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Agenda

BAHIA

Olhando 10 Anos Ă Frente


Realização:

Apoio Institucional:

Agenda

BAHIA

Olhando 10 Anos à Frente

Patrocínio global:

Patrocínio trade:

Apoio:


e t is x e e u q o o d u T

na vida real aconteceu

antes nos sonhos.


Sumário Apresentação................................................................................................14 Sustentabilidade. .......................................................................................18 Educar, inovar.................................................................................................19 Vantagens........................................................................................................ 20 Desafios.............................................................................................................21 Por que avançar? ........................................................................................ 22 Como avançar?............................................................................................. 23 Inovar é preciso............................................................................................. 24 ‘A Bahia precisa se conectar.................................................................. 28 à agenda nacional’ . .................................................................................... 28 A fonte é barata e a energia, cara........................................................ 29 Um novo futuro............................................................................................. 32 Novos rumos.................................................................................................. 34 Passo a passo da empresa sustentável.......................................... 36 A gestão territorial...................................................................................... 38 Os casos de sucesso.................................................................................. 39 Energia limpa para novas gerações...................................................44 Educar para desenvolver.........................................................................48

Infraestrutura............................................................................................... 54 Pensando o futuro....................................................................................... 55 Vantagens........................................................................................................ 56 Desafios............................................................................................................ 57 Por que avançar?......................................................................................... 58 Como avançar?............................................................................................. 59 Construir para crescer.............................................................................. 60 Obras do PAC na Bahia.............................................................................. 62 Todos os caminhos levam ao interior................................................ 64 Construção eleva demanda por PVC................................................. 68 Renascimento naval................................................................................... 72 Investimento bilionário............................................................................. 75 Bem abaixo da média................................................................................. 78 Para sair do 0 x 0..........................................................................................80 Gestão profissional..................................................................................... 82 Desafios para 2014.....................................................................................84 Como desatar o nó no trânsito.............................................................88 A gratuidade cara..........................................................................................91 Engenharia difícil........................................................................................... 93 A força da Bahia: gráficos........................................................................ 95

Agronegócio. ................................................................................................ 108 Semente do amanhã................................................................................. 109 12


Vantagens........................................................................................................110 Desafios............................................................................................................ 111 Por que avançar?.........................................................................................112 Como avançar?.............................................................................................113 Clamor por investimentos......................................................................114 Floresta certificada.....................................................................................118 Plástico no agronegócio.......................................................................... 122 Setor florestal propõe ............................................................................. 124 criação de ICMS verde.............................................................................. 124 Onde a Bahia dá de 10............................................................................... 126 Crescer e multiplicar.................................................................................. 128 Oportunidades do Agronegócio na Bahia...................................... 130 É só plantar que dá..................................................................................... 134 Um futuro promissor................................................................................. 137 Uma virada vertical.................................................................................... 138 A nova consciência..................................................................................... 140 Conquista do Oeste................................................................................... 142 Conspiração a favor................................................................................... 145 Mercado maduro......................................................................................... 147 Busca da nanofibra......................................................................................151 Gráficos: A força da Bahia....................................................................... 154

Turismo............................................................................................................... 162 Uma grande vocação................................................................................ 163 Vantagens...................................................................................................... 164 Desafios........................................................................................................... 165 Por que avançar?........................................................................................ 166 Como avançar?............................................................................................ 167 Para todos os gostos................................................................................ 168 O novo boom................................................................................................. 170 A riqueza do axé.......................................................................................... 173 Bahia de todos os destinos................................................................... 176 Com a cara da Bahia.................................................................................. 178 Para voar mais alto.................................................................................... 180 Melhor dos negócios................................................................................. 183 Tempo de planejar...................................................................................... 185 Mais que um sorriso.................................................................................. 187 A Copa no dia a dia...................................................................................... 189 O caminho da roça...................................................................................... 192 Gráficos: A força da Bahia....................................................................... 194

Homenagem. ................................................................................................ 198 Aula de emoção........................................................................................... 199

Sobre. ...................................................................................................................200 13


Apresentação

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e novembro a dezembro de 2010, o seminário Agenda Bahia - Olhando 10 Anos à Frente reuniu 35 dirigentes de empresas e instituições, além de especialistas, com o objetivo de debater o futuro do estado, diante das oportunidades que as vocações naturais e econômicas da Bahia oferecem, e os desafios a serem enfrentados para assegurar seu desenvolvimento sustentável. O cenário foi o auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), parceira do CORREIO na realização do Agenda Bahia. Durante quatro semanas, centenas de participantes marcaram presença na plateia e assistiram a 19 apresentações e quatro debates. Todos tiveram oportunidade para dar sua contribuição. Nessa primeira fase, quatro temas foram abordados em profundidade: Sustentabilidade, Infraestrutura, Agronegócio e Turismo. Os debates apontaram caminhos para não desperdiçar as oportunidades que as vantagens competitivas da atual conjuntura do país e do mundo apresentam para o estado. A repercussão dos seminários e debates foi muito além do auditório, multiplicada pelos veículos da Rede Bahia: o jornal CORREIO, a rádio CBN, o portal de internet iBahia e a TV Bahia. Os temas dos seminários se transformaram em pautas de reportagens especiais e em quatro cadernos. A audiência da empresa líder de comunicação Norte e Nordeste envolveu todo o estado no Agenda Bahia, através dos seus milhões de telespectadores, ouvintes, leitores e internautas. Os debates foram transmitidos ao vivo pela internet. A participação dos meios de comunicação da empresa cumpriu à risca seu compromisso com o desenvolvimento socioeconômico e cultural do estado, expresso de forma bem clara nos valores da Rede Bahia. O seminário Agenda Bahia, desde sua concepção e planejamento, visou criar bases para a formulação de políticas de Estado e definição de prioridades, independentemente de quem esteja no poder ou de sua opção partidária. A cláusula pétrea é a busca do desenvolvimento sustentável, um conceito que traz vantagens para todos: governo, iniciativa privada e sociedade civil. A base para a geração de riquezas, com projetos economicamente viáveis, sempre atrelados a ações sociais, ambientais e culturais .

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O sucesso da realização da primeira fase do Agenda Bahia só se tornou possível graças ao apoio dos parceiros, que acreditaram desde o começo na importância do seminário para o estado: Petrobras e Braskem foram os patrocinadores globais do evento, que contou nos quatro painéis com a participação da Neoenergia, da Construtora Agre, da Associação Baiana de Produtores de Florestas Plantadas (Abaf) e da Secretaria estadual do Turismo. Destaca-se, ainda, o apoio de empresas e entidades como Uranus2, GDK, Grupo TPC, Ademi, Banco do Nordeste e Tecom. Agenda Bahia se propõe, permanentemente, a ampliar o debate e o conhecimento sobre a economia de um dos estados mais importantes da Federação, num momento em que o Brasil atrai a atenção do mundo inteiro. A Bahia pode mais e deve perseguir e conquistar seu desenvolvimento sustentável para transformar-se em referência para o país e para o mundo. A discussão do crescimento do Brasil passa hoje pelo Nordeste, que tem a Bahia como destaque e sua principal locomotiva. O estado é a porta de entrada da região, via Sudeste.

Os seminários O primeiro seminário, realizado dia 11 de novembro, foi sobre Sustentabilidade e apontou novos caminhos. Investimento em inovação e educação, segundo os especialistas, são requisitos básicos, tanto para o crescimento da economia e melhoria da qualidade de vida da população quanto para a preservação do planeta. O uso da tecnologia como aliada, aprimorando processos, reduz o impacto de ações da indústria, e até de moradores, sobre o meio ambiente. E o estímulo de energias mais limpas também pode trazer maior capacidade produtiva, novos investimentos e menor agressão à natureza. Uma semana depois, no dia 17 de novembro, Infraestrutura ganhou destaque. Como atrair novas empresas, aumentar a produção da indústria local, diversificar a economia e aumentar as exportações? Esses foram os principais desafios apontados para o estado se 15


transformar em uma potência econômica. De acordo com estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentado pelo presidente da Fieb, José Mascarenhas, bastaria o Brasil reduzir os custos com transporte em 10% para elevar em 43% as exportações para os Estados Unidos. Criar um sistema de transporte de cargas eficaz significa reduzir custos. Para isso, é preciso manter estradas em boas condições de tráfego, construir novas ferrovias e dutovias e ainda modernizar e ampliar terminais portuários. Sem isso, a Bahia pode perder a chance de incrementar a economia, gerar novas riquezas e empregos no estado em diversas áreas, como petroquímica e mineração. Com a maior população rural do país, em torno de 4,5 milhões de habitantes, segundo dados da Secretaria da Agricultura, a Bahia tem se destacado no agronegócio, responsável por 24% da economia do estado e por 35% das exportações. Agronegócio foi o tema do terceiro seminário Agenda Bahia, realizado dia 25 de novembro. Um setor que também precisa de melhorias no sistema de transporte para escoar a produção e se tornar mais competitivo. De acordo com a publicação da Fieb, Acompanhamento Conjuntural, a expectativa em 2010 era de produção agrícola na Bahia de 5,79 milhões de toneladas, aumento de 15% em relação à safra anterior. A soja tem destaque ainda maior: alta de 28%, acima das projeções nacionais. O quarto e último seminário dessa primeira fase do Agenda Bahia, Turismo, aconteceu no dia 2 de dezembro. O setor emblemático, de uma das principais vocações da Bahia, traz riquezas para o estado e quer se profissionalizar. Somente o Carnaval movimenta R$ 1,1 bilhão nos seis dias de folia, beneficiando 40 setores da economia. O selo Made in Bahia da cultura e do entretenimento, que gera riqueza dentro e fora do estado, pode atrair novos turistas. Mas, como todos os outros temas, precisa de investimentos em infraestrutura e qualificação profissional para ampliar sua base de atuação.

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Sobre o livro Neste livro, o conteúdo produzido pelo Agenda Bahia divide-se em duas partes. A primeira traz os debates dos seminários, as reportagens dos cadernos e matérias exclusivas, produzidas ao longo de novembro e dezembro de 2010, no jornal CORREIO. A segunda etapa contém informações, através de gráficos, sobre setores da economia baiana. O seminário Agenda Bahia – Olhando 10 anos à Frente não acabou em 2010. Este ano tem mais.

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Sustentabilidade

*

Sustentabilidade


sustentabilidade

Educar, inovar

O

futuro nasce com a educação e cresce no investimento em inovação. Os dois conceitos são essenciais e caminham juntos para o desenvolvimento sustentável de qualquer região, seja uma comunidade ou uma nação. Na Bahia, maior economia do Nordeste, a média de estudo da população ainda é muito baixa. Reportagem do caderno especial sobre Sustentabilidade, tema do primeiro seminário do Agenda Bahia, mostra que, em 2009, segundo o IBGE, a taxa no estado era de 5,9 anos - bem menor do que a média nacional, 9 anos. O Brasil ainda investe pouco em educação: está abaixo da média dos 33 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Executivos e especialistas, que participaram do seminário, em novembro de 2010, apontaram que somente com qualificação profissional é possível buscar inovação nos processos e em novos projetos. E assim aumentar a competitividade do estado e contribuir para menor agressão ao meio ambiente. Os especialistas debateram ainda como equilibrar negócios e meio ambiente, em um planejamento que envolve ainda a justiça social. Como gerar o máximo de riqueza com menor impacto para o planeta? Além de educação e inovação, uma série de outras ações foi enumerada para que a Bahia vire uma potência econômica nesta década, preservando suas riquezas naturais. Investimento em infraestrutura também é um diferencial: um bom sistema de transporte permite, por exemplo, a interiorização da economia, reduzindo o inchaço das grandes cidades. A busca por energias mais limpas e uma nova postura de toda a sociedade, que gere responsabilidade socioambiental, também se tornam necessárias. Nas próximas páginas, reportagens especiais sobre sustentabilidade, o conteúdo das palestras e do debate do seminário.

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Vantagens A Bahia conta com uma série de vantagens naturais em relação a outros estados no que tange ao desenvolvimento sustentável. O estado tem três grandes biomas (Cerrado, Semiárido e Mata Atlântica), cada um com grandes riquezas, que podem ser exploradas, mas preservando o meio ambiente. É o caso, por exemplo, das energias limpas. A Bahia tem um grande potencial para ampliar a sua capacidade de oferta através da energia eólica e solar. O Brasil, como revela reportagem produzida para o caderno de Sustentabilidade do seminário Agenda Bahia, está na 19ª posição no ranking dos países mais atrativos para investimentos no mercado de energia renovável. E o estado baiano tem se destacado em atrair esses investimentos. Na indústria do papel e celulose, também há contribuição com o meio ambiente: os eucaliptos sequestram carbono, diminuindo o nível de CO2 na atmosfera, minimizando o efeito estufa.

A força dos ventos gera energia mais limpa Foto: divulgação

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sustentabilidade

Desafios O grande desafio é buscar o equilíbrio entre a geração de riquezas, a justiça social e o respeito ao meio ambiente com o planejamento integrado das ações. A busca pelo crescimento econômico deve respeitar as características naturais do estado. As necessidades de consumo e a utilização dos recursos da natureza precisam ser repensadas ainda por esta geração. Ou seja, criar a consciência de que a responsabilidade socioambiental é de todos: governo, iniciativa privada e sociedade civil. Entender também que sustentabilidade não implica em ações voltadas apenas para o meio ambiente. Um empreendimento ou uma ação sustentável precisa ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. É uma mudança de atitude, de postura de toda a sociedade em três esferas: econômica, social e ambiental. No modelo de sustentabilidade, os empresários incorporam em suas ações conceitos como transparência, ética e formulação de estratégia corporativa comprometida com o desenvolvimento sustentável. A sociedade reavalia o consumo e o governo adota essas ações e estimula práticas desse conceito.

O equilíbrio entre riqueza, justiça social e respeito ao meio ambiente gera desenvolvimento sustentável Foto: Antonio Saturnino

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Por que avançar? Aliar negócios, meio ambiente e responsabilidade social é a condição para salvar o planeta, de acordo com especialistas. Essas práticas também viraram sinônimo de vantagem competitiva. Sustentabilidade deixou de ser meramente uma medida compensatória. O consumidor está cada vez mais exigente e reconhece empresas que buscam essas práticas em seus processos. Nos lares, o cidadão também ganha ao fazer a sua parte. Reportagem especial do Agenda Bahia sobre o tema mostrou o grau de importância dessa mudança de comportamento. A adoção de critérios e projetos socioambientais aumenta em até 4% o valor de mercado das empresas, segundo estudo da consultoria internacional Management & Excellence. O respeito à cultura, às características e às necessidades permite o melhor desenvolvimento de uma região. Criar condições no campo e nas cidades com menor porte evita a migração e o inchaço dos grandes centros, gerando melhoria de vida para todos.

Inovação e educação são palavras-chave para o crescimento sustentável Foto: Iracema Chequer/Fieb

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Tecnologia é importante para o desenvolvimento do estado Foto: Iracema Chequer/Fieb

Como avançar? Os especialistas presentes no Agenda Bahia apontaram alguns dos caminhos a seguir para o desenvolvimento sustentável do estado. Repensar as relações de produção e consumo ajuda a evitar o desperdício e a agressão ao meio ambiente. O investimento em tecnologia também contribui para reduzir o impacto na natureza. Como exemplo, o maior controle pelas empresas da geração de resíduos, efluentes e emissões atmosféricas. O investimento em inovação e educação é fundamental para fazer a diferença. Quanto mais qualificada a mão de obra, maior a chance de haver desenvolvimento sustentável. Nas escolas e nas empresas, projetos de educação e de conservação do meio ambiente também são eficazes para promover a mudança de postura em prol desse conceito. Especialistas defenderam ainda aprimorar a política ambiental do estado e dar às leis um sentido mais prático. Um plano multimodal, que envolva toda a cadeia associada aos transportes, permite o desenvolvimento territorial, a integração de todo o estado e a criação de cidades médias, com a redução da concentração na Região Metropolitana. Investimento em energia limpa, como eólica e solar, também foi apontado como necessário para o estado atingir o desenvolvimento sustentável.

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José Mascarenhas: presidente da Fieb Foto: Arisson Marinho

Inovar é preciso O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fieb), José de Freitas Mascarenhas, defendeu mais investimentos em inovação na Bahia e no Brasil, durante a abertura do primeiro encontro do seminário Agenda Bahia - Olhando 10 Anos à Frente, em novembro de 2010, no auditório da entidade, no Stiep. Para ele, há muito o que avançar nesta área para garantir o desenvolvimento do país. Mascarenhas afirmou que o Brasil está na 98ª posição quando se trata de qualidade da educação em Ciências e Matemática. Além de ter poucos universitários se qualificando em cursos de Ciências, o país também forma poucos engenheiros, segundo ele. A taxa de inovação das empresas brasileiras, no entanto, melhorou, segundo o IBGE, passando de 31,5% para 38,1%, no período entre os anos 2000 e 2008. As maiores dificuldades mencionadas pelas empresas para não inovar, segundo declarou, são atribuídas aos custos elevados, aos riscos econômicos e à escassez de financiamentos. A Fieb reformulou seu Conselho de Inovação e Tecnologia e criou um Comitê de Inovação para interagir com o ambiente científico baiano, por meio de um Fórum de Inovação, que vai construir uma política de ciência, tecnologia e inovação para o 24


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setor industrial. “As perspectivas são de mudanças na Bahia”, disse Mascarenhas, lembrando que a Bahia conta com dois centros tecnológicos, o Cetind e o Cimatec, com 70 mestres e 28 doutores. “O Cimatec, inclusive, é hoje considerado o melhor centro de educação tecnológica do Senai em todo o Brasil”, disse. Outros pontos positivos citados são a construção, pelo governo baiano, do Parque Tecnológico e a existência do Centro de Desenvolvimento da Ford, em Camaçari, com atuação de mais de 1.100 engenheiros. O Papel da Fieb, através do Senai, é preparar e reciclar profissionais da indústria. Na Bahia, são 149 cursos em 39 áreas industriais, com alto índice de empregabilidade do sistema, que chega a 70%. No ensino superior, o Senai já oferece dez cursos, entre eles Engenharia Mecânica. Ao falar sobre sustentabilidade, José Mascarenhas destacou que o crescimento sustentável deve estar associado a ações pelas quais as sociedades assegurem o futuro das próximas gerações. “Para alcançá-lo, é preciso que a sociedade tenha acesso a serviços e bens básicos de qualidade, a exemplo de educação, saúde, saneamento básico e habitação”. No entanto, enfatizou que, além de um meio ambiente preservado, é preciso que o cidadão tenha acesso a trabalho que sustente a si e a sua família. “Crescimento sustentável não pode ter credibilidade se não ocorrer sob a égide da preservação da natureza e dos recursos naturais. O desafio está em realizar o máximo de geração de novas riquezas com a ofensa mínima ao meio ambiente. Isso exige um equilíbrio dos responsáveis pelas decisões que só o tempo será capaz de introduzir”, declarou o presidente da Federação das Indústrias da Bahia. José de Freitas Mascarenhas disse ainda que as prioridades nos próximos 10 anos, além da inovação, deverão ser educação, qualificação, infraestrutura, interiorização e meio ambiente. Na palestra, José Mascarenhas mostrou um panorama da Bahia atual, maior economia do Nordeste, e responsável por 31,5% do Produto Interno Bruto e 57,3% de todas as exportações da região. No país, detém o sexto maior PIB. Mas, quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), está na 20ª posição. O setor industrial é responsável por 28,2% da economia baiana, mas apenas seis segmentos são responsáveis por 81,1% do Valor da Transformação Industrial (VTI), sendo que a cadeia do refino 25


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de petróleo e afins mais a química e petroquímica representam 54,5% do total. José Mascarenhas defendeu a federalização das universidades estaduais baianas, dentro do esforço para melhorar a situação da educação no estado, principalmente no ensino fundamental e médio. Segundo ele, a Bahia é o único estado do Nordeste que despende recursos com a educação superior em quatro universidades. “A proposta é que essas universidades sejam federalizadas, liberando recursos estaduais para aplicação no ensino fundamental e médio”, disse. Ele destacou que educação de qualidade no nível básico é fundamental para que a população seja preparada para ocupar os postos de trabalho atendendo às exigências da indústria moderna.

* Inovação e educação

98ª

é a posição do Brasil quando se trata de qualidade da educação em Ciências e Matemática

70% é o índice de empregabilidade do sistema Fieb/ Senai

Infraestrutura gera competitividade José Mascarenhas também falou sobre infraestrutura e lembrou que o assunto responde por boa parte da competitividade dos países. “Um estudo do BID concluiu que se o Brasil reduzisse os custos de transporte em 10% poderia elevar suas exportações para os EUA em até 43%”, citou. Ele apresentou dados que mostram que 62% das estradas do país são péssimas, ruins ou regulares, mas destacou que o atual governo federal tem dado importância às ferrovias e enfatizou a construção da Ferrovia Norte-Sul, que será o eixo central do sistema nacional. No contexto também está a Ferrovia Oeste-Leste, que permitirá o acesso do interior do país aos portos da Bahia. Mascarenhas, porém, reclamou da concessionária FCA, que explora as atuais ferrovias baianas. “A empresa vem sendo mal avaliada”, afirmou. Segundo o presidente da Fieb, existe um

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sustentabilidade Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, Sergio Costa, diretor de redação do CORREIO, e José de Freitas Mascarenhas, presidente da Fieb, durante debate do primeiro encontro da Agenda Bahia Foto: Arisson Marinho

impasse: a concessionária alega que não há cargas a transportar e as cargas não aparecem porque não há qualidade no transporte. Quanto aos portos, ele disse ser um “problema sério”, mas que estão sendo encaminhadas soluções. “Os portos da Bahia precisam, não só de maiores cuidados na gestão, mas de expressivos investimentos, visando sua modernização”, citou. Segundo ele, mudanças contínuas de gestores e falta de consenso nos meios empresariais e autoridades paralisaram os portos baianos. Mascarenhas informou que finalmente foi estabelecido um “acordo de cavalheiros”, que vai destravar os investimentos. O Porto de Salvador ganhará novos terminais e abrigará projeto turístico de grande escala. O de Aratu será ampliado e modernizado para se tornar o porto industrial. O Porto Sul, que será construído em Ilhéus, será voltado para minérios.

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‘A Bahia precisa se conectar à agenda nacional’ Entrevista com José de Freitas Mascarenhas Qual é o público que Agenda Bahia pretende atingir? Queremos atingir a elite empresarial do estado, os trabalhadores, o governo, a academia, enfim, todos que podem contribuir para o desenvolvimento do estado. Como construir um projeto para o estado? Mais de 80 pessoas de diversos setores já foram ouvidas e essa agenda deve ser de consenso. Uma iniciativa como essa não se dá em dois, três meses, é algo para ser construído ao longo dos anos, para que tenhamos uma base de discussão cada vez mais sólida. Existem projetos, mas o que precisamos construir é uma política de industrialização para a Bahia. Isso já está sendo pensado, mas leva tempo. Quais são os projetos que estão em andamento? Em Aratu, já existe o projeto, inclusive com previsão de futuras ampliações. O projeto, tocado pela iniciativa privada, que tem capacidade para isso, tem apoio do governo. Falta apenas a autorização da Antaq. Está tudo pronto para ser executado. A Bahia tem carga, mas não tem porto. Em Pernambuco, que tem porto, não há carga. O resultado é que temos que exportar por Santos, Pernambuco, Ceará. E o Porto de Salvador? O porto econômico da Bahia deverá ser, no momento, o de Aratu e, no futuro, o Porto Sul, em Ilhéus. Precisamos criar escala para nossos portos. O Porto de Salvador tende a ser um terminal de manipulação de contêineres e adotar um projeto turístico. Como aproximar o estado do resto do país? A Bahia precisa se conectar à agenda nacional. O câmbio está afetando as exportações brasileiras, e a Bahia é um dos maiores exportadores. É preciso pensar numa reforma tributária, no aumento da produtividade, numa política ambiental mais dinâmica. Tudo isso precisa ser revisto para que a Bahia chegue aos padrões internacionais de competitividade.

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A fonte é barata e a energia, cara Além da desvalorização do dólar, dos juros altos e da excessiva carga tributária, os empresários brasileiros têm enfrentado mais um problema para competir dentro do país e no mercado internacional: o preço da energia industrial do país é o terceiro mais caro do mundo, de acordo com a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace). O presidente da entidade, Paulo Pedrosa, lembrou que há incoerência entre o valor pago pelas empresas pelo MWh (megawatt hora) e a origem da energia produzida no Brasil. “Pagamos muito caro, ainda mais levando-se em consideração que 85% de toda a energia produzida no país sai da fonte mais barata existente no mundo, as usinas hidrelétricas”. Para Pedrosa, a indústria brasileira tem sido penalizada com sobretaxas e reajustes cada vez maiores Foto: Arisson Marinho

Coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Salvador (Unifacs), o professor Kléber Freire disse que as tarifas somente serão reduzidas depois que o governo regulamentar o setor. “O país precisa ter regras claras para atrair mais investimentos e construir novas centrais elétricas”. Segundo o professor, a possibilidade de as tarifas subirem nos próximos anos é grande. “Como o Brasil está tentando entrar na relação dos países desenvolvidos, certamente terá de investir em energia tecnologicamente mais limpa, como a eólica e a nuclear, por exemplo, que são bem mais caras do que a das usinas hidrelétricas. Assim, ou o Brasil corrige as distorções agora, desonerando impostos em cadeia, ou os empresários terão de conviver com uma tarifa de energia ainda mais cara”. De acordo com a Abrace, somente entre 2002 e 2007, os empresários brasileiros foram obrigados a arcar com um reajuste médio de 21,6% por ano na tarifa de energia industrial. “Não podemos competir em condições de igualdade com tantos reajustes”, disse Paulo Pedrosa.

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Bolsa encargo é maior que Bolsa Família O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, defendeu o “estouro da bolha tarifária de energia no Brasil” como uma das principais soluções para o país continuar se desenvolvendo de forma sustentável. “Os motivos dos encargos são nobres, mas a soma de tantos impostos e taxas é prejudicial à economia”, afirmou Pedrosa durante sua palestra no seminário Agenda Bahia. “O setor elétrico paga US$ 16 bilhões de encargos por ano, mais do que o valor distribuído pelo Bolsa Família, que é de US$ 12 bilhões”, acrescentou o presidente da Abrace, entidade que congrega 47 associados e 500 unidades de consumo. Paulo Pedrosa ressaltou que o Brasil ocupa uma situação privilegiada no cenário mundial em relação ao crescimento industrial, mas o governo precisa fazer a sua parte. Enquanto as grandes economias da Europa são dependentes do gás fornecido pela Rússia, e os Estados Unidos necessitam do petróleo dos países do Oriente Médio, o Brasil tem tradição na geração de energia elétrica, indústria integrada e mão de obra. “Precisamos apenas de menos impostos para aumentar a competitividade no setor industrial”, disse. Pedrosa afirmou que, nos últimos anos, o custo da energia elétrica no Brasil foi reajustado 100% acima do IGPM e do IPCA, índices que medem a inflação oficial. “Os consumidores não suportam mais o valor das tarifas e os empresários simplesmente estão paralisando investimentos, porque não podem arcar com os custos”. O presidente da Abrace aproveitou para mandar um recado ao governo federal. “No Brasil, muitos encargos são criados, transformados e, depois, perdem a originalidade”, declarou. As indústrias precisam de competitividade e não de programas que atravancam o seu desenvolvimento”, finalizou.

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Empresa baiana paga conta maior que americana e perde competitividade Fabricante de pigmentos de dióxido de titânio, material utilizado na confecção de tintas, plásticos e borrachas, a planta baiana da Millennium Inorganic Chemicals não consegue competir com outras unidades da empresa instaladas na Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, França e Arábia Saudita. Motivo: o elevado custo da energia praticado no Brasil. “O nosso país está fora do contexto global e precisamos reverter essa situação com urgência”, disse Ronaldo Marquez Alcântara, diretor industrial da Millennium. Na Bahia, a fábrica funciona na BA-093 (Estrada do Coco) e emprega 360 pessoas.

Ronaldo Alcântara, diretor industrial da Millennium Foto: divulgação

Um levantamento realizado pela empresa em todas as suas unidades sobre o custo da energia, entre janeiro e setembro de 2010, revela a distorção no preço cobrado no Brasil. “Enquanto aqui nós pagamos, em média, US$ 100 por MWh (megawatt hora), a Millennium desembolsou US$ 49 nos Estados Unidos, US$ 62 na Austrália e US$ 75 na França”, afirmou Alcântara. “Com isso, a Millennium americana, mesmo pagando frete, consegue colocar no Brasil produtos similares aos nossos com preços bem mais acessíveis”. De acordo com o diretor industrial, a eletricidade e o gás natural, outra fonte de energia utilizada pelas empresas, são responsáveis por 17% dos custos da filial brasileira da Millennium. “Os empresários já fizeram, há muito tempo, a lição de casa. Cabe ao governo, agora, executar a sua tarefa, reduzindo impostos e eliminando algumas taxas”, disse Ronaldo Alcântara. Nem mesmo a redução do consumo de energia, proporcionada pela implantação de projetos de eficiência administrativa, diminuiu o custo da empresa. “Este ano, trabalhamos com a metade da energia utilizada em 2000, mas, mesmo assim, não conseguimos baratear os nossos custos, porque somos obrigados a pagar um preço muito elevado pelo consumo”.

* Raio X do setor

85%

Da energia produzida no país sai das usinas hidrelétricas

21,6%

Reajuste médio por ano no período de cinco anos

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Um novo futuro O presidente executivo da Fundação Odebrecht, Maurício Medeiros, destacou, durante o Agenda Bahia, as ações de sustentabilidade que beneficiam jovens e suas famílias no Baixo Sul do estado. Na região, a Fundação conduz o Modelo de Desenvolvimento Integrado e Sustentável da APA do Pratigi. O desafio do programa é construir um modelo de manejo sustentável de Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que seja passível de reaplicação em outros contextos. “Podemos mudar o futuro e contar uma nova história”, afirmou Medeiros, ao falar das atividades, que têm como foco a educação. Através das chamadas Casas Familiares, a Fundação proporciona conhecimento técnico aos jovens. “É preciso garantir dignidade à área rural e evitar a migração de jovens para os grandes centros”, citou. As ações implementadas no Baixo Sul da Bahia, fomentadas pelo Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável - DIS Baixo Sul, foram consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como experiências diferenciadas, que representam uma oportunidade para fazer acontecer os oito objetivos do milênio. Criada em 1965, por Norberto Odebrecht, a Fundação originalmente oferecia aos integrantes benefícios não contemplados pela Previdência Social. Nos anos seguintes, essas atribuições foram assumidas pelas empresas da organização, o que levou a Fundação Odebrecht a direcionar suas ações para questões de interesse público. A partir de 1988, passou a se concentrar na educação de jovens, especialmente das famílias do Baixo Sul da Bahia.

Medeiros mostrou ações que transformam a vida da comunidade Foto: Arisson Marinho

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Colégio da Fundação Odebrecht vence prêmio O Colégio Estadual Casa Jovem (CECJ), que faz parte do projeto desenvolvido pela Fundação Odebrecht, conquistou o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar – Ano Base 2009. O CECJ, que fica em Igrapiúna, já havia sido escolhido entre 2.375 escolas públicas do Brasil como referência em educação. Como estímulo à melhoria do desempenho de instituições de ensino e ao sucesso de aprendizagem dos alunos, o prêmio, segundo Maurício Medeiros, busca identificar e reconhecer práticas eficazes de administração. O colégio foi inaugurado em dezembro de 2006 e atende jovens do ensino fundamental e médio. O complexo oferece cursos profissionalizantes e de educação digital, visando capacitar jovens para o trabalho. A estrutura conta com laboratórios de informática, biblioteca, auditório, cozinha industrial, quadra poliesportiva e dez salas de aula.

Investimento no colégio Casa Jovem reflete no futuro dos alunos Foto: divulgação

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Novos rumos Mediado pelo coordenador do Comitê de Meio Ambiente da Fieb, Irundi Sampaio Edelweiss, o debate sobre a sustentabilidade, no Agenda Bahia, discutiu as melhores formas de conciliar os negócios e o meio ambiente para criar o crescimento sustentável. O mediador puxou as principais questões do debate, chamando atenção, por exemplo, para a responsabilidade de consumidores e empresas no consumo responsável. “O mínimo que se consome sempre gera resíduos”, afirmou. Como, então, atacar o problema? Essas questões e outras foram respondidas pelos debatedores. Confira as contribuições de cada um.

