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expediente

Produção: Fora do Eixo Minas e Sociedade Independente da Música Coordenação editorial: Camila Cortielha Textos: Coletivos Fora do Eixo Minas Projeto Gráfico: 45 JuJubas foradoeixo.org.br

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Indíce

Circuito Fora do Eixo em Minas Gerais_4 Circuito Mineiro de Música Independente_6 SIM_7 Pontos Fora do Eixo Forceps_10 Goma_12 Megalozebu_14 Pegada_16 Peleja_18 Retomada_20 Semifusa_22 Vatos_24 mapa_26 Pontos Parceiros_27

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Circuito Fora do Eixo em Minas Gerais

Uma das novas investidas é realizada pela cena da música independente brasileira, a partir da organização em coletivos, trocas pela internet e ações de economia solidária e criativa.

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Organizados, esses agentes - em sua maioria jovens - dispõem-se à troca de tecnologias, o intercâmbio de idéias e metodologias para a sustentabilidade das culturas do rock, do hip hop, da MPB, da música instrumental ou do samba. O crescimento dessas iniciativas, na primeira década deste século, levou ao surgimento do Circuito Fora do Eixo, uma rede de bandas, produtores, jornalistas, festivais e casas noturnas de todo país interconectados pelas novas formas de comunicação.

Quando portugueses apossaramse da enorme vastidão de terra que constituiria, um dia, o que se chama Brasil, um dos principais desafios era conhecer e explorar as suas diversas regiões, conhecer riquezas e traçar rotas para circulação no território. A missão, que nunca se completou, recebe novos personagens a cada geração, de acordo com cada interesse ou interpretação sobre o povo e a cultura nacionais. A geração do século XXI redescobre e reapresenta o Brasil fora de seus eixos tradicionais, sejam geográficos ou sócio-culturais.

De acordo com um dos fundadores do Circuito Fora do Eixo e coordenador de planejamento do Espaço Cubo (Cuiabá MT), Pablo Capilé, a principal contribuição do para a cultura brasileira é “mostrar viabilidade com outros modelos de produção e consumo de cultura, se pautando principalmente no auxílio mútuo, na economia solidária, nas moedas complementares, na horizontalidade, na divisão justa de poder e na transversalidade entre os setores”. Dessa forma, o Circuito Fora do Eixo tem viabilizado o crescimento de coletivos que trabalham localmente e, ao mesmo tempo, estão pensando globalmente. Este catálogo lança um olhar sobre o Fora do Eixo Minas, a combinação de

oito coletivos em oito cidades de Minas Gerais que somam forças ao Circuito Nacional, além de mais oito coletivos parceiros, em processo de desenvolvimento, que devem aderir à rede no III Congresso Fora do Eixo. Minas é o segundo maior estado do Brasil em população, com 19,2 milhões de habitantes e é, atualmente, o mais representativo considerando o número de municípios participantes do Circuito. A enorme dimensão territorial e populacional do estado, aliada à riqueza e diversidade da produção cultural, fez com que os mineiros ocupassem, em pouco tempo, espaço de muito destaque na nova cena da música brasileira. “Minas é hoje o cenário mais rico do Brasil, o mais organizado com a política pública, que funciona de forma mais eficiente. É onde existem algumas das melhores e mais versáteis bandas e onde, nos últimos três anos, houve também uma evolução muito grande na parte organizacional”, afirma Capilé. O Fora do Eixo Minas é formado por cidades de diversas regiões de Minas Gerais como o oeste mineiro, o norte, o triângulo mineiro e o alto paranaíba. Em breve a articulação deve estenderse a outros municípios que já estão se movimentando na construção de seus coletivos e núcleos de cultura. O Fora do Eixo Minas é um modelo exemplar de estreitamento das distâncias geográficas e culturais dentro de um estado que espera e precisa revelar o que tem de valor.

