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Violência Doméstica

Solar de Poetas

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Violência Doméstica Desafiamos os nossos poetas a escrever sobre um tema demasiado quente pela sua importância social e humana: Violência doméstica. Os trabalhos são agora coligidos em separata para o nosso Blog e divulgação no Issuu. Essa separata vai ser disponibilizada para um programa especial em que o tema será debatido e alguns dos seus poemas serão ali apresentados. Desafiamos os nossos poetas a participar em mais este evento e eles corresponderam assim. Evento ocorrido no dia 12 de Novembro de 2013, no Solar de Poetas. É este o resultado.

Solar de Poetas

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Outras violências Olha-me nos olhos, em silêncio, com calma abre para mim, a janela da tua alma agora, diz-me, mãe, achas que mereço sempre que te convém, ser arma de arremesso? Oh mãe, porque me fazes sofrer? Porque te vingas e me proíbes de o ver? Que fiz mãe, diz-me o que fiz, para não me deixares ser feliz? Será que ainda não conseguiste entender que sou gente e não um objecto qualquer?! Pára, mãe!não me tentes mais manipular dá-me espaço e tempo para pensar... Se o vosso amor, precocemente, acabou se, de repente, o nosso lar se desintegrou... Eu quero continuar a ter pai e mãe amo um e amo o outro também quero sentir-vos os dois a meu lado mesmo sabendo que sois um casal separado tenho direito a ser feliz, a ser criança... Não admito servir como reles vingança. E, não me ameaces nunca, nunca mais com polícias, juízes e tribunais porque apenas sei que nenhum de vós quis saber que a vossa liberdade se fez à custa do meu sofrer e, não me voltes a perguntar qual dos dois eu amo mais já agora, , por favor, poupem-me da guerra das visitas quinzenais e, até aquela conversa:ele que pague porque tem obrigação faz-me pensar que sou um simples imposto de circulação estou cansado de tanto egoísmo, tanta cegueira só peço que me amem, cada um à sua maneira tu, mãe, a quem confiaram o poder paternal não faças da minha vida, um tempo quase infernal e tu, pai, não te esqueças das vezes que adormeci chorando a saudade imensa de estar longe de ti se vocês fizessem ideia do peso do meu sofrer percebiam porque desejo, para vos magoar, morrer! Os filhos não guardam sempre este verbo infantil crescem, e de repente, são bandos de delinquência juvenil e, porque não têm raízes nem laços de união, são a revolta que vagueia nas celas duma prisão é urgente, soletrar, devagar,algumas palavras: família, tolerância, sacrifício, humildade, pai, mãe, amor futuro, felicidade... É urgente, repensar diferentes formas de amar. M. Lourdes dos Anjos

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Eu hoje recebi flores

Julho Eu hoje recebi flores… Mas não é o meu aniversário Ou nenhum outro dia especial… Ontem à noite tivemos a nossa primeira discussão, Ele disse-me muitas coisas cruéis que me ofenderam muito Mas sei que está arrependido e que não as disse a sério Porque ele hoje enviou-me flores… Não é o nosso aniversário, nem nenhum dia especial… Agosto Ontem atirou-me contra a parede e começou a estrangular-me Parecia um pesadelo, mas dos pesadelos nós acordamos e descobrimos que não é realidade… Hoje, acordei cheia de dores e com golpes por todos os lados… Mas eu sei que está arrependido… Porque ele hoje…enviou-me flores… E não é dia dos namorados, nem nenhum dia especial… Setembro Ontem à noite bateu-me e ameaçou matar-me… Nem a maquilhagem nem as mangas compridas poderiam ocultar os cortes e os hematomas que me causou desta vez… Não pude ir trabalhar… Porque não queria que se apercebessem, Mas sei que está arrependido… Porque ele hoje enviou –me flores… E não era dia das mães, nenhum outro dia especial… Outubro Ontem à noite voltou a bater-me, mas desta vez foi muito mais doloroso Se conseguir deixá-lo, o que será de mim? Como poderei sozinha manter os meus filhos? O que me acontecerá quando faltar dinheiro para a subsistência? Tenho tanto medo! Dependo tanto dele, que tenho medo de o deixar… Mas sei que está arrependido… Porque ele hoje … enviou –me flores…

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Novembro Hoje é um dia muito especial na minha vida: o dia do meu funeral Ontem finalmente, ele conseguiu matar-me. Bateu-me até à morte Se ao menos eu tivesse tido a coragem e força para o deixar… Se ao menos tivesse tido a coragem para pedir ajuda… ……………………………..se…..ao…menos…

Mary Araújo

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Violência doméstica Somos criados para sermos bons Numa maneira de se reconhecer Palavras bonitas não enchem A mesa e nem a panela... Vou a luta quando posso O momento é de responsabilidade Pois o direito e o dever é de cada Cidadão Assim diz a Lei.... Tem gente que não conhece não Fica aprontando dia e noite Se escondendo da multidão Deve a Deus e ao mundo E nem faz por onde ganhar o Pão de cada dia Faz tudo errado Já chega em casa Sem nada entender Acha que a mulher Tem suas respostas Esclarecer... Fica dando uma de durão Bate em sua mulher várias Vezes e tem mais,não respeita Ninguém não... E nem sabe o que é um Carinho uma atenção Não quer saber o que em Casa acontece Vai para a rua e esquece E quando chega só arruma Confusão,que destruição na Vida desse irmão... A mãe por si lamenta o seu caso Pois nada pode reclamar,sofre Assim desesperada,com tudo que Em sua vida passa... Violência não quero mais não Não ganho respeito,somente Ingratidão... 9


Quero somente esquecer deste Problemão Vou embora com meus filhos Ser feliz é o que mais quero Busco agora neste momento Muita paz em meu caminho e Ao meu coração Vânia Feijó

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Violência doméstica Sozinho na calçada, Fico a cismar, Que mundo é este Em que eu nasci. Tive que correr, Se não levaria uma Pedrada do meu pai. Não posso voltar Pra casa. Tudo porque, Reclamei que Estava com fome. E ele como sempre Embriagado me Enche de pancada. A minha vontade É de fugir, mas Não tenho pra Aonde ir. Resta-me o Consolo de Pedir a Deus Que interceda Por mim.

