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Circuito de Porto Alegre tem dois recordes mundiais quebrados Esporte paraolímpico alcança escolas e universidades

Logomarca do Parapan é lançada no Rio


A um só t empo Tempo. Sucessão de momentos irreversíveis traduzidos pelo homem em horas, dias, anos. O tempo não pára, diz o poeta. Quem nunca sonhou em congelar uma passagem feliz da vida? Ou ter controle, ao menos parcial, sobre o tempo? No campo esportivo, onde é medido em décimos, centésimos e até milésimos de segundo, o tempo é a maior barreira que qualquer atleta pode enfrentar. Seja olímpico ou paraolímpico, sem distinções. Recorde é a obsessão. Sonho de consumo de todo atleta de alto rendimento, algumas melhores marcas do mundo pertencem a paraolímpicos brasileiros, com muita honra, dedicação e talento. O ano de 2006 foi feito de árduo trabalho e intenso compromisso com os ideais do movimento paraolímpico no país e no mundo. No ano dos mundiais, tivemos resultados expressivos em diversas modalidades, com destaque para as campanhas do judô, do atletismo e, mais recentemente, da natação, matéria de capa deste número da Brasil Paraolímpico. Na continuidade do Circuito Loterias Caixa, um capítulo à parte no fomento ao esporte para pessoas com deficiência, os atletas têm agora a certeza de um calendário fixo de competições. A última etapa de 2006, em Uberlândia, está retratada a partir da página 8. Nesse meio tempo, todas as modalidades paraolímpicas, como halterofilismo, tiro esportivo, esgrima, ciclismo e hipismo, só para citar as que estão com seus campeonatos retratados nessa edição, receberam incentivos diretos ou indiretos do CPB, em uma clara referência ao papel democrático de acesso a que a entidade máxima do esporte paraolímpico no país está vinculada. Ao mesmo tempo, a implantação do projeto Paraolímpicos do Futuro, voltado à área escolar, e do Campeonato Paraolímpico Universitário Brasileiro, vieram sedimentar a atuação expansiva, ousada e compromissada do CPB no caminho da base, do fundamento, do apoio efetivo ao desenvolvimento estruturado de nossos atletas. Enfim, a tempo, vivenciaremos o Pan e o Parapan do Brasil em 2007, no Rio de Janeiro. Competição de luxo, em nossa casa, e de certa forma preparatória para o maior evento esportivo de todos os tempos: a Paraolimpíada de Pequim, em 2008. Por enquanto, fiquemos com 2007. Boa leitura e boas festas! VITAL SEVERINO NETO Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro

No Pódio 02 Terezinha Guilhermina 20 Rodrigo Feola 37 Jane Karla Humor 05 Tirinha da Turma da Monica e caricaturas de Tako X PARAPAN 06 Lançamento da logomarca dos Jogos

Especial 08 Circuito Porto Alegre

Adrenalina 34 Rally dos Sertões

Notícias 14 Mundial de ciclismo 15 Aberto de hipismo 16 Mundial de tênis de mesa 17 Mundial de bocha 31 Brasileiro de basquete 32 Esporte escolar e universitário

BASTIDORES 42 Curiosidades do movimento paraolímpico

Capa 23 Mundial de atletismo

CULTURA 44 Pintores com a boca e os pés OPINIÃO 46 Ministro Orlando Silva


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Em apenas dois anos de dedicação às piscinas, o jovem Daniel Dias acumula dois recordes mundiais e desponta na natação paraolímpica brasileira


Por Julia Censi

Sem dúvida, o que vou guardar sempre comigo é o exemplo do Clodoaldo. Ele foi forte, mostrou superação a cada dia e foi o incentivo pra todos nós. Daniel Dias

Ele nada há apenas dois anos, mas tem a segurança de um veterano dentro das piscinas. O sorriso é marca registrada. Constante. Com má formação congênita nos membros superiores e na perna direita, Daniel Dias sempre foi uma criança ativa, apaixonada por futebol e basquete. Durante toda a infância e parte da adolescência foi esse o contato de Daniel com o esporte. A natação veio mais tarde, por insistência do pai. Mesmo nadando apenas uma vez por semana, foi fácil perceber seu potencial. Um pouco depois, veio o convite do nadador Joon Sok Seo, veterano das piscinas, que o convidou a nadar pelo clube Ciedef. Com isso, a rotina de treinos ficou mais puxada: de segunda a sexta em Bragança Paulista e no sábado em Camanducaia, cidade de Minas Gerais em que mora com a família. Logo na primeira etapa do Circuito Loterias Caixa desse ano, em São Caetano, uma boa surpresa. “Fui nadar em São Paulo e me surpreendi com meus tempos”, diz o nadador de 18 anos. E foi assim nas outras etapas. Em Porto Alegre, o paulista de Campinas conquistou dois recordes brasileiros nos 100m costas e nos 200m medley. Com tantos resultados, Daniel conquistou a vaga para o Mundial de Natação do IPC. A viagem para a África reservaria momentos inesquecíveis para o atleta.




Alguns dias depois de chegar em Durban, Daniel passou pela classificação funcional ao lado de outros seis atletas brasileiros. No Brasil, fora classificado como S6, mas desceu de classe na avaliação internacional, passando a competir como S5. “Fui um dos últimos a ser classificado e estava bem apreensivo. Todos tinham subido de classe e achei que aconteceria o mesmo comigo. Quando vi escrito S5 no documento, não acreditei, não conseguia nem assinar o papel. Foi bom pra mim, mas foi muito difícil ver a tristeza dos meus companheiros”.



Com as mudanças de classe, Daniel tornou-se uma grande promessa brasileira para o Mundial. Promessa que virou realidade. Mas antes de saborear tantas vitórias, foi preciso passar por mais um teste. Os calouros receberam atenção especial: cortes modernos e trajes improvisados para um passeio pelo hotel. Cortesia dos veteranos. “Foi tudo muito legal, todas as brincadeiras mostraram que o grupo estava bem unido, não esperava que fosse assim, essa união toda. Foi muito bom”, relembra Daniel.

Um dos momentos mais emocionantes da competição foi a dobradinha que Daniel fez com Clodoaldo na final dos 100m livre. Ouro para Daniel e prata para Clodoaldo, em sua primeira medalha após a reclassificação. “Foi muito emocionante. Quando vi no placar que ele tinha ficado em segundo, fiquei muito mais feliz”. Daniel se despede do Mundial com dois recordes mundiais, três medalhas de ouro e duas pratas. Foi dele o primeiro ouro para o Brasil, nos 200m medley. Foi dele também a última medalha de ouro conquistada. Dessa vez, no revezamento 4X50m medley ao lado de Ivanildo Vasconcelos, Luis Silva e Clodoaldo Silva. “O revezamento mostrou como o grupo estava unido. Antes da prova, prometemos fazer isso pelo Clodoaldo. Essa medalha foi pra ele, pensando nele”, disse Daniel.

E Daniel estreou bem: foi o primeiro brasileiro a conquistar medalha de ouro, logo no início da competição, nos 200m medley, com o tempo de 03m02s88. E medalha com recorde mundial tem um gosto diferente. “Eu fiquei muito feliz, não podia imaginar tanta coisa boa acontecendo. Meu pai, quando eu contei do recorde, não acreditava, foi muito engraçado”, conta o nadador.

A volta para casa trouxe algumas mudanças. Mudaram os treinos - de olho no Parapan e em Pequim -, o assédio da imprensa e a autocobrança. Mas quem conhece Daniel sabe que a simplicidade e a alegria continuam as Daniel Dias mesmas. Com tantas conquistas, é mais difícil ainda tirar o sorriso do rosto. “Penso que a vida é uma alegria, sempre vão surgir barreiras, obstáculos, mas a gente tem que seguir em frente. A deficiência nunca foi um problema pra mim, nunca deixei de fazer nada, estudo, toco bateria, ando de bicicleta, adoro mexer no computador”, conta o garoto, que é evangélico e pretende cursar engenharia mecatrônica.

Após as primeiras conquistas, Daniel soube da reclassificação de Clodoaldo Silva. A partir dali, ele ia nadar ao lado do grande nome da natação paraolímpica. “Foi estranho demais, mas o Clodoaldo foi muito correto comigo, demonstrou muita coragem e foi sempre uma grande força pra gente”.

Do Mundial, ele lembra com saudade dos amigos, dos inúmeros pódios. Do hino nacional cantado por toda a delegação na premiação do revezamento. Mas não tem dúvidas na hora de dizer o momento mais marcante. “Sem dúvida, o que vou guardar sempre comigo é o exemplo do Clodoaldo. Ele foi for-

Penso que a vida é uma alegria. Sempre vão surgir barreiras, obstáculos, mas a gente tem que seguir em frente.


Turma da Mônica

Os atletas da seção No Pódio desta edição vêm com tudo para escrever seus nomes no primeiro time do esporte paraolímpico. Conheça um pouco mais de Daniel Dias, da natação (pág. 2), Ricardo Alves, o Ricardinho, do futebol de cegos (pág. 22), e Carlos Garletti, do tiro (pág. 37).

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Por Bruna Gosling

De braços abertos



Campanha publicitária dos Jogos Pan e Parapan é lançada no Rio e conclama brasileiros a prestigiar a competição “Receba bem os atletas e os turistas! Participe você também! Faça parte dessa torcida!”. Bem, se você ainda não recebeu este convite, se prepare. Ele estará percorrendo todo o país pelos próximos sete meses e, em algum momento, vai lhe surpreender. Esta é a idéia do Governo Federal que, no último dia 30 de novembro, lançou a campanha publicitária do Ministério do Esporte com o intuito de divulgar os Jogos Pan e Parapan-americanos Rio 2007. O lançamento foi acompanhado por executivos de empresas estatais, patrocinadoras do evento, e por representantes de ministérios. A jogadora de vôlei, Jaqueline Silva, medalhista olímpica em 96, declarou-se entusiasmada com a magnitude do evento. “Apesar de o Pan acontecer

no Rio, ele é um evento nacional. E por mais que conheçamos as transformações que o esporte faz, a gente fala em legado, mas não entende o que ele realmente significa. A partir de agora a campanha publicitária vai deixar a gente mais tranqüila e confiante em relação ao que está acontecendo”, afirma a jogadora. O principal objetivo da campanha é criar um sentimento de orgulho na população brasileira, sobretudo a carioca, para que ela se sinta parte integrante do maior evento multiesportivo das Américas. Pretende-se que o cidadão “abrace” os Jogos e compreenda o enorme legado que o mesmo trará para o país. Por isso, já estão no ar, em rede nacional, propagandas de televisão e rádio, como também já circulam anúncios em jornais e cartazes ilustrativos, sempre enaltecendo a importância da receptividade do povo e elucidando o que vem sendo feito em termos de estrutura e investimentos. Para o secretário-geral do Comitê Organizador Rio 2007, Carlos Roberto Osório, a campanha do Ministério do Esporte toca num ponto crucial para o sucesso dos Jogos Pan e Parapan-americanos. “Um evento desse porte não funciona se não contar com o apoio e o envolvimento do público. Sem isso, o evento fica morno. Quando acabarem as obras, que estão gerando preocupação, esse en-

cantamento vai surgir e o brasileiro vai ter orgulho de dizer - eu ajudo, eu participo do Pan do Brasil”. A peça-chave da campanha é um hotsite (www.brasilnopan.com. br) que contém informações sobre o evento e as ações governamentais destinadas à realização dos Jogos Pan e Parapan-americanos. Nele, também há o vídeo oficial da campanha, de 28 segundos, em que vários cidadãos aparecem de braços abertos, numa alusão ao Cristo Redentor, símbolo da cidade do Rio de Janeiro. “De norte a sul, o Brasil está orgulhoso!”. Esta é a primeira frase do “spot” de rádio que, com uma mistura de diversos sotaques brasileiros, enfatiza a relevância mundial do evento e também pode ser ouvido pelo hotsite da campanha. Já os cartazes publicitários repetem a idéia do vídeo e utilizam a imagem do Cristo Redentor, sempre ao lado de um personagem que represente o tema em destaque, seja ele segurança, obras, orgulho ou legado. A descentralização deste último assunto é a grande preocupação do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., que também prestigiou o lançamento da campanha. “As obras, os equipamentos, as estruturas e a mobilização em torno do esporte são o legado que ficará depois dos Jogos Pan e Parapan-americanos. Todo o Brasil sairá ganhando”, afirma.


an. aprovado seguuranca FINAL

11/28/06

6:45 PM

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PARA VENCER O JOGO DA SEGURANÇA, O B R A S I L E S T Á I N V E S T I N D O N O S M A I O R E S C R A Q U E S .

