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o u t - dEz - 2017 | Ed içã o ESP ECiA L | J A n 20 18

GErALdo dirCEu oLivEirA EnGEnhEiro do Ano 2017 EnSino híBrido novo modelo de ensino de Engenharia

tEndênCiAS um futuro melhor com as cidades inteligentes

ESPECiAL Bh 120 AnoS Projetos e programa para o futuro da cidade


A MRV apresenta: O dia em que o futuro chegou. Já é realidade. Em 2017, mais de 17 mil famílias brasileiras foram beneficiadas com a Energia Solar nas áreas comuns dos seus condomínios. Para os nossos clientes, uma grande economia na conta de luz. Para o planeta, a preservação dos seus recursos naturais. E tem mais: em cinco anos, 100% dos empreendimentos MRV serão entregues com Energia Solar. É a maior construtora da América Latina sendo a maior também no cuidado com o mundo que vamos deixar para as futuras gerações.

Mais que apartamentos, o novo jeito MRV de viver.

mrv.com.br


EdItorIal | Palavra do PrESIdENtE

Bh 120 Por uma cidade afetiva e inteligente Afetividade: Segundo o dicionário, afetividade significa “um conjunto de fenômenos psíquicos que são experimentados e vivenciados na forma de emoções e de sentimentos, por outro ser ou objeto”, entendendo que um objeto pode modificar nosso ser a partir do momento em que ele for simbólico. Ela está na emoção de ouvir um canto de passarinho, a alegria ao ver o colorido dos ipês ou uma árvore torta que insiste em oferecer sua sombra aos passantes. O sentimento de pertencimento deve permear todos, mais especificamente os humildes e os mais necessitados porque esses são os desamparados, filhos e filhas largados pela cidade. Sentimos empatia ou compaixão ao passar por um “morador” de rua. Mas como você se sentiria se fosse o prefeito de BH ao saber que temos mais de 5,6 mil moradores de rua na cidade? Humanizar os espaços urbanos, público ou privado, não é uma tarefa só do prefeito, mas de todos nos cidadãos de BH. Principalmente dos proprietários de imóveis, arquitetos, urbanistas e empresários. Para sermos afetivos, antes de tudo, precisamos de mobilidade para facilitar a socialização no meio urbano. Mobilidade para ganhar mais tempo ou ganhar tempo para ver mais TV? Desfrutar da convivência dos vizinhos com segurança, ter uma área verde onde possa ir a pé, um posto de saúde em que possa se consultar à noite, uma escola em que possa frequentar mais tarde ou, até mesmo, ver mais

Ronaldo Gusmão Presidente da SME

TV, desde que essa seja uma escolha e não pela falta de opção. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, 36% das viagens ocorrem a pé e 4% por meio de bicicletas, e isto ocorre devido a fatores econômicos. Recentemente, foi solicitado a Prefeitura de Belo Horizonte o reajuste das tarifas no transporte público com a justificativa que os custos aumentaram e, principalmente, porque houve uma redução do número de passageiros nos ônibus. Se a cidade fosse mais inclusiva, por exemplo, poderíamos propor um passe de ônibus para os desempregados – com um valor simbólico – para serem utilizados nos horários onde há assentos vagos. Inteligente: “Aquele que tem a capacidade de aprender e compreender”, segundo o dicionário. Assim, uma cidade inteligente é, antes de tudo, uma cidade que sabe oferecer vida de qualidade, que seja competitiva e que gere prosperidade inclusiva, compreendendo assim as necessidades humanas. Numa cidade inclusiva não acontece o fenômeno de gentrificação, isto é, a expulsão de seus antigos moradores de uma área, antes degradada, que passa a receber investimentos e logo é valorizada. Mas o interesse econômico não pode prevalecer sobre o bem comum. O conceito de cidades inteligentes segundo a autora Vivian Blaso tem sete pilares: Gestão econômica, Acessibilidade tecnológica, Territórios verdes, Gestão social, Gestão de facilidades e Mobilidade.

Falaremos um pelo qual nós, engenheiros, nos orgulhamos muito: a infraestrutura tecnológica. A infraestrutura tecnológica precisa ser universalizada na cidade: as fibras ópticas já são as vias pavimentadas; os celulares já são os radiozinhos de pilha; as luminárias inteligentes já são as lâmpadas de mercúrio; as redes colaborativas já são os PSIUs; a conectividade já é a rede de água; e a rede social já é nossas mesas de boteco. Nós, engenheiros, precisamos entender que a cidade inteligente não é só infraestrutura tecnológica. Tecnologia é um meio para satisfazer as necessidades humanas, indivíduo-espécie-sociedade. Nossa calçada pode nos separar ou nos unir, depende de sua configuração. Assim é a cidade inteira. Quantas calçadas precisam ser construídas e reconfiguradas para nos unir? Quantos muros ainda precisam ser derrubados? Cidade afetiva e inteligente Nossa futura BH! Não basta ser engenheiro, é preciso antes de tudo ser um cidadão municipal, porque nós não moramos na união ou no estado, mas na cidade. Qual a cidade que queremos no centenário da SME, em 2031? O que devemos pensar hoje, planejar amanhã e fazer depois de amanhã, para que em 2031 tenhamos o que comemorar? Eu e toda a diretoria da SME estamos inscritos nesta jornada. Vamos conosco!

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Presidente Ronaldo José Lima Gusmão vice-Presidentes Flávio de Azevedo Carvalho José Antônio Silva Coutinho Luiz Otávio Silva Portela Rodrigo Antônio de Paiva diretores Diego Caio Rodrigues Volpato Fernanda Santos Portela

Léu Soares de Oliveira Luciano de Almeida Costa Maeli Estrela Borges Marya Karolline Vaz Bertoldo Silvio Antônio Soares Nazaré Sumaia Zaidan Valéria Telles Dias Netto Wilson Luiz Martins Leal Conselho deliberativo Presidente Rodrigo Octávio Coutinho Filho

Conselheiros Adolpho Valladares Portella Alessandro Fernandes Moreira Antônio Geraldo Costa Carlos Eduardo Orsini Nunes de Lima Clémenceau Chiabi Saliba Júnior Heleni de Mello Fonseca Luiz Alberto Garcia Márcio Damazio Trindade Marcos Villela de Sant'Anna Marita Arêas de Souza Tavares Ronaldo Vasconcellos Novais Teodomiro Diniz Camargos

Conselho Fiscal Presidente Marcos Túlio de Melo Conselheiros Haroldo Guimarães Brasil José Amador Ribeiro Ubaldo José Nelson de Almeida Machado Guilherme Brandão Federman

Declarada de utilidade pública pela Lei 1313, de 14/11/1955 do Governo do Estado de Minas Gerais e 2034, de 28/12/1971, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte - Rua Timbiras, 1514 – Bairro Lourdes – CEP:30.140-061 – Belo Horizonte – Minas Gerais - sme@sme.org.br - www.sme.org.br

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Jornalista responsável luciana maria Sampaio moreira mG 05203 JP departamento Comercial Fabiola Veríssimo eventos@sme.org.br tel. (31) 3292 3810

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Apoio

tiragem 10 mil | trimestral Distribuição regional (mG) Gratuita

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Publicação | SME Sociedade mineira de engenheiros rua dos timbiras, 1514 bairro lourdes belo horizonte minas Gerais ceP: 30140-061

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(31)3292-3962


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ESPECiAL Belo horizonte completa 120 anos

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ArtiGo | EnErGiA Sistemas Elétricos de Potência

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tEndênCiAS um futuro melhor com as Cidades inteligentes

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JovEM EnGEnhEiro diogo Ávila de Castro

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SuStEntABiLidAdE Bh é beneficiada com programas do iCLEi

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EntrEviStA Geraldo dirceu oliveira

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EnGEnhEiro do Ano 2017 Gdo recebe homenagem da SME

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EnSino híBrido novo modelo de ensino de Engenharia

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SEMAnA do EnGEnhEiro SME promove ciclo de Palestras

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EMPrEEndEdoriSMo Empresas juniores de Minas se destacam no Brasil

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EMPrEEndEdor uso da engenharia para empreender

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artIGo norma de inspeção Predial da ABnt

trAnSPortE via 040 promove ação para evitar acidentes

MEStrES dA EnGEnhAriA ronderson Queiroz hilário


Notícias sme alESSaNdro MorEIra é o Novo vICE-rEItor da UFMG O ex-diretor e atual membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) e diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, o engenheiro e professor Alessandro Fernandes Moreira é o novo vice-reitor da instituição para o quadriênio 2018/2022. Bastante disputada, a eleição foi realizada em segundo turno, entre os dias 21 e 23 de novembro, quando foi divulgado o resultado final, com 65,67% dos votos válidos para a Chapa 2 – UFMG Pública e Diversa.

Sandra Goulart Almeida, reitora da uFMG e Alessandro Fernandes Moreira -vice

A nova reitora será a professora Sandra Goulart Almeida. A plataforma de trabalho da nova gestão baseia-se na defesa do caráter público, diverso, autônomo e de relevância que a UFMG tem para Minas Gerais e para o país. Parabéns!

rESPonSABiLidAdE SoCiAL Na pauta, o projeto de responsabilidade social que a Rede Cidadã, em parceria com a SME, apresentou à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para acolher os moradores de rua da capital, por meio da oferta de capacitação profissional e inclusão social por meio do trabalho.

O vice-prefeito de Belo Horizonte, engenheiro Paulo Lamac, participou de um encontro com o presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), Ronaldo Gusmão, com o diretor administrativo financeiro, Léu Soares e com a presidente da Rede Cidadã, engenheira Ângela Alvarenga, na sede da entidade. 6


dEBAtE PúBLiCo A Sociedade Mineira de Engenheiros através da Comissão Técnica de Transportes da (CTT/SME), foi uma das entidades participantes do debate público “Minas de Volta aos Trilhos”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 12 de dezembro, no auditório José Alencar Gomes da Silva.

O evento debateu as consequências da MP 752/2016 (Lei 13.448/2017) que trata da renovação das concessionárias ferroviárias para garantir as contrapartidas necessárias e a criação de um fundo para conservação e melhorias para discutir os destinos e usos das ferrovias do Estado e, ainda, criar a Frente Parlamentar Mineira Pró-Ferrovias.

iii SEMAnA dE EnGEnhAriA dE Produção dA univErSidAdE FEdErAL dE itAJuBÁ (uniFEi) Representantes da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) participaram como palestrantes da III Semana de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), realizada no campus Itabira no dia 25 de outubro. Eles participaram do painel “O papel do Engenheiro na sociedade”, que atraiu muitos estudantes e professores da instituição. Na foto, o engenheiro e diretor administrativo financeiro da SME, Luciano de Almeida Costa, o engenheiro, associado e consultor da SME, Marco Aurélio Horta, o estudante da Unifei, Lucas Ambrósio de Oliveira e o engenheiro associado, diretor da Coopenge e candidato à presidência do CREA-MG, Alfredo Marques Diniz. iCAS 2018 Belo Horizonte vai sediar, entre os dias 9 e 14 de setembro de 2018, o encontro bianual do 31º Congress of the International Council of the Aeronautic Science (ICAS), considerado o principal evento internacional do segmento de Engenharia Aeronáutica. A expectativa dos organizadores, entre eles a Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) é atrair 2 mil pessoas entre engenheiros, cientistas e tecnólogos de 40 países diferentes para a capital mineira. Esta será a primeira vez que o evento será realizado no Hemisfério Sul. Mais informações pelo site: www.eventos.abcm.org.br/icas2018

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CoMiSSõES téCniCAS SME

Em dia com as Comissões técnicas Um dos projetos mais importantes da atual diretoria da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) é a reativação das Comissões Técnicas e Empresariais. Ao reunir engenheiros de diversas áreas e gerações, a entidade pretende retomar a sua tradição de contribuir, de forma prática e qualificada, para o processo de desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e do Brasil. Atualmente, as Comissões Técnicas e Empresariais da SME estão a cargo do vice-presidente Técnico e Cultura, Luiz Otávio Portela, e das diretoras técnicas Maeli Estrela Borges, Sumaia Zaidan e Marya Karolline Vaz.

Comissão técnica de transportes

A Comissão Técnica de Transpor-

A CTT promoveu seu último en-

Paulo Toller Motta, Ubirajara

tes (CTT) mantém um ritmo cons-

contro de novembro no dia 28,

Tadeu Malaquias Baía, Dirceu

tante de atividades, com visitas

com a presença dos engenheiros

técnicas a órgãos públicos e em-

José Antônio Silva Coutinho (pre-

presas responsáveis pelo setor

sidente), gerente de Relações

de Transportes e Mobilidade Ur-

Institucionais da Via 040, Frede-

Marcus de Rezende Kfoury e Nel-

bana e reuniões de trabalho.

rico Souza, Elzo Nassarala, José

son de Mello Dantas Filho.

Carneiro Brandão, José Aparecido Ribeiro, Luiz Otávio Portela,

Comissão técnica de Mineração e Metalurgia A Comissão de Mineração e Metalurgia promoveu o seu encontro de novembro no dia 28, com a presença dos engenheiros Sidon Etrusco (presidente), Márcio Gastão de Magalhães, José Carlos Bicalho, Marcelo Albano, Newton Reis de Oliveira Luz, Ayrton Mangualde e Alfredo Malta Gonçalves. 8


Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade iniciou suas atividades em 2015 e desenvolve diversos projetos. Com assento no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), a Comissão representa a SME nas decisões dessa importante área para o processo de desenvolvimento de Minas Gerais.

CoMiSSõES téCniCAS dA SME Além de fortalecer o networking, as Comissões Técnicas da SME são uma grande oportunidade para desenvolver um trabalho voluntário em benefício de Belo Horizonte e de Minas . COMiSSãO TéCNiCA DE AVALiAçõES E PERíCiAS Presidente, Kleber José Berlando Martins COMiSSãO TéCNiCA DE CONSTRUçãO CiViL Presidente, luciano Eduardo lopes COMiSSãO TéCNiCA DE CONSTRUçãO PESADA Presidente, ackel Bracs Neto COMiSSãO TéCNiCA DE ENGENHARiA DE SEGURANçA Presidente, Fabiano Panissi COMiSSãO TéCNiCA DE ENERGiA Presidente, Eudes Eduardo lopes COMiSSãO TéCNiCA DE ENSiNO DE ENGENHARiA E QUALiFiCAçãO PROFiSSiONAL Presidente, Marita arêas de Sousa tavares COMiSSãO TéCNiCA DE DiREiTO NA ENGENHARiA Presidente, Hérzio Mansur COMiSSãO TéCNiCA DE MEiO AMBiENTE E SUSTENTABiLiDADE Presidente, virginia Campos COMiSSãO TéCNiCA DE MiNERAçãO E METALURGiA Presidente, Sidon Etrusco COMiSSãO TéCNiCA DE TRANSPORTES Presidente, José antonio Silva Coutinho COMiSSãO TéCNiCA DE TELECOMUNiCAçõES E TECNOLOGiA DA iNFORMAçãO Presidente, José oswaldo albergaria

A CDS promoveu encontros com FIEMG, CMI, CREA-MG e FETAEMG para discutir a revisão da Deliberação Normativa 74 (DN 74). A CDS em seu último encontro, no dia 28 de novembro, houve a participação dos seguintes membros: Gil Júlio de Souza Neto, Silviano Cançado Azevedo, Adalberto Rezende, Janaína França, Otávio Werneck, Virgínia Campos (presidente), Gustavo Krüger e Denise Maria Toledo de Paula.