Antonio Carlos Júnior, presidente da Rede Bahia Fotos: Arisson Marinho

Busca por novos espaços O presidente da Rede Bahia, Antonio Carlos Júnior, frisou a importância do encontro e do debate que se seguiu. “O principal objetivo do Agenda Bahia é provocar discussões e levar isso aos governos federal, estadual e municipal, para que aproveitem o que é produzido aqui”, afimou. Júnior aproveitou para fazer um alerta: “Já perdemos espaço no Nordeste, não podemos perder mais”. Ele acredita também que o estado, por meio do Plano de Zoneamento Ambiental, vai evitar problemas futuros com o empresariado. “O plano evita discussões para saber o que pode e o que não pode ser feito”.

Plano de desenvolvimento O secretário de Planejamento do estado, Antônio Valença, chamou a atenção para o papel do governo na busca pelo equilíbrio entre os negócios e o meio ambiente. Uma das iniciativas é o Plano de Zoneamento Ecológico-Econômico do estado, que ficará pronto em dezembro de 2011. O projeto divide o estado em cinco macrorregiões e propõe um plano de desenvolvimento para cada uma delas, aproveitando seus recursos de forma sustentável e respeitando suas características naturais. Para ele, o governo dá as diretrizes, mas cabe a todos buscar soluções. Antônio Valença: secretário de Planejamento

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sustentabilidade

Consciência pelo meio ambiente O professor e coordenador do Centro de Tecnologias Limpas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Asher Kiperstok, acredita que, para que o estado possa avançar, é necessário repensar as relações de consumo. “O crescimento do padrão de consumo está sendo insustentável”, afirma. Para ele, precisamos repensar nossas necessidades, mas com consciência do que é menos prejudicial ao meio ambiente. “Se uma pessoa toma um banho demorado e assim satisfaz uma necessidade que ela satisfaria indo pro shopping consumir, fazendo um estrago ambiental, ótimo”.

Asher Kiperstok, da Ufba Fotos: Arisson Marinho

O novo papel das empresas Para a presidente da Câmara de Gestão Sustentável do Conselho Empresarial Brasileiro para Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Basf, Ana Lúcia Suzuki, as empresas têm um papel crucial na busca pelo equilíbrio entre negócios e o meio ambiente. “Existem empresas que faturam mais do que países. Sua influência sobre outras companhias é enorme. É preciso usar isso”, afirma. Para ela, as empresas também devem liderar os investimentos em tecnologia, como, por exemplo, na redução das emissões de CO2. Ana Lúcia Suzuki, do CEBDS

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sustentabilidade

Passo a passo da empresa sustentรกvel

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sustentabilidade 37 Fonte: Fieb Arte: Bamboo editora


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A gestão territorial Professora e coordenadora do Centro Interdisciplinar e Gestão Social da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Tânia Fischer dedicou sua palestra no primeiro dia do seminário Agenda Bahia ao tema do desenvolvimento territorial. A professora, que estudou os processos de desenvolvimento de cidades como Barcelona, Buenos Aires e Bogotá, afirmou que nenhum modelo pode ser copiado de um lugar para o outro. Segundo ela, cada cidade tem suas culturas, características e necessidades, e deve pensar seu desenvolvimento a partir delas. Assim, copiar o modelo de desenvolvimento de Barcelona, por exemplo, poderia não trazer os mesmos resultados a Salvador. Tânia afirmou ainda que desenvolvimento territorial passa necessariamente pela gestão do território, e que há uma série de variáveis que a influenciam. Uma delas é a mobilidade social. A professora lembra que existe hoje uma tendência de rotular a classe C, mas não se pensa com profundidade sobre sua mobilidade. “Isso não é apenas uma nova classe, mas é algo que cria novo desenho da sociedade, no qual precisamos pensar sem preconceito e sim como uma referência para o presente e para o futuro”, analisa. O sucesso da gestão territorial passa pela educação. Segundo Tânia, é necessário investir nas pessoas, não apenas na educação formal, mas também na profissional, sobre a qual ainda existe uma carga de preconceito. “Ainda existe a visão de que há uma educação para ricos e uma para pobres. A educação formal é para os ricos, e a profissional para os pobres. É preciso mudar esse preconceito. Nós temos escolas técnicas excelentes”, diz. A professora, entretanto, vai além, e apresenta os desafios da educação para o futuro. Como educar uma geração que já nasce aprendendo a mexer em tecnologia? “Não é a geração Y que me preocupa, é a geração depois dela”, afirmou. Para a professora, já temos dificuldade em educar a geração atual. “Essas pessoas já não querem, não suportam mais uma aula tradicional. Você fala e elas checam no Google, postam comentários no Facebook”, afirma Tânia. “Como vamos educar então a geração seguinte?”, questiona. “A tecnologia é uma ferramenta e novos modelos devem ser testados. Precisamos estar sensíveis às mudanças ou vamos perder o território, como já estamos perdendo o controle do centro de Salvador, o controle da segurança e da mobilidade da cidade”, pondera. 38

Tânia Fischer: desenvolvimento territorial depende da educação Foto: Arisson Marinho


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Os casos de sucesso De bônus para a troca de eletrodomésticos usados por equipamentos novos com selos de economia de energia ao reflorestamento de áreas desocupadas; da implantação de um programa para reduzir o consumo de água à parceria com agricultores. A Petrobras, a Veracel, a Braskem e a Neonergia demonstram que é possível conciliar produtividade e eficiência com sustentabilidade. Uma pesquisa divulgada pela consultoria internacional Management & Excellence revela que as empresas que adotam esta postura estão no caminho certo. De acordo com o trabalho, a adoção de critérios e projetos socioambientais aumenta em até 4% o valor de mercado das empresas. No final de 2009, outro estudo do Ibmec de São Paulo chegou à mesma conclusão. Segundo a entidade de ensino, as empresas relacionadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atingem um valor de mercado até 19% superior às concorrentes que não incluem a sustentabilidade em seus projetos. “O seminário (Agenda Bahia) foi importante para colocar a sustentabilidade em pauta. O assunto é muito falado, mas pouco conhecido. É preciso levá-lo, não apenas às empresas, mas às pessoas, à sociedade”, disse Irundi Sampaio Edelweiss, coordenador do Comitê de Meio Ambiente da Fieb. A Braskem investiu R$ 150 milhões em projetos hídricos e os resultados superaram as expectativas dos seus dirigentes. Encravada no coração da Amazônia, a Província Petrolífera de Urucu é outro exemplo de preservação ambiental com desenvolvimento econômico. Para extrair petróleo da maior floresta do mundo, a Petrobras desenvolveu um modelo sofisticado, reduziu a área da unidade e reflorestou todo o seu entorno.

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Petrobras, referência mundial A Petrobras prioriza a sua atuação em projetos que conciliam o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Somente em 2009, a empresa investiu R$ 1,97 bilhão na aplicação de um sistema de gestão ecossustentável de seus produtos e processos e no apoio a projetos de conservação e educação ambiental em todo o país, através do Programa Petrobras Ambiental. Um dos melhores exemplos dessa atuação está na província petrolífera de Urucu, no interior da Floresta Amazônica, onde a Petrobras desenvolveu um modelo de extração de petróleo que é referência mundial. Mesmo mantendo uma produção média de 55 mil barris de petróleo por dia e 10 milhões de metros quadrados de gás natural, a empresa reflorestou áreas desocupadas pela unidade, além de manter o Projeto Biomapas, que realiza pesquisas sobre os ecossistemas da região, com informações sobre mais de cem espécies. Outra prioridade da instituição é a redução da emissão de gases de efeito estufa. Através de programas específicos ou em projetos de pesquisa, investiu mais de R$ 50 milhões entre 2006 e 2009. A Petrobras também tem investido em novas fontes de energias renováveis, sendo pioneira em pesquisas com etanol e biodiesel. Essas ações devem somar mais de R$ 5,8 bilhões em projetos até 2014.

Polo Urucu, na Amazônia, ilha cercada de verde reflorestado Foto: Agência Petrobras

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sustentabilidade Viveiro florestal da Veracel Celulose, localizado em Eunápolis Foto: divulgação

Veracel e o ambiente Uma das principais empresas do mundo no setor de celulose, a Veracel investe em projetos ambientais no Sul da Bahia. Desde 2005, por exemplo, a empresa realiza o monitoramento de duas microbacias experimentais na região - uma em área de mata nativa e outra em um setor de plantio de eucalipto. “Não dá mais para fazer negócio pensando exclusivamente no fluxo de processo”, disse Eliane Anjos, gerente de Sustentabilidade da Veracel. A conscientização colocada em prática por todos os funcionários da Veracel apresenta resultados muito satisfatórios: um hectare de área ambientalmente protegido para cada hectare de eucalipto plantado, recuperação de mais de 80% dos resíduos gerados, utilização de 100% de energia limpa e renovável e emissão de menos de 1% de gás carbônico de todo o sequestro de carbono promovido pelas operações. A empresa também estimula os produtores florestais a combaterem o desmatamento. “Nosso maior desafio é, junto com as pessoas da região, buscar um olhar comum para os problemas e para as soluções sociais. Temos de ter a humildade suficiente para saber que a Veracel não tem todas as respostas e precisa compartilhar a sua missão com públicos diferentes”, ressalta Eliane Anjos. Para facilitar a interação, a Veracel cedeu, em regime de comodato, uma área de 64 hectares para os agricultores plantarem.

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Braskem: eficiência hídrica Com 12% de toda a água do planeta, o Brasil convive com a contaminação e o desperdício dos recursos hídricos, que chega a ser de 30% na Bahia. Comprometida com o desenvolvimento sustentável, a Braskem investiu cerca de R$ 150 milhões para promover a eficiência hídrica, o tratamento de resíduos sólidos e a redução de efluentes em suas unidades. Resultado: a empresa reduziu em 11% seu consumo anual de água. Em 2009, por exemplo, a Unidade de Petroquímicos Básicos (Unib), no Polo de Camaçari, intensificou o monitoramento de todos os indicadores, o que permitiu a identificação de novas possibilidades para implementar outras ações dentro da política adotada pela empresa de eliminar os desperdícios, de acordo com Sílvia Reis, gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) na Bahia e no Rio Grande do Sul. Além do estabelecimento de metas, a redução da geração de efluentes e resíduos também está entre os objetivos da empresa. “Os resultados alcançados em 2009 foram os melhores para todos os indicadores de ecoeficiência desde 2002”, afirma Mário Pino, gerente de SSMA Corporativo Bahia. Entre 2002 e 2009, a empresa diminuiu seu índice anual de efluentes em 34%.

Redução do consumo de água no Polo de Camaçari Foto: Carlos Casaes

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sustentabilidade Doação contribui para reflorestamento Foto: IBIOInstituto Bioatântica

Coelba: quando menos é mais Um projeto desenvolvido pela Neoenergia, holding das concessionárias de energia elétrica Coelba, da Bahia, Celpe, de Pernambuco, e Cosern, do Rio Grande do Norte, tem proporcionado melhores condições de vida à população, além de beneficiar o meio ambiente. Voltado para os clientes que consomem acima de 100 kWh/mês, o Energia Verde oferece dois bônus de até R$ 500 em crédito na conta de luz para a troca de refrigerador, ar-condicionado e freezer por equipamentos novos, eficientes e com selo de economia de energia. Os eletrodomésticos usados são recolhidos na casa do cliente pela concessionária de energia. Os beneficiados pelo projeto devem fazer doação de até R$ 240, a depender da faixa de consumo, para o reflorestamento de áreas remanescentes de Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta. O valor é debitado na conta de energia e poderá ser parcelado em até 24 vezes, sem juros. “Na Bahia, o projeto superou as expectativas. Esperávamos a adesão de 3 mil clientes na primeira etapa e atingimos 4.700”, disse Ana Christina Mascarenhas, assessora de Eficiência Energética da Neoenergia. Para contemplar quase 10 mil consumidores nos três estados beneficiados pelo Energia Verde, a empresa investiu R$ 7,6 milhões. “Somente com as doações, conseguimos arrecadar cerca de R$ 200 mil, valor empregado diretamente no reflorestamento da Mata Atlântica”, disse Ana Christina Mascarenhas.

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Energia limpa para novas gerações Energia é algo essencial na vida do homem contemporâneo para a execução de todas as suas atividades. E é da natureza que a sociedade busca os recursos para a geração da força que faz girar o mundo. Ao longo dos últimos dois séculos, a composição da matriz energética mundial esteve associada, sobretudo, aos combustíveis fósseis, tais como petróleo, carvão e gás, que são recursos não-renováveis. Com a crescente preocupação ambiental e o esgotamento das fontes naturais de energia, a sociedade busca uma nova matriz de energia, que garanta mais sustentabilidade ao planeta e ofereça energia limpa e suficiente para atender à demanda crescente. O foco são fontes alternativas, como energia solar, energia eólica, energia hídrica, biomassa e biocombustíveis. Um estudo realizado pela empresa de consultoria Ernst & YoungTerco, em 2010, aponta o Brasil na 19ª posição no ranking dos países mais atrativos para investimentos no mercado de energia renovável. A expectativa de crescimento do setor, no entanto, é maior que a taxa comum esperada no restante do mundo, entre 15% a 20%. Os melhores indicadores do país foram os que apontaram a atratividade para energia eólica, biomassa e energia solar fotovoltaica. “Não há outra solução. O mundo precisa cada vez mais de energia, e o petróleo não vai dar conta”, destaca o doutor em Engenharia Química e professor do mestrado em Energia da Universidade Salvador (Unifacs) Luiz Pontes. Segundo ele, o século XXI será marcado pela diversificação da matriz energética. “O etanol vai ganhar muita força e a Bahia poderia desenvolver muito mais o seu potencial. Há espaço para crescer”, diz. A Bahia já é o estado com o maior número de residências no país utilizando a energia solar. São 20,7 mil unidades habitacionais em todo o estado aplicando o sistema fotovoltaico, ou seja, que transforma a energia do sol em eletricidade. Segundo o gerente do Departamento de Obras Especiais da Coelba, Hugo Machado, a empresa tem utilizado essa tecnologia, sobretudo para chegar às localidades mais distantes. “Não se trata de um projeto de caráter provisório. Ele é eficiente, principalmente para os clientes de baixo consumo de energia”, citou. Todas as residências estão na zona rural e representam 5% do total atendido pelo Programa Luz para Todos na Bahia. 44


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O sistema fotovoltaico domiciliar tem capacidade para fornecer 30Kwh/mês, o que permite a esses consumidores utilizar, por exemplo, três lâmpadas fluorescentes compactas e uma TV de 20 polegadas. O alto investimento e a falta de regulamentação para esse sistema, no entanto, impedem o avanço, atualmente, da energia solar no Brasil, segundo Hugo Machado.

Vantagens naturais atraem investimentos em parques eólicos Foto: divulgação

Mas será a energia eólica a grande aposta nos próximos anos, segundo Pontes. E a Bahia apresenta muitas vantagens naturais, o que resultou na atração de grande parte dos parques eólicos que serão implantados no país, resultado dos dois primeiros leilões do setor. São 34 empreendimentos já confirmados no estado. De acordo com o Atlas Eólico Nacional, o potencial de geração de energia eólica no Nordeste seria de 75 gigawats (GW). Desses, 17,5 GW poderiam ser gerados na Bahia, uma quantidade equivalente à energia gerada por Itaipu e usina do Rio Madeira juntas. Somente a Renova Energia vai investir R$ 1,15 bilhão para construir 20 parques eólicos, gerando 457 MW de potência instalada em 2013. “Vai ser o maior complexo eólico do Brasil em operação”, declara Roberto Honczar, diretor financeiro e de relações com investidores da Renova. O início das obras físicas estava previsto para janeiro de 2011, com os acessos e as fundações. Investimentos estrangeiros também estão presentes. O projeto denominado Pedra do Reino, que será construído na região de Sobradinho, tem a participação de empresas do grupo espanhol Gestamp Eólica, um dos maiores do setor na Europa, que investirá R$150 milhões para gerar energia limpa na Bahia. “A Bahia conquistou um resultado incontestável no cenário nacional”, afirmou o especialista em energias renováveis Rafael Valverde. Ele explicou que está caindo por terra o conceito de que esse tipo de indústria energética é cara. “Para se ter uma ideia, historicamente, o preço mais alto em leilões de energia era relativo à energia eólica. Há poucos anos, a oferta girava em torno de R$ 240 por megawatts/hora (MWh), passando para um preço médio de R$ 122,69 MWh, na modalidade energia de reserva, nesse último leilão. O preço alcançado especialmente pela fonte eólica nos dois certames deverá promover uma revolução no setor”, disse Valverde.

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Biocombustíveis No setor de biocombustíveis, apenas a Petrobras garante investimentos da ordem de US$ 3,5 bilhões (R$ 6 bi) até 2014. A companhia informa destinar investimentos para a superação de desafios tecnológicos, segurança operacional e recursos humanos. Na Bahia, os esforços estão sendo focados na Usina de Biodiesel de Candeias que, em dois anos de operação, teve sua capacidade de produção praticamente quadruplicada. A unidade atingiu capacidade de 217,2 milhões de litros/ano, após a segunda etapa da ampliação. Para o diretor de Suprimento Agrícola da Petrobras Biocombustível, Janio Rosa, a capacidade ampliada de Candeias representa um aumento significativo da demanda por suprimento para produção de biodiesel. “E isso fortalecerá a relação com os parceiros agrícolas, especialmente agricultores familiares e suas cooperativas, consolidando a estratégia de suprimento da empresa no mercado produtor do estado”, comenta o diretor, que ressalta, ainda, que os resultados da produção de oleaginosas levaram à escolha da Bahia para essa parceria. Trata-se de produção agrícola transformada em energia. A Petrobras conta com 26 mil agricultores familiares contratados para o plantio de mamona e girassol em uma área de 95 mil hectares. A expectativa é ampliar a participação da produção regional do programa de suprimento agrícola. Para isso, ao longo dos últimos dois anos, a empresa desenvolve ações voltadas para a estruturação da cadeia de produção de oleaginosas nas regiões onde atua. Para o professor Luiz Pontes, o programa de biodiesel brasileiro ainda precisa superar muitos problemas. No caso da Bahia, esses entraves recaem, sobretudo, sobre o uso da mamona na mistura do combustível. Na Bahia, há ainda perspectiva de investimentos na implantação de usinas de produção de etanol no Sul e Oeste do estado, que deve proporcionar incentivo a toda a cadeia de cana-de-açúcar.

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Números da energia limpa

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3,5

bilhões de dólares é o valor investido pela Petrobras em biocombustível até 2014

17,5

GW podem ser gerados na Bahia


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Energia nuclear em estudo na Bahia Se depender do governo estadual, uma das duas usinas nucleares que serão implantadas no Nordeste ficará na Bahia. O estado já deixou clara a sua posição ao Ministério de Minas e Energia e à Eletronuclear – empresa da Eletrobras que opera as usinas termonucleares do país. O investimento estimado é da ordem de US$ 13 bilhões (R$ 22 bilhões). Segundo informações da Eletronuclear, a finalização dos estudos da primeira etapa para a escolha do local da central nuclear nordestina apontou as margens do Rio São Francisco como a melhor opção quando confrontadas com quase 20 critérios no processo de seleção de sítios. A utilização da água do rio nas usinas pode se limitar a 0,4% da vazão mínima do rio, caso se utilize torres de refrigeração, o que constitui reduzido impacto ambiental. Muitos ambientalistas questionam, principalmente, a segurança das usinas, sem contar os dejetos produzidos. Mas, segundo a Eletronuclear, de todas as atividades industriais, a geração de energia elétrica em usinas nucleares é uma das que oferecem menor risco.

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Educar para desenvolver A economia brasileira vem avançando desde a década de 1990. Nos últimos anos, o ritmo de crescimento se tornou mais veloz. A renda aumentou, a pobreza diminuiu, o país ganhou peso no cenário internacional. Para que o estágio de crescimento sustentável seja atingido, contudo, ainda faltam resolver alguns gargalos. Um dos problemas que o Brasil precisa atacar com urgência é a educação. Sem formação, dificilmente o país consegue avançar na corrida por inovação, outra palavra-chave para o desenvolvimento. “A educação é um fator limitador do desenvolvimento”, afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. “É claro que o país melhorou, mas esses avanços ainda são insuficientes para as nossas necessidades”, conclui. Todos os especialistas no assunto concordam. “Nenhum país desenvolvido chegou onde está sem investir em educação”, diz o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Nós sempre explicamos para nossos alunos que todas as grandes potências mundiais passaram por grande desenvolvimento educacional”, relata a coordenadora pedagógica do ensino médio do colégio Helyos, de Feira de Santana, Patrícia Moldes. É o caso, por exemplo, da Coreia do Sul. Há menos de 50 anos, o país asiático tinha índices sociais piores que os brasileiros. Após investir na formação de seus cidadãos, a Coreia é considerada hoje um país desenvolvido, com população altamente educada. O investimento se reverteu em riqueza. Segundo o Banco Mundial, em 2009, a renda per capita dos sul-coreanos era de R$ 27.168, 160%, maior que a brasileira, de R$ 10.427. De acordo com o último balanço da Educação, publicado em 2010 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investiu, em 2010, o equivalente a 5,2% do PIB em educação, considerando os setores público e privado. O número é muito superior ao índice de 1995, de 3,7% do PIB, mas ainda fica abaixo da média dos 33 países da OCDE, que é de 5,7%. Quando se olha para o gasto por aluno, a situação de precariedade do país fica evidente: segundo a OCDE, o Brasil gastou, em 2007, R$ 2.080 por aluno, considerando todos os níveis educacionais - do primário ao ensino superior. O valor é quase quatro

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sustentabilidade

7,4

7,1 7,0 6,1 6,1 6,0

5,7 5,6 5,2

4,9

4,7

4,5

China

Itália

Alemanha

Japão

Brasil

Portugal

Média OCDE

França

Canadá

Bélgica

Suécia

Chile

Coreia do Sul

Dinamarca

Rússia

EUA

3,5

3,2

Índia

7,6

6,4 6,3

Islândia

Fonte: OCDE, Unesco (dado da Índia ) e governo chinês (dado da China)

7,8

vezes menor que a média dos países da OCDE, de R$ 8.216. O resultado é que os alunos brasileiros ficam, sistematicamente, nas últimas colocações em testes internacionais. Os resultados, entretanto, não dão conta do que o país já avançou no campo da educação. Nos anos 60, por exemplo, a média de escolaridade da população adulta (com mais de 15 anos) era de 1,8 ano. Em 1990, ela havia subido para 3,8 anos, chegando a 5,6 em 2000 e, finalmente, a 7,2 em 2010. Isso é, em grande parte, fruto do esforço dos dois últimos governos, que estabeleceram como meta a universalização do ensino. A Bahia foi, inclusive, um dos estados que atingiram a meta de universalização mais cedo - em 2004, 98,3% das crianças de 7 a 14 anos do estado frequentavam a escola (o número caiu um pouco em 2006, para 97,3%). O que há de errado, então, com nossos estudantes? Se estão todos na escola, por que as avaliações mostram números tão ruins? Os especialistas são unânimes em afirmar que, apesar do avanço na universalização da educação, a qualidade do ensino ainda é muito ruim. Para que o país dê um salto de desenvolvimento, esse problema deve ser atacado o quanto antes. “A universalização foi um avanço, mas não é o suficiente. Se o aluno está na sala de aula e não aprende, não adianta nada. É

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sustentabilidade

um esforço que não tem recompensa”, diz André Braz, da FGV. “O esforço brasileiro tem de ser maior. Ainda estamos fazendo um trabalho de base. No Brasil, a escola pública é muito nova, do século XX”, afirma o secretário de Educação do estado e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Walter Barreto. Na maioria dos países desenvolvidos, esses avanços se deram ainda no século XIX. “Precisamos, no entanto, fazer uma revolução na educação da Bahia”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), José de Freitas Mascarenhas. Para ele, a inovação só vai se desenvolver na medida que for implementada uma política de educação de qualidade, que envolva toda a sociedade. “Já atingimos no estado valores razoáveis na universalização do ensino. Na qualidade e na permanência, no entanto, estamos muito atrasados”, disse, dando como exemplo a taxa de evasão no ensino médio, que subiu de 16,6% para 19,8% entre 2000 e 2008. A média dos anos de estudo de todas as faixas de idade no Brasil, em 2009, era de nove anos, segundo o IBGE. Na Bahia era de 5,9 anos, a mesma do Nordeste. Para o presidente da Fieb, uma das respostas seria a federalização das universidades estaduais. “Assim, liberamos recursos estaduais para aplicação no ensino fundamental e médio”, afirma. Os especialistas indicam uma série de outras medidas a serem tomadas para o que país invista mais e melhor. Além de aumentar ainda mais os investimentos, é necessário atacar as deficiências estruturais. Uma delas é justamente a formação dos professores. Como a educação como um todo, a qualificação melhorou nos último anos, mas ainda falta avançar mais. Em 1994, por exemplo, 30% dos professores tinham o ensino fundamental e 60%, o médio completo. No ano passado, 99% possuíam os dois níveis. Apesar disso, 40% não tinham curso superior. Na Bahia, mais de 100 mil professores não têm licenciatura, apenas o antigo curso normal. O estabelecimento de metas é uma inovação na educação brasileira. A implantação do sistema é tida como um dos pontos a serem implantados para que o ensino nacional se fortaleça. Segundo os especialistas, desse modo, o avanço é mais rápido. “Conheço bons professores da escola pública que não conseguem avançar por problemas de gestão”, afirma Patrícia Moldes, da Escola Helyos.

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Exemplo de escola A Bahia possui uma das ilhas de excelência do ensino nacional. É o colégio privado Helyos, de Feira de Santana. O colégio ficou famoso por ter conseguido o quarto lugar do país no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2007 e o segundo lugar em 2008. No estado, a instituição alcança o primeiro lugar há quatro anos consecutivos. Qual a fórmula do sucesso? Segundo a coordenadora pedagógica do ensino médio da instituição, Patrícia Moldes, os alunos são estimulados a pensar por meio de atividades diversas, que não incluem apenas as matérias-padrão da sala de aula. Os estudantes têm aulas de música, artes plásticas e cênicas, xadrez e até mecatrônica.

Trabalhadores qualificados A educação formal não é, porém, a única forma de avançar. “O ensino técnico também é muito importante. Um país não é feito apenas de doutores, alguém tem que meter a mão na massa”, lembra André Braz, da FGV. Organizações como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), entre outros, procuram atacar o gargalo da falta de qualificação. Para o diretor regional do Senai na Bahia, Gustavo Sales, a indústria, setor que o Senai atende, está precisando de trabalhadores cada vez mais preparados. Cursos técnicos e profissionalizantes também fazem a diferença na qualificação. Em 2003, Vivian Manuela Conceição foi aluna do primeiro curso de ensino técnico na área de logística. Apesar desse curso, especificamente, ser pago, ela decidiu que valia o investimento, pois havia carência de profissionais capacitados em Turismo, sua área de atuação. Hoje, sete anos, algumas promoções e aumentos depois, ela é coordenadora do curso superior de Gestão da Produção Industrial do Senai. Lidando com alunos todo dia, Vivian atesta que a educação e a qualificação continuada são a melhor forma de progredir. “A qualificação proporcionou meu crescimento profissional. Muitos que entram aqui sem trabalho saem empregados, e quem entra trabalhando consegue melhores salários e cargos de supervisão”, afirma. 51


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No ano passado, o Senai matriculou mais de 78 mil alunos nos 40 cursos oferecidos. Em 2010, estava previsto um crescimento ainda maior. O diretor regional do Senai afirma que o papel da entidade é suprir as necessidades dos projetos industriais do estado, conforme as demandas do mercado. Quando a Ford veio para a Bahia, por exemplo, foi lançado o curso de processos automotivos. O mesmo foi feito para a indústria petroquímica e está sendo realizado hoje para a construção civil. Com o renascimento da indústria naval no estado, já estão sendo formatados cursos para trabalhadores nessa área. Sales afirma, entretanto, que ainda há carências. Uma delas é o interior do estado. Ele garante, contudo, que o Senai está seguindo as indústrias, que estão se deslocando cada vez mais para cidades longe do litoral. A entidade abriu recentemente unidades em Luis Eduardo Magalhães, Barreiras, Jequié e Vitória da Conquista, entre outras cidades. Para André Braz, da FGV, os cursos de formação em eletrônica, construção civil e carpintaria, entre outros, são tão importantes quanto os de graduação.

Viviane: de aluna a coordenadora Foto: arquivo pessoal

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Infraestrutura

Infraestrutura


infraestrutura

Pensando o futuro

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nvestimento em infraestrutura. Para o país ou estado se desenvolver, precisa atacar os gargalos em setores-chave da economia. No seminário Agenda Bahia - Olhando 10 Anos à Frente, tema Infraestrutura, executivos, empresários e autoridades apontaram os caminhos que a Bahia precisa seguir para se fortalecer como potência econômica. Todos foram unânimes em afirmar que, se não houver ações para modernizar o sistema de transporte de carga, a Bahia poderá perder bilhões em novos empreendimentos nos próximos anos. Isso vale para diversos setores do estado, especialmente em mineração e petroquímico. A Braskem anunciou no seminário que o estado pode deixar de ganhar a nova planta de eteno verde. Motivo: a atual situação dos portos. Habitação também depende desses investimentos, principalmente em saneamento básico, urbanização e mobilidade urbana, para resolver o déficit habitacional e continuar gerando emprego e renda. Mobilidade urbana, aliás, foi outro assunto que mereceu destaque no Agenda Bahia. O tempo que se gasta em engarrafamentos traz prejuízos tanto para a economia baiana quanto para os cidadãos. Investimento em transporte público foi apontado como solução para esse problema.

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infraestrutura

Vantagens A Bahia tem posicionamento estratégico da costa e características naturais de acesso privilegiado para atrair novos investimentos. Maior economia do Nordeste, o estado é a porta de entrada para a região, via Sudeste. Tem potencial para concentrar a exportação de produtos, não só dos vizinhos nordestinos, como de outros estados do Centro-Oeste. Mas, sem a ampliação e modernização da infraestrutura do estado, os entraves podem impedir um maior crescimento e o desenvolvimento mais sustentável, apontam especialistas. Para a expansão da capacidade de energia, essencial para novos avanços na economia, a Bahia conta com uma série de vantagens naturais. Os sítios para a implantação da energia nuclear, às margens do rio São Francisco, são apenas alguns exemplos. A Copa de 2014 atrairá investimentos externos e é uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida dos baianos.

Posicionamento da costa é estratégico para o setor Foto: Agecom

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infraestrutura Recuperação e ampliação das rodovias também foram cobradas no seminário Foto: Evandro Veiga

Desafios Melhoria da logística permite a distribuição da produção agrícola e industrial com preços mais competitivos. As ações apontadas no seminário como prioritárias são focadas na ampliação e modernização de rodovias, ferrovias, portos, dutovias, hidrovias e aeroportos. Outro ponto essencial é solucionar os engarrafamentos nos grandes centros, permitindo mobilidade urbana da população. Isso só é possível com a integração do sistema de transporte de massa (metrô, BRT, ferroviário e hidroviário). Os investimentos também devem ser direcionados para todos os níveis da educação. Com mão de obra qualificada, a Bahia pode buscar saltos maiores no futuro, apontam especialistas. Resolver o déficit habitacional foi apresentado como outro desafio para o desenvolvimento sustentável do estado. Incrementar o setor da Construção Civil produz resultados em diversas direções: além de dar moradia digna aos cidadãos, gera emprego, renda e mais receita para o estado. Até setembro de 2010, foram criados 130 mil novos postos de trabalho no estado. Equacionar ainda o suprimento de energia elétrica e reduzir o preço cobrado pela energia, através de menores encargos, ajudarão no crescimento da Bahia.

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O BRT prioriza o transporte público ao criar corredores exclusivos para os ônibus Foto: divulgação

Por que avançar? Com melhor infraestrutura, o estado permite a ampliação da produção e garante o interesse de novas empresas em diversos setores, como mineração e petroquímico. Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentado pelo presidente da Fieb, José Mascarenhas, no seminário, mostra como a eficiência dos modais garante vantagem competitiva. De acordo com o documento, as exportações brasileiras poderiam ter aumento de 43% para os Estados Unidos, caso o Brasil reduzisse os custos com transportes em 10%. Em 2010, a Bahia concentrou 57,3% de todas as exportações do Nordeste. Essa base pode ser ampliada com modernização, por exemplo, dos portos. Terminais portuários de passageiros estruturados podem funcionar ainda como infraestrutura hoteleira suplementar, atraindo novos recursos para o estado, especialmente na Copa de 2014. Investir em transportes de massa também resolve o nó no trânsito, traz mais qualidade de vida para o cidadão e reduz o prejuízo com a perda de tempo nos engarrafamentos. Segundo estudo divulgado no Agenda Bahia, somente a implantação do BRT é capaz de aumentar a velocidade dos ônibus em 70% e reduzir o tempo de espera nos terminais em 83%.

