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Informação Geral

Costa do Sol jornal

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PREÇO DAS HABITAÇÕES VOLTA A SUBIR

Letras no ocaso Pedro de Sá

DE MÃOS DADAS SÓ NOS PASSOS DA MEMÓRIA

N

ão sei porquê, mas sinto a censura, não a percebo, não a ouço, não a olho, apenas e só a sinto, naquele indizível a que só alguns acedem, nunca percebi se é um privilégio ou uma condenação, após o almoço, quando as sombras ameaçam tomar-me a casa, um rés-do-chão no subúrbio, desde já sublinho que não a trocava por palácio algum, é a minha casa, no fundo, a minha segunda pele, há, pelo menos, quarenta anos… Quarenta anos, sempre ouvi os mais velhos gastarem a expressão parece que foi ontem, mas nenhuma outra me ocorre para melhor ilustrar este sentir desamparado e de espanto face à vida, de facto, parece que foi ontem, ele ainda renitente Rés-do-chão… Não achas perigoso? Pelo menos, o primeiro-andar… Talvez tivesse razão, no entanto, as pernas da nossa carteira só ali chegavam, o que ainda trago dessa altura foi a alegria desmedida quando pendurei os cortinados, por mim escolhidos, na sala, realmente, acho que foi a única coisa que escapou ao crivo de pais e sogros, mas isto foi há tanto, numa altura em que olhávamos o outro nos olhos e proferíamos, com uma expressão sorridente, um audível bom dia ou boa tarde, porque, à noite, meninas ou senhoras dignas confinavam-se ao seu lar, na altura, verbalizava interiormente o meu repúdio por tais convenções, hoje, com o que vejo, a minha imensa saudade. De novo, a expressão gasta, parece que foi ontem, quarenta anos, nesse tempo, após o almoço, nem sinal de sombras a invadir-me a casa, parecia que, no mundo, tudo estava no seu lugar, só que o tempo passou e ultimamente parece ter acelerado em demasia, já não afasto os cortinados de agora para ver a rua, se o fizesse, apenas sombras das alturas cinzentas erigidas à nossa volta, como dizia, após o almoço, uma sopinha de feijão-verde, sem batata, as forças não chegam para as trazer do mercado e a bolsa ainda menos, um pão com marmelada, felizmente, para mim, o apetite tem acompanhado os passos da carteira, quando as sombras ameaçam tomar-me a casa, um rés-do-chão no subúrbio, desde já sublinho que não a trocava por palácio algum, é a minha casa, no fundo, a minha segunda pele, há, pelo menos, quarenta anos, desço a rua e vou visitá-lo, as vizinhas e a censura pressentida, sempre a pior, a mais vil, como se o seu sentir pelos maridos fosse mais nobre que o meu, fiz o que considerei melhor para ambos, para ele ter os cuidados devidos, e para que eu ainda por cá ande para o visitar todos os dias. Magro como estava, uma sopinha de feijão-verde, sem batata, e um pão com marmelada não seriam suficientes, consegui, quase por milagre, um lugar para ele, sei que é bem tratado, mesmo assim, zelo para que nada lhe falte, asseio, comida, paz, parece pouco, mas é tudo, e uma vida para perceber isto, há dias em que olha daquela distância incógnita, nem uma palavra lhe sai, confesso que me fere, fere-me de uma forma, não sei como explicar, como se uma derrota muito subterrânea, que só nos a percebemos, como se nos alvejassem num órgão-vital e padecêssemos perante a impassibilidade alheia, e, ao fim de quarenta anos, parece que foi ontem, a partilhar sonhos e lágrimas, dói, e de que forma, nas funduras de nós, olha-me como se fosse mais uma qualquer ali na sala, quando antes, e não há tanto tempo assim, o seu olhar, onde estivéssemos, quando se derramava sobre mim, adormecia-me o pensar para ser apenas sentir, e o mundo tornava-se uma distância imensa, como se a razão de tudo fôssemos nós dois. Ali passo as tardes, a seu lado, aconselharam-me a falar-lhe ininterruptamente, de nós, do filho, coitado, emigrado há três anos, e o que me custa falar-lhe disto, se antes o meu repúdio por certas convenções, hoje, com o que vejo, a minha imensa saudade, mas cansei-me antes da primeira palavra, optei pelo gesto, é muito antigo que pelo fruto se conhece a árvore, daí que me julgue certa, volta e meia, quedo-me a olhá-lo demoradamente, e espero que, nesses instantes, ele me dê um vislumbre da direcção dessa incógnita parte que o retém, às vezes parece-me vê-lo a acenar, então, corro para a janela, na sala, do nosso rés-do-chão, abro os cortinados por mim escolhidos, realmente, acho que foi a única coisa que escapou ao crivo de pais e sogros, nem sinal de sombras a invadir-me a casa, parece que, no mundo, tudo está no seu lugar, e vejo-o, no passeio, chegado do trabalho, a sorrir-me, como se a razão de tudo fôssemos nós dois, com um gelado em cada mão, apresso-me a ir ao seu encontro, de facto, parece que foi ontem…

SÓ LISBOA É MAIS CARA QUE OEIRAS E CASCAIS

Preço por metro quadrado é de 2333 euros em Cascais e de 2000 euros em Oeiras.

O

preço mediano de venda de habitação em Portugal aumentou para 996 euros por metro quadrado no quarto trimestre de 2018, destacando-se Lisboa e Porto com taxas de crescimento superiores a 23%, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE). De acordo com as estatísticas de preços da habitação ao nível local, no quarto trimestre de 2018 (últimos 12 meses), “o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 996 euros por metro quadrado (Euro/m2), registando um aumento de +1,2% relativamente ao trimestre anterior e +6,9% relativamente ao trimestre homólogo”. No período em análise, 42 municípios portugueses, localizados maioritariamente no Algarve (1.523 Euro/m2) e na Área Metropolitana de Lisboa (1.333 Euro/m2) -- as duas sub-regiões com preços mais elevados do país -- apresentaram um preço mediano de venda de habitação superior ao valor nacional. “Lisboa (3.010 Euro/m2) registou o preço mediano de vendas de habitação mais elevado do país e com valores acima de 1.500 Euro/m2 destacaram-se ainda Cas-

cais (2.333 Euro/m2), Oeiras (2.000 Euro/ m2), Loulé (1.948 Euro/m2), Lagos (1.787 Euro/m2), Albufeira (1.709 Euro/m2), Tavira (1.686 Euro/m2), Porto (1.612 Euro/m2), Lagoa (1.538 Euro/m2), Funchal (1.534 Euro/ m2) e Odivelas (1.523 Euro/m2)”, apurou o INE, no âmbito das estatísticas de preços da habitação ao nível local, referindo que, em relação ao trimestre anterior, são mais três os municípios com valores superiores a 1 500 Euro/m2. Neste sentido, Lisboa (+23,5%) e Porto (+23,3%) registaram as taxas de crescimento homólogo mais elevadas entre as cidades com mais de 100 mil habitantes.

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BREVEMENTE NA TERRUGEM

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Costa do Sol - Jornal | 08 de Maio  

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