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bETO cANDIA


A Ribeirão da poesia

por CARLA MIMESSI

A primeira impressão que tive de Ribeirão Preto, vinda de cidade pequena, foi a de estar caminhando sobre um cartão postal: um lugar bonito, com belas avenidas e um ar pretencioso de metrópole, mas, para mim, sem nenhuma intensidade ou significado. Não era à toa, pois não tinha desejado estar aqui, o que me trouxe para essas bandas foram as contingências da vida. Por um tempo, me contentei com as paisagens e ares do velho Irajá, onde ainda podemos ver pessoas conversando, aos finais de tarde, em cadeiras na calçada, e podia me sentir um pouco mais em casa. Aos poucos, comecei a me aventurar por outros bairros, a desvendar seus mistérios e peculiaridades e no novo, uma vez mais reconheci velhas paisagens: as pipas coloridas que cortam o céu no Ipiranga; as peladas dos campinhos improvisados no São José, os bate-papos preguiçosos de domingo no Parque Ribeirão com os churrascos improvisados na garagem; cenas comuns na periferia que me lembravam, ao comparar com o padrão zona sul, que toda cidade é feita de dicotomias: de guetos e de arranha-céus; de avenidas e vielas; de ruas asfaltadas e do chão batido; do luxo e da simplicidade. A diferença é sempre incômoda: sempre nos interpela, nos põe em xeque, sobretudo quando não queremos nos envolver, nos deixar apaixonar, quando nossa identidade ainda está atrelada a um passado não muito longínquo.

A ilusão é pensar que a beleza e leveza emanam apenas de onde se pode vê-las — as diferenças não calam a poesia e o sonho, eles saltam de todas as esquinas, extrapolam as dicotomias, surgem na voz, nos acordes, nos traços a lápis ou tinta e nos contam histórias dos diferentes povos que compõem o lugar em que vivemos — suas aspirações, amores, dores, desejos, belezas e incertezas que tornam ainda mais rica a alma da nossa cidade. Sonhos e poesia vêm tanto do amor e da beleza posta e pronta, quanto da mão que assenta o tijolo, que constrói galerias, que esculpe jardins, que se propõe a trabalhar a massa para que um local cresça e prospere. Quando conhecemos os bairros, seus moradores e sua generosidade, conseguimos compreender a beleza real que existe por trás das paisagens ribeirãopretanas: a alma também deixa nas obras suas digitais. Só não vê quem não quer ousar, quem não se permite envolver, quem não se deixa apaixonar, quem prefere fingir que vive e insiste em andar sobre um cartão postal. Caetano bem que advertiu: “Narciso acha feio o que não é espelho”. O segredo está além do cartão: está na esperança, no ímpeto de vida, no sonho que teima em prosperar, no construir, no remodelar, no aprimorar, nessa gente que investe o que tem ou o que pode dar tentar ser e fazer feliz.


Expediente: Coordenação geral: Cordeiro de Sá | Projeto Gráfico: Ana Márcia Zago Impressa na São Francisco Gráfica e Editora Ltda. | Tiragem: 2000 exemplares www.facebook.com/ribeiraopretoemquadrinhos

S111r

Sá Filho, Carlos Alberto Cordeiro de. Ribeirão Preto em quadrinhos / Carlos Alberto Cordeiro de Sá Filho, organizador. Ribeirão Preto: RPHQ, 2014. 3 v. il. : 28 cm. Publicação: v. 1. Digital. – v. 2. Impresso e digital. – v. 3. Impresso e digital. ISBN 858973170 (v.1). – ISBN 858973171 (v.2). – ISBN 858973173 (v.3). 1. Arte sequencial. 2. História em quadrinhos. 3. Ilustração. 4. Ribeirão Preto I. Título.

CDU – 741.5

Esta coletânea é dedicada a Alexandre Corona Peixoto, Arnaldo Junior, Camilo Borges Junior e José Luis “Jabá” da Silva pelo histórico fanzine “Boca de Porco” e a Octávio Verri Filho, por coletar e catalogar centenas de livros e almanaques que tratam de Ribeirão Preto e região.


