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nยบ 3 Agosto/2011

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Nova imagem do asteroide Vesta A NASA divulgou novas imagens feitas pela sonda Dawn do gigantesco asteroide Vesta, um dos maiores asteroides conhecidos.

© NASA (asteroide Vesta) A sonda Dawn entrou na órbita de Vesta no último dia 15, onde passará um ano antes de partir para o planeta-anão Ceres. Vesta é o objeto mais brilhante do cinturão de asteroides e pode ser a fonte de vários meteoritos que atingem a Terra. A sonda viajou 2,8 bilhões de km em aproximadamente quatro anos e registrou as imagens a cerca de 5,2 km de distância do asteroide. A sonda é equipada com detectores de raios-gama e de nêutrons - que registram a energia das partículas subatômicas emitidas pelo asteroide - e espectrômetro - que analisa os minerais da superfície de Vesta. Fonte: NASA

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Achada evidência de oxigênio em nebulosa O telescópio espacial Herschel encontrou a primeira evidência forte da existência de moléculas de oxigênio (O2) na nebulosa de Órion, a aproximadamente 1.500 anos-luz da Terra, afirma a ESA (agência espacial europeia).

© ESA (nebulosa de Órion) Segundo a agência, o registro é 10 vezes maior que observações anteriores, mas ainda bem abaixo das expectativas teóricas. O oxigênio é um gás que foi descoberto por volta de 1770, sendo o terceiro elemento mais abundante do Universo, atrás apenas de hidrogênio e hélio, e é fundamental para a vida na Terra. "A teoria sugere que deveríamos achar uma grande quantidade de átomos de oxigênio, mas buscas anteriores continuavam falhando em achar essa grande quantidade", afirma Paul Goldsmith, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (agência espacial americana), autor principal do artigo que descreve o achado. "Com esses novos dados, nós finalmente temos um forte palpite de onde o oxigênio cósmico pode estar se escondendo", diz o astrônomo. Os astrônomos procuram por assinaturas da energia que os átomos de oxigênio emitem, mas o oxigênio da atmosfera da Terra atrapalha a busca. Como o Herschel está no espaço, fica mais favorável descobrir o elemento. Os resultados do estudo foram publicados na revista especializada "Astrophysical Journal". Fonte: ESA

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A nebulosa do Anel Fino A obscura Nebulosa do Anel Fino, mostrada a seguir, é uma nebulosa planetária pouco comum.

© ESO (nebulosa do Anel Fino) Nebulosas planetárias se formam quando algumas estrelas moribundas, se expandem na sua fase de gigante vermelha, expelem uma concha de gás à medida que se desenvolvem tornando-se uma anã branca. A maioria das nebulosas planetárias são esféricas ou elípticas, ou até mesmo bipolares, quando apresentam lobos simétricos de material expelido. Mas a Nebulosa do Anel Fino, registrada aqui pelo instrumento chamado Faint Object Spectrograph and Camera montado no New Technology Observatory do ESO em La Silla no Chile, parece com um anel quase que perfeitamente circular. Os astrônomos acreditam que algumas dessas nebulosas planetárias de formas pouco comum são formadas quando a estrela progenitora é um sistema binário. A interação entre a estrela primária e a sua companheira orbital dão forma ao material ejetado. O objeto estelar no centro da Nebulosa do Anel Fino é na verdade como se fosse um sistema binário, com um período orbital de 2,9 dias. As observações sugerem que o par binário está quase de frente para nós, implicando que a estrutura da nebulosa planetária também esteja alinhada com o nosso ponto de vista. Nós estamos olhando para um toro (uma estrutura na forma de rosquinha) de material ejetado levando a essa impressionante forma de anel circular que observamos na imagem. As nebulosas planetárias tem a sua forma definida por uma complexidade de processos físicos. Não somente esses objetos podem ser admirados pela sua beleza, mas o estudo da precisão como eles se formam é um tópico fascinante de estudo astronômico. Fonte: ESO

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Ejeção coronal de massa solar rumo à Terra A mancha solar 1261 causou uma erupção em 2 de Agosto de 2011, às 0619 UT, produzindo uma labareda solar de longa duração da Classe M1.

© NASA/SDO (manchas solares) A imagem solar acima, obtida pelo SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, em 1 de Agosto de 2011, mostra a configuração das manchas solares a partir desta data. A mancha solar 1261 tem um campo magnético do tipo "beta-gama-delta", com energia para originar explosões solares de classe X. A cobertura magnética da mancha solar foi iluminada pela extrema radiação ultravioleta.

© GSFC Space Weather Lab (modelo 3D da ejeção) 5


A explosão gerou uma ejeção de massa coronal quase que diretamente na direção da Terra. Três sondas, a SOHO, a STEREO-A e a STEREO-B rastrearam o progresso da nuvem de expansão. Usando dados de três pontos de vista diferentes, os cientistas no GSFC Space Weather Lab construíram um modelo 3D da ejeção (mostrado na figura acima). De acordo com esse trabalho, a nuvem a esquerda do Sol está viajando a uma velocidade de 900 km/s e deve atingir a Terra no dia 5 de Agosto de 2011 às 0300 UT, mais ou menos 7 horas. Possíveis tempestades geomagnéticas podem ocorrer quando a ejeção chegar na Terra. Fonte: NASA

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VISTA encontra 96 aglomerados estelares Com dados obtidos pelo telescópio de rastreio no infravermelho VISTA, instalado no Observatório do Paranal do ESO, uma equipe internacional de astrônomos descobriu 96 novos aglomerados estelares abertos escondidos pela poeira da Via Láctea.

© ESO (novos aglomerados estelares abertos) Estes objetos pequenos e tênues permaneceram invisíveis em rastreios anteriores, mas não conseguiram escapar aos detectores infravermelhos muito sensíveis do maior telescópio de rastreio do mundo, que consegue espreitar através da poeira. Esta é a primeira vez que tantos aglomarados pequenos e pouco brilhantes foram encontrados de uma só vez. Este resultado chega-nos apenas um ano após o início do programa Variáveis VISTA na Via Láctea (VVV), um dos seis rastreios públicos do novo telescópio. Os resultados serão publicados na revista científica especializada Astronomy & Astrophysics. “Esta descoberta sublinha o potencial do VISTA e do rastreio VVV para encontrar aglomerados de estrelas, especialmente aqueles que se escondem em regiões de poeira situadas no disco da Via Láctea. O VVV consegue observar muito mais profundamente do que outros rastreios,” diz Jura Borissova, autora principal do estudo. A maioria das estrelas com mais de metade da massa do nosso Sol formam-se em grupos chamados aglomerados abertos. Estes aglomerados são os tijolos que formam as galáxias e são vitais para a formação e evolução de galáxias tais como a nossa. No entanto, os aglomerados estelares formam-se em regiões com bastante poeira, que difundem e absorvem a maior parte da radiação visível emitida pelas estrelas jovens, tornando-os invisíveis à maioria dos rastreios do céu, mas não ao telescópio infravermelho de 4,1 metros do VISTA. “De maneira a encontrar a formação mais recente de aglomerados estelares, concentramos a nossa busca na direção de zonas de formação estelar conhecidas. Em regiões que pareciam vazias em rastreios anteriores efetuados no visível, os sensíveis detectores infravermelhos do VISTA descobriram muitos objetos novos,” acrescenta Dante Minniti, cientista principal do VVV. 7


Utilizando software cuidadosamente preparado, a equipe removeu as estrelas que apareciam em frente de cada aglomerado e contou seus membros genuínos. Posteriormente, as imagens foram inspecionadas visualmente para se medir o tamanho do aglomerado. Para os aglomerados que continham mais estrelas foram feitas outras medições tais como a distância, idade e quantidade de avermelhamento que a sua radiação estelar sofre devido à poeira interestelar situada entre os aglomerados e nós. “Descobrimos que a maioria dos aglomerados são muito pequenos, contendo apenas cerca de 10 a 20 estrelas. Comparados com aglomerados abertos típicos, estes são objetos muito tênues e compactos - a poeira que se encontra em frente destes aglomerados faz com que pareçam 10 mil a 100 milhões de vezes menos brilhantes no visível. Não admira, portanto, que estivessem escondidos,” explica Radostin Kurtev, outro membro da equipe. Apenas 2.500 aglomerados abertos foram encontrados na Via Láctea desde a antiguidade, mas os astrônomos estimam que devam existir pelo menos 30 mil escondidos por trás de poeira e gás. Enquanto que os aglomerados abertos brilhantes e grandes são facilmente detectados, esta é a primeira vez que tantos aglomerados pequenos e pouco brilhantes são encontrados de uma só vez. Estes novos 96 aglomerados abertos podem ser apenas o início de novas descobertas. “Começamos agora a utilizar software automático mais sofisticado para procurar aglomerados mais velhos e menos concentrados. Estou confiante que muitos mais serão descobertos num futuro próximo,” acrescenta Borissova. Fonte: ESO

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Teoria dos Multiversos Uma equipe de cientistas está testando experimentalmente a teoria da existência de outros universos. Cada um desses universos poderá ter físicas distintas, ou seja, diferentes constantes fundamentais e diferentes leis da física.

© Hiranya V. Peiris (colisões entre bolhas) A imagem mostra as assinaturas de colisões entre bolhas em vários estágios da análise. Uma colisão (no alto à esquerda) induz uma modulação de temperatura na radiação cósmica de fundo (no alto à direita). A bolha associada com a colisão é identificada por uma forte resposta (embaixo à esquerda) e a presença de uma fronteira é mostrada por uma forte resposta pelo algoritmo de detecção de bordas (embaixo à direita). Dois artigos publicados nas principais revistas de física do mundo detalharam propostas de como procurar assinaturas de outros universos, diferentes da ainda controversa teoria do fluxo escuro, que é um fluxo de matéria ainda sem causa ou explicação conhecidas, devido ao movimento de aglomerados galácticos em direção à um único ponto no céu, localizado entre as constelações de Sagitário e Vela. Os pesquisadores estão procurando padrões em formato de disco, que se formariam pelo contato entre duas bolhas. Para eles, esses padrões deveriam aparecer na radiação cósmica de fundo, uma radiação na faixa de micro-ondas que permeia todo o Universo, e que os cientistas acreditam ser o eco do Big Bang. "Procurar por marcas de colisão, de todos os raios possíveis, em qualquer lugar do céu, é um problema estatístico e computacional muito difícil," comenta a Dra. Hiranya Peiris, da Universidade College London. Foi desenvolvido um algoritmo com regras muito estritas, que procura padrões em uma imagem, eliminando aqueles que se devem ao mero acaso. Os resultados não foram conclusivos, foram encontrados quatro possíveis sinais de colisão com outros universos, quatro formações esféricas no céu que, segundo seus modelos matemáticos, não podem ser atribuídos ao acaso. Estatisticamente, os resultados não são consistentes o suficiente nem para confirmar a teoria dos multiversos e nem para descartá-la. Mas, além da sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) da NASA, o telescópio espacial Planck da ESA já está rastreando o céu, e deverá gerar um mapa muito mais preciso, propiciando informação mais consistente referente à teoria dos outros universos. Fonte: Physical Review Letters

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A beleza elusiva das radiogaláxias À medida que os radioastrônomos vasculham o céu mapeando-o, eles encontram algumas fontes de rádio brilhantes associadas com galáxias distantes.

© NRAO (Cygnus A) Uma das mais brilhantes foi a fonte de rádio Cygnus A, mostrada acima. A Cygnus A é uma fonte de rádio com duplo lobo. Pode-se notar na imagem de rádio os jatos que emanam do centro da fonte. No centro localiza-se uma galáxia elíptica a uma distância de aproximadamente 200 Mpc (Megaparsec). Nessa distância, os lobos são separados por mais de 100 kpc (kiloparsec), e eles têm uma luminosidade no rádio de 1.045 erg/s, ou seja, 106 vezes mais brilhante que a luminosidade normal de galáxias. As rádio galáxias, diferente das Seyferts, são normalmente hospedadas por galáxias elípticas. As Seyferts, são também calmas no comprimento de onda de rádio.

© NRAO (M87) A M87, a galáxia elíptica central em Virgo, mostrada acima, também é uma rádio galáxia. Ela está próxima o suficiente para que possamos examinar seu centro em detalhes, onde nós podemos na verdade ver o jato no comprimento de onda óptico. Fonte: Daily Galaxy 10


Diferenças do lado oculto e visível da Lua Uma nova teoria foi proposta para explicação da existência da espessa crosta no lado oculto da Lua e para a concentração de vulcanismo no lado visível.

© Jutzi & Asphaug (sequência do impacto da Lua irmã) A imagem acima mostra a sequência proposta de imapacto e a imagem abaixo exibe a camada adicional (cor cinza) gerada pela colisão da Lua irmã e magma na região do impacto concentrado (cor amarela).

