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Perseguido e executado no Cacém

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Um homem foi assassinado na via pública depois de uma discussão num café por causa de um “piropo” à namorada do alegado homicida. População cercou e agrediu o autor dos tiros. Cacém, 14

Orçamento reduzido

Nova ponte em Queluz

Dificuldades financeiras

POLÍTICA. Em 2013 a câmara de Sintra

SOCIEDADE. Construção da nova ponte que liga Queluz à Amadora arranca em janeiro e deverá estar concluída em abril. Queluz, 16

ATLETISMO. Jantar de angariação de fundos

vai dispor de menos 27 milhões de euros em relação a este ano. Concelho, 12

do JOMA superou todas as expetativas e ajuda finanças do clube. Desporto, 19

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2 Correio de Sintra

18 de dezembro de 2012

A abrir

editorial

para 2000 também foi recheada de crenças sobre o fim do mundo. Agora, é uma crença que teve o seu início nos anos 70 do século passado que atemoriza os mais crentes. Vários grupos afirmam que a 21 de dezembro se vai registar um movimento especial de planetas, mudanças na forma como o homem se relaciona com o seu ambiente e uma transformação mental e espiritual da raça humana. Tudo baseado num facto: que sexta-feira é o ultimo dia do calendário criado pelos Maias e que não há registo do que viria depois disso. Os rumores do fim do mundo já provocaram 100 detenções na China. As autoridades chinesas prenderam desde membros do grupo “Deus Todo Poderoso” a um homem que esfaqueou 23 crianças numa escola, após manifestar perturbações psicológicas provocadas por previsões sobre o fim dos tempos. Para evitar estas perturbações, a agência espacial norte-americana NASA e o próprio Vaticano já vieram a publico esclarecer que tudo não passa da imaginação de alguns e que são falsas essas previsões. Arqueólogos e cientistas que estudam as civilizações antigas também já vieram desmentir, afirmando que os Maias não faziam profecias. Se é certo que é dificil prever o fim dos tempos, certo é que para os portugueses os tempos que ai vêm serão certamente dificeis. 2013 vai mesmo chegar e a crença de todos é que não será o fim… da austeridade. A equipa do Correio de Sintra deseja a todos os leitores e clientes um Santo Natal e um feliz ano novo.  JOAQUIM JOSÉ REIS

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m Novembro foi notícia cinco cavalos famintos num terreno em Agualva, uma história que teve um final feliz com o acolhimento dos animais numa associação de equitação em Torres Vedras. Menos sorte teve o cavalo da foto, que morreu no último fim-de-semana em Mira Sintra, após longas horas de agonia. O animal foi resgatado pelos bombeiros após ter caído de uma ribanceira, mas acabou por morrer mais de 24 horas depois devido à falta de assistência a que o proprietário estava obrigado por lei. Este tipo de abandono é recorrente e preocupa a Câmara de Sintra, que diz ter a actuação limitada pela lei e atribui responsabilidades à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária. Sintra em ruínas

O

“Fim do Mundo” faz parte do imaginário da Humanidade desde os tempos da antiguidade. O próximo dia 21 de dezembro é tido por muitos como o último dia do mundo tal e qual o conhecemos. A interpretação de um calendário Maia que teoricamente prevê esse como o ultimo dia da Humanidade desperta o imaginário de muitos profetas do apocalipse. Mas a crença do fim do mundo numa determinada data não é uma novidade. Esta previsão é antiga e faz parte da tradição dos homens. Com o aproximar do fim do primeiro milénio da era cristã, numa Europa medieval marcada pelo sistema feudal e pelo imenso poder espiritual da Igreja Católica sobre os seus fiéis, muitos apocalípticos acreditaram estar perante o fim dos tempos. Existem relatos de muitos “prodígios” na época, como um terrível tremor de terra, um cometa de rasto fulgurante ou o nascimento de uma galinha de duas cabeças. Numa altura em que a crença espiritual respondia ao desconhecimento e aos medos do homem, estas descrições faziam crer que estávamos perante sinais de uma grande transformação na terra. Mas nada aconteceu. Até ao segundo milénio muitos foram os relatos de catástrofes anunciadas, mas o mundo nunca cedeu. No século XIX, o pastor William Miller liderou nos Estados Unidos da América o movimento Adventista, uma corrente cristã que acreditava no retorno de Jesus Cristo à terra. Miller previu que Cristo voltaria no ano de 1844 e assinalou a data do fim do mundo para 22 de outubro daquele ano. Mais uma vez, as previsões saíram furadas. Na era moderna, a passagem de 1999

TudosobreSintra

Fim do Mundo não acaba Salta à vista... com austeridade…

http://www.sintraemruinas.blogspot.com/

Quiosque da Estrada de Mem Martins LOCALIZAÇÃO Mem Martins NOTAS Quiosque tradicional de venda de jornais e revistas situado em Mem Martins encontra-se devoluto e com evidentes sinais de abandono. PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Modernização e revitalização do quiosque para início de nova actividade comercial.


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4 Correio de Sintra

18 de dezembro de 2012

Concelho Deputados aprovaram extinção de freguesias DR

POLÍTICA. A Assembleia da República aprovou, a 7 de dezembro, o projetolei da reforma administrativa autárquica que prevê a extinção de cerca de duas mil freguesias em todo o país. O concelho de Sintra vai perder nove das vinte freguesias.

O

s deputados aprovaram a proposta que contempla agregação de Queluz com Belas, de Massamá com Monte Abraão e das três freguesias da vila de Sintra (Santa Maria e São Miguel com São Martinho e com São Pedro de Penaferrim). Almargem do Bispo será agregada com Pêro Pinheiro e Montelavar, naquela que será das maiores freguesias, em termos territoriais, da Grande Lisboa. São Marcos será agregado com o Cacém. São João das Lampas será unida com a Terrugem. Agualva e Mira Sintra serão apenas uma freguesia. Já Algueirão-Mem Martins, Colares, Rio de Mouro e Casal de Cambra manter-se-ão como até agora. No dia em que a proposta foi aprovada, cerca de oito centenas de pessoas protestaram em frente à Assembleia da República, em mais uma demonstração de desagrado para

Assembleia da República aprovou projeto-lei que prevê extinção de 2000 freguesias.

com a medida do Governo. Numa carta aberta dirigida aos deputados eleitos por Sintra do PSD (António Rodrigues e Ana Sofia Bettencourt) e CDS-PP (Lino Ramos), bem como ao candidato social-democrata à presidência da câmara, Pedro Pinto (também deputado), a concelhia de Sintra do Partido Socialista contesta esta “lei errada, com critérios iguais

para realidades económicas, sociais e culturais muito diferentes” e exige a manutenção das atuais vinte freguesias. “Não é aceitável a extinção de freguesias a régua e esquadro e muito menos se aceita que as populações vejam a sua freguesia acabar por força de uma qualquer percentagem ou qualquer outra operação de calcu-

ladora”, pode ler-se no documento a que o Correio de Sintra teve acesso. A concelhia socialista acusa ainda a Coligação Mais Sintra de ter resolvido “ficar passiva à lei” por não ter tido “coragem para afrontar o Governo”. “Brincou com a população e colocou em risco todas as freguesias do concelho de Sintra. Foi de tal modo passiva que foi necessário que o Partido Socialista requeresse o agendamento de Assembleias de Freguesia Extraordinárias, bem como uma Assembleia Municipal Extraordinária para 10 de Outubro para pronúncia da Assembleia Municipal de Sintra”, refere a carta. Ainda de acordo com a concelhia do PS, nessa Assembleia Municipal, a camara de Sintra “fugiu à sua obrigação, não fazendo o trabalho que lhe competia, apresentou uma proposta (considerada não pronúncia), aprovada pelos partidos que a suportam, pedindo parecer à Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território sobre uma especificidade em concreto”. Recorde-se que a câmara de Sintra questionou a Unidade Técnica sobre a aplicabilidade da lei na freguesia de Algueirão-Mem Martins, por esta freguesia apresentar mais de cinquenta mil habitantes.  Joaquim José Reis

Tribunal rejeitou intimação da Câmara

SOCIEDADE. O Supremo Tribunal Administrativo (STA) rejeitou a intimação para proteção de direitos, liberdades e garantias movido pela câmara de Sintra à Assembleia da República no âmbito do processo da reforma administrativa.

