Page 1

Doces Reencontros “Caros irmãos e irmãs, sintetizamos nessas linhas humildes a chegada da mãe servidora, depois de sorver o cálice da dor de “perder” o seu filho, como acontece a muitas e muitas mães. Longe de nós, entretanto, idolatrar quem quer que seja. A pedido dos próprios benfeitores de nossa colônia espiritual, de nosso irmão Augusto e do tio Raul, assim o fizemos porque junto do coração de Dona Yolanda batem muitos outros corações maternos e toda mensagem que sirva de consolo, dizem-nos os mensageiros de mais-alto, devem ser propaladas, sim! E é justamente aos corações maternos, que viram seus filhos partirem de repente para o mundo espiritual, como a minha própria mãezinha, que busquei ajuda para narrar este reencontro, feliz e inevitável, como sempre sucede!” O texto acima, é um intróito do próprio espírito Jair Presente, narrando o fato com detalhes da forma como foi a acolhida de Dona Yolanda Cesar, genitora de Augusto Cézar Netto, jovem desencarnado em 1974, conhecido pelas mensagens enviadas pelo Médium Chico Xavier, publicadas em vários livros mediúnicos. Dona Yolanda desencarnou dia 23 de junho deste ano. Pág. 4

Retornaram à Pátria Espiritual

Depressão e a Busca da Felicidade Interior O século XX, segundo a Organização Mundial de Saúde Mental, pode ser denominado “O SÉCULO DA DEPRESSÃO”. Em outra época da História, jamais houve uma estatística tão alarmante em torno deste distúrbio, que a cada dia ameaça, ainda mais, a estrutura da sociedade contemporânea. Todavia, se fizermos uma análise psiquiátrica, de natureza histórica a respeito do Homem, iremos constatar que a problemática depressiva faz parte da estrutura PsicoFisiológica desse ser ANTROPO-SÓCIO-PSICOLÓGICO. Isto por que, em todas as épocas da humanidade, a depressão esteve presente. Nesta edição, poderemos acompanhar a primeira parte de um estudo sobre este grande mal que assola a humanidade. Nela, veremos apontamentos sobre a visão científica a respeito do tema, além de relacionar documentos históricos, que tratam da depressão. Veremos que a depressão aparece em registros históricos como Bagavad-Gita, ou ainda na própria Bíblia, quando nos relata, por exemplo, as desventuras de Jó. Pág. 6

De todos os quadrantes da Terra partem os viajores para o outro lado da vida. Via de regra, não estamos devidamente preparados para esta viagem de retorno, quase sempre, indesejada. O medo generalizado da morte evita um estudo específ ico para este inevitável retorno. Do movimento espírita, de quando em quando, alguns trabalhadores retornam e do outro lado da vida continuam suas atividades. Nesta edição, anotamos a transferência de algumas servidoras conhecidas dos espíritas de todos os cantões deste planeta. Foi permitido o relato da recepção de uma delas, Dona Yolanda, como incentivo aos trabalhadores da retaguarda. A recepção dos servidores dedicados ao trabalho da caridade, acreditamos, deve ser semelhante ao deste relato. E não tardará muito para que nossas irmãs iniciem o envio de mensagens de incentivo e esclarecimentos ao nosso movimento espírita. Destacamos dentre as irmãs desencarnadas, a confrade Heigorina Cunha que teve papel marcante na fundação da nossa Casa de Eurípedes Barsanulfo em Taubaté – SP, conforme consta no texto desta edição. Pág. 8 Correio de Luz - 1


d DOUTRINA

União do Princípio Espiritual e da Matéria Devendo a matéria ser o objeto do trabalho do espírito para o desenvolvimento das suas faculdades, seria necessário que ele pudesse agir sobre a matéria, razão pela qual ele veio habitá-la, assim como o lenhador habita a floresta. A matéria tendo que ser, ao mesmo tempo, objeto e instrumento do trabalho, Deus, ao invés de unir o espírito à pedra rígida, criou, para o seu uso, corpos organizados, flexíveis, capazes de receber todos os impulsos da sua vontade e de se prestarem a todos os seus movimentos. Assim, o corpo é simultaneamente o envoltório e o instrumento do espírito e, à medida em que este adquire novas aptidões, reveste um envoltório adequado ao novo gênero de trabalho que deve realizar, assim como se dá a um operário ferramentas menos grosseiras, à medida que ele é capaz de fazer uma

CORREIO MEDIÚNICO

A Gênese, cap. XI - Allan Kardec

POESIA MEDIÚNICA

Irmãos em Cristo, Unidos em torno da prece, convém salientar que em nosso mundo íntimo vozes se nos fazem soar na mente, chamando-nos nas diversas atividades do conhecimento humano. Saliente-se que a consciência reta no servir favorece a nossa jornada, criando em torno de nós uma auréola protetora contra a invasão de pensamentos inferiores, que via de regra nos chegam ao campo mental. Assim sendo, compete ao verdadeiro cristão doar de si o máximo, porque o máximo que possamos doar de nós será revertido em proveito do próximo. E como se o próximo fosse um espelho, reflete em nós. Eis como funcionam as Leis de Deus. O próximo é sempre aquele espelho. Assim sendo, compete à nossa saúde mental trabalhar o pensamento que refletirá inclusive em nosso próprio veículo físio-somático. Estabeleçamos a paz em nós, servindo sempre, como médicos de nós mesmos e enfermeiros do Médico Maior, Nosso Senhor Jesus Cristo. Que a paz de Jesus nesta noite celeste possa espargir com todos os irmãos aqui presentes, estando encarnados ou desen-carnados, numa ceia de luz, partindo de nossos corações. Rezemos em Cristo por todos os nossos irmãos. Que a paz do Mestre reviva em nós. Senhor Jesus, teu coração transborda luz. Tua alegria incendeia nossas ações. Onde haja dor, onde haja sofrimento, permita, Senhor Jesus, a paz em todos, porque tua luz nos faz melhores, norteia nossos passos. Oh, Médico dos médicos, incendeia a chama em nós, para sempre servirmos de instrumento de sua paz. Aos irmãos encarnados em torno à prece, persistam. Que a paz de Jesus nos abençoe sempre, e muito obrigado pela acolhida, deste irmão, Adolf Fritz. Mensagem psicografada na “Casa de Eurípedes”, em Taubaté-SP, no dia 18 de outubro de 1995, dia dos médicos, pelo médium J.G. Argel). 2- Correio de Luz

