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15. Agosto 2013 Correio Luso, Hammer Str. 286 • Münster | www.correioluso.com | Mail: info@correioluso.de | Tel: 0251 9874726 | Fax: 0251 9874725

JOSÉ AZEVEDO, UM PORTUGUÊS VIRADO PARA AS SUAS RAÍZES E PARA O ASSOCIATIVISMO José Azevedo, casado e pai de 3 filhos, é filho de pais portugueses e veio para a Alemanha em 1967, país em que sempre se sentiu integrado, mas que nunca o fez esquecer as suas raízes. Enquanto criança acompanhou sempre o seu pai quando este ia ao Centro Português. Como jovem assumiu responsabilidades no Centro. A frequência de um “Gymnasium” português e alemão permitiu que os seus alicerces da língua e cultura portuguesas se enraizassem. Trabalha para a Telekom, onde exerce as funções de Gestor de Integração na área do desenvolvimento de software. José Azevedo é um cidadão muito ativo que desempenha diversas funções na cidade de Rheine. Foi com muito orgulho que José Azevedo nos falou da recente inauguração do primeiro campo de relva sintético da cidade de Rheine. “Muitos clubes têm campos deste tipo e no inverno as nossas probabilidades de treinar eram muito limitadas. A construção do campo não foi fácil uma vez que envolvia mais de meio milhão de euros. No entanto, esta construção tornou-se possível devido à cooperação e colaboração entre os diversos clubes existentes e a federação das associações da cidade. Foi assim que José Azevedo considerou este projeto “um projeto de sucesso para a cidade, dos clubes e para os clubes”. Assim, se o projeto corresponder às expectativas, no futuro poderá surgir um outro campo. Uma das funções que desempenha está estritamente ligado à colaboração com os clubes bem como com às medidas a eles destinadas. Esta cooperação determina em grande parte a agenda da Comissão Desportiva. “Foi assim que no último ano alcançámos muito. Conseguimos resolver o problema de saneamento de muitos clubes.” Como membro do Conselho de Integração, cuja política comunitária e função de aconselhamento são de extrema importância, José Azevedo concluiu que há grupos que estão muito bem integrados e que há sempre novos grupos que representam um verdadeiro desafio para a sociedade. “Nós tentamos aproximar pessoas de outras culturas entre si bem

como da cultura alemã. Já conseguimos juntar grupos que provavelmente nunca se teriam juntado.” No que concerne o seu papel como membro ativo do “A. P. Rheine”, José Azevedo diz que o clube, que venceu o prémio de integração em 2009, é muito conhecido nesta cidade e nos arredores há já muitos anos. O nosso conselho de administração, no início dos anos 80, uniu o Portu Rheine ao FLVW. Desde então o clube é composto por jogadores portugueses, bem como por jogadores de outras nacionalidades. Durante a agradável conversa que tivemos com José Azevedo ainda foi abordado o 50.º aniversário da presença de portugueses na Alemanha que se comemorará em 2014. Constata-se que estes atingiram já a 3.ª geração neste país. Verifica-se que os centros portugueses, que em tempos eram verdadeiros pontos de encontro da comunidade, têm vindo a “morrer”. Para José Azevedo, estes centros têm a sua vida dificultada, pois os seus membros ativos mais velhos estão a retirarse e os mais novos não os substituem. “Os centros têm de se adaptar e investir nos jovens. Só assim há esperança. Ainda há pouco tempo, no mês de junho, assisti a uma festa em Rheine, em que estavam tantos jovens portugueses oriundos de Rheine e não só, que espero que sejam eles a vir a dar vida aos centros. Com boas ideias e iniciativas adequadas, poderá inverter-se este “abandono” dos centros e reaproximar os jovens das suas origens. Há que preservar a nossa cultura pois ela representa um enriquecimento para cada um e para a própria sociedade.”

Neusa Sobrinho Amtsfeld artista plástica

Nesta edição do Correio Luso fique a conhecer Neusa Sobrinho Amtsfeld, artista plástica, professora e tradutora intérprete, numa excelente entrevista que revela a alma desta nossa artista e a relação com as suas criações. Neusa Amtsfeld é oriunda de Murça e descendente de luso-brasileiros. Abriunos as suas portas para nos falar de si, das suas origens, de quando e como começou a pintar, das suas obras e dos sentimentos que a dominam e a invadem enquanto artista. Assim, revela-nos uma personalidade muito amável, justa, muito transparente, muito solidária e muito sensível, que liberta a sua alma quando procede às suas criações. Como afirma: “São muitos os sentimentos que me invadem. Sobretudo os da minha infância. A pintura leva-me sempre a esse lugar perpétuo, aos serões dos longos invernos, às férias de Verão, a dois tios, irmãos da minha mãe que eram professores num liceu em Malange (Angola). Eles fala¬vam de África, do navio em que vinham e onde paravam, sobretudo falavam de “Las Palmas” e faziam-me sonhar. Um dia, trouxeram-me uma linda boneca quer era uma atração para todas as outras crianças, que me invejavam, e eu inveja¬va-as ainda mais por terem uma boneca de trapos, achava-as ainda mais lindas do que a minha que abria e fechava os olhos e dizia “papá e mamã”… foi assim que surgiram as minhas bailarinas que fiz para uma instalação no museu de Lamego.” Leia toda a conversa entre o Correio Luso e a nossa artista plástica na página 6 desta edição.

Os deuses devem estar loucos? Portugal vive uma instabilidade a todos os níveis, que não é apenas uma crise económico-financeira. Assistimos a uma verdadeira crise de valores e, consequentemente, a imagem do nosso país está a ser seriamente manchada devido a atos irresponsáveis de algumas figuras políticas. Iniciamos o mês de julho com o pedido de demissão do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, através de uma carta de demissão que causou uma enorme instabilidade política uma vez que esta atitude fez transparecer a crise na coligação PSD/CDS-PP. Este ato causou perdas

financeiras gravíssimas para Portugal que terão de ser pagas pelo comum contribuinte, mas por outro lado levou à promoção de Paulo Portas, que passou a ser Vice-Primeiro Ministro. Perante este cenário dantesco, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva propôs a formação de um governo de salvação nacional que reunisse o PSD, o CDS-PP e o PS bem como eleições em junho de 2014. Os representantes destes partidos reuniram durante uma semana e o resultado foi aquele que muitos esperavam: não houve acordo! Após o “desacordo” assistimos à sétima alteração à com-

posição do executivo do governo, governo este que tem apenas vinte e cinco meses de legislatura. E… curiosamente, o atual governo passou, repentinamente, a ter todas as condições para governar. É assim que não só se empata, se perde tempo e dinheiro em Portugal, mas também se denigre a nossa imagem no exterior. A atualidade nacional deixa o comum português perplexo! E uma vez que não há nenhum responsável por toda esta situação em que Portugal se encontra, será que os deuses devem estar loucos?


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Governo trata-nos por TUGAS! As verdadeiras políticas dirigidas a um terço da população portuguesa reduzem se ao corte de representações consulares, obrigando assim 5 milhões de portugueses a percorrerem centenas ou milhares de quilómetros para requererem um simples cartão de cidadão. É, infelizmente, a conclusão que se pode retirar do que se tem sido obrigado a assistir. Há quatro deputados eleitos para defender os legítimos interesses de quem foi obrigado (ou não) a fugir do seu país, tentando assim escapar à fome, e depois é confrontado com Consulados que não conseguem dar vazão à afluência, sendo por vezes necessário recorrer a várias deslocações para se conseguir obter o simples cartão de cidadão ou outro documento. Dos quatro deputados, pouco ou nada se tem visto. Uns defendem o indefensável e outros fazem a oposição da praxe. Passado um mandato troca-se de equipamento, e quem defendia passou a fazer oposição e vice-versa. Assim, vão passando os anos e os “tugas” vão aguentando, claro. Este governo, para ser diferente dos anteriores, até conseguiu ir mais longe, violando a

Constituição da República Portuguesa. Fê-lo não apenas sempre que apresentou o Orçamento de Estado, [mas foi obrigado a corrigi-lo por força do Tribunal Constitucional], mas também violou a Constituição ao criar uma propina e assim condicionar a aprendizagem da língua e cultura portuguesas. Assim, este governo deu um sinal vivo a mais de 5 milhões de Portugueses residentes no estrangeiro de que, para este governo não se aplica a Constituição a quem vive fora de Portugal! Passámos, de um momento para o outro, a portugueses sem direitos constitucionais ou seja, somos uns “tugas”… Assistimos a tudo isto e muito mais e o Tribunal Constitucional nada disse até hoje, talvez por ninguém ter interposto uma ação em Tribunal… O que se acaba por constatar é que, nós os que vivemos no estrangeiro temos de nos defender desta gente desgovernada, cujo único objetivo é governar-se a si mesmo e não em legítima defesa de Portugal e do seu povo, quer este resida em Portugal ou no estrangeiro. R. Branco

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EDITORIAL Este nosso primeiro editorial prende-se ao nascimento do Correio Luso. O Correio Luso surge numa época em que Portugal está a assistir a um novo surto de emigração devido à situação económico-financeira em que o país se encontra e que força as pessoas a abandonarem o país que tanto amam e onde preferiam ficar. Os portugueses residentes fora de Portugal representam cerca de um terço da totalidade da população portuguesa. São pessoas que amam e respeitam o seu país e que não escondem mas honram as suas raízes e que se preocupam com o seu país, independentemente da distância que os separa do mesmo. Hoje em dia, e graças às novas tecnologias de informação e de comunicação todos nós temos todo o tipo de informação muito mais acessível, no entanto, pouco se tem vindo a fazer para dar a conhecer todo o tipo de trabalho realizado pela comunidade portuguesa em todo o mundo. As publicações que até agora existiam estavam mais ligadas à comunidade portuguesa residente num determinado país. Assim, o Correio Luso pretende ser um instrumento de aproximação entre a comunidade portuguesa residente em todo o

A Propina e o EPE: Dez ideias para discutir!