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24 de outubro, o executivo da câmara aprovou a intimação dirigida à Assembleia da República e à sua presidente para obrigar a Unidade Técnica para a ReorganiPub

zação Administrativa do Território a esclarecer questões técnicas suscitadas pelo município sobre o processo. O objetivo desta ação passava por obter um parecer técnico por parte daquela unidade relativamente a um pedido formulado a 10 de outubro por parte do município, com o consequente pedido de um prazo adicional de pronúncia (o prazo terminava a 15 de outubro). Segundo o acórdão do STA, a que o Correio de Sintra teve acesso, “o objetivo visado por este expediente proces-

sual, permitir o exercício, em tempo útil, de um direito, não é já possível por se ter esgotado o prazo para o exercer” - deu entrada a 30 de outubro, quando o prazo limite para entrega de pronúncia da Assembleia Municipal sobre a reforma era 15 de outubro. O Supremo Tribunal Administrativo considerou ainda que a Unidade Técnica não estava obrigada a pronunciar-se sobre as duvidas suscitadas pelo município, uma vez que “apenas foi criada para apoiar a Assembleia da República”.

Assim, de acordo com o STA, a Unidade Técnica só tinha como competências “elaborar parecer sobre a conformidade ou desconformidade das pronúncias das assembleias municipais” ou, em caso de desconformidade, propor projetos de reorganização administrativa. Contactado pelo Correio de Sintra, o presidente da câmara de Sintra, Fernando Seara, adiantou que está a preparar o recurso da decisão do Supremo Tribunal Administrativo.  Redação


18 de dezembro de 2012

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Seara admite candidatura a Lisboa DR

POLÍTICA. O presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, admitiu que está a ponderar entre avançar com um novo desafio autárquico ou regressar à advocacia e às aulas na universidade. O autarca tem recebido vários apoios dentro do PSD e deverá ser mesmo candidato à câmara de Lisboa.

É evidente que não posso ignorar que um conjunto de circunstâncias me farão decidir se regresso à universidade e ao escritório [de advocacia] ou se, porventura, no âmbito das responsabilidades que temos enquanto políticos, nalguma lógica autárquica”, disse Fernando Seara aos jornalistas. Fernando Seara cumpre o seu terceiro e último mandato à frente da Câmara de Sintra e tem sido apontado como o candidato do PSD ao município de Lisboa nas eleições autárquicas de 2013. Fernando Seara falava aos jornalistas à margem da segunda edição da Universidade Política de Lisboa, organizada pela JSD, que decorreu em Sintra no fim-de-semana de 8 e 9 de dezembro. O autarca acrescentou que tem “pensado muito” sobre o assunto e não “fecha portas” a qualquer dos desafios que, considerou, “estimulantes”.

Presidente da câmara de Sintra deverá ser candidato do PSD a Lisboa.

Para Fernando Seara, o conjunto de medidas de austeridade apresentadas em 2012 e 2013 pode prejudicar o PSD nas eleições autárquicas de 2013. “Sob o ponto de vista da ciência política é evidente que há esse risco. O conjunto das medidas [de austeridade] quer em 2012, quer em 2013, signifi-

carão para muitos um mecanismo de desilusão”, considerou. Quando questionado pelos jornalistas sobre a divisão das estruturas locais do PSD - a concelhia de Sintra escolheu o nome do vice-presidente da câmara, Marco Almeida, como candidato enquanto a distrital de Lisboa esco-

lheu o deputado Pedro Pinto - Fernando Seara disse que o processo ainda não está concluído e que, só após a sua oficialização, é que se pronunciará. Durante a segunda edição da Universidade Política do PSD, Fernando Seara recebeu o apoio público de várias figuras do partido social-democrata. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, disse que nas próximas autárquicas vai votar em Fernando Seara para a Câmara de Lisboa e advertiu o atual presidente, o socialista António Costa, que as eleições não serão “favas contadas”. “Eu habituei-me a votar ao longo da minha vida em Tomar, nas próximas eleições vou votar em Lisboa e vou votar no doutor Seara”, afirmou Relvas aos jornalistas, que já recebeu resposta do atual presidente da câmara de Lisboa, António Costa: “Ficamos a conhecer a nova ambição do ministro Miguel Relvas, que é controlar a Câmara de Lisboa. Só não percebo porque é que com tanta ambição não é ele a concorrer em vez de querer empurrar alguém que já se queria reformar das lides”, disse o socialista. Também a vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, considerou que Seara seria “um excelente candidato” do partido para a câmara de Lisboa, em 2013.  Redação PUB


6 Correio de Sintra

Concelho

18 de dezembro de 2012

DR

Marco Almeida apresentou candidatura POLÍTICA. O vice-presidente do

município de Sintra e candidato independente à presidência da câmara, Marco Almeida, assumiu durante a apresentação da sua candidatura não se rever no atual PSD por considerar que o partido virou costas às pessoas.

O

atual vice-presidente do executivo camarário, liderado pelo social-democrata Fernando Seara, apresentou a 1 de dezembro a sua candidatura independente à câmara de Sintra, no Cacém, numa sessão em que estiveram presentes cerca de 1200 pessoas. Durante a cerimónia, Marco Almeida que não conta com o apoio institucional dos sociais-democratas - assumiu ser do “velho PSD”, assumindo uma “distância ideológica” em relação à direção nacional do partido. “Este é um PSD que virou costas às pessoas. Vivemos uma crise financeira, social e económica. Todos nós temos conhecidos que estão no desemprego, e o Governo tem de estar atento a essa realidade, porque nem tudo pode ser feito tendo por princípio os números da execução orçamental”, disse Marco Almeida aos jornalistas, na apresen-

Vice-presidente da câmara avança como independente às autárquicas de 2013.

tação da candidatura. A distrital de Lisboa do PSD decidiu apoiar a candidatura do deputado Pedro Pinto, preterindo a candidatura do atual vice-presidente da câmara, Marco Almeida. Questionado pelos jornalistas sobre a falta de apoio do partido do qual é militante desde 1992, Marco Almeida adiantou que essa é uma questão que já não o preocupa. “A candidatura de Pedro Pinto é uma decisão da distrital. É uma decisão que está tomada e que vai ter que ser ainda

ratificada pela direção nacional do partido. É uma decisão da distrital, mas eu já tinha tomado a minha há muito”, sustentou. O candidato às autárquicas de 2013 adiantou que os pontos basilares da sua candidatura assentam em manter o trabalho feito pelo município na área social, e em fazer do ordenamento do território “uma catapulta para o desenvolvimento económico e para a atração de mais e melhores empresas” para o concelho.

Marco Almeida avançou ainda que, caso seja eleito presidente, os serviços de água do município manter-se-ão na gestão e na esfera do município, e criticou a reforma administrativa por considerar que “não constitui uma oportunidade para o concelho de Sintra” e por poder ser “um verdadeiro desastre”. Para o candidato independente, Fernando Seara “está confrontado com um problema”, em relação à divisão das estruturas concelhia que, numa primeira fase, apoiou a sua candidatura, e a distrital, que apoia outro candidato. “Estive hoje com Fernando Seara e, quando me despedi dele, deu-me um forte abraço e desejou-me uma excelente sorte para o dia de hoje. Acho que, acima de tudo, e para lá das opções politicas, conta a amizade. E eu tenho estima pelo professor Fernando Seara e sei que ele tem estima por mim”, disse. Marco Almeida reiterou que a sua candidatura é “suprapartidária” e que não se vai “subjugar a nenhum interesse partidário”. A cerimónia de apresentação da candidatura contou com as presenças dos vereadores Luís Duque (CDS), Paula Simões (PSD) e de vários presidentes de juntas de freguesia do PS e do PSD.  JJR

Braço-de-ferro nas estruturas do PSD

POLÍTICA. A concelhia de Sintra do

PSD vai enviar uma carta ao líder do partido (Passos Coelho) onde reafirma o apoio ao atual vice-presidente da câmara de Sintra como candidato nas autárquicas, rejeitando assim o nome indicado pela distrital de Lisboa, o deputado Pedro Pinto.