© Jutzi & Asphaug (consequência do impacto da Lua irmã) 11


Jutzi e Asphaug propuseram que a nossa Lua não foi o único corpo significante que se formou por meio de uma gigantesca explosão no final do processo de crescimento da Terra. Uma irmã da Lua com aproximadamente 1.200 km de diâmetro foi inicialmente apreendida em uma órbita Troiana mas finalmente se colidiu com a Lua a aproximadamente 4,4 bilhões de anos atrás. Com base em uma sofisticada modelagem numérica (rastreando algo em torno de 2,5 milhões de partículas), eles determinaram que a colisão teria acontecido a uma baixa velocidade, ou seja, uma velocidade menor do que aquela experimentada pelos corpos que atingem a Lua, esse objeto irmão da Lua seria achatado e se dobrou ao redor de um lado da Lua. Isso teria espessado a crosta no lado que sofreu o impacto, lado esse que agora é conhecido como lado oculto, ou escuro da Lua. Os autores especulam que durante os 100 milhões de anos entre a formação da nossa Lua e o impacto desse objeto, o oceano de magma que existia na Lua formou uma crosta e só permaneceu derretido numa camada sob uma crosta de 20 km de espessura. O impacto é proposto como a causa da geração do restante do oceano de magma que foi espremido do lado oposto ao impacto e ali se concentrando, fornecendo o calor e a concentração de KREEP (“K” para potássio, “REE” para elementos de terras raras e “P” para fósforo) que foi capaz de gerar bilhões de anos de espasmos responsáveis pelo vulcanismo no lado visível da Lua, vulcanismo esse que então criou os mares da Lua. A ideia está ainda nos primeiros estágios de desenvolvimento, o estado de resfriamento da Lua e a possível transferência do oceano de magma para o hemisfério oposto estão ainda no campo das especulações. A ideia é um novo pensamento para explicar um velho problema, as diferenças existentes entre o lado escuro e o lado visível da Lua. Fonte: Nature

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Descoberta antimatéria ao redor da Terra Terra possui ao seu redor um anel de antiprótons, confinados pelas linhas do campo magnético do nosso planeta.

© NASA (cinturão de Van Allen) Essa antimatéria pode persistir por períodos que vão desde alguns minutos até horas antes de se aniquilar com a matéria normal na atmosfera. A Terra é constantemente bombardeada por raios cósmicos vindo do espaço que, ao chegar, criam uma chuva de novas partículas e antipartículas conforme eles colidem com as partículas de matéria ao se aproximar do planeta. Muitas delas ficam presas dentro dos cinturões de radiação de Van Allen, duas zonas com formato de grossos anéis ao redor do planeta, onde as partículas carregadas espiralam ao redor das linhas do campo magnético da Terra. Satélites artificiais já haviam detectado pósitrons - os equivalentes de antimatéria dos elétrons - no cinturão de radiação. Agora, uma sonda detectou antiprótons, que têm uma massa 2.000 vezes maior do que os pósitrons. Partículas mais pesadas tomam rotas mais abertas quando espiralam em torno das linhas magnéticas do planeta - linhas mais fracas do campo magnético também geram espirais mais largas. Assim, os antiprótons relativamente pesados, ao viajar ao redor das fracas linhas magnéticas do cinturão externo de radiação, devem seguir loops tão grandes que são rapidamente puxados para a atmosfera, onde se aniquilam com a matéria normal. Piergiorgio Picozza e seus colegas da Universidade de Roma, na Itália, detectaram os antiprótons usando o PAMELA, um detector de raios cósmicos italiano que está no espaço, a bordo de um satélite russo de observação da Terra. A sonda voa através do cinturão interno de radiação da Terra, em uma posição diretamente acima do Atlântico Sul. Entre julho de 2006 e dezembro de 2008, o PAMELA detectou, numa área equivalente aos seus sensores, 28 antiprótons presos em órbitas espirais em torno das linhas do campo magnético que brotam do pólo sul da Terra. Extrapolando os resultados para 13


toda a área ao redor da Terra, há bilhões de partículas de antimatéria girando continuamente ao nosso redor! Fonte: The Astrophysical Journal Letters

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Matéria escura num aglomerado de galáxias Uma imagem realizada pelo Telescópio Espacial Hubble, mostra galáxias apagadas gravitacionalmente realçadas localizadas além de um massivo aglomerado de galáxias indicando que um imenso anel de matéria escura provavelmente existe ao redor do centro do aglomerado de galáxias CL0024+17 que possui matéria escura em sua composição.

© Hubble (aglomerado de galáxias CL0024+17) O que se pode ver na imagem acima são espetaculares galáxias que fazem parte do aglomerado CL0024+17, normalmente aparecendo em cor laranja. Observa-se que são algumas formas de galáxias repetidas pouco comuns normalmente em cores mais azuladas. Essas múltiplas imagens de algumas distantes galáxias mostram que o aglomerado é uma forte lente gravitacional. É a distorção relativamente fraca de muitas galáxias distantes e apagadas azuis sobre toda a imagem, que indica a existência do anel de matéria escura. O anel de matéria escura computacionalmente modelado se expande por aproximadamente cinco milhões de anos-luz e foi digitalmente sobreposto à imagem em uma cor azul difusa. A hipótese para a formação do gigantesco anel de matéria escura reside no fato de que essa é uma feição transiente formada quando o aglomerado de galáxias CL0024+17 colidiu com outro aglomerado de galáxias a aproximadamente a um bilhão de anos atrás, deixando como resultado um anel similar às ondas que surgem num lago, quando a sua superfície é atingida por uma pedra. Fonte: Daily Galaxy

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Meteoritos podem conter componentes de DNA criados no espaço Pesquisadores da NASA encontraram provas de que os meteoritos podem conter estruturas de DNA que foram geradas no espaço.

© NASA (DNA em meteoritos) Componentes de DNA são detectados em meteoritos desde os anos 1960, mas os cientistas tinham dúvidas se eles realmente se originavam no espaço ou se vinham por meio de uma contaminação de vida terrestre. "Pela primeira vez, provas nos dão a certeza de que estes compostos de DNA foram de fato criados no espaço", diz Callahan, autor do estudo publicado na versão on-line do PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). Anteriormente, cientistas do Centro Espacial Goddard descobriram aminoácidos em amostras do cometa Wild 2, além de vários meteoritos ricos em carbono. Os aminoácidos são usados na produção de proteínas, moléculas essenciais à vida, que estão presentes em tudo, desde estruturas capilares até enzimas, que são catalisadores que aceleram ou regulam reações químicas. Os dados mais recentes indicam que determinados componentes de DNA chamados de nucleobases, os blocos de construção do código genético, chegam à Terra por meio de meteoritos em uma diversidade e quantidade que supera a anteriormente imaginada. Essa descoberta significa que o ambiente interno de asteroides e cometas é capaz de abrigar moléculas biológicas essenciais. No novo estudo, um grupo analisou amostras de 12 meteoritos ricos em carbono, nove dos quais foram retirados da Antártida, que indicaram a existência de adenina e guanina. As duas se conectam a outro par para formar as estruturas de um DNA. Os pesquisadores também identificaram em dois meteoritos, pela primeira vez, traços de três moléculas relacionadas a nucleobases, sendo que dois quase nunca são usados em biologia, as nucleobases análogas, o que provaria que as substâncias dos meteoritos vieram do espaço e não de uma contaminação terrestre. Fonte: NASA

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Existe um anel ao redor de Plutão? Com a sonda New Horizons a caminho de Plutão, essa missão poderá procurar por um potencial anel ao redor de Plutão e de suas luas.

© NASA (Plutão) Pesquisadores brasileiros da UNESP submeteram recentemente um artigo para publicação em que são exploradas as possibilidades da existência de um sistema de anel ao redor de Plutão. Nesse artigo, a equipe discute os efeitos de impactos de micrometeoroides em Nix e Hydra e como as partículas de poeira resultantes poderiam formar um anel ao redor de Plutão. A equipe também investigou as forças como o vento solar que poderiam dissipar o sistema de anéis. Pryscilla Maria Pires dos Santos e a sua equipe executou uma exaustiva lista de cálculos no artigo que estimou que o sistema de anéis teria um diâmetro de aproximadamente 16.000 quilômetros, ou seja, seria bem maior que a órbita de Nix e Hydra. Com base nesses cálculos, apesar de aproximadamente 50% da massa do sistema de anéis ser dissipada no intervalo de um ano, um tênue sistema ainda se mantém devido à poeira expelida pelos impactos de micrometeoroides. Dados adicionais apresentados no artigo colocam o anel com profundidade óptica, como sendo algumas ordens de magnitude mais apagado que os anéis de Júpiter. Enquanto que os telescópios em Terra e até mesmo o Telescópio Espacial Hubble são incapazes de detectar o sistema de anéis de Plutão, a sonda New Horizons poderá fornecer dados cruciais para validar os modelos teóricos propostos pela equipe. A sonda New Horizons tem um contador de poeira capaz de medir grãos de poeira com massa mínima de 10 a 12 gramas, o que forneceria então os dados necessários para comprovar ou refutar os modelos da equipe de brasileiros. “Vale ressaltar que o ambiente interplanetário do Sistema Solar externo não é bem conhecido. Muitas premissas foram feitas em ordem de estimar um anel putativo com profundidade óptica que englobasse as órbitas de Nix e Hydra”, disse Pryscilla. Fonte: Universe Today

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Uma espiral em Leão O VLT (Very Large Telescope) do ESO mostra uma nova imagem da galáxia espiral NGC 3521, situada a cerca de 35 milhões de anos-luz de distância na constelação do Leão.

© ESO (galáxia NGC 3521) Com uma dimensão de cerca de 50.000 anos-luz, este objeto espetacular tem um núcleo brilhante e compacto, rodeado por uma estrutura em espiral muito detalhada. As características mais distintivas da galáxia brilhante NGC 3521 são os seus longos braços espirais salpicados de regiões de formação estelar intercaladas com poeira. Os braços são bastante irregulares, tornando a NGC 3521 num exemplo típico de uma galáxia espiral granular. Estas galáxias têm braços espirais “macios” em contraste com os braços mais abrangentes e bem desenhados de galáxias espirais tais como a famosa Galáxia do Redemoinho ou M51, descoberta por Charles Messier. A NGC 3521 é brilhante e relativamente próxima, podendo ser facilmente observada com um pequeno telescópio, tal como o que utilizou Messier para catalogar uma série de objetos difusos do tipo de cometas nos anos 1700. Curiosamente, o astrônomo francês parece ter falhado na identificação desta espiral granular, embora tivesse identificado várias outras galáxias igualmente brilhantes na constelação do Leão. Foi apenas em 1784, ano em que Messier publicou a versão final do seu catálogo, que outro astrônomo famoso, William Herschel, descobriu a NGC 3521, logo no início de mapeamentos detalhados que fez do céu setentrional. Através do seu telescópio de 47 cm de abertura, Herschel viu um “centro brilhante rodeado por nebulosidade”, de acordo com as suas notas de observação. Nesta nova imagem do VLT braços espirais coloridos mas mal definidos substituem a “nebulosidade” de Herschel. Estrelas mais velhas dominam a região avermelhada no 18


centro, enquanto que estrelas jovens quentes azuis permeiam os braços mais longe do núcleo. Fonte: ESO

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Spitzer focaliza a Nebulosa do Haltere A Nebulosa do Haltere, também conhecida como Messier 27, dissipa luz infravermelha nessa imagem feita pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA.

© NASA (Nebulosa do Haltere) A nebulosa que foi denominada assim devido à sua semelhança com um haltere quando foi observada na luz visível, foi descoberta em 1764 por Charles Messier, que a incluiu como o membro 27 de seu famoso catálogo de objetos nebulosos. Ele não sabia na época, mas foi a primeira vez que um objeto conhecido como nebulosa planetária fez parte de seu catálogo. As nebulosas planetárias, historicamente assim denominadas por lembrarem os planetas gigantes gasosos quando observadas de telescópios na Terra, são agora conhecidas por serem a parte remanescente de estrelas que em um certo momento de suas vidas foram parecidas com o Sol. Quando uma estrela parecida com o Sol morre, elas expelem suas camadas externas de gás. Essas camadas são aquecidas pelo núcleo quente da estrela moribunda conhecida como uma anã branca, e brilha na luz infravermelha e óptica. Nosso próprio Sol se tornará uma nebulosa planetária quando ele morrer daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos. A Nebulosa do Haltere está localizada a uma distância de 1360 anos-luz da Terra na constelação de Vulpecula, e se espalha por 4,5 anos-luz no espaço. Essa distância é maior do que a distância entre o Sol e a estrela mais próxima do Sistema Solar, e demonstra como são efetivas as nebulosas planetárias no processo de enviar ao espaço interestelar seu material quando está no fim da sua vida. A visão infravermelha do Spitzer mostra um lado diferente desse material estelar reciclado. O brilho verde difuso, que é mais brilhante próximo do centro é provavelmente devido aos átomos de gás quente que são aquecidos pela luz ultravioleta da estrela anã branca central. Uma coleção de grânulos preenchem a parte central da nebulosa e raios radiais em vermelho se estendem além dessa região. Os astrônomos acreditam que essas feições representam moléculas de gás hidrogênio, misturados com traços de elementos mais pesados. Apesar de ser quebrado pela luz ultravioleta da estrela anã branca central, a maior parte de seu material molecular pode ficar intacto e se misturar de volta dentro das nuvens de gás interestelares, ajudando como combustível para uma próxima geração de estrelas. Estruturas similares são vistas na nebulosa da Hélice e em outras nebulosas planetárias. Fonte: Jet Propulsion Laboratory 20


Descoberto exoplaneta com baixo albedo Foi descoberto por astrônomos do CfA (Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian), nos Estados Unidos, um exoplaneta que absorve mais de 99% da luz, ou seja, é mais escuro que carvão.

