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ISSN 2176-2104

CORREIO

FRATERNO

O exemplo das formigas

SEMPRE ATUAL, COM O MELHOR DO CONTEÚDO ESPÍRITA Ano 44 • Nº 442 • Novembro - Dezembro 2011

Em artigo inédito, André Trigueiro traça comparação entre as relações sociais humanas e as do reino animal. Leia na pág. 15

Ares de mudanças na civilização

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ais um ano se despede do calendário e o inevitável balanço interior começa a sua ronda, principalmente naqueles que são afeitos à busca do autoaprimoramento. A proposta de Allan Kardec, no século 19, de analisar as máximas evangélicas, reunindo-as de acordo com seu sentido moral, é de uma utilidade indiscutível. Bem fácil seria se a nós bastasse apenas lê-las. Mas a humanidade não dá saltos em sua evolução moral. Comenta Herminio Miranda, em seu livro O que é fenômeno anímico anímico (Edições Correio Fraterno), que estamos vivendo momento importante, no qual o modelo materialista apresenta rachaduras, exigindo que a humanidade se debruce urgentemente sobre novas ideias. Paira no ar uma vontade de coisa nova, que preencha os vazios existenciais, que nos ensine a perguntar, a pensar, muito mais do que a dar respostas. Isso talvez porque a felicidade que o mundo oferece ainda esteja restrita à condição material, de momentos felizes fugidios. Afinal, tudo escapa muito fácil das mãos: a beleza, o dinheiro, os relacionamentos, o emprego, a vida. Há ares de mudanças na civilização terrena, que desperta para o aspecto espiritual do homem em todos os campos do conhecimento. Leia nas páginas 8 e 9.

Colorido na história do espiritismo

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Lançado livro que resgata, com imagens em cores, a história dos pioneiros espíritas, muitos deles até então desconhecidos. Leia na pág. 7

O espiritismo numa aventura fantástica através dos sonhos “Minha intenção era contar as aventuras de um menino que viajasse por mundos diferentes. Acabei descobrindo que esse lugar era justamente o plano espiritual” – Rogério Pietro. Leia na pág. 5

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EDITORIAL

Um novo ano

para mudanças

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ais um final de ano se aproxima. O tempo passa rápido e nos surpreende outra vez, mas o que importa é que para o espírito tudo é acréscimo e nada se perde. Embora a sensação seja de que os momentos se escorregaram pelas nossas mãos, a lei divina nos abraça, como eterno presente da Criação, permitindo que tudo esteja justamente de acordo com o que conseguimos perceber

e suportar. Nada está fora do lugar ou no tempo errado. Esta edição nos convida a pensar sobre o momento atual. A ordem é compartilhar, trocar experiências e somar esforços para o progresso. Vamos falar sobre a união da TV Mundo Maior e da TVCEI num mesmo satélite, veremos as opiniões de dois autores bem diferentes – Rogério Pietro (Entrevista), escritor de aventuras, e a filósofa Astrid Sayegh (Leitura), analisando a renovação de atitudes. O articulista Ari Marques aborda Quem é Jesus para os espíritas? e o jornalista André Trigueiro, em artigo inédito, defende a urgente necessidade da união social em Aprendendo com as formigas. Aliás, o tema de capa, de Eliana Haddad, demonstra que há evidências de mudanças no ar, de um modelo novo de vida, mais adequado que o atual, com

suas rachaduras cada vez mais aparentes. Tudo se encaixa no balanço desses tempos de Natal e Ano Novo. E, se tudo se encadeia e se soma na vida do Espírito, há de se valorizar também o passado, que estrutura e fortalece a base para se seguir em frente. É o que traz Izabel Vitusso no Baú de memórias, sobre a pesquisa de Washington Fernandes sobre os centros espíritas centenários no mundo. Ainda tem Laurinha, a história do Vade mecum espírita e as lembranças de Neyde Schneider sobre materializações, no Foi assim. Agradecemos pela companhia em mais um ano que estivemos juntos nos mesmos ideais em favor do bem. Feliz Natal e que 2012 seja repleto de paz e luz! Equipe Correio Fraterno

CORREIO DO CORREIO Simples e direto Adorei o texto “Os aventureiros do coração” da Laurinha (edição 441 set/out 2011), porque muitas vezes não sabemos explicar alguns termos para as crianças e com uma pequena frase a mãe da Laurinha conseguiu facilmente explicar. Eliana dos Santos – SP, por e-mail

Quando o mundo vai acabar? Oportuna matéria “Quando o mundo vai acabar?” (edição 440 jul/ago 2011). A cada hora aparece uma nova data, nova forma de ‘fim’; não perceberam que a coisa toda já está em andamento! Abraço! Paulo Santos – MG, por e-mail

O Correio no site Gostaria de parabenizar pelo belo site. Tive a oportunidade de conhecer através do programa da Rádio Boa Nova. Forte abraço. Márcio Ferreira Cosma – RS, por e-mail

Envie seus comentários para redacao@correiofraterno.com.br. Os textos poderão ser publicados também no nosso site www.correiofraterno.com.br

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FRATERNO ISSN 2176-2104 Editora Espírita Correio Fraterno CNPJ 48.128.664/0001-67 Inscr. Estadual: 635.088.381.118

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Uma ética para a imprensa escrita Em dois artigos, escritos por Allan Kardec e publicados na Revista Espírita, em 1858, estão encerradas as diretrizes que o Correio Fraterno adota como norte para o trabalho de divulgação: • A apreciação razoável dos fatos, e de suas conseqüências. • Acolhimento de todas observações a nós endereçadas, levantando dúvidas e esclarecendo pontos obscuros. • Discussão, porém não disputa. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas razões aos olhos de pessoas sensatas. • A história da doutrina espírita, de alguma forma, é a do espírito humano. O estudo dessas fontes nos fornecerá uma mina inesgotável de observações, sobre fatos gerais pouco conhecidos. • Os princípios da doutrina são os decorrentes do próprio ensinamento dos Espíritos. Não será, então, uma teoria pessoal que exporemos. • Não responderemos aos ataques dirigidos contra o Espiritismo, contra seus partidários e mesmo contra nós. Aliás, nos absteremos das polêmicas que podem degenerar em personalismo. Discutiremos os princípios que professamos. • Confessaremos nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Longe de repelir as objeções e as perguntas, nós as solicitamos. Serão um meio de esclarecimento. • Se emitirmos nosso ponto de vista, isso não é senão uma opinião individual que não pretenderemos impor a ninguém. Nós a entregaremos à discussão e estaremos prontos para renunciá-la, se nosso erro for demonstrado. Esta publicação tem como finalidade oferecer um meio de comunicação a todos que se interessam por essas questões. E ligar, por um laço comum, os que compreendem a doutrina espírita sob seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e a caridade do evangelho para com todos.

