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ISSN 2176-2104

CORREIO

Entrevista

FRATERNO

Umberto Fabbri

A percepção de um brasileiro sobre o movimento espírita nos Estados Unidos e a ação social que também no Brasil pode ser uma boa ideia. Págs. 4 e 5

SEMPRE ATUAL, COM O MELHOR DO CONTEÚDO ESPÍRITA Ano 45 • Nº 449 • Janeiro - Fevereiro 2013

O outro lado da história

Lincoln: O presidente que encarou riscos políticos para acabar com a escravidão nos Estados Unidos

U

m dos filmes favoritos ao Oscar 2013, Lincoln, de Steven Spielberg, impressiona. Não se trata simplesmente de uma cinebiografia, mas de um relato de um importante momento da história sobre como um dos maiores estadistas americanos conseguiu uma emenda na Constituição para abolir a escravidão no país. Mas o que o público infelizmente continuará sem saber é que frequentemente o presidente Abraham Lincoln recorria aos conselhos dos espíritos em sessões mediúnicas realizadas na Casa Branca e que elas tiveram influências decisivas na história dos Estados Unidos. Em plena Guerra da Secessão, o estadista busca orientações urgentes para suas decisões. O país caminhava para uma iminente divisão: os sulistas lutavam pela separação. Desafiado pelos espíritos, Lincoln partiu para a ação. Leia mais nas páginas 8 e 9.

O triste episódio de Santa Maria É preciso muita cautela ao se tentar justificar os desencarnes coletivos de forma simplista. O fato de a doutrina espírita afirmar que para tudo há um motivo não nos autoriza a interpretações rasas e generalizadas. Leia na página 10.

Direitos autorais

Adquira o seu exemplar com desconto! De J. W. Rochester Por Arandi Gomes Teixeira 446 páginas

Um desabafo de quem produz Oceano Vieira (Produtor de filmes espíritas)

“É lamentável que todos os nossos filmes espíritas e até vídeos estejam no You Tube, sem terem sido disponibilizados de maneira legal e adequada”. ‘Control C, control V’ no computador é muito fácil, mas é ilegal. Pág. 3

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eDItoRIAL

Antes de explicar é preciso

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o fechamento desta edição fomos surpreendidos com a triste notícia do incêndio na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que causou a morte de mais de duzentos jovens e levou outra centena aos hospitais em estado grave. Mais do que a exatidão dos números assustadores nessa tragédia, fica em todos nós a sensação de exposição ao risco e o clamor da alma de que a vida não pode mesmo ser malbaratada, sendo preciso mais cuidado e maior responsabilidade quanto à segurança no que se refere ao lazer, momentos de diversão que envolvem vidas. Sem direito a julgamentos, como nos ensina a lei do amor, não podemos, entretanto, ficar indiferentes frente à imensa dor por que passam familiares e amigos desses jovens que partiram. Resta-nos o alerta da

consolar

tragédia para utilizarmos a inteligência a favor de medidas que evitem que a cena se repita. É inegável o sentimento de solidariedade, reconforto. Silêncio, abraço. Antes de explicar é preciso consolar. Compreender que nem todos que sofrem estão ‘pagando’ e que cada caso é um caso. Isso sim é lógico. Mesmo porque tivessem os sofrimentos exatamente as mesmas causas Jesus não poderia ter sido açoitado, crucificado, humilhado e incompreendido. Pode haver o mesmo tipo de morte por motivos diferentes. Cada qual na ‘sua’ vida. Vida espiritual, no sentido de experiências, de conhecimento, de desafios, de conquistas, de provas, de tarefas, de propósitos que

CORREIO DO CORREIO Uma conversa necessária Adorei o enfoque à questão do livro. Simonetti é uma referência no assunto. Tem história e muita competência para falar sobre o livro e o que os espíritas estão fazendo com ele. O texto do Jáder também está ótimo! Muita gente ainda não sabe que comete ilegalidade disseminando livros na internet para download gratuito. O texto do Marco Milani traz a autoridade de Kar-

dec falando sobre a literatura espírita. Esse é o caminho! Os veículos de comunicação precisam se unir para levar esta conscientização para o público, editoras e instituições. Há muita gente responsável que pode vir a somar! David Liesenberg, Matão, SP Parabenizo o Correio Fraterno pela coragem de falar sobre a questão da violação

CORREIO

FRATERNO ISSN 2176-2104 Editora Espírita Correio Fraterno cnPJ 48.128.664/0001-67 Inscr. estadual: 635.088.381.118

Presidente: Izabel Regina R. Vitusso Vice-presidente: Tânia Teles da Mota Tesoureiro: Vicente Rodrigues da Silva Secretária: Ana Maria G. Coimbra Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 2955 Vila Alves Dias - CEP 09851-000 São Bernardo do Campo – SP www.correiofraterno.com.br

em dois artigos, escritos por Allan Kardec e publicados na Revista Espírita, em 1858, estão encerradas as diretrizes que o Correio Fraterno adota como norte para o trabalho de divulgação: • A apreciação razoável dos fatos, e de suas conseqüências. • Acolhimento de todas observações a nós endereçadas, levantando dúvidas e esclarecendo pontos obscuros.

só Deus, o Criador, pode conhecer profundamente. A equipe do Correio Fraterno, em humilde prece, envia a todos esses jovens suas vibrações de carinho e silenciosamente abraça a todos, familiares e amigos, com seu melhor amor.

dos direitos autorais dos livros espíritas, que estão sendo disponibilizados na internet para downloads sem autorização das editoras, e sobre o problema da enxurrada de obras fantasiosas ditas espíritas. Apreciei também a entrevista de Richard Simonetti, que alertou sobre a falta de espaço na imprensa espírita para críticas e resenhas literárias. Aproveito para lembrar o que ensinam os Espíritos: às vezes é necessário se expor o erro a fim de que ele não prejudique a muitos. Flávio Olive, Rio de Janeiro, RJ

Envie seus comentários para redacao@correiofraterno.com.br. Os textos poderão ser publicados também no nosso site www.correiofraterno.com.br JORNAL CORREIO FRATERNO Fundado em 3 de outubro de 1967 Vinculado ao Lar da Criança Emmanuel www.laremmanuel.org.br Diretor: Raymundo Rodrigues Espelho Editora: Izabel Regina R. Vitusso Jornalista responsável: Eliana Ferrer Haddad (Mtb11.686) Apoio editorial: Cristian Fernandes Editor de arte: Hamilton Dertonio Diagramação: PACK Comunicação Criativa www.packcom.com.br Administração/financeiro: Raquel Motta Comercial: Magali Pinheiro Comunicação e marketing: Tatiana Benites Auxiliar geral: Ana Oliete Lima Apoio de expedição: Osmar Tringílio Impressão: Lance Gráfica

Uma ética para a imprensa escrita

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• Discussão, porém não disputa. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas razões aos olhos de pessoas sensatas. • A história da doutrina espírita, de alguma forma, é a do espírito humano. O estudo dessas fontes nos fornecerá uma mina inesgotável de observações, sobre fatos gerais pouco conhecidos. • Os princípios da doutrina são os decorrentes do próprio ensinamento dos Espíritos. Não será, então, uma teoria pessoal que exporemos. • Não responderemos aos ataques dirigidos contra o espiritismo, contra seus partidários e mesmo contra nós. Aliás, nos absteremos das polêmicas que podem degenerar em personalismo. Discutiremos os princípios que professamos. • Confessaremos nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos. Serão um meio de esclarecimento. • Se emitirmos nosso ponto de vista, isso não é senão uma opinião individual que não pretenderemos impor a ninguém. Nós a entregaremos à discussão e estaremos prontos para renunciá-la, se nosso erro for demonstrado. Esta publicação tem como finalidade oferecer um meio de comunicação a todos que se interessam por essas questões. E ligar, por um laço comum, os que compreendem a doutrina espírita sob seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e a caridade do evangelho para com todos.

Envio de artigos Encaminhar por e-mail: redacao@correiofraterno.com.br Os artigos deverão ser inéditos e na dimensão máxima de 3.800 caracteres, constando referência bibliográfica e pequena apresentação do autor.


