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Assembleia da CPT nutre campesinato para a luta Cerca de 80 camponeses e camponesas participaram nos dias 27 a 29 de março da 28ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas. A assembleia fortaleceu a fé na luta e no Deus dos pobres. Com o tema “Campesinato: cultivando e guardando a criação”, o encontro contou com celebrações, reflexões, homenagens e cânticos. O indígena Inaldo Gamella, da CPT no Maranhã, veio à Alagoas contribuir com os debates. “A gente tem que seguir no caminho da luta. Esse é o caminho de nossos antepassados e é o caminho capaz de nos dar um futuro”, disse Inaldo.

bem comum e de lutar contra os ataques do governo Temer à aposentadoria e à Reforma Agrária.

Os presentes reafirmaram a importância de defender a terra como

A Pastora da Terra homenageou

Certificado Destaque

o Acampamento Padre André, localizado em União dos Palmares, erguido sobre as terras da falida Usina Laginha, como o destaque do ano de 2016 por sua determinação e persistência na luta.

Carta da 28ª Assembleia Estadual da CPT “Enquanto a gente acreditar no maior, não vamos pra lugar nenhum. Nós temos que fazer o maior acreditar no menor. Se não for assim estamos perdidos” (José Maria, “Azarias”. Acampado em Bota Velha há 17 anos).

Somos filhas e filhos da luta. Esse é o nosso chão, o nosso caminho. Somos comunidades Camponesas que vivem em acampamentos e assentamentos no sertão, na mata e no litoral. Somos um povo lutador e resistente afetado por uma longa estiagem, as

nossas roças e animais sofrem com a falta d’agua e nós sofremos junto. Mesmo assim insistimos em cultivar a esperança e os sonhos. Enfrentamos uma ofensiva política/econômica contra os nossos direitos, que foram duramente conquistados. O governo e seus aliados querem impor uma Reforma na Previdência, o que retiraria qualquer perspectiva de aposentadoria. A intenção é elevar a idade mínima para 65 anos e para 49 anos o tempo de contribuição. Também deseja igualar a idade mínima entre homens e mulheres, ignorando a jornada dupla exercida pelas mulheres. Outro ataque, em forma de armadilha, é a proposta de emancipação dos assentamentos do INCRA, mais uma tentativa de iludir nossa gente com a entrega do título da terra às famílias que vivem em assentamento, para encobrir a irresponsabilidade em não cumprir com o dever de conso-

lidar os assentamentos através da infraestrutura necessária. A verdadeira intenção é fazer com que essas terras conquistadas, que estavam nas mãos de camponesas e camponeses, voltem ao mercado. São tocaias montadas contra o povo trabalhador do campo e da cidade, para continuar a dar conforto e regalias aos mesmos que vivem a dominar. Os tempos nunca foram fáceis. A conjuntura atual é, apenas, a revelação do processo histórico contra os empobrecidos e a natureza. A nossa existência, o nosso jeito de viver, nossas crenças, nossas roças, é a forma de confrontar o poder de mando e modo de produção da classe dominante. Nós, filhos e filhas da luta, seguiremos na marcha da rebeldia, nas ruas e nas roças, preservando a nossa identidade. Guardando as sementes, cuidando da água. “Cultivando e Guardando a Criação”.


Mobilização ocupou prédios públicos contra o golpe na Reforma Agrária Incra, Secretaria de Estado da Mulher e Iteral foram tomados por mais de 500 camponeses e camponesas Após a Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra, os camponeses e as camponesas foram à luta, colocar em prática a defesa de seus direitos e pelo fim das desigualdades sociais.

A mobilização obrigou ao Superintendente do órgão, César Lira - que assumira o posto no mesmo dia - , viesse dialogar e receber as reivinicações do povo do campo. A principal reivinicação apresentada foi a efetivação da Reforma Agrária, para acabar com o sofrimento das famílias que lutam há mais de 15 anos pela posse da terra.

Mobilização surpreendeu o novo Superintendente do Incra

Reforma da Previdência, que prejudica ainda mais as mulheres camponesas, e reivindicou políticas de combate à violência e de saúde para mulhres que vivem e trabalham no campo.

Os camponeses e camponesas passaram à noite no local e só desocuparam após a reunião na tarde do dia seguinte. O Superintendente assumiu o compromisso de responder a pauta até o dia 28 de abril.

As mulheres foram contundentes na Secretaria. Afirmaram publicamente que não aceitam mais a desculpa de falta de orçamento ou de pessoal e desafiaram a Secretária a agir ou entregar o cargo. De prontidão, a secretária interina, Cláudia Elizabeth dialogou com as 150 camponesas e permaneceu negociando com uma comissão representante dos acampamentos e asssentamentos.

Pauta das mulheres

Reivindicação no Iteral

No órgão, os camponeses e camponesas cobraram, mais uma vez, o recurso já aprovado do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza para projetos em assentamentos, poços, irrigação e máquinas agrícolas, apoio às Feira Camponesas e projeto de educação nos acampamentos e assentamentos. Todos os pontos da pauta ficaram de ser encaminhados pelo Iteral duante o ano de 2017.

Reunião com o Governo Márcio Ferreira/Agência Alagoas

A jornada de luta começou ainda na tarde do dia 29 de março, quando mais de 500 camponeses, vindos de acampamentos e assentamentos acompanhados pela CPT, ocuparam o prédio do Incra, no Centro de Maceió.

Reforma Agrária chegará a Bota Velha e Mumbuca

Ocupação cobrou direitos das mulheres camponesas

Ao amanhacer do dia 30 de março, as camponesas presentes na ocupação do Incra marcharam juntas em direção à Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos. O prédio foi ocupado para reivindicar contra a

Iteral foi ocupado para garantir estrutura no campo

O Instituto de Terras de Alagoas foi o terceiro prédio público ocupado simultâneamente. Foram cerca de 300 camponeses e camponesas nessa mobilização que reivindicou infraestrutura no campo e apoio à comercialização.

A jornada de lutas acabou no dia 31, com um grupo expressivo participando da marcha contra a terceirização e as reformas da Previdência e Trabalhista. Além disso, uma comissão se reuniu com o Governador Renan Filho, para cobrar celeridade nas pautas apresentadas aos órgãos estaduais e compromisso com a Reforma Agrária. O Governador se comprometeu com a desapropriação das terras onde estão os acampamentos Bota Velha e Mumbuca, ambos em Murici.

A luta continua! Vem aí, Abril Vermelho. 17 e 18/ 04

Caminho da Roça - Abril 2017  

Informativo da Comissão Pastoral da Terra, mês de abril de 2017.

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