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CORREIO DA SEMANA jornalcorreiodasemana@yahoo.com.br

Ridendo Castigat Mores

Fundador - J. Maia de Andrade

Ano XIX - Nº 571

Capital - R$ 2,00 - Interior R$ 2,50

Cuiabá, 08 a 14 de fevereiro de 2011

O mundo pede comida Demanda mundial vai ampliar vendas de carne e grãos nos próximos dez anos

Numa era em que catástrofes naturais estão cada vez mais intensas no mundo todo. Tensões e incertezas no futuro dos países árabes. O gigante chinês num crescimento desenfreado, entre muitas outras intempéries que não sabemos quando nem de onde poderão surgir, só temos a certeza de uma coisa: O mundo não para de comer. Leia mais pág. 04

s aúde

C ultura

Cáceres: promove capacitação sobre prevenção à infecção hospitalar O Hospital Regional Irmã Elza Giovanella, de Cáceres, unidade desconcentrada da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/ MT), realizou uma capacitação sob o tema “A importância da prevenção e cuidados hospitalares”, no auditório da unidade, a fim estender ao corpo técnico informações sobre a infecção hospitalar. Segundo o diretor do hospital, Jonas Alves Ribeiro,

mais de cem pessoas, dentre médicos e corpo técnico do Hospital Irmã Elza Giovanella, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais do sistema de saúde da comunidade cacerense participaram. A capacitação foi ministrada pelo médico infectologista Hugo Noal, do Hospital Regional de Sorriso. Leia mais pág. 06

Claudio Humberto Sponholz

Leia mais pág. 02

A ssembléia Legislativa

Cine Teatro Cuiabá divulga agenda de espetáculos do mês de fevereiro Dois espetáculos e uma oficina já estão confirmados para a programação de fevereiro. Quem abre a agenda de espetáculos da casa é a peça “Sinais...”, da Cia Cena Onze de Teatro. A encenação acontece no dia 04 de fevereiro, sexta-feira, às 20h, e tem entrada gratuita. Logo depois, às 21h, o grupo faz o lançamento do livro “Cena Onze 20 Anos, Memórias Cênicas”, na sede da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

Nos dias 12 e 13, a Temporada Gazeta de Teatro 2011 traz ao palco o divertidíssimo “Dezimprovisa”, da Cia de Humor Deznecessários. Baseado nos jogos de improviso, o espetáculo tem interação direta com o público e, segundo a Cia, tem repercutido de forma positiva com casas lotadas e grande número de acessos aos vídeos na internet. Leia mais pág. 05

Riva cobra reestruturações de carreira dos servidores de saúde e segurança O presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP), enviou indicações ao governo, mostrando a necessidade da reestruturação das carreiras dos profissionais do Sistema Único de Saúde e do Sistema Penitenciário. A reestruturação foi um compromisso assumido no início de 2010 e criou grande expectativa para as categorias. Conforme as indicações, em 31 de março de 2010, o

Governo do Estado se comprometeu a encaminhar à Assembleia Legislativa, no primeiro quadrimestre de 2011, projeto de lei referente às carreiras de servidores do Poder Executivo que não passaram por reestruturação de tabela nos últimos anos. Isto ficou assegurado por meio da Lei nº. 9.329 daquele ano. Leia mais pág. 07


Claudio Humberto

A rtigos

Tenho notado 

Por: Gabriel Novis Neves

com Teresa Barros e Donizete Arruda

mas na prática, percorrendo o nosso território. Alguém tem que contar, sem censuras, este problema, que considero um dos mais sérios do nosso Estado. De uns tempos para cá, noto que a nossa cidade vem mudando As novas gerações de cuiabanos estão em situação pior que os o seu comportamento. Essas mudanças que observo, são muito semenossos irmãos índios. lhantes aos processos de aculturação que sofreram as nossas nações Os cuiabanos estão sendo vítimas de um processo agudo de indígenas. desvalorização dos seus valores pelos modernos Tudo começou com os primeiros contatos com colonizadores. Como se não bastasse, são apontados os brancos, que se consideravam pertencentes a uma como os responsáveis pelo atraso econômico e social civilização superior. do Estado. “O trabalho que cerMotivados por razões que não comportam Começaram destruindo o nosso inconfundível tas ONGS realizam neste artigo, os brancos, com complexo de felicie lindo linguajar. dade, fizeram de tudo para convencer aos felizes A nossa cultura foi ridicularizada, e os nossos atualmente é semeproprietários do planeta, para que mudassem o seu heróis ignorados. lhante à história da comportamento. Tudo deveria ser importado, para ser bom. O trabalho que certas ONGS realizam atualmenserpente: prometendo A nossa enraizada cultura está sendo arrancada te é semelhante à história da serpente: prometendo de nós com possantes máquinas, criando a esterilidade mundos e fundos à mundos e fundos à Eva, desde que ela coma a maçã. nessa área tão importante do nosso passado. Eva, desde que ela Conseguiu da Eva o seu objetivo, e veja no que resulTenho notado essa mudança, que nos levará, tou essa mentira. Dor, sofrimento, miséria, guerras, com certeza, ao mundo da submissão. coma a maçã”. mortes de inocentes e o vírus da infelicidade. Tenho notado e comentado, é o que posso Nunca entendi a justificativa dos antropólofazer. gos para esse resgate humano e cultural dos povos Não dá para a sociedade estancar, também, primitivos, para a nossa cultura. Após a destruição essa perda? da cultura desses povos, eles são abandonados na periferia social dos brancos. Gabriel Novis Neves é medico em Cuiabá há 50 anos Precisamos rever esse assunto, não em Congressos Internacionais,

BIG BROTHER BRASIL  Por:

Luiz Fernando Veríssimo 

todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remuneraBrasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, dos.. Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato mas conseguimos chegar ao fundo do poço… de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,… sobreviver a isso, todo santo dia. Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais nossa modesta inteligência. Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo saudável e digna. Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem conheceu, teve seu fim marcado pela depravação um salário mínimo, pagam suas contas, restando dos valores morais do seu povo, principalmente apenas dezesseis reais para alimentação, como pela banalização do sexo. em outra reportagem apresentada, meses O BBB é a pura e suprema banalização “Veja o que está por de mostrado atrás pela própria Rede Globo. do sexo. O Big Brother Brasil não é um programa cultra$$$$$$$$$$$$$$$$ Impossível assistir, ver este programa ao tural, nem educativo, não acrescenta informações lado dos filhos. do BBB: José Neumani e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, Gays, lésbicas, heteros… todos, na mesma da Rádio Jovem Pan, nem aos participantes, e não há qualquer outro escasa, a casa dos “heróis”, como são chamados por fez um cálculo de que tímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, Pedro Bial. música, à criatividade ou ao ensino de conceitos Não tenho nada contra gays, acho que se vinte e nove milhões àcomo valor, ética, trabalho e moral. cada um faz da vida o que quer, mas sou contra E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me de pessoas ligarem a safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento ou heterosexuais. cada paredão” humano”. O BBB é a realidade em busca do IBOAh, tenha dó!!! PE… Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ Veja como Pedro Bial tratou os participando BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um tes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. mistura de clichês e figuras típicas. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve mara- ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderiam ser feitas mais de 520 vilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!) Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectaé a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de dignidade. Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cineOutro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de ma…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo telefonar para um amigo… ,visitar os avós.. , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. pela frente, chamando-os de heróis. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e Caminho árduo? destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída Heróis? nossa sociedade. São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de Luiz Fernando Veríssimo brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás,

