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CORREIO DOURO www.correiododouro.pt

do

director|OSCAR QUEIRÓS

ano|59 número|6 nova série

Crónicas do outro mundo

Sexta, 28 de agosto de 2009

preço|0,25€

QUINZENAL

REGIONALISTA

™™™Valongo

™™™Campo

Câmara em local nobre

Tudo farinha do mesmo saco…

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Sobrado

Câmara de Valongo homenageia Nuno Ribeiro e a terra de campeões

JÁ ABRIU no Intermarché de Valongo


A Fechar EfemÊride – Segunda Guerra Mundial

Porto celebrou vitĂłria dos Aliados nas ruas da Baixa durante dias Portugal foi um paĂ­s neutro na segunda guerra mundial, mas o Porto celebrou a vitĂłria dos paĂ­ses Aliados como se de um triunfo pessoal se tratasse, recordou o historiador HĂŠlder Pacheco. “Foi uma coisa emocionante essa festa. Foi a maior manifestação jamais ocorrida no Porto, ao nĂ­vel da visita do general Humberto Delgado e das vitĂłrias do FC Porto. A Baixa ficou toda cheia de gente com bandeiras inglesasâ€? em manifestaçþes espontâneas que duraram dias, lembra o professor, especializado na histĂłria do Porto e que na altura tinha sete anos. Depois chegou a polĂ­cia e a guarda republicana, “que entrava com cavalos pelos cafĂŠs adentroâ€?, e as pessoas continuaram a celebrar das janelas, convencidas de que o fim do conflito traria consigo o enterro do regime salazarista. Antes, as janelas dos portuenses tinham os vidros presos com fita-cola, porque Ă medida que a guerra foi avançando, chegou a temer-se o pior. O Porto preparou-se para isso com exercĂ­cios reais, que as famĂ­lias iam ver como se estivessem a assistir a um espectĂĄculo. “Viveu-se sempre na angĂşstia de Portugal ser invadido. Faziam-se exercĂ­cios de fogos reais, como se fosse haver um bombardeamento, e as famĂ­lias iam para os jardins

Direitos reservados

ver. Lembro-me de ir para o jardim do morro, em Gaia, ver disparos de pĂłlvora seca, feitos no quartel ali pertoâ€?, descreve o historiador, que assistia a tudo como o resto das crianças - “como se fosse cinemaâ€?. A guerra que nĂŁo chegou a Portugal teve influĂŞncias no Porto desde o seu inĂ­cio, em 1939: os liberais, democrĂĄticos e republicanos eram anglĂłfilos, distribuĂ­am propagan-

da sobre o esforço inglĂŞs, ouviam os relatos da BBC e traziam Ă lapela aviĂľezinhos da Royal Air Force que a PIDE gostava de arrancar. O consulado alemĂŁo divulgava a propaganda nazi e o instituto alemĂŁo no Porto, que ficava na rua Guerra Junqueiro, mesmo ao lado da Sinagoga, era “a sede do partido nazi, onde se fazia a iniciação, na juventude

hitleriana, dos filhos das pessoas que os tinham lĂĄ matriculadoâ€?, observa HĂŠlder Pacheco. Depois, chegariam os racionamentos e a fome: “A falta de vĂ­veres foi o grande problema, que afectou mais pessoas. Recordo-me de ver, na rua, gente caĂ­da, com desmaios de fomeâ€?, refere o historiador. O mercado negro serviu para alimentar quem tinha dinheiro e as gentes do Porto, conservadoras, atreviam-se em refeiçþes de carne de cavalo, se era isso que se arranjava. Como havia muita gente com famĂ­lias no Douro, valia-lhes a alimentação que era mandada das quintas de lĂĄ, atravĂŠs dos barcos rabelos. Nos quintais da cidade tambĂŠm se passou a cultivar “artigos de primeira necessidadeâ€?, mas “nos bairros nĂŁo havia quintais e essa gente passou muito mal, passou uma fome atrozâ€?, nota o professor. Apesar das dificuldades, a vida social era intensa - cafĂŠs, cinemas e teatros enchiam-se, porque as pessoas precisavam de se divertir. “As revistas do SĂĄ da Bandeira atingiram o mĂĄximo de popularidade. Vinham elĂŠctricos cheios, de Leça da Palmeira, para ver as revistas. As pessoas iam expandir e compensar-seâ€?, sublinha HĂŠlder Pacheco.

AutĂĄrquicas- Porto

CDU responsabiliza Rui Rio por encerramento do Museu da IndĂşstria A candidatura da CDU Ă Câmara do Porto responsabilizou ontem o presidente da autarquia, Rui  Rio (PSD), pelos trĂŞs anos de encerramento do Museu da IndĂşstria, desafiando-o a reabri-lo antes das eleiçþes autĂĄrquicas. “Ao contrĂĄrio do que Rui Rio prometeu, o Museu da IndĂşstria viu interrompida a sua actividade e estĂĄ encerrado hĂĄ trĂŞs anosâ€?, salientou o candidato da CDU Ă  Câmara do Porto, Rui

SĂĄ, em conferĂŞncia de imprensa. Para Rui SĂĄ, “este facto vem dar, infelizmente, razĂŁo Ă CDU, quando dizia que o negĂłcio de Rui Rio com o Grupo Pestana nĂŁo acautelava o futuro do Museu da IndĂşstria e que se corria o risco de, Ă  semelhança de outros museus do Porto, caso do Museu da Etnografia, se assistir ao encerramento provisĂłrio-definitivoâ€?. Os candidatos da CDU recordaram que o edifĂ­cio da an-

tiga fĂĄbrica de Moagens Harmonia, onde estava instalado o Museu da IndĂşstria, foi cedido pela autarquia ao Grupo Pestana para aĂ­ instalar uma pousada, que tem o PalĂĄcio do Freixo como edifĂ­cio de apoio. Rui SĂĄ salientou que “jĂĄ se perderam oportunidades para apresentação de candidaturas a fundos comunitĂĄrios para financiamento da actividade do museuâ€?, cujas componentes pedagĂłgica e de exposição se

perderam nestes anos de “indefinição estratĂŠgicaâ€? e “desinteresseâ€?. A CDU desafiou Rui Rio a “esclarecer os custos associados Ă s obras a realizar no actual edifĂ­cio arrendado para o museuâ€?, “o valor das rendas a pagar pelo seu aluguerâ€? e “qual a sua estratĂŠgia para o funcionamento do museuâ€?, nomeadamente no que respeita Ă  parceria com a Associação Empresarial de Portugal.

ficha tĂŠcnica

CORREIO DO DOURO

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Propriedade Condor Publicaçþes, Lda. Contr. 508923190 Sede e Redacção Rua Dr. João Alves Vale, 78 – Est. D – 4440-644 VALONGO Tel. 224210151 – Fax 224210310

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28 de Agosto 2009

Director|Oscar Queirós Chefe de Redacção|João Rodrigues Redacção e Colaboradores|Victorino de Queirós - J. Rocha - J. Silva - E. Queirós -Nuno Victorino - Carlos Silva, Marquês do Vale.  Editor Miguel Pereira João Rodrigues Filho

CORREIO ELECTRĂ“NICO:         

        

 

      

      

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Opinião Crónicas do outro mundo

Crónicas do outro mundo Q

Oscar Queirós

Varandas na Câmara, Bugios a património mundial e promessas eleitorais registadas no cartório Os ares que se respiram por estes dias em Valongo têm partículas que só podem vir de outros mundos. Sei que são horas de fervor eleitoral, onde algum pessoal político promete radiosas auroras mas creio que há limites que, em caso algum, deveriam ser ultrapassados. Mas que fazer? Ao contrário do que indica o número de candidatos à Câmara Municipal, os valonguenses não têm realmente muito por onde escolher. Ou antes, têm apenas uma candidatura que propõe coisas normais, de acordo com a natureza do acto – eleições autárquicas – como desenvolvimento económico e social, com uma inegável e forte aposta na Educação (contra a vontade da oposição) e Acção Social, reforço da unidade e coesão das cinco freguesias, na modernização, no empreendedorismo e na competitividade, com projectos em fase bastante adiantada e de que resultarão, em apenas três deles, dois mi-