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Acontece

Advogados respondem às dúvidas sobre direito autoral na internet

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edição passada do Correio (edição 448) publicou matéria de capa sobre os desafios enfrentados por autores e editoras que têm tido suas obras livremente copiadas, disponibilizadas e divulgadas na internet. É evidente a mudança que vem ocorrendo com o advento da era digital nos campos do saber. Com o segmento espírita não tem sido diferente, motivo pelo qual a edição causou repercussão e suscitou inúmeras manifestações. (Leia na seção Correio do Correio). Consultada sobre o tema ainda antes de ser fechada a referida edição, a Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo pediu um tempo maior para análise da questão, uma vez que o assunto ainda é bem controverso e não tão simples de se esclarecer. A opinião pública também tem se mostrado dividida a este respeito, o que se reflete na própria enquete no site do Correio Fraterno. Ao retornar o seu parecer, o vice-presidente da entidade, Eduardo Ferreira Valerio, reafirmou a necessidade de um aprofundamento sobre o assunto, salientando o quanto a provocação foi positiva: “vamos incluir o assunto em nossas discussões no próximo ano”. Juntamente com a advogada Maria Odete Duque Bertasi, eles cordialmente atenderam à nossa solicitação, respondendo às seguintes dúvidas: Há legislação clara e específica sobre o uso e disponibilização de conteúdo editorial (texto e imagem) na internet? Ela está sendo cumprida? Não há. Sabe-se, contudo, que estão em tramitação dois projetos de lei concernentes ao mundo virtual: o Marco Civil para o uso da internet e a criação dos crimes virtuais. (Leia mais em nosso site). Qual a orientação da AJE a esse

Por REDAÇÃO respeito e o que devem fazer os que se sentem lesados, autores e editores? A AJE-SP não discutiu o tema em suas instâncias deliberativas e por isso não tem uma orientação a respeito. Entretanto, como regra geral no âmbito da responsabilidade civil, qualquer violação de direito (autoral, no caso) gera direito à indenização, podendo ser postulada por ação própria em nome individual. Vale lembrar que, inexistindo disciplina legal específica, aplicam-se as disposições da Constituição Federal e do Código Civil que consagram o direito à imagem, intimidade, propriedade intelectual, liberdade de crença e religião, sendo as violações a tais direitos passíveis de indenização. É possível deter esse movimento de livre conteúdo na rede? O que vocês pensam a este respeito? Vale tudo em nome da divulgação da doutrina? Certamente uma doutrina que preconiza a ética cristã não permite um ‘vale-tudo’ em nome de sua divulgação. Definitivamente os fins não justificam os meios. O respeito pelo direito alheio, isto é, pelo trabalho do autor, deve pautar o trabalho dos divulgadores do espiritismo, notadamente dos responsáveis pelas páginas eletrônicas. Como devem proceder os espíritas ao se utilizarem dessas ferramentas? Com consciência de que são partícipes morais do processo de comunicação que se estabelece a partir da página eletrônica. Ao perceber-se que o conteúdo não está respeitando o direito do autor, isso deve ser apontado, ainda que de modo fraterno, à entidade responsável pela veiculação, a qual muito possivelmente estará agindo de boa-fé. E, ao utilizar-se daquele conteúdo em suas atividades doutrinárias, deve sempre mencionar o autor e lhe dar o devido crédito por sua obra.

Como você analisa a divulgação na rede das obras espíritas que ainda não são de domínio público? Acha que devem ser todas disponibilizadas livremente ou levar em conta os direitos autorais? Certamente devem respeitar o direito autoral, até porque é preciso lembrar que, em sua grande maioria, eles costumam ser doados por seus autores a obras assistenciais, o que significa que a violação ao direito autoral gerará, ao fim, prejuízo aos destinatários

de atividades assistenciais. Trata-se de situação que agrava ainda mais a responsabilidade ética, de natureza espiritual, daquele que faz a indevida veiculação da obra. Eduardo Ferreira Valerio é promotor de Justiça, vice-presidente de eventos da AJE-SP e Maria Odete Duque Bertasi, advogada e integrante do conselho deliberativo da mesma entidade. Veja o documento e o projeto no site www.correiofraterno.com.br

Um desabafo de quem produz Oceano Vieira: É preciso ética na divulgação

“Sabemos das boas intenções de divulgar. Mas é lamentável que todos nossos filmes espíritas e até vídeos estejam no You Tube, sem que os tenhamos disponibilizado de maneira legal e adequada. São anos de pesquisa e de dificuldades financeiras para poder produzir e distribuir esses filmes em DVD e para a TV por assinatura, nas lojas e livrarias de todo o Brasil, com o intuito de divulgar a doutrina espírita, como Allan Kardec e Chico Xavier queriam. Sugiro que as pessoas que queiram divulgar filmes ou vídeos sobre espiritismo na internet informem-se antes se o produtor ou diretor daquele conteúdo concorda com essa prática. O que notamos é que essas pessoas estão infringindo leis morais e legais de direito autoral, prejudicando assim não só a imagem da doutrina espírita como também a produção de futuros conteúdos por espíritas e não espíritas. Fazer um ‘control C, control V’ no computador é muito fácil, mas é imoral e ilegal”. Oceano Vieira de Melo é pesquisador e documentarista espírita. Produziu e dirigiu quatro filmes espíritas para TV por Assinatura e DVD. Recentemente realizou, com Paulo Figueiredo, o filme E a vida continua..., baseado na obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. www.correiofraterno.com.br


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entReVIStA

Espiritismo para americanos Um desafio para brasileiros Por eLIAnA HADDAD

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mberto Fabbri, 56 anos, tem se dedicado à divulgação do espiritismo com bastante entusiasmo nos estados Unidos. orador internacional, com diversos trabalhos como expositor da doutrina na Federação Espírita de São Paulo, lançou recentemente seu primeiro livro – Cisco Cândido Xavier – com histórias da convivência com o médium mineiro, colhidas desde quando jovem passou a frequentemente visitar o Grupo Espírita da Prece, em Uberaba. Executivo da área de marketing, com atividades profissionais no Brasil e Estados Unidos, Umberto se engajou no movimento espírita no exterior, participando de atividades em vários centros, principalmente na região norte da Flórida. em entrevista exclusiva ao Correio Fraterno, Umberto aborda os desafios dos brasileiros para levar as ideias espíritas para os americanos. Vale a pena acompanhar esse bate-papo, por que não é mesmo por acaso que os brasileiros estão tão presentes, consumindo e visitando as terras de tio Sam. Como é a divulgação do Espiritismo nos Estados Unidos? Umberto Fabbri: A divulgação é tão carente quanto no Brasil. Se no Brasil, as pessoas reclamam, nos Estados Unidos ela ainda é mais complicada, embora algumas coisas facilitem a vida por aqui, como, por exemplo, o acesso à tecnologia com custo muito baixo. Assim, a grande maioria dos centros faz a transmissão da palestra ao vivo pela internet e ao mesmo tempo grava e a www.correiofraterno.com.br

disponibiliza em seus sites. Alguns também colocam à venda para aferirem alguma receita para o centro. Há também uma feira de livro anual em Miami. Mas as dificuldades ainda são grandes, porque a doutrina não tem penetração entre os americanos. Espiritismo aqui sempre foi feito por latinos e brasileiros para latinos e brasileiros. Também não adianta levar uma doutrina para o Brasil, se ela estiver sendo falada, por exemplo, em russo.

E, na atualidade, há alguma mudança mais perceptível? Umberto Fabbri: Sim. Alguns centros, como o de Boston, por exemplo, decidiram começar a divulgar o espiritismo para americanos, colocando palestras somente em inglês. Outros já estão fazendo palestras com tradução simultânea, onde na média comparecem de 50 a 80 pessoas. Nos maiores centros chegam a comparecer 120, 150 pessoas, uma boa parte já formada por trabalhadores espíritas. Mais ou menos 30 e 70 % respectivamente, entre trabalhadores e frequentadores. Mas a questão da tradução tem sido uma decisão importante. Você começa a atingir os brasileiros casados com americanos e com filhos alfabetizados nos Estados Unidos que falam inglês e não têm pleno domínio de português. No KSFF Kardecian Spiritist Society of Florida, por exemplo, onde há tradução simultânea, já recebemos um público formado por casais americanos/brasileiros que podem assistir às palestras, entendendo com maior facilidade, cada qual no seu idioma, o que se está falando. No caso de Boston, todas as atividades são em inglês, apesar da maioria dos frequentadores serem brasileiros. Quais trabalhos são realizados nos centros, além das palestras? Umberto Fabbri: Dependendo do centro, há todos. Tanto voltados para área da assistência espiritual como da assistência social. A diretriz é da FEB e os cursos são dados em português, porque os interessados são brasileiros. Mas há também centros onde se utiliza o espanhol.