Memórias de um Inconformado consciência do seu impacto e influência sobre as pessoas. Não quero que você ache que estou certo, que me siga, que concorde comigo. Só quero que você se importe e evite jogar a responsabilidade sobre as Fui abordado por um leitor após uma palestra. Ele se queixou instituições, sobre as elites, sobre o povo. Isso é muito cômodo. Ele: Luciano, por falta de educação, as pessoas depredam, de que apelo repetidamente para memórias pessoais em meus textos, invocando um passado que pouco ou nada tem a ver com o dele. roubam livros, esculturas e qualquer outra lembrança de nossa hisSaquei então uma frase deliciosa do escritor espanhol Max Aub :“Há tória suja, hipócrita e triste. Conforme-se que sempre foi e sempre três categorias de homens: os que contam a sua história; os que não a será assim. Eu: Pois é. Em qualquer lugar civilizado, contam e os que não a têm.” depredar, roubar, enganar, dá cadeia. No Brasil dos E ele: Hum. Prefiro quando você é crítico conformados, dá dó. E isso nos traz de volta a seu sobre atualidades. comentário sobre minhas memórias. Talvez por nunEu: Muitos de meus textos trazem críticas, “Quando apelo às ca terem aprendido com nossa história - que é tudo mas não acho que isso faça de mim um “crítico”. Se menos hipócrita ou triste - muitas pessoas adotam memórias pessoais, você disser “inconformado” eu concordo. Aprendi visão conformada das mazelas do Brasil. Nunca em meio século de vida a reconhecer a armadilha procuro reflexões que uma aprendem com o passado, com as memórias. Por isso que é cair na crítica às instituições, ao povo, às tragam ensinamentos. é fundamental conhecer o passado. elites, ao governo. Esses alvos nunca têm endereQuando apelo às memórias pessoais, procuro Algumas são críticas, ço certo e criticá-los dá rigorosamente em nada. reflexões que tragam ensinamentos. Algumas são Minha indignação é com aqueles que têm o poder outras são bem humo- críticas, outras são bem humoradas, outras são quase de mudar as coisas, mas não mudam, evitando o radas, outras são qua- poéticas. Mas todas são reflexões sobre um passado compromisso com valores morais e com a cultura precioso onde estão as lições para o futuro. Quem do país. É essa gente que ajuda a construir uma se poéticas”. não tem memória, perde suas referências, fica vazio visão distorcida do Brasil, tornando até mesmo e conformado, apoiando-se apenas numa estratégia justificável a violência de parte do povo contra para a vida: a esperança, sacou? nossos símbolos e tradições. Só que esperança nunca foi estratégia. Ele: Mas quem é que você acha que tem esse poder, esse privilégio, essa força e capacidade de provocar muMas talvez seja o único recurso dos que não têm memória. danças? Não sei se ele ficou satisfeito, mas que botei uma pulguinha Eu: Olhe-se no espelho! Todo mundo tem o poder de despertar mudanças. O professor em seus alunos, os pais em seus filhos, o médi- lá, ah, isso eu botei. co em seu paciente, o pastor nos fiéis, o ator na platéia, o escritor em seus leitores, a esposa no marido, o dono no cachorro... E vice versa. Luciano Pires. Visite: www.lucianopires.com.br Aquilo que você chama de “crítica” é meu esforço para despertar a

Por: Luciano Pires

C orreio da Semana C.E.R.M de Andrade - Editora - CNPJ - 05788.034/0001 - 06 - Inscrição Municipal: 82205

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José Maia de Andrade Editor

Cuiabá, 08 a 14 de fevereiro de 2011

C orreio da S emana

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Ivaldo Lúcio

Diretora Administrativa Eva Fernanda Diretor Comercial Carlos Rachid Fone: (65) 8403-1295

Jornal associado à adjore/ Associação de Jornais do Estado de Mato Grosso

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Vergilio de A. Filho 99640369

Tráfico ‘caça’ favelados que ajudaram a polícia Bandidos do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio, estão caçando moradores que ajudaram as forças policial-militares de ocupação. A informação dos serviços de inteligência, relatada a autoridades do governo federal, explicaria os vários assassinatos sem motivação aparente, na área. Oficialmente, o governo estadual nega a caça a favelados, para não provocar pânico nas regiões ocupadas. Gangue ficha limpa Militares e policiais não conhecem os bandidos porque eles seriam do “segundo escalão” do tráfico, que não fugiram por terem fichas limpas. Empacou O governo do Rio quer punir o uso de carro de placa fria da delegacia de Cabo Frio, na fuga de traficantes do Alemão. Mas não consegue. Tarado na folia Depois do deputado federal Tiririca, de Dilma e Lula, surgem as máscaras do premiê italiano Silvio Berlusconi nos

Centro-Oeste. Cota no limite O apoio do governador do Rio, Sergio Cabral, pode não garantir para o advogado Rodrigo Lins e Silva a vaga da OAB no Superior Tribunal de Justiça. Após emplacar Luiz Fux no Supremo, Cabral esgotou sua cota. Lins e Silva é sócio da mulher Cabral numa banca de advocacia. Velhos moços, pobres moços Os septuagenários FHC e José Serra querem liderar a “renovação” do PSDB, enquanto jovens tucanos vencedores, como o senador Aécio Neves (MG) e o governador Beto Richa (PR), são alijados do processo. Mudança estratégica O chanceler Antônio Patriota fez uma mudança curricular importante no Instituto Rio Branco, que forma diplomatas: a disciplina “História da América do Sul”, antes eletiva, agora é obrigatória. Os diplomatas gostaram. E o

Jucá se reúne com líderes para negociar comissões no Senado

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDBRR), reunirá todos os líderes aliados na manhã desta terça (8), para cobrar as indicações a que cada partido tem direito nas comissões permanentes. Só após as indicações e as eleições dos presidentes e vice-presidentes, a Casa iniciará de fato os trabalhos legislativos. Caberá ao presidente de cada comissão definir os projetos prioritários para análise dos membros dos respectivos colegiados

camelôs do Rio. Caravana Os 61 assessores do ex-senador Efraim Moraes (DEM-PB) finalmente desocuparam as mesas, há dias, após o chefe não se reeleger. Antaq ignora decreto de Lula feito por Dilma A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) foi contra o decreto 6620/08, baixado pelo ex-presidente Lula para regulamentar o setor portuário, por isso faz vistas grossas à ação de grandes empresas para privatizar os portos “na marra”. Mas o decreto foi preparado pela Casa Civil da presidência da República, exatamente no período em que era chefiada pela então ministra Dilma Rousseff. Letra morta Como trabalhou contra o decreto de Lula, a Antaq tenta transformá-lo agora em letra morta, fechado os olhos à “privatização” na mão grande. Omissão malandra Diante da omissão da Antaq, a Federação dos Portuários recorreu ao Tribunal de Contas da União para fazer valer a legislação vigente. Apito e giz A Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, tem nova turma de 32 alunos oriundos de tribos do Norte, Nordeste e

Brasil sinaliza sua prioridade em política externa. Avião da alegria Quase 30 pessoas viajaram pela FAB ao Fórum Social Mundial, no Senegal, além do ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da presidência) e da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos). Hosnilalau A revista alemã Der Speigel revelou que o presidente do Egito, Hosni Mubarak vai se “exilar” numa clínica luxuosa perto de Baden Baden (teria câncer) – um artifício típico de nossos vigaristas tupiniquins. Prêmio internacional O site dilma13.com.br conquistou o prêmio Reed Awards de Melhor Website Internacional, conferido pela revista Campaigns & Elections, referência no setor. O site foi realizado pela empresa Pepper Interativa, de Brasília, em parceria com a Blue State Digital, dos EUA. Amigos, amigos A Infraero não investe em aeroportos, mas torrou mais de R$ 400 mil bancando dois livros: “O Príncipe dos Mares - Ta-mandaré”, e outro sobre Santos Dumont. O autor, Juca Fernandes, pode não ser um talento exuberante, mas é amigo da chefe de comunicação da Infraero.

PODER SEM PUDOR Efeitos especiais

* Os artigos de opinião assinados por colaboradores e/ou articulistas Eduardo Moura são deJosé responsabilidade exclusiva de seus autores

Redação e Circulação Rua Ivan Rodrigues Arraes, 295 - Coxipó Cuiabá - MT Cep: 78.085-055 Fone: (65) 3661-6612

Certa vez, o deputado estadual petista Sebastião Almeida elogiava o governo federal, há dias, pela entrega de ambulâncias em Guarulhos (SP), quando uma sirene disparou no plenário da Assembléia Legislativa paulista. – Juro que não é efeito sonoro do meu discurso – avisou ao microfone. Era um falso alarme de incêndio.