lhares de novos empregos. Estou a falar de factos e da candidatura de Fernando Melo. E os projectos de Afonso Lobão, de Maria José Azevedo e do surpreendente Tino de Rans? Se a deste último, pelo carácter do actor, já deixava antever “coisas” que nos abanariam – não tivesse ele sido um dos protagonistas das “Noites Marcianas”, saudoso talk show da SIC – estávamos à espera de proposições ditas “sérias” dos dois primeiros. Ou seja, de alternativas, claras e com grande probabilidade de eficácia, às políticas de Fernando Melo. Dirão Lobão e M. J. Azevedo – falando consigo mesmo: “ah, isso queria eu mas ele não nos deixou espaço…”. É óbvio que sim, que existe espaço, noutras concepções e ideais que fornecem caminhos distintos dos do presidente e que conduzem ao mesmo fim que é o bem-estar e

prosperidade dos munícipes. Mas quando os ideais se resumem à ambição única do exercício do Poder, é difícil, realmente. No entanto eles estão aí e têm de propor qualquer coisa, além de generalidades, não é? Pois… E à falta de melhor… inspiraram-se no Tino de Rans. O inefável Tino propõe uma “Câmara com varandas” coisa que, entenderá ele, faz muita falta aos munícipes. Lobão deve ter pasmado mas depressa lhe passou o torpor. E não querendo ficar atrás (mas antes muito adiante) esforçouse até conseguir o excelso: “vou propor à UNESCO que os bugios sejam património mundial”. Ficámos varados! Quem cobriria uma parada destas? Maria José? “Impossível” terá reflectido Lobão, talvez distraído a mastigar um cotonete.

Desconhecia a capacidade reactiva e o talento da senhora que lutou denodadamente (e em vão) para estar no seu lugar… A dissidente do PS pensou, matutou e magicou: “tenho de fazer algo que me ponha também em jogo… mas o quê?”, ter-se-á questionado, aos pulos sobre as páginas amarelas. E, imagino, foi num desses exercícios de pinchar que se desequilibrou, fazendo com que o calhamaço de abrisse. E em que letra? - N, de notário. Foi o click. E fez-se luz: - “Vou registar o meu programa ao cartório. Nunca ninguém o fez. O povo vai ficar siderado comigo”. E antes que se extinguisse o fulgor, costurou a coisa de tal maneira que ao outro dia – era 13, mas que se dane a superstição – lá rumou, no regaço de outros separatistas do PS e quejandos sociaisdemocratas, ao tabelião. E foi ali, solenemente, que

registou a papelada onde se comprometeu “legalmente, a cumprir o programa”. E se não cumprir? Pode ser “chamada à responsabilidade pelos munícipes”, jura a pés juntos. Ou seja, se por absurdo (digo eu) a senhora fosse eleita presidente e por “azar” ou falta de capacidade não cumprisse uma ou todas as generalidades que constituem o seu “programa eleitoral”, qualquer um de nós, munícipes, poderia metê-la em tribunal… Ó Dra., desculpe lá… está tipificado o crime de “incumprimento de promessa eleitoral”? E qual é a pena? Enfim… Se era apenas para ultrapassar o Tino e o Afonso Lobão, não teria sido mais conveniente, credível e proveitoso (em votos granjeados) prometer a construção de uma pista de aterragem para OVNIS? Porque haveria Fernando Melo de perder tempo a tentar contrariar tão esotéricas formas de influenciar os eleitores? Seja pela debilidade destas 3 candidaturas, seja pelo seu relativo equilíbrio, percebo porque é que o presidente/candidato e a equipa constituída para o acompanhar nos próximos quatro anos preferem continuar, “com ponderação e segurança”, a projectar o nosso futuro.

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Local

Tudo farinha do mesmo saco…

As eleições autárquicas 2009 em Campo estão a dar que falar. A divisão que existe no PS concelhio também chegou a esta Freguesia do Concelho de Valongo. O PS apresenta lista própria, encabeçada por Alfredo Sousa cunhado do actual Presidente da Junta que também tem a sua esposa, a socialista (?) Odete Dias, como candidata em lista independente. QPor

Zé Miguel Mineiro

Relativamente aos apoios que José Carvalho obteve em 2005 estes parecem estar definitivamente divididos entre as duas listas da área socialista, havendo no entanto muitos eleitores que não encaram bem a situação actual do PS em Campo. Muitos não concordam com a candidatura de Odete Dias dado que a mesma perdeu recentemente as eleições internas do partido e o facto de ser esposa do actual Presidente da Junta não é suficientemente convincente para ter o seu apoio. Outros consideram Alfredo Sousa um candidato de segunda linha e pouco conhecido em Campo. Segundo uma fonte interna do PS Campo, “o candidato Alfredo Sousa teve de começar cedo o porta-a-porta de forma a ser mais conhecido”. Essa mesma fonte revela ainda que “foram feitos convites a Eduardo Sousa e a Fernando Pinho mas eles declinaram o convite”. Segundo o que o nosso jornal conseguiu apurar, Eduardo Sousa apoiará a lista encabeçada por Hélio Rebelo, ao passo que Fernando Pinho estará com a lista encabeçada por Odete Dias. Apesar de tudo Alfredo Sousa continua a dizer em voz alta que vai vencer as próximas eleições. O candidato diz que em Campo é natural o PS ganhar, sempre foi assim e segundo ele continuará a sê-lo. Favas contadas, diz ele. Diz também que a Vila de Campo não pode continuar na inércia dos últimos quatro anos e que se ele for o próximo presidente da junta, esta passará a ser um espaço aberto a todas as pessoas. Alfredo Sousa diz que vai ser um candidato sempre presente e que será

ele a ir ter com as pessoas para resolver os seus problemas. Ou seja, Alfredo Sousa vai ser o faz-tudo, o homem dos sete instrumentos. Só que este Alfredo Sousa é o mesmo que há quatro anos apoiou o seu cunhado José Carvalho para a Junta de Campo e Maria José Azevedo para a Câmara Municipal de Valongo. Estas posições no mínimo voláteis têm ajudado a criar alguns factos curiosos no regular exercício da Junta de Freguesia de Campo. Exemplo: numa das últimas assembleias de Freguesia, os ele-

Eleições 2005 onde vemos Orlando Rodrigues (Presidente Concelhia PS) José Carvalho, Fernando Baltarejo, Odete Dias, entre outros.

Eleições 2005 onde podemos ver Alfredo Sousa ao lado de Maria José Azevedo

mentos do PS, na voz do seu responsável Orlando Rodrigues, tentou aprovar uma moção de censura ao actual executivo (também PS), no que respeita à gestão da obra da sede da junta (vai custar cerca de 400.000,00 euros). Trata-se do mesmo PS que durante 4 anos, e apesar das diversas chamadas de atenção, fez sempre ouvi-

dos de mercador e nunca se manifestou. Curioso é o facto do n.º2 do actual executivo, Fernando Baltarejo, o tal que segundo o PS anda a desbaratar dinheiros públicos, voltar a ser novamente o n.º2 e a muleta do candidato do PS Alfredo Sousa. Uma relação no mínimo esquisita dado que Fernando Baltarejo por diversas vezes manifestou a vontade de ser o candidato do Partido Socialista, ameaçando mesmo que se assim não fosse avançaria como independente. Segundo as más-línguas locais, este aceitou ser novamente o n.º 2 por paga de um favor prestado por um alto dirigente socialista. E pelos vistos, o que não falta no PS Campo são favores. Há promessas de tudo e mais alguma coisa, nomeadamente a promessa de emprego a vários elementos da lista desde engenheiras, psicólogos e assistentes sociais.

