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Herdeiros continuam sem saber dos bens Os herdeiros da idosa que esteve morta durante nove anos no seu apartamento, na Rinchoa, em Rio de Mouro, continuam sem apurar onde se encontram os bens que estavam na casa antes da venda em hasta pública. Concelho, 4

Hospital em Sintra novamente adiado

Aeroporto em Sintra SOCIEDADE. Moradores do Bairro das Raposeiras preocupados com a eventual instalação de um aeroporto para companhias “low cost” na Base Aérea de Sintra. Concelho, 4

Hockey Club Sintra HÓQUEI. O clube apurou-se para a fase final do campeonato nacional, nos escalões infantis, iniciados e juniores Desporto, 11

Bookcrossing SOCIEDADE. Deixe um livro num dos três postos criados pela junta de Agualva para que outra pessoa o encontre, leia e o devolva à rede. Cacém, 13

Cheias de Belas SOCIEDADE. Quatro anos após as cheias que vitimaram duas irmãs no rio Jamor continuam por apurar responsabilidades. Queluz, 14

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Ministro da Saúde afasta construção devido à atual conjuntura A construção de um hospital no concelho de Sintra, projeto sucessivamente adiado por vários governos, volta a ser posto de lado, depois de o ministro da Saúde, Paulo Macedo, ter defendido que deve ser “analisado e ponderado” tendo em conta a situação financeira do país.

Concelho, 6 PUB


A abrir

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editorial

Salta à vista...

Folia ou responsabilidade? existem situações ideais que agradem a todos, mas também sabemos, ou teríamos a obrigação de saber, que não é com individualismos nem posições extremadas que conseguiremos encontrar um rumo para Portugal. Será somente com a união de esforços que poderemos ultrapassar as graves dificuldades conjunturais da economia portuguesa. Entre a folia e a responsabilidade, infelizmente, a primeira falou mais alto. E que dizer de mais uma greve dos maquinistas da CP, numa luta que é claramente fora de tom com as greves decretadas pelos sindicatos? Aparentemente, os maquinistas têm uma agenda à parte de todos os outros, maquinando greves sucessivas, praticamente uma vez por mês. Com as consequências que trazem para milhares de pessoas que se vêm impossibilitadas, à falta de alternativas, de poderem fazer o seu dia-a-dia normal. Não esquecemos que este setor do funcionalismo público tem benefícios que mais ninguém tem. Por exemplo, que recebem um suplemento de ordenado para simplesmente comparecerem ao seu local de trabalho. Isto, as pessoas não esquecem e os sacrifícios que nos são pedidos deveriam ser cumpridos por todos e não só por alguns.  JOAQUIM JOSÉ REIS

Paragem de autocarros na estrada de Paço d´Arcos, em São Marcos. Uma imagem vale por mil palavras.

Sintra em ruínas

O primeiro-ministro foi claro quanto à não tolerância de ponto da terça-feira de Carnaval no setor do Estado. Pelo que podemos observar, maioritariamente em Portugal Continental e Ilhas, não foi cumprida essa pretensão. E o desrespeito desta exigência tem forçosamente duas leituras: 1 – O setor do Estado está num desnorte profundo, não existe uma visão partilhada de futuro, não existe coesão, embora seja disfarçado pela tentativa de levar Portugal a bom porto. 2 – Os hábitos são irremediavelmente difíceis de quebrar, ninguém quer sair das suas zonas de conforto e aceitar o risco da mudança rumo ao futuro. Poderá ser discutível quebrarse ou não tradições. Poderá ser discutível que para uns seja um hábito de puro divertimento e ainda para outros ser mais um dia de aproveitar o negócio e outros ainda defenderem que menos um dia de trabalho não tirará ninguém da “lama”. Mas não é decididamente discutível o facto de que sem sacrifícios, de todos para todos, o país levará muito mais tempo e de uma forma muito mais dolorosa a emergir da profunda crise em que está mergulhado, em que todos estamos. Do Governo exigimos mais equidade, mais responsabilidade social, menos austeridade, menos cortes, menos sacrifícios, mas quando confrontados com o que temos que dar de nós, encolhemo-nos! Não atingimos ainda a consciência de que tudo na vida é uma estrada de dois sentidos, que é a soma das partes que nos permite atingir a grandeza e que nos torna mais fortes. Todos sabemos que não