O que é que Ribeirão tem? Vem pra rua, por Beto Candia (capa) Rua da Redenção, por Cordeiro de Sá O anjo, por Cordeiro de Sá, Leandro Ricardo e Kerem de Freitas Barrocal Ribacity tour, por Marcelo Tomaz Cabelo, por Arnaldo Junior O carioca e o caipira, por Márcio Coelho e Mouses Sagiorato Shopping, por Thomate Sábado de sol, por Arnaldo Neto Grafitti, por Biu O grande encontro, por Sheila Ozsvath e Rodrigo Mazer Do lar, por Caetano Cury O Bé na Chattanooga, por Quico Soares Um dia qualquer, no Senac, por Cordeiro de Sá sobre texto adaptado de Rodrigo Souza Stock Car, por Jesse Suursoo O mundo é um giro e a vida, um salto, por Valnei Andrade e Saulo Michelin Banca do Gibim, por Gandolpho Videoguêime, por Marcelo Almeida Água no chopp, por Lucas Busatto, Paulo Fritoli e Alan Barbosa Assembléia de Deus, por Ana Márcia Zago Dois pastel e um refri, por Adriano Andreolli e Douglas Azevedo Rogério Moenda, por Sérgio Garrido e Celina Kimura Feira da Portugal, por Carlos Reno Chorinho na USP, por Matheus Botelho Bonfim Paulista, por Renato Andrade Rotatória Amin Calil, por Vinícius Souza Concreto, por Nicolas de Cardoso Maria, por Gabi Registro e Dan Medeiros Educandário Cel. Quito Junqueira, por sua meninada Elenco RPHQ, por Dud

As opiniões implícitas no conteúdo literário das obras aqui apresentadas são de responsabilidade de cada autor.


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Marcelo Tomaz 8


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Thomate 13


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quico soares 23


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Jessé Suursoo 26


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Marcelo Almeida 31


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Ana Mรกrcia Zago

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Marcelo Almeida 37


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Carlos Reno


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Matheus Botelho 40


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Renato Andrade 41


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Vinícius Souza 42


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Bruna Santos Lima, Carlos Eduardo de Medeiros, Débora Rodrigues L. da Silva, Ellen Bianca S. Escobar, Gabriel Henrique S. de Araujo, Igor Borges Ferreira, João Vitor Marcelino

carvalho, Joseane C. da Silva Santos, Júlio César B. de Oliveira, Kaique Ribeiro Maciel, Laisa Morais Silva, Leonardo de Carvalho Fernandes,

Luiz Guilherme de Souza, Mylenna Da Silva Souza, Natalia Batista Bassaga, Nathally Fernanda Soriano, Pedro Henrique F. Fabris, Samuel Leandro A. Camargo, Thawane Gabriely S. Dutra.

arte produzida em oficina do projeto RPHQ no educandário Cel. Quito Junqueira, pelas crianças: Allan Jesus da Silva, Anthony Lucas T. C. Brito,

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A ideia de uma publicação que juntasse artistas da nossa terrinha sempre esteve viva em conversas com César Muniz, Cako Facioli, Renato Andrade, Thomate, Rodrigo Soares e Fred Nuti. Houve tentativas, como o ainda inédito “Uia!”, mas tudo ficava na vontade. Então, conheci o compêndio curitibano “O Gralha” e veio a luz: precisávamos era fazer RP se orgulhar de virar HQ! Com o projeto viabilizado por patrocínios e leis locais de incentivo, saí recrutando mestres, amigos e alunos, três gerações de ótimos contadores e desenhadores de histórias. Criamos juntos o primeiro volume, que seria único, mas me empolguei e dei uma resposta impensada ao jornalista Vinícius Felix dos Santos: “Claro que continuaremos, faremos uma trilogia!” Aí, começaram a aparecer mais artistas querendo participar e fomos juntando o povo. A coisa ficou séria com a indicação ao Troféu HQ Mix e nesse caminho foi fundamental o incentivo do Valnei Andrade, do Geteó, do Gual e da Dani Baptista – além da boa vontade das pessoas de carne e osso que concretizaram os contatos e apoios em suas instituições. Bom, se demorar muito para lançarmos outro álbum desses, espero que alguém perca a paciência, tome a bandeira e saia por aí quadrinizando histórias reais e imaginárias da nossa cidade. Ribeirão Preto merece. Cordeiro de Sá

pATROCíNiO:

Realizado com apoio da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Secretaria da Cultura - Programa de Incentivo Cultural 2013

Apoio:

Ribeirão Preto em Quadrinhos # 3  

Terceira parte da coletânea de histórias em quadrinhos e ilustrações que retratam lugares e tipos de Ribeirão Preto, SP. A RPHQ reúne design...

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