© CfA (ilustração do exoplaneta TrES-2b) Conhecido como TrES-2b, o exoplaneta é um gigante gasoso que orbita a estrela GSC03549-02811, que está localizada a uma distância de aproximadamente 750 anosluz da Terra na direção da constelação de Draco. O exoplaneta está a cerca de 4,8 milhões de km da estrela, e essa proximidade lhe garante uma atmosfera de cerca de 980 °C. O TrES-2b é consideravelmente menos reflexivo que tinta acrílica preta. Em comparação, o nosso maior planeta, o também gigante gasoso Júpiter, está coberto por nuvens de amônia que refletem mais de um terço da luz solar. TrES-2b é tão quente que forma substâncias como sódio, potássio e óxido de titânio, que absorvem mais a luz. Apesar disso, a presença dessas substâncias não é suficiente para explicar a escuridão do exoplaneta. "Não está claro o que é responsável por fazer esse planeta tão extraordinariamente escuro", diz David Spiegel, da Universidade de Princeton, coautor do artigo. "De qualquer maneira, ele não é totalmente negro. É tão quente que emite um fraco brilho vermelho, como uma brasa ou as bobinas de um fogão elétrico". A escuridão do planeta foi descoberta com medições do telescópio Kepler, que tem a capacidade de determinar o brilho de corpos distantes com extrema precisão. Fonte: Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics

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Haro 11: a galáxia geradora de estrelas A imagem a seguir mostra a monumental taxa de formação de estrelas que está acontecendo, nessa espetacular galáxia, chamada galáxia de explosão de estrelas e denominada de Haro 11.

© ESO (Haro 11) Combinando dados do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrônomos criaram uma nova imagem dessa galáxia incrivelmente distante e brilhante. A equipe de astrônomos da Universidade de Estocolmo na Suécia e do Geneva Observatory na Suíça, identificaram 200 aglomerados separados constituídos de estrelas muito jovens e massivas. A maior parte delas tem menos de 10 milhões de anos de vida. Muitos desses aglomerados são tão brilhantes no infravermelho que os astrônomos suspeitam até que essas estrelas estão emergindo de seus casulos onde nasceram nesse instante. As observações levaram os astrônomos a concluírem que a Haro 11 é muito provavelmente o resultado da fusão entre uma galáxia rica em estrelas e uma galáxia mais jovem rica em gás. A Haro 11 produz estrelas numa taxa fantástica, convertendo aproximadamente uma quantidade equivalente a 20 massas solares de gás em estrelas a cada ano. Fonte: Daily Galaxy

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Os pesos-pesados do Universo Imagine pegar o Sol inteiro e compactá-lo até que ele fique do tamanho de uma cidade. Radical? Pode até ser, mas a natureza vive fazendo esse mesmíssimo experimento quando cria as chamadas estrelas de nêutrons, um dos menores e mais densos objetos do Universo.

© NASA/JPL (Nebulosa do Caranguejo) Um dos mistérios a serem esclarecidos é como surgem estrelas de nêutrons com massa mais elevada do que o previsto pela teoria da formação e evolução estelar. Um grupo de pesquisadores atuando no Brasil tenta trazer alguma luz para o assunto resgatando uma hipótese controversa. Em linhas gerais, eles sugerem que deve haver mais de um jeito de criar estrelas de nêutons. O surgimento delas tem a ver com a morte de estrelas de massa bastante elevada, pelo menos oito vezes superior à do Sol. Constituídas por gás (em sua maioria hidrogênio) e poeira concentrados, as estrelas começam a brilhar quando a concentração de matéria é tal que os átomos na região mais central desses corpos celestes começam a se unir, processo conhecido como fusão nuclear. A transformação de dois núcleos de hidrogênio, cada um com um próton, em um núcleo de hélio, com dois prótons, é acompanhada de uma sutil redução da massa total. Parte da massa é convertida em energia e escapa da estrela – é daí que vem todo o poder desses astros para banhar um sistema planetário inteiro em radiação. Essa energia gerada no interior da estrela compensa a força gravitacional, que atua no sentido oposto. Por causa desse equilíbrio, a estrela permanece com aproximadamente o mesmo tamanho ao longo da maior parte da sua vida. Porém, durante milhões de anos, o combustível disponível para a fusão nuclear vai se esgotando. Na falta de hidrogênio, são usados elementos mais pesados, como hélio, carbono, oxigênio, até chegar a um limite: o ferro. Essa é a fronteira final por uma razão simples: a fusão de núcleos de ferro consome mais energia do que a liberada ao final do processo. Nesse estágio, a produção de energia na região central é interrompida e a gravidade passa a trabalhar desimpedida, sem nenhuma força para compensar sua ação. 23


Bomba cósmica – A estrela entra em colapso e dispara uma complicada sequência de eventos. O resultado final é a explosão das camadas mais externas da estrela, na qual 90% de sua massa é lançada ao espaço. O que resta desse violento episódio, conhecido como supernova, é um caroço estelar muito compacto. Se a massa do caroço for relativamente pequena, essa compressão origina o que se convencionou chamar de estrela de nêutrons – caso a massa seja mais elevada e a compressão continue, forma-se um buraco negro, objeto tão denso que nada escapa de sua atração, nem mesmo a luz. Segundo a teoria atualmente aceita, as estrelas de nêutrons, assim chamadas por apresentarem proporções elevadas de partículas sem carga elétrica (nêutrons) em seu interior, deveriam ter todas as mesmas dimensões: uma massa cerca de 40% maior do que a do Sol, comprimida em uma esfera de menos de 20 quilômetros de diâmetro. “Mas ninguém sabe exatamente qual é a massa que uma estrela precisa ter em vida para morrer e deixar uma estrela de nêutrons ou um buraco negro”, conta o astrônomo Jorge Horvath, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo, coordenador de um grupo que investiga as características das estrelas de nêutrons. “Até recentemente acreditava-se que todas as estrelas de nêutrons tivessem esse padrão”, afirma João Steiner, outro astrônomo do IAG. “Mas no ano passado foi descoberto um caso que é claramente maior. O nome do objeto? PSR J1614-223, uma estrela de nêutrons situada a 3 mil anos-luz da Terra, descoberta por um grupo do Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), nos Estados Unidos. Apresentada em artigo publicado na Nature, essa estrela parece ter duas massas solares – pesada, em se tratando de objetos desse tipo. Esse achado obrigou a comunidade astronômica a aceitar o fato de que há variação significativa no tamanho das estrelas de nêutrons. E se encaixa muito bem nas previsões feitas recentemente pelo grupo de Horvath, publicadas na edição de junho da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Nesse trabalho, Horvath, Eraldo Rangel e Rodolfo Valentim conduziram uma análise estatística da massa de 55 estrelas de nêutrons bem estudadas e mostraram que há dois padrões mais comuns: um formado pelas estrelas de massa menor (ao redor de 1,37 vez a do Sol) e com pouca variação, como esperado; e outro, com massa maior, cerca de 1,73 massa solar, e mais variável. Por que existem esses dois grupos distintos? “Os resultados apontam para mais de um mecanismo de formação das estrelas de nêutrons”, afirma Horvath.

© FAPESP (evolução estelar) Essa ideia parece compatível com as distribuições de estrelas de nêutrons em locais como os aglomerados globulares, habitados principalmente por estrelas muito velhas e de massa menor do que aquela que, segundo a teoria, seria necessária para originar estrelas de nêutrons. Observações recentes feitas por astrônomos de diversos países vêm mostrando que nessas regiões há muito mais estrelas de nêutrons do que se esperaria se 24


elas fossem produto exclusivo da explosão de estrelas de alta massa. As estrelas que originalmente têm massa inferior a oito vezes a solar, ao entrar em colapso, não geram estrelas de nêutrons, mas outra classe de objetos: as anãs brancas, com a massa de um sol comprimida em um volume igual ao da Terra – é como o Sol deve terminar seus dias. Em alguns sistemas binários, a anã branca, por ação da gravidade, rouba a massa de sua estrela companheira até atingir um limite que a induza a um novo colapso. Esse evento é explosivo e produz um tipo específico de supernova, chamada Ia, na qual a massa total da estrela é lançada violentamente para o espaço. Mas alguns astrônomos sugerem que isso pode acontecer de modo diferente. Em vez de resultar em uma supernova, o acréscimo rápido de massa faria com que a anã branca se transformasse em estrela de nêutrons. “É uma ideia que nos ronda há 20 anos e tem quem a odeie”, diz Horvath. “Mas há também quem diga que funciona. É difícil imaginar uma alternativa melhor para explicar como certas estrelas de nêutrons foram parar onde estão.” Dados recentes complicam o cenário ao indicar que existem estrelas de nêutrons com massa inferior à do Sol, que não se formariam por colapso. A resposta definitiva ainda não apareceu, mas é quase certo que o futuro das pesquisas passará por reformulações nas teorias de como surgem e se comportam as estrelas de nêutrons. Por fora e por dentro – Se há mistérios sobre o tamanho e a massa, a coisa não fica mais simples quando o assunto é a composição das estrelas de nêutrons. O nível de compactação desses objetos é tão elevado – a densidade de uma estrela de nêutrons é maior que a do núcleo dos átomos e 100 trilhões de vezes a da água – que a matéria pode aparecer sob formas que não se encontram em nenhum outro lugar do Universo. A densidades maiores que a do núcleo atômico, partículas como prótons e nêutrons se desfazem em suas unidades fundamentais: os quarks, que, via de regra, nunca são vistos sozinhos. É difícil conciliar essas previsões com as observações, mas se acredita que essas condições existam em certas estrelas de nêutrons, que abrigariam em sua região central uma sopa de quarks. Na Universidade Federal do ABC, em Santo André, Região Metropolitana de São Paulo, o grupo de Germán Lugones vem fazendo cálculos e simulações de como diferentes composições internas desses astros afetariam a massa, o raio, a evolução e outras propriedades. Um dos resultados a que a equipe chegou é que certos fenômenos que surgem quando a matéria se encontra na forma de quarks – como a transição a um estado supercondutor – explicam naturalmente a existência de estrelas com massas bem maiores que a clássica 1,4 massa solar. Por isso, a descoberta da PSR J1614-223 representou um sinal importante de que podem estar no caminho certo. Lugones acredita que uma versão mais radical das estrelas de quarks – a estrela estranha ou estrela de quarks autoligada, em que todo o astro seria composto por essas partículas – deve ser considerada como candidata caso se observem estrelas com massa ainda maior que a da PSR J1614-223. “De acordo com estudos teóricos feitos nos últimos anos por nosso grupo, a densidade necessária para que as partículas da matéria se desfaçam em quarks é de 5 a 10 vezes maior que a densidade do interior de um núcleo atômico”, afirma Lugones, ressaltando que essas densidades podem perfeitamente ser atingidas no centro das estrelas de nêutrons de maior massa. Se isso ocorre, ninguém sabe. Ainda há lacunas, tanto no entendimento da física por trás desses processos como no das propriedades observáveis das estrelas de nêutrons. Manuel Malheiro, pesquisador do Instituto Tecnológico da Aeronáutica e colaborador 25


de Horvath e Lugones, encontra-se desde 2010 na Universidade de Roma onde investiga a composição e outras características de outro tipo especial de estrelas de nêutrons: as magnetares, que têm elevado campo magnético. Ainda serão necessários avanços na teoria e nas observações para que eventualmente se chegue a um quadro mais coeso. A única certeza é que há problemas interessantes a respeito desses astros, que, acidentalmente, são laboratórios ideais para o estudo das mais extremas propriedades da matéria. Fonte: Pesquisa FAPESP

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A bela Nebulosa do Colar O Telescópio Espacial Hubble da NASA registrou a imagem de um gigantesco colar cósmico que brilha intensamente.