Solange Moreira

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Tentámos Meu amor, vamos viver a nossa fantasia agora casados, não temos mais agonia aonde o nosso romance é rei em nosso dia viveremos sonhos, que pensamos, viveria agora assim juntos, eu você, teremos alegria. Aonde você vai? com quem, onde vai esta! que hora você, preste atenção quando chegar você sabe, tu me tem, não me faça chorar um dia tudo acaba, eu e você vai se acabar bem, não foi pra isso, que tentamos se juntar. Meu amor tu sabe, te amo, aonde você vai? Não demore muito, é casado, volte logo você me deixa assim, tão só! e por ai sai aqui em meu casulo, só saudade é direito em quando você sei lá porque por vai ai. Nossa! que hora é essa, por onde você andou ainda esta fedendo tudo, de onde mesmo vem não liga mais para mim, casei para ter um amor enquanto minha vida é solidão, nem você me tem. casou para me ter como vigia dessa casa e dor. Nem pai, mãe e irmãos, esta mais ao meu lado procuro-te e aqui você não existe e nem esta o chora a lagrima, deixa esse mundo arrasado não te tenho nada, e a saudade é meu amar enquanto por ai você vive nessa a desfilar.

Antonio Montes

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Silencia Apesar das agressões sofridas ainda ama muito a família Não quer que tudo se desfaça no ar e que tenha que perder o lar Emudece A briga parece que começa do nada deixando cicatrizes em toda caminhada. Da memória, não pode se desfazer e todos os dias é preciso se refazer. Cala Apanhar dói, mas passa, mas as palavras não param de ecoar Só em pensar, fazem tremer. E o grito de dor, vem antes mesmo de doer. Ouça... Ainda á a luta e a fuga.

Enide Santos

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Violência doméstica Meu nome é violência E não tenho clemência Meu propósito é destruír Ferir Homem Mulher Criança Sou conduta para infligir Tenho por sobre nome Cobardia Sou guerra silênciosa Enganosa Não tenho estatuto social Sou sexual Mental Sou agressor Pervericador Do belo e magnífico amor Sou violência De Maria Manuel Criança que fica fingidor No silêncio da dor

Ilda Pinto Almeida

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Violência doméstica Aconteceu a ela pela primeira vez A monstruosa violência doméstica Aos seus quatro aninhos de vida A cruel tentativa de estupro Por quem mais deveria defendê-la Zelar de sua honra, mas o bicho papão queria mesmo era papá-la Ficou uma criança arredia, amedrontada. Emudecida, com muita dificuldade de se relacionar. Aos seis anos para completar os sete aninhos Sofreu a mesma tentativa de antes, por outro familiar. A criança acorda com muito medo e muita falta de ar! Tomou coragem e foi à avó pediu socorro e nela encontrou apóio. A criança tinha muito medo de ficar sozinha, De deitar, de dormir, sentia calafrio. Constantes eram seus pesadelos, que já não aconteciam só à noite, mais de dia também. Ninguém percebia o estrago que com ela fizeram no silêncio! Dos sete até os dez anos A violência doméstica continuou Em mão e outra parenta, a criança foi trabalhar como babá, se o bebê a chorasse a criança apanhava, era violentada verbalmente Levava murros na cabeça, era pisoteada no pescoço, apanhava de vassouras. Apanhava e trabalhava de portas fechadas Cozinhando arroz, lavando louças, roupas Arrumando as mesas e fazendo saladas! Cartilha para estudar, mas a criança com sua mente violentada, nada conseguiam assimilar Então recebia os piores maus tratos físicos e emocionais, recebe como se fossem golpes de machado em sua nuca Ao se desvencilhar das mãos algoz de sua agressora, corria para o seu quarto e não queria sair mais de lá! Suas emoções foram abaladas, aumentado assim sua baixa-estima. A violência doméstica na idade precoce, tende a uma mal desenvolvimento para a conviverem na sociedade, por causa de seus conflitos, frustrações que estão armazenados em sua memória, vivendo acorrentada mentalmente!

Não... À violência doméstica. Vamos entrar nessa luta. 15


Buscar ajuda para libertar. Os encarcerados. Fazer da poesia uma ponte. De interligação, levando solidariedade. Fraternidade e esperança. Vamos fazê-las conquistar seus objetivos e sonhos. Para que todas as crianças tenham: A dignidade de crianças. Não deixando que sua infância seja roubada!

Paulina Rodrigues

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Violência Doméstica Vários fatos marcam a vida de uma família . Mais tem muitos que destroem uma vida ... Injustiças , Fofocas , Grosserias E mentiras . Quando acontecem no seio de uma família , pelas reais faltas de amizades e carinhos . Amor que um deveriam sentir pelo outro . Acabam fazendo sem pensarem , depois esquecem que abrindo feridas graves , irão cicatrizarem com o tempo , em apenas um dizeres um para o outro tudo passa . Mais aquele que foi atingido por estas flechas malignas , furou seu coração e mata tudo o que é de real em sua vida . Suas Alegrias , Sua alma , mata todo seu espírito , fazendo o falecer por flechas cruéis . Violência Doméstica , são evoluções entre o homem e a mulher . Em namoro , depois o casamento , as mulheres tem a certeza que os homens irão amá-las e surpreendê-las , todos os dias . Os homens por sua tola masculinidade , imbecil . Acham , imaginam e pensam , que as mulheres seram iguais após o casamento e não acompanham as evoluções e desejos das mulheres . Não devemos relatar agressões físicas , devemos ao toque de palavras Refletir , situações . Tem um ditado que diz : Onde tem uma vírgula em frases longas é obrigatório um ponto final . Acrescentem este por exemplo e jamais sofreram agressões de alguém , que não acompanham seus desejos . Se fores arrancares uma flor de seu lugar , tenhas a capacidade de regá-la e fazê-la florir às primaveras .