DR

2 Correio de Sintra

http://www.sintraemruinas.blogspot.com/

HOTEL NETTO Situa-se junto à zona noroeste do Palácio Nacional da Vila e o acesso faz-se pela Rua do Sotto Mayor junto ao Hotel Tivoli Sintra. NOTAS Construído no século XIX, o Hotel Netto foi o local de excelência do escritor Ferreira de Castro para passar os seus momentos de produção literária encontrando-se atualmente em estado de degradação muito avançado, consequência de décadas de abandono. Além de perigoso, é tristemente chocante visitar o edifício. PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Reabilitação total das fachadas e da cobertura do edifício. No caso de possibilidade de investimento para exploração hoteleira, recuperação do interior de acordo com o projeto original, reavivando a memória de um Hotel ímpar no património de Sintra.


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Herdeiros continuam sem saber dos bens SOCIEDADE. Os herdeiros da idosa

que esteve morta durante nove anos no seu apartamento, na Rinchoa, em Rio de Mouro, continuam sem apurar onde se encontram os bens que estavam na casa antes da venda em hasta pública..

U

ma idosa, que vivia sozinha em Rio de Mouro esteve nove anos morta em casa e, apesar dos alertas de uma vizinha, a PSP só encontrou o corpo a 8 de fevereiro de 2011 no interior do apartamento, depois de o imóvel ter sido vendido num leilão pelas Finanças. Um ano após a retirada do corpo da idosa de dentro da habitação, um dos herdeiros disse ao Correio de Sintra que os familiares aguardam a conclusão de um processo judicial onde tentam anular a venda em hasta pública e continuam sem saber onde se encontram os bens que estavam no imóvel. “Se o andar foi vendido pelas finanças por trinta mil euros e se a dívida era de mil euros eu pergunto onde é que está o resto do dinheiro. Não me vou calar, até posso não receber nada, mas já desembolsei para a advogada e para o funeral”, disse Joaquim Martinho, irmão da idosa. Segundo o familiar

Idosa esteve morta nove anos no seu apartamento na praceta das Amoreiras.

da falecida, os quatro herdeiros ainda não obtiveram “qualquer resposta das finanças”, nem da Segurança Social para o pagamento das despesas de funeral. Joaquim Martinho explicou que nos últimos anos da sua vida a idosa se afastou da família, nunca procurando contacto, adiantando que foi esse o motivo para o afastamento. “As pessoas censuram o facto de querermos reaver os bens, mas o que é certo é que se há herdeiros as coisas não pertencem às finanças. As pessoas dizem muita

coisa, mas não sabem que ela é que se manteve sempre incomunicável. Não foi só comigo. Como é que íamos forçar uma coisa que ela não queria”, justificou. Na praceta das Amoreiras, na Rinchoa, os vizinhos ainda recordam o episódio da idosa que “raramente saía à rua”. Aida Martins, 85 anos, adiantou ao Correio de Sintra ter participado o desaparecimento da idosa várias vezes, a primeira em 2002. Durante anos foi à porta da idosa para tentar detetar “se havia maus cheiros” que denunciassem

a morte da vizinha. “Passou muito tempo com ela morta dentro do apartamento. Eu no fundo sabia que ela lá estava. Fui à polícia muitas vezes e eles foram lá à porta, mas como não cheirava mal, porque as janelas estavam abertas, nunca entraram no apartamento”, disse. O caso deixou marcas nesta idosa que agora tenta descobrir casos de solidão numa rotina diária que passa por olhar as janelas dos vizinhos idosos, para ver se “há sinais de vida”. “No prédio em frente mora um casal de idosos e estou sempre a espreitar a ver se abrem as janelas para ver se estão bem. E aqui no prédio mora uma idosa com cem anos que também vamos de vez em quando falar com ela para saber se está bem”, disse. Outros vizinhos adiantaram ao Correio de Sintra que o caso foi um choque, mas que, ao fim de um ano, a vida continua. “Dentro da situação pode-se tirar algo positivo que é o facto das autoridades estarem mais atentas a situações de idosos que vivem sozinhos. Aliás, depois disto temos visto muitas notícias sobre situações semelhantes”, disse um dos vizinhos. O apartamento adquirido em hasta pública está habitado por um casal. O Correio de Sintra tentou falar com os proprietários do imóvel, que se mostraram incontactáveis.  JR.

Turistas espanhóis são os que mais visitam Sintra SOCIEDADE. O mercado turístico espanhol continua a ser o que mais visita os monumentos de Sintra que, em 2011, registou um aumento de 10,4 por cento de entradas relativamente a 2010, ultrapassando a barreira do um milhão de visitantes.

