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informe

Cidadão

Informativo do representante da população no Conselho Municipal de Saúde de guaratuba Glauco Souza Lobo – maio de 2011

Conselho de Saúde

dá 15 dias mas Evani

não explica irregularidades Foto: Correio do Litoral.com

Conselho de Saúde aprovou relatório que aponta irregularidades, na íntegra e por unanimidade, na reunião do dia 4 de maio

Pág. 2 ►Palavra de Cidadão ►Quem perde com desvios na Saúde

Pág. 7

►Prefeita retira mais de R$ 2 milhões da prestação de contas

A prefeita de Guaratuba, Evani Justus, não cumpriu mais um prazo para explicar as irregularidades apontadas pelo Conselho Municipal de Saúde (Comus) na prestação de contas de 2010. Desde março, o Comus cobra a prestação de contas. Uma comissão foi criada para analisar a documentação disponível e elaborou um relatório apontando diversas irregularidades, principalmente nos pagamentos às Oscips. O relatório foi aprovado na íntegra e por unanimidade no Comus, que definiu um prazo de 15 dias para a prefeita se explicar. O prazo terminou nesta quinta-feira (19). Até o final do dia, os conselheiros não foram convocados para a reunião que deveria analisar a resposta. Na tentativa evitar a reprovação das contas houve manobras, pressões e dificuldades para conseguir documentos importantes. Com a ausência de explicações o relatório e a documentação deverá ser encaminhada e servir de base para investigações na Câmara de Vereadores, Tribunal de Contas e ministérios públicos estadual e federal.

Páginas 4, 5, 6 e 7

Pág. 8

►Pode ser diferente ►Hospital novo e saúde participativa


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Informe CIDADÃO

Palavra de cidadão

Glauco Souza Lobo

O controle social pode ser feito individualmente por qualquer cidadão ou por um grupo de pessoas. Os conselhos municipais são canais efetivos de participação que permitem estabelecer uma sociedade na qual a cidadania deixe de ser apenas um direito, mas uma realidade. A importância dos conselhos está no seu papel de fortalecimento da participação democrática da população na formulação e implementação de políticas públicas. (Definição sobre o que é um Conselho

O que eles fazem

com o dinheiro

da sua saúde

Entre as funções do Comus está a de deliberar sobre a política de saúde da cidade. Ou seja, decidir quais são as prioridades para a prefeitura executar. Aqui em Guaratuba, o maior avanço que podemos esperar no momento é apenas o de descobrir o que eles fazem com o dinheiro da nossa saúde. Do trabalho da comissão que investigou a prestação de contas de 2010, podemos tirar dois exemplos que mostram um pouco de como estão sendo aplicados os recursos em nossa cidade e que as prioridades estão bem longe dos interesses da população. Conhecer isto é dar mais um passo em direção ao controle social sobre a saúde e sobre a gestão do que é público.

Contratação sem concurso é prioridade Outros 8,22%

Municipal, extraído do portal da transparência do Governo Federal).

Quando me ofereci para ser representante dos usuários no Conselho Municipal de Saúde, o fiz porque acredito que ser cidadão é exatamente lutar por ações eficientes, para garantir os direitos dos moradores de nossa cidade à saúde e para fiscalizar o que o poder público faz com as verbas destinadas a ela. Nesse papel, eu e outros conselheiros preocupados em honrar a função que nos foi outorgada, encontramos inúmeras irregularidades na prestação de contas. É dever do poder público explicar à população de forma clara o que houve, assim como é inegável nosso direito de saber o que aconteceu. É impossível para uma pessoa de bem, em sã consciência, achar que esta forma de administração é boa. Para mudar é preciso lutar, e não é pouco lutar contra a máquina, com seus pequenos e grandes beneficiários. Este trabalho é duro e não se faz sozinho. Quem se dispõe a comandar a gestão de um município não é bobo nem ingênuo – se tem um lado mais fraco, é o do cidadão. Quero lembrar que temos neste momento uma oportunidade histórica de mudar, já que os nossos maiores algozes estão enfraquecidos politicamente. Com este informativo, mais do que um confronto político, procuro mostrar que pode ser diferente, que todo cidadão pode e deve cuidar dos interesses públicos e que não precisamos ficar reféns de nenhum jugo. A transformação de uma sociedade não acontece quando uma pessoa luta sozinha, ela acontece quando esta sociedade muda a sua forma de pensar. Glauco Souza Lobo é representante dos usuários no Conselho Municipal de Saúde e representante do Conselho na administração da Santa Casa de Guaratuba

