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153 dias

P. 74 P. 07 G A L I L E U. G L O B O . C O M

UNIÃO SOVIÉTICA TENTOU CRIAR A PRÓPRIA INTERNET

171 dias 96 dias

Brasil França Uruguai

ACIDENTE ACIRRA DEBATE SOBRE CARRO AUTÔNOMO

BRASILEIROS TRABALHAM 153 DIAS POR ANO PARA SE ACERTARCOMGOVERNO• P.27

ENTREVISTA: PARA SAIR DA CRISE É PRECISO INVESTIR NA CIÊNCIA P. 50

QUAL É A

Acidentes e denúncias de maus-tratos a animais mantidos em cativeiro chamam a atenção para práticas abusivas de circos, zoológicos e parques temáticos P. 36

R$14,00 EDIÇÃO

302 C ARGA TRIBUTÁRIA FEDER AL APROX. 4,65%

P.54

A HISTÓRIA DO DIVÓRCIO DE ASTRONOMIA E ASTROLOGIA

DOSSIÊ IMPOSTOS

edição de ipad

SET. 16


COMPOSIÇÃO

DIRETOR-GERAL: Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE AUDIÊNCIA: Luciano Touguinha de Castro DIRETORA DE MERCADO ANUNCIANTE: Virginia Any

SETEMBRO 2016

DIRETORA DE GRUPO CASA E COMIDA, CASA E JARDIM, CRESCER E GALILEU: Paula Perim

ANTIMATÉRIA

OROBÔ

REDAÇÃO EDITORA-CHEFE: Cristine Kist EDITORA DE ARTE: Fernanda Didini EDITORES: Giuliana de Toledo, Nathan Fernandes e Thiago Tanji REPÓRTERES: André Jorge de Oliveira e Isabela Moreira DESIGNERS: Felipe Eugênio (Feu) e João Pedro Brito ESTAGIÁRIOS: Bruno Vaiano (texto) e Mayra Martins (arte) ASSISTENTE DE REDAÇÃO: Gabriela Nogueira

P.20

DE GUERRA BRASILEIRO

COLABORADORES DESTA EDIÇÃO:

Cartola Conteúdo, Humberto Abdo, Leandro Saionetti, Marcela Duarte e Marília Marasciulo (texto); Ana Matsusaki, Berje, Dulla, Estúdio Barca, Márcio Moreno, Rodrigo Bastos, Tomás Arthuzi e Yumi Shimada (arte); Monique Murad Velloso (revisão). E-MAIL DA REDAÇÃO: galileu@edglobo.com.br

INOVAÇÃO DIGITAL DIRETOR DE INOVAÇÃO DIGITAL: Alexandre Maron GERENTE DE ESTRATÉGIA DE CONTEÚDO DIGITAL: Silvia Balieiro TECNOLOGIA DIRETOR DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO: Rodrigo José Gosling DESENVOLVEDORES: Everton Ribeiro, Fabio Alessandro Marciano, Jeferson

Mendonça, Leandro Paixão, Leonardo Turbiani, Marcelo Amendola, Marcio Costa, Murilo Amendola e Victor Hugo Oliveira da Silva; OPEC ONLINE: Rodrigo Santana Oliveira, Danilo Panzarini, Higor Daniel Chabes, Rodrigo Pecoschi e Thiago Previero GERENTE DE EVENTOS: Daniela Valente COORDENADOR DE OPEC OFFLINE: José Soares MERCADO ANUNCIANTE SEGMENTOS FINANCEIRO, IMOBILIÁRIO, TI, COMÉRCIO E VAREJO — Diretor de negócios multiplataforma: Emiliano Morad Hansenn; Gerente de negócios multiplataforma: Ciro Horta Hashimoto; Executivos multiplataforma: Selma Maria

de Pina, Cristiane de Barros Paggi Succi, Christian Lopes Hamburg, Milton Luiz Abrantes e Taly Czeresnia Wakrat. MODA, BELEZA E HIGIENE PESSOAL — Diretor de negócios multiplataforma: Cesar Bergamo; Executivos multiplataforma: Adriana Pinesi Martins, Eliana Lima Fagundes, Juliana Vieira, Selma Teixeira da Costa e Soraya Mazerino Sobral. CASA, CONSTRUÇÃO, ALIMENTOS E BEBIDAS, HIGIENE DOMÉSTICA E SAÚDE — Diretora de negócios multiplataforma: Marilia Guiti Hindi; Executivos multiplataforma: Giovanna Sellan Perez, Keila Ferrini, Lucia Helena Lopes Messias, Rodrigo Girodo Andrade, Valeria Glanzmann. MOBILIDADE,

SERVIÇOS PÚBLICOS E SOCIAIS, AGRO E INDÚSTRIA — Diretor de negócios multiplataforma: Renato Augusto Cassis Siniscalco; Executivos multiplataforma:

Andressa Aguiar, Diego Fabiano, Cristiane Soares Nogueira, João Carlos Meyer e Priscila Ferreira da Silva. EDUCAÇÃO, CULTURA, LAZER, ESPORTE, TURISMO, MÍDIA, TELECOM E OUTROS — Diretora de negócios multiplataforma: Sandra Regina de Melo Pepe; Executivos multiplataforma: Ana Silvia Costa, Guilherme Iegawa Sugio, Lilian de Marche Noffs e Dominique Petroni de Freitas. DIGITAL — Diretora de negócios digitais: Renata Simões Alves de Oliveira. ESCRITÓRIOS REGIONAIS — Gerente multiplataforma: Larissa Ortiz; Executiva multiplataforma: Babila Garcia Chagas Arantes. UNIDADE DE NEGÓCIOS/RIO DE JANEIRO — Gerente multiplataforma: Rogerio Pereira Ponce de Leon; Executivos multiplataforma: Andréa Manhães Muniz, Daniela Nunes, Lopes Chahim, Juliane Ribeiro Silva, Maria Cristina Machado e Pedro Paulo Rios Vieira dos Santos. UNIDADE DE NEGÓCIOS/BRASÍLIA — Gerente multiplataforma: Barbara Costa Freitas Silva; Executivos multiplataforma: Camila Amaral da Silva e Jorge Bicalho Felix Junior. ESTÚDIO GLOBO — Diretora: Roberta Ristow; Coordenador de projetos especiais: Renan Abdalla; Estratégia comercial: Renata Dias Gomes; Criação: Vera Ligia Rangel Cavalieri; Arte: Rodolpho Vasconcellos

P.10

O ATAQUE DOS CARROS

AUTÔNOMOS P. 12

POUCA

PESQUISA P.23

O VELHO LESTE

FAXINA

ESPACIAL

RUSSO

PRECONCEITO NAS TELAS

P.22

AUDIÊNCIA Diretor de marketing: Cristiano Augusto Soares Santos Diretor de clientes e planejamento: Ednei Zampese Gerente de vendas de assinaturas: Reginaldo Moreira da Silva Gerente de criação: Valter Bicudo Silva Neto Gerente de inteligência de mercado: Wilma Conceição Montilha Coordenadores de marketing: Eduardo Roccato Almeida e Patricia Aparecida Fachetti

P.80

DOSSIÊ

O Bureau Veritas Certification, com base nos processos e procedimentos descritos no seu Relatório de Verificação, adotando um nível de confiança razoável, declara que o Inventário de Gases de Efeito Estufa — Ano 2012 da Editora Globo S.A. é preciso, confiável e livre de erro ou distorção e é uma representação equitativa dos dados e informações de GEE sobre o período de referência para o escopo definido; foi elaborado em conformidade com a NBR ISO 14064-1:2007 e as Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol.

IMPOSTOS P. 27

ELEMENTAR

P. 26

GELATINA

P.79

SUMÁRIO DE REPORTAGENS

PANORÂMICA

Contatos para Justiça Eleitoral: E-mail: justicaeleitoral@edglobo.com.br Fax: (11) 3767-7091

HOMENS P.10

CONVENCIDOS

CURTO-CIRCUITO

edição atual, desde que haja disponibilidade de estoque. Faça seu pedido na banca mais próxima.

MAMUTES P. 15

ATENDIMENTO AO ASSINANTE

PARA ANUNCIAR LIGUE: SP: (11) 3767-7700/3767-7500 RJ: (21) 3380-5924 E-MAIL: publigalileu@edglobo.com.br PARA SE CORRESPONDER COM A REDAÇÃO: endereçar cartas ao Diretor de redação, GALILEU. Caixa postal 66011, CEP 05315-999, São Paulo/SP. FAX: (11) 3767-7707 E-MAIL: galileu@edglobo.com.br As cartas devem ser encaminhadas com assinatura, endereço e telefone do remetente. GALILEU reserva-se o direito de selecioná-las e resumi-las para publicação. EDIÇÕES ANTERIORES: o pedido será atendido por meio do jornaleiro pelo preço da

BITCOIN P.17 NOS BANCOS

ZUMBIS

GALILEU é uma publicação da EDITORA GLOBO S.A. — Av. Nove de Julho, 5.229, 8º andar, CEP 01406-200, São Paulo/SP. Tel. (11) 3767-7000. Distribuidor exclusivo para todo o Brasil: Dinap — Distribuidora Nacional de Publicações. Impressão: Plural Indústria Gráfica Ltda. — Av. Marcos Penteado de Ulhoa Rodrigues, 700, Tamboré, Santana de Parnaíba/SP, CEP 06543-001

Disponível de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas; sábados, das 8 às 15 horas. INTERNET: www.sacglobo.com.br SÃO PAULO: (11) 3362-2000 DEMAIS LOCALIDADES: 4003-9393* FAX: (11) 3766-3755 *Custo de ligação local. Serviço não disponível em todo o Brasil. Para saber da disponibilidade do serviço em sua cidade, consulte sua operadora local.

DO TEMPO P.18

MUITA BUROCRACIA

P.7

MÁQUINA

P.35


NovoappGalileu

O mundO estámudandO cOnstantemente. tenha tudO O que precisa saber sObre Os temasatuais na palma da sua mãO. Todo o conteúdo e todas as edições de GALILEU disponíveis em seu celular ou tablet, totalmente adaptados à tela.

envie um sms GrÁTis com a palavra GALILEU para 30133 e baixe o aplicaTivo. disponível para


PRIMEIRAMENTE

COLABORADORES DO MÊS

W W W.G ALILEU.GLOBO.COM

#302

09. 2016

POR CRISTINE KIST

públicas. “Eu brinco que vou a esses

ANA MATSUSAKI E RÔMOLO

eventos para aliciar os estudantes, por-

PROFISSÃO — Ilustradores

que a palavra ‘aliciar’ ficou com essa conotação negativa das drogas, e não é isso, eu vou aliciar jovens para a ciência mesmo”, explicou ela aos risos. Felizmente para a GALILEU, Helena não conseguiu aliciar a Giu, que se tornou jornalista mesmo e assina a matéria de capa desta edição, sobre os animais que são mantidos em circos, zoológicos e parques, muitas vezes

ONDE NASCERAM E ONDE MORAM — Ana nasceu em São Paulo e Romolo, em Foz do Iguaçu. Eles moram juntos “na estrada”, mas atualmente estão na Tailândia O QUE FIZERAM NESTA EDIÇÃO — Ana fez as ilustrações do Antimatéria (p. 7) e Romolo já colaborou com a revista em outras edições POR QUE ELES APARECEM NA FOTO COM UM ELEFANTE — Não, não tem nada a ver com a nossa capa. Romolo fez o elefante para participar de uma exibição na Tailândia

em condições precárias, apenas para entreter meia dúzia de seres humanos. Há algum tempo, eu assisti a uma palestra do filósofo australiano Peter Singer, conhecido por estudar os direitos dos animais, em que ele discutia até que ponto fazia sentido acreditar que nós éramos mes-

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

mo superiores aos outros animais. A palestra foi tema, inclusive, de uma reportagem de capa da GALILEU,

o início dos anos 2000, nos-

em agosto de 2013, quando eu ainda

sa editora Giuliana de Toledo,

nem desconfiava que viria a trabalhar

então aluna do Ensino Funda-

aqui. Já naquela época falava-se de es-

mental de uma escola de Porto Alegre,

tudos que mostravam que várias espé-

foi a uma conferência qualquer apresen-

cies, até mesmo moscas e moluscos,

tar um trabalho que havia feito com os

possuíam as faculdades neurológicas

colegas durante as aulas de ciências.

que geram consciência — o que en-

Ela já não se lembra sobre o que era

terraria a teoria de que os humanos

o tal trabalho, mas nunca esqueceu do

se diferenciavam dos outros animais

discurso entusiasmado feito por uma

por serem os únicos seres pensantes.

das palestrantes: a bióloga e pesquisa-

De lá para cá, foram registrados al-

dora Helena Nader, hoje presidente da

guns avanços: cada vez mais buscam-se

Sociedade Brasileira para o Progresso

alternativas para evitar os testes com

da Ciência, entidade criada há quase 70

ratos e, principalmente, chimpanzés, e

anos para incentivar o desenvolvimento

o número de instituições criadas para

científico e tecnológico do país.

acolher animais vítimas de maus-tratos

N

Giu contou esse caso assim que fi-

não para de crescer. Mas uma série de

cou sabendo que eu entrevistaria Hele-

incidentes recentes envolvendo huma-

na para o Papo Cabeça desta edição (o

nos e bichos mantidos em cativeiro dei-

resultado da conversa você lê na página

xa claro que a questão ainda está longe

64). E eu repassei a história para He-

de ser superada. E é sobre isso que fa-

lena, que, claro, não se lembrava des-

lamos a partir da página 36. Boa leitura!

se evento específico, mas contou que sempre que pode viaja o Brasil inteiro para conversar com alunos de escolas

Cristine Kist | Editora-chefe ckist@edglobo.com.br

1 GESTÃO DE CRISE Enquanto fazia a direção de arte das fotos da matéria Meu ganha-pão são as estrelas, o designer João Pedro Brito precisou acalmar os ânimos do astrólogo Antonio Facciollo Neto e da astrônoma Diana Gama, que começaram a discutir de verdade (leia o relato do repórter André Jorge na página 56).

3 A VOLTA DO ESTANTE GALILEU O nosso blog de livros finalmente voltou à ativa sob direção do repórter estagiário Bruno Vaiano, que entrevistou o brasileiro responsável por traduzir do norueguês as obras do escritor Karl Ove Knausgård. Trivia: no início de julho, tanto o Bruno quanto o João enfrentaram uma fila enorme para pegar um autógrafo de Knausgård em um evento em São Paulo.

2 ASSIM NÃO DÁ PRA TRABALHAR Enquanto esta edição era preparada, o famigerado jogo Pokémon Go finalmente foi lançado no Brasil. E aí, amigo, foi Copa do Mundo! Absolutamente toda a editora tentou baixar o aplicativo ao mesmo tempo — e quase ninguém conseguiu porque a rede ficou congestionada. Foi criada até uma expressão para imortalizar o momento: “mais lento que a internet da redação em dia de lançamento do Pokémon Go”...

QUEM FEZ A CAPA FOTO Paulo Eduardo Dulla ASSISTÊNCIA Tiago Matos ESCULTURA Rodrigo Bastos Didier TRATAMENTO DE IMAGEM Roberto de Souza Bezerra


POR NATHAN FERNANDES

POR NATHAN FERNANDES

CONSELHO

Edição • agosto/2016

OPINIÃO, PORRADA E BOMBA

Nossos implacáveis conselheiros não tiveram medo de fazer suas considerações sobre a polêmica capa do mês de agosto

O QUE VOCÊ ACHOU DA MATÉRIA DE CAPA, SOBRE A VIOLÊNCIA POLICIAL?

MÉDIAS DAS MATÉRIAS 9,8

9,3

9

9,5

9,3

9,9

O QUE VOCÊ ACHOU DO ABRE DA SEÇÃO ANTIMATÉRIA, SOBRE OS CASOS DE RACISMO NO AIRBNB E UBER?

1 1. Gostei, é um assunto que precisa ser discutido.

Quem tem Dossiê: medo da alimentação polícia? e saúde

A bruxa mora ao lado

Mar morto

Papo cabeça

100%

O QUE VOCÊ ACHOU DA MATÉRIA FOTOGRÁFICA “A BRUXA MORA AO LADO”?

O QUE VOCÊ ACHOU DA REPORTAGEM “MAR MORTO”?

Ciência bancada pelos pais

1

Papo cabeça

Ciência...

83,3%

2. Não sou capaz de opinar.

16,7%

Achei bacana citar as diferenças de rotulagem entre os países. Mas fiquei triste exatamente por me alimentar mal como a maioria.

O empoderamento feminino aparece aqui. Imaginem como fiquei feliz, já que vou cursar biologia e terei uma menina em novembro.

Tenho uma amiga que abandonou recentemente o seu pós-doutorado pelos mesmos problemas apresentados na reportagem.

DANIELA MORAIS, Campinas, SP

SÁVIO MOTA, Fortaleza, CE

ANTONIO MARQUEZ, Matão, SP

100%

1

2

1. Gostei, achei lindas e empoderadas.

Dossiê

1 1. Ótima matéria, péssima realidade.

2

3

1. Gostei, estou em um relacionamento sério com os infos e o texto.

83,3%

2. Não gostei, estou em um relacionamento abusivo com os infos e o texto.

8,3%

O QUE VOCÊ ACHOU DA SEÇÃO ELEMENTAR, SOBRE GASOLINA?

3. Não sou capaz de opinar.

8,3%

O QUE VOCÊ ACHOU DO PAPO CABEÇA COM A BIOQUÍMICA JENNIFER DOUDNA?

VOCÊ TEM MEDO DA POLÍCIA? NESTE ANO, quando fui morar em Diadema, percebi como os moradores de lá são tratados de formas diferentes. Para se ter uma ideia, enquanto lá a polícia procura agir de forma descriminatória, inclusive comigo,

06

em São Bernardo do Campo, para onde me mudei (e moro ao lado do bairro considerado de “sociedade”), o tratamento é diferente. Lamentável que nós, que pagamos os mesmos impostos que os ricos, sejamos

obrigados a ter medo de quem deveria nos oferecer segurança. Parabéns pela matéria, GALILEU. Gostaria que continuassem trazendo assuntos desse tipo. Lilian Capitanio, São Bernardo do Campo, SP

1

2

3

1. Gostei, vou bater um papo com o frentista.

75% 2. Não gostei, achei tão sem nexo quanto o preço.

8,3% 3. Não sou capaz de opinar.

16,7%

1 2 1. Gostei, por favor editem meu DNA.

83,3%

2. Não sou capaz de opinar.

16,7%


09.2016

P. 07

ANTIMATÉRIA

EDIÇÃO THIAGO TANJI

Fig. 01 - BJ

SOB NOVA DIREÇÃO?

09.2016

Procuram-se culpados para o primeiro acidente fatal causado por um carro autônomo — POR MARÍLIA MARASCIULO

DESIGN

ILUSTRADORES CONVIDADOS

FERNANDA DIDINI E JOÃO PEDRO BRITO

2

1 3

BERJE (BJ) ANA MATSUSAKI (AM) ESTÚDIO BARCA (EB)


APRIMEIRAM P. 08

09.2016

DE UMA PESSOA A BORDO DE um car-

No Brasil, um evento tragi-

podem acarretar falhas no sis-

ro autônomo aconteceu quan-

cômico também marcou nega-

tema da máquina? Desde que

do um Model S, fabricado

tivamente o experimento com

a Darpa, agência norte-ameri-

pela empresa norte-americana

um carro autônomo: em 2013,

cana de pesquisas avançadas,

Tesla, bateu em um caminhão

durante uma demonstração

lançou em 2007 um desafio

enquanto percorria uma rodo-

ao vivo da tecnologia — nes-

para o desenvolvimento de

via no estado da Flórida. O caso

se caso, desenvolvida por pes-

carros autonônomos, os de-

aconteceu em maio, embora a

quisadores da Universidade

senvolvedores da tecnologia

divulgação tenha ocorrido ape-

Federal do Espírito Santo e da

ainda não concederam uma

nas no início de julho. A vítima,

Universidade Federal de Minas

resposta para essas perguntas.

Joshua Brown, era simpatizante

Gerais —, o veículo atropelou

da tecnologia e postava vídeos

a apresentadora Ana Maria

ANDAR DA CARRUAGEM

de suas experiências com o veí-

Braga, que teve ferimentos

Atualmente, o projeto lidera-

culo, que apelidou de Tessy. Em

leves. “Eita nóis”, disse um

do pelo Google, sob a batuta

uma ocasião, inclusive, ele che-

espantado Louro José após

do cientista alemão Sebastian

gou a registrar o momento em

testemunhar o acidente.

Thrun, um dos vencedores

que Tessy evitara uma colisão.

Episódios como esses são

do desafio da Darpa, é um

De acordo com a Tesla, cria-

exemplos de um dilema ético

dos mais avançados em ter-

da pelo bilionário sul-africano

para montadoras e poder pú-

mos tecnológicos: o carro já

Elon Musk, o acidente foi uma

blico no momento de elaborar

rodou mais de 800 mil quilô-

“anomalia”, já que tanto o pilo-

leis para a circulação de veí-

metros sem sofrer acidentes

to automático quanto Brown

culos autônomos. Afinal, em

atribuídos à automação.

não perceberam a chegada do

casos de acidentes, quem é o

No Brasil, uma das princi-

caminhão, que atingiu o veícu-

culpado? A montadora, res-

pais referências é a pesquisa

lo na perpendicular. A empresa

ponsável por programar o car-

desenvolvida pelo Instituto

garantiu, no entanto, que esse

ro que dirige sozinho; o moto-

de Ciências Matemáticas e de

foi o primeiro acidente em mais

rista, por não estar atento às

Computação da Universidade

de 200 milhões de quilômetros

situações a sua volta mesmo

de São Paulo (ICMC–USP São

rodados e que realizará pesqui-

em um veículo no modo auto-

Carlos), que em 2011 criou o

sas minuciosas para que casos

mático; ou o Estado, por pro-

primeiro veículo autônomo do

como esse não se repitam.

blemas de infraestrutura que

país, o CaRINA 2. “Nós modi-

TRÂNSITO HOSTIL Os veículos autônomos prometem mais segurança aos motoristas, uma questão urgente de acordo com dados globais sobre a violência no trânsito


MORTE 3,4 MIL

Fontes: Autonomus Vehicle Technology — A Guide for Policymakers; Relatório Retrato da Segurança Viária no Brasil 2014

pessoas morrem em acidentes de trânsito todos os dias no mundo

50 MILHÕES ficam feridas em acidentes

No Brasil

1 MORTE

12 MIN. é registrada no trânsito a cada

EM 2013

40,2 MIL mortes ocorreram no Brasil

170,8 MIL pessoas ficaram feridas

09.2016

P. 09

cia entre os automóveis e aler-

fre atrasos”, explica. Estudos

tas para pedestres seriam ou-

como o da Rand Corporation

tros recursos que diminuiriam

ajudam a orientar a formula-

o número de acidentes e mortes

ção de políticas e leis para li-

no trânsito (veja dados ao lado).

dar com a nova realidade, mas

Com vias mais seguras, os

é difícil determinar como essa

carros não precisariam de car-

adaptação ocorrerá.

rocerias robustas para atenuar

Afinal, além da preocupação

impactos, o que proporcionaria

com a segurança, questões de

economia de combustível. De

infraestrutura ainda precisam

acordo com um estudo publi-

ser resolvidas: para que câme-

cado pela Rand Corporation,

ras e sensores reconheçam um

instituição de pesquisa que

semáforo, uma calçada, uma

desenvolve análises para o

faixa de pedestres ou simples-

Departamento de Defesa dos

mente a linha que divide duas

ficamos e adaptamos um carro

Estados Unidos, a tecnologia

vias, é necessária a padroniza-

de linha normal para que an-

pode economizar de 4% a 10%

ção e boa manutenção realiza-

dasse sozinho”, explica o pro-

de combustível simplesmente

da pelos órgãos responsáveis

fessor Fernando Osório, que

por acelerar e frear de modo

pela administração viária.

participa do projeto.

mais eficiente que um humano.