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Um Grande Homem 

o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades. Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil? Nós homens nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou muitas vezes caiamos por debilidade. uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo Um dia, minha irmã chorava em sua casa... Com muita saudade, mais esbelto? observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que tristeza. há em você, a verdadeira beleza… a do coração? Escutei-os conversando por horas, mas houve uma frase tão Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, especial que meu pai disse naquela tarde, que até o dia de hoje ainda deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade me recordo a cada manhã e que me enche de força. e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu Meu pai acariciou o rosto dela e disse: “Minha filha, apaixone-se esforço? por Um Grande Homem e nunca mais voltará a chorar”. Custou-me muito compreender que GRANDE HOMEM Perguntei-me tantas vezes, qual era a fórmula exata para não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, chegar a ser esse grande homem e não deixar-me vencer pelas coisas automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o pequenas... mais bonito. Com o passar dos anos, descobri que se tão somente todos Um grande homem é aquele ser humano nós homens lutássemos por ser grandes de espírito, transparente, que não se refugia atrás de cortinas de grandes de alma e grandes de coração, O mundo seria fumaça, é o que abre seu CORAÇÃO sem rejeitar completamente diferente! a realidade, é quem admira uma mulher por seus Aprendi que um Grande Homem... Não é “ Um grande homem alicerces morais e grandeza interior. aquele que compra tudo o que deseja, porque muié o que cai e tem suUm grande homem é o que cai e tem sufitos de nós compramos com presentes a afeição e o ficiente força para ciente força para levantar-se e seguir lutando... respeito daqueles que nos cercam. Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse Meu pai lhe dizia: levantar-se e seguir Grande Homem com quem se casou, não era nem o “Não se apaixone por um homem que só fale lutando...” mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se nem o mais rico ou o mais bonito. com você... Enamore-se de um homem que se inteEsse Grande Homem é simplesmente aquele resse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, que nunca a fez chorar… É QUEM NO LUGAR DE suas tristezas e que a ajude a superá-las. LÁGRIMAS LHE ROUBOU SORRISOS… Não creia nas palavras de um homem quando seus atos dizem Sorrisos por tudo que viveram e conquistaram juntos, pelos o oposto. triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos mundo melhor. . Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte 3 filhos que preenchem suas vidas. de energia... Esse Grande Homem ama tanto a minha irmã que daria o que Foge de um homem enfermo espiritual e emocionalmente, é fosse por ela sem pedir nada em troca... como um câncer matará tudo o que há em você (emocional, mental, Esse Grande Homem a quer pelo que ela é, por seu coração e física, social e economicamente) pelo que são quando estão juntos. “Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar Aprendamos a ser um desses Grandes Homens, para vivenciar seus sentimentos, que não queira lhe dar amor. os anos junto de uma Grande Mulher e NADA NEM NINGUÉM NOS Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer PODERÁ VENCER! sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais. Envio esta mensagem aos meus AMIGOS “HOMENS”, para Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adique lhes toque o coração e tratem de fazer crescer esse GRANDE hovinhar o que quer, porque não é capaz de se expressar abertamente. mem que vive dentro deles. Não se enamore de um homem que ao conhecê-lo, sua vida E às minhas amigas “mulheres” para que SAIBAM ESCOtenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para LHER ESSE GRANDE HOMEM QUE DEUS TEM PARA ELAS desfrutar”. Não se apaixone por um homem que demonstre frieza, insensibilidade, falta de atenção com você, corra léguas dele. Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infânArnaldo Jabor cia e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando Por: Arnaldo Jabor

Profissionalizar ou não profissionalizar, eis a questão 

fundadores de abandonarem o velho estilo de gestão que os sustentou ao longo do tempo. Algumas medidas simples podem ajudar a evitar este tipo de No momento em que o Brasil se torna um dos destinos preferi- cenário. Considerando especificamente as empresas de gestão famidos dos investidores estrangeiros, em especial o segmento de médias liar, planejar a sucessão com antecedência, criar um conselho com empresas, mais do que nunca, o dilema da profissionalização aparece integrantes externos e definir, inclusive, um ‘acordo de família’ são com muita força. O investidor busca essencialmente empresas que pontos que podem garantir a sobrevivência da companhia. tenham um bom potencial de crescimento e que Por outro lado, há uma série de exemplos de estejam em setores importantes da economia. O empresas familiares que souberam profissionalizar nível de transparência e as boas praticas de gestão a companhia e adotaram boas práticas corporativas. corporativas também são levados em consideração “A história mostra uma Entre elas, podemos citar cases como Pão de Açúna hora de investir, já que, geralmente, o invescar, Odebrecht, Camargo Correa e Gerdau. Assim série de exemplos de tidor estrangeiro é avesso a risco. Adotar boas como o grupo de empresas citado anteriormente, empresas familiares de todas também são familiares, porém cresceram e práticas está diretamente ligado à capacidade de crescimento sustentado e à própria perenidade do prosperaram basicamente modernizando os seus médio porte que não negócio. Ou seja, é uma questão de sobrevivência e permanecendo atualizadas por meio da adotaram boas práticas processos e crescimento. adoção de boas práticas de gestão corporativas. de gestão” Principalmente em empresas familiares, A probabilidade de uma empresa de porte a necessidade de profissionalização de gestão médio crescer, se desenvolver e perenizar sem é evidente. Estima-se que apenas 15% das ema adoção de praticas de gestão é extremamente presas familiares sobrevivem à terceira geração. baixa. Ainda mais com a globalização, a ascensão Na maioria dos casos, o desaparecimento está chinesa e a informatização da receita federal - que ligado diretamente a conflitos entre os familiares e a ausência de impede qualquer tipo de alteração de dados fiscais -, o crescimento de uma profissionalização da gestão. A história mostra uma série de uma companhia, a atratividade para possíveis investidores e o ganho exemplos de empresas familiares de médio porte que não adotaram de competitividade estão diretamente ligados à gestão. E, para ser boas práticas de gestão - ou não sofreram um processo de profissio- eficiente, a gestão precisa ser profissional. nalização - e acabaram desaparecendo mesmo antes de se tornarem realmente grandes. Há exemplos de empresas familiares dos mais diversos segmentos que não conseguirem crescer o suficiente e nem ao menos sobreviver ao longo do tempo. Rede Zacharias, Casa Jose Silva, BRA, G Aronson, Arapuã, Casa Albano, Casa Pekelman são alguns Miguel Abdo é diretor da Naxentia, graduado em engenharia mecânica, casos bem conhecidos. Apesar da particularidade de cada um, pode- possui especialização em General Management (Kellogg University), MBA mos afirmar que todas estas empresas sucumbiram principalmente pela Ibmec e extensão em Marketing na ESPM. por falta de gestão adequada e também pela incapacidade de seus Por: Miguel Abdo

A biruta doida e a bússola 

no azul e amarelo, o preto e vermelho com verde, tucano eu misturo com estrela, com árvores, com peixinho, e o meu samba vai sair assim... Os opostos se atraem. Cansou desses? Pegue outros. Que tal alguns da tevê, misturados De que lado vem, e vai, vem vindo, o vento? Do Sudeste, uma boa com “criadores geniais” de propagandas e ações de marketing, mais dois lambida e o dedinho indicador para cima, voltadinho para o vento, tenta ou três jornalistas e promotores focados em “celebridades”, que agora tudo identificar, procurar o Norte. Ou melhor será o Sul? A luz se apagou no mudou de nome. Se bobear, vai ver um bando de bonequinhos vestidos Nordeste, mas isso talvez ilumine uma verdade. No Centro-Oeste, o abrigo de frango, se dirigindo a uns fornos, indo assar; e ainda com gente que de soluções, com maracutaias e segredos, lado a lado dos profetas de templos paga para ver isso. BBBestas. Se for domingo, perigas brincar de disputar futuristas. Mais parece uma biruta. audiência com duas loiras, uma comprida, outra curta, Biruta, sim. Aquele negocinho com a forma de um ex-gordinho que mantém o nome aumentado, um um coador de café, que indica o vento. Biruta que virou Piu-Piu que trocou de casa, um ex-infeliz proprietário palavra-emoção e serve também para definir como acade um banco, abençoado por Deus em suas dívidas. “Cansou desses? Pegue bamos chacoalhados por tanta informação circulando e Não tenta melhorar o jogo, misturando peças outros. Que tal alguns tão pouco tempo para processá-la. Saudade daqueles gafinas. Vai ter de sair caçando pela casa os dez gatoslos do tempo, em cima dos telhados. Girando, girando. da tevê, misturados com pingados que já estão quase roucos de alertar para a Davam um ar rural, como quando ainda conseguíamos mesmice e falta de valor, contra a estupidez humana, e “criadores geniais” de ouvir os sinos das igrejas, as badaladas precisas. Badacontra essa irresistível mania de políticos e governantes ladas também é palavra, mas palavra-ação. E tem sido propagandas e ações de acharem que, como eu mesma já disse outro dia, somos bem usada, ou melhor, puxada, em sacos. marketing, mais dois ou todos otários. Nariz para cima, sentidos aguçados, farejamos há Casa de Alice, Castelo de Barbie, que três jornalistas e promo- consigaNão o ar em busca de respostas, de perguntas, inspirações, traduzir certas semanas, tipo mais essa que ideias que não tenham ainda sido usadas. Ou aproveitores focados em “cele- passou. O setor energético foi rifado e interrompido. tamos a posição para lançar o esperançoso olhar para Palhaço bota banca de educador. Palavras ao vento o céu de todas as religiões. Alguém estará lá no infinito bridades”, que agora tudo abrem sessões, que votam pelos mesmos comandantes. olhando mesmo tudo isso? mudou de nome”. Quem pintou a cara, cara a cara, sorri. Quem desceu a Se a gente desenhar, é capaz de ser acusado de rampa, enxotado, se impõe. Ex-mulher faz ex-marido plágio da realidade pelos bonequinhos animados que silenciar, diante da platéia. Senador e deputado marcam estão de plantão no playground do Condomínio Brasil. encontro em ringue. Para brincar. Eu sei quantos quilos Agora, sob nova direção. Dizem que a síndica é linha-dura. Pegue-os todos, a presidente engordou e o nome de sua costureira. O preso italiano virou escolha os bonequinhos que você acompanha até porque não tem outro jeito, osso, disputado raivosamente por vários coiotes. Os outros, presos, formam e leve para sua imaginação, vendo-os como peças de uma massa só. Fora as múmias. Inclusive as lá do Egito. Que mais? PlayMobil. Pegou seu punhado deles? Agora sente no chão, espalhe-os como Lambo a ponta do indicador, que levanto novamente em busca de fazia quando era criança. Ah! Olha! Soltou o bigodinho de três deles e uma saber a direção do vento. Quero voltar-me para esta direção, tentando largar toguinha! Reponha no lugar para não perder nenhum detalhe. Pode trocar o corpo para ir sendo levada, espero que suavemente, e em busca do que a peruca acaju pela negraasasdagraúna daquele ali que está fazendo um imagino ousar se aproximar das barreiras. esforço danado, um sacrifício pessoal por você, para continuar em cena. Mandando até na luz. Procuro a direção. Mas cada vez que me mexo, a danada da bússola Arrume-os ou jogue-os de novo - mesmo só que mentalmente, é mexe-se também. uma delícia esse pequeno exercício vingativo. Repare que é melhor do que E eu fico biruta. embaralhar cartas. Onde quer que eles caiam, esses espertos bonequinhos encontram seus pares, combinam entre si, negociam termos, formam trincas, Marli Gonçalves é jornalista. Adora se perder. Adora se achar. E ser achaquadras, quadrilhas e quinas. As roupinhas de cores partidárias também da. Aliás, é bom você começar a andar com lupa também. Ajuda a enxergar são trocáveis. Cada um desfila na escola de samba do outro. O vermelho, as letras pequenininhas. Por: Marli Gonçalves