Guaratuba, maio de 2011

Oscips 28,38%

Folha de pagamento 63,40%

Em 2010, a prefeitura de Guaratuba gastou R$ 9,6 milhões em Saúde. Tirando os 63,40% da folha de pagamento, a prioridade da administração é a contratação de sem concurso público – prioritariamente “cabos eleitorais” através das Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), que receberam 28,38%. Sobraram apenas 8,22 % (R$ 790 mil) para pagar todos os outros gastos com saúde, incluindo remédios, água, luz, aluguel, manutenção de ambulâncias, transporte intermunicipal de pacientes, material de limpeza e expediente e outras despesas.

Funcionários É impossível dentro deste quadro que os profissionais da saúde possam acreditar que terão as reposições das perdas salariais e o tão esperado plano de cargos, carreiras e salários.

Carro de som X medicamentos

Gastos com carro de som

Gastos com remédios

R$ 78.000,00

R$ 89.883,27

por ano

por ano

O carro de som e a sonorização em 2010, custou quase o mesmo do que se gastou com a compra de todos remédios feitos pela prefeitura. Enquanto faltam medicamentos mais básicos na Farmácia Municipal, Guaratuba investe no pagamento de um carro de som que trabalhou nas campanhas de Evani Justus (2008) e Nelson Justus (2010).

Conferência Municipal de Saúde

A 11ª Conferência Municipal de Saúde será uma grande oportunidade para a população de Guaratuba participar das definições sobre a saúde pública na cidade e para fiscalizar como vem sendo aplicados os recursos do setor. A conferência será no dia 27 de julho e terá como tema: “SUS, Patrimônio do Povo Brasileiro”. Todos podem e devem participar. Além dos temas técnicos e ligados a programas de saúde, a conferência, seguindo definição do Conselho Nacional de saúde, vai tratar da importância do controle social sobre as prestações de contas, além das responsabilidades dos gestores. Na Conferência Municipal será eleito um representante dos usuários como delegado na Conferência Estadual que será realizada no dias 20, 21 e 22 de outubro, em Curitiba.

Eleição no Comus A Conferência Municipal também vai escolher os membros do Conselho Municipal de Saúde (Comus) para os próximos anos. O Comus atua na formulação de estratégias e na fiscalização sobre a política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros. O Conselho Municipal de Saúde é composto por: 8 representantes dos usuários 2 representantes da Prefeitura 2 representantes dos prestadores de serviço 4 representantes dos profissionais de saúde

Participe deste projeto de divulgação cidadã: Contribua com a impressão e distribuição deste informativo. Entre em contato: glauco.lobo@hotmail.com informe

Cidadão

Editor: Glauco Souza Lobo Impresso na Grafinorte CNPJ: 03.417.435/0001 - 24 Tiragem: 10.000 exemplares


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Guaratuba, maio de 2011

Comus comprova irregularidades e cobra explicações da prefeita E

ste informativo mostra o trabalho da comissão formada dentro do Conselho Municipal de Saúde (Comus) de Guaratuba e o esforço de alguns conselheiros que buscaram cumprir o dever de fiscalizar os gastos da prefeitura no setor. Durante aproximadamente um mês, os membros da comissão analisaram centenas de documentos que a prefeitura só entregou após a prestação de contas ter sido rejeitada pelo Conselho. Ao final, a comissão apontou diversas irregularidades e ilegalidades, principalmente nos pagamentos feitos às Oscips contratadas para administrar quase 1/3 dos recursos da Saúde no município. O relatório com documentos que comprovam diversas irregularidades nas contas da Saúde em Guaratuba foi aprovado na íntegra e por unanimidade pelo Comus. Em função das investigações, o Comus deu um prazo de 15 dias para a prefeita se explicar.

Personagens do enredo

P

raticamente todas as irregularidades aconteceram no período em que o secretário da Saúde foiGil Justus, marido da prefeita Evani Justus e irmão do deputado estadual Nelson Justus, que acumulou a função com a de secretário de Finanças. Ele ficou responsável pelas contratações, pela autorização de gastos e pela liberação dos pagamentos. Sob o comando pessoal de Gil Justus foram contratadas as Oscips Ciap (Centro Integrado de Apoio Profissional) e sua sucessora, o Instituto Ellos. A primeira delas, a Ciap, acabou tendo seus dirigentes presos e envolvidos em um dos maiores escândalos de desvio de recursos públicos de saúde do Paraná. A segunda, Ellos, foi contratada pela prefeitura sem que o próprio Comus e dirigentes da Secretaria de Saúde tomassem conhecimento. A frente da Ellos, que nem endereço fixo tinha, estava o mesmo gerente da Ciap.