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Como avançar? Mais recursos para ampliar e modernizar o sistema de transporte de massa e de cargas no estado. Especialistas sugerem ainda as Parcerias Público-Privadas para tirar do papel parte dos projetos voltados para obras de infraestrutura em diversas cidades da Bahia. Não é uma tarefa fácil. O estado é quase do tamanho da França. Mas, para estar interligado com outras cidades e conectado com outros continentes, precisa avançar nesse tema. Cuidar das cidades também deve ser uma preocupação. Ampliar o espaço nas vias para as calçadas estimula os moradores a andarem a pé, deixando o carro mais tempo na garagem. O investimento em tecnologia também permite a inovação de processos, produtos e serviços, o que pode resultar em um diferencial para o estado e a busca pelo desenvolvimento sustentável. O Brasil, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2007, gastou R$ 2.080 por aluno, em todos os níveis. Esse valor é quatro vezes menor que a média de 20 países consultados pela OCDE, R$ 8.216. Investir mais no aluno e também na qualificação do professor é uma prática de países mais desenvolvidos.

Tecnologia de ponta pode ser um diferencial na competição entre mercados Foto: Iracema Chequer/Fieb

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Construção de prédio na capital baiana: crédito abundante e demanda cada vez maior por novas moradias puxam o crescimento do setor no estado Foto: Renata Albuquerque

Construir para crescer A Bahia foi o estado que teve maior participação do total de financiamentos imobiliários no Nordeste em 2009. O boom imobiliário também se refletiu em trabalho: a construção civil é o setor que mais gerou empregos no estado no primeiro semestre de 2010. De acordo com o diretor de Habitação da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), José Azevedo Filho, para cada milhão em vendas do setor são gerados 65 postos de trabalho diretos e indiretos. Pela estimativa da entidade, até setembro de 2010, o volume de vendas atingiu a marca dos R$ 2 bilhões e a criação de postos de trabalho nesse ano ficou em torno dos 130 mil. O setor não para de crescer. De acordo com Azevedo, até setembro de 2010, foram vendidas 10,5 mil unidades habitacionais no estado. “A expectativa é comercializar 15 mil unidades”, diz. Se a meta for atingida, o crescimento perante 2009 será de aproximadamente 25%. “Para nós, 2010 foi um ano excelente”, garante Ricardo Telles, diretor regional da incorporadora Agre, parte do grupo PDG, líder do setor no país. Telles acredita que o mercado está aquecido, a ponto das vendas da empresa ultrapassarem a previsão da Ademi. “Esperamos para 2011 um crescimento de 10% a 20%”, revela. O otimismo se dá por diversas razões, entre elas a crescente oferta de crédito no mercado e a demanda das classes C e D. A nova classe média fez as construtoras criarem empresas e produtos direcionados 60


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para esse segmento. “Atuamos em todos os segmentos, do econômico ao alto padrão”, afirma o diretor. Para 2011, a incorporadora espera ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em vendas, com aproximadamente 1,3 mil unidades comercializadas. Para manter a posição de liderança, a Agre prevê o lançamento de diversos novos empreendimentos. “Salvador é nosso segundo maior mercado, pouco atrás de São Paulo”, afirma o diretor da Agre, que calcula a diferença de vendas entre as duas cidades em cerca de 20%. Com o crescimento acelerado da capital baiana, os paulistas que se cuidem.

Crédito atinge recorde, diz Caixa O crescimento da construção civil na Bahia é puxado por dois fatores: a oferta de crédito e a demanda das classes C e D por nova moradia. “A partir do momento em que você tem uma demanda forte e há disponibilidade de crédito, o mercado se desenvolve”, afirma o diretor regional da incorporadora Agre, Ricardo Telles. Os números sustentam a afirmação do executivo. De acordo com a Caixa Econômica Federal, a maior fonte de financiamentos do setor, o montante de crédito imobiliário movimentado pelo banco no estado chegou a R$ 2,64 bilhões até outubro de 2010, um recorde para o período. O número representa um crescimento de nada menos que 211% em relação ao R$ 1,25 bilhão financiado pela Caixa nos primeiros dez meses de 2009. Segundo o banco, foram formalizados 44.892 contratos de financiamento nos primeiros dez meses de 2010. O desempenho foi puxado pelo Programa Minha Casa Minha Vida. Desde 2009, o programa já contratou 700.021 unidades habitacionais no país, num valor total de aproximadamente R$ 40 bilhões. Com 61.465 unidades e valor de R$ 2,9 bilhões, a Bahia é líder do programa no Nordeste e terceiro maior estado no país. Segundo o balanço da Caixa, para as famílias baianas que ganham até R$ 1.395, foram financiadas 47.541 unidades, com valor total de R$ 2 bilhões. É justamente o segmento de renda que deve puxar o crescimento em 2011. De acordo com a Ademi-BA, metade dos lançamentos de 2011 visa atender o público que tem renda entre R$ 1.530 e R$ 5.100.

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Obras do PAC na Bahia

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infraestrutura 63 Fonte: Fieb Arte: Bamboo editora


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Todos os caminhos levam ao interior Um pequeno povoado, antes denominado Mimoso do Oeste, transformou-se, em apenas 10 anos, em um dos municípios mais importantes para a economia baiana e um dos que mais crescem no Brasil. A cidade hoje chamada de Luis Eduardo Magalhães, distante 950 quilômetros de Salvador, é exemplo do crescimento que acontece no interior. Nesse caso específico, a motivação vem da agricultura irrigada do Cerrado e das agroindústrias lá implantadas ao longo da última década. A desconcentração da riqueza do estado permite a redução da pressão demográfica sobre a capital e o desenvolvimento também do interior do estado. Isso significa mais oferta de empregos em cidades além da Região Metropolitana. O avanço da agricultura irrigada no Oeste fez aumentar, por exemplo, em quase 150% a população de Luis Eduardo Magalhães em 10 anos. Passou dos 18 mil habitantes para os atuais 52 mil, e o Produto Interno Bruto (PIB) municipal já ultrapassou R$ 1 bilhão. O município tornou-se um dos mais importantes polos do agronegócio do Brasil – é responsável por 60% da produção de grãos do estado -, onde são cultivados mais de 270 mil hectares, sendo que o plantio da soja ocupa uma área superior a 175 mil. O Centro Industrial do Cerrado, no município, já conta com mais de 50 empresas, algumas delas multinacionais. O crescimento do agronegócio baiano, sobretudo em municípios como Luis Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério, aponta para um dos indicadores da desconcentração espacial da atividade econômica do estado. Até mesmo a agricultura, antes polarizada na fruticultura do Vale do São Francisco e no cacau no Sul do estado, ganhou novas dimensões nas últimas décadas. O coordenador do Conselho de Economia e Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado (Fieb), Clóvis Torres, defende, no entanto, a criação de novos polos industriais no interior da Bahia, fundamental para o surgimento de novos vetores de crescimento. “Naturalmente, a descentralização ajuda a minimizar a concentração da atividade industrial na Região Metropolitana, pois, a depender da atividade industrial, determinadas empresas podem atrair outras indústrias de transformação para essas

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regiões, impulsionando a atração de infraestrutura, capacitação de mão de obra, surgimento de novos campos de trabalho, oportunidades para exportação de produtos com maior valor agregado, etc”, afirmou. A indústria ainda tem grande presença na Região Metropolitana de Salvador. Mas, nos últimos anos, a Bahia viu surgir polos industriais importantes por todo o estado, com destaque para o diversificado Centro Industrial Subaé, em Feira de Santana; o polo de indústrias de computadores e eletroeletrônicos, em Ilhéus; o polo de celulose, no Extremo Sul; e agora o crescimento da mineração, especialmente no Sudoeste. “É natural que as regiões metropolitanas concentrem mais o desenvolvimento. Em qualquer estado isso acontece. A Bahia, no entanto, vem desenvolvendo, nas últimas décadas, programas setoriais que favorecem a desconcentração da riqueza. Esse movimento não é pontual. Ele é contínuo”, afirmou o professor de Economia e diretor de Indicadores e Estatísticas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Gustavo Pessoti. Ele destaca, por exemplo, a diversificação do parque industrial, com a implantação de fábricas de calçados, alimentos, eletrônicos e celulose no interior. Gustavo Pessoti destacou que, além das vocações regionais, a desconcentração econômica passa por investimento em infraestrutura no interior. “O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, deveria estar articulado com essas vocações econômicas”, disse. Ele defendeu a articulação entre os governos federal, estadual e municipal e criação de uma Política Nacional de Desenvolvimento.

Agronegócio abriu fronteiras no interior do estado Foto: Agecom

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Clóvis Torres, da Fieb, citou o novo polo industrial que surge com essa tendência, que é o do setor mineral. Torres, vicepresidente executivo da Bahia Mineração, deu como exemplo o projeto que a empresa desenvolve, o Pedra de Ferro, na região de Caetité, que vai produzir, a partir de 2013, na região Sudoeste, em torno de 19,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e irá contribuir para que a Bahia alcance o terceiro lugar na produção desse minério no país. Muitas regiões da Bahia, segundo ele, encontram-se estagnadas há décadas e a chegada de novos empreendimentos que tenham a preocupação de contemplar o tripé econômico, social e ambiental pode contribuir para o desenvolvimento regional. “Mas é importante que a preocupação de desconcentrar e impulsionar a economia no estado esteja atrelada à preocupação com a sustentabilidade, pois não adianta dar trabalho, criar a base econômica, mas destruir o meio ambiente. E a recíproca é verdadeira. Não adianta proteger só o meio ambiente e deixar as pessoas sem trabalho e sem ter uma economia que as possa sustentar”, afirma Torres.

Criar infraestrutura logística é necessário para incentivar novos negócios Clóvis Torres, da Fieb, afirmou que é fundamental para o estado que se invista de maneira constante na criação de infraestrutura logística, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o complexo Porto Sul, que interliguem todas as regiões da Bahia, com o intuito de baratear a logística do estado, incentivar a implantação de novos negócios, descentralizar o desenvolvimento e desafogar as rodovias. “Outra ação que deve ser levada em conta é a reforma e a ampliação dos portos da Região Metropolitana, além da ampliação dos aeroportos, tendo em vista a realização da Copa do Mundo de 2014 e o crescimento do turismo no estado da Bahia”, destacou. O da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, destacou que, do total de indústrias que se instalaram no estado nos últimos 12 meses, 67% optaram por cidades fora da Região Metropolitana. “A descentralização e a diversificação da economia baiana é uma meta de governo na Bahia”, afirmou. “Este crescimento do interior se dará de forma mais intensa com a expansão da mineração”, informou Correia. Segundo ele, atualmente, mais de três mil áreas estão sendo pesquisadas na Bahia. O secretário destacou ainda os investimentos em energia eólica: “Já temos

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cadastrados projetos que somam mais uma Usina de Itaipu, com estimativa de recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão”, citou. De acordo com James Correia, o estado teria 1/3 de todo o potencial eólico do Brasil. Para o Semiárido, Correia destacou a necessidade de combinar incentivos, o uso de tecnologia adequada e a criação de cadeias produtivas que se sustentem. “O biodiesel é um bom exemplo”, citou. Para o secretário, é preciso contar com participação de gestores competentes nos municípios. “A prefeitura que não trabalhar não vai conseguir alavancar suas regiões”, disse. Ele enfatizou ainda a implantação do Polo Naval, que está sendo instalado no Recôncavo. “O momento é muito bom, para o Brasil e para a Bahia”, afirmou.

“É importante que a preocupação de desconcentrar e impulsionar a economia no estado esteja atrelada à preocupação com a sustentabilidade” CLÓVIS TORRES, coordenador do Conselho de Economia e Desenvolvimento Industrial da Fieb

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O exemplo do Oeste

60%

da produção de grãos do estado vem de lá

270

mil hectares são cultivados na região. Mais da metade é soja: 175 mil hectares

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Construção eleva demanda por PVC O crescimento do setor da construção civil vem elevando, anualmente, a demanda pelo PVC (policloreto de vinila). Ele é utilizado em todas as etapas da obra, através de tubos, conexões, perfis, fios, cabos e revestimentos. A Braskem responde por mais de 50% da produção nacional do termoplástico, com unidades na Bahia e em Alagoas. Segundo Nilton Valentim, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Braskem, haverá uma crescente demanda pela resina nos próximos 10 anos, diante da melhoria de renda e o aumento do crédito habitacional no Brasil. Em 2010, o mercado nacional de resinas de PVC somou mais de um milhão de toneladas, sendo que 60% da produção total é destinada a atender os setores da construção civil e infraestrutura. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), houve aumento de 21% do mercado de PVC nos últimos três anos. A demanda pelo material vem registrando incrementos significativos, colaborando também para o crescimento sustentável do setor. “Além do mercado imobiliário, o aumento está sendo proporcionado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além das obras referentes aos jogos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas”, citou Valentim. O PVC tem inúmeras aplicações na construção civil, tendo em vista que o material tem como vantagens a durabilidade, a resistência química, o alto padrão de acabamento, além de estimular o uso de pré-moldados, evitando o desperdício e o entulho e, principalmente, ser 100% reciclável, colaborando para reduzir os impactos ambientais. Outro ponto que justifica essa maior demanda é em relação ao saneamento básico no Brasil. “Para que haja a universalização do saneamento em todas as regiões do país será preciso realizar grandes investimentos por pelo menos duas décadas”, citou Valentim. Diante do crescimento da demanda, a Braskem vem anunciando investimentos na ampliação da produção de PVC. Inicialmente, está investindo R$ 920 milhões na construção de uma nova fábrica do termoplástico em Alagoas, com capacidade de 260 mil toneladas/ano. Já está em estudos, também, a expansão da

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unidade industrial do Polo de Camaçari. Somente a nova unidade em Alagoas elevará a produção da Braskem para 710 mil toneladas anuais da resina, um aumento de 40% até 2012. O desenvolvimento de novas tecnologias e aplicações de PVC em engenharia vem sendo perseguido pela Braskem, com o intuito de promover e inovar o uso do material no mercado de construção civil. Para isso, criou o programa NEO PVC - Núcleo de Estudos Orientados do PVC, com o objetivo de desenvolver estudos orientados para expansão do PVC e criar novas aplicações para o plástico. As características inerentes ao produto se encaixam às necessidades do setor, que busca materiais duráveis, seguros, com elevada resistência química e à ação do tempo.

Parede sem massa corrida e pintura A Braskem tem investido em novas tecnologias de aplicação do PVC. Entre os exemplos estão as telhas feitas com a resina e o Concreto PVC, sistema construtivo no qual painéis de PVC atuam como fôrma de encaixe em módulos, preenchidos com concreto e aço estrutural, formando as paredes das construções. Desenvolvida no Canadá, a tecnologia do Concreto PVC pode ser utilizada em edificações de até cinco pavimentos, e é uma solução de uso diversificado, independentemente da região, do clima e da topografia. Entre as vantagens dessa parede é que ela dispensa o acabamento final (massa corrida e pintura) e permite uma alta produtividade. Dentre as vantagens do sistema, indicadas pela empresa, destacam-se: alta produtividade com equipes otimizadas, padrão de acabamento, obra limpa e sem desperdício, total controle e gerenciamento dos materiais e custos, elevada durabilidade dos materiais e facilidade de limpeza e manutenção no pós-uso. Ele permite novos arranjos produtivos, com maior pré-processamento. Possibilita diferentes acabamentos, como azulejo, pintura ou textura. A versatilidade é um dos destaques do sistema, sendo indicado tanto em casas populares como em projetos mais complexos, a exemplo de estações de tratamento de esgoto compactas, galpões para uso industrial e comercial. No site www.projetandocompvc.com.br, a Braskem disponibiliza conteúdo dedicado à apresentação dos produtos e sistemas em PVC aplicados à construção civil, constituindo-se em fonte de referência sobre seus fabricantes e normas de desempenho.

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Bahia precisa correr para não perder investimentos A Bahia pode perder bilhões de reais em investimentos nos próximos anos, caso não resolva a tempo seus problemas de logística. Durante palestra no seminário Agenda Bahia - Olhando 10 Anos à Frente, o vice-presidente da Braskem, Manoel Carnaúba, afirmou que a companhia e outras empresas querem investir no estado, mas dependem da melhoria da infraestrutura para confirmar os novos empreendimentos. Ele citou que somente o setor petroquímico investirá mais de US$ 5 bilhões (R$ 8,5 bi) nos próximos anos, e grande parte desses recursos poderá vir para a Bahia. Carnaúba disse que um dos empreendimentos é a nova planta de eteno verde da Braskem, já anunciada pela empresa, mas sem localização definida. “A Bahia não terá condições de receber esta planta verde se a situação do Porto de Aratu continuar como está. Sem eficiência nos portos não acontecerão novos investimentos no Polo de Camaçari”, declarou. Essa planta de propeno verde, cujo investimento será de US$ 100 milhões (R$170 mi), vai demandar mais de 700 milhões de litros de álcool, o que exige uma logística eficiente na movimentação da matéria-prima. Ele ainda citou a possibilidade de instalação do Polo de Acrílicos no estado, que criará uma cadeia produtiva com investimentos superiores a R$ 1 bilhão. “A implantação da fábrica base, de ácido acrílico, depende de porto e de um modal ferroviário que possibilite o transporte, de forma eficiente e segura, de Camaçari até Aratu”, informou. Segundo Carnaúba, a própria manutenção do Polo Petroquímico de Camaçari depende da melhoria da infraestrutura. Ele afirmou que os incentivos concedidos por outros estados para importação de resinas está tirando a competitividade do complexo baiano, o maior do Hemisfério Sul. Para garantir eficiência, ele diz que é preciso reduzir os custos logísticos. “Hoje, há um elevado número de dias de espera dos navios nos portos, o que eleva os custos e gera fuga de carga”. “A Bahia pode entrar numa nova fase, de muitos investimentos. Estou confiante que teremos uma das regiões mais competitivas 70


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do país”, disse Carnaúba. Na palestra, ele citou algumas prioridades e lembrou que determinadas ações já estão sendo desenvolvidas. Entre os portos, além da implantação do Porto Sul, Manoel Carnaúba defendeu a revitalização do Porto de Ilhéus e a implantação de um novo terminal de contêineres e do terminal de passageiros no Porto de Salvador. Para Aratu, está sendo analisado, pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o projeto de concessão do porto para a iniciativa privada. Braskem Login (Vale), Tequimar e Dias Branco criaram um consórcio para formação de uma Parceria Público-Privada (PPP), que pode resultar em investimentos da ordem de R$ 1 bilhão para modernização do complexo portuário. Carnaúba também destacou a importância e eficiência das ferrovias, e citou que apenas 4,7% dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram direcionados para esse sistema de transporte. “A Bahia, porém, foi bem atendida”, citou ele, destacando a implantação da Ferrovia de Integração OesteLeste (Fiol), que vai escoar a produção de grãos do Cerrado e o minério de ferro do Sudoeste. “Precisamos ainda de uma ferrovia competitiva, que ligue Camaçari a Paulínia (SP). Esse sistema é o que proporciona menor risco ambiental para os produtos químicos”, citou. Nas rodovias, o vice-presidente da Braskem falou de duas iniciativas importantes: as concessões dos sistemas BR-324/116 e da BA-093.“Foram ações importantes. Mas, precisamos também duplicar a BR-101 e a 116”, afirmou.

Carnaúba afirmou que a Bahia não terá condições de receber a planta verde da Braskem se a situação do Porto de Aratu continuar como está Foto: Robson Mendes

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Renascimento naval Embora nenhum poço de petróleo na camada do pré-sal tenha sido descoberto na Bahia, o estado é um dos grandes beneficiados pela descoberta das gigantescas reservas de óleo localizadas a milhares de metros de profundidade no mar. Explica-se: com a decisão de adotar uma política de produção nacional de plataformas e navios-sonda, com uso majoritário de componentes locais, o governo terminou por recriar a indústria naval brasileira, inativa há muitos anos. Diante da futura demanda, a Bahia planejou o renascimento de sua própria indústria naval. O estado, que já construiu plataformas no passado, está trabalhando nelas de novo. Segundo o coordenador do Comitê de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Eduardo Rappel, para que isso ocorresse, foi preciso que o governo priorizasse o assunto. “O papel dos governos é prover infraestrutura e brigar com outros estados por investimentos”, afirma Rappel. É justamente o que está acontecendo na Bahia, relata o secretário extraordinário da Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin. “A Bahia está voltando ao jogo no setor”. Ele aponta para os investimentos já concretizados e os programados para o estado nos próximos anos. O canteiro de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, está em pleno funcionamento, após ganhar contratos para fazer as plataformas P-59 e P-60 da Petrobras. O empreendimento emprega hoje, na fase de operação, 1.500 trabalhadores. Durante as obras de revitalização e construção, foram mais de dois mil funcionários. Além do canteiro de São Roque, estão sendo construídos outros quatro canteiros na mesma região, para a produção de módulos para plataformas off-shore (as diferentes partes e equipamentos que compõem as unidades marítimas de produção da Petrobras). Os novos empreendimentos, um investimento conjunto de cerca de R$ 200 milhões, serão erguidos pelas empresas baianas GDK e Belov Engenharia, pela mineira Multitek e a paulista Niplan. De acordo com o secretário Benjamin, o canteiro da GDK, que terá 124 mil metros quadrados, conta com a vantagem de que, além de construir os módulos, poderá integrá-los aos navios-

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Canteiro de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, está construindo as plataformas P-59 e P-60 Foto: Andrea Farias

sonda da Petrobras, pois seu cais tem comprimento e calado suficiente para receber navios de grande porte. O secretário aponta ainda para a geração de empregos que as obras trarão. Segundo ele, trabalharão, aproximadamente, 1.200 pessoas na construção dos canteiros e cerca de mil na operação de cada um deles quando estiverem prontos. Uma das preocupações das empresas é a qualificação da mão de obra para a tarefa. “A Bahia tem uma forte tradição no ramo metal-mecânico, além disso, temos gente treinada no Polo Petroquímico e na refinaria”, afirma Benjamin. Rappel, da Fieb, concorda.“Muitos baianos foram trabalhar no Sul e Sudeste quando a indústria naval daqui definhou. Agora, a tendência é que eles voltem”, opina. O secretário afirma que o emprego de mão de obra local será crucial para o sucesso do renascimento da indústria naval baiana. Mesmo tendo gente treinada, será preciso investir em mais qualificação, o que demanda tempo e dinheiro. “Nossa dificuldade está na quantidade e no cronograma”, diz Benjamin. Ele afirma que a secretaria já está coordenando um esforço para criar um programa de qualificação, que contará com o suporte de projetos e entidades já existentes, como o Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural (Promimp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Benjamin garante que o curso já está sendo formulado e será oferecido já no primeiro semestre de 2011, justamente quando devem começar as obras dos canteiros. “O Senai busca suprir as necessidades industriais do estado, esforçando-se para atender as demandas do mercado”, garante

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o diretor regional do Senai na Bahia, Gustavo Sales. “Hoje, por exemplo, investimos em cursos para a indústria de construção civil, assim como a indústria naval”, diz. Os trabalhadores também poderão ser aproveitados nas obras do estaleiro Enseada do Paraguaçu, uma sociedade entre os grupos baianos Odebrecht e OAS e a carioca UTC. O projeto conta com uma vantagem sobre os concorrentes do resto do país: é o único com a licença ambiental já concedida pelo Ibama, uma exigência da Petrobras. O investimento previsto é de R$ 2 bilhões. A geração de empregos diretos pode chegar a 3,5 mil na construção e entre 4 mil a 5 mil na operação. Segundo o secretário, quando o estaleiro estiver operando, juntamente com os cinco canteiros, a Bahia terá de fato um polo naval, com geração de aproximadamente 15 mil empregos diretos, computando as fases de construção e operação dos empreendimentos. Um ponto de dúvida é a questão dos contratos. Apesar dos investimentos milionários, nenhum dos quatro canteiros tem contrato fechado. O governo e as empresas não estão preocupados com isso, no entanto. Para Benjamin, a demanda é certa, assim como a participação baiana na construção das plataformas e suas partes. A própria Petrobras confirma essa possibilidade. “É certo que a Bahia ganhe contratos. O mais lógico, do ponto de vista de logística e custos, é que esses equipamentos sejam feitos aqui”, afirma o gerente geral de Exploração e Produção da estatal no estado, Antônio Rivas.

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Investimento bilionário Atraídas pelo déficit habitacional de Salvador e pelo aumento na renda da população, construtoras e incorporadoras resolveram apostar no mercado baiano nos últimos anos. Uma delas é a Agre Incorporadora, empresa que pretende investir na construção de apartamentos voltados à classe C. “Todos os indicadores apontam que os apartamentos e casas com preços entre R$ 150 mil e R$ 250 mil têm mercado garantido”, disse Ricardo Telles, um dos diretores da empresa, após a apresentação de sua palestra no seminário Agenda Bahia. Para colocar em prática a sua meta, a Agre anunciou investimentos de R$ 9 bilhões na Bahia nos próximos 20 anos. “Só queremos que o estado e a prefeitura de Salvador colaborem executando projetos de infraestrutura. É preciso dar mais celeridade às obras para que possamos aproveitar bem as oportunidades”, afirmou. Ricardo Telles disse também que a Agre vai adotar uma política “ainda mais agressiva” de vendas nos próximos anos. “Nossa intenção é comercializar pelo menos 25 mil unidades habitacionais até 2020”. Desde que iniciou as suas atividades na Bahia, há três Segundo Ricardo Telles, imóveis anos, a Agre vendeu 7.200 unidades somente na capital baiana. voltados à classe C, entre R$ 150 mil e R$ 250 mil, têm mercado garantido

Segundo ele, o mercado baiano tem um amplo potencial de crescimento. “A Bahia ficou em terceiro lugar na venda de imóveis em 2009 e as projeções apontam para um crescimento de até 10% Foto: Arisson no volume anual nos próximos anos”, afirmou. Em sua palestra, Marinho o diretor da Agre afastou a possibilidade de o Brasil repetir o exemplo dos Estados Unidos, país que enfrentou uma “bolha imobiliária” em 2007. “Aqui (no Brasil), as pesquisas mostram que 88% das pessoas compram imóveis para uso próprio. Portanto, não corremos o menor risco, pelo menos até 2015, principalmente porque existe um déficit habitacional muito grande no Brasil e milhões de pessoas tiveram um substancial aumento de renda nos últimos anos”. Ricardo Telles afirmou também que, comparado a outros países, o endividamento imobiliário do brasileiro é muito pequeno. “Este comprometimento corresponde a apenas 30% da renda, o que dá muita segurança para todos os envolvidos no processo de compra e venda. No Reino Unido, por exemplo, a dívida é de

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quase duas vezes a renda do comprador”. Segundo o diretor da Agre, quando os órgãos públicos investirem em infraestrutura, reduzirem a burocracia e acabarem com a incerteza regulatória, o mercado imobiliário brasileiro vai “explodir definitivamente”.

Apartamentos atendem à nova estrutura da família Dois empreendimentos lançados em Piatã pela Agre demonstram que a construtora está mesmo disposta a investir nos consumidores beneficiados com o aumento de renda da população. Das 1.272 unidades do Colina de Piatã, 338 foram vendidas rapidamente, em apenas um fim de semana. O empreendimento tem vista para o mar e está localizado em um terreno de 80 mil metros quadrados. Os apartamentos, com plantas de dois e três quartos, têm entre 50 m² a 81 m². Outro lançamento no mesmo bairro é o Cores de Piatã. Com apartamentos de dois quartos e diversos itens de lazer, o Cores de Piatã tem como uma de suas propostas oferecer “facilidades de pagamento para o cliente”. “Nós estamos conscientes da chegada de uma nova classe social ao mercado e vamos fazer de tudo para atendê-la muito bem”, disse Ricardo Telles. De acordo com o diretor da Agre, a construção de apartamentos menores é uma tendência do mercado. “Hoje, no Brasil, 50% dos imóveis são para atender a uma outra estrutura familiar, pessoas que não têm filhos ou optaram por morar sozinhas, mas que exigem muito conforto”, disse. Recém-separada, a professora Ludmilla Santana, 32 anos, comprou um apartamento de 78 m² em Brotas. “Como vou morar só, quero ter menos trabalho dentro de casa”, disse. Segundo a professora, outra vantagem dos apartamentos menores é “possibilitar a redução de custos”. “Tenho certeza que vou gastar bem menos”, afirmou.

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Construção cobra mais agilidade de governos Após falar dos planos para o investimento, Telles cobrou do estado e da prefeitura de Salvador “mais agressividade” para resolver os problemas de infraestrutura. “A cidade está crescendo num ritmo alucinante e as obras que estão sendo executadas não seguem a mesma velocidade”, afirmou. Segundo o diretor da Agre, é necessário solucionar problemas crônicos para atender toda a demanda. “Nossa infraestrutura está decadente, existem muitas incertezas regulatórias, convivemos com a burocracia, corrupção e violência urbana, e a nossa educação ainda não atingiu o patamar desejado”. Ao mesmo tempo, Ricardo Telles apontou alguns fatores positivos que permitem o crescimento do setor: estabilidade macroeconômica, democracia consolidada e economia diversificada. Para o diretor, o bônus demográfico pode colocar o Brasil entre os países mais avançados do mundo nos próximos 20 anos. “A maioria da população está em uma faixa etária que varia dos 20 aos 60 anos, período de muita produtividade. Esta é a nossa grande oportunidade para resolvermos definitivamente os problemas estruturais do Brasil”.

“A cidade está crescendo num ritmo alucinante e as obras que estão sendo executadas não seguem a mesma velocidade” RICARDO TELLES, diretor regional da Agre

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Bem abaixo da média O Brasil perde feio na comparação com os outros países quando o assunto é infraestrutura. Essa é a conclusão de um estudo apresentado no Agenda Bahia pelo sócio-diretor da consultoria LCA, Fernando Camargo. A pesquisa, baseada em levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial, que comparou a infraestrutura de 20 países, deu notas que variavam de 0 a 7a cada um. A infraestrutura brasileira ficou com 3,4, menos que a média de 4,1 dos países pesquisados, e atrás até de nações latino-americanas, como México e Chile, e rivais emergentes, como China e Turquia. Em alguns dos setores pesquisados, como infraestrutura portuária, o país ficou em último lugar (nota 2,6). “Nossa demanda por infraestrutura é gigante e nos coloca numa posição vexaminosa em relação aos outros países”, revela Camargo. Segundo ele, um dos meios de vencer o atraso é pelo trabalho conjunto entre setor público e privado: “A queda dos juros tornou possível a obtenção de retornos com projetos de infraestrutura, o que atrai os agentes privados”. O especialista admite, contudo, que há modelos eficientes para cada segmento, como as concessões ou mesmo privatizações. As Parcerias Público-Privadas (PPPs) ainda não saíram do papel em larga escala por falta de regulamentação e insegurança jurídica, diz ele. Camargo chamou atenção para as deficiências brasileiras, como as rodovias precárias, mas também afirmou que muitos setores estão melhorando, como as ferrovias.

Segundo Camargo, da LCA Consultores, faltam planejamento e projetos Foto: Arisson Marinho

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Segundo o especialista, muitos dos gargalos se devem ao fato de que não há planejamento adequado para solucionar os problemas e nem projetos com grau de detalhamento suficiente para que sejam tirados do papel. Para o especialista, a Bahia também tem infraestrutura precária. Para melhorar, precisa de recursos. Mas metade dos projetos com orçamento federal não saiu do papel em 2010 - dos 11,5% de recursos destinados ao estado, apenas 5,3% foram executados. Para o especialista, é preciso investir na centralização dos projetos. “O planejamento em infraestrutura deve ser antecipado, integrado e de longo prazo. O tema passou a ser foco do governo, e isso é um começo”, afirma. De acordo com ele, essa é uma das principais razões para que boa parte do dinheiro que é reservado para as obras não seja efetivamente gasta. “Não faltam recursos, mas sim projetos detalhados, de qualidade”, diz. Para Camargo, o investimento em qualificação dos profissionais que lidam com o setor é necessário: “Hoje, os profissionais de fiscalização, do Tribunal de Contas da União (TCU), são mais bem preparados que os profissionais de execução das obras”. O especialista cita como soluções uma gestão centralizada e integrada do planejamento na área, a criação de um banco de projetos para antecipar os investimentos e o treinamento e qualificação da mão de obra. Só assim o país resolverá seus gargalos, que não são poucos.