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Aristóteles Chagas – Agente da Força Nacional de Segurança

Em julho e agosto, vamos receber de braços abertos os Jogos Pan e Parapan-americanos Rio 2007. O Governo Federal está investindo cerca de R$ 385 milhões na área de segurança. Mais do que proteger a população, o objetivo

INVESTIR NO PAN É INVESTIR NO BRASIL. XV JOGOS PAN-AMERICANOS RIO 2007. DE 13 A 29 DE JULHO.

é desenvolver ações preventivas, consolidando uma aliança entre a comunidade e os agentes de segurança. A operação contará com 27 órgãos de segurança, para construir um eficiente projeto de inteligência durante e depois dos Jogos. E você também pode colaborar. Receba bem os atletas e os turistas. Faça parte dessa torcida.

Conheça, acompanhe, participe:

www.brasilnopan.com.br Praticar esporte faz bem à saúde.

Ministério do Esporte Ministério da Ciência e Tecnologia

venda de ingressos para os Jogos Rio 2007 começará em fevereiro, inicialmente pela Internet. Durante os Jogos, não serão vendidos ingressos nas bilheterias dos locais de competição, apenas em pontos de venda espalhados pela cidade. *** os dias 11 e 12 de dezembro, representantes da Comissão Médica da Organização Desportiva Pan-americana (ODEPA), presidida pelo Dr. Eduardo Henrique de Rose, visitaram e aprovaram a estrutura do Laboratório de Controle de Dopagem do Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LADET ECUFRJ). O Ladetec realizará os serviços de controle de dopagem do Rio 2007 e para isso passa por um processo de modernização, com investimento do Governo Federal de R$ 4,5 milhões para o Pan e de R$ 1 milhão para o Parapan. Mais de 1.200 testes serão realizados durante os jogos.

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*** mpresa contratada pelo Ministério do Esporte para implantar todo o sistema de tecnologia da informação dos Jogos abre inscrições para 40 profissionais com deficiência. As vagas são nas áreas de atendimento, help-desk, recursos humanos, administração e tecnologia. Para se candidatar, é preciso ter ensino médio completo, conhecimento do pacote Office e boa comunicação. Encaminhar currículo, destacando a área de interesse, para o e-mail rh.atosorigin@atosorigin.com, ou pelo site http://www.atosorigin.com.br, ou ainda para Rua Itapaiúna, 2434 – Vila Andrade/São Paulo – SP – CEP 05707001 – A/C Recrutamento e Seleção.

E




Por Leandro Ferraz e Luciana Pereira Fotos Christophe Scianni

Uma onda de expressões deslumbradas, curiosas, plenas, concentradas. Na diversidade de experiências, sonhos e formas de superação, marinheiros de primeira viagem ou atletas renomados interagem entre si e, claro, competem no maior evento para pessoas com deficiência do país, o Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo e Natação.



Em seu segundo ano de existência, o circuito tem levado a prática e o conhecimento do esporte paraolímpico aos quatro cantos do território nacional, com etapas em Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo, São Caetano do Sul e Belém. O palco da última etapa de 2006, que teve média superior a 300 atletas nos quatro encontros, é Uberlândia, de 10 a 12 de novembro. Somente neste ano foram quebrados 274 recordes brasileiros, 47 recordes parapan-americanos e dois recordes mundiais – ambos alcançados na terceira etapa, em Porto Alegre, com o nadador André Brasil nos 50m livre (24s64) e o fundista Odair Ferreira nos 10 mil metros rasos (31m39s89). “Tantos resultados expressivos em relativo pouco tempo revelam o flagrante potencial de nossos atletas”, sinaliza o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto. “Com a organização profissional do circuito e o já real calendário fixo de competições, a tendência é que haja um aprimoramento crescente das demandas internas no Brasil, com óbvios reflexos positivos em sua atuação internacional”, completa. De fato, não há como dissociar as recentes e vitoriosas campanhas das delegações brasileiras nos mundiais de atletismo, quando o país conquistou 25 medalhas na Holanda, e de natação (ver pág. 25) dos dois anos de vida do Circuito Loterias Caixa. Os resultados falam por si.

Firme


Segundo ano do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico reforça planejamento de maior acesso a atletas com deficiência e conseqüente qualificação para competições internacionais

e forte




Superdesafio internacional mostra equilíbrio entre brasileira e cubana Chuva de recordes no circuito

O Superdesafio Loterias Caixa de Atletismo foi o ponto alto das disputas do fim de semana na Vila Olímpica do Sesi Gravatás, em Uberlândia/MG. As provas da natação ocorreram no Praia Clube. Nos 100m rasos, sábado, 10 a atleta convidada, a cubana Yunnidis Castillo (T46 - amputada de braço), confirmou o título de mulher mais veloz das Américas e venceu com o tempo de 12s60, acompanhada de perto pela brasileira Terezinha Guilhermina (T11 - cega), que fechou em 12s63. Em compensação, Terezinha, medalha de ouro nos 200m no último Mundial de Atletismo, voltou no domingo com energia renovada e venceu a segunda prova do desafio, os 200m, com 25s37. A cubana chegou em segundo com 25s48. “Já agradeci à Yunnidis por ela ter vindo correr com a gente. Estou muito feliz, pois adoro desafios”, vibra Terezinha. Ainda participaram do Superdesafio Loterias Caixa as atletas Sheila Finder e Indayanna Martins (T46) e a uberlandense Joana Santos (T12 - baixa visão), que levou o bronze nos 200m.

Os atletas em Uberlândia contribuíram com 49 recordes brasileiros e 12 parapan-americanos. Destes, 34 brasileiros e 10 parapan foram para o atletismo. Algo compreensível, visto que a natação ainda teria pela frente seu

mundial e o resguardo de forças dos 25 nadadores convocados, principais recordistas do circuito, seria inevitável. Mesmo assim, o carioca André Brasil chegou muito perto de bater o recorde mundial na manhã de


Campeonato Universitário sábado, nos 100m borboleta. Ele atingiu nada menos do que 99,76% da marca, com 1min00s07. “Faltou pouco, mas meu foco agora é o mundial”. Outro destaque foi o consagrado Clodoaldo Silva, que quebrou o recorde brasileiro nos

200m livre, estabelecendo o novo tempo de 2min56s74. “A etapa está muito forte. Novos talentos estão surgindo e querem sempre tirar uma casquinha dos que estão à frente. E isso é bom porque nos motiva ainda mais”, diz Clodoaldo.

Paralelo ao Circuito Loterias Caixa, em Uberlândia, foi realizado o I Campeonato Paraolímpico Universitário Brasileiro de Atletismo e Natação, utilizando as mesmas instalações e as mesmas provas do circuito. Realizado pelo CPB, em parceria com a Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU) e o Ministério do Esporte, o campeonato universitário reuniu estudantes de 12 estados, regularmente matriculados em cursos de graduação e pós-graduação de instituições de ensino superior. Os 11 atletas inscritos nas duas competições tiveram premiações distintas, tanto do circuito como do universitário. Segundo o presidente do CPB, Vital Severino Neto, a concretização da parceria entre CPB, CBDU e Ministério do Esporte foi um caminho natural. “A idéia surgiu ainda em 2003 com o então ministro Agnelo Queiroz. O atual ministro Orlando Silva encampou o projeto e hoje temos o campeonato paraolímpico universitário como realidade”, afirma Vital. Com a criação do campeonato, será estabelecido um ranking de atletas paraolímpicos universitários, que poderão pleitear o Bolsa-Atleta, programa de incentivo ao esporte do governo federal. “O CPB conseguiu, com criatividade e pés no chão, uma solução positiva e, junto com a CBDU, está colaborando com o Ministério na ampliação do programa Bolsa-Atleta”, destaca o ministro do Esporte, Orlando Silva.


Melhores do ano Pelo segundo ano consecutivo, o CPB premia os dez melhores atletas de cada modalidade do Circuito Loterias Caixa, bem como seus guias, no caso de

atletas com deficiência visual, e técnicos. Em 2006, o valor total chegou a cerca de R$ 120 mil. Veja, a seguir, a relação dos atletas:

Clínica de judô e autógrafos antes da competição

AT LET ISMO Atletas Odair Ferreira dos Sa Terezinha Aparecida

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Guilhermina

Emicarlo Elias de Souz André Luiz Garcia de Pedro César da Silva

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Adria Rocha Santos Lucas Prado Carlos José Barto da

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NATAÇÃO Atletas André Brasil Esteves erg Carlos Alonso Farrenb Gene

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ncelos Ivanildo Alves de Vasco Mauro Marcelo Collet e Silva Silva Mauro Luiz Brasil da Daniel de Faria Dias a Adriano Gomes de Lim Silva Fabiano Machado da

Entidade

Classe

CC LBC

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T46

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T13

AMC

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AEEP

T46

ACIC

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AMC

T11

ADEV IBEL

T11

CESEC

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Entidade

Classe

IBDD

S10

LMC

S13

CADEF/RN

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CEIBC

S11

AACEDSD

SM5

ABAD

S10

CRGV

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CEDE/PUC PR

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O tricampeão paraolímpico Antonio Tenório participou da Clínica de Judô, um dos eventos que precedem o fim de semana de disputas do Circuito Loterias Caixa nas cidades por onde passa. Cerca de 100 alunos e professores da Universidade Federal de Uberlândia acompanharam atentamente doutrinas da modalidade ministradas por Tenório, que demonstrou diferenças básicas entre o judô convencional e o paraolímpico. “Tudo isso é muito interessante para os estudantes que não conhecem o movimento paraolímpico. Além do mais, é um privilégio ter o Tenório aqui com a gente”, afirma Maria Angélica, graduada em Educação Física pela universidade. Seguindo a programação do circuito, atletas patrocinados pelas Loterias Caixa realizaram sessões de autógrafos em lotéricas da cidade. Em uma das mais movimentadas, a casa lotérica Terminal Central, uma senhora fez questão de enfrentar a longa fila para conseguir autógrafo dos atletas André Brasil e Ivanildo Vasconcelos. “Tenho 90 anos e é uma verdadeira honra conhecê-los. Fico muito emocionada em ter esses exemplos aqui bem pertinho de mim”, conta a aposentada Maria Adelina Alves, com lágrimas nos olhos. Colaborou Carol Coelho