Especial | Bh 120 anos

Belo horizonte chega aos 120 anos com propostas de melhoria Luciana Sampaio Moreira

uando foi inaugurada, em cerimônia realizada na Praça da Liberdade, a nova capital da província da Minas Gerais foi chamada de “Cidade de Minas”. Só em 1901, a primeira cidade planejada do Brasil e uma das cinco do gênero no mundo recebeu o seu nome definitivo: Belo Horizonte. Com uma bela história e um presente pujante, BH, como é chamada carinhosamente pelos moradores e visitantes, ainda é uma jovem que tem, pela frente, uma longa trajetória de crescimento.

Q

Ao completar 120 anos, em 12 de dezembro, a capital dos mineiros é, também, um belíssimo trabalho de Engenharia que marcou o século XIX que inaugurou um novo conceito de aglomeração urbana.

previsto, segundo o historiador. Questões logísticas, escassez de recursos financeiros e decisões que ultrapassavam o poder da Comissão Construtora fize-

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Segundo o historiador e diretor do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH), Yuri Mello Mesquita, BH foi concebida em meio a um momento nacional que anunciava grandes transformações políticas e sociais. O movimento republicano ganhava força e prometia um salto para a modernidade e o desenvolvimento nacional. Assim, ao deixar da antiga capital, Ouro Preto, em direção a uma cidade com extensas e largas avenidas e espaços que valorizavam o paisagismo e as grandes construções, Minas Gerais saiu na frente.

ram com que parte das intervenções previstas não

No entanto, o projeto inicial do engenheiro urbanista Aarão Reis (1853-1936) não foi executado conforme

capital. Só que esse projeto também não saiu do

fossem realizadas. O prédio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) foi inicialmente pensado em frente à Praça Raul Soares, mas não foi levantado por falta de recursos. Pelo mesmo motivo, a igreja católica que ficaria do outro lado da mesma praça também não vingou. Estava prevista, ainda, uma catedral na esquina da Avenida do Contorno com a Avenida Afonso Pena (hoje Praça Milton Campos), que era o ponto mais alto da nova papel.


https://commons.wikimedia.org/

O hipódromo deveria funcionar no bairro Prado, onde hoje estão a Academia e o Regimento da Cavalaria da Polícia Militar de Belo Horizonte (PMMG) e essa corporação ficaria em Lourdes, em um terreno entre as ruas Alvarenga Peixoto e Gonçalves Dias. “O projeto previa muito mais do que foi construído”, disse Yuri Mesquita.

jamento e execução, mas isso nem sempre foi possível já que cada fase da cidade teve a sua seleção de desafios”, observa.

Estudo de caso

Outra mudança em relação ao projeto original é que o Parque Municipal ficou com um quarto da sua área prevista inicialmente.

BH é uma cidade-projeto que serve de paradigmas para diversas situações e de exemplo e base de comparação para estudos de casos. Pelo seu planejamento urbano, ajuda a compreender processos maiores da Engenharia e do Urbanismo.

Em suma, BH foi inaugurada sem estar concluída. De acordo com o historiador, isso fez com que a nova capital experimentasse, ao longo dos seus 120 anos, um processo contínuo de defasagem estrutural. “Como cresceu mais rápido que se esperava, em função das oportunidades que oferecia, os problemas iniciais foram agravados. Ao longo de sua história, uma série de prefeitos e membros da administração pública municipal ansiaram por compatibilizar plane-

A qualidade da gestão pública faz toda a diferença no processo de constante planejamento de uma capital. “BH sempre procurou ser uma cidade com ar de modernidade e quis levar isso para o futuro. Hoje, a política patrimonial do município é bastante consolidada e respeita a trajetória histórica da capital. É possível ver, nas ruas, suas diferentes fases arquitetônicas. São múltiplas temporalidades em apenas um lugar onde o que é antigo, o novo e as tendências de futuro 11


Especial | Bh 120 anos

AmiraHissa

convivem com alguma harmonia. Apesar de problemas urbanos, é uma cidade que nos permite olhar para o futuro com esperança de dias melhores, com mais limpeza, organização e condições de igualdade social”, analisa. Mais que o patrimônio edificado, BH também tem o desafio de preservar a sua cultura imaterial, a tradição do seu povo, as paisagens naturais, a fauna e a flora características.

desafios de hoje e amanhã Estima-se que, até 2030, cerca de 70% da população mundial viverá em ocupações urbanas. Considerando a situação de BH, esse é um dado que merece atenção redobrada do poder público, principalmente quando se observa que o chamado Colar Metropolitano tem, atualmente de 5,8 milhões de pessoas, com impactos imensuráveis para o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Professor, engenheiro eletricista graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e viceprefeito de BH, Paulo Lamac reconhece que a capital mineira é uma “jovem” cidade que tem uma trajetória de crescimento sem o devido planejamento. “Convivemos com os grandes problemas das metrópoles do mundo”, ressalta. Entre eles, o vice-prefeito destaca os gargalos das áreas de mobilidade, meio ambiente e, de forma bastante específica, do processo de formação de cidadãos que tenham as condições para fazer a cidade acontecer de acordo com o que a população espera. “Há diversas ações sendo encaminhadas, nas mais diversas áreas. Hoje, temos um grande leque de intervenções físico estruturais que são obras já planejada. A administração busca recursos para a execução desses projetos. Atuamos de maneira de12

Paulo Lamac , engenheiro eletricista graduado pela (uFMG)

e vice-prefeito de Bh

cisiva nas questões sociais, com a retomada de programas de assistência social e priorizamos a Saúde, que é considerada uma das maiores preocupações da população”, enfatiza. A entrega do Hospital Metropolitano do Barreiro, com 100% da sua capacidade operacional instalada comprova que a PBH está pensando no futuro. “A sociedade tem que fazer algo além de reclamar do poder público. Tanto os políticos quanto os funcionários públicos são cidadãos formados na nossa sociedade e, se pretendemos um futuro melhor, temos que atuar na sociedade, para formar cidadãos melhores e mais participativos”, afirma Lamac. Ainda conforme o vice-prefeito, nenhuma cidade pode considerar de que está “pronta e acabada”. Existe o dinamismo da sociedade, as novas tecnologias disponíveis e a mudança contínua das expectativas das pessoas são variáveis com as quais o poder público tem que conviver continuamente. “Cidade é ser vivo e abriga seres vivos. É preciso ter dinamismo e capacidade de se reinventar e adequar”, confirma. Para além da Engenharia Civil, BH é uma referência nacional para esse importante ramo da indústria. As


duas empresas que mais constroem para o programa “Minha Casa, Minha Vida” são da capital. A cidade tem uma tradição nos segmentos de Mineração e Siderurgia e tem se consolidado como polo de Biotecnologia, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), nos quais a participação do engenheiro é decisiva.

iniciativa que visa levar o tema para a sala de aula, desde a infância. “A nossa meta é fazer de BH um lugar melhor para se viver, a partir da preservação do meio ambiente”, resume.

“Eu acredito que temos pontos a ajustar nos rumos da cidade em diversas áreas, mas temos solo fértil para plantar. Hoje, o prefeito tem uma visão muito apurada da Engenharia, porque atua em um setor próximo da atividade. Ele sabe da importância do setor para o desenvolvimento e a infraestrutura da cidade”, considera Lamac.

Meio Ambiente A Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi alçada à posição que merece ocupar no processo de desenvolvimento da capital mineira. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, mestre em Direito e pósgraduado em Gestão Ambiental, Mário de Lacerda Werneck Neto, o corpo técnico do órgão tem desenvolvido uma série de projetos e iniciativas para cobrir as demandas da matéria e melhorar a qualidade de vida da população. O secretário enfatizou que o projeto Interact Bio, iniciativa do ICLEI América Latina, tem auxiliado a pasta a participar, de forma mais qualificada, do planejamento do projeto de desenvolvimento sustentável da cidade. O monitoramento da qualidade do ar, fruto de outra parceria com a mesma agência, também é uma realidade que visa melhorar a qualidade de vida da população. A gestão das áreas verdes e de proteção ambiental permanece entre as prioridades do órgão, com o propósito de compatibilizar as questões econômicas com as necessidades da comunidade. BH integra uma rede de cidades que compartilha suas experiências. Atualmente, tem uma parceria formal com portuguesa Almada. Paralelamente às medidas administrativas, a Secretaria tem procurado envolver a comunidade. O projeto EcoEscola é outra

Ciclovia Lagoa da Pampulha

Mobilidade urbana Há 120 anos, BH tinha ruas empoeiradas e os veículos eram artigos raríssimos. Mas isso não durou para sempre! Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), entre 1999 e 2016, a frota de veículos em circulação no município aumentou 154%, e passou de 655.227 para 1.783.961 no ano passado. No mesmo intervalo, a população de 2.116.646 milhões cresceu 18,75% e chegou a 2.513.451 habitantes, segundo informação da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte S/A (BHTrans). A mobilidade urbana foi destacada como um dos principais desafios a serem superados para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento urbano em bases ambientalmente sustentáveis no Plano Estratégico de Belo Horizonte. A PBH e a BHTRANS têm investido na melhoria da qualidade do transporte coletivo para ampliar o percentual de viagens em modos coletivos e não motorizados em relação ao total de viagens em modos motorizados. 13


ESPECiAL | Bh 120 AnoS

O Plano de Mobilidade (PlanMob-BH) prevê um conjunto de intervenções estruturantes de mobilidade para atender às necessidades atuais e futuras de mobilidade da população da capital, até 2030. Além da implantação de ciclovias, o Programa Pedala BH é responsável pela manutenção das pistas. Atualmente, a capital possui aproximadamente 83 km. A meta é chegar a 411 km até 2020.

infraestrutura O Plano de Obras do prefeito Alexandre Kalil prevê investimentos de cerca de R$ 2 bilhões de reais em BH até 2020, em mais de 200 empreendimentos para Urbanização de Vilas, Saneamento/Drenagem e Manutenção. Desse montante, cerca de R$1,5 bilhão são provenientes de repasses e financiamentos federais e estaduais. Os outros R$500 milhões de recursos provêm de fontes diversas, tais como Fundo de Saneamento, Fundo de Habitação, ROT e operações de crédito em contratação. A PBH pleiteia junto ao Governo de Federal mais R$ 1 bilhão para obras de mobilidade e saneamento. Entretanto, esses empreendimentos estão em fase inicial, o que não permite estabelecer cronogramas de obras até o momento. Segundo a Prefeitura, os aportes em drenagem e saneamento serão aplicados em intervenções de grande porte para prevenção e combate a inundações, com obras para otimizar o sistema de macrodrenagem das Bacias dos Ribeirões da Pampulha e do Onça, 2ª etapa dos córregos Olaria/Jatobá, Bacia de Detenção do bairro das Indústrias, Córrego do Nado (sub-bacias dos Córregos Lareira e Marimbondo) e a continuação das obras no córrego Túnel/Camarões. Até o final deste ano, deve ser publicado edital de licitação para a contratação de diagnóstico das 14

bacias do Vilarinho e Nado e a elaboração dos respectivos projetos executivos de micro e macrodrenagem na região. No terceiro grande bloco de intervenções de Manutenção estão previstas obras de recuperação e manutenção de galerias pluviais e das bacias de detenção e contenção. Há uma nova licitação para o projeto de desassoreamento da Lagoa da Pampulha. Também há intervenções para eliminar riscos geológicos com urbanização e contenção de encostas. Além dessas, terão continuidade as obras de mobilidade do complexo da Lagoinha e da Via 710, licitações para obras na Avenida Borba Gato e de mais uma etapa do Boulevard Arrudas, com o tamponamento de mais um trecho, paisagismo e ciclovia. Também estão previstas obras de ampliação e reforma em centros de saúde, UMEI’s e reformas de campos de futebol.

Futuro BH tem várias paisagens. E cada uma delas tem seu significado. Segundo a engenheira civil com mestrado em Planejamento Urbano e professora universitária Luiza Pinto Coelho Franco, a construção da capital, há 120 anos, não incluiu uma diretriz para o processo de crescimento da cidade, nas próximas décadas. “Inicialmente, a cidade foi elaborada para ter 200 mil habitantes, mas 30 anos depois, já havia mais que isso”, observa. A cidade é como um ser vivo e, dessa forma, nem tudo vai acontecer conforme o projeto. “Muitas pessoas tiveram interesse de morar a nova capital e até hoje, a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ainda tem, na cidade, seu polo central devido aos produtos e serviços que o município oferece”, ressalta. Para a engenheira, BH nunca estará “pronta e acabada”. A mudança será contínua, como é o


Luiza Pinto Coelho

david Guerra,

civil e professora

urbanista

Franco, engenheira

arquiteto e

universitária

processo de crescimento da cidade. O que deve ser regra, nesse processo, é a escolha de projetos viáveis e realmente necessários, com execução de qualidade. “Apesar do Plano Diretor, que prevê ações de uso de áreas verdes, instalação de ciclovias e fortalecimento do transporte coletivo, é muito demorado modificar uma política pública. Às vezes, quando o projeto está pronto, já caducou”, alerta. Da mesma forma, se há índices urbanísticos e condições para construções e licenciamentos, é porque a cidade não pode ser transformada em um “vale tudo”. Para a engenheira, é preciso respeitar as regras, para proteger a cidade. “BH está no caminho certo. Temos boas legislações e pessoas que gostam da cidade. Essa é uma relação que inclui o poder público e a comunidade. As pessoas acompanham o que está sendo feito e cobram melhorias e o cidadão, por sua vez, dialoga com a PBH. Para isso, temos que participar da política”, sugere.

tradição imaterial Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais, o arquiteto e urbanista David Guerra vê, da janela do seu escritório, no bairro Cidade Jardim, o Museu Abílio Barreto. É naquele pequeno pedaço dos primeiros anos da capital que ele se

inspira para fazer projetos para todo o Brasil. Mas o seu coração está no seu Estado. “Belo Horizonte é uma das cinco cidades do mundo que foram projetadas. Mas todo projeto tem data de validade”, aponta. Com crescimento rápido, a cidade que já nasceu capital “explodiu em desordem” mas, de certa forma, preservou o seu charme original. De acordo com o arquiteto, a cidade alcançou um novo patamar de organização a partir do ano 2000, embora os problemas de infraestrutura, mobilidade e meio ambiente tenham se agravado. “Belo Horizonte não pode perder a sua poesia consultiva, a criatividade dos profissionais “da terra” que deixam legados construtivos de vários formatos e estilos”, afirma. A verticalização é uma tendência das grandes cidades do mundo, mas é preciso que existam praças, espaços livres, calçadas bem conservadas e lugares para circular. Para o arquiteto, a capital tem que manter o seu vigor original para continuar a traduzir e sintetizar a cultura do povo mineiro. “Não adianta um discurso de sustentabilidade e urbanismo se as pessoas estão cada vez mais ansiosas, consumistas, depressivas e solitárias com seus aparelhos eletrônicos. Quem faz as cidades são as pessoas e não apenas o dinheiro”, conclui. 15


ESPECiAL | Bh 120 AnoS

Experiências que podem fazer a diferença para o futuro Quando BH chegou ao seu primeiro centenário, o vice-prefeito da capital era o engenheiro e membro do Conselho Deliberativo da SME, Marcos Sant’Anna. Era o ano de 1997, no final do século XX, primeiro ano da gestão do prefeito Célio de Castro. “A cidade é do cidadão e não da administração pública. Os administradores são empregados da sociedade e eles devem fazer o que está ao seu alcance e da melhor forma possível. Envolver o cidadão é imprescindível porque o bom resultado de ações públicas depende da adesão das pessoas. A limpeza urbana e a destinação correta dos resíduos são bons exemplos. A população não acompanha muito e boa parte das pessoas não tem noção do que é uma cidade.Na nossa gestão começamos a discutir o conceito de metrópole. Belo Horizonte é

ronaldo

vasconcellos,

ex-vice-prefeito de Belo horizonte e ex-secretário

municipal de Meio Ambiente

Ronaldo Vasconcellos, vice-prefeito de Belo Horizonte na gestão de Fernando Pimentel (2005/2008) e secretário municipal de Meio Ambiente, é engenheiro e membro do Conselho Deliberativo da SME. Com experiência acumulada, aponta para uma gestão que priorize as ações ambientais, para a melhoria da qualidade de vida da população. “O Plano Diretor de BH já está na Câmara Municipal e não houve, em 2017, qualquer movimentação para aprová-lo. Acho que essa discussão é importante e tem que englobar a sociedade. 16

Marcos

Sant’Anna

ex-vice-prefeito

de Belo horizonte

o núcleo original de uma metrópole. Criamos o Instituto Horizontes para discutir isso. A RMBH é apenas o desenho legal e institucional. A capital recebe problemas e exporta problemas e soluções. Não há outro caminho porque BH abrange Contagem, Ribeirão das Neves, Ibirité e Nova Lima.”