S

egundo, Alexandre Sebastião, da Comissão Política Concelhia de Sintra, a carta foi aprovada numa reunião da concelhia (9 votos a favor e 2 abstenções) e apoia a escolha de Marco Almeida. Na carta, a concelhia “manifesta prePub

ocupação pela forma como processo foi conduzido pela distrital de Lisboa. Acho lamentável que estes senhores que estão em Lisboa tomem estas decisões sem consultar as estruturas locais”, disse. Alexandre Sebastião adiantou que em junho a concelhia de Sintra aprovou o nome do vice-presidente da câmara, dando conhecimento à distrital de Lisboa que, mais tarde, e no dia em que esse nome foi votado “apareceu com o nome do deputado Pedro Pinto sem consultar os sintrenses”. “Se o deputado Pedro Pinto tinha interesse em ser candidato a Sintra tinha que dar conhecimento à conce-

lhia que depois faria uma votação entre os dois candidatos. Foi claramente um nome imposto pela distrital de Lisboa”, afirmou. A escolha do nome de Pedro Pinto como candidato - ainda terá que ser homologado pela comissão política nacional - em detrimento da candidatura de Marco Almeida (que já disse que tenciona avançar em qualquer situação, mesmo como independente) tem sido bastante contestada também por autarcas do PSD. Oito presidentes de juntas de freguesia PSD do município de Sintra enviaram igualmente uma carta ao presidente do partido e à comissão política

nacional, onde reiteram o apoio a Marco Almeida. Segundo um desses presidentes, Eduardo Duarte Casinhas (Junta de Freguesia de Santa Maria e São Miguel, o apoio da distrital a Pedro Pinto é uma “decisão extemporânea que veio perturbar a estrutura local do PSD”. “Sou um militante antigo do PSD e não estou habituado a isto. É altura de devolver Sintra aos sintrenses”, afirmou. O vice-presidente da câmara e candidato independente, Marco Almeida, disse ao Correio de Sintra estar “satisfeito” com o apoio de autarcas e da concelhia de Sintra e prometeu que será sempre candidato.  Redação


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8 Correio de Sintra

Concelho

18 de dezembro de 2012

Aumentou violência contra idosos DR

SOCIEDADE. A PSP registou durante este ano 331 casos de violência doméstica contra idosos na Grande Lisboa. Este número é considerado preocupante pelas autoridades, que temem que os crimes ainda aumentem com o agravamento da situação económica do país.

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ste número é avançado pelo subcomissário Luís Gonçalves, responsável pela secção de policiamento de proximidade do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e reporta até ao início do mês de dezembro. Para o subcomissário, estes dados e outros entretanto revelados - 1200 idosos morreram no ano passado na Grande Lisboa sem assistência médica, a maioria sozinhos - são preocupantes. “Alertam-no para uma realidade do contexto social que depois tem repercussões, seja ao nível do crime, seja em evitar que os idosos morram em completa solidão e exclusão social assim como para a falta de redes de apoio que muitas vezes é inexistente”, disse. Para fazer face aos números “preocupantes” de idosos a residir sozinhos ou com outros idosos, a PSP desenvolveu em fevereiro o programa denominado “A solidariedade não tem idade, a PSP com os idosos”, que acompanha atualmente cerca de 900 idosos em situações de risco na Grande Lisboa (Sintra, Oeiras, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Vila Franca de Xira). Ao todo, a PSP acompanha 3475 idosos, em que 1447 residem sozinhos ou com outros idosos. “Não é por estarem sozinhos ou a viver com outros idosos que eles ficam em situações de risco. O que os coloca em risco é estarem socialmente excluídos. Tendo em conta o próprio panorama financeiro [do país] poderá aumentar esses casos”, disse. Segundo o subcomissário, a Pub

Sintra homenageia procuradora Cândida Almeida

Policiamento de proximidade acompanha idosos em risco na Grande Lisboa.

questão das dificuldades financeiras dos idosos é um dos critérios de avaliação de risco, que pode desencadear outros critérios como a falta de autonomia ou o agravamento dos quadros clínicos. “O facto de não serem auto-suficiente economicamente fará com que se excluam, não saiam de casa, não vão ao café”, adiantou. Segundo Luis Gonçalves, além de tentar prevenir que os idosos sejam vítimas dos crimes mais associados àquela faixa etária - burlas, roubos por esticão, violência doméstica e maus tratos - a PSP tenta também quebrar a situação de solidão em que se encontram. No âmbito da proximidade, a PSP já desenvolveu este ano 409 ações de sensibilização aos idosos na Grande Lisboa, onde foram abordados temas como o isolamento e a solidão, a violência doméstica, os maus tratos e a prevenção de burlas, furtos e roubos por esticão. No Comando Metropolitano de Lisboa da PSP encontram-se atualmente a desempenhar funções de proximidade 254 elementos (98 no con-

celho de Lisboa). Para fazer face à questão do isolamento e solidão dos idosos, a câmara de Sintra criou em novembro uma linha telefónica verde de apoio aos idosos, a funcionar 24 horas por dia, para dar resposta, sobretudo em emergências, a uma população que já atinge 14 por cento dos residentes do município. A Linha Sintra Sénior, com o número 800 20 62 75, visa dar resposta aos cidadãos de maior idade que se encontrem em situação de vulnerabilidade, evitando assim riscos de isolamento e proporcionando um meio de comunicação mais rápido em situações de emergência. Na altura, a vereadora da Ação Social, Paula Simões disse ao Correio de Sintra que esta linha é “mais uma resposta no âmbito da proteção aos mais velhos para que se evitem situações de isolamento e de necessidades súbitas” destas pessoas. Segundo os dados provisórios dos últimos Censos, residem no concelho de Sintra 52.238 pessoas idosas. Dessas, 31.035 residem em alojamentos familiares sem outras pessoas. Joaquim José Reis

O município de Sintra atribuiu a medalha de mérito municipal, grau ouro, à procuradora geral adjunta, Cândida Almeida, numa cerimónia que decorreu a 14 de dezembro no Palácio da Justiça (tribunal). A medalha de mérito municipal destinase a galardoar pessoas singulares ou coletivas, nacionais ou estrangeiras que, por serviços prestados, sejam dignas de reconhecimento e apreço. Durante a iniciativa, o presidente da câmara de Sintra, Fernando Seara, justificou que esta medalha é o justo reconhecimento pela carreira da procuradora ao serviço da causa pública. “Honra este município pelo mérito de ser magistrada do Ministério Público e por também ser uma pessoa civicamente comprometida”, disse Fernando Seara. Em declarações ao Correio de Sintra, Cândida Almeida adiantou que é para si uma honra ser distinguida pelo município do local onde mora. “Para mim significa tudo e de uma maneira que eu não sou capaz de descrever. A emoção de ser a minha vila, o espaço que eu adoro, do romantismo, da beleza natural, e por a câmara me ter distinguido com esta honra, eu fico sem palavras”, disse a procuradora que reside na zona de Galamares. Esta homenagem surgiu na mesma semana em que Cândida Almeida (também diretora do DCIAP) tinha afirmado que o caso BPN já devia estar julgado, afirmando desconhecer por que razão ainda não está. Em resposta à procuradora, o Concelho Superior da Magistratura considerou que o tribunal está a fazer o trabalho que devia ter sido feito pelo Ministério Público, ao nível de ligar a prova documental aos factos, adiantando que “tendo em conta a quantidade de intervenientes processuais, a quantidade e complexidade da matéria em discussão, e o respeito pelas normas processuais vigentes, não é possível julgar com rigor um processo desta natureza em prazo reduzido”. Na iniciativa em Sintra, Cândida Almeida considerou “aceitável” a justificação do CSM.