Por Leandro Ferraz Fotos Christophe Scianni

CPB realiza em Fortaleza I Campeonato ParaolĂ­mpico Escolar Brasileiro

prova prĂĄtica

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Euforia foi a tônica da noite de abertura do I Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro de Atletismo e Natação, competição realizada em Fortaleza/CE, nos dias 26 e 27 de outubro, que reuniu cerca de 200 crianças e adolescentes com deficiência de 12 estados brasileiros. Os jovens foram os protagonistas de uma festa que teve a presença ainda do governador do Ceará, Lucio Gonçalo de Alcântara, do presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto, do secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, André Arantes, e dos atletas paraolímpicos André Brasil e Zezé Alves, padrinhos do evento. Em seu discurso, o presidente do CPB, Vital Severino Neto, elogiou a mobilização dos cearenses. “Não é por acaso que o Ceará sedia este primeiro campeonato paraolímpico escolar. Seja dos homens públicos ou da iniciativa privada, o CPB 14 tem encontrado aqui apoio irrestrito ao segmento paraolímpico”, diz Vital. Já o secretário do Ministério, André Arantes, explicou que o campeonato irá possibilitar aos estudantes pleitear a bolsa-atleta. “O que efetivamente esperamos é que os alunos com deficiência possam se preparar e competir sim. Quem sabe, logo mais, não estejam participando de provas internacionais e até de paraolimpíadas?”, almeja Arantes. De acordo com o governador Lucio Gonçalo, todo tipo de preconceito deve ser eliminado. “As políticas públicas precisam ter um olhar especial para pessoas com deficiência. Estaremos sempre a postos para apoiar iniciativas desse porte”, comenta.

Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro Uma realização do CPB, em parceria com o Ministério do Esporte e apoio da Secretaria de Esporte e Juventude do Ceará e da Unifor, o campeonato foi disputado com garra e determinação pelos estudantes, muitos deles enfrentando sua primeira competição oficial. À frente da delegação de São Paulo, Ana Clara Cruz, de 15 anos, pode ser considerada uma exceção. Destaque no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico, onde começou a nadar em 2006, ela também elogiou o evento. “É sempre bom ter competições para disputar. Não fiz bons tempos aqui, mas estou bastante concentrada para o mundial”, revela Ana Clara com segurança, apesar da pouca idade. Ela é a atleta mais jovem a integrar a seleção convocada pelo CPB para competir no Mundial de Natação Paraolímpica do IPC, na África do Sul, em dezembro (ver página 25). Mesmo com o alto nível de exigência pessoal, Aninha, como é chamada pelos companheiros, levou ouro em todas as provas que nadou no Brasileiro Escolar e, de quebra, faturou o troféu de melhor índice técnico da natação. A equipe paulista conquistou ainda os troféus de campeã geral, campeã da natação e campeã do atletismo, deixando escapar apenas o troféu de melhor índice técnico do atletismo, pertencente a Priscila Lima Teixeira, do Distrito Federal. Na contagem geral, São Paulo ficou com 53 ouros e 24 pratas, seguido de Minas Gerais, com 24 ouros, 10 pratas e 6 bronzes, e Pará, com 16 ouros, 9 pratas e 6 bronzes. O nadador recordista mundial nos 50m livre, André Brasil, padrinho do campeonato, incentivou os estudantes a todo o tempo na beira da piscina. “O campeonato escolar tem uma impor-

tância muito grande para o desenvolvimento do esporte paraolímpico no país. No meu caso, por exemplo, se tivesse sido orientado em minhas aulas de educação física do colégio, possivelmente já teria bem mais tempo em competições paraolímpicas”, constata André. Ele sempre disputou provas com atletas sem deficiência e só entrou para o esporte paraolímpico em 2005, após assistir a transmissões da Paraolimpíada de Atenas, em 2004. De acordo com o coordenador de esporte escolar do CPB, Vanilton Senatore, o campeonato representa um marco para o fomento à base do esporte paraolímpico. “Antes de tudo, o objetivo principal é possibilitar uma melhor qualidade de vida para os alunos com deficiência por meio da prática esportiva. Em paralelo, é claro que iremos identificar potenciais talentos para o esporte de alto rendimento”, explica Senatore. O I Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro servirá de ranking para que os jovens atletas que se destacarem possam pleitear a bolsaatleta em 2007, programa de incentivo ao esporte do governo federal.


Provas acontecem na Unifor Uma realização do CPB, em parceria com o Ministério do Esporte e apoio da Secretaria de Esporte e Juventude do Ceará e da Unifor, o campeonato foi disputado com garra e determinação pelos estudantes, muitos deles enfrentando sua primeira competição oficial. À frente da delegação de São Paulo, Ana Clara Cruz, de 15 anos, pode ser considerada uma exceção. Destaque no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico, onde começou a nadar em 2006, ela também elogiou o evento. “É sempre bom ter competições para disputar. Não fiz bons tempos aqui, mas estou bastante concentrada para o mundial”, revela Ana Clara com segurança, apesar da pouca idade. Ela é a atleta mais jovem a integrar a seleção convocada pelo CPB para competir no Mundial de Natação Paraolímpica do IPC, na África do Sul, em dezembro (ver página 25). Mesmo com o alto nível de exigência pessoal, Aninha, como é chamada pelos companheiros, levou ouro em todas as provas que nadou no Brasileiro Escolar e, de quebra, faturou o troféu de melhor índice técnico da natação. A equipe paulista conquistou ainda os troféus de campeã geral, campeã da natação e campeã do atletismo, deixando escapar apenas o troféu de melhor índice técnico do atletismo, pertencente a Priscila Lima Teixeira, do Distrito Federal. Na contagem geral, São Paulo ficou com 53 ouros e 24 pratas, seguido de Minas Gerais, com 24 ouros, 10 pratas e 6 bronzes, e Pará, com 16 ouros, 9 pratas e 6 bronzes. O nadador recordista mundial nos 50m livre, André Brasil, padrinho do campeonato, incentivou os estudantes a todo o tempo na beira da piscina. “O campeonato escolar tem uma importância muito grande para o desenvolvimento do esporte paraolímpico no

país. No meu caso, por exemplo, se tivesse sido orientado em minhas aulas de educação física do colégio, possivelmente já teria bem mais tempo em competições paraolímpicas”, constata André. Ele sempre disputou provas com atletas sem deficiência e só entrou para o esporte paraolímpico em 2005, após assistir a transmissões da Paraolimpíada de Atenas, em 2004. De acordo com o coordenador de esporte escolar do CPB, Vanilton Senatore, o campeonato representa um marco para o fomento à base do esporte paraolímpico. “Antes de tudo, o objetivo principal é possibilitar uma melhor qualidade de vida para os alunos com deficiência por meio da prática esportiva. Em paralelo, é claro que iremos identificar potenciais talentos para o esporte de alto rendimento”, explica Senatore. O I Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro servirá de ranking para que os jovens atletas que se destacarem possam pleitear a bolsaatleta em 2007, programa de incentivo ao esporte do governo federal.

DELEGAÇÃO OURO São Paulo 53 Minas Gerais 24 Pará 16 Paraná 13 Ceará 10 Santa Catarina 10 Dist rito Federal 10 Goiás 6 Rio Grande do Nort e 5 Rondônia 3 Bahia 3 Rio de Janeiro 1

15

PRATA 24 10 9 10 10 7 1 0 11 6 0 0

BRONZE 0 6 6 14 7 1 5 0 4 0 0 0

TOTAL 77 40 31 37 27 18 16 6 20 9 3 1


Brasileiro Open de Hipismo Paraolímpico acont ece em São Paulo Competição, que contou com a presença de atletas da China e da Argentina, é qualificatória para o mundial da modalidade Por Leandro Ferraz

Força, t écnica e

muita concent ração

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Bom nível do Campeonato Brasileiro de Halterofilismo indica possibilidades de medalha no Parapan Por Luciana Pereira Eles são valentes. Chegam a levantar 100kg nas competições. Mas o halterofilismo paraolímpico não é só uma questão de força. Exige técnica e concentração apurada dos atletas. A modalidade, que estará no Parapan-Americano do Rio em 2007, teve em Uberlândia, nos dias 11 e 12 de novembro, a etapa 2006 do Campeonato Brasileiro, com a participação de 46 homens e nove mulheres. O Campeonato serviu de base para a formação da equipe paraolímpica brasileira que representará o país nos Jogos Parapan-Americanos Rio 2007. Os seis primeiros atletas masculinos e dois femininos do ranking brasileiro, após o campeonato, já estão pré-convocados para a competição. A lista final será definida após mais uma seletiva, que deve ser realizada em abril de 2007. “Queremos levar de 12 a 15 atletas para o Parapan. Temos possibilidades de pódio, talvez até de primeiro lugar”, diz, entusiasmado, o coordenador-técnico da modalidade, Júnior Ferreira. Alexsander Whitaker, que representou o país em Atenas-2004, é atualmente o primeiro do ranking brasileiro da modalidade e uma das possibilidades brasileiras de medalhas no Parapan. No feminino, Maria Luzineide, de Natal, é a primeira do ranking seguida pela goiana Joselene Alves. O Campeonato também é válido para solicitação e renovação da Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte, um benefício criado para atender os atletas de alto rendimento que ainda não possuem patrocínio.

A equipe de Brasília foi o destaque do Campeonato Brasileiro Open de Hipismo Paraolímpico, realizado de 6 a 10 de dezembro, em Salto de Pirapora/ SP, com a presença de atletas da China e da Argentina. Além de vencer por equipe, os atletas do Distrito Federal conquistaram vitórias em todas as classes. Marcos Alves, o Joca, foi o campeão da categoria Ib e ficou em primeiro lugar geral, com quase 73% de aproveitamento. “O índice técnico da competição foi bastante alto, com algumas notas melhores até do que no Aberto da Bélgica”, comenta Marcela Pimentel, técnica da seleção brasileira e diretora de equitação especial da Federação Hípica de Brasília. Disputado em setembro, o Aberto da Bélgica foi o penúltimo evento qualificatório para Pequim 2008. Na ocasião, três atletas atingiram o percentual mínimo de 60% de aproveitamento, o que torna o Brasil elegível para a próxima paraolimpíada. A última competição antes de Pequim será o mundial da Inglaterra, em julho de 2007. E o Brasil levará quatro atletas. “Além deste brasileiro de dezembro, em São Paulo, haverá mais uma competição nacional em abril de 2007 para definirmos a equipe do país no mundial”, explica Marcela. Resultados na colocação individual Ia – Vera Mazzilli (66,200%), Paulo Menezes (65,600%) e Sergio Oliva (65,300%) Ib – Marcos Alves (72,952%), Davi Mesquita (68,476%) e Daniel Loeb (52,857%) II – Simone Vieira (61,818%), Alex Queiroz (59,364%) e Sebastião Neto (57,273%) III – Dante Rodrigues (65,360%), Patrício Guglialmellé - ARG (61,920%) e Jefferson (45,440%) No hipismo, os atletas são divididos em cinco graus, de acordo com a mobilidade: Ia, Ib, II, III e IV. Quanto maior o comprometimento, menor o grau do atleta.