S

egundo a Parques de Sintra Monte da Lua, pela primeira vez o Palácio da Pena, Castelo dos Mouros, Palácio Monserrate, Chalet da Condessa e o Convento dos Capuchos, registaram um total de 1.068.000 entradas, contra as 967.600 de 2010.

Noventa por cento dessas visitas (968 mil) foram efetuadas por estrangeiros, com o mercado turístico espanhol a representar vinte por cento das entradas, cerca de 205.000, seguido do Brasil, ilhas Britânicas, França, Itália e Alemanha. Segundo o administrador da empresa, António Lamas, o aumento de 10,4 por cento de visitas é “extraordinário”, sobretudo em “tempos de crise” e mostra que a estratégia de divulgação da Parques de Sintra Monte da Lua nestes países tem dado frutos. “É um aumento grande e devese à nossa atenção ao nível da divul-

gação. A nossa estratégia passa por aumentar o número de visitantes e criar mais polos de interesse através de restauros e recuperações integrais à vista das pessoas. E está a dar bons resultados”, disse o responsável ao Correio de Sintra. António Lamas adiantou que também o número de visitantes portugueses aumentou ligeiramente, uma vez que os monumentos geridos pela empresa “são obrigatórios”, nomeadamente ao nível das visitas escolares, mas fica muito aquém dos mercados estrangeiros. O Parque e Palácio da Pena foram os mais visitados, com

669.000 entradas, mas todos os monumentos geridos pela empresa registaram um aumento de visitas. No início do ano, a empresa adquiriu ao município uma propriedade por 1,1 milhões de euros para ligar o centro histórico ao Castelo dos Mouros - a Quinta da Amizade - naquele que é mais um dos projetos de recuperação do património de Sintra. No verão, a empresa vai abrir ao público uma propriedade destinada às atividades agrícolas e equestres - a Abegoaria, que se encontra no Parque da Pena - que vai permitir o alojamento de cavalos.  JR.

Aeroporto preocupa moradores das Raposeiras SOCIEDADE. A

Associação de Proprietários do Bairro das Raposeiras está preocupada com a eventual instalação de um aeroporto para companhias “low cost” na Base Aérea de Sintra. Os moradores temem a desvalorização das propriedades e das habitações na zona envolvente e o “inferno sonoro” provocado pela circulação de aeronaves no local.

O

s ‘corredores’ de acesso para aterragem neste local passam por cima das maiores concentrações urbanas do Concelho: Queluz, Massamá, Monte Abraão, Agualva/Caçém, Rio de Mouro, Fitares, Algueirão-Mem Martins, direcionandose para a pista a poucas dezenas de metros de altura do Bairro da Cavaleira, que só por si tem mais população que uma boa parte das freguesias do país. Para não falar nos ‘corredores’ de levantamento nas freguesias de Pêro

Pinheiro e de Montelavar”, refere a associação em comunicado. Os moradores do bairro de AlgueirãoMem Martins consideram que a possibilidade da instalação do aeroporto complementar à Portela implicaria a “realização de manobras de aterragem e de levantamento de aviões de grande porte, de poucos em poucos minutos, dia após dia, com todo o acrescer de problemas de insegurança e aumento de risco, de inqualificáveis níveis de poluição sonora e ambiental, numa

injustificada e drástica diminuição da qualidade de vida das populações abrangidas”. A Associação de Proprietários do Bairro das Raposeiras apela ao Governo para que verifique e analise se o acréscimo de perigos e prejuízos económicos e ambientais nesta zona se justifica, e sugere aos autarcas que promovam “novos estudos sobre as possibilidades de crescimento e desenvolvimento sustentado na região”. JR.


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Carnaval animou vilas de Sintra SOCIEDADE. A tolerância de ponto imposta pelo Governo foi cumprida no município de Sintra, ao contrário de outros na área da Grande Lisboa, mas não impediu as populações de festejaram o carnaval.

