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CORREIO

SEMPRE ATUAL, COM O MELHOR DO CONTEÚDO ESPÍRITA

ISSN 2176-2104

FRATERNO

Entrevista

Ano 51 • Nº 483 • Setembro - Outubro 2018

Alma tema que atrai

Novelas espíritas na TV O doutorando em comunicação social, Marcos Meigre, fala sobre as novelas espíritas na TV brasileira e o que esperar desta aliança: mídia e espiritismo. Páginas 4 e 5.

Encontro Nacional de Pesquisadores do Espiritismo, em Belo Horizonte

pesquisadores e inspira os poetas

O

sentimento de gratidão a Allan Kardec marca mais uma vez o mês de outubro, ao se comemorar, no dia 3, o seu nascimento em Lyon, Paris, em 1804, como Denizard Hippolyte León Rivail. O momento é propício para que o espiritismo codificado por ele seja realmente conhecido, também, através de pesquisas acadêmicas, como foram apresentadas no 14º ENLIHPE, em Belo Horizonte, no final de agosto, trazendo importante material sobre a questão da sobrevivência da alma. Alma, tema que atrai os pesquisadores e inspira os poetas de todos os tempos! Inspirou também o professor David Monducci a desenvolver o tema para esta edição, numa verdadeira aula, em homenagem ao grande mestre Kardec. Páginas 3, 8 e 9.

A disseminação do ódio nas redes sociais As redes sociais na internet democratizaram o acesso para qualquer pessoa expor as suas ideias e de maneira instantânea. Mas ao que temos assistido é que nem sempre é fácil lidar com tamanha disponibilidade e autonomia, principalmente quando existe a pouca ou nenhuma preocupação pelo outro. Leia na página 10.

Desencarna o fundador do Museu Espírita de São Paulo Aos 94 anos, desencarna o criador do Museu e Biblioteca Espírita de São Paulo. O advogado Paulo Toledo Machado deixou importante legado ao movimento espírita. Filho de Américo Firmino Machado, um dos fundadores do conhecido Hospital Américo Bairral, Paulo Toledo foi um dos organizadores das comemorações do 1º Centenário do Espiritismo, em 1957, no Ginásio do Pacaembu. Leia na página 7.

Ontem: ódio, vingança! Hoje: tempos difíceis para o despertar do verdadeiro amor.

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edItoRIAl

cuidar do

Uma ética para a imprensa escrita

caminho

O

sentimento de gratidão a Kardec marca mais uma vez o mês de outubro, ao se comemorar, no dia 3, o seu nascimento em Lyon, Paris, em 1804, como Denizard Hippolyte León Rivail. Ainda que por enquanto atinja mais especialmente os espíritas, o agradecimento haverá um dia de ser expressão de toda a humanidade, pela magnitude de seu trabalho em favor do grande objetivo do espiritismo: combater o materialismo. O mundo passa por uma inquestionável crise moral, um conflito que retrata a necessidade de novas ideias e novas formas de se buscar a felicidade para a transformação do nosso planeta em mundo de regeneração. O momento é propício para que o espiritismo codificado por Kardec seja realmente conhecido, também, atra-

vés de pesquisas acadêmicas, como foram apresentadas no 14º ENLIHPE, em Belo Horizonte, no final de agosto, trazendo importante material sobre a questão da sobrevivência da alma. O clamor pela valorização da vida em suas dimensões física e espiritual necessita de bases fortes que tragam o equilíbrio, a resignação para os tempos difíceis que se nos apresentam. Foi assim no Setembro Amarelo, comentado nesta edição pelo jornalista André Trigueiro, quando vemos o esforço do CVV, com seus incansáveis voluntários, realizando uma extensa programação sobre a prevenção do suicídio. Assim como os monumentos foram iluminados de amarelo, que a luz da espiritualidade possa também iluminar a todos nós, fortalecendo-nos em nossas mais di-

em dois artigos, escritos por Allan Kardec e publicados na Revista Espírita, em 1858, estão encerradas as diretrizes que o Correio Fraterno adota como norte para o trabalho de divulgação:

versas atividades do Bem. São eventos, livros, artigos, teses, como a que mostramos na entrevista desta edição, que mostram a força das ideias espíritas também nas telenovelas. São pequenos fachos de luz que vão penetrando no tecido social em forma de esperança, consolação, e principalmente de apelo à razão. Resta-nos pavimentar o caminho com “a grande solidariedade que nos há de unir como irmãos, nesta estrada inabalável de progresso, que nos convida a passos muito mais confiantes e certeiros. Boa leitura!

A entrevista sobre adoção Agradeço do fundo do coração a reportagem que vocês fizeram sobre adoção. No que eu puder ser útil, será um momento de alegria poder colaborar nesse trabalho maravilhoso da divulgação da doutrina espírita. (“Adoção: uma construção de amor e verdade”, edição 482). Marco Antonio Pereira, São Paulo, SP.

Parabéns pelas matérias: “Adoção” e “Felicidade: muito além dos desejos e frustrações”, da última edição. No fundo, ambas tratam do sentido da vida: indagação essa que a humanidade se faz desde a Antiguidade, que a filosofia desde os gregos vem buscando responder e que só a doutrina espírita vem racionalmente solucionar. Antonio Carlos Molina, São Paulo, SP.

Envie seus comentários para redacao@correiofraterno.com.br. Os textos poderão ser publicados também no nosso site www.correiofraterno.com.br

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FRATERNO ISSN 2176-2104 Editora Espírita Correio Fraterno cnPJ 48.128.664/0001-67 Inscr. estadual: 635.088.381.118

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• Acolhimento de todas observações a nós endereçadas, levantando dúvidas e esclarecendo pontos obscuros. • Discussão, porém não disputa. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas razões aos olhos de pessoas sensatas. • A história da doutrina espírita, de alguma forma, é a do espírito humano. O estudo dessas fontes nos fornecerá uma mina inesgotável de observações, sobre fatos gerais pouco conhecidos. • Os princípios da doutrina são os decorrentes do próprio ensinamento dos Espíritos. Não será, então, uma teoria pessoal que exporemos. • Não responderemos aos ataques dirigidos contra o espiritismo, contra seus partidários e mesmo contra nós. Aliás, nos absteremos das polêmicas que podem degenerar em personalismo. discutiremos os princípios que professamos.

FALE COM O CORREIO “Os filhos de Divaldo” Fiquei muito feliz de ver a matéria “Os filhos de Divaldo Franco” (edição 482). São 71 anos voltados para a doutrina e para a humanidade, em seus múltiplos projetos sociais e humanistas. Agora, aos 91 anos, ele é digno e merecedor do respeito e reconhecimento da comunidade espírita do Brasil e dos 80 países em que levou as luzes da doutrina espírita. Miguel Sardano, Santo André, SP.

• A apreciação razoável dos fatos, e de suas consequências.

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• Confessaremos nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos. serão um meio de esclarecimento. • Se emitirmos nosso ponto de vista, isso não é senão uma opinião individual que não pretenderemos impor a ninguém. Nós a entregaremos à discussão e estaremos prontos para renunciá-la, se nosso erro for demonstrado. Esta publicação tem como finalidade oferecer um meio de comunicação a todos que se interessam por essas questões. E ligar, por um laço comum, os que compreendem a doutrina espírita sob seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e a caridade do evangelho para com todos.

Envio de artigos Encaminhar por e-mail: redacao@correiofraterno.com.br Os artigos deverão ser inéditos e na dimensão máxima de 3.800 caracteres, constando referência bibliográfica e pequena apresentação do autor.