Envio de artigos Encaminhar por e-mail: redacao@correiofraterno.com.br Os artigos deverão ser inéditos e na dimensão máxima de 3.800 caracteres, constando referência bibliográfica e pequena apresentação do autor.


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Acontece

TVs espíritas se unem

e se preparam para aprimorar divulgação Redação

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esde o dia 7 de novembro, a TVCEI transmite sua programação em conjunto com a TV Mundo Maior. O sinal que era transmitido pelo Satélite Estrela do Sul agora passa a ser veiculado pelo Satélite C2, dividindo a grade de programação em três horas intercaladas para cada emissora. Um dos propósitos da fusão é se criar uma tevê espírita mais forte e consolidada, juntando-se três frentes já existentes: aTVCEI, TV Mundo Maior – da Fundação Espírita André Luiz, e a Fraternidade Francisco de Assis, que produz o programa Transição, transmitido em rede nacional pela RedeTV aos domingos, às 15 horas. A ideia da união de esforços surgiu por uma iniciativa da TV Mundo Maior, na expansão da TV aberta, que procurou a Federação Espírita Brasileira para ampliar este processo. “Juntos, vamos fazer uma tevê única com experiência, beleza e técnica visual”, opina Luis Hu, diretor da TVCEI. A opinião é também compartilhada pelo diretor da TV Mundo Maior, André Marouço. “Sairemos todos fortalecidos, com um planejamento estratégico geral para um único canal que traga o melhor da programação audiovisual espírita”, afirma. Num só satélite agora, a rede soma 45 operadoras de tevê a cabo da TVCEI e a rede aberta, em quatro cidades, da TV Mundo Maior, atingindo-se um número total de pessoas que futuramente contarão com uma programação renovada, variada e com menos reprises. Segundo Luis Hu, o principal desafio estará na prospecção de recursos econômicos. “Infelizmente, até agora há muita pedra e pouco dinheiro. O movimento

André Marouço conta que esse ‘namoro’ entre as emissoras existe há cerca de quatro anos e que ainda vai precisar de pelo menos mais três meses para começar a mostrar mudanças. “Há muitos acertos ainda a serem discutidos, que vão gerar melhoria de qualidade da programação e quem vai ganhar será o telespectador”, destaca. “Queremos agradecer aos espíritos superiores que estão apoiando os esforços em prol da divulgacão massiva do espiritismo”, diz Luis Hu. Segundo ele, tudo se encaixa perfeitamente nos planos de expansão e multiplicação. Ele agradece especialmente a um grupo de cinco empresários espíritas que têm auxiliado a expansão da TV com aporte de capital. “Esperamos que a meta sensibilize almas que contribuam na expansão da doutrina que ilumina consciências e consola corações”, conclui. Como assistir: Pela internet Através dos sites www.tvcei.com e www.tvmundomaior. com.br: acesso ao conteúdo transmitido via satélite e a outros canais.

espírita ainda precisa ver a televisao como principal fonte de divulgação e caridade com o espiritismo”. “Os empresários espíritas e diversos companheiros poderiam se unir neste desafio, que vai ajudar a diminuir suicídios, abortos, crimes e levar luz a muitos lares”, sugere Luis Hu, lembrando que os recursos financeiros se fazem necessários para expansão da rede aberta em todas as cidades do Brasil. “Em

tevê, tudo é ainda muito caro”, avisa. E logo contabiliza: “contamos, por exemplo, com o Clube Amigos da TVCEI onde é possível se associar por trezentos reais anuais e ajudar a tevê, recebendo-se todo mês uma revista e dois dvds. Em um ano e meio, apenas 980 espíritas se associaram. Se conseguíssemos dobrar esse número de associados, hoje estaríamos em rede aberta, nacional e internacional”.

Pelas TVs por assinatura Através da retransmissão do sinal nos estados: Bahia, Espírito Santo, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo Pelo satélite Brasilsat C2 No satélite C2, com sinal aberto e gratuito para todo o território brasileiro e alguns países da América do Sul. Novo endereço para sintonizar: Satélite Star One C2 Posição orbital: 70º W Frequência: 3964 H Symbol Rate (SR): 1875 www.correiofraterno.com.br


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ENTREVISTA

Trabalhar pela paz enquanto se dorme? Por Eliana Haddad Desde criança, Rogério Pietro gosta de criar aventuras. Farmacêutico, mestre em biotecnologia e doutor em ciência dos alimentos, se inspira na arte em geral para criar suas histórias. Dirigente da mocidade do Centro Espírita Eduardo Carvalho Monteiro, em São Bernardo do Campo, SP, Rogério não tem medo de ousar. Foi assim que surgiu o livro Gabriel Querubim e os guardiões dos sonhos (Correio Jovem), trazendo uma envolvente história de um grupo de crianças que, durante o sono, vivem uma aventura fantástica no Mundo Real, um ambiente cheio de desafios. tos já viveram muitas encarnações e têm em si a experiência de todas as fases da vida. Em meu livro, as crianças fazem esse papel. Na aventura, sua missão é limpar o plano astral das formas-pensamento nocivas que afetam a saúde de todos.

Por que você recorreu ao ‘mistério’ dos sonhos para reunir os personagens nessa aventura? Rogério: Minha intenção era contar as aventuras de um menino que viajasse por mundos desconhecidos, onde tomaria contato com situações totalmente diferentes das que vivemos. Acabei percebendo que esse mundo é justamente nossa vivência no plano espiritual enquanto estamos dormindo, e do qual lembramos apenas com a roupagem fantástica com a qual nosso cérebro a reveste Jovens também se reúnem para fazer o bem durante o sono? Rogério: Quando dormimos, o espírito que somos se desprende parcialmente do corpo e adquire a capacidade de trafegar pelo plano invisível. Ali, escolhemos as companhias e atividades que mais nos agradam, de acordo com nossas tendências e estado de espírito. Sabendo disso, é fácil perceber que algumas pessoas se reúnem com a missão de ajudar,, independentemente da idade – porque os espíri-

Quem são os anjos, os arcanjos e os querubinos na visão espírita? Rogério: A palavra anjo significa ‘mensageiro’. No Antigo e no Novo Testamento existem centenas de espíritos desencarnados trazendo mensagem do plano superior, sendo por isso chamados de anjos. No meio espírita, a palavra tem sido usada para designar espíritos mais evoluídos, mas no contexto bíblico, ela foi usada para descrever qualquer desencarnado, inclusive os moralmente atrasados. Já a palavra arcanjo não deveria ter um significado diferente de anjo, mas a cultura católica criou ordens e hierarquias para os anjos – sempre os considerando seres criados à parte. Considerando a reencarnação e a evolução constante dos seres, essas hierarquias perdem o valor. Em meu livro, porém, dei a ‘arcanjo’ o significado de ‘anjo antigo’ e usei a palavra ‘querubino’ para nomear as crianças encarnadas que trabalham no plano espiritual enquanto dormem. É por isso que Gabriel, apesar de um querubim, ainda se atrapalha em determinadas circunstâncias,

o que dá graça ao enredo... Rogério: Um dos ganchos principais do livro é a evolução. Ao contrário de todas as literaturas que citam anjos e arcanjos, Gabriel Querubim mostra que todo mundo pode fazer coisas certas e erradas. Se o Universo é uma grande escola, todos estamos na condição de alunos e professores, alguns mais adiantados, outros menos.

tura juvenil que vá além de doutrinar o leitor, mas diverti-lo. A obra pode também ser lida por pessoas de qualquer religião. A outra contribuição é que o livro traz a história de um encarnado (o pequeno Gabriel) que não é médium, mas convive naturalmente com outros espíritos enquanto dorme. Esse fenômeno é pouco explorado na literatura.