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a segunda edição do Carnaval do MTBA (Magoito, Tojeira, Bolembre e Arneiro dos Marinheiros) saíram à rua cerca de 400 participantes e dez carros alegóricos. A 18 e 21 de fevereiro, os foliões percorreram as quatro aldeias de São João das Lampas que, como é habitual, apresentaram temáticas diferentes, cada uma delas. O Magoito vestiu-se à ‘Pré-história’, a Tojeira dedicou-se à temática ‘Polícias e Ladrões’, Bolembre encarnou ‘Os contos de fadas’ e Arneiro dos Marinheiros trajou-se de ‘Época Medieval’. Em Pêro Pinheiro, centenas de pessoas assistiram este ano ao desfile de terça-feira de carnaval. A festa começou no sábado com um baile do conjunto ‘Enigma 3’ e no domingo o corso percorreu as principais ruas da freguesia.  REDAÇÃO

Escolas de São Marcos sairam à rua.

Desfile do MTBA.

Pêro Pinheiro na terça-feira de Carnaval.

Desfile em Pêro Pinheiro.

Aldeia de Asterix em Pêro Pinheiro.

Diabos nas ruas de Pêro Pinheiro. PUB


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Concelho

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Concelho

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Hospital em Sintra novamente adiado SAÚDE. A construção de um hospital no concelho de Sintra, projeto sucessivamente adiado por vários governos, volta a ser posto de lado, depois de o ministro da Saúde ter defendido que, tendo em conta a conjuntura atual do país, este deve ser “analisado e ponderado”.

cerca de 350 mil pessoas, serve os municípios de Amadora e Sintra, onde residem cerca de 650 mil pessoas e é hoje em dia a unidade de saúde em todo o país que apresenta melhores resultados financeiros, com 5,1 milhões de euros de resultado positivo.

Unidade de saúde na Tapada

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A

Fernando Seara durante a inauguração da nova unidade de saúde da Tapada das Mercês. DR

ministro justificou, durante a inauguração da nova unidade de saúde da Tapada das Mercês, a 11 de fevereiro, que há “hospitais” na área da Grande Lisboa que se encontram ainda “com uma grande capacidade por aproveitar”. “O hospital de Sintra é um projeto que terá que ser analisado e ponderado, mas dentro desta conjuntura e do que é que são as prioridades. Nós temos que rentabilizar e aproveitar a capacidade que está instalada, designadamente em Cascais, e aproveitar as capacidades na sequência da abertura do hospital de Loures”, disse Paulo Macedo. A construção de um hospital no concelho tem sido defendida ao longo dos anos pela autarquia e pela Comissão de Utentes de Saúde de Sintra, uma vez que consideram que o Hospital Amadora-Sintra há muito que excedeu a sua capacidade. Presente na iniciativa, o presidente da câmara, Fernando Seara, considerou que Sintra foi o único concelho onde não foram concretizadas opções de construção de um novo hospital, mesmo tratandose do segundo maior município do país. Irónico, o autarca lamentou o facto do município, “em razão de algum estudo muito aprofundado” ficar apenas com meio hospital, uma vez que divide uma unidade de saúde com a Amadora. O hospital, que foi durante vários anos o único hospital público gerido

Comissão de Utentes de Saúde do concelho de Sintra num protesto em 2011.

por um operador privado (a José de Mello Saúde) passou para as mãos do Estado por determinação do então ministro Correia de Campos,

que decidiu também lançar o projeto de um novo hospital, mais pequeno, em Sintra. Inicialmente previsto para servir

nova unidade de saúde da Tapada das Mercês vai permitir a prestação de cuidados de saúde a cerca de doze mil utentes do Serviço Nacional de Saúde. Nesta nova unidade trabalham sete médicos, quatro enfermeiros e quatro administrativos, num horário de funcionamento de segunda a sexta-feira, assegurando consultas médicas, consultas de saúde materno-infantil, vacinação e tratamentos. Durante a cerimónia de inauguração, o ministro da Saúde disse que a abertura deste equipamento faz parte de uma estratégia do governo em dar “um médico de família a cada português”, adiantando que o objetivo ainda em 2012 será abrir mais dez equipamentos de saúde no distrito de Lisboa. Segundo o ministro, ainda em 2012 está prevista a abertura de mais três dezenas de unidades de saúde familiar em todo o país. Fernando Seara saudou a parceria entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a autarquia, que permitiu a abertura deste equipamento de saúde com um custo de 250 mil euros. “Significa que em termos de gestão pode-se fazer muito com pouco. Não foram precisos milhões para construir esta unidade de saúde e doze mil pessoas são muito mais pessoas do que em muitos concelhos de Portugal”, disse.  JR


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Desporto

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Equipa infantil.