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10 Correio de Sintra

Concelho

18 de dezembro de 2012

Posto da GNR sem condições JR

SOCIEDADE. A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/ GNR) alertou para a degradação do sub destacamento de Sintra da GNR, considerando que pode estar em causa a segurança dos profissionais da guarda.

D

e acordo com o dirigente da associação, Nuno Miguel Guedes, o edifício que se encontra junto à estação ferroviária de Sintra e que outrora pertenceu à PSP nunca foi alvo de remodelações, carece de uma desratização e que, quando chove, cai água dentro dos balneários, inclusive junto a instalações elétricas. “Chove dentro das instalações, nomeadamente nos balneários, onde as paredes estão cobertas de bolor. Em dias de chuva há infiltrações e as instalações elétricas podem colocar em risco quem estiver dentro do balneário”, disse. A associação critica ainda a existência de apenas uma casa de banho para militares homens, outra para guardas mulheres e outra destinada a visitantes e detidos. “Sintra é património mundial da humanidade e é das maiores zonas turísticas do país. As instalações Pub

Sub destacamento da GNR na vila de Sintra está degradada.

onde está a GNR são totalmente inapropriadas para a guarda e para a população e dão má visibilidade tanto para a instituição como para o país”, disse. Nuno Miguel Guedes adiantou que a “desmotivação” tomou conta dos militares do subdestacamento,

considerando que, além da falta de condições das instalações, também as “medidas de austeridade, com o corte de salários e suspensão de subsídios” têm contribuído para essa situação. Uma delegação de Lisboa Associação dos Profissionais da Guarda

esteve a 5 de dezembro no Sub Destacamento Territorial de Sintra, a fim de proceder à auscultação dos problemas dos profissionais da GNR que ali prestam serviço. De acordo com a APG/GNR, “a desmotivação é notória, o grande descontentamento que se vive por conta das consequências das medidas de austeridade nas famílias dos profissionais da GNR, com o corte dos salários, suspensão dos subsídios, promoções em atraso e não pagamento dos retroactivos referentes à tabela remuneratória, desinvestimento em meios, equipamentos e nas instalações extraordinariamente degradadas e falta de horário de serviço”. Assim, a associação exige a intervenção da Inspeção-Geral da Administração Interna para que fiscalize esta e outras situações que colocam em causa o bem-estar e a saúde tanto dos Profissionais da GNR bem como dos cidadãos que ali se deslocam e a outros postos. Esta fiscalização deve “assentar em critérios objectivos e de rigor, que não vise apenas a produção de um relatório sem consequências na melhoria das condições de trabalho dos profissionais”, adianta a associação.  Joaquim José Reis


18 de dezembro de 2012 Correio de Sintra

SOCIEDADE. A câmara de Sintra vai isentar o pagamento da base de licitação dos espaços de venda em mercados municipais, numa medida que visa aumentar a criação de autoemprego e para ocupar as lojas desses mercados.

Esta medida de apoio à promoção e criação de emprego foi aprovada em reunião de executivo da câmara, que desta forma isenta o pagamento de valores que oscilam entre os mil e os três mil euros. A adjudicação dos espaços de venda em mercados municipais estava dependente do prévio pagamento de uma base de licitação, cujo montante tinha de ser pago no ato da adjudicação. Para o vereador da câmara com o pelouro de Licenciamento das Atividades Económicas e Gestão de Mercados, Pedro Ventura (CDU), esta é uma medida importante numa altura de crise em que o desemprego atinge números preocupantes. “Verificámos que havia uma necessidade de agilizar procedimentos administrativos e notámos uma maior procura por parte das pessoas, quer por necessidade financeira quer por terem perdido o emprego”, disse o vereador ao Correio de Sintra. Para que fiquem isentos deste paga-

Câmara isenta pagamento de base de licitação dos lugares.

mento os requerentes têm que comprovar a sua situação de desemprego ou apresentar um projeto de criação de autoemprego. Os concessionários dos espaços de venda adjudicados têm de manter com o município o contrato de concessão pelo período mínimo de um ano. Pedro Ventura adiantou que as pessoas que pretendiam vender os seus produtos nos mercados municipais deparavam-se, muitas das vezes, com dificuldades para pagar a “arrematação dos locais de venda” e que, desta forma, mais vendedores poderão dar início à sua atividade.

“As pessoas acabam por se comprometer a estar nas lojas um ano e, caso não estejam, terão que pagar esse valor. Contudo consideramos que é uma medida extremamente importante para que as lojas sejam ocupadas e para a criação do autoemprego”, afirmou. Desta forma, “as pessoas que tinham que despender uma quantidade de dinheiro considerável” para dar início à venda nos mercados deixam de o fazer, desde que se comprometam a vender naquele espaço durante um ano. Esta medida é extensível a todos os mercados municipais e já se encontra em vigor. Joaquim José Reis

Terrugem tem nova feira mensal DR

Mercados mais acessíveis

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Ao terceiro domingo do mês, o campo de futebol da Terrugem dá lugar a uma feira de venda de roupa e de produtos hortícolas da região saloia, desde Sintra até Sobral de Monte Agraço. A feira foi inaugurada a 16 de dezembro, num dia chuvoso que, no entanto, não afastou nem feirantes nem compradores, que compareceram em peso para a inauguração. O Recinto Polivalente João de Sousa Leitão será dividido em 78 lugares, mas uma vez que o local da feira dispõe de espaço, esse número pode aumentar caso haja mais procura por parte de feirantes. A nova feira dispõe de todas as condições exigidas pela lei que tutela as feiras, ao nível da segurança e da higiene. O estacionamento está assegurado na estrada nacional, junto do antigo centro de dia, e na rua de São Sebastião, perto do centro de saúde. Para não coincidir com as feiras de São João das Lampas (primeiro domingo de cada mês) e com a de São Pedro (segundo domingo), a junta de freguesia da Terrugem escolheu o terceiro domingo. PUB


12 Correio de Sintra Pub

Concelho

18 de dezembro de 2012

Câmara com orçamento reduzido em 2013

POLÍTICA. A Câmara de Sintra

aprovou um orçamento camarário para 2013 de 160 milhões de euros, uma redução de 27 milhões face a este ano. Este é o terceiro ano em que o orçamento da câmara desce.