obra mais delicada. Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio espírito que modela o seu envoltório, adequando-o às suas novas necessidades. Ele o aperfeiçoa, desenvolve e completa o seu organismo à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; em uma palavra, ele o talha de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais, cabendo a ele empregá-los. É assim que as raças mais adiantadas têm um organismo, ou, se preferirem, uma ferramenta mais aperfeiçoada do que as raças mais primitivas. Assim também se explica o cunho especial que o caráter do espírito imprime aos traços fisionômicos e às linhas do corpo.

EXPEDIENTE

Ao Brilho do Evangelho Debalde foge o homem à verdade Em busca de prazeres pequeninos, Escravo de paixões e desatinos, Senhor de sua própria insanidade!...

Órgão de divulgação espírita vinculado à Casa de Eurípedes Rua Pe. Roberto Landell Moura, 65

Sem dar-se conta de seus dons divinos, Incréu e desatento à caridade, É presa de intrincados torvelinos À luz da inexorável Eternidade...

Taubaté/SP End. p/ correspondência: Av. Armando de Sales Oliveira, 274 CEP 12030-080 Taubaté/SP

Soubesse de antemão a dor pungente Rondando seus caminhos, certamente, À porta estreita, lesto, rumaria!

Jornalista Responsável

Camões Filho (MTB 18411) Colaboraram nesta edição:

Porém, somente ao brilho do Evangelho Há de se renovar este homem velho, Iluminado ao sol de um novo dia!

Ari Rangel Celia Elmy Jair do Couto Paulo Heitor L. Bruno

J.E. de Souza

Roni Couto Sérgio Wanderley

Poema psicografado na “Casa de Eurípedes”, em Taubaté-SP, no dia 21 de setembro de 2013, pelo médium J.G. Argel).

Valéria Wanderley Apoio:

Livraria Espírita ‘ Cairbar Schutel ’ Dados do autor espiritual: Patrono da Escola Municipal Professor José Ezequiel de Souza, jornalista e poeta, nasceu em Taubaté em 10 de abril de 1895. Foi colaborador de diferentes veículos de imprensa local e voluntário no atendimento à idosos, por intermédio da Sociedade São Vicente de Paulo, até a sua morte, em 28 de setembro de 1966.

PH Eventos PRAÇA MONSENHOR SILVA BARR0S, 254 SALAS 05/06 - PISO 1 - CENTRO - TAUBATÉ/SP * As máterias assinadas são de reponsabilidade dos autores. ** Veja mais poesias e mensagens:

www.correiomediunico.blogspot.com


CORREIO MEDUÚNICO

POESIA MEDIÚNICA

Festa de Luz! Amigos irmãos, peço desculpas pela falta de jeito. Confesso que não escrevo estas linhas sozinho, aliás jamais seria capaz de fazê-lo sem o apoio dos benfeitores deste lar. Primeiro pela minha precária condição moral, segundo por não ter a menor familiaridade com a língua pátria. Entretanto, a minha experiência, cercada de sofrimentos talvez seja suficiente o bastante para fazer muitos incautos, feito eu mesmo, refletirem em torno da vida. Fui criado na religião católica, sempre próximo da igreja de minha cidade e, desde cedo, nutria o desejo de me tornar padre. Meus pais viam nesse desejo uma realização para eles. E assim se deu, aos treze anos de idade fui parar num seminário e depois de quase uma década ordenei-me sacerdote aos moldes da condição católica apostólica Romana. Tive, assim, logo de início, a tarefa de dirigir uma paróquia no interior goiano com milhares de fiéis sinceros. Confesso que a luta não era fácil. O trabalho à luz do Evangelho requer de nós dedicação e renovação constantes. Entretanto, minhas fraquezas eram maiores que a missão que escolhera. Uma forte tendência me fez desviar dos reais ofício do sacerdócio, e a breve turno comecei um relacionamento amoroso com uma dedicada fiel, que também via em mim uma forte paixão. Sempre às escuras nos encontrávamos para que as nossas paixões fossem dessedentadas. Sem que o grande público soubesse, fiz de tudo para manter as aparências até que um dia soube que seria pai... Meu Deus, pensava eu, como largar a igreja para ser pai àquela altura, eu que fizera o voto de castidade. Não! Definitivamente, não! Era preciso dar um jeito naquela criança inesperada, sem o mínimo planejamento! Como ficaria eu frente aos meus superiores Eclesiásticos e frente ao meu rebanho? Que pastor seria eu? E, infelizmente, em minha fraqueza pedi à amante que desse fim àquele filho. Às escuras, desgraçadamente, contratei uma mulher que era dada ao ofício criminoso do aborto... Não preciso nem dizer aos amigos que tudo aquilo deu em desastroso fim. Um incidente inesperado fez com que a companheira de encontros escusos falecesse junto com o filho que mal atingia os quatros meses de gestação...