Alfredo Stoffel, conselheiro do CCP, levanta 10 questões muito pertinentes no que concerne o Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) numa altura em que a comunidade Portuguesa sente que o governo está de costas viradas para os filhos dos Portugueses que têm o direito assegurado pela Constituição da República Portuguesa e querem continuar a aprender língua e cultura portuguesas. Considerando que: 1: A propina de 100 euros é um imposto suplementar mal disfarçado e contraria o texto constitucional de forma insofismável. A constituição garante o ensino da língua e da cultura portuguesa aos filhos dos emigrantes (ponto 1 e alínea i do ponto 2 do artigo74). 2: Esta propina é tanto mais reprovável quanto maior é o número de portugueses a emigrar, sendo assim cada vez maior a exclusão dos filhos dos emigrantes. 3: A propina foi lançada ao arrepio de todos os mecanismos democráticos, nomeadamente os de democracia directa com participação das Comissões e Associações de Pais, do Conselho das Comunidades e dos Sindicatos de Professores. O Governo despreza ou ignora estas organizações democraticamente constituídas. 4: A propina surge no fim de muitos anos de políticas de sucessivos governos caracterizados pela desorçamentação crescente e da desresponsabilização do Estado pela res publica/ causa pública. 5: A propina é mais um passo que tenderá a médio prazo conduzir o Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) e os cursos de Língua e Cultura Portuguesas (LCP) para o sector privado e para a sua privatização

“A gaiola dourada” Uma homenagem à comunidade portuguesa emigrada em França Estreou no passado dia 1 de agosto, nas salas de cinema portuguesas, o filme do cineasta e lusodescendente Ruben Alves, que presta uma homenagem à comunidade portuguesa emigrada em França. Segundo Ruben Alves, esta “comédia à portuguesa” é o resultado de “trinta anos de observação” dos pais e familiares que rodearam o cineasta. “É tempo de homenagear estas pessoas todas que fugiram do país, foram trabalhar para fora e lutar pela vida”. Este filme retrata um casal de emigrantes que está em França há 30 anos. A mulher, porteira, e o marido, trabalhador da construção civil, são interpretados, por Rita Blanco e Joaquim de Almeida, respetivamente. Segundo a atriz, o enredo “toca muito os portugueses. Faço de uma mulher que foi viver para França muito cedo e que teve que se fazer à vida. Foi porteira e, tal como muitos portugueses naquela época, tiveram de lutar muito para sobreviver.” O elenco conta ainda com os atores Maria Vieira, Chantal

6: Com a propina mercantiliza-se a relação das estruturas do ensino com os alunos e o “livro único” regressa em força. Os alunos cujos pais tenham fracos recursos, serão as primeiras vítimas de exclusão dos cursos de Língua e Cultura Portuguesa. 7: O maior capital de um país é constituído por pessoas e pela sua qualidade. Sem instrução nem cultura são as próprias Comunidades que estão em risco com graves prejuízos para Portugal. Os emigrantes continuam a ser, com as remessas que enviam para o país, um dos pilares mais importantes do financiamento da economia. E, no caso do ensino, não pedem uma esmola, antes e apenas exigem o respeito pela Constituição da República e a garantia dos seus direitos; por fim também pelo contributo que, com as suas remessas, dão para a estabilização da economia. 8: Sem língua e cultura portuguesas, sem o ensino da língua portuguesa como língua materna (ou identitária), é a própria identidade lusa que se esvai. E cidadãos que possuam apenas o passaporte português, mas desconheçam a língua, a cultura e a realidade portuguesa, dificilmente poderão participar de forma consciente na vida democrática do país. 9: Devemos exigir a abolição da propina, mais verbas para o EPE e para os cursos de LCP, uma rede de ensino apoiada por uma rede consular de proximidade, tal como a realidade o exige. Devemos exigir o respeito pela classe docente e pelo trabalho por eles desenvolvido em prol de Portugal, da sua língua e da sua cultura. 10: Deve-se solicitar aos partidos politicos com assento na Assembleia da República que discutam este assunto de magno interesse com a maxima objectividade e tirem as devidas conclusões no sentido da salvaguarda dos direitos das Comunidades e seus filhos que são de sumo interesse da pátria portuguesa.

Lauby, Roland Giraud, Bárbara Cabrita, Jean Pierre Martins, Lannick Gautry, Jaqueline Corado Silva, Nicole Croisille, Alice Isaaz e Alex Alves Pereira. “A gaiola dourada” já estreou em países como a Bélgica, a Hungria e França. De acordo com o site de dados estatísticos Internet Movie Data Base (IMDb), o filme somou perto de 1,2 milhões de espetadores em cerca de seis semanas. A estreia alemã deste filme está prevista para 29 de agosto, com o título “Portugal, mon amour”.

mundo, dando-a a conhecer a nível global. O Correio Luso conta com a colaboração de jornalistas na Emigração e de todos aqueles que, de alguma forma, se sentem motivados a colaborar para que haja uma maior comunicação de informação para as Comunidades Portuguesas. O Correio Luso é um jornal on-line gratuito, que servirá toda a comunidade portuguesa, fazendo-lhes chegar, também, informações sobre a atualidade em Portugal, e divulgará ainda artigos de opinião e outras informações de interesse para os seus leitores.


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Bruno Alves e os “Segura-te”

Quanto ao repertório do grupo musical “Segura-te”, que atua não só em bailes e arraiais, mas também em feiras para empresas alemãs e festas das cidades, este dá sempre o principal destaque à música de língua Portuguesa, para além dos temas de música Africana, Espanhola Bruno Lívio Machado Alves, nasceu em e Latina, mas derivada à diversidade cultural e Greven (NRW) na Alemanha a 6 de janeiro etária presente nas atuações deste grupo, tamde 1979, é filho de pais portugueses oriundos bém há música alemã e música internacional de Lisboa e das Caldas da Rainha. Cresceu dos “Charts”. É com muito orgulho que Bruno na cidade de Greven onde frequentou a “Re- Alves afirma que “os jovens Portugueses que alschule”, depois frequentou as “Wirtschafts- assistem e participam nas festas que o grupo schulen” em Steinfurt/Emsdetten, tendo musical “Segura-te” anima, conhecem as acabado por se músicas Portuformar como guesas! É maraprofissional na vilhoso ouvi-los área de hotecantar na língua laria e posterido nosso país!” ormente como Como Portuprofissional de guês de alma e de funcionário adcoração também ministrativo/ Bruno Alves gostécnico comertaria que todos cial em Rosenfossem unidos, dahl/Coesfeld. “devemos valoriPresentemente zar a nossa língua trabalha para a e cultura, que inempresa Schmitz felizmente está Cargobull em cada vez menos Münster, a maior empresente e devemos valoContacte: 01520 1759633 presa de construção de rizar o que temos. Gossegurate@web.de reboques na Europa, taria que a minha filha cuja sede se situa em viesse a ter um ambiente Horstmar. Bruno adora a sua filha de dois anos Português na Alemanha e não apenas nas de idade, o convívio com amigos, os seus ani- férias. Aliás, ela adora ir ao Centro Português, mais, futebol , a seleção Portuguesa e, claro, mesmo sendo “meia alemã”. Devemos valoadora música. rizar e não criticar o trabalho voluntário feito Bruno Alves é membro do grupo pelos Portugueses nas Comunidades e transmusical “Segura-te”, que acabou por surgir mitir este espírito às camadas mais jovens. “Inapós o pedido de um favor de um Restaurante felizmente, o associativismo nos últimos anos Português em Münster, que quis “à força” sofreu grandes dificuldades e muitos centros fazer uma Passagem de Ano em 2009. Naquela e associações Portugueses encerraram as suas altura as duas coletividades estavam fecha- portas. Ultimamente nota-se com novos temas das naquele dia e assim pensou-se em fazer e iniciativas de discotecas como por exemplo algo. Como o Bruno ainda era conhecido da Destination, que a juventude Portuguesa, que antiga Banda “Arte e Música” de Osnabrück, já pertence à terceira ou à quarta geração ganperguntaram-lhe se não poderia desenvencil- hou gosto e se une mais que antes, e se torna har a situação naquele dia. E depois de dois ainda mais Portuguesa. Segundo Bruno Alves, dias a pensar acedeu ao convite. A partir daí, “foram jovens Portugueses a incentivarem o grupo musical tem vindo sempre a crescer. estas festas, salvo erro a primeira foi a SensaEm Março de 2010, a cantora Raphaela An- tion de Paulo Gomes, que infelizmente parece drade, de Borghorst, juntou-se ao grupo e mais já não existir, e claro a Destination de Dj Crutarde foi a vez de Gabriel Bispo, de Rodde. zito e Filipe Santos Couto que têm feito um Assim, a partir do duo “Segura-te”, surgiu o bom trabalho em termos de união dos Jovens grupo musical “Segura-te”. Atualmente tam- da terceira e da quarta gerações. Mas o que bém a cantora Janina Ribeiro, de Gronau Epe, me deixa ainda mais feliz é que essa ideia ine o baterista Jürgen Hintz (de nacionalidade centivou alguns Centros para terem iniciativas alemã) que veio substituir o Gabriel, e José do género, como aconteceu no Centro de OsMiguel Santos Cruz, de Münster, fazem parte nabrück, no Centro de Nordhorn, na Associadeste grupo. ção em Gelsenkirchen, em Hamburg, na UDP O grupo musical “Segura-te” atua não só em Mainz, entre outros. Deveriam ser criados pela Alemanha (de Münster a Erfurt e de Ham- ambientes em que se misturam uma noite de burgo a Reutlingen), mas também pela Europa Kuduro com uma noite de Baile na presença de fora (Suíça, França Holanda e Luxemburgo) um artista de Portugal. Assim teríamos todas e faz entre 40 a 50 atuações por ano, “um as idades juntas numa só festa, algo que já tem número com o qual estamos bastante satisfei- havido ultimamente e tem Futuro!” tos”, afirma Bruno Alves.

