Page 1


2

Editorial Agosto é o mês das nossas campanhas de vendas de insumos para as lavouras de cafés. Este ano, para nossa surpresa, foi um sucesso de vendas, não esperávamos alcançar os valores realizados. Mas, se a feira de negócios COOPERCAM foi um sucesso, não podemos falar o mesmo do recebimento de café. Novamente a falta de chuvas no período de setembro prejudicou a formação dos cafés, acarretando a necessidade de mais grãos para conseguir uma saca de café. Isto traz prejuízos para o produtor e para o Brasil, pois prejudica a “peneira da safra”; sem dúvida ocorrerá a redução dos preços. Mas para a safra 2015/2016 não teremos problemas com peneiras altas, visto que com as chuvas de setembro os grãos deverão voltar à normalidade, ou seja, grãos sadios e peneiras de 17 acima.

Expediente

Tarcísio Rabelo Presidente Coopercam

Senar e Coopercam promovem Encontro de Famílias Rurais na comunidade da Boa vista dos Campos em Campos Gerais

Cerca de 200 pessoas da comunidade Boa Vista dos Campos, zona rural de Campos Gerais, participaram do 1º Encontro de Famílias Rurais promovido pelo Senar Minas em parceria com a Coopercam. O programa tem como objetivo discutir com moradores de comunidades rurais temas como associativismo, empreendedorismo, meio ambiente e saúde. O evento foi realizado no dia 1° de agosto, das 8h às 16h, com a participação de 20 colaboradores da Coopercam na parte organizacional. Uma missa deu início à

programação do encontro e, após a celebração religiosa, houve a abertura do evento com os pronunciamentos do diretor presidente da Coopercam, Tarcísio Rabelo, do diretor administrativo, José Afonso Gomes e do diretor comercial, José Eduardo Vanzela. Além da diretoria da Coopercam, discursaram o mobilizador do Senar, João Paulo Andrade Moscardi, e o presidente da associação, José Donizete Correa. Após a abertura do evento, João Paulo Pichara falou sobre aposentadoria rural. Foram dadas instruções aos

produtores rurais sobre os documentos necessários que devem ser guardados para serem usados na hora de solicitar o pedido da aposentadoria. Geraldo Majela Silva, conselheiro do sistema Ocemg, apresentou uma palestra sobre a importância do cooperativismo, a valorização da cooperativa e a participação ativa do seus associados. Silva lembrou a todos que, quando a cooperativa cresce, o seu cooperado também cresce. Aloísio Fidelis, técnico agrícola do Departamento Técnico da Coopercam, abordou assunto de extrema importância na agricultura: a análise de solo. Após as palestras, foi servido almoço acompanhado de músicas sertanejas. Márcio Daud finalizou o evento com uma excelente palestra motivacional sobre a importância do produtor rural para a sociedade. O encontro também teve recreação para as crianças com diversos brinquedos e pinturas artísticas nas crianças, além de pipoca e algodão doce. “O encontro foi um sucesso. O programa é uma oportunidade de levar mais informação e conhecimento para o homem do campo. Foi um momento também de incentivar, motivar e esclarecer dúvidas frequentes”, explica João Paulo Alves de Castro, engenheiro agrônomo da Coopercam.

Conselho de Administração: Tarcísio Rabelo, José Eduardo Vanzela, José Afonso Gomes, Oswaldo Pimenta Duarte, Benigno Carvalho Machado. Suplentes: José Lúcio Ribeiro, José Maurício de Souza, Valeria Miarelli. Diretoria Executiva: Tarcisio Rabelo, José Eduardo Vanzela, José Afonso Gomes. Conselho Fiscal 2015: Marcos Francisco de Oliveira, José Donizeti Correa e Osmar Francisco de Carvalho (efetivos); e Wanderlei da Silva Honório, Carlos Alberto de Brito e Roberto Raimundo de Abreu (suplentes). Jornalista Responsável e Redação: Eliana Sonja Rotundaro MTb 12982. Colaborador e fotos: Hendrix Brasiliense. Diagramação: Sakey Comunicação. Tiragem: 2 mil exemplares.