“Estamos numa posição vexaminosa em relação a outros países” FERNANDO CAMARGO, sócio-diretor da consultoria LCA

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Para sair do 0 x 0 A Copa de 2014 não movimenta apenas o mundo do esporte. Será uma grande oportunidade para cidades-sede, como Salvador. “Com a Copa, a gente não vai conseguir resolver tudo, mas estamos dando um grande passo. O Mundial traz a oportunidade de discutirmos o que deve ser feito e quais as prioridades”, afirmou Marcos Galindo, coordenador do Comitê de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Galindo foi o moderador do debate Oportunidades para a Copa de 2014, que reuniu três debatedores: o secretário da SecopaBA, Ney Campello; o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Nilson Sarti; e o vicepresidente do grupo TPC, Sergio Faria. Eles discutiram os problemas que Salvador precisa enfrentar de modo a receber bem os turistas que chegarão para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2014 na cidade. Foram debatidas soluções para os problemas de transporte, hotelaria e gargalos no porto e aeroporto. A seguir, as principais contribuições de cada participante do Agenda Bahia - Olhando 10 Anos à Frente.

Gargalos em transportes Responsável pela coordenação das ações do Mundial de 2014 no estado, o secretário Ney Campello chamou atenção para o papel do governo no evento. “Temos que prover as condições para que a Copa aconteça, oferecendo estádio, hospitalidade, transporte e comunicação adequados”, afirmou. O secretário focou na questão do transporte público, um dos maiores gargalos da cidade. Como soluções, citou o sistema de Bus Rapid Transit (BRT) de ônibus articulados que, por meio de um corredor no canteiro central da Paralela, ligará Salvador ao Litoral Norte. Campello afirmou, contudo, que não há como pensar em soluções isoladas. “Temos que enxergar o transporte como sistema. Não existe um embate entre metrô, BRT e VLT. Temos que pensar nas melhores soluções integradas”, disse. Ney Campello frisou que o evento será uma oportunidade para realizar melhorias na cidade, o verdadeiro legado do Mundial de futebol.

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Ney Campello: secretário da Secopa-BA Foto: Arisson Marinho


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Investimentos no aeroporto O vice-presidente do grupo TPC, Sergio Faria, que atua na área logística, aproveitou o evento para jogar luz sobre dois gargalos sérios de Salvador: o porto e o aeroporto da cidade. Sobre o aeroporto, Faria afirmou que foi projetado para receber quatro milhões de passageiros e já recebeu cerca de sete milhões em 2010. “Precisamos de uma nova pista e de investimentos no terminal de passageiros e em novos estacionamentos”, frisou. O especialista disse ainda que o porto não está em melhor situação. “Existem problemas sérios de infraestrutura para a recepção de passageiros no Porto de Salvador”, relatou. Segundo ele, a solução para a questão deve ser discutida de forma ampla, de modo a fomentar o turismo. “Precisamos de um terminal de passageiros digno desse nome, com infraestrutura de lazer e comércio”, pontuou. “Vejo a Copa como o elemento motivador para fazermos aquilo que precisamos fazer”, completou.

Sergio Faria, da TPC Fotos: Arisson Marinho

Novas áreas para habitação O presidente da Ademi-BA, Nilson Sarti, tocou nas principais questões relacionadas à habitação. “Vejo a Copa como uma grande oportunidade para resolver a questão da abertura de novas áreas de desenvolvimento habitacional e reduzir o déficit de moradias”, afirmou. Ele citou ainda a necessidade de revitalização de algumas áreas da cidade, que já têm infraestrutura, como energia e saneamento, mas encontram-se esquecidas. Para isso, entretanto, será necessário resolver a questão da mobilidade urbana, atacando os gargalos no transporte. “Se você morar na Ribeira hoje e trabalhar em Itapuã, termina morrendo de enfarte”, brincou, completando. “Mobilidade urbana é fundamental para nosso setor”, destaca. Sarti disse ainda que a cidade precisa investir para receber os turistas que virão assistir aos jogos da Copa. “Hoje, temos um déficit muito grande de bons hotéis, principalmente na orla”.

Nilson Sarti, da Ademi

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Gestão profissional O excesso de burocracia, os gargalos logísticos e o modelo anacrônico na gestão das companhias das docas são desafios a serem superados pelos portos brasileiros, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Mantelli. Durante palestra do seminário Agenda Bahia, ele defendeu a descentralização da administração dos portos e uma maior profissionalização das gestões das companhias das docas. “Porto é estratégico. Ou funciona ou trava toda a economia do país”, disse. Para Mantelli, a saída para os portos pode estar na adoção da Parceria Público-Privada (PPP). Dessa forma, segundo ele, será possível mudar a realidade do sistema portuário e proporcionar investimentos. O executivo lembrou que os portos apresentam ambiente institucional complexo, com baixa integração e superposição de funções. Para o presidente da ABTP, o marco regulatório do setor é instável e gera insegurança jurídica. “Além de tudo isso, há um elevado déficit na infraestrutura”, declarou. Entre os obstáculos a vencer estão o excesso de burocracia, os gargalos logísticos e um modelo anacrônico na gestão das companhias das docas. A maioria dos empresários e executivos das grandes empresas baianas concorda que o maior gargalo da infraestrutura do estado está nos seus portos. A Bahia é responsável por 57% de todas as exportações do Nordeste, mas esse volume poderia ser ainda maior, não fossem os problemas de logística. O Porto de Salvador, por exemplo, opera hoje no limite da sua capacidade e bateu recorde em movimentação de contêineres em outubro de 2010, atingindo 18.286 unidades. Na movimentação de janeiro a outubro, foram 139.215 unidades, um aumento de 18%. O secretário estadual da Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin, foi solidário com as críticas dos empresários e especialistas sobre a situação dos portos. Mas, segundo ele, o momento é positivo. “A Bahia tem que lutar pelo seu futuro”, afirmou o secretário. Presente no encontro, o diretor executivo do Tecon Salvador, Demir Lourenço Júnior, citou que a realidade do Porto de 82


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Salvador já está mudando com os investimentos em curso, e no começo de 2012 o cenário será bem diferente. O Tecon já deu início às obras de ampliação do porto. Serão somados à área arrendada mais 44,4 mil metros quadrados, passando dos anteriores 73,4 para 117,9 mil metros quadrados, um crescimento de 60%. Segundo Demir, haverá uma folga até 2017. O executivo explicou que, com o aumento do cais para 377 metros e do calado de 12 para 15 metros, o porto poderá receber grandes cargueiros e operar até dois navios ao mesmo tempo. O Tecon também investe na compra de novos equipamentos, garantindo a modernização do terminal. “Além do acesso marítimo, também estão em andamento as obras terrestres, com a implantação da Via Expressa”, lembrou Demir. O diretor presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), José Rebouças, apresentou uma novidade durante o seminário. Ele informou, durante o evento, que o Porto de Aratu ganhará mais dois berços para granéis líquidos, após investimentos de R$ 60 milhões.

Para Mantelli, há excesso de burocracia e gargalos logísticos nos portos Foto: Robson Mendes

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Desafios para 2014 Ao lançar oficialmente a Copa do Mundo do Brasil - às vésperas do fim do Mundial na África do Sul - o presidente da CBF e do Comitê Organizador 2014, Ricardo Teixeira, resumiu seus temores para o evento. “Nós temos três preocupações principais: aeroporto, aeroporto e aeroporto”, disse Teixeira, durante entrevista coletiva à imprensa internacional em Johanesburgo, alarmado com a infraestutura aeroportuária do país. As portas de entrada dos turistas na cidade - não apenas o aeroporto, mas também o Porto de Salvador - e a mobilidade urbana, em uma capital sem transporte de massa eficiente, são os principais gargalos de infraestrutura apontados por especialistas dos setores privado e público. “O Aeroporto Luis Eduardo Magalhães foi projetado para seis milhões de passageiros por ano e já recebe 7,8 milhões. Salvador precisa com urgência de sua ampliação e modernização”, afirma o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Marcos Galindo, também coordenador do Comitê de Infraestrutura da entidade empresarial. A mesma preocupação tem Sergio Faria, vice-presidente do Grupo TPC, especializado em logística portuária e aeroportuária, com clientes como a Ford, a Braskem, as Lojas Americanas e a própria Infraero. “O Aeroporto Luis Eduardo Magalhães opera no limite de sua capacidade e demanda investimentos, seja para Saguão da área de embarque do aeroporto: projeto de reforma Foto: Andrea Farias

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ampliar a estrutura de sua operação e receber mais voos, seja para ampliar as facilidades do terminal como estacionamento, lojas e serviços de apoio”, explica Faria, lembrando ainda que o crescimento do número de passageiros tende a se acelerar antes mesmo da Copa do Mundo. Para o secretário estadual da Copa 2014, Ney Campello, os investimentos previstos para o aeroporto são suficientes. “No Carnaval, o aeroporto de Salvador já tem um movimento maior do que o esperado na Copa do Mundo”. Campello lembra que recursos previstos da Infraero - R$ 45 milhões - vão possibilitar a reforma do terminal de passageiros, dos estacionamentos e do pátio de manobras. “Realmente é importante garantir a segunda pista para atender o aumento do fluxo”, afirmou, lembrando que a pista também está no planejamento do governo federal. O chefe do escritório municipal da Copa 2014, Leonel Leal, afirma, entretanto, que a prefeitura de Salvador tem reivindicado investimentos “mais substantivos” no Aeroporto Luis Eduardo Magalhães. “A atratividade turística de Salvador, potencializada pela Copa do Mundo, justifica intervenções que permitam a ampliação significativa do número de voos”. Sergio Faria, do grupo TPC, lembra que também é urgente a construção de um verdadeiro terminal de passageiros no Porto de Salvador. “Hoje, os turistas chegam de transatlântico e caem direto na Avenida da França, sem qualquer equipamento de recepção e sem segurança”, afirma. O novo terminal tem verba prevista - R$ 36 milhões - e também é considerada uma obra estratégica pelo secretário Ney Campello. “Salvador possui a condição invejável de ter um porto

Passageiros desembarcam de transatlântico em Salvador: falta estrutura para recepcionar turistas no porto Foto: Marina Silva

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a apenas um quilômetro do estádio da Copa do Mundo. Com integração, isso pode significar mais 21 mil leitos em sete transatlânticos aportados na cidade”, destaca Campello. A prefeitura de Salvador também prevê intervenções para a região próxima ao porto, já que o terminal de passageiros será reformado.“Vamos fazer obras de urbanização da Avenida da França e criar áreas de estacionamento”, explica Leonel Leal. O coordenador do Comitê de Logística da Fieb, Marcos Galindo, lembra que a Copa 2014 trará uma grande oportunidade para a qualificação de toda a infraestrutura turísitca do estado. “A rede hoteleira deve ser ampliada e precisa qualificar seus serviços. Da mesma forma, é necessário um salto de qualidade nos pontos turísticos da cidade, na conservação e no tratamento aos visitantes. Não podemos permitir esse cerco aos turistas que acontece hoje no Pelourinho, no Farol, no Bonfim”, argumenta Galindo. A prefeitura de Salvador acredita que os empresários do setor hoteleiro da Bahia vão aproveitar as linhas de crédito especiais para multiplicar o número de leitos e melhorar seus serviços. “Nossa expectativa é termos a cidade e a população muito mais preparadas para receber o turista, através de iniciativas tanto do setor privado quanto do setor público”, afirma Leonel Leal, do escritório municipal da Copa 2014. Não há dúvida, entretanto, que o Mundial de futebol oferece uma oportunidade inédita para a cidade resolver problemas graves. “Será um elemento motivador para vencermos alguns obstáculos e direcionarmos as ações no sentido de contornar alguns gargalos críticos no sistema de transportes e na infraestrutura hoteleira e turística”, afirma Faria, do grupo TPC. Empresários e representantes do poder público concordam também que a Copa oferecerá ainda oportunidade de melhorar o sistema de transporte público. “Precisamos resgatar o direito de ir e vir dos cidadãos, com transporte público moderno, eficiente e barato”, sugere Ney Campello.

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Investimentos para a Copa

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milhões de reais estão milhões de reais serão destinaassegurados para a dos ao terminal de passageiros reforma do aeroporto do Porto de Salvador


infraestrutura

Os múltiplos legados da Copa Um sistema de transporte público eficiente e confortável, aeroporto e porto adequados ao potencial turístico da Bahia, mudanças significativas na qualificação dos trabalhadores e na qualidade de vida da população. As projeções para Salvador após a Copa do Mundo de 2014 inspiram-se em experiências felizes de cidades que sediaram grandes eventos esportivos. “Nós imaginamos o plano com três dimensões: o legado físico, com todas as obras e intervenções previstas; o social, com a melhoria da qualidade de vida da população e o incentivo à prática esportiva, entre outros resultados; e o institucional, com a integração das diversas instâncias do poder público - inclusive do Judiciário e do Ministério Público - e da sociedade em busca de um objetivo comum”, explica Leonel Leal, chefe de gabinete do prefeito João Henrique e do escritório municipal para a Copa 2014. Expectativa semelhante tem o secretário estadual Ney Campello, que vem se preocupando particularmente com o legado social da Copa do Mundo de 2014 para a Bahia.“Podemos ter como grande legado a qualificação das pessoas. A Copa trará oportunidades para que elas aprendam e se desenvolvam e nós vamos trabalhar para incentivar esse processo”, afirma o titular da Secopa. O vice-presidente do grupo TPC, Sergio Faria, também espera um impacto para a população. “A Bahia pode ganhar muito em termos de educação, treinamento e formação de mão de obra para atendimento ao fluxo turístico, sobretudo ao turista internacional, mais exigente e com padrão de consumo mais sofisticado”, afirma. Tanto Ney Campello quanto Marcos Galindo, coordenador do Comitê de Infraestrutura da Fieb, destacam também o impacto da Arena Fonte Nova. “O novo estádio vai ajudar a revitalizar toda aquela região em torno do Dique e até o Centro Histórico”, acredita Galindo. “A Arena Fonte Nova impactará todo o centro antigo da cidade, integrando o Centro Histórico e o porto do comércio”, confia o titular da Secopa. Para Leonel Leal, é difícil calcular já a amplitude do legado da realização da Copa do Mundo. “Creio que, no aspecto social, teremos avanço em todas as áreas - educação, saúde, segurança, saneamento”, afirma, voltando a destacar o legado institucional. “Temos a chance de criar uma nova cultura de trabalho conjunto”.

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Como desatar o nó no trânsito Eles já são tradicionais. Sempre aparecem no início da manhã e no final da tarde. Companheiros dos soteropolitanos, os engarrafamentos tiram a paciência diariamente, sempre nos mesmos lugares: Iguatemi, avenida Paralela, Bonocô e BR-324. O planejamento da mobilidade urbana da capital do estado, que será subsede da Copa do Mundo de 2014, preocupa especialistas, que propõem mecanismos para resolver um nó que é complexo. Para o professor Élio Santana Fontes, do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Salvador precisa melhorar sua fluidez no trânsito, aumentando a capacidade de uso das vias. “Quando é construída uma nova via, ela tem que ser projetada numa realidade de uso futuro e não apenas para atender à atual demanda. Salvador precisa investir na melhoria da qualidade do transporte de massa para estimular as pessoas a deixarem seus carros em casa”, ressalta Fontes, lembrando que eventuais obras para a Copa do Mundo devem ser planejadas pensando no futuro da cidade. A diretora de Mobilidade Urbana e Interurbana da Secretaria do Desenvolvimento Urbano (Sedur), Grace Gomes, anuncia que o estado pretente investir quase R$ 1 bilhão na melhoria do sistema de transporte da capital e interior do estado até 2014.

Engarrafamentos constantes prejudicam a cidade Foto: Angeluci Figueiredo

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A maior parte do investimento, de R$ 570 milhões, será para a construção do BRT (Bus Rapid Transit), linha expressa de ônibus na avenida Paralela que deverá ligar a localidade de Portão, em Lauro de Freitas, ao metrô de Salvador. “Com a implantação do BRT, a avenida Paralela voltará a ser um corredor de fluxo rápido de veículos, já que os ônibus vão ter essa faixa exclusiva”, explica Grace. O recurso já foi liberado pelo governo federal, mas falta projeto executivo para início das obras. Elas devem ter início em dezembro de 2012 e final em meados de 2013, quando será realizada a Copa das Confederações, evento que antecede o Mundial de futebol. O uso do BRT é sucesso em cidades como Johanesburgo, na África do Sul, e Bogotá, na Colômbia. Elas melhoraram sua capacidade de movimentação. “Mobilidade urbana, deslocamento de pessoas, produtos e matérias-primas são temas-chave para o desenvolvimento social”, diz Wagner Colombini, presidente da Logit, empresa que desenvolveu o projeto de BRT nas duas cidades. Das nove cidades que sediaram a Copa da África do Sul, sete adotaram o sistema BRT. Na capital, Johanesburgo, com mais de cinco milhões de habitantes, 320 quilômetros de BRT foram implantados, sendo 82 quilômetros estrategicamente para atender à demanda do evento. “As vantagens desse sistema são muitas: os veículos BRT permitem transportar um maior número de pessoas e trafegam em vias exclusivas. As estações são centrais fechadas, com abrigo e proteção ao passageiro, que paga ao entrar na plataforma de embarque”, destaca. O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador, Horácio Brasil, disse que a iniciativa privada investirá em torno de R$ 390 milhões em equipamentos para o funcionamento do BRT. “Teremos que dar a contrapartida na qualificação dos equipamentos e de pessoal. Nós, inclusive, financiamos os estudos para o desenvolvimento do projeto, que foi doado ao governo”. Para o professor Elmo Felzemburg, especialista em trânsito da Ufba, o sistema BRT é uma medida emergencial válida, mas a cidade ainda precisaria de outros investimentos. “O BRT na Paralela não vai melhorar o engarrafamento, pois precisamos que as pessoas deixem de usar os carros, e se as outras vias estiverem engarrafadas e o BRT não tiver um fluxo de outros veículos interligados não vai adiantar. O metrô também precisa funcionar - já que a obra está muito atrasada”, diz o especialista.

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Além das obras no BRT, a diretora da Sedur destaca que o estado já tem asseguradas verbas para investir no entorno da Arena Fonte Nova com construção de viadutos de acesso. A diretora da Sedur revela ainda que estão sendo planejados investimentos no setor de hidrovias e ferrovia para aumentar a mobilidade na capital e no resto do estado durante e após a Copa. “A intenção é investir R$ 46 milhões na melhoria do sistema hidroviário, no ferry-boat, com a manutenção e compra de novos equipamentos. Também planejamos investir R$ 230 milhões na recuperação dos trens regionais saindo de Salvador e chegando até Alagoinhas e Conceição de Feira. Não podemos desenvolver apenas a capital, a ligação com os seus entornos também deve ser feita para estimular, durante e depois da Copa, o potencial turístico da Bahia”, ressalta. Esses dois projetos, ao contrário do BRT, que já tem recursos liberados, estão em fase de análise. “Essas obras não mexem, por exemplo, na BR-324, que está sempre engarrafada na direção de Simões Filho. A cidade precisa de um metrô. Há 20 anos participei do planejamento do metrô de Salvador com cerca de 50 quilômetros. Hoje, temos uma obra que quando concluída terá seis”, diz Felzemburg.

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O caos tem solução

Investir no transporte de massa, melhorando sua qualidade de circulação Aumentar a capacidade de uso do carro (a média de pessoas circulando por carro em Salvador é de duas pessoas) Melhorar o sistema hidroviário e ferroviário para interligar a capital ao interior Reestudar a distribuição e circulação das linhas de ônibus Inaugurar e ampliar o metrô de Salvador, expandindo, por exemplo, para a Paralela Integração dos sistemas de transporte e criação de viadutos nos acessos à Fonte Nova 90


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A gratuidade cara Coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o urbanista Affonso Stanislau Nazareno afirma que o governo federal precisa inverter a prioridade no setor automotivo se o Brasil quiser cumprir o caderno de encargos elaborado pela Fifa para a disputa da Copa de 2014. “Quem acha que a construção de ruas, avenidas e viadutos vai resolver o caos no trânsito está muito enganado, porque, daqui a quatro anos, a situação estará muito pior. A única alternativa é tirar o passageiro do congestionamento e colocá-lo no transporte público”, disse Nazareno em sua palestra Mobilidade Urbana, o Atalho para o Futuro, realizada no auditório da Fieb. Sem metrô e com um sistema de transporte coletivo anacrônico, os passageiros que utilizam os 2.600 ônibus que circulam diariamente em Salvador pagam caro pela tarifa convencional porque 32,5% das viagens são gratuitas. “Isto significa que as empresas deixam de receber o equivalente à venda de quase 15 milhões de Foto: Robson passagens todos os meses”, afirmou Horácio Brasil, superintenMendes dente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps). No total, 46 milhões de pessoas são transportadas todos os meses na capital baiana.

Nazareno: Brasil deveria seguir o exemplo da Colômbia em transporte

Durante sua palestra na segunda rodada do seminário Agenda Bahia, o coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o urbanista Affonso Stanislau Nazareno, defendeu o fim da gratuidade como uma das premissas para melhorar o sistema de transporte coletivo no país. “Não podemos conviver com um sistema onde a gratuidade é paga pelo usuário. Épreciso eleger o transporte público como item fundamental à mobilidade urbana”, disse. A construção do metrô, segundo Nazareno, é o maior exemplo da falta de prioridade do transporte público. O contrato para a sua construção foi assinado em 1999 e a obra começou no ano seguinte. Onze anos depois, a extensão prevista para o primeiro trecho (13 quilômetros) foi reduzida à metade e nenhum vagão ainda circulou pelos trilhos. “Se não houver vontade política e empenho da sociedade, os projetos não saem do papel”, acrescentou Affonso Nazareno. O coordenador da ANTP afirmou que o Brasil deveria seguir o exemplo da Colômbia que em apenas três anos solucionou o

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problema de trânsito em Bogotá (capital) e Cali, duas das principais cidades do país. “Os colombianos tiveram vontade política e resolveram priorizar o transporte público, construindo corredores exclusivos, ciclovias, urbanizando praças e colocando em circulação ônibus modernos, com ar-condicionado e câmbio automático. Temos de fazer a mesma coisa aqui para evitar o caos geral no trânsito em pouco tempo”. Na opinião de Horácio Brasil, a solução para o problema do trânsito em Salvador passa por uma medida: “Os carros particulares têm de sair das ruas”. Há pouco mais de três anos, a prefeitura lançou um projeto para aumentar a velocidade média dos ônibus, criando vias exclusivas nas principais avenidas da cidade. Por falta de fiscalização, a área determinada nunca foi respeitada. “Apenas marcar espaço exclusivo para os ônibus não resolve. É preciso construir estações integradas, melhorar as calçadas, reformar e revitalizar as praças, dotar a cidade de toda a infraestrutura necessária à mobilidade”, disse.

Passagem de ônibus poderia custar R$ 1,60 Em Salvador, estão isentos do pagamento da tarifa: carteiros, policiais civis e militares fardados (até dois por ônibus), oficiais de Justiça, auditores fiscais do Trabalho, comissários mirins, além de agentes e fiscais de trânsito. Outras categorias também são beneficiadas: crianças até 5 anos, idosos (acima de 65 anos), deficientes físicos com dificuldade de locomoção e deficientes com acuidade visual nula bilateral. Sem as isenções, o preço da passagem convencional cairia dos atuais R$ 2,30 para cerca de R$ 1,60, de acordo com o Setps. Com uma frota de veículos crescendo à média de 6% ao ano, Salvador depende muito do transporte coletivo para eliminar ou reduzir os congestionamentos registrados diariamente nas principais ruas e avenidas da cidade. Na Bahia, dados do Detran revelam que as vendas de carros cresceram muito nas últimas duas décadas. Em 1989, havia no estado 430.871 veículos, dos quais 207.565 em Salvador. Em outubro de 2010, a capital baiana tinha 712.329 carros e o estado, 2.415.541 veículos. Além dos automóveis, 700 mil motos (82 mil em Salvador) circulam pela Bahia. “No mesmo período, poucas avenidas foram construídas na cidade, o que demonstra uma inversão total dos valores”, afirmou. 92


infraestrutura

Engenharia difícil Há quase um ano, a fábrica da Suzano Papel e Celulose na Bahia está com cerca de cem vagas em aberto à espera de engenheiros. Outras empresas associadas à Associação dos Produtores de Florestas Plantadas do Estado da Bahia (Abaf) e ao Polo Petroquímico de Camaçari também têm dezenas de vagas para profissionais do setor. O que poderia ser uma eventual falta de interesse de engenheiros de trabalhar em determinadas áreas significa, na realidade, a falta de profissionais especializados para atender à demanda gerada pelo crescimento da economia brasileira. “Até 2015 teremos uma escassez no mercado de pelo menos 250 mil engenheiros”, disse o vice-presidente da Braskem, Manoel Carnaúba, durante sua palestra no segundo ciclo de debates do Agenda Bahia. “Os engenheiros especializados em métodos estatísticos, os chamados ‘black belts’, e profissionais ligados à área de indústria, mecânica, química e elétrica, são disputados a tapa no mercado”, disse o executivo de Relações Institucionais e Competitivas da Suzano, Jorge Cajazeira. “Os engenheiros com ótima formação não ficam desempregados, porque resolvem os problemas das empresas, reduzindo custos e minimizando as perdas”, acrescentou. O presidente da Abaf, Leonardo Genofre, ressaltou que a carência de engenheiros florestais no Brasil é “enorme”. “Os principais centros formadores estão localizados em Piracicaba, em São Paulo, e Lavras, Minas Gerais”. Segundo Genofre, o Extremo Sul da Bahia, onde está concentrado o maior polo de celulose do Brasil, poderia abrigar um centro para a formação e capacitação de engenheiros florestais e ambientais. “Queremos fazer parceria com a Ufba para que os trabalhos sejam facilitados”. Além da Bahia, Leonardo Genofre afirmou que outros estados também têm demanda por engenheiros. “Quem chegar na frente vai ganhar muito dinheiro e ajudar no desenvolvimento do Brasil”.

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infraestrutura

Celulose é o maior exportador A Universidade Salvador (Unifacs) ainda não formou a primeira turma, mas os 180 estudantes matriculados no curso de Engenharia Ambiental da instituição e os que pretendem fazer vestibular para o curso estão empolgados com o mercado de trabalho. “Deixei de fazer Economia em outra faculdade para tentar uma vaga no curso”, disse Mariana Cardoso, 19 anos. Coordenadora e professora do curso, Lydiane Abdon Leal disse que as empresas de celulose que estão instaladas no Extremo Sul da Bahia são “potenciais” empregadoras dos futuros profissionais. “Atividades envolvendo o reflorestamento, a avaliação dos impactos, o licenciamento ambiental e a gestão são um vasto campo de trabalho para o engenheiro ambiental”, explica. As indústrias de papel e celulose são os maiores exportadores da Bahia. Entre janeiro e julho deste ano, o setor faturou US$ 986 milhões apenas com as exportações, ficando um pouco à frente das atividades químicas (US$ 923 milhões), de acordo com informações da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). “Em breve, a Bahia será o maior polo de celulose do mundo, mas, infelizmente, convivemos com a falta de infraestrutura e com uma carência muito grande de profissionais relacionados às atividades de engenharia”, disse Jorge Cajazeira, da Suzano. “Toda a nossa exportação sai pelo porto de Barra do Riacho (ES), simplesmente porque não temos logística na Bahia”.

* Setor em expansão

94

250

mil engenheiros serão necessários até 2015

986

milhões de dólares apenas com exportações


infraestrutura

A forรงa da Bahia: grรกficos

*

A forรงa da Bahia

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Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Mai

Abr

Fev

Mar

infraestrutura

260

Jan

200

2009 2010 230

Exportações da Bahia Mai

Abr

Mar

Fev

Jan

(Janeiro a Outubro 2010)

200

Responsável por mais de 57,3% das exportações do Nordeste, o 5,3% material de transporte 2009 estado tem na dupla papel e celulose o principal produto Made in 2010 produtosodas indús- segundo dados da Fieb: 6,8% Confira Bahia. ranking, trias alimentares, bebidas e fumo

Exportações da Bahia (Janeiro Outubro 2010) 7,0% ametais comuns e suas obras 5,3% 11,2% 6,8% 15,6%

material produtosde dotransporte reino vegetal produtos das indústrias alimentares, produtos bebidas mineraise fumo

17,4% 7,0%

demaiscomuns metais seções NCM e suas obras

11,2% 17,6%

produtos produtos do das indústrias reino vegetal químicas ou das indús-

15,6% 18,9% 17,4%

trias conexas produtos minerais celulose e papel e suas obras demais seções NCM

Fonte: FIEB produtos das indústrias 17,6% químicas ou das indústrias conexas

18,9%

celulose e papel e suas obras

Fonte: FIEB

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infraestrutura

Os dados a seguir mostram a produção de derivados de petróleo no acumulado dos primeiros nove meses de 2010, na comparação com igual período de 2009, conforme gráfico da Fieb.

RLAM: Produção de derivados de petróleo Em barris equivalentes de petróleo (BEP) Jan-Set 09

Jan-Set 10

Var. (%)

Óleo diesel

18.688.781

25.505.982

36,5

Óleo combustível

16.876.013

21.684.147

28,5

Gasolina A

8.027.045

9.990.538

24,5

Nafta

5.296.600

6.461.227

22

GLP

3.103.628

4.364.350

40,6

Querosene de aviação

1.224.060

1.142.559

-6,7

Asfalto

499.330

580.349

16,2

Parafina

437.568

412.209

-5,8

Lubrificantes

354.041

333.340

-5,8

23.102

24.106

4,3

Solventes

Fonte: Agência Nacional do Petróleo (ANP); elaboração Fieb/SDI

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, do IBGE, traz o resultado do pessoal ocupado na indústria de transformação brasileira. Apesar de registrar uma queda na taxa anualizada, a Bahia continua acima da média nacional e de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, como mostra gráfico da Fieb.

Pessoal ocupado assalariado por estados Variação percentual Estados

Out 10/Out 09

Jan-Out 10/ Jan-Out 09

Nov 09-Out 10/ Nov 08-Out 09

Brasil

4,2

3,4

2,2

Ceará

3,9

7,4

6,7

Pernambuco

4,7

6,3

4,9

Bahia

6,7

6,7

5,8

Minas Gerais

4,0

1,4

-0,3

Espírito Santo

6,3

5,6

3,8

Rio de Janeiro

7,2

5,5

4,0

São Paulo

3,5

3,0

2,1

Paraná

2,4

1,0

0,1

Santa Catarina

4,4

3,5

2,4

Rio Grande do Sul

5,5

4,1

2,8

Fonte: IBGE; elaboração Fieb/SDI

97


infraestrutura

A indústria de transformação da Bahia cresceu mais do que em períodos anteriores. A alta da produção chegou a 11%, segundo dados do Acompanhamento Conjuntural da Fieb, divulgado em dezembro de 2010. Todos os segmentos registraram expansão. Confira o resultado e os períodos na tabela abaixo:

Bahia: PIM-PF de outubro 2010 Variação percentual Out 10/Out 09

Jan-Out 10/ Jan-Out 09

Nov 09 Out 10 / Nov 08 - Out 09

Indústria de Transformação (1)

5,2

10,4

11,0

Refino de petróleo e prod. álcool

10,9

28,4

24,1

Produtos químicos/ petroquímicos

2,8

3,1

7,6

Veículos automotores

2,0

7,6

19,6

Alimentos e bebidas

12,0

8,0

7,4

Celulose e papel

-6,7

1,2

1,2

Metalurgia básica

3,2

12,5

8,9

Borracha e plástico

12,1

8,9

9,2

Minerais nãometálicos

2,7

12,2

12,7

Extrativa mineral

7,5

7,7

5,6

Fonte: IBGE; elaboração Fieb/SDI. (1) De acordo com a Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2006 (divulgada em junho de 2008), os oito segmentos acima arrolados somaram 83,5% do Valor da Transformação Industrial (VTI) do estado da Bahia, em 2006.