Curiosidades de Campo

Junta faz obras no valor de 3700 euros em casa particular O Presidente da Junta de Freguesia de Campo, José Carvalho (eleito pelo PS), propôs recentemente a atribuição de 3700 euros a uma colectividade de Campo. O dinheiro servirá para aumentar as actuais instalações e colocar um tecto falso. A atribuição deste subsídio seria normal, não fosse a sede dessa colectividade alugada, ou seja, a Junta de Freguesia irá patrocinar obras numa casa particular. Curioso é o facto de dirigentes desta associação e até familiares do senhorio serem elementos da candidatura independente encabeçada pela esposa do actual Presidente da Junta. A Junta ainda propôs à associação a cedência de um terreno na Rua do Espinheiro (atrás do supermercado Santa Justa) mas a proposta foi prontamente recusada por um actual dirigente e futuro candidato da lista independente. Para justificar a saída do dinheiro, o executivo da Junta (PS) propôs efectuar um protocolo para a realização de vários torneios, a saber: damas, dominó, sueca e

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bilhar snocker. Um exemplo de “influência” a seguir por outras colectividades! Reunião para votar orçamento de obras já a decorrer Na última reunião de Julho, o Secretário da Junta (PS) levou ao executivo um orçamento para realização de obras no cemitério. Questionado o porquê de só haver um orçamento, a resposta do Sr. Fernando Baltarejo foi a de que as obras já se tinham iniciado, ou seja, mais uma vez manda-se fazer e depois paga-se. SÓ TRABALHA COM UM EMPREITEIRO

O Executivo da Junta de Campo (PS) apenas entrega trabalhos a uma empresa de Campo. Nas obras da sede da Junta, o executivo PS pagava por dois funcionários cerca de 5000 euros por mês. Esta empresa também já ganhou, e sabe-se lá porquê a limpeza de algumas ruas daquela freguesia. Curioso é o facto de um dos

funcionários da mesma empresa receber 250 euros por mês para fazer a cobrança da feira, o mesmo funcionário que pintou a sede dos independentes (ex PS). COFRE CONTINUA POR APARECER

Em Maio de 2008, mais precisamente na Sexta-feira da Festa de Nossa Senhora da Encarnação. desapareceu o cofre da Junta de Freguesia de Campo. Segundo o executivo a sede da junta foi assaltada durante a noite, sendo que os supostos assaltantes teriam de ser profissionais na matéria. Para além de conseguirem desligar o alarme, estes movimentaram um cofre que pesava cerca de 400 quilos, sem deixarem rastos. Curioso é o facto de passados 15 meses o cofre ainda não ter aparecido. Naturalmente, mais importante do que o cofre seriam os valores e a documentação nele contidos e que o executivo nunca soube identificar.


Actualidade Regional ANDARAM DOIS ANOS ASSIM

CONTRA O GOVERNO

Compraram dezenas de carros com cheques roubados em Amarante

Agricultores do norte em manifestação na Póvoa

Inspectores da Directoria da Polícia Judiciária do Norte detiveram dois presumíveis vigaristas que terão adquirido vários automóveis recorrendo a cheques de uma empresa que assaltaram em 2007. Segundo a Judiciária os dois homens, com 60 e 42 anos, faziam-se passar por representantes de uma empresa de construção civil de Amarante, que assaltaram há dois anos e da qual furtaram, entre outras coisas, algumas dezenas de cheques. Os cheques falsificados serviriam para adquirir viaturas automóveis a particulares de toda a zona Norte do País, durante os últimos dois anos. Os dois detidos, acusados por crimes de falsificação de documentos e burla qualificada, estão agora sujeitos a apresentação periódica às autoridades. Durante as investigações foram recuperadas duas das viaturas adquiridas fraudulentamente, que ainda se encontravam na posse dos arguidos. O mais velho dos suspeitos já havia sido condenado a 18 anos de prisão por crimes da mesma natureza e encontrava-se já em liberdade condicional.

VINDOURO | FESTA DO VINHO 2009

S. João da Pesqueira é a capital do Douro este fim-de-semana No próximo fim-de-semana o Município de S. João da Pesqueira assume-se como a capital da Região Demarcada do Douro ao levar a efeito a VINDOURO | FESTA DO VINHO. O certame, que decorrerá de 28 a 30 de Agosto, irá reunir grandes produtores durienses de vinho, ao mesmo tempo que promove um intenso programa paralelo de actividades que incluem uma “viagem histórica”, com a realização de um mercado Pombalino, salientando-se ainda o Festival da Canção do Douro. Coincidindo com a realização das festas populares de N. Sra. dos Remédios, o Parque de Exposições de S. João da Pesqueira irá acolher dezenas de produtores de vinhos DOC Douro e vinhos do Porto, tendo os visitantes a oportunidade de de-

Mais de três milhares de agricultores do Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes estiveram ontem na Póvoa de Varzim, numa manifestação contra a “situação dramática que atravessa a agricultura na região”. José Oliveira, da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), destacou as dificuldades vividas pelos produtores de leite, alertando que “30 por cento das 7.000 explorações leiteiras do continente”, que asseguram “milhares de postos de trabalho”, estão “em situação de pré-falência”. Além dos produtores leiteiros, estiveram na manifestação produtores de carne, produtos regionais e das raças autóctones do Entre Douro e Minho e de Trás-os-Montes, que se concentraram frente às instalações da Associação dos Produtores de Leite e Carne (Leicar), em S. Pedro de Rates, para depois desfilarem, com máquinas agrícolas, ao longo de “três a quatro quilómetros” da Estrada Nacional 206, que liga a Póvoa de Varzim a Famalicão.

gustar os mais recentes lançamentos, em contacto directo com produtores e enólogos. O centro histórico de S. João da Pesqueira será palco de uma viagem no tempo até ao século XVIII, reavivando a figura tutelar do Douro, o Marquês de Pombal. Os visitantes poderão participar e divertirse com a Animação e o Mercado Pombalinos durante os dias em que o evento decorre. O programa inclui ainda a realização de cursos de “Iniciação à Prova de Vinhos” e o concurso “A Escolha do Consumidor”, orientados pela Confraria dos Enófilos do Douro, bem como o já tradicional e concorrido Leilão de Vinhos do Porto. No plano musical, o evento terá nova edição do “Festival da Canção do Douro”.

Dois detidos por roubo à mão armada No passado dia 20 (quinta-afeira), uma brigada de inspectores da Secção Regional do Combate ao Banditismo (SRCB) da Polícia Judiciária do Porto identificou e deteve dois homens suspeitos de assalto à mão armada de que foi vítima um indivíduo na noite de terça-feira (18 de Agosto), num sítio ermo, junto à barragem do Torrão, no Marco de Canaveses. Segundo a PJ, em execução de plano previamente estabelecido, um dos detidos e agora arguidos terá contactado o ofendido, de quem se fa-

zia amigo, convencendo-o a deslocar-se ao referido local onde, com a participação de um comparsa e utilizando duas facas e uma pistola, o colocaram na impossibili-

dade de reagir roubando-lhe de seguida as chaves do seu carro, o telemóvel, a carteira contendo documentos pessoais e uma quantia em dinheiro de muitas centenas de euros. Diz a PJ, em comunicado, que no decurso das investigações foi feita a apreensão de uma das facas utilizadas e a recuperada a totalidade dos bens subtraídos, excepto parte do dinheiro que foi gasta pelos alegados larápios em despesas diversas. Os detidos têm 19 e 29 anos.

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Actualidade Sobrado

Câmara de Valongo homenageia Nu A zona mais nobre de Sobrado – o Largo do Passal – foi pequena para albergar as milhares de pessoas que se quiseram associar à homenagem que a Câmara Municipal, a que se associou a Junta de Freguesia, quis prestar a Nuno Ribeiro que há dias se sagrou vencedor da 71ª Volta a Portugal em Bicicleta. Seis anos depois da última vitória de um português na Volta Portugal, que curiosamente foi o mesmo Nuno Ribeiro, o jovem sobradense voltou a subir ao lugar mais alto da mais consagrada prova velocipédica nacional. Para assinalar o facto, o presidente da Câmara Municipal de Valongo, Fernando Melo, confesso amante da modalidade, decidiu prestar tributo ao jovem e valoroso ciclista que pela segunda vez em poucos anos, levou o nome do concelho e da freguesia a todos os cantos do país. Aconteceu na quarta-feira (19 de Agosto), ao final da tarde, em Sobrado. Ainda faltava bastante para o inicio do que seria uma grande festa e já eram centenas a afluir ao centro de Sobrado, procurando encontrar “o melhor lugar” pois já se adivinhava a enchente que se viria a verificar. Para além do inusitado número de pessoas que não parava de aumentar, um sinal era dado de que haveria “festa rija”. Junto ao coreto do Largo, via-se um grupo de homens a manusear um espeto onde dois porcos passavam, literalmente, pelas brasas. Pouco depois começava a ser debitada música num palco instalado para a festa e o povo começou “a mexer”, com a multidão a aumentar a olhos vistos. Quando o homenageado chegou, as centenas eram já milhares, perto de 3 mil pessoas, calcula-se. A chegada de Nuno Ribeiro fez disparar o ambiente que se tornou então frenético com Nuno a desmultiplicar-se para responder a todas as solicitações dos inúmeros jornalistas que jornais e televisões nacionais para ali destacaram. Nuno, como é seu hábito, a todos respondeu, a todos acedeu, numa demonstração da simpatia e humildade que todos lhe reconhecem. Passado este longo espaço de respostas e comentários à Comunicação Social Nuno disponibilizou-se para o seu público, para os seus conterrâneos. Uma foto aqui, mais uma ali, outra acolá; autógrafos e beijinhos a entremear, o ciclista andou no meio da multidão durante longos e longos minutos. Sempre a sorrir, sempre amigo. Passou-se então à parte formal da festa, com Fernando Melo, presidente da Câmara de Valongo e grande entusiasta PUB.