Ednaldo F. Santos

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Violência Doméstica A violência doméstica não é o caminho para prender o amor ou uma pessoa. É um flagelo da nossa sociedade humana e vivência do quotidiano que muitas vezes estamos tão ocupados e não damos conta do que nos rodeia… São inúmeras as vezes que olhamos para um casal e nunca nos apercebemos das falhas que existem entre eles. Um dia vitima, um dia o agressor, se refletirmos sobre as nossas ações e atitudes diárias veremos quantas vezes vivemos no limiar das agressões e nem tínhamos dado conta. Quando não é possível ter o que desejamos deveríamos libertar a outra alma, o outro corpo que dizemos amar. Se isso não acontece o amor também não é verdadeiro. Jamais deixemos de esquecer que Amar não é Magoar

Catarina Dinis

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Já me amaram Já me amaram Sem saber o que é amar Amor esse de fogo e lágrimas De palavras frias e cruéis Medo, angustia e dor De querer fugir De não conseguir sobreviver Sentir que o mundo não era seguro Ver o chão desaparecer E não encontrar nem luz nem vida Deserto vazio Oceano de violência Fechado entre quatro paredes Que calaram a voz Amordaçaram a verdade Mas há que quebrar tudo Há que quebrar as pedras E voar para longe Ir buscar o silêncio Não importa onde Mas sim que seja um porto de abrigo Longe de ti Longe dos teus ódios

Catarina Dinis

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Amar Amar não é magoar Amar é dar a alma É mais do que escrever poesia Trabalho diário de conseguir a felicidade Amar é deixar cada um Ser como é na sua essência Respeitar defeitos Esquecer as fases lunares Amar é beijar e sonhar Não é prender, humilhar Destruir o interior tão precioso Amar não é obrigar Muito menos deixar marcas Da presença de não saber amar… Amar não é matar Aniquilar o corpo cansado Um dia as lágrimas cansadas Transforma-se em quase nada Tudo tem um caminho Oculto e escuro

Catarina Dinis

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Dividiremos Meu amor, não me bate, por favor, eu casei para ter carinho, e ser feliz não para ter castigo, e nem rancor e sim para viver contigo só de amor viver na harmonia, e, em belo sorrir. Dividiremos o lar e a nossa paixão Não vamos brigar por nada, por aqui seguiremos o fluxo, dos nosso coração sentaremos e cantamos a nossa canção Não, não faremos esse rancor existir. Vamos viver, paz e deixar o amor florir saberemos, nos dar valor a nos mesmo não vamos jogar felpas ao mundo a esmo assim não saberemos, ver o mundo e sorrir contaremos a nós, nossas historias e segredos. Meu bem, sente bem aqui, vamos conversar não queira esconder a sua linda voz de mim eu também quero falar, queira me escutar zeramos as desavenças, em dialogo se acertar se achegue meu amor, vamos nos amar.

Antonio Montes

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Presa dentro de mim! Antes eu brilhava e sorria à vida... Apaixoneime! Vivi momentos de felicidade, ainda vivo, mas todos limitados pela tua vontade! Se eu rio ou se choro, é-te indiferente, desde que eu colabore com a tua lei! Casei... casei não de papel passado, mas com o poder do teu pulso com as tuas regra absurda de me tornar perfeita ao teus olhos. as coisas que uma palavra dita nos faz... Encolhida,, Fico para trás à espera e tu permitas um gesto meu... que me permitas dar um passo dentro do meu próprio pensamento quanto eu lamento! Lamento que não me dês o direito do Ser! De viver o que realmente sou... o meu mundo se anulou... não diante da tua mão, mas do teu poder psicológico! E eu vivo assim... presa dentro de mim! O pior, é que acredito piamente em tuas ditaduras... sem nódoas negras, mas com correntes duras! E casei... Casei-me não com um papel passado, Pior... casei com a mente possessa de um homem que se diz apaixonado... apenas porque pode, porque me anula a vontade! As palavras ditas, da boca de quem amo, anula-me todo o Ser! E fazem assim a lei, do meu viver! Não sou eu... apenas deixo que o sejas por mim... que me controles, mais um dia, mais uma vontade tua... de um homem que me tem... como propriedade sua! Presa dentro de mim mesma!

Celeste Seabra

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Incrível violência Vinte anos, são a Primavera da vida. Serei muito feliz, estou convencida. Presentemente vivo um grande Amor. Com meu espirito aberto e sonhador !. Vinte e cinco anos, hoje feliz estou. Pois meu sonho de facto se concretizou. Mas....apenas uma semana se passou Incrível como sua personalidade mudou Com a frieza dum caractér ruim, certo dia friamente falou assim, A casa é para ti, a rua para mim. A minha ordem á para se cumprir, Não te quero ver de casa sair. Tao triste esta dura realidade. Aos poucos perdi minha identidade. Sou uma mulher objecto na sua mão. Fiquei até anestesiada de discussão. Hematomas na pele são a expressão, de palavras caladas com resignação. e de uma vida recheada de desilusão. Como é possível me ter enganado? Como é que me liguei a um malvado? Insultos, violencia fisica e emocional, Massacraram-me de uma maneira tal! Que não consegui mais resistir.... Por medo nem sequer tentei fugir. A vida de mim se despediu. Ele nem sequer remorsos sentiu. Meu corpo arrefeceu...... E uma vida se perdeu.