© Hubble (Nebulosa do Colar) O objeto, denominado de Nebulosa do Colar, é uma nebulosa planetária recentemente descoberta, e o brilho é remanescente de uma estrela ordinária parecida com o Sol. A nebulosa consiste de um anel brilhante, que mede 19,3 trilhões de quilômetros de largura, pontilhada com nós de gás densos e brilhantes que lembram diamantes em um colar. Um par de estrelas com órbitas próximas produzem juntas a nebulosa, também chamada de PN G054.2-03.4. Há aproximadamente 10.000 anos atrás uma das antigas estrelas se inflou até o ponto onde ela englobou a estrela companheira. A estrela menor continuou orbitando a maior dentro de sua companheira, aumentando a taxa de rotação da gigante. A estrela girou tão rápido que grande parte de seu envelope gasoso se expandiu para o espaço. Devido à rotação, grande parte do gás escapou ao longo do equador da estrela, produzindo um anel. Os nós brilhantes mergulhados são densos grânulos de gás no anel. O par de estrelas é tão próximo, alguns milhões de quilômetros de distância, que ele parece como um único ponto brilhante no centro. As estrelas estão furiosamente rodando uma ao redor da outra, completando uma órbita em pouco mais de um dia. A Nebulosa do Colar está localizada a 15.000 anos-luz de distância na constelação de Sagitário. Nessa imagem composta feita em 2 Julho de 2011 pela Wide Field Camera 3 do Hubble o brilho do hidrogênio é representado em azul, o oxigênio é verde e o nitrogênio é vermelho. Fonte: NASA 27


VV 340: um ponto de exclamação cósmico! O objeto conhecido como VV 340, também chamado de Arp 302, nos fornece um exemplo de uma colisão de galáxias vista nos primeiros estágios da sua interação.

© Chandra/Hubble (VV 340) A galáxia que aparece de frente para a Terra na parte superior da imagem é a VV 340 Norte e a galáxia que aparece de lado para nós na Terra na parte inferior da imagem é chamada de VV 340 Sul. Daqui a milhões de anos essas duas galáxias espirais irão se fundir, do mesmo modo que a Via Láctea irá se fundir com a galáxia de Andrômeda. Dados obtidos pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA são mostrados aqui em roxo juntamente com dados ópticos obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble e mostrados em verde, vermelho e azul. O VV 340 está localizado a aproximadamente 450 milhões de anos-luz de distância da Terra. Devido ao seu brilho na luz infravermelha, o VV 340 é classificado como sendo uma Galáxia Infravermelha Luminosa, ou LIRG. Essa observação parte do grande projeto chamado de Great Observatories All-Sky LIRG Survey, ou GOALS, que combina dados do Hubble, do Chandra, do Spitzer e do GALEX, além de telescópios baseados em Terra. A pesquisa inclui mais de duzentos LIRGs no nosso universo local. A principal motivação para esse estudo é a de entender por que os LIRGs emitem tanta radiação infravermelha. Essas galáxias geram energia numa taxa dezenas de centenas de vezes maior do que a energia emitida por uma galáxia típica. Um buraco negro supermassivo em ativo crescimento ou uma intensa explosão de formação de estrelas podem ser considerados como sendo a fonte dessa grande energia. O trabalho do GOALS ainda está em andamento, mas as análises preliminares dos dados para o VV 340 fornecem uma boa demonstração do poder de se observar um determinado objeto com múltiplos observatórios. Os dados do Chandra mostram que o centro do VV 340 Norte, provavelmente contém um buraco negro em crescimento super rápido que é fortemente obscurecido pela poeira e pelo gás. A emissão em 28


infravermelho do par de galáxias, como observada pelo Spitzer é dominada pelo VV 340 Norte, e também fornece a evidência para a existência de um buraco negro supermassivo de crescimento rápido. Contudo, somente uma pequena fração da emissão infravermelha é gerada por esse buraco negro. Por contraste a grande maioria da emissão no ultravioleta e em comprimentos de onda ópticos curtos no par de galáxias, como observado pelo GALEX e pelo Hubble, vem do VV 340 Sul. Isso mostra que o VV 340 Sul contém um nível muito mais elevado de formação de estrelas. O VV 340 parece ser um excelente exemplo de um par de galáxias em interação porém em estágios evolucionários diferentes. Fonte: NASA

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Impacto recente na Lua Essa cratera sem nome na Lua, localiza-se próximo do Reiner Gamma Swirl no Oceanus Procellarum.

© LRO (impacto na Lua) A idade relativa baixa da cratera cria um grande exemplo para se poder investigar como as crateras de impacto se formam na Lua. O processo de geração de crateras ocorre em três estágios: contato e compressão, escavação e modificação. O material derretido por impacto e os pedaços de rochas foram criados durante o contato e a compressão à medida que o bólido transferia sua energia cinética para o alvo. A cobertura de material ejetado foi depositada durante a fase de escavação cobrindo a superfície do mar ao redor com o material imaturo de alta refletância. O estágio de modificação dá a forma final para a cratera. À medida que as forças envolvidas no impacto diminuem o material derretido por impacto se deposita na base da cratera juntamente com os pedaços de rocha. O estágio de modificação está ainda em curso à medida que a gravidade tem causado pequenos deslizamentos de terra nas paredes da cratera e provavelmente mais pedaços de rocha irão erodir a parede da cratera. Fonte: NASA

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Uma estrela destruída por um buraco negro Evidência do Observatório de Raios-X Chandra da NASA e dos telescópios Magellan sugerem que uma estrela está sendo dilacerada por um buraco negro de massa intermediária em um aglomerado globular.

© Chandra/Hubble (NGC 1399) Nessa imagem, os raios-X obtidos pelo Chandra são mostrados sobrepostos a uma imagem óptica do Telescópio Espacial Hubble. Essas observações do Chandra mostram que o objeto é o chamado fonte ultra luminosa de raio-X, ou ULX. Considerados uma classe de objetos pouco comuns, os ULXs emitem mais raios-X do que qualquer outra fonte estelar de raios-X, mas menos do que as brilhantes fontes de raios-X associadas com buracos negros supermassivos localizados no interior de galáxias. A sua natureza exata ainda é um mistério, mas uma sugestão é que alguns ULXs são buracos negros com massas entre uma centena e milhares de vezes a massa do Sol. Dados obtidos no comprimento de luz óptico com os telescópios Magellan I e II localizados em Las Campanas no Chile, também fornecem intrigantes informações sobre esse objeto, que foi descoberto na galáxia elíptica NGC 1399 no Aglomerado de Galáxias Fornax. O espectro revela a emissão de oxigênio e nitrogênio mas não hidrogênio, um raro conjunto de sinais vindo de um aglomerado globular. As condições físicas deduzidas do espectro sugerem que o gás está orbitando um buraco negro que tem no mínimo uma massa igual a 1.000 massas solares. Para explicar essas observações, os pesquisadores sugerem que uma estrela anã branca passou tão perto de um buraco negro de massa intermediária que ela foi então dilacerada por forças de maré. Nesse cenário a emissão de raios-X é produzida por detritos da estrela anã branca corrompida que é aquecido à medida que eles caem em direção ao buraco negro e a emissão óptica vem de detritos mais afastados que são iluminados por esses raios-X. 31


Outro aspecto interessante desse objeto é que ele é encontrado dentro de um aglomerado globular de estrelas, ou sejam um agrupamento compacto e muito antigo de estrelas. Os astrônomos há muito tempo suspeitam de que os aglomerados globulares possam conter buracos negros de massa intermediária, mas eles não tinham nenhuma evidência conclusiva até o momento. Se confirmada, essa descoberta representaria pela primeira vez que eles poderiam comprovar a teoria. Fonte: Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics

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Paradigma da expansão cósmica O Universo está se expandindo, mas não necessariamente de forma acelerada como aponta o modelo cosmológico mais aceito pelos especialistas, o Lambda-CDM (Cold Dark Matter).

© NASA (galáxia Cartwheel) A pesquisa realizada no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) aponta que atualmente a expansão do Universo está em fase de desaceleração. Segundo Antônio Cândido de Camargo Guimarães, autor do estudo publicado no periódico Classical and Quantum Gravity, houve uma fase de expansão acelerada, que seria recente. "Mas hoje esse estado não é tão certo. É possível que a aceleração já esteja diminuindo", disse ele. Guimarães conta que há cerca de dez anos a expansão acelerada do Universo se tornou consenso na comunidade científica a partir de observações de explosões de supernovas Ia, cujo brilho era menor do que se esperava. Para descrever essa rápida expansão, os cientistas adotaram o Lambda-CDM. Esse modelo cosmológico se baseia na existência de uma "energia escura", que corresponderia a 70% da composição do Universo. A energia escura é uma propriedade física muito especulativa. Há algumas hipóteses e ideias, mas não se sabe qual a natureza dela. Em sua pesquisa, Guimarães diz que a ideia foi descrever a expansão de forma independente de modelos de energia escura. Para isso, usou a chamada abordagem cosmográfica. Esse método se baseia na descrição da expansão cósmica como uma somatória de termos em função do redshift (medida da velocidade de afastamento) das supernovas, que é usado para traçar o brilho estelar (indicando a distância). As supernovas foram divididas em três grupos: antigas, recentes e muito recentes. Por meio das análises cosmográficas, o pesquisador observou que, quanto mais recente os eventos das supernovas, maior era a probabilidade da atual desaceleração do Universo. "O modelo Lambda-CDM diz que a aceleração tende sempre a aumentar. É interessante, pois nosso trabalho questiona esse paradigma, que usa uma forma particular para a energia escura para descrever a expansão cósmica", disse Guimarães. Fonte: Agência Fapesp 33


Galáxia Segue 1 contém matéria escura A galáxia Segue 1 abriga mais matéria escura do que qualquer outra no Universo.

© Keck II (galáxia Segue 1) A Segue 1 orbita a Via Láctea e tem um pequeno grupo de cerca de mil estrelas, pouco perceptíveis. Enquanto a maioria dessas estrelas parece ter quase a massa solar, a galáxia como um todo pesa 600 mil vezes mais do que o Sol. Isso significa que a massa comum das estrelas é amplamente superada pela matéria escura. Os astrônomos observaram a Segue 1 com o telescópio Keck II, no Havaí. A galáxia anã tem massa 3,4 mil vezes mais do que pode ser explicado observando apenas suas estrelas visíveis. Em outras palavras, ela é como uma enorme nuvem de matéria escura salpicada de estrelas. A Segue 1 é interessante não apenas por causa de sua natureza sombria, mas também porque ela tem uma coleção de estrelas quase primordiais. Uma maneira de saber há quanto tempo uma estrela foi formada é a partir de seu conteúdo de elemento pesado, que pode ser observado a partir dos comprimentos de onda de luz emitidos por uma estrela. As estrelas muito velhas ou primitivas surgiram quando o Universo era jovem e algumas grandes estrelas tinham crescido o suficiente para se fundir com átomos leves como hidrogênio e hélio, e com elementos pesados, como ferro e oxigênio. Essas estrelas antigas se formaram a partir de nuvens de gases primordiais, com pouca quantidade de elementos pesados. Os pesquisadores conseguiram coletar dados sobre o ferro de seis estrelas de Segue 1 com o telescópio Keck II, e uma sétima estrela foi medida por uma equipe australiana que utilizou um telescópio no Chile. A pesquisa sugeriu que três dessas estrelas são algumas das mais antigas conhecidas. A matéria escura, invisível, nunca foi detectada diretamente, mas os cientistas acham que ela existe com base na força gravitacional que ela exerce sobre o resto do Universo. Os pesquisadores esperam que Segue 1 ajude a entender a natureza da misteriosa matéria escura. Eles suspeitam que existam outras galáxias anãs ainda mais sombrias pairando em torno da Via Láctea, à espera de serem descobertas. Fonte: Astronomy

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Descoberto grafeno no espaço O Telescópio espacial Spitzer encontrou assinaturas químicas de grafeno no espaço, folhas de carbono com apenas um átomo de espessura.