O

orçamento municipal para 2013 foi aprovado por maioria, com os votos favoráveis da Coligação Mais Sintra (PSD e CDS-PP), abstenção da CDU, e votos contra do Partido Socialista. A previsão das verbas apresenta uma diminuição de 27 milhões de euros face aos 187 milhões do ano corrente, que foram acrescidos mais tarde com a contratação de um empréstimo de 25 milhões de euros para a construção de escolas. De acordo com o documento aprovado em reunião de câmara, a 12 de dezembro, o presidente da câmara de Sintra, Fernando Seara, salienta a “elevada execução orçamental de 2012” que, “pela primeira vez nas ultimas décadas irá ser superior a 90%, resultando da inerência de pagamentos em atraso a fornecedores” num prazo inferior a 30 dias. O presidente da câmara admite, no documento, que o orçamento para 2013 está “muito próximo daquilo que se entende por orçamento de basezero” que incorpora “quase exclusivamente” a consideração das necessidades financeiras suficientes para assegurar a atividade do exercício. Segundo o documento, a receita própria estimada será de 104,2 milhões de euros e o valor de fundos relativos a transferências da Administração Central será de 33,6 milhões. Nas despesas, o executivo prevê gastar 45 milhões em despesas com pessoal, 40 na aquisição de bens e serviços, 20 em transferências correntes e 19 em subsídios. Os vereadores do Partido Socialista justificam o voto contra o orçamento, por considerarem que não dá resposta às questões sociais dos sintrenses,

numa altura de crise em que os munícipes empobrecem diariamente e onde já existem 23 mil desempregados no concelho. “Ao desafio imposto pela emergência de criar emprego, objetivo que deve estar presente na tomada de todas as decisões, incluindo as municipais, o orçamento não contempla uma única medida, nem uma única ideia”, adiantou o PS de Sintra. Os socialistas consideram ainda que, numa altura em que as necessidades sociais mudaram, as prioridades orçamentais do executivo da câmara continuam as mesmas, ao destinar menos de dois por cento do total da receita prevista para a ação social. O PS critica ainda o desinvestimento “gritante” na qualidade de vida dos sintrenses, ao nível da desvalorização no planeamento urbanístico, na requalificação urbana, no ambiente e na construção de novos parques e jardins, uma vez que estas áreas serão contempladas apenas com “irrisórios” três por cento do total de verbas do orçamento. “Com este orçamento municipal, desfasado da realidade, o executivo municipal de Sintra responde negativamente aos desafios lançados pela atual conjuntura socioeconómica, mostrando total insensibilidade pelas dificultadas enfrentadas pelos sintrenses”, refere o PS. Para o vereador da CDU, Pedro Ventura, numa época de forte crise económica e social, os destinos da câmara acabam por estar intimamente ligados às opções políticas que se vão tomando a nível nacional, e por isso, o Orçamento de Estado para 2013 acaba por condicionar a maior parte das opções locais. Pedro Ventura adianta que o município deve continuar a exigir, entre outros, a construção de um hospital publico, a requalificação das esquadras da polícia, a abolição das portagens na A16 e a manutenção da linha ferroviária de Sintra como estrutura pública.  Redação


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14 Correio de Sintra

18 de dezembro de 2012

Agualva - Cacém Perseguido e assassinado no Cacém Breves Um jovem de 16 anos esfaqueou o padrasto em plena via pública junto ao Lidl de Mira Sintra. O homem foi transportado ao hospital ainda com a faca nas costas. Fonte policial adiantou ao Correio de Sintra que a agressão ocorreu depois de uma discussão entre ambos, tendo o jovem esfaqueado o padrasto com uma faca de cozinha nas costas. O jovem fugiu do local, encontra-se desaparecido, enquanto que a vítima foi transportada pelos bombeiros de Agualva-Cacém ao hospital Santa Maria, em Lisboa, ainda com a faca nas costas. A faca foi retirada na unidade hospitalar, num procedimento de segurança habitual, já que se fosse retirada no local do crime poderia ter consequência graves. As causas da discussão e agressão estão a ser investigadas pela PSP, que tenta encontrar o jovem agressor, que foi denunciado pelo padrasto de 52 anos.

24 Horas TT de Fronteira

O Team Solar do Bitoque conquistou mais uma vitória, desta vez na prova denominada ‘’grande festa de todoo-terreno’’. Esta foi a 15ª Edição das 24 horas TT Vodafone, que se realizou na Vila de Fronteira.

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DR

Esfaqueou o padrasto em Mira Sintra

Crime ocorreu na via pública junto ao Centro Comercial Satélite. CRIME. Um homem de trinta anos foi perseguido e executado a tiro nas ruas de Agualva-Cacém. Uma discussão por causa de um “piropo” à namorada do alegado homicida está na origem do crime que ocorreu no sábado, 15 de dezembro.

D

e acordo com fonte da PSP, ao início da tarde os quatro homens envolveram-se numa discussão num café e foi fora do estabelecimento que um deles disparou vários tiros, atingindo duas vezes a vítima (de origem africana) que tentava fugir do local. O suspeito, de nacionalidade brasileira, transportava duas armas de fogo, terá apenas utilizado uma, e contou com a ajuda de um segundo homem que, após o crime, foi esconder as armas numa viatura que se encontrava na proximidade, na Rua Dona Maria. De acordo com fonte da PSP, a polícia deteve no local do crime dois

suspeitos - o alegado homicida e um dos que estava presente na discussão – enquanto o homem que escondeu as armas se entregou horas mais tarde. O suspeito já foi presente a tribunal e vai aguardar julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Caxias. O segundo homem detido no local do crime será testemunha do processo, enquanto que o homem que escondeu as armas ficou com o termo de identidade e residência. Várias pessoas presenciaram o crime e, quando se aperceberam que os suspeitos ficaram sem as armas, juntaram-se e agrediram os homens, referiu a fonte. “Quando a PSP chegou ao local eles tinham sido agredidos pelas pessoas que ali estavam e que se uniram para os atacar”, adiantou. Segundo a fonte, os suspeitos não são conhecidos da polícia enquanto que a vítima mortal tem antecedentes criminais por “crimes vio-

lentos” como roubos e agressões. Os envolvidos no crime são clientes habituais do café. A polícia vai analisar as imagens de videovigilância do estabelecimento para apurar as causas da discussão, mas fonte policial adiantou ao Correio de Sintra que um piropo à namorada do homicida, cerca de uma semana antes do crime, terá sido a origem do problema. No local estiveram uma equipa do corpo de intervenção rápida, elementos da esquadra de investigação criminal e da esquadra da PSP do Cacém. De acordo com o comandante dos bombeiros voluntários de AgualvaCacém, Luís Pimentel, quando os bombeiros chegaram ao local a vítima mortal já se encontrava em paragem cardiorrespiratória, mas foram feitos todos os procedimentos para o seu transporte. O homem com cerca de 30 anos foi transportado ao Hospital Amadora-Sintra, mas acabou por morrer. JJR


18 de dezembro de 2012

Estrada com calçada provoca acidentes JR

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Moradores queixam-se da fraca aderência da calçada e do declive da estrada. SOCIEDADE. Moradores do Cacém estão preocupados com o número elevado de acidentes de viação que acontecem numa rua de sentido único devido à fraca aderência da calçada e ao declive da estrada. A estrada encontrase entre a Rua Alfredo José Marques e a rua João de Deus.

Sempre que chove há aqui vários acidentes. Mesmo que venham devagar, basta travarem um pouco que o carro derrapa para o passeio e provoca um acidente”, disse ao Correio de Sintra, Alexandra Antunes, moradora do local. Para esta moradora, o facto de os carros derraparem para o passeio põe em causa a segurança das pessoas que circulam no local, assim como provoca danos nas viaturas

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que por vezes se encontram estacionadas. Também Paula Andrade lamenta que, após dezenas de acidentes, nada ainda tenha sido alterado no local. “Já bati aqui com o meu carro. Ia devagar, mas ao fazer a curva travei um pouco e o carro derrapou e foi contra o passeio. Infelizmente, ficou estragado e tive que gastar umas centenas de euros na sua reparação”, adiantou. O Correio de Sintra apurou que a calçada da estrada foi colocada no âmbito do programa Pólis e que por essa razão não pode ser alterada. No entanto, a câmara de Sintra está a estudar uma solução para resolver o problema, que deverá passar por colocar asfalto na zona onde os pneus dos automóveis circulam, à semelhança do que acontece noutras estradas da freguesia.  Redação


16 Correio de Sintra

18 de dezembro de 2012

Queluz - Belas

Nova ponte concluída em abril JR

SOCIEDADE. As obras da nova ponte entre Queluz e Amadora avançam em janeiro e deverão estar concluídas em abril, pondo fim ao período difícil que os comerciantes afirmam estar a passar, com mais de cinquenta por cento de quebras de facturação desde que a antiga ponte foi encerrada.

