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Andresen, Sophia de Mello Breyner


Andresen, Sophia de Mello Breyner


Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre de meus dedos colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio... Chorarei quanto for preciso, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito; praia lisa, águas ordenadas, meus olhos secos como pedras e as minhas duas mãos quebradas. Cecília Meireles


Mar ondas água salgada imensidão abismo profundo! Mar lembrança perfeição e mistério Mar esperança paz e serenidade Mar nadar numa imensa felicidade!

Ana Rodrigues


CARTA AO OCEANO

Ó Grande Alma trágica e sombria! Quando hás-de enfim, na campa repousar? Após a luta persistente e fria, Ah, quanto é bom morrer... dormir... sonhar... Estrebuchas nas ânsias da agonia, Há mil e tantos séculos, ó Mar! E nunca cessas de lutar, um dia, E nunca morres, Alma singular! Mas, ao chegar teu último momento, Quando zurzir nos ares a metralha Da tua alma desfraldada ao vento:

Envolto nessa líquida mortalha, Tu cairás prostrado, sem alento, Como um guerreiro ao fim d'uma batalha! António Nobre


O mar é um imenso e profundo infinito. É um brilho incandescente. Como o céu é azul e cristalino Grande e magnificente. O mar é um sábio carregado de História E de histórias. Nele se nasce, Nele se navega.

João Silva


Mar é verão Mar é pureza e tranquilidade Mar é como uma pérola rara e brilhante É um diamante sob a luz do sol, Uma caixa de vidro fechada Podemos ver através dela Mas não podemos ver dentro dela

Mariana Mendes


O mar é como o universo Profundo e desconhecido. O mar tem uma música Calma e tranquila. O mar é como as pessoas Sereno ou agressivo. Sara Ribeiro


Sentei-me sobre a areia à beira mar Fresca aragem fustigava-me o rosto arrepiei-me Olhei as águas que indiferentes vinham e iam numa canção de embalar Senti que tocavas a minha mão Arrepiei-me Não quis olhar Deixei vaguear o pensamento Pela água em ondulação Vi-te lá no horizonte, sorrindo para mim Um sorriso sem fim Como não têm fim os encantos do mar Senti um beijo ardente Na fresca ansiedade Da minha alma carente Arrepiei-me Pelo sonho acordado do ser solitário Do impróprio desejo Da carência, da tua ausência Do grito abafado Arrepiei-me Por estar na areia sentado E por sentir que a água salgada Era a minha solidão Arrepiei-me Por não estares a meu lado Mas sentir-te no coração Autor desconhecido


Fundo do Mar No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso. Andresen, Sophia de Mello Breyner


O mar é da cor que imaginarmos. Azul, se o virmos com os nossos olhos. Roxo, se o olharmos com a nossa alma. Vermelho, se o observarmos com o nosso coração. Nádia Musa

O Mar na Poesia  

MAR

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