Em busca do destino do dinheiro público

O

relatório da comissão de fiscalização das contas informa que não tem a pretensão de dar um parecer técnico final sobre os gastos da Secretaria Municipal de Saúde. O documento sugere a realização de uma auditoria independente, além da fiscalização do Tribunal de Contas. Conselheiros sugerem ainda uma CPI na Câmara de Vereadores, investigação pelos ministérios públicos estadual e federal, Polícia Federal e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos para poder descobrir aonde o dinheiro foi parar. Além do não atendimento aos insistentes pedidos de informações feitos à Prefeitura e ao Ministério Público, o relatório aponta falhas gritantes na prestação de contas e uma série de ilegalidades. Entre elas o pagamento de valores às Oscips através de recibos em vez de notas fiscais, depósitos realizados em conta corrente de pessoas distintas as que acusam o recebimento do pagamento, pagamentos com assinatura de terceiros que não constam no contrato da prestação do serviço e mais de uma conta bancária de uma mesma Oscip. Por faltarem documentos na prestação de contas da prefeitura, não é possível comprovar que serviços foram realizados e quais profissionais foram contratados, muito menos confrontar com os comprovantes de pagamentos apresentados. Não há sequer documentos que comprovem o pagamento das contribuições sociais dos funcionários. Entre outras irregularidades, foi constatado que pelo menos uma pessoa recebia da prefeitura um alto salário sem exercer nenhuma atividade na Saúde em Guaratuba. Há outras irregularidades como a contratação de um carro de som para serviços que nunca foram vistos serem executados, mas que trabalhou nas campanhas de Evani Justus e de Nelson Justus.

Leia a íntegra do relatório da comissão de avaliação da prestação de contas na saúde no blog: saudeguaratuba.blogspot.com

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Cronologia das investigações 4

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Nestas páginas mostramos um resumo cronológico das ações para elucidar os gastos que começam na análise das contas de 2009, o primeiro ano da atual gestão municipal e do Comus. Este calendário mostra as dificuldades em fiscalizar as contas da Prefeitura de Guaratuba e as omissões e manobras no intuito de esconder o que se faz com o dinheiro público.

2009 Conferência Municipal de Saúde propõe políticas para o setor e elege membros do Conselho Municipal da Saúde Comus

Guaratuba, maio de 2011

R$ 3.533.837,86

Este é o valor dos contratos por 12 meses com duas Oscips, os quais a prefeitura de Guaratuba não prestou contas. Isto representa quase 33% do orçamento total da Saúde . É mais do que a soma de todos os gastos com compra de remédios, exames médicos, ambulâncias, ônibus para levar pacientes para outras cidades, serviços odontológicos, Vigilância Sanitária, funcionamento dos postos de saúde e do Pronto Atendimento – incluindo gastos de manutenção como água, luz, telefone, aluguel, material de limpeza e expediente. Estas despesas somam menos de R$ 790.000,00 – não inclui gasto com a folha de pagamento. O valor dos contratos de um ano com as Oscips é suficiente para construir e aparelhar um hospital novo para Guaratuba.

2009 Gil Justus, marido da prefeita Evani Justus e irmão do deputado Nelson Justus, assume Secretaria Municipal de Saúde. Ele não comparece a nenhuma reunião do Conselho de Saúde.

1º de outubro / 2009 Contratada, sem licitação, a Oscip Ciap para administrar a Unidade de Pronto Atendimento 24 Horas. O valor do contrato publicado é de R$ 292.574,96 por mês, durante seis meses. A prefeitura havia informado ao Conselho Municipal de Saúde que o custo seria quase R$ 25 mil a menos. Um contrato com valor de R$ 267.913,02 sumiu da prestação de contas.

Janeiro / 2010 Os conselheiros Areobaldo Teruel e Glauco Souza Lobo solicitam a Gil Justus informações sobre os repasses feitos ao Ciap. Não obtêm resposta.

16 de março / 2010 No fim do prazo para aprovação das contas de 2009, prefeitura não entrega documentos que comprovem se a Ciap realiza os serviços pelos quais recebe. Comus envia novo ofício ao Secretário de Finanças e Saúde, Gil Justus.