Aurora M.F.C.Martins Afonso

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Não quero mais flores de ti... Fartei-me dos teus ciúmes, da tua violência, Já tenho medo quando entras em casa... Das brigas, dos gritos e das palavras em que me ofendes profundamente... Magoam mais do que os pontapés e as bofetadas, Sinto me vais matando aos poucos... Sofro muito ...e enganaste-me tantas vezes, que eu já não acredito em ti... Deixa-me de me pedir perdão no dia seguinte e de me oferecer flores envenenadas... Pára de me dizer que me amas muito! Chega de mentiras... Quero voltar a ser uma mulher de cabeça erguida, com dignidade, Mereço ser feliz...contigo já não sou! Chegou o dia que bati a porta e fui-me embora de casa... Denunciei-te porque já não te amo e vejo nos teus olhos um ódio de morte. Não quero ser mais maltratada nem ignorada! No meu coração já não há amor por ti... Estás muito diferente...já não te conheço! Bendita a hora que saí de casa... Porque soube hoje que mais uma mulher morreu por violência doméstica... E há tantas que sofrem caladas, sofridas, no silêncio de quatro paredes ... Não quero receber mais flores de ti!! Sabes: Preciso de afecto, carinho e amor, basta de violência ... Quero ter paz e voltar a sorrir...

Bernardina Pinto

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Ontem, Hoje e amanhã.... Ontem quebrei as correntes desse teu Universo libertei-me das amarras invisíveis que me impuseste na alma... deixei para trás cinco anos da minha vida suprimida... onde os gritos e a crueldade fazia de nós cúmplices do momento... onde o amor era um tormento! Onde tu dizias e eu obedecia.... Ontem terminou, o sacrifício que todos os dias ao levantar me era imposto, exigido pela minha própria mente que se sentia como parte de ti... ontem, terminei o capítulo escrito e parti! Abri uma nova página, em branco para eu mesma escrever... Amanhã, já livre ti, vou ditar a mim mesma palavras de amor e esperança... palavras de ternura, para que outra mulher na sua amargura possa ler... se levantar, se erguer com força pala vida ultrapassando todo o sofrer! Ontem, parti... para longe de mim desse passado triste, esse tempo sufocado em meu peito mas isso foi ontem... já não tem volta, nem jeito! Amanhã, este passado triste vai virar sorrisos, exemplos e ensinamentos! Talvez lamentos... mas nunca arrependimento! pois o ontem, fará de mim quem eu serei amanhã! Mas hoje... Hoje eu só quero chorar... chorar por mim, por tudo que não vivi, por tudo que eu te permiti! Quero fazer o enterro, do meu Ser no passado... chorar tudo que tem para ser chorado! Vou marcar a diferença da violência que a vida me trouxe... vou escrever novas páginas, que falem de força e esperança... que deixem lembranças de alguém que lotou e se libertou... de alguém que errou permitindo ser propriedade de outro alguém... vou viver, mas hoje apenas choro a escrever... para que a dor passe a ser palavra, e dela floresça esperança... Dezoito anos depois, estou aqui a viver o presente com o passado longe... sem rancor, apenas enterrei a dor! E dela floresceu um novo o amor... com frutos maravilhosos Hoje, venci o ontem com a esperança do amanhã! Celeste Seabra

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Violência fragiliza

Serei sexo fraco por ser mulher? Terei que ao homem me render. A violencia é de enloquecer. Fragiliza a alma e faz sofrer. Ai !. como eu me iludi. Quantas lágrimas suprimi Quantas ofensas ouvi. Insultos que não mereci. Quanto abuso de autoridade. Quanta falta de personalidade. Quanta maldade e falsidade. Quando se algema a liberdade. Quanta conduta destrutiva. A violencia nunca se justifica. Pois a alma se danifica. E não cicatriza a ferida. Quanta falha, quanto engano. Quanto desrespeito pelo ser humano. Causando na alma um serio dano. Por um caracter perverso e leviano.

Aurora M.F.C.Martins Afonso

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O tempo passou... O tempo passou e eu nem percebi Fingi que estava tudo bem Nem sequer lembrei de sorrir É que minha alma soluçava também Me humilhaste sem dó nem piedade Sequer percebias o que estavas a fazer Em teu ciúme doentio, havia muita maldade Então eu passei a sentir medo de você Quantas noites sem dormir... Assustada E eu sabia que não poderia fugir As ameaças cada vez mais veladas Só me restando um amargo fingir Os anos se passaram e eu nem percebi A saudade do que não veio ficou mais forte Busquei refúgio na alma, mas até esta, perdi Tiraste tudo de mim, não que isto me importe Apenas doeu ao lembrar que pela vida passei Ou melhor... Ela de mim se distanciou As muitas caretas que na vida ensaiei Foi tentando sorrir do que mais me matou Teu ciúme louco e quase profano Castigou-me sem dó e muito tarde percebi Das muitas vezes que esquecestes que eras humano Arrancando com fúria meu penoso sentir Hoje, tantos anos depois Sou um fantoche, com raras alegrias Meus sonhos e desejos de mulher se foi Restou-me papel e lápis pra afogar minhas agonias