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Aproximamos os jovens Portugueses da língua e cultura Portuguesas através da música

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As remessas dos emigrantes Há mais dinheiro a entrar do que a sair de Portugal Segundo o boletim estatístico do Banco de Portugal, divulgado a 18 de julho, nos primeiros cinco meses deste ano, as remessas dos emigrantes subiram 9,12%, chegando aos 1,14 mil milhões de euros. Os trabalhadores portugueses nos países da União Europeia enviaram 661 milhões de euros de janeiro a maio deste ano, representando uma subida de 9,2% quando comparado com o mesmo período de 2012. A França e a Suíça são os países cujos emigrantes mais dinheiro enviaram para Portugal durante o mês de maio: 76,8 milhões e 53 milhões de euros, respetivamente. Observando as entradas e saídas de dinheiro por parte dos emigrantes e imigrantes

portugueses, constata-se que os emigrantes portugueses no estrangeiro enviaram para Portugal 1,14 mil milhões de euros, enquanto 211 milhões de euros foram enviados para fora de Portugal, o que representa uma descida de 1,4% face aos 214 milhões enviados nos primeiros cinco meses de 2012. Verifica-se assim que há muito mais dinheiro a entrar do que a sair de Portugal. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, acredita que também este ano, à semelhança do que aconteceu o ano passado, deve ocorrer um aumento das remessas financeiras dos emigrantes.


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Portugal e o 25 de Abril

quistas para Portugal, pois pôs fim à guerra colonial e acabou com o colonialismo, instituiu uma democracia política e liquidou o capitalismo monopolista de Estado; criou condições para transformações profundas no campo económico, social e cultural e promoveu a igualdade dos direitos entre o homem e a mulher, assim como dos jovens; melhorou as condições de vida do povo com a instituição do salário mínimo nacional, as pensões e reformas, o direito à segurança social; o direito a 30 dias de férias, ao subsídio de férias e ao 13.º mês; o direito à licença de parto, à redução do horário de trabalho, à protecção no desemprego bem como ao reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos. Foram ainda realizadas grandes transformações progressistas no ensino, na saúde, na cultura, no desporto e no ambiente.

Por ocasião da festa dos cravos do PCP, comemorada a 6 de Julho de 2013 em Leverkusen, Alfredo Stoffel reflecte sobre o 25 de Abril de 1974 e a actualidade A Revolução de Abril ou dos Cravos em 25 de Abril de 1974 é uma das datas mais importantes da História de Portugal. Foi uma afirmação da vontade popular, um grande gesto de liberdade, uma exigência de emancipação social e uma verdadeira proclamação de soberania e de independência nacional que culminou numa luta heroica dos trabalhadores e do povo, pondo fim a meio século de ditadura fascista em Portugal e a quase cinco séculos de colonialismo em várias partes da África. Foi um período célebre marcado pelo progresso social, económico, político e cultural com imensas conquistas como as nacionalizações de sectores – chave da indústria, dos transportes e a REFORMA AGRÁRIA no sul do país, entre outras realizações. Muitas conquistas foram destruídas pelos inimigos de classe, outras continuam a ser uma referência no presente e no futuro de Portugal, país democrático. A ditadura fascista era um Estado de muitas polícias (PSP, GNR, GF, GNR-BT, Legião Portuguesa [força para-militar], PIDE/DGS, “bufos à paisana”) com espionagem do dia- a-dia dos portugueses, abrangendo todos os sectores da vida e privando o povo dos mais elementares direitos e liberdades. Era uma ditadura terrorista ao serviço do capital financeiro, industrial, comercial e agrário, sobretudo dos latifundiários, impulsionando a formação de monopólios, a concentração e centralização de capitais o que levou a um domínio de 90 grandes famílias, algumas entrelaçadas entre si por laços de família, enquanto o povo português e os povos das colónias viviam na mais horrenda miséria e falta de liberdade.

Assim, Portugal saiu do isolamento diplomático internacional em que se encontrava, abrindo caminho a uma política de paz, cooperação e amizade com todos os povos do mundo.

Com a guerra colonial durante cerca de 14 anos, foram sacrificadas milhares de vidas de jovens e centenas de milhares fugiram do país. Reinava a discriminação das mulheres e dos jovens, a fome crónica e a subalimentação de grande parte do povo e, o obscurantismo e o analfabetismo eram lei. A sociedade portuguesa encontrava-se profundamente degradada e desmoralizada. A ditadura fascista em Portugal colaborou com o Franquismo, com a Alemanha nazi e a Itália fascista. Era um regime dominado pela tónica do anti-comunismo e um fiel aliado do imperialismo. O 25 de Abril restaurou as liberdades. Restaurou a liberdade sindical, o direito ao contrato colectivo de trabalho, à greve, ao controlo operário de gestão e à colaboração na elaboração da legislação laboral. Este marco histórico trouxe outras con-

As últimas semanas em Portugal

As demissões de Vítor Gaspar e a “demissão irrevogável” de Paulo Portas O mês de julho foi marcado por um panorama negro para Portugal que começou com as demissões de Vítor Gaspar de Ministro de Estado e das Finanças, no dia 1 de julho, e de Paulo Portas de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no dia seguinte. Este último desencadeou uma verdadeira crise política em Portugal. Numa carta, Vítor Gaspar explicou que pediu para sair do Governo pela primeira vez há oito meses. O ex-ministro diz que a falta de “mandato claro” para concluir atempadamente a sétima avaliação da ‘troika’ não lhe permitia continuar no cargo. A Presidência da República confirmou a demissão de Gaspar e anunciou a substituição por Maria Luís Albuquerque, então secretária de Estado do Tesouro. O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, anunciou a sua demissão por discordar da escolha de Maria Luís Albuquerque, “por esta significar uma continuidade das políticas”. Numa declaração ao país, Pedro Passos Coelho, afirmou que não aceitou a demissão

A partir do golpe de 25 de Novembro de 1975, a “reacção interna” apoiada pela “reacção internacional” tem destruído grandes conquistas dessa Revolução pacífica onde durante algum tempo “...o povo era quem mais ordenava” para citar um verso “adaptado” da canção Grândola Vila Morena. Hoje somos um protectorado da troika externa (FMI / UE / BCE) com o seu aliado interno, a troika nacional dos três partidos que assinaram o Memorando de Entendimento: o PS, o PSD e o CDS-PP. O povo continua a luta e ainda a 27 de Junho recente a greve geral paralisou o país a mais de 90 %. Só pela luta contínua, organizada e perseverante se conseguirão travar as injustiças que se estão a fazer em Portugal. Vastas camadas sociais vêem hoje postos em causa muitos dos seus direitos. Há que sair da crise de austeridade em que o país mergulhou e que paga juros agiotas para refinanciar a economia, uma economia em que sucessivos activos do Estado vão sendo privatizados, alienados ao capital estrangeiro e os passivos são sempre socializados para que os lucros dos bancos e banqueiros aumentem.

A OPINIÃO DE:

MANUEL CORREIA DA SILVA A CREDIBILIDADE – O ÚNICO BEM QUE SÓ DEPENDE DO PRÓPRIO!

de Paulo Portas. Assim, Paulo Portas foi mandatado para reunir com o líder do PSD, Passos Coelho, para que encontrassem “uma solução viável para a governação em Portugal”. Na sequência destes acontecimentos, Paulo Portas continuou no Governo, agora como vicePrimeiro-Ministro, com responsabilidades na coordenação económica, reforma do Estado e contacto com a “troika” e, Maria Luís Albuquerque mantém-se ministra das Finanças.