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Acontece

“Sobrevivência da alma”

reúne pesquisadores de todo o Brasil Por Izabel Vitusso e Eliana Haddad

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ias 25 e 26 de agosto realizou-se na sede federativa da União Espírita Mineira, em Belo Horizonte, MG, o 14º Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, reunindo estudiosos, acadêmicos e interessados, vindos de cinco Estados brasileiros, que acompanharam a apresentação de pelo menos dez trabalhos de pesquisas com a temática “Sobrevivência da alma”. Alexander Moreira, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (NUPES) da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, deu início ao Enlihpe, apresentando parte do trabalho que desenvolve, com o tema “É possível investigar a existência da alma?”, contemplando estudos de casos sugestivos não apenas de reencarnação, mas das Experiências de Quase Morte (EQMs). Outros temas não menos interessantes chancelaram a importância do Encontro anual da Liga, como “A importância da fundamentação transcendental e idealista para a idea de imortalidade do espírito”, apresentado pelo filósofo Humberto Schubert Coelho, neto da oradora e escritora Suely Caldas Schubert. Nomes de pesquisadores que fazem parte da história do espiritismo, como Cesare Lombroso, também estiveram presentes, em pesquisa apresentada por Eric Vinícius Ávila e Leandro Santos Franco Aguiar, AME/MG. Os pesquisadores Elton Rodrigues e Carolina Machado, do Rio, retomaram um dos primeiros estudos sobre mediunidade, realizado pelo médico Justinus Kerner com uma de suas pacientes, a vidente Frederica Hauffe, que ele conheceu em 1826 e que o levou a acreditar na imortalidade da alma. Raphael Vivalacqua e Luana Poltronieri apresentaram interessante trabalho de pesquisa por eles realizado, através do Grupo de Pesquisa Lampejo, de Vitória, ES, onde se dispuseram a verificar se informações obtidas em reuniões mediúnicas seriam con-

FABRÍCIO VELOSO

firmadas ou não por pessoas que conhecessem os espíritos em questão. Obtiveram resultados expressivos, e com médiuns sem nenhuma faculdade extraordinária, dando início a um trabalho de pesquisa experimental conduzida com crítica e disposição, realizado no meio espírita com pesquisadores com formação em universidades. “Há pesquisadores nas universidades trabalhando com temática espírita com espaço limitado para divulgação e publicação, sem linha de pesquisa estabelecida e sem diálogo com pares, por não os conhecer. Queremos aproximar essas pessoas”, explica o pesquisador Jáder dos Reis Sampaio, coordenador-geral do encontro, ao falar sobre a importância de iniciativas como estas. “A sobrevivência da alma é tema visto pela maioria das pessoas como pertencendo ao domínio das religiões e teologias. Muita gente desconhece, e muitos acham impossível, o estudo empírico de um objeto que é considerado sobrenatural. Há muito ainda que se pesquisar, publicar e transformar em domínio público esse tema, se quisermos que percebam que não se trata de crenças de grupos sociais, mas de uma teoria explicativa para um conjunto de fenômenos”analisa o coordenador. As pesquisas apresentadas foram compiladas e lançadas durante o evento, através do livro A sobrevivência da alma em foco, da série “Pesquisas brasileiras sobre espiritismo”, editado pela LIHPE, USE-SP e CDPE-ECM. Também foram lançados

“Muitos desconhecem e acham impossível o estudo empírico de um objeto considerado sobrenatural”

os livros Conversando com os espíritos: um toque de humanismo, de Jáder Sampaio (Lachâtre) e A filosofia perene: o modo espiritualista de pensar (Didier) e Genealogia do espírito (FEB), ambos de Humberto Schubert Coelho. Finalizando o evento, em deliciosa confraternização e alegria, os participantes

foram até Pedro Leopoldo, MG, visitar os locais onde o médium Chico Xavier viveu e trabalhou. O 15º Enlihpe será em Fortaleza, dias 24 e 25 de agosto de 2019, na Federação Espírita do Estado do Ceará, sob a coordenação geral de Samuel Magalhães. www.correiofraterno.com.br


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ENTREVISTA

O espiritismo nas telenovelas Por eliana haddad e IZABEL VITUSSO

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ormado pela As pessoas estão ansiosas por respostas, Universidade esclarecimentos, conforto. A telenovela em geral Federal de Vitem a função de fornecer ao público acomodação e çosa, e atualmente serenidade cursando doutorado em Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais, Marcos Meigre fala de sua pesquisa, atenta às chamadas ‘telenovelas espíritas’ e sobre o que esperar desta aliança entre mídias e espiritismo para o futuro da doutrina. O que levou você a se interessar pelo tema? Marcos: Tenho duas razões bem fortes: a primeira delas é afetiva, por eu ser espírita, de uma família que segue a doutrina há quatro gerações; e uma razão profissional, pois sou formado em Comunicação Social/ Jornalismo e desenvolvo estudos sobre os meios de comunicação, especificamente a televisão. Na verdade, o que pretendo com a pesquisa é alinhar estas minhas duas motivações pessoais para encontrar resultados que tanto contribuam para o meu campo de formação profissional quanto satisfaçam minha relação afetiva com a doutrina espírita, na intenção de conhecê-la sempre mais. Suas pesquisas anteriores ao doutorado já eram voltadas ao espiritismo? Não. Antes, trabalhei com outros temas, como ciência e tecnologia e mineiridade na www.correiofraterno.com.br

televisão. Cheguei a fazer um livro-reportagem sobre a história do espiritismo em minha cidade Cataguases (MG), muito em função do interesse em resgatar memórias que diziam de minha própria família, mas parou por aí. No mestrado surgiu interesse por novelas tratando do espiritismo. Em 2015, a novela Alto Astral debatia espiritualidade, e influências de espíritos no horário das 19h da TV Globo. Naquele mesmo ano, às 18h, a novela Além do Tempo trouxe uma abordagem inédita na ficção brasileira: dividida em duas fases, a primeira no século 19 e a segunda vivida nos dias atuais, de modo que os personagens da primeira fase reencarnavam no século 21 para resgatar faltas da vida passada. A ousadia da trama não só me chamou atenção, como ao público em geral, pois as pessoas procuravam casas espíritas para entender aspectos doutrinários vistos na TV.

Você tem informações de que, à época destas novelas, os centros espíritas recebiam um público maior? Dados oficiais não tenho, mas conheço casas espíritas em que o número de visitantes aumentou nesta época (2015, 2016), justificado pelas novelas que estavam no ar. Pode ter sido um aumento temporário, mas representou uma situação interessante. Houve casas espíritas em que estudos públicos buscavam tratar as questões reencarnacionistas e cármicas trazidas para orientar pessoas que chegavam na busca por informações. Qual é a proposta central do seu trabalho de doutorado? Estudo as chamadas ‘telenovelas espíritas’, que vêm ocupando importantes faixas na grade de produção da TV Globo. Quero entender como as novelas buscam embasamento no discurso espírita para criar suas narrativas, aguçar suas audiências, estabelecer uma relação com o público e manter o interesse pelo melodrama. Seu projeto de doutorado foi aceito com facilidade pela Academia? Não encontrei grandes barreiras. Sei que não se trata de um tema recorrente e, por isso, gera estranheza entre alguns colegas, mas grandes obstáculos não tive. Acredito que esta ‘onda espírita’ na TV tem se tornado tão forte que sustenta a justificativa para meu trabalho existir e torna urgente pensarmos este fenômeno comunicacional. Quais são estas novelas e por que elas têm sido chamadas de ‘novelas espíritas’? A Viagem é considerada a primeira novela espírita, de Ivani Ribeiro, com duas versões: em 1975, na TV Tupi, e em 1994, na TV Globo. Nas duas ocasiões, foi um enorme sucesso. A Viagem é singular, por-

que a autora buscou em Herculano Pires uma assessoria para se alinhar aos preceitos do espiritismo e teve encontros com Chico Xavier. O canal Viva, do Grupo Globo, reprisou a obra em 2014, sendo até hoje a maior audiência da faixa na emissora. Além deste grande sucesso, tivemos outras obras com teor espírita: Anjo de Mim (1996-1997), Alma Gêmea (2005-2006), Escrito nas Estrelas (2010), Amor Eterno Amor (2012), Alto Astral (2014-2015) e Além do Tempo (2015-2016). Agora, está no ar Espelho da Vida (início em setembro de 2018), da mesma autora de outros sucessos espíritas na TV. Por isso a crítica especializada no ramo vem identificando este segmento como uma marca forte na dramaturgia, atrelado ao nome de Elizabeth Jhin, a autora de algumas destas tramas. Quem as intitula como sendo novelas espíritas? Não só os críticos, mas as audiências vêm reconhecendo e identificando estas obras como espíritas e quando justiticam este nome, dizem que as novelas trazem assuntos típicos da doutrina de Allan Kardec: reencarnação, imortalidade da alma, existência de espíritos e plano espiritual, resgates de ações passadas. Isso reforça que o debate em torno do espiritismo na TV está mobilizando espíritas e não espíritas. A que você atribui o sucesso e recorrência do espiritismo em novelas, atraindo até mesmo os não espíritas? O que motiva a TV Globo a produzir estas novelas? As pessoas estão ansiosas por respostas, esclarecimentos, conforto e tais obras trazem um pouco destes sentimentos para o público. A telenovela em geral tem a função de fornecer ao público acomodação e serenidade – o ‘felizes para sempre’. Em tempos de turbulência social e política, estas tramas


