horizontais de médio a alto padrão. Entre eles está o Anaville, empreendimento de alto padrão da cidade, que possui imóveis a uma média de R$ 800 mil a R$ 1 milhão. Outros condomínios da cidade são: Sunflower, Vale dos Pássaros, Grand Trianon, Terras de Alpha, entre outros. Contudo, para o presidente da Associação de Imobiliárias de Anápolis (AIA), o corretor de imóveis Frederico Godoy, o mercado está voltado no momento para a construção de empreendimentos verticais. Imóveis como os que margeiam as orlas dos parques ambientais, como o Ipiranga, localizado no famoso bairro Jundiaí. "A região possui o metro quadrado mais caro da cidade, de R$ 2 a 4 mil, dependendo da localização", aponta Frederico Godoy. O parque foi umas das primeiras iniciativas da prefeitura visando valorizar o meio ambiente. Com 25 mil metros quadrados, o Parque Ipiranga foi construído em 2009 e além de qualidade de vida, trouxe valorização para a região. "O parque agregou valor ao Painel Imobiliário

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bairro, trouxe restaurantes importantes, empreendimentos", comenta o delegado Dênio de Assunção, que acredita que hoje a região passa por uma mudança de perfil, tornando-se mais comercial. A cidade ainda possui outros parques que trouxeram o crescimento imobiliário a outras regiões. De acordo com o prefeito João Gomes, já foram entregues três parques à sociedade e os planos incluem mais parques. " Tornamos as áreas atrativas ao mercado imobiliário da região. Porque quando transformamos áreas degradadas em parques, praças, melhoramos a infraestrutura. Junto com isso vem a valorização e com isso melhores negócios imobiliários", enfatiza. Outros parques já entregues são o Parque da Liberdade, inaugurado em 2012, com 25 mil metros quadrados e o Parque da Cidade, inaugurado nas festividades de 107 anos da cidade, em 2014, considerado a maior área urbana do Estado. Esse último fica localizado na entrada do município, e possui além de equipamentos de ginástica e de lazer, estacionamento, ciclovia e teatro de arena. Com o desenvolvimento urbano, os profissionais do mercado imobiliário acreditam que ainda há muita demanda por imóveis na cidade. "Tem muitos empreendimentos verticais mas não tantos quanto a cidade precisa, isso para todos os padrões alto, médio e baixo", aponta Dênio Assunção. Promissor, o mercado imobiliário da região já atrai construtoras nacionais e de outras localidades, como de Goiânia e Uberlândia que investem em empreendimentos na região. Apesar do desenvolvimento de Anápolis, os profissionais da cidade já sentem os efeitos do momento econômico por qual o país passa. "O mercado está um pouco frio devido a economia do Brasil. Mas podemos notar que não houve redução nos preços dos imóveis, somente uma redução nas vendas", observa Frederico Godoy.

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Tempo de mudanças no mercado imobiliário Para acompanhar o desenvolvimento de Anápolis, recentemente algumas leis que se relacionam com o mercado imobiliário têm passado por alterações. É o caso do Plano Diretor da cidade. O documento de 2006 passa por revisão em diversos itens. Entre os pontos mais polêmicos estão a obrigatoriedade de vagas de estacionamento para empreendimentos comerciais e as áreas de interesse ambiental. De acordo com as alterações, além da obrigatoriedade de prédios comerciais novos com mais de 60 metros quadrados possuírem estacionamento, os prédios já construídos deverão contar com estacionamento, mesmo que seja por meio de aluguel de garagem. Alteração que foi considerada inviável pelos profissionais do setor. Outra determinação presente na revisão, sobre a preservação ambiental, coloca que construções só poderiam, inicialmente, ser edificadas a 500 metros de cursos de água. O que inviabilizaria projetos próximos aos parques. Em discussão com a população e setores interessados, essa distância reduziu para 200 metros, mas profissionais do setor imobiliário esperam que seja