Por Carol Coelho Fotos Rivaldo Martins

Resist ência e rapidez Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico reúne atletas de todo o país A primeira versão do Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paraolímpico, realizada entre os dias 10 e 12 de novembro, em Itapetininga (SP), foi considerada um sucesso. Atletas de todas as categorias e classes (amputados, deficientes visuais, paralisados cerebrais e cadeirantes) participaram da competição completando um quadro de mais de 40 inscritos de nove estados de todas as regiões do país. Foram dois dias de competição, divididos entre as provas de contrarelógio, que aconteceram no dia 10, e as provas de resistência, ocorridas no dia 11. Confirmando o favoritismo, Rodrigo Feola e Leandro Ferreira venceram na categoria Tandem. Também presentes no último Mundial de Ciclismo, realizado em setembro, na Suíça, Rafael Silman e Flaviano Eudoxio foram os campeões nas categorias LC1 e LC3, respectivamente. Rodrigo Feola falou sobre a prova e a recuperação de Leandro Ferreira, seu guia. “O Leandro voltou a treinar há apenas um mês, quando se recu-

Categorias participantes:

perou do tombo que levamos no mundial e, mesmo assim, tivemos uma ótima prova e essa vitória nos deu uma confiança a mais”, conta Feola.

LC1: Atletas com pequeno prejuízo em função da deficiência. Normalmente nos membros superiores.

As provas foram realizadas em parceria com a Confederação Paulista de Ciclismo, e simultâneas ao Campeonato Paulista para diversas categorias olímpicas e amadoras. Essa parceria proporcionou muitas vantagens como a redução de custos para a realização do evento.

LC2: Esta classificação se aplica aos atletas com prejuízo físico em uma das pernas. Pode ser utilizada prótese para competição.

A boa notícia para os campeões da prova vai além das medalhas. Os destaques da competição poderão pleitear a Bolsa-Atleta, criada pelo Ministério do Esporte, em 2005, com a finalidade de apoiar os atletas brasileiros que não possuem patrocínio. Os ciclistas poderão ser contemplados na categoria nacional da Bolsa-Atleta, que equivale a uma ajuda de custo de R$ 750,00 por mês. Veja os resultados completos do campeonato no site do CPB, por meio do link http://www.cpb.org. br/outras/outras-lista.asp.

LC3: Os competidores pedalam com apenas uma perna e não podem utilizar próteses. LC4: É a categoria que apresenta os atletas com maior grau de deficiência. Normalmente pessoas com amputação em um membro superior e um inferior. Tandem: Para ciclista com deficiência visual. A bicicleta tem dois assentos e ambos ocupantes pedalam em sintonia. Na frente, vai um ciclista não-deficiente visual e no banco de trás vai o atleta com deficiência visual. Handbike: Para atletas paraplégicos que utilizam bicicleta especial impulsionada com as mãos. PC: Para os atletas que possuem paralisia cerebral LC: Locomotor Cycling (ciclismo para deficientes de locomoção)

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O alvo

agora é Pequim Por Luciana Pereira

De olho no índice para a Paraolimpíada, atletas participam do Campeonato Brasileiro de Tiro, em São Paulo A maioria é ex-policiais, feridos durante o serviço. Só que, em vez de aposentarem as armas, apenas trocaram o foco: são competidores de tiro esportivo, modalidade que exige precisão, disciplina e concentração, qualidades a que já estão acostumados. Foi o que mostraram 18 os 34 atletas do I Campeonato Brasileiro Paraolímpico de Tiro Esportivo, realizado pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro, em novembro, em Pirassununga. “A idéia é criar mais campeonatos como esse e estabelecer um calendário para a

modalidade porque queremos fomentar o esporte. Em Atenas não tivemos nenhum representante do tiro, mas em Pequim precisamos ter”, destaca Edilson Alves, coordenador técnico do CPB. Um dos candidatos a representar o Brasil é o paranaense Carlos Garletti, único atirador brasileiro com MKS (minimum qualification standard) para os Jogos. A qualificação não garante a ida do atleta – ainda é preciso uma classificação ou convite – mas é o primeiro

passo para que o país tenha um representante do tiro em Pequim. No Brasileiro, Garletti, que compete na classe SH1 (deficiências leves), foi ouro na carabina três posições (em pé, ajoelhado e deitado) e na carabina deitado. A competição foi recebida com alegria entre os atletas. “Só temos que agradecer e dar os parabéns ao Comitê Paraolímpico Brasileiro por realizar este campeonato e colocar os atletas do tiro paraolímpico junto com o tiro convencional, alinhar o calendário com a CBT E (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo)”, destaca o atleta Sergio Vida, que levou ouro na pistola de ar e na pistola livre. “Estamos torcendo para que ano que vem aconteçam outros eventos deste tipo”, completa Benedito Santana, ouro na carabina de ar posição em pé. Única mulher competindo oficialmente no Brasileiro, Euides Rocha não se intimida em estar ao lado de tantos homens. “A gente acaba fazendo novas amizades e eu me dou muito bem com as equipes, mesmo sendo quase todos homens”, diverte-se. Cadeirante desde os quatro anos de idade, quando teve uma paralisia infantil, Euides acredita que a falta de divulgação da modalidade e o preconceito contribuem para o baixo número de mulheres atirando. “Além do alto custo de praticar o tiro, ainda há o preconceito. As pessoas

sempre associam armas aos crimes e bandidos”, lamenta. O I Campeonato Brasileiro Paraolímpico de Tiro Esportivo aconteceu paralelo ao Campeonato Brasileiro de Tiro, realizado pela CBT E. As provas foram realizadas no estande de tiro da Academia da Força Aérea, em Pirassununga, interior de São Paulo, entre os dias 17 e 19 de novembro. “O importante é que o grupo se una e se fortaleça. O Comitê Paraolímpico Brasileiro está aí para dar todo o apoio necessário”, garante o coordenador técnico do CPB. “Com uma entidade que representa os deficientes no esporte como o Comitê Paraolímpico, eu me sinto mais segura e sei que posso contar com pessoas que realmente querem contribuir para a modalidade. A iniciativa do CPB foi e sempre será muito bem-vinda. É com esse apoio que contamos”, comemora a atleta Euides Rocha. No tiro paraolímpico, os atletas têm uma hora e quarenta e cinco minutos para disparar 60 tiros, nas provas de pistola ou carabina. O alvo é dividido em dez circunferências que valem de um a dez pontos e são subdivididas de 0.1 a 0.9 pontos. A menor e mais central circunferência do alvo vale 10 pontos. No Brasil, há atletas amputados, paraplégicos, tetraplégicos e com outras deficiências locomotoras, que se dividem em duas classes: SH1 (lesões pequenas), SH2 (lesões mais sérias). Os atletas cegos (classe SH3), que precisam de uma estrutura especial com sistema de som para a competição, ainda não existem no Brasil.


seus golpes pontuam. A espada pesa 750g e os atletas ganham pontos ao tocarem o adversário em qualquer lugar do corpo, da cintura para cima. O florete tem um copo menor e pesa menos também, 550g. Nas competições desta arma, o atleta só pontua ao atingir o tronco do adversário. Para a contagem dos pontos, os atletas usam roupas especiais, com sensores ligados ao placar, que ao serem tocadas pela ponta magnetizada da arma acionam o placar. Todos os atletas, inclusive os andantes, jogam sentados em cadeiras de rodas fixas no chão. A classificação se divide em A (atletas menos comprometidos), B (meio termo) e C (mais comprometidos).

Primeira competição de esgrima paraolímpica realizada pelo CPB acontece no interior de São Paulo Texto e fotos: Luciana Pereira Ela fala baixo, tem passos leves e aparência delicada. Mas quando sobe na cadeira de rodas e empunha a espada ou o florete, a única mulher esgrimista paraolímpica brasileira competindo atualmente enfrenta os homens de igual para igual. E ganha deles. No Campeonato Brasileiro realizado em São Paulo no mês de novembro, Daiane Perón, de 21 anos, amputada dos pés e do braço, ficou em terceiro lugar entre os sete jogadores que participaram da competição. “Infelizmente não temos esgrimistas mulheres jogando no Brasil e tenho que competir com os homens. Mas por outro lado é bom porque eu aprendo muito com eles. E não deixam fácil porque sou mulher não”, garante a atleta, que treina na Asasepode, em Porto Alegre, com o técnico Eduardo Nunes. Daiane e mais seis atletas estiveram na Sala de Armas da Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, São Paulo, no dia 18 de novembro para o primeiro Campeonato

Brasileiro de Esgrima Paraolímpica realizado pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro. Ao longo do dia, os atletas disputaram provas de espada e florete. No Brasil, as competições de sabre, terceira arma da modalidade, ainda não existem. “Aos poucos, a esgrima paraolímpica está crescendo. Queremos desenvolver a modalidade, estimular que nos locais onde há treinamento de esgrima haja também a esgrima paraolímpica”, explica Válber Nazareth, mestre em esgrima da Federação Internacional e coordenador do campeonato. A segurança é fundamental nas competições de esgrima e garantida por normas da Federação Internacional. As roupas especiais utilizadas são feitas com o mesmo material utilizado na fabricação dos coletes à prova de balas. “Tudo é pensado para evitar acidentes. A esgrima é um dos jogos mais seguros do mundo”, garante Nazareth. As diferenças entre as armas estão no peso e no local do corpo em que

A esgrima paraolímpica brasileira foi representada na Paraolimpíada de Atenas, em 2004, pela jogadora Andréa de Melo, a primeira atleta brasileira da modalidade. Ausente das competições, Andréa hoje mora nos Estados Unidos. Mas deixou o exemplo e o incentivo para os atletas. “Estou treinando muito, até mesmo em casa, sozinha. Quero evoluir no es19 porte e poder representar o Brasil em Pequim e Londres”, sonha Daiane. No campeonato, com atletas das classes A e B, as competições de florete foram vencidas pelo paulista Eduardo Oliveira (CPSP), de Araras, que perdeu o pé direito quando a moto em que estava foi atropelada por um caminhão. Já na espada, quem levou a melhor foi Lauro Brachtvoguel (Asasepode), do Rio Grande do Sul. “Feliz não dá para estar não porque faltou garra. Eu sou melhor na espada do que no florete e ano passado ganhei as duas”, lembra. “Mas o Lauro já descobriu todos os meus macetes e está me ganhando. Ele é meu melhor inimigo”, brinca.