Terminou o prazo de apresentação das candidaturas às eleições autárquicas. Muitos candidatos já foram Presidentes de Câmara e não se podem candidatar, pois a lei 46/2005, de 29 de Agosto, não o permite, assim pensávamos. Foi essa a intenção da maioria que aprovou a Lei na Assembleia da República. Todos sabem, até o analfabeto! Como a credibilidade é o que menos importa para muitos daqueles que gostam de ver as suas imagens na comunicação social, tudo fizeram para se candidatarem a outras câmaras. Encontraram a diferença entre o “de” e o “da”, entupiram os Tribunais com processos, fizeram os Tribunais atrasarem outros processos, talvez importantes para os cidadãos ou as empresas em Portugal, para brincarem ao “de” e ao “da”. Segundo a lei 46/2005 são três o número limite de mandatos que o presidente de câmara

pode exercer, se no tempo forem consecutivos, isto é, todos seguidos, sucessivos, sem interpolações. Não importa se é Presidente na Câmara A ou na B, mas sim se foi, por três vezes três vezes, sucessivas e sem interpolações, Presidente de Câmara. Vejamos o seguinte paralelo: um aluno poder-se-á matricular durante os três anos do seu Bacharelato em Direito em uma, duas ou três universidades públicas. Sendo que relevante para o curriculum é a conclusão do curso, preste ele as provas em uma, duas ou três universidades. Mas uma vez concluído, já não poderá voltar a inscrever-se no 1º ano. Entristece-me ver com que à-vontade tudo se faz e já não me surpreende que o número daqueles que investem uma hora do seu tempo para se dirigirem às urnas esteja em queda livre. Desistiram de acreditar….. Qualquer pessoa, desde o cidadão comum ao detentor de cargo público, só tem um bem que depende de si mesmo: a sua credibilidade. Este comportamento, esta brincadeira, a “violação” da Lei 46/2005, em nada favorece um Estado e a credibilidade das sua Instituições, mas fomenta a desconfiança nos servidores do Estado.

EMPOSSADOS [NOVOS] MINISTROS

O Presidente da República, Cavaco Silva, conferiu posse aos novos Ministros, em cerimónia realizada no Palácio de Belém.

Paulo Portas

Rui Machete

António Pires de Lima

Vice-Primeiro-Ministro

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Ministro da Economia

Jorge Moreira da Silva

Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia

Pedro Mota Soares Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social


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Alfredo Stoffel, Conselheiro CCP Entrevista exclusiva: Alfredo Stoffel: “Há no entanto uma verdade que não podemos ignorar: o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas quase que se nega a encontrar-se connosco”. Entrevistámos Alfredo Stoffel, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), sobre algumas questões relativas a este órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à Emigração e às Comunidades Portuguesas. Na Alemanha, a secção local do CCP é constituída pelos Conselheiros Alfredo Cardoso, José Eduardo, Piedade Frias, Fernando Genro e Alfredo Stoffel (AS), eleitos pela Comunidade Portuguesa, com funções e áreas de atividade definidas de comum acordo. 1: Portal Comunidade Alemanha: As eleições para o CCP deviam ter decorrido em 2012. Estamos em Junho de 2013 e as mesmas nao tiveram lugar. Pode explicar porquê? AS: Porque quem tem a competência para o fazer não o fez. Aqui neste caso deveria ser o responsável pela tutela (Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE)/Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP) ou o CP do CCP a convocar eleições; sabe que em Portugal se fazem muitas coisas em “cima do joelho” e esta é mais uma dessas situações. Permita-me no entanto dizer que antes de convocar novas eleições deveria estar aprovada uma nova lei para o CCP. A actual lei é uma lei com muitas lacunas, não está virada para o encontro com as comunidades, mas sim para uma ���estrutura de cúpula”, onde só está previsto o encontro com os diplomatas, com os deputados da Assembleia da República (AR), com os técnicos da embaixada ou dos consulados-gerais. A comunidade não está vista nem achada nesta na actual lei; um enorme erro que na altura já foi discutido com alguma controvérsia, mas que o anterior governo pura e simplesmente ignorou. O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP) apresentou ao CP-CCP algumas propostas de alteração à actual lei, um pouco idêntica à penúltima, com Conselhos Regionais e Conselhos de País. Considero um CCP com uma estrutura do tipo Conselho de País, Conselho Regional e Conselho Permanente mais próximo das comunidades. A actual lei tem que ser revista com o fim de alterar a estrutura do CCP e também com o fim de lhe dar uma autonomia financeira, coisa que neste momento não existe. 2: Portal Comunidade Alemanha: O facto de estas eleições não se terem realizado, prejudica a comunidade Portuguesa? AS: Em parte sim, motivado pela própria lei. Considerando que actualmente não estão previstos contactos regulares com a comunidade, a lei actual é por si mesma a causa que prejudica a comunidade, não a actividade dos conselheiros. Por isso acho que se deve exigir ao SECP a alteração da actual lei e depois de imediato novas eleições. Exigir eleições para um novo CCP debaixo do regime jurídico actual não faz sentido poque sabemos que não funciona. Neste momento o CCP está ainda em funções, mesmo que o SECP se esqueça que ele existe... ou algumas pessoas o queiram dar como morto... 3: Portal Comunidade Alemanha: José Cesário chegou a admitir a possibilidade de reduzir a composição do número de elementos do CCP. Qual é a sua opinião sobre esta matéria? AS: Penso que o número só é discutível a partir do momento em que se sabe a chave de distribuição por continente e por país. Mais importante que o número é a própria qualidade dos Conselheiros. Querem estes na verdade defender os interesses das comunidades que os elegeram e fazer do CCP um polo reivin-

dicativo para as Comunidades ou querem só o “estatuto e mais tarde receber uma comenda”? Acho muito importante que o Conselheiro tenha um espírito crítico e que, mesmo “remando contra a maré” tenha a capacidade e a postura para dizer quando as coisas estão bem ou mal feitas. 4: Portal Comunidade Alemanha: Podemos afirmar que o governo está “de costas viradas” para o CCP, mas o CCP parece também estar de costas viradas para a Comunidade. Refiro-me por exemplo às permanências consulares. O governo fechou Consulados e anunciou as permanências consulares como sendo a grande solução. Passados poucos meses acabou praticamente com as mesmas e já poucas se realizam. O CCP ficou calado, como tem estado nos últimos anos. Pode explicar este silêncio? AS: Não é assim tão linear como diz. Vamos falar da Alemanha que é neste momento o que mais nos interessa. Nós estivemos envolvidos na luta pela manutenção dos Vice-Consulados de Frankfurt am Main e de Osnabrück; estive em Portugal quando a petição foi entregue na AR. Fui muito crítico em relação ao encerramento dos Vice-Consulados e em relação a Osnabrück mantive contactos com responsáveis da Câmara de Osnabrück com a finalidade destes viabilizarem um espaço para uma estrutura da diplomacia portuguesa. Informei o SECP, o Embaixador e o Cônsul-Geral; mas a decisão de encerrar já estava tomada... Com respeito às Permanências Consulares temos que reconhecer que são uma mais valia para a Comunidade, mas também aqui questionamos o seu financiamento e a sobrecarga de trabalho para os funcionários dos Consulados–Gerais; também nesta matéria fomos críticos classificando por vezes as permanências como uma “maçã podre” oferecida pelo SECP. Deixe-nos falar do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) e do envolvimento dos Conselheiros na matéria do ensino, a Língua Portuguesa como língua identitária e contra a propina. Também sobre esta matéria foi entregue uma petição na AR (em 28 de Maio). Esta petição, com aproximadamente 4400 assinaturas foi aceite e tem o número 266/XII/2ª. Sobre os temas referidos há documentação escrita, há tomadas de posição e há um contacto estreito da nossa parte com outras estruturas saídas do seio da comunidade. Às vezes os jornais que circulam na emigração não mencionam estas actividades do CCP; talvez por lapso ou talvez por acharem que estes temas não têm valor jornalístico (por exemplo: sobre a petição contra a propina ninguém deu notícia! Será que não é um tema importante?). Portanto deixe-me dizer: O CCP não está de costas para a Comunidade, muito pelo contrário – nós fazemos trabalho, com mais ou menos projecção, mas não nos pomos em bicos de pés, “vaidosos e cacarejando” dizendo o que fizemos. Talvez seja