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Circuito Mineiro de Música Independente Este projeto teve como objetivo fomentar e consolidar uma rede de intercâmbio e troca de tecnologias culturais entre agentes da cadeia produtiva da música no interior de Minas Gerais, denominada “Circuito Mineiro de Música Independente”, por meio da realização de um processo de capacitação (oficinas e work-shops) para os diversos agentes da cadeia produtiva da música de seis cidades do interior mineiro. Em cada cidade, foi realizado uma assembléia onde foram definidos os encaminhamentos para a efetivação e de uma ação articulada e permanente que tem como plataforma um website autogerível, principal ferramenta de comunicação das cenas integradas. A ação circulou por seis cidades de diferentes regiões do interior mineiro: Uberlândia, Sabará, São João Del Rey, Montes Claros, Poços de Caldas e Uberaba. Em cada cidade, os eventos ocorreram durante quatro dias. As programações

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se iniciaram com uma palestra de abertura, onde foram apresentados os objetivos da criação do Circuito Mineiro de Música Independente. Ao longo dos dias, ocorreram 8 oficinas, com durações entre 8 e 16h cada uma, divididas em módulos de 4h por dia. 

Nas oficinas, foram abordados os seguintes temas: Formação de cenas independentes | Elaboração e gestão de projetos culturais | Sonorização | Produção musical | Novas Mídias | Direito Autoral | Capacitação para formação de Pontos de cultura | Abertura e manutenção de Casas Noturnas com espaços para shows de bandas independentes

SIM. Sociedade Independente de Música A realização deste projeto é uma iniciativa da SIM - Sociedade Independente de Música, entidade sem fins lucrativos criada para aglutinar e representar os profissionais da cadeia produtiva da música independente em Minas Gerais junto à sociedade civil, ao poder público e à iniciativa privada. A concepção desta iniciativa se deu entre membros da entidade atuantes tanto em Belo Horizonte como no interior, principalmente na cidade de Uberlândia, que já se constitui desde 2005 como uma das principais articuladoras nacionais do novo circuito de música independente.

tribuindo para o desenvolvimento desse novo cenário independente da música de Minas. Além de realizar esses projetos, a SIM também participou, juntamente com outras entidades representativas da música de Minas (AMMIG, COMUM, AAMUCE e Fora do Eixo Minas), da criação do Fórum da Música de Minas e do desenvolvimento do Programa Música Minas. O diálogo entre as entidades e o modelo de organização do Fórum vem rendendo bons frutos e semeando novas possibilidades para o fortalecimento da cadeia produtiva da música no nosso estado e em todo o Brasil.

A música e sua cadeia produtiva e criativa vem passando por grandes tranformações nos últimos 5 anos. Projetos como Música Independente, Circuito Mineiro da Música Independente e participações em Comissões de Avaliação de Projetos das Leis Municipal e Estadual de Incentivo à Cultura vem con-

Como resultado do projeto CMMI, espera-se articular e integrar o interior mineiro a uma nova movimentação cultural que se dissemina em todo o país, por meio dos princípios da música independente, pautados no cooperativismo, na troca de tecnologias, na descentralização e na sustentabilidade.

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Pontos Fora do Eixo


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Os aventureiros e caçadores de tesouros ainda estão lá, mas o ouro agora é outro. O tesouro capaz de entrar para a história do município, tanto tempo depois, é a cultura sabarense e a inserção da cidade em um panorama nacional: “Nasci em Sabará no início da década de 80 e não me lembro de ter havido um artista sabarense que rodasse o Brasil, tivesse um trabalho autoral sólido. Tudo sempre foi muito perdido em iniciativas isoladas”, afirma Leonardo Santiago, 27 anos, integrante  do coletivo Fórceps, um grupo de pessoas que tem emplacado o nome da cidade no Circuito Fora do Eixo desde 2007, além de fortalecer ações locais como o festival de artes integradas Escambo ou o projeto Real Instrumental, que leva a nova cena instrumental para tocar nas cidades históricas do Circuito da Estrada Real.