Gil Ordonio

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Violência Doméstica (adolescência) Juventude e adrenalina à flor da idade Abraçava o seu amor com toda vontade Ela só queria ser amada, protegida... E não ser desmoralizada verbalmente! Moça linda, sorridente, feliz a cantar Pele de pêssego, cabelos pretos Qual gazela nos morros a saltitar Adorava ir aos balneários À noite, encontro com os amigos para dançar! Mas a Violência Doméstica era uma perseguidora invisível e cruel Ao chegar em casa, totalmente transtornado Sujo, agressivo, prostituído e bêbado Como pode ser? Um ser tão lindo, tão amável! Gritos e palavrões de baixo escalão São dirigidos à jovem tão doce, tão bela Está tão magoada, tão decepcionada Com medo, tenta se livrar desse relacionamento, não consegue por medo da solidão! Mas a situação só tende a piorar Constantes agressões verbais e empurrões Acontecem diariamente dentro daquela mansão A jovem já não comia, não bebia e só chorava Com seu ego ferido, já não queria viver, aquela Jovem esposa! Mais uma vez tentou a separação Aquele ser ficou furioso, enfurecido de egoísmo, de ciúmes... Arrastando-a pelos braços e cabelos Para uma ruela e escura, ali a espanca Covardemente com socos e pontapés Mesmo quase desfalecendo, grita por socorro Vizinhos querem linchá-lo, ele enfinca o pé na carreira! A jovem linda, estava irreconhecível Levada sem consciência para casa, por parentes, levaram o caso à Delegacia Mas nada foi resolvido, não a levaram ao Hospital, teve que ser sarado os hematomas Físicos com muita dor física e emocional Vivendo aprisionada como animal miserável! A jovem infeliz, não tinha mais alegria de viver Não havia motivos para ir à escola 28


Encontrar os amigos e dançar Ver seus sonhos todos perecer Foi muito duro de aceitar Nem mais poderia cantar Mas começou a escrever Tudo o que se passara em seu viver! Com intensa dor sentimental Decidiu tomar a mais triste decisão Por sua vida ser uma decepção E não querer conviver com a auto-piedade Olha o que faz a Violência Doméstica Entre viver e morrer, a jovem acuada Toma um veneno mortal Mesmo conduzida ao pronto socorro Entra em coma por uma semana E morre envenenada na UTI de um Hospital!

Paulina Rodrigues

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Anjo-filha Mãe, porque choras tanto? Não gosto de te ver assim tão triste... Sabes, eu ouço os gritos no teu quarto e sei que o pai te bate... Eu vejo as marcas do teu corpo, que bem tentas disfarçar... Eu gosto do pai mas tenho muito medo, por ti e por mim... Não quero que sofras mais, quero voltar a ver-te sorrir, que voltes a ser a mãe alegre e bem disposta que sempre fostes. Eu compreendo o teu sofrimento, mas não tens de aguentar isto por mim, O pai está doente e descarrega em ti ... Tu e o pai já quase não falam e nem brincam comigo... Se não tens força, mãe, eu estou contigo e podemos ir pedir ajuda para vivermos melhor, sem violência nem maus tratos... Tem esperança e fé que Deus vai-nos ajudar! O pai precisa de tratamento, ele vai compreender! Vai ser para o bem de toda a família.

Bernardina Pinto

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Meu canto Neste meu canto de dor e pranto De amargura e desencanto De silencio e escuridão E uma enorme solidão É o canto de mágoa É onde a vergonha Se esconde ouve e vê Meu rosto sem sorriso Meus soluços de dor Meus gritos calados Para não serem falados Por quem vive lá fora Pois não compreenderão Que aqui dentro quem mora Sou eu na tristeza e solidão Maria Tavares

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Violência doméstica! Amo-te tanto amor mas só te sinto Naquelas pequenas horas de paixão Nas outras dizer o contrário minto Muito te agrido, sofres com a situação. Em paga ofereço-te um ramo de flores Prova de todo o meu arrependimento Nunca mais te irei dar dissabores Nem tratos que te causem sofrimento. Mulher, homem, criança, qualquer ser Deixem neste momento de sofrer À violencia doméstica digam não Quem sofre e pede ajuda é ajudado Quem cala continua mal tratado Aos poucos socumbe do coração!

Abilio da Ressurreicão Aires.

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Violência doméstica Sentimentos contraditórios Desamar amando Amar desamando. Oferecer uma rosa Cheia de espinhos Que ferem até ao amago da alma. Gotas de orvalho Lágrimas que correm. Silêncio perdido Pétalas de dor. Entrega de um Oferta de um olhar indolente. As mãos procuram o amor Elas falam do vazio. O nós,fragmentado Mil pedaços do tu, no eu. Mágoas de vida Encruzilhada sem caminho No caminho desenhado…

Ana Antunes

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Violência doméstica No inicio tudo era flor sempre é bom lembrar Ofuscam a visão com palavras de eterno amor Promete um mar de rosa e sempre te amar Faz-te esquecer daquele que lhe trouxe a dor Talvez por não aguentar tantos sofrimentos Deixa os lares que nasce em meio à solidão Na ilusão que se passa entre os pensamentos Que encontrou aquele que a ame de coração Os anos passam e o amor não existe mais Cheiro de bebidas briga por qualquer razão Para quem tanto sonhastes com amor e paz Hoje se encontra presa em casa feito prisão As mãos que cariciava, tona arma de sofrimento A noite Sente-se inócuo, tênue contra o agressor Na esperança que amanha chega o fenecimento Entrega-se outra vez, na ilusão de um falso amor

Gerson Clayton Rodrigues Dos Santos. (S.D.).