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presidente do clube, Jaime Ramos, garante que a continuação nas três provas é importante, mas põe em causa a viabilidade financeira da instituição desportiva. “Todos os feitos que alcançámos ao ultrapassar as fases que nos levam à disputa dos títulos nacionais só nos trazem prejuízos a nível financeiro, uma vez que não existe acréscimo de receita mas sim incremento da despesa, atendendo a que as deslocações das equipas se tornam mais afastadas da sede e se aumenta o seu número”, disse Jaime Ramos ao Correio de Sintra. No entanto, Jaime Ramos considerou que o esforço financeiro para manter as três equipas em competição pode ser recompensado pelas vitórias. “Quando as equipas do clube se

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Equipa de iniciados.

envolvem nas competições têm como objetivo atingir o lugar cimeiro, ou seja, alcançar a conquista dos respetivos lugares no topo classificativo”, sublinhou. São quatro as equipas da Zona Sul apuradas para a fase final da prova, incluindo o clube sintrense. Para o dirigente, este feito foi alcançado graças “ao trabalho de base que as equipas têm vindo a realizar nos últimos anos”. O presidente do clube mostrou-se preocupado com a situação económico-financeira que a instituição desportiva enfrenta. “Face à crise que o país atravessa, as finanças do clube estão num estado de difícil sustentabilidade. Ainda não liquidámos totalmente, junto da banca, um empréstimo que foi contraído há alguns anos, mas que tem vindo a ser reduzido. Esperamos, no entanto, que esteja sanado no próximo ano, para que se possa ter uma gestão mais equilibrada das contas”, explicou Jaime Ramos. O dirigente adiantou ainda que os

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HÓQUEI. O Hockey Club de Sintra apurou-se para a fase final do campeonato nacional, nos escalões infantis, iniciados e juniores. Apesar de benéfico para o historial do clube, as contas ficam desequilibradas.

AOP

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Hockey Club Sintra: Três escalões apurados para o campeonato nacional

Filipa Martins e Andreia Felisberto no Centro de Alto Rendimento de Atletismo do Jamor.

Equipa de juniores.

objetivos do clube passam pela continuação da equipa sénior na 2.ª Divisão Nacional e pelo fomento do desporto nas camadas jovens. Segundo Jaime Ramos, o desenlace destes objetivos passa pelo apoio da autarquia sin-

trense. “É essencial que a câmara municipal continue a apoiar-nos para que possamos continuar o trabalho realizado nos últimos anos”, disse o dirigente.  Alexandre Oliveira Pereira Pub


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Desporto

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Patrícia Vicente prepara campeonato nacional A recém-campeã do Torneio Open de Juniores ‘Memorial António Matias’, Patrícia Vicente, vai participar no Campeonato Nacional de juniores em Judo, que se realiza no próximo dia 4, em Coimbra.

JUDO.

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atleta de Pêro Pinheiro treina diariamente para garantir uma boa classificação no campeonato nacional. Segundo Patrícia Vicente, a preparação não tem sido tarefa fácil devido a uma lesão no joelho e atualmente redobra os cuidados para não piorar a sua condição física. “Espero ter uma boa prestação e ganhar a prova. Treino com este objetivo em mente, mas tento ter cuidado para não me magoar. Como estou lesionada nos joelhos, o risco é maior”, disse Patrícia Vicente ao Correio de Sintra. A atleta que integra o escalão júnior na categoria de -70 quilos, pratica Judo há nove anos e alcançou o primeiro lugar do torneio ‘Memorial António Matias’. A prova, Pub

Patrícia Vicente no campeonato sub-23.

que conta para o ranking nacional de juniores, realizou-se a 21 de Janeiro, no pavilhão da União Mucifalense, em Colares. “Senti muitas dificuldades ao longo da prova, mas o último combate foi o mais difícil porque combati com uma atleta que já tinha enfrentado no passado, mas sem nunca lhe ganhar. Desta vez, com esforço e dedicação consegui a vitória que soube ainda melhor por não ter tido nenhuma lesão”, sublinhou Patrícia Vicente. Para a atleta, “vencer é sempre o maior objetivo” nas provas em que participa. “Quantas mais vitórias melhor. Para tal, vou continuar a treinar todos os dias como tenho feito até agora, tentando sempre levar uma medalha para casa”, explicou. Patrícia Vicente regista, ainda, no seu currículo desportivo a vitória no torneio Internacional de Esperanças em Judo, na época de 2008, e sagrou-se campeã nacional de sub-23, no ano passado.  Alexandre Oliveira Pereira

Breves Troféu ‘Sintra a Correr’ 2012 inicia em Casal de Cambra

A prova de abertura do Troféu ‘Sintra a Correr’ ocorreu em Casal de Cambra, a 19 de fevereiro, e teve concentração marcada junto ao Parque Urbano 25 de Abril. Com início marcado às 9:00, o III Grande Prémio de Atletismo de Casal de Cambra, prova inserida no Troféu ‘Sintra a Correr’, registou um aumento de 40 por cento de atletas relativamente ao número da edição anterior. A próxima etapa realiza-se a 18 de março, com o 31.º Grande Prémio da JOMA.