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reafirmam a importância do espiritual na condução de nossas vidas e isso atrai a qualquer pessoa que busque orientação. Outras mídias, como o cinema, ajudam a formar o imaginário em torno do espiritismo, que já teve nos idos de 2008 a primeira ‘onda espírita’. A Rede Globo é empresa multimilionária, que detém fatias da TV e cinema nacional. Ver o espiritismo surgindo por meio dela pode ter justificativas empresariais (a vinculação de diretores da Rede com o espiritismo), sociais (a maior abrangência da doutrina nos últimos anos) e econômicos (a Rede quer falar de temas que se tornem financeiramente lucrativos e abordar espiritualidade é um filão que garante bons retornos). Você teve acesso à equipe da TV Globo para abordar o tema e falar com produtores, diretores, roteiristas? Fiz contatos e esta conversa seguirá nos próximos anos, para obter dados sobre o modo de produção das tramas. Por enquanto, acompanharei a obra que está no ar e tem temática espírita. Acho importante destacar aqui o nome de Elizabeth Jhin como a principal autora de tramas espíritas, que já deu declarações públicas afirmando admirar a doutrina espírita, estudá-la e respeitar seus princípios. Você acredita que estas novelas, ao abordarem a doutrina, trazem mais ganhos ou prejuízos ao espiritismo? Quando uma novela problematiza uma causa, seja ela qual for, ela produz visibilidade e leva ao debate público temas espinhosos, que ficavam escondidos. Foi assim, por exemplo, com a criação do Estatuto do Idoso, resultado do debate em torno das agressões de uma neta aos avós na novela Mulheres Apaixonadas (2003). Trago este exemplo para dizer que, quando as novelas debatem o espiritismo – com seus acertos e erros – elas assumem um papel primordial para que a pátria do Evangelho possa, de fato, conhecer os ensinamentos dos espíritos. Não assumo aqui uma interpretação simplista sobre as mídias, mas entendo que as novelas ainda encontram um lugar de centralidade na comunicação social brasileira e, por isso, podem gerar ganhos ao espiritismo. E quando digo ganhos, não se trata apenas de pensar que mais pessoas ouvirão o tema e possam visitar casas espíritas, mas esta visibilidade nos coloca, a nós espíritas, num lugar de extrema responsabilida-

de para conhecer com vigor a doutrina de modo a confrontar erros, tecer orientações sobre o que as mídias dizem e não deixar que uma imagem deturpada da doutrina circule. Quando a mídia se abre ao tema espiritismo, somos todos mexidos por ele, espíritas e não espíritas. Você tem notado se estas tramas adotam recursos televisivos diferentes para tratar de temas espiritualistas? Quero entender como a televisão usa recursos que lhe são próprios para debater temas espíritas. Mostrar aparição e desaparição de um espírito, plano espiritual, regiões umbralinas, reencarnações, mediunidade. Quero analisar a estética televisiva em torno do espiritismo. Venho observando que alguns efeitos visuais são muito recorrentes para modelar a imagem de um ser espiritual, bem como recursos sonoros para inseri-los nas cenas. Há ainda efeitos para apresentar vidas passadas e a atuação de médiuns nas cenas. Vou me atentar a trilhas, recursos gráficos e visuais, cenografia, figurino, todas estas questões interessam e dizem muito sobre o modo como se quer fazer representado o espiritismo na TV. Na liberdade para se criar e entreter o espectador, nem sempre há o comprometimento com a correta definição dos fundamentos da doutrina na novela. O autor precisa ter essa fidelidade doutrinária? Este é um dos grandes embates, que aconteceu em Alma Gêmea e se repetiu em outras tramas. Quando confrontada, a TV alega que a abordagem é meramente espiritualista e, por isso, não deve alianças a uma ou outra religião. Usam como justificativa o fato de estarem produzindo ficção, o que lhes permite criar e reinventar sem preocupação com o real. Trata-se de um grave problema, porque não é mais uma liberdade criativa, dado que as pessoas entendem estas tramas como espíritas e, portanto, vão ligar o que ali for ensinado ao que a doutrina diz ou não sobre espiritualidade. Para mim, nestes casos os autores precisam deixar claro que os ensinamentos ali não são espíritas, e dizer isso por meio dos personagens, colocando nas falas deles estes esclarecimentos. Você acha que os espíritas devem se manifestar quando esta liberdade criativa compromete a doutrina? Sim. Se as novelas são entendidas pela am-

pla audiência como obras espíritas, então vejo com naturalidade a ideia dos espíritas – seja individualmente ou por meio de seus órgãos representativos – falarem, questionarem e levantarem esclarecimentos sobre a religião. Na sua opinião, qual o papel das mídias, da televisão em específico, na divulgação da doutrina espírita e quais desafios a doutrina enfrenta quando surge nas mídias? A doutrina espírita pode ter altos ganhos com a popularização pelos meios de comunicação. A televisão ainda permanece como nosso maior difusor de conteúdos, num país com profundas desigualdades estruturais de acesso a informação, saúde básica, saneamento. Mas esta divulgação precisa ser responsável, esclarecedora e comprometida e aí entra o desafio doutrinário: acompanhar estas produções, estudar as mídias, fazer-se presente para que por elas não circulem enganos contra os ensinos dos espíritos. A mensagem do espiritismo não pode ser restrita a poucos e, com a TV, ela pode ser ouvida por mais pessoas. Por isso, vejo as mídias como importantes aliadas neste processo. A internet também tem um ganho fundamental neste processo, e pode fazer a doutrina dialogar com indivíduos de outras faixas etárias, com diferentes perspectivas de vida. Em qualquer caso, penso que o espiritismo tem mais a ganhar que perder, e nós espíritas assumimos maiores compromissos, porque nossa vigilância doutrinária e nossos espaços de trocas comunicativas se expandem e é preciso ser espírita em tempo integral, inclusive e principalmente diante das mídias, das redes sociais. As novelas, independentemente dos erros, foram responsáveis por levar inúmeras pessoas a casas espíritas, quer dizer, foi o poder mobilizador da mídia televisiva que despertou curiosidade, gerou interesse e resultou numa ação: ir até um centro espírita e conhecer. A Viagem, por exemplo, foi desbravadora e ousada ao levar espiritismo pra TV na década de 1970. O que estas tramas fazem é isso: de maneira ousada, elas acendem a luz para o conhecimento. Sou espírita e sou jornalista, por isso me preocupo com o que as mídias fazem com a doutrina, e também com o que nós podemos fazer estando em lugares privilegiados de conhecimento (acadêmico e doutrinário) para manter viva, para as maiorias, a luz da doutrina dos espíritos.

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LIVROS & CIA. Instituto Lachâtre Telefone: 11 3181-6676 www.lachatre.com.br Conversando com os espíritos – um toque de humanismo de Jáder dos Reis Sampaio 256 páginas 15,5x22,5 cm

Benvirá Telefone: 0800-0117875 www.benvira.com.br A tristeza transforma, a depressão paralisa de Neury José Botega 296 páginas 16x23 cm

IDE Editora Telefone: 19 3543-2400 www.idelivraria.com.br O imortal Cairbar Schutel de David Liesenberg 240 páginas 14x21 cm

Editora Planeta Telefone: 11 3087-8848 www.planetadelivros.com.br Shinsetsu, o poder da gentileza de Clóvis de Barros 272 páginas 14x21 cm

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JANEIRO - FEVEREIRO 2018

FOI ASSIM

Chico sempre sabia! Por Marival Veloso de Matos

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erto dia, um grande conhecido nosso, em uma das visitas a Uberaba, MG, aguardava na fila para conversar com Chico Xavier. Era enorme a quantidade de pessoas que esperava a sua vez para um ‘dedo de prosa’ com o querido médium, quando o amigo comentou em tom de descontração: – A coisa está difícil por aqui! Até o Chico está com cara de sapo hoje. Intenso e observando também alguém na fila que segurava um saco de ‘Pomadas do Vovô Pedro’ para entregar ao médium, emendou outro gracejo, enquanto aguardava: – Bem que o Chico podia me dar metade dessas pomadas! Ele queria levar no trabalho de assistência que realizava na penitenciária para alguns presos que estavam privados de

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tomar banho de sol. O tempo foi passando, e o nosso amigo também foi se aquietando. A fila andou e eis que chega a sua vez de falar com o querido Chico. Meu amigo se adiantou e foi logo cumprimentando: – Oi, Chico. Tudo bem? – Sim, meu filho, mas cada vez mais com cara de sapo! – respondeu o médium em tom amistoso, causando grande surpresa, pois que lhe respondia ao seu comentário feito um bom tempo antes e bem distante de onde Chico se encontrava. Os dois continuaram um pouco mais a conversa. Mas, para arrematar o encontro, ao se despedir, o médium ainda finalizou: – Espere só um pouco, que eu vou lhe dar metade das pomadas que eu recebi. Esta é uma de tantas histórias que vivenciei junto ao nosso querido Chico.