consolidada a mesma distância do Código Florestal, de 30 metros de distância. "Nós corretores e a população entendemos que muito próximo ao parque não é interessante porque acontece dos parques ficarem fechados pelos prédios, mas esperamos uma decisão intermediária, não uma distância tão grande como a sugerida", comenta o delegado Dênio Assunção. Ainda em discussão na Câmara, a revisão do Plano Diretor é defendida pelo prefeito João Gomes, uma vez que, para ele, muitos Planos já nascem com data de validade vencida. "Se deixarmos como está, os prédios vão sombrear os parques, assorear, acabar com o lençol freático e acabar com o parque, e o que é pior, como fica a mobilidade na região?", argumenta. Ele considera que o município já está sofrendo as consequências da ocupação desordenada em função de um Plano que não contemplava coisas importantes como a preservação ambiental. "A cidade tem que se planejar para o futuro. É necessário direcionar, coordenar esse processo de crescimento inevitável para que o município continue crescendo e para que os investimentos feitos continuem valorizando". O mercado imobiliário também tem acumulado conquistas realizadas junto à Câmara Municipal da cidade. O delegado do Creci em Anápolis, Dênio Assunção, em frente ao Parque Ipiranga, no bairro Jundiaí


Recentemente o vereador Jackson Charles foi autor de Emenda Parlamentar que modificou o pagamento do Imposto Sobre a Transmissão de Imóveis (ISTI). O pagamento do imposto se dava antes da lavratura da escritura, após aprovação da Emenda, no final de 2014, ele é pago após a escritura ser lavrada, dentro do prazo de 30 dias. "A constituição é bem clara, o fato gerador do imposto é a transmissão do imóvel , então chegamos a conclusão de que tínhamos que fazer uma alteração no Código fazendo com que essa prática ocorresse somente depois da lavratura da escritura", explica Jackson Charles. Para o presidente da AIA, a ini-

ciativa foi importante para o setor: "foi um ganho para o mercado porque a cobrança anterior atrapalhava os negócios. Quando a negociação não concretizava havia um processo burocrático para ressarcimento do imposto pago e o comprador tinha que providenciar de imediato o valor do tributo". A não cobrança de ISTI e IPTU de áreas de preservação ambiental e inservíveis e o impedimento da cobrança de ISTI no registro do compromisso de compra e venda de imóveis no cartório, são algumas outras conquistas do setor imobiliário da região.

Categoria representada Nos últimos quatro anos, Anápolis também viu o mercado imobiliário crescer em números. O número de corretores de imóveis inscritos no Conselho mais que triplicou, passou de 404 para 1500, o número de imobiliárias também aumentou, saltou de 80 para 200. Para atender toda a categoria, além de uma delegacia fixa, desde 2010, o Conselho possui um novo representante da autarquia na cidade, o delegado Dênio Assunção. No cargo há mais de um ano, o corretor de imóveis considera que o principal desafio é a qualificação dos profissionais. "O corretor não tem conhecimento sobre a responsabilidade que possui", comenta. Para suprir essa necessidade, o delegado já realizou e pretende realizar mais cursos em parceria com o Conselho para preparar melhor os profissionais para atender a sociedade. Outro ponto a ser trabalhado por Dênio Assunção é a divulgação da profissão de corretor de imóveis. Ele considera que a falta de informação sobre a atividade é o principal motivo da existência de contraventores na cidade, uma vez que ao serem abordados pelos fiscais, os contraventores logo procuram se regularizar."A informação hoje é um item básico, tem que ter. E conhecimento nunca é demais", finaliza. O setor imobiliário ainda tem representatividade no município por meio

À frente da AIA, o corretor de imóveis, Frederico Godoy, busca qualificação para o mercado imobiliário

da Associação de Imobiliárias (AIA). A instituição, com quase 30 anos de existência é presidida pelo corretor de imóveis Frederico Godoy e tem como objetivo proporcionar a união da categoria, além de também promover cursos para preparar o profissional para o mercado cada vez mais competitivo. Ainda é intuito da entidade apoiar o segmento nas causas relacionadas a ele dentro do município, como as alterações do Plano Diretor e dos impostos já abordadas. "Ficar sempre ao lado dos corretores e das imobiliárias para realizar conquistas", diz o presidente sobre o lema da instituição.