Quais outros conteúdos espíritas da obra? Rogério: Mesmo sendo um livro de aventura e fantasia, é impossível negar que o conteúdo dos ensinamentos da doutrina espírita permeie a obra em todas as páginas. Uma delas são as formas-pensamento, chamadas na obra de psicoformas ou temulentos. Estudadas por André Luiz, nada mais são do que matéria astral materializada e ‘animada’ por nossos pensamentos e emoções fortes. Além disso, a responsabilidade por nossos atos, palavras e pensamentos está presente no livro, bem como os planos inferiores e as colônias espirituais. Gabriel visita todos esses lugares e nos leva de alguma forma a refletir sobre a missão de cada um de nós na Terra.

Que mundo é esse em que vive a turma do Gabriel? Como os personagens conseguem ir das esferas mais elevadas para as regiões mais inferiores, por exemplo? Rogério: No livro, o local para onde as pessoas vão quando dormem é chamado de Mundo Real. Ele é uma alusão ao plano astral ou espiritual, nossa verdadeira casa. O lugar que os personagens ocupam quando estão acordados é chamado de Mundo Entorpecido, que nada mais é do que a vida na matéria densa. Estar entorpecido é encontrar-se em condições de pouca lucidez. O cérebro não tem noção de tudo o que nos rodeia. No Mundo Real, Gabriel e seus amigos visitam vários ambientes. Alguns iluminados e outros muito perigosos, como as Trevas. A passagem de um para o outro não é simples, como o leitor vai perceber ao ler a obra. Espero que gostem!

Na sua opinião, qual a contribuição que a sua obra traz ao espiritismo? Rogério: Ela preenche duas imensas lacunas. Uma delas é a ausência de litera-

Veja mais sobre o livro no site www.correiofraterno. com.br www.correiofraterno.com.br


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••• A segura diretriz Um grande sucesso, agora ainda mais aprimorado! Nesta edição revisada e ampliada deste grande sucesso editorial, temas ainda mais atuais foram incorporados. Mediunidade, médiuns, grupo mediúnico, desenvolvimento mediúnico, comunicações, doutrinação, mentores, passes e muitos mais tratados de forma objetiva e pertinente. Acompanhando o valoroso conteúdo, estão dispostas inúmeras notas explicativas e um extenso índice geral. Divaldo Franco e Raul Teixeira | Diretrizes de Segurança mediunidade | 15,5 x 22,5 cm | R$ 35,00 miolo em duas cores com notas explicativas e índice geral www.intervidas.com/diretrizesdeseguranca

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BAÚ DE MEMÓRIAS

O BAÚ DE MEMÓRIAS PODE SER FEITO POR VOCÊ! Envie para nós um fato marcante sobre o Espiritismo em sua cidade. Ele pode ser publicado aqui nesta seção. E-mail: redacao@correiofraterno.com.br.

retratos pintados por Ismael Tosta Garcia

Cem anos de espiritismo ganham cor em projeto editorial Por Izabel Vitusso Joaquim Carlos Travassos foi quem fez as primeiras traduções da Codificação do francês para o português, a partir de 1873

Capa do livro A História Viva do Espiritismo, de Washington Nogueira Fernandes.

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ue o trabalho de divulgação da doutrina espírita é intenso e antigo, grande parte de nós já sabe. Movidos pelo ideal de estudar as obras que acabavam de ser publicadas por Allan Kardec, a partir de 1857 muitos grupos se formaram, em torno dos pioneiros, que ajudaram o espiritismo a alcançar rapidamente todos os continentes. Porém esses fatos, principalmente com imagens de pessoas e instituições que iniciaram a consolidação do espiritismo no Brasil, poucas vezes são retratados em livros, e quando o são, permanecem em âmbito regional. Pois foi este manancial de informação que entusiasmou o pesquisador Washington Nogueira Fernandes e o levou a iniciar o projeto que acaba de ser

lançado em seu primeiro volume, o livro A história viva do espiritismo. Incluindo as instituições do Exterior, a obra enfeixa dados da fundação de 64 casas espíritas e mais cinco periódicos, que já completaram 100 anos de existência e continuam em atividade. O livro, com edição de capa dura e índice com mais de 3.500 remissões, é ricamente ilustrado com imagens em cores e reconstituição de retratos dos pioneiros, recurso que permite ao leitor ‘viajar no tempo’ e encontrar os antepassados da história. Para se ter uma ideia, data de 1877 a instituição espírita mais antiga do mundo ainda em funcionamento: a Asociación Espiritista Constancia, de Buenos Aires, na Argentina, e aqui você vê o retrato reconstituído de seu

Augusto Elias da Silva, em sua casa, no Rio de Janeiro, foi fundada em 1884 a Federação Espírita Brasileira

Angel Scarnicchia (1815 -1889), primeiro presidente do centro espírita mais antigo ainda em funcionamento - Asociación Espiritista Constancia

Sinhô Mariano: quem iniciou o médium Eurípedes Barsanulfo no espiritismo. Fundador do C.E Fé e Amor, em 1900, primeiro centro espírita do interior de Minas

José Lorena de Souza, fundador do C.E. João Evangelista em 1880, o mais antigo no Brasil ainda em funcionamento, na cidade de Sete Barras, SP

primeiro presidente. O livro dá notícias de que o centro teve início em 1869, com o comerciante espanhol Don Justo de Espada, vindo de Mágala, que se estabeleceu no país em busca de novos negócios, trazendo consigo as práticas espíritas da Espanha, país onde elas se encontravam bem desenvolvidas. Segundo Washington, o livro resgata um número muito maior de pioneiros do espiritismo além dos que já conhecemos. “São desconhecidos que muito fizeram pela implantação da doutrina espírita no Brasil e no mundo.”