Com sua extraordinária capacidade mediúnica, ele sabia de muita coisa que estava ao seu redor, mas em seu coração generoso e compreensivo não havia espaço para contendas. De tudo isso, Chico devia achar é muita graça!! Escritor, palestrante e ex-presidente da União Espírita Mineira.

Este fato foi narrado pelo querido Marival Veloso de Matos, ex-presidente da União Espírita Mineira, durante a visita a Pedro Leopoldo, com os participantes do Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo (Leia na página 3). Envie também sua história! Ela poderá ser publicada aqui na seção “Foi Assim”.


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JANEIRO - FEVEREIRO 2018 O BAÚ DE MEMÓRIAS PODE SER FEITO POR VOCÊ! Envie para nós um fato marcante sobre o Espiritismo em sua cidade. Ele pode ser publicado aqui nesta seção. E-mail: redacao@correiofraterno.com.br.

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BAÚ DE MEMÓRIAS

Desencarna o fundador do Museu Espírita de São Paulo Por Oceano Vieira de Melo

Dr. Paulo Toledo e Elza Mazonetto: Entusiastas da história dos pioneiros espíritas

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o início dos anos 1970, o filósofo, poeta e escritor Herculano Pires (1914 – 1979) foi até Uberaba, MG, gravar entrevista especial com Chico Xavier (1910 – 2002) para o seu programa No Limiar do Amanhã, que ele apresentava na então Rádio Mulher, emissora da capital paulista. Um dos pontos marcantes da entrevista com o querido médium foi quando Herculano Pires fez a pergunta sobre os espíritas franceses na época de Allan Kardec. O humilde médium de Emmanuel confirmou que, em conversa entre ele e seu benfeitor espiritual, este lhe afirmara que cerca de vinte milhões de espíritos, aculturados no idioma e na cultura francesa, tanto da Bélgica como da França, reencarnaram no Brasil, por já terem assimilado os princípios espíritas no início do espiritismo. Tudo sugere que, desses espíritos que reencarnaram em nosso país, fez parte o advogado Paulo Toledo Machado (1924 – 2018), que desencarnou no dia 14 de setembro de 2018 em São Paulo. Espírita de berço, Dr. Paulo, como era carinhosamente chamado, me contou que

seu pai, Américo Firmino Machado (1884 – 1931), um dos fundadores do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em 1914, e do renomado Hospital Américo Bairral, da cidade de Itapira, SP, já era filho de espíritas. Paulo Toledo Machado e também a advogada Elza Mazonetto Machado (1928 – 2016) casaram-se em 1951 e tiveram dois filhos, o médico Paulo e o Engenheiro Altair. Começaram a se dedicar ao espiritismo e à caridade ainda nos tempos de namoro, ajudando a idealizar e frequentando congressos e encontros da juventude espírita. Paulo Machado, ainda jovem, fundou o Centro de Estudos Espíritas Ismael no bairro paulistano de Pompéia. Fizeram parte de vários momentos importantes, como organizadores das comemorações do 1º Centenário do Espiritismo, em 18 de abril de 1957, no Ginásio do Pacaembu em São Paulo, onde o orador oficial para homenagear Allan Kardec (1804 – 1869) foi o pesquisador paulista Silvino Canuto Abreu (1892- 1980), amigo de Paulo e de Elza. Nas décadas seguintes, o casal participou de semanas espíritas com os mais renomados idealistas em São Paulo, como os

intelectuais João Teixeira de Paula (1911 – 1985), Herculano Pires (1914 - 1979), Júlio Abreu Filho (1893 – 1971), Carlos Jordão da Silva (1903 – 1985), Edgard Armond (1894 – 1982), Silvino Canuto Abreu, os irmãos Jaime (? - ?), Luiz Monteiro de Barros (1911 – 1982), Pedro de Camargo (Vinicius) (1878 – 1966), Attílio Campanini (1929 – 2009) e muitos outros idealistas espíritas. Advogados radicados no bairro da Lapa, presidiram a Associação dos Advogados local, onde mantinham uma grande quantidade de amigos não espíritas. Paulo e Elza fundaram o Lar da Família Universal, que nos anos 1990 se transformou no Instituto de Cultura Espírita de São Paulo ICESP, criando também o primeiro Museu Espírita de São Paulo, com frequência pública, estudos da doutrina em instalações adequadas para abrigar, além do Centro de Estudos Espíritas, livraria, biblioteca pública e pinacoteca. Nos anos 1980, Paulo Machado produziu o primeiro disco de música mediúnica do mundo, recebidas pelo médium Jorge Rizzini. Editou alguns livros históricos, entre eles, O livro dos espíritos - sua tradição histórica e lendária e O evangelho por fora, ambos de Silvino Canuto Abreu. Entusiasta da história dos pioneiros espíritas, no Brasil e no mundo, o casal Paulo e Elza Machado participou, em 2004, em

Paris, das comemorações do bi-centenário de nascimento de Allan Kardec, ocasião em que tivemos a oportunidade de gravar histórico depoimento de ambos, no Jardim do Palais Royal, no centro da capital francesa, local onde o codificador da doutrina espírita lançou, em 18 de abril de 1857, o O livro dos espíritos. Reunindo os vários momentos, em que tive o privilégio de estar ao lado destes idealistas e humanistas espíritas, em 2016 fizemos o filme Kardequianos, em homenagem ao casal que, tudo sugere, reencarnou no Brasil para dar continuidade aos postulados espíritas iniciados ainda no tempo do mestre educador designado por Jesus para educar-nos no cristianismo redivivo. No ano de 2013, os humanistas espíritas, sentindo os quase 70 anos dedicados à doutrina, passaram a direção do então ICESP à Federação Espírita Brasileira. Atualmente, o Museu passa por reforma, estando prevista sua reinauguração para 2019, com abertura para pesquisadores, historiadores e público em geral, interessados nos estudos do espiritismo, na cultura e na arte espírita. Oceano Vieira de Melo é jornalista, pesquisador e cineasta. Produtor de 12 filmes, dentre eles: E a vida continua, Luz da escola, Humberto de Campos – o imortal da Boa Nova, e Eurípedes Barsanulfo – educador e médium. É também gestor voluntário do Museu Espírita de São Paulo. www.museuespirita.org

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esPecIAl

O que é a alma? o especial cuidado de Allan Kardec para sua compreensão Por dAVId MonduccI

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o longo de O livro dos espíritos nos deparamos com críticas reiteradas da espiritualidade ao nosso vocabulário confuso e impreciso, expondo de forma plena e crua as muitas dificuldades que vivenciamos no nosso dia a dia, por permanecermos imersos em uma babel semântica. Comprovamos essa atitude quando os Espíritos reclamam da “pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência”1. Tão grave se mostrou o problema durante os trabalhos de elaboração da doutrina espírita, que Allan Kardec inicia a Introdução de O livro dos espíritos justificando a necessidade de acertarmos o significado das palavras “para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos”2. Essa dificuldade explica por que, no corpo do livro, existe uma série de perguntas que demandam uma definição bem clara e precisa de palavras-chave ao bom entendimento do espiritismo. Tal cuidado metodológico de Kardec na estruturação da codificação transparece no segundo item da Introdução, exclusivamente voltado para a conceituação e delimitação do significado da palavra ‘alma’. Mais adiante, na parte segunda do livro, no capítulo II, acerca da encarnação dos Espíritos, podemos perceber toda a profundidade do problema nas vinte questões que compõem o subcapítulo II – Da Alma. Os diferentes significados Etimologicamente, a palavra alma deriva da palavra latina anima sendo equivalente à palavra latina spiritu, às palavras gregas pneumo e psique e à palavra hebraica néphesh, todas significando sopro, ar, alento, hálito e com a acepção de princípio da vida, que se contrapõe ao corpo. No item II, da Introdução de O livro dos espíritos, Kardec nos informa que essa palavra tem três significados, sendo compreendida a partir de uma determinada perspectiva. Não podendo as três ideias colimarem para um entendimento doutrinário único, ele defende que “o mais lógico é tomá-la na sua significação mais vulgar, e por isso chamamos ‘alma’ o “ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo”3. Corwww.correiofraterno.com.br

