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Livro-Poster Canção #1 Transgressão

Um projeto de Coral Michelin Ilustrado por 21 artistas Realizado pormais de 200 apoiadores e colaboradores


O Nome do Jogo

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O livro que você tem em mãos é uma bela e concreta resposta àquilo que estudiosos vêm teorizando há mais de meio século: o jogo e suas regras. A Teoria dos Jogos é uma área de estudos que procura investigar como jogadores envolvidos em uma determinada situação complexa tomam decisões e assumem estratégias visando o melhor retorno para si próprios. Na base dos jogos, acredita-se, estão dois princípios que podem ser combinados ad infinitum, o da competição e o da cooperação. Um jogador pode entender a ação de outro como competição ou cooperação e, assim, gerar condições de jogo que perpetuem outras escolhas e ações competitivas ou cooperativas. O Livro Poster-Canção propõe uma situação próspera: trata-se de um jogo no qual todos cooperaram e por isso foram recompensados. Ganharam os 218 apoiadores que ao financiarem o projeto levaram diversos prêmios, inclusive o de possuir um exemplar deste livro exclusivo. Ganharam os artistas participantes que, além de terem suas ilustrações publicadas, cresceram com os desafios colocados pela natureza colaborativa da autoria dos pôsteres. Ganharam os demais colaboradores – videografistas, fotógrafos, escritores, divulgadores, entre outros – ao participarem de um processo criativo tão prazeroso quanto frutífero. Ganhou a idealizadora do projeto, a multi-artista e agregadora de pessoas, Coral Michelin, que materializou a idéia de reunir diversos artistas em torno de uma causa comum. E, sobretudo, ganhou você que tem este belo Livro-Poster Canção em mãos.

Cooperação e colaboração foram as regras do jogo desde o início. Em finais de 2011, Coral propôs o projeto do Livro-Poster Canção a alguns dos diversos artistas visuais que vinham cruzando seu caminho desde que chegou no Rio de Janeiro. Os artistas trabalhariam na interpretação de músicas transgressoras que de uma forma ou de outra alteraram o curso da expressão artística ocidental. A idéia que parecia simples era no fundo um desafio: os pôsteres ilustrados sob influência musical deveriam ser criados em dupla. Como colaborariam entre si ilustradores, tatuadores e pintores acostumados a trabalharem sozinhos, seguindo estilos próprios, criando muitas vezes num espaço-tempo marcadamente subjetivo? Com essa proposta, a sorte estava lançada. Restava agora acreditar que o princípio da cooperação nortearia o jogo de interesses individuais na direção de uma solução criativa complexa e colaborativa.

E que bom que Coral, os artistas e colaboradores acreditaram. O projeto do Livro-Poster Canção não somente promoveu o intercâmbio de experiências, técnicas e estilos entre os artistas convidados. Ele promoveu também um repensar coletivo da relação entre o visual e o musical. E esta relação tem história. Quem aqui nunca comprou um disco pela capa? Certas capas de disco, ao contrário das do livro, são um indicativo do que musicalmente lhe espera. Seja a parceria de um Vaughan Oliver para a gravadora inglesa 4AD ou a de um César Vilela para a Elenco, colaborações históricas entre artistas visuais e musicais têm garantido qualidade em ambos fronts, e uma identificação estética ímpar entre o que é de se ver e o que é de se ouvir. O pôster de Arnold Skolnick para o festival de música de Woodstock levou a mensagem de paz e amor para muito além dos confins de White Lake e do ano de 1969. O desenho animado de Yellow Submarine deu uma outra cara à fase menos comportada dos quatro de Liverpool. Partindo de um pressuposto menos ambicioso mas não menos nobre, o Livro-Poster Canção repensa a relação entre música e arte, visão e audição, memória visual, auditiva e afetiva. Como alguns dos artistas mais questionadores de nossa atualidade interpretariam músicas que também questionaram os tempos nos quais foram compostas?