Há questões que devem ser resolvidas com competência, humanismo e firmeza. Entre elas estão os moradores em situação de rua, os camelôs e os flanelinhas. É preciso concluir o inventário das árvores urbanas da capital. As quedas são constantes e vão continuar acontecendo o que representa risco para a comunidade. Esse projeto foi assinado em dezembro, por meio de parceria entre a PBH e a Cemig. O cuidado com as praças e parques municipais é essencial para melhorar a qualidade do ar na cidade. O cuidado com as calçadas é fundamental para que as pessoas possam andar pelas ruas para passear ou trabalhar. Da mesma forma, o transporte por bicicleta deve ser incentivado com ciclovias e bicicletários. É possível construir uma BH mais sustentável. Hoje, a cidade vive um processo de transformação nas áreas ambiental e urbanística. Apesar da falta de recursos, há obras de menor porte que podem solucionar problemas pontuais que comprometem a qualidade de vida e a segurança das pessoas”.


ESPECiAL | Bh 120 AnoS

Conceitos de cidade inteligente e de cidade afetiva apontam para um futuro melhor Luciana Sampaio Moreira

topia ou realidade, há novos conceitos de cidade que têm se firmado como tendências para os próximos anos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais da metade da população mundial já vive em centros urbanos e, até 2030, esse número deve subir para 70%, o que tem provocado a academia e também os gestores públicos a repensar essas aglomerações, com foco na sustentabilidade.

U

projetos nas cidades de países em desenvolvimento e para aprimorar outros, já testados e aprovados nos estados desenvolvidos. Em todo o mundo já há municípios que investem nesse projeto. Entre eles estão Veneza, Milão, Bolonha, Évora, Lisboa, Chile, Medelin, Curitiba, Paraty e Lima.

Da teoria para a prática, há um grande caminho. No entanto, o objetivo de aplicar a tecnologia na infraestrutura, nas edificações, nos sistemas de mobilidade urbana para aumentar a conectividade e a segurança tem o mesmo objetivo: melhorar as condições de vida das pessoas.

A professora, relações públicas e doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Vivian Blaso, é uma das referências nacionais em smart cities. Atualmente, ela é sócia diretora da “Conversa Sustentável”, empresa que realiza estudos de tendências no mercado de comunicação e estratégias para sustentabilidade e é autora do livro “Cidades em Tempos Sombrios – Barbárie ou Civilização, lançado neste ano.

Dessa forma, ferramentas tecnológicas, serviços de informação e comunicação que interagem com o projeto de planejamento dos municípios auxiliam os gestores públicos a alcançar resultados nas áreas de governança, administração, planejamento urbano, tecnologia, meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e economia. Para implementar esse conceito, há um mercado global de soluções tecnológicas que pretende faturar mais de US$ 400 bilhões até 2020, para instalação de novos 18

Para além do conceito, as chamadas smart cities são cidades que têm prédios inteligentes, mobilidade, conectividade e segurança. “A proposta das Cidades Inteligentes é melhorar as condições de vida das pessoas com base na governança dos espaços, priorizando saúde, segurança e bem-estar social. O conceito smart já está de certa forma integrado às nossas vidas por meio de smartphones, smart TVs, smart cars


de acordo com a União Europeia, as chamadas Smart Cities ou cidades inteligentes, são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para aumentar o desenvolvimento econômico e o IdH.

Fonte ilustração: Figura 5, paginas 127 - livro Cidades em tempos Sombrios. Barbárie ou Civilização da pesquisadora vivian Blaso.

e smart grids. Essas plataformas smart estão interligadas ao chamado Big Data - uma nuvem de informações sobre o perfil dos usuários, que, cadastrados, por exemplo, no Google, começam a receber ofertas de conteúdos relacionados ao seu perfil. Quando se pensa em investimento público, a questão a seguir é retorno. “No caso das smart cities, há empresas que estão promovendo projetos de inovação social para chegar a resultados como cidades inteligentes, cidades do futuro, cidades sustentáveis e cidades digitais. Na prática, esses conceitos têm um destino comum: promover mudanças e alternativas viáveis para o desenvolvimento das cidades, integrando planejamento urbano, sustentabilidade, tecnologias e aproveitamento do potencial criativo da região”, relata. Belo Horizonte usa ferramentas tecnológicas em determinadas regiões, para interligar serviços e oferecer maior conforto para a população. No entanto, segundo

vivian Blaso, professora, relações públicas e doutora em Ciências Sociais pela PuC-SP

a professora, há outros desafios a serem vencidos pela capital. “Não bastam tecnologias para dar conta das dimensões ambientais por exemplo. São necessárias outras dimensões como as relações humanas e afetivas dos habitantes com a cidade. Belo Horizonte tem grandes desafios atualmente como a maioria das cidades brasileiras. As desigualdades sociais estão mais marcantes nos últimos anos. O aumento das favelas é perceptível em determinadas regiões, como o Anel Rodoviário, por exemplo”, enfatiza. 19


ESPECiAL | Bh 120 AnoS

Cidade Afetiva Com certeza, parte desses desafios podem ser melhor administrados sob a ótica do conceito de “cidade afetiva”. Composto por ações e políticas de bem viver da comunidade, com soluções democráticas, públicas, abertas e solidárias, essa ideia pretende sintonizar os municípios a uma realidade diferente da atual, onde o crescimento geralmente está atrelado ao lucro que ele gera, com uma sociedade que se pauta por um comportamento individualista, consumista, meritocrático e que privatiza a vida. “A cidade afetiva aposta no resgate das relações comunitárias e na arte de viver juntos, o que possibilita aos humanos cuidar uns dos outros, do meio em que vivem, da natureza e, por extensão, de todo planeta. A partir deste conceito percebi que é necessário olhar para os coletivos, uma nova forma de organização da sociedade, que de forma autônoma reivindicam direitos, cobram deveres e lutam por questões ou fazem algo em “comum” em busca de afetos, boa convivência e uma nova forma de ser e existir nas cidades”, explica Vivian Blaso. Cidades Afetivas é o novo trabalho ao qual ela se dedica neste momento. Para tanto, ela usa a antropologia dos sentidos e vivencia com os coletivos em São Paulo essas práticas que estão modificando as cidades, não só no espaço público, mas também nos campos do conhecimento cientifico compartilhado. Tudo isso vem sendo feito de forma coletiva e tem mostrado que as comunidades estão experimentando um novo momento do capitalismo. “Hoje, no século XXI, estamos vivenciando essa prática da construção de coletividades que vão nos proporcionar outras formas de viver, agir e habitar as cidades. Isso vai modificar completamente o nosso sistema neoliberal. Estamos na antessala das rupturas com as formas tradicionais de gestão cotidiana da vida e isso condiciona os governantes, gestores e empresas a pensarem em novas alternativas capazes de manter o sistema capitalista, mas completamente reconfigurado. Isso ocorre em função de um novo pensamento do mundo que está em processo acelerado de mudança, para outras possibilidades de existência. 20

Flávio Carsalade, arquiteto e professor da Escola de Arquitetura da uFMG

O arquiteto e doutor em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), e ex-secretário municipal de Administração Regional Pampulha, escritor e atual diretor da Editora UFMG, Flávio Carsalade destaca que justiça social urbana e mobilidade são os principais desafios que Belo Horizonte enfrenta neste momento. “A possibilidade de as pessoas poderem se apropriar e usar a cidade e de terem boas condições de vida envolve projetos de infraestrutura básica, como por exemplo, saneamento e, também, uma formação para a educação social”, afirma. Dessa forma, Belo Horizonte não está sempre no caminho certo para se tornar uma cidade melhor. Para ele, falta continuidade de políticas públicas. Uma delas é o Orçamento Participativo (OP) que garante ao cidadão decidir como o recurso público será usado para beneficiar as comunidades. No momento, esse projeto está paralisado para que os mais de 400 projetos vencedores sejam transformados em obras e benefícios. Mas uma coisa é certa. Belo Horizonte é uma cidade amada pelos moradores. Prova disso é o Prêmio Gentileza Urbana, que, todos os anos elege e divulga iniciativas de carinho com a cidade. “Há movimentos recentes de uso dos espaços públicos. Se houver estímulo, a população responde positivamente”, considera.


SOLIDARIEDADE, É ASSIM QUE SE COMEÇA ESSES ASSOCIADOS DA SME JÁ ESTÃO FAZENDO SUA PARTE !

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39.524

DESEMPREGADOS

nos anos de 2015 e 2016 - fonte : Caged- Ministério do Trabalho

ENGENHEIROS, ARQUITETOS E AGRÔNOMOS


ESPECiAL | Bh 120 AnoS

um caminho sustentável para Belo horizonte é possível Arquiteto e urbanista graduado pelo Instituto Izabela Hendrix, especialista em gestão empresarial pela Fundação Getúlio cargas, mestrando do programa “Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável”, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), colunista da CBN e diretor da MYR Projetos Sustentáveis, Sérgio Myssior explica que não há como definir uma cidade como totalmente inteligente ou afetiva. “Como grande capital que é, Belo Horizonte abriga um sem número de cidades com infraestruturas e indicadores absolutamente distintos e, por vezes, desiguais”, ressalta. Por isso, o conceito de cidade inteligente fica mais aparente em algumas regiões e, absolutamente oculto em outras pela falta de infraestrutura básica e de equipamentos públicos. Segundo o arquiteto, atualmente, o conceito de aglomeração urbana tem que considerar o contexto metropolitano no qual está inserido, bem como a forte interdependência e complementariedade entre os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “O modelo de desenvolvimento que Belo Horizonte adotou nos seus 120 primeiros anos de história já está completamente superado. Com bons planejamentos e boa gestão e mais participação popular é possível encontrar um novo caminho. Não se trata de abandonar os avanços, mas de migrar para um modelo pautado pela sustentabilidade, justiça social e equilíbrio, para inaugurar novas relações econômicas e sociais”, analisa. Em relação ao aspecto afetivo, a capital de Minas Gerais também tem um grande trabalho a fazer para aproximar a população. “Belo Horizonte foi planejada e nesse projeto não foram consideradas as populações já existentes, a topografia e nem os ativos ambientais”, ressalta o arquiteto. Fora do seu traçado original, a cidade se desenvolveu organicamente nos subúrbios, em direção aos municípios mais próximos. O arquiteto observa a capital com uma nova perspectiva, inclusive. Historicamente, a cidade foi inovadora desde a sua concepção, o que se refletiu na produ22

Sérgio

Myssior,

arquiteto

ção cultural e também na economia, com novos setores tecnológicos que estão se consolidando como referências para o Brasil. Em áreas consideradas críticas, como é o caso do transporte coletivo, o arquiteto acredita que a solução não passa pela ampliação do que já existe ou da inclusão de outros modais, mas de atuar nessa área com uma perspectiva limpa e sustentável. Da mesma forma, o planejamento e uso do solo deve privilegiar as regiões que realmente necessitam de intervenções, para evitar que as áreas mais ricas continuem recebendo as maiores cotas de investimentos e melhorias. Trazer as famílias de baixa renda para moradias em áreas com infraestrutura é outra medida que aumenta o comprometimento das pessoas com a cidade em que moram. “Sou nascido e criado em Belo Horizonte, uma cidade que tem muitos bens materiais e imateriais. A cidade está rodeada por elementos que a distinguem de todos os lugares do mundo. Mas tudo isso tem que ser desenvolvido como ação duradoura, de médio e longo prazo, com a adesão da população em primeiro lugar e a compreensão de que os governantes devem aderir a esse plano que nasce dos anseios das pessoas. Assim, aumenta o sentimento de pertencimento da comunidade, que passa a ser protagonista da sua própria história e a cuidar para que a cidade seja cada vez melhor para todos”, conclui.


tECnoLoGiA SoCiAL

Fundação BB certifica 173 novas tecnologias sociais No último dia 23 de novembro, sete projetos das categorias Agroecologia, Educação, Água e/ou Meio Ambiente, Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital, Economia Solidária, Saúde e Bem-Estar e Internacional (países da América Latina e Caribe) receberam prêmios no valor de R$ 50 mil como vencedoras do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Durante a cerimônia, sete tecnologias sociais levaram o troféu de vencedoras. As premiadas do Brasil receberam R$ 50 mil cada, destinados à expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da metodologia, e mais um vídeo com apresentação dos projetos. Na mesma oportunidade, foi anunciado um edital inédito no valor de R$ 10 milhões para reaplicação nas tecnologias sociais disponíveis no acervo do Banco de Tecnologias Sociais (BTS), uma parceria entre a Fundação BBB e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com lançamento previsto para o início do próximo ano.