18 de março / 2010 Sem receber os comprovantes pedidos, Comus aprova contas da Saúde de 2009 mas não aprova pagamentos feitos à Ciap.


29 de março / 2010 Contratada, sem licitação, e sem informar ao Comus, a Oscip Instituto Ellos pelo prazo de 180 dias, a partir do dia 1º de abril. O valor total do contrato é de R$ 1.777.388,10. A Ellos começa a trabalhar sem possuir blocos de notas fiscais e informa três endreços como sede, um deles é um apartamento em um bairro de Curitiba.

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Guaratuba, maio de 2011

Marcelo Augusto, gerente da Ciap, continua na mesma função na Ellos. Uma funcionária da Ellos, Maria Lilian Ortega Fuzetti, tem um salário de R$ 6.972,00 pago pela prefeitura. Ela não trabalha na Saúde mas é mulher do presidente da Oscip, Fabiano Fuzetti.

11 de maio / 2010

Presos os diretores da Ciap por desviarem pelos menos R$ 300 milhões de recursos públicos. Tratase da mesma Oscip contratada pela Prefeitura de Guaratuba.

7 de abril / 2010 Mais de uma semana depois da data da assinatura do contrato com a Ellos, Comus ainda discute quem iria substituir Ciap. O representante da prefeitura no Conselho informa que nenhuma Oscip havia sido contratada e comenta que deveria ser realizado um concurso de projetos para substituir a Ciap. Ellos estaria trabalhando no Pronto Atendimento sem que os próprios funcionários soubessem?

13 de maio / 2010 Marcelo Augusto, gerente da Ciap e da Ellos, é esperado na reunião do Comus para falar sobre o trabalho da primeira Oscip. O presidente do Conselho, Adriano Zelak, informa que o gerente telefonou para dizer que iria numa próxima convocação. É marcada reunião extraordinária para ouví-lo. Marcelo Augusto não apareceu e a reunião extraordinária não ocorreu.

Mais de um mês depois que a Ellos havia sido contratada e dois dias após a prisão dos diretores da Ciap, o Comus ainda espera explicações do gerente das duas Oscips, Marcelo Augusto, sobre os serviços da Ciap. Adriano Zelak tenta evitar que documentos referentes ao Ciap cheguem à imprensa, especificamente à “Gazeta do Povo”.

21 de setembro / 2010 16 de setembro / 2010 Criada comissão composta pelos conselheiros Luiz Martarello, Glauco Souza lobo, Areobaldo Teruel, Neuza Canhoto e Wilson Bonato para verificar se a Ellos estava cumprindo serviços na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Prefeitura não quis informar quais dos profissionais que trabalhavam na UPA eram contratados pela Oscip.

Contratada, pelo sistema de concurso de projetos, a Oscip Instituto Confiancce. O valor do contrato por um ano é de R$ 3.041.007,24.

29 de julho / 2010 O conselheiro Glauco Souza Lobo pede que se oficialize o secretário de Administração a fim de que cobrasse junto ao Institutto Ellos, relação dos funcionários e dos valores pagos aos referidos profissionais contratados laborando junto à Secretaria de Saúde. (Ata da reunião do Comus) Proposta da Confiancce é a de maior valor – quase o dobro da menor proposta. Prefeitura continua não enviando contrato com a nova Oscip para aprovação do Comus. Também não é criada a Comissão de Avaliação para Termo de Parceria com participação do Comus, conforme prevê a lei e o contrato.


Em 2011, irregularidades 6

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Janeiro / 2011

28 de janeiro / 2011

O fisioterapeuta Alex Elias Antum assume a Secretaria Municipal de Saúde.

Prefeitura publica no Jornal Oficial Relatório de Execução Orçamentária de 2010, informando gastos na Saúde de R$ 11.807.752,10 – 28,51% do orçamento total.

9 de março / 2011 Contadora da Secretaria da Saúde apresenta relatório financeiro de 2010 sem o relatório sobre Oscips. Presidente do Comus sugere substituir comissão por um único conselheiro na função de analisar prestação de contas. É escolhido para tarefa o conselheiro Luis Carlos Martarello, representante do Rotary Club. O secretário Antum compromete-se a verifar a resposta sobre o uso da S-10 pela prefeita.