Os artistas participantes do Livro-Poster Canção oferecem respostas visuais as mais variadas e instigantes aos desafios da co-criação e da interpretação musical. A street art, ou arte de rua, está fortemente representada. Leitores acostumados a vaguear pelos becos do Rio ou São Paulo a procura desta manifestação artística tão subversiva quanto espontânea facilmente identificarão os rabiscos urbanos de Bruno Big, Carlos Bobi, Marcio Bunys, Combone, João Lelo e Pedro Themoteo estampados em alguns dos pôsteres. Artes mais manualmente delicadas como as da encadernação, caligrafia, colagem e gravura têm expressão máxima nos trabalhos de Gabriela Irigoyen, Cláudio Gil, Mauricio Planel e João Sánchez, respectivamente. A ‘velha escola’ da tatuagem está representada por Victor RocMed e sobre Ana Escorse, que de ilustradora passou a ‘suporte’ de uma das obras aqui apresentadas. Designers e artistas plásticos por formação – ilustradores por paixão – também encabeçam esse time de primeira. André Amaral, Estêvão Vieira, Mariana Mansur, Pedro Jardim, Rafo Castro, Tuomas Saikkonen e Vivian França contribuem para a variedade de linguagens, técnicas, suportes e expressões artísticas que enriquecem o


projeto. O Livro-Poster Canção não estaria completo, no entanto, sem uma bióloga ilustradora que se dedica à composição musical. Tatiana Castro resume em uma biografia a complexidade de talentos dos jogadores que aqui entraram em campo.

A escolha das músicas seguiu o princípio da variedade, além do da natureza transgressora. Elas deveriam pertencer àquilo que se convencionou chamar de ‘estilo musical’ de forma diversa. Entraram não apenas canções representativas de estilos tradicionalmente associados à rebeldia como o rock e o hip-hop; Igor Fyodorovich Stravinsky que o diga. Ao abrir o LivroPoster Canção você vai se deparar com uma deliciosa cacofonia músico-visual que vai da MPB, funk, e jazz até as músicas eletrônicas e clássicas, passando pelos movimentos Manguebeat e Northern Soul. Tudo valia, desde que a melodia, a letra ou o contexto cultural da canção tenham sido transgressores, isto é, tenham atuado como satisfação da necessidade que só se sacia na novidade ou descumprimento da lei social. Nada mal para um projeto que procurou subverter as regras do jogo desde o início!

A mecânica da curadoria também atendeu à diversidade de artistas e canções. Coral escolheu uma primeira leva de dupla-artista seguindo o critério de consonância ou dissonância entre seus estilos artísticos pessoais. Não seria interessante ver o que uma colagem vintage e um rabisco da street art poderiam fazer por uma música dos Beatles, por exemplo? Harmonia ou puro ruído? Para testar sua idéia transgressora sobre o potencial criativo das co-autorias, Coral não se conteve com apenas uma rodada de duplas de artistas. Ela quis mais, e deixou que o acaso fizesse a sua parte. Um sorteio de nomes decidiu quem trabalharia com quem na segunda leva de ilustrações. E quis o acaso uma repetição: da mesma forma como Coral havia escolhido Pedro Themoteo e Maurício Planel para uma dupla pela incongruência aparente de seus estilos, seus nomes foram reunidos novamente pelo simples lançar da sorte. Bingo, diria Jorge Luis Borges. Dizem as boas línguas que o grande escritor só aceitou o cargo de diretor da Biblioteca Nacional argentina depois de saber que seria o terceiro diretor cego da instituição. Isso trouxe conforto e direção à sua decisão. Borges acreditava que o universo fornece seu aval por meio de repetições. ‘Ufa’, pensou Coral, ‘estamos no caminho

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certo.’ E disso não terá dúvida você, que está prestes a folhear o livro, destacar suas páginas, emoldurá-las, colocar alto e no ‘repeat’ uma das canções que ainda não conhece, logo após aquela que ama de paixão. O livro é seu, use-o e abuse-o como desejar. Não há regras. Este é o jogo

Livia Lazzaro Rezende


Porquê Livro-Poster?