roborando esse entendimento, na questão 134, somos informados de que a alma é “um Espírito encarnado”. Considerando que na questão 76 ele já dissera que “os Espíritos são os seres inteligentes da criação” que povoam o Universo, fica explícita a redundância das questões 134a e 134b. Portanto, ratifica-se o entendimento de que as almas e os Espíritos são uma e a mesma coisa, que o vocábulo alma designa com precisão um Espírito encarnado, enquanto o vocábulo Espírito designa o mesmo ser na condição de desencarnado. Eis a beleza e a maravilha da pureza linguística. Cada um de nós, como um ser inteligente, imaterial e individualizado, enquanto nos demoramos na crosta planetária revestidos e servindo-nos do pesado corpo material somos uma ‘alma’. Quando, no futuro, despirmo-nos da vestimenta corporal, continuaremos a nossa jornada de seres inteligentes, imateriais e individualizados como ‘Espíritos’. Com a clareza, precisão e simplicidade da definição kardequiana, percebemos que as expressões ‘alma encarnada’ ou ‘Espírito desencarnado’ constituem pleonasmos, um vício de linguagem caracterizado pela repetição desnecessária de uma ideia, tal como ‘subir para cima’ ou ‘entrar para dentro’. A visão religiosa Na visão religiosa, a alma é uma entidade em si, distinta do corpo físico, entrelaçada com o conceito de self (o eu individualizado, o ego). A ideia de alma evoluiu e igualou-se à de mente, de consciência, como introspecção ou reflexão sobre si mesmo, condicionada pelo entendimento de um conjunto de operações ou eventos, chamados psíquicos ou espirituais, constituindo por sua originalidade manifestações de um princípio irredutível a outras realidades (como o cérebro, por exemplo), embora em relação com elas, e reconhecida como a personalidade ou o eu total de uma pessoa. O aspecto filosófico Numa perspectiva filosófica, a mente ou a alma se apresenta e se impõe como um princípio ontológico4 do ser. A nossa condição de existirmos, segundo a máxima expressão cartesiana, deriva da constatação de


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que pensamos, logo existimos5, ou seja, existimos essencialmente como seres pensantes, como seres inteligentes, e não como seres biológicos. Além disso, o fundamento histórico sobre o qual erigimos a teoria do conhecimento considera inicialmente a subjetividade daquele que conhece. Isso porque, se pretendêssemos ajuizar toda a teoria do conhecimento como algo cerebral, encontraríamos dificuldades intransponíveis para justificar e explicar porque indivíduos com estruturas cerebrais estreitamente aproximadas entre si apresentam tão grande diversidade de manifestações. Também não teríamos motivo algum para homenagear os feitos do saber, pois estes não seriam o fruto do esforço e trabalho do ser inteligente, mas o resultado casual de uma anatomo-fisiologia privilegiada. O que diz a psicologia Em termos psicológicos a alma pode ser compreendida como o entendimento ou o intelecto, designan-

do a faculdade que o homem possui de compreender ou de pensar por ideias gerais, a capacidade de conhecer, de perceber e de compreender pela inteligência, de julgar por meio de conceitos. Sendo a alma o mesmo que a mente, designa assim o conjunto de faculdades ou poderes racionais do homem, tais como o pensamento, a percepção, a memória, a imaginação, o desejo. A alma é a nossa totalidade psicológica, com os seus aspectos consciente e inconsciente, racional e emocional.

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sico, ela não está encerrada no corpo10, como um pássaro numa gaiola, e embora não tenha uma sede determinada e circunscrita11, pode habitar mais intensamente um centro vital em função dos órgãos que lhe servem para as manifestações intelectuais ou emocionais dominantes. 1

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos. Questão 3.

2

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos. Introdução, item I.

3

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos. Introdução, item II.

A ciência das coisas que realmente existem e da sua natureza essencial. 4

O conceito espírita A partir de uma leitura cuidadosa e atenta das questões concernentes à alma em O livro dos espíritos depreendemos que a palavra indica a condição de um Espírito encarnado6 que anima um corpo dotado de vitalidade, o qual abandona quando esgota a força vital7. A alma é una, plena e indivisível8 servindo-se do corpo como uma vestimenta ou envoltório9 grosseiro de manifestação na materialidade. Embora intimamente conjugada ao corpo fí-

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Cogito, ergo sun.

6

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos -134, 134a, e 134b.

7

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos -136.

8

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos - 137.

9

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos - 136.

10

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos - 141.

11

Cf. KARDEC, A. O livro dos espíritos - 146 e 146a.

David Monducci é neurocirurgião, expositor do NEF-Núcleo de Filosofia Espírita, em São Paulo.

A inspiração dos poetas A alma sempre foi falada, consagrada, na filosofia, na arte, na religião e até mesmo na ciência. É um dos assuntos mais inspiradores para os grandes poetas. Muitos deles, ao desencarnarem, sensibilizados por essa realidade, enviaram muitos poemas através da psicografia.

Marchemos! Castro Alves Há mistérios peregrinos No mistério dos destinos Que nos mandam renascer: da luz do criador nascemos, Múltiplas vidas vivemos, Para à mesma luz volver. buscamos na Humanidade As verdades da Verdade, sedentos de paz e amor; e em meio dos mortos-vivos Somos míseros cativos da iniquidade e da dor. É a luta eterna e bendita, Em que o Espírito se agita na trama da evolução; Oficina onde a alma presa Forja a luz, forja a grandeza da sublime perfeição. É a gota d’água caindo no arbusto que vai subindo, Pleno de seiva e verdor; o fragmento do estrume, Que se transforma em perfume na corola de uma flor. A flor que, terna, expirando, cai ao solo fecundando o chão duro que produz, deixando um aroma leve

na aragem que passa breve, nas madrugadas de luz. É a rija bigorna, o malho, Pelas fainas do trabalho, A enxada fazendo o pão; o escopro dos escultores transformando a pedra em flores, em carraras de eleição. É a dor que através dos anos, dos algozes, dos tiranos, Anjos puríssimos faz, transmutando os neros rudes em arautos de virtudes, em mensageiros de paz. tudo evolui, tudo sonha na imortal ânsia risonha de mais subir, mais galgar; A vida é luz, esplendor, Deus somente é o seu amor, O Universo é o seu altar. Na Terra, às vezes se acendem Radiosos faróis que esplendem dentro das trevas mortais; suas rútilas passagens deixam fulgores, imagens, em reflexos perenais. É o sofrimento do cristo, Portentoso, jamais visto, No sacrifício da cruz, sintetizando a piedade,

E cujo amor à Verdade nenhuma pena traduz. É sócrates e a cicuta, É César trazendo a luta, tirânico e lutador; É cellini com sua arte, ou o sabre de bonaparte, o grande conquistador. É Anchieta dominando, A ensinar catequizando o selvagem infeliz; É a lição da humildade, de extremosa caridade do pobrezinho de Assis. oh! bendito quem ensina, Quem luta, quem ilumina, Quem o bem e a luz semeia nas fainas do evolutir: Terá a ventura que anseia. nas sendas do progredir. uma excelsa voz ressoa, no universo inteiro ecoa: “Para a frente caminhai! “O amor é a luz que se alcança, “Tende fé, tende esperança, “Para o Infinito marchai!” Do livro Parnaso de Além-Túmulo (1932), a primeira obra publicada da psicografia de Chico Xavier e que reúne poemas de autores consagrados em nossa literatura. www.correiofraterno.com.br