Nos Estados Unidos, alguns

Com os controles básicos de

E há ainda potencial para que

estados já possuem legislação

aceleração, frenagem e giro da

programas de compartilhamen-

que permite a circulação dos

direção automatizados, senso-

to de automóveis se tornem

veículos em situações e locais

res de laser e um GPS de alta

mais comuns, uma vez que

específicos. Em Nebraska, por

precisão, computadores subs-

será possível buscar pessoas

exemplo, caminhões autôno-

tituem o motorista humano na

sem um motorista, reduzindo

mos podem andar em comboio

tomada de decisões. Mas, por

o número de carros nas ruas.

em uma faixa exclusiva em al-

falta de permissão para que cir-

“Isso vai acontecer, só é difícil

gumas estradas. No Brasil, por

cule nas ruas e por questões de

precisar quando e onde”, afirma

enquanto, fala-se pouco — ou

segurança, o CaRINA 2 só pode

o engenheiro Ricardo Takahira,

quase nada — sobre o assun-

ser testado dentro do campus

da Sociedade dos Engenheiros

to. “Precisamos começar a nos

da universidade. Isso prejudica

Automotivos (SAE).

mexer, nem que seja copian-

a fase de validação, que precisa

Além de empresas de tecno-

do as regras de outros países”,

de muitos quilômetros rodados

logia, montadoras tradicionais

ressalta Ricardo Takahira. “Se

no ambiente urbano real.

estão interessadas nesses recur-

isso acontecer, poderemos ter

Ironicamente, a segurança é

sos: a alemã Volkswagen e a ja-

carros autônomos circulando

considerada uma das principais

ponesa Toyota afirmaram que o

entre cinco e dez anos depois

vantagens da nova tecnologia.

desenvolvimento de carros au-

que o primeiro país passar a

Além de reduzir o risco do fa-

tônomos está em seus planos

utilizá-los.” Seria importante

tor humano — já que as pessoas

de investimentos. Embora exis-

que, nesse período, fossem

falam ao celular enquanto diri-

ta uma expectativa de que esses

tampados os buracos nas ruas

gem, se distraem e, pior, diri-

veículos comecem a circular nas

e realizados investimentos pú-

gem bêbadas —, os sensores e

ruas a partir de 2020, Takahira

blicos em educação para mo-

câmeras ampliam o grau de vi-

não é tão otimista. “Cada vez

toristas. Mas talvez seja mais

são e eliminam pontos cegos. A

que um acidente como o da

fácil esperar pela chegada dos

comunicação por radiofrequên-

Tesla acontece, o processo so-

carros autônomos...


P. 10

09.2016

O NOVO NASCEU VELHO

Pesquisas clínicas no Brasil correspondem a apenas 2% dos trabalhos feitos no mundo — POR BRUNO VAIANO FIG. 02 - AM

O

trio dengue, zika e chikungunya entrou na mídia para não sair mais; a “pílula do câncer” deu

uma dor de cabeça inesquecível para a Anvisa, a agência sanitária brasileira; e a eficácia da maconha como tratamen-

to é alvo de disputa ideológica. Motivo é o que não falta para investir em pesquisa clínica em um país de população, território e problemas tão grandes. Mas não é isso o que acontece. Apenas 1.535 protocolos de pesquisa foram abertos no Brasil nos últimos três anos, o equivalente a 2,17% dos 70.650 estudos clínicos registrados no mundo. Só os Estados Unidos concentram um terço do total de trabalhos, com 23.993. Além de falta de verba e experiência, as pesquisas brasileiras sofrem com uma burocracia de dar inveja às obras de Franz Kafka. A investigação dos efeitos de doenças e fármacos em seres humanos suscita questões éticas, o que torna indispensável a atuação de agências reguladoras na averiguação e autorização dos estudos. Mas a falta de critérios claros e de uma legislação específica sobre o assunto acaba fazendo com que uma pesquisa demore até um ano para ser aprovada no Brasil, contra os dois meses costumeiros nos EUA. A consequência? Ficamos para trás em trabalhos que deveríamos liderar. De 35 estudos registrados sobre a dengue nos últimos três anos, apenas seis foram sediados aqui. O último esforço contra a lentidão é o Projeto de Lei 200/2015, proposto pelo deputado federal Fábio Franke e que, atualmente, está em tramitação no Senado. O Conselho Nacional de Saúde, porém, emitiu carta aberta criticando a iniciativa — a instituição afirma que alguns pontos do projeto de lei tirarão dos pacientes o acesso gratuito a medicamentos após os testes e limitariam a participação dessas pessoas nos comitês de ética.

OS CIENTISTAS SE ACHAM Homens citam os próprios trabalhos com mais frequência do que mulheres O PROBLEMA É ANTIGO: estudo que analisou 1,5 milhão de pesquisas publicadas entre 1779 e 2011 em 25 países concluiu que cientistas homens mencionam os próprios artigos científicos 56% mais vezes do que as mulheres. Considerando as duas últimas décadas, os homens fizeram 70% a mais de autocitações — a diferença se mantém no mesmo patamar há pelo menos meio século.

“Se homens são mais dispostos a citar os próprios trabalhos, os artigos parecerão ter maior qualidade por conta do esforço individual de autopromovê-los”, diz o estudo. Uma das justificativas para essa prática, de acordo com a pesquisa, seria o fato de os homens acreditarem que estão menos sujeitos a acusações da comunidade científica. Molly King, líder da pesquisa e socióloga da Universidade de Stanford, considera ser impossível definir a quantidade correta ou apropriada de autocitações,

que muitas vezes são fundamentais para os leitores entenderem o histórico de um assunto ou um programa de pesquisa. “Comitês de admissão, promoção e garantias de estabilidade em universidades precisam se ajustar ao fato de que mulheres são menos propensas a citar os próprios trabalhos”, diz. “Podemos remover as autocitações da contagem geral, isso seria uma mudança estrutural que ajudaria a diminuir o impacto das diferenças de gênero na carreira acadêmica”, completa King.

FIG. 03 - EB


09.2016

SEM DÚVIDA

EXISTEM LEIS PARA CRIMES ESPACIAIS?

Pedro Alencar, via Facebook

Até hoje, não foi registrado nenhum caso de incidentes criminais cometidos por astronautas durante suas missões espaciais. Caso uma tragédia acontecesse na Estação Espacial Internacional, no entanto, a briga

R:

P. 11

diplomática seria feia: de acordo com os tratados, as jurisdições nacionais se estendem aos módulos financiados por cada país. Ou seja, se um astronauta francês assassinasse um norte-americano em um laboratório de pesquisas da Rússia, o criminoso seria julgado em um tribunal russo quando retornasse à Terra. Mas as brechas do acordo certamente seriam utilizadas pelas nações para proteger seus cidadãos da extradição. Daí, haja esforço de negociação política para o julgamento desse malfeitor astronauta...

1.000 MULHERES

de 16 a 24 anos são infectadas pelo vírus HIV todos os dias em países do sudoeste africano. De acordo com dados de um centro de estudos sobre a aids na África do Sul, em geral elas são infectadas por homens mais velhos: as adolescentes têm oito vezes mais riscos de adquirir a doença em relação a rapazes da mesma idade.

CÉLULA NO CELULAR

Cientistas da Microsoft fabricam DNA sintético para armazenar dados e iniciar uma nova era para a computação — POR B.V.

ATÉ 2020, a humanidade terá de armazenar 44 trilhões de gigabytes de dados, nas previsões mais animadoras. E não há espaço físico suficiente nos servidores das gigantes da tecnologia para tantos memes e fotos de cachorros. Até agora. Pesquisadores da Microsoft e da Universidade de Washington acabam de usar uma molécula de DNA sintética como um pen drive biológico, e guardaram ali, em vez de informações sobre o corpo humano, um clipe da banda de rock alternativo OK Go. E isso pode ser uma ótima solução por vários motivos. Se você assistiu a Jurassic Park, sabe que o DNA é uma molécula dura na queda. O material genético de animais que passaram pela Terra há milênios pode ser analisado com sucesso, por exemplo. Além da resistência, há o tamanho. O DNA é pequeno. Tão pequeno que 1 bilhão de gigabytes cabem em um montinho

FIG. 04 - BJ

da molécula menor que um dedão do pé. Não é fácil modificar a informação depois que ela é salva ali, mas isso não é prioridade. “O DNA não precisa ser regravável. Ele é tão compacto e tão abundante que é mais prático produzir mais”, explica Luis Henrique Ceze, cientista brasileiro responsável pela pesquisa e professor do departamento de ciência e engenharia da computação da Universidade de Washington. Para os pesquisadores, a aplicação mais plausível do DNA é justamente como backup. Mas colocar informações em uma molécula não é fácil: o DNA é composto de sequências de bases nitrogenadas, representadas pelas letras A, D, C e G — um sistema de base quatro. Já o código binário usado pela computação tem base dois e toda a informação é construída a partir das combinações de “0” e “1”. O primeiro passo, portanto, é transformar números em letras. Depois, criar em laboratório uma molécula com a sequência correta, ou seja, que já nasça com o arquivo armazenado. Nas palavras de Ceze, “esse pode ser o início de uma nova forma de fazer computadores”.


P. 12

09.2016

POR ANDRÉ JORGE DE OLIVEIRA

a e.Deorbit. Com lançamento previsto para 2023 e orçamento estimado de até 400 milhões de euros, o plano de remoção do lixo espacial consiste em transportar de maneira segura os satélites desativados até a atmosfera terrestre, onde serão devidamente destruídos. Para isso, a missão combinará tecnologias de roSeis décadas de era espacial bótica, navegação e transformaram a órbita terrestre em um lixão, mas agência europeia quer controle de sistemas. começar a limpar a sujeira que fizemos A missão ainda precisa de aprovação, MAIS DE 5 MIL LANÇAMENTOS de mas técnicas para a limpeza espaobjetos ao espaço foram realizados cial já estão em estudo (veja no box desde que o Sputnik se tornou o pri- ao lado). “A ESA poderá desenvolmeiro satélite artificial a sair da Terra, ver uma operação sustentável da em 1957. O resultado da aventura es- frota espacial que servirá de modepacial? Pedaços de foguetes e satélites lo para outras agências”, diz Jessica velhos ficaram vagando aos milhares, Delaval, coordenadora do projeto. sobretudo na órbita baixa, onde se As tecnologias inaugurarão o concentram dois terços dos objetos. mercado dos “guinchos espaciais”, O problema é que, em algumas dé- naves que prestarão diversos ticadas, a situação estará insustentável: pos de serviço em órbita, como será quase impossível que um objeto transportar, reabastecer e reparar seja lançado sem colidir com esses de- satélites. “A exploração espacial se tritos espaciais. Para reverter o qua- tornará mais acessível, permitindo dro, a Agência Espacial Europeia (ESA) a expansão do alcance humano no planeja uma missão de vanguarda, espaço”, afirma Delaval.

LUNETA

LIXÃO CÓSMICO COMO A MISSÃO E.DEORBIT QUER FAZER UMA FAXINA ESPACIAL

SATÉLITE GARI

AGENDA d

Setembro 2016 s t q q s

s

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O ÚLTIMO ATO DE ROSETTA Em nome da ciência, sonda colidirá contra o cometa que estudou ao longo de dois anos

ECLIPSE ANULAR DO SOL SOBRE A ÁFRICA Por três horas e meia durante a manhã, o continente africano verá o Sol escurecido. Em partes da África Central, de Madagáscar e do Oceano Índico ocorrerá um eclipse anular — quando a Lua cobre boa parte do Sol. O melhor lugar para observação será no sul da Tanzânia, ao meio-dia (hora local).

1

-

EFEITO CASCATA

A ESA estima que a cada cinco anos aconteça uma colisão. A pior delas foi em 2009, quando dois satélites se chocaram a 42 mil km/h e liberaram 2 mil detritos em órbita

MELHOR DIA PARA OBSERVAR NETUNO Netuno entrará em oposição, quando se alinha com a Terra e o Sol, atingindo o ponto mais próximo de nós neste ano. Mas o oitavo planeta só é visível com binóculos. Surge no leste logo após o crepúsculo e se põe no oeste antes da aurora, sempre na constelação de Aquário.

2

1.381 568

é o número de satélites ativos no espaço

é o número de satélites que pertencem aos EUA

Fonte: UCS – Dez./2015

ECLIPSE PENUMBRAL DA LUA NO NORDESTE O fim do evento no leste, entre 17h30 e 18h, por ser visível na Eurásia, África e Oceania, só poderá ser observado em pouquíssimas cidades brasileiras. A Lua ganha tonalidade avermelhada devido à interação dos raios solares com a atmosfera terrestre. João Pessoa e Recife têm melhores chances de observação do fenômeno.

16

há dois séculos, a Pedra de Ro-

sequer existia. Se o espaço fosse o

setta permitiu que os hieróglifos

Egito, os cometas seriam as pirâ-

egípcios fossem decifrados. O ar-

mides: eles preservam o material

tefato inspirou a Agência Espacial

primordial que formou os plane-

Europeia a criar uma missão de

tas. Lançada em 2004, a Roset-

mesmo nome e com propósitos

ta viajou dez anos até chegar ao

bem parecidos. Só que, em vez de

cometa 67P/Churyumov-Gerasi-

desvendar enigmas de uma antiga

menko. Agora, é o momento de

civilização terrestre, o objetivo da

dizer adeus. “A Rosetta será colo-

sonda era revelar segredos ainda

cada em trajetória de colisão”, diz

mais inacessíveis, que remetem

Matt Taylor, astrofísico da mis-

a tempos nos quais a Terra nem

são. Tudo pelo bem da ciência.

FIM DA LINHA

A poeira do cometa acelerou o desgaste da Rosetta. A energia solar disponível diminui a cada dia, o combustível está no fim e a comunicação se dificulta. Não há como prolongar essa missão.


09.2016

O BURACO NEGRO É MAIS EMBAIXO

BRAÇO ROBÓTICO

Uma das opções em estudo. A fase de captura é complexa, pois é preciso sincronizar perfeitamente a taxa de rotação dos dois satélites. Em compensação, o transporte é bem simples.

Livro desvenda mistérios dos buracos negros e relata como a mente humana foi capaz de compreendê-los A FÍSICA DE NEWTON orientou o naturalista John Michell a conceber, em 1783, a ideia de um buraco negro. Foram apenas os estudos de Albert Einstein, entretanto, que tornaram o fenômeno mais factível. Caleb Scharf, astrobiólogo que conta essa história no recém-lançado livro Segredos da Gravidade, explica como buracos negros influenciam galáxias e a vida na Terra.

CAIU NA REDE É LIXO

Outra opção promissora é arremessar uma rede sobre o alvo. Assim, as coisas se invertem: a captura é fácil, mas manter o controle dos objetos é mais complicado.

O QUE VOCÊ CONSIDERA MAIS FASCINANTE SOBRE OS BURACOS NEGROS?

CARONA PARA BAIXO

Eles foram imaginados pelo pensamento científico muito antes de serem descobertos, e isso é incrível. Buracos negros são simples como partículas fundamentais gigantes, mas também são lugares onde a gravidade e o mundo quântico se interceptam. São portais para o desconhecido.

O satélite realizará manobras para que objetos espaciais bem maiores que ele reentrem na atmosfera sobre o Oceano Pacífico e sejam destruídos. Fig. 05 -EB

COMO OS BURACOS NEGROS DERAM FORMA AO UNIVERSO E PERMITIRAM QUE, NESTE MOMENTO, ESTEJAMOS CONVERSANDO AQUI?

SUJEIRA SEM FIM

29 MIL

670 MIL

170 MILHÕES

10 CM

1 CM

1 MM

COLISÃO: fragmentaria um satélite

COLISÃO: penetraria os escudos da ISS

COLISÃO: destruiria sistemas de sondas

pedaços maiores que

P. 13

pedaços maiores que

Buracos negros são surpreendentemente bons em gerar energia: ela transborda para fora a partir da matéria derramada para dentro. Os supermassivos, localizados no centro de galáxias, modificam a história de centenas de bilhões de estrelas e sistemas planetários, ajudando a determinar o número de estrelas. Nossa galáxia tem apenas um buraco supermassivo modesto no centro, mas isso pode ser crítico. Pode ser parte do porquê de estarmos conversando aqui e não em outra galáxia.

de pedaços maiores que

COMO AS ONDAS GRAVITACIONAIS VÃO MUDAR NOSSO ENTENDIMENTO SOBRE ESSES OBJETOS?

Os dados ajudarão a entender como buracos negros com bilhões de vezes a massa do Sol se desenvolvem. Eventualmente, vamos detectar a fusão de buracos supermassivos. Agora, temos um sistema de “aviso prévio”: saberemos para onde apontar outros telescópios para vê-los colidindo e desvendar seus segredos.

SE ALGUM DIA DESENVOLVERMOS UMA TECNOLOGIA INSANA QUE NOS PERMITA COLETAR A ENERGIA DOS BURACOS NEGROS, COMO ISSO IMPACTARIA NOSSA CIVILIZAÇÃO?

Teríamos energia ilimitada, poderíamos construir qualquer coisa, fazer a reengenharia de mundos e de estrelas. Mas ainda temos grandes desigualdades e injustiças em nosso planeta que, em parte, se devem justamente à energia e à tecnologia. Humanos do futuro cultivando energia de buracos negros teriam de ser muito cuidadosos para não destruir a própria civilização pelo mesmo tipo de negligência.

LUNETA LIVE

As principais notícias espaciais da semana são comentadas em transmissão ao vivo. TODAS AS SEXTAS, ÀS 16H, NA NOSSA FANPAGE. ASSISTA!

Fonte: ESA/2013

1

2

ROSETTA E SUA PEDRA Com 11 instrumentos e o módulo de pouso Philae a bordo, a sonda viajou por seis anos e hibernou por quase três. Em agosto de 2014, entrou na órbita do cometa. Um ano depois, se aproximou do Sol e, agora, segue rumo à órbita de Júpiter. Fig. 06 -EB

ONDE NINGUÉM JAMAIS ESTEVE O ápice da missão foi o pouso do módulo Philae no cometa. Ele perfuraria e analisaria a superfície, mas os arpões de fixação falharam. Quicou por três quilômetros, parou na sombra, hibernou eternamente e foi abandonado em julho.

3

MORTE DE KAMIKAZE No início do ano passado, os controladores optaram pela colisão para que, a poucos metros da superfície, a sonda colete dados valiosos e tire ótimas fotos. As manobras começam em agosto — e podem falhar.


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09.2016

20 anos analisa as condições atmosféricas de grandes cidades brasileiras. Eles calculam que sejam queimadas 48 toneladas de lenha por cada pizzaria da região metropolitana de São Paulo todo ano — uma liberação diária de 321 quilos de partículas nocivas à saúde. O horário em que os fornos são acesos também é um agravante. “No início da noite, as emissões são mais concentradas e a atmosfera é mais estável, com menor dispersão de poluentes”, afirma Maria de Fátima Andrade, do IAG. A pizza, é claro, não é a principal culpada pela devastação ambiental. “Os veículos são responsáveis por mais de 90% das emissões de gás carbônico e 80% das emissões de óxido nitroso”, afirma. “Já a queima de lenha em restaurantes não deve ultrapassar 3%. É uma fração pequena.” O problema, no entanFig. 07 -BJ

MEIA MUSSARELA, MEIA AQUECIMENTO GLOBAL

to, não está no tamanho da contribuição, mas no tipo de partícula liberada pelos fornos a lenha. “Nos processos de queima de combustíveis fósseis e de biomassa há a emissão de partículas de fuligem”, diz Andrade. “Elas afetam a saúde e o clima, pois absorvem radiação solar

Uma verdade trágica: pesquisa realizada no Brasil afirma que a lenha queimada em pizzarias contribui para a piora da qualidade do ar e causa problemas à saúde — POR BRUNO VAIANO

e estão associadas ao aquecimento da atmosfera.” Ou seja: se você deseja ajudar a combater o aquecimento global,

INFELIZMENTE, ATÉ A SAGRADA PIZZA do fim de semana faz mal

ainda é mais vantagem não tirar o carro

para o meio ambiente. A incriminação da redonda resulta das

da garagem. Mas o vício paulistano na

pesquisas de um grupo do Instituto de Astronomia e Geofísica

pizza já atingiu a condição de um peque-

da Universidade de São Paulo (IAG-USP), que há mais de

no problema ambiental. Haja azeite!

42

METROS

A CURA DA CAMADA DE OZÔNIO Estudo indica que o buraco na camada encolheu mais de 4 milhões de quilômetros quadrados neste século

CONCENTRADO em uma fina camada da atmosfera, o ozônio é responsável por absorver a radiação do Sol nociva à vida terrestre. Todos os anos, a quantidade de ozônio na atmosfera diminui entre agosto e outubro. Neste ano, porém, a redução será a menor em décadas. Pesquisadores analisaram o tamanho do buraco da camada entre 2000 e 2015

e constataram que o rombo encolheu cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados desde o início dos estudos, quando a destruição estava no auge. Essa área é equivalente à metade do território brasileiro. “É possível ficarmos confiantes de que o planeta está no caminho da cura”, afirma Susan Solomon, uma das autoras do estudo

é a envergadura do Aquila, drone desenvolvido pelo Facebook para oferecer conexão de internet sem fio em áreas remotas do planeta. Revelada em julho, a aeronave funcionará com energia solar e pretende operar sem interrupções durante 90 dias, voando de modo remoto a mais de 18 mil metros de altura

e professora do MIT. Uma das medidas que ajudaram a reverter o problema foi o Protocolo de Montreal, tratado internacional de 1987 que estabeleceu a substituição do consumo de substâncias com alto potencial de destruição do ozônio, como os clorofluorcarbonetos (CFCs), utilizados em sistemas de refrigeração e aerossóis.


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Fig. 08 -EB

NOTÁVEIS FAÇA-SE A LUZ

Trabalho voluntário inspirou jovem a ajudar comunidades que não dispõem de energia elétrica POR ISABELA MOREIRA

Prestes a completar 25 anos, após concluir as graduações em Administração e Direito, Vitor Belota projetava uma vida confortável para o futuro, trabalhando em uma empresa de importações. Mas, ao perceber que não gostava da carreira corporativa, o jovem decidiu fazer um intercâmbio que mudaria sua vida. “Queria algo que me tirasse da zona de conforto e ampliasse os horizontes”, diz. Por meio de amigos, ele descobriu a possibilidade de ir para o Quênia dar aulas em comunidades pobres. Ao entrar na sala de aula para ministrar cursos de inglês e matemática para crianças, descobriu que as classes não eram iluminadas. Diante disso, Belota encontrou uma solução criada pelo inventor mineiro Alfredo Moser: fazer buracos no teto das escolas e encaixar garrafas PET cheias de água e alvejante, para que a luz solar incidisse com mais intensidade. A iniciativa deu certo e, ao longo do intercâmbio, Belota ajudou a realizar mais de 140 instalações. De volta ao Brasil, ele criou a ONG Litro de Luz, que instala postes de luz solar em comunidades — o projeto já realizou mais de 3 mil instalações até agora. “O objetivo é capacitar as comunidades para que deem continuidade ao trabalho”, afirma o jovem de 27 anos.

vezes e meia. A ideia é reviver o mamu-

Fig. 09 -AM

O DESPERTAR DOS MAMUTES

CIENTISTAS DESEJAM REVIVER A ESPÉCIE EXTINTA PARA IMPEDIR ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS POR SAMUEL LIMA*

U

te para que eles recriem o ecossistema existente há 10 mil anos, em que as gramíneas protegiam o permafrost do calor, distribuindo nutrientes no solo. Não faltam esforços dos cientistas para tirar o projeto do papel. Depois de sequenciar todo o DNA do mamute-lanoso, os pesquisadores “recortarão” os genes do animal extinto e realizarão uma inserção no genoma da espécie mais próxima, a do elefante asiático. As células-tronco recém-criadas serão transformadas em células germinativas, o que tornará possível a gravidez em uma elefante fê-

ma medida excêntrica com

mea. “Não será uma réplica exata, mas

fins nobres: pesquisadores

algo bastante parecido com o mamute”,

planejam reviver uma espé-

afirma Hendrik Poinar, um dos integran-

cie extinta, o mamute-lano-

tes do grupo e biólogo evolucionista da

so, para impedir que mudanças ambien-

Universidade McMaster, no Canadá.

tais no Ártico prejudiquem o planeta. De

Para sobreviver ao frio intenso do

acordo com os estudos, o derretimento do

Ártico, o animal criado precisará de três

permafrost, camada de gelo que recobre

alterações principais: liberação de oxigê-

boa parte do extremo norte, liberaria ga-

nio na corrente sanguínea em temperatu-

ses de efeito estufa em uma escala nunca

ras muito baixas, gordura subcutânea e

vista — seria como o resultado da queima

pelos grossos revestindo o corpo. Os tes-

de todas as florestas do mundo por duas

tes de clonagem devem começar em 2018.

*Com reportagem de Cartola Agência de Conteúdo

SEM DÚVIDA

PRESIDENTES DA REPÚBLICA TÊM CARTEIRA DE TRABALHO?

Matheus Salles, via Facebook

Alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para a retirada de direitos trabalhistas não afetariam diretamente aqueles que ocupam a Presidência da República: apesar de exercerem cargos

R:

públicos, titulares do de trabalho, já que o alto escalão do poder exercício do mandato do Estado são consié estabelecido durante derados agentes polí- o período determinaticos, com um vínculo do pela Constituição. que não é profissional. Ainda assim, o salário No caso do presidente, mensal de R$ 27.841 por exemplo, não não está imune existem determinaaos descontos do ções específicas que Imposto de Renda e estipulam uma jornada da Previdência Social.


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Fig. 11 -EB

NO DIVÃ PORTENHO Argentina é o país que apresenta um dos maiores índices de psicólogos por habitantes do mundo:

198

Fig. 10 -BJ

Influências culturais são decisivas para definir o gosto musical — POR SAMUEL LIMA*

SE ESTIVER PAQUERANDO alguém que

capital da Bolívia, os ritmos consonantes

more em uma tribo amazônica, um avi-

também foram os preferidos. Já o grupo

so: montar uma playlist com os sucessos

de 64 pessoas da tribo Tsimane’, que teve

de Marvin Gaye pode não deixar o clima

pouco contato com influências culturais

tão romântico quanto o esperado. Pes-

do Ocidente, mostrou-se indiferente tanto

quisadores do Instituto de Tecnologia do

a sons consonantes quanto dissonantes —

Massachusetts (MIT) e da PUC do Chile

considerados descompassados em relação

fizeram experimentos com uma tribo que

à harmonia musical tradicional.

vive na região amazônica da Bolívia para

Os pesquisadores, então, pediram aos

descobrir que a cultura tem um papel de-

Tsimane’ que avaliassem sons mais ou

terminante na percepção de sons.

menos alegres, como risadas e suspiros.