O ano de 2011 foi um ano de encontros decisivos. Por meio de eventos de design, trabalho em espaços de co-working, iniciativas de crowdfunding e leituras sobre design thinking, design management e marketing 3.0 me deparei com novas pessoas, textos, conceitos e materializações. De forma cada vez mais forte, estes encontros foram alimentando em mim um entendimento sobre a importância da colaboração em processos criativos e produtivos no design. E a colaboração, fui vendo, é chave para melhorar soluções. Soluções não somente entendidas como resultado de um dado problema, mas entendidas de forma mais ampla: vindas do íntimo das pessoas envolvidas no processo. Ainda em 2011, durante uma das palestras que organizei no 48 Encontros, propus um pensamento que evolui do desapego à conexão, passando por quatro estágios: desapego > mudança > colaboração > conexão. Este pensamento nos leva ao que seria, na minha visão, um mundo melhor em que as pessoas estariam em sintonia umas com as outras e com o ambiente ao seu redor. A colaboração figura dentro dessa proposta de exercício como uma ferramenta para criarmos uma nova realidade na qual o resultado trabalhado em conjunto traria soluções mais abrangentes e humanas do que aquele trabalhado individualmente. Enquanto desenvolvia este pensamento, também elaborava a idéia de um projeto que exemplificasse na prática o exercício de desapego e co-criação. Pensei em um projeto para artistas e designers, profissionais que têm maior probabilidade de pensar fora da caixa e inovar, mas que, ao mesmo tempo, tendem a se apegar às suas criações. Assim nasceu o embrião do Livro-Poster Canção, um projeto com pretensões inteiramente colaborativas, desde seu desenvolvimento até a sua produção. Aos artistas, propus que ao desmancharmos a ilusão do ego, da falsa noção de propriedade (‘minha idéia’, ‘minha criação’), interagimos um com o outro de forma mais completa. Aprendemos a escutar e a aceitar, num jogo de toma-lá dá-cá produtivo. Aos apoiadores, propus fortalecermos a idéia que não dependemos dos mecanismos tradicionais para concretizarmos nossos sonhos e que, juntos, seremos sempre mais fortes e capazes. Agora, passado quase um ano e o período gestacional, vejo nascer um filho de muitos pais e mães orgulhosos e que, espero, servirá de inspiração para outras pessoas e muitos outros projetos que nos levarão à tal conexão com o todo, tão necessária nos dias de hoje. Coral Michelin

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Artistas

Coral Michelin vem de uma família criativa. Sua mãe, Simone Michelin, é uma artista plástica renomada. Seu pai, Sidney Basso, é artesão e coiffeur. Seu avô sempre inventou mil peripécias. Uma tia é decoradora. O tio é gourmand e outra tia é mestre em trabalhos manuais. Desde muito cedo Coral absorveu essas influências, que sulcaram sua memória e determinaram seu caminho. Coral é designer de carreira e ilustradora por paixão. Desde 1999 ela trabalha em áreas diversas ligadas à criatividade e à cultura, tais como design, direção de arte para publicidade, marketing, planejamento & estratégia, produção de eventos, cenografia, música eletrônica e ilustração. Sua carreira começou em Nova Iorque, foi para Porto Alegre, migrou para Londres, estacionou em Tel Aviv e, agora, veio parar no Rio de Janeiro. Essa bagagem multicultural e multidisciplinar faz de Coral uma pessoa sempre inquieta e em busca do novo. Em Israel teve, por quatro anos, seu próprio estúdio de design, experiência que trouxe para o Rio, onde dividiu por dois anos o comando do estúdio 48 com o colega Icaro dos Santos. Coral organizou e produziu pequenos eventos – palestras, workshops e confrarias – e projetos pessoais, como este livro. Atualmente foca seus estudos nas áreas de design thinking e sustentabilidade relacionadas ao design. No campo da ilustração, ela tem se distanciado do computador. Ela tem pesquisado técnicas mais tradicionais e artesanais de produção como xilogravura e serigrafia, desenvolvendo um estilo que mescla traços botânicos com elementos vitorianos e padrões ornamentais. Coral nunca vai deixar de se arriscar por novos caminhos.

www.coralmichelin.com

‘”Por quê?” – essa é uma das perguntas mais importantes que alguém pode se fazer. Por isso desenho um veado com terno de caveira ou pimentas escorrendo de uma garrafa de vinho. Por que não?’ (Ana Escorse) É a partir de ‘por quês?’ que Ana Escorse elabora suas ilustrações. Com suas obras, ela procura causar estranhamento e questionamento em pessoas que se habituaram a aceitar o que lhes é imposto. Nascida em Campo Largo, Paraná, Ana veio para o Rio de Janeiro ainda pequena. Não possui influência artística na família mas desde pequena gosta de rabiscar coisas. Desenhar sempre foi um hábito, ainda que tenha enveredado por outro caminho. Em 2009, entrou na Universidade Estadual do Centro-Oeste para fazer agronomia, mas, claro, não ficou no curso por muito tempo. Ana logo decidiu cursar design. Artista recente, Ana já mostra que sabe onde quer estar. Nas artes, atua em diversas áreas, de fotografia e vídeo até tatuagem, ou faz qualquer outra coisa que ainda não conheça. Atualmente, cursa design gráfico no Instituto Infnet, trabalha como assistente de fotografia, é aspirante a videomaker, ilustra nas horas vagas e não-vagas e está aprendendo a tatuar.

www.anaescorse.com

André Amaral é artista visual e DJ, com incursões pelo universo da ilustração editorial e design gráfico. André é bacharel em pintura e mestre em linguagens visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recebeu prêmios no Salão da Bahia, em Salvador em 2002, e no Interferências Urbanas no Rio de Janeiro, em 2008. André tem participado de coletivos que reúnem artes visuais, happenings e festas gratuitas no espaço urbano. Em 2010, esteve na Bienal de São Paulo em um dos ‘terreiros’ do coletivo La Rica (curadoria de Pedro França). Em junho de 2010, passou dois meses na Holanda em residência artística a convite da Flatstation. Em 2011 expôs seu trabalho em uma individual na galeria do Espaço Cultural Sérgio Porto. Natural de São Paulo, Amaral atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde participa do coletivo multimídia Nuvem.