3

Agrônomo da Coopercam realiza palestra no CRAS

O Departamento Técnico da Coopercam realizou, em junho, uma palestra para um grupo de cerca de 60 pessoas carentes, entre elas crianças e pessoas idosas, todas atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Campos Gerais. A palestra foi realizada no salão do Clube da Melhor Idade pelo agrônomo João Paulo Alves de Castro, que falou sobre o cultivo de hortaliças em pequenos espaços, como garrafas pet, vasilhas de margarina e baldes sem utilização. O agrônomo mostrou aos participantes que os objetos acima ocupam pequenos espaços dentro de casa e podem ser usados para os plantios de cebolinha, alface, couve entre ou-

tras hortaliças, e ajuda a diminuir o gasto mensal com as compras de alimentos. “As pessoas ficaram bastante atentas com as explicações de como deve ser preparado o solo para o plantio das hortaliças, com o uso de calcário para corrigir a acidez do solo, super simples como fonte de fósforo para as raízes e o adubo orgânico para melhorar a estrutura do solo, fornecimento de nutrientes e retenção de umidade”, comenta Castro. Todos os participantes levaram para casa uma pequena vasilha de margarina com algumas mudas de cebolinha, que foram plantadas por eles mesmo para serem cultivadas em suas residências.

CRAS O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é um sistema governamental responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. A principal ação ofertada pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif), cujos objetivos são a prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários, a promoção de ganhos sociais e materiais das famílias e o acesso a benefícios (programas de transferência de renda e serviços socioassisten-

ciais). As ações são todas implementadas por meio de trabalho de assistência social. Além de ofertar serviços e ações de proteção básica, o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica, com a promoção da organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos. O Centro de Referência de Assistência Social de Campos Gerais fica localizado na Rua Nossa Senhora do Carmo, 505, centro de Campos Gerais.


4

Artigo

Importância da Matéria Orgânica do Solo para obter uma Cafeicultura Sustentável e Lucrativa pOR João Paulo Alves de Castro - Engenheiro Agrônomo

A fertilidade dos solos sempre foi questão de alta relevância na agricultura. A busca pela obtenção da fertilidade natural ou mesmo a garantia de uma boa fertilização do solo tem motivado muitos produtores na busca do conhecimento, através de visitas à exposições, dia de campo, palestras e encontros. Um dos principais indicadores de fertilidade do solo e sua qualidade é a matéria orgânica. Solos com teores satisfatórios de matéria orgânica são mais aptos para o cultivo de plantas, devido às melhores características físicas, químicas e biológicas. A matéria orgânica são todos os resíduos de vegetais (talos, folhas, raízes), estercos de animais e mi-

Nesta figura podemos observar uma porção de solo rica em matéria orgânica (direita) e outra pobre (esquerda). Um solo rico em matéria orgânica apresenta coloração escura.

cróbios, em diferentes estágios de decomposição, até chegar à forma de húmus, que é uma parte bastante estável de materiais decompostos. O solo funciona como

um organismo vivo: em 1 grama de solo saudável vive uma comunidade biológica de aproximadamente 10000 espécies diferentes, como minhocas, larvas, besouros, co-

lêmbolos, ácaros, algas, bactérias e fungos. Estes organismos necessitam de alimentos para viver, principalmente carbono e nitrogênio, que estão presentes na palhada das culturas e no esterco de animais. Em função disso, é importante que o solo tenha um determinado teor de matéria orgânica para fornecer os alimentos e energia que os micróbios precisam para viver. Se o solo tiver bastante vida, a população microbiana (como as bactérias e fungos benéficos) vai ajudar as plantas na absorção e bombeamento ou reciclagem de nutrientes que estão livres no solo, tornando-se assim disponíveis para as plantas como alimentos.

As principais funções da matéria orgânica para o cafeeiro são: • Diminui a fixação e a insolubilização do fósforo, portanto, ao aumentar doses de matéria orgânica no solo, aumenta-se a disponibilidade desse importante nutriente para as plantas, evitando o maior contato de fostato solúvel com óxidos e hidróxidos que o insolubiliza. • A única forma de armazenar o nitrogênio no solo é na forma orgânica, visto que as formas minerais são facilmente lavadas pela água da chuva ou pela volatilização. • A adubação orgânica permite abaixar a densidade do solo, tal efeito acontece devido a densidade da mesma ser menor que a do solo (mineral). Um solo com boa densidade, significa um solo com boa aeração, e permite que as raízes se desenvolvam bem e absorvam água e oxigênio com mais facilidade. • O adensamento e/ou compactação de camadas de solo proporcionam alterações no arranjo das partículas, diminuindo o volume de seus poros, aumentando sua densidade e a resistência mecânica à penetração de raízes, água e nutrientes, afetando também atributos químicos (disponibilidade de nutrientes), biológicos (desenvolvimento de microorganismos) e a rizosfera. • É uma importante fornecedora de enxofre para o solo. Do enxofre total encontrado nos solos, aproximadamente 50 a 70% estão na forma orgânica.