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Qual vacas para touro 

Por: Percival Puggina

É muito provável que o leitor desconheça o fato relatado na edição de Zero Hora do dia 2 deste mês, em artigo com o título “Mamãe, passei em Medicina”. O autor, professor de matemática e engenheiro pelo ITA foi protagonista da experiência que conta. Chama-se Daniel Lavouras e submeteu-se às provas do ENEM deste ano, sendo qualificado para ingresso no prestigiado e disputado curso de Medicina da Faculdade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Até aí nada de mais. Afinal, supõe-se que um professor de matemática, engenheiro aeronáutico, seja uma pessoa com preparação escolar e conhecimentos bem superior à media dos concorrentes. Acontece que ele se confessa, no artigo, absolutamente ignorante nos principais conteúdos com relevo para um curso de Medicina. Transcrevo-o: “Nunca entendi a mitose e a meiose. Não sei a diferença entre eucariontes e procariontes, Darwin, Mendel e seus amigos não me são próximos. Tudo que sei de cromossomos e DNA é o que leio em jornais e revistas. (...) ‘Chutei’ com precisão? Não, ao contrário, errei praticamente todas as questões de Ciências Biológicas. Ah, em compensação eu tive o extremo mérito de entender que a foto de um jogador parado fora da quadra com uma bola de vôlei significa que ele vai sacar e também percebi a foto do Mr. Bean no quadro da Mona Lisa. É sim, eu acertei estas! (e para todos que ainda não conhecem a prova do Enem, fica o convite para que o façam, visitem o site do Inep). O professor não vai cursar “Não sei a diferença Medicina, claro. Sua experiência entre eucariontes e bradam contra o e o que escreveu absurdo de um exame vestibular procariontes, Danacional que não alhos rwin, Mendel e seus distingue de bugalhos. E tampouco distingue o curso de amigos não me são Economia do de Artes Cênicas, o curso de próximos. Tudo que ou Publicidade do de Engenharia de Minas. E as- sei de cromossomos e sim, alguém que erra quase todas as questões de Ciências Bioló- DNA é o que leio em gicas habilita-se a cursar uma das jornais e revistas”. melhores faculdades de Medicina do país. O ENEM não é apenas um recordista em trapalhadas de grande porte. Ele é um mal em si mesmo. E é, também, sintoma específico, no campo da Educação, de dois males genéricos que afetam o Brasil: o centralismo e a ruptura com os fundamentos do sistema federativo. Estamos sendo cozinhados como sapos, pelo gradual aquecimento da água da panela, num modelo que privilegia, em tudo e para tudo, aquilo que é nacional e federal. Adotamos, cada vez mais, sistemas centralizados. Brasília deixou de ser tão-somente a capital do país. Ela se tornou a única cabeça pensante, o caixa único, a sede dos sistemas únicos e o ponto de convergência, pela via fiscal, de 23% do nosso PIB. Tamanha concentração de poder e dinheiro transformou a antiga cidade dos candangos no município brasileiro com mais alto Índice de Desenvolvimento Humano. E para ali convergem prerrogativas que aviltam a Federação, transformando estados e municípios, ora em pedintes, ora em agraciados com as migalhas que caem de sua mesa. Pois o ENEM é filho desse sistema. Nasceu portador do defeito genético que herdou do papai, o enganoso federalismo brasileiro, no qual a União, cada vez mais, vai dispondo sobre tudo e sobre todos, absorvendo as autonomias ainda residuais na nossa vida social. Um exame de ingresso nos cursos de terceiro grau, com extensão nacional, é um devaneio autoritário, uma coisa de porte descomunal, monstruosa no aspecto e, por óbvio, descomedido na dimensão de seus erros. É desanimadora, contudo, a bovina docilidade com que instituições de ensino superior, de tanta importância na formação da inteligência nacional, se entregam a esse sistema qual vacas para touro. Cedem autonomia e aceitam sua própria degradação. Em troca de um prato de lentilhas. Lentilhas federais, claro. Percival Puggina é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

Problemas, Problemas e mais Problemas 

Por: Paulo Araújo

Meu primeiro chefe costumava dizer que os dias ficam mais cinzentos quando estamos cheios de problemas. Mas afinal o que é um problema? E todo problema é ruim? Na vida e na carreira não tem como fugir dos problemas. Eles estão por toda a parte, perseguindo e até mesmo o fato de não ter um problema, posso garantir que já é um problema. Nossa relação com os problemas começam cedo. Quando crianças temos problemas demais em montar brinquedos difíceis ou em conseguir comida na hora da fome. Depois chega a vida escolar e começamos a ter problemas com notas, provas, lições esquecidas, bagunça na sala e descobrimos que matemática se aprende como? Resolvendo problemas! Mas é injusto culpar os problemas por todas as mazelas e como é praticamente impossível livrar-se deles melhor é tentar conviver e a aprender com os fatos problemáticos da nossa vida. A primeira coisa a fazer e assim mudar sua perspectiva é separar os problemas em duas categorias: 1. Problemas que não agregam valor, e; 2. Problemas que agregam valor. Simples assim! Os problemas que não agregam valor são aqueles que de uma forma ou outra poderiam ser evitados. O carro quebrou? Pergunte: a revisão estava em dia? A apresentação com o cliente foi péssima? Pergunte: Eu estava preparado? Eu tenho certeza que para a maioria dos problemas que não agregam valor um dos “A empresa acer- motivos para ter acontecido em 99% das vezes tar em cheio no é sempre o mesmo: falta de tempo. E fallançamento de um ta de tempo está relacionado diretamente com o que você consi- produto e se as ven- dera prioritário na sua vida. Para reduzir drasticadas superarem as mente os problemas que não agregam valor expectativas é muito você precisa rever suas prioridamelhor do que não des de vida e não querer ter tudo mesmo temvender nada e ficar ao po. Problemas que não agregam valor só geram com todo o estoque p a s s i v o s , n o s fazem perder dinheiro e tempo, encalhado” resultando tudo isso em mais... Isso mesmo: problemas! Os problemas que agregam valor são aqueles que surgem devido a ações que o levam a um círculo virtuoso. Estudar muito e falar inglês fluentemente leva a novas propostas de emprego. Trocar de emprego é um problema? Sim, mas neste caso um problema bom. A empresa acertar em cheio no lançamento de um produto e se as vendas superarem as expectativas é muito melhor do que não vender nada e ficar com todo o estoque encalhado. Problemas que agregam valor têm como característica trazer satisfação a quem os criou, seja ela profissional, pessoal, espiritual ou financeira. Esse tipo de problema traz novos desafios, aprendizado, mas cuidado para não transformar um problema que agrega valor em um que não agrega valor. O problema maior dos problemas é que as pessoas enxergam todos como pesos, dificuldades e não separam os que agregam dos que não agregam valor e assim por preguiça, falta de tempo, visão e foco passam a vida resolvendo em grande parte só os problemas que não agregam valor. E isso cansa demais! Classifique já os problemas da sua vida e perceba para quais deles você deve demandar mais tempo e esforço em suas soluções, priorize e prepara-se para criar mais problemas que agregam do que não agregam. E simples assim, complicando o mínimo possível seus dias cinzentos que passarão a ser mais ensolarados com um belo céu azul. Isso é um problema? Só para quem não gosta da cor azul ou vive acinzentando a própria vida. Paulo Araújo é especialista em Inteligência em Vendas e Motivação de Talentos. Diretor da Clientar - www.pauloaraujo.com.br. Twitter - @ pauloaraujo07