Nascido em 1980, Bruno Carneiro Mosciaro é carioca, artista plástico e designer, formado em comunicação visual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A trajetória profissional de Bruno é extensa: foi sócio, diretor de arte, ilustrador e designer na empresa GrauDesign até 2005. Em 2006, foi para Barcelona aprimorar técnicas em gravura experimental e desenvolver sua criatividade publicitária. Lá fez a sua primeira exposição individual chamada ‘Gravado Experimental’, resultado de seis meses de trabalho no ateliê de Nuria Duran. Participou como único expositor brasileiro do DIFUSOR, encontro internacional de estêncil. Trabalhou com produtoras como a El Desierto Filmes, Melin Video e Oestudio; trabalhou para marcas como a Nike e a Coca-Cola fazendo ilustrações com forte identidade; customizou para Eastpack e Farm; expôs sua street art no clipe da música ‘Monstro invisível’ da banda O Rappa e no novo filme de Jorge Duran. Bruno passou um mês em residência artística em Paris, onde participou do evento Paris Hip Hop. Atualmente, ministra oficinas de estêncil e gravura no departamento de arte e design da PUC-Rio e trabalha como curador da loja Homegrown, ponto de encontro de artistas contemporâneos do Rio de Janeiro. A constante atualização de técnicas e ferramentas norteia a metodologia de trabalho de Big. Apesar da especialização em design gráfico, ele acha imprescindível a integração entre as artes plásticas e o design para suas criações serem difundidas nos mais diversos meios. www.brunobig.com

Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi Carlos Bobi

Nascido em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, Carlos Alberto é conhecido como Bobi. Desde pequeno costumava observar seu pai desenhando sobre tecido, se encantava pelas cores, formas e dégradés, e foi definitivamente influenciado por ele no início de sua carreira. Aos quinze anos Bobi conheceu a pichação e teve o primeiro contato com o spray. Durante dois anos, Bobi observou os grafittis espalhados pela cidade, viu os pioneiros pelas ruas, conheceu outros locais. Essa experiência revelou para Bobi um mundo diferente, o da expressão pessoal. Desde então, ele se dedicou a desenvolver sua própria técnica, já que não havia curso de street art. Bobi se tornou um grande articulador da cultura street art. A partir de 2006, fundou com sua crew o ‘Meeting of Favelas’, o maior evento de graffiti coletivo do mundo que reúne em Duque de Caxias mais de 500 artistas que grafitam voluntariamente em prol do desenvolvimento artístico da comunidade. Bobi faz parte de uma antiga geração de artistas cariocas. Há 12 anos atua como artista urbano, ilustrando os muros e postes da cidade com seus personagens de expressões vivas e seu inconfundível estilo realista.

www.carlosbobi.com

Artista, professor, designer e calígrafo. Mestrando da Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI/UERJ, Cláudio Gil faz da caligrafia, arte. Percorre o Brasil desde 2004 divulgando a caligrafia e as suas possibilidades contemporâneas através das suas oficinas para leigos, estudantes e profissionais de diversas áreas tendo ensinado a mais de 1500 alunos. Seus trabalhos já foram publicados no Brasil e no exterior, tais como os livros 1000 Artist Journal Pages, Sketchbooks - As páginas desconhecidas do processo criativo, Caligrafia para todos – em russo, ainda não traduzido para o português – do renomado artista e professor russo Leonid Pronenko, e em 2012 teve um artigo-portifólio publicado na edição 75/76 da revista Gráfica Arte Internacional do diretor de arte Oswaldo Miran.Participou de diversas exposições e sua mostra individual Kaligrápho & non Kalligrápho estreeou no CCJF do Rio de Janeiro em 2008. Em 2009 a mesma exposição inaugurou o Centro Cultural Correios de Recife. Em 2008, São Paulo pôde conferir de perto os traços de Cláudio Gil na Mostra Internacional de Caligrafia, na Galeria Choque Cultural, que representa alguns de seus trabalhos na capital paulistana.É o único brasileiro a participar das três edições da Mostra Internacional de Caligrafia nas cidades de São Petersburgo, Moscou e Velik Novgorod na Russia e diversas obras suas são parte integrante do acervo do Museu Contemporâneo de Caligrafia em Moscou. www.lagrafia.blogspot.com.br