Perspectivas Anápolis ainda tem muito para crescer se olharmos os projetos que ela aguarda a médio e longo prazo. O prefeito da cidade, João Gomes, adianta que estão previstos a construção de mais dois viadutos, mais três parques ambientais e o que ele considera a maior obra da cidade, de investimento de 80 milhões de reais, o Transporte Rápido por Ônibus (BRT), que consiste na criação de um corredor de transporte de quase 50 quilômetros. "Vai melhorar nossa mobilidade, junto com ciclovias, pistas de caminhadas, dando atenção ao pedestre e automaticamente valorizando a cidade". Todos esses projetos previstos tem prazo de um ano para serem entregues. A cidade ainda aguarda a ampliação do DAIA e receberá a primeira Plataforma Logística Multimodal de Goiás, que integrará as redes aeroviária, rodoviária e ferroviária para permitir um sistema de distribuição, para um raio calculado de mil quilômetros, tanto rápido quanto eficiente de mercadorias para os mais diversos centros. A plataforma funcionará como centro de processamento, embalagem e armazenagem de mercadorias para exportação. Para o presidente da ACIA, Anastacios Apostolos Dagios, o projeto dará a Anápolis e a Goiás um status econômico de grande alcance, com a agregação de valores em diferentes áreas e garantirá o desenvolvimento socioeconômico de uma vasta região do Planalto Central. "A Plataforma Multimodal colocará o município entre os de melhor logística econômico/empresarial em toda a América do Sul", ressalta. O presidente relata que a construção do Aeroporto Internacional de Cargas irá compor esse complexo econômico e terá um projeto mixado para cargas e passageiros, se tornando uma opção para a operacionalidade dos aeroportos de Goiânia e de Brasília. O aeroporto vai receber aeronaves com até 420 toneladas, onde as cargas terão interligação direta com a Estação Aduaneira do Interior (Porto Seco), localizado no Distrito Agroindustrial de Anápolis e com a Plataforma Multimodal, que fica em área vizinha.

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+ que CORRETOR Entre uma reunião e outra com clientes, é preciso encontrar um tempo para fazer o que gosta. Praticar um esporte ou alimentar um hobbie pode ser fundamental para se livrar do estresse e cuidar da saúde física e mental. Os conselheiros e corretores de imóveis contam o que vem fazendo durante anos para manter corpo e mente sãos.

bate bola em família Ao longo de 15 anos, todas as tardes de sábado são reservadas para uma única atividade. O corretor de imóveis Saul Pereira da Costa se reúne com os velhos amigos para jogar aquele futebol. Uma tradição que já conta com a presença de filhos e netos durante as partidas. Além da diversão, Saul diz que adora jogar bola para cuidar da saúde, fazer exercício físico e também promover mais interação entre os entes queridos. A paixão pelo futebol é tanta que o corretor será homenageado no XVII Torneio de Futebol Society do Sindimóveis-GO, que leva seu nome nessa edição.

nocautE no estresse O corretor de imóveis Ricardo Vieira conta que, desde criança, sentia interesse em praticar artes marciais e com o tempo encontrou sua paixão pelo Boxe. Há mais de 20 anos, Ricardo pratica a modalidade apenas por lazer, como hobbie. Conheceu e se tornou amigo do famoso lutador Popó e seu irmão Milton Freitas. A amizade fez com que ele se sentisse mais empolgado para continuar praticando o esporte. “É muito bacana, acabei até incentivando alguns amigos que achavam a luta muito violenta, mas apresentei o esporte para eles e viram que não era o que pensavam”, conta. Apesar de lutar há tanto tempo e ter aprendido diversas técnicas, Ricardo não tem interesse em disputar campeonatos. O corretor se sente “abençoado com a profissão de corretor” e não acha necessário tentar ganhar dinheiro com a luta. Ele participa de combates dentro da academia onde treina, mas acha importante manter o Boxe somente como fonte de prazer.

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VELOCIDADE MÁXIMA “Motociclista fanático”, como ele mesmo se define, Walter São Felipe, frequenta há oito anos um grupo de motos em São Paulo. Ex-dono do tipo “estradeira”, hoje Walter possui um modelo esportivo e sempre que pode, vai a São Paulo acompanhar os amigos, que pilotam até algum hotel fazenda, entre outros locais. Quando era mais novo, o corretor participava de corridas no autódromo de Goiânia, mas hoje só vai para assistir às competições de MotoGP. Apaixonado pelo esporte, Walter leva a filha e a esposa em alguns eventos voltados para motociclistas e diz já ter frequentado encontros que reuniram mais de 300 pessoas.