28 de março / 2011 Em reunião para avaliar contas da Saúde, verifica-se que relatório da prefeitura não contém prestações de contas das Oscips. Conselheiro Martarello faz análise “por amostragem” das receitas e despesas na Saúde e declara em relatório que “foram verdadeiras as informações colhidas, não deixando dúvidas quanto a probidade (honestidade) das despesas”. Seu relatório é rejeitado. A prestação de contas de 2010 da Secretaria de Saúde é reprovada. Recomposta a comissão de conselheiros para fazer o levantamento completo da prestação de contas.

Foram escolhidos para compor a Comissão de Avaliação, os conselheiros Glauco Souza Lobo (coordenador), Areobaldo Teruel, Telêmaco Pires Martins e Cleocir Portela.

5 de abril / 2011 Comissão de Avaliação apresenta relatório preliminar indicando diversas irregularidades na Saúde. Conselheiros discutem se enviam relatório parcial diretamente ao Tribunal de Contas, ao ministérios públicos estadual e federal, ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e à Polícia Federal. Conselho decide pedir à comissão documentos que reforcem os indícios de irregularidades.

Guaratuba, maio de 2011

9 de fevereiro / 2011 Prefeitura troca seus dois representantes no Conselho de Saúde e, inexplicavelmente, os dois representantes dos servidores na Saúde. Criada comissão para avaliar Prestação de Contas na Saúde em 2010. Agendada reunião com a contadora da Secretaria de Saúde para analisar relatórios financeiros de 2010. A pedido do conselheiro Glauco, Comus solicita entrega do relatório completo sobre Oscips, “como salários pagos, contribuições sociais, movimentação financeira etc.”

15 de março / 2011 Depois de Comus começar a investigar as contas, Prefeitura republica Relatório informando gastos na Saúde de R$ 9.625.120.09 – 23,24% do orçamento. Tirou da prestação de contas nada menos do que R$ 2.182.632,01.

30 de março / 2011 Dois dias após a prestação de contas da Secretaria de Saúde ter sido reprovada, Comus aprova relatório de ações na saúde e decide que o relatório financeiro deverá ser melhor analisado pela comissão de conselheiros. Representantes da prefeitura na reunião e o presidente do Conselho, Adriano Zelak, manobram para suprimir da ata do dia 28 a reprovação das contas. Após muita discussão, é lido relatório da reunião anterior que confirma reprovação.

Relatório indica irregularidades e inconsistências na prestação de contas apresentada pela prefeitura: - Pagamentos foram executados através de recibos quando deveriam ser através de notas fiscais; - Vários empenhos não contêm as cópias dos depósitos em anexo, ou grifo (sic) das firmas que receberam os pagamentos, não sendo possível localizá-los; - Depósitos realizados em conta corrente de pessoas distintas as que acusam o recebimento do pagamento; - Pagamentos efetuados em contra-recibos simples, com assinatura de terceiro que não consta no contrato da prestação do serviço;


são confirmadas.

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Guaratuba, maio de 2011

5 de abril / 2011

20 de abril / 2011

Polícia Federal desarticula mais um esquema de desvio de dinheiro público através de parcerias com Oscips envolvendo as prefeituras de Curitiba e da região Oeste do Paraná e ainda o Ministério da Justiça. Teriam sidos desviados R$ 16 milhões.

O coordenador da comissão de avaliação das contas, Glauco Souza Lobo, encaminha ofício à prefeita Evani Justus, com cópia ao Ministério Público, solicitando documentos referentes a compras de medicamentos, licitações e pagamentos às Oscips. Evani não respondeu ao ofício.

4 de maio / 2011 Relatório tem farta documentação comprovando irregularidades e ilegalidades, principalmente nos recursos pagos às Oscips.

Comissão apresenta relatório com mais irregularidades. Comus aprova relatório, na íntegra e por unanimidade, e concede prazo de 15 dias para prefeitura dar explicações. Após este prazo poderá ser votada mais uma vez a prestação de contas da Secretaria de Saúde que havia sido rejeitada no dia 28 de março. Para impedir nova votação, Adriano Zelak diz que contas “já foram rejeitadas”.

11 de maio / 2011 Mais de sete meses depois de ser contratada, Oscip Confiancce ainda não fez a verificação dos serviços e profissionais contratados com acompanhamento de representante do Comus. O conselheiro indicado para a tarefa, Ariobaldo Teruel, marcou data para a verificação, mas o representante da Confiancce não compareceu.