Estêvão ‘Stêvz’ Vieira nasceu em Brasília em 1985. Trabalha com ilustração, animação, design e quadrinhos, e faz música nas horas vagas (embora geralmente prefira o contrário). Entre alguns de seus trabalhos recentes destacam-se: animações para cinema e televisão pela Toscographics Desenhos Animados; o projeto gráfico dos programas educativos do Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília, pela Palavra Chave Arte e Cultura ltda.; ilustrações de livro pela Editora Casa da Palavra, e ilustrações para o site da Skol pela Mercado Jovem – além dos projetos pessoais. Publicou, de forma independente, como autor e/ou editor: ‘Bongolê-Bongoró 1 e 2’; o calendário ‘Pindura’ em 2009, 2010, 2011 e 2012; ‘Medíocre’; ‘A Importante das Palavras Ordem É’; ‘Beleléu’ e ‘Aparecida Blues’. No exterior, publicou nas coletâneas ‘Digestión Figurada’ (Espanha, 2009); ‘Massive e Seitan Seitan Scum’ (Chili Com Carne, Portugal, 2010), e participou da exposição itinerante ‘Abroiderij Ha!’. Atualmente, mora no Rio de Janeiro.

www.cumulusabsurdum.blogspot.com

Gabriela Irigoyen cursou gravura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, graduou-se em Pedagogia pela Universidade Santa Úrsula e especializou-se em educação infantil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio, em 2001. Gabriela vem se dedicando ao ensino artístico desde 2000, e partir de 2004 começou a se interessar por cadernos e livros como suporte para criar suas imagens. Em 2007, publicou as primeiras ilustrações e páginas de seus cadernos em sites, revistas e no livro ‘1.000 Artist Journal Pages’, de Dawn Sokol. Desde 2008, Gabriela tem mostrado seus trabalhos em exposições coletivas e desenvolvido o aspecto tridimensional em seu trabalho: dedica-se à encadernação artística, e confecciona sketch books sob demanda para artistas no Brasil e no exterior. Em 2010, cadernos e agendas criados por Gabriela com estampas feitas em parceria com o calígrafo Cláudio Gil foram publicados pelas revistas de design inglesas Wallpaper e Monocle, que aclamaram o trabalho como referência de papelaria de alto padrão feita no Brasil. Em 2011, Gabriela integrou a exposição coletiva itinerante ‘Wallpaper Exhibition’, a convite da Galeria Art & Design Barcelona. Ainda em 2011, Gabriela organizou sua primeira exposição individual – ‘Amor de Livros’ – na Galeria da Lagoa, no Rio de Janeiro. www.gabrielairigoyen.com

João Lelo é artista, carioca e autodidata. É melhor conhecido pelo trabalho de arte urbana que faz desde 1999. Sua produção abrange diversos meios e suportes: vídeos, murais, pinturas, desenhos, gravuras (em especial serigrafia – paixão assumida de João) e, mais recentemente, esculturas e objetos. O trabalho de João é cheio de simbologia; ele resulta da reflexão do artista sobre os valores e comportamentos da sociedade em que vivemos.

www.leloart.com


João Sánchez nasceu no Rio de Janeiro, em 1980. Formou-se em gravura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Residiu em Madri, onde deu aulas de gravura no Circulo de Bellas Artes, e trabalhou como impressor nos ateliês Antonio Gayo e Benveniste CP&P, onde coordenava os projetos de xilogravura. Em 2004 fez sua primeira individual na Galeria do IBEU, RJ. Em 2005 participou da 3ª Bienal de Gravura de Santo André, recebendo o prêmio “Cidade de Santo André”, SP. Em 2006, participou da mostra de gravura latino-americana La Joven Estampa, na Casa de Las Americas, Havan. Na Espanha, realizou as exposições individuais Couro de Gato na Galeria Panta Rhei, Madri, Grabados y gravuras na Casa do Brasil, Madri, e El Boxer Amateur, na Galeria A Fuego Negro, San Sebastian, todas em 2008. Em 2010, participou da Feira de Arte Contemporânea Espaço Atlântico, na Galícia, e participou das exposições Rio – Devorando Discursos Extranjeros, na galeria Goldman Capital Arts; Madri, e Gráficos Rio, no Museu de Belas Artes, RJ. Em 2012 foi selecionado para o London Occupation, residência artística durante as Olimpíadas de Londres 2012. Atualmente é editor e impressor do Estúdio Baren, no Rio de Janeiro. www.anaescorse.com

Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys Márcio Bunys

Desde 1999, Marcio Oliveira – ou Bunys – tem estudado e desenvolvido uma técnica em que usa diversos materiais em seu trabalho, que é feito nas ruas ou sob outros suportes. Sua temática propõe seres da natureza com supostas mutações que podem ou existir ou serem considerados personagens ilustrativos imaginários.