por isso que agora há muito boa gente a aconselhar a nossa demissão ou a insistir para que estejamos calados e sem opinião; essas pessoas só falam para não estarem caladas, para desprestigiar ou caluniar; portanto para quê dar ouvidos? 5: Portal Comunidade Alemanha: O CCP é um órgão de consulta do governo. Pode-nos dizer se o atual governo alguma vez consultou o CCP e, caso afirmativo, sobre que assunto(s)? AS: Não, não houve uma consulta directa! Mas nós falamos com o SECP e com as pessoas com quem mantivemos contactos sobre aquilo que nos interessava, independentemente se eles nos questionavam ou não. No MNE / na AR / nas Comissões da AR / no IC demos a nossa opinião, mesmo quando nada nos perguntavam, mas nós tínhamos as nossas coisas para dizer... Os principais temas foram o EPE, a rede consular, o associativismo e a participação cívica. 6: Portal Comunidade Alemanha: Há quem defenda que a existência do CCP já não se justifica por “Deixar de ser um incómodo ao poder e um órgão de emigração tem de ser incómodo”. Como interpreta esta afirmação de José Machado? AS: É a opinião de uma pessoa que foi do CCP e teve um lugar de destaque; teve o seu tempo e a sua vivência o resto ou qualquer coisa que se diga é só para levantar polémica. 7: Portal Comunidade Alemanha: O Secretário de Estado Dr. José Cesário já viajou aproximadamente 80 vezes em apenas 19 meses. Deslocou-se recentemente à Alemanha para entregar uma dúzia de livros a uma coletividade, enquanto os Consulados cancelaram ou diminuíram o número das presenças consulares. O CCP nada diz. O que diz o conselheiro Alfredo Stoffel? AS: O CCP nada diz? Acho que é um erro de interpretação! Que o SECP venha à Alemanha e ande a fazer de caixeiro viajante, isso é mais um polimento de imagem do que outra coisa; se ele se sente bem nessa qualidade, então que assim seja. Há no entanto uma verdade que não podemos ignorar: o SECP quase que se nega a encontrar-se connosco; ou sabemos da visita dele em cima da hora sendo impossível agendar um encontro, ou só sabemos da passagem dele pela Alemanha depois de ele se ter ido embora (como no caso da visita à colectividade). Agora com seriedade! Avisamos com muita antecedência para a problemática das permanências consulares. Abordamos o tema pelo lado humano e pelo lado financeiro. Assim que as permanências consulares foram anunciadas levantou-se logo a questão dos recursos humanos e do próprio financiamento das mesmas. Na altura fui bastante criticado, mas também houve quem nos bastidores me tenha dado razão. As permanências consulares foram um cavalo de batalha do MNE e do SECP; é mais uma tentativa para ir ao encontro da Comunidade (que, deixe-me dizer, é uma coisa positiva) sem no entanto alguém ter a noção dos recursos humanos e das despesas que isso iria acarretar. A relação receita-despesa que deveria ter sido feita não foi tida em conta e por isso a diminuição das mesmas. 8: Portal Comunidade Alemanha: Os membros do CCP pouco ou nada têm feito para se fazerem ouvir, o governo usa e abusa do poder. Entende que faz sentido manter o CCP? Caso afirmativo vai voltar a candidatar-se? AS: Acho que sobre a primeira parte da pergunta já foi falado o suficiente. Sobre a segunda: Manter o CCP? Sim, acho que sim, mas de uma forma diferente. A estrutura deve ser de País e de Região. Mais importante são as afinidaddes culturais e linguísticas. O CCP é uma mais valia para a comunidade e por isso ela se devia rever nesse punhado de homens e mulheres que de uma forma altruísta defendem interesses dessa mesma comunidade. Voltar a candidatar-me? Sim, caso a lei seja alterada, o CCP tenha autonomia financeira e os Conselheiros possam também reunir com as Comunidades e não terem só por interlocutores os diplomatas ou deputados. Segundo o regime da actual lei: Não (Portal Comunidade Alemanha)

O exercício de voto O exercício de voto é uma das características fundamentais do regime democrático. Com efeito, no ato de votar exprime-se a soberania do povo, como pretende a democracia, e concretiza-se a igualdade entre todos os cidadãos, porquanto todos os votos têm exatamente o mesmo valor. Nem o voto do letrado vale mais do que o do analfabeto, nem o voto do rico vale mais do que o do pobre. Além disso, a votação é um ato livre, responsável e secreto. Cada um vota individualmente. E, se o faz obedecendo unicamente ao imperativo da sua consciência, pratica um ato nobre, não só isento de qualquer censura legal mas também digno de respeito e admiração. Pois dessa forma o votante está a assumir uma quota-parte da responsabilidade que lhe cabe na organização da sociedade e na definição dos valores subjacentes às decisões politicas que devem ser implementadas pelos órgãos de soberania. Manuel Correia da Silva Os pontos de vista políticos das Comunidades Portuguesas deverão ser defendidos com um elevado grau de responsabilidade por todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa residentes na Alemanha. Abster-se de votar equivale à omissão de um grave dever de participação. E como poderemos reivindicar direitos se nos abstivermos de cumprir os nossos deveres?

A Comunidade Portuguesa da Alemanha tem de tomar consciência de que a participação nos processos de decisão em matéria de comunidades portuguesas residentes no estrangeiro é uma responsabilidade sua. Por isso, nas próximas eleições ninguém, por leviandade, se deve abster de votar. No exercício da cidadania que a democracia consagra, o voto é estruturante e fundamental. Não votar é a rejeição do sistema democrático. Se ainda não está inscrito nos cadernos de Recenseamento Eleitoral deverá dirigir-se ao seu Consulado!l É gratuito e rápido. O boletim de voto ser-lhe-á enviado por via postal!


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À convesa com… Neusa Sobrinho Amtsfeld Tivemos o prazer de ter um diálogo interessante e frutífero com Neusa Sobrinho Amtsfeld. Correio Luso (CL): Fale-nos um pouco sobre si. Neusa Amtsfeld (NA): Nasci em Murça, a minha mãe é brasileira e o meu pai é português. Fui casada com um alemão. Casámos no Porto e foi ele o motivo de eu vir para a Alemanha. Tenho dois filhos: Dennis e Kyria. Presentemente trabalho na Mannheimer Abendakademie como docente para português do Brasil, Francês e Alemão como língua estrangeira. Trabalho também na Agência de Interpretação e Tradução Azazi como tradutora simultânea em Espanhol, Francês, Alemão e Português. Fiquei apenas com projetos que necessitem de mim como intérprete/assistente. CL: Em que altura da sua vida começou a libertar a sua veia artística? NA: Não sei bem quando foi. Em casa dos meus avós eu sonhava com um mundo que era para lá do que se me estendia quando me aproximava duma janela; simplesmente, porque a minha avó me lia contos da mitologia, e muitas e muitas histórias sobre deuses e heróis. Enquanto a minha avó me contava histórias, eu ia rodando um filme no ecrã da minha imaginação e, por mais curiosa que fosse, eu gostava muito de estar sozinha. Preferia os adultos a crianças, não gostava de brincar com elas, mas gostava sim de um José e de uma Maria, gente muito humilde, cujo coração batia em uníssono com a natureza. Foi com eles que aprendi a comtemplar a grandeza da vida, a glória da luz, a serenidade das montanhas de Trás-os-Montes, que ao pôr-do-sol, quer fosse no nevoeiro da aurora, ou na escuridão da noite, nada me faziam recear. Eu sabia que tinha os anjos comigo. Foi assim que surgiu a minha afinidade com os anjos. Mais tarde, uma irmã do meu pai, que era professora primária, levava-me com ela por temporadas para uma escola onde dava aulas numa aldeia. Eu adorava sentar-me numa carteira e, como não tinha que aprender, a minha tia dizia para eu desenhar, e eu desenhava, mas sei que ainda não tinha cinco anos e já lia muito bem e eu queria curiosamente ler o que a minha mãe lia pois a minha avó sempre lhe dizia para acabar com tais leituras... Foi assim, creio eu que se iniciou a minha “carreira” como pintora. Todavia, devo dizer que sempre senti em mim duas pessoas: a pintora que sou e o eu que eu preciso ser. Quando pinto, sinto-me a mergulhar cada vez mais no profundo mar de cristal, onde pertenço inteiramente, onde esqueço o mundo inteiro, vivendo durante o tempo que pinto a minha vida bela e maravilhosa. Deixo-me coroar de cores, são as minhas rosas sem espinhos. Porque são muitos os que tenho, e, ainda escondidos, bastante agudos na outra Neusa que sou…