do ciclismo local a saudar “o homem, o cidadão e o atleta”, salientando o exemplo que constitui para o concelho. O autarca, confessadamente “muito feliz por ver um homem desta terra vencer”a Volta, salientou que “Sobrado merece ter estes campeões”. Fernando Melo aproveitou o ensejo para recordar as tradições de Sobrado nesta modalidade, aludindo a Fernando Moreira e a Joaquim Leão, dois outros sobradenses que, em anos idos, também se adornaram com a faixa de vencedores da Volta a Portugal em Bicicleta. Minutos depois, subiu ao palco um desses ídolos, o único ainda vivo (e de boa saúde, felizmente): Joaquim Leão. Foi um momento fantástico, com os dois campeões lado a lado, perante os homens e mulheres da sua terra. Os aplausos nunca mais cessavam. A homenagem foi ainda aproveitada para saudar Nelson Rocha, jovem ciclista também de Sobrado, a correr na equipa do Boavista-Madeinox, e que nesta Volta a Portugal teve um desempenho considerado como “altamente positivo”. Quem também marcou presença na festa em honra de Nuno Ribeiro foi Manuel Cardoso, colega na equipa da Liberty-Seguros. As suas palavras foram de orgulho por ter ajudado a “a uma grande vitória de Portugal e do povo de Sobrado”. A festa continuou pela noite fora, ao som dos “Batida de Coco” e das “Estrelas da Balsa”. Foi um segundo S. João. Carlos Silva

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Confissão do padre António Moreira, pároco de Sobrado, é um fervoroso admirador de Nuno Ribeiro e diz que viveu intensamente esta sua segunda vitória na prova rainha do ciclismo nacional.” Na etapa da Serra da Estrela, eu ia numa procissão, mas confesso, ia muito preocupado com o desempenho que o Nuno pudesse ter. Quando no final fui informado que ele ganhou, isolado, a etapa da Torres, foi uma grande festa. Longe de Sobrado recebi imensas felicitações por ele. No dia seguinte, quando ele correu a última etapa e ganhou a Volta, mandei-lhe uma mensagem dizendo-lhe: ‘Nuno, és o orgulho de Sobrado. Puseste a nossa terra no mapa”.


Actualidade

uno Ribeiro e a terra de campeões Vencedores da Volta a Portugal do Futuro

UCS, presidida desde há seis anos por Nuno Ribeiro, foi também homenageada nesta grande festa do ciclismo que a Câmara de Valongo levou a efeito em Sobrado. Justamente considerada uma das grandes referências desportivas do concelho de Valongo, foi a sua equipa de ciclismo Aluvia/Valongo que este ano venceu, com denodo e brilhantismo, a Volta a Portugal do Futuro. Com gente desta, os feitos de Sobrado no Ciclismo nacional ainda estão para durar.

Medalha de Mérito Desportivo Já no final, e salientando a dimensão do feito, o presidente Fernando Melo anunciou que vai propor na reunião do Executivo camarário a atribuição a Nuno Ribeiro da Medalha de Mérito Desportivo do Concelho de Valongo. O presidente afirmou ainda que, enquanto liderar a autarquia continuará a apoiar União Ciclista de Sobrado (UCS), cujo presidente é Nuno Ribeiro.

Terra de campeões Sobrado é, sem sombra de dúvida, terra de lidadores no ciclismo. Em 1948, Fernando Moreira, nascido no seio de uma família de lavradores, os “Manas”, com casa nas margens do Rio Ferreira, no local onde está a torre de água da Cifa, sagrouse vencedor da Volta a Portugal, envergando as cores do F. C. Fernando Melo com os campeões Nuno Ribeiro e Joaquim Leão do Porto. Anos depois, em 1964, vestindo a mesma camisola azul e branca, Joaquim Leão, outro sobradense era consagrado como vencedor da Volta a Portugal. Foi preciso esperar 39 anos, até 2003, para ver Sobrado de novo dar um dos seus ao lugar mais alto do ciclismo luso: Nuno Ribeiro que, seis anos depois, repetia o enorme feito. Sobrado é uma terra de campeões.

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Entrevista

“Somos nós que temos que ir falar com as pessoas e não elas a ter de ir às sedes de campanha, por vezes, e quase sempre às moscas”

Tino de Rans:

“Vou ser um presidente com iniciativas” O que a princípio muitos pensaram ser “mais uma partida do Tino” afinal revelou-se um facto. O Tino de Rans é mesmo candidato, independente, à Câmara de Valongo, tendo formalizado a candidatura no pretérito dia 12, data por si escolhida porque “o ano tem doze meses e outros tantos são os signos”. Calceteiro, cantor, universitário, cómico, Tino é uma espécie de divertido “faztudo”, sempre de sorriso plantado nos lábios e pronto a ajudar, a “desenrascar” quem surge no seu caminho. Agora assume-se como “politico ao domicílio” e diz querer que Valongo beneficie da sua “experiencia de autarca do povo”.

“Vamos fazer uma campanha simples mas séria e alegre”

Falou em cidade desportiva? Sim, porque é tempo de Valongo ter outro pavilhão, ter um estádio municipal já prometido e não construído. Temos campeões extraídos de pequenas colectividades que não são devidamente apoiados. Tenho uma real noção das dificuldades dos dirigentes desportivos do concelho de Valongo. Não haverá um apenas que esteja satisfeito. O desporto em Valongo está doente e é preciso evitar que morra. Em relação ao ambiente, podemos e devemos tirar mais e melhor proveito das nossas serras, sem as prejudicar. Na área da cultura, temos muitos artistas, alguns de relevo e que levam longe o nome de Valongo, que merecem ser apoiados. Na Educação os mais de cem mil habitantes já merecem uma universidade. No urbanismo, a degradação dos edifícios abandonados, inacabados, perdidos, são a imagem triste deste concelho. Eu tenho ideias para o concelho e pessoas capazes.

Entrevista conduzida por Carlos Silva Que razão o levou a candidatar-se à Câmara de Valongo quando todos o conhecem como um homem de Rans, Penafiel? Não era mais óbvia a candidatura a esse município? Não. Candidato-me a Valongo porque é aqui que resido, há 14 anos. A minha esposa é valonguense e é nesta terra que vejo a minha filha crescer. Estou perfeitamente integrado nesta terra que tão bem me acolheu. E tenho aqui muitos amigos. Não podemos escolher a terra para nascer mas podemos escolher a terra para viver.

É candidato independente. Onde vai buscar apoio financeiro para a campanha?

Mas aparecer assim, de repente, candidato à Câmara… Tenho experiência como autarca [foi presidente de Junta de Rans, Penafiel] sou ambicioso, gosto de trabalhar e lutar pelo desenvolvimento, então porque não uma candidatura a presidente da Câmara? Quem o acompanha nesta corrida à autarquia valonguense? Sou um homem só mas não estou sozinho, tenho povo a apoiar-me. Trata-se de gente anónima das cinco freguesias, gente que não está hipotecada a ninguém, gente que acredita nas minhas capacidades, gente que me vai ajudar a dar o litro por Valongo, Ermesinde, Sobrado Alfena e PUB.

primeiras, segundas e terceiras pedras disto e daquilo e depois não se conclui nada. O povo sabe o que é preciso fazer. Não temos uma cidade desportiva nem uma câmara com varandas, uma câmara com nobreza. O concelho é do povo e este tem uma palavra a dizer. Queremos apoiar o comércio local, porque os comerciantes são grandes empregadores do concelho; queremos criar mais riqueza, melhores transportes. Quero ter uma relação de proximidade com os munícipes, sejam ricos ou pobres. A porta do gabinete do presidente comigo estará sempre aberta.

“Sou um homem só mas não estou sozinho, tenho povo a apoiar-me. Trata-se de gente anónima das cinco freguesias” “Não temos uma cidade desportiva nem uma câmara com varandas” Campo.