Prefeita não devolve carro, nem dá explicações 13 de outubro / 2010 O conselheiro Areobaldo Teruel denuncia o uso de veículo pela prefeita Evani Justus de um veículo – uma caminhonete S-10, adquirido com recursos da Saúde para uso exclusivo da Vigilância Sanitária. O Comus decide enviar ofício pedindo esclarecimentos à prefeita.

10 de novembro / 2010 Enviado novo ofício pedindo explicações à prefeita sobre uso indevido da caminhonete da Vigilância Sanitária. O Comus dá prazo de dez dias para as explicações.

14 de janeiro / 2011 Dois meses depois que venceu o “prazo de dez dias para resposta” é enviado novo ofício sobre uso da caminhonete da Vigilância Sanitária. Descaso da prefeita voltaria a ser dicutido nas reuniões seguintes.


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Guaratuba, maio de 2011

Dá pra ser diferente Foto: Jornal da Hora

Este Informe Cidadão contém um resumo do levantamento que foi feito no Conselho Municipal de Saúde (Comus) sobre a gestão dos recursos disponíveis para o setor em nosso município. Conhecer e expor ao público possibilita o debate para uma saúde melhor. Outro passo importante é a participação e mobilização da sociedade, com a que ocorreu no abraço da Santa Casa. Quando a população percebeu que os hospital estava sendo ameaçado ela abraçou a causa. Dentro deste espírito de transparência e participação, expomos algumas propostas viáveis desde que mudemos as prioridades na administração.

Guaratuba uniu-se para defender Santa Casa

Hospital novo com Pronto Atendimento O dinheiro que a prefeitura tomou emprestado para asfaltar ruas para a especulação imobiliária já dava para construir um hospital novinho em folha. O dinheiro gasto com Oscips, Santa Casa, Pronto Atendimento e do convênio com o Governo Federal é mais do que suficiente para

manter o funcionamento deste hospital, que ainda teria um Pronto Atendimento. O atual Pronto Atendimento seria transformado em sede da Secretaria Municipal de Saúde, Farmácia e Centro de Especialidades. O prédio da Santa Casa poderia ser transformado em Casa da Cultura.

Mais saúde, eficiência e economia Para suprir as necessidades da população de Guaratuba e ainda fomentar o turismo e manter proprietários de imóveis mais tempo na cidade, só um hospital novo e bem equipado. Para a construção, basta inverter as prioridades. Poderíamos reunir os profissionais do atual Pronto Atendimento e os da Santa Casa e não precisaríamos contratar nenhuma Oscip para terceirizar a mão de obra e embolsar importan-

Em defesa da vida

tes recursos na forma de taxa de administração. Também teríamos economia com aluguel e melhor acesso da população aos serviços de saúde. O hospital poderia ter uma gestão compartilhada entre prefeitura, o Conselho Municipal de Saúde, profissionais da saúde, prestadores de serviços e usuários. Isto aumenta a eficiência e possibilita a fiscalização da gestão.

Queremos hospital Não é de hoje que a população de Guaratuba anseia pela construção de um hospital. Cidadãos até criaram uma campanha “Queremos Hospital” através de adesivos e que ganha corpo no boca-a-boca. Todo nosso apoio à causa!

O trabalho do conselheiro de saúde deve ser sempre o de defender a vida. Todos os conselheiros e funcionários da saúde foram honestos no decorrer de nosso mandato, apesar de todas as divergências internas e até mesmo uma obrigação em alguns casos, de defender a prefeita Evani Justus, ninguém atuou descumprindo o papel que lhes coube, o de defender o sistema de saúde. Como forma de parabenizar a todos, gostaria de deixar aqui minha homenagem ao companheiro Areobaldo Teruel, que investigou e foi sempre firme nos momentos necessários. Um lutador, que cuidou dos interesses da população de forma exemplar! Um abraço, amigo! Glauco Souza Lobo

Asfalto x hospital A prefeitura emprestou do Governo do Estado R$ 4,8 milhões para asfaltar ruas em Guaratuba. Melhorar nossas ruas é importante, mas realmente, é nossa primeira necessidades E a saúde da população como fica? Alguém já perguntou a você se prefere asfalto ou hospital? Podemos construir e equipar um novo hospital com os R$ 4,8 milhões gastos pela prefeitura, além de aproveitar móveis e equipamentos da Santa Casa e do Pronto Atendimento, sendo que este dinheiro ainda seria parcelado em oito anos com um ano de carência para começar a pagar.

Foto: Jornal da Hora


Informe Cidadão - Guaratuba - maio 2011