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ARQUIPÉLAGO DO MARAJÓ

Márcio Vitelli

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SOURE - PARÁ 2007

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Sumário PREFÁCIO .............................................................. 11 A HISTÓRIA DE SOURE . ....................................... 14 O RIO PARACAUARI .............................................. 17

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O PRETINHO DA BACABEIRA ............................... 18 A COBRA DO SOSSEGO ...................................... 21

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O TOCO ................................................................. 23 A PEDRA DA ESTIVA ............................................. 25

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O BOTO VISITA SOURE . ...................................... 27 A MÃE DE FOGO ................................................... 29

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O BOTA-FOGO ..................................................... 30

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O VAQUEIRO BOAVENTURA . .............................. 31 O FURO DO MIGUELÃO ...................................... 34

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O FANTÁSTICO LAGO GUAJARÁ ........................ 37

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A CARROCINHA DE OSSOS

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.............................. 40

A SACA DE OSSOS ............................................... 42 A ILHA DO NAVIO

................................................ 44

O SOCA . ................................................................ 46 A MULHER CHEIROSA

....................................... 48

JOGOS EDUCATIVOS . ......................................... 50 RESPOSTAS DOS JOGOS EDUCATIVOS

......... 56

MAS, AFINAL, O QUE É FOLCLORE? ................... 57 GLOSSÁRIO .......................................................... 59


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Lendas e Visagens de Soure - Arquipélago do Marajó

O PRETINHO DA BACABEIRA Uma livre adaptação da lenda homônima.

Há muitos anos, morava em Soure, bem na margem do Rio Paracauari, uma humilde senhora que, ao passar por dificuldades no momento do parto, pediu ajuda à vizinha Iara, moradora do Paracauari: — Oh, Iara! Como Mãe d’Água, conheces melhor do que eu o amor por um filho. Por isso, me ajude nesta hora de precisão. Após o pedido à Mãe d’Água, um bebê do sexo masculino nasceu. Contudo, meses depois a mãe faleceu. A Iara, sensibilizada, adotou a criança como seu filho e o levou para morar na sua casa, um reino encantado que fica nas profundezas do Rio Paracauari, onde lhe dedicou atenção, amor e carinho. Biblioteca Virtual do CPOEMA


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Misturada às águas do Paracauari, a criança era trazida para a margem na enchente e levada na vazante. Assim ela cresceu, até que chegou o tempo de fazer o seu palácio no fundo do Igarapé Taucu, mais conhecido por Gruta ou Igarapé da Bacabeira. Caso curioso do Pretinho da Bacabeira aconteceu numa noite de sábado, quando o caboclo Firmino vinha da tradicional “Festa da Cobra”. Ao passar defronte da bacabeira, Firmino foi surpreendido pelo Pretinho, que lhe aplicou um susto. Recomposto, ele o desafiou para uma luta marajoara. Convite que o Pretinho aceitou sem pestanejar. Firmino atacou uma, duas, três vezes com os golpes: boi laranjeira, fincada e cabeçada, mas seus braços não encontravam o Pretinho, que sumia e reaparecia próximo ao pé da bacabeira. Nas poucas vezes que conseguiu segurálo, não pôde derrubá-lo, pois, parecia que o menino estava enraizado no chão.

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A madrugada do domingo chegou e Firmino continuou a lutar como nunca lutara antes, sem fugir diante daquele desafio sobrenatural, até que um pavor tomou conta do fatigado homem fazendo-o desmaiar. Ao amanhecer, Firmino foi encontrado pelos feirantes do Mercado Municipal de Soure, dormindo no pé da bacabeira. Tão logo soube das traquinagens do filho encantado, a Mãe d’Água o repreendeu com um severo castigo: nunca mais freqüentar a terra dos homens. Atualmente, o Igarapé Taucu foi parcialmente aterrado, a bacabeira já não existe e, para construir casas no barranco, os interessados pedem licença ao Pretinho encantado. Desse dia em diante, o Pretinho da Bacabeira aprendeu a lição. Nas suas horas de folga, entre os estudos e as brincadeiras, ele ajuda a sua Mãe d’Água a limpar o rio, retirando plásticos, latas, vidros e demais impurezas. Ajude o Pretinho você também.

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O VAQUEIRO BOAVENTURA

O Boaventura era um vaqueiro da fazenda “São Sebastião”. Ele tinha um grande amigo, o Merandolino, mais conhecido como Merá. Eles estavam sempre juntos nas festas, nas bebedeiras e no comércio do Miguelão. Certo dia, Boaventura estava com os companheiros de trabalho, quando atravessou montado o lago Piratuba, pertencente à mesma fazenda. Naquela oportunidade, ele desapareceu misteriosamente nas águas do lago. Três anos após seu desaparecimento, Merá cavalgava pelos campos marajoaras, ainda recordando do amigo sumido, quando se espantou com uma voz pronunciando o seu nome vindo de um homem que dizia ser o Boaventura. Ele estava parado a sua frente, nu da cintura para cima, com um chapéu de grandes abas escondendo Biblioteca Virtual do CPOEMA


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o seu rosto. Boaventura montava seu cavalo baio. Os arreios eram tão bem cuidados que as argolas brilhavam muito. Daí em diante, eles passaram a se encontrar. Boaventura quis ajudar o amigo e ofereceu uma “botija” cheia de jóias que estava enterrada, mas Merá não aceitou. Mesmo tendo encontrado todas as pistas da localização do tesouro dos finados colonizadores (naquela época não havia banco). Merá não quis o presente porque, se aceitasse, partiria de Soure para sempre e sofreria terrível maldição. Muitos anos depois Merá morreu. Enquanto o pessoal da fazenda velava o corpo, viu chegar um rapaz que não saudou ninguém. Ele ficou parado na porta, olhando firme para o corpo do falecido. Depois, se afastou e desapareceu. Os presentes no velório diziam que era o Boaventura que se despedira do amigo.

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No aterro do lago Piratuba existe um cajueiro. Em suas raízes há uma poça d’água que nunca seca. Dizem ser ali a morada do vaqueiro encantado. E quem apanhar um caju dessa árvore, sem lhe pedir licença, é atacado por centenas de cabas. Até hoje os conterrâneos e visitantes que passam pelo portão da fazenda “São Sebastião” pedem licença ao vaqueiro encantado. Se não o fizerem, eles correm o risco de serem vítimas de alguma coisa ruim.

Boaventura exerce grande influência no cotidiano dos vaqueiros, principalmente quando eles perdem animais. Logo lhe pedem ajuda, oferecem em troca alguns presentes, colocados no meio do campo. No dia seguinte, os búfalos são encontrados presos no curral à espera do dono.

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