Daí a pouco o escândalo, em minha cabeça cada vez mais confiante !!! Onde e como esconder tamanha miséria moral! Não tardaram para que os problemas se superlativizassem. Era comum à noite eu acordar em sobressaltos, ouvindo a voz de uma mulher gritando o meu nome e uma criança chorando convulsivamente . Os fantasmas da minha insânia não me abandonavam. Com muita dificuldade de equilíbrio fui parar em consultórios psiquiátricos que me receitavam remédios cada vez mais fortes. Cheguei ao ponto de ficar quase um mês seguido dormindo de duas a três horas, num corpo que mais se semelhava a um esqueleto. Tudo isso somado ao fato de não poder me abrir com ninguém, tamanha era a vergonha e o remorso que me dominavam... Cheguei à beira da loucura total. Quando não tive mais forças, procurei o meu bispo e contei a ele tudo que de fato se passara e ele, razoavelmente, convence-me a entregar a batina e a ir plantar em outra seara. E assim o fiz, para tristeza de muitos, que enganosamente pensavam ser eu um pastor dedicado. Meus anos na terra se encurtavam. Fiquei doente e não pude mais trabalhar. Já muito debilitado, fui acolhido num abrigo espírita, onde me renovaram as esperanças, apesar de tudo ter tomado o rumo que tomou... Conheci os preceitos da nova revelação e a partir daí um sol de esperanças me renovou a alma... Sobreveio a desencarnação precoce, mas na escuridão procuro repensar todo aquele desditoso caminho. Refiz com a alma ferida o passado delituoso. Agora, juntos traçamos caminhos para o futuro! O perdão! Ah o perdão! Não queiram saber os amigos irmãos o que significa o perdão deste outro lado da vida... Deixo neste depoimento a minha história, como tantas por aí... Foi por este motivo que os irmãos me trouxeram aqui e afinal todos sabemos que não é o que entra, mas o que sai da boca é o que, via de regra, nos leva aos descaminhos desta longa jornada. Fiquem todos com Deus, Lúcio.

Muita paz, gente querida, Deste lar cheio de luz, Onde, juntos, festejamos Este encontro com Jesus! Viva Pindamonhangaba, “Lugar onde faz-se anzóis”! Acho que fomos pescados Nestes doces arrebóis... Eu até me acostumei E, assim, não mais me assusto, Tanta generosidade Com a gente e com o Augusto!... O “buzão” veio lotado Com a galera, aqui, do Além; Pra beijar nossas mãezinhas, Hoje, não faltou ninguém... Corações entrelaçados, Bolo, chá, lindas canções, crianças maravilhosas Entre tantas emoções... Dona Yolanda, emocionada, Nos pediu para dizer Que quando soar a hora Ela vem para valer! Tudo tem seu tempo certo Pelas mãos do Criador, Mas pra abrilhantar a festa Veio até o imperador*!... Junto da rapaziada Um montão de gente fina: Seu Thomaz, Tio Mariano, Tio Eurípedes, Corina... Langerton, Frei Fabiano, Batuíra, Dona Meca, Seu Mojico, Tia Linda, Dona Irma e seu “Zeca”... Tio Raul, da Dona Yolanda, Dona Bertha, seu Alcides, Gabriel, José Ribeiro, Vinícius, Vô Aristides... Grande, enfim, é a comunhão Nesta festa reluzente!... Fiquem com o abraço terno Do amigão, Jair Presente! (Jair)

Mensagem psicografada na “Casa de Eurípedes”, em Taubaté-SP, no dia 11 de setembro de 2013, pelo médium J.G. Argel).

Poesia psicografada na “Casa de Eurípedes”, em Pindamonhangaba-SP, no dia 28 de setembro de 2013, pelo médium J.G. Argel).

Correio de Luz - 3


ESPIRITUALIDADE

Doces Reencontros Tomada de sublime emoção, ao ver-se sobre alvíssimo leito, rodeada de corações afetuosos, a mãe servidora, que tantos corações dilacerados consolara na Terra, tão logo descobriu-se liberta dos liames físicos, divisou entre os presentes o sorriso iluminado de seu menino querido, que, em pleno vigor de seus verdes anos físicos dela se apartara por contingências que quase nunca sabemos aceitar com a devida serenidade. Sem conseguir murmurar uma única palavra que fosse, seus olhos, marejados de incontida alegria, reluziam o júbilo de seu coração materno, agradecido a Deus pelo momento que tanto esperara, quando ainda mourejava na Terra, cerzindo outros corações maternos igualmente espicaçados pela separação temporária de seus filhinhos queridos. Não menos emocionado, portando uma flor de intraduzível e reluzente beleza, Augusto, ladeado pelos irmãos Raul, Celso e Antonio e acompanhado por dezenas de benfeitores do LAR beneficente a que se dedicara, disse-lhe com a voz embargada por intraduzível emoção: —- Mãezinha do meu coração, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Finalmente nossos corações se reencontraram, apesar de nunca estarem separados... Não te impacientes; ouve, por agora, apenas a gratidão dos muitos corações que ajudaste a confortar, quando Jesus te chamou para conduzi-los ao abrigo das consolações serenas. Permitiram os médicos espirituais que despertasses no dia em que farias anos no calendário da Terra, e muitas são as homenagens que preparamos para seu despertar com Jesus, deste outro lado da existência. Neste instante, abnegados enfermeiros sustinham seu corpo, ainda em adaptação ao novo plano —- embora sem maiores dificuldades, como costuma acontecer à maioria de nós que por aqui aporta trazendo o chumbo de numerosas viciações e consequentes dificuldades —- conduzindo-a a enorme sacada, cuja paisagem não consigo descrever aos nossos queridos irmãos domiciliados no corpo físico, por me faltarem elementos suficientes, tamanha a beleza do quadro que presenciávamos, quando Augusto, o filho, embevecido de satisfação descerrou a enorme janela... Lá fora, um coro de vozes infantis, acompanhado por centenas de jovens, tão