De acordo com o estudo, publicado na

Dessa vez, as referências felizes ganharam

revista científica Nature, os participantes

mais adeptos na tribo — o que provaria que,

da pesquisa ouviram diferentes sons e ava-

ao contrário dos estilos musicais, alguns

liaram o quanto eles eram agradáveis, em

sons são mesmo universais. “Os resultados

uma escala de 1 a 4. Nos Estados Unidos, a

indicam que a preferência pela consonân-

resposta foi a esperada: os norte-america-

cia pode não existir em culturas suficien-

nos mostraram preferência pelos sons con-

temente isoladas da música ocidental”, diz

sonantes, considerados mais agradáveis

o estudo. “Por isso, é pouco provável que

aos ouvidos ocidentais por apresentarem

essa preferência reflita características inatas

intervalos harmônicos. No interior e na

ou exposição a sons harmônicos naturais.”

psicólogos para cada

100MIL HABITANTES

*Com reportagem de Cartola Agência de Conteúdo

CADA TRIBO COM SEU SOM

46% dos profissionais trabalham em Buenos Aires

Fonte: Universidade de Buenos Aires


09.2016

DESAJUSTE NO RELÓGIO

Cientistas criam modelo matemático para calcular jet lag e explicam por que viajar para o leste é pior — POR S.L. A INTENSIDADE DO MAL-ESTAR causado pelas mudanças de fuso horário ao desembarcar em outro país é, em grande parte, uma questão de destino: quem viaja para locais que estão a leste de seu fuso horário sofre mais com os efeitos do desconforto, chamado popularmente de jet lag. Para chegar a essa constatação, cientistas da universidade norte-americana de Maryland

Fig. 12 -AM

desenvolveram um modelo matemático que simula o comportamento de células do hipotálamo, região do cérebro que controla o relógio biológico dos seres humanos. De acordo com os estudos, uma pessoa que viaja nove fusos horários para leste — de São Paulo a Bangladesh, por exemplo — precisaria de 13 dias para se recuperar dos efeitos do jet lag. Se o destino for as Ilhas Fiji, nove fusos no sentido oeste, o tempo de adaptação cairia para oito dias. A explicação para isso é que o ciclo biológico do corpo humano tem

MOEDA CARETA Bancos adotarão tecnologia da moeda virtual bitcoin, criada justamente para enfrentar o sistema financeiro tradicional POR SAMUEL LIMA

EM 2009, os entusiastas da tecnologia declararam que o sistema monetário tradicional e todos os bancos enfrentariam seu derradeiro fim: a moeda virtual bitcoin inovava ao desenvolver o blockchain, sistema descentralizado para registrar as transações financeiras. Em outras palavras, não seria mais necessário um intermediário para realizar as negociações, tornando os bancos obsoletos. Acontece que a tecnologia não decolou como era suposto e, agora, o próprio sistema bancário adotará o sistema. Em julho, um grupo de sete empresas, incluindo Santander e UniCredit,

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mais de 24 horas e sofreria as consequências do “encurtamento” do dia causado por uma viagem a leste. Os cientistas afirmam que viajar para uma distância longa e saltar mais fusos a leste pode causar menos confusão no relógio biológico do que viajar para países mais próximos. Quando se desembarca no outro lado do mundo, saltando 12 fusos horários, o tempo para se recuperar do jet lag é de dez dias, período menor de adaptação em relação ao de quem visita um local com distância de nove fusos.

anunciou que realizarão transferências de dinheiro entre países utilizando ativos digitais da plataforma Ripple, empresa sediada na cidade norte-americana de San Francisco. Em vez de fazer os pagamentos por meio de contas em moeda local, eles converterão os valores para a moeda digital do Ripple, chamada de XRP, o que agilizará o processo e reduzirá custos e intermediários. Ainda neste ano, o Bradesco e o Itaú se juntaram a mais de 40 corporações ao aderir ao consórcio R3, empresa internacional de tecnologia que estuda e cria padrões para o uso do sistema blockchain. E até mesmo os governos parecem interessados na tecnologia: o Banco da Inglaterra publicou um estudo em que avalia a viabilidade da criação de uma “moeda digital de banco central”. Quanto à bitcoin, já estão em circulação 15,8 milhões de unidades da moeda virtual, que esteve cotada a cerca de US$ 570 em agosto. “Os dois maiores usos são para envio de dinheiro para fora do país e para investimento de forma especulativa”, afirma Fernando Ulrich, economista e consultor do Instituto Mises Brasil. Segundo ele, o volume de negociação de bitcoins nas bolsas brasileiras foi de R$ 164 milhões no primeiro semestre do ano, superando as transações em ouro da Bovespa.

“NEM A DINAMARCA OU A SUÉCIA OFERECEM PROGRAMA TÃO GENEROSO” MENDONÇA FILHO, MINISTRO DA EDUCAÇÃO, COM UMA JUSTIFICATIVA ESCANDINAVA PARA O CORTE DE VERBAS SOFRIDO PELO PROGRAMA CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS

A concessão de novas bolsas para estudantes de graduação, que correspondem a 79% dos beneficiados pelo programa, foi interrompida pelo governo. Criada em 2011, a iniciativa favoreceu quase 93 mil estudantes desde então.


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MÁQUINA

DO TEMPO Depois de 15 anos dos atentados de 11 de setembro, a guerra ao terror planejada pelos países ocidentais só fez aumentar a insegurança internacional — POR THIAGO TANJI

11 SET. 2001 O maior atentado em solo norte-americano acontece com o sequestro de aviões que se chocam contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e com o prédio do Pentágono, em Washington — 2.996 pessoas morrem. A Al-Qaeda, organização liderada por Osama Bin Laden, assume a autoria dos ataques. Como resposta, os Estados Unidos invadem o Afeganistão, que abrigava Bin Laden.

26 OUT. 2001 O presidente norte-americano George Bush sanciona o “Ato Patriota”, permitindo interceptações de e-mails e ligações sem autorização judicial.

20 MAR. 2003 Com a alegação de que o Iraque abrigava armas de destruição em massa, os Estados Unidos invadem o país e derrubam o regime de Saddam Hussein.

11 MAR. 2004 Três dias antes das eleições gerais na Espanha, terroristas inspirados pela Al-Qaeda explodem bombas em quatro estações de metrô de Madri. O atentado causa 191 mortes e mais de 2 mil feridos.

7 JUL. 2005 Um dia após Londres ser escolhida como sede da Olimpíada de 2012, três explosões no metrô londrino e em um ônibus público causam a morte de 56 pessoas. Um grupo ligado à Al-Qaeda anunciou a ação.

ABR. 2004 Reportagens da imprensa norte-americana revelam fotos de tortura e abusos cometidos pelo exército dos Estados Unidos contra prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib. Por conta da pressão da opinião pública, o governo de George Bush leva os militares envolvidos nos crimes à Corte Marcial.

GUERRA SEM FIM OUT. 2015 Reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Intercept revela documentos indicando que nove em cada dez pessoas mortas em ataques de drones não eram os alvos principais das operações. O uso de aeronaves não tripuladas para assassinar terroristas aumentou a partir do início do governo do presidente Barack Obama.

28 JUN. 2006 Israel inicia a primeira grande ofensiva contra a Faixa de Gaza, território habitado pela população palestina. Sob a alegação de desarticular grupos extremistas, as tropas israelenses cortam o abastecimento de água, alimentos e serviços de infraestrutura.

14 SET. 2010 O Senado da França aprova uma lei que proíbe o uso de véus islâmicos em locais públicos. A medida, tomada com a justificativa de respeito aos “princípios republicanos” do país, é criticada como uma ação que alimenta a xenofobia e o preconceito à religião muçulmana na Europa.

18 DEZ. 2011 Os Estados Unidos retiram suas últimas tropas do Iraque. Oito anos após a invasão, no entanto, o cenário ainda é de estabilidade política e fortalecimento de grupos extremistas em diferentes regiões do país.

2 MAI. 2011 Quase dez anos depois, o governo norte-americano anuncia a morte de Osama Bin Laden após uma operação militar na cidade de Abbottabad, no norte do Paquistão. O cadáver do líder da Al-Qaeda fica sob custódia militar e é sepultado no Mar da Arábia, de acordo com a versão oficial do governo norte-americano.

13 NOV. 2015 A França, que presenciara o massacre de jornalistas do periódico Charlie Hebdo no início de 2015, vive outro atentado de larga escala: explosões com homens-bomba e ataques com fuzis acontecem de maneira simultânea em diferentes regiões de Paris, a capital francesa.

14 JUL. 2016 O tunisiano Mohamed Bouhlel atropela com um caminhão a multidão que acompanhava uma queima de fogos na cidade francesa de Nice. O número de mortos chega a 85.

21 JUL. 2016 A Polícia Federal brasileira realiza a prisão de suspeitos de planejar ataques durante a Olimpíada do Rio de Janeiro. Supostamente, os envolvidos declaram lealdade ao Estado Islâmico. Fig. 13 - EB

15 MAR. 2011 Os protestos contra o governo do presidente da Síria, Bashar al-Assad, levam ao início de uma guerra civil. A instabilidade dá espaço para o surgimento de organizações extremistas, como o Estado Islâmico. Durante o conflito, o grupo domina territórios na Síria e no Iraque, proclamando a criação de um “Califado Islâmico” em 2014.


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DIFERENÇA NAS URNAS Pesquisa feita com candidatas das eleições de 2012 e 2014 sugere ações para melhorar representatividade EM ESTUDO divulgado pelo DataSenado, mulheres que concorreram nas duas últimas eleições apontaram medidas que contribuiriam para melhorar a representação feminina na política. Nos dois anos, apenas 21% dos candidatos eram mulheres. violenta do Estado caiu por terra e os golpistas, então, passaram a ser golpeados:

Aprovam a medida

fotos e vídeos divulgados mostravam civis

81%

84%

91%

subindo nos tanques e tomando à força os Fig. 14 -AM

fuzis dos soldados amotinados. Erdogan,

A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TUITADA?

que estava de férias em uma cidade no oeste do país, foi recepcionado por uma multidão no aeroporto de Istambul — horas depois, o líder anunciaria que os revoltosos tinham sido derrotados. Curiosamente, Erdogan não é um dos maiores entusiastas do livre fluxo

Mobilização da população turca em redes sociais impede sucesso da tentativa de golpe militar, mas a democracia no país ainda está ameaçada POR THIAGO TANJI

de informações, que ajudou na defesa do golpe: em 2014, quando era primeiro-ministro do país, ele anunciou o bloqueio do Twitter por alguns

Fonte: DataSenado

MAIS ESPAÇO NA MÍDIA PARA MULHERES

PRESENÇA DE MAIS MULHERES EM CARGOS DIRETIVOS NOS PARTIDOS

INVESTIMENTO NA FORMAÇÃO DE NOVAS LIDERANÇAS FEMININAS

dias, sob a alegação de que a EM UMA AVENIDA, civis correm e tentam

empresa não cumprira ordens judiciais

se proteger da rajada de tiros disparada

para a retirada de links considerados

por uma metralhadora instalada em um

ilegais pelas autoridades. Neste ano, o

helicóptero. Em outro vídeo, um político

líder já havia interferido no trabalho de

discursa no parlamento da Turquia quando

jornalistas críticos ao seu governo.

é interrompido pelo som de uma explosão,

Após a tentativa de rebelião dos mi-

que gera pânico no local. A cobertura em

litares, Erdogan fechou 45 jornais e 39

tempo real feita pelos cidadãos durante a

emissoras de rádio e TV, além de decretar

a tentativa de golpe militar no país, em

a prisão de mais de 2,7 mil juízes e pro-

15 de julho, também levou o presidente,

motores e a exoneração de milhares de

Recep Tayyip Erdogan, a se manifestar

funcionários públicos. “As perspectivas

pelo Twitter. “Sou ainda o presidente da

para a democracia turca são as piores

Turquia e comandante-chefe: resistam ao

possíveis no momento”, afirma Sergio

golpe de Estado nas ruas e nos aeroportos.”

Luiz Cruz, professor livre docente em

Por meio de trocas de mensagens pelo

segurança internacional da Universida-

WhatsApp, Facebook e Twitter, a popula-

de Estadual de São Paulo (Unesp). “O

ção se organizou e saiu às ruas contra as

sistema de controle e equilíbrio, que é

tropas que ocupavam pontos estratégicos

fundamental na democracia, deixa de

das principais cidades do país, Istambul

existir e o presidente e seu partido ficam

e Ancara. O fator surpresa para a tomada

livres para implantar medidas radicais.”


P. 20

09.2016

Fig. 16 - EB

POKÉMON + BRASIL = AMOR

Após semanas de espera, Pokémon Go é lançado no país e já reúne histórias que nem a realidade aumentada explica Fig. 15 - BJ

ROBÔ BOM DE BRIGA Representante brasileiro no campeonato mundial de lutas robóticas, o Minotaur foi desenvolvido a partir de um projeto de estudantes de Engenharia — POR THIAGO T. A LUTA PARECE DESIGUAL. Em uma arena de combate com chão metálico, uma caixa quadrada é perseguida por Blacksmith, uma máquina que solta fogo e conta com um martelo para destruir os inimigos. Então, a reviravolta: com uma arma frontal que roda a 10 mil rotações por minuto, a caixinha de 113 quilos comandada por um controle remoto lança o adversário para o alto até destruí-lo. Fabricado pela equipe RioBotz, criada em 2003 por estudantes de Engenharia da PUC-Rio, o Minotaur é o representante nacional na BattleBots, competição de robôs de combate exibida na televisão aberta dos Estados Unidos e que já faz sucesso entre os brasileiros: no YouTube, a luta entre Minotaur e Blacksmith registra mais de 2,7 milhões de visualizações. Coordenador da construção da máquina de batalha, o professor de robótica Marco Antonio Meggiolaro aborda os principais desafios em desenvolver o brigão de metal.

COMO FOI A FABRICAÇÃO DO MINOTAUR? O mais importante na fabricação são os detalhes: perdem-se muitas lutas por um componente baratinho que não foi instalado direito, um fiozinho que soltou. Nossa filosofia foi a de desenvolver o robô mais compacto possível, para que ele tivesse muito mais robustez e suportasse os ataques dos adversários. COMO FOI O “TEST DRIVE” ANTES DAS BATALHAS? Esse foi um grande desafio porque não tínhamos como testar a pilotagem. Fizemos a avaliação da arma em um campo de golfe. Colocamos um bloco de 15 quilos de alumínio e o robô arremessou essa massa para mais de 100 metros de distância. Uma boa técnica para testar a sobrevivência do robô é lançá-lo a dois metros de altura: se ele sobreviver, é um bom começo (risos). QUAIS SÃO CONSIDERADAS AS MELHORES CARACTERÍSTICAS DE UM ROBÔ DE COMBATE? Existem diferentes tipos de armas e é um jogo de pedra, papel e tesoura: alguns robôs levam vantagem sobre outros, mas se você construir uma tesoura bem-feita, ela ganhará da pedra. Alguns têm armas grandes e são ofensivos, destruindo com um único golpe. Então, fizemos um robô com uma armadura grossa e bastante rápido para conseguir atacar os adversários por trás.

SEM DÚVIDA

PARAONDEVÃO OSMETRÔS AOFINALDODIA DEOPERAÇÕES?

Mônica Alves, via Facebook Quando o serviço diário é encerrado, os trens não ficam parados ao longo dos trilhos. Os veículos se dirigem para pátios, onde passam por manutenção e limpeza. Em São Paulo, por exemplo, o maior estacionamento dos metrôs está

R:

localizado no bairro de Itaquera e pode receber até 60 composições. Enquanto isso, trabalhadores passam as madrugadas nos subterrâneos realizando inspeções de infraestrutura, lavagem da via, solda de trilhos e substituição de equipamentos danificados.


09.2016

A

chegada oficial no Brasil do game

para smartphones Pokémon Go causou comoção nacional. Instantes após o iOS e o Android liberarem o download do aplicativo, em 3 de agosto, os maiores veículos de comunicação do país deram a notícia com destaque de plantão jornalístico. Não é para menos. Desenvolvido pela empresa norte-americana Niantic, o jogo

P. 21

utiliza recursos de realidade aumentada para a captura dos monstrinhos e já estimula a criação de novos negócios com base na tecnologia. Desde seu lançamento mundial, em 5 de julho, mais de 100 milhões de downloads foram realizados. As compras internas do game geram US$ 10 milhões diariamente. O Brasil, é claro, não deixaria de reunir casos inusitados que ilustram esses tempos modernos.

OLHA O TRÂNSITO, MESTRE POKÉMON!

MAIS MONSTRINHOS, MENOS CAMISINHAS

EQUIPE ROCKET DECOLANDO DE NOVO

TEORIA DA CONSPIRAÇAO

NÃO FALE EM CRISE, JOGUE

CAMPEÕES NÃO TRAPACEIAM?

Depois de episódios registrados em outros países de acidentes de carro e atropelamentos causados por distrações ao utilizar o smartphone, o Detran do Rio de Janeiro iniciou uma campanha de conscientização dos jogadores. O projeto alerta para que os jogadores percorram as ruas sem deixar de prestar atenção na sinalização — e sem sair correndo em meio aos carros para capturar um Pokémon.

Os organizadores da Olimpíada do Rio de Janeiro fizeram questão de estimular o intercâmbio entre os povos: 450 mil preservativos foram disponibilizados aos atletas na Vila Olímpica, média de 42 camisinhas por esportista. Ao desembarcar no Rio de Janeiro no início de agosto, no entanto, as delegações queriam mesmo é saber se Pokémon Go já estava disponível no Brasil. Joe Clarke, atleta britânico do críquete, tuitou sua decepção em não encontrar Pokémons na Vila Olímpica.

Horas depois do lançamento do game no Brasil, o primeiro imprevisto: um publicitário de 32 anos publicou um texto no Facebook afirmando que teve o celular roubado na Avenida Paulista, em São Paulo, por um homem em uma bicicleta. A vítima afirma que estava prestes a capturar um Zubat quando foi surpreendida pelo aspirante a membro dos vilões da Equipe Rocket.

Oliver Stone, diretor de filmes como Platoon e Nascido em Quatro de Julho, não se empolgou muito em caçar os monstrinhos pelas ruas: em conferência durante o lançamento do filme Snowden, Stone alertou para o perigo de um novo tipo de “totalitarismo” motivado por aplicativos que rastreiam todos os passos de seus usuários, como o Pokémon Go. “Eles coletam dados de cada pessoa para obter informações sobre o que ela está comprando, do que é que ela gosta e, acima de tudo, sobre o seu comportamento”, afirmou.

Se a situação econômica brasileira não é das melhores, por que não investir em novas atividades econômicas? Em Fortaleza, capital do Ceará, o motoboy Deniz Paz anunciou um serviço de transporte de jogadores de Pokémon Go para pontos da cidade onde há maior concentração dos monstrinhos. A caçada motorizada sai a R$ 25 por hora e inclui local na moto para carregar a bateria do celular.

Espertinhos já desenvolveram técnicas para levar vantagem no jogo: ao falsificar o sinal de GPS, esses usuários conseguem capturar Pokémons que estão mais distantes. Assim, são capazes de reunir uma equipe forte em pouco tempo para realizar as batalhas nos ginásios. A Niantic informou que ainda não sabe como combater esse problema.

VAQUINHA POR T.T. Os melhores projetos para você contribuir

HERÓIS DA AMAZÔNIA

BUSCADOR DE CHAVES

DRONE QUE SALVA VIDAS

Meta R$ 16 mil

Meta US$ 10 mil

Meta 70 mil euros

Produto R$ 15

Produto US$ 109

Apoio A partir de 5 euros

Site Catarse

Site Indiegogo

Site Kickstarter

Os quadrinistas Alan Yango e Joe Bennet lançaram campanha para uma nova edição da HQ Esquadrão Amazônia, criada pelo ilustrador brasileiro Joe Bennet em 2000. Na história, super-heróis nacionais enfrentarão seres que desembarcam na Amazônia e querem destruir a Terra.

O iKon Tracker é um dispositivo que exibe sua localização em um aplicativo para smartphone utilizando a tecnologia Bluetooth — a conexão vai até 70 metros de distância. Ideal para ser acoplado ao chaveiro e colocar um ponto final à eterna busca pelas chaves ao sair de casa.

Ao menos dez pessoas morrem todos os dias por pisar em minas terrestres deixadas em antigos campos de batalha. Com prazo estabelecido para acabar com esse problema nos próximos dez anos, o drone Mine Kafon realizará mapeamento, detecção e destruição das minas com um pequeno detonador.


P. 22

09.2016

RACISMO EM DUAS TELAS

ter como um dos protagonistas um ator negro, o britânico John Boyega, que interpreta o ex-stormtrooper Finn. No mesmo ano, o ator Michael B. Jordan foi hostilizado na internet por interpretar Johnny Storm (Tocha Humana), personagem originalmente bran-

Ofensas a atores negros multiplicam-se na internet

co do Quarteto Fantástico.

POR LEANDRO SAIONETI

questão. Na premiação do Oscar de 2014,

A própria indústria de Hollywood também tem sua parte de contribuição na a Academia esnobou Selma, cinebiografia

Saio do Twitter com lágri-

do ativista dos direitos dos negros Martin

mas nos olhos e com muita

Luther King. O filme ganhou apenas o prê-

tristeza. Tudo isso só porque

mio na categoria de Melhor Canção Original

fiz um filme. Você pode odiar

e a diretora Ava DuVernay, que é negra, nem

o filme, mas tudo por que passei hoje...

mesmo foi lembrada entre as finalistas.

está errado.” Foi com essa mensagem que

Neste ano, pela segunda vez consecutiva,

a atriz Leslie Jones, uma das protagonistas

nenhum ator negro foi indicado nas prin-

da nova versão de Caça-Fantasmas, encer-

cipais categorias do Oscar. Com a frase

rou sua conta na rede social após sofrer

#OscarSoWhite, ou #OscarTãoBranco, ar-

ataques racistas e misóginos durante a se-

tistas e público cobraram mudanças na for-

mana de estreia do filme, em julho.

ma de votação do prêmio — até então, rea-

Os insultos no campo digital são a porta

lizada por 93% de jurados brancos. Mestre

de entrada para criminosos destilarem seu

de cerimônias da premiação, o ator Chris

ódio contra atores negros. Antes da estreia

Rock pediu igualdade entre profissionais

de Star Wars — O Despertar da Força, em

negros e brancos durante sua fala no início

2015, alguns usuários pregaram boicote ao

do evento. “Queremos as mesmas oportu-

filme em mensagens divulgadas no Twitter,

nidades que os atores brancos. Nada mais”,

sob a justificativa de que a produção cinema-

afirmou. Em 88 edições do Oscar, apenas

tográfica realizava “ativismo antibrancos” ao

15 atores negros foram premiados.

ABC DO FEMINISMO

O livro Você Já É Feminista: Abra este Livro e Descubra o Porquê aborda o feminismo de maneira didática. A jornalista Nana Queiroz, uma das autoras da obra, explica a importância do projeto Como surgiu a ideia do livro? A internet possibilitou a democratização do acesso ao feminismo. Só que também é necessário profundidade. Então, a ideia do livro é produzir algo fácil, prático e que, principalmente, promova uma reflexão: “O que tudo isso significa para a minha vida?”. Ainda hoje são muitas as mulheres que não se veem como feministas? Sim, inclusive tem muita mulher que é feminista e não quer admitir porque tem medo da alcunha. E quando você entende que existe uma situação de opressão feminina, a sua vida não será

fácil depois disso. Começará a perceber que aquela piadinha machista na mesa do bar não está ok. Sua zona de conforto chacoalha e você sente um desconforto porque começa a notar como o mundo está errado. E há espaço na literatura para a divulgação desse assunto? O mercado literário no Brasil é bem desafiador, mas sinto que estamos construindo um público interessado. Quando se populariza a discussão dos direitos da mulher, várias pessoas passam a ficar interessadas. E essa demanda por literatura feminista crescerá.

Fig. 18 - EB

Fig. 17 - BJ


09.2016

P. 23

Fig. 19 -AM

ERA UMA VEZ NO LESTE

Com a missão de ocupar o leste russo, governo de Putin reinventa a colonização do Oeste americano e se conecta a clássicos do faroeste — POR L.S.