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Por Fernanda Villas Boas Fotos Arquivo CBDC

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Ricardinho, jogador de 17 anos da seleção brasileira de futebol de cegos, é a nova promessa da modalidade

Jovem tale


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No futebol ou no colĂŠgio eu procuro sempre acertar. Se tiver alguma coisa me incomodando, eu treino e estudo atĂŠ melhorar. Ricardinho 23


Fazer parte da seleção brasileira não é para qualquer um e a pressão é ainda maior quando se tem apenas 17 anos. Mas isso não parece incomodar Ricardo Alves, mais conhecido como Ricardinho, a nova revelação do futebol de 5 (para deficientes visuais). Seu jeito simples e sua voz calma revelam a maturidade deste jovem esportista. Deficiência? Ele mal toca no assunto. Sua marca é realmente a paixão pela bola. Mesmo com pouco tempo de seleção, Ricardinho já conta com um ótimo currículo. Sua estréia aconteceu aos 16 anos numa turnê de exibição na França. Este ano participou do Desafio Internacional na Alemanha, antes da Copa do Mundo, e em sua primeira competição oficial levou o título de artilheiro. Foram 11 gols na copa IBSA América, que aconteceu em julho, no estado de São Paulo. Só no jogo contra a Bolívia foram seis gols marcados por Ricardinho. 24

Ele não parece carregar lembranças das dificuldades por que passou a partir dos 6 anos, quando sofreu um descolamento de retina. Foram dois anos de luta e cinco cirurgias até perder a visão completamente. “Eu não consigo me lembrar muito da época em que fui parando de enxergar, mas hoje pra mim não é problema. Eu não sinto diferença, me acostumei fácil”, afirma. O gaúcho, morador de Porto Alegre, não esconde a paixão pelo esporte e joga desde os 10 anos de idade. “Eu parei de estudar quando tive o problema na vista. Voltei quando tinha 9 anos e fiquei um pouco atrasado. Foi nessa época que comecei a jogar futebol, às vezes no campo de grama mesmo, na quadra, sempre que dava eu jogava em qualquer lugar”. E foi assim, jogando em qualquer lugar e a qualquer hora, que passou a fazer parte do time formado na escola. Ainda com pouca idade, quando tinha 13 anos, foi convidado para jogar no Acergs, time da Associação de Cegos do

Rio Grande do Sul, mas ainda teria que esperar um pouco mais. “O meu pai achou que eu estava meio franzino e não deixou eu jogar. Só quando completei 15 anos é que pude entrar para o time”. E desde então Ricardinho joga no Acergs. Atualmente, treina três vezes por semana, sempre à tarde, já que pela manhã ele cursa o primeiro ano do ensino médio. Ele Quando não está jogando futebol, gosta mesmo é de ficar em casa se dedicando aos estudos. “Não é fácil para ninguém. Se a pessoa estudar, consegue entrar no mercado de trabalho. O mais fundamental é querer. No futebol ou no colégio eu procuro sempre acertar. Se tiver alguma coisa me incomodando, eu treino e estudo até melhorar”. Recém-chegado do primeiro mundial de sua vida, Ricardinho esteve na Argentina entre os dias 24 e 30 de novembro, com a seleção brasileira em busca do título de tricampeã e da vaga para a Paraolimpíada de Pequim. Não foi desta vez – os donos da casa levaram a melhor (ver página 33). Mesmo com o segundo lugar, Ricardinho garantiu que a torcida dos “hermanos” não pesou. “Eles não trocaram muita idéia com os brasileiros. Acho que a rivalidade é mais por parte deles. Mesmo com o estádio lotado de torcida argentina nós não nos intimidamos. O Brasil jogou bem, inclusive com goleadas ao longo da competição. Se analisarmos bem, fomos melhor, sendo que eles fizeram gol”, comenta. Enquanto isso, o Brasil continua na luta pela vaga nas Paraolimpíadas, e no que depender de Ricardinho, o lugar está garantido. “Eu não esperava chegar tão rápido à seleção brasileira. As pessoas falavam que eu ia chegar, mas imaginava que fosse com uns vinte e poucos anos. Estou feliz, agora é aproveitar isso, treinar bastante para eu me manter e lutar para a vaga na Paraolimpíada e por uma boa participação no Parapan”.


Por Julia Censi Fotos Eduardo Rocha Uma equipe forte, unida. Uma equipe apaixonada. Vencedora. Vinte e cinco atletas. Novatos, veteranos. Campeões. Assim, nessa diversidade tipicamente brasileira, a seleção nacional carregou durante 20 dias a alegria e o orgulho de vestir a camisa verde e amarela no Campeonato Mundial de Natação do Comitê Paraolímpico Internacional, o IPC, de 2 a 8 de dezembro. O Brasil desembarcou em Durban, na África do Sul, com uma das maiores delegações do campeonato: 46 pessoas - entre atletas, técnicos e staffs.

Às raias

da emoção Brasil faz campanha histórica no Mundial de Natação da África do Sul e conquista o quinto lugar geral da competição, com 26 medalhas e sete recordes mundiais

A chegada à África do Sul trouxe a sensação de estar em um país muito parecido com o Brasil. Em Durban, uma cidade no litoral do Oceano Índico com o maior centro portuário do país, a diversidade também é marcante. A população de mais de dois milhões e meio de habitantes é formada por uma mistura de raças. Mais da metade do povo é zulu, quase um terço, hindu, e o restante é de brancos e mestiços. E nos sete dias de competição, Durban também foi a casa de mais de 500 atletas de 52 países. Na bagagem, ansiedade, expectativas e saudade. Muita saudade. “A ansiedade é muito grande, mas a gente tem que ter controle para fazer tudo certo, não errar agora. É difícil até dormir. Espero nadar bem e conseqüentemente trazer uma vaga para o Brasil”, conta Daniel Dias (S5), de 18 anos, a poucos dias da abertura da competição, sem imaginar o que estaria reservado para ele. Os primeiros dias na África foram de adaptação. Ao fuso, de quatro horas a mais, à piscina e, principalmente, aos companheiros de equipe. A rotina foi basicamente a mesma nos dias pré-mundial. Treinos fortes de manhã, uma pequena pausa à tarde e mais treina-

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meninas também treinaram o revezamento baixo e até o momento são os melhores tempos das atletas, superando as marcas do revezamento feminino em Mar del Plata, último mundial”, avalia o coordenador técnico da seleção, Gustavo Abrantes.

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mento no fim do dia. O revezamento teve atenção especial. “As duas equipes de revezamento masculino, o de 20 e o de 34 pontos, treinaram bem a transição. A piscina é rápida, o que acaba diminuindo os tempos de todos. A infra-estrutura do estádio é boa. As

Os treinos trouxeram também a expectativa pela classificação dos seis atletas brasileiros que participariam pela primeira vez de uma competição internacional: Ana Paula Oliveira, Ana Clara Cruz, Fabio Henz, Caroline Werneck, Lucas Ito e Daniel Dias. Carlos Farremberg também foi reavaliado nesse dia. “São seis atletas deficientes físicos que estão passando pela primeira vez por uma classificação internacional e um deficiente visual a ser reclassificado. É natural a ansiedade porque isso determina em qual classe o atleta continuará competindo até passar por uma nova classificação internacional em outra competição mundial”, diz Abrantes. E houve muitas mudanças. Quatro atletas subiram de classe – Ana Paula, de S2 para S4, Ana Clara, Fabio e Carol, todos de S5 para S6. Carlos se manteve como S12, assim como Lucas permaneceu como S1. Apenas Daniel Dias desceu de classe, tornando-se uma grande promessa brasileira entre os atletas S5. Mas isso era apenas o começo. Mesmo com as mudanças, os treinos continuaram fortes na piscina do Kings Park Pool. A estrutura da competição agradou aos atletas brasileiros. Veterano das piscinas, o atleta Clodoaldo Silva elogiou: “Estamos com infra-estrutura, com boas condições, só depende da gente o resto. Competir em um mundial é totalmente diferente de uma competição nacional. Isso aqui é muito importante, é preciso concentração e seriedade”.


Brasil começa acelerado na competição E os treinos surtiram efeito. O primeiro dia de provas para o Brasil não poderia ser melhor. Foram quatro medalhas de ouro, com três recordes mundiais, e dois bronzes. Dois estreantes, Daniel Dias e André Brasil, estabeleceram novas marcas para os 200m medley e 100m borboleta em suas classes. O terceiro recorde veio de Clodoaldo Silva, nos 50m livre, classe S4. O nadador diminuiu o seu próprio tempo, estabelecendo o novo recorde em 35s15. “É muito bom ganhar uma medalha com recorde mundial, mas não me preocupo só com isso. Quero ajudar o Brasil e baixar meus tempos cada dia mais. Fico feliz pelos outros recordes e medalhas porque isso mostra que a natação está crescendo e tem novos talentos”, destaca o atleta. Talentos como o estreante em competições internacionais Daniel Dias, o primeiro brasileiro a conquistar a medalha de ouro. A medalha e o primeiro recorde mundial do atleta vieram nos 200m medley, classe S5, com o tempo de 03m02s88. “Não estou acreditando. É muito bom ganhar a primeira medalha e com re-

corde mundial. Estava muito nervoso, mas agora é só comemorar e me concentrar para as outras provas”, diz o atleta, logo depois da conquista. Outro estreante em mundiais, André Brasil nadou a final dos 100m borboleta, conquistando mais uma medalha de ouro e mais um recorde mundial para o país. “Só a medalha já estava bom. Bater o recorde mundial eu não esperava mesmo. Só pensei em Deus, na minha mãe. Estou muito feliz, muito!”, vibra o atleta. Medalhas também para Edênia Garcia (S4), ouro nos 50m livre, com o tempo de 53s04, e Fabiana Sugimori (S11), bronze nos 100m livre com o tempo de 1m18s19. “Estou muito cansada e fiz o meu máximo para garantir essa medalha. Estou muito feliz. Eu estava devendo uma medalha de ouro desde o outro mundial, desde Atenas e agora veio. Agora quero pensar em Pequim”, afirma Edênia, após a prova. O revezamento brasileiro também estreou com medalha. Bronze para Clodoaldo Silva, Marcelo Collet, Danilo Glasser e André Brasil no 4x100m livre, com o tempo de 04m07s44.

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Nononon nononon nonononon No domingo, 3, o dia foi de Clodoaldo Silva. O tubarão paraolímpico quebrou mais um recorde mundial, dessa vez nos 150m medley. “É uma alegria muito grande, o mérito não é só meu, mas da equipe. Ainda espero contribuir muito para que o Brasil saia daqui com

a melhor campanha em um mundial. Vamos voltar para casa com excesso de bagagem por causa das medalhas”, promete Clodoaldo. O segundo medalhista do dia foi Carlos Farremberg. O atleta nadou os 100m livre com o tempo de 56s57, em uma prova forte e disputada braço a braço com o alemão Daniel Clausner. “Eu não esperava. Saí da piscina sem saber que tinha ficado com a prata. Fui abraçar o alemão (Daniel Clausner) achando que ele tinha ganhado mas, quando vi, tinha sido eu. Estou muito feliz mesmo, isso é fruto de muito trabalho, de muito treino, e tem um sabor especial, um gostinho de vingança porque já perdi para o Clausner da mesma forma, na virada de braço. Agora foi a vez dele”, comemora o atleta.