Como a grande maioria dos artistas contemporâneos, Mariana Mansur não se limita à sua área de origem. Formada em Desenho Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI, Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Mariana trabalha como designer, artista plástica e ilustradora. Como designer se destaca na área de exposições, estamparia e identidade visual de produtos, artistas e sites. Seus trabalhos mais expressivos na área de exposições foram ‘Andy Warhol Motion Pictures’, ‘Roy Lichtenstein Vida Animada’ e ‘Encontros com o Modernismo’, sobre o acervo do Stedelijk Museum, de Amsterdam, todas ocorridas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na programação visual, destaca-se a identidade do grupo Galocantô, e trabalhos para o Cachaça Cinema Clube e Mostra do Filme Livre, que acontece no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio. Mariana incorpora suas ilustrações em alguns desses trabalhos, geralmente em flyers ou projetos mais autorais, como aqueles ligados à música. Atualmente trabalha também na própria grife, a Airumã, dedicada a produtos pintados à mão, exclusivos, assinados e datados. Nos trabalhos da Airumã, Mariana expressa seu vocabulário de formas e volutas, com referências às artes mexicana, andina e brasileira. Ainda como ilustradora, Mariana criou adesivos para a exposição ‘Geckonidae’ na Via Manzoni, no Rio; pintou uma bicicleta durante o evento ‘Eu amo pedalar’, e criou para a Cantão uma ilustração e uma pintura ao vivo para vitrine da coleção de verão 2011 chamada ‘Movimento’. www.marianamansur.com

Mauricio Planel é ilustrador e faz da colagem sua forma de expressão. Adepto tanto do meio digital quanto da tesoura e cola, Mauricio privilegia imagens antigas para montar sua linguagem visual. Ilustra para escritórios de design e publicidade, e tem um pé fortemente fincado no mercado editorial: seus trabalhos já foram publicados pela GQ Brasil, Revista da Cultura, Revista Florense, Gráfica Arte Internacional, e por editoras de livros como a WMF Martins Fontes, a Torre Del Vigía e a Mellen Press. De tempos em tempos, Mauricio gosta de visitar sebos e feiras de antiguidades à procura de alguma imagem que ainda não tenha em sua coleção, ou para fotografar um objeto diferente. Ele oferece diversas oficinas para estudantes de design gráfico, e cria objetos de decoração a partir de suas colagens.

www.mauricioplanel.com

‘Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar’ – Pensando assim, Pedro Themoteo decidiu não atuar profissionalmente nas áreas de ilustração e graffiti. Ele queria se envolver somente com projetos que gerassem interesse, transmitissem idéias e comunicassem o que o artista pensa, sem desgaste de seu apreço por essas atividades. Pedro é designer, sócio-fundador da Fibra Design, e atua principalmente nas áreas de design de produto e design thinking. Pedro também pesquisa, desenvolve e é consultor na área de novos materiais de cunho sustentável. Dentro dessas áreas de atuação, Pedro já atingiu grandes conquistas, incluindo prêmios no Brasil e no exterior. Em paralelo à sua profissão, Pedro grafita no Rio de Janeiro. Desde 2002, o carioca convive com alguns graffitis de sua autoria, como os conhecidos ‘São Jorge’ e o ‘Mágico de Oz’, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Pedro procura fazer seus graffitis em colaboração, como quando fez parte da MMC com Duke e Swop (atualmente no coletivo MUDA), Meton (atualmente no Estudio MIMO), e Cusp. Sua temática reúne elementos da cultura brasileira: música, religiões brasileiras, índios ou carnaval, por exemplo. O carnaval, aliás, é o tema que Pedro mais tem abordado atualmente, também em projeto colaborativo com o artista Binho Cerqueira e apoiado pelo Bookshostel. Em seus trabalhos, Pedro também estuda o uso de tipografias como desenho de letras, e explora expressões faciais.