Como são feitos os trabalhos de desobsessão? Os espíritos que se manifestam são culturalmente ligados a qual país? Umberto Fabbri: (Risos) Já estava esperando esta pergunta. Algumas experiências são na língua nativa do indivíduo, embora a manifestação do pensamento descarte a necessidade da linguagem, mas pode acontecer... A comunicação através do pensamento permite que o médium a transmita em português e o doutrinador oriente em português; e também há o caso que o médium fala em inglês e o doutrinador orienta em inglês. Na grande maioria, todos são brasileiros. Ainda não tive a oportunidade de conhecer um grupo de trabalho que tenha um médium americano. Mas já começa a haver necessidade de trabalhos que não estejam limitados aos brasileiros. Há um grupo próximo, criado há um ano e meio, que tem trabalho mediúnico, passe, palestra na língua nativa, além do português. A assistência social realizada pelos centros nos Estados Unidos é bastante diferenciada. Fale um pouco sobre isso. Umberto Fabbri: Os centros fazem um trabalho de cadastramento de pessoas necessitadas e todo mês elas podem fazer uma compra. O Bezerra de Menezes – o centro mais antigo da Flórida, com 26 anos –, tem um programa chamado Food Pantry. Trata-se de um supermercado dentro do centro, amparado legalmente pelo governo federal, para onde mensalmente as empresas levam seus produtos que estão relativamente


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entReVIStA próximos da data do vencimento. Para a empresa é doação, abatida no Imposto de Renda. Um relatório com dados do cadastro das pessoas é enviado com detalhes para o governo, dizendo quem são, o que fazem, número de familiares, etc. Normalmente estão desempregadas passando necessidades. A compra no centro é simbólica, naturalmente. Ninguém paga nada. O Bezerra atende pouco mais de 70 famílias. Demanda existe, porque o desemprego aqui continua bastante acentuado, em torno de 7%. Sem contar os imigrantes ilegais, que não estão inseridos nestas taxas, obviamente. Você acha que isso também tem levado os americanos a procurarem algo mais, chegando às casas espíritas? Umberto Fabbri: Na realidade não vejo grandes diferenças na situação entre Estados Unidos e Brasil. A dor é a mesma em qualquer lugar. Trabalho em casas espíritas em uma região em que a pessoas são muito religiosas, voltadas para o catolicismo e protestantismo...O ponto crucial é que chega um momento em que há buscas por respostas para fatos específicos da vida. Surge também uma nova busca para o público americano por um esclarecimento maior da vida. E, embora o Evangelho esteja em primeiro lugar, não havendo como descartar a parte filosófica e religiosa do espiritismo, percebo que a parte científica da doutrina pode tocá-los mais de perto. Você diz no sentido da ciência materialista ou da busca essencial do espírito, tendo a doutrina como uma nova ciência? Umberto Fabbri: No sentido de uma boa junção do que acredito aconteça num futuro breve. Teremos as evidências através de uma nova ciência que vai fazer todo o sentido em relação à questão do espírito, do perispírito e coisas do gênero. O ponto principal é que há, sim, um processo em andamento. Existe um trabalho muito forte feito no passado por alguns cientistas americanos, mas até bem pouco tempo não se encontrava em revistas americanas uma matéria de capa, como o caso recente na Newsweek de outubro do ano passado, com um depoimento gigantesco de um neurocirurgião mostrando que alguém responde a estímulos e compreende com

o cérebro completamente paralisado. Isso é sair do lugar-comum. Aceitar esse conhecimento será uma questão de tempo. O espiritismo não é ciência como a ciência tradicionalista, a positivista, que tem seus próprios dogmas. Quando ela não explica, explicado está. É o absurdo dos absurdos. Foge-se da dogmatização religiosa, porque para a ciência tudo o que ela não domina passa a ser ocultismo, e acaba-se caindo no dogmatismo científico. Essa postura, claro, não é só dos americanos, mas há uma influência muito grande dela sobre eles. A psiquiatria do próprio Freud está dentro deste contexto, quando seu discípulo Jung

Penso que estejamos, sim, fazendo a diferença. Talvez esse movimento de ‘invasão’ dos brasileiros nos Estados Unidos não seja espiritualmente tão inocente. São eles os divulgadores do espiritismo para o povo americano foi para o outro caminho, o reencarnacionista. Não dá para ignorar tudo isso, dentro da história do conhecimento humano. Essa postura mais dogmática faz com que o americano seja mais cético, desconfiado? Umberto Fabbri: Ele não é cético, nem frio, mas muito acolhedor. É muito prático e talvez por isso sua religiosidade esteja tão fechada ainda. Mas existe a busca. Tanto é que as novidades acabam tendo adeptos até

demais por aqui, como a teoria das crianças índigo e cristal. E, quando as criaturas começam a querer algo além, os oportunistas aproveitam-se. Por isso não podemos esmorecer. Há um trabalho a realizar. Depois de o espiritismo ter se evidenciado nos Estados Unidos com as Irmãs Fox, os espíritos batedores, etc., por que não se expandiu imediatamente por aí? Umberto Fabbri: Havia uma sociedade extremamente fechada em suas bases – catolicismo ou protestantismo. A questão fundamental é que paradigmas estão sendo alterados e o povo americano se abrindo mais para as questões do espírito. E, de uma maneira surpreendente, muitas vezes num mix entre ciência positivista e espiritualidade, despertando uma nova versão de ciência através desses pioneiros que têm coragem de admitir algo além da matéria, como no caso da revista, que garante ter feito uma viagem fora do corpo. Você acredita que, em função desse trabalho na divulgação do espiritismo, os brasileiros passem a ser mais respeitados nos Estados Unidos? Umberto Fabbri: Penso que estejamos, sim, fazendo a diferença. Inclusive na economia dos Estados Unidos, porque consumimos muito por aqui. Talvez esse movimento de ‘invasão’ dos brasileiros não seja espiritualmente tão inocente. São eles os divulgadores do espiritismo para o povo americano. Nada realmente acontece por acaso. Os Estados Unidos vivem um momento importante, com muitos paradigmas sendo quebrados. Negros ainda estigmatizados em alguns locais e um presidente negro que foi reeleito, por exemplo. Antes, eram eles e os outros. Agora, com a globalização, estão vendo que apenas fazem parte, como os outros. O desafio é a divulgação do cristianismo redivivo, o que muitos confundem com o proselitismo, mas Jesus disse que não deveríamos colocar a luz debaixo do alqueire nem enterrar os talentos. Devemos aproveitar todos os instrumentos para isso. Não sei se o espiritismo vai entrar nos estados americanos. O que importa é que essas ideias sejam divulgadas. Elas são de Jesus, portanto universais. O nome pouco importa.

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ARTIGO

Onde estão os verdadeiros profetas? Por MANUEL FERREIRA

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ntes que no seio materno fosses formado, eu já te conhecia e, antes de teu nascimento, já te havia consagrado e designado profeta.” A missão fora-lhe dada antes do renascimento. Conduzido à Terra pelas mãos do Cristo, Jeremias fez previsões sobre o templo transformado em covil de ladrões e a matança de crianças por ordem de Herodes. No capítulo 23 encontramos: “não escuteis as palavras dos profetas que vos profetizam e que vos enganam. Eles publicam as visões de seus corações e não o que aprenderam da boca do Senhor, (...) dizendo: sonhei, sonhei!” Jeremias já identificava a presença dos falsos profetas enganando a todos. O povo, crédulo e ignorante, confiava em tais sonhos, sem perceber que eram frutos não de uma revelação divina, mas do coração entorpecido de seus divulgadores. Jesus também comentou: “tende cuidado para que alguém não vos seduza, porque muitos virão em meu nome dizendo ‘sou o Cristo’. Então, se alguém vos disser: ‘O Cristo está aqui ou ali’, não acrediteis absolutamente, porque falsos cristos e profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem os próprios escolhidos”. Hoje a advertência de ambos ressoa com maior vibração! Os tempos da grande transição chegaram. Profetas, aqueles que divulgam a mensagem do Cristo em todas as religiões, se multiplicam em es-

cala planetária. Nunca a Boa Nova foi tão anunciada e nunca vimos tantos prodígios. Assim, como reconhecer os falsos profetas neste turbilhão de chamados? O espiritismo oferece o recurso mais sólido para a pergunta ao eleger razão e lógica como condição de fé. Os espíritos esclarecem que prodígios não são derrogações da lei divina, mas sim aplicações de leis ainda desconhecidas, mediadas por indivíduos cuja disposição orgânica é própria. Como são fenômenos naturais, não fazem distinções morais; logo, não são somente os de vida moral superior que os intermediam. Se homens bons ou maus podem produzir milagres não serão eles que identificarão o verdadeiro profeta, o que confirma a advertência: “até os escolhidos poderão ser enganados.” Menos ainda, os templos, o número de fiéis, a influência política e econômica de líderes religiosos! Tudo isso são construções materiais: transitórias, não refletem a grandeza da vida espiritual. Jesus foi o primeiro a desprezá-las, ao eleger a natureza o templo único, reunir homens simples para divulgar a Boa Nova, exortar que deveríamos dar a César o que é de César, e afirmar que não tinha uma pedra para reclinar a cabeça. Como enxergá-lo ao lado de pretensos profetas de roupas elegantes, templos estofados e extenso patrimônio, enquanto seus fiéis amargam miséria? Como encontrar Cristo nas ameaças de condenação eterna, na promessa de felicidade sem trabalho, e