4- Correio de Luz

emocionados quanto nós mesmos, alguns dos quais enlaçados a seus pais, já desencarnados, que reconheciam na mãe servidora a nossa benfeitora, cantávamos todos uma linda canção, cuja letra assim dizia:

“Sê bem-vinda, mãe Yolanda, De regresso ao doce lar, De onde, um dia, veneranda, Tu partiste a consolar... Suportaste com coragem As agruras do exílio, Apartada, na viagem, Da presença de teu filho... Entretanto, não há pranto Sem consolação divina... E o que era desencanto Fez-se luz!... Luz matutina!... Nova aurora resplendia Sob o chão da tua dor E com brava alegria Te entregaste ao Senhor!... Mãe Yolanda!... Mãe Yolanda!... Colhe as flores cor-de-luz Que plantaste pelo mundo Consolando com Jesus!... Mãe Yolanda!...Mãe Yolanda!... Vem juntar-se aos filhos teus Que o amor é uma ciranda A girar na paz de Deus!... Mãe Yolanda!..Mãe Yolanda!”... Não havia entre nós quem não se emocionasse ao ver, agora, a homenageada de mãos dadas com o filho que a precedera na pátria do espírito, de um lado, e o companheiro dedicado com quem se consorciara na Terra, de outro. Finda a música e as

palavras de extremado carinho, mãe Yolanda, enlevada, ergue de chofre, ao infinito, seus olhos marejados parecendo vislumbrar muito mais que os tons dourado e laranja do crepúsculo, pronunciando, por fim, suas primeiras palavras de recém-liberta... “Ó, Mãe Santíssima, quantas lágrimas vertem as mãezinhas do mundo, ao verem seus filhos amados arrancados do jardim de seus corações maternais, qual se a morte física fosse de fato o fim, cuja provação ainda não conseguimos suportar resignadamente na escola terrena... Não posso, ó Mãe Querida, se não a Ti endereçar este apreço tão caloroso! Que fiz senão compartilhar com elas o lenço da resignação que deixaste para todas nós, ao ver Seu Filho Amado suspenso no madeiro ignominioso?!... —- vertendo, agora, copiosas lágrimas, a veneranda mãe, proferiu: “Desculpa-me, Senhora, se não fiz mais e melhor! Há tantos órfãos de pais vivos sofrendo nas sarjetas da indiferença, que quase um século na experiência terrena ainda é pouco para os que ainda nos acomodamos na retaguar) Ó Mãe das mães, da!... Quando consentires, estarei a postos, novamente, para em nome de Teu Filho, Nosso Senhor e Mestre, voltar ao lar terreno, quantas vezes forem necessárias para proclamar, em alto e bom tom, aos corações maternos que a vida não cessa no túmulo frio e silencioso... Hoje, — prosseguiu a mãe de Augusto — de mãos dadas com tantos corações queridos, que antes de tudo são filhos de Deus, agradeço à Senhora as lágrimas que secaste quando, no vendaval das provações acerbas, colocastenos nas mãos do “Cisco de Deus”, que caridosamente trouxe nossos filhos, redivivos, às fibras mais íntimas de nossos corações despetalados!... Obrigada, Mãe Santíssima!... Terminada a prece efusiva da mãe servidora uma chuva de pétalas róseas se fez cair sobre todos nós, que, emocionados, chorávamos igualmente de insopitável alegria... Era como se a Mãe do Senhor, dos píncaros celestes, respondesse positivamente à prece agradecida de Dona Yolanda... Mas, se achávamos que o nosso embevecimento estava por terminar ali, naquele espetáculo de inenarrável candura, eis que uma figura humana, esparzindo luzes safirinas, se materializa de repente de fronte à compacta assembleia que a tudo assistia, enlevada em contagiante emoção. Era Francisco


ESPIRITUALIDADE

Cândido Xavier! O nosso bom e velho medianeiro do qual todos nos servíramos, na Terra, para abrandar a dor de nossas mãezinhas enlutadas, dizendo, através de suas mãos enlaçadas às de Jesus, que seus filhos prosseguiam vivos como nunca! Com a mesma humildade de sempre, o mesmo sorriso fraterno e consolador, tio Chico, como carinhosamente o chamávamos, trazia nos braços um ramalhete cujo brilho ofuscava-nos a visão. Rejuvenescido e emitindo vibrações de amor que, além de cores infinitas exalavam também um perfume de indescritível fragrância... Ah! Meus irmãos... Para tentar descrever o que víamos recorremos ao adágio popular: “O que os olhos não veem, o coração não sente”. Mesmo se recorrêssemos a todos os adjetivos possíveis e imagináveis, ainda seria pobre a nossa narrativa para aquele reencontro... — Yolanda, minha filha! — disse o missionário da mediunidade com Jesus — Quanta alegria vê-la de mãos dadas novamente com o teu doce Augusto! Lembras-te daquela leitura que os espíritos bondosos reservaram para teu coração, em “O Evangelho Segundo O Espiritismo” tão logo chegaste ao nosso humilde reduto de trabalho na Terra, desolada, buscando nas lides do Consolador Prometido o refrigério para tua penosa provação? : “A dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus Todo-Poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu” (capítulo IX, item 7)? Pois soou a tua hora, mãezinha dedicada! Descansa o quanto puderes, porque verás que o trabalho não cessa para aqueles que “choram com as dores do mundo”. A Terra que todos almejamos ainda precisa de exemplos vivos, que mostrem Jesus aos homens, mais com atitudes do que simplesmente com palavras. Não podemos, de forma alguma, aguardar, de imediato, uma Terra Regenerada, enquanto a insensatez humana ainda pugnar pela legalização do aborto delituoso; das guerras injustificáveis, da indiferença com as crianças inermes, dos doentes relegados ao desespero... Enfim, minha terna e doce irmã,