Pedro Jardim é carioca de coração, já que veio muito pequeno de Goiânia para o Rio. Desde sempre desenhou e pintou: as paredes de casa, os guardanapos dos restaurantes, e qualquer espaço em branco que via pela frente. Cursou Design Gráfico na ESPM e em 2011, depois de adquirir experiência estagiando em alguns escritórios de design, resolveu se dedicar integralmente à sua verdadeira vocação: pintura e ilustração. Em seus trabalhos Pedro retrata aspectos introspectivos e o que mais chama a atenção são as cores criadas através de diversas misturas e experimentações onde suas personagens com olhos que parecem pedras coloridas, cabelos e barbas meticulosamente trabalhados nos remetem a uma doce melancolia.


Rafo Castro é designer e ilustrador, formado em programação visual pela UniverCidade do Rio de Janeiro em 2004. Rafo já trabalhou ao lado de profissionais como Marcelo Sommer, Gringo Cardia e Oestúdio, e atualmente integra a equipe de artes da Osklen e da Om.art. Seu trabalho artístico é reconhecido pelo personagem ‘DIABO’, fixado em cartazes espalhados pelos muros do Rio. Algumas de suas criações fazem parte de publicações nacionais e internacionais. Rafo também oferece oficinas de design e street art, em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo, Santa Maria, Campina Grande, Campos e Vitória.

www.rafocastro.com

Tatiana Castro é bióloga e mestre em microbiologia e imunologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Artista por default, tem no desenho, na pintura, na poesia, na prosa, na fotografia e na música seus pilares, e por meio desses, compreende e expressa a vida. Multi-instrumentista e cantora há muitos anos, em 2012 Tatiana abriu mão de um doutoramento em biologia que vinha realizando há meia década para se dedicar inteiramente à composição musical. Atualmente, por meio de estudos e viagens, Tatiana tem acumulado um conhecimento de sonoridades tradicionais de diversas culturas que se transformam em peças instrumentais solo, orquestrais ou canções tanto para outros artistas quanto para repertório próprio.

www.tatianalimacastro.com

Tuomas Saikkonen é designer gráfico, tatuador e músico em Helsinque, capital da Finlândia. Ele está terminando um mestrado na Universidade de Arte e Design de Aalto, pelo qual fez um ano de intercâmbio na Pontifícia Universidade Católica do Rio, em 2009. Nesse período, apreendeu a falar português fluentemente e absorveu traços da cultura local em seu trabalho. Tuomas trabalha com cultura e, como designer, prefere fazer cartazes, capas de álbuns, ilustrações e identidades visuais de eventos de música e arte. Além da Finlândia e do Brasil, Tuomas também morou por dez anos no sul da França. Essas experiências fazem Tuomas sentir-se um cidadão do mundo, e isso certamente influencia seu trabalho. Em 2011, Tuomas retornou para o Brasil de barco. Saiu de Portugal para o Rio de Janeiro com outros 110 estudantes de Design, Economia e Tecnologia (mais informações sobre a viagem em www.aaltoonwaves.com) para passar três meses trabalhando em um projeto de arte com crianças da Cidade de Deus. Tuomas acredita, sobretudo, na loucura criativa. E pensa que o design vai salvar o mundo porque fazer design é pensar diferente. ‘Vamos todos pensar fora da caixa, compartilhar nossas boas idéias e fazer uma vida melhor para todo mundo!’ (Tuomas Saikkonen)

‘Velha Escola’ não apenas define o uso atual de um estilo antigo – este é o melhor termo para definir o trabalho de Victor RocMed. Artista procedente da tatuagem, Victor é especialista em trabalhos influenciados pelo ‘old school’ – estilo de tatoo difundido pelas marinhas européias e americanas durante as décadas de 1920 e 1930, período em que as tatuagens elétricas se popularizaram pelo ocidente. O ‘old school’ se caracteriza por desenhos simples de traços fortes e cores sólidas, cujos temas geralmente abordam a vida marítima da época. O trabalho de Victor, no entanto, vai mais além. É influenciado pela chamada ‘real velha escola’. Seu estilo combina o ‘old school’ da tatuagem com estilos anteriores, como os padrões ornamentais vitorianos baseados na flora e aplicados na arquitetura e mobília de meados e fins do século 19 no Reino Unido. Além da fusão destes estilos artísticos díspares, o trabalho de Victor também incorpora elementos formais contemporâneos aos vindos da cultura popular de diversos lugares. Essa mistura resulta em um estilo bastante particular, aplicado de maneira estética na tatuagem, e que surge como um ‘novo velho’, já clássico por suas principais características.