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das as religiões, encontraremos os bandeirantes do Evangelho nos bons frutos que espalharem e pela força moralizadora de seus exemplos. Não se apresentarão como tais, antes serão descobertos: a exemplo de Jesus, serão brandos, humildes, perseguidos, sempre perdoarão, terão o rastro do amor, e não se deixarão seduzir pelas ilusões materiais! Mas “porque a iniquidade abundará, o coração de muitos se esfriará”. No entanto, o consolador anuncia: “Não temam os falsos profetas e suas conquistas efêmeras, pois irão cair por eles mesmos”. “Somente lobos caem em armadilhas de lobos”. A instrução dos homens e o conhecimento das leis espirituais irão apontar as contradições dos que se dizem enviados do Cristo, mas são servos do mundo, lançando longe suas doutrinas absurdas, frutos de um coração entorpecido. Espíritas, é chegada a hora! No círculo em que formos chamados, secundemos o trabalho dos enviados de Jesus. Promovamos a reforma moral que a doutrina nos convida! Sejamos mensageiros do otimismo, não aceitando que o desânimo esfrie nosso coração! Os profetas, que ele já os conhece antes de renascerem, estão espalhados pelo mundo inteiro! na esperança de uma imortalidade ociosa? Onde estarão os verdadeiros profetas? O mestre ensinou: “reconhecê-lo-eis pelos seus frutos”, pois “toda árvore boa produz bons frutos.” Distribuídos em to-

João Moutinho, Os profetas. FEB. Allan Kardec, O evangelho segundo o espiritismo, cap. 21. FEB. Palestrante e evangelizador infantojuvenil espírita em Goiânia,GO.


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JANEIRO - FEVEREIRO 2013 O BAÚ DE MEMÓRIAS PODE SER FEITO POR VOCÊ! Envie para nós um fato marcante sobre o Espiritismo em sua cidade. Ele pode ser publicado aqui nesta seção. E-mail: redacao@correiofraterno.com.br.

BAÚ DE MEMÓRIAS

D. Dirce, esposa de Roque Jacintho: parceria incondicional

Era uma vez… Roque Jacintho Por IZABEL VITUSSO

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or detrás de clássicos da literatura espírita, como O lobo mau reencarnado, O grilo perneta, O fujão? há uma história bem maior. Há quarenta anos, o autor Roque Jacintho publicava seu primeiro livro destinado a crianças. Foram mais de cem obras escritas, resultado da determinação desse escritor que se debruçou sobre a ideia de difundir o conhecimento em linguagem acessível para o público jovem e infantil. Casada com Roque Jacintho por 52 anos, com quem teve uma filha, dona Maria Dirce Antunes Jacintho é quem nos conta sobre os desafios de uma vida

dedicada intensamente à doutrina. Fala também de sua alegria por ter conseguido reativar há dois anos a Editora Luz no Lar, fundada pelo casal junto a outros idealistas, um projeto interrompido desde que o Alzheimer acometera o escritor que veio a desencarnar em 2004, aos 76 anos. “Eu prometi para o Roque que iria continuar a obra. Enquanto eu tiver fôlego, vamos tocando!” – enfatiza dona Dirce ao começar a sua narrativa: “Ideias esquisitas” Quando nos conhecemos, ele já dava aulas de português e latim no Colégio Es-

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tadual de Sorocaba, cidade onde nascemos. Minha sogra achava Roque diferente dos dez outros filhos. “Não consigo que ele vá à igreja. Tem ideias esquisitas” – dizia. Com onze anos, ele passou a frequentar a União Espírita de Sorocaba e já redigia seu primeiro poema sobre reencarnação. Ao tornar-se adulto, ninguém mais o segurava na determinação de trabalhar pela divulgação do espiritismo. Com formação em administração, começou a realizar trabalhos de assessoria em rádios, jornais e empresas, dentre elas a Rádio Clube de Bauru [SP], cidade para onde nos mudamos com pouco tempo de casados. Eu vim de família muito católica, não entendia de doutrina e tinha muito medo. Mas o Roque tinha muita paciência. Fui vendo sua dedicação, seus exemplos, e ele me dizendo: “Vamos visitar os doentes para você ver todo o trabalho do plano espiritual, os benefícios do passe...” Desafios Já espírita, meu primeiro passo junto a ele na doutrina foi no Lar Vinha de luz, instituição em Jundiaí [SP] da qual participamos da fundação. Naquele tempo havia muito preconceito, até mesmo protesto da igreja em frente para que fechássemos a casa. A evangelização era o essencial. Grupos de estudos era a linha do Roque. Moramos em São Paulo, onde ajudamos a fundar o Grupo Espírita Fabiano de Cristo, há mais de 30 anos e, em Diadema, há cerca de dez anos, o Núcleo de Estudos Espíritas Amor e Esperança. Quem são meus filhos? Comentei certa vez com ele sobre a ideia de adotarmos uma criança. Ele nunca falava não, mas logo me lembrou: “só não vamos parar com o trabalho.” Tentamos a

adoção por três vezes, a última, a Francisquinha, já estava em casa por meses. Mas de repente aparecia um parente distante e a levava embora... Um dia comentamos o fato com Chico, que unindo as nossas mãos disse: “minha filha, vocês têm tarefa com muitos filhos, não só com os de casa”. Aí eu me dediquei mais ainda. Histórias e livros Depois que me tornei espírita, a cada cerca de vinte dias íamos até o Chico [Xavier]. Por mais de vinte anos. Ele nos deu muita orientação. Ao Roque dizia sobre o trabalho a ser desenvolvido com a literatura infantil, inclusive com mensagem de Bezerra de Menezes, enfatizando a facilidade que ele tinha de escrever para crianças e que se caso ele se interessasse, Monteiro Lobato estava ali se propondo a inspirá-lo. Aí nasceu o primeiro livro da série, O lobo mau reencarnado. Embora o movimento espírita tivesse dificuldade em aceitar as fábulas [que com licença da fantasia permite que os animais falem, tenham consciência etc], o Roque defendia a ideia de que não havia outro modo de a criança entender melhor o que quer que fosse se não falando em sentido figurado, como do bichinho, da natureza. E a coleção com as fábulas foi ganhando cada vez mais destaque, até que a própria FEB (Federação Espírita Brasileira) o procurou e passou a editar os livros. Ele sempre teve uma personalidade muito forte diante do que tinha como objetivo. No tempo em que moramos no Rio de Janeiro, Roque trabalhou muitos anos com a FEB para restabelecer as edições dos livros do Chico. Isso na época em que o sr. Thiesen [Francisco Thiesen, 1975-1990] e o dr. Armando [de Oliveira Assis, 19701975] foram presidentes. Trabalhou para restabelecer todas as edições dos livros do Chico. Foram muitos anos! Eu tenho muita tranquilidade, porque tudo o que ele fez beneficiou tanto ele quanto os outros. Ele desencarnou com ideias maravilhosas no campo da publicação para as crianças e os jovens. Estamos tentando retomar tudo o que ele quis fazer. Editora Luz no Lar - Tel.: (11) 2758-6345 ou pelo site: www. luznolar.com.br. Jornalista, contabilista e radialista, Roque Jacintho também publicou pelas editoras Brasiliense, Ática e Jurídica Brasileira livros nas áreas jurídica, tributária, contábil e economia. www.correiofraterno.com.br


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eSPecIAL

E as sessões mediúnicas na Casa Branca?

O ator Daniel Day-Lewis no papel do presidente

Por eLIAnA HADDAD

O

filme Lincoln, de Steven Spielberg, é o favorito do Oscar, cuja cerimônia de entrega dos troféus acontece na noite de 24 de fevereiro, em Los Angeles, USA. Com 12 indicações, a história sobre o 16º presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, está concorrendo aos prêmios de melhor filme, diretor, roteiro, fotografia, edição, design e produção, figurino, argumento e também nas categorias de representação – para os protagonistas Daniel Day-Lewis, Sally Field e Tommy Lee Jones. A cinebiografia de um dos mais notórios presidentes americanos surge justamente neste ano, quando se comemoram os 150 anos em que ele assinou o documento histórico, a proclamação da emancipação, tratado que deu início à emenda proibindo a escravidão nos Estados Unidos. Lincoln, aliás, também nasceu em fevereiro: 12/02/1809. E, no espiritismo, vários autores já declinaram capítulos de livros, artigos e comentários sobre a realização das sessões mediúnicas que ele realizava na Casa Branca, informação que o roteiro do filme não considerou. O escritor Herminio C. Miranda, em seu livro O que é fenômeno mediúnico (Correio Fraterno) conta detalhes destes episódios em “De como os Estados Unidos continuaram unidos”. Segundo o autor, a realidade das faculdades mediúnicas ainda é ignorada por muitos. “Lamentável que não haja uma [médium] Nettie Colburn Maynard para cada presidente, rei ou rainha neste mundo. O problema é que precisaríamos ter também um presidente Lincoln em cada um destes postos de comando político-social, com grandeza suficiente e humildade bastante para ouvir com atenção e senso crítico a palavra franca, positiva e sábia de um espírito desencarnado de alto grau evolutivo. Não para ditar ordens, mas para trocar ideias e expor alternativas”. Ele conta que, aconselhado pelos espíritos, Lincoln preservou a integridade de seu país e apressou a libertação dos negros. “O fenômeno mediúnico foi, é e continuará sendo o instrumento, o veículo dessa realidade que teima apresentar-se aos olhos da humanidade, que por sua vez teima obstinadamente em ignorá-la”, analisa. “Essa é a www.correiofraterno.com.br