O Fórceps possui braços em várias áreas da cultura e da comunicação,  sempre com o objetivo de formar público e fomentar a cultura alternativa e/ou independente.  O rápido crescimento do coletivo levou-o  à posição de interlocutor nas questões da política pública de cultura em Sabará e a ocupar uma cadeira no Conselho da Juventude local. O nascimento do coletivo guarda uma proximidade com o estado do Mato Grosso, onde um dos integrantes morou antes da existência do Fórceps,  tendo bastante contato com a movimentação da cultura independente do Estado. Em 2007 ,os futuros fundadores do Fórceps encontraram em Belo Horizonte os conhecidos da banda Macaco Bong, articuladores da cena e do Circuito Fora do Eixo em Cuiabá. Foi feito um convite para que conhecessem Sabará e, após uma série de conversas, foi fundado o coletivo mineiro. Atualmente o Fórceps conta com integrantes de várias cidades mineiras inseridos no processo coletivo.

Foto: Ana Pedrosa

Sabará

Coletivo de idéias é ouro

Forceps

Região Metropolitana de Belo Horizonte 126 mil Habitantes Festivais: ESCAMBO, Real Instrumental e Grito Rock forceps@forceps.com.br forceps.com.br

Há mais de 300 anos, descobriu-se ouro na região onde fica hoje a cidade histórica de Sabará, que integra a região metropolitana de Belo Horizonte e que, à luz da época era Sabarabuçu, um povoado improvisado por bandeirantes, caçadores de riquezas e aventureiros em geral. O ouro esgotou-se em modernas casas de fundição movidas a trabalho escravo, na construção das igrejas centenárias que compõem até hoje o seu patrimônio histórico e na exploração massiva dos colonizadores portugueses.

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 “O que mais mudou na música brasileira, nos últimos 10 anos, é a cultura da organização coletiva. Antes essa movimentação era muito individual, pautada na competição entre as ações. Hoje, os coletivos se espalharam pelo país, mesmo em eixos temáticos como a fotografia, audiovisual e literatura”, afirma o coordenador de planejamento do Goma, Talles Lopes. O Goma possui um amplo espaço, no centro de Uberlândia, que abriga uma casa noturna, loja e galeria de arte, além de sediar as ações do coletivo nos eixos artístico (constituído por músicos e artistas em geral), comunicação (dividido em 2 subnúcleos, audiovisual e laboratório de imprensa, além de coordenar os trabalhos das Mídias Integradas Uberlandenses - MIU), produção (eventos da casa, Festivais) distribuição (gestor do selo local Goma Discos e da Fora do Eixo Discos), e sustentabilidade (responsável pela coordenação do sistema Goma Card). O cole-

tivo ainda contempla ações nas áreas de moda, meio ambiente e literatura. Essas ações e articulações fizeram com que o coletivo Goma se tornasse ponto de referência em Minas Gearais e na região Sudeste. Uma das recentes conquistas do Coletivo Goma é o sistema Goma Card, moeda complementar que introduz no rico cenário cultural local os princípios de economia solidária defendidos pelo Circuito Fora do Eixo. Pautado na troca de serviços, o sistema Goma Card fortalece a cadeia produtiva da cultura local e a circulação de artistas de outras cenas. Circulação que é intensa desde antes da criação do Espaço Goma, em dezembro de 2007. O Goma, realiza três festivais de peso durante o ano: a edição local do Grito Rock América do Sul, realizada desde 2007, o Festival Goma - produzido desde 2008 – e o Festival Jambolada, considerado o maior festival de música independente de Minas Gerais. Toda esta movimentação faz de Uberlândia um ponto fundamental no mapa de circulação da nova música brasileira pelo território nacional.

Foto: Hick Duarte

Uberlândia

Coletivo de Card é Criatividade

Goma

Triângulo Mineiro 634 mil Habitantes Festivais: Jambolada, Grito Rock Uberlândia, Festival Goma contato.goma@gmail.com gomamg.blogspot.com

Principal pólo econômico e cultural do Triângulo Mineiro - região localizada no extremo oeste de Minas Gerais e no centro do mapa brasileiro -, Uberlândia, com seus mais de 600 mil habitantes, também tem se tornado, neste início de século tão transformador para a cadeia produtiva da cultura, uma das cidades que protagonizam o processo de ressignificação dos paradigmas que norteiam este setor no país. Sede do Coletivo Goma, Uberlândia é um dos berços do Circuito Fora do Eixo.