O GOVERNO RUSSO QUER OCUPAR O LESTE do país, povoado por apenas 4% da população, ofertando terras aos aventureiros dispostos a morar na região. A medida é semelhante à Lei da Propriedade Rural promulgada em 1862 nos Estados Unidos e que deu início ao processo de colonização do oeste — assim como toda a cultura que

“PÔ, REALIDADE VIRTUAL COM DILMA, COM TEMER, COM ESSA SITUAÇÃO POLÍTICA, ESSE PAÍS QUEBRADO E VOCÊ ATRÁS DE BICHINHO NA RUA? AH, VAI TE CATAR!” José Luiz Datena, apresentador, não muito contente com o lançamento de Pokémon Go

CAINDO EM TENTAÇÃO Clássico sci-fi, O Homem que Caiu na Terra relembra como até o mais puro dos seres vivos pode se corromper

Fig. 20 - EB

seria recriada no século 20 com os filmes de bangue-bangue. Considerado pelo Kremlin uma prioridade nacional, o desenvolvimento econômico das regiões siberianas poderia ser estimulado pelo governo do presidente Vladimir Putin com uma pitada de criatividade. O “Pistoleiro sem Nome”, interpretado pelo ator Clint Eastwood na série de clássicos de faroeste dirigida pelo italiano Sergio Leone, poderia ganhar uma versão em cossaco, uma das etnias russas que aceitou a ideia de vagar rumo ao extremo oriente do país...

UM ALIEN aparece na Terra em

na Terra ganhou adaptação para

busca de salvação para seu povo,

o cinema, protagonizada por nin-

que está prestes a ser extinto em

guém menos que David Bowie.

seu planeta natal. Porém, aos

Após a morte do mito musi-

poucos, ele se depara com a es-

cal, a obra de Tevis foi reedita-

piral dos problemas humanos,

da pela editora DarkSide, resga-

com todos os seus vícios e ques-

tando a história que revelou ao

tionamentos. Publicado origi-

mundo quem foi e sempre será

nalmente em 1963 pelo escritor

Bowie: o homem das mil faces

Walter Tevis, O Homem que Caiu

— todas excepcionais.


CIÊNCIA EMDIA

O ESPAÇO DA CIÊNCIA BRASILEIRA SETEMBRO DE 2016

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia está saindo do forno Com o tema “Ciência alimentando o Brasil”, a 13ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) vai agitar mais de mil municípios brasileiros entre os dias 17 e 23 de outubro. O objetivo, neste ano, é mostrar como o conhecimento científico e tecnológico é um importante aliado na promoção do acesso aos alimentos e à nutrição saudável. Para o coordenador do evento, Douglas Falcão, a SNCT vem para mostrar que as técnicas de agropecuária combinadas corretamente com a inovação são suficientes para alimentar os mais de 7 bilhões de humanos que habitam o planeta. “Nesse sentido, o Brasil é uma potência mundial. Nossa agricultura é muito pautada

nas tecnologias e nas pesquisas científicas”. Por meio de um edital inédito, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) destinou R$ 4,3 milhões para realização da SNCT 2016. O Distrito Federal e mais 24 estados foram contemplados, ampliando a distribuição dos recursos e estimulando o surgimento de novos organizadores. Em 2015, cerca de 147 mil atividades ocorreram em mais de 2,6 mil instituições espalhadas pelo País. Para fazer parte da programação oficial, basta se cadastrar no site http://semanact.mcti.gov.br/ a partir de setembro. É nesse canal que você também fica por dentro de tudo o que está acontecendo antes e durante o evento.


INFORME PUBLICITÁRIO

Água de reúso vira adubo líquido no semiárido Uma alternativa viável para aumentar a produção de alimentos em zonas secas é o reúso do esgoto doméstico. Estudo realizado na Paraíba pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) – unidade de pesquisa do MCTIC – mostrou que irri-

gar o solo com água de reúso faz crescer a fertilidade em até 800%. A técnica aumentou as quantidades de fósforo, nitrogênio, cálcio e magnésio no solo, ao mesmo tempo em que reduziu a presença do alumínio.

Combate à desnutrição: um legado dos Jogos Rio 2016 O MCTIC e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançaram uma plataforma digital que vai unir pesquisadores de diversos países. A iniciativa é fruto da parceria entre os dois últimos países-sede das Olimpíadas, Brasil e Reino Unido, firmada para enfrentar o problema que mata

3 milhões de crianças no mundo a cada ano. A Rede Global de Ensino, Pesquisa e Extensão em Nutrição, Soberania e Segurança Alimentar (Nutri SSAN) foi desenvolvida pelo Ministério e estará em funcionamento pleno até o início de 2017.

Na mídia O Google escolheu o Brasil para receber o seu primeiro campus latino-americano para o desenvolvimento de startups. Localizado em São Paulo, o espaço vai receber 15 empresas nacionais que contarão com o apoio da gigante da internet e seus experts para turbinarem os projetos. A visita rendeu ainda novas parcerias entre o MCTIC e o Google, especialmente na área de educação e sistemas para equipamentos públicos.

@mctic

mctic

@mctic.gov.br

www.mcti.gov.br


ELEMENTAR

BOI + AÇÚCAR = ?

H C

N

O

Isso mesmo que você pensou: gelatina. Entenda como é feita a sobremesa mais popular do Brasil — POR RENATA CARDOSO*

GELATINA

A

gelatina e o bife que você come todos os dias no restaurante por

7

quilo da esquina têm origens sur-

preendentemente parecidas. É que o colá6

quiser, é extraído da raspagem do couro,

1

dos tendões e dos ossos de vacas, bois e pré-tratamento em que os ossos são tritu-

8

C

O

Na

H

REGULADORES DE ACIDEZ

C6H5Na307 – Citrato de sódio

base dos alvejantes). Há boatos de que o odor durante essa etapa não é recomendado para pessoas com estômago fraco. O próximo passo consiste no tratamento com um ácido para a extração do colágeno.

H

C5H9NO2 – Prolina

cortado e raspado. Em seguida, esse “pica-

drico (substância que também serve como

1

C5H9NO3 – Hidroxiprolina

C4H4O4 – Ácido fumárico

pois repousar em um molho de ácido clorí-

O

6

C

Controlam o pH do alimento para garantir o aroma e a consistência. Também mantêm o produto conservado até o prazo de validade.

As moléculas da gelatina são compostas de 18 aminoácidos diferentes, mas esses três têm concentração mais elevada.

Depois, o material é filtrado e submetido

1

H

7

N

16

O

11

8

C2H5NO2 – Glicina

11

rados, desengordurados e secos e o couro é dinho” é lavado com água quente para de-

C

8

AMINOÁCIDOS

geno que dá origem à gelatina, acredite se

porcos. Todo esse material passa por um

N

6

19

S

Na

K

EDULCORANTES C7H5O3NS2H20 – Sacarina C4H4KNO4S – Acesulfame de potássio C6H12NNaO3S – Ciclamato de sódio C14H18N2O5 – Aspartame São substâncias artificiais adicionadas à gelatina comercial para conferir aumento do sabor adocicado.

a altas temperaturas. No final, ele seca e é moído e peneirado. E aí, tcharam: temos a gelatina incolor e sem sabor utilizada em diversas receitas culinárias. Para produzir as gelatinas com sabor, o processo continua com a adição de sódio, açúcar e algumas substâncias geralmente artificiais, como aromatizantes, edulcorantes e corantes.

Pode não parecer, mas isso que você está vendo é um picadinho de couro e ossos de boi

Para transformar esse monte de pó em alimento, é preciso colocá-lo em contato com a água quente, que faz com que as forças responsáveis pela manutenção da estrutura em tripla hélice (característica do colágeno) sejam rompidas. Quando resfriadas, as moléculas voltam a interagir, mas, dessa vez, com água aprisionada entre elas. E assim é formada a sobremesa que você encontra nos restaurantes por quilo. O colágeno também poderia ser extraído das cartilagens humanas, mas não vamos dar essa ideia para a indústria...

26

7

N

16

S

6

C

1

Na

8

11

H O

CORANTES Pigmentos sintéticos que dão cor aos alimentos. Afora a gelatina, são usados em sucos em pó, refrigerantes, gomas de mascar e temperos para carne, além de cosméticos.

C16H10N2Na2O7S2 e C16H9N4Na3O9S2 – Amarelo-limão

C3H34N2Na2O9S3 – Azul brilhante

C2H11N2Na3O10S3 – Vermelho

*Com reportagem de Cartola Agência de Conteúdo Foto: Victor Albrow/Getty Images Fontes: Leila Cristina Magalhães, coordenadora do curso de Engenharia Química das Faculdades Oswaldo Cruz, e Érika Cristina Cren, professora do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Minas Gerais


DOSSIÊ IMPOSTOS TEXTO MARCELA DUARTE

DESIGN FERNANDA DIDINI

EDIÇÃO CRISTINE KIST

AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA O brasileiro até paga bastante imposto em relação aos benefícios que recebe em troca, mas, em comparação com outros lugares do mundo, o país não arrecada tanto assim 5 DE AGOSTO DE 1966: milhares

Cinquenta anos depois, o mun-

Se você já está ficando indigna-

de jovens ingleses correm às lojas

do evoluiu tão rápido que foram

do, respire fundo antes de escre-

para comprar o álbum Revolver, dos

criados uns quatro ou cinco jei-

ver textão, porque, por incrível que

Beatles. Tiram cuidadosamente o

tos novos de ouvir esse mes-

pareça, o brasileiro não paga tanto

vinil da embalagem, colocam para

mo álbum, mas a questão que a

imposto assim. Em 2014, cada um

tocar a faixa 1 do lado A e a primei-

música levanta continua atual.

pagou, em média, US$ 4.132,59,

ra coisa que ouvem é a crítica ácida

Aqui no Brasil, então, nem se fala

menos que nossos vizinhos uru-

de “Taxman” aos impostos altos

— existem 63 tributos diferen-

guaios (US$ 4.327,74) e um séti-

demais: “Let me tell you how it will

tes. Somados, eles representam

mo do que pagam os cidadãos de

be / There's one for you, nineteen

mais de 30% de toda a riqueza

Luxemburgo (US$ 29.600,25).

for me / 'Cause I'm the taxman /

que o país produz. O percentual

Quer dizer, não é tanto assim na

Yeah, I'm the taxman” (“Deixe-me

é parecido com o que se cobra na

média, porque nem todo mundo

lhe dizer como será / É um para

Espanha; a diferença é que, segun-

paga imposto da mesma forma —

você e 19 para mim / Porque eu sou

do o Índice de Desenvolvimento

e como você já deve estar imagi-

o cobrador de impostos / Sim, eu

Humano (IDH), aqui a qualidade

nando, quem se dá mal nessa con-

sou o cobrador de impostos”).

de vida é bem pior do que lá.

ta são justamente os mais pobres.

27


FOI COMPRAR CIGARRO E NUNCA MAIS VOLTOU

E

AQUI É TRABALHO Os brasileiros precisam trabalhar 153 dias só para pagar impostos neste ano, enquanto os uruguaios trabalham menos de cem dias (veja abaixo)

M MUITOS PAÍSES, o im-

é de 41,58%. O nosso impos-

mos em 2014, ou seja, do PIB.

posto de renda (IR) é a prin-

to de renda é menor até do que

cipal forma de tributar os ci-

a média do vigente nos nossos

dadãos. Se apenas o IR for

vizinhos da América Latina, de

levado em consideração, o Brasil

quase 32%. Por que tanto mi-

tem uma alíquota menor do que

mimi, então? Acontece que, se

a de muitos países: aqui, o teto é

somarmos o que o brasileiro

de 27,5%. Já nos 34 países con-

paga de imposto de renda + im-

retamente relacionado com o ní-

siderados desenvolvidos que fa-

postos sobre o consumo + im-

vel de alfabetização, a educação,

zem parte da Organização para a

postos sobre o patrimônio, esse

a expectativa de vida, a natalida-

Cooperação e Desenvolvimento

valor vai corresponder a 33,4%

de e outros fatores que um país

Econômico (OCDE), a média

de tudinho que nós produzi-

pode oferecer aos seus cidadãos.

No ranking da OCDE, esse percentual ficaria entre República Tcheca e Espanha, ambos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) bem maior do que o nosso. Esse índice está di-

DINHEIRO NA MÃO É SOLUÇÃO Boa parte do PIB brasileiro é composta de impostos, mas outros países arrecadam ainda mais do que nós DINAMARCA FRANÇA BÉLGICA FINLÂNDIA ITÁLIA ÁUSTRIA SUÉCIA NORUEGA ISLÂNDIA HUNGRIA LUXEMBURGO ESLOVÊNIA ALEMANHA GRÉCIA PORTUGAL REPÚBLICA TCHECA BRASIL ESPANHA ESTÔNIA REINO UNIDO NOVA ZELÂNDIA ISRAEL ESLOVÁQUIA CANADÁ IRLANDA TURQUIA SUÍÇA ESTADOS UNIDOS COREIA DO SUL CHILE

50,9% 45,2% 44,7% 43,9% 43,6% 43% 42,7% 39,1% 38,7% 38,5% 37,8% 36,6% 36,1% 35,9% 34,4% 33,5% 33,4% 33,2% 32,9% 32,6% 32,4% 31,1% 31% 30,8% 29,9% 28,7% 26,6% 26% 24,6% 19,8%

Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) / Não há dados de 2014 para Polônia, Holanda, México, Japão e Austrália, que também fazem parte da OCDE

104

100

147

140

153

150

130

74

100

121

90

2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

1997

1996

1995

1994

1993

1992

1991

1990

0

82

1989

50

1988

Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)

109

1987

QUANTIDADE DE TEMPO QUE O BRASILEIRO TRABALHA PARA PAGAR IMPOSTOS QUASE DOBROU DESDE A DÉCADA DE 1980

150

1986

153 DIAS COM ELES


Juntossomosfortes(sozinhos,não)

O PROBLEMA NÃO É PAGAR IMPOSTOS, E SIM NÃO TER O RETORNO ESPERADO EM BEM-ESTAR E AINDA TER DE GASTAR UMA SEGUNDA VEZ EM SERVIÇOS PRIVADOS

O PAÍS ATÉ ARRECADA MUITO DINHEIRO EM TRIBUTOS, MAS INDIVIDUALMENTE NÃO PAGAMOS TANTO ASSIM (IBPT), João Eloi Olenike, é taxativo ao afirmar que a avaliação per capita ilude como parâmetro, pois as diferenças entre as classes sociais são enormes. “É como se duas pessoas estivessem em uma padaria e quisessem comer um sanduíche. Uma tem dinheiro sobrando e compra dois sanduíches, e a outra não tem dinheiro algum e não pode comprar. Se fizermos a média, cada uma comeu um. É assim que a média nos engana.” De qualquer forma, você deve estar se perguntando como podemos estar na parte de cima da tabela quando falamos do total de impostos perante o PIB e na parte de baixo quando se trata de imposto per capita. Dica: isso acontece porque o PIB do Brasil não é tão alto assim, considerando que ele é produzido por 204 milhões de pessoas. Nosso PIB per capita é de US$ 11.875,26, apenas o 76º maior do mundo. Simples assim.

AGORA VOCÊ JÁ DEVE estar novamente cogitando escrever textão, né? Calma: mais uma vez, não é bem assim. Se nós dividirmos o total de dinheiro arrecadado pelo número de brasileiros, o valor médio pago por pessoa é, na verdade, relativamente baixo. Cada um de nós desembolsou, em média, US$ 4.132,59 em impostos em 2014, segundo a Heritage Foundation. Ainda parece muito? Pois essa média coloca o Brasil em 47º lugar no ranking dos países com maior carga tributária per capita. E sabe por que isso acontece? Porque nós somos muitos — 204 milhões, conforme estimativa do IBGE. Trocando em miúdos, esse montante de US$ 4.132,59 é todo o dinheiro que o governo tem para gastar com cada um de nós em hospitais, escolas, estradas, iluminação, limpeza e por aí vai. No entanto, o presidente executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação

NA LANTERNA

DOS 30 PAÍSES COM MAIOR CARGA TRIBUTÁRIA DO MUNDO, O BRASIL É O QUE PROPORCIONA O PIOR RETORNO EM SERVIÇOS QUE CONTRIBUEM PARA O CONFORTO DA SOCIEDADE Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade de 2013 (Irbes) 160 150 140 130

Índice de Desenvolvimento Humano de 2013 (IDH) 0,8 0,6 0,4

VOCÊ É O QUE VOCÊ PAGA

Em Luxemburgo, cada cidadão paga US$ 29.600 por ano; no Brasil, só US$ 4.132

0,2

RECEITA TRIBUTÁRIA PER CAPITA (US$)

0

Carga tributária sobre o PIB em 2013 (em %) 30 20 10 0

LUXEMBURGO 30 mil

NORUEGA 25 mil

MACAU

BRASIL

IRLANDA

SUÍÇA

ESTADOS UNIDOS

AUSTRÁLIA

COREIA DO SUL

SUÉCIA 20 mil DINAMARCA

ÁUSTRIA HOLANDA

15 mil

Fontes: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); Pnud/ONU; Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)

ALEMANHA

FRANÇA ITÁLIA

EUA

CANADÁ 139 141

153 DIAS

130 109

176

138

161 171 163 157

124 129 132

94

98

91

96

ALEMANHA ARGENTINA BRASIL CANADÁ CHILE COREIA DO SUL DINAMARCA ESPANHA ESTADOS UNIDOS FINLÂNDIA FRANÇA ITÁLIA JAPÃO MÉXICO NORUEGA NOVA ZELÂNDIA REINO UNIDO URUGUAI

10 mil

SUÍÇA

AUSTRÁLIA

5 mil

0

29

BRASIL

10 mil

REINO UNIDO

20 mil

30 mil

40 mil

50 mil

Fonte: The Heritage Foundation / Foto: Larry Washburn/Getty Images

60 mil 70 mil PIB PER CAPITA (US$)


NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS NESTE ANO, PELA PRIMEIRA VEZ O IMPOSTÔMETRO REGISTROU QUEDA NO VALOR DA ARRECADAÇÃO

M

AS NEM TUDO É DERROTA para quem está convencido de que paga impostos demais. O Impostômetro é prova disso.

Criado pela Associação Comercial de São Paulo e pelo IBPT há alguns anos, o “placar tributário” soma os impostos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros. A série histórica começou em 2007 e, pela primeira vez, registrou queda neste ano. Isso porque o Impostômetro chegou a R$ 1 trilhão em 5 de julho, seis dias depois da maior marca de 2015. O motivo da queda, no entanto, não foi uma redução nos impostos. A “mágica” é que, por causa da crise, todo mundo gastou menos e, consequentemente, pagou menos tributos.

SHOW DO TRILHÃO

Qual foi o dia do ano em que o Impostômetro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão; quanto mais cedo o valor é batido, maior é a média de impostos pagos por dia

10/JUL.

JUL

28/JUL.

25/JUL.

29/JUN.

05/JUL.

AGO 14/AGO.

Altas confusões

BRASIL TEM NADA MENOS DO QUE 63 TIPOS DIFERENTES DE TRIBUTOS

SET 19/SET.

OUT

04/NOV. NOV 16/NOV.

DEZ 18/DEZ.

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

Fontes: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

30

SOMOS TRIBUTADOS QUANDO recebemos salário (imposto de renda), quando compramos algo (imposto sobre o consumo) e pelos bens que já temos (imposto sobre o patrimônio). Aliás, não são só impostos mas também taxas e outras contribuições. Ao todo, existem no Brasil 63 tipos de tributos (sendo 48 federais, cinco estaduais e dez municipais), de acordo com levantamento do IBPT. Já é confuso para você? Imagine para uma empresa gringa que quer investir no Brasil! Como explicar que um produto pode ser tributado pelo município onde é feito, pelo Estado e, por último, pela União? Um dos efeitos dessa falta de clareza é espantar investimentos e desencorajar negócios. E não é só para empresas. A própria população não sabe exatamente quanto paga de impostos. Para piorar, é comum a sensação de que se paga duas vezes pelo mesmo serviço. “Se a carga tributária fosse até mais alta e tivéssemos retorno, tudo bem. Mas o Brasil não consegue dar serviços de volta à população, que paga pedágio, coloca cerca elétrica na casa, contrata um plano de saúde privado. Ou seja, tem que pagar duas vezes”, diz o presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike.


TUDO QUE SOBE...

OS TRIBUTOS SALTARAM DE 25% PARA 35% DO PIB EM POUCO MAIS DE 20 ANOS — MAS AGORA A CRISE CHEGOU

dução real (descontada a infla-

leiro, percentual que

ção) de 6,96% em relação a mar-

saltou para 35,42% em 2014, se-

ço de 2015. De janeiro a março, o

gundo o IBPT. “A cada R$ 100 que

recuo foi de 8,19%. O problema,

o país produz de riqueza, R$ 35 são

explica Piscitelli, é que existem

impostos”, explica Olenike. Desde

previsões para aumentar os in-

2014, no entanto, a arrecadação

vestimentos públicos — na saú-

vem diminuido por causa da crise.

de, por exemplo, o gasto mínimo

“Com menos dinheiro, as pessoas

do governo federal é de 13,2%

consomem menos. E o menor con-

da receita líquida, percentual

sumo resulta em menor arrecada-

que deve chegar a 15% até 2020.

ção”, diz Tathiane Piscitelli, profes-

E com isso a solução mais rápida

sora da Escola de Direito da FGV.

é o aumento de impostos.

A porcentagem do PIB brasileiro que veio de impostos entre 1992 e 2014

5,5 trilhões

2014

25,38% do PIB brasi-

2013

das receitas federais teve uma re-

2012

tária respondia por

E

EM FASE DE CRESCIMENTO

DE ONDE VEM “A cada R$ 100 que o país produz de riqueza, R$ 35 vêm de impostos”, diz João Eloi Olenike, presidente executivo do IBPT

5 trilhões

4,5 trilhões

2011

Em março deste ano, o total

4 trilhões

2010

m 1992, a carga tribu-

3,5 trilhões

2008 2007

3 trilhões

2,5 trilhões

2005

2004

2001*

2 trilhões

COMO LER O GRÁFICO PIB % do PIB correspondente a impostos

2002*

1999*

1997*

2003

2006

2009

1,5 trilhões

200 bilhões

QUEM GANHA MENOS PAGA MAIS

0,5 trilhão Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) *PIB revisado segundo cálculo do IBGE

400 bilhões

IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS PREJUDICAM OS MAIS POBRES, QUE PROPORCIONALMENTE PAGAM MAIS CARO

1 trilhão

Valor do PIB (R$)

2000*

1998*

Valor de imposto arrecadado (R$)

600 bilhões

800 bilhões

100 bilhões

NO SISTEMA BRASILEIRO, quem mais sofre são as classes mais baixas da população, porque boa parte dos impostos é cobrada sobre o consumo. Ou seja, todo mundo paga o mesmo preço por uma garrafa d'água no supermercado, independentemente de quanto ganha. “Isso é muito danoso porque é desigual, quem tem mais paga menos proporcionalmente”, diz Piscitelli. A participação dos impostos sobre consumo na arrecadação tributária no Brasil, de aproximadamente 65%, está muito acima da média mundial, que é de cerca de 35%, segundo a OCDE.

1,2 trilhão

1,4 trilhão

1,8 trilhão

1,6 trilhão

2 trilhões

CLASSE MÉDIA SOFRE

Impostos sobre o consumo são os que mais pesam no bolso durante o ano TIPOS DE IMPOSTOS

% DA RENDA BRUTA

RENDA

15%

PATRIMÔNIO

3%

CONSUMO

24%

DIAS TRABALHADOS POR ANO 56

11

Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)

86 Foto: Larry Washburn/Getty Images


FRANKENSTEIN TRIBUTÁRIO: POR QUE A REFORMA DO SISTEMA É TÃO IMPORTANTE N

AS ÚLTIMAS DÉCADAS, o Brasil foi fazendo puxadi-

VALE O QUE CUSTA?

nhos com os impostos: criou

Porcentagem do preço de alguns produtos que corresponde a impostos

alguns novos, fez adapta-

86,1

81,9

ções aqui e ali e chegou em uma espécie de Frankenstein da tri-

72,2

butação. Agora, praticamente todos os economistas concordam

62,8

62,2

que o jeito é sentar e refazer todo

55,6

o sistema, tirando a ênfase do

59,5

59,4

56,0

55,2

consumo e buscando tornar o

47,5

sistema mais equilibrado.

39,6

Os Estados Unidos, por exem-

37,5

em 1986 e reduziram a tributaxo de 20%. Enquanto isso, por

38,1

33,6

plo, fizeram uma grande reforma ção sobre o consumo, hoje abai-

68,7

23,9 17,2

17,2 11,8

aqui o imposto representa mais de 50% em muitos produtos, como cosméticos e bebidas. Se, quando terminar de ler esta ma-

BOLA DE NEVE DEFASAGEM DA TABELA DO IMPOSTO DE RENDA FAZ COM QUE BRASILEIROS PAGUEM MAIS DO QUE DEVERIAM

VOCÊ DEVE SABER que existe uma tabela com faixas salariais que determina quanto cada uma paga de Imposto de Renda (se não sabe, veja ao lado). Só que, por causa da inflação, todo ano os salários são reajustados. E por isso é necessário atualizar também as faixas salariais da tabela — e esse reajuste é bom para o contribuinte. Quer ver? Vamos supor que você receba R$ 3 mil por mês. Se a tabela acompanhasse certinho a inflação acumulada desde os anos 1990, você não pagaria imposto. Só que, por causa da defasagem, você deixa 15% do seu salário,

ou R$ 450, com o governo. Se a tabela fosse corrigida, nenhum contribuinte com renda menor que R$ 3.250,29 pagaria IR, mas a isenção atualmente só vale para quem ganha até R$ 1.903,98. Essa conta está em um estudo feito pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Entre 1996 e 2015, a inflação foi de 260,9%, bem maior do que a correção da tabela, que foi de 109,6%. “Ao não corrigir a tabela, o governo se apropria da diferença entre o índice de correção e o de inflação, reduzindo a renda disponível dos contribuintes”, diz o estudo.