© NASA (ilustração da nebulosa da Hélice e moléculas de carbono) A descoberta do grafeno, realizada em 2004, levou o Prêmio Nobel de Física de 2010. Já a descoberta do grafeno no espaço ainda precisará ser confirmada por observações mais detalhadas. O grafeno é extremamente forte, conduz eletricidade tão bem quanto os metais e já está sendo utilizado experimentalmente em computadores, telas e monitores e painéis solares, além de uma infinidade de outras aplicações possíveis. Já o grafeno espacial é mais importante pelas informações que ele pode dar aos cientistas sobre a origem da vida, na Terra e pelo espaço afora. Entender as reações químicas envolvendo o carbono no espaço pode dar novas informações sobre como pode ter surgido e evoluído nossa bioquímica baseada nesse elemento. O grafeno foi identificado em duas pequenas galáxias vizinhas à nossa - as Nuvens de Magalhães - associado a um material expelido por estrelas no final da vida, que forma a chamada nebulosa planetária. O telescópio Spitzer, que observa o Universo em infravermelho, também encontrou sinais de outra molécula de carbono, chamada C70. A C70, que tem um formato alongado, assim como o grafeno, pertencem à família dos fulerenos, também conhecidas pelo termo inglês buckyballs - esta é a maior molécula já identificada no espaço. A mais famosa das moléculas dessa família é a C60, em formato esférico, que deu nome à família, uma homenagem aos domos arquitetônicos feitos por Buckminister Fuller. Recentemente foram encontrados fulerenos incorporados em meteoritos, contendo gases extraterrestres em seu interior. 35


Como cientistas já conseguiram encapsular água nessas moléculas, em laboratório, surge agora a hipótese de que os fulerenos podem ter sido os carregadores de materiais importantes para o surgimento da vida na Terra, que teria chegado até aqui pelos meteoritos. Segundo os astrônomos, o grafeno e os fulerenos formam-se no espaço quando as ondas de choque geradas pelas estrelas que morrem quebram grânulos de carbono. Fonte: NASA

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Bolha gigante brilha a partir do seu interior Uma equipe de astrônomos utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT) para estudar um objeto bastante invulgar chamado bolha Lyman-alfa, a qual é produzida quando elétrons nos átomos de hidrogênio descem do segundo nível de energia para o nível fundamental.

© ESO (LAB-1) Estas estruturas enormes e muito luminosas são geralmente observadas em regiões do Universo primitivo, onde a matéria se concentra. A equipe descobriu que a radiação emitida por uma destas bolhas é polarizada. A luz polarizada é, por exemplo, utilizada para criar efeitos 3D no cinema. Esta é a primeira vez que se encontra polarização numa bolha Lyman-alfa, fazendo com que esta observação ajude a compreender por que é que estas bolhas brilham. “Mostramos pela primeira vez que o brilho destes enigmáticos objetos vem de radiação dispersada, emitida por galáxias brilhantes escondidas no seu interior, em vez de ser o gás espalhado por toda a nuvem que está brilhando,” explica Matthew Hayes (Universidade de Toulouse, França), autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados, publicado na revista Nature. As bolhas Lyman-alfa são alguns dos maiores objetos existentes no Universo: nuvens gigantes de hidrogênio gasoso que podem atingir diâmetros de algumas centenas de milhares de anos-luz (algumas vezes maiores que a Via Láctea) e que são tão energéticas como as galáxias mais brilhantes. São encontradas, tipicamente, a grandes distâncias, por isso são vistas tal como eram quando o Universo tinha apenas alguns bilhões de anos de idade. São por isso objetos importantes para o estudo da formação e evolução de galáxias quando o Universo era jovem. Mas a fonte de energia da sua luminosidade extrema, assim como a precisa natureza das bolhas, tem permanecido pouco clara. A equipe estudou uma das primeiras bolhas a ser descoberta e também uma das mais 37


brilhantes. Conhecida pelo nome de LAB-1, foi descoberta em 2000 e encontra-se tão distante que a sua radiação levou cerca de 11,5 bilhões de anos a chegar até nós. Com um diâmetro de cerca de 300.000 anos-luz, é também uma das maiores conhecidas. Possui várias galáxias primordiais no seu interior, incluindo uma galáxia ativa. Existem várias teorias que pretendem explicar as bolhas Lyman-alfa. Uma delas supõe que estes objetos brilham quando o gás frio é atraído pela gravidade elevada da bolha e consequentemente aquece. Outra supõe que o brilho destas bolhas deve-se a objetos brilhantes existentes no seu interior: galáxias com formação estelar elevada, ou que contêm buracos negros que se atraem matéria. Estas novas observações mostram que a fonte de energia da LAB-1 deve-se à galáxias no seu interior ao invés de gás sendo atraído e aquecido. A equipe testou as duas teorias fazendo medições para saber se a radiação emitida pela bolha se encontrava polarizada. Ao estudar qual a polarização da radiação, os astrônomos podem inferir sobre os processos físicos que lhe dão origem, ou saber o que lhe aconteceu entre a sua emissão e a sua chegada à Terra. Se for refletida ou dispersada torna-se polarizada e este efeito sutil pode ser detectado por um instrumento muito sensível. Medir a polarização da radiação emitida por uma bolha Lyman-alfa é, no entanto, algo bastante difícil, já que estes objetos se encontram muito distantes de nós. “Estas observações nunca poderiam ter sido feitas sem o VLT e o seu instrumento FORS. Precisávamos claramente de duas coisas: um telescópio com um espelho de, pelo menos, oito metros de diâmetro de modo a poder coletar radiação suficiente, e de uma câmara capaz de medir a polarização da radiação. Não existem muitos observatórios no mundo capazes de oferecer uma tal combinação,” acrescenta Claudia Scarlata (Universidade do Minnesota, EUA), co-autora do artigo. Ao observar o seu alvo ao longo de cerca de 15 horas com o Very Large Telescope, a equipe descobriu que a radiação emitida pela bolha Lyman-alfa LAB-1 se encontra polarizada num anel em torno da região central e que não existe polarização no centro. Este efeito é praticamente impossível de obter se a radiação for emitida apenas pelo gás que está sendo atraído pela bolha devido à gravidade, mas é precisamente o que se espera se a radiação tiver origem em galáxias embebidas na região central, antes de ser dispersada pelo gás. Os astrônomos planejam agora estudar mais objetos deste tipo no sentido de perceberem se os resultados obtidos pela LAB-1 são válidos para outras bolhas. Fonte: ESO

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A evolução das galáxias vermelhas Astrônomos da Universidade de Tóquio e do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ) descobriram galáxias formadoras de estrelas que aparecem paradoxalmente em vermelho em um aglomerado de galáxias.

© Subaru/NAOJ (aglomerado de galáxias CL0939+4713) Na imagem os quadrados vermelhos mostram as posições das galáxias vermelhas, enquanto os pontos azuis mostram as galáxias emissoras de H-alfa (hidrogênio-alfa). As galáxias vermelhas evitam a região central do aglomerado e concentram-se em pequenos grupos localizados longe dele. Usando o telescópio Subaru no cume do Mauna Kea, no Havaí, a equipe produziu resultados que indicaram como galáxias vermelhas que estão numa fase de transição de uma geração mais jovem de estrelas, possivelmente demonstrando a evolução de galáxias no ambiente circundante num aglomerado de galáxias. Normalmente, quando a cor total de uma galáxia é vermelho, a maioria de sua população é de estrelas vermelhas, ou seja, estrelas mais velhas. A formação do aglomerado de galáxias ocorreu há cerca de dez bilhões de anos atrás, com as galáxias se reunindo devido a interação gravitacional. Em uma tentativa de responder como os padrões de formação das galáxias se estabelecem e evoluem, a equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Yusei Koyama usou o Subaru Camera Prime Focus para fazer uma observação panorâmica do aglomerado de galáxias CL0939+4713, localizado a quatro bilhão luz anos de distância da Terra. Cuidadosamente comparando fotos tiradas com e sem um filtro que pode detectar a linha de H-alfa emitida por átomos de hidrogênio ionizado pela luz ultravioleta das estrelas recém-nascidas, a equipe identificou mais de 400 galáxias no aglomerado que apresentavam um excesso de H-alfa, quando observadas com um filtro. Surpreendentemente, eles descobriram um grande número dessas galáxias formadoras de estrelas vermelhas. 39


As emissões de H-alfa indicam que as galáxias vermelhas estão formando novas estrelas. "A cor vermelha pode ser devido à abundância de poeira, e não por idade das populações estelares", diz Hayashi. Os pesquisadores acreditam que a forte gravidade vai desempenhar o seu papel na atração de grupos de galáxias CL0939 e CL4713 levando-os a se fundir, evidenciando assim que as propriedades de galáxias pode mudar em ambientes esparsos antes da sua fusão. Além disso, foi observado que o número de galáxias mais antigas, sem formação estelar, parece ser cada vez maior nos locais onde as galáxias vermelhas são abundantes. Estes resultados marcam o início da investigação destas galáxias vermelhas. Fonte: The Astrophysical Journal

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As nuvens escuras infravermelhas Para observar dentro ou através de uma espessa nuvem escura no espaço, utiliza-se os dados obtidos no comprimento de onda do infravermelho.

© WISE (IRDC G11.11-0.11) Contudo, nessa imagem infravermelha do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, nós podemos ver que essas nuvens são tão frias e tão espessas que mesmo a radiação infravermelha não pode penetrá-las. As áreas pretas nessa imagem, são chamadas de Nuvens Escuras Infravermelhas (do inglês IRDCs), são núcleos de nuvens excepcionalmente frios, densos que possuem suas silhuetas contra o brilho difuso infravermelho do plano da Via Láctea. Se essa mesma região do céu fosse observada através de um telescópio comum seria visto um mar de estrelas juntas. É possível notar pequenos pedaços de escuridão que parecem bloquear as estrelas que estão atrás. Mas, essas belas nuvens coloridas em verde, amarelo e vermelho, como aparecem nessa imagem do WISE, só podem ser observadas em infravermelho. De fato, os lugares com porções escuras, são provavelmente os lugares onde o WISE observa nuvens brilhantes em infravermelho. Contudo, o mesmo efeito básico de escurecimento está acontecendo até mesmo nas imagens infravermelhas. As áreas escuras aqui são locais onde o gás está extremamente compactado e frio, de modo que ele é opaco até mesmo nos comprimentos de onda do infravermelho que são observados pelo WISE. Para ver o brilho dessas regiões é necessário observá-las em comprimentos de onda ainda mais longos. As IRDCs são tão densas que da região central delas não será possível ver as galáxias e suas estrelas, existe somente escuridão. A densidade dessas nuvens é alta o suficiente para levar a formação de novas estrelas e planetas. Fonte: NASA

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A estranha distorção da NGC 2146 Uma galáxia está sendo esticada perdendo a sua forma e foi imageada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e ESA.

© Hubble (NGC 2146) Conhecida como NGC 2146, essa galáxia tem sofrido sérias torções e deformações de modo que um de seus imensos braços empoeirados localiza-se agora diretamente em frente ao centro da galáxia, como mostra a imagem acima. A NGC 2146 é classificada como uma espiral barrada devido a sua forma, mas o aspecto mais distinto é o seu braço espiral que faz um laço em frente ao centro da galáxia. As forças necessárias para distorcer essa estrutura de sua forma natural e torcêla em 45 graus são colossais. A explicação mais provável é que exista uma galáxia vizinha e que ela esteja perturbando gravitacionalmente e distorcendo a órbita da maioria das estrelas da NGC 2146. É provável que nós estejamos atualmente testemunhando os estágios finais de um processo que está ocorrendo por dezenas de milhões de anos. A NGC 2146 está passando por intenso processo de formação de estrelas, esse processo é tão violento dentro da galáxia que ela é chamada de galáxia de explosão de estrelas. Esse é um estado comum para as espirais barradas, mas a ruptura gravitacional extra que a NGC 2146 está enfrentando sem dúvida alguma supera esse fato da formação de estrelas, pois o processo de torção da galáxia comprimi nebulosas ricas em hidrogênio e dispara assim o processo de geração de estrelas. Medindo aproximadamente 80.000 anos-luz de uma ponta a outra, a NGC 2146 é um pouco menor que a Via Láctea. Ela está localizada a aproximadamente 70 milhões de anos-luz de distância da Terra na direção da apagada constelação do céu do norte de Camelopardalis (A Girafa). Embora seja fácil de observá-la com um telescópio de tamanho moderado como um borrão de luz azul alongada, ela não tinha sido descoberta até 1876, quando o astrônomo alemão Friedrich Winnecke encontrou-a visualmente usando um telescópio de 16 centímetros. Fonte: NASA

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Universo atualmente produz menos estrelas Um estudo da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), agência australiana de pesquisa científica, mostrou que o Universo atualmente produz menos estrelas do que no passado. O trabalho foi divulgado pela Real Sociedade Astronômica britânica.