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Mulher Mulher maltratada! Humilhada! Espezinhada! Dia a dia enfrentando aquele que por amor te uniste! Mas ele deixou de ser o teu amor! E' o teu medo! E' o teu desespero! Fazes tudo para lhe agradar! Ele acaba por te beijar! Mas logo a seguir te maltratar! Tu desesperada! Não sabes que fazer? Vergonha de falar! Sais a' rua! Oculos de sol! Amargura no coração! Tentas um sorriso! Não queres queixar-te! Tens vergonha!... Mas um dia tudo muda! Sentes vida! Dentro de ti! Da's um grito lacinante!! Ganhas coragem! Pedes ajuda! Uma nova vida recomeça!... Devias ter pedido ajuda ha' muito!... Essa sera' a mensagem! Que vais deixar! Peçam ajuda logo que são maltratadas! Não deixem chegar! Tão longe

Fernanda Costa

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Da violência Violência Enraizada Desde a mais tenra idade Sejam com palavras que ferem ou torturam Mas machucam de verdade Transgressão da pureza Distúrbios de identidade Violentamente te exaspera Força à gravidade Gritos constantes A má educação esta na fala O corpo sagrado profanado degolado Com todas as agressões ''necessárias'' Pobre mulher humilhada Tristes crianças abusadas Filhos de uma existência maldita De uma realidade vil-primata

Esteban Beijamin Flores

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Ter como companheiro um agressor Sou apenas um corpo Que vive com medo… E não conhece a felicidade, Nem a alegria e o sossego. Uma mulher constantemente criticada, Que chora escondida… Consciente de que não vale nada, E a imagem totalmente denegrida. Escondo os hematomas e só eu sei, Que me habituei há muito a mentir… Vivo uma vida como nunca pensei, E passo o meu tempo a fingir. Esta mão queimada, a doer, É porque sou distraída… Metia numa panela a ferver, E fiquei arrependida. Tapo as nódoas negras com a roupa De Inverno, mesmo de Verão… Porque sou meia louca, Passo a vida a cair no chão. Minha boca assim cortada, Foi apenas porque sorri… Não sei estar calada, Apanhei porque mereci… Quando parti meu braço direito, Foi porque me maquilhei nesse dia… Mas afinal foi bem feito, Porque parecia uma vadia. O meu corpo está tão cansado, Não aprendo a me comportar… Para ser feliz com o meu amado, QUE TUDO FAZ POR ME AMAR Farta dos erros e maldade, Subo até ao décimo andar! Salto …enfim …para a liberdade… E já sou feliz…a voar !

Mary Araujo

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Violencia doméstica Meu DEUS quanta saudade! Da minha feliz mocidade. Era livre e nem imaginava, O que a vida me reservava. Acredito que o amor é cego e louco. E uma jovem abrange tão pouco. Deixa-se por doces palavras iludir. Dramático é o que vem a seguir. Jovem que tinha o mundo a seus pés Passou a apanhar socos e pontapés. Não escutou o conselho dos Pais, Nem o que lhe diziam os demais. Minha alma assim perdeu a cor. pois acreditei num louco Amor. Hoje está tingida de preto e branco. Um louco que me fez sofrer tanto. Com cada agressão e palavrão, Calunia empurrão e difamação O monstro me fez sofrer a valer. Hoje não sou a mesma mulher No meu peito hoje mora a dor. O que sinto é ódio e não Amor. meus gritos foram sufocados. E por vergonha camuflados. Consegui fugir, e fizer do nada, A minha única singela morada. Sou uma mulher pouco lembrada. Mas Antes ignorada que maltratada.

Aurora M.F.C.Martins Afonso

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Sem Palpites As palavras que me dizes são como punhos cerrados mas a olhos públicos parecem rosas e cravos. lindas, doces e formosas... sem ninguém desconfiar... e dentro da minha mente são facadas que o meu coração sente! São verbos criminosos que crescem a cada frase são substantivos comuns... ditos em privacidade! São virgulas fora do sentido e pontos finais sem eu ter merecido! As palavras belas em publico... são as balas que me matam lentamente... e quando o meu corpo cair... a alma já mais não sente! Senhores que nada sabem, calem a sua boca não façam de palavras surdas, gritos de uma mulher louca! Não ousem dar palpites, sem saber a verdade pois cada um sabe de si... e Deus da humanidade! Violência psicológica, nos olhos de outros são cegos mas nas costas do povo, cravam-se em mim como ferros... Só quem passa é que sabe, por favor não se intrometa pois aos olhos do agressor, você sabe que ele é bom depois sou eu quem aguenta a fúria da sua mão!

Celeste Seabra

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Violência doméstica... Amor, tu o (in)consciente que maltratas e és ausente Dizes o bem familiar querer Mas depois só fazes sofrer. Que amor é esse que destrói Os sentimentos mais puros Impiedosamente os corrói e transforma em momentos impuros? Amor que não olha a meios destrói famílias, provoca a dor atinge todos sem qualquer pudor dizendo não voltar a acontecer? Que sentimento estranho No seio familiar existente falando de amor tamanho E depois não se sente? Que amor é esse sentido não poupando os filhos que dizem amar... não pedindo para ter nascido? E dizem-se na Graça de Deus Quando neles habita o egoismo Só cumprem objectivos seus... desprovidos de humanismo! E esta violência é por todos sentida de pais para filhos, homem para mulher mulher para homem, filhos para pais... políticos para a Sociedade e enfim... por toda a Humanidade vivida! Mas qual amor, qual nada que não se sente realmente que o Planeta não habita... Aquele AMOR que Deus ensina!

Ilda Ruivo

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Violência doméstica Olhos negros, a cara ensanguentada… Sinais de violência desmedida! Sobre a fraqueza, a força incontrolada, Ponto final duma paixão vivida… O mau feitio, a mente mal formada, Ante uma relação já combalida, Actua pela força da pancada, Sem dó nem pena da dor infligida… Ninguém tem o direito de agredir, Quem algum dia amou ou inda ama E nem as qualidades denegrir! Quando há um descontente que reclama, Há que dialogar antes de agir E resolver as dúvidas na cama…

José Manuel Cabrita Neves

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Depois do amor, a violência Tão felizes que fomos, meu amor! De mãos dadas seguindo lado a lado… Davas-me sempre um beijo apaixonado, Quando chegavas com ar sedutor! Tinhas sempre aquele ar acolhedor… Meigo, compreensivo, ponderado! Mas, algo se passou, pra teres mudado E me tratares com ar ameaçador!... Se tens outra mulher e já não me amas, Não tens que me bater e magoar! Nem chamares-me os nomes que me chamas! Não sei que prazeres tens, me veres chorar? Vamos seguir as vidas sem mais dramas, Ninguém tem o direito a maltratar!...