uma criação sua, o que sente? NA: É sempre difícil separar-me de uma obra, se bem que me custa mais separar-me de umas do que de outras… Nem sempre custa quando se sabe quem as “adotou”, porque essa pessoa que se interessa, gosta dela. Eu penso que estão em CL: Quais são os tipos de sentimentos boas mãos. Muitas pessoas falam-me das que a invadem quando cria uma obra? obras, escrevem-me (tenho cartas maraNA: São muitos os sentimentos que me invadem. Sobretudo os da minha infância. vilhosas!) e dizem-me onde estão colocadas. Fico feliz e penso que foi bom deixáA pintura leva-me sempre a esse lugar las ir, não tenho o direito de guardá-las perpétuo, aos serões dos longos invernos, todas para mim. Numa exposição em às férias de Verão, a dois tios, irmãos da Kaiserslautern, na Fruchthalle, houve três minha mãe que eram professores num pessoas que, sem se conhecerem, queliceu em Malange (Angola). Eles falariam comprar o mesmo quadro. Fiquei vam de África, do navio em que vinham tão surpreendida que perguntei como e onde paravam, sobretudo falavam de era possível? Porque todos queríamos “Las Palmas” e faziam-me sonhar. Um o mesmo quadro, então chegamos a um dia, trouxeram-me uma linda boneca acordo de o pagarmos pelos três e um quer era uma atração para todas as outras tempo limitado fica com cada um de nós. crianças, que me invejavam, e eu invejaCurioso, não é?!... Curioso foi também va-as ainda mais por terem uma boneca que a minha filha, de cinco anos na época de trapos, achava-as ainda mais lindas do chorou ao saber que eu tinha vendido esse que a minha que abria e fechava os olhos quadro, ela própria intitulou-o de “Jardim e dizia “papá e mamã”… foi assim que surgiram as minhas bailarinas que fiz para Mágico” (escrevi sobre esse quadro, aliás inicia os temas do livro-catálogo que em uma instalação no museu de Lamego. breve gostaria de publicar). Teria muitas histórias para contar sobre a minha pinCL: Há fatores que a influenciam e a tura. Vendi os últimos três quadros a um levam a criar as suas obras de arte? português que mora na Alemanha e ainda NA: Não tenho fatores precisos que me há pouco tempo enviou-me 30 euros para levam a pintar: nem sempre consigo a minha conta para eu comprar um ramo pintar; há que sentir essa vontade que se de flores pela alegria que ele sente ao manifesta; a maioria das vezes que pinto ver os meus é precisamente, quadros… Um quando estou Recordo-me como se fosse hoje, outro casal triste ou me comprou-me sinto revoltada quando revelei aos meus pais que cinco quadros contra algo que queria ser pintora... Meu pai, quase mais de 25 é injusto, me lhe deu um ataque cardíaco... “Não há anos, mas ainda magoa, ou por causa de gente tens suficiente loucura, queres com- hoje me escrevem e no Natal que molesta a pletá-la”, respondeu me enviam humanidade. sempre um preSão muitas sente. Há uma relação de carinho entre as e muitas coisas que se comunicam no pessoas e eu, que se sentem na obrigação inconsciente do meu ser, uma espécie de de me falarem dos meus “filhinhos”... perceção que domina e define o que vejo e o que sinto. A pintura, quando é verdadeira paixão comunica-se num sentimento CL: Quando realizou a sua primeira exposição? singular de exaltação e paz, afasta, ainda NA: A primeira exposição que fiz, foi que seja por momentos, todos os males em Itália, em Messina, no atelier de que até ali me cercaram e à minha volta um grande Mestre com quem aprendi, tudo se torna amistoso. É algo de sensaSalvatore Grego, e para quem trabalhei cional e prodigioso que transborda da durante 6 meses. A ele agradeço o meu alma e se modela na tela, como se fosse desenvolvimento individual, não obstante um território, sem geografia nem tempo, de ele exigir que pintássemos o que ele onde os meus olhos não se cansam de queria, mas depois das tarefas cumprio ver... Talvez seja a única maneira de das, eu e outros estudantes podíamos agarrar o tempo que se escapa e de assim usar os materiais dele e no fim dos 6 defender a minha liberdade que é tão meses expusemos, todos juntos, as nossas única nas suas cores e nas suas formas. Todavia, não me importa o resultado, nem criações. Também trabalhei com outros grandes professores: Michel Delreux e se vou agradar ou não... Para mim conta Nordis Veasquez. Mais tarde vim a traapenas o momento fugitivo que fica detibalhar no grande museu Anton Panov na do na tela. Macedônia a convite da Bolsa da Cultura. Aí conheci outros grandes artistas da CL: Quando vende ou se “desfaz” de a mulher que muitas vezes não tem facilidade em responder e cumprir com as exigências que se lhe impõem...A pintora, pode isolar-se do mundo que a molesta ou levantar asas na leveza das suas cores.

Bulgária, Sérvia e de outros países que ainda visito para trocar ideias com esses grandes artistas, entre os quais Pavel Vasilev, escultor e a dramaturga, pintora e escritora Zoya Mineva. CL: Tem vindo a realizar muitas exposições? NA: Sim, tenho vindo a realizar muitas exposições. CL: Qual é o feedback que tem das suas exposições? NA: Depende das exposições, como e por quem são organizadas, mas de um modo geral tenho tido boas impressões e houve sempre uma boa ressonância das minhas criações. CL: Se lhe perguntássemos quais são os votos que faz para a Comunidade Portuguesa, o que diria? NA: Como mulher interessa-me tudo, costumo aprofundar o que se costuma dizer problemas, porque gostaria de ajudar, mas muitas vezes não é possível lidar com tanta ignorância que me afasta ao ver que a maioria das pessoas nem sequer têm opinião e exageram no modo de agirem em cortesia afetada e negligenciam o essencial. Doí-me ver que o homem ainda vive numa teia de convenções, de preconceitos: o povo português tem muitos complexos, vive numa utopia que agonia e limita. Somos o que somos, ou melhor dizendo, o que se é, significa descobrir-nos a nós próprios para que se possa amar a vida. A vida para mim, com todas as dores, tragédias, emoções ou alegrias, é bela, fascina-me e amo-a. Faria tudo para partilhar esta maneira de sentir. No fundo tudo espera que a vida lhe traga o que nem sequer sabem procurar. Para que uma ideia seja realizada tem de se lhe ir ao encontro, há que criar um ambiente que motive e emocione os corações para que batam com a razão de existirem. CL: O que pensa da política para as Comunidades? Pensa que deveria haver mais apoios? Quais? NA: É óbvio que as Comunidades precisam de apoio e o melhor seria que as pessoas se unissem e não se limitassem apenas a falar. Vivemos num período de incertezas, como se estivéssemos num túnel escuro, incapazes de comunicar uns com os outros. Só sabemos criticar, de forma pouco ou nada construtiva. Se um ou outro sugere pontos de “realidades”, hipóteses mais maduras têm inveja em vez de colaborarem na sua força que poderia ser orientadora! Mas infelizmente desprezam-na. O nosso país é muito condicionado, isto é, está minado de pessoas que são veemente parvas e que estão presas a emoções infantis e imoderadas.


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A perda de diplomados portugueses Portugal e a perda de jovens investigadores com imenso potencial Paulo Pisco, o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Europa, num artigo da sua autoria publicado no jornal “Público”, manifestou a sua preocupação no que concerne a forma acelerada como Portugal está a perder diplomados com altas qualificações, investigadores em domínios avançados ou profissionais especializados que representam uma grande perda para o país. Paulo Pisco afirma que segundo diversos estudos há um número demasiado elevado de universitários que quer deixar Portugal após terminarem a faculdade porque não veem perspetivas de emprego nem de uma carreira compatível com as suas expectativas e muitos dos que já trabalham não hesitariam em sair se tivessem uma oportunidade no estrangeiro. Assim, declara que, muitos dos nossos diplomados têm emigrado às cegas acabando por ter de se sujeitar a fazer trabalhos indiferenciados em vários países o que é uma grande frustração pessoal e uma perda lamentável de recursos humanos e de qualificações. Mas muitos diplomados e investigadores têm bem presente o desejo de regressar mas não sabem quando nem em que condições, porque não existem nem são criadas as oportunidades que lhes permitem dar continuidade ao seu trabalho. Sem esta massa crítica como é óbvio a modernização e a competitividade do país ficam prejudicadas Os nossos decisores políticos e económicos têm por isso de estar conscientes deste problema e tomar as iniciativas adequadas para que as empresas, a indústria, os centros de investigação e as universidades os integrem e aproveitem o seu valioso potencial designadamente através de fundos e instrumentos europeus como o próximo programa comunitário para a investigação e inovação.

No seu artigo Paulo Pisco informa que nesse sentido foi publicada a Resolução da Assembleia da República n.º 91/2013 de 2 de Julho, com recomendações apresentadas pelo Partido Socialista aprovadas no Parlamento precisamente para que o Governo crie os incentivos e os instrumentos adequados que permitam atrair para Portugal os investigadores diplomados e outros profissionais especializados para que o seu potencial não se perca como tantas vezes acontece. Segundo Paulo Pisco, é absurdo haver tantos jovens investigadores com um imenso potencial e depois não se fazer nada para os valorizar, tal como não é aceitável que os seus estágios ou bolsas sejam interrompidas ou enfraquecidas pondo em causa o investimento feito e a continuidade dos projetos em que estão envolvidos. Se o Estado investe milhões de euros em bolsas para estudarem no estrangeiro depois tem de ser consequente e arranjar forma de lhes permitir que regressem e apliquem em Portugal a sua experiência e os seus conhecimentos. Basta o Governo por exemplo olhar de forma consequente para a nossa extraordinária comunidade de estudantes e investigadores organizados em torno da PARSUK Associação Portuguesa de Estudantes e Investigadores no Reino Unido. São mais de seiscentos membros cheios de ideias e de capacidade para inovar e transformar a nossa sociedade, muitos deles com uma vontade clara de retribuir com o seu trabalho o investimento que o país fez neles. Mas estes estão inquietos porque não veem como regressar a Portugal, como dar continuidade ao seu trabalho nem como poderão aplicar os conhecimentos e experiências que adquiriram no estrangeiro. Paulo Pisco sublinha que há inclu-

Foto: Jorge da Silva

sivamente muitos projetos brilhantes e altamente inovadores em diversos domínios científicos e tecnológicos que acabam por ser abandonados por falta de apoios ou de alternativas. Num mundo altamente competitivo em que a ciência e a tecnologia são a mola propulsora do desenvolvimento seria demasiado mesquinho perder-se este precioso capital de conhecimento de que só nos podemos orgulhar e de que o país precisa.