98


2010

infraestrutura

Exportações da Bahia

(Janeiro a Outubro 2010) 5,3%

material de transporte

O volume de gás natural produzido na Bahia em setembro de 2010 atingiu milhões m³. De acordo com o Acompanhamento produtos das de indús6,8% 314 Produção baianaConjuntural de gástrias natural (2009-2010) daalimentares, Fieb, a produção baiana de gás natural vem regis(em milhões de m³) bebidas e fumo trando crescimento após a operação do campo de Manati. 320

7,0% metais comuns de gás natural (2009-2010) Produção baiana

260

15,6% 290

produtos minerais

230

17,4% 260

demais seções NCM

Set

Out

Nov

Dez

Mai

Jun

Jul

Ago

Ago

Jun

Mai

Abr

celulose e papel e suas obras Mar

18,9% 200

Fev

2009 2010

Jan

Mar

Fev

Abr

230 Jan

200

Jul

produtos das indústrias químicas ou das indústrias conexas

17,6%

Dez

produtos do reino vegetal

Nov

11,2% 320

Out

290

Set

e suas obras (em milhões de m³)

2009 Fonte: FIEB Exportações da Bahia 2010

(Janeiro a Outubro 2010)

Exportações da Bahia

5,3%

material de transporte

6,8%

produtos das indústrias alimentares, 5,3% bebidas e fumo

(Janeiro a Outubro 2010)

material de transporte

6,8%

produtos das indústrias alimentares, bebidas e fumo

produtos do reino vegetal

7,0%

metais comuns e suas obras

15,6%

produtos minerais

11,2%

produtos do reino vegetal

17,4%

demais seções NCM

15,6%

produtos minerais

17,6%

produtos das indústrias demais 17,4% químicas ou das indús- seções NCM trias conexas

7,0%

metais comuns e suas obras

11,2%

18,9%

17,6% celulose e papel e suas obras

Fonte: FIEB

18,9%

produtos das indústrias químicas ou das indústrias conexas celulose e papel e suas obras

Fonte: FIEB

99


infraestrutura

Ouro negro Em 2010, a Petrobras comemorou o 60º aniversário da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), primeira unidade de refino do Brasil e que gerou atração e incremento de outras indústrias para a Bahia. Em sua criação, a RLAM refinava 2,5 mil barris. A produção de petróleo no país se aproximava dos 2 mil barris. Atualmente, a Landulpho Alves é a segunda maior refinaria da companhia em capacidade e complexidade, com potencial para processar até Em mil 2010, a Petrobras comemorou o 60º aniversário da Refinaria 323 barris/dia de petróleo. Landulpho Alves (RLAM), primeira unidade de refino do Brasil e que gerou atração e incremento de outras indústrias para a Bahia. No ranking da empresa, a Bahia ocupa o quarto lugar na produção Em sua criação, a RLAM refinava 2,5 mil barris. A produção de de gás e o quinto em petróleo. A Petrobras também investe em petróleo no país se aproximava dos 2 mil barris. Atualmente, a outras fontes de energia. Confira outros dados: Landulpho Alves é a segunda maior refinaria da companhia em capacidade e complexidade, com potencial para processar até Colocação da 323 mil barris/dia de petróleo. Produção diária de Bahia no ranking petróleo na Bahia de produção No ranking da empresa, a barris Bahia ocupa o quarto lugar na produção mil lugar nacional de gás e o quinto em petróleo. A Petrobras também investe em outras fontes de energia. Confira outros dados: Capacidade de Capacidade processamento de Colocação da anual da Usina grãos da Bioóleo, Produção diária de Bahia no ranking de Biodiesel de empresa de extrapetróleo na Bahia de produção Candeias, a milhões de milmil toneladas barris lugar ção de óleos nacional maior da litros por ano vegetais, localizada Petrobras em Feira de Capacidade de Santana Capacidade processamento de anual da Usina grãos da Bioóleo, Agricultores familiaQuantidade de Biodieselde de empresa de extrares contratados municípios que Candeias, a milhões de mil toneladas ção de óleos de para o plantio possuem maior da litros por ano vegetais,elocalizada mamona girassol atividades de Petrobras emSemiárido Feira de para a mil no produção Santana do produção terrestre (óleo biocombustível e gás) Agricultores familiaQuantidade de res contratados municípios que Fonte: Petrobras, novembro de 2010 para o plantio de possuem mamona e girassol atividades de mil no Semiárido para a produção produção do terrestre (óleo biocombustível e gás)

49

130 49

217,2 4º

130 24,6

217,2 33

24,6

33

Fonte: Petrobras, novembro de 2010

100


infraestrutura

A força do plástico Maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem tem 31 plantas industriais no Brasil e nos Estados Unidos, sendo que oito na Bahia. Investimento da Braskem na Bahia, previsto em 2010, para modernização e atualização tecnológica das unidades industriais, ampliação da estrutura de pesquisa e desenvolvimento, além de capacitação profissional Quantidade desse total programado para a criação do Centro de Desenvolvimento de Materiais de Alto Desempenho Vagas em cursos técnicos para formação de profissões como caldeireiro e mecânico que poderão ser aproveitadas no Polo de Camaçari

18

milhões de reais

450

230 milhões de reais

Quantidade desse total programado para a instalação de um sistema de monitoramento da milhões de reais qualidade do ar em Salvador

15

Receita líquida da Braskem em 2010. O aumento chegou a 12%

7,3

bilhões de reais

“Os investimentos recentes da Braskem e os próximos programados confirmam o compromisso da companhia em contribuir para o aumento da competitividade do Polo Industrial de Camaçari e o desenvolvimento da Bahia” MANOEL CARNAÚBA, vice-presidente da companhia

Fonte: Braskem

101


infraestrutura

Energia para crescer Para Para aa economia economia baiana baiana crescer crescer necessita necessita também também de de energia. energia. A A Coelba prevê investimento de R$ 1,27 billhão para 2011, Coelba prevê investimento de R$ 1,27 billhão para 2011, recorde recorde na na empresa. empresa. Confira Confira outros outros dados: dados: Investimento Investimento da da Coelba Coelba em em 2010 2010 Crescimento Crescimento de de energia energia distribuída, distribuída, na na comparação comparação com com 2009 2009

1

bilhão de bilhão de reais reais

7,48%

Novas Novas subestações subestações previstas previstas para para 2011 2011

8

Perspectiva Perspectiva de de expansão expansão da da energia energia distribuída distribuída em em 2011 2011

4,7%

GWh GWh

Consumo Consumo industrial industrial 4.200 4.200 4.100 4.100 4.000 4.000 3.900 3.900 3.800 3.800 3.700 3.700 3.600 3.600 3.500 3.500 3.400 3.400 3.300 3.300 3.200 3.200

2007 2007

2008 2008

2009 2009

2010 2010

2009 2009

2010 2010

GWh GWh

Energia Energia total total distribuída distribuída 16.000 16.000 15.000 15.000 14.000 14.000 13.000 13.000 12.000 12.000 11.000 11.000 10.000 10.000

Fonte: Coelba Fonte: Coelba

102

2007 2007

2008 2008


infraestrutura

Projetos de eficiência energética da Coelba estimulam o uso consciente de energia elétrica e a preservação do meio ambiente. Auxiliam também as comunidades de baixa renda através da educação e da substituição de equipamentos, certificados pelo Selo Procel, reduzindo as despesas com energia. Confira mais informações da Coelba: Percentagem de Quantidade Projetos de eficiência energética da Coelba estimulam o uso custo na conta de de mudas consciente de energia elétrica e a preservação do meio ambiente. energia causado plantadas Auxiliam também as comunidades de baixa renda através da por refrigeradores educação da substituição de equipamentos, certificados pelo 2.365 1ª etapa em estadoeprecário 2ª etapa Confira mais 9.282 energia. Selo Procel, reduzindo as despesas com de conservação informações da Coelba:

11.647

70%

Percentagemdas de Percentagem custo na conta 53 mil obras de energia causado concluídas do por refrigeradores programa de em estado precário eletrificação rural de conservação que preservam a flora local, graças a escolhas de traçados que desviam a Percentagem das vegetação nativa 53 mil obras concluídas do programa de Valor previsto para o eletrificação rural projeto de qualificaque preservam a ção de professores, flora local, graças a no qual aproximadaescolhas de traçamente 500 educado- milhão de dos que desviam a reais res virarão multiplicavegetação nativa dores da cultura de eficiência energética

70% 99%

99% 1,5

Quantidade de Quantidade equipamentos de mudas trocados pelo plantadas Energia Verde

5.011 11.647

2.365 172 9.282 572 4.267

1ª etapa freezer 2ª etapa ar-condicionado refrigerador

Valor repassado Quantidade de para reflorestaequipamentos mento trocados pelo Energia Verde

mais de

188 5.011 mil reais

freezer 172 572 ar-condicionado Alunos refrigerador que 4.267

serão atendidos em 100 Valor repassado escolas para reflorestamento

20 188 mais mil de

mil reais

ValorCoelba previsto para o Fonte:

projeto de qualificação de professores, no qual aproximadamente 500 educado- milhão de reais res virarão multiplicadores da cultura de eficiência energética

1,5

Alunos que serão atendidos em 100 escolas

20 mil

Fonte: Coelba

103


infraestrutura

Casa, emprego e renda O boom imobiliário fez da Construção Civil o maior empregador da Bahia. Grandes empresas brasileiras e de outros países se instalaram no estado e lançaram unidades para todos os públicos, em especial para o Minha Casa Minha Vida.

Maior procura

Bairros preferidos

Unidades imobiliárias lançadas na Bahia de janeiro a outubro de 2010

Imóveis comercializados até outubro de 2010

11.521

unidades

Quantidade de quartos nos apartamentos vendidos

24,91% Pituba, Iguatemi, Caminho das Árvores, Pituba Ville, Aquarius, Costa Azul, Stiep, Itaigara, Armação, Alto do Parque e Jardim de Alah 24,03% Alphaville, Boca do Rio, Nova Boca do Rio, Imbuí, Jaguaribe, Paralela, Patamares e Pituaçu

45,75% 21,96% 6,7% 25,59%

dois quartos três quartos quatro quartos outros

11,43% Brotas, Acupe, Alto de Brotas, Bonocô, Horto, Luís Anselmo, Matatu, Pitangueiras, Vasco da Gama e Vila Laura 39,63% outros

Padrão de consumo Percentual dos consumidores que gastam entre R$ 150 mil e R$ 250 mil na hora de comprar um imóvel

40,94%

Percentual dos consumidores que investiram, em 2009, entre R$ 50 mil e R$ 100 mil

24%

“Em 2011, esperamos crescimento de mais de 30% em relação a 2010. A expectativa é vender mais de 16 mil unidades” NILSON SARTI, presidente da Ademi-BA

Fonte: Ademi

104


infraestrutura

Por dentro do Polo de Camaçari superior a mais de

Quantidade de empresas

90

Investimento global

Necessidades do país no segmento mais de químicos /petroquímicos atendidas pelo polo

Novos investimentos até 2011

Capacidade anual de cobre eletrolítico instalada no mil toneladas segmento de metalurgia do cobre

Capacidade anual de veículos no segmento automotivo

50%

220

Faturamento anual aproximado

15

bilhões de dólares

15

Empregados diretos

mil pessoas

Contribuição anual em ICMS para o estado da Bahia

1

bilhão de reais

Exportações por ano

Investimento anual em programas sociais

Empregados através de empresas contratadas

12

bilhões de dólares

4,3

bilhões de dólares

250

mil veículos

mais de

13

mil reais

30

mil pessoas

Arrecadação tributária de Camaçari 10% 90%

outros Polo

2,3

bilhões de dólares

Fonte: Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic)

105


infraestrutura

Transporte na Bahia Juazeiro Juazeiro

Xique-Xique Luis Eduardo Magalhães

Luis Eduardo Magalhães

Senhor do Bonfim CampoSenhor Formoso Xique-Xique do Bonfim Campo Formoso Jacobina Jacobina

Feira de Ibotirama Barreiras Alagoinhas Santana Feira de Seabra Ibotirama Barreiras Alagoinhas Santana Itaberaba Seabra Itaberaba Bom Jesus Salvador da Lapa CorrentinaBom Jesus Salvador da Lapa Correntina Jequié Santa Maria Caetité Jequié da Vitória Santa Maria Caetité Itacaré da Vitória Guanambi Guanambi Itacaré Itabuna Guanambi Guanambi Vitória da Ilhéus Itabuna Conquista Vitória da Ilhéus Conquista Itapetinga Itapetinga

Porto Seguro

Porto Seguro

Portos em construção Portos em construção Portos Portos Avião Avião Ferrovias Ferrovias Ferrovias em construção Ferrovias em construção Rodovias Ferrovias totais : 1.537 km Rodovias Rodovias federais Ferrovias totaisRodovias : 1.537 kmtotais: 126.666 km Rodovias federais Rodovias totais: 126.666 km

Fonte: Secretaria estadual de Agricultura Fonte: Secretaria estadual de Agricultura

106


Agroneg贸cio

*

Agroneg贸cio


agronegócio

Semente do amanhã

B

ahia, terra da felicidade. Do solo generoso sai uma das maiores riquezas do estado: o agronegócio é responsável por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) baiano e emprega cerca de 40% da mão de obra local. O setor, rico em diversas culturas, insere a Bahia no cenário internacional, com as exportações voltadas especialmente para commodities (matérias-primas). Mas como alavancar a produção e melhorar a distribuição da safra? Como aumentar o valor agregado dos produtos, respeitando o meio ambiente? Como gerar mais renda e emprego no campo? O terceiro encontro do seminário Agenda Bahia reuniu executivos, especialistas e autoridades para debater o futuro do agronegócio no estado. Entre os temas discutidos, a criação de um imposto verde que beneficiaria municípios que plantam florestas. A verticalização da cadeia produtiva, com a industrialização dos produtos, também ganhou destaque. Produtores, indústria e governo buscaram soluções para que o valor do que é plantado seja revertido em mais riqueza para o estado. Os números revelam que o investimento vale a pena. Uma tonelada de algodão que vira fio multiplica seu valor por 2,4. A mesma tonelada, se for transformada em tecido, passa a ser sete vezes maior. Além das reportagens do Seminário e do setor, este capítulo traz ainda dados sobre o peso do agronegócio na economia baiana.

109


agronegócio

Vantagens A riqueza do solo baiano e as condições climáticas favoráveis, especialmente no Cerrado, no Vale do São Francisco e no Sul do estado, permitem a diversidade e a capacidade de produção muitas vezes acima da média nacional e até mundial. Como exemplos, a soja, o algodão, o milho, o café e as frutas. Em 2010, a produção de algodão na Bahia ocupou o segundo lugar no ranking nacional. No caso da soja, o Oeste baiano tem a maior produtividade por hectare em todo o mundo, segundo especialistas. Nessa região, há uma série de vantagens: a topografia plana, que propicia a mecanização dos processos, as estações climáticas definidas, água em abundância e uma excelente luminosidade.

Condições naturais favoráveis permitem melhor produtividade para o setor de papel e celulose na Bahia

No Extremo Sul, as condições de solo, temperatura e chuva fazem com que a produtividade na Bahia seja dez vezes superior Foto: divulgação a de outras regiões do planeta, de acordo com empresas do setor de papel e celulose. A velocidade de crescimento das árvores também é muito maior. Enquanto na Escandinávia as florestas de eucalipto levam até 35 anos para serem cortadas, no Brasil, a média fica entre seis e sete anos. Fatores econômicos também podem favorecer o agronegócio baiano. Além do crescimento da renda do Nordeste, o que permite um aumento no consumo da região, a demanda mundial por alimentos, em países como a China e Índia, continuará em alta. A posição geográfica do estado também é privilegiada, criando facilidades tanto para importação de equipamentos e insumos quanto para exportação da safra.

110


agronegócio

Desafios A industrialização da produção agrícola, aumentando o valor agregado dos produtos, tem impacto extremamente positivo na economia baiana, ampliando a cadeia produtiva do estado. O algodão é um exemplo de como a Bahia poderia incrementar a receita através do agronegócio. Uma tonelada do algodão que vira fio multiplica seu valor por 2,4. Mas, se a mesma tonelada for transformada em tecido, o valor fica sete vezes maior, segundo especialistas que participaram do Agenda Bahia. A ampliação da área cultivada e da produtividade também foi apontada como um desafio para o estado. A elevação dos índices de produção aumentaria a rentabilidade do negócio. Outra alternativa é a integração da lavoura com a pecuária. O potencial de armazenagem precisa acompanhar o aumento na produção para escoar a safra. Para os especialistas, a capacidade de energia elétrica deveria ser ampliada para evitar escassez e permitir os avanços no campo. Defendeu-se ainda um sistema de transporte de carga e logística eficientes. A qualidade dos modais permite preços mais competitivos e melhores condições na disputa com outros estados e até países concorrentes. A industrialização e o aumento na produtividade devem ser acompanhados por ações que respeitem o meio ambiente.

Estradas danificadas impactam no preço dos produtos Foto: Antônio Queirós

111


agronegócio

Por que avançar? As safras de alguns produtos na Bahia superam a média de produtividade de outros estados. A do milho, por exemplo, aproxima-se dos Estados Unidos, como apontaram especialistas no seminário. A do algodão, em 2010, teve o melhor preço dos últimos 140 anos, com a segunda maior colheita do país. A Bahia é o estado com maior produção de madeiras de florestas plantadas para fabricação de papel e celulose. Papel e celulose, aliás, foram, em 2010, os produtos mais exportados pela Bahia, trazendo riqueza, não só para a região, mas para todo o estado. A cana-de-açúcar também pode ganhar mais destaque. Tem potencial para ampliar a produtividade e incluir a Bahia na rota dos estados que vendem o produto para produção de etanol. Investimentos no sistema de transporte impactam diretamente na redução do preço dos produtos. O transporte hidroviário, por exemplo, é mais econômico do que o rodoviário. Um comboio de seis mil toneladas substitui 150 carretas de 40 toneladas. Além do preço menor do frete, reduz a agressão ao meio ambiente. Políticas que incrementem o agronegócio trariam outros resultados: evitariam o êxodo rural, com maior oferta de emprego no interior, reduzindo o inchaço das grandes cidades. Investimentos geram riquezas e mais emprego no estado.

Plantação de algodão baiano teve a segunda maior colheita do país Foto: Agecom

112


agronegócio Plantação de eucaliptos e agricultura familiar em harmonia no Sul do estado Foto: divulgação

Como avançar? A Bahia pode se tornar referência na exportação de produtos baianos e de outras regiões. Mas, para isso, precisa modernizar e ampliar ferrovias e terminais portuários, recuperar estradas e melhorar os aeroportos. Uma nova malha ferroviária permitiria, por exemplo, escoar a safra do Centro-Oeste pelo porto baiano. Outro ponto essencial é a industrialização, com a criação de polos próximos dos locais de colheita, aumentando o valor de venda dos produtos. A diversificação também entra como um diferencial. Há potencial de crescimento da produção em diversos setores. No setor de papel e celulose, o Brasil possui apenas 2% do mercado mundial, avaliado em US$ 200 bilhões. A participação é muito pequena frente às oportunidades. A demanda por energia renovável, como biocombustível, pode também incrementar a plantação de mamona. Além de outras culturas. A preocupação com o consumo consciente, as boas condições sociais do campo, a certificação dos produtos e a preservação do meio ambiente também devem constar nas metas de agricultores e empresários para que o Selo Bahia seja reconhecido como sustentável e de qualidade.

113


agronegócio

Clamor por investimentos Os números são autoexplicativos e traduzem a falta de infraestrutura e logística do Brasil para atender à demanda do setor de agronegócios: para transportar o algodão do Oeste da Bahia até o porto de Santos, os empresários pagam US$ 0,08 por librapeso (unidade-padrão utilizada pelo mercado) por tonelada. De Santos até Xangai, na China, Paquistão ou Indonésia, o preço por tonelada cai para US$ 0,04. “Ainda assim, somos muito competitivos, mas não sabemos até quando, porque os problemas estruturais são muito grandes”, disse Walter Horita, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). A economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, disse que a falta de investimentos públicos em setores essenciais “emperra o desenvolvimento do país”. “Temos muitos projetos, mas as obras não saem do papel ou andam lentamente. Sem planejamento estratégico, o Brasil perde receita e os empresários, rentabilidade e competitividade”, acrescentou a economista. Executivo de Relações Institucionais e Competitivas da Suzano Papel e Celulose, Jorge Cajazeira também cobra obras do governo federal. “Nossas exportações são feitas pelo Espírito Santo, porque o Porto de Salvador está muito distante de nossa empresa (a Suzano está em Mucuri, a 985 quilômetros de Salvador) e o Porto de Ilhéus está operando no limite de sua capacidade”, disse. E acrescenta : “Para complicar ainda mais, o transporte da celulose até o Espírito Santo é feito por caminhões, o que encarece o frete. O ideal seria usar ferrovias”. Para Walter Horita, uma ferrovia ligando o Oeste da Bahia a Salvador seria suficiente para reduzir o preço do frete do algodão de US$ 0,08 para US$ 0,025 de libra-peso por tonelada. “Existem empresários estrangeiros interessados em investir muito no Brasil. Dinheiro não falta, mas, primeiro, o governo precisa oferecer segurança jurídica para atrair os investimentos”. O presidente da Aiba criticou os órgãos responsáveis pela concessão de licenças para empreendimentos. “A licença ambiental

114


agronegócio

é o fantasma dos empresários, porque a medida sai do racional e entra no campo ideológico”. Segundo a economista Amaryllis Romano, a falta de infraestrutura no Brasil ganhou repercussão internacional. Ela lembrou que, recentemente, a Associação Internacional de Transporte Aéreo classificou como “inadequada” a infraestrutura aeroportuária para atender a grandes eventos. “O problema é generalizado e o Brasil precisa de solução rápida para não perder o bonde da história”. O governo da Bahia informou que tem investido em logística e infraestrutra, com obras que vão desde a ampliação, em 40 mil metros quadrados, da área contígua ao Porto de Salvador, à pavimentação de rodovias e intervenções em aeroportos. O presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), José Rebouças, disse que, com a expansão, o movimento no porto terá um acréscimo de 25%. Em relação aos aeroportos, o governo informou que dos 78 terminais administrados pelo Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba), ao menos 32 serão beneficiados por melhorias. As obras incluem a restauração total do terminal de passageiros e da pista de pouso e decolagem.

Transportar a safra do Oeste da Bahia é um dos maiores problemas para os produtores do estado Foto: Ricardo Prado

115


agronegócio

Novas rotas para escoar a produção Outro projeto do governo baiano para melhorar o escoamento de produtos no estado é o Complexo Logístico Intermodal Porto Sul, um empreendimento que, quando estiver concluído, pretende integrar o Sul da Bahia a uma nova rota de desenvolvimento sustentável, estimulando o turismo, gerando empregos, negócios e ativos ambientais para toda a região. O Complexo Porto Sul engloba um terminal portuário público, o novo Aeroporto Internacional de Ilhéus e o terminal portuário da Ponta da Tulha, de uso privativo da Bahia Mineração. Por meio de sua assessoria, o governo da Bahia informou que outra obra que está sendo executada, a reestruturação do sistema de rodovias BA-093, vai provocar um forte impacto econômico na Região Metropolitana de Salvador, abrindo espaço para novos investimentos e empregos. Pelos dados da Secretaria Estadual da Fazenda, o sistema, que compreende nove rodovias, é o caminho para o escoamento de uma produção que corresponde a 60% do PIB baiano. Ainda em relação às obras de infraestrutura, a administração estadual acrescentou que a hidrovia do São Francisco receberá investimentos do PAC 2, que inclui a construção de estaleiros e portos. Estão previstos investimentos de R$ 399 milhões até 2014 na hidrovia, que sai de Pirapora e segue até Juazeiro, num total de 1.371 quilômetros. Os recursos serão utilizados principalmente para a implantação de três terminais de carga, dragagem, derrocamento e sinalização. O transporte hidroviário é mais econômico que o rodoviário. Um único comboio hidroviário de seis mil toneladas substitui 150 carretas de 40 toneladas, o que reduz o valor do frete e gera impacto positivo no meio ambiente.

*

Números da hidrovia

399

milhões de reais é o investimento previsto até 2014

116

1.371 150 quilômetros será a extensão da hidrovia

carretas. É quanto substitui um único comboio hidroviário


agronegócio

Ferrovia Oeste-Leste ainda é só um sonho Anunciada como uma das principais soluções para resolver o gargalo do setor agropecuário, a Ferrovia Oeste-Leste ainda não passa de um sonho, embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha afirmado que as obras começariam em julho de 2010. Em outubro de 2010, o Diário Oficial da União publicou o resultado da licitação do trecho baiano da ferrovia: dividida em sete lotes, a obra será executada por 24 empresas, ao custo de R$ 4,198 bilhões. Pelo projeto, a ferrovia terá uma extensão de 1.527 quilômetros, saindo de Ilhéus, passando por Caetité e Barreiras, na Bahia, até Figueirópolis, no sul de Tocantins. “Somente com um eficiente sistema multimodal de transportes, utilizando rodovias, ferrovias, hidrovias e transporte aéreo, o Brasil conseguirá manter o seu ritmo de crescimento e os empresários não terão de conviver com gargalos em qualquer atividade econômica”, afirmou o empresário Walter Horita, presidente da Aiba. Do total da extensão da ferrovia, 1.003 quilômetros ficam em território baiano, passando por 32 cidades. De acordo com o governo federal, a obra vai gerar 23 mil empregos diretos, com investimentos estimados em R$ 6 bilhões até 2012 do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os principais produtos a serem transportados na ferrovia são soja, milho, farelo de soja, fertilizantes, combustíveis e minérios. De acordo com o governo do estado, o início das obras está condicionado à emissão da Licença de Implantação por parte do Ibama. “Vamos ver se realmente essa obra sai do papel porque, até agora, o que vi foi apenas muita propaganda”, afirmou a economista Amaryllis Romano.

“Ainda somos competitivos, mas não sabemos até quando, porque os problemas estruturais são grandes” WALTER HORITA, presidente da Associação de Agricultores

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agronegócio

Floresta certificada Além de contar com a maior base florestal para produção de celulose do país e ter uma das mais altas produtividades do mundo no setor, a Bahia também tem apostado nas melhores práticas de manejo, apresentando padrões exemplares de conduta em relação aos aspectos sociais, ambientais e econômicos. São cerca de 650 mil hectares. O diretor de Relações Institucionais da Suzano Papel e Celulose, Jorge Cajazeiras, destacou que, em relação à produção, a principal certificação é a do Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal. “O FSC comprova o correto manejo das florestas”, destacou. Ao aderir ao papel certificado, além de garantir a qualidade à produção, a empresa opta por uma marca que está preocupada, por exemplo, em combater a madeira ilegal e de origem predatória, em promover o comércio responsável e incentivar e exigir o manejo florestal sustentado. A certificação leva em conta ainda a contribuição para a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos, solos, paisagens e ecossistemas, bem como para a melhoria das condições climáticas e a proteção às espécies ameaçadas. Recentemente, a Suzano iniciou uma nova etapa de certificação FSC, também envolvendo fornecedores do seu Programa de Fomento Florestal. As florestas plantadas são cultivadas atendendo a planos de manejo sustentável que têm como objetivo reduzir os impactos ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades vizinhas. Com base em tecnologias avançadas de gestão e controle, as empresas de celulose e papel visam alcançar práticas de excelência em sustentabilidade na área ambiental. Hoje, além do manejo, os investimentos em pesquisa estão direcionados para o melhoramento genético das espécies, com o objetivo de aumentar a produtividade das florestas plantadas e, assim, otimizar o uso das áreas de plantio. Os clones obtidos pelo cruzamento entre diferentes espécies geram árvores mais resistentes a pragas e a doenças, com maior taxa de crescimento e capacidade de produzir mais celulose. Jorge Cajazeiras destacou, por exemplo, que a Suzano pesquisa as regiões do Maranhão e Piauí há muitos anos. Por isso, a empresa é a única no país com tecnologia para plantar nesta

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região do Nordeste. E é graças aos avanços no manejo florestal que a indústria brasileira de celulose e papel tornou-se mundialmente competitiva, colocando o Brasil entre os principais produtores. O setor florestal brasileiro, e especialmente a Bahia, é um dos mais desenvolvidos e competitivos do mundo. Para o diretor da Suzano, existe muita área para o crescimento das florestas na Bahia. Ele lembrou que, de toda a área do estado, apenas 0,5% é ocupada com o plantio de eucalipto. “Há espaço para crescer e gerar mais empregos e desenvolvimento, com sustentabilidade”, afirmou Cajazeiras. “A produtividade das florestas plantadas na Bahia é muito alta devido às excelentes condições edafoclimáticas (relação plantasolo-clima para plantio) da região”, afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Florestas Plantadas do Estado da Bahia (Abaf), Leonardo Genofre. Segundo ele, a maioria das empresas trabalha com um ciclo de 6 a 7 anos para o corte da madeira para produção de celulose. Em outros países, em especial os de clima frio, o tempo médio de maturação do eucalipto é de 15 a 20 anos. “O Brasil tem uma vantagem competitiva natural e a Bahia compõe um dos estados com as melhores condições de plantio”, citou. De acordo com Genofre, essa produtividade é medida não apenas pelo curto ciclo de maturação. Também é dependente dos altos investimentos das empresas do setor no desenvolvimento de clones às variações climáticas e ao aumento da taxa de metros cúbicos de celulose produzidos por árvore. Na Bahia, dos 659,4 mil hectares de eucaliptos e pínus, 373, 7 mil são florestas plantadas próprias (reflorestamento) e 304,9 mil de

A Bahia tem uma das melhores condições de plantio de eucalipto Foto: divulgação

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mata nativa preservada no estado. “A expansão na área plantada com eucalipto é resultado de um conjunto de fatores que vêm favorecendo o plantio em larga escala desse gênero. Entre os aspectos mais relevantes estão o rápido crescimento em ciclo de curta rotação, a alta produtividade florestal e a expansão e direcionamento de novos investimentos por parte de empresas de segmentos que utilizam sua madeira como matéria-prima em processos industriais”, afirmou. Segundo o presidente da Abaf, as expansões previstas no segmento de celulose e papel têm sido a alavanca do crescimento nas áreas plantadas. Há uma pequena queda observada na área de florestas com pínus, explicada, em parte, pela decisão de algumas empresas do setor em substituir gradativamente por eucalipto ou por outras culturas, como observado em empresas localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Pará e Amapá. Adicionalmente, parte dessa redução é atribuída aos efeitos da crise econômica, uma vez que esse grupo de espécies está fortemente associado à indústria madeireira, que sofreu uma redução no nível de produção e exportação, principalmente aquela voltada ao setor da construção civil nos Estados Unidos.

Produtividade entre as maiores do mundo Em menos de três décadas, a produtividade mais do que dobrou. Enquanto nos anos 1980 a média era de 20 metros cúbicos de madeira por hectare/ano, ou 4,5 toneladas de celulose por hectare/ano, as empresas chegam a colher atualmente até 47 metros cúbicos de madeira por hectare/ano, o que lhe garante uma produtividade de mais de 10 toneladas de celulose por hectare/ano. Com investimentos em pesquisas e aplicação de novas tecnologias às técnicas de manejo, os resultados têm sido expressivos. Foi possível desenvolver uma nova geração de mudas que, nos plantios experimentais, comprova uma produtividade de até 13 toneladas de celulose. Segundo dados recentes do IBGE, a Bahia é o estado que mais produz madeira de florestas plantadas para a fabricação de papel e celulose no país, com 14.674.553 m³ de área plantada, ou seja, 22,4% do total produzido no país, ultrapassando produtores tradicionais do setor, como São Paulo e Minas Gerais. Este dado ratifica a posição do estado como grande polo florestal. 120


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Veracel Celulose vai duplicar produção A Veracel Celulose, em Eunápolis, no Extremo Sul do estado, fará o maior investimento do setor nos próximos anos. A unidade industrial, uma joint-venture do grupo Fibria com a sueco-finlandesa Stora Enzo, vai aplicar cerca de R$ 6 bilhões, duplicando de tamanho após criar uma segunda linha de produção. A expectativa é que sejam gerados 3,9 mil empregos diretos, com a previsão de plantio de florestas em sete municípios da região. Leonardo Genofre destacou que esse investimento será responsável por um novo ciclo de desenvolvimento, constituindo num dos maiores investimentos privados do estado e do Brasil. A nova planta vai produzir anualmente 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, com plantio próprio de 93 mil hectares, e 15 mil hectares de plantio de produtores florestais. Já a Suzano Papel e Celulose, segundo Genofre, deverá expandir a produção da unidade baiana, em Mucuri, no Extremo Sul. “Além disso, merece destaque a atuação da Bahia Specialty Cellulose (BSC), antiga Bahia Pulp, empresa do Grupo Sateri Internacional, com sede em Xangai, China”, citou o presidente da Abaf. A BSC, com sede em Camaçari, é a única produtora de celulose solúvel com alto teor de pureza da América Latina, tendo investido mais de US$ 1 bilhão em seus negócios ao longo dos últimos seis anos, incluindo a ampliação da fábrica, área florestal e pesquisas e desenvolvimento.