COSMÉTICOS IMPORTADOS

COSMÉTICOS

MICRO-ONDAS

GELADEIRA

SMARTPHONE IMPORTADO

JOGOS VÍDEO

TABLET IMPORTADO

GASOLINA

CHAMPAGNE

CERVEJA IMPORTADA

CACHAÇA

ÁGUA MINERAL

uma reforma tributária.

COMPUTADOR ACIMA DE R$ 3 MIL

finitivamente a questão, só com

CERVEJA (GARRAFA)

para o governo. Para resolver de-

CHOCOLATE IMPORTADO

dos sucos? Não importa: 36,21%

CHOCOLATE

mente 46,47%. Ah, você é mais

FRUTAS

do valor em impostos — exata-

FEIJÃO

estará pagando quase a metade

CARNE BOVINA

latinha de refrigerante, saiba que

ARROZ

téria, você resolver comprar uma

COMO É HOJE RENDIMENTO MENSAL Até R$ 1.903,98

ALÍQUOTA Isento

De R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65

8%

De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05

15%

De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68

23%

Acima de R$ 4.664,68

28%

Fonte: Receita Federal


Crowdfunding oficial

NA DÉCADA DE 1980, OS ESTADOS UNIDOS BAIXARAM A TRIBUTAÇÃO SOBRE O CONSUMO PARA MENOS DE 20% — NO BRASIL, É COMUM PAGAR MAIS DE 50%

VOCÊ PAGA SEM SABER QUAL VAI SER A RECOMPENSA, MAS ELA EXISTE

A

gora você já sabe como o Brasil arrecada seus impostos. Mas como esse dinheiro é gasto? Generalizando, se um imposto é

federal, o dinheiro vai para o Orçamento Geral da União (se for estadual ou municipal, vai para os orçamentos dos estados e municípios). Uma vez no Orçamento, ele passa para um bolo que é gasto de acordo com a Lei de Diretrizes

79,6

Orçamentárias. No ano passado, o governo fe-

83,3

deral arrecadou quase R$ 1,25 trilhão. Cerca de R$ 205 bilhões foram transferidos para estados e municípios. Sobrou R$ 1,043 trilhão. Disso, 42% foram gastos com a Previdência, 23%

56,5

com pagamento dos servidores e 22% com outras despesas obrigatórias, como abono e se-

48,3

guro-desemprego. Mais 23% foram investidos onde o governo quis: em obras do Programa de

39,7

Aceleração do Crescimento, por exemplo. No total, o governo gastou R$ 1,158 trilhão. Ué, mas

38,5

34,6

a receita não era de R$ 1,043 trilhão? Pois é,

Foto: Larry Washburn/ Getty Images

45,9

Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)

24,0

esse é o famigerado rombo das receitas.

PARA ONDE VAI

Como o governo gasta o dinheiro arrecadado

CAMISA

CALÇA JEANS

BICICLETA

CIGARRO

RECEITA LÍQUIDA DO GOVERNO FEDERAL R$ 1,043 trilhão

DESPESAS OBRIGATÓRIAS: 87% % 23 TOS s S e GA lhõ OS bi TR 53 OU R$ 2

LH FO

Até R$ 3.250,28

1,1 TO 58 TA tr L DA ilh S ão DE (d SP éfi ES ci AS td e1 1%

R$

ALÍQUOTA Isento

De R$ 3.250,29 a R$ 4.871,18

8%

De R$ 4.871,19 a R$ 6.494,94

15%

De R$ 6.494,95 a R$ 8.115,61

23%

Acima de R$ 8.115,62

28%

Fonte: Sindifisco Nacional

% 42 CIAL s O õe A S lh CI bi ÊN 36 ID 4 EV R$

RENDIMENTO MENSAL

% 23 NTO s E e AM lhõ AG bi E P 238 A D R$

PR

COMO SERIA SE A TABELA FOSSE CORRIGIDA

Total = R$ 1,158 trilhão, o que representa 111% da receita líquida, ou seja, o governo gastou 11% a mais do que a receita líquida. Saúde e educação representaram 19,3% das despesas, mas esses valores não podem ser somados porque dentro do percentual de saúde e educação há uma parte que é destinada aos salários dos funcionários dessa área, que já entra na conta na folha de pagamento do funcionalismo.

33

Fonte: Tesouro Nacional

)

R$

% 22 EGO, ... R S s MP DIO õe SE SÍ ilh DE UB b O- S 230

R GU SE

BRINQUEDOS IMPORTADOS

BRINQUEDOS

CONTA DE LUZ

CONTA DE ÁGUA

CONTA DE TELEFONE

Em 2015, o governo federal tinha R$ 1,043 trilhão à disposição. Entenda como isso tudo foi gasto


DÚVIDA TRIBUTÁRIA

UM RAIO-X DE TUDO O QUE VOCÊ É OBRIGADO A PAGAR AO GOVERNO

ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE IMPOSTO, TAXA E CONTRIBUIÇÃO TUDO QUE A GENTE PAGA para o governo é imposto? Não, não é bem assim. O imposto, na verdade, é só um dos tipos de tributos (e por isso que se fala tanto de carga tributária). O artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN) define o que é tributo: “Toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Ou seja: tudo aquilo que a gente é obrigado a pagar ao governo e que está previsto na lei é chamado

de tributo. A exceção é a multa, que até está prevista em lei, mas só se você fizer algo errado. Como você já sabe agora, existem mais de 60 deles no Brasil. E os tributos, além dos impostos, podem ser taxas, contribuições, contribuições de melhoria, contribuições parafiscais e empréstimos compulsórios. Está ficando complicado, né? Para simplificar, vamos resumir a impostos, taxas e contribuições, que são a grande maioria dos tributos que pagamos (e, olha, se você dominar a diferença entre os três, está mais que bom). Veja no quadro ao lado a diferença entre cada um deles.

IMPOSTOS O que diferencia o imposto de outros tipos de tributos é que ele não tem uma destinação específica. Ou seja, o que pagamos de imposto pode ser usado na saúde, na educação, em infraestrutura ou em qualquer outro setor. Os impostos podem ser cobrados sobre a renda, sobre o patrimônio e sobre o consumo. TAXAS São cobradas por um serviço específico. É um valor que se cobra para você ter algo em troca, como a taxa para emitir documentos ou para renovar a carteira de motorista. É um valor fixo igual para todos (diferentemente do imposto). CONTRIBUIÇÕES São usadas para um fim específico. Por exemplo, você deve ter acompanhado os debates sobre a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras). Ela foi criada em 1997 e, na época, era usada na saúde pública. Agora, a ideia era que a arrecadação fosse direcionada para o rombo da Previdência.

O que os olhos não veem o coração não sente

ESTABELECIMENTOS DESCUMPREM LEI E NÃO INDICAM IMPOSTOS NA NOTA

U

ma lei de 2012 obriga os estabelecimentos comerciais a colocar na nota fiscal o valor do imposto cobrado sobre produtos e serviços. A

lei passaria a valer a partir de 2013, mas o governo atendeu a um pedido de empresários e postergou a data para maio do ano passado. Já faz mais de um ano, portanto, que um monte de estabelecimentos deveria estar discriminando na nota o total de impostos pagos, mas o IBPT estima que aproximadamente 70% deles não cumpram a norma. Isso porque o instituto criou um programa gratuito para as empresas baixarem e incluírem a informação na nota, mas apenas 30% do número previsto de estabelecimentos fez o download até agora. O objetivo da lei, segundo Olenike, é estimular a cidadania. Se você começar a ver tudinho que paga, é provável que até se anime a exigir seus direitos. “As pessoas só pegam a nota fiscal se o produto tem garantia. Quando pegam, nem olham. É uma cultura difícil de mudar, precisa de campanha, de ações. Mas o governo não tem interesse nisso porque não quer ser cobrado pela população”, diz o presidente executivo do IBPT. Da próxima vez que você for ao mercado, dê uma olhada logo abaixo do total das compras. E, se a informação dos impostos não estiver lá, Procon nele!

34

Foto: Floortje/Getty Images


CAPA: ANIMAIS CRIADOS PARA O SEU DIVERTIMENTO P.36

O ASTRÓLOGO E A ASTRÔNOMA P.54 ILUSTRAÇÃO CAMILA MARQUES

IDIOMAS FICTÍCIOS P.68

ENTREVISTA: HELENA NADER P.50

VOLTA AO MUNDO DE SOL A SOL P.62 A INTERNET SOVIÉTICA P.74


CATIVEIRO PREJUDICA A SAÚDE DAS BALEIAS

100%

1%

das orcas machos dos parques têm a barbatana dorsal torta.

da população fora de cativeiro apresenta essa disfunção. Para ativistas, o problema é causado pelas piscinas pequenas e rasas.

SHAMU STADIUM

92% das orcas dos parques SeaWorld morrem antes dos 25 anos de idade. Na natureza, a média é de 30 anos para os machos e de 50 para as fêmeas.

na piscina é o que uma orca do SeaWorld precisa nadar por dia para percorrer a mesma distância que percorreria no oceano. Na natureza, elas se deslocam por até 160 quilômetros em 24 horas.

Fonte: O NG W h

ale a

nd

Do lph in

Co n

ser

vat ion


OCEANO

RT TÃ O P E

O, MAS T ÃO

ORCAS DO PARQUE SEAWORLD VIVEM EM PISCINAS A METROS DO OCEANO

ESTACIONAMENTO


335

.500 M 2

é o tamanho do estacionamento de automóveis do parque SeaWorld de San Diego.*

5 .1 5 0 M 2 é a área do Shamu Stadium, conjunto de piscinas onde as baleias vivem e se apresentam.*

38

*Medidas aproximadas


RESP

EL PÚBL V Á ICO EIT

APÓS UMA SÉRIE DE CASOS TRÁGICOS ENVOLVENDO ANIMAIS EM CATIVEIRO E HUMANOS, FUTURO DE ZOOLÓGICOS, AQUÁRIOS E CIRCOS ENTRA EM DISCUSSÃO POR GIULIANA DE TOLEDO

DESIGN FEU

ILUSTRAÇÕES MÁRCIO MORENO


A companhia de parques aquáticos também já anunciou mais uma medida para 2017. O atual espetáculo das suas “baleias assassinas” — em inglês, as orcas são chamadas de killer whales — só será realizado até o fim deste ano no parque da Califórnia. Até 2019, o modelo de show também mudará em San Antonio (Texas) e na Flórida. “Vamos introduzir novos, inspiradores e naturais encontros com orcas em substituição aos espetáculos teatrais”, escreve a empresa, que também confire nós estamos mudando também.

ao tanque em que Tilikum é mantido na

mou investimento de US$ 50 milhões

É isso que diz um anúncio do SeaWorld

unidade de Orlando, uma piscina de 5,7

nos próximos cinco anos para se tornar

divulgado no início deste ano para avi-

metros de largura, 9,5 de comprimento

a mais importante organização de res-

sar que a atual geração de orcas será a

e 2,1 de profundidade seria todo o espa-

gate de animais marinhos do mundo.

última do parque, já que os programas

ço que ele teria à disposição. Segundo a

O objetivo é acabar com o comércio

de reprodução dos animais finalmente

ONG Whale and Dolphin Conservation,

de baleias, focas e tubarões. Há mais

foram encerrados. A verdade é que a tal

o SeaWorld ainda possui 23 orcas.

de 30 anos o SeaWorld não captura or-

mudança dos tempos foi acelerada pela

“As pessoas já se deram conta de

cas selvagens, mas as primeiras foram

queda de bilheteria sentida após o do-

que as orcas são animais muito inte-

adquiridas dessa forma para os shows.

cumentário Blackfish: Fúria Animal, de

ligentes e que não pertencem a um

Por esse histórico, o programa de con-

2013. O filme narra a vida de Tilikum,

tanque tão pequeno, onde precisam

servação é visto com desconfiança por

capturado do oceano quando filhote, em

passar toda a sua vida nadando em

entidades como a Whale and Dolphin

1983, e com largo histórico de maus-tra-

círculos intermináveis. Na natureza,

Conservation. De acordo com a ONG, o

tos em cativeiro. Hoje com 35 anos e saú-

elas nadariam cerca de 160 quilôme-

valor é irrisório: a cada US$ 1 milhão de

de comprometida, ele já foi o principal

tros por dia”, afirma Alicia Aguayo,

receita, US$ 600 vão para esse fundo.

reprodutor do SeaWorld, a despeito do

gerente para a América Latina da

risco de serem passados adiante os genes

ONG Peta (People for the Ethical

de um animal que acumula ao menos dois

Treatment of Animals). “Os brasilei-

ataques fatais a treinadoras — um possí-

ros são o maior grupo de estrangeiros

vel terceiro caso, este com um visitante,

no SeaWorld de Orlando. Ajudaria

nunca foi esclarecido. Fora de cativeiro

muito se parassem de visitá-lo”, diz.

ESCOLHA UMA VIDA Além das novidades anunciadas pelo SeaWorld, o debate em torno da tensão entre seres humanos e animais em cativeiro cresceu neste ano motivado por

não se tem registro de mortes de humanos provocadas por orcas. Por causa do pouco espaço destinado aos animais, imagens aé-

NOS PRIMEIROS OITO MESES DESTE ANO, JÁ FORAM REGISTRADAS AO MENOS SEIS TRAGÉDIAS

reas dos três empreendimentos SeaWorld nos Estados Unidos se tornaram símbolos das campanhas que pedem o fechamento dos parques. No de San Diego (cujo mapa você vê na página 36), o mar fica bem à frente, mas as baleias vi-

E MA R Ç O 17 D

MAIO 21 DE

Rede de parques aquáticos SeaWorld, nos EUA, anuncia que vai parar com a reprodução de orcas; a atual geração será a última a viver em cativeiro.

Dois leões do Zoológico de Santiago, no Chile, são sacrificados porque atacaram um rapaz que tentou se suicidar. O jovem, de 20 anos, sobreviveu.

vem e fazem shows no Shamu Stadium, que ocupa uma fração pequena do terreno — a maior parte é dedicada ao estacionamento. Guardadas as proporções do corpo, se um homem fosse confinado em um cativeiro equivalente

40

1º DE MAIO

24 DE MAIO

Circo Ringling Bros., dos EUA, realiza sua última apresentação com elefantes; os animais foram aposentados e encaminhados para centro de conservação na Flórida.

Morsa do Zoológico de Weihai, na China, mata afogados um visitante que tentava tirar selfies com ela e também um funcionário que tentou impedir o ataque.


diversos casos ocorridos nos últimos

UM

meses. Até agosto, foram registradas ao menos seis tragédias pelo mundo. Só em

E L E FA N T E

maio houve três episódios com mortes. “A mamãe está aqui!”, “Fique calmo”, ouve-se repetidas vezes em um vídeo

ESCULTURA DE ARTISTA BRASILEIRO REPRODUZ ANIMAL EM CIMA DE BOLA

viralizado na internet de um menino de três anos diante do gorila Harambe no Zoológico de Cincinnati (EUA), em 29 de maio. A mãe, que se distraiu enquanto o garoto invadia a área, e outros visitantes gritam tentando ajudar. A gravação dura pouco mais de dois minutos e meio, suficientes para ver o primata desorientado. Olha para os lados, olha para a criança. Segura, solta, empurra, arrasta por metros pela água do fosso o visitante inesperado. A maior tensão, porém, não está na cena. Do lado de fora do viveiro, os responsáveis pelo zoológico e policiais decidiram intervir para garantir a integridade do garoto. Harambe foi morto com um tiro. Segundo os tratadores, não havia outra opção, porque dardos com tranquilizantes, até surtirem efeito, poderiam aumentar a agressividade do animal. A primatóloga Jane Goodall, uma das maiores especialistas do mundo no comportamento desses animais, decla-

Um dos truques mais tradicionais dos números de elefantes adestrados em circos é o de se equilibrar com as quatro patas em cima de uma pequena bola. A pose foi reproduzida em uma escultura por Rodrigo Bastos Didier, artista recifense radicado em São Paulo — e é essa escultura que você vê na capa desta edição da GALILEU. Com formação em design, ele estudou na Gnomon School of Visual Effects, em Hollywood.

A referência visual para a escultura veio de vídeos disponíveis na internet com trechos de apresentações conduzidas pelo treinador norte-americano Brian Franzen. Um dos adestradores de elefantes e tigres mais conhecidos dos Estados Unidos, ele está na lista negra dos ativistas dos direitos dos animais. A trajetória de Brian no mundo circense é longa e peculiar. Aos 50 anos, seu pai, Wayne Franzen, também treinador de tigres, foi morto por um dos seus felinos em pleno picadeiro, diante de 200 pessoas, em 1997. Para os investigadores, Lucca, o tigre-de-bengala de seis anos de idade e mais de 180 quilos, atacou o dono por ter sido atraído pelo seu novo traje, cheio de brilhos. Brian usou uma vara para ferir o animal na cabeça até que o corpo do pai fosse solto, já sem vida. No dia seguinte à morte, o circo abriu normalmente. “O show tem que continuar”, disse Tina Franzen, ex-mulher de Wayne e administradora da companhia.

rou dias depois que não havia outra solução para o caso. “Harambe poderia, sim, ter machucado a criança, mesmo sem a intenção de fazer mal”, disse ela.

ENVOLVENDO BICHOS EM CATIVEIRO E HUMANOS, MAS TAMBÉM HOUVE ALGUMAS CONQUISTAS PARA O BEM-ESTAR DE ANIMAIS

MAIO 2 9 DE

E JUNHO 23 D

E JULHO 26 D

Gorila Harambe, de 17 anos, é morto no Zoológico de Cincinnati, em Ohio (EUA), após menino de três anos entrar no seu viveiro e ser arrastado pelo animal.

Por decisão do governo, o Zoológico de Buenos Aires anuncia que vai fechar as portas para dar origem a parque ecológico sem visitação aos animais.

Menina de sete anos morre com pedrada de um elefante no Zoológico de Rabat, no Marrocos; a garota havia atravessado a cerca e a vala do viveiro.

20 D E JUNHO

Onça-pintada Juma, horas após participar da passagem da Tocha Olímpica, é morta ao fugir da jaula no Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus.

23 D E JULHO

Mulher desobedece às regras e sai do carro durante safári em Pequim; ela é ferida por um tigre e a amiga que tenta ajudá-la é morta pelo animal.


Em momento de distração de sua mãe, um garoto de três anos, cujo nome não foi divulgado, escalou uma grade de cerca de 1 metro de altura e caiu dentro do fosso do habitat de três gorilas.

Dois dos gorilas se recolheram, por instrução dos tratadores.

2

Ele passou por arbustos e caiu de aproximadamente 4,5 metros de altura.

1

Harambe não seguiu a ordem dos tratadores. Foi até o garoto e o arrastou dentro da água do fosso.

3

4 Por cerca de dez minutos, o gorila, de mais de 180 quilos, interagiu desorientado com a criança, ora observando, ora a empurrando, ora a puxando para dentro da água.

U M A V I S I TA

GORILA HARAMBE FOI MORTO APÓS MENINO DE TRÊS ANOS CAIR NO SEU HABITAT

Do lado de fora, a mãe e outros visitantes gritavam.


Harambe foi morto com um tiro. Segundo os guardas, o garoto estava entre as pernas do bicho no instante do disparo. A crianรงa saiu com ferimentos leves.

7 Guardas relatam que o animal continuava arrastando a crianรงa lรก dentro. Decidiram, entรฃo, interferir.

6

5

Harambe subiu uma escada e levou o menino consigo para o interior do habitat.


“E seria difícil mesmo para pessoas fa-

E LV A P A R A O DA S

miliarizadas com Harambe determinar as intenções dele a distância, em pouco tempo, enquanto poderia haver um mal irreparável”, completou a britânica, pioneira na área. “Foi horrível para a criança, para os pais, para Harambe, para o

TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES MOVIMENTA R$ 2,5 BILHÕES POR ANO

zoológico, para os tratadores e para o público, mas, quando pessoas entram em contato com animais selvagens, decisões de vida e morte às vezes têm que ser tomadas”, disse. Nas redes sociais, a escolha, porém, foi condenada. Um abaixo-assinado com 510 mil assinaturas pede que os pais sejam responsabilizados pela morte do gorila de 17 anos — completados na véspera da tragédia. O promotor disse que a família não será processada. Já para Lori Gruen, filósofa que estuda as relações éticas entre humanos e animais, culpar os pais do menino ou o Zoológico de Cincinnati é olhar o problema de maneira superfi-

Fonte: Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres

cial. “Parece que temos de culpar al-

44

guém, mas os dedos estão apontados para a direção errada”, destaca a professora da Universidade Wesleyan, de Connecticut. Para ela, a questão é maior: a própria existência de zooló-

dora do livro The Ethics of Captivity (A

caso de Harambe, a cena foi registrada e

gicos é o que gera casos como esse.

Ética do Cativeiro). “O cativeiro é uma

publicada na internet por frequentado-

A sociedade precisa mudar e parar de

experiência angustiante, inclusive para

res, alheios à tentativa de suicídio. “Mas

manter essas instituições, afirma, para

os humanos. Eu me pergunto como fi-

de onde saiu esse cara?”, diz uma voz

evitar episódios semelhantes. “Espero

cam as pessoas que testemunharam o

feminina em um vídeo. “Olha, está en-

que a gente desenvolva empatia. Tenho

caso de Harambe ou que ainda vão pas-

jaulado e não acontece nada”, comenta

visitado vários zoológicos recentemen-

sar por aquele zoológico. Sério que isso

um homem, enquanto o animal e o ra-

te e vejo muitas pessoas rindo, se diver-

é ter uma boa experiência turística?”

paz estão atracados. Mas, sim, aconte-

tindo, batendo nos vidros. Não existe

ceu: quando os guardas chegaram, dois animais de origem africana, macho e

refletirem sobre a existência dos zooló-

IRRACIONAIS Também em maio, oito dias antes, no Chile, outra dessas decisões de vida

gicos e está gerando uma conversa mui-

ou morte teve de ser tomada. Um ho-

ferimentos graves, mas sobreviveu.

to importante sobre por que mantemos

mem nu invadiu o recinto dos leões do

“A gente conta com o bom senso das

animais em cativeiro”, diz a organiza-

Zoológico de Santiago. Assim como no

pessoas. Uma pessoa tem que ultrapas-

um ambiente de respeito aos animais.” “A morte de Harambe fez as pessoas

fêmea, foram sacrificados para que parassem de atacar o jovem. Ele saiu com

sar várias barreiras para sofrer um acidente, mas, se ela quiser se jogar no fosso do animal, ela consegue, né?”, diz Kátia Cassaro, bióloga responsável pelo zoológico do parque de diversões Beto Carrero, em Penha (SC). Uma das maiores coleções particulares do país, o local tem cerca de mil animais. No Brasil, pelas normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para zoológicos, o afastamento mínimo do público em relação aos viveiros tem de ser de 1,5 metro. Somente se houver LORI GRUEN, FILÓSOFA NORTE-AMERICANA

vidros essa distância é dispensada.


Observando o comportamento

a gente ainda tem que alterar muito

de um deles. O caso terminou com a

dos visitantes, a administração de-

da nossa cultura para começar a enten-

morte do menino, Júnior, e de quatro

cidiu reforçar a segurança nos últi-

der movimentações contrárias à exposi-

dos cinco leões. O Superior Tribunal

mos tempos, conta Cassaro. “Aqui

ção de animais ou à colocação deles em

de Justiça determinou, em 2010, dez

você sobe em uma passarela e avis-

ambientes que não são naturais.”

anos após a morte, o pagamento de in-

ta no plano inferior os leões e os ti-

denização de R$ 275 mil à família.

gres. Esse espaço foi todo preenchi-

PICADEIRO TRISTE

do com vidro porque notamos que

“Só deu tempo de ouvir meu filho di-

mais rápida. No ano seguinte, o estado

os pais sentavam as crianças peque-

zer: ‘Ai, pai’. Ele sorria. Parecia achar

de Pernambuco sancionou lei que proí-

nas em cima da mureta”, diz ela, so-

que o leão estava brincando”, lembrou

be animais em apresentações circenses

bre a obra feita há cerca de cinco anos.