FISCALIZAÇÃO

Creci-GO inova com Fiscalização Eletrônica Serviço pioneiro permite que imobiliárias e corretores de imóveis forneçam documentos através da internet

V

isando proporcionar maior comodidade e economia de tempo aos corretores de imóveis e imobiliárias, e ao mesmo tempo agilidade para a fiscalização, o Creci de Goiás lançou a Fiscalização Eletrônica. O sistema, instituído pelo Ato 001/2015, permite aos fiscais verificar on-line o contrato de prestação de serviço de anúncios divulgados na internet e em outros veículos, sem a necessidade da fiscalização presencial. O presidente Oscar Hugo relata que a modalidade de fiscalização está sendo estudada desde julho de 2014 e depois de reuniões recentes foi estruturada. "Chegou-se enfim ao modelo de fiscalização eletrônica que é novidade no Brasil", comenta. A fiscalização é realizada pela instalação da plataforma no sistema da imobiliária ou no computador do profissional, por meio de instrução do departamento de tecnologia do Conselho. O fiscal visualiza as opções de venda disponibilizadas no sistema. Caso não encontre o arquivo, a imobiliária ou o corretor será notificado imediatamente pelo mesmo programa. Ao término do período de 48 horas, a empresa que não dispor do arquivo no sistema irá receber a visita do fiscal, já para lavratura do auto de infração. De acordo com o coordenador da fiscalização, Alaor Bezerra, a adesão ao novo método é facultativa. Aquele

que optar por não aderir ao sistema, continuará recebendo a fiscalização presencial. No entanto, a tolerância de 48 horas para visualizar o documento solicitado não será estendida às empresas que não aderirem a fiscalização eletrônica. “Quando requisitado pessoalmente pelo fiscal, o contrato de prestação de serviço deverá ser apresentado incontinente, já que deve atender à resolução 459/95, estipulada pelo Cofeci”, explica o coordenador jurídico do Creci, Fernando de Pádua. A exigência do documento consta no artigo 5º, do decreto 81.871/78, onde diz que somente poderá anunciar aquele que possuir contrato escrito de intermediação. Em apresentação da Fiscalização Eletrônica aos empresários do setor, o novo sistema foi aprovado. "A centralização dos documentos no sistema é

sinônimo de modernidade. Traz agilidade e praticidade, tanto para as imobiliárias, quanto ao Creci", comentou Isnard Júnior, proprietário da Vesper Imóveis. "Acho que o sistema vem dar mais uma condição para moralizarmos nosso mercado. Do corretor trabalhar corretamente e para o proprietário saber que por trás do corretor existe uma empresa séria e correta", disse Sônia Maria Peixoto de Moura, proprietária da A3 Imóveis. Como aderir ao sistema Para ter as instruções de instalação do sistema, tanto os corretores de imóveis quanto as imobiliárias devem entrar em contato com o Departamento de Tecnologia da Informação do CRECI-GO pelo marcusvinicius@crecigo.gov.br, fernandosouza@crecigo.gov.br ou (62) 3236-7373.

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DIRETO DO CRECI

CRECI-GO realizará Simpósio sobre Ciências Imobiliárias Iniciativa reunirá autoridades do setor imobiliário, corretores de imóveis e estudantes para discutir sobre o curso superior na área Entre os dias 19 e 21 de novembro o Creci de Goiás participará do I Encontro Latino-Americano de Culturas (ELAC) realizado pelo Instituto Tueri. O Encontro reunirá estudantes, professores e profissionais de toda a América Latina e das mais diversas áreas para promover a discussão de temas como artes, ciências, direito, sustentabilidade, entre outros, em simpósios. O Conselho participará da iniciativa como apoiador do evento e como organizador de simpósio sobre Ciências Imobiliárias. O objetivo é desenvolver os conhecimentos da área imobiliária, debatendo o conteúdo já ministrado e trazendo novas ideias. “Com curso superior, especialização e até mestrado na área temos muito a discutir com o intuito de ampliar cada vez mais o conhecimento”, comenta o presidente da autarquia Oscar Hugo. O simpósio já possui coordenadores: o mestre em planejamento urbano Jeová Alcântara e o doutor em Ciências da Educação, Raimundo Nonato Campos Filho. Eles foram responsáveis, junto ao presidente, por definir as temáticas das duas mesas de discussão que terão no Simpósio. Uma delas com o tema Ciências Imobiliárias: das políticas públicas, da avaliação mercadológica até o desenvolvimento urbano contemporâneo no contexto latino. A outra mesa será sobre Ciências Imobiliárias no Contexto Ético, Jurídico, Mercadológico e Psicológico para o

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Da esq. para dir., presidente Oscar Hugo e os professores Raimundo Campos, Jean Jardim e Jeová Alcântara