A obra foi editada pelo Centro de Cultura Eduardo Carvalho Monteiro, de São Paulo e faz parte do projeto há anos acalentado pelo pesquisador, de formar, em volumes uma Enciclopédia Internacional do Espiritismo. Mas aguarda formas de viabilizar financeiramente o projeto. Veja no site quais são os centros espíritas mais antigos do Brasil. CCDPE – Centro de Cultura Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro Fone: (11) 5072-2211 – www.ccdpe.org.br

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Cheiro de mudanças no ar Por Eliana Haddad

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em poucas vezes a expressão “vivemos num mundo de expiações e provas” serve de reflexão real e profunda sobre a nossa condição ainda frágil, em que alegrias e aflições se misturam, numa Terra que exige respeito, cuidados e gratidão dos seus sete bilhões de habitantes, que ainda demonstram uma infância moral que preocupa. Falta serenidade e até mesmo tempo para perceber que a vida não pode ser apenas agitação, que exige momentos de calmaria, que não se traduzam em tédio, mas em prazer, em alargamento de visão de esperança e de fé, aquela mesma que move montanhas, ainda que seja pequena como um grão de mostarda, mas firme, por trazer em si toda a potencialidade para se tornar amparo e incentivo para se seguir em frente. Não há como repetir e repetir o Evangelho, “segundo o espiritismo”, ou seja, em sua concepção moral e não mítica, sem se perceber que não dá mesmo para ser feliz com tantas dificuldades. A morada é de expiações ainda, campo de provas, porque reúne amorosamente os que ainda têm muito a aprender e a conhecer, com as dificuldades individuais e coletivas, conquistas amealhadas pelo nosso conjunto de ações, de acertos e desacertos que conseguimos até hoje. Não há mais como alegar desconhecimento. A proposta de Allan Kardec, no século 19, de analisar, em uma das obras básicas do espiritismo, as máximas evangélicas, reunindo-as de acordo com seu sentido moral, é de uma utilidade indiscutível. Está tudo ali e bem fácil seria se bastasse ler e reler seus itens e capítulos. Mas a ética espírita vai muito mais longe. Solicita além do entendimento racional dos ensinamentos, a vivência em si mesmo de tais precei-

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tos, não apenas como leis a seguir, mas um caminho a ser trilhado rumo à felicidade, com os próprios pés. Sim, a humanidade não dá saltos na evolução moral. Embora constante, tudo é muito lento no progresso do espírito, até que o aprendizado se torne autônomo, ou seja, livre, de dentro para fora. O processo contínuo de lutas deixa suas marcas indeléveis na memória espiritual dos homens, cuja história vai se repetindo em lições cada vez mais aprimoradas, como a lembrar na consciência os lampejos constantes de orgulho, vaidade e egoísmo pela momentânea impossibilidade de um olhar mais abrangente da vida, que paute as ações presentes. Aqui e agora, afinal é nossa condição existencial, ‘no mundo’. Lembra Léon Denis, em sua obra O problema do ser, do destino e dor que chegaram a censurar Kardec por ter, em suas obras, repisado a ideia de castigo e expiação. “Diz-se que ela dá uma falsa noção da ação divina; implica um luxo de punições incompatível com a Suprema Bondade”. Segundo Denis, tal apreciação seria superficial, faltando-lhe justamente o discernimento daquele olhar mais abrangente. “A ideia, a expressão de castigo, excessiva talvez quando ligada a certas passagens insuladas, mal interpretadas em muitos casos, atenua-se e apaga-se quando se estuda a obra inteira”. Assim, aos mais atentos, fica claro que a felicidade em seu sentido teleológico não é mesmo deste mundo, porque exige que seja compreendida numa extensão muito maior, que ultrapasse as ideias materialistas, não apenas como alegrias transitórias, mas como um estado de alma, apenso à condição evolutiva do espírito, que aos poucos vai aprendendo a senti-la através das suas múltiplas experiências reencarnatórias. As-


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Há ares de mudanças na civilização terrena, que desperta para o aspecto espiritual do homem em todos os campos do conhecimento” sim, o que nos deixava felizes no passado não é mais o que nos faz plenos hoje. Nossas necessidades também se refinam. Como a felicidade que o mundo oferece ainda está restrita à condição material, de momentos felizes e fugidios, a humanidade sente-se atônita no seu desafio existencial. Afinal, tudo lhe escapa fácil: a beleza, o dinheiro, os relacionamentos, o emprego, a vida. Comenta Herminio Miranda, em seu livro O que é fenômeno anímico, (recém-lançado pela Editora Correio Fraterno), que estamos vivendo um momento importante, no qual o modelo materialista apresenta rachaduras consideráveis, exigindo que a humanidade se debruce urgentemente sobre novas ideias. É assim que, ao mesmo tempo em que a geração atual se debate, paira no ar uma vontade de coisa nova, que preencha os vazios existenciais, que ensine a perguntar, a pensar, muito mais do que a dar respostas. Como tudo está gravado no espírito, que tem a própria lei divina em sua consciência, atestando a imanência de Deus na Criação, a humanidade terrena já sente, ainda que em momentos fugazes, a necessidade de buscar novas respostas para

a aflição que se lhe assalta e ensaia sair do torpor dogmático que ainda a prende nas amarras da espera que defina o certo e o errado, quando a verdadeira sanção do bem e do mal é da consciência. Ainda segundo Denis, é a consciência que registra “minuciosamente” todos os nossos atos. “Mais cedo ou mais tarde, erige-se em juiz severo para o culpado que, em consequência de sua evolução, acaba sempre por lhe ouvir a voz e sofrer as sentenças”. Aí está a explicação lógica da dor. O preconceito de que sofremos apenas porque somos imperfeitos e devedores, como se fôssemos prisioneiros, marionetes indefesos de um mundo de expiação e provas pode ser, em vez de consolador, acomodador. É urgente a conscientização de nossas potencialidades, para que assumamos posições seguras e intransferíveis com relação à nossa evolução e à evolução da sociedade da qual fazemos parte. Por mérito, pelo o tanto que já conquistamos. Por oportunidade, pelo tanto de campos de ensaio que a existência nos oferece para o aprendizado do amor. A dor, também, não fere somente os culpados, mas a alma virtuosa, como explica Denis, por ser mais sensível. “É mais adiantado o seu grau de evolução, o que a impulsiona muitas vezes até mesmo a procurar a dor, por lhe conhecer todo o valor”, assinala. Em tempos de crise, numa sociedade consumista de enormes diferenças, onde uns morrem de fome e outros jogam comida no lixo, não é tão fácil pensar num futuro solidário, de progresso e de paz. Mais fácil imaginar que, a continuar assim, o mundo vai mesmo acabar. E aí o desespero e o comodismo abrem suas asas, gerando a paralisação, a espera da solução que venha de fora. É bom lembrar que nada está perdido e que Jesus está no comando do Planeta, da humanidade terrena. Um comando que não representa um conjunto de atitudes autoritárias e arbitrárias, a separar os bons dos maus, tornando-nos passivos diante da dor e tragicamente destinados a ‘pagar’ pelos nossos erros. Não. Estamos todos juntos nesse ideal de amor por um mundo melhor, porque essa é finalidade maior. Caso contrário, ele não teria vindo à Terra para nos exemplificar as lições. Pessoalmente. Deixemos a atitude de espera sem tra-