José Manuel Cabrita Neves

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Violência domestica No anfiteatro da vida mal sentada e perdida num silêncio assustador sangrando lágrimas de dor escondes de tudo e de todos marcas negras de violência maus tratos e humilhação que sofres calada.. pelo homem e pela vida maltratada sem espaço e sem direito a nada vives na esperança e na ilusão que as nódoas do sofrimento sejam para alguém um tormento, um dia... disfarças o rosto e a verdade com mentiras de ocasião para que não falte o pão... … mas deixaste de ter liberdade.

Albertina

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Confissões... É um corpo que vagueia ao acaso, Vive num medo constante todo o dia. É uma amostra de ser mal amado Não conhece o que é a felicidade e a alegria. É constantemente criticada Chora escondida, Consciencializa-se que não vale nada, É uma imagem completamente denegrida. Esconde os maus tratos por todos ignorados, Habituada há muito tempo a mentir... Vive uma vida nunca pensada, E sempre a fingir. A mão a doer, É porque é distraída... Queimou-se na água a ferver E ficou arrependida. Cobre as nódoas negras com roupa, Como se fosse inverno no verão. Apenas porque é um pouco louca E passa a vida a tropeçar no chão. A boca cortada, Foi porque sorriu... Não sabe estar calada Levou porque mereceu. Lembra o braço partido, Porque se maquilhou nesse dia. Mas foi bem feito, Apenas porque parecia uma vadia. Está tão cansada, Que seu corpo começa a vacilar, Para viver com o seu amado Que tudo faz para a amar. Farta dos erros e maldades, Sobe até ao último andar! Salta, por fim, para a liberdade, E enfim é feliz... A voar!

Adriana Ferreira

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O perigo mora em casa Quantas crianças caladas Com medo de gritar Se fechando em silencio Só lhes resta chorar... Os dias passam sofridos Muitos perderam o riso A violência propaga Essa dor que não apaga... Espancados castigados No corpo cicatrizes Um sonho de criança Perdendo a esperança... O maior perigo hoje em dia Está dentro do próprio lar Crianças castigadas Muitas mortas estranguladas... Quem matou? – advinha O pai a mãe ou o padrasto A maldade impiedosa Dessa gente criminosa...

Irá Rodrigues

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Basta de violência doméstica Não consigo imaginar nem um pouco sequer um homem a castigar a mãe e filhos sua mulher não sei sequer disso falar porque com muito amor sempre eu vivi... não fosse ter o destino roubando esse amor que perdi mas não consigo imaginar ver os filhos a chorar ao assistirem aos seus pais tanta pancada levar sou contra a violência seja homem ou mulher porque é nessa inocência de o olhar de seus filhos por vezes por caminhos e maus trilhos os pais e filhos, ficam na dependência Joana Rodrigues

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Violência Doméstica (esposa) Noutra cidade, longe dos parentes... Casada, uma filha de cinco anos Lugar sombrio, muito nevoeiro Tudo muito apavorante! A alma gélida de medo O sangue coagula nas veias de tanto pavor Estava aproximando à hora de ele chegar A esposa sabia que assim que seu agressor chegasse, ela seria agredida sem ter hora para parar! O agressor tinha estatura alta e forte Olhos verdes como a selva, só com seus olhar Ele aprisionava a sua presa Que imobilizada é brutalmente espancada Não havia como se defender, ele batia a cabeça dela várias vezes contra a mesa! A menina chorava apavorada Pois há cinco anos, ela vê essa cena brutal Acontecer com sua genitora Que sempre a protegeu fisicamente Mais não emocionalmente e muito menos psicologicamente, mesmo assim a vida delas haveriam de ser preservada! Todos os seus vizinhos tinham do agressor, medo... Pois temias por suas vidas A esposa e a filha, nunca saíram de casa Eram reféns do prisioneiro Nem sua sogra ele deixava entrar Ela tinha que voltar pela mesma picada! Novamente ao retornar para o cativeiro Começa o massacre e opressão, rachou a cabeça da esposa contra a parede Quebrou-lhe duas costelas, destroncou seu pé E deslocou seu punho Monstruosa era aquela personalidade! E mais uma vez, aquela inocente estava condenada a conviver com o martírio de sua progenitora Quando o dia amanheceu o agressor as trancou e foi trabalhar O que ele não imaginava, era que ele não iria voltar! Embora a esposa estivesse toda quebrada A oprimida, se, pois a orar de joelhos Pedindo a Deus que, não permitisse que ele voltasse para casa, pois ela não aguentava mais apanhar e estando certa de ter que matá-lo 47


Passou o dia em orações, cheia de dores por todo corpo, não podendo nem abraçar a sua criança, com muita dor na alma À hora dele chegar, chega e, ele não chegou Pois numa emboscada alguém o assassinou!

Paulina Rodrigues

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Meu pai era mau! Eu era a criança, Que o pai lhe batia. Guardo na lembrança, O quanto sofria… Às vezes com fome, Por estar de castigo, Ouvia o meu nome! Gritavam comigo! As marcas do cinto, Nas costas, nos braços, Vêem-se, não minto, Os vergões, os traços! Sofria e chorava De noite e de dia; Nada me animava, Não tinha alegria… Na minha inocência Eu não percebia, Que esta violência De nada servia!... Só me perguntava: Porquê o sofrer? Que às vezes pensava Que queria morrer… Hoje sou crescido! Já sou pai também! Mas sou um pai querido, Que o meu filho tem!...