A

ponte do século XVII que liga Queluz à cidade da Amadora foi encerrada em junho por apresentar danos na sua estrutura, prejudicando milhares de moradores que se vêem impedidos de aceder ao IC19 através daquele acesso, e dezenas de comerciantes. Desde junho já encerraram quatro estabelecimentos comerciais e os que continuam de porta aberta debatem-se com graves problemas financeiros causados pela diminuição da circulação de pessoas no local. Segundo Bruno Araújo, proprietário do café Pau de Canela, o encerramento ao trânsito rodoviário na antiga ponte provocou trágicas consequências ao seu negócio, uma vez que a circulação de pessoas naquela que era uma das zonas com maior circulação na cidade de Queluz é hoje praticamente inexistente. “Não passa aqui ninguém. Antes passavam aqui dezenas de autocarros por dia, cheios de pessoas, que esperavam nos terminais e vinham aqui ao café. Perdi mais de cinquenta por cento

Circulação rodoviária na ponte setecentista está suspensa desde junho.

da minha clientela e hoje apenas a vizinhança entra aqui”, disse o proprietário ao Correio de Sintra. Bruno Araújo adiantou que até à data já encerraram quatro estabelecimentos comerciais, um outro prepara-se para encerrar, e que ele próprio já pensou em fechar portas. “A esperança de ver as obras a começarem é o que nos faz estar abertos. Mesmo assim não sei se consigo aguentar até à conclusão das obras porque não passa aqui ninguém”, disse.

Também a proprietária de um stand automóvel lamenta a quebra de vendas devido à diminuta circulação de pessoas no local. “De há sete meses para cá que só vendo um carro de dois em dois meses. E dos mais baratos. Antes de a ponte ser encerrada vendia uns quatro ou cinco por mês. Não passam aqui pessoas. Esta rua passou de uma das mais movimentadas da cidade para zero”, disse Cristina Correia. Esta proprietária lamentou o encer-

Opinião

ramento de vários estabelecimentos comerciais e adiantou que mais lojas se preparam para fechar. “Não conseguimos suportar as rendas e os impostos se não conseguirmos vender. Estamos neste stand há 26 anos e sabemos que com a nova ponte vamos ter que sair daqui. Os nossos senhorios são os bombeiros de Queluz e vão-nos arranjar outro local”, disse. Junto à antiga ponte, que apenas está acessível à circulação pedonal, encontra-se já uma placa onde se refere que foi adjudicada a “empreitada de execução da variante à Rua D.Pedro IV e obra de arte sobre a ribeira de Carenque”, com um custo total de 441 mil euros. Contactado pelo Correio de Sintra, o vereador da câmara de Sintra com o pelouro das Obras Municipais, Luís Duque adiantou que as obras arrancam em janeiro e deverão estar concluídas em abril. O vereador explicou que a câmara optou pela construção definitiva de uma ponte sobre aquele local, uma vez que a primeira solução (ponte provisória em terrenos militares) ficaria tão cara quanto uma nova devido à renda que seria cobrada ao município. “Não podíamos colocar uma ponte provisória pelo preço de uma nova. Este foi um projeto de urgência, sei que foi um incómodo para as pessoas mas foi o possível”, adiantou Luís Duque.  Redação

Explosão de multibanco assusta bairro

T

rês homens encapuzados assaltaram um multibanco no bairro das Campinas, em Idanha (Belas), com recurso a explosivos, tendo destruído parcialmente uma papelaria. A proprietária lamenta os estragos e admite fechar o negócio. Por volta das 05:00 de 11 de dezembro, três homens encapuzados injetaram gás no multibanco e provoPub

caram uma explosão que acordou o bairro. A loja ficou praticamente destruída. A proprietária, Cristina Moisés, disse aos jornalistas que a explosão danificou a quase totalidade dos artigos que tem na loja. “Praticamente se se aproveitar cinco por cento do que tenho na loja é muito”, referiu. Segundo alguns dos moradores. a

explosão foi de tal forma audível que muita das pessoas que moram no local foram às janelas e conseguiram ver três homens a fugir numa viatura de alta cilindrada de cor preta. Fonte da PSP disse ao Correio de Sintra que esta viatura tinha as matrículas de um outro veiculo que tinha sido furtada um dia antes em Lisboa. O multibanco que está junto à papelaria

Moisés já tinha sido alvo de uma tentativa de assalto, há seis meses, mas na altura os assaltantes não conseguiram provocar a sua explosão. Na mesma madrugada, o grupo de assaltantes encapuzados forçaram cincou outras caixas multibanco nas zonas de Rio de Mouro e de Queluz, como manobras de diversão com o objetivo de iludir a polícia.  Redação


18 de dezembro de 2012

Monte Abraão Festa de Natal 2012 A Junta de Freguesia de Monte Abraão vai realizar no dia 22 de Dezembro uma festa de Natal para toda a população e amigos da freguesia. A recepção dos convidados tem início às 14:30, no salão paroquial, da Igreja de Nossa Senhora da Fé. O início da festa está marcado para as 15:00 com a atuação do Grupo Coral Flores do Monte, seguindo-se o Grupo Coral Infanto-

Juvenil Sementinhas, às 15:20 e o Grupo Coral da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Monte Abraão, às 15:40. A grande surpresa da festa de Natal, destinada a pequenos e graúdos, conta com a participação do Teatro Reflexo, que irá apresentar um espectáculo inspirado num dos mais reputados musicais da Broadway da última época e que se dá pelo nome “As Bruxas de Oz”.

Cabazes de Natal 2012 A Junta de Freguesia de Monte Abraão vai promover novamente a oferta de cabazes de Natal às famílias mais carenciadas da freguesia. Este ano serão apoiadas 80 famílias, criteriosamente identificadas pela equipa técnica da Área Psicossocial da Junta de Freguesia de Monte Abraão. Associado a esta iniciativa está o Continente Bom Dia de Monte Abraão, que vai comparticipar com parte dos cabazes que serão distribuídos. Segundo a junta de freguesia, o Continente tem sido um parceiro privilegiado ao longo de todo o ano e tem contribuído ativamente no combate à pobreza em Monte Abraão, através de doações

ERRATA

Relativamente à notícia publicada pelo Correio de Sintra na edição 51, na página 12 “Animais envenenados na Cidade Desportiva”, onde consta que a “presidente da Junta de Monte Abrão acusa a associação de moradores de serem responsáveis por

diárias de alimentos para o projeto Mercearia Solidária. As famílias que irão beneficiar dos cabazes de Natal serão contactadas pela Junta de Freguesia de Monte Abraão e devidamente informadas sobre os procedimentos de levantamento dos cabazes, que serão oferecidos no dia 20 de Dezembro, quinta-feira, em dois turnos distintos, concretamente das 10:00 às 12:00 e das 14:30 às 17:00. Serão também distribuídos brinquedos, livros, jogos e muitas outras surpresas a todas as crianças residentes na freguesia que se dirijam às instalações da junta no horário atrás referido.

estes crimes” deve ler-se “a presidente de junta recebeu queixas de moradores que acusam a associação de moradores” de serem responsáveis pelos envenenamentos. Pelo lapso, o Correio de Sintra apresenta as suas desculpas.

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18 Correio de Sintra

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18 de dezembro de 2012

Desporto JOMA passa por dificuldades financeiras fundos para a Juventude Operária de Monte Abraão (JOMA) superou todas as expectativas e o clube obteve uma fonte importante de receita para fazer face às dificuldades financeiras que atravessa.