balho. Responsabilizemo-nos. Resignação é uma conquista do coração, mas não combina com acomodação. Jesus também espera por nós, pelas nossas mudanças, pelos nossos exemplos, pelos nossos esforços, pelas nossas atitudes de amor, que serão o bom fermento que levedará a massa, que necessita crescer e se multiplicar no Bem. Jesus conta, sim, com a nossa evolução para a manutenção da harmonia do orbe terrestre. O que vamos oferecer? Como vamos contribuir? Há ares de mudanças na civilização terrena, que desperta para o aspecto espiritual do homem em todos os campos do conhecimento. E, então, o que aprendemos? Que transformações já observamos? O que modificou em nós o conhecimento do Evangelho? O que temos feito com essas lições todas, lidas e relidas, para a construção de um mundo melhor? Se a maior lição de Jesus foi o exemplo, se ele é mestre a seguir, como discípulos, devemos fazer o mesmo: exemplificar o que sabemos. Esses exemplos não podem mais ficar apenas contidos nas quatro paredes dos centros espíritas, mas terão que de se exteriorizar em atitudes responsáveis de amor. E atitude quer dizer participação, contribuição, compartilha. Quando falamos em sacrifício, em sofrimento, em dor, lembramos de Jesus, Sócrates, Joana d’Arc e tantos outros famosos da História, mas quantos, no dia a dia, não sofrem solitários no silêncio e no esquecimento, no cumprimento do seu dever moral, deixando exemplos infindos, impulsionando núcleos familiares, profissionais e sociais? Amemos, pois. E, se amar melhor depende do nosso coração e do nosso entendimento, que possamos então nos livrar das máscaras do nada-tenho-a-ver-com-isso, como se fôssemos seres à parte da Criação, à espera da salvação, quando ela clama por nossa atenção. Como narra o evangelista João, Nicodemos – senador e mestre judeu – procurou Jesus um dia para conversar sigilosamente, espantando-se ao ouvi-lo dizer que o Reino de Deus não chegaria a quem não nascesse de novo, ou seja, a quem se habilitasse a buscar uma nova forma de vida, novos valores, uma nova forma de fé. E para isso só há uma saída: mudança.

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Vade mecum espírita Pesquisa de Luiz Pessoa Guimarães 176 páginas 14x21 cm

Editora EME Tel.: (19) 3491-7000 www.editoraeme.com.br Reportagens da vida de O Repórter psicografia de Júlio Cezar Grandi Ribeiro 208 páginas 14x21 cm

Editora O Clarim Tel.: (16) 3382-1066 www.oclarim.com.br Comece pelo comecinho – educação espírita infantojuvenil: uma proposta de trabalho de Martha Rios Guimarães 156 páginas 14x21 cm

Editora Correio Fraterno Tel.: (11) 4109-2939 www.correiofraterno.com.br A luz que vem de dentro de Lygia Barbiére Amaral 464 páginas 14x21 cm

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NOVO

satélite

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TVCEI e TV Mundo Maior Agora juntas no mesmo satélite A partir do dia 7 de novembro de 2011, a TVCEI e a TV Mundo Maior iniciam uma importante parceria que irá beneficiar a divulgação espírita através da televisão. Esta união de experiências irá trazer para os telespectadores uma TV Espírita muito mais forte, consolidada e com uma programação ainda melhor, além de ampliar a área de cobertura, através do satélite C2 e diversas operadoras de TV a cabo.

A programação será intercalada em três horas para cada emissora. Dados para assistir com antena parabólica: Satélite StarOne C2 (Banda C digital) Frequência: 3964 H Symbol Rate (SR): 1875 Você que possui o kit de recepção da TVCEI poderá manter o mesmo receptor, bastando trocar a antena para outra compatível com banda C digital. O sinal do Estrela do Sul já está desativado. Informações: www.tvcei.com/satelite

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ENSAIO

Quem é Jesus para os

Pouca gente sabe o que realmente é Jesus para os espíritas, sem contar os que fantasiam em torno de conjecturas vazias, por total desconhecimento. Personalidade mais comentada de todos os tempos, Jesus, por sua impor-

espíritas Por ary marques brasil

tância, ensejou a fragmentação da História em duas partes — antes da sua vinda e depois de sua passagem pela Terra. Os espíritas não costumam cultuar imagens, muito menos a imagem de Jesus na cruz, abatido, vitimado pela incompreensão dos homens. Para eles, o Jesus real é “um ser iluminado, belo, forte, irradiando amor de uma forma ampla e total, como um verdadeiro sol cujos raios se direcionam para todos os lados e atingem a todas as pessoas do Universo. Médico, psicólogo, pedagogo, consolador, redentor, Jesus nunca usou de uma classificação dicotômica da humanidade — os condenados a um futuro terrível num inferno eterno, em função de seus erros, e os eleitos, os únicos a se salvar, em função da sua fidelidade. Assim, os espíritas veem esse tal de inferno apenas como um estado íntimo da consciência. Nada de demônios, nada de Pai vingativo.. Esse conceito encerrou-se com Moisés — teve valor somente a seu tempo, quando a humanidade exigia o tratamento do olho-por-olho-dente-por-dente. A partir de Jesus, Deus passa a ser infinitamente bom e misericordioso. Quando se diz que Jesus é o caminho, o espírita entende que uma estrada leva sempre a algum lugar. Ao classificar-se o mestre como caminho, afirma Emma-

nuel, afasta-se a possibilidade de uma estrada sem proveito. Aceitando a receita de Jesus, caminhar em sua companhia “é aprender sempre e servir diariamente, com renovação incessante para o bem infinito, porque o trabalho construtivo, em todos os momentos da vida, é a jornada sublime da alma, no rumo do conhecimento e da virtude, da experiência e da elevação”. Zonas com estradas desativadas, sem serviço, sem transporte, refletem economia paralítica. Assim arremata Emmanuel:1 “Cristãos que não aproveitam o caminho do Senhor para alcançar a legítima prosperidade espiritual são criaturas voluntariamente condenadas à estagnação”. Nada de inferno. E toda estagnação é temporária, até que o espírito desperte. Disso tem certeza o espírita. Esse despertar, comumente, acontece sobre o aguilhão da dor, em função da sábia lei divina de causa e efeito. O destino de todos nós? A perfeição. Todos, sem exceção verão a Deus, alcançarão os patamares maiores da evolução. E mais, independentemente da religião que abraçaram. O que manda é a prática indiscriminada do Amor, com maiúscula, e não a escolha da prática religiosa, rotulada. Jesus, para o espírita, não é Deus. O mestre chamou a si mesmo de Filho do Homem, filho de Deus. A distância, em medidas de perfeição, que existe entre Jesus – pela sua superioridade moral – e nós mesmos é que nos faz imaginá-lo como Deus... Compreensível que para nós ele seja quase isso, um Deus. A prática do perdão, mecanismo expresso no Pai-Nosso como condição para o perdão do Pai, e a máxima “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, são a receita maior para rumarmos sem delongas na direção do Criador.