José Miguel dos Santos Fonseca em en-

ou teatrais. De lá para cá, outros dez

“Assim, mesmo que a pessoa queira se

trevista à revista Época, dez anos de-

estados brasileiros também passaram a

jogar para se suicidar, não consegue.”

pois do ataque que matou seu filho, aos

vetar circos com bichos. Fora esses lo-

Nos últimos meses, os recin-

seis anos, em pleno picadeiro do Circo

cais, há ainda alguns municípios de ou-

Vostok, na Grande Recife, em 2000.

tros estados que têm leis semelhantes.

tos da girafa e da zebra também ga-

Na legislação, a resposta ao caso foi

nharam mais uma barreira para

O garoto passava pela jaula dos

Em âmbito nacional, o Projeto de

impedir a entrada de braços de visi-

leões quando foi agarrado pelas patas

Lei 7.291, de 2006, aguarda votação

tantes. Além de vergalhões, agora telas separam os bichos. “Muitas vezes as pessoas não se dão conta do perigo que representa uma zebra ou uma girafa, porque olham o animal no

O SUDESTE, COM 69 LOCAIS PÚBLICOS OU PRIVADOS, É A REGIÃO DO BRASIL COM MAIS ZOOLÓGICOS E AQUÁRIOS 1 zoológico ou aquário

10 zoológicos ou aquários

Estados com leis que proíbem animais em circos

recinto, bem tranquilo, e isso passa uma imagem de que você

AP

RR

pode chegar perto”, afirma a bióloga. A falta de noção sobre como lidar com animais silvestres se

AM

reflete também na von-

PA

tade de ter em casa bichos que não são domesticáveis. O hábito é preocupante porque

CE

MA

RN PB

PI

PE

AC

alimenta o tráfico. Essa

AL

TO

RO

cadeia move R$ 2,5 bi-

BA

MT

lhões por ano no país

SE

GO

e provoca a morte de, em média, 90% dos

DF

animais capturados antes mesmo que cheguem a ser vendi-

Centro-Oeste

dos, principalmente pelo transporte em

Nor de

condições inadequadas, segundo estima-

S

ul

6 24

14 11

em casa, seja bicho legal, seja bicho ilegal. Isso é bem grave”, ressalta Maria Izabel Gomes, coorde-

rte No

“O brasileiro gosta de ter bicho

ES

st

e

tivas da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres.

MG MS

SP PR

SC

69

nadora de fauna do Ibama. “Então,

RJ

RASIL NO B

RS

diferentemente do que está ocorrendo em outras partes do mundo, onde há rejeição a zoológicos, no Brasil

Sudeste

TOTAL: 124

Fonte: Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil


Para peritos, o vão entre as grades, de 10 cm, era muito grande e o material cedeu à força.

1

Em intervalo dos números no Circo Vostok, o público foi tirar fotos com pôneis. José Miguel, de seis anos, participou da atividade com o pai, a irmã, de três anos, e um primo, de dez.

2

Por volta das 19 horas, quando retornava das fotos, ele passou a um metro da jaula de um leão no picadeiro. Bongo, macho de oito anos, botou as patas para fora, agarrou o menino pelo tórax e o arrastou para dentro.

O pai e outros espectadores tentaram reagir usando cadeiras.

Na necrópsia, constatou-se que os quatros leões não eram alimentados havia tempo. Nenhum pedaço do corpo foi encontrado nos estômagos.

E O ESP

TÁ C U L O M A I S

MENINO DE SEIS ANOS FOI DEVORADO POR LEÕES EM 2000 NA GRANDE RECIFE

7


3 5

4

Segundo testemunhas — cerca de 3 mil pessoas presenciaram o ataque —, o garoto foi mordido na cabeça, sacudido e depois jogado no chão da jaula.

Fontes ligadas ao circo disseram que os bichos tinham comido pela última vez três dias antes. O dono negou.

Ele ainda foi arrastado pelo felino por um túnel gradeado até a caçamba do caminhão que servia de abrigo para mais quatro leões. Lá foi parcialmente devorado.

A polícia chegou às 20 horas e tentou afastar os bichos dando tiros para o alto. Às 21 horas, matou dois. Outros três leões foram isolados. Uma hora mais tarde, dois invadiram o espaço onde o corpo do garoto estava e foram mortos.

O corpo dilacerado do menino — pescoço quebrado, braço esquerdo decepado, vísceras expostas — só foi removido às 23h45.

6


nosso programa de reprodução, para

A ARC

DE NOÉ EM

assegurar que esses ‘caras’ estejam por aqui por muitas e muitas gerações.” Os “caras”, tanto asiáticos quanto africanos, sofrem risco de extinção. “Só no continente africano são mortos

SAIBA COMO OS “ZOOLÓGICOS CONGELADOS” PREPARAM SEU ACERVO

por ano quase 50 mil elefantes. Se você calcular que a população é de 450 mil, vê que é uma situação de alto risco. Em

UM

Ó S

PEDAC

poucos anos, eles podem ser extintos se

INHO

não forem tomadas medidas drásticas”,

O material — parte de tecido, sangue, esperma ou óvulo — é colhido do animal e levado para laboratório.

diz Junia Machado, brasileira criadora do primeiro santuário de elefantes da América Latina, que receberá as suas primeiras moradoras neste mês.

HORA DE MUDANÇA

REGISTRO

Santuários são o modelo de institui-

As amostras colhidas são analisadas, a fim de checar se estão boas para uso no futuro, e catalogadas.

H

O

ção defendido por ativistas dos direitos dos animais como a opção mais confortável para bichos que não podem sobreviver fora de cativeiros. Os viveiros devem ser mais amplos do que

RA DE GELAR

em zoológicos, tentando reproduzir ao máximo o ambiente na vida selvagem.

Os tubos com material genético são conservados em tanques de aço com nitrogênio líquido a cerca de -120°C.

M

Por isso, em geral, santuários não aceitam receber visitantes. Atualmente, existe por volta de uma dezena no Brasil. Pela legislação, no entanto, esse tipo de local não tem distinção. A licença preci-

TOS-VIV OS OR

sa ser obtida da mesma forma que para manter um zoológico tradicional.

Os pesquisadores podem descongelar essas células vivas “adormecidas” em cerca de 20 minutos.

As elefantas asiáticas Maia e Guida, de cerca de 44 e 42 anos, aguardam a mudança para o santuário de Machado em um sítio em Minas Gerais, onde vivem há seis anos, desde que foram apreendidas de um circo na Bahia

Fonte: San Diego Zoo

pelo Ibama. Machado, que estima que haja no país em torno de 25 elefantes

48

em cativeiros, fechou acordo com o Ministério Público para cuidar delas. Para chegarem ao santuário, um sí-

na Câmara dos Deputados. A propos-

Fora do país, 2016 já é um ano mar-

tio com 1,1 mil hectares na Chapada

ta pretende acabar com o emprego

cante para a história dos circos. No

dos Guimarães, no Mato Grosso, as

de animais em circos em todo o

início de maio, a companhia Ringling

elefantas viajarão em caminhões den-

território, além de criar um con-

Bros., um dos principais alvos de cam-

tro de contêineres especiais, com

trole nacional dessas atividades.

panhas de ativistas nos EUA, fez seu

respiradouros e espaço para o acú-

Atualmente, são os estados e muni-

último show com elefantes. Agora apo-

mulo de excrementos. As caixas me-

cípios os responsáveis por cuidar do

sentados, 42 animais foram enviados

tálicas estão sendo construídas com

tema. A regulamentação de zoológi-

para um centro de preservação na

consultoria técnica do Santuário

cos e aquários também é feita pelos

Flórida mantido pela própria empresa.

de Elefantes do Tennessee (EUA), or-

estados e prefeituras. O Ibama, órgão

“É agridoce”, disse Ryan Henning,

ganização parceira no projeto, assim

federal, age exclusivamente na fisca-

apresentador das performances dos

como a ONG Elephant Voices, que tem

lização em casos de denúncias. “É o

elefantes por mais de uma década. “É

base em Moçambique e no Quênia.

equivalente à Polícia Federal, que par-

amargo no sentido de que é o fim de

A próxima hóspede, com chegada pre-

ticipa de investigações especiais”, diz

uma era. Mas isso realmente vai nos

vista para o ano que vem — desta vez

a coordenadora de fauna do instituto.

permitir ter foco na conservação e no

por avião —, será a elefanta Ramba, do


Chile, outra asiática aposentada de cir-

santuários, é impedir a sua reprodução.

co e com histórico de maus-tratos.

“Esperar anos até que esses animais

As ONGs esperam conseguir doa-

morram é a única solução.”

ções para o deslocamento das elefantas.

de R$ 45 mil. Por avião, para a Ramba,

REPRODUÇÃO ASSISTIDA O tema da reprodução em cativeiro é um dos mais polêmicos entre ativis-

deve custar o triplo”, diz Machado.

tas e cientistas. Mara Marques, bióloga

Para a compra do terreno, arrecadaram

do Zoológico de São Paulo, diz que se-

R$ 67 mil em uma vaquinha online —

ria temerário suspender os programas

valor baixo, perto dos gastos totais.

acompanhados por pesquisadores, que

A obra inicial de estrutura para receber

funcionam como um backup, ou seja,

os animais custa mais de R$ 1,5 milhão.

uma cópia de segurança da natureza.

“Para o transporte por terra da Maia e da Guida, conseguimos um orçamento

A falta de doações também é sentida

“Se ocorre um incêndio de grandes

no Santuário de Sorocaba, que funciona

proporções, por exemplo, uma espé-

em um sítio no interior paulista e abriga

cie pode ser dizimada se não tivermos

mais de 50 chimpanzés, além de outros

animais geneticamente prontos, saudá-

250 bichos — parte deles foi comprada

veis, para repovoar essas áreas”, afirma

pelo proprietário. A manutenção é fei-

Marques. “Um exemplo é o mico-leão-

ta com R$ 100 mil mensais vindos de

-dourado. Animais vindos de cativeiros

recursos próprios “colocados a fundo

ficaram em adaptação e depois foram

perdido”, define o dono, o microbiolo-

soltos. É um sucesso reprodutivo que

gista e empresário Pedro Ynterian.

tem conseguido se manter. Podemos di-

“Eu não tenho condições de aceitar mais animais. Tenho solicitações

PEDRO YNTERIAN, DONO DE SANTUÁRIO EM SOROCABA (SP)

zer que o mico-leão-dourado só sobre-

indivíduos de mil espécies diferentes.

viveu porque os zoológicos ajudaram.”

O modelo da Califórnia serve de ins-

para receber animais de Portugal,

Segundo a bióloga, para os animais

piração para o Departamento de

Argentina, Espanha… Mas não posso

que não podem voltar à natureza, o es-

Pesquisas Aplicadas, criado em 2013

aceitar mais”, afirma o cubano radicado

tresse da vida em cativeiro pode ser mi-

no Zoológico de São Paulo.

no Brasil. “Os santuários dão uma vida

nimizado com atividades acompanha-

Essa espécie de “arca de Noé” a

mais decente para os animais maltrata-

das pelos tratadores (veja abaixo). Para

ser construída na zona sul da capital

dos, porém, não são uma solução defi-

melhorar a função de “reserva”, progra-

paulista é o primeiro projeto do gêne-

nitiva. A única saída que existe é proi-

mas de “zoológicos congelados” são a

ro em um zoológico da América Latina

bir o cativeiro.” Para Ynterian, a forma

aposta de cientistas. O mais famoso do

— e ainda está bem no começo.

de romper o ciclo que mantém esses

mundo é o Frozen Zoo, de San Diego,

A prioridade é guardar material da

animais longe do seu habitat natural,

que conserva em tanques de nitrogênio

chamada lista vermelha, dos ani-

seja em zoológicos e circos, seja em

líquido amostras genéticas de 10 mil

mais mais ameaçados de extinção. Por enquanto, são 400 as amostras de DNA armazenadas. O banco de sêmen, no entanto, tem somente o de muriqui-

ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO TEM ATIVIDADESPARACRIARESTÍMULOSNOSCATIVEIROS;CONHEÇAALGUMASAÇÕES

do-sul, primata nativo da Mata Atlântica, conhecido como mono-carvoeiro. “A gente está caminhan-

PINTURA

PICOLÉ

do na questão da conservação. Um zoológico não

A elefanta Teresita pinta com a tromba, com tinta feita de farinha, água e corante comestível.

Frutas são servidas dentro de cubos de gelo para que os bichos se entretenham até derretê-las.

pode ser mais simplesmente comprar um bilhete e entrar para ver bichos”, diz Patrícia Locosque Ramos, bióloga que coordena o de-

FURADA

Para macacos, garrafas de plástico com orifícios são entregues com mel; com gravetos eles conseguem retirar o conteúdo.

PERFUME

Cheiros, como de curry e cravo, também estimulam os animais; diversas especiarias são espalhadas no viveiro de urso.

partamento. “Há gente a favor e contra os zoológicos, mas nós precisamos trabalhar com o mesmo intuito, que é o de ajudar. O importante é o bicho.”


TEXTO CRISTINE KIST

DESIGN MAYRA MARTINS

50

A PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, HELENA NADER, DIZ QUE ÚLTIMO ANO FOI “DEPRIMENTE” E FALA SOBRE A ROTINA DE NEGOCIAÇÕES COM POLÍTICOS EM BRASÍLIA


Um dia antes de receber GALILEU em seu laboratório na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a pesquisadora Helena Nader foi a Brasília participar de um encontro de cientistas com o presidente interino Michel Temer. “Falei para ele que, enquanto o Brasil continuar acreditando que recursos destinados a ciência e tecnologia são gastos, e não investimentos, vamos só andar para trás”, conta Nader, que ocupa o cargo de presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) desde 2011. A entidade foi criada há quase 70 anos para incentivar o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Com frequência, seus representantes precisam correr atrás de políticos para buscar investimentos para o setor — uma missão quase impossível em tempos de crise: “O orçamento do MCTI [Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação] era de R$ 9,4 bilhões em 2013, e agora é de R$ 3,5 bilhões. E querem cortar mais. É trágico”, diz Nader. Ela chegou a entregar o cargo durante a reunião anual da SBPC no início de julho depois de se ver no centro de uma polêmica política. A confusão começou quando o professor de química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),

Antonio Carlos Pavão, pegou o microfone e reclamou da postura da pesquisadora: “Fora Temer e seu bando! Estou ouvindo coisas que eu não gostaria de ouvir da SBPC. A SBPC está em cima do muro. Negociou com golpistas, fez reunião com golpistas”. Em seguida, alguém que assistia ao discurso da plateia gritou “pelega”. “Foi pior do que se me chamassem de vagabunda. Meu marido foi preso durante a ditadura, foi torturado, teve de sair do país. As pessoas não conhecem minha história, não podem ser levianas”, diz ela, ainda irritada quase um mês após o episódio. No final, Nader resolveu permanecer no posto a pedido do conselho da entidade. Mas a polêmica não parou por aí: o jornal Folha de S.Paulo publicou que ela só se dediciu a continuar depois de receber uma ligação de Michel Temer. Nader ficou furiosa: “Escrevi para lá imediatamente dizendo que era calúnia, que não houve ligação nenhuma”. O jornal se justificou dizendo que a informação fora dada pela assessoria do próprio Palácio do Planalto e que, depois de passar a nota, Temer desistiu de fazer a ligação. Pergunto se o assunto foi mencionado durante a reunião em Brasília. Ela sorri: “Não, a reunião era sobre coisas muito maiores e mais importantes do que uma fofoca”. Coisas mais importantes como a fusão do MCTI com o Ministério das Comunicações e os cortes nos programas da pasta, temas abordados na entrevista a seguir.

51


Entre a presidência e a vice-presidência, a senhora está à frente da SBPC há quase dez anos. Este é o momento mais difícil para a ciência brasileira nesse período? Com certeza. Esse último ano foi muito difícil. É até deprimente, sabe? Eu não queria de jeito nenhum esse terceiro mandato. Trabalhei muito e deixei a SBPC ativa no Congresso Nacional, lutei por leis e até conseguimos várias vitórias. O meu papel é defender a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação porque, sem isso, não tem futuro. Inclusive, na reunião que tivemos com o presidente Michel Temer, eu disse exatamente isso: enquanto o Brasil continuar acreditando que recursos em educação e ciência são gastos, e não investimentos, vamos andar para trás. O orçamento do MCTI era de R$ 9,4

sunto, debatem — talvez eu esteja sem-

bilhões em 2013, e agora é de R$ 3,5 bi-

pre conversando só com algumas poucas

lhões. E querem cortar mais. É trágico.

pessoas excepcionais, mas aprendi mui-

Como é esse trabalho no Congresso? Muito interessante. A gente tem uma visão meio folclórica do Congresso, mas

to a dialogar e mostrar pontos de vista. Algumas coisas nós ganhamos, outras perdemos, mas nunca jogamos a toalha.

a minha convivência com as pessoas e

Não jogaram a toalha em que sentido?

os assessores é muito boa, são pessoas

Por exemplo, no dia 11 de janeiro, uma

altamente qualificadas. Conhecem o as-

segunda-feira, eu estava presente na mesa em que foi sancionado o Marco Legal da Ciência e Tecnologia [que permite, entre outras coisas, que laboratórios de universidades sejam usados pela indústria e que professores com dedicação exclusiva possam fazer pesquisas em

52

“EXISTE UMA CRISE GRANDE—QUENÃO COMEÇOUAGORA,ÉBOM DEIXARCLARO—QUE PRECISASERRESOLVIDA,MAS NÃOPODESERÀSCUSTAS DEEDUCAÇÃOECIÊNCIA, QUESÃOOMOTORDOPAÍS”

empresas]. A presidente Dilma fez um discurso empolgadíssimo sobre a ciência e nenhum veto ao Marco foi mencionado. Na terça-feira à noite, vimos que existiam oito vetos. Tenho certeza — e não tenho procuração para defender Dilma, mas vou fazer isso mesmo assim — que, pelo discurso que fez, ela não sabia desses vetos.

E quem foi o responsável então? O pessoal dos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Eles olharam apenas para o curtíssimo prazo e acharam que os empresários seriam desonestos e usariam as bolsas como artimanha para não pagar direitos trabalhistas. Eu fiquei arrasada, mas não parei. Fomos atrás de senadores e deputados — nas duas casas há projetos de lei incorporando o conteúdo dos oito vetos à legislação.


Por que o Marco Legal da Ciência e Tecnologia é tão importante? O Marco pega leis já existentes e reúne todas elas em um lugar só para deixar tudo mais claro. Hoje, por exemplo, existe o Regime Diferenciado de Contratações [dispositivo que acelera o processo de licitações] para as universidades, mas elas não conseguem usar porque a interpretação é confusa. É preciso deixar isso mais claro:

53

ou pode ou não pode. Se conseguirmos incorporar o conteúdo dos vetos de volta, o Brasil andará para a frente.

A senhora chegou a falar com a presidente depois desses vetos? Não. Gosto muito dela, admiro-a como pessoa, embora tenha pouco contato. Acho que faltou um pouco de diálogo, mas… O discurso dela no Marco foi um discurso progressista de parceria entre o público e o privado, uma coisa olhando para a frente. Não tenho como garantir que foram os ministérios do Planejamento e da Fazenda que fizeram os cortes, mas todos os argumentos apresentados eram econômicos, então eu diria que existe uma grande chance de ter sido isso que aconteceu.

A senhora descreveu o discurso de Dilma na área da ciência como progressista. E o discurso de Temer, qual é?

são extraterrestres. A economia chinesa

DEVOLVA-ME

“Se não dialogarmos, não vamos conseguir pagar as contas. Continuo dizendo que quero o Ministério de volta, mas quero de volta também o orçamento.”

desacelerou, e por isso mesmo aumentou em mais de 9% o orçamento para pesquisa básica e se comprometeu a destinar 2,5% do PIB para tecnologia e inovação até 2020. A Suécia investe 3% do PIB, a Coreia, 4%. Então esses ETs que dominam a Fazenda e o Planejamento olham só o imediato e não percebem o que o resto do mundo já percebeu: que, para sair da crise, é preciso investir em ciência e tecnologia.

discurso do desenvolvimento, do país

Fezalgumadiferençanapráticaafusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações?

para a frente. Tanto que, quando nós

Fez no sentido de perder identidade.

falamos dos vetos, ele disse que já havia

Fui muito criticada por conversar com

feito uma medida provisória, mas que

o ministro Gilberto Kassab, mas o Bra-

a Fazenda tinha pedido para dar uma

sil já tem meses de governo interino, e

olhada. Você está vendo quem manda

preciso dialogar em nome da ciência.

no Brasil? É impressionante. Isso é uma

Se não dialogarmos, não vamos conse-

coisa que me aflige bastante. Às vezes,

guir pagar as contas. Continuo dizendo

tenho a sensação de que os economistas

que quero o Ministério de volta, mas

O discurso dele me pareceu também o

quero de volta também o orçamento. Existe uma crise financeira grande — que não começou agora, é bom deixar claro — que precisa ser resolvida, mas não pode ser às custas de educação e ciência, que são o motor do país.

E quando você pediu o Ministério de volta, eles disseram o quê? [Risos] Não tem o que dizer. Vamos continuar lutando, eu vou continuar.


TEXTO ANDRÉ JORGE DE OLIVEIRA

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DESIGN JOÃO PEDRO BRITO

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FOTOS TOMÁS ARTHUZZI

54


Gama, a cientista DIANA GAMA profissão: Astrônoma idade: 29 anos Obteve em julho o título de doutora pelo Departamento de Astronomia da USP. Diana Gama até respeita quem crê na astrologia, mas classifica a prática como superstição


houve um momento de tensão no estúdio fotográfico. Após ser fotografada, Diana Gama, pesquisadora do Departamento de Astronomia da USP, esperava seu táxi. Antonio Facciollo Neto, presidente do Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo, aguardava o início de sua sessão de fotos. Eles começaram a trocar ideias. O papo fluía bem, até que um ponto polêmico veio à tona. tafísica, mas ele insistiu que era ciência”, relembra Gama. É uma questão sensível para Facciollo — que, há mais de 50 anos, defende a ideia de que a astrologia é um estudo científico, sustentado na mecânica celeste e na estatística. Porém, mesmo entre os astrólogos, muitos re-

o afiado Facciollo, que já participou de dezenas de debates, lançasse algumas provocações. Ele acusou os astrofísicos de deturparem conceitos astrológicos: “Essa gente não tem humildade para aprender, não respeita o conhecimento dos outros. Eles se acham os donos da sabedoria universal”. Desconfortável, a astrônoma aproveitou a chegada do táxi para

2. MERCÚRIO É o menor planeta do Sistema Solar, também o mais próximo ao Sol. Planeta rochoso (ou telúrico) que não possui nenhum satélite natural conhecido. Planeta que simboliza a comunicação, a troca e o movimento.

3. VÊNUS

9

Segundo planeta em ordem de distância a partir do Sol. É o objeto mais brilhante do céu noturno depois da Lua. Sem luas conhecidas. Está associado ao amor, à beleza, à atração sexual e ao encontro amoroso.

4. TERRA É o planeta rochoso que habitamos. A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol e o mais denso do Sistema Solar. É o único planeta que abriga a vida da forma que a conhecemos. Caracterizado pelos pontos do Ascendente e Meio do Céu que representam nossos papéis na sociedade.

5. LUA É o satélite natural da Terra. O termo “lua” se refere ao corpo celeste que orbita qualquer planeta. A sensibilidade, a ternura, o nutrir e proteger, além de representar a bagagem trazida do passado.

6. MARTE É um planeta rochoso com uma atmosfera fina, ocupando o quarto lugar a partir do Sol. Simboliza a força e coragem para enfrentar os desafios e os conflitos.

O

tologia. Foi o bastante para que

O exercício da autoridade, a consciência moral, o poder de comando e a independência.

R

uma área do saber, como a mi-

É a estrela central do sistema planetário que abriga a Terra, também conhecido como Sistema Solar.

U

ciência, preferindo considerá-lo

A

TO

sistem em chamar o ofício de

1. SOL

ÁRIES

“Astrologia é superstição, me-

56

Definição segundo a astrologia

ES

retratos para esta reportagem,

Definição segundo a astronomia

IX

DURANTE a realização dos

Astrônomos e astrólogos olham para os mesmos astros de jeitos diferentes

PE

D

Umcéu,doisolhares

Q

U

Á

R

IO


AS CONSTELAÇÕES pelas quais o Sol transita ao longo do ano são só referências para a astrologia. Os astrólogos dividem a esfera celeste em 12 fatias de 30o e, para eles, é isso que importa. Tanto que, entre novembro e dezembro, a estrela passa por Serpentário, o polêmico 13º signo excluído do zodíaco

C

RI AP

CÓR

NIO

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RIO

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Cometa

R

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IO

Não tem relevância para a astrologia.

5

N

R

Corpo composto de poeira e pequenos fragmentos rochosos. Perto do Sol, pode criar uma cauda.

7. JÚPITER

10 ES

Maior planeta do Sistema Solar e quinto mais próximo do Sol. Tem 67 satélites naturais conhecidos.

CO

6

RP

I ÃO

4

8. SATURNO

2

Segundo maior planeta do Sistema Solar. Seus anéis são formados por poeira, gelo e material rochoso.

7 LIBRA

1 Constelações

Eclipse

RG

VI

Representa zonas obscuras da psique, poderes subjetivos.

EO

L

S

CÂNCER

Fontes: Diana Gama e Claudia Lisboa Ícones: lastspark/The Noun Project

Último planeta do Sistema Solar desde a reclassificação de Plutão. Descoberto por meio de cálculos. Representa o abstrato, o canal que conduz ao contato com o inexplicável, com sonhos e fantasias.

11. PLUTÃO

11 M

10. NETUNO EM

Evento que ocorre quando um objeto é obscurecido pela sombra de outro corpo.