© Hubble (LH 95) A imagem mostra uma região de formação estelar, a LH 95 na Grande Nuvem de Magalhães. Para chegar a esta conclusão, os cientistas liderados por Robert Braun, engenheiro aeroespacial da NASA, compararam a luz e as ondas de rádio de galáxias a 3 e 5 bilhões de anos-luz de distância com a radiação de galáxias mais próximas, cujo intervalo de redshift (desvio para o vermelho) é de 0,2 a 0,5. Estrelas podem se formar a partir de nuvens de hidrogênio. Quando menos moléculas do elemento existirem, menor será o número de astros gerados. Depois de criadas, as estrelas expelem gás durante vários estágios de sua vida, sendo que em alguns casos uma grande explosão pode ocorrer - são as supernovas, que se origiram a partir de estrelas com muita massa. Essas explosões fazem o hidrogênio retornar ao espaço e permitem a formação de novas estrelas. Mas Braun alerta que 70% de todo o gás original ainda se encontra "aprisionado", transformado em planetas, estrelas de nêutrons e anã-brancas. Há 15 anos, os astrônomos defendem que o Universo tenha atingido um "pico" de atividade durante os primeiros bilhões de anos de idade. Desde então, a taxa de formação estelar diminuiu. Para os cientistas, o declínio está diretamente associado com a diminuição no volume de moléculas de gás hidrogênio disponíveis. As galáxias utilizadas para o estudo são do tipo galáxias ULIRGs, que possuem grandes reservatórios de gás e são muito brilhantes. Fonte: G1 e CSIRO

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O último suspiro de Branca de Neve Astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descobriram que o planeta anão 2007 OR10, o Branca de Neve, é um mundo gelado, com cerca de metade de sua superfície coberta de gelo, que pode ter sido derivada de erupções vulcânicas.

© NASA (concepção artística do planeta anão Branca de Neve) Foi também observado que o planeta anão tingido de vermelho pode ser coberto por uma fina camada de metano. "Você começa a ver esta bela imagem do que já foi um mundo pequeno ativo com vulcões e uma atmosfera, e é agora apenas algo congelado, morto, com uma atmosfera que está lentamente desaparecendo", diz o professor de astronomia planetária Mike Brown. O Branca de Neve, que foi descoberto em 2007 por Meg Schwam, orbita o Sol na borda do Sistema Solar e é aproximadamente metade do tamanho de Plutão, o que o torna o quinto maior planeta anão conhecido. Na época, Brown tinha suposto que o planeta anão era um corpo gelado que tinha quebrado ao colidir com outro planeta anão chamado Haumea, sendo então apelidado de Branca de Neve em função de sua cor presumida. Observações posteriores revelaram que Branca de Neve não é branco e sim um dos mais vermelhos objetos do Sistema Solar. Além disso, foi verificado que sua superfície estava coberta de gelo de água. "Isso foi um grande choque", diz Brown. "Gelo de água não é vermelho". Ainda que seja comum gelo no Sistema Solar, ele é quase sempre branco. Quaoar, descoberto em 2002 também com a ajuda de Brown, é outro planeta anão que é vermelho e coberto de gelo de água. Ligeiramente menor do que o Branca de Neve, ele ainda é grande o suficiente para ter tido uma atmosfera e uma superfície coberta de vulcões. Contudo, não poderia manter compostos voláteis - como metano, monóxido de carbono ou nitrogênio - por tanto tempo. "Essa combinação vermelho-e-água é que me disse: metano", explica o pesquisador. "Estamos basicamente olhando para o último suspiro de Branca de Neve. Por 4,5 bilhões de anos, Branca de Neve vem perdendo lentamente a sua atmosfera e agora existe apenas um pouco dela à esquerda", afirma Brown. 44


Embora Branca de Neve mostre claramente a presença de gelo de água, a evidência da existência do metano ainda não é definitiva. Para descobrir, os astrônomos terão de usar um telescópio maior. Outra tarefa, diz Brown, é dar ao planeta anão um nome oficial, uma vez que Branca de Neve foi apenas um apelido, que agora não faz mais sentido para descrever esse objeto muito vermelho. Fonte: Astrophysical Journal Letters

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As estrelas mais frias do Universo A sonda espacial WISE descobriu as estrelas mais frias já encontradas no Universo, com uma temperatura similar à do corpo humano.

© NASA/WISE (anã marron WISE 1828+2650) Os astrônomos caçaram esses objetos escuros, chamados de anãs Y, por mais de uma década sem sucesso. Quando observados com telescópio que captam a luz visível, eles são praticamente impossíveis de serem detectados. A visão infravermelha do WISE permitiu que o telescópio finalmente registrasse o brilho apagado de seis anãs Y localizadas a uma distância relativamente pequena do nosso Sol, algo em torno de 40 anos-luz. “O WISE vasculhou todo o céu em busca desses e outros objetos, e foi capaz de registrar a sua luz quase invisível com sua visão infravermelha altamente sensível”, disse Jon Morse, diretor da Divisão de Astrofísica no NASA em Washington. “Elas são 5.000 vezes mais brilhantes nos comprimentos de onda mais longos observados pelo WISE do espaço do que se fossem observados da superfície”. As anãs Y são os membros mais frios da família das anãs marrom. Anãs marrom são as vezes chamadas de estrelas que falharam. Elas têm tão pouca massa para fundir átomos em seus núcleos e assim não queimam o combustível que mantêm as estrelas brilhando como o nosso Sol por bilhões de anos. Ao invés disso, esses objetos se esfriam e se apagam com o tempo, até que somente uma pequena parcela de luz é emitida nos comprimentos de onda do infravermelho.

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© NASA (ilustração dos diferentes tipos de anãs marron) Os astrônomos estudam as anãs brancas para entenderem melhor como as estrelas se formam, e para entenderem as atmosferas dos planetas localizados além do nosso Sistema Solar. As atmosferas das anãs marrom são similares à atmosfera de planetas como Júpiter, mas elas são mais fáceis de serem observadas pois elas estão sozinhas no espaço longe do brilho intenso de uma estrela. Os dados do WISE revelaram 100 novas anãs marrom. Mais descobertas são esperadas à medida que os cientistas continuarem examinando a enorme quantidade de dados obtidos pelo WISE. Destas novas anãs marrom identificadas, seis podem ser classificadas como anãs Y. Uma delas, a chamada WISE 1828+2650 é considerada como a anã marrom mais fria já descoberta com uma temperatura atmosférica estimada de 25˚C. “As anãs marrom que foram descobertas antes e que tinham o recorde de estrela mais fria do Universo tinham a temperatura de um forno”, disse Davy Kirkpatrick, um membro da equipe de ciência do WISE que trabalha no Centro de Processamento e Análise Infravermelha no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, na Califórnia. As anãs Y estão na vizinhança do Sol, a distância entre 9 e 40 anos-luz. A anã Y que está a aproximadamente 9 anos-luz de distância, a WISE 1541-2250, pode-se tornar o sétimo sistema estelar mais próximo, superando o Ros 154. Por comparação, a estrela Proxima Centauri a estrela mais próxima do Sol está a uma distância de 4,3 anos-luz. Uma vez que a equipe do WISE identificou as estrelas candidatas a anãs marrom, eles voltaram o Telescópio Espacial Spitzer da NASA para esses alvos. Para confirmar por definitivo as estrelas, a equipe do WISE usou alguns dos mais poderosos telescópios existentes na Terra para assim separar a luz vinda do objeto e buscar por assinaturas moleculares de elementos como a água, o metano e possivelmente amônia. Para as novas anãs Y mais frias a equipe usou o Telescópio Espacial Hubble. As anãs Y foram identificadas com base numa mudança em suas características espectrais comparadas com outras anãs marrom, indicando que elas têm uma temperatura atmosférica menor. Os telescópios baseados em Terra usados nesses estudos foram o Infrared Telescope Facility da NASA, localizado no topo do monte Mauna Kea no Havaí, o Palomar Observatory da Caltech, próximo a San Diego, o W.M. Keck Observatory em Mauna 47


Kea no Hava铆 e o Magellan Telescopes que fica no Observat贸rio Las Campanas no Chile, entre outros. A pesquisa foi publicada na revista Astrophysical Journal Supplement Series e no peri贸dico Astrophysical Journal. Fonte: NASA

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Os Olhos da Virgem O VLT (Very Large Telescope) do ESO obteve uma imagem extraordinária de um par de galáxias, bonitas mas incomuns, chamadas Os Olhos.

© ESO (galáxias NGC 4438 e NGC 4435) A maior, NGC 4438, já foi uma galáxia espiral, mas entretanto sofreu deformações devido a colisões com outras galáxias nas últimas centenas de milhões de anos. Os Olhos situam-se a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância na constelação da Virgem e encontram-se separados entre si de cerca de 100.000 anos-luz. O nome vem da aparente semelhança entre os núcleos deste par de galáxias - duas ovais brancas que parecem um par de olhos brilhando na escuridão, quando observados através de um telescópio de tamanho moderado. Embora os centros destas duas galáxias sejam semelhantes, as regiões exteriores não podiam ser mais diferentes. A galáxia que se encontra no canto inferior direito da imagem, conhecida por NGC 4435, é compacta e parece ser praticamente desprovida de gás e poeira. Contrariamente, na galáxia grande da parte superior esquerda (NGC 4438) observa-se uma zona de poeira logo por baixo do núcleo, estrelas jovens à esquerda do centro e gás que se estende pelo menos até aos limites da imagem. A NGC 4438 perdeu o seu conteúdo devido a um processo violento: uma colisão com outra galáxia. Este choque distorceu a forma espiral da galáxia, tal como poderá acontecer com a Via Láctea quando esta colidir com a sua galáxia vizinha Andrômeda daqui a três ou quatro bilhões de anos. A NGC 4435 pode ser a culpada dessa situação. Alguns astrônomos pensam que a deformação da NGC 4438 resultou de uma aproximação de cerca de 16.000 anos-luz entre estas duas galáxias, fenômeno que teria acontecido há 100 milhões de anos. Mas enquanto a galáxia maior sofreu apenas algumas deformações, a menor foi significativamente mais afetada pela colisão. As forças de maré originadas pelo choque são as prováveis responsáveis por arrancar conteúdo da NGC 4438, reduzir a massa da NGC 4435 e remover a maior parte do seu gás e poeira. Outra possibilidade é que tenha sido a galáxia gigante elíptica Messier 86 (M86), mais afastada dos Olhos e não visível na imagem, a responsável pelas deformações da NGC 49


4438. Observações recentes encontraram filamentos de hidrogênio ionizado ligando as duas galáxias, indicando que estas podem ter colidido no passado. A galáxia elíptica M86 e os Olhos pertencem ao aglomerado de Virgem, um agrupamento de galáxias muito rico. Em zonas tão populosas como esta as colisões de galáxias são relativamente frequentes, por isso talvez a NGC 4438 tenha sofrido encontros tanto com a NGC 4435 como com a M86. Esta imagem é a primeira a ser produzida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma nova iniciativa que pretende obter imagens astronômicas para fins de educação e divulgação científica. O programa aproveita essencialmente o tempo em que o céu não se encontra em condições aceitáveis para observações científicas, para obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos. Os dados são igualmente postos à disposição dos astrônomos profissionais através do arquivo científico do ESO. Neste caso, embora houvessem algumas nuvens, a atmosfera encontrava-se excepcionalmente estável, o que permitiu revelar muitos detalhes nestes objetos. Fonte: ESO

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Buraco negro devorando uma estrela Dois estudos, publicados na revista Nature, fornecem novas informações sobre um acidente cósmico que desde março emite poderosos feixes de raios-X em direção da Terra.

© NASA (ilustração do buraco negro devorando uma estrela) A nova fonte de radiação foi detectada pela primeira vez pelo satélite Swift da NASA, lançado em 2004 na constelação de Draco (Dragão). Esta fonte ainda está produzindo raios-X e continuará brilhante o suficiente para o Swift continuar a observá-la. Ela tem um comportamento diferente de tudo que já vimos antes, diz David Burrows, professor de astronomia da Penn State University e cientista responsável pelos instrumentos de raios-X do telescópio, autor de um dos estudos.

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© NASA (fluxo de energia ao longo do tempo) Logo, os astrônomos notaram que a fonte de raios-X, batizada Swift J1644+57, era resultado de um evento extraordinário: o despertar de um buraco negro no centro de uma galáxia distante, enquanto ele dilacerava e devorava uma estrela que se aproximou demais dele. A galáxia está tão longe que sua luz, e os raios-X do evento, levaram 3,9 bilhões de anos para chegar à Terra. Já o segundo estudo, liderado por Ashley Zauderer, estudante de pós-doutorado do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, examinou as emissões sem precedentes com a ajuda de vários radiotelescópios em terra. A maior parte das galáxias, inclusive a nossa Via Láctea, abriga buracos negros gigantes, com milhões e até bilhões de vezes a massa do Sol, em seus centros. De acordo com os novos estudos, o buraco negro da galáxia que abriga a Swift J1644+57 teria o dobro da massa de 4 milhões de sóis no localizado no núcleo da Via Láctea. A medida que a estrela caiu em direção do buraco negro, ela foi destruída pela intensa gravidade, com sua matéria criando um disco em torno do horizonte de eventos. Girando rapidamente à volta do buraco negro, este material foi aquecido a milhões de graus, formando dois cones em direções opostas por meio dos quais algumas partículas conseguem escapar, aceleradas a mais de 90% da velocidade da luz. No caso da Swift J1644+57, estes jatos estão apontados diretamente para a Terra. Fonte: NASA

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Pulsares podem evidenciar dimensões extras Um buraco negro tecnicamente suga tudo ao seu redor.