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Liderança

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milhões de metros cúbicos é a produção das florestas plantadas na Bahia voltadas, especificamente, para fabricação de papel e celulose

22,4% 13 é a participação da Bahia nos 65,3 milhões de metros cúbicos produzidos no país, o que garante a liderança no setor

toneladas de celulose por hectare ao ano é a produtividade alcançada após investimentos em pesquisas

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Plástico no agronegócio A crescente produção agrícola brasileira vem demandando soluções eficientes, sobretudo na logística dos produtos. O sucesso da comercialização, além do plantio e colheita, também depende dos processos de embalagem, refrigeração e transporte. Para garantir a segurança dos produtos, a indústria petroquímica vem desenvolvendo resinas que possam contribuir nesse processo. “O plástico está hoje presente em tudo. Da mesma forma, tentamos adequar soluções aos desafios da agricultura”, citou Zolder Stekhardt, gestor de projetos da área de desenvolvimento de mercado da Braskem, no setor de polímeros. Ele destacou que a empresa tem se aproximado da cadeia produtiva e dos clientes na busca de novos produtos que proporcionem a eficiência desejada. Novos termoplásticos, por exemplo, estão sendo desenvolvidos pela Braskem, que resultam em filmes e embalagens plásticas mais flexíveis para facilitar a acomodação dos alimentos. A Braskem, segundo Zolder, lançou uma resina especial para atender inicialmente ao mercado de frutas. Ela consegue envolver e proteger as frutas da ação de insetos que causam manchas, evitando, assim, a desvalorização dos produtos junto aos principais importadores, como Europa e Estados Unidos. Há ainda as caixas de polietileno, que, diferente das tradicionais embalagens de madeira ou papelão, são recicláveis. “Além disso, elas proporcionam segurança alimentar”, diz o gestor, já que atuam como barreira para a umidade, são fáceis de higienizar, o que permite sua reutilização por até quatro anos. O Brasil produz mais de 34 milhões de toneladas de frutas por ano e é o terceiro maior exportador do mundo, com destaque para a laranja e a banana. Mais de sete milhões de toneladas de banana são produzidas anualmente no país. Mas, segundo dados do setor, estima-se que 42% não chegam a ser consumidas devido às perdas que ocorrem entre a colheita e os supermercados.

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Outras aplicações na produção Zolder Stekhardt destacou que, além de contribuir diretamente para as necessidades de armazenamento, embalagem e movimentação de cargas pós-colheita, a utilização do plástico permeia toda a cadeia produtiva dos agronegócios. Estão incluídas as embalagens de insumos, feitas com sacaria de ráfia, muito utilizadas para o transporte de fertilizantes e sementes, além dos equipamentos de plantio, como maquinário e implementos, até sistemas de irrigação feitos com PVC. As resinas de polipropileno e polietileno constituem, segundo a Braskem, como alternativa para produtos como telas de meia sombra, sacos tipo big bag, cobertura de estufas, pulverizadores e peças para tratores agrícolas. O desenvolvimento de novas resinas também permite a substituição, com vantagens, de materiais tradicionais por plásticos em silos agrícolas, por oferecer resistência mecânica, luminosidade controlada e proteção para o tempo, entre outros benefícios.

“As embalagens plásticas proporcionam segurança alimentar” ZOLDER STEKHARDT, gestor de projetos da Braskem

As novas embalagens são mais flexíveis Foto: divulgação

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Setor florestal propõe criação de ICMS verde O presidente da Veracel Celulose, Antônio Alípio, defendeu a criação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ecológico, ou ICMS verde. O tema foi apresentado na palestra ministrada por Alípio, convidado para discutir o futuro do agronegócio, no Agenda Bahia. Representantes de diferentes organizações ligadas ao setor reuniram-se para uma nova rodada de palestras e debates no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), que promove o evento em parceria com o grupo Rede Bahia. Segundo Alípio, é necessário repensar a distribuição dos recursos do imposto estadual na região. “Precisamos distribuir melhor a renda para os municípios que abrigam produção florestal”, afirma. “Hoje temos um modelo muito concentrador. A legislação do estado não está adaptada ao setor florestal”, afirma o gerente de Relações Corporativas da Veracel, Adelino Netto. Segundo ele, o município que fica com a fábrica recebe 85% de todos os impostos recolhidos pelo negócio, em detrimento dos municípios que disponibilizam território para as florestas plantadas. Adelino acredita que é necessário fazer uma distribuição mais equilibrada dessa riqueza, com o objetivo de incentivar que outros municípios invistam na plantação de florestas. Para tanto, o presidente da Veracel exalta as qualidades do setor. “Somos uma indústria que sequestra carbono e ajuda a diminuir o aquecimento global”, diz. Ele cita também a preservação de matas nativas, como no bioma da Mata Atlântica, e o reflorestamento de áreas desmatadas como trunfo do setor de papel e celulose. A proposta do ICMS verde visa acelerar o desenvolvimento da região em que a empresa está instalada. O projeto, entretanto, é polêmico e pode sofrer resistência dos municípios onde as fábricas estão localizadas. Adelino afirma que no Sul do estado isso não geraria atritos graves, pois os municípios onde ficam as fábricas também possuem florestas - é o caso de Eunápolis, onde a Veracel possui sua planta, e de Mucuri, onde a Suzano tem uma fábrica. De acordo com Alípio, foram feitos estudos para calcular os impactos em cada município. “Nós fizemos os estudos, agora 124


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Antônio Alípio, presidente da Veracel Celulose: É preciso distribuir melhor a riqueza gerada pelas florestas no Extremo Sul do estado Foto: Arisson Marinho

cabe ao estado tomar as decisões e implementar as mudanças”. Segundo Adelino, o governo estadual recebeu bem a proposta. De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, uma proposta já estava sendo elaborada e seria entregue ao governador. “O ICMS ambiental é um incentivo ao setor público, pois está voltado para proteger áreas que foram preservadas”, afirma.

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Onde a Bahia dá de 10 A indústria de papel e celulose conta com uma série de vantagens em relação a outras atividades. O investimento nas fábricas e florestas é sempre alto e tem pouca mobilidade - não dá pra retirar florestas que levam anos para crescer e fábricas bilionárias e levá-las para outro lugar do dia para a noite. Além disso, é necessário investir pesado em pesquisa e desenvolvimento e na qualificação da mão de obra. As vantagens, entretanto, vão muito além do campo econômico, sinaliza o presidente da baiana Veracel Celulose, Antônio Alípio. Ele chamou atenção para a necessidade de se criar práticas sustentáveis, com geração de renda e respeito ao meio ambiente. É justamente nessa área que a Veracel, com sede no município de Eunápolis, no Extremo Sul, tem grandes resultados a mostrar. “As florestas plantadas têm um importante papel no combate às mudanças climáticas”, afirma. Ele explica que a indústria é sequestradora de carbono - por trabalhar com gigantescas extensões de árvores, ajuda a reverter a poluição gerada por outros setores, pois os milhões de eucaliptos e pínus plantados retiram gás carbônico da atmosfera, diminuindo a poluição. Alípio ressalta ainda o papel de preservação da indústria que, por lei, é obrigada a manter largas faixas de vegetação nativa. Segundo dados da Associação de Produtores de Florestas Plantadas do Estado da Bahia (Abaf), no Sul do estado há 660 mil hectares de florestas plantadas para a produção de celulose e papel, mas existem também mais de 300 mil hectares de florestas nativas ou reflorestadas, principalmente de Mata Atlântica. As condições naturais da Bahia são também uma grande vantagem em relação aos outros estados brasileiros e ao resto do mundo. “A produtividade na Bahia é dez vezes superior à do mundo”, afirma Alípio. No Brasil, por exemplo, a produtividade das florestas é de aproximadamente 40 metros cúbicos por hectare ao ano. Já na Bahia, devido às condições de solo, temperatura e chuva, esse número salta para 60. A velocidade de crescimento das árvores também é muito maior que a média mundial. Na Escandinávia, por exemplo, levam em

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torno de 35 anos para que possam ser cortadas. Já no Brasil, esse tempo é muito menor - de 6 a 7 anos. Ele afirma, entretanto, que essa situação gera boas oportunidades de crescimento. De acordo com o presidente da Veracel, o setor no Brasil cresce a um ritmo médio de 5% ao ano, muito superior à alta média global, de 1%. O investimento contínuo em novas florestas e no aumento da capacidade das fábricas (a própria Veracel está executando um projeto para duplicar de tamanho) deve levar o país a galgar posições no ranking mundial. Hoje, o país é o quarto maior produtor de celulose do mundo, já tendo ultrapassado antigos gigantes da indústria, como Finlândia e Suécia. Se continuarmos no ritmo atual, em dois anos o país pode ser o terceiro no ranking e, quem sabe, um dia assumir a liderança.

“As florestas plantadas têm um importante papel no combate às mudanças climáticas” ANTÔNIO ALÍPIO, presidente da Veracel Celulose

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Indústria florestal

200 bi 600 6 a 7 de dólares é o tamanho do mercado mundial de florestas plantadas

mil hectares de florestas plantadas no Sul da Bahia

anos é o tempo que o eucalipto leva para poder ser colhido. Na Escandinávia, demora 35 anos

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Crescer e multiplicar Maior produtora de celulose do mundo, a Fibria investe em duas frentes: crescimento sustentável e geração de empregos nas comunidades onde tem unidades instaladas. Fundada há um ano e dois meses, resultado da fusão entre a Votorantim Celulose e Papel e a Aracruz Celulose, a Fibria bateu um recorde em outubro de 2010, de acordo com informações do presidente do Conselho de Administração da empresa, José Luciano Penido. A unidade Aracruz da Fibria superou nesse mês a sua marca de plantio em áreas de restauração florestal da empresa no Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais, atingindo 286 hectares em um mês, o equivalente a 260 mil novas mudas plantadas. Ao mesmo tempo em que investe em preservação ambiental, a Fibria também desenvolveu uma parceria com funcionários e colaboradores. O projeto Floresta à Mesa, lançado inicialmente no Rio Grande do Sul, será estendido para os outros estados onde a empresa está instalada: Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Mato Grosso do Sul. “O programa tem um selo atestando que os alimentos foram produzidos de forma ecologicamente correta e com segurança alimentar”, afirmou Penido. “Na Bahia, vamos fazer a mesma coisa. Os nossos funcionários e parceiros vão plantar verduras e legumes em áreas de eucaliptos”, disse o presidente do Conselho de Administração da empresa. Em sua palestra no Agenda Bahia, José Luciano Penido acrescentou que a Fibria está participando de um projeto no Extremo Sul do estado. “Somos parceiros do governo e de outras entidades no combate às desigualdades sociais e na melhoria da qualidade de vida”. O prazo para a finalização dos trabalhos é 2023, ano que a Bahia vai comemorar o centenário de sua independência. “Todos os municípios que fazem parte da Costa das Baleias serão beneficiados de uma forma ou de outra”. Antes de aceitar a sua inclusão no projeto, a Fibria contratou uma pesquisa para identificar a realidade socioeconômica da região. “Fiquei muito impressionado, porque o Extremo Sul da Bahia, apesar de sua imensa beleza natural, ainda convive com o 128


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trabalho infantil, tráfico de drogas, prostituição, agressão ambiental, poucas alternativas econômicas e comunidades isoladas”, disse. Com 1,042 milhão de hectares, dos quais 600 mil plantados com eucaliptos, a Fibria ainda controla 50% da Veracel. “Temos 15 mil funcionários distribuídos em 252 municípios”, disse Penido. A empresa pretendia fechar 2010 com uma produção de 5,4 milhões de toneladas de celulose - 90% do total destinado à exportação.

“Fiquei muito impressionado, porque o Extremo Sul da Bahia, apesar de sua imensa beleza natural, ainda convive com o trabalho infantil, tráfico de drogas, agressão ambiental e poucas alternativas econômicas” JOSÉ LUCIANO PENIDO, presidente do Conselho de Administração da Fibria

Penido: Fibria busca a valorização das comunidades onde atua Foto: Arisson Marinho

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Oportunidades do Agroneg贸cio na Bahia

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É só plantar que dá A Bahia tem a matriz produtiva agrícola mais diversificada do mundo, mas tem também muitos desafios a enfrentar. Segundo o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, o trabalho deve envolver a busca pela verticalização da cadeia produtiva, com a industrialização da produção e o aumento da produtividade em várias culturas. Salles, que abriu o terceiro encontro do seminário Agenda Bahia, citou os desafios enfrentados por alguns segmentos do agronegócio baiano, apontando caminhos para mudar a realidade. Ele citou como exemplo a cadeia do leite e lembrou que o estado ocupa a 23ª posição em produtividade por vaca ordenhada no país, e ainda é o terceiro maior produtor. A Bahia produz 950 milhões de litros de leite por ano, mas consome 1,6 bilhão de litros, registrando déficit entre a oferta e a demanda de 650 milhões de litros. O secretário citou a recente visita feita com o governador à Nova Zelândia. “A diferença na produção é assustadora”, afirmou Salles, ao destacar o país que tem a maior produtividade no setor no mundo. O secretário falou sobre os frutos obtidos com a missão, sobretudo a importância de conhecer a mais evoluída tecnologia para produção e industrialização de leite do mundo, além das pesquisas avançadas aplicadas na pecuária de corte, de leite e de ovinos, feitas naquele país. Na Nova Zelândia, 90% da produção de leite é cooperativada, um exemplo a ser seguido pela Bahia. Ao falar do planejamento estratégico para os próximos anos, Eduardo Salles destacou os estudos que estão sendo feitos no setor agropecuário e também a criação de 20 câmaras setoriais nos segmentos de maior relevância no agronegócio baiano. “Cada uma dessas câmaras colocou seus principais problemas em questão e discutiram um planejamento para os próximos 20 anos”, explicou o secretário. Foi contratada uma consultoria para desenvolver as estratégias, que serão entregues ao governo. “Desta forma, qualquer secretário de Agricultura que entre nas próximas duas décadas terá um estudo elaborado pelos setores, com as perspectivas e gargalos a serem resolvidos”, afirmou.

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A Fundação Getulio Vargas (FGV), segundo o secretário, desenvolve o Estudo Analítico das Cadeias Produtivas do Algodão, Soja e Milho do Oeste da Bahia e Alternativas para a Verticalização da Produção. O estudo busca, após mapear as cadeias, direcionar o governo na elaboração de plano de desenvolvimento das culturas, inclusive com a oferta de incentivos, visando agregar valor à produção, com a implantação de agroindústrias no campo. Salles destacou a necessidade de industrializar a produção agrícola. “Temos que criar emprego e renda, para que a população permaneça no campo”, disse. Ele apontou vários empreendimentos que estão sendo implantados no estado, como as esmagadoras de algodão em Luis Eduardo Magalhães, fábrica de suco de laranja em Rio Real, processadoras de milho no Oeste, suco de frutas no Vale do São Francisco, banana chips em Wenceslau Guimarães, amido modificado em Laje, fécula de mandioca em Vitória da Conquista, entre outras unidades.

“Temos que criar emprego e renda para que a população permaneça no campo” EDUARDO SALLES, secretário estadual da Agricultura

Eduardo Salles revelou que com o planejamento estratégico o agronegócio será incrementado Foto: Marina Silva

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Cacau baiano é o melhor do mundo O produtor baiano João Tavares venceu o prêmio Cocoa Awards, concurso internacional de amêndoas de cacau, na categoria Cacau Chocolate, a mais importante do Salão Internacional do Chocolate, que aconteceu em 2010 em Paris, na França. Desde 2004, Tavares vem desenvolvendo, na Fazenda São Pedro, no Sul do estado, uma amêndoa de qualidade superior. Na mesma ocasião, foi anunciada a escolha de Salvador para sediar o próximo Salão do Chocolate, que acontecerá em julho de 2012. No final de outubro de 2010, o comissário geral do Salon du Chocolat, François Jeantet, assinou termo de compromisso, juntamente com o secretário estadual da Agricultura, engenheiro Eduardo Salles, garantindo a realização do evento na Bahia. Também assinaram o documento o diretor de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio Marques; o secretário de Turismo da Bahia, Antonio Carlos Tramm; e o presidente da Associação de Produtores de Cacau, Henrique Almeida. É a primeira vez que o evento acontece no Brasil. Além de Paris, o salão já foi realizado em Nova York, Tóquio, Pequim, Moscou e Xangai. A Bahia é o principal produtor de cacau do Brasil, abrangendo mais de 100 municípios. Para 2010 era esperada a colheita de 150 mil toneladas de cacau no estado. O Pará, o segundo maior produtor brasileiro, tinha previsão de 50 mil toneladas.

Em 2010, a expectativa dos produtores baianos era colher cerca de 150 mil toneladas de cacau Foto: Antonio Saturnino

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Um futuro promissor A evolução da produção agropecuária baiana foi superior ao crescimento do setor no país nos últimos cinco anos, com uma clara tendência de especialização em algumas regiões a partir da incorporação de áreas com características de solo e clima bem semelhantes à fronteira agrícola do Centro-Oeste do país. A informação é da especialista em Agronegócios da Tendências Consultoria Amaryllis Romano, que falou do Futuro Promissor do Agronegócio Baiano e das Principais Regiões do Estado, em palestra no terceiro encontro do Agenda Bahia.

Amaryllis afirmou que renda do agronegócio baiano deve crescer Foto: Marina Silva

“Fiquei surpresa com a diversidade e a capacidade de produção da agropecuária baiana”, disse. As perspectivas para os próximos anos, segundo ela, são positivas. “A renda gerada pelo agronegócio baiano deve crescer nos próximos anos”, disse. Amaryllis Romano apontou ainda que na Bahia há áreas que ainda podem ser incorporadas à agricultura, o que difere do Sul do país. “Destaca-se ainda a qualidade da produção. A soja do Oeste baiano tem a maior produtividade por hectare em todo o mundo”, afirmou. Segundo a especialista, os olhos do resto do mundo estão voltados para o Cerrado, especialmente o Oeste da Bahia. “Estive recentemente nos Estados Unidos e é impressionante como eles já conhecem essa região. Isso acontece, principalmente, porque os americanos não conseguem ter duas safras por ano”, declarou. De acordo com Romano, o crescimento da renda da população no Nordeste deve impulsionar ainda mais a produção de alimentos nos próximos anos. Para ratificar sua perspectiva, ela mostrou os índices esperados de crescimento do PIB nordestino nos próximos anos, bem acima da média nacional e, sobretudo, do Sul e Sudeste do país. Ao ser questionada sobre gargalos no agronegócio, ela afirmou que os problemas, principalmente de infraestrutura, estão presentes em todo o país, e que há regiões ainda mais problemáticas. “Se formos discutir gargalos, o Mato Grosso e o Pará têm situações muito mais complicadas”. Segundo ela, pela diversidade do agronegócio baiano, espalhado pelo estado, é normal a dificuldade com logística, mas disse que essas dificuldades precisam ser enfrentadas.

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Uma virada vertical O debate do terceiro dia do seminário Agenda Bahia discutiu, entre outros temas, a verticalização das cadeias produtivas do estado. Moderada por Maurício Pedrão, economista da Fieb, a discussão contou com a participação do secretário estadual de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, da professora da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Tânia Fischer e do diretor regional da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e presidente da Associação dos Produtores de Café (Assocafé), João Lopes Araujo. Maurício Pedrão abriu o debate do seminário. “Existem, de fato, exigências excessivas em relação ao meio ambiente”, provocou o moderador, logo no início do debate. Quem respondeu primeiro não foi o secretário de Meio Ambiente, mas sim João Lopes, que contextualizou a questão. “Não é que existam muitas exigências, é que levamos mais de 500 anos no Brasil sem falar em meio ambiente. Ninguém tinha uma estrutura ambiental adequada”, afirmou. Abaixo, as principais questões debatidas pelos participantes do painel Verticalização da Cadeia Produtiva.

Incentivos fiscais na produção O diretor da Aiba e presidente da Assocafé, João Lopes Araújo, ressaltou a importância dos incentivos fiscais do governo nas atividades agrícolas. Segundo ele, há alguns anos, a Bahia não era uma grande produtora de algodão. “Com apenas alguns incentivos, hoje, somos o segundo maior produtor nacional”, pontua. Ele lembra que é preciso investir na cadeia produtiva para ter maior valor agregado. Araújo explica que uma tonelada de algodão que vira fio multiplica seu valor por 2,4. Se a mesma tonelada for transformada em tecido, o valor é sete vezes maior. Segundo ele, estados que não produzem algodão, como o Ceará, têm polos têxteis, o que precisa ser incentivado aqui.

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João Lopes Araújo: diretor da Aiba Foto: Marina Silva


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Plano ecológico-econômico O secretário de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, acredita que é necessário agregar valor aos produtos nacionais e baianos, mas que antes disso é preciso mudar nossa cultura e algumas atitudes. “Sempre fomos um país exportador de matériasprimas, de produtos primários. Existe aí uma questão cultural. Leva tempo, mas precisamos atacar isso”, afirma. Para o secretário, o primeiro passo é começar a planejar nossas atividades. “Não temos a tradição do planejamento”, diz. Segundo ele, isso está mudando, com iniciativas como o Plano de Zoneamento Ecológico-Econômico do estado. Com base nele, o empresariado poderá saber que tipos de investimentos poderão ser feitos nas diferentes áreas. Eugênio Spengler: secretário do Meio Ambiente

Qualificação profissional Especialista em educação e desenvolvimento territorial, a professora Tânia Fischer chamou atenção para a necessidade de se qualificar a mão de obra. Ela citou o caso das lojas que vendem cafés especiais, como exemplo de agregação de valor. As cafeterias têm proliferado em Salvador, como hábito cada vez maior dos soteropolitanos de tomar café após as refeições. Tânia Fischer contou, entretanto, que ainda falta preparo para que a atividade decole. Certa vez, ela pediu que seu café fosse polvilhado com canela. A atendente não entendeu. “Ela não conhecia o produto que estava servindo. É preciso mudar isso”, afirma. Isso se dá por meio da qualificação profissional. Tania FIscher: professora da Escola de Administração da Ufba Fotos: Arisson Marinho

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A nova consciência Mais do que verificar somente a data de validade dos produtos, os consumidores dos próximos dez anos vão exigir dos fabricantes informações que hoje são ignoradas ou relegadas a segundo plano. “Os produtores e empresários que não se adaptarem à nova realidade simplesmente serão engolidos pela concorrência e vão desaparecer”, disse o professor Victor de Athayde Couto, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em sua palestra no terceiro encontro do Agenda Bahia. Entre as mudanças de comportamento previstas pelo professor estão o consumo consciente, as condições sociais do campo sob o ponto de vista de novos conceitos de desenvolvimento e as certificações. “Em pouco tempo, os fabricantes que utilizam crianças e mão de obra escrava e não possuem certificações para os seus produtos começarão a sofrer os impactos dessa nova realidade”, afirmou. Victor Athayde acrescentou que o agronegócio e a agricultura familiar brasileiros são “muito competitivos” e classificou como um “grande mito” a relação entre desabastecimento interno e as exportações. “Não existe mais desabastecimento interno, nem mesmo agora, quando milhões de brasileiros passaram a comer mais. Foi a entrada do Brasil no mercado internacional de frango que tornou essa cadeia produtiva mais competitiva, assegurando o abastecimento interno”, acrescentou o professor da Ufba. Na opinião de Victor Athayde, quem compara o agronegócio com o latifúndio está equivocado. “Mais grave ainda é atribuir ao setor atividades voltadas exclusiva ou predominantemente para a exportação, porque é no mercado interno que se apoiam os setores agrícola, industrial e de serviços”. O professor da Ufba disse também que até a década de 60 o Brasil exportava crises cíclicas de monoculturas, uma combinação de extrativismo, fertilidade natural de solo e trabalho escravo. “Hoje, a realidade é bem diferente, embora o nosso desenvolvimento não esteja alicerçado na exportação de commodities, como acontece com a Austrália. A diferença é que 140


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os australianos sempre souberam o que fazer com o superávit comercial e os políticos brasileiros, não”, disse Victor Athayde. No final, o especialista lembrou que o parque industrial do agronegócio brasileiro exporta conhecimento, equipamentos e serviços. “Isso explica a robustez do nosso sistema de inovações, puxado pela Embrapa e por uma ampla rede de pesquisadores”.

“Os produtores e empresários que não se adaptarem à nova realidade simplesmente serão engolidos pela concorrência e vão desaparecer” VICTOR DE ATHAYDE COUTO, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Ufba

Consumo consciente e melhoria nas condições sociais do campo estão entre as mudanças necessárias, segundo Athayde Foto: Marina Silva

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Conquista do Oeste Em apenas 25 anos, o Oeste da Bahia deixou de ser uma região sem nenhuma vocação para o agronegócio e se transformou em uma das principais áreas agrícolas do Brasil. Com 1,79 milhão de hectares plantados e 35 mil empregos diretos, principalmente em Barreiras, Luis Eduardo Magalhães e São Desidério, a região ganhou projeção combinando tecnologia de ponta com um clima favorável à produção de milho, soja, café e algodão. O vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt, afirmou que os empresários e agricultores que investem na região esperam apenas o governo resolver os problemas de infraestrutura para expandir os seus negócios. “Temos uma área total de cinco milhões de hectares, dos quais 70% ainda podem ser explorados. Isto significa que poderemos dobrar a capacidade produtiva”. O presidente da Aiba, Walter Horita, destaca a qualidade da terra. “É rara uma safra com ambiente favorável simultaneamente a culturas tão diferentes”, disse. Entre os principais gargalos, os dois dirigentes apontam a precariedade dos portos, a falta de ferrovias, a legislação trabalhista e a insegurança jurídica. “Muitas vezes temos de esperar por até três semanas para contratarmos caminhoneiros, simplesmente porque o número de caminhões não é suficiente para atender toda a demanda. Se tivéssemos uma ferrovia decente, certamente, a nossa produção escoaria com mais rapidez e por um custo infinitamente menor”, disse Horita. O empresário lembrou que os agricultores do Oeste temem as constantes mudanças na legislação ambiental. “Os órgãos relacionados ao setor não atuam de forma coordenada, o que dá margem a várias interpretações. Em setembro passado, por exemplo, quase 30 propriedades da nossa região, que seguem a legislação à risca, foram embargadas pelo Ibama sem nenhum motivo”, disse Pitt. O vice-presidente ressaltou que a Aiba, entidade fundada há 20 anos, conseguiu duas “vitórias suadas” em 2010 contra a “insegurança jurídica”. A primeira foi a instituição e regulamentação do Plano de Adequação e Regularização dos

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agronegócio Sérgio Pitt disse que se a região tivesse uma ferrovia a produção seria escoada mais rápido, a custo menor Foto: Marina SIlva

Imóveis Rurais do Estado da Bahia e o seu desdobramento regional, o Plano Oeste Sustentável. “O plano beneficia toda a comunidade à medida que desburocratiza os processos de supressão vegetal e de licenciamento ambiental”. A outra vitória, na avaliação de Sérgio Pitt, foi a tutela antecipada conseguida pela Aiba, suspendendo a exigência da Contribuição Social Rural, o Funrural, para os mais de 1,2 mil associados da entidade. “Há 11 anos nossos advogados tentavam convencer a Justiça de que este é um tributo inconstitucional. Agora, conseguimos”, disse Pitt. Para Walter Horita, os agricultores do Oeste baiano merecem mais atenção dos governos federal e estadual. “A nossa produção é quase 4% do total obtido pelo país e, no caso do algodão, chegamos a 30%”. De acordo com o presidente da Aiba, muitos fatores podem ser apontados para justificar o sucesso da economia local: topografia plana propícia à mecanização, estações climáticas definidas, água em abundância (pelo menos 30 rios cortam a região) e excelente luminosidade. “O governo precisa apenas fazer a sua parte. O resto pode deixar com a iniciativa privada que nós resolvemos”, disse Sérgio Pitt, que citou como exemplo de participação dos empresários o projeto de um novo campo de aviação em Luis Eduardo Magalhães. “As lideranças empresariais estão captando recursos para ampliar a pista e finalizar as obras de infraestrutura”.

143


agronegócio

Mercado está aquecido com preços em alta O aquecimento do preço das commodities revela que o agronegócio na região vai continuar se expandindo. De acordo com dados do 1º Levantamento de Intenção de Plantio do Oeste da Bahia-2010/11, a área plantada com algodão será 22,9% maior do que na safra anterior. A produção deve atingir 1,21 milhão de toneladas, com produtividade de 270 arrobas por hectare. A soja praticamente manteve os mesmos níveis de produção. Os agricultores do Oeste baiano também plantam arroz e feijão.

*

Superprodução

25

anos foi o tempo necessário para o Oeste baiano amadurecer sua vocação para o agronegócio

1,79

milhão de hectares de plantações tem a região de Barreiras, Luis Eduardo, São Desidério e arredores

“O governo precisa fazer a sua parte. O resto pode deixar com a iniciativa privada que nós resolvemos” SÉRGIO PITT, vice-presidente da Aiba

144

35

mil empregos diretos foram gerados pelo agronegócio no Oeste baiano


agronegócio

Conspiração a favor Favorecidos pelo clima, mão de obra qualificada e utilizando tecnologia de ponta, os empresários que resolveram investir no interior da Bahia deram uma nova dinâmica econômica ao estado. “A riqueza da Bahia, que antes estava concentrada na Região Metropolitana, agora está em todas as regiões”, disse o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Horita. Um dos vetores deste desenvolvimento é a região Oeste. Com quase 1,8 milhão de hectares plantados, a região pretendia fechar 2010 com a marca histórica de 5,8 milhões de toneladas de grãos. “O Valor Bruto de Produção das atividades desenvolvidas atingiu um montante de R$ 3,8 bilhões, o que demonstra a forte contribuição da economia do Oeste para o desenvolvimento do estado”, disse Sérgio Pitt, vice-presidente da Aiba. No Extremo Sul, as indústrias de papel e celulose modificaram a rotina de milhares de pessoas. Somente entre janeiro e julho de 2010, o setor exportou US$ 986 milhões, ficando à frente das atividades químicas (US$ 923 milhões), de acordo com um levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). “Dentro de pouco tempo, a Bahia será a maior produtora de celulose do mundo”, afirmou o executivo de Relações Institucionais e Competitivas da Suzano, Jorge Cajazeira. Em sua palestra no terceiro encontro do seminário Agenda Bahia, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, falou sobre a diversificação do setor produtivo. “As perspectivas para os próximos anos são excelentes, porque estamos investindo em tecnologia, infraestrutura e, ao mesmo tempo, temos um planejamento estratégico”. Salles ressaltou a região de Juazeiro, uma das principais produtoras de frutas do Brasil. “Quem mora lá ou visita a região percebe que os agricultores investiram muito em tecnologia e têm alcançado excelentes resultados todos os anos”, disse o secretário. Eduardo Salles comentou também sobre a produção de café na região de Vitória da Conquista e na Chapada Diamantina.

145


agronegócio

“Em pouco tempo, a Bahia passou a produzir café de qualidade, o que demonstra que estamos atentos à melhoria da qualidade dos produtos”. Especialista em Agronegócios da Tendências Consultoria, a economista Amaryllis Romano endossou as palavras do secretário. “A renda gerada pelo agronegócio da Bahia deve crescer muito nos próximos anos. No dia que os empresários contarem com mais infraestrutura à disposição, as riquezas proporcionadas pelo setor vão transformar a realidade social e econômica deste estado”.

Oeste-Leste é o maior sonho do interior O governo baiano aposta na construção da Ferrovia Oeste-Leste para impulsionar o desenvolvimento econômico das principais regiões do estado. O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou a liberação de recursos do orçamento para o projeto, em 2011. A parte baiana da obra, que compreende 1.003 quilômetros, será executada por 24 empresas, ao custo de R$ 4.198 bilhões. No total, a ferrovia terá 1.527 quilômetros, de Ilhéus até Figueirópolis, no sul de Tocantins. “A construção dessa ferrovia é o maior sonho dos empresários e de quem trabalha no interior da Bahia”, disse o presidente da Aiba, Walter Horita.