A regra áurea do “fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem” não foi trazida por Jesus. Ela datava de muitos séculos passados. Buda a citava, os gregos, os persas, os chineses, os egípcios, os hebreus, até os romanos: “A lei gravada nos corações humanos é amar os membros da sociedade como a si mesmo”.2 A grande diferença é que Jesus vivenciou essa regra áurea, “em plenitude de trabalho, abnegação e amor”. A maioria dos espíritas concorda com Gandhi quando ele diz que a mais pura essência do cristianismo está no Sermão da Montanha (é lá que Jesus nos ensina a orar, por meio do Pai-Nosso). Se todo acervo da sabedoria humana sobre a Terra fosse destruído, só restando o Sermão da Montanha, “as gerações futuras teriam nele toda a beleza e sabedoria necessárias para a vida”, disse o grande estadista hindu. Aliás, o espírita entende também que Gandhi, Buda, Lutero, Chico Xavier, Tereza de Ávila, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Santo Agostinho, os profetas que constam das escrituras sagradas e tantos outros, todos, sem exceção, foram colaboradores do Cristo, na sua estratégia de estabelecer o Reino de Deus na Terra. Todos foram, em maior ou menor grau, “inspirados pelos planos mais altos da vida”. Tudo faz parte de um trabalho árduo e constante para a instalação definitiva do amor entre os homens. Afinal, Jesus é o diretor espiritual desse planeta e espera a colaboração de todos para a redenção da Humanidade. Nisso, até nós, na nossa pequenez, estamos incluídos. Operários do Cristo, nas mínimas coisas. 1- “O caminho”, em Vinha de luz, psicografado por Francisco Xavier, FEB. 2- “A regra áurea”, Caminho, Verdade e Vida, idem. www.correiofraterno.com.br


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Acesse a Agenda Eletrônica Correio Fraterno e fique atualizado sobre o que acontece no meio espírita. Participe. www.correiofraterno.com.br Centenário de Inauguração da sede da FEB Será realizado nos dias 10 e 11 de dezembro, dez das 9:00 às 13:00h, o evento de comemoração do centenário de inauguração da sede histórica da Federação Espírita Brasileira, que contará com palestras e exposição. Local: Av. Passos, 30 – Centro, Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações: www.feb.com.br

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Congresso Estadual em Franca-SP Estão abertas as inscrições para o 15º Conabr gresso Estadual de Espiritismo, a ser realizado de 28 de abril a 30 de maio de 2012, na cidade de Franca, SP, na Escola Pestalozzi, Rua José Marques Garcia, 197. O evento será promovido pela USE da cidade. Informações: www. usesp.org.br, ou pelo email: congresso@usesp.org.br

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26ª CONJEB Acontece entre os dias 17 e 21 de fevereiro, fev em Feira de Santana, BA, a 26ª Confraternização das Juventudes Espíritas do Estado da Bahia. Sob a coordenação da Federação Espírita do Estado da Bahia, o evento tem como tema “Jovem, espiritismo em movimento”. Maiores informações: cij.feeb2011@gmail.com

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Caça-palavras DO CORREIO Elaborado por Tatiana Benites e Hamilton Dertonio, especialmente para o Correio Fraterno Livro de J. W. Rochester

Óbito

Coloque

Dá à luz ou Conjunção cria filhos

Avó em italiano

Trama narrada em capítulos Eleva-se no mar

Crença

Livro de J. Herculano Pires

Doutrina espírita Onde

Devaneio

Sílaba de “Eurípedes”

Existir Grande quantidade de armas

7ª nota musical Verbo que expressa posse

Carta de baralho

Cidade do interior de SP Oposto de irreal

País europeu Tribuna para palestras Instituto de Pesquisa

Terceira Vogal

Sorrir Onde depositamos nossos votos (pl.)

Maior usina geradora de energia do Brasil

20 Oposto de não Consoantes de duas

Personagem do livro - Há 2000 anos

Estuda Inteligência suprema

Espírito Santo

Filme espírita lançado em 2011: Filme _______

Consoantes de “Luna”

Companhia

Diminutivo de Eduardo

Despenca Objeto com campo magnético

Silaba de “chorar”

Consoantes de “Tela”

Estado brasileiro

Interjeição

5ª nota musical Pronome pessoal Livro de André Luiz

Qual o nome do instrumento descrito nas obras de André Luiz que identifica a vibração dos médiuns do plano espiritual?

Marcha

Sempre a melhor solução

Primeira letra do alfabeto O primeiro homem da Terra (Bib.)

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Curso de capacitação de evangelizadores A Fraternidade Paulo de Tarso realizará duranjan te todos os sábados, de 14 de janeiro a 11 de fevereiro, das 14:00 às 18:00h, o Curso de capacitação de evangelizadores de São José dos Campos, SP. (Rua Casemiro de Abreu, 4, J. Maringá). Para inscrições, enviar nome e casa espírita que frequenta para: cursoparaevagelizadores@gmail.com

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VOCÊ PODE AJUDAR A FAZER UM NATAL DIFERENTE PARA ESSAS CRIANÇAS!

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qualquer hora, em qualquer lugar Solução da Palavra Cruzada

Quem ___, educa

Conferência Estadual Espírita no Paraná Será realizado do dia 16 a 18 de março, no mar Expotrade, Paraná, a XIV Conferência Estadual Espírita, com o tema “Transição planetária”. O evento contará com palestrantes como Alberto Almeida, Divaldo Franco, Sandra Borba, Haroldo Dutra e André Trigueiro. Inscrições: http://www.conferenciaespirita.com.br

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Interjeição de dor

ENIGMA

Veja em: www.correiofraterno.com.br Interjeição

Resposta do Enigma:

Psicoscópio

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COISAS DE LAURINHA

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Por TATIANA BENITES

Servir a Deus e ao Mamão L

aurinha está em casa e diz a sua mãe: – Mãe, na próxima aula do centro vamos falar de servir a Deus e ao Mamão. – Que bom, filha, é uma passagem muito importante do Evangelho. – Por que a gente serve pra Deus, né? – Não é serve “pra Deus” e sim serve “a Deus”... Laurinha a interrompe: – É a mesma coisa, né manhê? – Não é não. Nós servimos a Deus quando administramos os dons que Ele nos colocou nas mãos, sem egoísmo. Quando somos um exemplo da representação da bondade, do amor, do respeito... – Do desrespeito, da raiva, do ódio.... Tem muita gente ruim no mundo também – retruca Laurinha.