Vivian França é designer e ilustradora por profissão, artista por vocação. Em 2009, depois de um marcante período estudando serigrafia e design na School of Visual Arts de Nova Iorque, Vivian descobriu uma grande paixão pelo universo ilustrativo e expandiu seus interesses profissionais e artísticos. Hoje, Vivian cria e produz diversos projetos no Rio de Janeiro e São Paulo, explorando cada vez mais a mistura do design gráfico com as artes plásticas, ilustração e colagem. Ela é dona de um trabalho manual que envolve delicadeza e criatividade. Jovem empreendedora inspirada pelo lúdico universo dos livros infantis, seu trabalho de ilustradora encanta e apaixona crianças de 8 a 80 anos. Vivian mora no Rio de Janeiro, mas quer colorir o mundo inteiro, independente de onde seja.

www.vivianfranca.com

Wesley de Oliveira, Combone, nasceu na Serra dos Aimorés em Minas Gerais e atualmente reside em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. Combone é grafiteiro, ilustrador, compositor digital e designer e vem no trajeto do Graffiti desde 2005, desenvolvendo um trabalho com características orientais mescladas com um toque do seu próprio país. Fruto dessa mistura, seus personagens recebem uma nova cara, roupagem e leitura, que os relacionam tanto à cultura brasileira, sua música e suas festividades, quanto ao universo de sentimentos que escapam de suas composições, feitas de elementos que dão às criações expressões simples e poéticas.

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Afrika Bambaata “Planet Rock” Ilustrado por : Mariana Mansur Rafo Castro

O hip hop é todo um movimento social que inclui música, dança (breakdance), grafitti (street art) e moda. O hip hop foi transgressor ao inovar na maneira da música ser “apresentada” ao público: feito em cima de 2 “turntables” e um microfone, era um estilo feito para o DJ e pelo DJ, assim como a disco music, só que a diferença estava na resposta do público – o DJ sempre se deixava levar pelos desejos do dancefloor. Ele aprimorava suas técnicas e inventava novas maneiras de dar ao público uma euforia crescente. Os DJs de rap / hip-hop perceberam que algumas partes dos discos que eles tocavam agradavam mais que outras, e que também as peripécias que eles faziam ao tocar os discos também causava um frenesi na pista, então eles foram desenvolvendo maneiras de tocar apenas aquelas partes desejadas de cada canção, e assim foi até que o gênero ficasse conhecido por samplear, copiar, cortar, remixar e mixar todo tipo de música em uma colagem que inevitavelmente receberia um ‘rapping’ em cima. Isso sem contar com a influência social do movimento nos subúrbios americanos no final da década de 1970. Kevin Donovan, também conhecido pelo pseudônimo de Afrika Bambaata, é hoje reconhecido como um dos fundadores desse movimento. O hip hop, em especial através de Bambaata, influenciou diversos gêneros musicais, dando início ao electro e Miami bass music, inspirando novos estilos de música eletrônica como o house e o techno, além de ter mudado a forma como os futuros discos de hip hop seriam feitos.

Party people Can y’all get funky? Soul Sonic Force - can y’ll get funky? The Zulu Nation - can y’ll get funky? Just hit me Just taste the funk and hit me Just get on down and hit me Bambaataa’s jus’ gettin’ so funky, now, hit me Just hit me Just start to chase your dreams Up out your seats, make your body sway Socialize, get down, let your soul lead the way Shake it now, go ladies, it’s a livin’ dream Love Life Live Come play the game, our world is free Do what you want but scream We know a place where the nights are hot It is a house of funk Females and males Both headed all for the disco The D.J. plays your favorite blasts Takes you back to the past, music’s magic (poof) Bump bump bump get bump with some flash, people Rock rock to the Planet Rock, don’t stop The Soul Sonic Force - Mr. Biggs, Pow Wow, and M.C. Globe We emphasize the show, we got ego Make this your night, just slip it right, and by day As the people say, live it up, shucks No work or play, our world is free Be what you be - be Rock rock to the Planet Rock, don’t stop You’re in a place where the nights are hot Where nature’s children dance and set a chance On this Mother Earth, which is our rock The time has come, and work for soul, show you really got soul Are you ready hump bump bump, get bump, now let’s go, house Twist and turn, the you let your body slide You got the body rock and pop, bounce and pounce Everybody just rock it, don’t stop it Gotta rock it, don’t stop Keep tickin’ and tockin’, work it all around the clock Everybody keep rockin’ and clockin’ and shockin’ and rockin’, go house Everybody say, rock it, don’t stop it (Crowd repeats) Well hit me, Mr. Biggs (Crowd repeats) Pow Wow (Crowd repeats) G-L-O-B-E (Crowd repeats) The Soul Sonic Force


Livro-Poster Canção