É claro que isto custa dinheiro, mas nós não somos megalómanos. Em grande, só na dedicação e no trabalho. Temos apoios de pessoas amigas que acreditam em nós. Não temos sede de campanha em freguesia alguma. Vamos ter sim uma “sede móvel” que vai a todas as freguesias, ter com o povo. Somos nós que temos que ir falar com as pessoas e não elas a ter de ir às sedes de campanha, por vezes, e quase sempre às moscas. Vamos fazer uma campanha simples mas séria e alegre. Os jovens estão comigo. Eu também estou com eles. Temos o nosso “núcleo mole”. Vamos aos bairros, de porta em porta, e as pessoas querem que entremos em casa para privar connosco. Estas pessoas vão ter um presidente com iniciativas. Não queremos dinheiro de empreiteiros.

Perguntava na esperança de obter alguns nomes… Sofia Sousa Silva, Damiana Falcão, Marta Vilares, Isabel Lima, António Lino, enfim, gente com valor e de créditos firmados, competentes. As pessoas que me acompanham têm profissões que vão desde mineiros a professores universitários. São as pessoas certas para os lugares certos Quer falar dos seus projectos para Valongo? Mais importante que os projectos é a obra. Mais de metade dos projectos apresentados não têm execução. Engana-se os eleitores com lançamentos de

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“Quero ter uma relação de proximidade com os munícipes, sejam ricos ou pobres. A porta do gabinete do presidente comigo estará sempre aberta”


Actualidade

™™™Valongo

Câmara em local nobre O velho edifício do antigo quartel dos Bombeiros Voluntårios de Valongo, no Largo do Centenårio, onde durante muitos anos tambÊm funcionou o Cine-Teatro, vai ser reabilitado e passarå a ser a Casa do Município – Paços do Concelho, albergando os serviços da Presidência, Vereação e o Salão Nobre. Para o efeito a autarquia celebrou um protocolo com a proprietåria do edifício, a Associação Humanitåria dos Bombeiros de Valongo onde ficou, entre outros, estabelecido que Câmara Ê responsåvel pela elaboração do projecto de reabilitação, cabendo a sua execução à Associação Humanitåria. Para compensar o custo da obra, ficou aprovado no protocolo, que a Câmara Municipal de Valongo pagarå aos Bombeiros uma renda mensal, durante um período mínimo de 15 anos. Neste acordo entre os Bombeiros e o município fi-

cou estabelecido que a cedĂŞncia das instalaçþes â€œĂŠ efectuada pelo perĂ­odo de tempo necessĂĄrio a rentabilizar as despesas de reabilitação e a ressarcir a associação pelo justo valor locativo de mercado das instalaçþes em prazo nunca inferior a 15 anosâ€?. Quanto ao valor da renda, este serĂĄ encontrado tendo em conta o valor das obras a levar a efeito. Fonte prĂłximo de Fernando Melo explicou esta iniciativa salientando que “as actuais instalaçþes dos Paços do Concelho jĂĄ nĂŁo se adaptam Ă s reais necessidades, pelo que era necessĂĄrio encontrar uma solução. Pusemos de lado a construção de raiz de um novo edifĂ­cio que seria demasiado cara para os cofres da autarquia - que tem outras prioridades – e a solução encontrada foi a requalificação do antigo quartel dos Bombeiros de Valongoâ€?, que “de longe, se revela mais vantajosaâ€?.

PS balda-se Ă reuniĂŁo do Executivo Depois de no passado dia 9 de Julho terem aprovado a proposta de retirada de competĂŞncias ao Presidente da Câmara, os vereadores do PS nĂŁo demoraram muito a provar o que negavam, que esse seu acto teve apenas e sĂł razĂľes politiqueiras, tendo as eleiçþes Ă  vista. A Ăşltima reuniĂŁo do Executivo foi sinal disso mesmo, com o PS a “demonstrarâ€? um “empenho e preocupaçãoâ€? com os problemas do municĂ­pio verdadeiramente “exemplarâ€?: Dos quatro vereadores socialistas, apenas Jorge Videira e Agostinho Silvestre compareceram. Os outros, Maria JosĂŠ Azevedo e AntĂłnio          Segundo fonte da autarquia, “a ordem de trabalhos era extensa, com cerca de 50 pontos, mas 49 foram aprovados por unanimidade e os socialistas apenas se abstiveram numâ€?. Os dois vereadores socialistas que nĂŁo faltaram Ă  sua obrigação estariam com alguma pressa, razĂŁo pela qual terĂŁo sugerido que se constituĂ­ssem grupos de 12 pontos para que fossem votados de uma vez sĂł. E aconteceu assim, aos molhos. Face a este episĂłdio, Fernando Melo, que na altura alertou para as razĂľes objectivas, em seu entender, da polĂŠmica decisĂŁo da oposição, declarou que, “como se vĂŞ a atitude da oposição ĂŠ de pura demagogia ao fazer vir Ă  sessĂŁo de câmara todos os processos para depois os aprovar em blocos de 12 e por unanimidadeâ€?. O presidente reiterou ainda que a retirada de competĂŞn          no tratamento de determinados despachos e processos, com os incontornĂĄveis consequentes “prejuĂ­zos para os munĂ­cipesâ€?.

Nota da Direcção: Esta ĂŠ, em nossa opiniĂŁo, uma Ăłptima notĂ­cia. Sempre tememos, com a mania das “modernicesâ€? que grassa por aĂ­ e que torna comum o abandono dos centros histĂłricos e a construção de “novas centralidadesâ€?, que um dia a Câmara Municipal, fosse parar ao “arrasamentoâ€? ou aos Montes da Costa, ou coisa que o valha. Felizmente nĂŁo. Antes regressa a uma zona nobre, antiga e cheia de tradiçþes. É bom para a nossa terra.

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ERMESINDE

Expoval 2009 Vai decorrer entre os próximos dia 3 e 6 de Setembro a jå tradicional mostra empresarial, gastronómica e de artesanato do concelho de Valongo. O evento terå lugar na Escola Secundåria de Ermesinde e, alÊm de reunir e expor as capacidades do tecido empreendedor valonguense, promove um intenso programa paralelo de animação diåria que inclui música, teatro, desporto, actividades radicais e outras de lazer. As crianças não foram esquecidas, tendo-lhes sido reservado um agradåvel e apropriado espaço. Do programa musical destacam-se os concertos com João de Portugal (dia 4). JosÊ Carlos Pereira (dia 5) e Toni Carreira, no dia 6. A entrada Ê livre.

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Actualidade Gripe A

Uma calamidade? A gripe A é tema mais falado da actualidade, sendo notícia de abertura dos telejornais por dias consecutivos. Estamos perante uma pandemia? Qual a gravidade da gripe A? Realmente é preocupante ou há interesses maiores em fomentar o pânico? Justificam-se os meios e a publicidade instituída pelo estado ou estamos em ano de eleições e é preciso mostrar trabalho? Vamos tentar responder a estas questões ao longo deste artigo, mas primeiro é preciso perceber o que é a gripe, o que é uma pandemia e o que esperar da pandemia da gripe A. A gripe é uma doença respiratória, infecciosa e altamente contagiosa que infecta o tracto respiratório (nariz, garganta, pulmões e ouvidos). Apesar de ser relativamente benigna, dado que evolui normalmente para a cura, pode provocar graves complicações em indivíduos mais susceptíveis ou mais debilitados. O responsável pela infecção é o vírus influenza. Existem três tipos conhecidos (A, B e C), sendo o tipo A o mais prevalente e o que surge associado às epidemias mais graves. Se a gripe for causada por um vírus do tipo C, os sintomas são geralmente ligeiros ou inexistentes. O vírus da gripe transmite-se facilmente de pessoa para pessoa através das gotículas emitidas com a tosse ou os espirros. Os sintomas são relativamente característicos, consistindo em febre, dores de cabeça, dores no corpo, mal-estar geral e tosse seca. A estes podem juntar-se arrepios e olhos lacrimejantes ou inflamados. Na gripe sem complicações, a doença aguda geralmente resolvese ao fim de cerca de 5 dias e a maioria dos doentes recupera em 1-2 semanas. Porém, em algumas pessoas, os sintomas de fadiga po-

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Actualidade dem persistir várias semanas e as complicações mais graves que podem ocorrer são infecções secundárias como pneumonia, sinusite, faringite, otite ou bronquite. A prevenção mais eficaz é feita através da vacinação. Como o vírus da gripe “muda” todos os anos, a vacina é produzida em função da variedade do ano anterior. O tratamento da gripe é feito com medicamentos para o alívio dos sintomas (analgésicos, antipiréticos, descongestionantes nasais,

ção do vírus a múltiplas comunidades, muitas vezes com expansão mundial, designando-se por pandemia. A pandemia mais grave que ocorreu nos últimos séculos foi a de 1918 (Gripe Espanhola), que vitimou mais de 40 milhões de pessoas.   O novo vírus da Gripe A(H1N1)v, que apareceu recentemente, é um novo subtipo de vírus que afecta os seres humanos.