grande tragédia da história moderna”, afirma Herminio nesta interessante obra que traz outros episódios marcantes da história geral, permeados por orientações espirituais. Confira abaixo, nas palavras de Herminio, como isso se deu afinal com o presidente Abraham Lincoln. De como os Estados Unidos continuaram unidos Sabe-se hoje, positivamente, que o grande presidente Abraham Lincoln recorreu com certa frequência aos conselhos de seus amigos espirituais, especialmente pela mediunidade de Nettie Colburn Maynard, que narra, ela própria, como as coisas aconteceram1. Segundo esse depoimento, não há dúvida de que as sessões realizadas na Casa Branca e em outros locais exerceram decisiva influência em eventos do maior relevo na história dos Estados Unidos. Significativamente, um dos capítulos do livro chama-se We make History, isto é, Fazemos história, precisamente o que relata um dos mais importantes episódios daquele conturbado período de definições da nacionalidade americana. A desgastante Guerra da Secessão arrastava-se penosamente, com pesadas perdas de vidas e as tropas do governo, que combatiam pela preservação dos ideais de unidade e liberdade do presidente Lincoln, já se mostravam pouco dispostas a continuar a luta. Tudo indicava que o país acabaria mesmo dividido, pois os sulistas lutavam pela separação. Os espíritos fizeram um diagnóstico objetivo e nada otimista, pois a situação era de fato muito precária, ao assumir o general Hooker o comando das operações. – O exército está completamente desmoralizado – disse o espírito incorporado em Nettie –, os regimentos estão ensarilhando as armas, recusando-se a obedecer às ordens ou cumprir o dever. Ameaçam uma retirada geral, com declarado propósito de voltarem para Washington. Lincoln, que ouvia atentamente, concordou com o diagnóstico e comentou:

– Você parece bem informado da situação. Poderia indicar o remédio? – Sim – disse o espírito, firme –, se você tiver a coragem de usá-lo. Lincoln sorriu e comentou com simplicidade: – Experimente-me. O espírito indicou a única solução ainda possível, a seu ver. O presidente deveria ir imediatamente ao front visitar os soldados. Não como figura distante, com todo o aparato do cargo, cercado de ministros e generais, apenas para passar revista às tropas, mas com o mínimo possível de gente, levando sua família. Deveria caminhar entre os soldados, conversar com eles, saber de suas queixas e dificuldades. – Mostre-se tal qual é às dificuldades que eles enfrentam na marcha através dos pantanais, onde, tanto em coragem como em número, eles têm sido desfalcados. A providência era tão urgente no entender do espírito que Lincoln deveria mandar anunciar imediatamente sua decisão de ir, enquanto preparava a viagem, que demoraria alguns dias. Ao cabo de uma longa exposição, o presidente disse uma só frase: – Isso será feito.


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A conversa continuou, porém, abordando outros aspectos. O presidente e o espírito manifestado em Nettie discutiram assuntos de relevo que somente aos dois interessavam e, naturalmente, à nação americana que ensaiava seus primeiros passos como a grande potência mundial que seria dentro de algum tempo. Lincoln fez a viagem sugerida pelo seu amigo espiritual e a sorte da guerra mudou prontamente porque, agora sim, os soldados que lutavam pelos seus ideais estavam motivados. Com muitos deles o presidente falara pessoalmente. Deixara de ser o vago e desconhecido figurão político que, de Washington, mandava ordens. Assim, graças a uma sessão mediúnica, os Estados Unidos continuaram unidos. Sem Nettie Colburn Maynard provavelmente teríamos hoje dois países ali, em lugar de um só. E mais: foi também em atenção a uma mensagem mediúnica de seus amigos espirituais que o presidente resolveu promulgar a famosa Proclamação da Emancipação que acabava com a escravatura no país, contrariando interesses mesquinhos de muitos, mas promovendo os interesses da lei divina

na Terra. Dizem mesmo que até na redação final desse documento histórico colaboraram pessoalmente os espíritos. Lincoln empenhou praticamente sua vida nessa lei. Era uma das suas mais importantes tarefas, depois de manter a unidade política, geográfica e social da grande nação que lhe fora confiada pelo voto popular. Parece, aliás, que o mundo espiritual tinha planos importantes acerca dos Estados Unidos, pois foi ali, em Hydesville, em 1847, que se deslanchou como que ‘oficialmente’ a fenomenologia mediúnica moderna, servindo de médiuns as meninas da família Fox. Pelo menos sob o governo de Lincoln, portanto, importantíssimas decisões foram tomadas depois de sugeridas ou discutidas com seus amigos desencarnados. Até a morte do presidente lhe foi revelada num sonho. Sonhou ele, certa noite, que pesava sobre a Casa Branca uma atmosfera de tristeza e luto. Procurando saber o que se passava, chegou a um dos salões onde estava exposto um caixão de defunto guardado por vários soldados. O presidente, em sonho, aproximou-se de um deles e perguntou:

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Lincoln: habilidade para mudanças políticas

– Quem é o morto? – É o presidente – disse-lhe o soldado. Foi assassinado. Era o recado vindo através do mecanismo do sonho, para que ele estivesse de sobreaviso, não para impedir que a tragédia se consumasse, mas para que seu destino se cumprisse, como se cumpriu. Dentre as muitas ‘coincidências’ entre episódios da vida de Lincoln e a de John F. Kennedy, podemos acrescentar mais este – a do aviso da morte súbita. No caso de Ken-

nedy o veículo foi a sra. Jane Dixon, que com bastante antecedência foi informada mediunicamente da tragédia de Dallas, que ela via como uma nuvem negra como que pousada sobre a Casa Branca. Por intermédio de amigos comuns, ela tentou avisar ao presidente Kennedy, mas tal como no caso de Lincoln, bem como no de Júlio César, havia uma fatalidade a ser cumprida. Nettie Colburn Maynard, Was Abraham Lincoln a spiritualist (Foi Abraham Lincoln um espiritualista?) Ed. Spiritualist Press, Londres/Inglaterra. 1

O misterioso ‘poder’ de Lincoln Por RAYMUNDO RODRIGUES ESPELHO2 Abrahan Lincoln nasceu perto o Hodgenville, Kentucky, em 1809 e foi assassinado por um fanático sulista, em Washington, no dia 14 de abril de 1865. o grande emancipador era descendente de imigrantes ingleses semianalfabetos. como seus pais, era agricultor e trabalhou também como lenhador até a maioridade. com 21 anos de idade sabia apenas ler e escrever e só mais tarde pôde frequentar escolas. Formou-se em Direito e se iniciou na advocacia em 1836. Foi deputado por Ilinois de 1834 a 1842, em quatro legislaturas e senador de 1846 a 1849. Liderou vigorosa campanha abolicionista. Foi eleito presidente em 1860 e reeleito em 1864. Esse grande estadista até os 21 anos de idade pouco contato teve com a chamada civilização, mas soube aproveitar bem o seu tempo. Se em 1830 era semianalfabeto, em 1860 era conduzido ao mais elevado cargo de umas maiores e mais adiantadas nações. o livro Sessões espíritas na Casa Branca1 relata: escrevendo Lincoln a seu amigo Speed, deixa-

-se extravasar nestas linhas: “Sempre tive uma acentuada tendência para o misticismo. tenho sido controlado por um misterioso poder que não simplesmente a minha vontade. com frequência, vejo perfeitamente claro o caminho a seguir, embora conscientemente não tenha suficientes fatos a apoiar minha decisão. e não me lembro de uma única vez os resultados não fossem satisfatórios...” Um fato que registra sua inflexível serenidade e deixa patente como sabia aproveitar muito bem o seu tempo: “... Lincoln era de origem muito humilde e o líder político Stephen Arnold Douglas não perdia oportunidade de fazer referência a esse respeito. certa ocasião, numa roda animada, declarou que vira Lincoln, pela primeira vez, do outro lado do balcão de um armazém. E louvou a qualidade de Lincoln como atendente de bar. Houve grandes risadas, mas Lincoln, serenamente, sem se alterar, comentou por sua vez: – Mr. Douglas disse a verdade. De fato tive um

armazém no qual vendia de tudo, desde velas a charutos. Às vezes vendia também uísque. Mr. Douglas lembra-se bem disto, pois era um dos meus melhores fregueses. ele, do lado de fora do balcão e eu do lado de dentro, muitas vezes lhe vendia. o tempo passou e continua a haver uma diferença entre nós: Eu saí do lado de dentro do balcão e Mr. Douglas continua frequentando o lado de fora com a mesma obstinação de outrora.” enquanto algumas criaturas param no tempo e no espaço, outras, por mais pobres e humildes que sejam, esforçam-se para aproveitar o tempo, a fim de tornarem-se úteis para aqueles que a cercam e muitas vezes se destacam na coletividade. Você está mais para Abraham Lincoln ou para Mr. Douglas? Nettie Colburn Maynard e Wallace Leal V. Rodrigues, O Clarim, 1981.