José Manuel Cabrita Neves

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O Infante Feito lenha cortada Verde Que no fogo arde e grita Vermelha Que entrança Em arco-íris Fiapos de cores Esfuziantes Assim és... Fogo e lenha Grito quente De vida precoce Ó infante Incógnito Invisível Incandescente... Lenha verde Que chora e geme O lamento Translúcido Luminescente Assim és... Tu, infante Sem infância Sem Beleza Sem Natureza Ardes Gritas Tuas fagulhas Ó tremeluzente criança! Ninguém te escuta Ninguém te olha Tua lágrima É cinza Que molha...

Mírian Cerqueira Leite

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A Opressão da Bestialidade No seio do Amor, em meio a cenários originais de beleza, em súbito queixume - - rasga-se a Razão. Átimo, rompante, destempero.... Abrupto, por se impor, dor, ciúme, infame desatino, à força de murros o Mundo apita e arde em vermelho, rubro em cobardia, vileza e desespero. Um queixo contra a mesa se parte uma criança que chora, aos urros um amor que se esboroa em terror! Desvario, delírio, martírio, torpeza...

Geraldo Facó Vidigal

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Índice Violência Doméstica ............................................................................................................. 3 Violência Doméstica ............................................................................................................. 4 Solar de Poetas .................................................................................................................. 4 Outras violências .................................................................................................................. 6 M. Lourdes dos Anjos ....................................................................................................... 6 Eu hoje recebi flores ............................................................................................................ 7 Mary Araújo ........................................................................................................................ 8 Violência doméstica ............................................................................................................. 9 Vânia Feijó ......................................................................................................................... 10 Violência doméstica ........................................................................................................... 11 Solange Moreira ............................................................................................................... 11 Tentámos ............................................................................................................................... 12 Antonio Montes ................................................................................................................. 12 Silencia ................................................................................................................................... 13 Enide Santos ..................................................................................................................... 13 Violência doméstica ........................................................................................................... 14 Ilda Pinto Almeida ........................................................................................................... 14 Violência doméstica ........................................................................................................... 15 Paulina Rodrigues ........................................................................................................... 16 Violência Doméstica ........................................................................................................... 17 Ednaldo F. Santos ........................................................................................................... 17 Violência Doméstica ........................................................................................................... 18 Catarina Dinis .................................................................................................................. 18 Já me amaram ..................................................................................................................... 19 Catarina Dinis .................................................................................................................. 19 Amar........................................................................................................................................ 20 Catarina Dinis .................................................................................................................. 20 Dividiremos ........................................................................................................................... 21 Antonio Montes ................................................................................................................. 21 Presa dentro de mim! ........................................................................................................ 22 Celeste Seabra ................................................................................................................. 22 Incrível violência ................................................................................................................. 23 Aurora M.F.C.Martins Afonso ...................................................................................... 23 Não quero mais flores de ti... .......................................................................................... 24 Bernardina Pinto .............................................................................................................. 24 Ontem, Hoje e amanhã.... ................................................................................................ 25 53


Celeste Seabra ................................................................................................................. 25 Violência fragiliza ................................................................................................................ 26 Aurora M.F.C.Martins Afonso ...................................................................................... 26 O tempo passou.................................................................................................................. 27 Gil Ordonio......................................................................................................................... 27 Violência Doméstica (adolescência) .............................................................................. 28 Paulina Rodrigues ........................................................................................................... 29 Anjo-filha ............................................................................................................................... 30 Bernardina Pinto .............................................................................................................. 30 Meu canto.............................................................................................................................. 31 Maria Tavares .................................................................................................................. 31 Violência doméstica! .......................................................................................................... 32 Abilio da Ressurreicão Aires. ....................................................................................... 32 Violência doméstica ........................................................................................................... 33 Ana Antunes ..................................................................................................................... 33 Violência doméstica ........................................................................................................... 34 Gerson Clayton Rodrigues Dos Santos. (S.D.). ....................................................... 34 Mulher .................................................................................................................................... 35 Fernanda Costa ............................................................................................................... 35 Da violência .......................................................................................................................... 36 Esteban Beijamin Flores ............................................................................................... 36 Ter como companheiro um agressor ............................................................................ 37 Mary Araujo ...................................................................................................................... 37 Violencia doméstica ........................................................................................................... 38 Aurora M.F.C.Martins Afonso ...................................................................................... 38 Sem Palpites ......................................................................................................................... 39 Celeste Seabra ................................................................................................................. 39 Violência doméstica........................................................................................................... 40 Ilda Ruivo ........................................................................................................................... 40 Violência doméstica ........................................................................................................... 41 José Manuel Cabrita Neves .......................................................................................... 41 Depois do amor, a violência ............................................................................................ 42 José Manuel Cabrita Neves .......................................................................................... 42 Violência domestica ........................................................................................................... 43 Albertina ............................................................................................................................. 43 Confissões... ......................................................................................................................... 44 Adriana Ferreira .............................................................................................................. 44 O perigo mora em casa ..................................................................................................... 45 54


Irá Rodrigues .................................................................................................................... 45 Basta de violência doméstica .......................................................................................... 46 Joana Rodrigues .............................................................................................................. 46 Violência Doméstica (esposa) .......................................................................................... 47 Paulina Rodrigues ........................................................................................................... 48 Meu pai era mau! ................................................................................................................ 49 José Manuel Cabrita Neves .......................................................................................... 49 O Infante ................................................................................................................................ 50 Mírian Cerqueira Leite .................................................................................................... 50 A Opressão da Bestialidade ............................................................................................. 51 Geraldo Facó Vidigal ...................................................................................................... 51 Violência Doméstica ........................................................................................................... 56

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Violência Doméstica

Solar de Poetas

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Violência doméstica, colectânea de poemas  
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