apenas e tão somente quando Jesus encontrar guarida em nossos frágeis corações é que, finalmente, teremos de verdade o alvorecer de um novo tempo!... Jesus não descansa há bilhões de anos, construindo a nossa felicidade, mas nós outros não podemos nos dar ao luxo da ociosidade. Colhe os frutos merecidos que semeaste com o Mestre e quanto puderes divida-os uma vez mais com aqueles que aprendeste a consolar! — e beijandolhe a face, ele abraçou-a tão demoradamente que nos foi impossível reconhecer cada qual, que se fundiam numa

só luminosidade, quando, por fim, Tio Chico pediu-nos a todos que elevássemos o pensamento um tanto mais para que uma visitante singular viesse ao encontro de mãe Yolanda. Augusto, contrito, fez uma prece de resplendente gratidão... Nesse ínterim, um anjo, com silhueta de mulher, materializou-se luminescente! Era Celina, o anjo consolador, enviado pela mãe do Senhor àquele reencontro. Não tínhamos, os presentes, condições suficientes para enxergála como comumente nos enxergamos... Curvamo-nos, genuflexos, à sua grandeza espiritual. Sua voz, entretanto, era-nos completamente compreensível e assim ela se dirigiu ao coração da mãe de Augusto: — Mãezinha, venho à tua presença em nome da Mãe de todas nós! Estive sempre ao teu lado, sobremodo nos momentos amargos da escola terrena, quando Jesus chamou teu Augusto! Não há, em toda Terra, um só coração materno desamparado. A Mãe Amantíssima, que viveu a dor suprema com serenidade, não deixa, jamais, suas fi-

lhas sem consolação!... Vem, pois, ao reencontro daqueles que o Pai te confiou!... Nossa Mãe Eterna manda dizer-te: “Bemaventurada és tu, Yolanda, que soube repartir o lenço da resignação com as irmãs que traziam dificuldades iguais ou maiores que as tuas... A tua alegria é também a nossa alegria! Desperta em paz!”... Quando, por fim, a noite já despontava com as suas estrelas cintilantes, Dona Yolanda retornou ao seu aposento, sustentada, agora, por Augusto e duas dedicadas enfermeiras... Quase que completamente, todos nós, aqui de nosso lar abençoado, não conseguimos repousar como de costume. Tamanhas eram as impressões que se assomaram aos nossos espíritos embriagados de emoção. Logo ao raiar do dia, eis que Augusto nos procura, com um sorriso pra lá de radiante: — Jair, meu irmãozinho, trago boas notícias! — disse-me ele, entusiasticamente — O instrutor Edésio me disse que foi autorizado pelos benfeitores! Que você pode procurar um irmão ou uma irmã médium dispostos a registrar-lhe o pensamento e escrever sobre a chegada de mamãe, aqui, em nossa casa abençoada! Nossos corações queridos hão de se alegrar com a calorosa acolhida à nossa mãezinha e aquelas mãezinhas que ainda estagiam na arena física vão se confortar ainda mais com o reencontro inevitável que experimentarão, da mesma forma que eu e Mamãe Yolanda acabamos de vivenciar!... — É Mesmo?! Graças a Deus, Augusto! É bem verdade que não temos mais ninguém com as “antenas” do Tio Chico, mas, certamente, alguém há de nos ouvir, ainda que seja uma daquelas de um simples radinho de pilha, porque consolo é consolo, e com Jesus pouco é sempre muito! E me abraçando, jubiloso como sempre, arrematou: — Com toda certeza, irmãozinho! Então... mãos à obra e que assim seja!...

Mensagem psicografada na “Casa de Eurípedes”, em Taubaté-SP, no dia 03 de agosto de 2013, pelo médium J.G. Argel).