Correio da

04 - Cuiabá, 08 a 14 de fevereiro de 2011

E conomia

O mundo pede comida Demanda mundial vai ampliar vendas de carne e grãos nos próximos dez anos

Da Assessoria

A forte demanda mundial por alimentos vai turbinar a posição brasileira no mercado internacional na próxima década. A previsão é que a participação do País nas exportações mundiais de grãos e carnes cresça, pelo menos, 7 pontos porcentuais até 2020. Em contrapartida, a fatia de alguns produtos de maior valor agregado, como o farelo de soja e o óleo de soja, sofrerá uma redução no período, em torno de 3 pontos porcentuais. As exportações desses produtos continuarão a crescer, mas em ritmo menor que o dos concorrentes, afirma o coordenador de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, José Gasques. Estudo preliminar do governo mostra que, no caso do farelo de soja, a participação

do Brasil no mercado internacional vai encolher de 22% para 19,5% até 2020; e a de óleo de soja, de 21% para 18%. “Vamos perder participação nesse mercado por causa da concorrência de países como Argentina e Estados Unidos”, diz Gasques. Na avaliação dos produtores, essa redução decorre de uma série de fatores. Um deles é que todos os países querem importar grãos para beneficiarem e agregarem valor ao produto. Assim geram mais investimentos e empregos. Do outro lado, há a necessidade de uma política pública que incentive a exportação, como a redução de impostos, afirma o secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho. Ele explica que a exportação do grão é isenta de ICMS.

Mas, no caso do farelo e do óleo, se o produto for industrializado em Estado diferente do local de produção, há tributação no deslocamento. “Nosso desejo é vender mais farelo e óleo ao exterior. Para isso, o País tem de eliminar esse viés antiexportador.” De acordo com dados da Abiove, entre 2000 e 2010, o volume de exportação de farelo e óleo de soja cresceu 50%, enquanto o de soja em grão teve salto três vezes maior, de 153%. Esse ritmo deve continuar nos próximos anos. Até 2020, o Ministério da Agricultura projeta que a participação da soja em grãos no mercado mundial suba de 30% para 37%. Carnes O destaque, no entanto, ficará com o avanço das exportações de carne, diz Gasques. Até o fim da década, a fatia de mercado da carne de

Mesmo com alta no preço, consumo de carne bovina no Brasil cresce em 2010 O consumo de carne bovina per capta no Brasil atingiu 37,5 quilos em 2010. Isto representa uma alta de 5,1% em relação a 2009. O crescimento se dá mesmo com a elevação dos preços em 38,7% no varejo, e 32,9% para o consumidor. O levantamento é do consultor Carlos Cogo. Segundo ele, o aumento da demanda das classes C e D impulsionaram o

s

consumo. – A classe C já vinha registrando um nível de consumo bem satisfatório, e a classe D também migrou para o consumo de proteínas animais. Este é o primeiro fator, nem tanto pelo preço, que está em níveis elevados e vamos até ter uma pressão de custos sobre as carnes em geral. Mas não devemos ter uma redução do nível de consumo per

capta. Devemos sim ter um crescimento novamente – avalia. Cogo informa que, somando-se as carnes de frango, bovina e suína, o consumo per capta chegou a 98,5 quilos, contra 97 quilos em 2009. A tendência é de aumento de 1,5% para 2011. O consultor acredita em uma estabilidade na carne bovina e alta de 900 gramas na de frango

frango brasileira saltará de 42% para 48%; e a de carne bovina, de 25% para 32%. Nesse caso, o maior aumento deverá ocorrer também em frango in natura, que é mais barata que a industrializada, completa o coordenador do Ministério da Agricultura. Detalhe: o preço médio da carne in natura é de US$ 1,673 a tonelada e a industrializada, US$ 2,755 a tonelada. Para Gasques, embora a expectativa de crescimento da exportação dos produtos de maior valor agregado seja menor que a de matéria-prima, o Brasil terá ganhos significativos no agronegócio. Um deles é a diversificação dos produtos vendidos. “Antes era só café, açúcar e soja. Agora temos o avanço das carnes, sucos, leite, milho e frutas.” No futuro, a lista de mercados liderados pelo Brasil pode incluir

produtos como algodão, celulose, frango e etanol. O líder global para o segmento de agronegócio da consultoria Accenture, Eduardo Barros, está convicto que o País tem plena condição para conquistar novos mercados no exterior. Ele lembra que nos últimos oito anos a participação do Brasil no mercado internacional quase dobrou para 7% de toda produção disponível. “Esse número continuará em alta, especialmente porque a previsão é que a produção nacional cresça algo em torno de 40% nos próximos dez anos, enquanto nos Estados Unidos o avanço ficará entre 10% e 15%.” Parte do aumento da produção ficará no mercado interno, cujo consumo também apresentará forte crescimento, por causa da melhora da renda da população.

Marketing e acordos. Barros pondera, entretanto, que o governo brasileiro precisa reforçar o marketing de seus produtos no exterior, a exemplo do que fez a Colômbia com o café. Na avaliação dele, isso faz uma grande diferença e facilita o aumento das exportações de novos produtos. A superintendente técnica da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos, adiciona outro ingrediente necessário à expansão da participação brasileira no mercado global: os acordos bilaterais com outros países e blocos econômicos para reduzir ou eliminar tarifas de importação. Para ela, a liderança do País no agronegócio depende muito dessas negociações, especialmente com a União Europeia. “Esse é um mercado extremamente importante para o Brasil.”

O gigante mercado chinês aumenta em 67% compra de carne de Mato Grosso A China registrou um aumento de 67% na compra de carne mato-grossense em dezembro na comparação com novembro do ano passado. Já a venda para do produto para União Europeia apresentou um incremento de 4%. Apesar do aumento de carne embarcada para estes destinos, o maior volume de exportações

ainda é direcionado ao Oriente Médio e a Rússia. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), estes destinos são responsáveis por 46% do volume total das exportações de carne do Estado. Os embarques em dezembro do ano passado registraram uma variação positiva de 6% em relação ao mesmo

período do ano anterior, obtendo assim um acumulado de aproximadamente 19 mil toneladas equivalente carcaça. “Esse incremento no volume de exportação é um reflexo da melhor na demanda internacional, que vem aceitando níveis de preço cada vez mais elevados”, aponta o boletim semanal do Imea.

anidade

Mato Grosso do Sul recebe status internacional de zona livre de aftosa Desde 2005, quando foi detectado um foco da doença numa propriedade rural do município de Japorã, na fronteira com o Paraguai, parte do estado foi classificada como zona de alta vigilância. Com a medida, informada pela OIE à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, 13 municípios da fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia – como Japorã, Corumbá e Ponta Porã – passam a ter o status de livre de aftosa com vacinação. O governo brasileiro já tinha concedido essa classificação à região desde 2008, mas o anúncio de hoje tem reconhecimento internacional. A área reconhecida pela

OIE tem uma criação de 800 mil bovinos e búfalos, em cerca de 5,9 mil propriedades rurais. Segundo o Ministério da Agricultura, para conceder o novo status, a organização internacional considerou o trabalho dos fiscais agropecuários, o sistema de identificação dos animais, o controle de vacinação e a presença de postos de fiscalização. O único estado brasileiro reconhecido como livre de aftosa sem vacinação é Santa Catarina. Além de Mato Grosso do Sul, mais 15 têm o status de livre da doença com vacinação, enquanto 11 não têm o reconhecimento ou o status foi dado apenas para parte do estado, como o Pará e o Amazonas.


da Semana

t

Cuiabá, 08 a 14 de fevereiro de 2011 - 05

urismo e cultura

Pedro Vasconcelos no Palácio da Instrução Para quem gosta do universo musical por onde transita o cavaquinho ou tem a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre este instrumento, hoje quarta-feira (09/02) a Secretaria de Estado de Cultura realiza por meio do Pavilhão das Artes em parceria com o baixista Ebinho Cardoso o primeiro Workshow do ano com o músico Pedro Vasconcelos. A apresentação começa às 19 horas, no Pavilhão das Artes, que fica localizado no Palácio da Instrução, Praça da República, no Centro de Cuiabá. O curso é gratuito. O Workshow tem como proposta estender aos músicos de Cuiabá e do Estado uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o cavaquinho, além de uma aula show com um instrumentista genial como Pedro Vasconcelos. A aula é gratuita e terá certificado no fim do workshow. Pedro Vasconcelos (28 anos) é destaque no cavaquinho. Com 10 anos de carreira, ele tem acompanhado vários nomes da MPB em rodas de