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agronegócio

Mercado maduro A Bahia é o segundo maior produtor de laranja do país, perdendo apenas para São Paulo. A cultura gera 150 mil empregos diretos no campo. No entanto, o estado não possui beneficiadoras, ou seja, fábricas que produzam suco para exportação e para o consumo interno. A laranja baiana, atualmente, é vendida até para o estado de Sergipe, onde indústrias locais realizam a transformação. Para mudar a realidade e agregar valor à produção agrícola, a Secretaria da Agricultura conseguiu convencer uma empresa baiana a produzir sucos no município de Rio Real, maior produtor de citros do estado. A Brasfrut já atua em Feira de Santana, mas produzindo polpas para exportação para a Europa e EUA. O investimento será de R$ 25 milhões. A verticalização da cadeia produtiva é uma forma de garantir mais competitividade à agropecuária baiana. Esta é a perspectiva e o desejo dos produtores do estado. A Bahia, exportadora de commodities, busca agregar valor à sua produção. Os primeiros passos já estão sendo dados e a expectativa é que, em breve, seja lançado um plano de incentivo ao desenvolvimento do setor. “A logística tem hoje um peso significativo para os produtores. Quando existe a possibilidade de agregar valor a essa produção, o custo logístico cai bastante”, citou o vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt. Segundo ele, no momento que existirem indústrias próximas das áreas produtivas, haverá mais competitividade. “O benefício é para o produtor e para todo o estado”, destacou. Pitt lembrou que a produção de soja na Bahia teve uma forte expansão após a implantação da Ceval, a primeira agroindústria de soja que foi instalada no Oeste baiano. “Ela passou a influenciar o processo produtivo”, disse. O mesmo acontece com o milho, com a implantação de beneficiadoras do ramo. “Mas o que temos é muito pouco perto da produção”, citou. No caso do algodão, mesmo a Bahia sendo o segundo maior produtor do país e responsável por um terço do consumo nacional, não há qualquer indústria de transformação no segmento. Sérgio Pitt explicou que para cada quilo de pluma de algodão transformado em fio há uma multiplicação no valor em

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agronegócio

Estado tem a segunda maior produção de laranja de todo o país, mas ainda não beneficia o produto Foto: divulgação

2,4 vezes. “Mas, nesse caso, não há como implantar apenas uma fábrica, pois esse tipo de indústria depende de toda uma cadeia de fornecedores”, afirmou. Por isso, há necessidade de estudo para incentivar todo o setor. A Bahia está buscando, através de um estudo em desenvolvimento pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mapear as principais cadeias produtivas, inicialmente no Cerrado baiano. O projeto, chamado de Estudo Analítico das Cadeias Produtivas do Algodão, Soja e Milho do Oeste da Bahia e Alternativas para a Verticalização da Produção, foi concluído no final de 2010, e traçou cenários e apontou caminhos que vão dar subsídios para o governo estadual implantar políticas públicas para o desenvolvimento da agroindústria baiana. “Este estudo é fruto da demanda dos produtores. Ele está levantando o peso de cada cadeia produtiva e onde o estado poderá entrar como incentivador”, citou Sérgio Pitt. A partir daí será possível identificar gargalos e definir estratégias para o desenvolvimento de políticas públicas para incrementar e verticalizar as cadeias produtivas. “Não há mais como continuarmos exportando apenas o produto primário. Precisamos agregar valor, criando riquezas, empregos e renda”. A afirmação é do secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles. A agroindustrialização, segundo ele, tem sido a palavra de ordem na Secretaria da Agricultura (Seagri). Salles destacou que desde que recebeu de volta a coordenadoria de Agroindústria – que antes estava subordinada à Secretaria da Indústria Comércio e Mineração – já foi viabilizada

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agronegócio

a implantação de diversas indústrias no interior, agregando valor à produção agrícola. “Precisamos gerar renda e empregos e segurar o homem no campo. Isto é possível quando agregamos valor à produção”, citou Salles. Ele destacou a importância do estudo que está sendo desenvolvido pela FGV e que vai nortear o trabalho da secretaria nos próximos anos. “Vamos saber a melhor forma de verticalizar as cadeias produtivas”, afirmou. Antes mesmo de iniciar a nova política de incentivos à verticalização, a Secretaria da Agricultura já está trabalhando na atração de agroindústrias para o estado. O secretário Eduardo Salles deu vários exemplos de setores contemplados ou que serão beneficiados em breve com a implantação de indústrias de transformação. Da mesma forma, a Seagri está realizando contatos e estabelecendo diálogos para implantação de unidades beneficiadoras de produtos como guaraná, milho, mandioca, cebola, uva, manga, cacau e algodão.

*

Bahia agrícola

24%

é o percentual de participação da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia

37%

é o percentual de participação da agropecuária nas exportações baianas

149


agronegócio

Maior produtor de guaraná, mas sem beneficiamento A Bahia é o maior produtor de guaraná do Brasil, mas o estado não tem uma fábrica para processar e agregar valor ao produto. Hoje, as cooperativas compram o guaraná dos produtores associados, ao preço de R$ 10 o quilo, e entregam o produto à Ambev por R$ 17. O guaraná segue então para Salvador, onde é embarcado em navios para Belém e depois em barcos para Manaus, chegando finalmente a Maués, onde a Ambev tem planta. O guaraná é processado e vendido a R$ 23. Transformado em xarope, o produto volta à Bahia como se fosse produzido no Amazonas. “Precisamos acabar com o ciclo perverso que prejudica os produtores de guaraná, na maioria agricultores familiares, que trabalham duro e não conseguem resultados justos”, disse o secretário Eduardo Salles, que negocia com a Ambev uma beneficiadora no estado.

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Novos negócios

ALGODÃO Duas esmagadoras de algodão anunciaram implantação de unidades em Luis Eduardo Magalhães MILHO Duas fábricas de processamento do milho estão sendo implantadas em Barreiras e Luis Eduardo Magalhães, gerando novos empregos SOJA O Oeste baiano deve ganhar em breve mais uma esmagadora de soja. O investimento de um grupo chinês é da ordem de US$ 300 milhões FRUTAS Os chineses também estão de olho no Vale do São Francisco, onde um grupo tem a intenção de implantar uma indústria de sucos de frutas

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agronegócio

Busca da nanofibra A Embrapa e a petroquímica Braskem iniciaram um projeto à base de nanotecnologia e uso de fontes renováveis. Ele prevê o desenvolvimento de pesquisas que terão como matériaprima para o estudo bagaço de cana, resíduos de casca de coco, variedades específicas de algodão colorido, sisal, curauá e resíduos agrícolas. O objetivo é identificar nanofibras de celulose, de diferentes fontes vegetais, mais produtivas, com melhor desempenho e biodegradáveis para uso na indústria. A nanotecnologia busca criar coisas a partir da menor partícula possível, usando técnicas e ferramentas para colocar cada átomo e cada molécula no lugar desejado. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro. O projeto da Embrapa e da Braskem tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (Fipai). O prazo para execução é de três anos e os recursos são de R$ 500 mil. O projeto faz parte do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite) da Fapesp, que vai participar com aporte de R$ 252 mil. Os outros R$ 248 mil serão investidos pela Braskem.

Algodão colorido é uma das matériasprimas utilizadas na pesquisa desenvolvida à base de nanotecnologia Foto: divulgação

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agronegócio

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de uma de suas unidades, a Embrapa Instrumentação, é a instituição parceira nessa pesquisa, com longo histórico de interações com a indústria. Para o chefe geral, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, o convênio é uma importante oportunidade de estreitar a relação com a indústria e um desafio para a ciência em desenvolver tecnologias que possam efetivamente ser empregadas, de acordo com a necessidade de mercado de produzir novos materiais a partir de fontes agrícolas. “Essa integração traz benefícios importantes para ambas as partes, na medida em que propicia o ambiente ideal para o desenvolvimento do trabalho científico e a inovação aplicada”, acrescenta Edmundo Aires, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Braskem. Para o desenvolvimento de nanofibras estão sendo envolvidos três pesquisadores e cinco bolsistas da Embrapa Instrumentação.

*

Biodegradáveis

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500

mil reais é o valor usado no projeto de pesquisa para identificar nanofibras de celulose


agronegócio

Bahia está livre do Mofo Azul A Bahia é um estado livre do Mofo Azul, praga que atinge a cultura do tabaco. O anúncio foi feito pelo diretor do Departamento de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Cosan Coutinho, na sede da Embrapa. “Este é um momento de grande importância, porque, com a obtenção desse status, nós vamos incrementar a cultura do fumo e a produção de charutos de qualidade em toda a região, mantendo os empregos e gerando novos postos de trabalho, além de dinamizar a economia de mais de 20 municípios da região do Recôncavo”. O certificado abre definitivamente o mercado chinês e de outras partes do mundo. Para Coutinho, a Bahia fez o dever de casa e cumpriu as exigências manifestadas pelo mercado chinês. “Em muito pouco tempo, estaremos exportando tabaco e charutos para a China, e isso é, em grande parte, resultado do trabalho realizado pela Agência de Vigilância Agropecuária da Bahia (Adab)”. Ele sugeriu a realização de uma missão à China para tratar especificamente do tema, dando a devida importância ao fumo do Recôncavo Baiano. “Enquanto estiver no ministério, eu serei embaixador desta causa”, disse. O diretor geral da Adab, Cássio Peixoto, lembrou que os mercados cobram cada vez mais a eficiência dos padrões sanitários, realidade que a Adab encara com muita seriedade e responsabilidade. “É uma questão de saúde pública”, afirmou.

“Em muito pouco tempo, estaremos exportando tabaco e charutos para a China” COSAN COUTINHO, diretor do Departamento de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura

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agronegรณcio

Grรกficos: A forรงa da Bahia

* 154

A forรงa da Bahia


agronegócio

Riqueza no campo Maior população rural do Brasil

Peso na economia do estado 37% das exportações do estado

Safra recorde de frutas

4,5

milhões de habitantes

Geração de empregos

30,8

76% 24%

bilhões de reais

3,19 bilhões de dólares

5,23 milhões de toneladas

Safra recorde de grãos

4ª maior área irrigada do país

181

mil admissões

outros setores agronegócio

6,77 milhões de toneladas

410

mil hectares

Número de agricultores familiares 340.000

279.000

176.000

85.000

2007

2008

2009

2010

Fonte: Secretaria estadual da Agricultura

155


agronegócio

Polos agroindustriais Juazeiro

Juazeiro

Paulo Afonso Valente

Xique-Xique

Campo Formoso

Senhor do Bonfim

Jacobina Luis Eduardo Magalhães

Serrinha

LEM Barreiras

Alagoinhas Ibotirama Barreiras Seabra Itaberaba

Feira de Alagoinhas Feira de Santana Santana

Salvador

Bom Jesus da Lapa

Correntina

Salvador Jequié

Santa Maria Guanambi Caetité da Vitória Jaborandi Iuiú Guanambi Guanambi

Vitória da Itabuna Conquista

Vitória da Conquista

Itapetinga

Jequié

Camamu

Itacaré Ilhéus

Itapetinga Eunápolis Porto Seguro

Açúcar Aguardente Beneficiamento de algodão Portos em construção Portos

Beneficiamento de sisal Óleos vegetais

Ferrovias Conserva de legumes

Papel e celulose

Ferrovias em construção Curtume

Polpa de frutas

Rodovias

Etanol Rodovias federais Beneficiamento leite

FerroviasFrigoríficos totais : 1.537 km Rodovias totais: 126.666 km Vinho

Fonte: Secretaria da Agricultura Fonte: Secretaria estadual de Agricultura

156

Teixeira de Freitas

Chocolate

Avião

Valença

Ilhéus

Canavieiras Porto Seguro Caravelas


agronegócio

Mapa da pecuária

Paulo Afonso

Juazeiro

Inhambupe Serrinha

Jussara

Santa Bárbara

Barreiras

Pintadas

Alagoinhas

F. Santana

Ruy Barbosa Amargosa

Stª Maria da Vitória

Santo Antônio de Jesus Brumado

Jequié Ilhéus

Vitória da Conquista Itapetinga

Eunápolis

Teixeira de Freitas Bovinos Caprinos

Fonte: Secretaria da Agricultura

157


agronegócio

Diversificação na produção Juazeiro

Jacobina Luis Eduardo Magalhães

Ibotirama Barreiras Seabra Luis Eduardo Magalhães

Irecê Feira de Santana Alagoinhas Feira de Santana

Barreiras

Bom Jesus da Lapa

Correntina Santa Maria da Vitória

Itaberaba

Mucugê Salvador

Formoso / Bom Jesus da Lapa Jequié

Valença

Caetité Guanambi

Paulo Afonso

Senhor do Bonfim

Campo Formoso

Xique-Xique

Juazeiro

Guanambi Guanambi Vitória da Conquista

Itacaré Itabuna

Ilhéus

Ilhéus

Itapetinga Maracás

Porto Seguro

Portos em construção Portos

Fruticultura

Cana

Avião

Mamona

Cacau

Ferrovias

Algodão Ferrovias em construção Soja Rodovias Rodovias federaisCafé

Bovinos Pesca Ferrovias totais : 1.537 km Avicultura Rodovias totais: 126.666 km

Caprinos e Ovinos

Fonte: Secretaria estadual de Secretaria Agriculturada Agricultura Fonte:

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Milho

Teixeira de Freitas


agronegócio

Ranking da produção agrícola Top nacional - 2009

Produto

Coco-da-Bahia Manga Cacau Guaraná Banana Sisal Mamona

Laranja Algodão Cebola

Mandioca

Café

Uva

Soja

Fonte: Secretaria estadual da Agricultura

Produção de diversos produtos baianos se destaca no cenário nacional. As condições favoráveis do clima e do solo permitem diversificação e safras especiais.

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agronegócio

O poder do papel e da celulose Produção de madeira de florestas plantadas para fabricação de papel e celulose

65.345.680 m² (100%) 39,8%

Outros estados (25.921.61 m³)

22,4%

Bahia (14.674.553 m³)

20,9%

São Paulo (13.665.914 m³)

16,2%

Paraná (11.083.552 m³)

Número de empregos diretos (próprios e terceiros)

Número de empregos indiretos

Total aproximado

Área de preservação de floresta nativa na Bahia pelo setor

12 mil

superior a

30

Área de floresta plantada na Bahia

42

Investimento previsto para os próximos cinco anos

mil

mil

Fonte: IBGE, SEI, FIEB, ABRAF, BRACELPA

160

279

mil hectares

527

mil hectares

10

bilhões de reais


Turismo

*

Turismo


turismo

Uma grande vocação

U

ma indústria que movimenta bilhões e que somente no Carnaval gera 220 mil empregos. Um segmento que mexe com toda a cidade. O turismo baiano vai muito além das festas: gera recursos e negócios para o estado. Mas, para que o setor passe a ter um peso mais expressivo na economia da Bahia, tornam-se necessários investimentos, especialmente em infraestrutura e qualificação profissional. Essa é a opinião dos participantes do último encontro do seminário Agenda Bahia, realizado pelo CORREIO e rádio CBN, com apoio da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). O turismo de entretenimento, com festas durante o ano todo, movimenta uma cadeia de bares, restaurantes, hotéis, comércio e indústria. Outra área que tem se destacado no estado, o turismo de negócios e congressos, somente em 2010, movimentou mais de US$ 100 milhões em 62 eventos na Bahia. Esse turista gasta, em média, US$ 250 por dia. Do país, a maior parte de quem chega sai de São Paulo e Minas Gerais. Entre os estrangeiros, dos Estados Unidos. Mas o baiano também gosta da sua terra. Uma prova disso: metade dos turistas que circulam pela Bahia é daqui. Para incrementar essa indústria, uma série de ações está sendo planejada para desenvolver regiões do interior do estado. Entre elas, o incremento do turismo rural, náutico e étnico-afro. Mas ainda falta planejamento de ações, destacam os especialistas. Confira neste capítulo reportagens sobre o que foi debatido no seminário, além de matérias especiais sobre o setor, essencial para a economia baiana.

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turismo

Vantagens Durante o seminário, os palestrantes e debatedores destacaram as belezas naturais, o clima, a diversidade cultural e a baianidade como elementos que fazem a diferença na hora do turista escolher a Bahia como destino de viagens. Tem atrações para todos os gostos. As grutas e desfiladeiros atraem as atenções para a Chapada Diamantina. As praias com mar calmo e muitos coqueiros são o forte do Litoral Norte. Já os surfistas e os que gostam de aventura encontram ondas mais agitadas na direção de Itacaré. Tem até lugares ainda pouco explorados, como Mangue Seco. Tanta riqueza também contribui para a criação de novos roteiros, do turismo rural ao de aventura. A localização é outra aliada e facilita o acesso por vários meios de transporte.

Beleza natural atrai turistas de todo o mundo Foto: divulgação

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turismo

Desafios Tratar o turismo como negócio. No debate do seminário Agenda Bahia foi sugerida a implantação de um plano de desenvolvimento para o setor, a fim de transformar o estado no primeiro portão de entrada do país. Infraestrutura e qualificação de mão de obra, além de uma gestão mais profissional de toda a cadeia turística, são pontos a serem vencidos para garantir essa transformação. Investir na diversidade para atrair novos turistas, além do Carnaval, também é um desafio, segundo os especialistas. O jeito baiano de receber conquista os visitantes, mas a qualidade no atendimento, o conforto das instalações, a preservação do meio ambiente, a oferta de roteiros e a segurança na locomoção fidelizam o turista, possibilitando seu regresso ao estado. Ampliação e modernização de aeroportos e estradas aumentam o fluxo de visitantes na capital e permitem o turismo pelo interior. Trabalhar o potencial náutico também tem retorno garantido. Investimentos em embarcações, como o ferry-boat para Itaparica, são necessários.

Especialistas criticaram as condições do transporte entre Salvador e Itaparica Foto: Antonio Saturnino

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turismo

Por que avançar? O turismo não pode ser visto apenas como entretenimento. A presença do turista movimenta toda uma cadeia da economia e gera riquezas e emprego para o estado. Bares, restaurantes, hotéis, comércio, indústria, setor imobiliário e até o ambulante. Somente no Carnaval, 40 setores são beneficiados, segundo dados da Salvador Turismo (Saltur). Quem entende que o turismo pode ser encarado como negócio multiplica o raio de ação e o lucro. A indústria da axé music, por exemplo, movimenta R$ 125 milhões nos seis dias de folia. E ganha dinheiro o ano todo com shows pelo país e pelo exterior. A participação do turismo no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia tem variação de 3% a 5%. Ainda é muito pequena, com imenso potencial de crescimento. Em países desenvolvidos, onde o turismo é tratado como indústria, esse percentual chega a 40%. Em algumas cidades baianas, o turismo é a principal fonte de receita da prefeitura e dos moradores. Investir nessa área só traz benefícios para toda a população.

Profissionalizar o turismo significa mais retorno para a Bahia Foto: divulgação

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turismo

Como avançar? Diversificar e segmentar para aumentar a vantagem competitiva das regiões turísticas, criando mais opções para o visitante permanecer no estado. Turista no estado é sinônimo de riqueza. Apenas o Carnaval de 2010 movimentou R$ 1,1 bilhão na capital. Criar condições e incentivos em qualificação da mão de obra pelo governo e também pela iniciativa privada. Investir em infraestrutura: ampliar e modernizar rodovias, aeroportos, hidrovias, portos e atracadouros. Trabalhar novos destinos. O turismo náutico, como destaca a Secretaria do Turismo, é um dos segmentos com grande potencial de crescimento. Há outros caminhos a seguir. Entre eles, atrair a nova classe média, que está ávida por novidades, e, na outra ponta, estimular o turismo de negócio.

Diversificar e segmentar o turismo foram soluções apresentadas pelos especialistas Foto: divulgação

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turismo

Para todos os gostos Cenário de romances de Jorge Amado, novelas e minisséries, o interior da Bahia desponta como opção para turistas interessados em aventuras, caminhadas por trilhas históricas e pelo patrimônio histórico e cultural. Formada por paredões, desfiladeiros, grutas e cavernas, a Chapada Diamantina é uma das regiões mais procuradas no estado. “Desde que cheguei ao Brasil, há dois anos e meio, fui cinco vezes para a Chapada e sempre me impressiono com as suas belezas naturais”, disse a alemã Annette Stork, 34 anos. Outra região muito procurada pelos turistas europeus passou por uma grande transformação nos últimos anos. Depois que a vassoura-de-bruxa dizimou centenas de fazendas de cacau e desempregou 250 mil pessoas, os fazendeiros do Sul da Bahia passaram a investir na preservação de suas fazendas para atrair novos investimentos. “Muitas pessoas querem saber como funciona a cadeia produtiva do cacau ou simplesmente estão mais interessadas em passar uma noite dentro de uma casa construída há quase um século”, revelou o fazendeiro Rômulo Santana, 47 anos, de Itabuna. A Costa do Descobrimento, que atingiu o seu auge em 2000, quando o Brasil comemorou os 500 anos da chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral, é o segundo maior polo turístico do estado. Com uma grande rede hoteleira, Porto Seguro tem investido muito em infraestrutura. “No mundo todo, os turistas querem conforto. Quem chega a Porto Seguro quer encontrar serviços de qualidade, bons hotéis e restaurantes, além das atrações turísticas”, disse o empresário José Alves, 40 anos. Para quem gosta de festa e muito agito, Morro de São Paulo é o destino certo. Cercada por belezas naturais e com sol praticamente o ano todo, a ilha é reduto de turistas estrangeiros. “Conheço muitos locais do mundo e posso afirmar, sem medo de errar, que Morro de São Paulo está entre os mais bonitos”, afirmou o economista espanhol Pablo Gutierrez, 35 anos, que veio a Salvador para participar de um seminário e resolveu passar um final de semana na ilha.

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O visual exuberante das praias de Morro de São Paulo: belezas naturais e agitos atraem turistas do mundo inteiro em qualquer época Foto: Rota Tropical

Governo promete investimentos em infraestrutura De olho no crescimento turístico do interior, o governo da Bahia resolveu investir em obras de infraestrutura nas regiões mais procuradas pelos visitantes. Através de sua assessoria, a administração estadual informou que está trabalhando na recuperação de estradas, modernização de aeroportos e captação de mais voos internacionais. Além de obras de infraestrutura, o governo também está mapeando outros pontos. Formado pelos municípios de Juazeiro, Casa Nova, Remanso, Sobradinho e Curaçá, o Vale do São Francisco é uma região que deverá ser consolidada nos próximos anos. “Nós precisamos de mais investimentos em transportes”, disse o empresário Antonio Carlos Ribeiro, proprietário de uma pousada em Ilhéus. “Os turistas querem conforto e não podemos perder mais tempo, porque o Brasil depende muito do turismo”, afirmou. Segundo o governo, o novo parque hoteleiro que está sendo construído no interior vai dotar as principais cidades da Bahia de infraestrutura necessária para garantir a expansão do setor nos próximos dez anos.

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O novo boom Após registrar aumento de 168,1% na atração de investimentos privados (passou de US$ 2,2 bilhões para US$ 5,9 bilhões) nos últimos quatro anos, a Bahia projeta um novo boom até 2017. “Só o Litoral Norte do estado vai receber US$ 3,3 bilhões da iniciativa privada até 2017”, afirmou o secretário estadual do Turismo, Antonio Carlos Tramm, durante palestra do quarto e último encontro do Agenda Bahia. De acordo com o secretário, o montante, que será aplicado na construção e ampliação de equipamentos turísticos (hotéis, pousadas, resorts e áreas de lazer, por exemplo), vai impulsionar o crescimento do setor na Bahia. “Somos o maior destino do Nordeste e queremos ampliar esta liderança”, acrescentou. Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que a Bahia tem um fluxo de nove milhões de turistas - do total, 8,5 milhões são brasileiros e 514 mil, estrangeiros. Em sua palestra, Antonio Carlos Tramm disse que os turistas de Minas Gerais e São Paulo são os que mais visitam a Bahia. Cada estado envia, em média, 1,2 milhão de turistas por ano. “Os principais emissores internacionais são Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Alemanha e Espanha. A partir de 2011, vamos trabalhar outros destinos”, ressaltou o secretário. Tramm disse também que os empresários que atuam no setor hoteleiro não têm do que reclamar. “A ocupação hoteleira em 2010 estava acima de 67%, média considerada Antônio Carlos Tramm disse que Minas Gerais e São Paulo são os estados que mais enviam turistas para a Bahia: em média, 1,2 milhão cada Foto: Marina Silva

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ideal para a obtenção de resultados positivos”. Em relação ao número de desembarques, a Bahia também cresceu. Entre janeiro e setembro de 2010, foram registrados 2,3 milhões de desembarques no aeroporto de Salvador, 300 mil a mais do que no mesmo período de 2009. O secretário disse que, após obter o melhor índice dos últimos dez anos em setembro/2010 (85%), os hotéis devem operar com quase 100% de ocupação durante o Verão. “Os empresários sabem que o turismo baiano é uma excelente fonte de renda. Tanto é verdade que somente Salvador e o Litoral Norte da Bahia vão receber mais 19 mil leitos até 2014”, disse Tramm. Outra aposta do governo para atrair novos turistas à Bahia são os cruzeiros e os encontros de negócios. “Na temporada 2010/2011, teremos 135 cruzeiros passando pela Bahia, o que significa que quase 300 mil passageiros vão conhecer ou voltar ao estado”. Em relação ao turismo de negócios, Tramm disse que, de acordo com dados do Convention Bureau, 62 eventos foram realizados somente em 2010 na capital baiana, gerando uma receita aproximada de US$ 100 milhões. “Foram 12 encontros internacionais nesse período, dentre os quais o Congresso da ONU e um da Federação Dentária Internacional”. O processo de canonização de Irmã Dulce também é outro fator que deve contribuir para aumentar o número de visitantes à Bahia, de acordo com Antônio Carlos Tramm. “O turismo religioso é uma realidade em todo o mundo e aqui não será diferente. Só a beatificação da religiosa será mais do que suficiente para atrair mais turistas aqui”. Ao final de sua palestra, o secretário lembrou que o crescimento do turismo requer obras de infraestrutura. “Estamos conscientes que precisamos fazer muita coisa e o governo da Bahia tem colaborado com a realização de obras em todo o estado. Agora, é bom ficar claro que as soluções não devem partir apenas do governo, mas de toda a sociedade”.

“Somos o maior destino do Nordeste e queremos ampliar esta liderança” ANTÔNIO CARLOS TRAMM, secretário estadual do Turismo

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Bênção para o turismo O governo investe em quatro frentes para aumentar o número de visitantes à Bahia. Esquecidos por muitos anos, os saveiros vão transportar turistas interessados em conhecer a Baía de Todos os Santos. A beatificação de Irmã Dulce cria um ótimo momento para incrementar o turismo religioso. A hora é de executar obras de infraestrutura nas cidades mais procuradas e ampliar e modernizar alguns aeroportos localizados no interior.

Beatificação de Irmã Dulce incrementa turismo religioso no estado, que conta com manifestações e crenças variadas em perfeita harmonia Foto1: reprodução Foto 2: Andrea Farias

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A riqueza do axé A Bahia hoje exporta cultura musical para o mundo e gera entretenimento em todo o país. Segundo o diretor geral da Central do Carnaval, Joaquim Nery, a indústria do axé vai muito além dos seis dias de folia em Salvador. O Carnanegócio, como chama, proporciona milhares de empregos, renda e negócios a muitas empresas no estado. Durante palestra no seminário Agenda Bahia, Nery mostrou com números o poder desse negócio no estado: a movimentação das entidades carnavalescas chega a R$ 125 milhões. Somente a bebida, mais R$ 103 milhões, fora os R$ 20 milhões da indústria fonográfica. Ele cobrou mais investimentos do poder público no Carnaval e enfatizou a necessidade de mais divulgação da festa, que gera reflexos ao turismo baiano. “Quando Daniela Mercury faz shows pela Europa, chama o público, durante o tempo todo, para conhecer a Bahia. Todos os demais artistas fazem o mesmo”. Ele pediu mais atenção para o Carnaval e disse que o investimento que é feito pelo setor público é muito pequeno frente ao resultado obtido, sobretudo pela capital. “Quando se fala do Carnaval, divulga-se não apenas a festa, mas o espírito de um povo, e isso tem reflexo durante todo o ano”, afirmou. Nery destacou, ainda, a realização de festas e carnavais fora de época por todo o Brasil. “As micaretas e os eventos são degustações para o Carnaval de Salvador”. O diretor da Central do Carnaval citou a necessidade de intervenções na festa, em função da superlotação em algumas áreas, e chegou a falar da necessidade de discussão de um terceiro circuito de trios. “Mas não adianta criar um novo circuito com apresentações que não atraiam público”, afirmou. Presente no evento, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Cláudio Tinoco, confirmou que existe estrangulamento em algumas áreas dos circuitos, mas que algumas alternativas estão sendo criadas, como o investimento no Carnaval dos bairros. “Qualquer análise de um novo circuito tem que ter uma avaliação quanto à oferta de serviços essenciais, como segurança”, disse Tinoco. Ele confirmou a implantação, em 2011, da Praça 173


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do Samba, no Comércio, exatamente na Praça Cairu. “O surgimento de novas áreas para a festa deve acontecer de forma espontânea, como aconteceu na Barra”. Na palestra, Nery falou ainda da dificuldade da ‘Indústria do Axé’ de realizar eventos na cidade. “Fazer uma festa em Salvador é complicado. Não existem espaços adequados. Além disso, você ouve não o tempo todo das autoridades”, disse Joaquim Nery. Ele reivindicou do setor público investimento na viabilidade de espaços para os eventos, que geram empregos e renda na cidade.

“Quando se fala do Carnaval, divulga-se não apenas a festa, mas o espírito de um povo” JOAQUIM NERY, diretor da Central do Carnaval

Joaquim Nery falou da importância do Carnaval e da axé music para o turismo baiano Foto: Marina Silva

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Evolução nas últimas três décadas O ano de 1978 foi um marco para o Carnaval, na visão de Joaquim Nery. Foi a partir dessa época que as entidades carnavalescas começaram a mudar as suas estruturas de gestão. Foi também quando ele entrou no negócio do Carnaval. Mas foi em 1982, com a evolução do trio elétrico, que houve uma transformação na festa baiana. Os equipamentos sonoros passaram por uma evolução, o que garantiu mais qualidade à musica tocada nos trios. “Foi a partir daí que surgiram os cantores de trio, como Luiz Caldas, Bell Marques, Durval Lelys e Daniela Mercury, e, logo depois, o conceito de axé music”, citou o diretor da Central do Carnaval. Segundo Nery, além da evolução dos trios, alguns fatores foram fundamentais para o sucesso do axé e do Carnaval baiano. “Houve investimento e profissionalismo, além de sorte. Até hoje, fazemos algo que agrada ao público”, afirmou. Para ele, o axé continuará fazendo sucesso pelas próximas décadas, porque não tem compromisso ideológico. “Apenas busca que as pessoas extravasem a alegria”, declarou.

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Números do Carnaval

10

milhões de litros de cerveja consumidos

60,5

milhões de reais gastos em hospedagem

12

toneladas de latinhas de alumínio coletadas

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8

Costa das Baleias

da Bahia, possui o maior Localizada no Extremo-Sul recifes de corais do e mais diversificado reduto de nguezais, canais de ma igar Atlântico Sul, além de abr a. maré e uma vasta fauna e flor Alcobaça, Itamaraju, Principais cidades: Caravelas, eira de Freitas. Teix do, Pra , Mucuri, Nova Viçosa de Abrolhos Principal atração: Arquipélago (Caravelas). l sinalizadas, rede Carências: estradas ruins e ma hoteleira insuficiente.

Bahia de todos os destinos Bahia de todos

os destinos Caminhos do Sertão tina man a i D da pa a Ch

3

2

1

Caminhos do Oeste

4

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1

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Caminhos do Sertão

5

acontecimentos do Brasil, Cenário de um dos maiores da Bahia é uma a Guerra de Canudos, o sertão m gosta de história. que a par alternativa de turismo s, Euclides da Cunha, Uauá, Principais cidades : Canudo a, Ribeira do Pombal. Monte Santo, Tucano, Serrinh da Guerra de Canudos. Principal atração : As trilhas simas condições, poucos Carências : Estradas em pés tes. ran tau hotéis, pousadas e res

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Costa do D

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Localizad a entre a fo Camamu , possui b z do rio Jaguaripe e a Baía d elas praia restingas e s, lagoas, , ca nascente mente dis choeiras e estuári s, os, tudo h tribuído e m 115 quilô armonica metros d Principais e litoral. cidades: Morro de Boipeba, São Paulo Cairu, Tap , Va eroá, Nilo P eçanha, Ig lença, Carência rapiúna. : Com exc eção de M Boipeba, orro de S a rede ho ão Pa tele utiliza o fe rry-boat ira é insuficiente. Q ulo e p uem ara visita precisa e xercitar a r paciência a região também .