Mudar a realidade O presidente da Fundação BB, Asclepius Soares, falou da importância do Prêmio em reconhecer iniciativas transformadoras que irão contribuir para o cumprimento dos desafios propostos pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “ A tecnologia social é apaixonante. É a possibilidade que as comunidades têm de serem protagonistas de suas histórias, de terem a capacidade de mudarem a sua realidade. Identificar e reconhecer tais metodologias é muito importante, pois as tecnologias sociais constituem-se em valioso instrumento de transformação social. O reconhecimento abre portas para novas parcerias e possibilidades de recursos para as tec-

nologias, o que ajuda na sustentabilidade dos projetos” afirma. Neste ano, 173 projetos do gênero foram certificados e passaram a fazer parte do Banco de Tecnologias Sociais (BTS), da Fundação Banco do Brasil, uma base de dados online que reúne produtos e serviços reconhecidos porque promovem a resolução de problemas comuns às diversas comunidades brasileiras. Hoje são quase 1 mil iniciativas aptas e disponíveis para reaplicação. As categorias da premiação foram escolhidas com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agenda 2030. O Prêmio tem como objetivo promover as tecnologias sociais como ferramentas de baixo custo e com envolvimento das comunidades para o desenvolvimento sustentável. Todas as metodologias inscritas foram avaliadas por comissão composta por assessores da Fundação BB e representantes da Unesco, Banco Mundial, Ministério do Desenvolvimento Social, Secretaria da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário e o Governo do Distrito Federal, com base em parâmetros de mérito da transformação social, efetividade, reaplicabilidade, interação com a comunidade, inovação social, respeito aos valores de protagonismo social, cultural, cuidado ambiental e solidariedade econômica, e ainda, com validação dos documentos exigidos no regulamento ato de inscrição. Para valorizar o empoderamento feminino, as iniciativas que apresentaram o engajamento de mulheres e meninas receberam bonificação na pontuação total obtida pela avaliação. 23


SuStEntABiLidAdE

Belo horizonte é beneficiada por dois programas do iCLEi/onu luciana Sampaio moreira

Fundado em 1990 por 200 governos locais de 43 países, que se reuniram no primeiro Congresso Mundial de Governos Locais por um Futuro Sustentável na sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York, o International Council for Local Environmental Initiatives (ICLEI) é a principal associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, a partir da associação internacional de autoridades locais que tem como foco a prevenção e a resolução de questões ambientais locais, regionais e globais, por meio de uma ação local. Atualmente, essa rede conecta mais de 1500 governos de estados e cidades de diversos portes, em mais de 100 países, para oferecer apoio para que desenvolvam suas políticas e ações pela sustentabilidade. O ICLEI tem 17 escritórios e secretariados regionais. Na América Latina, onde atua desde 1994, congrega mais de 50 membros de oito países a esse movimento global para o desenvolvimento e execução de pro24

jetos nas áreas de Clima e Desenvolvimento de Baixo Carbono, Resiliência, Resíduos Sólidos, Compras Públicas Sustentáveis, Biodiversidade Urbana, dentre outros. Em 2011, foi aprovado um novo modelo para as atividades na região, que passou a ter dois secretariados. Um deles, em São Paulo, tem como secretário executivo o economista mineiro, mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMinas) e professor universitário, Rodrigo de Oliveira Perpétuo. Ele foi secretário de Relações Internacionais de Belo Horizonte entre 2005 e 2015 e secretário de Relações Internacionais do Estado de Minas Gerais nos anos de 2015 e 2016. Em setembro, a Prefeitura de Belo Horizonte e o ICLEI deram início às atividades do projeto INIERACT-Bio. A iniciativa envolve as prefeituras de Contagem e Betim, representantes de órgãos do Governo do Estado e da

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O programa é financiado pelo Ministério Federal Alemão do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Construção e Segurança Nuclear (BMUB), por meio de sua Iniciativa Climática Internacional (IKI). Nos próximos quatro anos, as cidades vão desenvolver um projeto de desenvolvimento urbano integrado à biodiversidade, envolvendo planejamento territorial, a gestão do uso do solo, o desenvolvimento econômico local e projetos de infraestrutura. “A RMBH reúne as melhores condições para que o projeto possa ser implementado da maneira satisfatória. A ideia é trilhar um caminho pactuado para a gestão da natureza e do meio ambiente de forma estratégica e integrada, com projetos que contemplam a política de abastecimento de água, a preservação das nascentes, das áreas protegidas e das unidades de conservação que permeiam o meio urbano”, ressalta Rodrigo Perpétuo.


Ainda conforme o economista, o que o ICLEI atua para que a agenda de meio ambiente e desenvolvimento sustentável ganhe cada vez mais espaço na pauta política dos governos locais e nacionais, de forma que as ações adotadas pelo poder público, desde os municípios, e que os governos nacionais reconheçam a importância do protagonismo dos governos locais e estaduais, para buscar auxílio técnico e recursos financeiros. “Belo Horizonte é uma cidade que, desde a década de 1990 convive com contradição interessante, com avanço dos marcos regulatórios e mecanismos de planejamento e incorporação dos marcos globais de sustentabilidade no planejamento urbano: modelo de urbanização ainda é, por vezes perverso, como a expansão do Belvedere, modelo de ocupação do Buritis e as propostas de ocupação do Buritis e de crescimento da região da Pampulha, em meio a um cenário de desigualdades sociais”, avalia. Inicialmente planejada, Belo Horizonte cresceu além dos limites da Avenida do Contorno. Por diversos momentos, a liberação dos parâmetros de construção, considerando apenas os parâmetros financeiros, gerou impactos para a população local. “As consequências são sentidas porque o mar de prédios atrapalha o fluxo de ventos e o fluxo climático, o que contribui para o aquecimento da cidade nos últimos anos”, exemplifica Perpétuo.

rodrigo Perpétuo, economista

Para ele, a expansão urbana não pode seguir somente os critérios que interessam ao mercado imobiliário. A presença de um poder público atento e vigilante que tenha ao lado a Câmara Municipal e a sociedade civil é fundamental para zelar pela qualidade de vida da sociedade. Belo Horizonte também tem sido beneficiada por um segundo projeto, o Urban Leds, do ICLEI, que visa fomentar o desenvolvimento local de baixo carbono. Financiado pela União Europeia, é executado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat), agência especializada na promoção de cidades social e ambientalmente sustentáveis, com foco no abrigo adequado das pessoas, no seu sentido mais amplo e completo. Dessa forma, são realizadas ações que afetam áreas importantes como mobilidade, energia, edificações (critérios para construções) e produção de lixo. “É um projeto

que integra essas e outras políticas urbanas”, argumenta o economista. A primeira etapa permitiu o inventário de gases de efeito estufa, com análise de vulnerabilidade climática e confecção de planos de mudança e mitigação de danos. Na segunda, o programa vai avaliar as políticas atuais, para promover adequações, caso necessário. “Cada vez mais, as empresas percebem que a sua sustentabilidade depende de uma postura convergente com a sustentabilidade. Quando isso não acontece, cabe ao poder público instruir para esse movimento com incentivos e punições, caso necessário. No caso de Belo Horizonte, a administração municipal tem cuidado do meio ambiente. Estamos na média sul-americana, apesar de incoerências como o Boulevard Arrudas, que cobriu o leito do rio”, conclui. 25


EntrEviStA – GErALdo dirCEu oLivEirA

” Eu sempre gostei de matemática e de filosofia e

compreendi a importância da matemática na vida.

A matemática é linda! Como função filosófica, transforma uma reta em uma equação representada por letras.

26


Geraldo Dirceu Oliveira GDO recebe a Medalha Sociedade Mineira de Engenheiros pelo título de Engenheiro do Ano 2017

A

luciana Sampaio moreira

os 89 anos e em

desde a infância, quando ia na Esta-

plena atividade, o

ção da cidade de Formiga, onde nas-

engenheiro

ceu,

Geraldo

civil

o

engenheiro

presidiu

a

Dirceu

Comissão Técnica de Transportes

Oliveira, mais co-

durante muitos anos e hoje é o coor-

nhecido

denador emérito de grupo de traba-

como

GDO, é um dos associados mais conhecidos e admirados da Sociedade

Mineira de Engenheiros (SME). Ele ingressou na entidade em 1951,

quando ainda era aluno da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (EEUFMG) e, desde então, tem participado de grandes projetos da “Casa do Engenheiro”.

lho mais ativo da entidade. Pela sua atuação na SME e pela sua trajetória como engenheiro, cidadão e escritor mineiro, Geraldo Dirceu Oliveira foi indicado, pelos atuais membros da Comissão Técnica de Transportes, para receber a comenda e o diploma de Engenheiro do Ano, honraria máxima concedida

Apaixonado pela Engenharia de

pela entidade, no dia 11 de dezem-

Transportes e mais ainda pelo modal

bro, quando é comemorado o Dia

ferroviário, que aprendeu a admirar

do Engenheiro.

27


EntrEviStA – GErALdo dirCEu oLivEirA

Aarão Reis construiu Belo Horizonte nos moldes de uma cidade

romana, com duas veias de cruzamento (Avenidas Amazonas e

Afonso Pena), quarteirões, vias de cruzamento e proximidade do

abastecimento de água. Os quarteirões seriam vilas de uma cidade romana. No início da capital tivemos muitas que têm nomes de famílias, inclusive.

N

o comando da Construtora G. Dirceu

bondade dos meus pares. Durante muitos anos fui

Oliveira, que fundou em 1965, com

presidente da Comissão de Transportes da SME e o

um colega de profissão, Geraldo Dir-

atual presidente da entidade, Ronaldo Gusmão, co-

ceu Oliveira coleciona serviços pres-

meçou sua trajetória da entidade na mesma Comis-

tados para os governos federal,

são e fizemos excelentes projetos juntos para

estadual e para diversas prefeituras. “Quando come-

beneficiar Belo Horizonte e Minas Gerais.

çamos, eu e meu colega usamos o dinheiro que guardamos no tempo da escola para comprar um trator. Ficávamos ansiosos para ter obras. Depois as coisas melhoraram e fizemos muitos trabalhos importantes”, lembra. Entre eles, o engenheiro destaca os Distritos Industriais de Sete Lagoas e de Santa Luzia, com serviços de terraplanagem, drenagem, pavimentação e construção do depósito de água, no governo de Rondon Pacheco (na década de 1970). Mas também há estradas, pontes, pontilhões e condomínios no seu vasto currículo de obras realizadas. Afinal, só mesmo a Engenharia para abrir caminhos

Na SME tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com grandes engenheiros mineiros. A SME é uma entidade que glorifica a Engenharia. Eu acho que os engenheiros têm uma grande missão de trazer conforto, bem-estar e grandeza para o povo. Qualquer setor da Engenharia existe para fazer obras que traduzam facilidades para as pessoas. Estradas, aeroportos, portos, canalização de água e saneamento básico são alguns exemplos de como nós, os engenheiros, podemos tornar o mundo melhor. Temos uma profissão digna e muito bonita.

e mostrar um futuro melhor. “Temos uma profissão digna e muito bonita”, disse.

Quando o Sr. descobriu que queria ser engenheiro?

Como o Sr. recebe a homenagem dos seus pares,

Eu admirava muito a locomotiva. Eu ia na estação de

para receber a comenda de Engenheiro do Ano 2017?

Formiga e, menino ainda, ficava extasiado de ver a locomotiva “esfumegando”, o barulho do sino e o

28

Eu recebo esta homenagem com muita gratidão.

apito. Eu perguntei ao meu pai quem dirigia aquilo e

Estou emocionado e vejo nisso tudo uma grande

ele me respondeu que era o maquinista. Mas ele me


disse que quem constrói tudo isso, inclusive a es-

falou é a mais pura verdade porque nós, os enge-

trada, é o engenheiro.

nheiros, somos responsáveis por diversas obras e processos.

Eu fiquei com aquilo na cabeça, impressionado! Na adolescência, tive um parente engenheiro que me

Na sua época, o vestibular era uma prova muito difícil?

dava dicas sobre a profissão. Ele falava como se construíam estradas e pontes e, também, das difi-

Sim. Eu estudei no Colégio Marconi e tive professo-

culdades da Engenharia, porque não havia a tecno-

res muito bons. Entre eles destaco o professor Ni-

logia disponível hoje.

valdo Reis e o Padre Oscar, que dava aulas de

Eu sempre gostei de matemática e de filosofia e compreendi a importância da matemática na vida. A matemática é linda! Como função filosófica, transforma uma reta em uma equação representada por letras. Sempre fui curioso também. Gostava de saber como as coisas funcionam. Mas o dia mais importante foi quando o Juscelino Kubsticheck de Oliveira, primo do meu pai, esteve lá em casa para visitar a minha avó. Ele me disse que gostava de conversar com os jovens e me perguntou qual o curso universitário que eu estava sabendo. Quando respondi que era Engenharia, ele me deu uma resposta que guardo até hoje. “Jovem, você escolheu a profissão certa. Nós, os homens públicos, temos que saber quais as obras que serão feitas pelo Estado, mas quem vai fazê-las são vocês, os engenheiros. Sem Engenharia não fazemos nada. Eu me escudo em dois grandes engenheiros: Israel Pinheiro e Lucas Lopes”.

Física. Com isso eu me preparei muito bem para enfrentar a prova da EEUFMG. Naquele ano, foram 450 candidatos para 50 vagas e eu consegui a minha. Na época, a instituição era paga. A federalização do ensino aconteceu quando eu já estava adiantado no curso. Como o Sr. ingressou no mercado de trabalho? Quando eu estudei, a EEUFMG era paga. Então, eu tinha que trabalhar para pagar as despesas. Um amigo arrumou um emprego para mim como desenhista do Departamento Nacional de Estradas de Ferro. Era tudo que eu sonhava. A experiência me permitiu aplicar a teoria na prática, para fazer projetos de estradas, pontes, pontilhões e bueiros. Eu me fiz engenheiro e estudei para ser competente na minha carreira. Sempre admirei a

Naquele momento, eu vi como ele, que era governa-

precisão da Engenharia e razão de ser das coisas

dor do Estado, valorizava a Engenharia. E o que ele

que o engenheiro faz. 29


EntrEviStA – GErALdo dirCEu oLivEirA

Na SME tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com

grandes engenheiros mineiros. A SME é uma entidade

que glorifica a Engenharia. Eu acho que os engenheiros têm

uma grande missão de trazer conforto, bem-estar e grandeza

para o povo. Qualquer setor da Engenharia existe para fazer obras que traduzam facilidades para as pessoas.

Para o senhor, o que é a Engenharia?

A empresa continua em atividade e eu continuo gerindo os negócios. A cabeça está boa e eu ainda sei

A Engenharia é uma profissão muito bonita se con-

resolver Integral. Os meus sucessores são os meus

siderarmos o seu lado social. Quantas coisas que

filhos que já trabalharam lá. Mas todos que são en-

melhoram a qualidade de vida das pessoas foram

genheiros têm seus negócios próprios.

feitas pelos engenheiros? Muitas. Seja na cidade, estrada, aeroporto ou porto, o engenheiro está sem-

Fiz obra para o governo federal, estadual, prefeitura

pre presente.

e muita obra para particular. Trabalhava muito para a Companhia de Distritos Industriais. Fiz obras para

Eu considero a Medicina a profissão mais importante

muitas empreiteiras grandes e me relacionei com

que existe porque, sem saúde, não somos nada.

grandes engenheiros.

Mas até o médico usa a Engenharia. Os dois profissionais têm o mesmo tipo de raciocínio. Com as informações que recebe do doente, ele vai deduzir que doença. Dessa forma, ele resolve um teorema da geometria, onde há hipótese e tese. O Sr. foi um empreendedor. Como foi fundar uma empresa de Engenharia? Fiz o curso todo e me graduei em 1953. Em 1958,

30

Mas não havia “bandalheira”. Se tinha era escondido e a gente não levava nenhuma “cantada” de pedido de propina. Nunca aconteceu isso comigo. Foi uma época muito salutar da Engenharia. Foi uma época muito bonita em que a gente trabalhava por amor e pelo desenvolvimento do Brasil. Além de engenheiro, o Sr. é escritor. Como tem sido conciliar duas atividades tão distintas?

fundei uma empresa de Engenharia com um amigo

Sempre gostei de História. Leio muito. Sempre es-

engenheiro. Éramos jovens e ficávamos ansiosos

tudei sobre a história da Engenharia, de como foram

para arrumar um serviço, mas não tínhamos nome.

feitas as coisas. Na pré-história o homem já era en-

O trator que usávamos foi comprado com o dinheiro

genheiro. A gente analisa a história do homem, ele

que economizei no tempo da universidade. Foi com

sempre foi engenheiro, desde o principal engenheiro

esse equipamento que começamos a fazer obras.

que está “lá em cima”.