samba e choro. Além disso, revela-se talentoso compositor e solista percorrendo pelo choro, valsa e baladas de jazz. Pertencente a uma família de músicos, Pedro Vasconcelos tem habilidades com vários instrumentos, como piano e violão. Mas foi o cavaquinho que despertou no compositor e interprete a intenção de ampliar o espectro sonoro possível ao instrumento. Vasconcelos já participou de diversas gravações com grandes músicos e amigos. Entre eles André Vasconcelos do Observatório; Aquatro da Toca Luperce Miranda e Aquário do Disco Primeiro. Além de alguns grupos musicais com os quais o cavaquinista trabalhou, como Dois de Ouro, Jorge Cardoso, e outros artistas da música brasileira. O compositor explica como define a música. “Atualmente sou incapaz de definir o que é e o que não é a influência num trabalho musical. Experiências, histórias,sentimentos, ideias e coisas... tudo pode ser inspiração e transpiração para

música”. O público presente ao evento poderá presenciar os principais trabalhos do compositor. Um deles é a música instrumental Aquário que foi idealizada a partir da necessidade de atuar como solista, compositor e arranjador e explorar novas possibilidades sonoras com o cavaquinho. Outro trabalho em atividade de Vasconcelos é o Choro e Cia que conta com um quarteto de musicista. Fechando suas atuais atividades, estão o Aquatro, que é um regional de choro e Pedro Vasconcelos com Ricardo Nakamura, cavaquinho e piano juntos. O curso é gratuito e com certificado no fim. O quê: Workshow com Pedro Vasconcelos (Cavaquista) Quando: 9 de fevereiro de 2011 Horário: 19 horas Onde: Pavilhão das Artes, localizado no Palácio da Instrução, na Praça da República, Centro - Cuiabá/MT Informações: (65) 3613 9230 / 9982 8436

CINE TEATRO CUIABÁ

Cine Teatro Cuiabá divulga agenda de fevereiro Dois espetáculos e uma oficina já estão confirmados para a programação de fevereiro. Quem abre a agenda de espetáculos da casa é a peça “Sinais...”, da Cia Cena Onze de Teatro. A encenação aconteceu no dia 04 de fevereiro, sexta-feira, às 20h, e teve entrada gratuita. Logo depois, às 21h, o grupo fez o lançamento do livro “Cena Onze 20 Anos,

Memórias Cênicas”, na sede da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Nos dias 12 e 13, a Temporada Gazeta de Teatro 2011 traz ao palco o divertidíssimo “Dezimprovisa”, da Cia de Humor Deznecessários. Baseado nos jogos de improviso, o espetáculo tem interação direta com o público e, segundo a

Cia, tem repercutido de forma positiva com casas lotadas e grande número de acessos aos vídeos na internet. O espetáculo faz duas apresentações, uma no sábado (12.02), às 21h, e outra no domingo (13.02), às 19h. A venda de ingressos será no piso térreo do Shopping Três Américas e nos dias de espetáculo na bilheteria do CTC.

Já a partir do dia 15, quem conduz o ritmo da casa é a “Oficina Samba no Pé”, mais uma ação da “Série Movimentos”, realizada pela parceria entre a Cia Rodinei Barbosa de Dança, Cine Teatro Cuiabá e o Instituto Matogrossense de Desenvolvimento Humano (IMTDH). A oficina acontece de 15 a 19 de fevereiro, das 19h às 20h, e, segundo o professor

Rodinei Barbosa, trará o samba com passos de miudinho, trança, tesoura e outros. As inscrições iniciam dia 09 de fevereiro, das 14h às 18h, no CTC. O investimento é de 100 reais o casal ou 60 reais individual. Para os interessados, o Edital de Seleção de Propostas para a Ocupação do Espaço Cênico 2011 permanece aberto

até se esgotarem as datas deste ano. Segundo a diretora artística da casa, Paula Naves, mais da metade das datas já estão fechadas ou já receberam pedidos. “Temos espetáculos já confirmados em todos os meses, algumas oficinas já agendadas e propostas para serem analisadas, mas o edital permanece aberto até que acabem as datas”, afirma


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CORREIO DA SEMANA

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s aÚde

infecção hospitalar Hospital de Cáceres promove capacitação sobre prevenção à infecção hospitalar

O Hospital Regional Irmã Elza Giovanella, de Cáceres, unidade desconcentrada da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), realizou uma capacitação sob o tema “A importância da prevenção e cuidados hospitalares”, no auditório da unidade, a fim estender ao corpo técnico informações sobre a infecção hospitalar. Segundo o diretor do hospital, Jonas Alves Ribeiro, mais de cem pessoas, dentre médicos e corpo técnico do Hospital Irmã Elza Giovanella, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais do sistema de saúde da comunidade cacerense participaram. A capacitação foi ministrada pelo médico infectologista Hugo Noal, do Hospital Regional de Sorriso. “Foram abordados desde os temas básicos aos mais complexos”, lembrou Noal. “Falamos sobre a lavagem das mãos entre os profissionais de saúde, antes e após o atendimento aos pacientes, atualizações sobre o uso de antibióticos, manejo de pacientes para o ato cirúrgico, atendimento a pacientes em estado grave, atendimento a pacientes na UTI, a crianças e pacientes imunodeprimidos e outros temas pertinentes”. O Infectologista disse que recomendações do Ministério da Saúde (MS), repassadas pela SES/MT, indicam que a infecção hospitalar costuma acometer

pacientes imunodeprimidos, especialmente os que se encontram nas unidades de terapia intensiva. É importante enfatizar que os pacientes de UTI também apresentam várias portas de entrada para infecções, tais como sonda vesical de demora, cateter venoso central, tubo orotraqueal, cânula de traqueostomia e, às vezes, feridas de decúbito (muito tempo deitado numa mesma posição), facilitando muito a infecção por bactérias multirresistentes. A transmissão ocorre pelo contato com secreções ou excreção de pacientes infectados, por meio das mãos não lavadas do profissional de saúde e seus instrumentos de trabalho, como o es-

tetoscópio; que são, por exemplo, os principais meios de transmissão de um paciente para outro. As recomendações do Ministério da Saúde também listam várias medidas preventivas para se evitar a ocorrência de infecção hospitalar: lavagem das mãos sempre antes e depois de manipular um paciente, precauções de contato nos pacientes com infecção, precauções de contato nos pacientes com forte suspeita clínica de infecção hospitalar, identificação precoce do paciente com infecção mediante a realização de culturas de vigilância. Também foram listadas pelo MS precauções de contato e o perigo das bactérias multirresis-

Filhos de mães que trabalham têm mais chances de engordarem O aumento da obesidade infantil é uma questão preocupante. E, de acordo com uma pesquisa americana, crianças entre 11 e 12 anos cujas mães trabalham fora apresentam seis vezes mais chances de ficar acima do peso. Cientistas da Universidade de Cornell, Universidade de Chicago e da Universidade Americana em Washington, analisaram 990 pequenos entre 8 e 12 anos e levaram em conta as horas gastas assistindo à TV e a quantidade de exercícios. Compararam ainda o horário que suas mães trabalham. A equipe constatou que, em média, os que permanecem sem as mães ao longo do dia (meio período ou período integral) tendem a apresentar até 800g a mais em comparação com os que contam com sua

companhia em casa. O efeito aumenta com a idade e, entre 11 e 12 anos, chega a quase 1,5 kg em excesso. O ganho de peso não parece ser causado por sedentarismo. As horas em frente à TV e se exercitando são semelhantes nos dois grupos. O problema seria ficar sozinho sem supervisão e comer coisas gordurosas e calóricas, além de pular refeições. Se já está se sentindo culpada, calma! A cientista Taryn Morrissey disse ao jornal Daily Mail que as mães trabalhadoras não podem ser responsabilizadas pela crescente crise de obesidade. O emprego materno é apenas um dos fatores relacionados ao assunto, mas, na verdade, lança luz ao verdadeiro culpado: o desequilíbrio nutricional.

tentes, implementar a adesão dos profissionais de saúde à higienização das mãos, reforçar os cuidados com limpeza e desinfecção de superfícies,mobiliários e artigos que entram em contato com o paciente, restringir visitas e/ou, caso ocorram, orientar os visitantes à utilização das precauções de contato para evitar a disseminação do microrganismo e enfatizar o uso racional de antimicrobiano pelos médicos. Com essas informações acreditamos que os profissionais de saúde poderão estar mais bem equipados para a prevenção de Infecções Hospitalares nos estabelecimentos de saúde da região.