uma pessoa infectada podem representar, por isso, uma situação de risco. O contágio pode também verificar-se indirectamente quando há contacto com gotículas ou outras secreções do nariz e da garganta de uma pessoa infectada - por exemplo, através do contacto com maçanetas das portas, superfícies de utilização pública, etc. Os estudos demonstram que o vírus da gripe pode sobreviver durante várias horas nas superfícies e, por isso, é importante mantê-las lim-

confere protecção contra a Gripe A(H1N1)v

- Permaneça em casa e contacte a Linha Saúde 24, pelo número 808 24 24 24. - Se tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com um lenço de papel ou com o antebraço, mas nunca com a mão! Deposite no lixo o lenço utilizado. - Lave as mãos frequentemen-

Em 11 de Junho de 2009, a Organização Mundial de Saúde elevou para 6 o nível de alerta de pandemia. Esta alteração da Fase 5 para Fase 6 não está relacionada com o aumento da gravidade clínica da doença, mas sim com o crescimento do número de casos de doença e com a sua dispersão a nível mundial. Em Portugal já se atingiu a fasquia dos 1500 casos de gripe A, apesar de haver casos que inspiram mais cuidados, não se contabiliza

etc.). Os antibióticos são ineficazes contra a infecção viral mas podem ser prescritos se surgir uma infecção bacteriana secundária à gripe. O tratamento de cada pessoa deve ser individualizado e conduzido por profissionais de saúde.

Os sintomas da gripe A são semelhantes aos da gripe sazonal: - Febre de início súbito (superior a 38ºC) - Tosse - Dores de garganta - Dores musculares - Dores de cabeça - Arrepios de frio - Cansaço - Diarreia ou vómitos.

pas, utilizando os produtos domésticos habituais de limpeza e desinfecção. O período de incubação da Gripe A(H1N1)v, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar entre 1 e 7 dias. A transmissão do vírus pode acontecer desde 1 dia antes de iniciar os sintomas, até 7 dias depois do início dos sintomas. Quanto ao tratamento, o novo vírus da gripe é sensível aos medicamentos antivirais. De momento, não existe vacina que proteja as pessoas contra o novo vírus da Gripe A(H1N1)v e a vacina contra a gripe sazonal não

te com água e sabão! Em alternativa, pode usar toalhetes à base de Solução Alcoólica. - Evite contactos desnecessários com pessoas com gripe! - Evite o contacto das mãos com os olhos, nariz e boca! - Limpe frequentemente as superfícies ou objectos mais sujeitos a contacto, com os produtos de limpeza habituais! - Evite frequentar espaços públicos fechados e pouco arejados. Atenção: t 0 VTP EF NÈTDBSBT OB $Pmunidade não está recomendado. t "T NÈTDBSBT  NFTNP RVBOdo bem utilizadas, só evitam o contágio de outras pessoas, não evitam o contágio do próprio.

nenhum caso fatal até ao momento. A vacina de prevenção da Gripe A está para chegar, e os cuidados médicos já demonstraram que são eficazes no tratamento da Gripe A. A evolução da Medicina e dos cuidados de saúde, e as condições sanitárias actuais são diferentes das condições de outrora. Podemos assim concluir que os casos de gripe A vão continuar a aumentar no nosso País, e no resto do Mundo, mas isso não significa uma calamidade, pois a gripe A não vai ser mais mortal que uma gripe comum. Os cuidados a ter na prevenção são muito importantes e não devem ser desvalorizados, mas o pânico não se justifica e pode ser prejudicial.

GRIPE A Os surtos de gripe têm geralmente um início súbito e uma intensidade muito variável. Praticamente todos os anos há surtos de gripe atingindo diversas comunidades. São geralmente epidemias de gravidade variável. Quando os surtos são causados por subtipos virais completamente novos, o que geralmente acontece a intervalos de 10-30 anos, há rápida propaga-

O modo de transmissão do novo vírus da Gripe A(H1N1)v é idêntico ao da gripe sazonal. O vírus transmite-se de pessoa para pessoa através de gotículas libertadas quando uma pessoa fala, tosse ou espirra. Os contactos mais próximos (a menos de 1 metro) com

CUIDADOS A TER SE FICAR DOENTE:

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Amarante O que fazem os copos….

Tentou matar o irmão à facada Chegou a casa visivelmente embriagado e, aparentemente sem razão alguma, começou a insultar o irmão que lhe terá respondido. Desagradado com a reacção, o indivíduo sacou de uma faca e desferiu 3 golpes no irmão que, mesmo assim consegui fugir. “Ele é boa pessoa mas quando bebe uns copos, ninguém o segura”, afirma Albino Soares, de 36 anos, esfaqueado pelo irmão na quinta-feira da semana passada, na casa familiar, em Louredo, Amarante. Foi ao final do dia, pouco passava das 20 horas. Joaquim Ferraz, trabalhador da construção civil regressava a casa, onde vive com a mãe e o irmão, depois de algumas horas em cafés e tascas da zona. Visivelmente embriagado – diz o irmão – “mal chegou começou a implicar comigo e rapidamente passou ao insulto. Respondi-lhe e ele não gostou. Entrou em casa para ir buscar uma faca e quando voltou ao pé de mim deu um golpe. Desatei então a fugir mas ele foi atrás de mim e ainda me atingiu mais duas vezes”. Albino ainda caiu mas levantou-se e continuou a correr até à casa de um vizinho onde pensava encontrar refúgio. Joaquim, que a determinada altura da perseguição deixara cair a faca, deitou mão a um varapau e invadiu a casa do vizinho em busca do irmão. Foram os gritos de socorro e a algazarra entretanto gerada que o salvaram, tendo no entanto sido necessária a intervenção de um outro vizinho para pôr fim à agressão. Joaquim “como não podia com todos”, pôs-se em fuga, ao que parece para uma mata da região. Entretanto eram accionados os socorros com os técnicos do INEM a assistir no local o ferido que mais tarde seria conduzido ao hospital de Penafiel onde, depois de suturado e de um período de algumas horas de observação, obteve alta, indo convalescer para casa. Quanto a irmão agressor, horas depois, “e porque já lhe tinha passado a bebedeira”, como nos contou um vizinho, regressava a casa, “como se nada se tivesse passado”. Teve algum azar pois a GNR que também se deslocara ao local logo após os factos, tendo sido informada do que se passara e quem forma os protagonistas, passou o caso para a PJ do Porto que man-

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Foi detido horas mais tarde e presente ao juíz de instrução criminal que o mandou em liberdade, com a obrigação de apresentações semanais e proibição de se aproximar do familiar ofendido. aquando dos factos pelo que – e ao que apurámos, seguindo o pedido do MP – o mandou em liberdade, com a obrigação de se apresentar semanalmente no posto da GNR de Amarante. Joaquim ficou ainda obrigado a não se aproximar do irmão. IRMÃO PERDOA

Albino, ainda a recuperar dos ferimentos que o irmão lhe infligiu, não quer ver o irmão “na cadeia”. “Acho que ele deve aprender a lição mas não gostávamos que ele fosse preso, que fosse para a cadeia. A culpa é dos copos porque fora isso ele é boa pessoa e amigo de ajudar. Mas quando bebe… ainda há dias bateu na nossa mãe. É esse descontrolo, o vinho, que o torna mau”. A mãe dos dois homens refugiou-se em casa e não quis comentar com ninguém o acontecido, tornando-se vãs as tentativas de confirmar a alegada agressão de que teria sido vítima. No entanto o caso é conhecido na vizinhança: “ele quando bebe é o diabo. E o problema é que bebe vezes de mais. A família não quer mas alguém tem de fazer alguma coisa antes que aconteça tragédia maior”, contou-nos uma testemunha da contenda entre os dois irmãos. MUITO VIOLENTO E CONFLITUOSO

Joaquim saiu em liberdade mas está proíbido de se aproximar do irmão Um golpe no peito e dois nas costas. felizmente sem grandes consequências dou para Louredo uma equipa da brigada de homicídios. Foi só deitar a mão ao alegado agressor. Interrogado nas instalações

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da PJ durante a noite, Joaquim ficou detido, tendo sido presente no dia seguinte a um juiz de instrução, no Tribunal de Amarante.