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ARtIGo

A disseminação do ódio nas

redes sociais Por AlessAndRA louRenÇo sIMÕes

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ifícil imaginar a comunicação atualmente sem a mediação da internet, principalmente depois de as redes sociais ganharem o mundo on-line e invadirem nosso dia a dia. Bilhões de usuários foram conquistados pela facilidade de uso e por deixar para trás problemas comunicacionais, consequentes de tempo e distância, além de oferecer recursos diversos, como texto, áudio, foto e vídeos. As redes sociais na internet deram voz ao cidadão comum, permitindo a ele o acesso facilitado e imediato para a exposição de suas ideias, quando de maneira instantânea pode transmitir o que pensa sem que tenha que submeter ou passar por avaliação prévia do que irá publicar. Mas o que temos assistido é que nem sempre é fácil lidar com tamanha autonomia, principalmente quando existe a pouca ou nenhuma preocupação com o outro, favorecendo a disseminação de conflitos sociais em escala e velocidades assustadoras. Os sentimentos contraditórios e apequenados que ainda trazemos, em maior ou menor grau, tão próprios da nossa imperfeição humana, tem encontrado nas redes sociais uma porta muito fácil para o seu extravasamento. Com os mais variados pretextos e abordando inúmeros temas, o discurso de ódio ganha espaço, altera os relacionamentos, dificulta a compreensão e contamina a

o mal que fazemos a nós mesmos através da agressividade e da manifestação da cólera: “Se ponderasse que a cólera nada soluciona, que lhe altera a saúde e compromete a sua própria vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, deveria contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não sentirá remorsos por fazer sofrer as criaturas que mais ama? E que mágoa profunda não sentiria se, num acesso de arrebatamento, cometesse um ato de que teria de arrepender-se por toda a vida!”

todos num processo de disputa, com discursos tendenciosos e quase sempre pouco fundamentados, com o objetivo de se prevalecer como a verdade, enquanto diminui o o outro, quem está do outro lado da tela. Com os recursos das ferramentas digitais, podemos rapidamente expressar palavras ofensivas e agressivas contra aquele que pensa diferente ou que tem gostos ou preferências que não as nossas. Acabamos por entrar em conflito desnecessário e magoando pessoas de nossa família, do nosso círculo de amizades, e outros que nem mesmo conhecemos. Agindo desta forma, nossos pensamen-

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tos e atitudes nos fazem entrar em contato com vibrações de baixo padrão, facilitando a nossa sintonia com espíritos inferiores e trazendo toda a sorte de consequências que advêm de suas ações. Allan Kardec, em O evangelho segundo o espiritismo, aborda o tema, lembrando que a cólera não exclui as qualidades do coração, mas impede de fazermos o bem e pode levar-nos à prática de muito mal. E lembra que o espírita é concitado ao domínio desse sentimento ainda por outro motivo: por ele ser contrário à caridade e à humildade cristãs. Também em O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec nos alerta sobre

Nós, espíritas, temos o importante papel de propagar o amor e a caridade de nosso irmão maior, Jesus. Devemos ser exemplo de conduta, independentemente do meio de comunicação com o qual estamos interagindo. Importante lembrar também que ninguém é dono da verdade, estamos todos aqui em aprendizado e evolução. Nós, nossos pensamentos e escolhas, não são melhores do que das outras pessoas. Sigamos em frente, caminhando juntos em paz e fraternidade para alcançarmos um mundo melhor. Bibliografia O evangelho segundo o espiritismo, cap.9. FEB. Mestra em Comunicação Social, especialista em Segurança da Informação e professora na área de Tecnologia.


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HOMENAGEM

10 anos sem Jorge Rizzini Por Eliana Rizzini Fuchs

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scritor e jornalista (1924-2008), Jorge Rizzini destacou-se por seu espírito de luta e profunda convicção na defesa da doutrina espírita, numa época em que o espiritismo era perseguido por inimigos, que viam nele uma ameaça aos princípios da parapsicologia, da filosofia materialista e às religiões tradicionais. Eram os anos 1960 e 1970. Era necessário, nessa fase, formar um grupo de resistência, composto por homens fortes, entendido como aqueles que não só já traziam como bagagem a convicção da verdade espírita, mas também que tivessem a capacidade de enfrentamento, diante de toda uma sociedade mergulhada no preconceito e misticismo, insuflada por uma mídia muitas vezes sensacionalista. “Os tempos eram chegados”, dizia Rizzini. Como explicar curas realizadas pelos espíritos, através de médiuns, ao mesmo tempo em que surgiam muitos mistificadores se passando por curadores? Dotado de profundo senso de análise e de investigação, ele produziu notáveis reportagens e artigos para os mais importantes veículos da nossa imprensa espírita. Foi também um grande médium psicógrafo. Poesias e músicas mediúnicas foram trazidas por ele do além. Ações na defesa da doutrina espírita Reconhecido em nosso meio como grande divulgador e um dos mais competentes defensores da doutrina espírita, Rizzini defendeu pela televisão, em polêmicas de repercussão nacional, os médiuns Zé Arigó, Chico Xavier, Waldo Vieira e Otília Diogo. Na época, todas as atenções estavam voltadas para o médium Zé Arigó e as cirurgias espirituais que realizava. Ele não só filmou as primeiras cirurgias, atestando

sua autenticidade, como publicou o livro O caso Arigó, divulgando seus trabalhos em conferências na Argentina, México, Estados Unidos e Inglaterra. No livro Materializações de Uberaba, de 1964, retrata a maior campanha contra o espiritismo no Brasil, demonstrando na TV a manipulação da verdade nas reportagens da revista O Cruzeiro, que denunciavam a médium Otília Diogo como charlatã. Indiretamente, nos ataques da revista, também Chico Xavier e Waldo Vieira acabaram sendo envolvidos. Ao lado de seu grande amigo Herculano Pires, promoveu campanha, diante da edição adulterada de O evangelho segundo o espiritismo, publicada pela Feesp, em 1970. No jornal A Mensagem, em 1975, Herculano registrou, com entusiasmo o exemplo de Jorge Rizzini: “Num momento de tantas omissões e tantas traições a Kardec e à doutrina, Rizzini consola e alenta os que conhecem a virtude da franqueza e da fidelidade”. Produção mediúnica e não mediúnica Apesar de ter sido escritor, com vários livros publicados, foi na sua juventude que sua mediunidade se impôs, como narra no seu livro mediúnico Antologia do mais além: “Até então eu não sabia que era médium psicógrafo, não obstante certos livros anteriores... Mas a minha hora havia soado, e eu iria ter a revelação desta mediunidade, em mim antiga, e, todavia, ignorada...” Nesta Antologia, em Sexo e verdade e Castro Alves fala à Terra, prefácios de Herculano, foram psicografados poemas de 44 poetas brasileiros, portugueses e norte-americanos. Em casa, quando escrevia, via luzes. Os efeitos físicos se produziam com frequência, ouvindo intimamente vozes espirituais,

batidas na parede e na estante, que indicavam correções necessárias ao texto. Preocupado sempre em certificar-se da identidade dos espíritos, quando ouvia as batidas, ele as apreciava, porque representavam uma Jorge Rizzini: prova tangível da franqueza e fidelidade a espiritualidade na Kardec elaboração dos versos. A preocupação era tanta que, certa vez, ele enviou seus poemas para serem analisados por renomados críticos literários, a exemplo de Menotti Del Picchia, da Academia Brasileira de Letras, que reconheceu os estilos dos poetas do além. Como médium musical, Rizzini captou de treze famosos compositores nacionais e estrangeiros músicas dos mais variados estilos, entre eles Ari Barroso, Gardel, Verdi, e Duke Ellington. Para contar sobre a imortalidade da alma desses compositores, realizou três Festivais de Música Mediúnica, o primeiro, no Teatro Municipal de São Paulo, em 1982. Dentre os livros doutrinários de sua própria autoria destacamos: Eurípedes Barsanulfo - o apóstolo da caridade; Kardec, irmãs Fox e outros; A Terceira Revelação; O regresso de Glória; Herculano Pires - O apóstolo de Kardec e Escritores e fantasmas, reeditado pela Editora Correio Fraterno, em 2017. Como filha, convivi intensamente num ambiente de ricas conversas entre meus pais, quando vinham à tona, desde as batidas da última madrugada ou assun-

Cumprimentos de Heloísa Pires ao autor do livro biográfico de seu pai: Herculano Pires, o apóstolo de Kardec

tos para um próximo artigo, até análises do movimento espírita. Minha mãe, Iracema Sapucaia, educadora, escritora espírita e médium desde menina, foi uma mãe amorosa, de opinião e também grande companheira de meu pai em todas as etapas de uma vida cheia de grandes desafios. Para o movimento espírita fica uma mensagem, um exemplo de coragem e de renúncia, de investigador e analista crítico que recompõe, agora, na espiritualidade, o velho grupo de companheiros na defesa do espiritismo, juntando-se a Herculano, Imbassahy e Deolindo, na esperança de que outros companheiros, neste plano, prossigam pela vereda de trabalho por eles aberta. www.correiofraterno.com.br


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cultuRA & lAzeR

Feira do Livro Espírita em BH A União Espírita Mineira realiza, de 19 e 28 de outubro, a 36ª Feira do Livro Espírita. Com livros, revistas, CDs e DVDs com até 70% de desconto. Rua dos Guaranis, 313, Centro, em Belo Horizonte. Das 9h às 20h30 e domingo, das 9h às 14h. www.uemmg.org.br. Fone: (31) 3201-3038.