A

atingir os 40 anos de idade, o JOMA é um dos clubes de referência do atletismo nacional, mas atravessa actualmente um período difícil, com grandes dificuldades financeiras. Para fazer face às despesas - cinquenta por cento do orçamento anual do clube está destinado ao pagamento de um empréstimo bancário – a direção

organizou um jantar de angariação de fundos que contou com a presença de 220 pessoas. “Superou as nossas expectativas porque aderiram muitas pessoas, inclusive quinze juntas de freguesia do concelho de Sintra. Não resolve todos os problemas, mas é uma ajuda para pagar desde a água e a luz, pois estávamos com bastante dificuldade para fazer face a esses custos. E até no aspeto moral foi importante, porque serviu para nos moralizar”, disse o presidente do clube, João Cardoso, ao Correio de Sintra. O presidente adiantou que neste momento o clube atravessa dificul-

dades financeiras, uma vez que todos os meses tem que pagar cerca de 1400 euros de um empréstimo bancário. “O empréstimo resultou de uma promessa não cumprida. Ao longo dos anos o JOMA teve várias promessas e nunca foram cumpridas. A maior que tivemos foi [da câmara] de termos um espaço próprio, o que nos permitia ter receita própria, mas nunca aconteceu”, disse. O responsável apela assim à solidariedade de comerciantes e empresas do concelho para que o JOMA continue a produzir alguns dos melhores atletas nacionais. Em janeiro, o JOMA assinala o 40º aniversário onde irá

homenagear os seus atletas nacionais e os fundadores do clube. DR

ATLETISMO. O jantar de angariação de

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Marco Almeida, Fátima Campos e João Cardoso

Luís Figo descobre talentos em Sintra FUTEBOL. O antigo futebolista

internacional português Luis Figo lançou o novo sistema digital de ‘scouting’ de jovens futebolistas, no espaço que inaugurou no Fórum Sintra. Este sistema permite que os jovens gravem as suas performances e as difundam na internet a olheiros e treinadores do mundo inteiro.

A

s crianças efectuam o registo neste sistema uma única vez - no espaço “A Escolinha do

Figo”, no Fórum Sintra - com autorização de um adulto e criam o perfil de jogador. Depois disto podem descarregar os vídeos com as suas performances no sistema “B.Live” as vezes que quiserem e difundi-las. Os vídeos inseridos no ‘B.Live’ dão entrada na plataforma da internet ‘Dream Football’, que está disponível em todo o Mundo, onde serão avaliadas pelos técnicos da “Figo Watch”. Os dez vídeos mais vistos por semana vão ser avaliados por uma equipa coordenada

pelo antigo seleccionador nacional, o brasileiro Luiz Felipe Scolari e os três melhores serão escolhidos depois por Luís Figo. Os relatórios de avaliação da equipa de Scolari e de Figo serão mais tarde publicados online para que todos os clubes possam ter acesso, e são também enviados para todos os clubes parceiros:o Inter de Milão (Itália), o Sporting, e os brasileiros Grémio e Fluminense. O antigo futebolista disse aos jorna-

listas que, com esta plataforma digital, os jovens terão oportunidade para mostrar o seu talento. “Se vamos, ou não, encontrar futuros craques é sempre uma incógnita”, disse, adiantando satisfeito que nos últimos anos a sua escola conseguiu colocar vários jovens em equipas importantes. Luis Figo participou ainda num pequeno jogo com várias crianças e distribuiu dezenas de autógrafos a menores de idade e a adultos. PUB


20 Correio de Sintra

Cultura

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Reino de Natal em Sintra

SOCIEDADE. Num ano que se avizinha particularmente exigente, valores como solidariedade, esperança, entusiasmo e iniciativa são o mote inspirador para o projecto da Câmara Municipal de Sintra intitulado Sintra Natal, que decorre de 8 a 23 de dezembro.

O

Sintra Natal teve início com uma homenagem à elevação de Sintra a Património Mundial da Humanidade, com um concerto musical pelo Ensemble Barroco, do Sintra Estúdio de Ópera, na Igreja ParoPub

quial de São Martinho. Os jardins da Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero vão acolher o Reino de Natal. Nesta iniciativa vai encontrar um cenário para descobrir junto dos duendes do reino de Natal, o mercadinho e a casa do Pai Natal, uma feira solidária e uma variedade de animações e espetáculos. Porque o Natal é, por excelência, a época da família, da partilha e do amor, conheça o Reino de Natal de Sintra. Segundo a câmara, este é o Reino de amor e partilha, onde a fantasia e a realidade se confundem e inundam de esperança todos os visitantes.

Para entrar neste Reino deverá oferecer um bem, que contribuirá para a melhoria de vida das pessoas que beneficiam do apoio das associações de solidariedade social do concelho Sintra. A entrada é livre para todos os eventos, estando a entrada no Reino de Natal condicionada pela entrega de um bem. Assista, ainda, aos Concertos de Natal nas igrejas paroquiais de São Pedro de Penaferrim e de São Miguel. O encerramento desta iniciativa é assinalado pelo concerto de ano novo, na Igreja Paroquial de São Martinho.

Reino de Natal:

15 a 23 dezembro das 14:00 às 19:00

Concertos de Natal:

16 dezembro 16:00 - Grupo Coral Ardecoro, Grupo Coral Gerações. Local: Igreja de São Pedro de Penaferrim; 23 dezembro 16:00, Coral Allegro, Local: Igreja de São Miguel.


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Direitos Humanos em Sintra

A Cidade dos Fotógrafos.

Gandhi’s Children.

O Preço do Sexo.

Os invisíveis.

O submundo do tráfico de mulheres da Europa Oriental e os sonhos e anseios de três reclusas da prisão de Tires, foram alguns dos vídeos de uma mostra de documentários promovida pela Amnistia Internacional sobre Direitos Humanos.

16 de dezembro. Segundo Fernando Sousa, da organização, o objetivo desta iniciativa passou por “sensibilizar a comunidade” para a defesa e promoção de todos os direitos consagrados na Declaração Universal e outros instrumentos internacionais sobre direitos, liberdades e garantias das pessoas, “Quanto mais as pessoas os conhecerem e os promoverem, e denunciarem os seus atropelos, mais o mundo se torna um lugar de paz. Estas mostras são uma ação pedagógica, desde logo para os mais novos, uma vez que duas das

sessões foram para a população escolar”, disse o responsável da organização. Durante três dias foram exibidos documentários realizados em diversos países, alguns deles inéditos e sobre temas distintos, com o intuito de fornecer uma perspetiva alargada sobre alguns dos desafios que se colocam aos Direitos Humanos na atualidade A organização destaca a exibição de “Os invisíveis”, que retrata o drama de milhares de latino-americanos que, na busca do “sonho americano”, pretendem passar a todo o custa a fronteira para os Estados

Unidos, e o “preço do Sexo”, que destapa o submundo do tráfico de mulheres na Europa Oriental. “Gandhi´s Childrem” mostrou as dificuldades de milhões de jovens indianos após o assassinato do “grande pacifista”, enquanto que “Design”, contou o mundo fechado de três reclusas na prisão de tires, os seus anseios e sonhos. No programa constam ainda documentários sobre as ditaduras brasileira e chilena e o que ainda está por investigar ou punir. Para Fernando Sousa, “não há melhor forma de defender os Direitos Humanos do que denunciar os seus abusos”.

SOCIEDADE.

E

m colaboração com o Centro Cultural Olga Cadaval, o grupo 19, núcleo de Sintra da Amnistia Internacional Portugal, promoveu a realização da XI Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, o fim-de-semana de 14 a

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22 Correio de Sintra

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Comunidades Antigas presas políticas defendem julgamento de responsáveis do regime militar brasileiro SOCIEDADE. Duas antigas presas políticas da ditadura militar do Brasil defenderam, em Sintra, que os responsáveis dos crimes contra a humanidade do regime que terminou há 37 anos têm que ser julgados. A ditadura militar no Brasil esteve no poder de 1964 a 1985.