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A revelação da chave, Raymundo Rodrigues Espelho, EME, 1992.

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AnÁLISe

O episódio com os jovens de Santa Maria Da ReDAÇÃo

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ais uma vez a opinião pública se vê às voltas de um infeliz episódio. O incêndio na boate da cidade Santa Maria, no Rio Grande de Sul, no último 27 de janeiro, entristeceu o país e o mundo com a morte de mais de duzentos jovens. Não há como não se comover com a tragédia, numa atitude até mesmo de solidariedade ao sofrimento enfrentado por tantas famílias. A situação sensibiliza, gera dúvidas e opiniões diversas, e a imagem que fica dos depoimentos é de desilusão, impotência e revolta com as surpresas da vida. O espiritismo explica que tais situações não são acidentais, nem tampouco obras do acaso. Que fique claro, porém, que o fato de afirmar que para tudo há um motivo não autoriza interpretações rasas, simplistas e generalizadas. Afinal, outro ponto importante que a doutrina considera é a universalidade da razão e não da opinião para a formação dos conceitos. A lei de

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Não há na filosofia espírita espaço algum para sorte, azar, privilégio ou maldição, justamente porque ela se baseia no caminhar particular do ser inteligente” causa e de efeitos inteligentes baseia-se na lógica e permite observar que cada espírito, em função de seu progresso, suas experiências e suas escolhas particulares, também responde por ações particulares de sua liberdade individual de escolha, ainda que aparentemente seja submetido, por exemplo, a um mesmo tipo de desencarnação, seja em catástrofes naturais ou acidentes coletivos. Não há na filosofia espírita espaço algum para sorte, azar, privilégio ou maldição, justamente porque ela se baseia no caminhar particular do ser inteligente, que

pode inclusive alterar pontos de uma reencarnação planejada, em virtude de suas escolhas atuais. Há diferenças importantes entre a lei de causa e efeito e a ideia de carma. Esta guarda uma relação muito estreita com o ‘olho por olho, dente por dente’, o que não é defendido pelo espiritismo, que considera os atos de amor como credenciais que permitem também ao espírito reparar-se frente à lei divina, gerando novas causas hoje e interferindo nas causas do mal praticado ontem, reconquistando o equilíbrio. Há, assim, a necessidade de reparação, mas não de punição.

Assim, desastres coletivos não podem de forma alguma ter as mesmas explicações, pois da mesma forma que nada acontece por acaso, cada caso é um caso. Tudo tem um motivo, tanto para os que se foram e deixaram saudades, como para os sobreviventes, que de alguma forma sofrerão transformações com essas experiências. Cada qual com sua história, seja lá qual for a situação, esses acidentes convidam a sociedade à responsabilidade, ao uso da inteligência e à conscientização de que a vida é o maior bem a ser preservado. Mas ninguém estará sozinho. A solidariedade e a harmonia que presidem a lei divina permitem que as criaturas se auxiliem e sejam auxiliadas, encarnados e desencarnados. Por isso, nada de desamparo. Não há fatalidade. Se muitas vezes não compreendemos certos fatos, é porque falta-nos conhecimento. Da razão e do coração.


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LeItURA

A infância Por SÔNIA M.C.KASSE

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ntigamente as pessoas não reconheciam a infância como uma fase da vida do ser humano; a criança era considerada ‘um adulto em miniatura’, vestia-se da mesma forma do adulto, participava de jogos e brincadeiras de adultos e até o trabalho realizado por elas era semelhante ao executado pelos mais velhos. Posteriormente, a infância começou a ser vista como uma época de extrema importância, na qual as aspirações esperanças, medos e desejos próprios dos pequeninos deveriam ser considerados para a sua formação futura. A gama de experiências vivenciadas e acumuladas na trajetória de vida torna-se fator determinante na constituição do indivíduo em seus aspectos psicológicos, sociais, emocionais e espirituais. A educação da criança é motivo de preocupação social, pois percebe-se que o

universo infantil deve ser cuidadosamente analisado em todas as suas nuances e sobretudo na sua interação com o meio em que vive. Essa interação, facilitada com a realização de atividades lúdicas, permite para a criança construir seu conhecimento, desenvolver competências, dissipar as suas dúvidas e estabelecer relações afetivas com os demais, num clima de entusiasmo e motivação. O livro Tem espíritos no banheiro? de Tatiana Benites (Correio Jovem), aborda de maneira lúdica e divertida os questionamentos de Laurinha, personagem principal cuja cabecinha repleta de curiosidade, imaginação e muita criatividade encontra as mais inusitadas soluções para as questões sobre os ensinamentos espíritas. Durante a leitura percebemos que os assuntos fáceis, claros e óbvios para o adulto

coISAS De LAURInHA

não o são para a criança ouvinte e, muitas vezes, ela não consegue entender o sentido real das conversas. É por meio do diálogo (quando este é permitido pelo adulto) que ela pode expor suas dúvidas, apresentar suas ideias, receber explicações, compartilhar significados que a faça pensar, organizar seus esquemas de assimilação, acomodar-se na justificativa que atenda às suas expectativas e, dessa forma, fortalecer o seu desenvolvimento afetivo e cognitivo. Obra recheada com o que há de mais belo no ser humano: alegria, pureza, inteligência, espontaneidade e a inocência de ser criança. Boa leitura! Vem aí Tem espíritos embaixo da cama?, o segundo livro de Tatiana Benites, com mais histórias de Laurinha.

Por tAtIAnA BenIteS

Quanto vale um bônus-hora? N

a palestra do centro espírita as crianças ouviram uma palavra diferente ‘bônus-hora’. O palestrante dizia sobre a importância das boas atitudes na terra, para a aquisição do bônus-hora no plano espiritual. explicava também sobre o merecimento das pessoas que tinham boas intenções. As crianças não compreenderam direito aquela explicação. Silvia perguntava aos colegas: – O que é esse negócio de bônus-hora? – Deve ser dinheiro – respondeu Pedro. – Dinheiro? Mas minha mãe sempre diz que não levamos dinheiro quando morremos. – Minha mãe também fala isso – interviu Lucas. – então deve ser alguma coisa pareci-

da – disse Pedro. – Eu acho que é um dinheiro espiritual – cida arriscou. – Dinheiro espiritual? – disseram todos. – eles devem ganhar dinheiro pra fazer compras lá – retornou Cida. – Mas lá não precisa comer nem comprar roupas – lembrou Silvia. – É mesmo – cida refletiu. As crianças debatiam o assunto, quando a professora da evangelização passou por eles. – Professora! – chamou Lucas. e ela prontamente parou para atendê-lo. – oi, Lucas. – Professora, nós não entendemos o que é bônus-hora. ela iniciava sua explicação sobre o termo, quando Pedro falou: – É uma moeda simbólica, uma espé-

cie de crédito que ganhamos quando trabalhamos no plano espiritual, acumulando-os em nosso benefício. – E quanto vale um bônus-hora? – É um ponto relativo a cada hora de serviço ao próximo. Os espíritos explicaram isso no livro Nosso lar. – Podemos considerar que um real é igual a um bônus-hora? – questiona Pedro. – Não, lá não temos dinheiro assim. É mais uma ficha de serviço individual, funcionando como créditos em favor de nossa vida no plano espiritual. entenderam? e todos em coro disseram: – não! e Silvia, com ar de quem havia meditado sobre o que fora explicado, falou: – Eu entendi, é moeda de troca que não é dinheiro. E a gente ganha quando faz coisas boas. tudo vai depender

das nossas ações. – Muito bem, Silvia, é isso mesmo. e todos continuaram com a mesma questão: – Mas e, aqui na Terra, quanto vale um bônus-hora? Laurinha, que não estava prestando atenção na conversa, levanta a cabeça e fala: – Vale um bolo! Pedro olha pra ela e fala: – Como? – Um bolo! Um bolo-hora, como o próprio nome já diz! Agora todo mundo já entendeu! Nossa, gente, quanta pergunta! E isso é tão simples! todos riram e falaram pra Laurinha: – Você nem ouviu o que a gente estava falando. nem prestou atenção. É bôôôônus-hora! – comentou Lucas. – Foi o que eu disse: Bôôôôolus-hora! É um bolo pra cada hora! www.correiofraterno.com.br


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Acesse a Agenda Eletrônica Correio Fraterno e fique atualizado sobre o que acontece no meio espírita. Participe. www.correiofraterno.com.br Laboratório de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita A partir de 19 de fevereiro, todas as terças-feiras, das 19:30 às 21:30h. Com extensão de três anos, na sede cultural da USE, rua Brigadeiro Machado, 269, Brás, São Paulo, SP. Uma iniciativa do USE-SP em parceria com a União Espírita Cristã Beneficente Laudelino Novaes de Brito. O curso é aberto a todos os interessados, independentemente de conhecimento prévio sobre a doutrina. Inscrições até 17 de fevereiro. Informações: use@usesp.org.br ou (11) 2950-6554.

