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entrevista clรกudio prado jr.

Luxo para

todos Direcionar um negรณcio para o mercado de luxo nunca foi tรฃo promissor

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Divulgação

Nos últimos cinco anos Claudio Prado Jr., apresentador, empresário e jornalista com mais de 20 anos de carreira, direcionou seu foco de atuação especificamente para o mercado do luxo. Com clientes nacionais e internacionais, a exemplo da holandesa ELEQT, a mais badalada rede social mundial de luxo, e a SXC (Space Expedition Corporation) a famosa empresa de Turismo Aeroespacial, entre outros, ele é um exemplo de que focar no segmento é promissor. Prado, que também é colunista da LUXUS Magazine, criou em 2011, o LUXO A+, o primeiro programa de TV exclusivamente focado em conteúdo de luxo e a primeira feira do luxo brasileira, a Brazil Luxury Fair, realizada em São Paulo. Para ele, o segmento, além de estar apresentando um forte crescimento, é uma ferramenta econômica poderosa para alavancar muitos novos negócios. Prado estima que o mercado potencial no Brasil supera os 40 milhões de pessoas que, de uma forma ou de outra, pode adquirir produtos de luxo. Segundo o estudioso do setor, em geral o luxo não escolhe idade, nem sexo e também não se restringe mais aos ricos, abrindo oportunidades nos mais variados segmentos. Confira na entrevista concedida à Meu Próprio Negócio qual o novo cenário do mercado de

Segundo o especialista Cláudio Prado Jr. entre os mercados especialmente promissores no setor de luxo está o de serviços e produtos para bebês

luxo no Brasil e suas muitas frentes de investimento. Meu Próprio Negócio – O que o levou a adquirir conhecimento e interesse pelo mercado de luxo? Cláudio Prado Jr. – Há muitos anos tenho uma relação com o mercado de luxo, tanto pessoal, quanto profissional e, por meu perfil empreendedor, sempre busquei dentro da minha profissão de jornalista uma diferenciação. Eu me identifico com o conceito de excelência do mercado de luxo, e foi isso que me fez escolher essa linha de trabalho. Sempre questionei quando fiz o curso de comunicação na faculdade sobre a necessidade de ter um atendimento também para um público qualificado, para marcas de luxo e premium, empresas e segmentos que buscam oferecer produtos e serviços para o público classes B e A. De tanto buscar sozinho e não ser ouvido, decidi por mim mesmo seguir adiante nesse nicho de trabalho, criando serviços exclusivos, programas independentes de TV e internet com foco nesse público, estudando sozinho e buscando aprender mais e mais sobre o setor, que é gigantesco no Brasil. Para minha felicidade estou tendo um retorno muito positivo e uma repercussão pessoal e profissional igualmente gratificante. MPN – Quando se fala em mercado de luxo logo vem à mente marcas internacionais consagradas. Há oportunidades nesse segmento para quem tem poucos recursos para empreender? Pode dar alguns exemplos de opções de negócios promissores para esse perfil de empreendedor? CPJ – Eu, por exemplo, encontrei dentro do mercado de luxo o segmento de assessoria de imprensa e relações públicas e de negócios para esse mercado. A questão primordial é saber que no luxo, o que conta é a excelência do produto ou serviço e a qualidade total do mesmo, além de ser conhecedor profundo do que irá realizar. Uma joia de luxo não é feita em larga escala ou no chão de uma fábrica. Ela é produzida pelas mãos de um artesão conhecedor profundo do que faz, e que se dedica totalmen-