Correio de Luz - 5


PESQUISA

Depressão e a Busca da Felicidade Interior O século XX, segundo a Organização Mundial de Saúde Mental, pode ser denominado “O SÉCULO DA DEPRESSÃO”. Em outra época da História, jamais houve uma estatística tão alarmante em torno deste distúrbio, que a cada dia ameaça, ainda mais, a estrutura da sociedade contemporânea. Acredita-se mesmo que o século XXI farse-á caracterizar por um número ainda mais expressivo de tormentos de natureza psicótico- maníaco- depressiva. Merecem observação o golpe sofrido pelo USA, no dia 11 de setembro de 2001, o processo depressivo pós-traumático e as expectativas perniciosas de um novo ataque. Tais fatos perturbaram em profundidade não apenas a sociedade como um todo, mas a criatura humana na sua individualidade, levando teólogos, sociólogos e psicólogos a se interrogarem sobre quais as causas destes transtornos de comportamento terrificantes. Já se pôde verificar que e as respostas não lograram modificar a estrutura da própria criatura, que jornadeia entre estertores e expectativas amargas, sem qualquer certeza otimista em relação ao futuro e em torno do seu presente. A violência urbana, os fatores pisco-sociais, sócio-econômicos, os relacionamentos interpessoais, a morte dos sentimentos afetivos, vêm gerando para a criatura humana esse estado de expectativa lamentável, em que estes processos psicológicos abrem espaços para a instalação de processos “depressivos”. Todavia, se fizermos uma análise psiquiátrica, de natureza histórica a respeito do Homem, iremos constatar que a problemática depressiva faz parte da estrutura Psico-Fisiológica desse ser ANTROPOSÓCIO-PSICOLÓGICO. Isto por que, em todas as épocas da humanidade, a depressão esteve presente. Primeiros registros históricos da Depressão; Se analisarmos o Bhagavad Gita, Livro Sagrado dos Hindus(3.200 a.C.), Krishina assevera a seu discípulo: Deves lutar com todas as tuas forças, contra os maiores inimigos da tua felicidade, tu és um príncipe Pândava, és eleito de Deus, e terás que lutar terrivelmente contra os Gurus, que são adversários cruéis da tua felicidade, os Pandavas são poucos, e os Gurus são muitos. Terás que travar uma batalha com todas as armas para vencê-los ou eles destruirão a tua felicidade. E o jovem discípulo interroga o guia: quem são af inal os Gurus? Responde Krishina: São teus familiares mais próximos; Teus pais, teus irmão, teus primos, terás que mata-los ou eles te matarão! E o jovem entristece-se e entra em “melancolia”: Como eu poderei matar meus pais, meus tios meus familiares? E onde eu travarei esta batalha cruel? Krishina estabelece: Travarás a batalha no campo da consciência, por que os Gurus são os vícios, e os vícios são muito mais numerosos que as virtudes, que são os Pandavas. Estes são os teus familiares mais próximos no campo de tua consciência! E o Jovem dobrou-se vencido pela melancolia. Se entrarmos na Bíblia e nos detivermos a examinar o Rei Saul, anatematizado pelas fantasias dantescas, pelas depressões, pelas alucinações psicológicas, verificamos que ele tem amenizadas as suas agruras graças a citara, a flauta e pelos admiráveis poemas cantados por David. Ainda, recordemos na Bíblia de uma das mais belas e torpes passagens da proposta mitológica ancestral: Quando Jó é tentado por Satanás, que lhe retira a fortuna, a saúde, os f ilhos, e Deus, para provar a Satanás que Jó era fiel, decretou a peste que ceifou seus animais, seus servos e seus escravos, decertou incêndio em seus campos. Até o ponto em que sua mulher dizia a Jó: Como podes amar a este Deus cruel que te dizima!!! Deus é o meu pastor, ele asseverava. Até que, após ter perdido quase tudo, menos a companheira, entrou e profunda melancolia. Tornando-se o protótipo da paciência Bíblica para posteridade. Se avançarmos para o ocidente, iremos encontrar na filosofia de Sócrates e de Platão, narrados por Aristóteles, a informação de que ambos os filósofos tinham crises de melancolia, quando eram inspirados pelos Deuses. A Melancolia na Grécia possuía duas vertentes: a

6- Correio de Luz

primeira delas era de caráter destrutivo, a tristeza perturbadora, a indiferença pela vida, um castigo dos Deuses e a outra era uma abertura da consciência, para sintonizar com os Deuses. O pai da medicina (Hipócrates, 400 a.C.), já havia colocado nos seus alfarrábios médicos as anotações a respeito da melancolia, como sendo um transtorno profundo e uma doença que não era doença. Mais tarde, por volta de 200 a.C., outro medico grego, Galeno, teve a oportunidade de examinar a saúde/doença, dizendo que a saúde humana é portadora de 04 fatores essenciais: A Biles negra, a amarela, a fleuma e o sangue. Mas é Areteu, 150 anos a.C., que detecta a manifestação dos transtornos psicóticos depressivos e abre espaço psicológico, porque as pessoas saudáveis, são portadoras desta psicogênese. Na idade média, era conhecida como acídia ou assedia, que era um estado de pereza, de amolentamento moral, e da indiferença da criatura humana de seus deveres eclesiásticos. Monges e religiosas eram tomados de uma inf inita tristeza e abandonavam seus labores, perdendo a efetividade. Também é a doença da falta de afetividade. O pensamento Renascentista tentou explicar, por que Michelangelo, esculpindo seu Moisés ou La Pietá, pintando a Capela Sistina, entre outras maravilhas, mergulhava neste abismo da melancolia, ficando dias perdido em sombras e angústias. Se examinarmos a Obra de Shakespeare, teremos ocasião ver Hamlet, no Castelo da Dinamarca, interrogando a um crânio humano: Ser ou não Ser, eis a questão? E ante o termos da morte, que é morrer, dormir, sonhar talvez, quem sabe? Em nossa história, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (o T.O.C) mais conhecido foi o de Pilatos. Diz-nos a história que após lavar as mãos no destino do justo, tinha a impressão de ter as mãos sempre ensanguentadas e lavava-as. Quando T ibério César perdeu o poder, e Pilatos perdeu as honrarias de representante de Cesar no oriente, teria se debandado à Suíça (segundo Giovanni Papini, escritor Italiano), e com o seu T.O.C. atirou-se em um vulcão extinto, matando-se. A História também nos fala de Poetas, Artistas e Estetas, por que a Melancolia jamais poupou a qualquer personagem, levando-os a transtornos incomparáveis de angústias. Mas foi somente a partir do século XVII que foi considerado o cérebro, como órgão respeitável. Foi na literatura Inglesa, nos primórdios do século XVIII, que aparece a palavra Depressão. É a partir dai, que se vai abrir o grande horizonte para se entender essa problemática de natureza Fisiológica como também de natureza Psicológica. E é a partir do século XVIII, que um médico psiquiatra americano, que observando as ramificações dos neurônios, percebe que se desnudam as problemáticas de natureza psicóticas, neuróticas e depressivas. (Na próxima edição, a farmacologia e a depressão, na visão espírita) Fonte: Divaldo Pereira Franco. PH pauloh@pheventosbr.com.br


ESTUDO DOUTRINÁRIO

Sono e Sonhos - Parte I Durante o sono, a alma repousa como o corpo? “Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.”