O engenheiro é o profissional que melhor percebe a

A quem você dedica essa homenagem da SME?

grandeza da “obra do Criador”. Do nada não vem nada. O engenheiro analisa com muita percepção e

À minha família. Tenho cinco filhos, dos quais três

objetividade as grandezas do Criador.

engenheiros, um comerciante e a única filha é psicóloga e trabalha na França para o governo daquele

Em 1997, por ocasião do centenário de Belo Hori-

país. Mas eu quero homenagear a minha esposa, a

zonte, eu escrevi um livro sobre a construção da

artista plástica e professora Sara Ávila, que faleceu

nova capital que está chegando aos 120 anos. Como

em 2013.

membro do Instituto Histórico e Geográfico (IHG), eu tive acesso a diversos documentos da Comissão

Quando éramos recém-casados, ela ia para os can-

Construtora de Belo Horizonte. Analisei o material e

teiros de obras comigo e ficava surpresa quando via

fiz um relato sobre a grandeza do projeto de Aarão

que uma estrada que passava em um morro não

Reis que, além de engenheiro, foi um erudito, filósofo

desmoronava. E eu explicava para ela que aquilo

e conhecedor profundo da história romana.

tudo era estudado e muito bem calculado. Ela foi uma profissional maravilhosa que exerceu o magis-

Aarão Reis construiu Belo Horizonte nos moldes de

tério sem esconder o que sabia dos alunos. E eu

uma cidade romana, com duas veias de cruzamento

dizia a ela que, se a Engenharia era difícil para ela,

(Avenidas Amazonas e Afonso Pena), quarteirões,

a pintura também era muito complicada para mim.

vias de cruzamento e proximidade do abastecimento de água. Os quarteirões seriam vilas de uma cidade

Neste ano, o Sr. também recebeu uma homenagem

romana. No início da capital tivemos muitas que têm

da Associação dos Ex-Alunos da Escola de Enge-

nomes de famílias, inclusive.

nharia da UFMG.

O meu segundo livro “História da Evolução da Enge-

Sim. Foi um momento de muita alegria. Como ex-

nharia” demandou 10 anos de muitos estudos. Eu me

aluno, co-fundador e membro da entidade, foi

baseei no que considero a maior obra de Engenharia

uma surpresa muito boa receber essa homena-

que o homem já fez: as pirâmides do Egito. Ali tem

gem. A AEEUFMG é uma entidade composta por

toda a matemática. O número Pi (3,14) está la. Quem

idealistas, pessoas que trabalham em prol da Es-

primeiro estudou a origem daquela obra foi Napoleão

cola e da Engenharia de Minas Gerais. Entre os

Bonaparte, que levou 150 especialistas lá mas esse

projetos que mais admiro está a biblioteca da en-

conhecimento permanece oculto até os dias de hoje.

tidade, que tem mais de 30 mil volumes catalogados, dos quais 3 mil obras raras. Uma delas é o

Por isso, um dos livros que ainda pretendo publicar

original em francês do “Discurso do Método”, de

conta a história de Napoleão Bonaparte, que foi um

René Descartes (1597/1650). Nossa missão é

grande conquistador e historiador.

conservar esse acervo. 31


EnGEnhEiro do Ano 2017

luciana Sampaio moreira

pelos membros da Comissão de Transportes e Mobilidade Urbana, muito honra a entidade. “Tem sido um privilégio conhecer e conviver com GDO, um dos membros mais atuantes da nossa Casa do Engenheiro”, afirmou.

Geraldo dirceu oliveira

O engenheiro civil Geraldo Dirceu Oliveira recebeu, no dia 11 de dezembro, a comenda e o diploma de Engenheiro do Ano do ano de 2017. A solenidade que tradicionalmente comemora o Dia do Engenheiro, foi realizada na sede da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) para um público que reuniu familiares, amigos e colegas de profissão de diversas gerações, membros da diretoria e ex-presidentes da entidade. O presidente da SME, Ronaldo Gusmão, deu boas-vindas aos presentes e ressaltou que a indicação de Geraldo Dirceu Oliveira, 32

Maurício roscoe, chanceler da medalha

O chanceler da medalha foi Maurício Roscoe, que coleciona mais de 70 anos de amizade com GDO. “Somos amigos desde o CPOR e, por isso, sinto uma grande satisfação em homenagear, além de um grande profissional e cidadão, um engenheiro que merece essa reverência”, disse.

Em seu discurso, Roscoe lembrou da “Turma do Abrigo Ceará”, composta por estudantes que esperavam o bonde em um ponto localizado nas imediações. Entre eles, estava GDO, “disciplinado, amigo, aglutinador e conciliador. Ele se despedia para ir estudar e foi um aluno exemplar do curso de Engenharia e também no CPOR. Por onde passou ao longo da vida, foi uma pessoa de extraordinária competência”, relatou o chanceler. GDO não escondeu a emoção ao receber a comenda e a medalha de Engenheiro do Ano 2017. Iniciou seu discurso agradecendo aos seus pares da Comissão de Transportes e Mobilidade Urbana, que ele presidiu no passado, que foram os responsáveis pela indicação do seu nome para essa importante homenagem. Relembrou os professores que participaram da sua formação técnica e profissional desde a infância até a universidade e, também do primo e estadista Juscelino Kubitscheck, que fez o Brasil crescer “50 anos em 5”, por


Entrega da Medalha pelo Presidente da SME, ronaldo Gusmão

meio de obras de Engenharia. “Naquela época, tudo no Brasil era importado. Hoje, tudo é exportado, graças à Engenharia nacional”, declarou.

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de outorga da Medalha e Diploma de Engenheiro do Ano 2017 foi protagonizado pelo engenheiro, membro da Comissão de Transportes e Mobilidade Urbana, 2º Tenente R2 e presiFernando Gonçalves dente da Associação Castelo Branco dos Oficiais da Reserva do Exército Brasileiro (AOR-EB-B), Fernando Gonçalves Castelo Branco.

Cercado pelos filhos e netos, lembrou da esposa, Sara Ávila, sua companheira por 61 anos, que faleceu em 2013. Ao final, o presidente da SME entregou sementes da árvore da “Fruta de Sabiá” para que a família do homenageado possa fazer o cultivo e, posteriormente, doar mudas para a entidade.

Ao quebrar o protocolo, ele conclamou todos os oficiais da reserva presentes para prestar continência ao homenageado da noite. “Há três anos, quando o nosso professor Edson Durão Judice recebeu a mesma honraria, o GDO, como um dos fundadores e primeiro presidente da Associação, conduziu essa homenagem. Agora foi a minha vez”, comentou.

Segundo Adolpho Portela, ex-presidente da SME, “a indicação de Geraldo Dirceu de Oliveira foi excepcional porque reconheceu as qualidades e obras de um profissional de grande importância para Minas Gerais. Por meio dessa homenagem, a SME também incentiva os engenheiros. Parabéns, GDO”!

Castelo Branco relatou que conheceu GDO em 1967, logo depois da formatura. “Trabalhamos juntos em diversas ocasiões e ele é um exemplo de engenheiro e de homem. Sem dúvida, é um dos bons exemplos que eu tive e sigo em minha vida”, concluiu.

h oM E nA GE M P Ar A A dE CA nA d A SME A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) também prestou uma homenagem à engenheira e decana da entidade, Marita Arêas de Souza Tavares, que comemora seu aniversário na mesma data do Dia do Engenheiro.

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Eloy oliveira com o avô, Geraldo dirceu oliveira

Eloy oliveira, neto do homenageado com o Presidente da SME, ronaldo Gusmão

alexandre Bueno, Marita tavares e Flávio Carvalho

Entrega do diploma pelo Chanceler da Medalha, Maurício roscoe

rodrigo Coutinho, Elói oliveira, Geraldo dirceu oliveira, ronaldo Gusmão e Maurício roscoe

Euler Magalhães e Geraldo dirceu oliveira

José Coutinho, Geraldo dirceu oliveira e Maurício roscoe

alberto dávila, Marita tavares e Igor Martins

Augusto Drummond, ex-presidente da SME, “Geraldo Dirceu Oliveira, GDO como carinhosamente o chamamos escreveu uma trajetória impecável como engenheiro e profissional o que o faz merecedor da homenagem, além da pessoa humana sempre afável e enaltecedora da Engenharia como instrumento de bem-estar da sociedade. Parabéns”!

José Antônio Silva Coutinho, vice-presidente de Relações Institucionais e presidente da Comissão de Transportes e Mobilidade Urbana “A indicação do nome de Geraldo Dirceu Oliveira, o nosso GDO, foi consenso entre os engenheiros da nossa Comissão. Ele merece essa homenagem pelo “conjunto da obra” como profissional e cidadão. Sua liderança é um exemplo para todos nós”.

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Comissão técnica de transportes com o Homenageado, Geraldo dirceu oliveira, Engenheiro do ano 2017

Familiares do Homenageado, Geraldo dirceu oliveira

Werner rohlfs, teodomiro diniz Camargos e Marcos Sant'anna

Sumaia Zaidan, valéria telles e Marya Bertoldo

Wilson leal, luciano Costa e rodrigo Paiva

Engenheiro do ano 2017, Geraldo dirceu oliveira e Presidente da SME, ronaldo Gusmão

Rodrigo Coutinho, ex-presidente e atual presidente do Conselho Deliberativo da SME “Dos homenageados dos últimos anos, o que mais mereceu receber o título de Engenheiro do Ano. Além de engenheiro de renome e de militar na Engenharia, GDO também está entre os principais associados da SME, com um trabalho muito ativo, nos anos em que presidiu a Comissão de Transportes”.

Elói Lacerda de Oliveira Neto, filho e engenheiro “Nossa família agradece aos engenheiros mineiros esta importante homenagem que tanto nos alegrou. Eu o acompanho com grande admiração. Acredito que este é um momento de colheita das boas sementes que meu pai plantou por onde passou, inclusive pela SME. Este é um momento que ficará em nossos corações para sempre”.

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SEMAnA do EnGEnhEiro

SME promove ciclo de palestras para os associados

m dezembro de 2017, a comemoração do Dia do Engenheiro ganhou um novo formato, com a primeira edição do Ciclo de Palestras SME, realizado entre os dias 12 e 15 de dezembro, na sede da entidade.

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temas abordados foram “Energia e Cidades: Passado e Futuro”, por Afonso Henriques Moreira Santos e “Perspectivas do Mercado de Energia Solar Fotovoltaica, por Patrick Joabe de Souza Lüdtke e José Francisco Rezende Faria Dutra.

Militante histórica, membro do Conselho Deliberativo e presidente da Comissão de Ensino na Engenharia, Marita Arêas de Souza Tavares, foi a coordenadora do evento que reuniu engenheiros de diversas gerações e especialidades. “Esta é uma iniciativa que queremos repetir ao longo do próximo ano. Neste momento, a SME trabalha para congregar os associados e oferecer palestras e outros eventos, sobre temas de interesse”, afirma.

Na quinta-feira, foi a vez de falar sobre “Importância da Inspeção Predial – Projeto de Lei e Norma ABNT”, por Kleber José Berlando Martins, que também preside a Comissão de Avaliação e Perícias da SME. Em seguida, o presidente da Comissão de Engenharia de Segurança do Trabalho, Fabiano Soares Panissi, abordou o tema “A Segurança do Trabalho após a Nova Reforma Trabalhista”.

Na abertura, foram duas palestras sobre “Desenvolvimento Sustentável: O Mundo que Queremos”, com Márcia Castro Magalhães e “Cidades Sustentáveis”, com Leandro Guerra Martins. Na quarta-feira, os 36

Para encerrar a programação, o engenheiro Krisdany Vinícius Cavalcante proferiu a palestra “Medição e Avaliação Acústica no Interior de Edificações: Apresentação da Nova Edição da ABNT NBR 10152 de novembro de 2017.


11 de dezembro | Dia do engenheiro

O Ietec nasceu há 30 anos do sonho de um engenheiro em levar conhecimento e åÚƚϱÓÅŅ ޱų± ŅŸ ŞųŅĀŸŸĜŅűĜŸ Ú± ´ųå±ţ „åĹƋĜĹÚŅ ĹŅ ÚĜ± ± ÚĜ± ŅŸ Ú埱ĀŅŸ åĹüųåĹƋ±ÚŅŸ pelos engenheiros logo após a graduação, ele fundou a instituição com o objetivo de contribuir para uma formação mais efetiva nas diversas áreas da engenharia. Muitos anos depois, o Ietec se orgulha de ter feito história, contribuindo para a capacitação de 19 mil engenheiros, e ter expandido sua atuação para outras áreas do conhecimento. Nossa gratidão aos milhares de engenheiros que foram nossos estudantes, centenas de engenheiros professores e mestres que tiveram – e têm – um papel fundamental na construção dessa história e, em especial, aos nossos diretores.

Mauri Fortes

Wanyr Romero Ferreira

José Ignácio Villela

Diretor Acadêmico

Diretora de Pesquisa e Pós-graduação

Diretor de Produto

PhD e Post-doctoral em Engenharia de Produção Agroindustrial (Purdue University EUA), mestre em Ciências e Técnicas Nucleares e Engenheiro Eletricista (UFMG), Especialista em Finanças Corporativas (New York Institute of Finance).

Doutora em Energia pela Université Paul Sabatier (França), mestre em Engenharia Térmica e graduada em Engenharia Química (UFMG). Coordenadora do Mestrado Ietec em Engenharia e Gestão de Processos e Sistemas.

Mestre em Administração (Fead-MG), pós-graduado em Gestão Estratégica (FDC-MG) e Gestão de Custos (Ietec). Graduado em Engenharia Mecânica com ênfase em Produção (UFMG). Experiência ŞųŅĀŸŸĜŅűĬåĵåĵŞų埱ŸÚåÚĜƴåųŸŅŸŞŅųƋåŸţ

ENGENHARIA E GESTÃO DE PROCESSOS E SISTEMAS O ÚNICO DO BRASIL QUE ALIA ENGENHARIA E GESTÃO Aulas aos sábados | ietec.com.br


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artIGo | aBNt

norMA dE inSPEção PrEdiAL SErÁ PuBLiCAdA PELA ABnt

epois de várias reuniões da Comissão de Estudo de Inspeção Predial do Comitê Brasileiro da Construção Civil da ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas(CB-002) tudo esta levando a crer que até o mês de junho do próximo ano já teremos em vigor a Norma de Inspeção Predial da própria ABNT.

D

A coordenação das reuniões da Comissão de Estudo está a cargo de Luis Carlos Pinto da Silva Filho, professor e diretor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O engenheiro Antônio Dolacio, eleito agora como novo presidente do IBAPE-SP(Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias – jurisdição SP) é o secretário da Comissão de Estudo. Todo o processo para a elaboração desta norma foi iniciado em abril de 2013, teve uma suspensão em 2014 devido a problemas divergentes no texto que estava sendo elaborado. No dia 1º agosto de 2016 a Comissão de Estudos voltou às atividades. No mês de junho do atual ano, foi publicado um texto-base revisado, harmonizado com algumas alterações de conceito que vinham da versão original. 38

Enviada ao setor responsável da ABNT, a norma foi submetida às regras da ABNT Diretiva Parte 2, adequação e formatação e irá a consulta nacional por 60 dias. Não havendo objeções técnicas, o Projeto de Norma será encaminhado diretamente para publicação como Norma Brasileira. Havendo desaprovação de alguma parte, haverá uma reunião especial para tratar especificamente do item desaprovado. Caso haja alterações de cunho técnico, o Projeto de Norma irá circular em 2ª Consulta Nacional, desta vez, por 30 dias. Não havendo desacordo no texto apresentado, o Projeto de Norma de Inspeção Predial será publicado como Norma Brasileira (ABNT NBR), provavelmente até junho próximo.

PrinCiPAiS tóPiCoS dA norMA 1) Esta norma fixará diretrizes, conceitos, terminologia, convenções, notações, critérios e procedimentos relativos à Inspeção Predial, na tentativa de uniformizar a metodologia de sua realização.