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A princípio, a consolidação do coletivo ocorreu através da união da produtora cultural Letícia Rezende com artistas do município. Hoje, o Megalozebu conta com o reforço de vários comunicadores da cidade, que possibilitam que o trabalho realizado pelos agentes chegue ao conhecimento do público. Outro fator de destaque para o enraizamento do coletivo é o diálogo saudável e contínuo que o Megalozebu estabelece com a Fundação Cultural e com o Curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba.

Entre as ações anuais, o evento de destaque é o Encontro Novas Tendências, maior festival de música independente realizado no segundo semestre na cidade, que possibilita que o público local conheça vários talentos da música independente nacional. Além disso, o trabalho que coletivo desenvolve em Uberaba já levou várias bandas da cidade a circularem por outros pontos Fora do Eixo no Brasil. Um importante parceiro dessa circulação é o Coletivo Goma, de Uberlândia, que estabelece trocas de tecnologias e parcerias sólidas com os agentes do Megalozebu.

Foto: Leo Freitas

Uberaba

Coletivo do boi é sonzeira

Megalozebu

Triângulo mineiro 296 mil Habitantes Festival: Novas Tendências megalozebu@gmail.com megalozebu.com.br

No triângulo de Minas Gerais, Uberaba é a cidade conhecida pelo destaque no mercado agropecuário internacional, através da realização da feira anual Expozebu, em que importantes criadores da raça zebuína se reunem para efetuar negociações e leilões do gado. Com uma cultura musical em que predomina o sertanejo, o Coletivo Megalozebu encara o desafio de trabalhar com a música independente e representar o Circuito Fora do Eixo na cidade.

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Em meio a essa multiplicidade, o Pegada acabou surgindo, em Belo Horizonte, a partir de um email para diversas pessoas ligadas à cultura na cidade. O título: “Criação da Cena Independente de Belo Horizonte”. Segundo o autor, a reação foi diversa: “Claro que houve um estranhamento, até por alguma ingenuidade minha. A cena já existia, sempre existiu, mas no final as pessoas entenderam a idéia. A troca de mensagens continuou por algumas semanas e, após a participação em uma oficina do festival Stereoteca, a iniciativa cresceu de outro jeito que eu nem podia imaginar”, explica Lucas Mortimer, atualmente coordenador de Planejamento do Coletivo.

atualmente, fortalecem as ações do Circuito Fora do Eixo na capital mineira. As ações do grupo se estendem por eventos temáticos com bandas e DJs por vários espaços da cidade, debates como o painel “O Que é Indie?”, a realização do “Grito Rock em Belo Horizonte” e a colaboração em outras iniciativas da cena como o festival “Outrorock”. Além disso, o Coletivo Pegada é responsável pelas “Noites Fora do Eixo em Belo Horizonte”, produz coberturas e podcasts sobre as atividades culturais da cidade. O coletivo também desenvolve tecnologias de silk e serigrafia para roupas, dando oficinas de formação para outros parceiros. Preocupado com o debate das tecnologias livres e mídias independentes, o Pegada lançou seu novo site recentemente. O coletivo participou ativamente da construção do Fora do Eixo Minas e representa a cultura independente em iniciativas como o Fórum da Música de Minas Gerais. Em 2010, espera desenvolver um projeto de moeda solidária e realizar o seu próprio festival, em julho.

Foto: Tiago Caux

coletivo. O número de bandas de rock, artistas de samba, hip hop, MPB, pop, eletrônico, assim como a vastidão de pequenas iniciativas de produção cultural, blogs, associações, eventos e idéias é proporcional à dimensão da metrópole em seus 111 anos de vida.