A questão 401, de O Livro dos Espíritos, traz à baila um assunto de vital importância para o estudioso do Espiritismo: Sono e Sonhos. Falar do tema, porém, não é fácil, dada a quantidade de informações existentes, pelo que o dividiremos em duas edições. Abordaremos o tema considerando o ponto de vista Espírita, mas analisando também algumas posições de outras religiões ou ordens místicas, e principalmente da Ciência, que muito tem a dizer. A Ciência -— em particular as neurociências — atingiu admiráveis avanços nos últimos tempos — alguns capitaneados por cientistas brasileiros, mundialmente reconhecidos, como Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro — desvendando mistérios sobre o funcionamento do cérebro e o mecanismo do sono e dos sonhos. Creio, porém — e esta é uma posição personalíssima —, que os cientistas ainda carecem de uma visão mais ampla, considerando a existência da Alma e do Mundo Espiritual. Ainda assim, podemos tirar grande proveito de suas descobertas e teses, até porque o Espiritismo, conforme codificado por Kardec, não as contradiz. Ao contrário, completa-as com o que lhes falta, com a visão do Espírito imortal. Sabe-se que possuímos três grandes estados de consciência: a) o estado de vigília, quando estamos acordados, despertos e atentos; b) o estado “alpha”, quando estamos profundamente relaxados, já meio desligados do mundo ao redor, o que acontece quando meditamos ou já estamos quase dormindo; esse estado também se manifesta durante o sono, caracterizando-se por intensa atividade cerebral e pelo movimento rápido dos olhos fechados (R.E.M. - rapid eye movement); c) o sono profundo, caracterizado por pouca ou quase nenhuma atividade cerebral. Para a ciência, não há sonhos neste estado. Durante o sono, passamos a maior par-

te do tempo em sono profundo, o que é entremeado por alguns curtos períodos de sono REM (para a ciência, só há sonhos durante o sono REM, em estado alpha). De acordo com a Ciência, ainda, o sonho possui diversas funções (citaremos só algumas): 1) serve como fixador da memória, sedimentando na mesma as sensações que experimentamos durante o dia; por esse motivo, muitos de nossos sonhos parecem um desfile desconexo de coisas que vimos ou sentimos.

2) faz emergir, no consciente, preocupações ou desejos profundos, que nos atormentam o subconsciente. Esta função é extremamente útil para a psicanálise, pois permite aos analistas observar o que acontece no inconsciente do paciente, o que levou Freud a dizer que “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”. Aqui, um alerta: antes de sairmos por aí mistificando os sonhos, dizendo que tudo é mensagem do mundo espiritual, saibam que grande parte dos nossos sonhos tem somente essas funções, sedimentar a memória e expressar o subconsciente, nada mais. São apenas lembranças vagando, de forma caótica, pelo cérebro, ou desejos e medos que vêm à tona. Observem que os próprios espíritos fazem esse alerta (L.E., questão 405), di-

zendo que muitos sonhos são apenas “efeitos da imaginação”. 3) Método inconsciente de solução de problemas e de análise de possibilidades: o neurobiólogo Sidarta Ribeiro, em recente artigo, na Folha de São Paulo, cita a capacidade do sonho de permitir ao cérebro analisar possibilidades futuras, ou até mesmo solucionar problemas. Os sonhos chegam até mesmo a auxiliar em descobertas científicas e criações artísticas. Alguns exemplos de inspiração provinda dos sonhos são famosos: a música Yesterday, de Paul McCartney, algumas composições de Beethoven, a tabela periódica, do russo Dmitri Mendeleev, e outros. Passemos às religiões. Muitas delas, principalmente as mais antigas, davam importância fundamental aos sonhos. Era, segundo elas, a porta de contato com o mundo espiritual, pela qual os anjos se manifestavam. Muitas das passagens bíblicas que relatam contatos com anjos, deramse durante o sonho. Exemplos conhecidos: o anjo que aparece, em sonho, a José, pai de Jesus (Mateus 1:20), encorajando-o a aceitar a gravidez de Maria; e os sonhos do faraó interpretados por José do Egito. Ordens esotéricas também dispensam especial atenção aos sonhos. Em muitas delas, há técnicas e experimentos para induzir sonhos lúcidos e projeções astrais (de que trataremos em outra oportunidade), bem como para utilizar o sonho para a solução de problemas e o auxílio nas tomadas de decisão. Embora cada qual observe os sonhos sob diferente prisma, é possível que cada um deles tenha um pouco de razão, possuindo um pedacinho da verdade. O certo é que o homem atual, principalmente no Ocidente, dá muito pouco ou nenhum valor aos sonhos, deixando de utilizar um instrumento poderoso de autoconhecimento e de autoiluminação. Na próxima edição, falaremos da visão Espírita, tendo por base O Livro dos Espíritos. (continua) Sérgio Wanderley sergio_direito@hotmail.com