© New Scientist (ilustração de um pulsar) Mas a sua força pode enfraquecer lentamente, se o Universo tiver dimensões extras, não conhecidas, algo que os pulsares poderiam nos ajudar a descobrir. A teoria das cordas, que tenta unificar todas as forças conhecidas, diz que existem dimensões espaciais extras, além das três que conhecemos. Porém, testar essa teoria não é nada fácil. Agora, pesquisadores dizem que buracos negros orbitando estrelas de nêutrons, conhecidas como pulsares, poderiam provar a teoria, se pesquisas cósmicas conseguissem localizar tais pares. Os cientistas acreditam que buracos negros perdem massa ao longo do tempo por causa das partículas que emitem, um fenômeno chamado radiação Hawking. Sem dimensões extras, este processo está previsto para ser dolorosamente lento para buracos negros gigantes, que pesam algumas vezes mais do que o sol, tornando qualquer medição impossível. Dimensões extras ofereciam as partículas mais formas de escapar, acelerando o processo. Esta perda de peso rápida afrouxaria a força gravitacional de um buraco negro sobre todos os objetos em órbita, levando-os a “espiralar” para fora alguns metros por ano. Um pulsar em órbita de um buraco negro poderia revelar essa distância. Isso porque o tipo de radiação que os buracos negros emitem variaria um pouco, dependendo do tamanho da estrela em órbita. Se o distanciamento puder ser provado, muito provavelmente a teoria das cordas também. Fonte: New Scientist

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Supernovas revelam distâncias do Universo? No Universo que abrange mais de um bilhão de anos-luz, é óbvio que as distâncias não podem ser medidas com uma régua.

© Hubble (supernova SN 1994D na galáxia NGC 4526) Para julgar o quão longe os objetos estão, os astrônomos precisam de objetos de referência com propriedades já conhecidas – como certos tipos de corpos celestes que surgem após explosões de estrelas, conhecidas como supernovas. Uma nova pesquisa está lançando luz sobre esses objetos astronômicos que são assim chamados por terem brilho padronizado o suficiente para que as distâncias sejam deduzidas a partir deles. Os astrônomos esperam que analisando um tipo específico de explosão de supernovas será possível ter uma melhor compreensão de como elas frequentemente se diferenciam de outros tipos. Com isso, serão possíveis medições ainda mais precisas do Universo. Quando uma estrela compacta em sua fase final, chamada de anã branca, orbita outra estrela de maneira bem próxima, a sua forte atração gravitacional pode acabar destruindo a outra estrela. Mas a sobrevivente maciça pode acumular muito material na superfície. Quando seu ponto crítico é atingido, ela explode como uma supernova do tipo I. Esses eventos podem ser divididos em duas categorias: um envolve uma única anã branca e sua vítima. O outro envolve duas anãs brancas, que destroem uma a outra. A nova pesquisa quer saber quão comum uma versão de uma anã branca solitária do tipo I de supernova pode ser. Quando duas anãs brancas estão orbitando uma a outra e a menor se move para muito perto, ela é quase inteiramente dilacerada, criando um disco que orbita a companheira destruidora. Quase imediatamente o disco cai sobre a estrela restante, empurrando-a acima do limite da massa crítica e provocando uma explosão. 54


Mas quando a segunda estrela de um par não é uma anã branca, as coisas acontecem mais devagar. As estrelas não ficam tão próximas e as forças conseguem afastar apenas a parte gasosa do lado mais próximo da segunda estrela. A anã branca se alimenta do material até que ela finalmente atinja a massa crítica e exploda como uma supernova. É esse material que interessa aos astrônomos. Quando a estrela destruída é uma anã branca, o material é rapidamente consumido, mas quando não é, os traços do gás permanecem mesmo após a explosão. Uma equipe de astrônomos usou o telescópio Keck, no Havaí, e o telescópio Magellan, no Chile, para estudar o sódio em nuvens de gás de 41 supernovas do tipo I. O sódio é um elemento encontrado na maioria das estrelas, mas não em anãs brancas. A equipe determinou que pelo menos 24% das explosões não envolvem anãs brancas como companheiras. Josh Simon, do Instituto Carnegie, explicou que esse evento pode ajudar a determinar distâncias no Universo. “Se você sabe que uma lâmpada é de 60 watts, você pode descobrir o quão longe a luz está de você, medindo o quão brilhante ela se parece” diz ele. Fonte: Live Science

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Planeta de diamante orbita um pulsar Astrônomos avistaram um planeta exótico que parece ser feito de diamante e que orbita um pulsar.

© Swinburne Astronomy Productions (planeta de diamante) O novo planeta é muito mais denso do que qualquer outro conhecido até agora, cuja densidade é, em média, 23 gramas por centímetro cúbico (ou cerca do dobro do chumbo), e é composto basicamente de carbono. Porque é tão denso, os cientistas calculam que o carbono deve ser cristalino, assim, uma grande parte deste estranho mundo pode ser efetivamente diamante. "A história evolutiva e a incrível densidade do planeta sugerem que ele é composto de carbono, ou seja, é um diamante enorme que orbita uma estrela de neutrons a cada duas horas, em uma órbita tão estreita que caberia dentro de nosso próprio Sol", disse Matthew Bailes da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne. A 4 mil anos-luz de distância, ou cerca de um oitavo do caminho em direção ao centro da Via Láctea a partir da Terra, o planeta que tem 55.000 km de diâmetro é provavelmente o remanescente de uma estrela massiva, uma vez que perdeu suas camadas exteriores para os pulsares - pequenas estrelas de neutrons mortas, que giram centenas de vezes por segundo, emitindo feixes de radiação. No caso do pulsar J1719-1438, os raios que regularmente varrem a Terra e foram monitorados por telescópios na Austrália, Grã-Bretanha e no Havaí, permitindo aos astrônomos detectar modulações devido à atração gravitacional de seu planeta companheiro invisível. As medições sugerem que o planeta, que orbita sua estrela a cada duas horas e 10 minutos, tem massa ligeiramente maior do que Júpiter, mas é 20 vezes mais denso. A órbita do planeta tem cerca de 600 mil quilômetros de diâmetro, apenas 50% a mais que a distância média da Terra à Lua. Além de carbono, é provável também que o novo planeta tenha oxigênio, com mais predomínio na superfície e cada vez mais raro em direção ao centro rico em carbono. Sua alta densidade sugere que elementos mais leves, como hidrogênio e hélio, que são os principais constituintes dos gigantes gasosos como Júpiter, não estão presentes. Fonte: Science

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Detectada supernova perto da galáxia M101 Uma equipe de astrônomos internacionais relatou a explosão da estrela mais próxima já vista nas últimas quatro décadas, oferecendo para nós uma ideia quão violenta é a morte de uma estrela.

© Rick Johnson (galáxia M101) A supernova, denominada SN PTF11kly, está localizada na Galáxia do Cata-Vento, a M101, que está aproximadamente a 21 milhões de anos-luz de distância da Terra, e pertence a um tipo de supernova vastamente observado chamado de Tipo Ia de supernovas ou de estrelas explosivas.

© B J Fulton (supernova SN PTF11kly na galáxia M101) “A melhor hora para ver essa estrela moribunda será logo após o anoitecer dentro de uma semana para os moradores do hemisfério norte, disse o astrônomo da Universidade de Oxford, Mark Sullivan. “Você precisa ir para um local longe da poluição luminosa, com um bom par de binóculos, embora pequenos telescópios sejam a melhor escolha”. 57


Esse Tipo Ia de explosão estelar é normalmente usado como um padrão astronômico para se definir com qual velocidade as galáxias distantes estão se afastando umas das outras, tais observações levaram à descoberta de que o Universo está se expandindo de forma acelerada, cujo fenômeno deve-se ao efeito da energia escura que age como uma força anti-gravitacional nas vastas distâncias do Universo. Os astrofísicos atualmente possuem várias incertezas sobre o mecanismo exato que dispara a formação desse tipo de supernova, podendo ser resultado ou da fusão de duas estrelas gêmeas ou da captura de gás de uma estrela por outra. Fonte: Universe Today

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A exótica galáxia Speca Uma galáxia com uma combinação de características nunca antes observadas está fornecendo aos astrônomos a oportunidade de observar um processo fundamental no crescimento das galáxias e dos aglomerados de galáxias no início da história do Universo.

© NRAO (galáxia Speca) A galáxia, chamada de Speca é somente a segunda galáxia espiral conhecida por produzir grandes jatos poderosos de partículas subatômicas que se movimentam em velocidades próximas da velocidade da luz. Ela é também somente uma das duas galáxias a mostrarem que essa atividade acontece em três diferentes episódios. Jatos gigantescos de partículas super rápidas são gerados por buracos negros supermassivos localizados no núcleo das galáxias. Tanto as galáxias elípticas como as galáxias espirais hospedam esse tipo de buraco negro, mas somente a Speca e uma outra galáxia espiral tem sido vistas produzindo grandes jatos. Os jatos são emitidos a partir dos polos dos discos de material que giram rapidamente orbitando o buraco negro. “Essa é provavelmente a galáxia mais exótica com um buraco negro já observada. Ela tem o potencial de nos ensinar novas lições sobre como as galáxias e os aglomerados de galáxias se formam e se desenvolvem no que elas são hoje”, disse Ananda Hota, da Academia Sinica Institute of Astronomy and Astrophysics (ASIAA) em Taiwan. Os cientistas acreditam que a Speca, que está localizada a aproximadamente 1,7 bilhões de anos-luz de distância da Terra, e as 60 outras galáxias no aglomerado, estão fornecendo uma visão de como as galáxias e os aglomerados jovens eram quando o Universo era muito mais jovem. No começo do Universo, as galáxias nesses aglomerados estavam coletando material adicional, colidindo uma com a outra, exibindo alta taxa de formação de estrelas e interagindo com o material primordial caindo dentro de seu núcleo desde a sua periferia. 59


A Speca, um acrônimo para Spiral-host Episodic radio galaxy tracing Cluster Accretion, chamou primeiro a atenção de Ananda em uma imagem que combinava dados da luz visível do Sloan Digital Sky Survey e o FIRST, uma pesquisa feita com o radiotelescópio Very Large Array (VLA) da National Science Foundation. Observações posteriores foram feitas com o telescópio óptico Lulin em Taiwan e dados ultravioletas do satélite GALEX da NASA, e confirmaram que os gigantescos lobos de emissão de rádio, normalmente vistos sendo emitidos por galáxias elípticas, vinham de uma galáxia espiral com o processo de formação de estrelas ainda ativo. A equipe da Ananda também examinou a galáxia em imagens do NRAO VLA Sky Survey (NVSS) e então fizeram novas observações com o Giant Meterwave Radio Telescope (GMRT) na Índia, que observa comprimentos de onda mais longos que o VLA e é o primeiro telescópio a observar esses longos comprimentos de onda. Com essa impressionante variedade de dados cobrindo grande parte do espectro eletromagnético, os pesquisadores revelaram a complexidade da galáxia e a sua história fascinante. As imagens de rádio do VLA FIRST mostraram um par de lobos de emissão de rádio. As imagens do VLA NVSS mostraram outro par distinto de lobos. As imagens do GMRT confirmou esse segundo par, mas mostrou outro, par menor mais próximo da galáxia, presumidamente produzido pelas partículas ejetadas pelo jato mais recente. “Usando esses múltiplos conjuntos de dados, nós descobrimos claras evidências para as três distintas épocas de atividades dos jatos”, explica Ananda. A maior surpresa, a natureza de baixa frequência dos lobos mais velhos e mais distantes, forneceu uma pista valiosa sobre o ambiente da galáxia e de seu aglomerado. Os lobos de emissão de rádio mais distantes são velhos o suficiente de modo que suas partículas devem ter perdido a maior parte de sua energia e parado de produzir emissão de rádio. “Nós acreditamos que esses antigos lobos, verdadeiras relíquias tem sido religados por ondas de choque do material que se move rapidamente caindo no aglomerado de galáxias enquanto o aglomerado continua a agregar mais matéria”, disse Ananda. Os cientistas publicaram o achado nas cartas da revista especializada Monthly Notices da Royal Astronomical Society. Fonte: National Radio Astronomy Observatory

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Forma espetacular de um pulsar Um objeto pequeno e denso, com aproximadamente 19 Km de diâmetro é responsável por gerar uma bela nebulosa que emite raios-X e que se expande por 150 anos-luz. No centro dessa imagem feita pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA está um pulsar jovem e muito poderoso, conhecido como PSR B1509-58.