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Ainda no segundo dia de provas, Clodoaldo Silva sofre protesto e é reclassificado Mas a festa brasileira não foi completa no domingo. Assim que as provas acabaram, uma grande decepção abateu a delegação. O atleta Clodoaldo Silva foi convocado para nova reclassificação, depois que a banca de classificação internacional recebeu um protesto da Espanha. O país alegou que o nadador domina alguns movimentos físicos que não são compatíveis com um atleta da classe S4. Com isso, Clodoaldo, que há sete anos nadava como S4, passaria a nadar, já a partir da segunda-feira, com atletas da classe S5. Ele já havia sido avaliado três vezes como S4 pela mesma banca que o reavaliou em Durban. A deficiência do atleta (paralisia cerebral) está estabilizada, ou seja, não há evolução e nem diminuição de seus comprometimentos físicos. A decisão surpreendeu atletas, técnicos, dirigentes e, princi-

raolímpica mundial, Anne Green, os critérios de avaliação funcional evoluíram. “Nós tínhamos que acatar o protesto porque entendemos que ele fazia sentido”, diz a coordenadora.

palmente, o próprio Clodoaldo. “Os países não foram informados oficialmente de mudanças na classificação funcional. Além de o Clodoaldo estar nesta classe há sete anos, foi essa mesma banca que o classificou como S4, uma classificação permanente. Nós não concordamos com essa metodologia”, explica o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto. Segundo a coordenadora da natação pa-

A classificação funcional é uma regra das competições paraolímpicas. Todos atletas são avaliados por profissionais e agrupados de acordo com o grau de suas deficiências – físicas ou visuais. No caso da natação, os atletas recebem a letra S (de swimming). Os deficientes físicos são agrupados de S1 a S10 e os visuais de S11 a S13. Vale a regra de quanto menor o comprometimento do atleta, maior o número de sua classe. Mas Clodoaldo foi maior. Foi um verdadeiro atleta, em todos os sentidos. Decidiu nadar todas as provas que ainda restavam, mesmo sabendo das dificuldades que encontraria.


Atletas dão a volta por cima e respondem na piscina com mais medalhas e recordes Na segunda-feira a conquista foi de André Brasil, na classe S10. Depois de obter a melhor marca nos 100m borboleta, no último sábado, o atleta voltou à piscina e estabeleceu um novo recorde mundial nos 100m livre, com o tempo de 52s61. “Estou muito feliz com mais um recorde e ansioso para os 50m livre. Vou nadar da mesma maneira que as outras provas, sem pressão, mas quero outro recorde”. Edênia Garcia garantiu a prata nos 200m livre para a classe S4 e bronze para Genezi Andrade nos 200m livre S3 e para o revezamento 4x50m livre feminino.

Na quarta, os donos das novas conquistas foram Edênia Garcia, ouro nos 50m costas, André Brasil, ouro nos 400m livre, e Daniel Dias, ouro nos 50m costas. “O resultado mostra que a gente está fazendo um bom trabalho no Brasil. O esporte paraolímpico está crescendo esse ano e mostrando que veio para ficar. A vitória não é só minha. É mais uma vaga aberta e vamos poder ir com uma equipe muito grande para Pequim”, comemora Edênia Garcia. Daniel Dias saiu da água já pensando na Paraolimpíada: “Estão vindo muitas medalhas e isso é bom. Até eu estou me surpreendendo. Meu resultado aqui é muito além do que eu esperava, do que eu podia imaginar. Agora é treinar para representar o Brasil mais forte ainda em Pequim”.

O Brasil abriu as finais da tarde de terça-feira com dois bronzes e duas pratas. Ivanildo Vasconcelos ganhou a sua primeira medalha na competição, uma prata nos 100m peito para a classe SB4. Prata também para Daniel Dias nos 50m borboleta. Os bronzes vieram de Andre Brasil, nos 200m medley (classe S10), e Genezi Andrade, nos 50m costas (classe S2).

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No último dia de provas na piscina do Kings Park, a coroação da equipe brasileira. Dois atletas no mesmo pódio com a primeira medalha de Clodoaldo Silva após a reclassificação, uma prata. O nadador dividiu o pódio com Daniel Dias, que faturou o ouro nos 100m livre para a classe S5. Os brasileiros deixaram para trás o inglês Anthony Stephens dono de quase todos os recordes mundiais da classe, e o espanhol Sebastian Rodriguez na prova mais emocionante do mundial. Durante o hino nacional, lágrimas e a certeza de que um novo caminho começa a ser trilhado. “Tudo que aconteceu no campeonato poderia servir de ponto negativo, mas o que eu gosto de fazer é nadar, independente da posição e da categoria que eu esteja. Então, alegria vem acima de tudo. Tentam nos derrubar fora da piscina e nós mostramos os resultados dentro”, desabafa o nadador. E ainda teve mais emoção. Nos 50m livre para a

classe S10, André Brasil de novo. O atleta quebrou seu terceiro recorde mundial no campeonato, agora nos 50m livre, classe S10. André baixou a marca que já era dele de 24s64 (em Porto Alegre, em setembro deste ano) para 24s36. “Tenho que agradecer muito a minha família. Eles são responsáveis por isso tudo. Espero ter ajudado o Brasil a garantir vaga para Pequim”, comemora, muito emocionado, após terminar a prova. O revezamento 4X50m medley, de 20 pontos, com os atletas Daniel Dias, Ivanildo Vasconcelos, Luis Silva e Clodoaldo Silva também foi ouro e estabeleceu o novo recorde mundial da prova: 2m32s36. “A vitória é para mostrar que estamos unidos”, vibra Ivanildo. “Foi a cereja do bolo”, completa Luis Silva. E ainda teve tempo para mais um ouro de Fabiana Sugimori, classe S11, nos 50m livre, com 32s91 e um bronze para Adriano Lima, nos 50m livre, classe S6.


Prova Águas Abertas encerra mundial Na sexta-feira, 8, a prova Águas Abertas reuniu 58 atletas no lago Hazelmere em uma bonita reserva florestal de Durban. Ná agua, o Brasil teve um representante forte, o baiano Marcelo Collet (S10). Collet completou os 5km em 8o lugar – 7o entre os homens – e saiu bem contente da prova. “Estou bastante cansado, a prova foi difícil. No lago, a densidade da água é maior, o que dificulta um pouco a travessia. A largada foi muito forte e o pessoal já saiu puxando. Mas eu estou feliz com essa colocação, o Brasil fecha com chave de ouro a participação nesse mundial”, resume o atleta, que já havia conquistado uma medalha de bronze no revezamento 4x100m livre, com os atletas Andre Brasil, Danilo Glasser e Clodoaldo Silva. O Brasil encerrou a participação na competição com o saldo de 26 medalhas: 12 ouros, 7 pratas e 7 bronzes, além de sete recordes mundiais. O resultado deixa o país em 5º lugar no ranking da competição, atrás da Grã-Bretanha, Estados Unidos, Ucrânia e China. “Os resultados aqui estão provando que o Brasil não tem uma equipe de natação de um ou dois nadadores, como alguns dizem. Nós temos um grupo forte, promissor e muitos jovens aparecendo com grande potencialidade. Isso nos dá um alento grande para a participação no Parapan no Rio em 2007 e

em Pequim em 2008. É só seguir trabalhando, fazer uma preparação bem feita e o resultado será positivo. No Parapan temos o compromisso de fazer bonito”, comemora o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto. O campeonato Mundial de Natação é um dos maiores eventos esportivos para atletas com deficiência após os Jogos Paraolímpicos e evento classificatório para Pequim 2008. Nesse panorama, o Brasil desponta como uma das grandes potências na natação mundial. “O balanço é mais do que positivo. Mesmo com os problemas que surgiram, conseguimos nos superar e fechar a competição com a melhor campanha brasileira em todas as competições internacionais”, diz o coordenador Gustavo Abrantes, lembrando que no último Mundial, em 2002, o Brasil ficou em 10º lugar.

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Medalhistas brasileiros AT LETA

MEDALHA*

PROVA

CLASSE

T EMPO

Andre Brasil

Ouro (RM)

50m livre

S10

24s36

Andre Brasil

Ouro (RM)

100m borboleta

S10

58s

Andre Brasil

Ouro (RM)

100m livre

S10

52s61

Andre Brasil

Ouro

400m livre

S10

04m08s46

Clodoaldo Silva

Ouro (RM)

150m medley

S4

02m34s77

Clodoaldo Silva

Ouro (RM)

50m livre

S4

35s15

Daniel Dias

Ouro (RM)

200m medley

S5

03m02s88

Daniel Dias

Ouro

100m livre

S5

1m16s33

Daniel Dias, Ivanildo Vasconcelos, Luis Silva, Clodoaldo Silva

32

Ouro (RM)

baixo 20 4x50m medley Revez. pontos

2m32s36

Edenia Garcia

Ouro

50m livre

S4

53s04

Edenia Garcia

Ouro

50m costas

S4

51s81

Fabiana Sugimori

Ouro

50m livre

S11

32s91

Carlos Farremberg

Prata

100m livre

S13

56s57

Clodoaldo Silva

Prata

100m livre

S5

1m17s04

Daniel Dias

Prata

50m borboleta

S5

38s

Daniel Dias

Prata

50m costas

S5

37s54

Edenia Garcia

Prata

100m livre

S4

51s81

Edenia Garcia

Prata

200m livre

S4

04m13s34

Ivanildo Vasconcelos

Prata

100m peito

SB4

01m44s05

Andre Brasil

Bronze

200m medley

S10

02m19s61

Adriano Lima

Bronze

50m livre

S6

32s16

Clodoaldo Silva, Marcelo Collet, Danilo Glasser e Andre Brasil

Bronze

4x100m livre

Revez. masculino 34 pontos

04m07s44

Claudia Celina, EdĂŞnia Garcia, Caroline Werneck e Ana Clara Cruz

Bronze

4x50m livre

Revez. feminino

03m39s12

Fabiana Sugimori

Bronze

100m livre

S11

01m18s19

Genezi Andrade

Bronze

200m livre

S3

04m21s60

Genezi Andrade

Bronze

50m costas

S3

57s99

*RM - Recorde Mundial


33


ONG incentiva a prĂĄtica segura do esporte de aventura para pessoas com deficiĂŞncia

34

mais do que especial


Por Carol Coelho Fotos Divulgação

As vantagens do esporte ligado à emoção e ao contato direto com a natureza são muito bem-vindas no auxílio à reabilitação de pessoas com deficiências. Essa é a opinião de Dadá Moreira, 41 anos, fundador da ONG Aventura Especial, que promove o esporte de aventura adaptado pelo mundo. Segundo ele, o contato com a natureza potencializa o efeito de alguns tratamentos, além de deixá-los muito mais gratificantes e prazerosos. Dadá tem uma doença chamada ataxia espinocerebelar, há dez anos. As ataxias constituem um grupo de doenças genéticas neurodegenerativas e se caracterizam pela perda progressiva das células nervosas do cerebelo. A perda de neurônios afeta o equilíbrio, a coordenação motora, a fala, a voz e a escrita. Formado em Direito e Jornalismo,

depois de quatro anos convivendo com a doença, ele passou a procurar informações sobre os esportes adaptados e logo encontrou um companheiro que o convidou para uma escalada. “Aquele foi um novo horizonte que se abriu na minha vida. Até então eu não sabia que era capaz de praticar esportes como estes”. Para a sorte dos aventureiros de plantão, Dadá começou a incansável busca pela informação sobre os esportes de aventura adaptados, mas descobriu-se pioneiro no assunto e resolveu aproveitar a sua formação de jornalista para divulgar tudo o que aprendeu criando a ONG Aventura Especial. “Eu assistia toda hora na televisão várias pessoas praticando esses esportes sem imaginar que um dia eu estaria escalando uma pedra em meio à natureza sem qualquer dificuldade”.