Correio de Luz - 7


MOVIMENTO ESPÍRITA

Retornaram à Pátria Espiritual

Yolanda Cesar Em 1968, durante o carnaval em Santos, desencarna Augusto Cesar Netto, filho de Dona Yolanda. O fato foi um abalo para sua família. Dona Yolanda passou a frequentar reunião no Lar Oficina, instituição espírita onde recebia passes. Após quatro meses, aceitando sugestão da dirigente do Lar Oficina, Dona Yolanda foi a Uberaba para conversar com Francisco Cândido Xavier. Em Uberaba, não conseguiu um contato com o Chico, apenas informação sobre o atendimento do filho no plano espiritual pelo avô, desencarnado há algum tempo. Dona Yolanda acreditou e retornou a Uberaba todos os meses, até que em 1972 recebeu a primeira mensagem do filho amado. As mensagens através do Chico continuaram e foram publicadas nos livros “Jovens no além” e “Somos seis”, de Caio Ramacioti. Dona Yolanda passou a trabalhar e sempre esteve à frente das atividades do Lar Of icina Augusto Cesar e junto ao Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, dirigido pelo Chico, com quem passou a ter grande amizade. Colaborava na assistência material, no amparo espiritual, tratando com carinho a todos que buscavam ajuda naquela instituição. Dona Yolanda continuou suas visitas a Uberaba, sempre acompanhada de outras mães abaladas pela perda de seus f ilhos. O mês de setembro passou a ser especial pela homenagem a Augusto, nascido no dia 27 daquele mês. Isto se repetia todos os anos até 2002, quando Chico Xavier desencarnou. A partir daquele ano, D. Yolanda passou a homenagear seu filho em Pindamonhangaba-SP. Dona Yolanda ficou conhecendo nossos irmãos de Pinda, que haviam dado o nome de Augusto Cesar Neto para a mocidade espírita e faziam excursão para Uberaba em setembro. Após algum tempo, Augusto passou a enviar suas mensagens pelas Casas de Eurípedes de Taubaté e de Pinda. Dona Yolanda Cesar desencarnou em 23 de junho. Estaria comemorando 93 anos no dia 9 de julho deste ano. Therezinha Oliveira Com mais de 50 anos de atividades ininterruptas na seara espírita, Therezinha Oliveira presidiu o Centro Espírita “Allan Kardec” e a USE de Campinas-SP. Oradora brilhante, proferiu mais de duas mil palestras em todo o Brasil e até nos EUA. Suas obras já ultrapassaram a marca de 600 mil exemplares publicados, sendo 200 mil de livros e 400 mil de livretos. Colocou seus estudos doutrinários, conhecimentos e experiências à disposição de todos, escrevendo livros, organizando cursos, ministrando aulas, palestras, seminários, utilizando-se de todas as formas de expressão, inclusive a música e poesia. O trabalho, o amor e a alegria de viver são valores que sempre colocou em seus livros e esse é o exemplo que devemos aproveitar, dedicando a ela o que de melhor em nossos corações. No dia 28 de Agosto de 2013, Therezinha Oliveira partiu para uma

8- Correio de Luz

nova etapa na vida espiritual, após sua rica existência na Terra. Heigorina Cunha Filha de Eurídice Miltan “Sinhazinha”, irmã de Eurípedes Barsanulfo, Heigorina é sobrinha legítima de Eurípedes. Na mocidade, Heigorina, portadora de limitações físicas, assume as atividades da obra espírita, sem parar um só dia, dando continuidade ao trabalho, inclusive o Culto do Evangelho, realizado todos os dias às noves horas. Assumiu a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho implantando por Eurípedes Barsanulfo. Foi também escritora, tendo inclusive escrito obras em parceria com o médium Chico Xavier, o que a consagrou em razão deste elo de profundo significado. Sua auto biografia, “o Poder da mente”, é um livro de cabeceira, pelo exemplo de fé, renúncia e muito amor ao próximo. A humildade caracterizava a sua personalidade. No início da década de 1990, uma excursão para Uberaba foi organizada por trabalhadores do “André Luiz”, centro espírita de Taubaté. O principal objetivo não foi atingido. Era um contato com Chico Xavier, que estava acamado. Dentro do programa, no sábado de manhã, nossa excursão foi até Sacramento, próxima de Uberaba, para participar do culto do Evangelho, criado por Eurípedes Barsanulfo em 1904, continuado por seus seguidores e familiares, desde o seu desencarne em 1918. O culto é uma corrente de oração que se estabelece em muitas localidades, às nove horas da manhã, todos os dias. Este horário, segundo Dona Heigorina, seria o mesmo do Pentecostes, quando um contato mediúnico aconteceu com os apóstolos, na primeira hora do Cristianismo. Em Sacramento, fomos recebidos por Heigorina Cunha, na Chácara Triângulo, onde ela continuava com o culto criado por seu tio. Ficamos impressionados com o ambiente, onde havia muita paz e um grupo de jovens cantando músicas espíritas, enquanto um senhor comentava uma lição do Evangelho Segundo o Espiritismo e, ao final, o passe em todos os presentes. Estávamos emocionados, muitos enxugavam as lágrimas nos olhos. Dona Heigorina passou a conversar com o grupo, falando de Eurípedes com muito carinho, mostrou um quarto com a mesa e a cadeira utilizada para o trabalho da psicografia, onde Dr. Bezerra de Menezes, espírito, atendia milhares de pedidos de todo o Brasil. No retorno, todos comentavam sobre a reunião em Sacramento. E aqui, a leitura do livro “Eurípedes, o Homem a Missão” escrito por outra sobrinha, Corina Novelino, sedimentou nossa admiração pelo grande missionário. Ao final daquele ano, no dia 04 de dezembro de 1990, numa reunião no Centro Espírita “Fé, Amor e Caridade”, objetivando a fundação de um Centro Espírita, o nome sugerido e aprovado por todos foi “Eurípedes Barsanulfo”. Aquela reunião em Sacramento mudou nossas vidas. Pedimos licença a todos que foram ajudados e outros que ainda se beneficiam desta Casa abençoada para agradecer de coração a Nosso Senhor Jesus Cristo por ter colocado Dona Heigorina no nosso caminho. A ela o nosso preito de gratidão pelo muito que fez pela Doutrina Espírita e por todos nós. Aos 90 anos de idade, no dia 11 de agosto de 2013, desencarnou em Sacramento, cidade em que foi sepultada. Jair Couto jaircouto@uol.com.br

Correio de Luz - Ed. 16