te ao que se propõe a fazer, e melhor, entende plenamente do que faz, e faz peça por peça, uma de cada vez. O resultado disso é sempre perfeito. Um artesão talentoso não precisa de grandes investimentos para desenvolver o seu produto, precisa sim é de suas mãos talentosas, mas, obrigatoriamente, deve trabalhar com a melhor matéria-prima. Os segmentos para um pequeno empreendedor são muitos, pois as pessoas consumidoras de luxo adoram produtos exclusivos: moda (alfaiataria e costura), joias, bolsas, acessórios, serviços de segurança, motoristas, gastronomia, turismo, entretenimento etc. São várias áreas e todas altamente promissoras, desde que o que se ofereça seja sempre diferenciado e de alta qualidade. MPN – Poderia apresentar alguns dados que retratem o potencial de crescimento desse setor e o quanto ele movimenta no Brasil? CPJ – Alguns números confiáveis são anualmente apresentados pela MCF Consultoria e o grupo GFK. Mas também uma boa referência é a Digital Luxury Group, empresa europeia de estratégia e marketing digital para a indústria do luxo. De acordo com pesquisa recente, o Brasil movimentou mais de R$ 25 bilhões em produtos de luxo, um crescimento de 24% em relação a 2011. Além disso, conforme estudo feito pela empresa de consultoria americana Bain & Company, é esperado um crescimento no setor de luxo brasileiro de até 25% nos próximos cinco anos, o que é extremamente expressivo em termos de marcado brasileiro e mundial. MPN – Você atua nessa área há cerca de seis anos, o que mudou nesse período para quem investe em um negócio na área? CPJ – O mercado de luxo brasileiro no modelo atual, efetivamente existe há pouco mais de dez anos, antes disso, era resumido a lojas multimarcas de luxo, ou a compras feitas em viagens ao exterior. De lá para cá, o que mudou foi que os olhos das grandes marcas de luxo internacionais fixaram-se na estabilidade financeira da moeda brasileira, no crescimento

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grandioso de uma nova classe média nacional, que alavancou as classes B e A, e ao benefício único que os brasileiros têm e comprar produtos de luxo com cartão de crédito parcelado, coisa impossível no exterior, e aportaram suas lojas por aqui. Além disso, a classe média adora produtos originais de luxo e promove um novo ritmo de vendas para as marcas. Ao adquirir pelo menos um produto, como um par de óculos, maquiagem, cintos, sapatos, enfim, produtos que demonstrem que elas também podem “se dar ao luxo” de ter luxo consigo, elas promovem um volume de vendas ainda maior para quem investe no setor.

MPN – Quais são as regiões do País mais favoráveis a empreendimento com foco nesse nicho e por quê? CPJ – Costumo dizer que o território nacional é de ponta a ponta favorável. Sempre discordei da alegação de que o Brasil conta apenas com 165 mil milionários, até porque, grande parte das pessoas tem trabalhos informais, são prestadores de serviços, pequenos empresários que enriqueceram por seu talento, fazendeiros, e outras profissões que acabam por não serem acessadas para confirmação desses números. Em minha modesta opinião, o mercado potencial no Brasil supera os 40 milhões de pessoas que de uma forma ou de outra, pode adquirir esses produtos. Cidades como Brasília, Belo Horizonte, Campinas, o interior de São Paulo como um todo, Curitiba, Goiânia, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Florianópolis, João Pessoa, enfim, todas as capitais brasileiras são terreno altamente fértil para as marcas de luxo. É muito ingênuo dizer que o luxo se resume às grandes cidades e capitais, já que existem ricos em todas as cidades do nosso país. Logicamente é mais fácil focar os investimentos nas grandes cidades, pois pela estrutura oferecida elas em geral convergem para si o fluxo de pessoas de todas as cidades do seu entorno.

MPN – E quanto ao consumidor, ele ganhou novas características e apresenta novas demandas? CPJ – Como disse anteriormente, o consumidor de luxo brasileiro é formado não somente pelos mais ricos, mas também por aqueles que desejam ter acesso a produtos de alta qualidade. Isso criou um luxo democrático, ou seja, ele circula mais amplamente por diversas classes sociais. Os consumidores brasileiros, em grande parte, ainda estão em uma fase de ostentação, de consumo intenso e de demonstrar sua prosperidade pessoal e profissional. Isso é muito bom para a consolidação do mercado, mas aos poucos esse consumidor irá aprender qual marca é melhor, qual oferece mais vantagens. É um amadurecimento natural.