2) Servirá como parâmetro de monitoramento da vida útil de uma edificação atestando as condições de desempenho , uso e operação da mesma, após o imóvel ser entregue aos proprietários. 3) A norma será aplicada a qualquer tipo de edificação, públicas ou privadas. 4) Bom deixar claro que a norma de Inspeção Predial não substitui as inspeções periódicas previstas nos planos de manutenção previstos na NBR 5674. 5) Num todo, Inspeção Predial envolve as seguintes normas, todas referentes também a condomínios: • ABNT NBR 5.674 – Manutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção; • ABNT NBR 14.037 – Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações – Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos; • ABNT NBR 16.280 – Reforma em edificações – Sistema de gestão de reformas – Requisitos.


• ABNT NBR 15.575 – Desempenho de Edificações Habitacionais 6) O responsável pela inspeção predial será designado inspetor predial, engenheiros e arquitetos, habilitados e capacitados para tal trabalho. 7) As anomalias identificadas durante uma inspeção predial podem ser: Endógenas ou construtivas: origem oriunda das etapas de projeto e/ou execução; Exógena: originada por fatores externos, provocados por terceiros; Funcional: origem por envelhecimento natural e consequente término da vida útil. 8) A inspeção predial terá três níveis de prioridade. Prioridade 1 - perda de desempenho compromete a saúde e/ou segurança dos usuários e/ou funcionamento dos sistemas construtivos e a vida útil. As intervenções devem ser realizadas com urgência. Prioridade 2 - perda parcial do desempenho sobre a funcionabilidade da edificação. Prioridade 3 - perda de desempenho pode ocasionar pequenos prejuízos à estética. Não existe necessidade de intervenções imediatas. 9) Na norma existirão dois usos a serem examinados: a) Uso regular: o uso esta de acordo com o previsto em projetos, normas técnicas, dados de fabricantes e manual de uso, opração e manutenção. b) Uso irregular: uso realizado em divergência os os itens supracitados.

10) Também constará da norma a classificação informada pelo inspetor predial sobre o estado aparente de desempenho dos sistemas vistoriados. A seguir: Classe 1 de desempenho: Desempenho adequado ao uso; Classe 2 de desempenho: Desempenho que requer recomendações corretivas e/ou preventivas; Classe 3 de desempenho: Desempenho inadequado ao uso, quando as manifestações patológicas encontradas são prejudiciais à segurança e/ou saúde dos usuários. 11) Deverão ser examinados e analisados todos os documentos administrativos, técnicos, manutenção e operação da edificação, quando disponíveis. A norma de inspeção predial será uma ferramenta usada para avaliar todos os sistemas subsistemas, elementos e componentes construtivos de uma edificação. Esta inspeção deve ser realizada por profissionais, engenheiros ou arquitetos, os chamados gestores prediais, habilitados e devidamente capacitados e servirá de orientação para a melhorias das condições técnicas de uso, operação, manutenção, funcionabilidade e desempenho das edificações. Para as condições de desempenho devem ser considerados os seguintes requisitos: Segurança: segurança estrutural; segurança contra incêndio; segurança no uso e na operação. Habitabilidade: estanqueidade; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionabilidade e acessibilidade. Sustentabilidade: durabilidade; manutenibilidade.

A inspeção em Bh A propósito , através de leis e decretos, a obrigatoriedade da realização da Inspeção Predial está presente em várias cidades do país Belo Horizonte ainda “engatinha” para possuir uma norma de inspeção predial. Existe na Câmara Municipal o Projeto de Lei 1142/2014, de autoria do vereador Léo Burguês, que institui a obrigatoriedade de realização de vistorias técnicas nas edificações existentes no Município de Belo Horizonte e dá outras providências e já está pronto para ir à votação em 1º turno no Plenário.

importância A inspeção predial é um processo que auxilia na gestão de uma edificação. Os síndicos, gestores, administradores devem ter consciência da importância de sua realização. Uma edificação sempre será valorizada se fizer inspeções prediais periódicas, mantendo um bom nível de conservação e maior vida útil.

Kleber José Berlando Martins diretor técnico da KJ Avaliações e Pericias de Engenharia;

Presidente da Comissão de Avaliações e Perícias da SME,

Sociedade Mineira de Engenheiros;

Presidente da ASPEJudi (Associação de Peritos Judiciais,

Árbitros, Conciliadores e Mediadores de Minas Gerais);

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ArtiGo | EnErGiA

o Futuro do Planejamento de Sistemas Elétricos de Potência Alexandre Bueno * istemas Elétricos de Potência – SEP são sistemas dos quais se exige grande disponibilidade, confiabilidade e segurança; por esta razão, são estruturas extremamente complexas, que envolvem investimentos de muito alto valor, e com tempos de maturação longos; São monopólios naturais, uma vez que a competição entre sistemas em uma mesma área geográfica levaria à perda de eficiência e racionalidade econômica. Assim, e não por outra razão, são entendidos como um serviço público, concedido à exploração pela iniciativa privada, e fortemente regulado pelo poder concedente.

S

As concessões são de longa duração, normalmente 30 anos, tempo comparável à vida útil dos ativos, e também período durante o qual estes são amortizados. Ao concessionário cabe operar e manter o sistema em condições operativas adequadas, atendendo os requisitos de disponibilidade, qualidade e confiabilidade definidos pelo poder concedente. 40

Especialmente no caso das concessões de Distribuição, cabe ainda ao concessionário fazer as projeções de carga, ou previsões de demandas futuras, de várias formas. Em primeiro lugar, do ponto de vista energético, deve informar ao Regulador e ao Planejador nacionais (este último, algumas vezes exercido pelo ONS – Operador Nacional do Sistema) as projeções de consumo de energia em um horizonte futuro de 5 anos, que vão orientar os leilões de energia A-5 (lê-se “A” menos 5). Os Leilões de Energia são o mecanismo que a EPE (Empresa de Pesquisa Energética, do MME) utiliza para propor ao mercado a oferta de energia (através da construção de novas usinas ou venda de energia de usinas existentes descontratadas) em um momento futuro. A energia comprada compõe uma cesta de energia, que é repassada às Distribuidoras, na proporção de suas projeções de consumo informadas, ao preço médio da energia da cesta. Por esta razão, os leilões são sempre para entrega futura, variando o prazo de entrega da energia de


cedente no Mercado Livre) a um preço bastante inferior ao dos contratos de longo prazo (se há abundância de energia, é esperado um preço mais barato). Uma contratação “a menor” que a realização do mercado pode expor a Distribuidora ao “Mercado Livre”, sendo obrigada a adquirir a energia faltante em leilões de curto prazo (se há escassez de energia, é esperado um preço mais levado) ou mesmo no mercado de curtíssimo prazo, ao valor de PLD (preço de liquidação de diferenças). O custo da energia comprada nestas situações não é repassado integralmente ao consumidor (há regras claras para tal, mas não é objeto deste texto explica-las aqui), levando a Distribuidora a custos adicionais não previstos na tarifa.

acordo com sua fonte; por exemplo, energia hidroelétrica nova participa de leilões A-5 (o leilão é feito agora, para entrega daqui a 5 anos), enquanto que energia térmica participa pode participar de leilões A-5 e A-3. Leilões A-1 e A-0 são leilões de ajuste, apenas para “casar” sobras de geradores com possíveis demndas de curto prazo de Distribuidoras. Em segundo lugar, do ponto de vista de demanda, As Distribuidoras devem informar ao ONS o carregamento (demanda) previsto em cada Ponto de Conexão à Rede Básica, e firmar contratos de Conexão baseados nestas projeções. Os contratos contêm penalidades severas para uma eventual sobrecarga em algum Ponto de Conexão. Em terceiro lugar, as previsões de consumo (energia) devem orientar as Distribuidoras nos leilões de energia, que também são feitos com 5 anos de antecedência (há leilões de ajuste com prazos menores). Uma contratação “a maior” que a realização do mercado fará com que a Distribuidora arque com os custos adicionais (ou seja obrigada a vender o ex-

Em quarto lugar, a Distribuidora, ao operar uma concessão, obriga-se a atender ao seu mercado sem restrições. Isto significa que ela deve realizar as obras de expansão necessárias para atender ao seu mercado presente e, como são obras razoavelmente demoradas, projetar as demandas futuras e realizar as obras de expansão que permitam o atendimento ao mercado futuro sem restrições. A incapacidade de atender ao mercado gera penalidades que se traduzem em perdas financeiras para a Distribuidora. Por outro lado, uma vez que o custo dos investimentos é repassado à tarifa, o Agente Regulador (Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL) desenvolveu regras de “prudência” de investimentos. Isto significa que uma concessionária de Distribuição deve construir as redes necessárias (e apenasas necessárias) ao atendimento de seu mercado futuro (o que caracteriza o investimento prudente), e investimentos “em excesso” podem resultar em “glosa” (não reconhecimento pelo regulador na tarifa). Imagino que os parágrafos acima já tenham dado uma compreensão da importância, da extensão e dos desafios do Planejamento dos Sistemas Elétricos. Entretanto, ao longo de décadas, as empresas de energia desenvolveram a competência necessária ao planejamento de mercado e de redes, convivendo razoavelmente bem com os desafios acima listados.

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ArtiGo | EnErGiA

Baseados em projeções de crescimento do PIB, de crescimento demográfico e outros dados de entrada, é possível projetar consumo e demanda com razoável precisão. A menos que algo muito grave ocorra, como uma crise hídrica sem precedentes ou uma recessão brutal (que pudemos, ambas, experimentar no passado recente), as projeções de carga e demanda funcionam com razoável precisão. Ou funcionavam! Alguns fatores vieram trazer mais incerteza ao processo. Novas tecnologias ligadas ao consumo de energia, como Eficiência Energética (menor consumo de energia para um mesmo nível de conforto), novos hábitos de consumo (forma de uso da energia ao longo do dia), a Geração Distribuída (GD) e o Armazenamento de Energia vieram “perturbar” o cenário de relativo conforto em que operavam (e planejavam!) as Distribuidoras. Novas tecnologias de uso de energia, como por exemplo lâmpadas LED e eletrodomésticos mais eficientes, têm reduzido o consumo residencial médio. Da mesma forma, acontece nos escritórios, no comércio e até na indústria. Mas o maior impacto vem do rápido crescimento da GD, e virá, em breve, dos sistemas de armazenamento de energia. A GD, sobretudo fotovoltaica, e a popularização das “Microrredes” trarão vários impactos ao Planejamento das Distribuidoras. Microrredes (Microgrids), são sistemas de distribuição de energia contendo cargas, fontes (GD), sistemas de armazenamento, e sistemas de gestão e controle das cargas, que podem ser operados de forma controlada e coordenada com a rede elétrica pública, enquanto a ela conectados, mas também operar em ilhamento (desconectados da rede pública). Uma vez que a energia fotovoltaica só é produzida enquanto há luz solar, a ANEEL, ao regulamentar o tema em 2012, através da Resolução Normativa 482/2012, criou a figura da “Compensação”. 42

O sistema de compensação nada mais é do que um armazenamento virtual da energia solar. O autoprodutor – cliente que dispõe do seu próprio sistema de geração de energia – envia a energia para a rede elétrica nos momentos em que seu consumo é inferior à geração (normalmente nas horas ensolaradas do dia) e usa a energia da rede elétrica nos momentos em que não há luz solar (normalmente à noite). A concessionária contabiliza a energia consumida – exatamente como em um cliente convencional – e abate dela a energia produzida pelo cliente, que só paga a diferença. Assim, a rede elétrica funciona como um armazenamento virtual gratuito para a energia produzida durante o dia e consumida à noite. Caso o balanço entre o consumo e a produção seja negativo, isto é, o cliente autoprodutor tenha produzido mais energia que o seu consumo, ele pode escolher entre “armazenar” o crédito de energia para abater em um próximo mês (os créditos de energia valem por até 60 meses) ou utilizá-lo em outra unidade consumidora de mesma titularidade (mesmo CPF ou CNPJ) da mesma área de concessão. Sistemas de Armazenamento de Energia são um requisito básico para a caracterização de uma Microrrede e permitirão, em breve, que o cliente opte por carregar suas baterias durante a madrugada, ou a partir de uma GD, durante o dia, para utilizar a energia no horário de ponta, onde haverá um sinal tarifário proporcional ao custo marginal de expansão da rede elétrica. Neste caso, o efeito será benéfico sobre a expansão das redes, reduzindo investimentos, mas poderá ter impactos ainda pouco avaliados sobre a contratação de energia. Estamos no limiar de importantes mudanças na forma como produzimos, compramos e consumimos a energia elétrica. A crescente eficiência energética de equipamentos, a redução de custos e crescente penetração dos sistemas de GD (fundamentalmente


sistemas solares fotovoltaicos) e a redução de custos esperada para os Sistemas de Armazenamento de Energia terão papel importante na viabilização do consumidor “off-grid” (desconectado da rede pública de energia), ou o consumidor que obtém serviços da rede elétrica pública, como controle de tensão e frequência, continuidade, back-up de energia, mas não necessariamente energia. A ação conjugada destes fatores deverá produzir nas redes elétricas um impacto semelhante ao que as redes de telefonia celular móvel produziram nos sistemas de telefonia fixos. Então, o que se vê é que foram adicionadas novas variáveis ao problema; variáveis que só poderão ser corretamente abordadas de forma probabilística, uma vez que os fenômenos envolvidos têm esta natureza, quais sejam: 1] A decisão por instalar sistemas de GD e/ou de armazenamento de energia, assim como optar por equipamentos mais eficientes, pertence exclusivamente ao consumidor, e as Distribuidoras não podem limitar ou interferir nesta decisão. No mundo, a ampla penetração da geração solar fotovoltaica já é uma realidade; segundo dados da Bloomberg Finance (New Energy Outlook 2017) a capacidade instalada em painéis solares deve multiplicar-se 14 vezes até 2040 e os painéis solares em telhados de consumidores devem responder por 20% da geração de eletricidade no Brasil, dados que se encaixam bastante bem nas projeções que faz a EPE para o mesmo tema. Números nada desprezíveis! 2] O nível de produção da GD depende da radiação solar; dias nublados praticamente não produzem energia solar fotovoltaica. E ainda que seja perfeitamente possível estimar-se a produção anual de um conjunto de placas fotovoltaicas, é seguro que não se pode estimar com antecedência típica do planejamento elétrico o dia que será ensolarado ou nublado. Pode-se inclusive afirmar que, em um dado local, há anos mais ou menos chuvosos e mais ou menos ou ensolarados. 3] Em algum momento do futuro não muito distante veremos ao lado da crescente penetração da

GD – solar fotovoltaica – a adoção de tecnologias de eficientização energética (como lâmpadas LED) e ainda a penetração de sistemas de armazenamento de energia. Tudo isto, conjuntamente, levará à natural organização do sistema elétrico em microrredes, pequenas porções de sistemas elétrico capazes de operar em ilhamento, isto é, desconectadas da rede elétrica pública e que poderão apresentar-se ao SEP ora como carga, ora como fonte (ou recurso). Tudo isto alterará de forma definitiva e irreversível a forma como aos consumidores utilizam a energia elétrica e, sobretudo, a forma como engenheiros e planejadores pensam, planejam e investem no sistema elétrico. É certo que engenheiros e planejadores do Sistema Elétrico terão que incorporar este novo requisito aos seus estudos de Planejamento, desenvolvendo o conhecimento necessário, e a ANEEL terá que rever seus critérios de formação de preços e de tarifas para incorporar este aumento do número de variáveis e de incertezas na regulação. De uma visão determinística, passaremos a uma abordagem mais probabilística, que requererá a adoção de novos métodos de previsão e gestão de riscos e incertezas.