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Desde então, o leque de opções do esporte adaptado no Brasil ultrapassou as barreiras das práticas esportivas mais conhecidas, como a natação, o atletismo e o basquete. Dessa forma, o movimento adaptado incorporou outras modalidades, como a escalada, o rafting (descida de bote por corredeiras), o trekking (caminhada em trilhas), o salto de pára-quedas e a tirolesa, que é a travessia entre dois pontos de grandes desníveis por corda.

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Os caçadores de adrenalina encontraram um novo grupo de companheiros com a criação da ONG Aventura Especial. Por meio dela, obtêm informações para a prática segura de esportes de aventura. Cartilhas e palestras feitas por todo o país mostram como cada um desses esportes podem ser adaptados a cada tipo de deficiência. O próprio Dadá é um exemplo dos benefícios que os esportes de aventura podem trazer para as pessoas que possuem algum tipo de deficiência. “Segundo a medicina tradicional, como a minha doença é degenerativa, eu não teria mais chances de melhorar e, no entanto, essas práticas me fazem melhorar a cada dia, em todos os sentidos, como físicos e psicológicos”, conta o atleta. O site www.aventuraespecial.com.br foi criado pela ONG com o formato de um guia para divulgar os locais mais adequados à prática das atividades adaptadas. Outra ação da entidade é a sensibilização dos agentes de ecoturismo a fim de que eles saibam como oferecer as condições apropriadas para que todos possam ser usuários de seus serviços. Dessa forma, a ONG criou cursos específicos para atendimento, hospedagem e outros serviços turísticos que atendam os aventureiros especiais. Além disso, está em fase de produção um programa de T V semanal de 30min, voltado somente para a divulgação dos esportes de aventura e o ecoturismo adaptados.


..............

s a n t s a i u

m ira

c o nq

Porr Luciana Pereira

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Carlos Garletti é o único brasileiro já qualificado para as competições de tiro em Pequim


A mesma precisão e concentração utilizadas pelo cirurgião-oftalmológico Carlos Garletti para operar seus pacientes são fundamentais em outra atividade deste paranaense de 31 anos: o tiro. “Às vezes, acho que me concentro mais no tiro”, brinca. Com quatro anos de esporte, Garletti é o único atleta brasileiro do tiro esportivo que já tem qualificação para a Paraolimpíada, em 2008. A qualificação, no entanto, não garante a ida do atirador para Pequim. É preciso ainda uma classificação ou convite. Antes da competição, ele pretende ir a três competições internacionais: uma na França e duas na Alemanha, entre os meses de maio e julho de 2007. “Lá quero tentar índice em mais três provas e eu sei que consigo”, diz, determinado, o atleta que compete pela classe SH1 (deficiências leves).

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Mas as metas não param em Pequim. Ele promete sim dar trabalho na China, mas diz que o foco principal é a Paraolimpíada de Londres, em 2012, quando pretende estar em condições para disputar medalhas em igualdade com os outros países. “O tiro no Brasil ainda precisa crescer, aparecer mais para os outros países. Ainda não temos mui-


tos atiradores de expressão e, infelizmente, também há o preconceito. Mas eu costumo dizer que o tiro é delicado, usamos até luva”, brinca. Brincadeiras à parte, Garletti lamenta: “Não é porque existem os acidentes de trânsito que o automobilismo vai ser banido. Eu nunca vi um acidente nas competições de tiro. Os filmes de guerra influenciam muito mais do que uma competição”, defende o atirador, lembrando que na Europa o tiro esportivo é utilizado como tratamento para crianças com dificuldade de concentração. Não existe burro atirando porque você precisa usar o intelecto, completa. O interesse pelo tiro sempre existiu, mas Garletti começou a vê-lo como esporte e levá-lo a sério somente em 2002, depois do acidente que o deixou com a mobilidade dos membros inferiores comprometida. Amante dos esportes radicais, Garletti voava sozinho de parapente e teve problemas na hora do pouso. “Caí e fiquei

uma hora e meia todo quebrado, no chão, sem conseguir me mexer muito. Não passava ninguém. Eu fazia sinal, mas as pessoas não me viam porque estava longe da pista onde passavam os carros”. Felizmente, uma pessoa enxergou os sinais de Garletti e o levou para um hospital próximo. “Foi engraçado porque eu já quis chegar dando ordem”, lembra o médico. “Estava consciente o tempo todo e queria dizer o que precisavam fazer comigo”. O resultado do acidente foi uma fratura lombar alta, que causou uma diminuição das forças nas pernas. Hoje, Garletti anda sozinho, sem muletas, apenas com uma tala para ajudar na firmeza. Aliás, hoje não. Alguns meses depois do acidente, contrariando as previsões médicas, ele já estava em pé e foi morar sozinho em Goiânia para fazer uma especialização em oftalmologia. Este ano, em maio, mais um susto marcou a carreira do atirador. Na viagem para o Padova Cup, uma espécie de

competição aberta, na Itália, a companhia aérea perdeu sua mala com todas as armas para a competição. “Eu ajoelhei no balcão e chorei”, lembra Garletti. Mas o imprevisto não impediu que o atleta competisse, com armas emprestadas. E mais: conquistasse o primeiro MQS (Minimum Qualification Standard) brasileiro do tiro esportivo para a Paraolimpíada de Pequim, na prova de carabina de ar. O segundo veio na Suíça, já com novas armas, na prova 22 deitado. No Brasil, competem no tiro atletas amputados, paraplégicos, tetraplégicos e com outras deficiências locomotoras. Os atletas cegos, que precisam de uma estrutura especial com sistema de som para a competição, ainda não existem no Brasil. O alvo é dividido em dez circunferências que valem de um a dez pontos e são subdivididas de 0.1 a 0.9 pontos. A menor e mais central circunferência do alvo vale 10 pontos. Os atletas têm uma hora e quarenta e cinco minutos para disparar 60 tiros, nas 39 provas de pistola ou carabina. Os atletas são divididos em três classes: SH1 (lesões pequenas), SH2 (lesões mais sérias) e SH3 (cegos).


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe paraolímpicos Encontro com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Esporte Orlando Silva e definição dos termos do patrocínio das Loterias Caixa ao CPB para 2007. Tudo no mesmo dia 19 de dezembro. A cruzada dos atletas patrocinados pelas Loterias em Brasília, acompanhados do presidente do CPB, Vital Severino Neto, teve início no Palácio do Planalto, onde foram recebidos por Lula, que reiterou o apoio do governo federal ao esporte paraolímpico. “Como contrapartida, só peço muitas medalhas”, brinca o presidente. Logo depois, o grupo dirigiu-se à sede da Caixa Eco40 nômica Federal para, na presença da presidente da CEF, Maria Fernanda Ramos Coelho, ouvir o anúncio de ampliação do patrocínio ao CPB para 2007: R$ 4,886 milhões, cerca de 25% a mais em relação a 2006. A quantia será destinada à edição 2007 do Circuito Loterias Caixa e ao repasse de bolsas a 14 atletas do programa Atletas de Alto Nível, além de ajuda de custo na participação das equipes brasileiras no Parapan-americano, em agosto.

Atletas paraolímpicos são premiados pelo COB o e o judoca a Guilhermin h n zi re Te a homenageA velocist cegos, foram os b am , io ór mônia de Antonio Ten durante ceri ro b em ez d o p elo 12 de ados no dia ico, promovid p m lí O l si ra rêmio B Janeiro. Eles entrega do p iro, no Rio de le si ra B o ic p Atleta PaComitê Olím goria “Melhor te ca a n éu of tr receberam o masculino. ”, feminino e 6 0 0 2 o ic p a medalha raolím este ano com n u co ta es d 0 0m raTerezinha se os 10 0m e 4 n ta ra p a e an20 0m Assen, na Hol de ouro nos em o, m is et tl ial de A o, além de sos, no Mund o paraolímpic eã p am ic tr é sua categoria. da. Já Tenório o mundial em eã p m ca al u ser o at

Projeto de Lei de Incentivo ao Esporte é aprovado na Câmara O caminho é longo e intrincado. Mas parece chegar a um desfecho positivo para a comunidade esportiva brasileira. A Câmara dos Deputados aprovou, na noite do dia 20 de dezembro, o texto original do Projeto de Lei de Incentivo ao Esporte, que prevê isenção fiscal de parte do Imposto de Renda para investimentos em projetos esportivos, sendo a dedução de até 4% para empresas e até 6% para pessoas físicas. O projeto segue agora para sanção presidencial, ainda sem data marcada até o fechamento desta edição.


Brasil é tricampeão da Copa Tango III Jogos Mundiais da IBSA são lançados em São Paulo Evento esportivo voltado a cegos ou deficientes visuais, os III Jogos Mundiais da IBSA foram lançados em cerimônia em São Paulo, no dia 21 de novembro. Cerca de 2 mil atletas de 60 países disputarão, em São Paulo e São Caetano, de 28 de julho a 8 de agosto, medalhas nas modalidades de atletismo, natação, golbol, judô, powerlifting e futebol. A competição será realizada pela Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC), com apoio do Comitê Paraolímpico Brasileiro e do Ministério do Esporte. “Não queremos filantropia, mas sim provar que é viável investir nas pessoas com deficiência”, afirma o presidente da CBDC, David Farias Costa.

De 1 a 6 de novembro, aconteceu a IV Copa Tango de Tênis de Mesa Paraolímpico, em Buenos Aires, Argentina. O Brasil participou com 35 atletas e conquistou o tricampeonato da competição, com 8 ouros, 9 pratas e 11 bronzes, seguido de Holanda (6 ouros, 2 pratas e 3 bronzes) e Argentina (4 ouros, 8 pratas e 9 bronzes). A Copa Tango teve a participação de 16 países e cerca de 150 atletas e contou pontos para o ranking internacional, além de ser importante prévia para os Jogos Parapan-americanos do Rio 2007.