Belo Horizonte

Coletivo de e-mails é aproximação

Pegada

Capital 2,4 milhões de habitantes Festivais: Conexão Vivo, Garimpo, 53HC music Fest, BH Indie, Outrorock, Eletronika, Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe contato@coletivopegada.org coletivopegada.org

Em uma cidade de quase 2,5 milhões de habitantes, a sexta maior do Brasil, com a terceira maior região metropolitana do país e uma vida cultural intensa em todas as áreas, é natural que nem todos os integrantes do Coletivo Pegada se conhecessem antes de formarem o

O Coletivo Pegada surgiu em outubro de 2008 como uma equipe de músicos, jornalistas, designers e produtores que,

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O festival Marreco, principal iniciativa da cultura independente na região, decolou recentemente pelas ações do jovem coletivo Peleja. Com objetivos que vão além da cultura, o grupo pauta-se também pelas questões do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, como explica o coordenador de comunicação Ciro Nunes: “A gente se preocupa em calcular e reduzir o impacto ambiental das nossas ações. No próprio festival Marreco usamos um programa de redução de carbono, iniciativas de reciclagem e outras medidas”. A repercussão do primeiro Marreco, realizado em 2008, fez com que o público do evento triplicasse na edição de 2009. Realizado em praça pública, com a presença de público de cidades vizinhas e outras regiões do estado, o festival contou também com atividades ligadas ao teatro e à cultura popular. A troca de linguagens não é novidade na cena cultural local. Há cerca de 20 anos atrás, os artistas da cidade promoviam um “en-

contrão” na praça Dom Eduardo, atrás da Igreja da Matriz. Um dos organizadores era Vane Pimentel, poeta e integrante da banda Vandaluz. O movimento enfraqueceu-se pela falta de apoios e organização. Somente no final de 2006, com o surgimento do Vandaluz, o intercâmbio voltou a movimentar a cena, dessa vez com olhos e ouvidos voltados para a realidade do Circuito Fora do Eixo e da música independente brasileira. A banda apresentou-se no festival Jambolada, de Uberlândia, em 2007 e 2008, uma interação que foi fundamental para o nascimento do coletivo Peleja e do festival Marreco. “As coisas aconteceram tão rápido que hoje precisamos de mais pessoas para a realização dos projetos. Estamos criando um coletivo de moda e ainda há um trabalho a ser feito com a questão histórica e folclórica de Patos de Minas”, afirma Ciro. Dentro do coletivo há o  “Programa Sócio-ambiental  Arbom-Livre” que desenvolve projetos contínuos baseados numa educação ambiental crítica, desta maneira questões sócio-ambientais contemporâneas são trabalhadas no grupo.

Foto: ?

Patos de Minas

Coletivo de aves é decolagem

Peleja

Alto Paranaíba 139 mil habitantes Festival: Marreco coletivopeleja@gmail.com coletivopeleja.blogspot.com

Qualidade de vida é uma das marcas da região do Alto Paranaíba, oeste do estado, próxima ao triângulo mineiro. A economia é pautada na soja, no milho e na força de alguns municípios como Patos de Minas, que possui altos índices de desenvolvimento e exerce influência também na vida cultural das cidades vizinhas. Na cidade que ganhou seu nome devido à Lagoa dos Patos, é o som de outra ave, da mesma família, que representa a nova cena musical do Alto Paranaíba.

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Montes Claros possui, atualmente, uma biodiversidade musical semelhante à de suas frutas. Não é por acaso que o principal festival da nova música montesclarense é o “Pequi Rock”, o ponto de partida das ações do coletivo Retomada, responsável hoje pela agitação da cultura na cidade de 363 mil habitantes e independente também na região do norte de Minas. “O coletivo nasceu em 2007, após uma oficina promovida pelo Espaço Cubo, de Cuiabá, durante o Conexão Vivo.

agentes culturais, comunicadores, designers, videomakers e fotógrafos. Suas frentes de trabalho são divididas em setores como Planejamento, Produção, Distribuição, Audiovisual, Comunicação, Sonorização e Sustentabilidade. “O Retomada vem desenvolvendo um trabalho que busca transversalizar diversos segmentos culturais, integrando artes e estabelecendo diálogos entre a música independente e outras artes”, afirma Alan. Através da troca de trabalho, o Retomada oferece o suporte às bandas atuantes na cena independente de Montes Claros, sempre buscando retroalimentar a cadeia produtiva da música na cidade.  O coletivo Retomada reúne cerca de 15 agentes entre membros e colaboradores. Entre as principais atividades também está a Web TV Retomada, que pode ser acessada no site do coletivo.