7

Costa do Cacau

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4

Costa do D e

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ento Rodeada p or muitos a tr ati corais, rios e mangueza vos (praias, recifes d e is), é consid da história erada o berç brasileira. To o mbada pela patrimônio Unesco com cultural da humanidad o e em 1999. Principais ci dades : Port o Seguro, T Belmonte, ra Santa Cruz Cabrália, Ita ncoso, Arraial D’A bela, Caraív juda. a, Carência : S erviços ruin s.

Cenário de muitos rom ances de Jorge Amad o, a região conta com rio s margeados por faz endas de cacau, arquitetura co lonial, praias e rios. Principais cidades : Ilh éus, Itabuna, Una, Ca navieiras, Itacaré, Uruçuca. Carência : O aeroport o de Ilhéus, que atend e a toda a região, é um dos pio res do Brasil, segund oa Associação de Piloto s. Além de pequeno, sua pista oferece pouco espaço para manobras.

177 Fonte: Secretaria estadual do Turismo Arte: Morgana Miranda


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Com a cara da Bahia Muito além da folia do Carnaval e do Verão baiano, existe uma indústria bem-estruturada, que gera receitas bilionárias e emprega centenas de milhares de pessoas: é o negócio do axé, ou axé business. O maior palco da indústria é o Carnaval, que movimentou em 2010 aproximadamente R$ 1,1 bilhão, segundo Cláudio Tinoco, presidente da Saltur, empresa municipal que organiza a folia. A quantia representa 1% do Produto Interno Bruto da Bahia. Pode parecer pouco, mas Tinoco lembra que o número refere-se a apenas seis dias e não leva em consideração os meses seguidos de festas na cidade. Num outro levantamento, por exemplo, a prefeitura estimou que 70 festas, entre ensaios, lavagens e feijoadas, gerem receitas de R$ 3,5 milhões, de dezembro a janeiro – e isso não leva em conta o movimento nos hotéis, restaurantes, lojas, publicidade, entre outras atividades. O axé baiano faz tanto sucesso que já se expandiu pelo país. Durante todo o ano, cantores e bandas como Ivete Sangalo, Chiclete com Banana e Asa de Águia, entre outros, fazem shows por diversos estados. Tinoco acredita que essa exposição só ajuda o Carnaval e o Verão da Bahia. “Essa expansão da produção cultural baiana, do axé, pelo Brasil só nos ajuda, pois atrai turistas para cá. Nosso Carnaval é único, não tem comparação. Muitos dos eventos Brasil afora são fechados”, afirma o presidente da Saltur. O diretor da Central do Carnaval, maior empresa que comercializa produtos ligados à folia (como os abadás), Joaquim Nery, concorda. “A geração de conteúdo é toda feita aqui”, lembra. “Existe um espírito de baianidade que surge de nossa musicalidade, que atrai turistas o ano todo”, completa. Nery lembra também que, além de gerar em torno de 12% das receitas do Carnaval, os blocos e camarotes são responsáveis por quase metade dos 220 mil empregos temporários dos seis dias de folia. Esses incluem pessoal de apoio, planejamento, técnicos de som, seguranças, cordeiros, etc. Mas a folia não se restringe a esse grupo. São mais de 40 setores movimentados, entre os óbvios, como hotelaria, até os menos evidentes, como o de confecções (há centenas de pessoas que ganham dinheiro reformando abadás durante o Verão, por exemplo).

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A Saltur afirma ainda que parte das receitas é gerada pelo incremento no consumo, como o de alimentos e bebidas. Apenas durante o Carnaval, são mais de R$ 100 milhões consumidos de cerveja, água e refrigerante. Embora não haja um número concreto, esse movimento econômico é multiplicado durante todo o Verão, com uma série de ensaios de bandas, como Timbalada, e blocos, como o Harém. A prefeitura e o estado também ganham, com venda de cotas de publicidade e arrecadação de ISS e ICMS, por exemplo. Enquanto os turistas - e os nativos – curtem a festa, a indústria e o governo se preparam para mais um Verão quente e de faturamento nas alturas.

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A festa baiana

1

bilhão de reais é a movimentação gerada pelo Carnaval de Salvador - 1% do PIB baiano

220

mil empregos são gerados durante os seis dias de folia na capital baiana

40

setores estão relacionados às festas, do hoteleiro ao alimentício

Um negócio com a cara da Bahia, que atrai turistas e movimenta a economia, gerando empregos para maquiadores, técnicos de som, cordeiros e ambulantes, entre outros Foto: divulgação

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Para voar mais alto A demanda pelo transporte aéreo cresce três vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB), o que gera uma necessidade urgente de investimento nos aeroportos. Na Bahia, não é diferente, segundo o presidente da Gol Linhas Aéreas, Constantino Júnior. Ele informou que, caso não sejam ampliados, aeroportos como os de Salvador, Ilhéus e Porto Seguro terão sérios problemas nos próximos anos. Constantino lembrou que a Bahia é um dos destinos mais atraentes e procurados no país, e que vai necessitar de infraestrutura aeroportuária adequada para comportar o crescimento da demanda. “Se o mercado continuar como está, o aeroporto de Salvador, por exemplo, terá sérios problemas nos próximos quatro anos”. Ele também enfatizou o interesse e a necessidade em ampliar os voos para Ilhéus. “Mas isso não ocorre em função da infraestrutura do aeroporto, sobretudo das restrições aos voos noturnos”, disse. Constantino Júnior citou ainda como exemplo o terminal de Porto Seguro, que praticamente é o mesmo desde que o aeroporto foi implantado, com todo o crescimento turístico do município nos últimos anos. Para o empresário, o Brasil vai precisar, diante da crescente demanda, de pelo menos nove aeroportos do porte de Guarulhos (SP), que é o maior do país, nos próximos 15 anos. Salvador está incluída nesse contexto. Os investimentos, segundo Constantino, são necessários, independentemente da realização da Copa de 2014. “Temos hoje uma classe média voando que representa duas vezes a população da França”, informou. Em menos de uma década, o setor quase triplicou o número de passageiros, hoje próximo de 150 milhões por ano, mas poucos foram os investimentos. “O governo anunciou investimentos de R$ 6 bilhões nos próximos anos no setor, além de R$ 17 bilhões em logística e infraestrutura, previstos no PAC”, lembrou. Segundo Constantino, a chegada dos turistas estrangeiros pouco afetará as empresas aéreas brasileiras. “Os turistas virão, geralmente, em voos fretados”, disse o empresário, lembrando, porém, que essa demanda vai gerar uma sobrecarga nos aeroportos. São

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esperados na Copa de 2014 cerca de 800 mil turistas, com permanência média de 12 dias. “O aumento na taxa de ocupação dos voos domésticos não deverá ser alta”, acredita. Após a palestra, Constantino Júnior teve um encontro com o secretário estadual do Turismo, AntônioTramm, que falou sobre o projeto do governo baiano, que busca incentivar a aviação regional através da redução do ICMS do querosene (combustível) de avião. Tramm buscou convencer Constantino para a importância de investimentos em voos regionais. O presidente da Gol, porém, falou das dificuldades de implantação desses voos pelas grandes empresas, já que são necessários aviões menores e o custo para o passageiro - em função do número de assentos reduzido - é mais alto. “Falta uma política mais consistente para o setor, com mais incentivos”, disse. Segundo Constantino, o mundo todo incentiva fortemente a aviação e isto precisa ser feito no Brasil. Ele considerou louvável a iniciativa do governo baiano em garantir incentivo para estimular o transporte aéreo regional, e afirmou que a Gol está aberta ao diálogo, principalmente com empresas locais, para que seja efetivada uma integração do sistema. Ele também destacou a necessidade de incentivos para a implantação de pequenas companhias aéreas no estado. A Gol investirá mais de R$ 16 bilhões nos próximos anos, com aquisição de novas aeronaves, segurança, tecnologia e melhorias nos sistemas. A expectativa da empresa era crescer e ter uma receita, em 2010, da ordem de R$ 7 bilhões, contra os R$ 6 bilhões de 2009. A diferença mostra o tamanho do crescimento da demanda por transporte aéreo. Conta com 18,6 mil colaboradores e realiza nada menos que 900 decolagens por dia.

Constantino disse que a Bahia é um dos destinos mais procurados no país e vai necessitar de infraestrutura Foto: Arisson Marinho

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Mais de 150 mil embarques na Bahia por mês A Gol conta com três bases operacionais na Bahia, localizadas em Salvador, Porto Seguro e Ilhéus. No estado, possui 320 funcionários. São 45 operações diárias, 40 delas em Salvador, totalizando mais de 150 mil embarques a cada mês. A empresa é líder na capital baiana, com 37% dos passageiros embarcados, ou quase 130 mil mensais. “Ilhéus e Porto Seguro estão perdendo força por falta de investimento adequado em seus aeroportos”, explicou Constantino Júnior. Entre as vantagens citadas para o crescimento da procura pelo transporte aéreo nos últimos anos, sobretudo na Bahia, estão as facilidades de compra e o barateamento das passagens. Constantino citou ainda as inovações oferecidas pela Gol, que hoje pratica serviço de venda a bordo. Ele revelou o próximo passo, com o lançamento de um portal em que será possível, no momento da compra de passagens, fazer reservas em hotéis e até adquirir ingressos para shows.

“Se o mercado continuar como está, o aeroporto de Salvador terá sérios problemas nos próximos quatro anos” CONSTANTINO JÚNIOR, presidente

da Gol Linhas Aéreas

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Bruni acredita que Salvador pode ocupar 2ª posição no Brasil no setor Foto: Arisson Marinho

Melhor dos negócios Bastou uma semana na Bahia, quando tinha 15 anos, para o paulista Mário Bruni - que esteve à frente do Salvador Convention Bureau nos dois últimos anos - gravar na memória a referência de um estado acolhedor. O resultado das memórias adolescentes se transformou em negócio para o engenheiro pós-graduado em Administração, que atua na captação de eventos e congressos para Bahia. Salvador, segundo Bruni, ocupa o terceiro lugar na lista das cidades brasileiras no recebimento de eventos de turismo corporativo, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Ele acredita que, nos próximo anos, a capital baiana pode melhorar de posição. “Hoje não tem como ser o primeiro lugar, porque São Paulo tem uma estrutura enorme de centros para receber convenções, mas podemos bater o Rio de Janeiro na captação de eventos no Brasil”. O setor na Bahia, entre 2005 e 2010, movimentou quase meio bilhão de reais. Mas, para ultrapassar os cariocas, o especialista destaca que é necessário uma grande mudança no setor turístico do estado. “As pessoas têm dinheiro para gastar e investir em viagens de negócios, mas só vão se deslocar para uma cidade que tenha uma estrutura atrativa, que atenda as necessidades. Salvador, infelizmente, não está nesse patamar”, conta Bruni que já foi diretor da companhia aérea Varig na Bahia.

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Para o presidente do Convention Bureau, a mobilidade urbana na capital da Bahia é um dos maiores entraves para a ampliação do setor de turismo de negócios no estado que, em 2008, sediou 27 eventos de grande porte. “Temos deficiências nessa área. O metrô ainda não existe. Os ônibus não são suficientes. Para termos um movimento maior de turistas, as pessoas precisam se locomover com facilidade”, diz. A qualificação da mão de obra ainda é deficiente no atendimento aos turistas de negócios, principalmente. “Ainda estamos engatinhando nesse quesito. O poder público, em parceria com o privado, tem que qualificar os funcionários do setor de serviços. É inconcebível que em Salvador não tenhamos as pessoas falando espanhol, que é a segunda maior língua”. Focar o desenvolvimento turístico em nichos específicos, de acordo com Bruni, é a melhor forma de promover o turismo da Bahia na próxima década. “Não podemos querer favorecer todos os segmentos ao mesmo tempo. Investir, capacitar e promover um determinado segmento é a melhor alternativa”, explica. O empresário destaca que a Bahia tem o maior diferencial. “As pessoas da Bahia são únicas na recepção do turista. A simpatia do baiano não se acha em lugar nenhum do mundo”, explica Bruni.

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Turismo empresarial

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eventos do setor aconteceram na Bahia de 2005 a 2010

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lugar é a posição que o Brasil ocupa no turismo de negócio


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Tempo de planejar O planejamento estratégico do turismo da Bahia é anacrônico. Infraestrutura deficiente e falta de valorização dos elementos culturais do estado são apontados por especialistas como fatores que enfraquecem o turismo. Durante o seminário Agenda Bahia, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o presidente da Empresa Salvador Turismo, Cláudio Tinoco, o professor de Economia e Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Marcus Alban Suarez e Alexandre Zubaran, membro do Conselho Nacional de Turismo e da Bahiatursa S/A, propuseram a criação de um plano que coordene o futuro do setor.

Professor Marcus Alban Foto: Arisson Marinho

O mediador do debate, Armando Ollandezos, secretário executivo do cluster de turismo da Costa dos Coqueiros desde 2005, destacou que o estado precisa se preparar para receber a Copa do Mundo de 2014 de maneira que a herança seja positiva para a Bahia. “O México viveu três grandes eventos em 20 anos e o país não mudou. Não podemos cometer o mesmo erro. Para isso, é necessário criar projetos para cada área do turismo no estado”, destacou.

Faltam produtos turísticos A participação do turismo no Produto Interno Bruto (PIB) de Salvador varia entre 3% e 5%. Segundo o professor Marcus Alban Suarez, nas cidades turísticas bem desenvolvidas esse índice chega a 40%. Ele destaca que a Bahia tem uma carência de produtos turísticos, apesar da grande diversidade cultural. “Nada é aproveitado. Em 2012 é o centenário de nascimento de Jorge Amado e nada está sendo planejado”. O professor destaca que Salvador vive apenas sete dias do ano da economia vinda do turismo. “Isso só acontece no Carnaval, mas nos outros momentos do ano não há atrativos para que as pessoas visitem a Bahia. O turismo precisa ser encarado como indústria”, ressalta.

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Plano para desenvolvimento “Raul Seixas morreu, veio Carlinhos Brown. Quem será o próximo? O que está sendo feito para preservar a cultura da Bahia?”, reflete Alexandre Zubaran, membro do Conselho de Administração do Instituto Marca Brasil, do Conselho Nacional de Turismo e da Bahiatursa S/A. Para ele, a Bahia precisa criar uma identidade no momento de divulgação para o turista. “O que falta para o turismo da Bahia deslanchar é a integração entre as diferentes representações para criar um plano de desenvolvimento do turismo”. Ele destaca que esse plano precisa ser ousado. “Temos que ser o primeiro portão de entrada turística do Brasil. Temos beleza e material humano para isso”. Empresário Alexandre Zubaran Foto: Marina Silva

Intervenção na infraestrutura Em 2011, a prefeitura de Salvador, através da Empresa Salvador Turismo (Saltur), realizará um plano para desenvolver o setor na cidade para a próxima década, segundo o presidente do órgão, Cláudio Tinoco. Preparações estruturais como a revitalização da orla e o desenvolvimento da mobilidade estão entre as prioridades as áreas que precisam ser melhoradas. A ampliação do setor hoteleiro, que hoje tem 35 mil leitos, também deve ser estimulada. Ampliar os benefícios do Carnaval para a cidade além dos dias da folia é outro desafio. “Precisamos pensar numa nova visão estratégica para o turismo da cidade. Salvador é uma cidade que tem acessos por terra, água e ar. Precisamos ser criativos e mais efetivos na captação de visitantes”.

Cláudio Tinoco: presidente da Saltur Foto: Arisson Marinho

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Mais que um sorriso A espontaneidade e a alegria do povo baiano não são suficientes para garantir a satisfação dos turistas. É preciso qualidade na prestação dos produtos e serviços. Esta é uma opinião unânime entre autoridades, empresários e também trabalhadores do setor. Mas, na prática, a Bahia ainda está distante da profissionalização desejada, mesmo sendo o destino preferido dos brasileiros. Ex-presidente da seção Bahia da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem (Abav) e membro do Conselho Nacional da entidade, Pedro Costa deu nota 3 para os serviços prestados pelos diversos segmentos do setor no estado. “Com todo o respeito à categoria, sobretudo àqueles que estão preocupados com qualificação, é preciso que empresários e trabalhadores entendam que o turista é um instrumento de ganho”, disse. Para Costa, o quadro tem melhorado, “mas precisa melhorar muito mais”. Segundo ele, ainda está aquém do desejado. Mas há ganhos. E destacou, por exemplo, o surgimento das faculdades de Turismo, que proporcionam a oferta da mão de obra mais qualificada. Mas, segundo ele, é preciso também focar naqueles que estão mais próximos do público alvo. Um dos exemplos são os taxistas. “Eles estão em contato direto com o turista. Esse segmento precisa ter uma capacitação intensiva e contínua”, afirmou. No caso dos bares e restaurantes, Costa destaca a necessidade de ensino de outras línguas, pelo menos em relação ao diálogo básico que é mantido com os clientes, como agradecimento, câmbio e valores. Para a superintendente de serviços turísticos da Secretaria estadual do Turismo (Setur), Cássia Magalhães, há uma defasagem muito grande no estado. Ela confirma que a situação dos serviços na Bahia e Nordeste é mais problemática que nas regiões Sul e Sudeste. “Precisamos melhorar o nível da educação como um todo”, disse. Para ela, é preciso uma reeducação, não apenas dos trabalhadores, mas também dos empresários. “A Bahia é o destino desejado dos brasileiros, mas estamos muito atrás em relação a atendimento. Estamos trabalhando para mudar esta realidade”, afirmou Cássia. A superintendente

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disse que até 2011 a Setur terá investido mais de R$ 17 milhões em qualificação no setor. Ela destacou as parcerias que foram estabelecidas com o Sebrae, a Uneb, o Senac e o Instituto Compasso para capacitação de profissionais em diversos setores de atuação. Essa qualificação, segundo Cássia Magalhães, envolve tanto os empreendedores quanto trabalhadores do setor.

Capacitação em bares e restaurantes O segmento de bares e restaurantes tem convicção que precisa melhorar a qualidade dos serviços prestados. A informação é do presidente da seção Bahia da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Luiz Henrique Amaral. Segundo ele, a expectativa é que nos próximos anos cerca de 15 mil profissionais sejam treinados no estado. Estima-se que em toda a Bahia existam 50 mil estabelecimentos, seis mil deles em Salvador. A Abrasel, em parceria com o Ministério do Turismo e o Sebrae, iniciou uma campanha para capacitar a mão de obra do setor. Ainda em fase piloto, a expectativa é que o projeto consiga capacitar, até o final deste ano, 1.200 pessoas. “Já estamos na quarta turma de atendimento e na terceira de segurança alimentar”, informou. Segundo Amaral, a maior dificuldade ainda é tirar o profissional do estabelecimento sem afetar o andamento das atividades.

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O setor de bares e restaurantes iniciou um projeto de qualificação Foto: Evandro Veiga


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A Copa do Mundo é nossa chance de resolver problemas crônicos Foto: Andrea Farias

A Copa no dia a dia Salvador pretende utilizar a Copa do Mundo de 2014 para resolver problemas crônicos que afetam o dia a dia de milhares de pessoas: transporte ineficiente, falta de ordenamento da orla, iluminação precária nas principais ruas e avenidas, praças abandonadas e lixo espalhado pela cidade. Entre os projetos prioritários está a construção da Arena Fonte Nova - as obras já foram iniciadas. O secretário estadual doTurismo, Antônio CarlosTramm, disse que a Bahia está preparada para receber a mais importante competição do futebol mundial. “O nosso estado organiza uma espécie de Copa do Mundo todos os anos, quando realiza o Carnaval. Nesse período, toda a estrutura de governo e prefeitura se empenha para realizar um espetáculo impecável. Quem faz a maior festa de rua do planeta pode organizar uma boa Copa”, afirmou. De acordo com Tramm, além das questões de mobilidade e infraestrutura, outro grande desafio do estado é qualificar a mão de obra para melhorar os serviços turísticos. “Uma das nossas grandes metas é qualificar cerca de 20 mil pessoas, entre profissionais e empresários envolvidos no turismo.Temos

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que ter profissionais trilingues, principalmente em áreas que sejam diretamente ligadas à relação direta entre o turista e o prestador de serviço, como recepcionistas, vendedores, garçons e, principalmente, os taxistas”, ressalta. Dados da Bahiatursa, órgão oficial de turismo do estado, revelam que cerca de 700 mil pessoas deverão visitar a capital baiana no período da Copa. Para oferecer mais conforto e segurança aos turistas, a Bahiatursa informou que o governo vai investir US$ 86 milhões em obras de infraestrutura na Baía de Todos os Santos, construir a segunda pista do Aeroporto Luis Eduardo Magalhães, requalificar o Centro Histórico de Salvador, aplicar R$ 20 milhões em qualificação profissional e empresarial, além de oferecer cursos de idiomas (principalmente inglês e espanhol) para as pessoas envolvidas no evento. Os visitantes deverão injetar R$ 683 milhões na economia baiana, segundo levantamento realizado pela Superintendência de Investimentos e Polos Turísticos da Secretaria de Turismo. Ainda segundo a Bahiatursa, pelo menos 19 novos hotéis devem ser construídos em Salvador e no Litoral Norte da Bahia até a Copa de 2014, num investimento de US$ 3 bilhões. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Luiz Henrique Amaral, acredita que o estado terá um aumento entre 15% e 20% na atração de novos empreendimentos do setor. O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, disse que tem consciência do que precisa ser feito na cidade. “Vamos colocar em funcionamento o metrô e desenvolver o projeto do BRT na avenida Paralela. O nosso desafio exige planejamento, esforço e coordenação, mas sabemos que a Copa é uma oportunidade rara de unir esforços e conquistar para a nossa cidade legados importantíssimos”.

“O nosso estado organiza uma espécie de Copa do Mundo todos os anos, quando realiza o Carnaval” ANTÔNIO CARLOS TRAMM, secretário do Turismo

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turismo

*

Para qualificar

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Luiz Henrique Amaral, 100 estabelecimentos vão participar de programas de qualificação em Salvador. Todos os funcionários receberão aulas de inglês e espanhol. A nova Arena Fonte Nova terá capacidade para 55 mil pessoas, com possibilidade de ampliação para 60 mil. Nesse caso, seriam instaladas arquibancadas provisórias na abertura da ‘ferradura’, além de 47 camarotes com 1.330 assentos. O governo da Bahia espera atrair US$ 5,9 bilhões, que devem ser aplicados no estado até 2017, mas a previsão é que os investimentos, em sua maioria, sejam inaugurados até o início da Copa de 2014. O governo federal abriu uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para a modernização e requalificação da rede hoteleira. Além da construção de novos hotéis, os principais empreendimentos do setor em Salvador serão reformados nos próximos anos.

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turismo

O caminho da roça Dois projetos apoiados pela Petrobras contribuem para a diversificação do turismo baiano, tradicionalmente relacionado às praias e festas religiosas e populares. O primeiro envolve um dos principais episódios da história do Brasil, a Guerra de Canudos (1896/97). Através de pesquisas inéditas em fontes primárias e secundárias, os professores Roberto Dantas e Manoel Neto, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), fizeram a reconstituição histórica das trilhas do conflito. O resultado de dois anos de pesquisas será apresentado no livro e no documentário Canudos: Novas Trilhas. “As produções trazem pertinentes interpretações acerca da história, da geografia, do ambiente, das estratégias militares expedicionárias e da inteligência dos conselheiristas. Retratam, ainda, a realidade atual dos caminhos, sítios, fazendas e logradouros que, ao final do Século XIX, testemunharam os sangrentos combates”, salienta Roberto Dantas. O professor disse que usou GPS e documentação de imagens para identificar os caminhos percorridos pelos simpatizantes de Antônio Conselheiro e pelas tropas enviadas pelo governo para combater os monarquistas. “Visitamos as cidades de Uauá, Juazeiro, Canudos, Monte Santo, Euclides da Cunha, Queimadas, Jeremoabo, Aracaju e São Cristóvão. Lemos mais de dez títulos publicados há um século e esmiuçamos documentos arquivados pelo Ministério do Exército para traçarmos a rota”, afirmou o professor Roberto Dantas. O projeto de criar um novo roteiro turístico na Bahia será apresentado aos municípios. “A prefeitura de Monte Santo prometeu mapear e sinalizar as trilhas”, ressaltou o professor. A cidade foi moradia de Antônio Conselheiro e funcionou como base militar das forças republicanas. A partir da experiência de Monte Santo, Dantas espera realizar o mesmo trabalho nos municípios visitados durante a pesquisa. “Com pequenos detalhes, poderemos desenvolver a hospitalidade sertaneja e transformar o interior da Bahia em uma grande fonte de renda”, acrescentou o professor da Uneb.

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turismo As trilhas e sítios do conflito de Canudos entram no roteiro turístico do estado num projeto desenvolvido a partir de estudos Foto1: divulgação Foto2: Roberto Dantas

O resgate da história náutica O outro projeto que conta com o patrocínio da Petrobras resgata a história náutica do Brasil. Construído pelos portugueses, em 1534, o Forte de Santo Antônio da Barra é a sede do Museu Náutico da Bahia. Aberto à visitação pública de terça a domingo, das 8h30 às 19h, o local abriga maquetes, cartas náuticas, peças encontradas em navios naufragados na Bahia, além de instrumentos de navegação. “Muitas peças expostas pertenciam ao navio Galeão Sacramento, que naufragou em 1668”, disse Reuben Bello Costa, responsável pelo museu. Costa disse que, além dos turistas, o museu é bem frequentado por estudantes das redes pública e particular. “Todos os nossos painéis também estão traduzidos para o inglês, o que facilita a visita dos turistas estrangeiros”, afirmou. As visitas ao museu custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia).

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turismo

Grรกficos: A forรงa da Bahia

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A forรงa da Bahia


turismo

Bahia preferido brasileiros A

é o destino

dos

, segundo pesquisa realizada pelo

MTur / Vox Populi

A

Bahia único New York Times The Guardian destino conhecer 2010

estado brasileiro

foi o

escolhido pelo

(jornal americano) e pelo

turístico que não se deve

(jornal britânico) como deixar de

em

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turismo

A indústria do turismo Fluxo turístico da Bahia registrado em 2008-2009, segundo a Fipe

9,05 milhões de turistas

Comparação do fluxo turístico em 2008-2009, em milhões Bahia Ceará e Pernambuco somados

9,05 7 0

2

4

6

8

Turistas baianos em Salvador

52%

Contribuição da Bahia no fluxo internacional de turistas no país entre 2008 e 2009

10%

10

Variação do fluxo turístico na Bahia na comparação com 2006

70%

Norte-americanos que desembarcaram diretamente em Salvador em 2010

20

Frequências semanais de voos internacionais em 2010

25

mil

Atração de investimentos privados de 2007 a agosto de 2010

196

bilhões de dólares

Turistas estrangeiros que vêm à Bahia 12% 88%

americanos outros

Turistas na Bahia 94,3% 5,7%

Fonte: Secretaria estadual do Turismo

3,9

brasileiros estrangeiros


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*

Homenagem

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Homenagem


Aula de emoção Os números e as projeções que apontaram algumas tendências para o crescimento da Bahia nos próximos dez anos deram lugar à emoção quando uma professora da rede estadual foi homenageada. Acompanhada por 25 estudantes dos cursos de Agropecuária e Agroecologia do Colégio Estadual Alberto Torres (Ceat), de Cruz das Almas (142 km de Salvador), a professora Ana Rita Pereira da Silva, 51 anos, quebrou a rotina do quarto e último encontro do seminário Agenda Bahia, evento realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

Ana Rita e seus alunos no palco do auditório da Fieb. Professora agradeceu a homenagem do Agenda Bahia Foto: Arisson Marinho

Ana Rita ganhou flores e elogios dos organizadores do seminário por ter tomado a iniciativa de utilizar exemplares do caderno Sustentabilidade como material didático. “Estava com as apostilas prontas quando tomei conhecimento que o jornal CORREIO publicaria um caderno especial sobre o tema. Aguardei a edição e levei o jornal para a sala de aula”, afirmou. Matriculada no curso de Agroecologia, a estudante Denize Edna Silva, 19 anos, aprovou a iniciativa da professora. “Moro na zona rural, onde o acesso à informação é mais difícil. Gostei muito de ler o jornal”, afirmou. Também frequentando o mesmo curso, Letícia Maria da Silva Conceição,14 anos, disse que os temas abordados pelo caderno especial foram importantes para tornar a aula mais interativa. Ao final, a professora provocou risos da plateia ao dizer que o conteúdo da publicação será exigido nas provas de final de ano.

“Estava com as apostilas prontas quando soube que o CORREIO publicaria um caderno especial sobre o tema. Aguardei a edição e a levei para a sala de aula” ANA RITA PEREIRA DA SILVA, professora homenageada

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Sobre A Rede Bahia A Rede Bahia é um grupo empresarial formado por 15 empresas, sendo 6 emissoras de TV afiliadas à Rede Globo, uma TV local, 4 emissoras de rádio, jornal, portal de internet, empresa de eventos e uma produtora de vídeo. Maior grupo de comunicação do Norte e Nordeste, a Rede Bahia atua dentro e fora do estado, com um alto padrão tecnológico e contribuindo intensamente para o desenvolvimento econômico, social e cultural da Bahia.

O CORREIO O CORREIO é um jornal que espelha a realidade de uma Bahia que vive o século XXI, revelando para o leitor baiano toda a riqueza cultural, econômica e social da sua terra: uma Bahia contemporânea, antenada com o mundo, com as novas tecnologias e, principalmente, com novos hábitos de consumo de informação. Irresistível da capa à última página, o CORREIO propõe ao seu leitor uma nova maneira de ver a notícia e todas as suas nuances, através de uma leitura interessante, interativa e indispensável.

A CBN Informação precisa e isenta, notícias 24 horas por dia, pluralidade de opiniões e análise crítica do que está por trás dos fatos. Este é o conceito do jornalismo praticado pela rádio CBN, que atua em Salvador, no dial 100,7 FM, com programação local de alta qualidade. Presente nas principais cidades brasileiras, a rádio CBN, pioneira no modelo all news, destaca em sua programação assuntos políticos e econômicos da Bahia, do Brasil e do mundo, além de abordar temas relevantes como comportamento, cultura, esportes, saúde e variedades. Como consequência da sua alta credibilidade jornalística, foi eleita pelo décimo ano consecutivo a rádio mais admirada do Brasil (Pesquisa Veículos Mais Admirados, categoria Rádio, edição 2009, realizada pela Troiano Consultoria de Marca).

Expediente Rede Bahia - Presidente: Antonio Carlos Magalhães Júnior Sócio-administrador: Luís Eduardo Magalhães Filho Superintendente: Dante Iacovone Diretoria: Carlos Magalhães, João Gomes, Luciana Villas Boas, Luiz Alberto Albuquerque, Maurício Fonseca e Paulo Sobral Correio - Diretor: Wilson Maron Diretor de Redação: Sergio Costa Editor-executivo: Oscar Valporto Editora de Conteúdo: Rachel Vita Comercial: Leonardo César Marketing: Lilia Gramacho, Ticiano Cortizo e Orlando Fentanes Produção: Monica Cohen Assistente de produção: Viviane Vichneovski Anchieta Textos: Jorge Gauthier, Luiz Francisco, Oscar Valporto, Pedro Carvalho, Pedro Levindo e Rachel Vita Revisão: Socorro Araújo Projeto gráfico e diagramação: Morgana Miranda Federação das Indústrias do Estado da Baia (Fieb) - Presidente: José Mascarenhas Diretor executivo: Roberto de Miranda Musser Superintendente de comunicação institucional: Maurício José Alves de Castro Coordenador de comunicação corporativa: Cleber Laudelino Leal Borges Administrador: Ricardo Kawabe Economistas da Superintendência de Desenvolvimento Industrial: Carlos Danilo Peres Almeida, Marcus Emerson Verhine, Mauricio West Pedrão

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Este livro foi impresso utilizando a família tipográfica Prelo, nas variações book, bold, black e slab black, em papel off-set 115g/m², na gráfica Santa Marta


Livro Agenda Bahia 2010  

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