Gravidez: tire suas dúvidas com os polivitamínicos Antes mesmo do teste positivo, você já precisa da sua dose de comprimidos. O ácido fólico é tão importante que a suplementação deve ser feita já quando você planeja engravidar e, depois, até o terceiro mês de gestação, para diminuir o risco de malformação do sistema

E

nervoso da criança. Além disso, diminui enjoos, náuseas e vômitos e restringe a incidência de partos prematuros. Depois do terceiro mês, vêm os suplementos chamados polivitamínicos, porque trazem mais de uma delas. Servem para suprir carências da alimentação da mãe e promover um bom

desenvolvimento do bebê, evitando problemas como icterícia, lesões das mucosas oral e retal e malformações. Claro que não é desculpa para abrir mão de uma alimentação saudável, mas algumas vitaminas são mais eficientes se ingeridas por suplemento. Por isso, não esqueça suas pílulas.

duCaÇÃo

Seduc recebe até dia 25 as inscrições do Programa Brasil Alfabetizado 2011

Permanece aberto até 25 de fevereiro o período para que os municípios mato-grossenses façam adesão ao Programa Brasil Alfabetizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). O objetivo é formar turmas para ofertar o curso de alfabetização inicial para milhares de jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de estudar no período regular. O Programa Brasil Alfabetizado - iniciado em 2003/2004 em Mato Grosso alfabetizou até 2009 cerca de 80 mil pessoas. Segundo o censo escolar, a demanda de analfabetos ainda é de 120 mil pessoas no Estado. Para este ano, a meta

da coordenação estadual é alfabetizar, junto aos municípios, 11.200 pessoas acima de 15 anos. Os municípios devem formar turmas com 10 a 25 estudantes na zona rural, e 15 a 25 na zona urbana, ter um alfabetizador e um coordenador, que trabalharão num período de oito meses. Após esse período, que corresponde a 320 horas/aula (10 horas semanais), os alunos estarão aptos a continuar os estudos nas escolas que ofertam a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Segundo o coordenador do Programa na Seduc Alan de Souza Mantilha, os alunos têm

a liberdade de ingressar diretamente no primeiro segmento de EJA, porém se sentem mais á vontade para trabalhar em turmas menores e com público mais homogêneo, na faixa de 45 a 60, que é um dos diferenciais do Programa. FoRMação O Programa garante formação inicial e continuada durante os oito meses do curso. Vale ressaltar aos alfabetizadores (professores efetivos da rede ou pessoas com o ensino médio completo), bem como aos coordenadores de turmas, que a formação inicial está prevista para o início de março.

assistência técnica especializada em toda linha de automóveis nacionais e importados Rua Paraguaçú, 120 - Bairro Pico do Amor Cuiabá -MT - Tel. (65) 3627-3717

As inscrições ao Programa deverão ser realizadas na coordenação de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação com os técnicos responsáveis pelo programa em Cuiabá. Nos demais municípios, a Secretaria Municipal de Educação ou Assessoria Pedagógica podem oferecer outras informações. As prefeituras interessadas devem procurar os técnicos responsáveis, Alan Mantilha, Márcio Damazio, Lucila Martins e Elaine Cardoso. Telefones para contato: (65) 3613-6325 e 0800 6476325 ou pelo endereço eletrônico alan.mantilha@ seduc.mt.gov.br

Faça intercâmbio sem sair de casa Que tal ter a experiência de intercambista sem passar pelas dificuldades de ter que se virar em um país estranho e morrer de saudades do feijão da mamãe? Pode parecer improvável, mas é possível fazer intercâmbio no conforto da sua casa e vivenciar o mesmo choque cultural que um viajante em terras distantes. Nos programas de host, você recebe um estrangeiro em sua cidade, convive durante meses com outra cultura e de quebra ainda consegue aprimorar, ou aprender, um novo idioma. A porto-alegrense Graziela Oliveira, 23 anos, já teve a oportunidade de emprestar uma cama de sua casa para um colombiano e uma nicaraguense. Para ela, a vivência de 6 meses resultou em garantia de férias nas ilhas caribenhas. “Foram seis meses de companheirismo, aprendizagem e sangue latino. Além de praticar a língua espanhola, tive contato com as comidas típicas de cada país, as vestimentas, bebidas, costumes e, com certeza garanti umas férias nas ilhas caribenhas. O que mais me marcou foi sentir o que é diversidade cultural de verdade”, conta a estudante de química da UFRGS. O programa pode ser feito em parceria com qualquer agência de turismo e intercâmbio, basta se associar e

preencher uma ficha com seu tipo de interesse. Você inclusive pode definir se recebe somente um intercambista por vez ou mais, qual o máximo de tempo que o viajante pode ficar na sua casa e se tem que pagar ou não pela estadia. Matheus Collovini, Diretor da gestão de informação da Aiesec, explica a diferença entre o host voluntário e o pago: Paulo Tiago Sulino, 27 anos, morador de São Paulo, já recebeu mais de 60 intercambistas em sua casa. O paulista utiliza a rede social CauchSurfing, que liga pessoas de todo o mundo interessadas em achar uma casa para ficar no país de destino. Quase um perito em ser host, Paulo recomenda a experiência para todas as pessoas e destaca o interesse dos viajantes no Brasil como a parte mais prazerosa: “Quando temos um guest em nossas casas, geralmente eles estão muito mais ávidos em aprender sobre nossa cultura do que nós sobre as deles, é meio inevitável. E é muito legal ver uma pessoa interessada em seu país. Mas é uma grande troca e nós sempre aprendemos muitas coisas legais, desde expressões na língua da pessoa até costumes, comidas e mesmo crenças nacionais e modos de pensar, muitas vezes contrastantes com as nossas próprias”, conta.

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a ssembléia legislativa

Reestruturações de carreira

Presidente da Assembléia Legislativa deputado Riva cobra reestruturações de carreira dos servidores de saúde e segurança O presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP), enviou indicações ao governo, mostrando a necessidade da reestruturação das carreiras dos profi ssionais do Sistema Único de Saúde e do Sistema Penitenciário. A reestruturação foi um compromisso assumido no início de 2010 e criou grande expectativa para as categorias. Conforme as indicações, em 31 de março de 2010, o Governo do Estado se comprometeu a encaminhar à Assembleia

Legislativa, no primeiro quadrimestre de 2011, projeto de lei referente às carreiras de servidores do Poder Executivo que não passaram por reestruturação de tabela nos últimos anos. Isto fi cou assegurado por meio da Lei nº. 9.329 daquele ano. Apesar de a lei não ter estabelecido obrigatoriedade, priorizou algumas carreiras. Entretanto, os profissionais destas categorias reivindicam o envio, pelo Poder Executivo, do projeto de lei reestruturando a tabela salarial inteira.

O PCCS relativo ao SUS está sem revisão desde dezembro de 2004, tendo sofrido ao longo deste tempo muitas demandas judiciais e administrativas. O Conselho Estadual de Saúde, em dezembro de 2009, aprovou por unanimidade - via Resolução - a minuta do anteprojeto de lei complementar, com as ressalvas feitas pelos conselheiros presentes. As principais reivindicações da categoria são: transformação dos dois cargos de nível médio em um grande cargo; o de profissional

técnico de nível médio em Serviços de Saúde do SUS; criação da classe E para todos os cargos da carreira, entre outras. Quanto ao Sistema Penitenciário, apesar da recente lei de reestruturação da carreira (pela Lei Complementar 389 de 2010), a tabela da categoria não foi modificada e é uma das poucas carreiras do Poder Executivo, senão a única, que não possui nível de progressão e tem classes excedentes, ou seja, é uma tabela totalmente defasada em relação às demais categorias.

Sessões plenárias da semana concentrarão votação de vetos O presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP), convocou os demais parlamentares para reunião do Colégio de Líderes, Terça-feira (08) - às 15 horas, na presidência da Casa de Leis. Os líderes devem iniciar os trabalhos de composição dos grupos de atuação em áreas específicas na análise dos projetos que entrarem em votação a partir das primeiras sessões ordinárias. Os deputados estaduais vão tratar de diversos assuntos na ocasião, entre eles a formação das Comissões Permanentes da Casa. Outra pauta discutida é a formação dos Blocos Partidários. Os deputados que se agremiam em blocos partidários ficam aptos a participar das comissões. A preferência na indicação dos membros é dos partidose com as maiores bancadas. Na Casa de Leis, as duas comissões mais disputadas são as de Constituição, Justiça e Redação e, a de Fiscalização e Acompanhamento das Execuções Orçamentárias. A primeira, no último ano da sessão legislativa, foi presidida pelo deputado Sebastião Rezende (PR) e, a outra pelo deputado José Domingos Fraga (DEM).

vereadores de N. Bandeirantes apresentam reivindicações Regularização fundiária das terras de nova Bandeirantes (980 km de Cuiabá).esta foi uma das reivindicações feitas pelo vereador Jeremias Menezes Baiocho (pp), recebido pela deputada Luciane Bezerra (pSB), em seu gabinete na tarde de quinta-feira (03), na assembleia Legislativa. na ocasião, o vereador explicou que a falta de regularização fundiária impede o desenvolvimento

A partir da terça-feira (08), as sessões plenárias do Poder Legislativo voltam a acontecer em seus horários regimentais: as terças-feiras, a partir das 17 horas. Nas quartas-feiras, pela manhã,

às 8 horas e à tarde, às 17 horas. Nas quintas-feiras, matutina, com início às 8 horas. Na reunião do Colégio de Lideres, os parlamentares devem colocar em pauta os 190 vetos

econômico da região. “é um dos problemas que afetam o desenvolvimento de nova Bandeirante, não temos opções de crescimento agropecuário”, afirmou. Jeremias ainda informou que o municipio sofre com a falta de infraestrutura nas estradas vicinais. A deputada se prontificou a atuar com seriedade nas questões que podem ser levadas por meio de indicações junto ao executivo.

do Executivo sobre a inconstitucionalidade das matérias que tramitaram na 16ª Legislatura. Os vetos, caso não sejam votados, impedem outras matérias de serem apreciadas.