– Isso é verdade, filha. Mas quem serve a Deus se ocupa com o bem. – Mas se é servir a Deus, por que também se diz servir ao Mamão? – Mamon é a representação da riqueza. Serve a Mamon quem se preocupa mais com o que é material, acima do viver bem, com saúde, amor e... – Ah! Entendi. Mamão é a matéria.... – Isso mesmo! – Mas por que tinha que ser um mamão? Podia ser representado por um morango, uma maçã, tem tanta fruta mais bonitinha! – Mas não é mamão, é Mamon, que em hebraico significa dinheiro! – Ah, tá! Mamon!! Laurinha vai para o quarto e começa a falar com uma amiga ao

telefone e explica o que acabara de conversar com sua mãe. Depois que desliga o telefone, continua o diálogo com a mãe: – Mãe, já expliquei para a Aninha a lição da aula que vem. – Que bom, Laurinha, agora vocês já podem explicar aos amigos. – É mesmo, vou contar pro pessoal o significado do Melon. – Mamon! Filha, Mamoooon! – fala sua mãe com ênfase. – É isso aí, Mamão, manhê, Mamãããão!!!!

Mais um livro da coleção “Histórias que os espíritos contaram”, de Herminio C. Miranda, resgatado pela editora Correio Fraterno nesta nova edição.

Mais vinte histórias reais de espíritos endividados perante a lei maior, avaliando seus equívocos e sua rejeição sistemática da mensagem amorosa de Deus. Mais lições na busca pela renovação interior.

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FOI ASSIM

Eu vi Por Neyde Schneider

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a primeira metade do século 20 eram comuns os fenômenos de efeitos físicos. Depois dos anos cinquenta eles foram rareando e, hoje, não sei mais deles. No começo do século passado, eles eram importantes para comprovar a existência do mundo espiritual e sua possibilidade de manifestação no mundo físico. Assim, existem inúmeras fotos de espíritos materializados, moldes em parafina, gesso e objetos em diversas obras espíritas. Na década de 1940, mamãe (Anita Briza) e eu, a convite do dr. João Della Monica Pereira de Castro, estivemos, por duas vezes,

em centro espírita da região leste da capital paulista, assistindo a duas sessões de efeitos físicos e materialização com o médium Zezinho. Os membros da casa sentavam-se nas cadeiras das duas primeiras fileiras. Na segunda vez mamãe foi convidada a sentar-se à frente. Fiquei na quarta ou quinta fileira. O médium sentava-se em uma cadeira, pés amarrados (creio que mãos também), dentro de uma cela com grade de ferro, em frente aos assistentes. Presenciamos troca de discos e música em ‘vitrola’ manual, fenômeno de voz direta, que disseram ser do padre Zabeu, megafone e outros objetos, com tinta fosforescente

circulando no ar do salão às escuras, e alguns outros efeitos físicos. Houve também materialização de dois espíritos diferentes, uma com luz própria e outra com luz vermelha amortecida. Um deles com turbante na cabeça e, do outro, recordo-me braços musculosos, dobrados à frente. De onde eu estava, foi possível vê-los apenas do torso para cima; a oportunidade, todavia, foi inesquecível. Neyde Schneider é presidente do Conselho de Cooperação da Sociedade de Estudos Espíritas 3 de Outubro e secretária geral da USE do Estado de São Paulo.

VOCÊ SABIA?

Por IZABEL VITUSSO

A dúvida que fez nascer um projeto

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Guimarães: nova edição do Vade mecum espírita

onfrontar e checar a coerência das informações dos espíritos nas diversas obras de base da doutrina espírita foi o que levou um pesquisador brasileiro a iniciar, há 30 anos, uma das mais completas obras de referências bibliográficas da temática espírita. Tudo começou por curiosidade. De origem presbiteriana, ao analisar os livros de estudos espíritas de sua esposa, Luiz Pessoa Guimarães achava estranho não encontrar no espiritismo as ‘chaves bíblicas’ – ou links entre passagens que se referem a um mesmo assunto, como estava acostumado em sua religião. Lendo as

obras espíritas, Pessoa preocupou-se em fazer anotações para ver se os diferentes espíritos davam as mesmas definições para os mesmos assuntos, situações ou localidades. Sem querer, nascia ali o Vade mecum espírita. Um vade mecum é, de forma geral, um livro de referência, cuja palavra origina-se de uma expressão latina que significa “vem comigo”e em inglês pode ser traduzido como manual ou guia. O Vade mecum espírita teve sua primeira edição em 1982, com apenas 20 exemplares. Chega agora em sua oitava edição com vinte mil exemplares, e contando a partir de agora com

a parceria do CCDPE - Centro de Cultura e Documentação Eduardo Carvalho, de São Paulo. O livro, conhecido em 82 países, juntamente com o site que recebe diariamente mais de duzentos acessos, faz referência a mais de treze mil livros – 640 espíritas – e a cerca de 2.500 assuntos. Fonte de pesquisa para expositores, bibliotecas, livrarias e escritores, ele passa a contar agora com a colaboração também dos leitores, que poderão sugerir a inclusão de novas obras e assuntos. Para saber mais: www.vademecumespirita. com.br

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MUNDO SUSTENTÁVEL

O exemplo das formigas Por ANDRÉ TRIGUEIRO

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s formigas constituem um dos mais sofisticados sistemas sociais conhecidos. Existem há cem milhões de anos, apareceram no planeta muito antes de nós e se dividem em mais de 12.500 espécies diferentes. De aparência frágil, este inseto vem resistindo às intempéries da natureza e às ações predatórias do homem graças a seu apurado senso de organização coletiva. Formigueiros são sistemas sociais onde há ordem e hierarquia. Os papéis estão muito bem definidos e todos trabalham para mantê-los em equilíbrio e paz. O exemplo da formiga é apenas um, dentre tantos na natureza, em favor do trabalho coletivo que assegura a paz e o bem-estar social. Na questão 766 de O livro dos espíritos, Allan Kardec pergunta à Espiritualidade Maior: P: A vida social está na natureza? R: Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Somos seres sociais e só podemos ser explicados e compreendidos a partir das relações estabelecidas com os outros que nos cercam. Nos alimentamos dessas relações e precisamos delas pa-