MPN – Quais os públicos mais atraentes nesse segmento para o micro e pequeno empresário – infantil, feminino, masculino, idoso, solteiros...? Pode sugerir oportunidades de negócios para cada um deles? CPJ – Em geral o luxo não escolhe idade, nem sexo. Porém o mercado de luxo tem crescido intensamente com os produtos para bebês e crianças, pois o comércio focado nesse segmento é bilionário no mundo todo, e igualmente no nosso país. Hoje em dia os pais não se contentam mais em apenas vestir os filhos, eles desejam roupa de grife, preferencialmente a mesma que usam, o carrinho de bebê mais moderno e com os mais avançados recursos tecnológicos, a mamadeira e a chupeta totalmente anatômicas e com produtos que não

A bola da vez Até 2012 falava-se em um universo de oportunidades gerado pela “nova classe média”, uma alusão à classe C que, atualmente, representa 55% da população. Pois a bola da vez agora é a classe AB, que crescerá 29% de 2012 a 2014, chegando a 29,1 milhões de pessoas, segundo a pesquisa De Volta ao País do Futuro, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) .

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criem problemas de saúde para os filhos, e isso tem um preço bem mais elevado, que os pais não medem esforços para pagar. Da mesma maneira, em segmentos para adultos, jovens, idosos, homens e mulheres, casados e solteiros, a oportunidade está aberta para quem se propuser a oferecer o que é de primeira qualidade e tiver um apelo atrativo do produto ou serviço oferecido. Quem consome luxo adora ser bem tratado, e isso já é um diferencial. MPN – Nos últimos anos muito se falou sobre o potencial da Classe C, o segmento de luxo tente a crescer no Brasil? Saberia estimar sua ascensão ou apontar alguma pesquisa? CPJ – A Classe C é vital para o mercado de luxo brasileiro, já que o produto de luxo para essas pessoas, que se encaixam nesse perfil social, é o sonho realizado. Há dez anos, seria impossível uma pessoa que ganhasse cerca de R$ 2 mil por mês, ter em sua casa uma TV de 50 polegadas, de alta-definição, de última geração. Essa TV custaria no mínimo uns R$ 60 mil, teria de ser importada e seu valor seria em dólar. A estabilidade do Plano Real e a gestão econômica do país trouxeram os preços para baixo e permitiu mais dinheiro nas mãos das classes populares que, comprando cada vez mais, jogou para baixo, e bem para baixo, os preços de produtos até então ditos de luxo, como é o caso da TV, que hoje pode ser comprada por cerca de R$ 2 mil em até 24 parcelas na grande maioria das lojas de departamentos. O luxo pulou rapidinho das prateleiras para as casas de pessoas, teoricamente, longe do mercado de luxo. As marcas de luxo sacaram isso, e inteligentemente tem oferecido produtos mais acessíveis e tem criado segmentos mais populares, mas com o mesmo apelo do glamour do luxo. Quem tem o melhor exemplo disso é a Armani, que tem segmentos definidos para cada público-alvo, e criou a Armani Exchange, mais jovem e acessível. A Classe C invadiu o território das Classes B e A, e


deu uma mexida muito interessante na Pirâmide Social. MPN – Quais os principais cuidados para ter sucesso nesse segmento com relação a produtos e serviços? Onde mora o segredo? CPJ – O sucesso vem a partir do conhecimento do que se faz, da excelência do serviço prestado, do pós-venda impecável, do interesse e dedicação ao cliente, e o mais importante de tudo, que é onde eu dedico meu trabalho, a uma perfeita comunicação entre a marca e o seu cliente. Se a empresa não deixar muito claro como pensa e age em relação aos seus produtos e serviços e, principalmente, em relação ao seu consumidor, não tem como ter sucesso nesse setor. Demonstrar que ela é sustentável, que usa produtos de procedência, sem uso de mão de obra infantil ou escrava, matança de animais, contrabando, ou que compactua com coisas ilícitas, é primordial em um mercado que preza a qualidade total não apenas de produtos e serviços, mas, especialmente, de comportamento social. MPN – Quanto à composição de preço de produtos e serviços, qual a mentalidade/fórmula para chegar ao valor cobrado? Qual o peso do preço na decisão de compra desse consumidor? CPJ – O preço é e sempre será o grande mito do mercado de luxo. Porque uma caneta de luxo custa R$ 100 mil e uma semelhante, mas sem o nome famoso custaria no máximo R$ 500? É o peso da marca. Sendo assim, preço acaba sendo uma forma de segmentação de mercado, e são refletidos nesse preço os valores imaginários, como a força da marca em questão, seu poder de criar sonhos a partir de seus produtos, e benefícios associados à marca e ao produto, como status, distinção social e acesso a bens diferenciados e exclusivos. Conta também a exclusividade de conhecimento de quem desenvolve o produto, o tempo gasto na sua confecção, a raridade dos materiais usados pelo profissional, a dificuldade de criação do objeto e a fila