Campeonato Distrital de Duplo Mini-Trampolim e Tumbling

O pavilhão Gimnodesportivo da Escola Básica Ferreira de Castro, em Mem Matins, foi palco do Campeonato Distrital de MiniTrampolim e Tumbling que se realizou a 16 de fevereiro. Organizado pela Associação de Ginástica de Lisboa, a edição juntou cerca de 260 atletas oriundos do distrito de Lisboa e contou com a participação de 12 clubes, entre os quais a Associação Desportiva de Sintra (Gimnoanima), que venceu a categoria de Tumbling, o Mem Martins Sport Clube, o Lisboa Ginásio Clube e o Sporting Clube de Portugal, que conquistou o primeiro lugar na categoria de formação Duplo Mini-Trampolim.


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Agualva - Cacém

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Agualva: uma biblioteca a céu aberto JR

SOCIEDADE. Transformar Agualva numa biblioteca a céu aberto é o objetivo da rede de ‘bookcrossing’ que a junta de freguesia inaugurou a 8 de fevereiro. A iniciativa consiste em deixar um livro num dos três postos criados pela junta para que outra pessoa o encontre, leia e o devolva à rede.

C

om o apadrinhamento do escritor sintrense José Fanha, os três postos de recolha encontram-se no Agualva Shopping, na Escola Secundária Ferreira Dias e na sede da Junta de Freguesia. Durante a inauguração, o escritor disse ser “um passador de vício” e que os três postos de ‘bookcrossing’ são “uma pequena gota de água fantástica” que existe praticamente “em todos os cantos da Europa” e que só recentemente chegou a Portugal. José Fanha adiantou que esta é uma forma de despertar interesse e de cativar à leitura. “Apesar do esforço ainda somos

Escritor José Fanha apadrinhou iniciativa da Junta de Freguesia de Agualva.

dos povos que menos lê. E isso representa mais pobreza. Lemos menos porque há uma razão histórica para isso. Em 1700 a Suécia tinha cem por cento de pessoas alfabetizadas, enquanto que nós tínhamos apenas dez por cento. Por-

tanto, para um sueco ler é normal. É quase como lavar os dentes”, disse. Presente na iniciativa, o presidente da Junta de Freguesia, Rui Castelhano, enalteceu a iniciativa que não comporta grandes custos, uma vez que os cerca de

400 livros disponíveis foram oferecidos pela população. O movimento ‘bookcrossing’ surgiu em 2001 nos Estados Unidos e tem na partilha de livros e na troca de experiências de leitura um dos seus princípios mais importantes. Esses “bookcrossers” têm em circulação seis milhões de livros, identificados com o nome do respetivo proprietário para que quem descobre a obra em bancos de jardim, num café, ou nos transportes públicos o possa informar da sua localização através da internet. Qualquer pessoa pode participar do movimento. Não há regras prédeterminadas, mas espera-se, que todas as pessoas que leiam esses livros acessem ao site www.bookcrossing.com e digam que estão com ele. Dessa forma, é possível rastrear a localização do exemplar. Com o passar dos anos foram criados novos métodos de circulação gratuita de livros, uma delas através de e-books, ou o bookrings, circuitos mais fechados em que um livro passa diretamente de um bookcrosser para outro. REDAÇÃO

dR

Bombeiro mais velho do país morreu aos 101 anos SOCIEDADE. O bombeiro mais velho do país, Henrique Amaro, segundo comandante do Quadro de Honra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém, faleceu ao início da madrugada de 10 de fevereiro.

S

egundo o presidente da direção da associação humanitária dos bombeiros de Agualva-Cacém, Luís Silva, Henrique Amaro “era uma referência” para todos os bombeiros. “É uma notícia muito triste.