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70 anos do Congresso Espírita de Unificação Para comemorar os 70 anos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, a USE realiza nos dias 20 e 21 de outubro, no Instituto Espírita de Educação, o evento “Para que todos sejamos um”. Palestra de abertura de Antonio Cesar Perri sobre a história do movimento espírita. O evento conta com rodas de conversa e a participação de dirigentes espíritas dos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e da Federação Espírita Brasileira. Na rua Prof. Atílio Innocenti, 669, Itaim Bibi, São Paulo. www.usesp.org.br

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Final do Festival de Música Espírita Acontece dia 27 de outubro, às 17 horas, no Teatro Lauro Gomes, o 5º Festival de Música Espírita de São Bernardo do Campo, SP. Com a participação de finalistas de São Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Realização: Conselho Espírita de São Bernardo do Campo, SP. Apoio: USE do Estado de São Paulo. Local: Rua Helena Jacquey, 171, Rudge Ramos, S. Bernardo, SP. Entrada franca, com entrega voluntária de alimentos não perecíveis. www.femesbc.com.br

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Congresso Circuito das Águas De 9 a 10 de novembro, será realizado em Serra Negra, SP, o 12º CONEC – Congresso de Espiritismo do Circuito das Águas, tendo como tema central: “A valorização da vida”. Palestras com Izaias Claro, Deusa Samu, dentre outras. O evento acontece no Centro de Convenções Serra Negra. Abertura às 20:30h com a peça teatral Uma comédia no Além, com participação de Leão Lobo (SBT). www. usecircuitodasaguas.org.

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CAÇA-PALAVRAS DO CORREIO Já anunciava Allan Kardec, no final do século 19, que a certeza da vida futura com todas as suas consequências transformava completamente a ordem de ideias, fazendo com que o homem visse as coisas por outro prisma. esse grande missionário, nascido em 3 de outubro de 1804, em lyon, França, somente por volta dos 50 anos vislumbrou uma verdadeira revolução que se processaria no conhecimento da humanidade. não se contentando com a diversão das mesas girantes, foi pesquisar suas causas e acabou por descobrir e organizar a doutrina dos espíritos, trazendo à Terra uma obra de inestimável valor, desvendando e comprovando que a vida ia muito mais além do que os nossos sentidos físicos e limitados podiam abarcar. Com Kardec surgia há 161 anos o espiritismo, o consolador Prometido por Jesus. Pensar na importância da divulgação dessas novas ideias causa emoção, pelo tanto que representam, um salto na compreensão dos problemas humanos.

A e I A M c A t M I P K R P P A M K I l A Q K A F H A P P K

e d o u t R I n A o o A A o A s I A o l s u A V u u s o o A

R R u s n H s R e K b R u M u s s l s A s M R e t M s e K d

t Y e e s u o A R A Ç G t n F t s l M n I I A n K A A R A c

u u A n s V A l o R e P I t u n u o A o o s l t A n n V l R

o n s R R P M u n c R l u R t R n b s b K s l u P I s s l R

n b t o R d I o I d J l F R A n Ç A R R A I I F l d s A n d

n c Ç s o A V R o A u A t u M n R s I o o o o u l A I o A A

Elaborado por Izabel Vitusso e Hamilton Dertonio, especialmente para o Correio Fraterno

o o z u A d I A I l d u R s t t t I o R P n P t A d o b t d

I P t R o e d e A t K o R V u u o e K s l A o R M e s A s e

u l n A P t A s s R o l A Ç o F R n s o b R A A V e l o n H

P X M H V u d s d n d s s e P u F A R R A I P s e R A n M u

A A P u c R e e A l l A n K A R d e c R n o V P R P M t c M

ENIGMA

Qual a maior recomendação dos Espíritos sobre a prece? qualquer hora, em qualquer lugar

Solução do Passatempo Veja em: www.correiofraterno.com.br

Resposta do Enigma: “A forma não é nada, o pensamento é tudo.” “um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração”. O evangelho segundo o espiritismo, cap. 28, item1.

AGENDA

Visões

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beneficente 11 Chá-Bazar O evento mais esperado! Dia 11 de novembro, a partir das 14h30

Artesanatos belíssimos, peças exclusivas e preços especiais. Av. Humberto de Alencar castelo branco, 2955, Vila Alves dias, são bernardo do campo, sP. Fone: 11 4109-2939. www.laremmanuel.org.br

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VALORIZAÇÃO DA VIDA

Um balanço do Setembro Amarelo Da redação

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om o objetivo de alertar a população sobre a importância da discussão do tema, o Setembro Amarelo, campanha promovida pelo CVV- Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, mais uma vez destacou a importância da informação para a prevenção do suicídio, abrindo espaço para que o assunto deixe de ser tabu. O jornalista André Trigueiro, autor do livro Viver é a melhor opção – a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo faz um balanço sobre a campanha. Como foi o Setembro Amarelo neste ano? André Trigueiro: Muitos monumentos públicos iluminados de amarelo, times de futebol entrando em campo com a cor amarela, um goleiro (do Ceará) usando o número 188 na camisa em um jogo oficial do Campeonato Brasileiro, programas de televisão e de rádio abrindo espaço para o assunto, ampla divulgação da campanha nas redes sociais, muitas caminhadas organizadas pelo CVV e outras entidades parceiras. A cada ano, mais gente se envolve, participa e divulga o Setembro Amarelo. O tabu está perdendo força. Quantas palestras sobre suicídio realizadas em setembro? Foram ao todo 14 palestras gratuitas. Falei em universidades, igreja batista, centro cultural israelita, teatros, centros espíritas, defensoria pública, além de uma live pela minha página do Facebook (com retransmissão pela Febtv e Webradio Fraternidade). É um mês em que eu literalmente não paro. A causa é nobre e urgente. Você é voluntário do CVV. Qual o papel do CVV na sociedade? Sou voluntário colaborador. Não atendo telefone, mas procuro ajudar na divulgação do serviço. O CVV promove a escuta atenciosa e amorosa de qualquer pessoa que precise desabafar. Este ano, com o apoio do Ministério da Saúde, as ligações para o CVV (188) se tornaram gratuitas em todo o país. O desafio agora é dar conta da

multiplicação do número de ligações que passaram de 1 milhão para 3 milhões por ano. O CVV precisa urgentemente de mais voluntários. Os números sobre suicídio assustam. Como diminuir esses índices? Com informação e atitude. Precisamos entender que o fenômeno do suicídio é complexo e multifatorial. Nem sempre perceberemos que alguém próximo está prestes a cometer suicídio. Mas em boa parte dos casos podemos ajudar, interceder em favor da recuperação da serenidade e do equilíbrio. A palavra de ordem é “acolhimento”. Qual a importância dos esclarecimentos espíritas sobre o tema? A doutrina espírita impressiona pelo nível de detalhamento da realidade do suicida após a morte do corpo. Mesmo quem não seja espírita fica impressionado. Mas Deus não seria soberanamente justo e bom se não permitisse uma nova chance para todos nós. Chegará o momento – que para o suicida parece uma eternidade – em que será possível seguir para uma unidade de tratamento onde será socorrido e preparado para uma nova encarnação. Por isso, não temos dúvidas em afirmar que viver sempre será a melhor opção. Em meio a tantas crises, como valorizar a vida? A dor e o sofrimento são inerentes à condição humana. A questão é como lidar com isso. Todas as religiões e correntes filosóficas explicam – cada uma a seu modo – qual o sentido dos revezes existenciais. O espiritismo nos ensina que a dor e o sofrimento são convites à evolução, oportunidades de exercitarmos o perdão, a paciência, a tolerância, a fé. Quando Jesus nos disse que “o jugo é suave e o fardo é leve”, assinalou que ne-

nhum problema é superior a nossa capacidade de enfrentá-lo. 50 mil exemplares vendidos de Viver é a melhor opção – . Como analisa a caminhada do livro? É uma vendagem espetacular para um país como o Brasil, especialmente quando se considera o assunto do livro, o suicídio. Embora não tenhamos almejado o segmento de autoajuda, é impressionante a quantidade de gente que encontra na obra forças para seguir em frente. Muitos psicólogos ou psiquiatras me deram retorno positivo sobre os conteúdos publicados. O repasse dos direitos autorais para o CVV ajudou a instituição a implantar a tecnologia do sistema 188, além de financiar os deslocamentos de voluntários para implantar novos postos do CVV e custear as despesas com materiais nos cursos gratuitos de formação de voluntários. Quem compra o livro ajuda o CVV a existir. Simples assim. Isso também me deixa muito feliz. www.cvv.org.br www.correiofraterno.com.br


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SETMBRO - OUTUBRO 2018

VOCÊ SABIA?