Acusado de homicídio na forma tentada o magistrado terá tido em conta o estado (de embriagues) em que o homem se encontraria

Quem conhece a família Ferraz descreve o Joaquim como sendo “alcoólico, conflituoso e, por isso, muito perigoso”. Ao que apurámos, as autoridades “já foram chamadas mais que uma vez por causa dele. Quando se mete nos copos arranja sempre confusão, seja onde for”. A nossa fonte, residente nas imediações da casa de Joaquim, conclui dizendo não ser “nada de espantar o que ele fez agora. Já podia ter acontecido há muito e só me admira que não tenha sido ainda pior”. Contra a vontade do irmão, Joaquim Ferraz desta vez vai a julgamento. E poderá mesmo apanhar pena de prisão.


Local onde ardeu o BMW de Idalina A residência de Idalina continua vazia. Os filhos foram entregeus a familiares e ela está algures a repousar

Uma mulher de 35 anos sofreu uma hora infernal às mãos de um casal que a sequestrou na estrada e a conduziu até uma serra na região do Marco de Canaveses. Foi despida, agredida a soco e, suprema tortura, com uma faca arrancaram-lhe o cabelo e pedaços de couro cabeludo. Os torcionários ainda lhe queimaram o carro antes de se porem em fuga. A Policia Judiciária está a investigar e para já tem quase uma certeza: “foi vingança e, pelos danos infligidos, ordenada por uma mulher” Idalina Moura, de 35 anos, empresária da construção civil jamais esquecerá o horror a que foi sujeita ao fim do dia de sexta-feira passada. Por razões que explicou à polícia – num relato ainda pouco claro – a senhora, divorciada e mãe de dois filhos menores, deslocou-se de Baguim do Monte (Gondomar), onde reside, até Entre-os-Rios, Penafiel. A determinada altura, pouco faltava para as 21 horas, a sua marcha foi interrompida numa rotunda onde um casal, ambos com idades entre os 30 e 35 anos, saído de um pequeno Toyota, lhe fez sinal de paragem. Idalina disse a polícia que obedeceu porque, embora trajassem à civil, pensou tratar-se de uma patrulha da GNR. Em má hora. A mulher foi a primeira a abrir a porta da carrinha BMW em que Idalina se fazia transportar. Nessa altura exibiulhe uma faca ordenando-lhe que se sentasse no banco de trás. A empresária obedeceu, com a outra a sentar-se a seu lado, sempre brandindo a faca. Entretanto o homem sentou-se ao volante e saíram dali disparados, tomando a EN 108 e depois uma via municipal, em direcção ao Parque de Montedeiras, na Freguesia de Sande, Marco de Canaveses. Não se conhece o teor da conversa havida entre o casal raptor e a vítima mas, pelo que sobrou, terá sido duro, como duríssimos foram os actos. Idalina foi violentamente agredida e insultada e, quando 20 minutos depois chegaram a Montedeiras – um aprazível parque de merendas, à noite poiso habitual de casais de namorados – a empresária viu arrancaram-lhe as roupas ao mesmo tempo que subiam de tom as ameaças e os

No Marco de Canaveses

EMPRESÁRIA sequestrada e torturada Dias depois, a PJ voltou ao local onde Idalina foi torturada e o seu carro incendiado insultos. Idalina adivinhava o pior pois já percebera que não se tratava de um “normal” (infelizmente) carjacking. Ia começar ali uma horripilante sessão de tortura: o sequestrador segurou Idalina enquanto a mulher, a golpes de faca e fortíssimos puxões, lhe arrancava, literalmente o cabelo. E tanta foi a violência que juntos foram pedaços de couro cabeludo. Idalina foi escalpelada. Terá desmaiado momentaneamente com tamanho sofrimento. Quando voltou a si, além das dores terríveis verificou que os sequestradores escreviam insultos sobre o seu corpo nu.

Terá pensado que ia morrer ali mas não, não era esse o objectivo dos seus torcionários: o homem regou o BMW da vítima com gasolina e chegou-lhe o fogo. Segundos depois Idalina era “avisada” que se os denunciasse lhe fariam mal aos filhos, dando mostras, uma vez mais, de que sabiam bem com quem tratavam o que reforça que a selvática façanha era uma “encomenda”. Depois desapareceram na noite que acabara de cair. Idalina fugiu, correu, completamente desorientada. Um automobilista que passou pouco depois e parou, alertado pelos cla-

Vingança Obviamente, pelo sofrimento atroz a que foi sujeita, que Idalina teve dificuldade em relatar fielmente o que lhe sucedeu, mormente no que concerne a todas as circunstâncias bem como à descrição do casal que a terá supliciado. Por isso, embora os dados recolhidos permitam já retirar algumas ilações, a Policia Judiciária está à espera que Idalina se recomponha o mais possível para voltar a ouvi-la e perceber o que realmente se passou mas sobretudo as motivações. Fora de causa está o carjaking, bem como uma eventual “coação para cobrança de dívida”, no âmbito da vida empresarial de Idalina. “Não lhe quiseram o carro, não lhe roubaram nada. Nem sequer a quiseram assustar. O objectivo foi mesmo infligir-lhe sofrimento. E pelas características e pelo sadismo aplicado, só pode ser vingança de outra mulher. Este caso tem, de certeza absoluta, contornos passionais. Mas não foi nenhum homem a querer vingar-se. Isto é coisa de mulher. Se há mandante é mulher”, garantiu-nos fonte policial sem adiantar mais.

Mulher “muito vistosa” Idalina, diz quem a conhece, “é uma mulher muito vistosa”. Com 35 anos, uma vida “boa, sem grandes dificuldades, aparentemente”, conta-nos um vizinho que é “a mulher mais bonita em toda a redondeza. É perfeita”, enfatiza. E o objectivo de quem a torturou, do presumível mandante, terá sido pôr cobro a essa “perfeição”. Na verdade, diz quem a conhece, Idalina, “mesmo sem querer, ela quebrava corações”, acrescentando que “embora seja algo monstruoso, não custa acreditar que uma rival lhe tenha feito isto”. A polícia, embora mantenha todas as direcções em aberto, também privilegiará esta possibilidade, não sendo de descartar uma resolução rápida do caso.

rões das chamas que consumiam a carrinha chamou os Bombeiros do Marco de Canaveses. Disse apenas que estava “um carro a arder, aparentemente sem ninguém”. Mais adiante algumas centenas de metros, e minutos depois, era um padeiro do Marco de Canaveses quem dava com Idalina. O homem assustou-se. Segundo contou, “de repente surgiu-me na frente uma mulher completamente nua, sem cabelo, cheia de sangue, arranhada, uma autêntica desalmada. Gritava e chorava o mesmo tempo, não dizia coisa com coisa e tremia, tremia muito.

Sociedade Até metia medo”, garantiu. O padeiro terá paralisado. Só mais tarde, quando chegaram os bombeiros – chamados para o extinguir o fogo da carrinha que ameaçava propagar-se ao arvoredo em redor – é que reparou que a senhora tinha “coisas” escritas nos braços. Não teve tempo de ver mais porque “os bombeiros taparam-na com um cobertor e levaram-na”. Foi na altura que chegou também a GNR do Marco que, perante os factos, se limitou a isolar o local e a entregar o caso à PJ. Eram 22h30 quando Idalina deu entrada no Hospital Santa Isabel, no Marco de Canaveses. Pior – se assim se pode dizer – que o seu estado físico, era o psíquico. Em choque profundo, Idalina foi assistida e horas depois era transferida para o Hospital de S. João, no Porto, onde foi encaminhada para Psiquiatria. Fortemente sedada acabaria por ter alta ainda de madrugada, tendo saído acompanhada pelo ex-marido – de quem está separada há seis anos - que a conduziu para um local mantido secreto, enquanto os dois filhos eram entregues a outros familiares, medida exigida não apenas para não verem a mãe “naquele estado” mas também porque as autoridades não desprezam as ameaças que o casal terá feito em relação aos filhos de Idalina.

Essencial é a colaboração da empresária. Mas para isso terá de recuperar porque “o seu estado psíquico mantém-se bastante debilitado”. Enquanto aguarda, a PJ vai trabalhando com o que tem e tentando recolher mais. Quer junto de familiares e amigos da vítima, quer no local onde ela apareceu, os inspectores não têm descansado. Querem levar rapidamente diante de um juíz os autores e a “mais que certa” mandante de tão estranha como horrível investida.