Faleceu por velhice. Por se tratar do bombeiro mais velho do país, era uma referência para todos nós”, disse. Henrique Amaro era o segundo comandante do Quadro de Honra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém, da qual era o sócio número 12 e onde esteve de 1941 a 1970, data em que se retirou. Começou como bombeiro aos 23 anos, esteve quatro anos na corporação dos Voluntários de Campo de Ourique (Lisboa), onde chegou a bombeiro de 3ª classe e, em 1941, entrou na corporação de Agualva-

Cacém, onde fez boa parte do seu percurso e exerceu os cargos de segundo comandante (entre 1965 e 1968) e comandante interino (de 1968 a 1970). A 10 de junho de 2011, Dia de Portugal, foi condecorado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Ordem de Mérito. O corpo esteve em câmara ardente no salão nobre da corporação de Agualva-Cacém, e o funeral realizou-se no sábado, dia 11. Henrique Amaro foi sepultado no talhão privativo dos bombeiros de Agualva-Cacém, no cemitério do Cacém.  J.R Pub


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Queluz - Belas

Opinião

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Cheias de Belas: Responsabilidades por apurar

Breves

Viaturas incendiadas em Massamá

Quatro viaturas arderam a 22 de fevereiro junto ao Centro Comercial de Massamá. Os incêndios, cujas causas ainda estão por apurar, deflagrou às 20:15 na Praceta Francisco Martins. Moradores dizem ter ouvido várias explosões junto à praceta que se encontra a menos de um quilómetro da residência do primeiroministro Pedro Passos Coelho. A Policia Judiciária está a investigar as causas do incêndio que chegou a atingir uma quinta viatura. No entanto, a proprietária conseguiu retirar o carro do local, evitando que ficasse destruído.

Agentes condenados Estrada Nacional 117 continua sem obras de intervenção.

Buscas para encontrar uma das irmãs duraram quinze dias.

SOCIEDADE. Quatro anos após as cheias que vitimaram duas irmãs no rio Jamor, em Belas, continuam por apurar responsabilidades e o muro que sucumbiu à força das águas continua por arranjar.

contra a câmara de Sintra e a Estradas de Portugal, responsabilizando as duas entidades por homicídio por negligência. Em feveiro de 2011, dois anos após o acidente, os viúvos das duas vítimas afirmaram que julgavam que o processo estaria a decorrer em tribunal, mas a 28 de fevereiro foram informados por Pragal Colaço de que já não representava as famílias. António Pragal Colaço justificou a sua saída do processo por uma questão de “conflito de interesses”, dada a sua ligação ao Benfica (onde é comentador da Benfica TV) e a Fernando Seara (presidente da câmara de Sintra), mandatário na altura da candidatura de Luís Filipe Vieira à

A

18 de fevereiro de 2008, na sequência do mau tempo, a força das águas derrubou um muro em Belas, junto à Estrada Nacional 117, tendo o carro onde seguiam duas irmãs sido arrastado para o rio Jamor. Sara Gomes foi recolhida já sem vida de dentro do carro e o corpo de Zíbia Coimbra nunca chegou a ser encontrado, apesar de terem decorrido 15 dias de intensas buscas por parte Pub

das autoridades. Passados quatro anos, as famílias continuaram as suas vidas e, segundo o amigo e porta-voz dos familiares, Carlos Nunes, enquanto um dos viúvos se encontra numa situação estável, o outro vive atualmente dificuldades financeiras, a cargo de quatro filhos. “Do lado do Mateus as coisas estão bem, tem um filho no infantário e está a trabalhar. Já o Lourenço tem os filhos com os avós e esse é que tem a vida um bocado mais complicada”, disse. Em 2008, o advogado António Pragal Colaço surgiu como mandatário judicial das famílias, e anunciou durante meses que iria mover um processo

presidência do clube. Segundo o porta-voz das famílias, após a saída de Pragal Colaço, “o processo” ficou definitivamente suspenso. “Ficou tudo em águas de bacalhau, como se costuma dizer. Eles tinham um prazo para fazer a entrega do processo em tribunal, ainda contactaram uma advogada, mas acabou-se por não dar entrada”, lamentou Carlos Nunes. Quatro anos volvidos após o incidente, o muro que separa a EN117 do Rio Jamor continua por arranjar e foi substituído por um separador. O Correio de Sintra tentou falar com os dois viúvos, que se mostraram incontactáveis até ao fecho da edição.  JR.