Desde então o Retomada vem desenvolvendo ações que visam maior desenvolvimento da cultura urbana na cidade, explica Alan Lima, 25 anos, coordenador de planejamento do Retomada.

Foto: Laisa Bastos

Montes Claros

Coletivo de culturas é feira

Retomada

Norte Mineiro 363 mil habitantes Festival: Pequi Rock coletivoretomada@gmail.com retomadamoc.blogspot.com

Para quem nunca viu ou comeu, a Wikipédia explica o que é o Pequi: “Fruto da árvore brasiliense; CaryocarCaryocaraceae nativa do cerrado brasileiro, que é dotado de muitos espinhos. O sabor e o aroma são marcantes e peculiares”. Pequi é o que não falta na cidade de Montes Claros, o principal pólo urbano, industrial e cultural do norte do estado, onde também se come a pitomba, a siriguela, o umbu, o caja-manga, o jatobá, a cagaita e o murici da mata.

O coletivo, que germinou outros frutos além  do festival, é um Ponto Fora do Eixo formado por produtores, artistas,

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Essa mesma via foi também diversas vezes percorrida por artistas de Ribeirão das Neves no intuito de divulgar seu trabalho na capital e grande BH. Seguindo essa lógica, o músico Rodolfo Gullar, da banda Verto, cruzava a fronteira com frequência para se apresentar no circuito independente de Belo Horizonte, o que acabou despertando o desejo de percorrer o caminho inverso e desenvolver a produção de Ribeirão das Neves dentro de seus próprios limites e para fora deles. Transformando esse trânsito em uma via de mão dupla, onde fosse possível, além de atingir o público local, também trazer gente de fora para apresentar aqui o seu trabalho e conhecer o que aqui é produzido.

Ao longo desse primeiro ano, consciente da importância da internet, novas mídias e tecnologias, sobretudo para o cenário independente, o Coletivo Semifusa criou o seu blog, uma Web Rádio e a Web TV Semifusa, que numa parceria com o Estúdio Toca, produz o programa Toca Aí!, convidando periodicamente bandas para entrevistas e divulgação de seu trabalho. Atualmente, o Semifusa engloba também ações de mapeamento dos artistas nevenses, pretendendo integrar diferentes formas de expressão artística como, entre outras, o movimento hip-hop, o cinema independente, o teatro e a literatura, planejando, inclusive, ações conjuntas com a Anelca (Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes). Para este ano ainda está prevista a realização mensal da Note Fora do Eixo e, no segundo semestre, a volta do lendário Rock in Neves, evento que agitava o município uma vez por ano e que, em cinco edições, reuniu várias bandas da cidade e de fora e um público que crescia a cada ano.

Desse desejo de transformação, nascia então, no início de 2009, o Coletivo Semifusa. A primeira grande ação do Coletivo foi o Rock Fusion, festival que ocorreu na Praça Central da cidade. O evento marcou o início das atividades do Semifusa e também serviu para agregar outras bandas à sua proposta, dentre eles o Cidadão Comum, veterano da cena local, que andava meio parado e voltou a ativa com o Coletivo.

Foto: Tim Santos

Ribeirão das Neves

Coletivo de vizinhos é metrópole

Semifusa

Região Metropolitana de Belo Horizonte 340 mil habitantes Festival: Rock Neves semifusaproducoes@gmail.com coletivosemifusa.blogspot.com

“Via de mão única”. Esta poderia ser uma definição para o trânsito da cultura, entretenimento e lazer em Ribeirão das Neves. Considerado como uma “cidadedormitório”, o município nem sempre ofereceu muitas opções de diversão para os seus mais de 300 mil habitantes, que além de se deslocarem todos os dias para trabalhar e/ou estudar na capital muitas vezes só encontram alternativas de entretenimento e cultura fora dos limites da cidade.