Alexandre Bueno é engenheiro eletricista com especialização

em Gestão de negócios; é pesquisador em energia elétrica, especialista em geração distribuída e armazenamento de energia;

é diretor de Pesquisa e desenvolvimento da ABAQuE – Associação Brasileira de Armazenamento e Qualidade de Energia e pesquisador do instituto Senai de inovação.

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JovEM EnGEnhEiro

Capixaba escreve capítulo promissor da sua carreira em Belo horizonte luciana Sampaio moreira

Natural de Serra, na Grande Vitória, o engenheiro de Controle e Automação Diogo Ávila de Castro, 34 anos, não pensou muito para aceitar uma proposta de trabalho promissora em Belo horizonte. Graduado há 10 anos pela Faculdade do Centro Leste (UCL), ele trouxe na bagagem a experiência que começou a acumular ainda na universidade. Na época, o estágio de dois anos lhe rendeu o primeiro contrato na área de Tecnologia de Automação, em uma siderúrgica. Mas ele estava insatisfeito e ansiava por uma oportunidade realmente desafiadora. Naquele momento, o jovem engenheiro investia grande parte do seu tempo e energia para alavancar a carreira. “Vim para Belo Horizonte por causa da oportunidade que me foi oferecida. Naquele momento, foi a única que incluía a possibilidade de crescimento profissional”, reconhece. 44

Considerando que ele trabalha na área de Tecnologia da Informação (TI), sua decisão foi a mais acertada já que a capital mineira é um importante polo nacional de empresas desse segmento e tem, nas startups, um mercado bastante promissor, com oportunidades “a perder de vista”, mesmo em um cenário de crise como o atual. Depois de uma primeira experiência que ficou aquém do esperado, o engenheiro transferiu-se para a IHM Engenharia, empresa do grupo Stefanini, na área Tecnologia de Informação Industrial, com tratamento de informação e Big Data. informação estratégica Segundo Diogo de Castro, as áreas de Big Data e Data Science têm registrado crescimento nos últimos tempos e o que comprova isso é o número de novos colegas que têm chegado ao seu setor. Para ele, a

gestão de informação e criação de bancos de dados são parte importante da estratégia de negócios de empresas de diversos segmentos. “O diferencial é usar as informações para otimizar os negócios, melhorar a eficiência, reduzir custos e aperfeiçoar os processos produtivos”, comenta. O engenheiro acredita que a sua entrada no mercado de trabalho de Belo Horizonte foi facilitada pela qualidade da formação. “Para quem está escolhendo o curso universitário, é importante saber quais são as carreiras que oferecem as melhores oportunidades, considerando o gosto pessoal. Uma vez no mercado de trabalho, é preciso atuar com seriedade e compromisso. E só quem faz o que gosta consegue se dedicar ao máximo”, enfatiza. Da mesma forma, os profissionais devem estar atentos às mudanças do setor em que atuam, principalmente na área tecnológica. “As empresas de Engenha-


” Se o engenheiro não estiver preparado para trabalhar com TI ele terá menos oportunidades que seus concorrentes.

ria estão cada vez mais atentas para trabalhar com informação. A Engenharia está cada vez mais envolvida pela Tecnologia da Informação. Se antes era desmontar, entender e reparar, agora o profissional compra a peça pronta, substitui e programa. Se o engenheiro não estiver preparado para trabalhar com TI ele terá menos oportunidades que seus concorrentes”, afirma o engenheiro. A capacitação contínua é um forte aliado do profissional que quer se dar bem no mercado. Além de programas presenciais,

há outros online e muitas fontes de informação que podem ser consultadas. Segundo Diogo de Castro, na área de gestão, é imprescindível conhecer softwares de controle e de gerenciamento. Em programação de controladores, o destaque são as linguagens de programação e a compreensão dos dados. Para aqueles que se interessa por instrumentação, há diversos softwares disponíveis que merecem atenção. Além de ganhos profissionais, o engenheiro não esconde que a mudança para Belo Horizonte

fez muito bem para a sua vida pessoal. Solteiro, ele conheceu a atual namorada na cidade e já adquiriu novos hobbies para os momentos de lazer. “É um negócio meio perigoso, mas eu adoro. Eu hoje pratico voo livre e de motor. Aprendi a voar na Serra da Moeda e em Itabira”, disse. A receptividade do povo mineiro também foi importante durante o processo de adaptação do engenheiro. “Apesar de não ter mar e praia, Belo Horizonte é um lugar melhor para morar. Vitória, agora, só a passeio”, conclui. 45


Foto roNaldroNald - WIKIPEdIa

trAnSPortES

Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) terá um representante no “Projeto Aliança pela vida”

via 040 promove ação de fiscalização para evitar acidentes anel rodoviário de Belo Horizonte luciana Sampaio moreira

or meio de contato realizado pela Comissão Técnica de Transportes e Mobilidade Urbana (CTT), a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) é a mais nova integrante do “Projeto Aliança Pela Vida”, iniciativa que reúne a Via 040, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (BHTrans), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar Rodoviária e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para discutir e implementar soluções para reduzir e/ou eliminar a ocorrência de acidentes de trânsito no Anel Rodoviário, no trecho entre o bairro Olhos D’Água e a Avenida Amazonas.

P

Segundo o presidente da CTT e vice-presidente Institucional da SME, José Antônio Silva Coutinho, o que motivou a entidade a reivindicar um assento nesse importante grupo de trabalho é a possibilidade de contribuir, de forma técnica e qualificada para essa iniciativa. “Estamos sempre atentos às discussões sobre a segurança do Anel Rodoviário, que muito nos preocupa como engenheiros e cidadãos”, afirma.

via 040 A Via 040 é responsável pela gestão do segundo maior trecho de rodovias concessionadas do país, com 936,8 quilômetros da BR-040, entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG), passando por 35 municípios, e população 46

de quase 9 milhões de habitantes. Nos próximos dias, o lançamento de fiscalização com presença física de agentes e técnicos que poderão inspecionar caminhões carregados que circulam, especialmente entre as 16 e as 20 horas, intervalo em que mais acontecem acidentes graves no Anel Rodoviário. Os técnicos da concessionária atuarão em parceria com agentes das policiais Militar Rodoviária. Além disso, a Via 040 também vai coletar dados que permitirão a realização de trabalhos educativos posteriores nas empresas de carga que mais utilizam o Anel Rodoviário. “Nosso objetivo é conscientizar motoristas e operadores logísticos para importância de uma condução segura, assim como orientações para uma boa conservação da frota”, enfatiza o gerente de Desenvolvimento de Operações, André Araujo. Sobre a participação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) nesse debate, o gestor afirma que o órgão já foi envolvido e está participando das discussões. Entre as medidas sugeridas, a mais polêmica foi sugerida pelo prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil para a restrição de tráfego de veículos pesados no Anel Rodoviário. No entanto, essa medida só pode ser efetivada, segundo os gestores da via, por meios legislativos, com


a realização de audiências públicas. O rito jurídico para esse tipo de processo tem entre 90 e 180 dias o que representa um “banho de água fria” para quem almeja uma solução imediata para os problemas do trecho.

da duplicação, o investimento em melhorias de pavimento, capina e roçagem, sinalização e segurança da rodovia, geraram mais de seis mil empregos diretos e indiretos no pico de obras.

Em setembro último os Conselhos de Administração da Invepar e da Via 040 aprovaram a adesão à lei nº 13.448, sancionada em junho deste ano e imediatamente protocolou pedido na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Programa de Parceria de Investimentos (PPI) e no Ministério dos Transportes a adesão ao processo de relicitação proposto pelo governo federal.

A Concessionária comemora reduções significativas de acidentes após os investimentos: queda de 32%. A redução no número de acidentes com vítimas fatais entre 2014 e 2017 foi extremamente significativa, considerando todo trecho sob concessão da Via 040.

A medida que foi adotada não comprometerá a prestação de serviços de operação/inspeção 24 horas, socorro médico e mecânico, manutenção de rodovia (conservação, sinalização e manutenção do pavimento) pela concessionária.

números Desde que assumiu a concessão, em 2014, a Via 040 investiu em torno de R$ 1,78 bilhão em obras, equipamentos e serviços aos usuários, totalizando mais de 108 mil atendimentos na rodovia, uma média de aproximadamente 100 atendimentos por dia. Repassou, até julho de 2017, R$ 26 milhões de Imposto Sobre Serviços (ISS) aos 35 municípios lindeiros à rodovia. Dos 557 km previstos no Programa de Exploração de Rodovia (PER) para serem duplicados, a concessionária executou obra em 73 km que tinham licença ambiental aprovada, o que representa mais dos 10% necessários para o início de cobrança do pedágio. Além

De acordo com representantes da empresa, o projeto inicial da concessão que serviu como base para a proposta apresentada pela Via 040 em 2013, foi totalmente desconfigurado, devido a alterações nas condições previstas na licitação e pelos impactos negativos da grave crise econômica que o Brasil enfrenta desde 2014. A mudança de cenário acarretou a redução drástica do tráfego na via. A Via 040 solicitou revisão do contrato junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em maio deste ano, e decidiu aderir à proposta de relicitação do governo federal, em setembro. Os números não fecham e a operação da rodovia deixou de ser viável economicamente. O processo prevê a repactuação amigável do contrato para que o governo possa promover um novo leilão do trecho em questão. O formato, parâmetro e prazo ainda serão definidos pelo próprio governo federal, mas até lá a Via 040 continua prestando relevante trabalho de manutenção na Rodovia, buscando a segurança e a proteção de seus usuários, embora esteja com o seu pedágio congelado.


MEStrES dA EnGEnhAriA | ProFESSor rondErSon hiLÁrio

Professores investem na carreira para formar novas gerações de profissionais

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luciana Sampaio moreira

egundo dados do Censo da Educação Superior 2016, divulgado em agosto deste ano, o número de professores de graduação com doutorado saltou de 42,3% em 2006 para 59,9% em 2016. No mesmo período, o número de docentes que têm apenas especialização caiu de 29,4% para 13%. O estudo demonstra que esses profissionais investem na carreira que escolheram, para oferecer aos estudantes brasileiros uma formação de qualidade superior. Em breve, o professor assistente da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, Ronderson Queiroz Hilário, 33 anos, vai aumentar o número de doutores na instituição, quando concluir o seu doutorado em Geotecnia de Pavimento, pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), onde graduou-se em Engenharia Civil e defendeu a tese de mestrado também em Geotecnia. Inicialmente, ele não pensava em ser professor. Mas a experiência na sala de aula, durante o período do mestrado, mostrou o contrário. Depois de lecionar por um ano em Conselheiro Lafaiete, o engenheiro experimentou o impasse de fazer a escolha pela carreira 48

que iria seguir na Engenharia. “Eu acho que um professor não pode ter só a vivência de sala de aula. Ele precisa conhecer o mercado também”, comenta. Depois de trabalhar com ferrovias no Paraná por algum tempo, retornou para Belo Horizonte para dar continuidade à sua carreira como professor. Inicialmente, deu aulas nos cursos de Engenharia da UFMG e da Pontifícia Universidade Católica, mas com a oportunidade do concurso, fixou-se na instituição pública, à qual se dedica com exclusividade desde fevereiro de 2016. Atualmente, ele é professor assistente responsável pelas matérias “Projetos de Estradas e Vias Urbanas” e “Construção de Estradas e Vias Urbanas”, no curso de Engenharia Civil. “Quando eu estava no mercado, percebi que meu lugar era mesmo na sala de aula. Faltava o ensino em algumas partes e as empresas têm determinadas práticas erradas que não abandonam, mesmo quando o risco de um prejuízo é maior que o benefício pretendido. Mais fácil que corrigir isso lá fora é ensinar certo na universidade, para mudar essa cultura no futuro”, afirma.


” Quando eu estava no mercado, percebi que meu lugar era mesmo na sala de aula. Mais fácil que corrigir isso lá fora é ensinar certo na universidade, para mudar essa cultura no futuro

Na sala de aula ele apresenta problemas práticos e discute com os alunos as soluções mais apropriadas, caso a caso. Dessa forma, o professor consegue atingir o seu objetivo que é preparar os futuros engenheiros para os desafios que a carreira impõe, no dia a dia. Embora jovem na carreira, Ronderson Hilário tem um gosto especial por ensinar. Para ele, ter condições de formar novos engenheiros é um desafio que vale a pena. “Um país não melhora sem engenheiros e, se é assim, a qualificação dos profissionais faz toda a diferença para o resultado final”, destaca.

uFoP Ronderson Hilário sabe que um professor tem que estudar muito. No mestrado e no doutorado, ele teve a oportunidade de assentar na cadeira de aluno e de rever amigos na República Molotov, onde já morou e

” atualmente se hospeda, em Ouro Preto, nos dias da aula do doutorado. Lá, ele também convive com alunos da UFOP. “É preciso ter paciência para aprender e mais ainda com o mercado de trabalho que ainda não retomou a situação anterior ao período de crise. As coisas estão começando a melhorar”, comenta, com esperança. O professor Ronderson Hilário é o membro mais jovem da Comissão Técnica de Transportes e Mobilidade Urbana da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME). Para ele, o contato com veteranos da área é uma oportunidade para aprimorar os conhecimentos e participar de projetos que, historicamente, têm gerado benefícios para Belo Horizonte e o Estado. Corredor de rua nas horas vagas, ele está noivo e está com casamento marcado para 2018. 49


EnSino híBrido

novo modelo de ensino de Engenharia, Arquitetura e urbanismo chega a Minas, em 2018 luciana Sampaio moreira

a última década, o acesso a ferramentas tecnológicas promoveu uma verdadeira revolução na educação mundial, principalmente no nível superior. Os tradicionais cursos presenciais passaram a ter como concorrente o Ensino a Distância (EAD).

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No entanto essa mudança não parou por aí. Há um novo modelo de ensino de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo que já chegou a Minas Gerais, com uma proposta que une o que há de melhor nas duas técnicas existentes, para oferecer um aprendizado de qualidade superior para os estudantes brasileiros. Belo Horizonte, Nova Lima, Betim, Contagem, São Lourenço, Vespasiano, Divinópolis, Ibirité, Itabira, Ipatinga, Pará de Minas, Ribeirão das Neves, Sete Lagoas e Varginha foram primeiras cidades brasileiras escolhidas pela instituição de ensino superior paranaense, Unicesumar, para oferecer o novo modelo Híbrido de ensino de Engenharias e Arquitetura e Urbanismo a partir de 2018. O reitor da Unicesumar, Wilson Matos da Silva, enfatiza que o desenvolvimento do modelo híbrido de ensino é um investimento no futuro do Brasil, principalmente em setores que necessitam de profissionais altamente qualificados. “Reinventamos a forma 50

Wilson Matos da Silva, reitor da Unicesumar de ensinar Engenharia e Arquitetura e Urbanismo porque temos tradição e compromisso com a qualidade de ensino”, afirma.

o projeto Desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, o novo modelo nasceu da troca de experiências de professores renomados de Engenharia do país. “Nossa inquietação inicial foi a alta evasão escolar, a má qualidade da maioria dos cursos existentes, uma calamidade, a baixa empregabilidade dos recém-formados e o comprometimento da indústria nacional num futuro bem próximo”, afirma o engenheiro civil, professor e ex-diretor da Escola de Engenharia da Universidade de Minas Gerais (UFMG), mestre, doutor e pós-doutor respectivamente pela Coope-UFRJ,


Aécio Freitas Lira, engenheiro civil, professor idealizador desse novo modelo de educação.