O grande desafio é que precisamos nos organizar socialmente para alcançarmos a paz”

ra crescer e evoluir. O espiritismo não avaliza o estilo ‘ermitão’, daquele que se exclui do convívio social para seguir sozinho, encapsulado em si mesmo. Essa é a paz do ‘Mar Morto’. Na tradição do budismo, quando o príncipe Siddhartha alcança o nirvana através da meditação à sombra de uma árvore, em vez de permanecer em seu mundo perfeito, ele retorna para compartilhar com os homens o seu conhecimento e a sua sabedoria. Não fosse assim, não seria o Buda. Evoluímos renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à vaidade, em favor do próximo. O outro nos serve de instrumento para alcançarmos a evolução. O amor-doação, o amor-renúncia, o amor-sacrifício são exercícios espirituais fantásticos que nos projetam na direção da luz. Em

sociedade, encontraremos sempre oportunidades evolutivas preciosas, ao nosso alcance, para seguir em frente. Sempre haverá ao nosso redor alguém privado de saúde, de alimento, de esperança, de consolo, de conforto, de trabalho, de paz. Alguém que nos instigará a construir a ponte na direção do amor. Não alcançaremos a plenitude se não for assim. E não haverá paz efetiva enquanto algum de nós ainda estiver em sofrimento. O grande desafio é que precisamos nos organizar socialmente para alcançarmos a paz. Não somos formigas, mas devemos buscar o bom exemplo do formigueiro para entendermos a importância de consagrar parte do nosso tempo e energia em favor de um projeto coletivo, contribuindo efetivamente para esse sis-

tema em equilíbrio. Como alcançar esse objetivo numa das sociedades mais desiguais do mundo? Sim, a maior nação espírita do planeta (que vem a ser também a maior nação católica e uma das maiores potências evangélicas) acolhe um dos sistemas sociais mais desiguais da atualidade. Quem trabalha em favor da paz, jamais poderá tolerar a desigualdade. Na questão 806 de O livro dos espíritos, quando Kardec indaga se a “desigualdade das condições sociais” é algo inerente à natureza, a resposta é direta: “Não. É obra do homem e não de Deus.” Promover com coragem e abnegação a igualdade de gênero, raça e credo é um bom começo. Não repetir piadas prontas que reforcem o preconceito é outra boa dica. Reservar parte do tempo para alguma atividade voluntária, não remunerada, em favor de alguma causa que esteja na linha de frente do combate à desigualdade é uma das expressões mais bonitas e urgentes de caridade. Para que sejamos efetivamente ‘irmãos em Cristo’, há muito que fazer. Comecemos já. André Trigueiro é jornalista, apresentador do Jornal das Dez e editor do programa Cidades & Soluções. www. mundosustentavel.com.br

A morte nos separa das pessoas que amamos? Encarar a morte, na teoria, é mais fácil. Porém, ao sermos visitados por ela através de um ente querido, tudo muda. Estas duas obras são portadoras da mensagem consoladora do Espi­ ritismo, ajudando a encarar a morte de uma forma menos dolorida, trazendo compreensão e fortaleza nesse momento tão delicado. As pessoas que amamos continuam vivas depois da morte, e estão ligadas a nós por meio dos laços de amor.

Perda de pessoas amadas

Na maior das perdas – a divina consolação

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Leitura

Qual a importância do

autoconhecimento? REDAÇÃO

temática do autoconhecimento, tão enaltecida no meio espírita? Astrid: Eu não diria que se diferencia da temática enaltecida pelo meio espírita, mas trata-se de uma abordagem antes filosófica. Sob esse prisma o autoconhecimento não é apenas a consciência de nossos defeitos, mas a consciência da essência que nos habita, da presença do Ser em nós, no que ela tem de infinito e não de limitação, no que ela possui de qualidade interior a se multiplicar e não imperfeições. Autoconhecer significa ‘existir’ como afirma Herculano Pires, e não apenas ‘viver’. Existir consiste na mundivivência com consciência do porquê de nossas condições existenciais, nossa destinação e sobretudo o significado de nossa existência. Não basta viver, importa existir de forma autêntica e liberta. Como é possível a renovação de atitudes? Astrid: Não temos a pretensão de oferecer uma fórmula pronta e acabada, mas renovar significa ‘viver o novo’ dentro de si mesmo. Renovar atitudes não consiste, portanto, apenas em mudanças de hábitos e regras, mas adequar-se ao senso divino, ao senso moral interior através da educação do modo de sentir e de pensar. Astrid Sayegh: Filosofia é educação para a liberdade

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profundando-se na temática do autoconhecimento, a filósofa Astrid Sayegh mostra que é possível encontrar formas de exteriorizar, manifestar potenciais. A felicidade, assim, seria um processo, cabendo a cada um mobilizar forças e sentimentos para tirar de si mesmo aquilo que não imaginava possuir. Único ser livre no universo, o Espírito precisa agir com conhecimento de causa, não havendo nada mais reconfortante que saber que sua libertação também está em suas mãos. Para tanto, é preciso conquistar o autodomínio e é justamente do que trata o livro Como renovar atitudes? (Editora Correio Fraterno). Vale a pena acompanhar a autora. Em que seu livro se diferencia com relação à www.correiofraterno.com.br

O espírita fala muito sobre reforma íntima. Por que é tão difícil essa transformação? Astrid: Primeiramente julgo que a expressão ‘reforma’ não é tão precisa, uma vez que não se trata de descontruir para construir novamente. Não se trata de negar nada, mas antes de afirmar a substância, a presença divina em nós. Trata-se de uma postura ativa da alma de liberar o interior de forma liberta, e não reprimir atitudes exteriores. A repressão não educa, condiciona; já a renovação interior é uma

consciência moral pautada na adequação ao sentido espiritual, à causa imanente em nós, e que será, portanto, geradora dos efeitos e de atitudes. É assim que afirma Jesus, “buscai primeiramente o reino de Deus e o resto vos virá por acréscimo”. Qual seria a melhor receita? Quais passos você recomendaria? Astrid: Não utilizaria o termo receita, pois sugere regras para algo pronto e acabado; trata-se antes de algo a ser descoberto dentro de si mesmo, uma edificação interior. O primeiro passo é querer sentir o amor, fonte de toda conduta e da palavra... Hoje há tantos livros de autoajuda. Em sua opinião, essas obras realmente nos ajudam? Por quê? Astrid: A autojuda, conforme o próprio termo ‘ajuda’, mas não nos parece resolver profundamente, pois a compreensão filosófica da substância divina, do itinerário do ser, do princípio imanente é que permite a compreensão pela razão, e, portanto, pela lógica o processo de educação de dentro para fora, e não de fora para dentro; e desse modo o indivíduo passa a liberta-se por si mesmo, de forma autônoma, porque compreendeu, e não porque foi consolado. Filosofia, como costumo dizer, é educação para a liberdade, para a autonomia de ser e de pensar.

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