Foto: kiko.de

Alfredo Stoffel, Conselheiro do CCP, afirma que não há consciência social e política para as Comunidades Portuguesas Pensar que por parte de quem nos governa existe uma consciência social e política para as Comunidades Portuguesas é um erro que se vai constatando à medida que vamos trabalhando os temas específicos das Comissões Permanentes criadas no seio do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Infelizmente a falta de uma visão estratégica sustentável, virada para as Comunidades Portuguesas com a finalidade de aproveitar os potenciais das mesmas é uma realidade. Temos discursos de circunstância, isso sim, temos muitos discursos! Hoje, quem governa enaltece a diáspora; cria programas de fachada que podem ser notícia de jornal… e por estas azáfamas em prol das Comunidades nos bastidores vão-se criando as condições para destruir a identidade Portuguesa das futuras gerações. Isto para não falar minuciosamente do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE),

como lingual de identidade. O EPE é “um espinho na garganta” do Sr. Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. A política economicista deste governo leva o EPE ao colapso total; ao enfarte das classes, à desmotivação e à insegurança dos professores e dos encarregados de educação, à falta de confiança por parte dos “parceiros oficiais” nos países de acolhimento. Mais tarde, quando o processo se encontrar numa fase irreversível haverá uma justificação para acabar com o sistema na forma como ele existe…

Posso afirmar que nos últimos dez anos três grandes temas abalaram a Comunidade Portuguesa na Alemanha. O primeiro foi a tentativa de encerramento do Consulado em Osnabrück no princípio da década de 2000. O segundo foi o encerramento dos Vice-Consulados de Frankfurt am Main e de Osnabrück e a

integração destes em novas áreas consulares. E o terceiro foi a destruição sistemática da rede do EPE e a introdução da propina. Nesta luta por aquilo que consideramos um direito, e contra a arrogância prepotente do “nosso” governo, não contamos só com o apoio da Comunidade mas também com o apoio das autoridades locais e das instituições socias dos países de acolhimento. A forma prepotente, indigna e sem a mínima transparência que levou ao encerramento do Vice-Consulado de Portugal em Osnabrück e a maneira como o “nosso” governo tratou as autoridades locais deixou um rasto de indignação não só na Comunidade Portuguesa mas também no seio da sociedade alemã. É fundamental que se saiba que, da discussão com os representantes dos partidos com assento na Câmara Municipal saiu uma proposta viável que viabilizava a permanência da

representação diplomática em Osnabrück. Mas, lamentavelmente, as “nossas autoridades” nem se dignaram a estudar a proposta… Infelizmente não é só o governo que não dá resposta! A 17 de Fevereiro de 2009 enviei uma carta a D. José Policarpo, na altura o Cardeal Patriarca de Lisboa, tentando sensibilizar a hierarquia da igreja em Portugal para um problema que há anos está por resolver: a existência de um padre português ou com conhecimentos de português para as Comunidades de Bremen, Bremerhaven e Cuxhaven. Nestas localidades existem aproximadamente 5000 pessoas (muitas delas crianças e jovens) que até à altura tinham sido unidas e coesas, pois a igreja e o seu pároco fizeram um bom trabalho dando o apoio espiritual necessário. A igreja era o lugar de encontro e

de convívio para todos. Muito deste trabalho está em vias de desaparecer, a Comunidade está a desmembrar-se; o processo de integração está a tornar-se numa assimilação o que descaracteriza e faz com que se perca a identidade cultural. Até agora tem-se argumentado que é para bem das comunidades migrantes e para fomentar a integração. Não haja dúvidas de que somos todos a favor de um processo integrativo com base na diversidade e identidade cultural de cada um. Só com um fundamento sólido de valores e cultura que nos foi e deverá continuar a ser transmitido poderemos enfrentar o futuro na diáspora, pois a língua, a cultura e os valores são os elos mais importantes para a vivência e convivência pacífica e enriquecedora entre as diversas comunidades migrantes.


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Salvação Nacional

Dados recentes relativos ao crescimento económico Os dias de negociações cujo resultado não foi o desena Europa

jado por Cavaco Silva

Dados recentes quebram o ciclo negativo do último ano e meio, com desempenhos bastante positivos nos EUA e no Japão. De acordo com o Económico, os recentes dados relativos ao crescimento económico na Europa estão a fazer surgir um novo discurso acerca dos movimentos mais globais e assim as nações mais desenvolvidas poderão estar aptas no futuro a regressar aos lugares charneira. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicava as suas projeções económicas em julho em que se podia ler que o crescimento mundial em termos anuais deverá melhorar de 3,1% em 2013 para 3,8% em 2014; as economias avançadas, no mesmo período, praticamente duplicarão a taxa de crescimento de 1,2% para 2,1%; o grupo dos países emergentes manterá um crescimento de 5,4% em 2014, acima dos 5,0% de 2013; as taxas para a Zona Euro são de -0,6% e 0,9%; o Japão tem previstas taxas de 2,0% e 1,2%; a China deverá estabilizar em crescimentos de 7,8% em 2013 e 7,7% em 2014; para a Índia as taxas são 5,6% e 6,3%; para a Rússia 2,5% e 3,3%; e Brasil 2,5% e 3,2%; já para os EUA estão projetadas taxas de 1,7% e 2,7%, respetivamente para 2013 e 2014. Os pressupostos passam pela melhoria das condições financeiras, manutenção dos estímulos económicos, implementação e conclusão de reformas estruturais, para além da intensificação do comércio mundial. Entretanto, o PIB na Zona Euro e na União Europeia no segundo trimestre de 2013 comparativamente ao trimestre anterior cresceu 0,3% em volume. Embora ligeiro, este valor interrompe 18 meses de contração consecutiva e é superior à média das previsões dos analistas (+0,2%). Segundo o Eurostat, a Alemanha e a França confirmaram crescimentos em cadeia de 0,7% e 0,5%, respetivamente. Ainda assim, o crescimento em cadeia global é ainda débil devido ao facto de outras três importantes economias permanecerem no vermelho no segundo trimestre: Espanha, com uma contração de 0,1%, Itália com uma redução de 0,2% e a Holanda, que acabou por surpreender negativamente, com uma queda de 0,2%. Embora com este dado em cadeia positivo, em termos homólogos o PIB na Zona Euro e na União Europeia ainda mostram contrações de 0,7% e 0,2%, respetivamente, dadas as assimetrias e a falta de convergência existente entre os estados-membros. Apesar de não se dispor de dados completos de alguns estados, Portugal surpreendeu com o maior crescimento em cadeia da União Europeia, +1,1%, superando expectativas que apontavam para um valor em torno de 0,5%. Em termos homólogos, Portugal ainda regista uma contração de 2.0%, o valor anual indicado pelo Banco de Portugal para a globalidade de 2013. Recorde-se que em 2012 o país verificou uma quebra do Produto de 2,3%. Segundo Agostinho Leal Alves, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do Banco BPI, para este comportamento mais positivo de abril a junho contribuíram uma evolução menos negativa do investimento e os bons resultados das exportações. Para este último aspeto concorreram tanto o crescimento económico mais significativo de alguns dos nossos parceiros comerciais, assim como o esforço de diversificação das empresas portuguesas, que têm procurado mercados alternativos aos da União Europeia, aventurando-se para além da sua área de conforto. Contudo, dados os constrangimentos ainda existentes na economia portuguesa é de esperar que o crescimento nacional se mantenha frágil nos trimestres seguintes. Mas não temos dúvidas que se se mantiver o crescimento em cadeia do PIB ao longo dos próximos trimestres (no fundo, o surgimento de um crescimento mais sustentado), haverá um ganho de margem na condução da política orçamental.

No passado dia 10 de julho, o Presidente da República propôs um “compromisso de salvação nacional” entre PSD, PS e CDS que permitiria cumprir o programa de ajuda externa e que previa eleições antecipadas a partir de junho de 2014. Após os representantes destes partidos terem sido recebidos no Palácio de Belém, manifestaram abertura para o diálogo. PSD, PS e CDS-PP iniciaram as conversações e fixaram o prazo de uma semana para “dar boa sequência aos trabalhos previstos para a procura de um “compromisso de salvação nacional”, pedido pelo Presidente da República. Assim, os três partidos escolheram os líderes das delegações Jorge Moreira da Silva (PSD), Alberto Martins (PS) e Mota Soares (CDS-PP). No dia 15 de julho, no final da reunião, PSD, PS e CDS-PP dizem ter abordado “de modo detalhado” os três pilares do acordo “de salvação nacional” proposto pelo Presidente da República. Nesse encontro estiveram também presentes o ministro Miguel Poiares Maduro, o secretário de Estado Carlos Moedas e o assessor da Presidência David Justino. A 16 de julho, foi anunciado terem sido analisados documentos sobre a situação económicofinanceira nacional. Além das delegações definidas inicialmente, neste encontro participou Maria Luís Albuquerque, Ministra de Estado e das Finanças. No dia 17 de julho, o diálogo entre PSD, PS e CDS-PP continuou com uma reunião que se prolongou até à madrugada do dia 18. As delegações disseram que “as negociações, embora exigentes, estão a decorrer sem intransigência e com espírito de abertura”.