FEV

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Inscrições abertas para Estudos FilosóFEV ficos O Instituto Espírita de Estudos Filosóficos inicia suas aulas dia 19 de fevereiro para: Cursos modulares de filosofia em geral, formação de expositores, filosofia para adolescentes, o espiritismo e os filósofos. As aulas são ministradas na rua Mesquita, 789, Jd. da Glória, São Paulo, SP. Informações: www.ieef.com.br ou (11) 4324-1846.

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Seminário Relações Humanas na Casa FEV Espírita Dia 23 de fevereiro, das 15 às 18 horas, nas dependências do C.E. Gabriel Ferreira, rua Kaneda, 474, Vila Maria, São Paulo,SP. Facilitador: Wellington Balbo, de Bauru, SP. Realização: USE Distrital Vila Maria. Informações: usevilamaria@yahoo.com.br ou (11) 99765-1881.

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Flores e Livros em Holambra Acontece de 12 a 14 de abril o III Festival de Flores e Livros Espíritas de Holambra. Local: Salão do Clube Fazenda Ribeirão. Alameda Maurício de Nassau, 894, Centro, Holambra,SP. O evento, que contará também com palestras, está sendo organizado pelo Centro Espírita Semente de Luz e Centro Espírita Allan Kardec.

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19º Megafeirão do Livro De 13 e 14 de abril, das 9:00 às 17:00h, será realizada mais um Megafeirão de livros espíritas, espiritualistas e autoajuda, promovido pela Distribuidora de Livros Espíritas Dr. Bezerra de Menezes. Local: Creche Amélia Rodrigues, rua Silveiras, 23, Vila Guiomar, Santo André, SP. Contato: www.ebmeditora.com.br e (11) 3186-9766.

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CRIPTOGRAMA DO CORREIO

Elaborado por Tatiana Benites e Hamilton Dertonio, especialmente para o Correio Fraterno

Descubra o nome do livro de J. W. Rochester, psicografado por Arandi Gomes teixeira e editado pela editora correio Fraterno: O “x” do placar 1x1 Vítima do ódio Constantemente Precursor da magnetização Oposto da prática Contração involuntária do músculo Personagem do Livro Nosso Lar Protelado, deixado para depois Cabelo postiço Um dos tipos de fé referida no Evangelho Ele promove o conhecimento Um dos personagem do livro Paulo e Estêvão Corpos celestes

ENIGMA

O que é espírito elementar? qualquer hora, em qualquer lugar

Solução do Caça Palavras Veja em: www.correiofraterno.com.br

Resposta do Enigma: “É o espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou invólucro semimaterial.” (Allan Kardec em Vocabulário espírita- Instruções práticas sobre as manifestações espíritas).

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QUEM PERGUNTA QUER SABER

Até que ponto o homem pode alterar o DNA? O

neurocirurgião Nubor Orlando Facure1 afirma que as técnicas de manuseio genético estão hoje em dia muito avançadas. “Podemos selecionar todo tipo de gene e experimentar com sua ausência ou presença. Isso já se faz rotineiramente em animais. Seu emprego em humanos tem uma barreira ética que não pode ser ultrapassada. Porém, em se tratando de prevenir doenças genéticas, já está claramente em uso inclusive no nosso país. E, mais ainda, já se consegue introduzir mensageiros portadores de proteínas dentro do material genético e isso, que se denomina terapia gênica, fará uma das maiores revoluções médicas num futuro breve. Portanto, as portas do manuseio do DNA estão abertas e já podem ser consideradas uma realidade disponível à ciência atual.” Sobre o assunto, Facure recomenda a leitura do capítulo 13 do livro Missionários da luz2, que cita o caso da preparação da reencarnação de Segismundo, quando o mentor espiritual interfere na seleção dos cromossomos convenientemente escolhidos para aquele reencarnante. “Se eles fazem, não há porque duvidar que estaremos ‘mexendo’ livremente nos DNAs das próximas gerações.” Na obra, o instrutor Alexandre explica que o auxílio espiritual nesse sentido sempre existe, desde que haja a colaboração do espírito para tais acertos. “Não devemos e nem podemos forçar a ninguém e precisamos das boas disposições para o trabalho a fazer”, destaca, demonstrando todas as etapas de intercessão, desde a harmonização do casal para a fecundação até o acompanhamento do feto durante a gravidez e o momento do nascimento. Esclarece então Alexandre que já havia observado o gráfico referente ao organismo físico que Segismundo iria receber no futuro, verificando de perto as imagens da moléstia do coração que ele sofreria na idade madura, como consequência da falta co-

Com tanta pesquisa científica, quero saber o que o espiritismo tem a dizer sobre a mudança em nosso código genético. É possível? Maria Eugênia Barbosa, Itapecerica da Serra, SP

ou resgate. “Nosso concurso, portanto, em processos tais, é uma das tarefas mais comuns”, afirma. André Luiz pergunta, então, se nos tais mapas, analisando-se a geografia dos genes da hereditariedade distribuídos nos cromossomos, a lei da herança será ilimitada. “A criatura receberá, ao renascer, a total imposição dos característicos dos pais? As enfermidades serão transmissíveis de maneira integral?”, interroga. “Não, André”, observa o orientador. “Estamos diante de um fenômeno físico natural. O organismo dos nascituros, em sua expressão mais densa, provém do corpo dos pais, que lhes entretêm a vida e lhes criam os caracteres com o próprio sangue; todavia, em semelhante imperativo das leis divinas para o serviço de reprodução das formas, não devemos ver a subversão dos princípios de liberdade espiritual, imanente na ordem da Criação Infinita. Por isso mesmo, a criatura terrena herda tendências e não qualidades. As primeiras cercam o homem que renasce, desde os primeiros dias de luta, não só em seu corpo transitório, mas também no ambiente geral a que foi chamado a viver, aprimorando-se; as segundas resultam do labor individual da alma encarnada, na defesa, educação e aperfeiçoamento de si mesma nos círculos benditos da experiência. Haverá sempre, dentro de nós, a luz da liberdade intima indicando-nos a ascensão. Praticando a subida espiritual, melhoraremos sempre. Esta é a lei. (...) O que opera a diferenciação da forma é o valor evolutivo, contido no molde perispirítico do ser que toma os fluidos da carne”, esclarece. Diretor do Instituto do Cérebro de Campinas. Ex-professor de neurocirurgia da Unicamp. Desenvolve pesquisas pioneiras que aliam a medicina aos conhecimentos espíritas. 1

metida no passado. Considera também que os “espíritos construtores” já haviam examinado a “geografia dos genes nas estrias cromossômicas”, a fim de certificarem-se até que ponto podiam colaborar com re-

cursos magnéticos para a organização das propriedades hereditárias, observando que em todos esses fenômenos os ascendentes de cooperação espiritual coexistem com as leis, de acordo com os planos de evolução

André Luiz, psicografia de Chico Xavier, FEB.