As duas mulheres participaram na XI Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos da Amnistia Internacional, Grupo 19, onde foi visionado um filme sobre o período (1969 até 1979) em que 24 mulheres estiveram presas na colónia prisional feminina do Bom Pastor, no Recife. Passados mais de 40 anos, este documentário mostra o reencontro das 24 mulheres. Línia Gondim e Helena Serra Azul foram duas dessas presas e contaram ao Correio de Sintra as angústias do passado, mas também a esperança na descoberta da verdade sobre os crimes. Para Línia Gondim, passados 40 anos após as prisões políticas e as torturas do cativeiro, “ficou a necessidade de transformar tudo aquilo em algo mais positivo para que não volte a acontecer”. “As feridas cicatrizam mas ficam as marcas e carregamos as marcas toda a vida. Numa ditadura todos os direitos são violados. Fui torturada com luz nos olhos, muita pressão, interrogatório a toda a hora e várias brutalidades”, disse. Para esta antiga presa política, é importante que se leve à justiça os responsáveis pelo desaparecimento de quase cinco centenas de presos políticos e pela morte de milhares de camponeses. Há um ano, o governo de Dilma Rousseff criou a Comissão da Verdade, que tem a tarefa de esclarecer a história verdadeira dos desaparecidos políticos,

Helena Serra Azul e Línia Gondim estiveram presas em 1968 por pertencerem a movimentos de esquerda, contrários ao regime militar.

quase 40 anos após o fim da ditadura no Brasil, mas sem alimentar vinganças. Para Línia Gondim, apesar de 40 anos ser muito tarde para se encontrar muitos dos responsáveis porque muitos ou já morreram ou se encontram muito idosos e doentes, o importante é que seja esclarecida a verdade. “Estamos a saber a verdade agora a partir de alguns livros que os próprios agentes da repressão escreveram. Há pouco tempo saiu um de um polícia chamado Cláudio Guerra, onde conta algumas das barbaridades (“Memorias de uma guerra suja”). Diz inclusive que houve uma altura em que a ditadura não tinha mais onde colocar corpos de mortos. Então, começaram a levar os corpos de um Estado para o outro para as famílias perderem a pista. Ele próprio diz que chegou a conduzir 15 corpos para um forno de uma usina [central eléctrica] que pertencia a um vice-gover-

nador do Rio de Janeiro”, adiantou. Línia Gondim coopera com a Comissão da Verdade de Pernambuco, criada há seis meses, que até ao momento investiga o desaparecimento de 51 pessoas durante o período da ditadura. “Cabe depois ao Ministério Público e às famílias poderem avançar com a queixa no tribunal. Enquanto a verdade não for restabelecida não haverá paz. É preciso que se restabeleça a verdade, até para que exista uma democracia da verdade. É preciso que esta democracia seja construída em cima da verdade”, afirmou Esta antiga presa política considera que vai ser difícil encontrar o local onde centenas destas pessoas estão enterradas, mas com estas comissões da verdade vai ser possível responsabilizar o Estado brasileiro. “Afinal de contas o torturador trabalhava sob o Estado e quem estava

acima dele era conivente”, adiantou. Para a médica Helena Serra Azul, a questão não se pode centrar no perdão, embora, considere, que enquanto os responsáveis não forem levados à justiça o país não pode ficar em paz. “É uma questão de justiça, do ponto de vista dos direitos humanos. Para que possamos construir uma sociedade de paz. Acho que temos que ver a historia, o que está a acontecer, e fazer o julgamento de todos os que estiveram envolvidos, quer estejam vivos ou não. Para que isso não volte a acontecer. São crimes contra a humanidade”, disse. Esta antiga presa política, que se viu forçada a interromper os estudos de medicina na universidade em 1968, considera que as comissões da verdade e as associações criadas pela sociedade civil para investigar os crimes têm um papel importante no restabelecimento da justiça e da paz. Redação

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18 de dezembro de 2012

Tribuna

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2012, finalmente o fim 2012, o ano que se aproxima do fim, pode considerar-se o Ano II da Troika, com o desemprego, os cortes, o estado Social e as privatizações na ordem do dia, a par do aumento da contestação social e política, tudo, claro, sem que isso nos faça similares à repelente Grécia, país onde nasceram palavras como crise e caos. Foi um ano atípico e cinzento, com espiões indiscretos e maçons nada discretos, as promoções do Pingo Doce, a partida precoce de Miguel Portas, ou o acórdão do Tribunal Constitucional. Cavaco virou presidente pelo Facebook (LOL), e assistiu-se às birras de Portas (Paulo), à saída de Louçã, às greves de Arménio Carlos, ao inefável “doutor” Relvas e ao intragável cyborg e mago Gaspar. Sem faltar a confusão da introdução da TDT, as eleições nos Açores, a continuação do jardinismo versão dengue, o 15 de Setembro e os reality shows em S.Bento, com pedras, polícias, ecopontos a arder e televisões. E, pairando como sapo, de nenúfar em nenúfar, Passos, o aprendiz de feiticeiro, seguidor da fada Merkel e refundador anunciado dum Estado afundado, para como Fénix, na cartilha de Gaspar, o Excel(ente), renascer numa manhã de nevoeiro, coisa em que só ele e Álvaro, o exportador de pasteis de nata, acreditam. Na Cultura, depois do erro de casting chamado Francisco José Viegas, e dos cortes que quase extinguiram grupos e criadores, a perda de figuras como Bernardo Sassetti, Fernando Lopes, Joaquim Benite, Pedro

Osório, Dalila Pereira da Costa, Emanuel Nunes, António Tabucchi, Manuel António Pina e José Hermano Saraiva. Pior não podia ter sido. Valha a discreta Guimarães Capital Europeia da Cultura e o premiado Tabu de Miguel Gomes. Também no desporto, mais um Europeu de muita parra e pouca uva, valendo o remo olímpico contra a maré dos azares. Até o Sporting transformou Alvalade em jazigo, à espera de melhores dias e jogos. O mundo é cada vez mais dos BRIC e menos da Europa, continuando as fragilidades das primaveras árabes, o czar Putin e o cool Obama, e chegando um esvaziado Hollande, um empaellado Rajoy ou um entroikado Samaras. A juntar ao naufrágio do euro, o do Costa Concordia, o furacão Sandy e ventos de mudança na Birmânia, os Olímpicos de Londres, o jubileu da rainha e as proboscí-

deas caçadas de Juan Carlos. E ainda o golpe em Bissau, a insurreição no Mali, e a war as usual em Israel. Partiram Oscar Niemayer, Carlos Fuentes, Donna Summer, Robin Gibb, Ytzak Shamir, Gore Vidal, Larry Hagman, Scott McKenzie, Neil Armstrong, Ben Bella, Fraga Iribarne, Theo Angelopoulos, Ben Gazzarra e Witney Houston, e o mundo ficou mais pobre. Igualmente o ano da morte das freguesias pela chamada agregação, ato impensado e atentatório da vontade dos fregueses, sem uma justificação decorrente de estudos sérios e participados que levasse a essa conclusão, e que fosse objeto de auscultação da população, pela pronúncia favorável dos seus órgãos próprios ou pela convocação de um referendo local. Assim, noutras democracias. Nesta não, sem oportunidade do contraditório. E em Sintra, mudança de gestão nos palácios da Vila e Queluz, agora nas mãos da PSML, e a nova revista digital Tritão. Para 2013, Ano III da Troika, muitas dúvidas e algumas (infelizes) certezas. Haverá eleições antecipadas? A RTP será privatizada? O Porto vencerá o campeonato? Merkel continuará depois das eleições? Quem vencerá as autárquicas? Uma coisa é certa: foram-se 4 feriados, 2 subsídios, e muitas oportunidades para dar a volta à crise, enleados que estamos na teia duma Europa sem rumo e sem soluções. Mas, a menos que o mundo acabe no dia 21, nunca é tarde para tentar dar a volta. Com ou sem Prozac… Fernando Morais Gomes Associação Alagamares PUB


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Edição 52  

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