9. URANO

É a força libertária e as experiências que geram estranhamento.

Os signos têm a ver com a relação entre o céu e as estações do ano.

3

É a consciência da realidade, a capacidade de superar limitações e a experiência da passagem do tempo.

Sétimo planeta do Sistema Solar e primeiro a ser descoberto por meio da utilização do telescópio.

Área definida do céu onde as estrelas nem sempre estão próximas. Figuras imaginárias.

Simboliza a justiça, a motivação para seguir em frente e a confiança nos bons resultados.

O EÃ

É o planeta anão mais famoso do Sistema Solar e maior membro conhecido do Cinturão de Kuiper. A consciência da impermanência, da finitude das coisas, da morte e do renascimento.


ASTROS E CIÊNCIA

Orientado pelo método científico, um astrônomo utiliza diferentes instrumentos para coletar dados, descrever a natureza e formular teorias sobre o funcionamento do Universo

58

Longa história

Com raízes na Babilônia, astronomia e astrologia só romperam após a revolução científica do século 17

NA BABILÔNIA

NA GRÉCIA

NO IRAQUE

NA EUROPA

NA FRANÇA

No segundo milênio antes de Cristo, sacerdotes babilônicos começaram a estudar o movimento dos astros, acreditando que eram sinais divinos. Foi a origem da astrologia, da astronomia e de todas as ciências que usam a matemática para descrever a natureza.

O grande astrônomo e matemático da antiguidade, Hiparco, introduz a astronomia babilônica na Grécia no século 2 antes de Cristo. Ali, nasce a astrologia como a conhecemos. Quatro séculos mais tarde, Ptolomeu publica o influente tratado astrológico Tetrabiblos.

O estudo da suposta influência que os astros exercem sobre as coisas da Terra prosperou no Oriente. No ano 762, a cidade de Bagdá foi fundada em uma data determinada por horóscopo — os califas eram grandes incentivadores do conhecimento astrológico.

As duas especialidades andaram de mãos dadas por mais de mil anos na Europa. No meio acadêmico, quem mais promovia a astrologia eram os médicos. No início do século 17, o próprio Galileu fazia horóscopos e previsões para seu patrono, o grão-duque da Toscana.

O divórcio entre astronomia e astrologia ocorreu em Paris, em 1666: Jean-Baptiste Colbert, ministro do rei Luís XIV, criou a Academia de Ciências. Influenciado pelo heliocentrismo, deixou a astrologia de fora. Outros países católicos aderiram ao descrédito.


O GANHA-PÃO R$ 2.500 Piso salarial de astrólogo de média experiência (Saesp) R$ 1.889,40 Bolsa de doutorado direto (Fapesp)

encerrar a discussão. “Sempre

experimentos a fim de reunir

acaba de se tornar vice-reitora

respeitei diferenças e nunca ha-

evidências verificáveis e in-

da Universidade Católica da

via sido desrespeitada por um

terpretá-las segundo a lógica.

América. Para chegar lá, teve de

astrólogo antes.” Se o encontro

É o que Diana Gama faz em

fazer pós-graduação no Chile

tivesse acontecido há 400 anos,

sua sala no bloco E do Institu-

e na Suécia. Uma rotina cheia

ele provavelmente teria tomado

to de Astronomia, Geofísica e

de compromissos acadêmicos,

outros rumos: antes da revolu-

Ciências Atmosféricas da USP

diferente dos afazeres cotidia-

ção científica, astronomia e as-

(IAG-USP). Nas horas vagas, a

nos dos colegas astrólogos.

trologia andavam juntas. Hoje,

astrônoma, que pratica boxe e

essas especialidades são como

adora Pink Floyd, gosta de re-

OS ASTROS COMO MEIOS

um casal cujo amor escrito nas

laxar tocando clássicos de Ma-

De terça a quinta-feira, a rua

estrelas acabou em um divórcio

donna e Bob Marley em ritmo

sem saída Stefan Zweig passa

incômodo e mal resolvido.

de bossa no ukulele. Em 2012,

a ser um espaço disputado no

OS ASTROS COMO FINS

no entanto, os momentos de

Rio de Janeiro. Os paralelepípe-

descanso se tornaram cada

dos incrustados em um morro

Um astrônomo não tem in-

vez mais raros com o início do

no bairro das Laranjeiras, zona

teresse em desvendar su-

doutorado. A cientista estudou

sul carioca, conduzem clientes

postos mecanismos ocultos

como sóis nascem em bolhas

e alunos de Claudia Lisboa

que regem objetos distantes

infravermelhas, criadas quando

até a casa espaçosa onde ela

e influenciam nossas vidas.

o vento de estrelas jovens in-

mora, faz consultas e dá aulas.

Preocupa-se tão somente em

terage com moléculas que ree-

Da janela que projeta luz farta

coletar dados e fazer descri-

mitem radiação infravermelha.

na sala forrada de livros vê-se

ções para formular teorias so-

“São regiões de formação es-

o Pão de Açúcar. “De vez em

bre o universo. A astronomia

telar e complexidade química.”

quando tem jiboia nas árvores”,

é uma ciência porque segue

Quem acompanhou de perto o

conta a astróloga, que medita

o método científico: utiliza

processo de produção científi-

todos os dias quando acorda.

ca foi o panda de pelúcia Xiong

Entre um afago e outro nas

Xiong: batizado por uma cole-

cadelas Sofia e Menina, faz o

ga chinesa, o ursinho é uma

café e lê o jornal. Lisboa rece-

lembrança de um intercâmbio

be o primeiro dos cinco clientes

que fez em Pequim. Com o tí-

diários às 11 horas da manhã.

Lisboa, a descolada CLAUDIA LISBOA profissão: Astróloga Idade: 61 anos Há dois anos, Claudia Lisboa publicou seu primeiro livro, um manual de astrologia contemporânea com mais de 600 páginas. Nele, a astróloga faz um passeio pela história de seu ofício e compartilha os conhecimentos que acumulou ao longo dos últimos 40 anos. Lisboa escreve o horóscopo do jornal O Globo, que chama de “pílula espiritual”, um remédio para ser tomado todos os dias.

Foto: Gustavo Miranda/Agência O Globo

tulo de doutora obtido em ju-

Carioca, ela teve o primeiro

lho, a astrônoma avalia opções

contato com a astrologia em

de pós-doutorado no exterior

Porto Alegre, enquanto cur-

para avançar na carreira.

sava arquitetura na década de

A comunidade de astrô-

1970. Foi lá também que nas-

nomos no Brasil é peque-

ceu uma de suas duas filhas,

na, porém crescente. Marcos

a atriz Mel Lisboa. Até hoje, a

Diaz, presidente da Sociedade

astróloga estima ter feito mais

Astronômica

Brasileira

de 50 mil mapas astrais. Neles,

(SAB), fala em 850 membros,

usa preceitos astrológicos para

80% dos quais estão ativos.

investigar como a configura-

“Grande parte se dedica a pes-

ção dos astros no momento

quisas e docência universitá-

do nascimento influencia na

ria.” Como Gama, muitos pre-

personalidade das pessoas.

ferem cursar física para obter

Ao contrário dos astrôno-

bagagem mais ampla e, depois,

mos, que estudam cientifica-

se especializar em astrofísica

mente os astros, os astrólogos

— é obrigatório fazer pós-gra-

os enxergam como elementos

duação no exterior ou em uma

simbólicos que traduzem os ci-

das 21 instituições que ofere-

clos da natureza e representam

cem o curso no Brasil.

a influência direta do cosmo

“O mercado não é saturado,

em nossas vidas. “Buscamos

ainda absorve o doutor em as-

uma maneira de responder a

tronomia para trabalhar na área

questões irrespondíveis”, diz

ou em campos correlatos”, diz

Lisboa. “O humano encontrou

a astrônoma Duília de Mello,

no céu uma forma de se comu-

que já trabalhou na Nasa e ago-

nicar, e o céu se reclinou sobre

ra mora em Washington, onde

nós, soprando em nossos ouvi-


Facciollo, o afiado ANTONIO FACCIOLLO NETO profissão: Astrólogo idade: 77 anos Além de ser um dos pioneiros da astrologia no Brasil e de defender ferrenhamente que ela é uma ciência, Facciollo é grão-mestre da Grande Loja Maçônica Arquitetos de Aquário (Glada). “Às vezes me ligam perguntando se vendo peixes”, brinca. Autodidata e veterano em debates nos veículos de comunicação, foi iniciado nos estudos astrológicos pelo pai.

dos coisas que soubemos com-

CASAMENTO E DIVÓRCIO

preender.” Como dentistas ou

Foi no segundo milênio antes

advogados, os astrólogos fazem

de Cristo, na Babilônia, que

previsões e análises como pro-

surgiu o que daria origem à as-

fissionais autônomos. “Sempre

trologia e ao estudo matemá-

sustentei minha família só com

tico dos astros. Os sacerdotes

astrologia, digo que dá para vi-

babilônicos acreditavam que

ver com dignidade”, afirma.

seus deuses se comunicavam

Para defender os interes-

por meio de presságios no fíga-

ses da categoria e promover a

do de ovelhas e no movimento

astrologia no Brasil, Antonio

dos planetas. Ao contrário da

Facciollo Neto criou dois ór-

primeira vertente, a segunda

gãos nas décadas de 1970 e

rendeu muitos frutos: religiosos

1980, a Associação Brasileira

começaram a fazer observações

de Astrologia (ABA) e o

sistemáticas para interpretar

Sindicato dos Astrólogos do

melhor os supostos sinais di-

Estado de São Paulo (Saesp).

vinos no céu. O conhecimento

A sede de ambos é um escritó-

chegou à Grécia e penetrou na

rio com arquivos empoeirados

cultura ocidental. “A astrologia

no centro de São Paulo, próxi-

se desenvolveu da fusão entre

mo ao Theatro Municipal. Nas

a filosofia natural grega e a

paredes, pôsteres do Sistema

improvável adivinhação celes-

Solar se juntam a certificados

te babilônica”, explica Michael

e imagens esotéricas. O imó-

Shank, professor de história

vel é do próprio Facciollo, um

da ciência na Universidade do

pioneiro em sua área no Brasil.

Wisconsin-Madison, nos EUA.

Estima-se que existam cerca de

Baseada em princípios ocul-

800 astrólogos no país — nú-

tistas, a astrologia está para a

mero curiosamente próximo

astronomia assim como a al-

ao de astrônomos. “De nível

quimia está para a química.

mesmo são só uns 200, o que

Era plenamente aceita entre

não quer dizer que o resto seja

eruditos da Europa medieval

picareta, são principiantes que

e reis costumavam ter seus

acabam não fazendo um bom

próprios astrólogos. Médicos

trabalho”, pondera Facciollo.

acreditavam que a posição da


Lua determinava dias bons ou ruins para fazer sangria nos pa-

ASTROS E SABER

O conhecimento astronômico é uma das ferramentas que o astrólogo utiliza para desvendar mecanismos ocultos que acredita, ao mesmo tempo, reger os astros e influenciar nossas vidas aqui na Terra

cientes, e grandes astrônomos, como Galileu e Kepler, faziam horóscopos. Isso só começou a mudar com o nascimento da ciência moderna, no século 17, quando a especialidade foi retirada das academias europeias. “A astrologia certamente não desapareceu e ainda tem significativa audiência popular, mas rapidamente perdeu credibilidade e prestígio”, diz Shank. E foi assim, com o advento da era da razão, que astrônomos e astrólogos cortaram relações. Diana Gama acredita que o apelo astrológico surge da necessidade de ter uma justificativa para tudo. “É muito mais fácil acreditar que você perdeu seu emprego porque a Lua está no quadrante oeste acima de Saturno no equinócio de primavera do que aceitar a vida como ela é.” Já para Claudia Lisboa, a astrologia não tem medo de se afirmar como uma forma de resistência ao pensamento racional. “O mundo não deu conta da racionalidade, somos infelizes, ansiosos e angustiados, tentamos explicar tudo e perdemos tempo nessas explicações.” Foi uma visão parecida que levou o psicoterapeuta Carl Jung, grande teórico dos arquétipos e do inconsciente coletivo, a nutrir um interesse profundo pela simbologia dos astros. “Nas concepções antigas, o homem se via ligado à terra, e o céu, desconhecido, permitia todo tipo de projeções da psique inconsciente”, explica Felipe de Souza, psicólogo graduado na Universidade Federal de Juiz de Fora. Jung dizia que a astrologia representa a soma de todo o conhecimento psicológico da antiguidade. Se estivesse vivo e ficasse sabendo da discussão que Gama e Facciollo tiveram no estúdio fotográfico naquela tarde de agosto, certamente teria adorado convidá-los para uma conversa franca no divã.

61


VO LTA AO MUNDO SOB O SOL SOLAR IMPULSE 2 É O PRIMEIRO AVIÃO MOVIDO UNICAMENTE A ENERGIA RENOVÁVEL A CONSEGUIR COMPLETAR UMA VIAGEM PELA TERRA FOTOS SOLAR IMPULSE

TEXTO GIULIANA DE TOLEDO

DESIGN JOÃO PEDRO BRITO


63


S

em produzir ruído nem poluir o meio ambiente, o Solar Impulse 2, avião movido apenas a energia solar, completou no fi-

nal de julho a primeira volta ao mundo de uma aeronave que não utiliza combustíveis fósseis. Somado o tempo de voo, os suíços Bertrand Piccard e André

Borschberg, que se alternaram na pilotagem, passaram 23 dias no ar para completar a jornada. “Espero que as pessoas entendam que isso não é só algo novo na história da aviação, mas algo novo na história da energia”, disse Piccard, idealizador do projeto, antes da aterrissagem final em Abu Dhabi, ponto de partida e de chegada do desafio. Experiente como balonista, ele teve de aprender a pilotar aviões especialmente para poder cumprir a missão. Com mais de 17 mil células solares nas asas, o Solar Impulse 2 gerou (e consumiu) 11 mil kWh na aventura. O avião é quase 67 vezes mais leve que o Boeing 747: de fibra de carbono, ele pesa apenas 2,3 toneladas.

NA PÁGINA ANTERIOR Antes de chegar a Abu Dhabi, seu destino final, o Solar Impulse 2 fez uma parada no Cairo e sobrevoou pirâmides. 1 Em Nova York, foi concluída a 14ª etapa do desafio; de lá, a aeronave cruzou o Atlântico até Sevilha, na Espanha. 2 No sul da Espanha, a central de energia Gemasolar, que pertence a um dos patrocinadores, foi registrada.

Mas a trajetória também teve percalços. Iniciada em março de 2015, foi pausada em julho, no Havaí, quando as baterias começaram a falhar. Veio então a necessidade de conseguir mais 20 milhões de euros, que permitiram a retomada da aventura no fim de abril deste ano. Ao todo, o projeto custou 170 milhões de euros.

64

3 Voo de treinamento em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, que foi o ponto inicial e final da trajetória.


1

2

3


UM GIRO COMPLETO O Solar Impulse 2 percorreu 43.041 km. Foram 17 paradas em oito países: Emirados Árabes, Omã, Índia, Myanmar, China, EUA, Espanha e Egito.


4

5 6

4 O avião levou 62,5 horas para cruzar o Pacífico, do Havaí a San Francisco; pela distância, foi o trecho mais desafiador.

7

5 Mascate, capital de Omã, foi o local da primeira parada dos pilotos suíços Bertrand Piccard e André Borschberg.

6 No quinto trecho da volta ao mundo, Inwa, antiga capital do império birmanês, em Myanmar, foi sobrevoada.

7 A aeronave durante voo de treino no Havaí em março deste ano, antes de a jornada ser retomada, rumo aos EUA.

67


A série Jornada nas Estrelas, que completa 50 anos em setembro, não seria a mesma se os alienígenas fossem

POR HUMBERTO

ABDO

68

GALILEU conversou com especialistas DESIGN JOÃO PEDRO BRITO


69 fluentes apenas em inglês.

IDIOMAS FEITOS SOB MEDIDA

EDIÇÃO THIAGO TANJI

contratados por Hollywood para entender como são elaboradas as línguas fictícias de séries e filmes


O ator Jason Momoa, que interpretou o guerreiro Khal Drogo na série Game of Thrones, não estava apenas murmurando palavras guturais improvisadas enquanto encenava suas falas no idioma fictício dothraki.

DOTH CHEK DOTHRAKI

CATEGORIA Expressão

70

SIGNIFICADO “Adeus”; “fique tranquilo”; “cavalgue bem”

Após uma avaliação feita com

40 dialetos utilizados em sé-

mais de 30 profissionais, o lin-

ries e filmes, como a Verbis

guista norte-americano David

Diablo, de Penny Dreadful, e a

Peterson foi selecionado pelos

língua dos elfos negros no fil-

produtores da série para desen-

me Thor 2: O Mundo Sombrio.

volver o dialeto dos guerreiros,

“Para Game of Thrones, preci-

utilizando uma gramática con-

sei ser fiel às palavras utiliza-

sistente e todas as caracterís-

das nos livros de George R. R.

ticas de uma língua tradicio-

Martin e, a partir delas, deter-

nal. “Yer jalan atthirari anni”,

minei como seriam os sons do

ou “Você é a lua da minha

Dothraki”, afirma o linguista,

vida”, diria um romântico Khal

que concebeu outro idioma

Drogo em sua língua nativa.

da série, o Alto Valiriano, fa-

Autor do livro The Art of

lado pelos povos antigos de

Language Invention (A Arte

Westeros. “Quando ouvimos

da Invenção de Línguas, ain-

uma língua diferente, soa to-

da sem edição no Brasil),

talmente estrangeiro, o que re-

Peterson já elaborou mais de

força a realidade da história.”


IDIOMA DA GUERRA Habitantes do continente de Essos e hábeis na arte da guerra e na montaria de cavalos, os nômades Dothraki ganharam uma língua própria em Game of Thrones, série inspirada na saga literária As Crônicas de Gelo e Fogo, do autor George R. R. Martin

Erinat CATEGORIA Verbo SIGNIFICADO Ser bom, ser gentil EXPLICAÇÃO • O verbo foi adaptado do nome “Erin”, em homenagem à esposa do linguista David Peterson, criador do sistema de linguagem dos Dothraki para a série da HBO

Anha vazhak yeraan thirat

Yer affesi anna! CATEGORIA Expressão

CATEGORIA Expressão

SIGNIFICADO “Você me dá coceira!”, em tradução livre

SIGNIFICADO “Eu deixarei você viver” EXPLICAÇÃO • Declaração de clemência perante um inimigo ou adversário • As batalhas são um aspecto comum na cultura dos Dothraki

• O termo “okeo”, nome de um gato de estimação do casal, também serviu como tributo de Peterson e significa “amigo”

EXPLICAÇÃO • A expressão serve como insulto para indicar alguém que causa desconforto • Outras frases que devem ser proferidas com cuidado: “Ezas eshna gech ahilee!” (Encontre outro buraco para cavar); “Es havazhaan!” (Vá para o mar; caia fora); e “Ifas maisi yeri!” (Vá andar com sua mãe)

HRAS K SPOCK BILÍNGUE

vilão da vez e o linguista foi

online para o aprendizado de

o élfico, considerados pelos

A saga de ficção científica

convidado para elaborar um

novos idiomas. “O projeto en-

especialistas como incrivel-

Jornada nas Estrelas, que com-

idioma próprio para os extra-

tusiasmou toda a comunidade

mente sofisticados.

pleta 50 anos e estreia um

terrestres. “A intenção era fa-

de fãs e muitos de nós parti-

novo filme — Star Trek: Sem

zer algo que não soasse huma-

cipamos dessa iniciativa”, afir-

UNIDOS FALAREMOS

Fronteiras — em setembro,

no, mas que pudesse ser falado

ma o sueco, que ainda não tem

Estudar um idioma artificial

também não seria a mesma se

pelos atores”, diz. “Não poderia

previsão para lançar o projeto.

pode parecer excêntrico, mas

os alienígenas fossem fluentes

fabricar sons com algum equi-

“Preparar esse curso é mais di-

a atividade já foi levada a sé-

apenas em inglês. Em 1982,

pamento eletrônico, por exem-

versão do que trabalho.”

rio por pessoas que desejavam

o linguista Marc Okrand teve

plo, porque ninguém consegui-

Malmenbeck foi inspirado

construir um mundo melhor.

a missão de completar algu-

ria pronunciá-los.” A iniciativa

pelo trabalho do escritor britâ-

Surgido no século 19, o espe-

mas falas para o filme Jornada

rendeu um dicionário com o vo-

nico J. R. R. Tolkien, uma das

ranto foi planejado pelo médi-

nas Estrelas II – A Ira de Khan,

cabulário alienígena, publicado

maiores referências na cultura

co e filólogo Ludwik Zamenhof

criando novas palavras para o

em 1985, e foi utilizada no rotei-

geek com a criação do universo

para promover a comunicação

dialeto de Spock e seu povo vul-

ro de outros filmes, além de es-

da trilogia de livros O Senhor

internacional e cultivar a har-

cano. “Na edição final, a equipe

timular pesquisas feitas por en-

dos Anéis, obra publicada pela

monia entre diferentes povos.

decidiu que uma das cenas do

tusiastas das línguas ficcionais.

primeira vez em 1954. Além

Com alfabeto romano e vo-

filme faria mais sentido se fosse

O sueco Felix Malmenbeck,

de escritor, Tolkien era filó-

cabulário semelhante ao de

dublada na língua da espécie ex-

por exemplo, só começou

logo — especialidade que se

línguas neolatinas, sua gra-

traterrestre”, relembra Okrand.

a acompanhar Jornada nas

dedica ao estudo de línguas

mática não foi feita para subs-

“Três dias depois, voltei ao es-

Estrelas após conhecer o idio-

históricas — e tinha o costume

tituir todas as línguas naturais,

túdio e ensinei Spock [interpre-

ma construído por Okrand —

de desenvolver idiomas por

mas é considerada simples de

tado pelo ator Leonard Nimoy]

hoje, ele é membro do Instituto

passatempo. Aprendeu latim

aprender por seus falantes. A

a conversar como um vulcano.”

de Língua Klingon e respon-

e finlandês, o que o ajudou na

norte-americana Arika Okrent,

Em Jornada nas Estrelas III

sável por desenvolver um cur-

hora de criar os nomes dos

autora do livro In the Land of

– À Procura de Spock, o povo

so online do dialeto extrater-

personagens de suas histórias

Invented Languages (Na Terra

Klingon foi escolhido como o

restre no Duolingo, serviço

e de elaborar idiomas como

de Línguas Inventadas, sem


edição no Brasil), afirma que

pessoas com o mesmo inte-

pessoas fazem ou já fizeram o

o idioma se popularizou após

resse. “As conferências de es-

curso de esperanto, disponível

a Primeira Guerra Mundial.

perantistas acontecem todos

desde o ano passado.

“Nesse período, a Sociedade

os anos, em localidades dife-

das Nações pretendia tornar o

rentes”, diz. “E hoje essa co-

NA BOCA DO POVO

esperanto uma língua oficial”,

municação é muito mais fácil,

David Peterson participa de or-

diz. “Mas qualquer grande pro-

já que a internet proporcionou

ganizações como a Sociedade

jeto social passou a ser consi-

um aumento de falantes da lín-

da Criação da Língua, que aju-

derado banal e utópico depois

gua nos últimos anos.”

da a reunir dados sobre a cons-

da Segunda Guerra Mundial.”

No Brasil, existem associa-

trução de idiomas artificiais e a

Karina Oliveira, estudante

ções dedicadas ao idioma, que

conectar pessoas que têm como

de mestrado do Departamento

oferecem cursos e vendem li-

hobby a criação de dialetos.

de Linguística da USP, dedica

vros traduzidos para o esperan-

A comunidade, no entanto, ain-

sua pesquisa à fonologia do es-

to. “Todo clássico da literatura

da é discreta. “Algumas pessoas

peranto. Quando tinha 17 anos,

existe em esperanto, inclusive

não têm o costume de compar-

começou a estudar o idioma e

O Senhor dos Anéis”, afirma

tilhar seus trabalhos”, destaca

passou a praticá-lo em viagens

Oliveira. Na versão em inglês

Sai Emrys, um dos fundadores

e congressos, onde conheceu

do Duolingo, mais de 460 mil

da organização. “O número de

‘IWLI JACH KLINGON

72

LINGUAGEM DAS ESTRELAS

nuqneH

Dialeto do povo

CATEGORIA Interjeição

Klingon, de

SIGNIFICADO

Jornada nas

1

Estrelas, que está

2

disponível no Duolingo, serviço de aprendizado de novos idiomas

Olá

“O que você quer?”, em tradução literal

EXPLICAÇÃO • Saudações educadas não são comuns entre os falantes nativos, conhecidos pela forma agressiva e direta de se comunicar • Para dar boas-vindas, a expressão mais aproximada seria “yI’el” (singular) ou “pe’el” (plural), tradução para “entrem todos!”