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Não poderia ser, portanto, um nome qualquer ou sem graça aquele que denomina o coletivo de Vespasiano integrado ao Fora do Eixo Minas. O coletivo Vatos buscou uma palavra de origem mexicana, utilizada nas periferias do país latino ou pelos imigrantes da Califórnia para representar “amizade”, “camaradagem” e “companheirismo” entre indivíduos. Com tantas referências diversas - a partir do próprio nome dos seus artistas e mobilizadores – Vespasiano revelou-se uma cena de grande potencial após a criação do coletivo e, principalmente, com a realização do festival “Arena Livre”. O coordenador de planejamento do Vatos e organizador do festival Fred Berli conta que o Arena Livre teve apoio do seminário prático do Ste-

reoteca em BH. O evento reuniu artistas de Montes Claros, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Divinópolis e Belo Horizonte. O sucesso do festival deu origem ao coletivo, que surgiu na época com nome de Azimute. Sempre muito articulados com as iniciativas de Belo Horizonte e da música mineira, os integrantes do Vatos participaram ativamente dos debates de consolidação do Fora do Eixo Minas. O coletivo Vatos está atento às outras manifestações artísticas de Vespasiano como o teatro, a dança, as bandas sinfônicas, a cultura popular e o carnaval da cidade. A organização mantém um sólido diálogo com o poder público e a Secretaria de Cultura, inclusive participando dos debates para a criação da Lei Municipal de Incentivo. O Vatos inclui atualmente um núcleo de sonorização, comunicação e está desenvolvendo um núcleo de vídeo. Em 2010 o Vatos espera implementar a sua moeda solidária.

Foto: ?

Vespasiano

Coletivo de Personagens é Cena

Vatos

Região Metropolitana de Belo Horizonte 94 mil Habitantes Festival: arena livre coletivo.vatos@gmail.com vatoscoletivo.blogspot.com

Se há algo de curioso e interessante historicamente na cena musical de Vespasiano – município da região metropolitana de Belo Horizonte - é o nome de seus personagens. Há mais de 15 anos, o projeto musical “Os Feios” agita a cena com pequenos shows de músicas próprias ou embalando os fãs no tradicional “Baile dos Barangos”. Outro mobilizador local é “Marcelo Esquisito”, que realiza há tempos um bocado de produções independentes, abrindo espaço na cidade para a música alternativa. Na década de 90, uma banda do município que tornou-se foi a “Os Debítous”, vencedores de um programa de televisão para novos talentos.

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À Margem

Itabirito Região Metropolitana de Belo Horizonte 48 mil habitantes coletivoamargem.wordpress. com

Colcheia

Sete Lagoas Região Metropolitana de Belo Horizonte 225 mil habitantes coletivocolcheia.blogspot.com/

Anti-herói

Coletivo 77

Divinópolis Oeste de Minas 216 mil habitantes projetoantiheroi.blogspot. com

retomada Montes Claros

Barbacena Campo das Vertentes 128 mil habitantes coletivo77.wordpress.com

Beerock

mega lozebu

semifusa Ribeirão das Neves

anti herói Divinópolis

Uberaba

beerock Guaxupé machadada Machado corrente cultural Poços de Caldas

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Matula sonora Lavras

vatos Vespasiano Pegada Belo Horizonte fórceps Sabará À Margem Itabirito

coletivo 77 Barbacena

Pontos Parceiros

goma

Uberlândia

peleja Patos de Minas

Colcheia Sete Lagoas

Guaxupé Sul/Sudoeste de Minas 49 mil habitantes beerock.com.br

Corrente Cultural

Poços de Caldas Sul/Sudoeste de Minas 151 mil habitantes correntecultural.com

Matula Sonora

Lavras Campo das Vertentes 95 mil habitantes matulasonora.blogspot.com

Machadada

Machado Sul/Sudoeste de Minas 39 mil habitantes festivalmachadorockcity.blogspot.com

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Incentivo

Iniciativa

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Catálogo CMMI