Obras de Herculano Pires são temas de palestras Por ELIANA HADDAD

Evento em homenagem ao escritor reúne familiares: Tatiana Cury (neta de Herculano Pires), ladeada pelo pai, Herculano Ferraz, e a tia, Heloísa Pires

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Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires promoveu de 25 a 28 de setembro a 1ª Semana J. Herculano Pires, com palestras transmitidas ao vivo pela internet sobre as obras do grande escritor, poeta e filósofo, que nasceu em 25

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de setembro de 1914, em Avaré, SP, e desencarnou na Capital, em 9 de março de 1979. Com previsão para ser realizado anualmente na semana de seu aniversário, o evento nesta sua primeira edição contou com o apoio da Editora Correio Fraterno e da USE- Regional São Paulo. Como parte da programação, a atriz Rosi Campos, que tem estreita ligação com o Grupo Espírita e com os familiares de Herculano Pires, prestigiou o evento, declamando poesias do escritor, reunidas no livro Poesias de J. Herculano Pires, da editora Paideia. Os quatro dias do evento teve a primeira

parte acontecendo em São Paulo, no Grupo Espírita Cairbar Schutel, Vila Mariana, com Herculano Ferraz Pires narrando não somente a biografia, escrita pelo amigo Jorge Rizzini, no livro Herculano Pires, o apóstolo de Kardec, como também a sua vida em família, contando belas passagens do ‘pai’ com sua corajosa companheira de tempos de Mocidade Espírita, Maria Virgínia Ferraz Pires (1919 – 2000), que acabou por levar adiante o projeto da Editora Paideia, por ele fundada em 1976, e que hoje reúne 81 títulos de J. Herculano Pires. Tendo como temas as obras de Herculano, foram realizadas, na sequência, palestras nas cidades de Marília, SP, com André Luiz Fernandes, sobre o livro O espírito e o tempo; em Fortaleza, CE, com Francisco Cajazeiras, sobre O sentido da vida; em Ribeirão Preto, SP, com Gustavo Marcelo Daré, sobre Agonia das religiões, e em São Paulo, com Heloísa Pires, sobre o livro O pensamento de Herculano Pires.

Amigos, familiares e admiradores do grande divulgador do espiritismo, “o melhor metro que mediu Kardec”, segundo Emmanuel, prestigiaram o evento, juntamente com os internautas, que participaram através de perguntas aos palestrantes e da interação no chat da Fundação. A 1ª Semana contou também com o lançamento do livro inédito, o Curso básico de espiritismo, que reúne o material que o professor e jornalista escreveu para realizar nos anos 1960 um curso de espiritismo por correspondência. Na época, 1.800 cópias foram encaminhadas a destinatários de inúmeras cidades do Brasil, América Latina, Europa e África. Além do curso, faz parte da obra um plano de estudo do espiritismo. As palestras foram gravadas e podem ser acessadas através do site da Fundação (www.herculanopires.org). O acervo da Fundação está aberto para consultas e visitas, que precisam ser agendadas.


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SETEMBRO - OUTUBRO 2018

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DIRETO AO PONTO

Gratidão, Allan Kardec! Por UMBERTO FABBRI

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ste homem extraordinário, nascido em 3 de outubro de 1804, foi responsável, conforme o texto acima, por construir um monumento em nome do amor e do conhecimento. Seu trabalho primoroso, disciplinado e preciso, foi sempre pautado na atenção para com todos e na honestidade. Um bom trabalhador do Cristo é sempre notável em tudo que realiza e Kardec não foi diferente. Muito antes de se interessar em desvendar a realidade da dimensão espiritual e sua influência sobre nossa vida de encarnados, este aluno de Pestalozzi, que se destacou por sua inteli-

gência e dedicação, já havia escrito várias obras literárias para tornar atraente e interessante o sistema educacional francês. Seu coração generoso o levava a ministrar aulas gratuitas aos que não podiam pagar. Trabalhou incansavelmente sem abandonar suas atividades da vida comum para nos iluminar com a luz provinda dos esclarecimentos espíritas. Com certeza o entendimento de um número imenso de pessoas mudou com a elaboração e publicação do pentateuco espírita. O monumento por ele erguido nunca será destruído ou esquecido, pois foi edificado em nossas mentes e corações com

seu exemplo de humildade e compromisso sincero com a Verdade. Ele não projetou sobre sua pessoa os holofotes ilusórios da fama, mas sim, colocou em evidência o grande merecedor de nossa admiração, amor e reconhecimento: nosso mestre Jesus. Minha gratidão a este homem transcenderá as barreiras da existência física, pois a sua vida transformou a minha. Não existe uma prova maior de que um trabalho tenha realmente obtido sucesso do que este: ter melhorado a vida de tantas outras pessoas. E com certeza o trabalho de Allan Kardec promoveu a

condição de racionalizarmos nossa fé, de resgatarmos a singeleza amorosa dos ensinamentos do Cristo, nos mostrando de forma científica a realidade do mundo espiritual e o modo como ele nos influencia, nos auxiliando, desta forma, a nos tornarmos pessoas melhores, mais conscientes. Por tudo isso, obrigado, Kardec! Profissional de marketing, Umberto é orador e escritor brasileiro, morando atualmente na Flórida, EUA. Autor dos livros O traficante, Amor e traição e Pecado e castigo (ditados por Jair dos Santos) e O político (por Adalberto Gória), ed. Correio Fraterno.

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SETMBRO - OUTUBRO 2018

MÍDIA DO BEM Este espaço também é seu. Envie para nós as boas notícias que saíram na mídia! Se o mal é a ausência do bem, é hora de focar diferente!

Vovô de 90 anos entra na universidade. “Estava acomodado”

Professora manda cartas e faz alunos melhorarem redação

Crianças que possuem hábitos religiosos são mais saudáveis e felizes

Todo dia é tempo de aprender. É o que mostra um vovô de 90 que fez vestibular, foi aprovado e se matriculou na universidade para cursar arquitetura e urbanismo no centro universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, SP. O desenhista de projetos Carlos Augusto Manço decidiu voltar a estudar e no primeiro dia de aula despertou tanto a curiosidade dos colegas, que passou a ser o aluno mais querido da classe. “Aqueles meninos me tratam bem também, molecada boa. As matérias que eles estão aprendendo eu já sei. Eu consigo me adiantar um pouco mais”, disse.

Uma professora brasileira encontrou nas velhas cartas uma forma criativa para fazer seus alunos escreverem e melhorarem a redação. Vergiane Fornari, da Escola Municipal Henrique Talone, em Palmas, TO, decidiu enviá-las pelos Correios para a casa dos estudantes. Nas 70 correspondências ela explica o objetivo de uma carta, a linguagem utilizada e a intimidade que esse meio de comunicação estabelecia no passado. “Os que ainda não receberam estão ansiosos e já estão me cobrando suas correspondências. Isso comprova o envolvimento e sucesso do projeto”, contou.

Um estudo realizado pela Escola TH Chan de Saúde Pública da Universidade de Harvard, Estados Unidos, quis saber se os hábitos religiosos de crianças e adolescentes poderiam influenciar na qualidade de vida. Acompanharam 5.000 jovens ao longo de 14 anos, até a idade de 20 anos. Os resultados apontaram que crianças criadas com práticas religiosas, como oração, estudos e participação em instituições, possuem 18% mais probabilidade de se considerarem felizes aos 20 anos, são 30% mais prestativas para trabalhos voluntários e possuem 33% menos risco de desenvolver problemas como dependência química e depressão.

Fonte: www.sonoticiaboa.com.br

Fonte: www.sonoticiaboa.com.br

Fonte: www.gospelmais.com.br

Em frente ao casarão, lembranças repentinas impactam Dom Carlos Lupe. A figura da jovem Castelita lhe remete a verdadeiros enigmas de suas vidas passadas. Hoje, atraído inexplicavelmente por Maria do Pilar, o ex-menino pobre e abandonado reviverá a sua verdadeira paixão.

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Correio Fraterno, um dos mais conceituados veículos de informação espírita do Brasil.

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