Heghlu’meH QaQ jajvam CATEGORIA Expressão

SIGNIFICADO Literalmente, “hoje é um bom dia para morrer” EXPLICAÇÃO • Para a civilização dos Klingons, essa frase representa honra e apreço por uma batalha. Para eles, a derrota também é encarada como uma vitória, sendo a morte considerada como consequência de uma “causa maior”

majQa’

Hab SoSlI’ Quch

CATEGORIA Advérbio

CATEGORIA Expressão

SIGNIFICADO

SIGNIFICADO Um dos mais graves insultos entre os Klingon , pode ser traduzido como “sua mãe tem uma testa lisa”

1

“Bom trabalho”; “bem-feito!”

2 Expressão de aprovação EXPLICAÇÃO • O prefixo maj significa “bom” e Qa’ pode ser traduzido como “feito”, mas também como “alma” • Os fragmentos linguísticos dos Klingon compõem o significado final das palavras, como na língua japonesa

EXPLICAÇÃO • A sequência das palavras nessa frase indica uma das regras gramaticais mais curiosas em Klingon: ao criar o idioma, o linguista Marc Okrand decidiu que as frases seriam sempre posicionadas na ordem objeto-verbo-sujeito


FRASES ÚTEIS Dothraki

Athchomar chomakea! “Saudações a todos!”

Yer zheanae (sekke) “Você é (muito) bonito(a)”

CATEGORIA Interjeição

Finne zhavorsa anni?

SIGNIFICADO

1

“Onde estão meus dragões?”

“Saúde!”

2

Asshekhqoyi vezhvena!

Termo usado em brindes, literalmente significa “que seu sangue grite!”

“Feliz aniversário!” (versão resumida de “Anha zalak asshekhqoyi vezhvena yeraan!”, que significa “Desejo um excelente dia de sangue a você!”)

Klingon

nuq ‘oH ponglIj’e’? “Qual é o seu nome?”

IJ HJAJ EXPLICAÇÃO Para terráqueos, o som da fala dos Klingons soa como um grito ou grunhido: palavras com “ch” ou “gh”, por exemplo, são pronunciadas quase como um gargarejo, bem acentuadas no fundo da garganta. Quando o vocábulo tem indicações com o sinal de apóstrofo, o som deve ser suprimido de maneira rápida

nuqDaq ‘oH puchpa’’e’? “Onde fica o banheiro?”

HIQaH! QaH! “Socorro!”

qoSlIj DatIvjaj

“Feliz aniversário”

QIt yIjatlh

“Fale mais devagar”

profissionais dessa área ainda é

igual”, afirma Thomas Finbow,

para revitalizar línguas huma-

minúsculo se comparado com a

professor de linguística históri-

nas mortas ou ameaçadas de

quantidade de pessoas que ela-

ca da USP. “Há exemplos como

extinção — um levantamento

boram seus idiomas em segre-

o hebraico, considerado por

feito pela Unesco, órgão de cul-

do e só por diversão.”

muito tempo uma língua mor-

tura das Nações Unidas, avalia

O prazer em combinar letras

ta e ressuscitada no século 19.”

que metade das 6 mil línguas

e sons também pode ser fonte

Idiomas construídos para

faladas atualmente no planeta

de motivação para a preserva-

obras de ficção jamais poderão

devem sumir até o fim deste sé-

ção da cultura. Se a manuten-

substituir as línguas naturais,

culo. “Os desafios ao criar no-

ção da língua Klingon é o obje-

que perdem falantes ao longo

vas línguas contrariam a noção

tivo de um grupo interessado

da história, mas os especialis-

ingênua de que só aprender in-

em manter vivo o universo de

tas concordam que, além de

glês no colégio é o suficiente”,

Jornada nas Estrelas, a preser-

entreter os fãs, elas são uma

diz David Peterson. “Não im-

vação de idiomas reais tam-

ferramenta de estudo e análise

porta se são faladas por 1 mi-

bém mobiliza muita gente. “A

sobre como os idiomas se com-

lhão de pessoas ou apenas por

relação entre um idioma e os

portam. Não por acaso, mui-

duas. Essas línguas sempre car-

traços culturais de seus povos

tos dos inventores de dialetos

regam diferentes camadas da

nunca se manifesta de forma

são os mesmos que trabalham

experiência humana.”

73


E FOICEBOOK? MARTELO

Josef Stalin Líder do país entre 1922 e 1953, não era grande entusiasta da tecnologia

ca et i ét rn i ov nte S i a o ã ri i n óp U , pr s o a n a uir 5 2 str há on ta a c n ti jav x E ne a pl

74


M M AH , E

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A ER . O 91 EL 19 T s E AR O D parte M a O BR ntes iam M M e d E r lo mico CO EZ dife p A D im onô e eAD 1 DE as d ular c od e Z p t , p 3 U is o to elo tas CR EM un ão p es os od ntan r E m m e n ap IC VEZ s Co isfaç um no alist lista t o , r FO A a i a d for i ci ia ns stru tóri n i c o i DA TIM art s e a a, e s ÚL os P ca e a con a hi ança : esp de d iétic RA I i d E v ss LA o ov er re nto So e . E a lid ND PE dade onôm açã hk ma o s o A n i u ã B jam mo DA ex se ec eira alism aso Gl ou u Uni o A ne r a c BI erpl t t i o l I a i sc je p cr prim cap te Vict o a p o t olo o n i d r a EX c a e e , o a p , r t a r ra ndo tica o ao nc eias taife ist , ele eal, pa o s t d Pa c e é s u v d n i i m ie iu ,i ta or ati inho ica os m o ov o c rnét emp men oduz uais can do ão S tern m d ria i t e i ca al da intr ias cibe em t vir mer ão fa o qu n e Un cial m s u d u a , f i o a n n m r t r o ar s s bé rte icos erica nect en e s oma o na ros d ecta stõe o m m e n t t o e ã ta aga ei on vié e-am ão C ano os ria tenç on de c er qu kov o p i e t s e p r e a S z lv sh s pu os .“ no mo N nest m se do capa reso . Glu dis m ve pois que dor o u o t u s d a n (C r a ia ís e ue es es m as d t, po quis tion ança co e ,q çõ oder o pa e u a l o a e d p ti m es ão ad ), ue vié ates éc ntern rs, p k a N uês ico utaç q o d m s r o i a p ô o te o ll G tug on com rátic do a n Pe etw por stad e Bi ec N i n p de lve njam ot to o em do E tas d as... os as em nvo t s Be ow N ersã acia arxi ialis d se z v e i r ca c H d m o m oc ”, d vro m se ur sões as o? i r b va l a a r m o p e s ea ind me eveu o, a r qu am v enas p ir o cr çã es ed ok a Na ica p p a l im ebo um exp c as c i e Fa t qu polí m u tas e, de b sa

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76

Começa a construção do muro que dividiria a cidade alemã de Berlim em dois lados, o capitalista e o socialista

1953

Fabricado na União Soviética, o MESM era utilizado para resolver cálculos matemáticos e de estatística

Os soviéticos testam a bomba de hidrogênio, mais destrutiva do que as armas nucleares convencionais

1962

1951

O senador Joseph McCarthy lança uma “caça às bruxas” contra a suposta infiltração comunista nos Estados Unidos

Nikita Kruschev Líder soviético entre 1953 e 1964

1961

1946

GUERRA NA CI Ê NCI A GUERRA NA POLÍ T I CA

Cientistas norte-americanos desenvolvem o Eniac, primeiro computador digital eletrônico do mundo

1950

ria (veja ram a histó a rc a m e u q o o lança ixo), com a b a x o b o a conquissatélites e e d to n e m é claro, da ço. Além, a p s e o d ta responsámáquinas e d o ã ç a ri - c hares de rização en alizar mil re r o p abe a pola is e - v o, que poas e petra or segund p s lo tre coxinh u lc á - c jetória de as as desa alisar a tra n a m lhas e tod a ri e d u revolulíticas com nuclear o il s ís venças po m m l os ? u a pela qua familiares r a maneir a amigos e n io c nam e se relacio c h in h a s humanos I s s o é fi s re e s ad o à r iv logia. co m p a ra m a tecno o c sef o iã de que Jo t re U n e m ve rd a b li d a d e e n É ntre s e Es tado oviético e n, líder s Sovié tica li ta S dos o era um ue dividiu e 1953, nã Unidos, q 2 2 19 stas das pe m duas s e ia a s t e tu n n e la o p maiores teavam as in poder de d e tu d s e s a e r u esfe quisas q quina issolução d mem e má a té a 5 194 es entre ho õ ç ra redes de in e ialista, em d c o o ã s ç u ís a tr p do e a cons em tempo rários na o p m te que fluíam s o o ã ç d a a li rm A . fo o 1991 durane Stalin nã o nazismo s críticas d a “A tr l. n a o c re étiluta Mundial, m a cibern o ra c r e r u e v G a a d tinham este a Segun mo esses ma difeo u c s m a a h M n i. ti ca em s os países s Estados conciliáre ir a eçaram no ic g m o ló c o s e o id d a tu renç rte de uma o fácil ia lá muit so fazia pa r is e , s s o o ã id n n U evel — os norte-am e a maior a tr tr n n o e c a ia h c n campan a a convivê ias”, afirm d o m u nta s li a suas ciênc it p e a s c o n ia a c c n ri ispotê em entrev irado no p rs s te in e o P d in ta s Benjam do e um E resse em , que cota is rx EU. O inte a IL m L to A n G e à m a ta e pens ntativas d eração ente a sup sobre as te m r e ta v s re ju c s a e v loca ão da interndição er o embri o como co lv m o s v li n a e s it e p d a do c viético surimento rritório so desenvolv te o m ra e a p t e a n rs fabásic uma disando Pete u m q E , . 7 e 0 d 0 a 2 id giu em da human doutorado ia econôc a m re abalho de p tr u s u e la s e p ia z puta olumbia e volvir, o desen ersidade C a iv it n il U m la e e p a mica umento d ntíficas u um doc quisas cie s o e tr p n e o d c n to e ia men inteligênc sponságência de iões foi re a g a re , s a IA u C d nas gicos os tecnoló ç n a v a r o vel p

T E N R E T AD IN

O mundo fica à beira da guerra nuclear depois da descoberta de uma base de mísseis em Cuba


Em resposta à invasão soviética no Afeganistão, os Estados Unidos promovem boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou

1983

Utilizada inicialmente para fins militares, a Arpanet conecta institutos de pesquisa norte-americanos e é o embrião da internet

Estados Unidos lançam o projeto Guerra nas Estrelas, sistema de defesa espacial contra um eventual ataque nuclear

19 9 1 - O FIM

Apoiado pela União Soviética, o Vietnã obriga os Estados Unidos a retirar suas tropas do país após uma guerra que durou 20 anos

1969

1958

Com suporte norte-americano, militares chilenos dão um golpe no país: Salvador Allende, presidente socialista eleito, comete suicídio

Em resposta ao Sputnik, os norte-americanos criam a Nasa, agência espacial que transportaria o homem até a Lua

1975

1957

O Sputnik é o primeiro satélite artificial lançado da Terra e coloca a União Soviética na liderança da corrida espacial

1973

AQU SE

O C I T É I V IFO SO

1980

Leonid Brejnev Comandou a União Soviética de 1964 a 1982

tido os do Par os ideólog m o c forme Peters. ta”, conta ana. “O in is ic n r u e m m o -a C ianorte shkov inic sobre uma lu a G v , la 2 6 fa e 2 Em 19 iera de 196 mais amb rmações fo in e d trabalho a d u a e c s ifi n ia u r a rede d e S is te m estavam o s o d c a z ti ti ié a v b o s c io s o : em que os c ia m e n to rs. te e P iz d e G e re n d , l ” o ta d n ta a s lh E pretraba gas, ou, se Stalin, em (O e o d d e a z rt ti o Automa Após a m nny erno soosudarstve v -f o e g h o sc d b O o , cle ferirem ), 1953, o nú ya System esforços u o tr n zirovanna e c ti a n o m c to v ta A s tivo ciali como obje ma do exs a h ta n n ti fa to o r o proje co em afasta ede para r e m 19 5 6, a — m u o c ir ti ié constru da -líder sov retárioindústrias c e s s a , s v a e d h c to us nectar inNikita Kr , enviando omunista a C c ti o ié d v ti o r a S P União a -geral do um sistem , fez um a a r c a ti p ié s v e o õ S formaç dada União que deessaria os m c e ro ” p to e u re q c se central discurso “ o os recurões e os iç u g e rs lisaria com e a p n s a a e a s v o ia d om nunc dos por ibuídos c iam distr cos cometi r ti e lí s o p s o s s e crim reforlo Estado. a época de ciência pe fi m e u r m io E a . m n que Stali creditava olíticas, a a p e ta s s a ti ic n ôm O cie imas econ da possib de infors e d re e conecta e d d o re ã a ç u m tr u cons putato a inforesso remo eio de com c m a r ia o r p ta o li ã maç real, perviético o apoio so em tempo u s o e h õ n ç a a g m s ores dore trabalhad stituto de s In o o e d u q o ã o ç mitind com a cria ontecia em e ucraniad a id c m o que ac a e n s s a e c b ti u é o s rn ndo Cibe e melhora . s 7 a 5 ic 19 r b m fá e , outras na de Kiev nejamento mília de fa a m u ões do pla m is e c o e d id c s s a a os N que os dad ãe morjá m l, a ta u n s e ( m s a o govern ntaengenheir nte a reidos insta ra it u m d s n te a a tr b m seriam acia. reu em co nazistas, m burocr e s s a p e o tr te n s à neame les, sistência ra d o u m erem simp e c re id a s p n o e c d e Apesar oloe m 19 4 1) , Victor ó seriam c te s n s a o h it il e r c b n o co esses c s dematemáti ov foi noca década k ti h s rá lu p G m h e ic cados gias Mikhailov ças cienam tecnolo n ri ra a e ir d p li s s in la pois, e m m e a do p e o em nuve viética o o S o iã omputaçã n c U a o a d m o s c a tífic o insor chefiar p l e v á s n o resp or paitava de c c le E “ . tituto li v ro s 77 iro s d o s te in s fo a rá g r a ti a o d eb ar x qua nd de Karl M

Crise econômica e social acelera a insatisfação popular e o processo de independência dos países ligados à União Soviética


ENTERPRI SECHI LENA

Projeto cibernético do governo socialista foi pioneiro na América Latina

adeiras giratórias com almofadas vermelhas dispostas em um círculo permitiam observar telas de diferentes tamanhos que exibiam informações sobre economia. Com jeito de cenário do seriado Jornada nas Estrelas, esse centro de operações fazia parte do Cybersyn, projeto chileno desenvolvido durante os primeiros anos da década de 1970 e primeira tentativa latino-americana de criar uma rede capaz de transmitir informações em tempo real — dados sobre as fábricas do Chile seriam fornecidos à sala de operações a partir de uma central de computadores. Idealizado pelo engenheiro chileno Fernando Flores e pelo britânico Stafford Beer, especialista em cibernética, o Cybersyn ganhou o apoio do presidente Salvador Allende, eleito no final de 1970 pelo Partido Socialista. Com uma plataforma baseada na superação do capitalismo por meio da nacionalização dos recursos e da construção do poder dos trabalhadores, o governo de Allende acreditava que a tecnologia potencializaria o planejamento econômico e a eficiência para distribuir investimentos. Após o golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet, que levou ao suicídio de Allende, em 11 de setembro de 1973, o Cybersyn foi cancelado e o centro de operações, destruído.

ofria científico s to n e m ti s e v o gonico. o in o humor d nto eletrô m e o c m a o g a rd p o e até o opes, ma de ac Roberto L ôs um siste a p ro rm p fi a v , o ” k o “Glush a ti- vern ral do ue a moed ade Fede q id s ra r a e p iv o n ic eletrôn temas con- da U dor dos sis o em uma a tr is is u g q s re e p m , Pará vesse u viética. a Peters. o da era so ã rm ç fi a a , rm l” a fo ta virtu te- de in ikhail ada de M spertou o in g e e d h o c ã a n s m a Co O Og 1985, uanpoder, em té 1969, q a o a o c v e ti h ié c v a o resse s ra d o aram Gorb a e s tr u tu nidos lanç n U s s o a d ç n ta a s do os E ontedo- m u d aram a ac e computa ç d e e m d o re c t, o e d a Arpan leo da ilita- Esta centros m ise no núc s r c o a a v s a a g li m res que ria cer, mais grande de nte conecta e ra e rm o ia ri m te s o res e po nião iver- econ cada. “A U quisa e un n s e ta p s e e d r e s s instituto es em da o para dificuldad considera e o v d te n a e c s ti , s sidade is hoEm Sovié fluxos ma rnet atual. s o te a in r a ta d p a o embriã ov se ad e co70, Glushk formação 19 in e e d d ro is b ta tu 1º de ou de rizon décaparticipar rgiram na u a s o e d u a q id o v d foi con om man riador Moscou c diz o histo m , ” e 0 o 7 iã 19 n u e uma re rio- da d o livro o, autor d v, secretá ll e ri jn g e e r S B lo e Leonid iética: ista. Ang União Sov do Comun a ti d r a io P n lí o c d e -geral mar- O D . O pese poderia as Causas u d q o , d io tu d s ó E O epis ção Um ltimos ma revolu viveu os ú u e e u d q r, io o íc d a car o in firma : o lí- quis oviética, a frustrante s i ra fo e , a a ic d g tecnoló tro anos o deu eu o encon volucionári rd re e p r o o c rd ti a ié o der sov om- que crática, de outro c ação buro n r a ig s ip re ic à rt a r para p ociais: pre- luga roblemas s ministros p s o o d n e la o u s promis ressão ssa- acum panela de p mais intere a m m a u v o ta s m e o sentes cia “É c mpo”. r a burocra m pouco te e e d e n d fe lo e p d x e dos em ercido para que controle ex m projeto u o , r rs ia o te e p a P do que tais. Para os inteuturas esta soviético e tr o s e rn e s v a o r g a otimiz obs- pelo ediram nfrentou is que imp a e o v s s o e k p h s s e “Glu a ináqui- ress ento de um soas da m im s e lv p o v e n d e s s táculo ções pa- o de em como li va preocu rv ti e a s l tr a c is lo in t e na adm s casos rios”, tern de. “Vemo sses próp a d re li a te tu in a a m das co redes nte, para do utiliza Oficialme . ta s rs E te o e e P u a q destac ntar em seus inpara impla ores para d s ta to u s p u c m s o os alto nui- de c os epiam a conti oais, como ir s s d e e p p s e im s s s o Oga ov tere NSA”, — Glushk nagem da io to p s je e ro e p d s o io dade d ções, e da sód de informa ecessidad le n o tr a n a o c v la O estipu de dos alha- diz. xclusivida 3 mil trab e e é d o o ã ã n ç l, ta a contra custo afin cos. zados, ao li ia c e das soviéti p ra s a e m a c dores u ublos, o hões de r de 100 bil res es em valo õ h il b 0 0 US$ 8 gasceção dos x e m o C “ atuais. nvole do dese s e r a it il tos m res, as nuclea m r a e d to vimen

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CURTO-CIRCUITO

POR DOUGLAS UTESCHER*

QUADRINHOS

POR DOUGLAS UTESCHER*

DIA DE SORTE? Na nova HQ de Julia Bax, um bilhete da Mega-Sena ganha o papel de protagonista DE UM LADO, um modesto dono de boteco do interior de São Paulo. Do outro, uma jovem estudante de microeconomia, moradora de São Paulo e descendente de coreanos. Entre os dois, um bilhete da Mega-Sena. O improvável encontro desses personagens e a violenta sucessão de acontecimentos são o combustível para o roteiro de Quina, novela gráfica de Julia Bax publicada pelo selo Dead Hamster Comics. Nascida Julia Nascimento Bacellar, a autora possui um currículo invejável. Economista por formação, abriu mão das cifras para dedicar-se à carreira de ilustradora e quadrinista. Trabalhou em HQs para editoras dos Estados Unidos, como Marvel, Devil’s Due e Boom, e também publicou na Europa, com a belga Le Lombard. Ilustrou livros para as principais casas editoriais brasileiras e publicou por dois anos uma tira no suplemento Folhateen, da Folha de S.Paulo, além de ser professora e aquarelista (fica a dica: o livro A Forma da Luz, que compila suas aquarelas, é imperdível). Em 2013, Bax lançou o álbum Remy em parceria com o roteirista Diogo Bercito, e agora, finalmente, presenteia-nos com Quina, em que assina arte e texto. Folheando esse novo trabalho, a primeira coisa que salta aos olhos é a desenvoltura com que a autora

QUINA Julia Bax Dead Hamster Comics, 64 páginas, R$ 30

maneja traços e cores. Há uma grande atenção aos detalhes, mas nada é excessivo: o desenho é limpo, ágil e levemente caricato — chama a atenção, entre outras coisas, o narigão a la Pinóquio do protagonista. A paleta de cores é igualmente rica e trabalha a favor da narrativa, ora sugerindo informações objetivas, como clima ou período do dia, ora enfatizando emoções. A mesma atenção foi dedicada à construção do roteiro. Leitores

apressados poderão achar a história um pouco confusa, mas uma leitura atenta revelará um enredo minuciosamente elaborado, em que todas as peças se encaixam com perfeição. Por fim, Quina evidencia a maturidade artística da autora. Julia Bax está pronta para projetos mais ambiciosos e com certeza continuará surpreendendo. Sorte a nossa. *Criador da editora e loja Ugra Press

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PANORĂ‚MICA

Vista aĂŠrea de turistas caminhando sobre passarela de vidro com 100 metros de comprimento e 1,6 metro de largura na montanha chinesa Tianmen, de 1.519 metros de altura.

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A passarela foi aberta ao público em agosto após realização de testes de segurança que envolveram rachar o vidro propositadamente e atravessá-lo com um carro lotado.

FOTO: VCG/Getty Images. PESQUISA: Franklin Barcelos

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ULTIMATO TEM UM COMÉRCIO E AINDA NÃO COMEÇOU A COLOCAR OS IMPOSTOS NAS NOTAS FISCAIS?

PARA FAZER A DIFERENÇA AGORA QUE VOCÊ LEU A REVISTA, SAIA DO SOFÁ ENTROU NA ONDA DO POKÉMON GO E QUER CONHECER RECURSOS QUE AJUDEM NO GAME?

QUER ENTENDER QUANTO O PROBLEMA DO LIXO ESPACIAL É GRAVE E PREOCUPANTE?

DEPOIS DE LER SOBRE IDIOMAS DO CINEMA, FICOU COM VONTADE DE APRENDER UM?

GOSTARIA DE FAZER SUA PARTE E AJUDAR NA CONSERVAÇÃO DE ESPÉCIES AMEAÇADAS?

O impostômetro ultrapassou em julho a marca de R$ 1 trilhão arrecadados

29 mil pedaços de lixo na órbita da Terra são capazes de destruir satélites

Mais de 285 milhões de animais foram mortos nas estradas brasileiras neste ano

MAPA POKÉMON GO

Enquanto o aplicativo do jogo só permite enxergar PokéStops e ginásios próximos a você, com esse mapa é possível explorar a cidade inteira. Disponível para mais de cem cidades. mapapokemongo.com

SÓ + 1 MIN. Aconteceu em agosto, mas não coube na revista

DUOLINGO

Invista no nerd que há em você e fale como os personagens de Star Trek com o curso gratuito de Klingon. Estão disponíveis também outras opções exóticas, como o famoso esperanto. duolingo.com

DE OLHO NO IMPOSTO

Solução gratuita para ajudar empreendedores a cumprir a lei e informar ao consumidor os impostos nas notas fiscais de seus produtos e serviços. deolhonoimposto. ibpt.org.br

FINAL FELIZ Oito pacientes que participam de pesquisas do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis recuperaram parte dos movimentos das pernas enquanto treinavam mover um exoesqueleto — lembra da abertura da Copa? Agora é gol!

O ministro da Saúde disse que homens vão menos ao médico porque trabalham mais. Oi?

SANTUÁRIO DE ELEFANTES

A ONG criadora do projeto reúne doações para o transporte das primeiras moradoras, Guida e Maia, até o sítio. A meta é conseguir R$ 90 mil até 15/9. vakinha.com.br/elefantes

ESTADO MÍNIMO Uma empresa privada poderá pela primeira vez enviar uma sonda à Lua. A startup Moon Express, que tem sede na Flórida, conseguiu autorização do governo dos Estados Unidos para realizar a missão no ano que vem.

CI INTERCÂBIO E VIAGEM

Oferece programas de trabalhos voluntários para brasileiros que têm vontade de cuidar de animais selvagens em reabilitação em países como a Namíbia. ci.com.br

DJ DO ESPAÇO Outra novidade nas alturas veio de um astro do rock. Jack White e uma equipe de cientistas fizeram um vinil tocar a 28 mil metros da Terra. Depois de 80 minutos, a caixa com o disco caiu num vinhedo — e ainda estava tocando.

STUFF IN SPACE

Criada por um calouro de engenharia da Universidade do Texas, em Austin, a plataforma interativa monitora todo o lixo na órbita da Terra e mostra detalhes sobre cada fragmento. stuffin.space

ALÉM DA LENDA Resquícios de um grande castelo foram descobertos na área em que o lendário Rei Arthur teria nascido, na região da Cornualha, no Reino Unido. Os arqueólogos — guiados por Merlin? — acreditam que o palácio seja do século 5 ou 6 d.C.



Galileu SET16