Trabalho em Espanha Idalina é a proprietária de uma empresa do ramo da construção civil e “o grosso do trabalho é em Espanha”, contou-nos um vizinho que adianta que, “quem costumava acompanhar os trabalhadores que partiam daqui sempre aos finais de tarde de domingo, era o seu ex-marido. Embora estejam divorciados, ele continuou a trabalhar na empresa dela”. Segundo o nosso interlocutor, “embora eu não goste de me meter nessas coisas, sei que com a crise que vai em Espanha, eles começaram a ter algumas dificuldades em manter todos os empregados”. No entanto, “a firma mantém-se”. Até ao fecho desta edição, revelaram-se infrutíferas todas as nossas tentativas de contacto com familiares de Idalina.

Terceiro elemento As autoridades suspeitam de que haveria um terceiro elemento no grupo de sequestradores. O casal abandonou o carro em que se deslocava para se apoderar da BMW de Idalina, viatura em que se deslocaram depois para Montedeiras, a mais de 12 quilómetros de Entre-os-Rios. Em Montedeiras, e depois de seviciar a empresária, o casal chegou o fogo ao automóvel e desapareceu. A PJ desconfia que o par foi sempre acompanhado à distância por um cúmplice. Seria essa pessoa que depois lhe terá garantido a fuga pois ninguém imagina o casal de algozes a fugir dali a pé.

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Foto-Reportagem ™™™Ermesinde

Inaugurado parque de lazer Fernando Melo inaugurou no passado dia 16 mais um espaço de lazer em Ermesinde. Trata-se do Parque Socer, uma excelente estrutura com quase dois hectares, construído junto às margens do rio Leça e resultante do trabalho realizado naquela zona, junto à Travagem, no âmbito dos trabalhos de despoluição do rio Leça, promovidos pela Câmara Municipal. Até há pouco anos este espaço não passava de uma enorme área selvagem, onde pontificavam silvados e lixo. Depois, graças ao trabalho realizado na despoluição do rio e no consequente tratamento das suas margens, acabou (agora) por dar lugar a uma óptima zona de lazer, com parque infantil, estruturas apropriadas para alguns dos denominados “desportos radicais”, um imenso relvado apropriado para qualquer actividade lúdica e de lazer, e um campo de futebol. Segundo Fernando Melo, este espaço resulta da vontade da autarquia em proporcionar aos munícipes uma crescente qualidade de vida. O presidente da Câmara salientou ainda “a excelente colaboração com o proprietário do terreno”, que se revelou indispensável para que a autarquia pudesse dar à população de Ermesinde mais este espaço de lazer e fruição. Saliente-se, de resto, a participação activa da Socer na concretização do projecto que indubitavelmente dá outra dimensão a toda aquela zona de Ermesinde.

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Valongo Campo

Batalha da Ponte Ferreira A companhia de teatro ENTREtanto foi aos baús da história e recriou “A Batalha da Ponte Ferreira”, um pequeno capítulo das guerras liberais portugueses que está a ser representado por 60 actores “in loco”, desde anteontem (quarta-feira) até ao próximo domingo. Trata-se de “uma boa comédia” baseada numa “batalha que fez vários mortos”, disse aos jornalistas o encenador e autor do texto, Júnior Sampaio, um brasileiro que é o director artístico e fundador da ENTREtanto Teatro. Desde quarta-feira e uma vez por dia, sempre à mesma hora (21h45) há um espectáculo, com a particularidade de o palco ser o próprio local onde teve lugar a batalha, em Campo, ou seja, ao ar livre e à volta da velha ponte em pedra que outrora fazia parte da ligação entre o Porto e Trásos-Montes e que, em 1832, foi duramente disputada por liberais e miguelistas. O resultado final, diz a história, foi uma espécie de “empate técnico”, de resto referido pelo encenador ao adiantar que “os historiadores não conseguiram determinar quem foi o vencedor”. A ENTREtanto Teatro define a Batalha

da Ponte Ferreira como “uma alegoria e um mega evento de cariz histórico e etPUB. nográfico”, criado em parceria com os agentes culturais e sociais do concelho de Valongo. Não se trata, contudo, da mera recriação factual de um PRÉMIO NACIONAL DE EXCELÊNCIA AUTÁRQUICA 2004 confronto que se registou no já distante dia 23 de Julho de DECLARAÇÃO DE UTILIDADE PUBLICA E POSSE 1832, até porque “as águas do ADMINISTRATIVA DA PARCELA DE TERRENO Rio Ferreira já lavaram todo o NECESSA´RIA À EXECUÇÃO DA OBRA “PROLONsangue derramado ali”, ironiza GAMENTO DA VIA DA FONTE – VIA DE LIGAJúnior Sampaio. ÇÃO DA RUA FONTES PEREIRA DE MELO À RUA MIGUEL BOMBARDA, ERMESINDE” O responsável por esta recriação afirma que “A Batalha Engenheiro, Mário Armando Martins Duarte, vereador da Ponte Ferreira” se baseia com delegação de competência conferida por despacho em “dados históricos reais”, do Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de aos quais o encenador entenValongo, faz público: deu dar um cunho pessoal e Mos termos do art.º. 22ª da Lei nº. 168/99, de 18 de “criativo”. Setembro (Código de Expropriações), que se encontra “Há intriga familiar”, diz, nesta Edilidade uma cópia do auto de posse adminisao “confirmar” as presenças trativa da parcela designada por “8”, pertencente a Ana das rainhas D. Maria I e II, mas Ferreira Alves Teixeira, tendo o acto de transmissão da posse ocorrido no passado dia 06 de Julho de 2009, pelas também do rei D. João VI e a 10.15 horas, no local da parcela. sua mulher, Carlota Joaquina. Nestes termos, vai proceder-se em conformidade com o E como “não há duas sem três”, preconizado na citada lei. também lá estão os irmãos desavindos, D. Miguel e D. Pedro, Valongo e Paços do Concelho, aos 23 de Julho de 2009 o primeiro absolutista e o segundo liberal. O Vereador Nesta peça, por exemplo, (assinatura) D. Miguel, “como era católico,

CÃMARA MUNICIPAL DE VALONGO

achava que era uma luta entre anjos e demónios”. Segundo o responsável, Um dos objectivos da ENTREtanto foi criar “uma actividade de envolvimento e movimentação de massas” e também, através de vários contactos locais, “accionar a colaboração e dedicação de dezenas de pessoas, com o objectivo de chegar ao público mais afastado da vida cultural” de Valongo mas também de concelhos vizinhos. Com esta produção, a companhia procurou também, “unir quase todas as associações culturais do concelho”, no caso, pouco mais de uma dezena. “Há uma tradição teatral em Valongo”, expressa desde logo pela existência de “mais de dez grupos locais de teatro, com algumas companhias com mais de 60 anos”, reforça Júnior Sampaio. Os actores que dão corpo à “Batalha da Ponte Ferreira” dividem-se entre amadores, alguns vindos propositadamente de Lisboa, e vários profissionais, para além de muitos figurantes, num total de cerca de 60 elementos.

CRIADA EM 1994, a ENTREtanto Teatro começou por ter o seu quartel-general, no Porto, mudando-se depois para Valongo, na altura em que a Câmara Municipal abriu um concurso público para ter uma companhia teatral ali sedeada. Com financiamento municipal e estatal, a companhia desenvolve uma actividade regular, “constante e intensa”, com vista a desempenhar um papel crucial no desenvolvimento local através da produção de espectáculos e eventos culturais como este, estreado na quartafeira.

DIREITO DE RESPOSTA Do PSD de Valongo recebemos o seguinte:

Exmos Senhores do Correio do Douro, Na passada edição do Correio do Douro do dia 17 de Julho, número 4, apresentaram uma reportagem sobre a apresentação da candidatura à Junta de Freguesia de Valongo da dra. Sofia Freitas. Nessa reportagem surgia, com relevo numa caixa de texto, bem como no final do texto uma citação que não fora proferida pela candidata. De facto, aquela terminou a sua intervenção com uma citação de Sebastião da Gama. Contudo, tal foi, exactamente, “Pelo sonho é que vamos”; não tendo concluído com “comovidos e mudos”. Retirada do contexto, e surgindo isolada, tal citação, como surgiu na reportagem, oferece uma interpretação oposta à pretendida pela candidata. Desta forma, solicitamos a correcção do vosso lapso, com o mesmo destaque oferecido à citação e reportagem originais. Com os melhores cumprimentos, Daniel Torres Gonçalves presidente da comissão política do núcleo de Valongo do PSD

28 de Agosto 2009 CD 15


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28 Agosto 2009

Correiodo Douro #06  

Jornal Quinzenal Regionalista

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