Funcionamento

M.S.U e M.I.T./USA e ex-executivo do Grupo Pitágoras/Kroton e idealizador desse novo modelo de educação, Aécio Freitas Lira. Segundo o professor, a cada ano, cerca de 300 mil novos alunos ingressam nas centenas de faculdades de Engenharia no país. De cada 100, apenas 35 concluem o curso. Dos cinco mil cursos de Engenharia existentes no Brasil, apenas 19% têm nota 4 ou 5 no Enade, contra 51% com notas 1 e 2. “O ensino de Engenharia no país só cresce em quantidade, mas não em qualidade. Um verdadeiro caos”, explica. Diante dessa realidade, o professor buscou parceiros para criar um novo modelo de formação de engenheiros no Brasil. “Bati em muitas portas, mas só encontrei as condições necessárias para desenvolver esse projeto na Unicesumar. A partir daí, conhecemos profundamente os modelos híbridos existentes nos Estados Unidos, no MIT, Stanford, Berkeley, Olin College, Purdue, Illinois/Urbana, Iowa State University e Northeastern University, e nos Institutos Indianos de Tecnologia, na Índia, que são muito avançados nessa área. Após isso, reunimos os melhores profissionais das melhores instituições federais e públicas de ensino de São Paulo. Posteriormente, validamos o modelo híbrido junto às principais entidades do setor”, comenta. A meta é que, nos próximos 10 anos, o Brasil viva uma nova realidade na formação em Engenharia. A Unicesumar estará à frente nesse novo momento histórico, que terá grande impacto no desenvolvimento da indústria nacional e formará uma rede educacional indutora do desenvolvimento municipal sustentável nas áreas de infraestrutura e urbanismo.

A metodologia inovadora oferece qualidade de ensino, tecnologia educacional de ponta, garantia de aprendizagem, material didático próprio e estrutura física nos polos escolhidos para receber o modelo Híbrido, oferecendo salas de aulas modernas e laboratórios físicos e virtuais, com recursos em realidade aumentada e práticas programadas. O Híbrido oferece cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Engenharia Mecatrônica, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção e Arquitetura e Urbanismo, todos com cinco anos de formação. O ano letivo será dividido em quatro módulos, com duração de dez semanas cada e duas disciplinas por módulo. A semana de aula está estruturada para seis dias de atividades, sendo três de autoestudo, um de aula ao vivo (transmitida via streaming live) e dois de encontro presencial no polo e/ou prática laboratorial também no polo. Todas as atividades presenciais terão controle de frequência de no mínimo 60% de presença. O Híbrido foi estruturado a partir de metodologias ativas, com aprendizagem baseada na reflexão sobre a experiência, em projetos, solução de problemas e em timing. A metodologia reúne ainda o ensino dirigido e por pesquisa, estudos de caso, gamificação e peer instruction (instrução entre pares). A sala de aula no modelo Híbrido é invertida. Antes das aulas, o aluno prepara-se sobre o tema. Durante os encontros, ele pratica os conceitos aprendidos e após, revisa o conteúdo e estende seu aprendizado. No início de cada disciplina, o estudante conhece a sua trilha de aprendizagem, visualizando onde está e aonde vai chegar. Trata-se de um mapa mental que o ajuda a orientar as dez semanas de estudos. 52


SME JÁ ESTÁ FAZENDO SUA PARTE ! PROPOSTAS A FAVOR DA ENGENHARIA Pelo fortalecimento da SME

Pelo apoio aos Engenheiros

Pela melhor comunicação com a classe e a sociedade

NÃO EXISTE UM PAÍS DESENVOLVIDO SEM UMA ENGENHARIA FORTE !


Futuro dA EnGEnhAriA

Empresas juniores mineiras se destacam nacionalmente luciana Sampaio moreira

A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) tem um espaço aberto na Revista Mineira de Engenharia (RME) para divulgar o trabalho realizado pelas empresas juniores de Engenharia do Estado. Nesta edição, estão a Empresa Junior de Meio Ambiente e Saneamento (EMAS Jr.), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Mais Consultoria Jr., da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)e a CP2eJr, do Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL). As empresas juniores do Estado são representadas pela Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais (FEJEMG). No total, são 87 organizações do gênero, entre as quais 33 ligadas às mais diversas áreas da Engenharia.

Empresa Junior de Meio Ambiente e Saneamento (Emas Jr.) Fundada em 2004, a Empresa Júnior de Meio Ambiente e Saneamento (EMAS Jr.) criou um novo estatuto em 2009. Com novas regras, a organização passou a congregar uma equipe de 39 alunos dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A EMAS Jr. é especializada em consultoria, com serviços como projetos hidro sanitários, cálculo estrutural, projetos de plantas baixas e de usucapião (para quem precisa regularizar lotes). Na área de Engenharia Civil, a empresa também oferece layouts arquitetônicos. Os serviços ambientais são variados e incluem processos de licenciamento ambiental, planos de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS) e plano de gerenciamento de serviço de saúde (PGSS), entre outros. A novidade são os planos de educação ambiental para micro e pequenas empresas. 54

Emas Jr. A presidente da EMAS Jr., Mariana Almeida Henriques, 19 anos, é uma futura engenheira civil. Para ela, que ingressou na empresa em 2016 e ocupa o posto mais alto da hierarquia há um ano, o seu principal desafio é garantir que a empresa siga a visão estratégica e que os membros da equipe estejam felizes em trabalhar para aprender. “Os projetos são orientados por


professores, mas a gestão propriamente dita está em consonância com as diretrizes do Movimento Empresa Júnior”, explica. Segundo Mariana Henriques, a empresa experimenta uma trajetória de crescimento. Em 2016 foram 29 projetos e, até novembro deste ano, já são mais de 40. Com isso, o faturamento aumentou mais de 100%. “A empresa júnior não tem folha de pagamento. O nosso objetivo é educacional e o dinheiro que entra com os projetos é revertido em melhorias de infraestrutura, equipamentos, treinamentos e imersões estratégicas”, afirma a estudante.

Mais que Engenharia, a empresa júnior também é uma experiência de crescimento pessoal. “Sem dúvida, sou outra pessoa em termos de maturidade, responsabilidade e compromisso. Também desenvolvi uma capacidade de comunicação melhor e exponho minhas opiniões com mais segurança”, comenta. Além dessas habilidades, os estudantes que participam das empresas júniores também entram em contato com a educação empreendedora e descobrem que existe “mundo inteligente” fora do mercado tradicional. “Sem dúvida, as empresas júniores estão formando profissionais mais capacitados e éticos”, conclui.

Mais Consultoria Jr. Mais Consultoria Jr. A Mais Consultoria Jr. tem base na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Fundada em 2003, a empresa é oportunidade de trabalho e aprendizado para 26 alunos do curso de Engenharia de Produção e oferece serviços em quatro áreas: estratégia, produção, finanças e qualidade.

de Engenharia de Produção, Cael Rodrigues Alvarenga, 22 anos. Em 2015, a organização registrou faturamento de R$ 70 mil. No ano passado, esse valor saltou para R$ 116 mil, que deve ser mantido no exercício presente. O propósito dos estudantes que trabalham na empresa júnior é aprender na prática como gerenciar um negócio

Na lista de serviços, a Mais Consultoria Jr. oferece ao mercado planejamento estratégico, mapeamento e padronização de processos, auditoria interna, line manufacturing, planejamento de fluxo de valor, layout e gestão de estoque, entre outros, que são orientados por professores e por profissionais do mercado, de acordo com a demanda.

próprio. O dia a dia dos negócios também representa

“O nosso carro chefe é a parte de produção, que tem um escopo bem aberto de projetos. Nossa ideia é mesclar o serviço para oferecer uma solução completa para o cliente”, explica o diretor de Marketing e aluno do curso

e, em junho deste ano, foi novamente certificada na ver-

um desafio para os jovens que, não raras vezes, têm que lidar com “ferramentas” que ainda não conheceram na sala de aula. Ao que tudo indica, a Mais Consultoria Jr. está no caminho certo. A empresa tem selo ISO 9001 desde 2008 são 2015, o que garante a validação de qualidade dos projetos. “Somos a primeira empresa júnior do Brasil a conseguir isso”, comemora Cael Alvarenga. 55


Futuro dA EnGEnhAriA

CP2eJr Em 2016, a organização recebeu o Prêmio Alto Impacto em Minas Gerais e ficou com a terceira posição nacional do seu segmento. A honraria é concedida pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), entidade que representa esse segmento no âmbito nacional. “A oportunidade de aprendizado que temos é muito grande. No meu caso, não existe a disciplina de Marketing na grade curricular do curso de Engenharia de Produção. Também tenho aprendido a lidar com pessoas, com a nossa equipe e com os clientes. O amadurecimento de todos é fato. Isso é fundamental para o bom andamento dos negócios”, destaca.

CP2eJr Empresa júnior do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), a CP2eJr é composta por 44 estudantes de todos os cursos de Engenharia da instituição, que tem sede em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. Assim, alunos de Engenharia de Telecomunicações, Biomédica, Controle e Automação e Computação têm a oportunidade de ter uma capacitação diferenciada que os torna cada vez mais caros para o mercado. Depois de uma experiência, o projeto de empresa júnior ficou fechado por alguns anos, tendo sido reativado a partir de 2003. E, a partir de lá, a organização se firmou. Atualmente, o estudante Antônio Augusto Alves da Silva, 23 anos, é o presidente da CP2eJr e acompanha as atividades das quatro áreas da organização. Ele participa do projeto há quatro anos. A primeira delas o Núcleo de Assuntos Internos (NAI), que trata das questões administrativas. A empresa tam56

bém tem o Núcleo para Gestão do Conhecimento e Treinamentos (NGCT) que contrata os cursos para os alunos participantes. Quem comanda a área comercial é o Núcleo de Projetos Sociais e Promoção (NPSP), que coloca em prática a estratégia de marketing e cuida de projetos como a Semana do Empreendedor, Rito de Entrada de Estudantes e outros eventos do Inatel. O Núcleo de Engenharia cuida da parte da Engenharia da empresa, com projetos como criação de site e desenvolvimento de aplicativos. “Também atendemos clientes externos da região e de outros Estados, como São Paulo. Nesse caso, fazemos tecnologia para atender a uma demanda específica”, explica o presidente da empresa. O faturamento da CP2eJr tem aumentado. Atualmente, está em R$ 12 mil. A expectativa de Antônio Augusto da Silva é melhorar os resultados para investir em capacitação para os estudantes, comprar treinamentos, melhorar a infraestrutura e o ambiente de trabalho. Neste ano, a empresa foi revitalizada, com a compra de mobiliário e de estações de trabalho novas. “Mas temos que reservar recursos para os nossos custos fixos e para o serviço burocrático”, ressalta. Outro desafio da empresa júnior é conciliar desejos e necessidades. Para tanto, o estudante que ingressou na universidade para ser um técnico tem investido pesado em gestão. À noite, ele frequenta as aulas do curso de tecnólogo em Gestão, oferecido pelo Inatel. “A nossa responsabilidade é muito grande. A gente veste a camisa e acompanha tudo de perto. Isso é interessante porque aprendemos a ver o lado da empresa, quando temos que tomar decisões que nem sempre são simpáticas a todos”, conclui.


EnGEnhAriA EM tudo

Estudante de Engenharia usa os conhecimentos adquiridos no curso para empreender luciana Sampaio moreira

m 2012, quando faltavam apenas três matérias para concluir o curso de Engenharia Civil na Fumec, o estudante do 10º período Glauber Jussan Lino Campos Silva, 28 anos, resolveu fazer um intercâmbio internacional nos Estados Unidos. Além de conhecer uma nova cultura e aperfeiçoar o inglês, ele também teria a oportunidade de trabalhar na sua área, para auxiliar o tio, que tem negócios naquele país.

E

“Foram três anos. Trabalhei com Engenharia e apliquei muito do que aprendi na sala de aula e nos diversos estágios que fiz em construtoras e também na Fumec, onde fui monitor. Fiz trabalho braçal também”, conta. Quando ele retornou para o Brasil, em 2015, a situação econômica nacional já não era a mesma. O cenário da atual crise já se apresentava e a retração do mercado resultou em cortes de custos e de oportunidades para os jovens que esta-

vam concluindo suas graduações. Naquele momento, o jovem decidiu empreender.

gelada na Avenida Mangabeiras, 1.120, em frente a uma academia da região.

Primeiro, abriu uma fábrica de cigarro de palha no interior. O projeto deu certo por algum tempo, mas não decolou como previsto inicialmente. Nesse ano, Glauber Silva teve uma nova ideia e, desde outubro, está como idealizador e atendente da Cokombi, um legítimo projeto de Engenharia que transformou um veículo comum no novo “point” da água de coco

“Eu sou corredor de longas distâncias e sempre faço meus treinos aqui no bairro Cruzeiro onde moro. Mas eu sempre senti falta de uma água de coco gelada e com preço justo nas imediações. Com o tempo, percebi que não era só eu”, afirma. A ideia de empreender nasceu quando ele foi a um sacolão e comprou coco verde para abrir 57


EnGEnhAriA EM tudo

Eu já tinha desenhado o veículo todo, com os espaços milimetricamente pensados. inicialmente, ia usar a serpentina, como as chopeiras, mas fui aconselhado a gastar um pouco mais para usar a refresqueira, que é mais segura e permite vender em copo e na garrafinha.

em casa. “O coco é barato, mas na garrafinha fica bem mais caro”, argumenta. Ele passou em uma loja, comprou o furador de coco e notou que a rentabilidade foi excelente, com quase três litros de água. O passo seguinte foi pesquisar tudo sobre coco e avaliar a logística do produto. Só então ele resolveu dar um formato personalizado para o seu negócio. Assim nasceu a Cokombi. “Eu já tinha desenhado o veículo todo, com os espaços milimetricamente pensados. Inicialmente, ia usar a serpentina, como as chopeiras, mas fui aconselhado a gastar um pouco mais para usar a refresqueira, que é mais segura e permite vender em copo e na garrafinha”, comenta. De uma forma natural, o conhe58

cimento que Glauber Silva adquiriu nos cinco anos de universidade foram bastante úteis para desenvolver esse novo projeto. Desde conceitos básicos, passando pela customização do veículo e os cálculos para a viabilidade do negócio, tudo foi feito a partir a Engenharia. Mas a experiência de empreender tem trazido outros ganhos além do financeiro. “Na Engenharia falta desenvolver a habilidade para conversar. Na maioria das vezes, os engenheiros têm uma facilidade enorme com números, mas no cotidiano não conseguem se relacionar bem com as pessoas”, pontua. Até o momento, a Cokombi demandou R$ 90 mil em investimentos. O retorno deve

acontecer em sete meses, se as vendas se mantiverem em alta no próximo verão (dezembro/março). O horário de serviço é puxado mas, segundo Glauber Silva, tem valido a pena. De segunda a sexta, ele trabalha das 7h30 às 12 horas e das 14 às 20h30. Nos finais de semana, a “loja” abre das 7h30 às 13h30. “Não é raro atender a professores da Fumec aqui. Eu gosto quando eles aparecem”, disse. Como a moda em Belo Horizonte são os festivais de foodtrucks, o empreendedor também já começou a fazer eventos. Assim, ele divulga a sua marca e conquista mais clientes. Enquanto adquire segurança financeira, ele projeta concluir o curso de Engenharia, em um futuro próprio.


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Revista Mineira de Engenharia 36ª Edição  
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