de espera para ter acesso ao bem. Aí, para ter acesso a isso, muitas pessoas não questionam o preço e sim a realização, o prazer e satisfação pessoal em adquiri-lo. MPN – Para divulgar um negócio de luxo que conselhos você dá para o empresário à frente de um pequeno negócio e sem muitos recursos? CPJ – Em primeiro lugar, saber com quem irá se comunicar, quais meios de comunicação, e como essa informação chegará ao seu consumidor de interesse. Meu trabalho é permitir que marcas possam ter acesso a mídias em geral sem que, necessariamente, haja investimento financeiro, por isso que o trabalho das assessorias de imprensa para todos os segmentos é tão importante e vital para o sucesso da marca. Já vi empresas gastarem milhões em propagandas em TV, rádio e jornal, mas que tiveram efetividade zero, já que suas veiculações ocorreram em horários e para públicos diferentes do que a sua marca atingia. Começar se comunicando com o seu público mais próximo é um bom passo, e também se utilizando das mídias sociais pode ser um começo positivo. Mas é apenas algo provisório, pois com o crescimento da marca, novos territórios acabam entrando na expansão e, nesse momento, o que é preciso mesmo é uma sintonia de comunicação frequente entre a marca e o seu consumidor. MPN – Quais os pontos mais relevantes de gestão e produtos/serviços para ter sucesso à frente de um empreendimento de luxo? CPJ – Sempre bato nesta tecla, o sucesso no mercado de luxo vem a partir do total conhecimento do que se faz. Sem isso, sua marca pode ser no máximo de boa qualidade. As marcas de luxo tem tradição de anos, décadas e, muitas vezes centenas de anos, sem perder a liderança do seu meio de atuação e fazendo o mesmo de maneira sempre perfeita. Por isso não se cria uma marca de luxo da noite para o dia. Mas a boa notícia é que se pode ter serviços e produtos igualmente de luxo feito por novos empreendedores.

Se o profissional, ou a pequena empresa se focar em oferecer cada vez mais e mais qualidade, pode ser até um simples Panetone, é possível torná-lo um objeto de desejo, disputado e comprado a um preço muito maior do que o da concorrência, justamente porque ele tem um sabor que faz com que as pessoas queiram a todo custo experimentá-lo. MPN – Qual a importância desse segmento para o Brasil e por que ele desponta como uma ferramenta econômica poderosa para alavancar outros negócios, como aponta? CPJ – Acredito que o mais importante do mercado de luxo é a geração de empregos, novas oportunidades de geração de renda, novas capacitações profissionais e o melhor de tudo: cresce sem crises ano após ano. O mercado de luxo se encaixou perfeitamente no Brasil, justamente porque ficamos décadas sem acesso a ele, carentes nesse setor e agora vivendo uma prosperidade como o país jamais havia visto. O brasileiro adora o luxo, e se sente confortável em receber essas novidades. Como eu sempre digo: quem apostar no luxo terá sucesso garantido. MPN – Você promove cursos para empresários interessados em ingressar nesse segmento. O que o inscrito pode esperar quanto ao conteúdo desses eventos? CPJ – Quem participa dos meus cursos vai além de teorias e números frios, e sim, tem uma imersão no mercado como um todo e aprende a se encaixar neste mercado com seu talento pessoal. Também me preocupo muito com a geração de empregos, e ainda para 2013, devo lançar um MBA para as pessoas que queiram ingressar no mercado de trabalho do luxo, capacitadas e preparadas para ocupar os milhares de cargos abertos e os outros milhares que virão daqui para frente. Colaborou: Cláudio Prado Jr.: www.claudiopradojr.com Twitter: @cpradojr

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MERCADO DE LUXO: REVISTA MEU PRÓPRIO NEGÓCIO ED. 130  

Entrevista realizada com o jornalista Claudio Prado Jr, especialista em Comunicação para o Luxo sobre as oportunidades de négócio que o Merc...

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