Photo: Zeit.de

A 18 de julho, em nova reunião, PSD, PS e CDS-PP afirmaram ter aprofundado a discussão de “documentos e contributos” apresentados pelas respetivas delegações, com vista a um acordo de médio prazo proposto pelo Presidente. No dia 19 de julho, PSD, PS e CDS-PP reuniram, mais uma vez. O comunicado final registou apenas a realização do oitavo encontro e não referiu próximas reuniões. Durante a tarde deste dia, os líderes dos três partidos (Pedro Passos Coelho, António José Seguro e Paulo Portas) foram recebidos pelo Presidente da República no Palácio de Belém, em audiências separadas. Às vinte horas, o secretário-geral do PS fez uma declaração ao país em que anunciou o fim do

processo de diálogo tripartido, acusando os dois partidos da maioria de inviabilizarem o acordo de salvação nacional. A 21 de julho, Cavaco Silva comunicou ao país que decidiu manter o atual Governo de coligação em funções, sublinhando que os dois partidos que integram a coligação devem estar “sintonizados de forma duradoura e inequívoca”. O Presidente da República salientou que “em democracia existem sempre soluções para as crises políticas”, adiantando que, na ausência do desejado acordo para um compromisso de salvação nacional, “a melhor solução alternativa é a continuação em funções do atual Governo, com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura”.

´SWAP´ – A PALAVRA ´2013´EM PORTUGAL! A opinião de Manuel Correia da Silva AFINAL O QUE É UM SWAP? Quantas vezes ouvem falar de SWAPs? Quantos foram os comentadores, aqueles mesmos, os “peritos” que comentam tudo, desde politica nacional, passando pelo futebol, seguindo-se para pareceres jurídicos complexos e por fim os tão famosos SWAPs? São muitos, mesmo muitos, pois já temos mais comentadores do que fazedores. Vamos lá explicar, pois garanto não se tratar de um engenho explosivo! Consultado o Dicionário, o SWAP é uma “operação que consiste num contrato entre duas partes para troca de um valor mobiliário por outro, por exemplo, na troca de uma taxa de juro variável por uma taxa de juro fixa.”

A grande maioria daqueles que recorreram à banca para comprarem o seu apartamento ou casa na Alemanha e pediram um empréstimo, fizeram-no recorrendo a uma taxa de juro fixa, pois é a forma mais utilizada na Alemanha. Pediram o montante “X” e negociaram uma taxa de juro a pagar, a qual será fixa durante, por exemplo, 10 anos, independentemente da taxa de juro subir ou descer durante esses 10 anos. Em Portugal, a grande maioria do cidadão comum, que pede um empréstimo para compra de habitação própria, fá-lo a uma taxa de juro variável. Esse empréstimo é indexado à Euribor tendo assim por base uma taxa de juro variável, que sobe e desce consoante a variação da Euribor. Então e se prever que os juros vão subir muito nos próximos anos? Não seria aconselhável

fixar a taxa para travar a subida? Então, seria possível recorrer ao banco e negociar um swap para trocar a taxa variável por taxa fixa. O banco cota-lhe a operação e passa a deter para além do empréstimo a taxa variável um swap em que recebe a taxa variável e paga a taxa fixa. (Vide gráfico abaixo) É exatamente nisso que um contrato SWAP resultaria: na troca de uma taxa de juro variável por uma fixa, ou vice-versa, mantendo sempre o empréstimo associado. Como se entende, um SWAP não é mais do que uma troca (!), não é nada negativo e muito menos criminoso. Qualquer empresa privada, qualquer multinacional, qualquer País, recorre a estes instrumentos financeiros, tentando assim poupar nos juros pagos pela dívida.


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Correio Luso, N° 1

Agosto 2013

Tom Jazz

Haverá menos -na capital paulistaalunos a aprender Língua e Cultura Festival de Fado no Brasil traz música, exposição e Portuguesas em gastronomia Brasil todo o mundo? Haverá menos alunos a aprender Língua e Cultura Portuguesas em todo o mundo?

Foi publicada em Diário da República a rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) para o ano letivo 2013/2014. Na semana passada foi publicada em Diário da República a rede do EPE, que oficializa o facto de no próximo ano letivo haver menos 30 horários do que em 2012/2013. O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, justificou a diminuição do número de professores com o facto de haver, em algumas zonas, uma “efetiva redução” do número de alunos e, em outros casos, a transferência de responsabilidades para outros países, como acontece em Espanha, onde alguns governos autonómicos começam a assumir os encargos com o ensino de português. O diploma publicado na segunda-feira em Diário da República informa que a rede de EPE terá este ano 356 horários, completos e incompletos, quando no ano passado a rede contava um total de 386. No total, a rede prevê 296 horários completos e 60 horários incompletos, quando no ano passado havia 310 horários completos e 76 incompletos. Os países que mais professores perdem são Espanha e França, com menos sete horários cada, seguidos da Alemanha, com menos quatro horários, e da Suíça, com menos três horários. Teresa Soares, secretária-geral do Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas (SPCL), sublinhou que a rede foi publicada demasiado tarde - no ano passado saiu em Diário da República a 13 de julho - numa altura em que já começaram as aulas em algumas zonas, nomeadamente em Hamburgo. Criticou também mais uma redução do número de professores, que se junta aos cortes dos últimos anos. “Basta lembrar que em 2010 éramos praticamente 600 e agora somos 356. É uma redução muito forte para três anos”, disse. A responsável afirmou que o sindicato fará agora “o trabalho do costume: denunciar a extinção do EPE, que está a acontecer cada vez mais depressa”. Confrontado com a contestação do sindicato, José Cesário considerou tratar-se de “uma crítica natural, de quem está a defender os interesses dos professores”, mas sublinhou que a função do Governo é defender os interesses dos alunos. Assim, afirmou que “A nossa preocupação é perceber onde há procura de ensino de português e como é que nós respondemos a essa procura. De um modo geral, a procura existente tem resposta”, afirmou. Segundo o governante, este ano letivo haverá cerca de 75 mil alunos, mais 18 mil do que no ano anterior, a frequentar as diversas modalidades do EPE. É que a rede de professores suportada pelo Estado português, lembrou, “tem ser analisada conjugadamente com todos os locais onde há cursos” de português no estrangeiro, incluindo os de iniciativa local, que contam com alguns apoios de Lisboa, nomeadamente o fornecimento de livros e a formação dos docentes. A rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) inclui cursos de português integrados nos sistemas de ensino locais e cursos associativos e paralelos, assegurados pelo Estado português, em países como a Alemanha, Espanha, Andorra, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Reino Unido, Suíça, África do Sul, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué. No corrente ano letivo, frequentaram os cursos de Ensino de Português no Estrangeiro 57.212 alunos (56.191 em 2011/2012), distribuídos por 3.603 cursos (3.621 no ano anterior). Sindicato culpa decisão do Governo de cobrar uma propina anual de 100 euros

A primeira edição do Festival do Fado no Brasil terá apresentações de Mariza, Ana Moura e Antonio Zambujo nos próximos dias 15 e 16 do HSBC em São Paulo e nos dias 17 e 18 na Grande Sala da Cidades das Artes, no Rio de Janeiro. Por iniciativa do presidente da Casa de Portugal desta capital os sócios da instituição tem 15% de descontos nos ingressos cujo preços oscilam entre R$ 80 e R$ 160 ( aproximadamente, 25 e 50 euros)

traz a culinária portuguesa com o chef Vitor Sobral que elaborou um cardápio típicamente lusitano. O ingresso para o Tom Jazz custa R$ 200 ( aproximadamente 70 euros), No Tom Jazz da capital paulista com direito ao espetáculo e ao janteremos Cuca Roseta e Miguel Ca- tar, bebidas à parte. pucho acompanhados pela brasileira No foyer principal das duas casa Mariana Aydar num espectáculo de espectáculos será instalada uma que para além do Fado também exposição com peças históricas e

Eulália Moreno

originais vindas do Museu de Fado de Portugal, sediado em Lisboa que traz pela primeira vez ao Brasil peças emblemáticas do Fado que contribuíram de forma decisiva para o estabelecimento desse gênero musical como símbolo da cultura portuguesa.

Filme de Maria de Medeiros foi exibido a 13 de Agosto no Festival de Gramado Dia 13 de Agosto às 19h00 foi exibido o documentário “ Repare Bem” da cineasta portuguesa Maria de Medeiros no 41º Festival de Cinema que acontece na cidade de Gramado, no Estado do Rio Grande do Sul . Co-produzido por Brasil, Itália e França, o documentário de 90 minutos tem roteiro da própria Maria de Medeiros e de Ana Petta e relata a história de três gerações de mulheres, numa saga de sobrevivência, de coragem e de luta por um mundo mais justo que se desenrola entre o Brasil, o Chile, a Itália e a Holanda. Depois de “Capitães de Abril”, seu filme sobre a Revolução dos Cravos em Portugal, ganhador de vários prêmios internacionais, Maria de Medeiros aborda neste documentário a questão do dever de memória através de uma história de amor e transmissão entre pais e filhos. Nela se destacam a figura de Encarnación, a avó resistente e autora de um fascinante diário; Denise, a mãe lutadora que defende como uma leoa sua filha; e Eduarda, a menina europeia que se reencontra com o Brasil. Hoje, depois de quarenta anos vividos entre a Itália e a Holanda, Denise e Eduarda receberam Anistia e Reparação do Brasil. A verdade sobre o passado abriu assim, o caminho para um futuro mais justo.

Eulália Moreno

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Correio Luso, Agosto 2013