E ntrevista g

temos que mudar nossas relações por: Bianca Sordi Stock

Mundo Jovem: por que as pessoas têm preocupação com a questão das relações humanas? Bianca Sordi Stock: O que chama a atenção, e que encontro muito no consultório, é a dificuldade de lidarmos com a parcialidade. A lógica do mercado é essa: esperarmos do objeto que se cumpra uma satisfação total, que ele satisfaça um todo, de tudo aquilo que o nosso desejo está pedindo e que falta. Então, comprando o objeto, esperamos que ele nos sacie. Quando ele não é mais suficiente, trocamos. Repetimos isso no cotidiano: esperamos do outro que ele seja total, que ele satisfaça todas as nossas expectativas. E quando isso não ocorre, é uma frustração imensa. Há uma dificuldade de lidar com a parcialidade, admitir que é falho, que é pequeno, que não nos preenche por completo. Mas temos essa expectativa. E também nos sentimos no compromisso de fazer o outro feliz em sua totalidade. Por isso a relação fica complicada, de submissão ou de uma autoridade excessiva. O amigo tem que ser o amigo perfeito, o namorado tem que ser perfeito e tem que realizar todos os desejos. Isso gera outra coisa, que também é do mercado: a competição. Mundo Jovem: então isso dificulta as relações humanas, hoje? Bianca Sordi Stock: É o que constato. Se temos que ser um objeto total, cumprir com todas as expectativas, isso é da ordem do impossível. E quando não conseguimos, a frustração é muito grande. Uma das saídas é o isolamento. Como eu não consigo ser esse objeto total, prefiro me isolar. Conviver é difícil, é li-

dar com os conflitos, lidar com a parcialidade mesmo. Por isso precisamos encontrar dispositivos de convivência, temos que fortalecer esses dispositivos. E talvez o Mundo Jovem possa ser um desses dispositivos, de colocar as questões na roda, de promover espaços de convivência e lidar com os conflitos. Aí conseguimos ser um pouco mais espontâneos, mais presentes e mais verdadeiros nas relações. O grande desafio é fortalecer os espaços de convivência, onde se criem oportunidades para esta outra aprendizagem, que não é só cognitiva, mas que é a aprendizagem dos afetos. Os espaços de convivência estão cada vez mais empobrecidos. Temos que questionar se os espaços de convivência existentes são realmente de convivência. Mundo Jovem: onde o adolescente e o jovem aprendem a se relacionar? Bianca Sordi Stock: É legal aprender desde pequeno. No espaço da família, a criança vai aprender que a mãe é suficientemente boa, mas também falha. E ela só é boa porque falha, porque ela não é perfeita, não é total. Ela apresenta essa parcialidade. Assim também se dá para a criança a possibilidade de ela ser parcial. Ela não precisa ser perfeita e corresponder a todo um ideal que a família tinha. Esse seria um ambiente legal, saudável, com um crescimento emocional que vai percebendo suas limitações. A criança pode se deparar com todas as limitações do ambiente, que vai apresentar desamparos, que não vai ser totalmente acolhedor. E na escola também deveria ser assim. Mas nessa lógica de consumo, de competição, a escola tem que ser total. Mesmo na educação infantil até que a criança vai crescendo e durante todo o percurso escolar, o grupo de amigos tem que ser um grupo

de amigos total. Temos que mudar essa lógica e criar a possibilidade de exigirmos um pouco menos, ter um espaço de menos exigência de perfeccionismo. Se entramos na lógica de ser um objeto de desejo que nunca vai mostrar as falhas (típico das propagandas), também vamos ensinar aos jovens que eles têm que esperar isso das suas relações. E que o amigo, o pai, a mãe, a escola, a universidade, enfim, que todos os espaços têm que ser o objeto da propaganda, aquele que depois de um tempo não vai apresentar um defeito.

Se esperarmos do outro uma satisfação total, vamos esperar também de uma substância uma satisfação total. Vivemos numa sociedade de comportamento de “adição”, onde quero sempre mais e nada é suficiente. Tenho que consumir mais roupas, consumir mais eletrônicos, consumir mais do outro, porque não consigo viver a experiência do desamparo. Não consigo viver a experiência de que estar no mundo passa a ser um negócio muito complicado e que temos que aprender a viver um pouco a solidão também.

Mundo Jovem: que espaços de convivência os jovens podem criar? Bianca Sordi Stock: É uma interação de vários lugares. Está dado que a internet, os meios virtuais são uma realidade. A gente tem que dar um basta de demonizar isso e de achar que é por aí que os jovens estão se perdendo. Temos que olhar para isso de outro jeito. Acompanhando as experiências virtuais junto aos jovens, vê-se que ali pode ser um lugar, pelo anonimato muitas vezes, de colocar a parcialidade mesmo, ou de mostrar toda a potencialidade que ele tem, não tendo que corresponder a essa identidade dada. Talvez no meio virtual eu possa ter a liberdade de ser muitas coisas. É importante não pensar só os meios onde a gurizada convive e que talvez possam estimular a drogadição ou comportamentos promíscuos, ou de não cuidado, ou encontros tristes. Precisamos nos perguntar sobre o que se passa. Um jovem que vai fazer uso de algum tipo de droga de maneira abusiva busca sempre nessa substância uma satisfação total. Talvez repensarmos o jeito que estamos lidando com as relações, fazendo acontecer as novas relações, seja mais importante do que tolher ou cercear esses ambientes.

Mundo Jovem: a falta de referências de espaços coletivos pode ser responsável pela situação de dificuldade nas relações? Bianca Sordi Stock: Com certeza. E acho que esses ambientes de convivência dão a oportunidade de se viver algo que hoje está se perdendo, que são os acontecimentos com início, meio e fim, dentro do nosso tempo. E essa experiência dos acontecimentos totais é muito interessante para pensarmos até nas relações amorosas, para podermos conhecer, experimentar, nos colocarmos para o outro, tentarmos criar uma ficção para a conquista; mas tem um tempo em que saímos disso e vamos mostrando o quanto não podemos algumas coisas, e que o outro também tem várias coisas que não consegue, e viver isso. Se terminar, terminou, conseguir colocar um ponto final. Essa deveria ser a tônica tanto na experiência amorosa como em qualquer outra: de cognição, de aprendizagem. Mundo Jovem: os preconceitos e as intolerâncias entre grupos sociais também atrapalham as relações humanas? Bianca Sordi Stock: Os conflitos étnicos estão batendo

talvez hoje seja mais difícil nos relacionarmos. não é fácil lidar com o comportamento de as pessoas se enxergarem simplesmente como consumidoras, esperando do outro um comportamento igual. as relações vão se procedendo de relações de consumo, mas são relações entre pessoas, não entre coisas. que consequências isso traz? Falamos sobre essa questão com Bianca Sordi Stock. em nossa porta cada vez mais e vamos ter que nos deparar com isso. O silenciamento de todos em relação a uma educação que marca os saberes, os nossos fazeres também na prática profissional, o silenciamento quanto à alteridade, de não perceber a multiplicidade que é esse país... E aí vemos até quem trabalha numa outra perspectiva de inclusão social, que imagina outra sociedade possível, também muitas vezes foi conivente com esse silenciamento. E agora temos que olhar para isso. E aí essa angústia de não poder se refazer na multiplicidade, de não poder se refazer com aquilo tudo que podemos ser. Talvez então possamos pensar nessas lógicas do contemporâneo: “ou eu sou isso, ou eu sou aquilo”, ou sou homofóbico ou sou homossexual. Essa lógica vai pautando todo tempo as nossas relações. Como é que podemos pensar num outro jeito? Pensar “e isso, e aquilo...” Mundo Jovem: e como se aprende isso? Bianca Sordi Stock: Para trabalhar numa perspectiva

de um outro jeito de se relacionar, não basta ir só pela via da cognição, no sentido de ensinar o outro a se relacionar. Isso é onipotência. Temos que ir pela via da experiência. É na relação que se fazem as transformações. Talvez tenhamos que sublinhar isso. Se tivermos uma expectativa com um outro jeito de nos relacionarmos - e fizermos isso de maneira que não gere tanto sofrimento - que seja para criar ambientes de experiência em todos os lugares em que a juventude passe, e que as experiências não sejam só uma passagem vivida superficialmente, que criem sentido mesmo.

BianCa SoRdi StoCK, psicóloga clínica, do mestrado em Psicologia Social da UFRGS, tutora de Saúde Indígena e professora na Unisinos, RS. Endereço eletrônico: biancastock@ gmail.com


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C orreio da S emana

Cuiabรก, 13 a 19 de julho de 2010


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