© Chandra (pulsar PSR B1509-58) O pulsar é uma estrela de nêutrons que gira rapidamente e que espalha energia no espaço ao seu redor criando complexas e intrigantes estruturas. Nessa imagem, os raiosX de energia mais baixa que o Chandra detecta são coloridos em vermelho, os de energia intermediária são coloridos em verde e os mais energéticos são coloridos em azul. Os astrônomos acreditam que o pulsar tem uma idade de 1.700 anos e está localizado a aproximadamente 17.000 anos-luz de distância. As estrelas de nêutrons são criadas quando estrelas massivas esgotam seu combustível e colapsam. A velocidade de rotação do pulsar é de 7 voltas por segundo, e ele também possui um intenso campo magnético na sua superfície, que é estimado em ser aproximadamente 15 trilhões de vezes mais forte do que o campo magnético da Terra. A combinação da rotação rápida e do campo magnético ultra forte faz com que o pulsar seja um dos mais poderosos geradores eletromagnéticos conhecidos na galáxia. Esse gerador produz ventos energéticos, elétrons e íons a partir da estrela de nêutrons. Enquanto os elétrons se movem através da nebulosa magnetizada, eles irradiam sua energia criando a elaborada nebulosa observada pelo Chandra. As regiões mais internas, um círculo apagado que envolve o pulsar, marca o ponto onde o vento é rapidamente desacelerado pela nebulosa que tem uma expansão lenta. Dessa 61


maneira, o pulsar compartilha algumas similaridades intrigantes com a famosa Nebulosa do Caranguejo. Contudo a nebulosa do pulsar é 15 vezes mais larga do que o diâmetro da Nebulosa do Caranguejo que é de 10 anos-luz. As estruturas parecidas com dedos se estendem para o norte, aparentemente energizando nós de material na nuvem de gás na vizinhança conhecida como RCW 89. A transferência de energia dos ventos para esses nós faz com que eles brilhem fortemente em raios-X. A temperatura nessa região parece variar em um padrão circular ao redor desse anel de emissão, sugerindo que o pulsar pode estar sofrendo um movimento de precessão emitindo um feixe energizado ao redor varrendo o gás na RCW 89. Fonte: Daily Galaxy

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A mais jovem estrela vizinha da Terra Cientistas descobriram a mais jovem estrela vizinha da Terra. A 'apenas' 27 anos-luz do nosso planeta, a AP Columbae é uma estrela muito mais nova que o Sol - o maior astro do Sistema Solar foi formado há 4,5 bilhões de anos.

© Universidade Nacional da Austrália (estrela AP Columbae) A AP Columbae nasceu há 40 milhões de anos, depois da extinção dos dinossauros, no período em que os mamíferos dominaram a Terra. O estudo foi publicado no periódico The Astronomical Journal. Usando telescópios na Austrália, Chile, Havaí e Estados Unidos, os autores do estudo desfizeram uma crença que já dura décadas: o nascimento de estrelas não ocorre apenas em vastos berçários galácticos, como a Nebulosa de Órion. Essas regiões ficam a centenas de anos-luz da Terra. "Com o advento de telescópios de ampla e precisa visão, conseguimos encontrar estrelas mais novas bem perto do nosso planeta", disse Simon Murphy, um dos autores do estudo. AP Columbae é o mais novo membro de um grupo de estrelas mais jovens, chamado Associação Argus. Como o astro é novo e está bem próximo do Sistema Solar, os cientistas acreditam que farão boas imagens. "Até o fim de 2011, esperamos conseguir caçar gigantes gasosos próximos à estrela usando o telescópio Gemini, no Chile", disse Murphy. A pesquisa foi realizada em conjunto pela Universidade Nacional da Austrália, Universidade Estadual da Geórgia (EUA) e Universidade da Califórnia (EUA). A estrela mais próxima da Terra Apesar de estar localizada perto da Terra, AP Columbae não é a estrela mais próxima do Sistema Solar. O título pertence à Proxima Centauri, que está a 4,2 anos-luz do nosso planeta. Foi descoberta em 1915 pelo astrônomo sul-africano Robert Innes, então diretor do Union Observatory na África do Sul. Embora esteja tão perto não é possível exergála sem o auxílio de telescópios. Fonte: Veja

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Astrônomo brasileiro acha estrelas supermassivas Um astrônomo brasileiro radicado no Chile e sua equipe da Universidade de La Serena descobriram duas estrelas novas, muito maciças, brilhantes e aparentemente isoladas na Via Láctea.

© NASA (aglomerado Westerlund 2) Essas características fazem desses objetos (batizados de WR20aa e WR20c) astros extremamente raros na galáxia. Os astrônomos estimam que as estrelas tenham até 2 milhões de anos (jovens, em termos astronômicos). Além disso, as estrelas podem ter, cada uma, pelo menos 80 vezes a massa do nosso Sol, o que também é não é muito comum encontrar. "A galáxia pode conter vários bilhões de estrelas, mas a maioria tem massa pequena", diz o físico e astrônomo Alexandre Roman Lopes, coordenador do trabalho. O que os cientistas não esperavam era encontrar essa dupla de estrelas isolada na galáxia. Como esse tipo de estrela vive pouco (alguns milhões de anos), em geral elas não têm tempo de se distanciar de onde se formaram. Isso resulta em aglomerados de estrelas na galáxia, próximos à sua geração. Essas "fábricas" funcionam no interior de enormes aglomerados de gás e poeira onde, sob efeito da força gravitacional, acontece a concepção estelar. Por estarem muito longe do local de origem, a dupla é candidata a "runaway", ou seja, objetos estelares que viajam a uma grande velocidade e se distanciam cada vez mais de onde nasceram. Os pesquisadores acreditam que a dupla tenha sido ejetada de um superaglomerado de estrelas de altíssima massa chamado Westerlund 2, que fica na direção da constelação de Carina, a cerca de 26 mil anos-luz do Sol. No centro desse aglomerado, existe um grupo compacto de estrelas muito brilhantes onde são observadas nuvens de gás remanescente do seu processo de formação. 64


Eles descobriram que uma linha imaginária conectando as duas estrelas "cruza" o aglomerado exatamente na sua parte central. Isso significa que elas devem ter saído de onde está o "berçário" dos objetos de grande massa. "Estudos de dinâmica estelar preveem que estrelas de massa muito grande não convivem bem entre si. Algumas sempre acabam expulsas pelas companheiras", explica. O trabalho, que tem apoio do Observatório Las Campanas e do ESO (Observatório Europeu do Sul), será publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society do mês de setembro. O estudo das estrelas supermaciças, além de contribuir para a compreensão da formação estelar, pode ajudar a explicar a origem da vida. Essas estrelas produzem, no seu interior, oxigênio, carbono e nitrogênio, e no fim da sua evolução, até ferro. "Os elementos mais complexos necessários à vida são produzidos por estrelas maciças. De certo modo, somos filhos desse tipo de estrela", diz Lopes. Fonte: Folha

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Um teste de visão astronômica Espiando nas profundezas do espaço, os excelentes olhos do Telescópio Espacial Hubble da NASA e ESA fez uma imagem da próxima galáxia anã, conhecida como ESO 540-030.

© Hubble (galáxia ESO 540-030) Esse objeto aparece como um imenso enxame de estrelas apagadas, mas o ESO 540-030 é na verdade apenas um ponto de interesse nessa imagem. A ESO 540-030 está localizada a apenas 11 milhões de anos-luz de distância da Terra e é parte do grupo de galáxias do Sculptor. Essa coleção é o vizinho mais próximo do nosso próprio Grupo Local de Galáxias que inclui a Via Láctea. Devido a sua proximidade o grupo do Sculptor possui algumas das galáxias mais brilhantes dos céus do sul, embora a ESO 540-030 não seja uma dessas. As galáxias anãs normalmente possuem uma pequena superfície brilhante o que a torna muito difícil de ser observada. O Hubble com sua visão aguçada captou um registro de vários tipos de galáxias no plano de fundo da imagem, com espirais, espirais barradas, elípticas e irregulares. Uma análise cuidadosa dessa imagem deve permitir que possamos identificar exemplos de cada um dos tipos de galáxias existentes. Algumas galáxias localizam-se diretamente atrás da ESO 540-030, aumentando ainda mais o desafio. Além das galáxias existem ainda cinco estrelas brilhantes que estão muito mais perto de nós do que as galáxias. Os spikes de difração, as quatro linhas de luz que emanam em ângulos de 90 graus são geradas pela difração da luz no telescópio, e são os sinais marcantes da presença das estrelas na imagem. Catalogar os tipos de galáxias é uma tarefa importante para os cientistas tentarem entender mais sobre como o nosso Universo se desenvolveu. Nossos próprios olhos são ferramentas excelentes para isso, como podem confirmar os participantes do projeto Galaxy Zoo Hubble (http://www.galaxyzoo.org/). Fonte: ESA 66


A estrela que não deveria existir Uma equipe de astrônomos europeus utilizou o Very Large Telescope (VLT) do ESO para descobrir uma estrela na Via Láctea que muitos pensavam não poder existir.

© ESO (estrela SDSS J102915+172927) Os astrônomos descobriram que esta estrela é composta quase inteiramente por hidrogênio e hélio, com quantidades minúsculas de outros elementos químicos. Esta intrigante composição química coloca a estrela na chamada “zona proibida” dentro da teoria de formação estelar mais aceita, o que significa que esta estrela nunca deveria ter se formado. Os resultados serão publicados na revista Nature em 1 de Setembro de 2011. Uma estrela de baixa luminosidade situada na constelação do Leão, chamada SDSS J102915+172927 mostrou possuir a menor quantidade de elementos mais pesados que o hélio do que todas as estrelas estudadas até hoje. Este objeto possui uma massa menor que a do Sol e tem provavelmente mais de 13 bilhões de anos de idade. “Uma teoria muito aceita prediz que estrelas como esta, com pequena massa e quantidades de metais extremamente baixas, não deveriam existir porque as nuvens de material a partir das quais tais objetos se formariam nunca se poderiam ter condensado,” disse Elisabetta Caffau (Zentrum für Astronomie der Universität Heidelberg, Alemanha e Observatoire de Paris, França), autora principal do artigo científico que descreve estes resultados. “É surpreendente encontrar pela primeira vez uma estrela na “zona proibida”. Isto significa que iremos provavelmente ter que verificar alguns dos modelos de formação estelar.” A equipe analisou as propriedades da estrela com o auxílio dos instrumentos X-shooter e UVES, montados no VLT. Os astrônomos mediram a abundância dos vários elementos químicos presentes na estrela e descobriram que a proporção de metais na SDSS J102915+172927 é mais de 20 mil vezes menor que a proporção de metais no Sol. A estrela HE 1327-2326, descoberta em 2005, tem a menor abundância de ferro 67


conhecida, mas é rica em carbono. A estrela agora analisada tem a menor proporção de metais conhecida quando consideramos todos os elementos químicos mais pesados que o hélio. “A estrela é tênue e tão pobre em metais que apenas conseguimos detectar a assinatura de um único elemento mais pesado que o hélio - o cálcio - nas primeiras observações que fizemos,” disse Piercarlo Bonifacio (Observatoire de Paris, França), que supervisionou o projeto. “Tivemos que pedir tempo de telescópio adicional ao Diretor Geral do ESO para estudar a radiação da estrela com mais detalhe, com longos tempos de exposição, de modo a tentar encontrar mais metais.” Os cosmólogos acreditam que os elementos químicos mais leves - hidrogênio e hélio foram criados pouco depois do Big Bang, juntamente com um pouco de lítio, enquanto que a maioria dos outros elementos foram posteriormente formados nas estrelas. As explosões de supernovas espalharam o material estelar para o meio interestelar, tornando-o rico em metais. As novas estrelas que se formam a partir deste meio enriquecido possuem por isso maiores quantidades de metais na sua composição do que as estrelas mais velhas. Por conseguinte, a proporção de metais numa estrela nos dá informação sobre a sua idade. “A estrela que estudamos é extremamente pobre em metais, o que significa que é muito primitiva. Pode ser uma das estrela mais velhas jamais encontrada,” acrescenta Lorenzo Monaco (ESO, Chile), que também participou neste estudo. É igualmente surpreendente a falta de lítio na SDSS J102915+172927. Uma estrela tão velha deveria ter uma composição semelhante àquela do Universo pouco depois do Big Bang, com apenas um pouco mais de metais. No entanto, a equipe descobriu que a proporção de lítio na estrela é pelo menos cinquenta vezes menor que a esperada devido à matéria produzida pelo Big Bang. “É um mistério como é que o lítio produzido logo após o início do Universo foi destruído nesta estrela”, acrescenta Bonifacio. Os pesquisadores também apontam para o fato desta estrela incomum não ser provavelmente única. “Identificamos várias outras estrelas candidatas que podem ter níveis de metais semelhantes, ou até inferiores, aos da SDSS J102915+172927. Planejamos agora observar estas candidatas com o VLT para verificarmos se é realmente este o caso,” conclui Caffau. Fonte: ESO

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Revista Cosmo Novas