5 • As reações químicas da matéria orgânica produzem elementos capazes de reter nutrientes no solo, tais como potássio, cálcio, amônio, ferro, zinco, cobre, manganês. Dessa forma, ela evita a perda desses nutrientes durante a lavagem do solo pelas águas das chuvas. Outra responsável pela retenção desses nutrientes no solo são as argilas. • O emprego sistemático de adubo orgânico no solo, melhora a sua estruturação, devido aos materiais aglutinantes do húmus, que tem a propriedade de cimentar as partículas do solo (areia, silte, argila) formando agregados estáveis, responsáveis pela sua estruturação. • O húmus presente no solo impede alterações bruscas do pH do solo, beneficiando a vasta fauna benéfica que nele vive. A esse efeito é atribuído o nome de “poder tampão”. • Permite a estabilização de sua temperatura superficial, sendo isso fundamental para o desenvolvimento das raízes e dos micro-organismos; protege o solo da chuva evitando erosões e permitindo uma maior infiltração dessas águas; e ainda, conforme a decomposição do material orgânico, ocorre a liberação de nutrientes minerais. • Permite o desenvolvimento de micorrizas, associação mutualística entre fungos e as raízes dos vegetais, dessa interação resulta numa melhor absorção de nutrientes pelos vegetais.

• Possibilita a fixação de carbono, dessa forma, contribui para a diminuição do chamado “efeito estufa”. • O emprego sistemático de adubos orgânicos também contribuem para uma produção de vegetais mais resistentes, dispensando o uso de produtos fitossanitários, os quais são onerosos e fazem mal para saúde e o ambiente, permite, também, a reutilização de certos resíduos industriais, residências e agrícolas, com elevada quantidade de nutrientes, e que quando mal utilizados provocam danos ambientais. Qualquer tipo de material orgânico pode ser utilizado na propriedade como fonte de enriquecimento de nutrientes no solo, diminuindo o stress hídrico do cafeeiro, principalmente em anos de seca severa como a ocorrida no ano de 2014. Isso pode ser observado na tabela abaixo que ilustra os teores médios de algumas fontes de matéria orgâni-

ca. O esterco de galinha, fonte de matéria orgânica muito utilizada pelos produtores de café, é muito rica em nitrogênio (N) e fósforo (P2O5), apesar de que, uma parte dos nutrientes serem perdidos durante o processo de decomposição realizada pelos micro-organismos do solo que precisam retirar nutrientes do solo como alimento para “quebrar”

o esterco cru, transformando em fonte orgânica disponível para o cafeeiro. Outra fonte que é bastante produzida na propriedade do produtor de café é a palha de café, que conforme mostra a tabela abaixo, é rica em potássio (K2O), elemento essencial para a granação do café. Uma conta simples de se fazer, seria se o produtor colocasse uma média de

10 litros de palha de café por planta, com um peso aproximado de 200 gramas por litro de palha, o mesmo estaria fornecendo por hectare, numa lavoura no espaçamento de 3,5 x 1,0 metro, cerca de 171,4 kg de K2O. Isso daria para manter uma produção aproximadamente de 29 sacas por hectare de café, desconsiderando as perdas do nutriente.

Composição NPK em alguns adubos orgânicos usados na cultura do café


6 A tabela abaixo trata da produção de café sob efeito da associação de adubos orgânicos com adubos

químicos, em cafeeiro, na cidade de Varginha-MG. Podemos observar que o uso de fontes orgânicas

associadas ao adubo químico obteve incremento de produtividade que variou de 1,2 sacas a 10,6

sacas a mais por hectare, comparado com o uso somente de fonte química, na média de 2 safras.

Produção de café sob efeito da associação de adubos orgânicos com adubos químicos, em cafeeiro, Varginha-MG

A próxima tabela ilustra a importância da adubação orgânica na formação e produção do cafeeiro cultivado em solo de cerrado com doses crescentes de esterco de galinha e palha de café associadas à adubação mineral redu-

zida proporcionalmente aos nutrientes NPKS contidos nas fontes orgânicas. Nela podemos observar mais uma vez que o uso de fontes orgânicas, neste caso, esterco de galinha e palha de café são importantes ferramentas

para serem usadas juntamente ao adubo NPK como forma de aumentar a produtividade do cafeeiro. Podemos ver também que as doses em excesso, acima de 5 toneladas de esterco de galinha por hectare, diminuem a pro-

dutividade. A dose que mais agregou aumento na produtividade foi de 5 toneladas de esterco de galinha mais 2,5 toneladas de palha de café e o NPKS reduzido proporcionalmente aos nutrientes contidos nas fontes orgânicas.