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FOI ASSIM

A mensagem que não foi gravada Por ARNALDO ROCHA

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reunião da noite de 2 de junho de 1955 reservou-nos grande surpresa. Por ausência do companheiro encarregado do serviço de gravação, ocupamo-nos pessoalmente desse mister. E enquanto atendíamos a tarefa, intuitivamente assinalamos que o nosso grupo estava sendo visitado por mensageiro espiritual de elevada hierarquia. O instrutor passou à palavra. Dicção educada. Voz clara e bela. Em sucinto estudo, exalça a figura excelsa de Jesus à frente do espiritismo. Na saudação final, identifica-se. Tínhamos conosco a presença de Bittencourt Sampaio. Despede-se o orientador e encerramos a reunião. Movimentamo-nos para estudar a mensagem; no entanto, com o maior desapontamento, notamos que a gravadora não funcionara. Permanecemos na sede do grupo mais tempo, examinando a máquina e lamentando o acontecido. Preparávamos a retirada, quando o médium anunciou estar ouvindo de nosso amigo espiritual José Xavier o aviso: “Não se preocupem. Meimei e eu gravamos a palavra do benfeitor (...). Reúnam-se em silêncio e o médium poderá ouvi-la de nossa máquina, fixando-a no papel.” Depois de nossa prece, Chico esclarece

em pensamento, o médium interrompe a grafia e explica: “Meu amigo, o José, recomenda-me informar que enquanto Meimei está comandando a gravadora, ele está ditando a pontuação para melhor segurança do nosso serviço.” Extremamente surpreendidos, guardamos o esclarecimento. Terminada a escrita, o médium leu quanto ouvira. Notamos com admiração que o papel apresentava a mensagem que ouvíramos de Bittencourt Sampaio. (...) “Espíritas! Com Allan Kardec retomastes o facho resplendente da Boa Nova, que jazia eclipsado nas sombras da Idade Média! Compreendamos nossa missão de obreiros da luz, cooperando com o Senhor na construção do mundo novo!... Não ignorais que a civilização de hoje é um grande barco sob a tempestade... Mas, enquanto mastros tombam oscilantes e estalam vigas mestras, aos gritos da equipagem desarvorada, ante a metralha que incendeia a noite moral do mundo, Cristo está no leme!...”. estar vendo uma pequena gravadora. Dizendo escutar a mensagem, põe-se a escrever, evidenciando a audição em curso. Entretanto, o médium escreve e faz a pontuação ao mesmo tempo. Ajudando-o a segurar o

papel, conjeturamos mentalmente: “Ora, se o Chico está ouvindo a mensagem gravada, como pode fazer a pontuação? Estamos diante de um ditado ou de psicografia comum?”. No instante em que formulamos a indagação

Instruções psicofônicas. Espíritos diversos. Organização Arnaldo Rocha. (Francisco C. Xavier). Leia a mensagem completa de Bittencourt Sampaio no site www.correiofraterno.com.br

VOCÊ SABIA?

O desafio de Amália Soler diante da cegueira N ascida em Sevilha, Espanha, Amália Domingos Soler (1835-1909) foi figura de destaque no espiritismo, enfrentando com muita coragem uma existência de muitos percalços. O pai morrera antes de ela nascer e problemas visuais acompanharam-na por toda a vida. Graças aos esforços maternos, cedo aprendeu a ler e, aos dez, começou a escrever poesias. Perdeu a mãe aos 25 anos, passando por grandes dificuldades financeiras. Sozinha, numa noite, caminhando sem esperanças, sua mãe lhe aparece,

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fazendo-a recordar-se da religião. Busca auxílio em uma igreja luterana, volta a escrever versos, costura e tenta se reerguer. Quase cega, procura a ajuda de um médico homeopata, dr. Hysern, que lhe entrega um exemplar de El Critério, periódico espírita que circulava na época. O pequeno jornal desperta sua curiosidade e ela acaba por se aprofundar nos estudos do espiritismo, escrevendo artigos espíritas para revista, integrando-se ao movimento espírita espanhol. Participando de reuniões em casas espíritas, em 9 de maio de 1879 aparece-lhe seu guia espi-

ritual, o padre Germano. Em Barcelona, encontra-se com o médium sonâmbulo Eudaldo, que recebe várias mensagens a ela destinadas, muitas delas reunidas no clássico de sua autoria Memórias do padre Germano. Animada por profunda fé em Jesus e nos benfeitores espirituais, conseguiu recobrar a visão. Eis o seu relato: – Bela manhã, estando em casa senti repentino doloroso e estranho fenômeno: pareceu-me que toda minha cabeça se tinha enchido de neve, tal o frio intenso que nela sentia. Prestei atenção e

acreditei ouvir esta breve palavra “luz”. Luz... luz... luz... para a minha alma e para os meus olhos; gritei movida por inexplicável impressão: Luz, necessito, meu Deus! E sem saber por que, chorei, não com amargura desconsolada. Sem dar conta do que fazia, encaminhei-me para um espelho, numa exclamação de júbilo e de assombro indescritível, ao ver meus olhos perfeitamente abertos como há muito não os podia ver.

Bibliografia: Personagens do espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy, FEESP.


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JANEIRO - FEVEREIRO 2013

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ARTIGO

O centro espírita não cresce? É sinal de alerta! Por IVAN FRANZOLIM

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tendência da população é crescer, nascendo mais pessoas do que morrendo. Assim, com mais pessoas, mais livros são lidos, mais acessos à internet são realizados, mais pessoas trabalham, fazem compras, vão ao cinema, e frequentam as suas religiões ou entidades filosóficas e altruístas. No Estado de São Paulo, por exemplo, tivemos um aumento da população entre os censos de 2000 e 2010 de 11,4% e, dos 645 municípios, 542 viram aumentado o número dos habitantes (84%), e apenas 103 (16%) apresentaram queda na população. Também os espíritas nesse estado tiveram um aumento expressivo de 74%. Dessa forma, se o centro que você trabalha ou frequenta não apresentou nos últimos anos um aumento de pessoas nas reuniões públicas e em outras atividades, é sinal de alarme. Devem ser estudadas as possíveis causas e tomadas as medidas para a normalização. É uma grande responsabilidade administrar um centro espírita, tanto do ponto de vista legal e cívico, como sob a ótica moral e espiritual. O objetivo dos gestores será sempre obter o máximo de resultados com o menor contingente de recursos. Isso significa atender bem ao maior número de pessoas possível. Na procura das possíveis causas de o centro não ter apresentado crescimento, os dirigentes deverão procurar as razões reais, sem querer buscar justificativas.

O primeiro ponto a ser analisado é como as pessoas se sentem na casa. O clima que domina o ambiente é transmitido pelos dirigentes e mais ou menos reforçado pelos trabalhadores. Refletem a prioridade dos valores comuns. Em um centro, por exemplo, os dirigentes podem dar mais importância à disciplina do que à fraternidade. Em outro, valorizar mais o dever (obrigação) do que o ideal (fazer por amor). O relacionamento com o público pode ser até correto, eficiente e educado, mas mesmo assim ficar longe do sentimento de fraternidade e de amizade com sua carga de afeto característica. O segundo ponto a ser ponderado é o conteúdo e o tipo de comunicação que o centro produz. Não é fácil ser analisado, pois nos acostumamos com a instituição que trabalhamos e deixamos de perceber o que ela comunica aos seus participantes. Tudo contribui para a formação da cultura da imagem que todos criam da instituição e da própria doutrina. A fachada da casa, seu jardim, a limpeza, sua decoração e naturalmente o comportamento dos seus dirigentes e trabalhadores. O tom utilizado nas conversas e nas palestras pelos principais formadores de opinião acaba sendo imitado inconscientemente pela maioria dos trabalhadores sem que eles consigam notar esse padrão, que por vezes pode ser bastante inadequado, como o tom piegas, autoritário, de admoestação, de deslumbramento etc.

Uma análise interessante pode ser feita, verificando-se quem é o público da casa. O tipo predominante das pessoas que foram atraídas para a instituição tende a refletir o que realmente a casa está comunicando no conjunto de suas ações. A falta de crescimento é um indicador importante que não deve ser negligenciado. Criatividade, inovação e interesse pelo próximo são elementos renovadores que

tornam o ambiente propício a novas atividades e estudos com melhor acolhimento e resultados. Assim como crescemos em conhecimento e sentimentos, a instituição também deve acompanhar a evolução dos seus participantes. Ivan Franzolim é escritor e comunicador espírita, membro fundador da ADE-SP Associação de Divulgadores do Espiritismo de São Paulo. Mantém o blog: http:// www.franzolim.blogspot.com.br/

Segue uma sugestão de ações que certamente trarão benefícios para qualquer instituição: • Mudar postura dos dirigentes e trabalhadores para os aspectos identificados. • Incrementar a cordialidade e a fraternidade no relacionamento com as pessoas. • Fazer pesquisa de satisfação com os frequentadores. • Oferecer modelo de carta ou folheto apresentando o centro para os vizinhos. • Melhorar a comunicação visual (placa, mural, cartazes). • Realizar palestras com oradores selecionados. • Realizar apresentação de filmes com comentários. • Implantar seminários e cursos rápidos. • Melhorar a aparência (limpeza, pintura, fachada, jardim).

• Criar um Serviço de Informações para os novos frequentadores. • Criar ou melhorar um Serviço de Atendimento buscando ouvir os frequentadores. • Criar ou melhorar a homepage (o centro na internet) • Criar um serviço para receber comentários, críticas e elogios. • Renovar o conteúdo e a forma de ministrar os cursos. • Pedir a participação de todos na elaboração de conteúdos e apresentações dos trabalhos. • Aproveitar os médiuns psicógrafos, incentivando o exercício dessa mediunidade, exercendo análise, direcionamento e utilizando o melhor conteúdo para divulgação. • Criar Centro de Estudo que favoreça aprofundamento do estudo.

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