41

Dança esportiva brasileira ganha título internacional

Copa Brasil de Goalball é disputada em São Caetano

Três dias de competições (8 a 10 de dezembro), 350 participantes, 21 equipes femininas e 24 masculinas. Mas não é tudo. Para se chegar às 45 equipes que disputaram a Copa Brasil de Goalball Séries A e B, em São Caetano do Sul, foram organizados campeonatos regionais ao longo do ano, classificatórios para o brasileiro. Veja os resultados: Série A Feminina

Masculina

1º lugar – AMC (MT )

1º lugar – APACE (PB)

2º lugar – ICBC (MG)

2º lugar – ACERGS (RS)

3º lugar – CESEC (SP)

3º lugar – CEIBC (RJ)

Série B Feminina

Masculina

1º lugar – ADEVIMAR (PR)

1º lugar – IBC (RJ)

2º lugar – ADEVIRN (RN)

2º lugar – ADEVIRP (SP)

3º lugar – ADEVIG (SP)

3º lugar – APACE B (PB)

A dupla baiana Cabral e Anete defendeu o Brasil no Campeonato Internacional de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas, disputado na Ilha de Malta entre 13 países. Únicos representantes latino-americanos no evento, Cabral e Anete concorreram na categoria “4 danças latinas” (samba, cha-cha-cha, rumba e jive), desbancando países europeus tradicionais na modalidade. Ao final, um honroso segundo lugar para o Brasil, com Malta em primeiro e Holanda em terceiro. A dupla brasileira foi bastante elogiada em fatores como harmonia e cumplicidade.


Mundial de Natação A uma semana do embarque para o Mundial de Natação da África do Sul, a fase de treinamento em São Paulo foi puxada. Mas o clima de união de um grupo com intensa alegria de viver compensa tudo.

Já em Durban, os treinos continuaram com o incansável apoio das comissões técnica e médica. Além do novo visual de alguns calouros em competições internacionais, chamou atenção o grito de guerra dos atletas, sempre sob a batuta do Tarzan Collet: 42

“Vai lá, vai lá, vai lá Vai lá de coração Vamos sem perna Vamos sem braço Vamos ser campeão (sic) [Grito de Tarzan] Brasil!


Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro Lançado em 2006, o projeto Paraolímpicos do Futuro gera seu primeiro fruto: o Campeonato Paraolímpico Escolar Brasileiro de Atletismo e Natação, realizado em Fortaleza em final de outubro. Desde a organização, feita pelo CPB em conjunto com o Ministério do Esporte, a Secretaria de Esporte e Juventude do Ceará e a Unifor, até a outra ponta diretamente beneficiada – cerca de 200 estudantes com deficiência, de 11 a 17 anos, de todos os cantos do país –, o evento já é unanimidade e será nova data a engrossar o calendário paraolímpico nacional. 43

Circuito Loterias da Caixa

A última etapa do Circuito Loterias Caixa, disputada em Uberlândia, de 10 a 12 de novembro, teve a descontração do dever cumprido. Ao lado do presidente do CPB, Vital Severino Neto, o Prof. Alberto Martins (com a cabeça inclinada) é diretor da Fundação Uberlandense de Turismo, Esporte e Lazer (Futel) e foi chefe da delegação brasileira nas Paraolimpíadas de Sidney2000 e Atenas-2004, além dos Mundiais de Atletismo em Lile-2002 e de Natação em Mar Del Plata-2002 e Durban-2006.

Dono de uma medalha de prata no revezamento 4x100m no Mundial de Atletismo deste ano em Assen, Holanda, o velocista cego Lucas Prado vive fazendo graça.

O jantar oferecido aos lotéricos da cidade apresentou uma inédita exposição das principais medalhas dos atletas patrocinados, além de ser o mais divertido do ano.


Por Natale Martins Fotos

Um heroi

diferente

uma equipe de basquete. Como um bom desenhista, resolveu criar um uniforme para o time e assim surgiu Gazoo. “Só depois me dei conta de que tinha recebido um presente divino e Gazoo me daria possibilidade de viver coisas que jamais imaginaria”, diz Jota R., que contraiu poliomielite quando tinha pouco mais de um ano de vida.

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Personagem de quadrinhos, Gazoo retrata o super-herói que existe em cada pessoa com deficiência Divertido, bem-humorado, especial... assim é Gazoo, um personagem de história em quadrinhos um tanto diferente. Portador de deficiência física, Gazoo reflete a imagem de seu criador. “O Gazoo é um pouco meu alter-ego, com exageros”, brinca o designer e cartunista Wellington Torres, mais conhecido como Jota R. Na adolescência, Jota R. jogava tênis de mesa em cadeira de rodas e o time ganhou cadeiras especiais para formar

Com Gazoo debaixo do braço, Jota R. bateu de porta em porta no afã de mostrar ao mundo seu filho prodigioso. As portas realmente se abriram para Jota R., mas não para Gazoo, e isso incomodava demais o cartunista. “O Gazoo sempre foi meu principal projeto. Devo tudo a ele. Viajei muito e consegui trabalhos maravilhosos fazendo sempre o que eu gosto que é desenhar, mas eu ainda não tinha mostrado o Gazoo de verdade”, lamenta o baiano de 37 anos de idade. Passados dezoito anos, Jota R. finalmente conseguiu que o primeiro exemplar da ‘Revista do Gazoo’ saísse. Para o primeiro número contou com a participação do também desenhista Reinaldo Weissman. As histórias foram escritas por Wagner de Assis e Vivian Perl, que além de produtores da revista são roteiristas de Gazoo – o filme. Isso mesmo, Gazoo agora vai sair dos quadrinhos e ganhar vida na telona dos cinemas. “Resolvi comprar a idéia


do Jota R. e do Gazoo e transformar um personagem lúdico numa realidade”, conta Wagner, que pretende usar no longa-metragem técnicas de animação em 3D interagindo com atores reais. A idéia de produzir o filme nasceu em 1997, numa época em que a deficiência era pouco discutida e ainda cercada de preconceitos. Gazoo fala de tudo isso e de inclusão social de uma forma divertida e literalmente animada. Em uma de suas falas no primeiro exemplar da revista, ele brinca com o fato de ter que ir a um lugar muito cheio onde não há cadeiras o suficiente para as pessoas se sentarem e diz: “pra mim isso nunca foi problema”. A revista está no segundo número e agora todo o tempo é dedicado à captação de recursos e patrocínio para que o longa-metragem seja lançado. “O filme vai sair!”, sonha Wagner. No filme, Gazoo tenta descobrir por que ele é um herói diferente e especial e sai em busca de seu criador para entender de fato quem é. E é mesmo Jota R. quem melhor pode definir sua criatura: “Para Gazoo o limite não existe. Ele possui uma auto-estima exagerada, mas sem prepotência. E ao contrário dos

super-heróis, Gazoo não tem super poderes e isso é que é legal”, diz. “Ele é do tipo que ri de si mesmo e das situações do dia-a-dia e essa é a grande arma do nosso herói”, complementa Wagner. Esse herói comum afirma - em outra passagem da revista - que “ser deficiente físico não é mole”, mas não se abate nem se entristece com isso. Pelo contrário, o personagem cativa pelo carisma e pelo extremo bom humor com que vê a vida. Na verdade, Gazoo retrata milhares de deficientes físicos que, como Jota R., não deixam a ‘peteca’ cair. “Pode parecer estranho, mas hoje eu vejo a minha deficiência como a melhor coisa que poderia ter acontecido. Ela faz com que eu valorize cada vitória. Posso dizer que ela até me tornou mais sábio”, conclui Jota R.

Para Gazoo o limite não existe. Ele possui uma auto-estima exagerada, mas sem prepotência. E, ao contrário dos super-heróis, Gazoo não tem superpoderes e isso é que é legal. Jota R., criador de Gazoo

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Foto: Divulgação COB

Orlando Silva Jr. *

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*Orlando Silva Jr. é Ministro de Estado do Esporte


SuperTenório Em primeiro lugar, parabenizo o Comitê pela bela atuação no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico, realizado aqui em Uberlândia. E em segundo, como admiradora da garra e determinação que o judoca Antônio Tenório possui, fui assisti-lo na Clínica de Judô ministrada por ele na UFU e fiquei muito impressionada com a maravilhosa apresentação que presenciei! Parabéns pelo grande exemplo de vida! Divina Aparecida Garcia Rodrigues Acadêmica de Educação Física

Boas Festas

final de 2006, de Boas Festas. Neste s to vo os os ím bu tri re zer uma Agradecemos e Novo, o IBDD deseja fa o An ro pe ós Pr e l ta Na e inclusivo. além de desejar Feliz os um Brasil mais justo irm tru ns co os nt ju ra convocação pa DD) Andrei Bastos oa com Deficiência (IB ss Pe da s ito re Di s do Instituto Brasileiro

Celebração da vida Final de ano... dias de confraternização, de avaliações, de reflexões, de agradecimentos. Pelo que já aprendi (e ainda falta muito!), pelo que já compreendi (e também falta muito!), a todos que fizeram parte de minha vida nesse ano que termina: meus mestres, meus colegas, meus amigos, meus familiares e Deus. E cada um de nós, em todos os tempos e quase que o tempo todo, vivemos a dualidade. Por isso, é que meu desejo para esse novo ano é

aproveitar todo o conjunto, esse pacote de sentimentos e acontecimentos que se chama VIDA! A todos vocês, meu carinho, minha lembrança e minha alegria em tê-los como presentes. Feliz Natal e feliz todo e cada dia de 2007! Marcelo D. Micheletto Clube Paradesportivo Superação Cartas para esta seção no endereço eletrônico contato@cpb.org.br. Os textos poderão ser editados em razão do tamanho ou para facilitar a compreensão.


Publicação bimestral do CPB 5.000 exemplares

Presidente

Vital Severino Neto

Vice-presidente Financeiro Sérgio Ricardo Gatto

Vice-presidente Administrativo Francisco de Assis Avelino

Assessora Especial para Assuntos Institucionais Ana Carla Thiago

Secretário Geral Andrew Parsons

Diretor Financeiro

Carlos José Vieira de Souza

Diretor Administrativo

Washington de Melo Trindade

Diretor Técnico Edilson Alves

Coordenador Geral do Desporto Universitário

Renausto Alves Amanajás

Coordenador Geral do Desporto Escolar

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Editor Chefe

Andrew Parsons

Subeditor

Leandro Ferraz

Jornalistas Colaboradoras Bruna Gosling Carol Coelho Julia Censi Luciana Pereira

Capa e Editoração Ler Comunicação

Foto da Capa Pedro Teixeira

Atleta

Tito Sena (ADFEGO-GO)

Execução Gráfica

Gráfica Brasil Site: www.graficabrasil.com.br

Endereço Sede CPB

SBN Qd. 2 - Bl. F - Lt. 12 Ed. Via Capital - 14º andar Brasília/DF - CEP 70 040-020 Fone: 55 61 3031 3030 Fax: 55 61 3031 3023 E-mail: comunicacao@cpb.org.br Site: www.cpb.org.br


Revista Brasil Paraolímpico n° 23  

Edição número 23 da revista oficial do Comitê Paralímpico Brasileiro - CPB.

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