A 3ª vara criminal de Lisboa condenou três agentes da PSP a penas de prisão entre os seis anos e os seis anos e meio, dando como provado que participaram no roubo de duzentos mil euros em ouro, em sequestro e posse de arma proibida. O roubo ocorreu a 10 de março de 2009 no parque de estacionamento da McDonald´s de Massamá, quando três comerciantes se preparavam para transacionar dez quilos de ouro. O negócio tinha sido preparado por um elemento ligado aos três polícias agora condenados. Durante a transação, três elementos que se identificaram como polÍcias, sequestraram um dos empresários, largando-o na serra de Monsanto e guardaram o ouro. Fernando Monserrate foi condenado a seis anos e meio de prisão, por co-autoria de três crimes de roubo, um de sequestro e um de posse de arma proibida, enquanto que Bruno Batista e Jorge Pelica foram condenados a seis anos, por três crimes de roubo e um de sequestro.


24 de Fevereiro de 2012

Tribuna

O Risco na Areia... Clarence Gillis (1895–1960) mineiro de profissão e sindicalista do Canadá, escreveu um dia uma fábula que contava a história de um País chamado “Ratolândia”, para explicar as opções sociais dos indivíduos, ou como alguém disse um dia em Portugal, a escolha entre o “risco na areia”. Anos mais tarde, a mesma fábula foi popularizada mundialmente num célebre discurso proferido por Thommas Douglas (19041986), responsável pela introdução no Canadá de um serviço nacional de saúde gratuito. Esta fábula expressa a visão de que o sistema político falha ao oferecer aos eleitores alternativas dentro de um sistema de alternância sem alternativa: a escolha de dois partidos, em que nenhum representa os interesses povo. Na fábula, os ratos, que correspondem à maioria da população, votam sistematicamente em gatos, e ciclicamente são eleitos gatos do Partido X ou do Partido Y, sendo que a vida dos ratos eleitores continua cada vez mais difícil. Perante essa realidade, os ratos constatam que só um rato poderá entender as necessidades dos ratos. Este rato é então acusado de ser um perigoso bolchevique e é preso. A fábula termina com a moral de que é possível prender um rato, mas que é impossível prender a ideia que o norteou na procura de

que “linhas nos cosemos”, compreendemos que um Governo que só implementa medidas de austeridade, sempre com os cordões da bolsa libertos para largar mais uns milhões para o sector bancário (e que chumba a transferência de verbas para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo), que governa para garantir os lucros aos ricos não é um governo de todos os portugueses,

“ uma vida melhor. Uma alternativa à alternância. Uma variação desta fábula aparece no romance So Long, and Thanks For All the Fish de Douglas Adams. Aqui encontramos um sistema democrático onde as pessoas elegem lagartos como seus líderes. Ninguém está satisfeito com a situação, excepto os lagartos mas as pessoas continuam a votar nos lagartos, “porque se eles não votam no lagarto certo... o lagarto errado pode ser eleito”. A primeira maneira de sair desta ratoeira é perceber que os gatos não são iguais aos ratos. Percebendo com

A fábula termina com a moral de que é possível prender um rato, mas que é impossível prender a ideia que o norteou na procura de uma vida melhor...

porque esta larga maioria é a que efectivamente paga a crise. Como se diz ou desdiz, vivemos uma espécie de regime político sufragado por muitos para garantir os privilégios de uma pequena/ alargada família, de duas cores. Quando uns enriquecem e outros empobrecem isso é política. Quando uns são bene-

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ficiados e outros prejudicados, isso também é política e acima de tudo, opção ideológica. Aqueles que assim o pensam, planeiam, gizam e executam sabem que é difícil exercer a liberdade quando paira sobre todos a ameaça de perda do emprego. Voltando a Douglas e às fábulas, que de infantis não têm nada, ele também explicou as injustiças sociais com a fábula do “separador de nata”. Ele pretendeu explicar as injustiças inerentes ao sistema capitalista no que se refere ao sector agrícola, fazendo a analogia de que a classe alta recebe o creme, a classe média assegura o leite integral e os agricultores e trabalhadores industriais obtêm uma substância aquosa que mal se assemelha a leite. Assim, os primeiros defendem que o caminho do futuro é o da obediência, sem queixumes, sem lamentos, sob liderança forte que separa “preguiçosos autocentrados” dos “descomplexados competitivos”. País que esquece o seu povo e o envia para os corredores da imigração, ou o confina às ruas da pobreza e da exclusão, não tem futuro. E por isso será o povo que irá traçar o seu próprio caminho, e com isso o seu futuro, enquanto povo e enquanto país. Pedro Ventura PCP de Sintra Pub


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