Desenvolvimento Sustentável do Mercado Imobiliário. Os interessados em participar do evento apresentando artigos, deverão submeter os reumos dos trabalhos à análise dos coordenadores até o dia 30 de agosto, pelo e-mail educacao@ crecigo.gov.br. O documento deve conter 200 palavras, três palavras-chave e os dados do autor (nome completo, grau acadêmico e instituições de ensino cursadas). Caso o resumo seja aprovado, o artigo completo deverá ser entregue até dia 30 de setembro para análise. "A área imobiliária é merecedora de uma educação, de um lado intelectual mais desenvolvido porque nós não temos somente corretagem, temos a

consultoria, a avaliação e outras áreas delicadas que necessitam de um amplo conhecimento", comenta o professor Raimundo Campos. Para ampliar a integração com a América Latina, os coordenadores do Simpósio participarão do Congresso Internacional do Conhecimento, a ser realizado do dia 9 a 12 de outubro pela Universidade de Santiago no Chile, apresentando artigos em simpósios. O intuito é iniciar as discussões sobre Ciências Imobiliárias no âmbito da América Latina e incentivar a vinda dos participantes do evento internacional ao ELAC. O seminário reunirá presidentes de Crecis de todo o país e será aberto a participantes que quiserem expor artigos sobre os temas apresentados e a ouvintes.


Conciliação Profissional

Semana Cultural prestigia artistas goianos No início de maio os corretores de imóveis tiveram um encontro marcado com a cultura goiana. É que o Creci de Goiás realizou nesse período a Semana Cultural. Instituída pelo ato 02/2014, a Semana visa levar cultura e conhecimento aos profissionais do mercado imobiliário e à comunidade circunvizinha à sede do Conselho. Esse ano, a Semana Cultural também envolveu a comunidade científica com a realização paralela do III Encontro das Ciências Humanas e Tecnológicas para Integração na América Latina e Caribe (ECHTEC) no auditório

do Conselho, iniciativa que recebeu o apoio da autarquia. Dentro do ECHTEC e da Semana, 28 artistas goianos do Movimento Santuário da Arte participaram da exposição com quadros, fotografias e esculturas expostas no saguão, desde o dia 5 até o dia 8 de maio, com entrada livre para interessados. O evento ainda contou com Feira do Livro, que reuniu mais de 100 títulos dos mais diversos autores. Além das conferências e mesas de discussão do ECHTEC, o Creci de Goiás ainda abrigou as solenidades de abertura e encerramento do evento.

Conselho leva qualificação ao interior O Creci de Goiás vem realizando, desde janeiro, diversos cursos com os profissionais do interior do Estado, como nas cidades de Mineiros, Jataí, Jaraguá, Piracanjuba, Valparaíso, Alexânia, Itarumã, entre outras. Os corretores de imóveis que participaram dos eventos aprovaram a iniciativa. A corretora Maristela dos Santos, presente no curso sobre Plano Diretor em Mineiros, diz ter tido bom aproveitamento. “É ideal conhecer o Plano Diretor, saber os preços que o mercado pratica e as plantas da prefeitura”, comentou. Em Caldas

Novas, a palestra sobre Cartório de Registro de Imóveis teve boa aceitação do público. “A iniciativa foi ótima e o curso foi muito importante, pois são poucos corretores da região que têm conhecimento nessa área”, elogiou o corretor de imóveis Julio Cezar Soares. A programação dos cursos partiu de discussões realizadas nos Encontros de Delegados. Profissionais de outras regiões que tenham interesse, devem requerer a realização de cursos por meio do delegado do seu município, que trará a solicitação ao Conselho.

Nos meses de abril e maio, o Creci de Goiás, à convite da Justiça Federal, realizou Audiências de Conciliação em Anápolis e em Goiânia. A ação teve como objetivo proporcionar uma oportunidade para os corretores de imóveis inadimplentes negociarem seus débitos e evitarem assim um processo de execução fiscal. Para o juiz Dr. Marcelo Meireles Lobão (foto), da seccional de Anápolis, é importante realizar audiências de conciliação nos conselhos profissionais: "A solução imediata permite que a pessoa volte a trabalhar regularmente". Ele acredita que a experiência com o Conselho é proveitosa: "O Creci já tem uma experiência muito grande nesse processo, já tem feito muitas conciliações, então nós também estamos aprendendo para estender isso a outros conselhos". A Conciliação alcançou bons resultados. Em Anápolis houve quase 100% de aproveitamento, das 103 audiências realizadas, 101 resultaram em acordos. Já em Goiânia quase 90% das audiências resultaram em acordos, sendo realizadas 578 conciliações. A corretora de imóveis Carmem Silva, que participou da iniciativa, aprovou a ação: "Consegui organizar minha vida com o Creci, estou totalmente regular, já trabalhando de novo. Achei o atendimento muito humano, porque em nossa profissão a gente passa por várias fases ruins. Ninguém tem problema de pagar, as vezes não tem é condição".

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SOCIAL

Padrinho de prestígio O deputado federal Rubens Otoni abrilhantou a Solenidade de Entrega de Carteiras realizada em maio. Ele foi o padrinho da turma de novos corretores de imóveis que receberam suas credenciais em cerimônia.

Nova Lei Em evento proposto para discutir a Lei 13.097/2015, do Corretor Associado, os presidentes do Secovi Goiás, Ioav Blanche, e do Creci de Goiás, Oscar Hugo, receberam o criador da lei que regulamenta a atuação dos corretores de imóveis: Edinho Bez. Na oportunidade, o deputado federal recebeu homenagem pelo trabalho realizado.

Cultura goiana representada A Semana Cultural do Creci de Goiás e o III ECHTEC reuniram personalidades da cultura goiana. O anfitrião da mostra artística, o fundador do Movimento Santuário da Arte, Elifas Modesto; o coordenador do ECHTEC, Jean Jardim; e o coordenador da Feira do Livro, vice-presidente da União Brasileira dos Escritores, Vanderlan Domingos, recepcionaram a presidente da Academia Feminina de Letras e Artes, Maria Elizabeth Fleury. A presidente da Comissão Goiana de Folclore, Izabel Cristina Alves Signoreli também marcou presença nos eventos.

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CRECI NA MÍDIA O coordenador jurídico do Conselho, Fernando de Pádua, deu dicas de como se prevenir de golpes imobiliários em entrevistas para a TV Anhanguera e Record Goiás

O estudo do Conselho ainda foi tema de entrevista do presidente Oscar Hugo para a Rádio RBC que analisou o desenvolvimento do mercado imobiliário de Aparecida de Goiânia A pesquisa de preço de metro quadrado de lançamentos verticais do Creci de Goiás foi destaque na edição de março do Jornal O Popular

De fevereiro de 2015 a abril de 2015, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis foi notícia em veículos de comunicação de todo o Estado, totalizando:

9 espaços de mídia espontânea, sendo: 1 3 exibições em telejornal; 2 portais de notícias e redes sociais; 2 em rádio e 12 em revistas e jornais impressos.

Em matéria divulgada no jornal Diário da Manhã, sobre a profissão de corretores de imóveis, o presidente Oscar Hugo falou sobre o perfil do profissional

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PARA INTERIOR REFLETIR

Mensagem paterna A filha chegou para o pai e disse: Pai, não aguento mais a minha vizinha! Quero matá-la, mas tenho medo que descubram. O senhor pode me ajudar? O pai respondeu: Posso sim meu amor, mas tem um porém...Você vai ter que fazer as pazes com ela para que ninguém desconfie que foi você, quando ela morrer. Vai ter que cuidar muito bem dela, ser gentil, agradecida, paciente, carinhosa, menos egoísta, retribuir sempre, escutar mais...Tá vendo este pozinho aqui?

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Todos os dias você vai colocar um pouco na comida dela. Assim, ela vai morrer aos poucos. Passado os 30 dias, a filha voltou e disse ao pai: Eu não quero mais que ela morra! Eu passei a amá-la. E agora? Como eu faço para cortar o efeito do veneno? O pai, então, respondeu: Não se preocupe! O que eu te dei foi pó de arroz. Ela não vai morrer, pois o veneno estava em você! Quando alimentamos rancores, morremos aos poucos. Que possamos

fazer as pazes conosco e com quem nos ofendeu. Que possamos tratar aos outros, como gostaríamos de ser tratados. Que possamos ter a iniciativa de amar, de dar, de doar, de servir, de presentear...e não só a de querer ganhar, ser servido, tirar vantagem e explorar o outro. Que o amor de Deus nos alcance todos os dias, pois não sabemos se teremos tempo de nos purificarmos com este antídoto chamado perdão. Autor desconhecido


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Revista Painel Imobiliário - 17° edição  

Além de entrevista sobre a intelectualidade e a busca pelo conhecimento científico, a publicação traz: - Matéria sobre Anápolis; - A arte de...

Revista Painel Imobiliário - 17° edição  

Além de entrevista sobre a intelectualidade e a busca pelo conhecimento científico, a publicação traz: - Matéria sobre Anápolis; - A arte de...

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