Adubação orgânica na formação e produção do cafeeiro cultivado em solo de cerrado com doses crescentes de esterco de galinha e palha de café associadas à adubação mineral reduzida proporcionalmente aos nutrientes NPKS contidos nas fontes orgânicas.

A tabela abaixo mostra os efeitos da substituição parcial da adubação mineral de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre (NPKS), respectivamente, utilizando esterco de galinha e matéria orgânica compostada. Podemos observar o aumento de produtivida-

de do cafeeiro utilizando a matéria orgânica associada ao adubo químico. O esterco de galinha apesar de possuir alta concentração de nitrogênio e fósforo, o mesmo é aplicado na forma in natura, sem ocorrer os processos de decomposição. Por isso,

apesar de ter usado uma tonelada a menos de composto por hectare, o uso do mesmo proporcionou um aumento de 6,8 sacas/ ha comparado ao esterco de galinha, visto que o composto já está estabilizado, não ocorrendo nenhum processo de decom-

posição com perdas de elementos químicos como o nitrogênio. Comparando o uso do composto com a adubação somente química, a diferença foi ainda maior de 13,1 sacas/ha a mais onde usou o composto associado a adubação química.

Substituição parcial da adubação mineral de NPKS utilizando esterco de galinha e matéria orgânica compostada.

Por fim, não podemos esquecer que a manutenção da fertilidade do solo é a primei-

ra condição de qualquer sistema permanente de agricultura. Os sistemas de produção

de colheitas comuns provocam a perda contínua da fertilidade do solo; é, pois im-

perativo, a sua contínua recuperação através da adubação orgânica e manejo do solo.


7

K- Mag é um fertilizante desenvolvido pela Mosaic a partir da mesma tecnologia de ponta que faz da empresa uma marca consagrada internacionalmente há mais de 70 anos, garantindo qualidade na colheita, com aumento no tamanho e peso dos frutos, assim como na porcentagem do suco. Sua fórmula exclusiva apresenta equilibrada concentração de Potássio, Magnésio e Enxofre, baixo teor de Cloro e grande solubilidade, garantindo nutrientes na forma ideal, melhorando a produtividade e a qualidade do pomar. Por isso, na hora de potencializar sua safra, o nome certo é K-Mag.

www.mosaicco.com.br


8

Minas deve produzir 50% do total de sacas de café da safra 2015/16 Minas Gerais deve produzir 50% do total da safra de café 2015/16 do país, projetada em 44,3 milhões de sacas de 60 kg. A expectativa é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Conforme o presidente da Faemg, Roberto Simões, a colheita da safra no estado está terminando e o longo período sem chuva e a temperatura muito acima da média histórica resultaram na ocorrência de grãos miúdos, com perda em quantidade e qualidade. “Ao fim do processo, os produtores ainda amargaram queda nos preços pela saca”, afirmou, em nota, ressaltando também que a crise aumentou os custos de produção da

commodity nesta safra. Para ele, diante desse cenário, surgem alguns desafios que precisam ser driblados: administrar, de forma estratégica, o escoamento da produção, realizar uma gestão otimizada do caixa e ainda planejar e investir na próxima safra. “Em função dessa realidade, torna-se imprescindível definir prioridades e alternativas rentáveis, que não estejam suscetíveis às variações do mercado ou da economia. Temos dados que nos apontam que a melhor aposta é a produção de cafés especiais, que têm colocado em evidência as regiões produtoras de Minas Gerais”, declarou. A produção de cafés especiais no Brasil cresce entre

10% a 15% a cada ano. Atualmente, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês), cerca de 10% do café produzido no país é especial. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), o preço médio de venda das sacas de café commodity, entre janeiro e julho deste ano, foi de US$ 176,58, sendo que os naturais médios alcançaram US$ 156,51 e os especiais atingiram US$ 229,37. Entre os maiores consumidores dos cafés especiais brasileiros estão Japão, Estados Unidos e União Europeia. Já o mercado interno tem ainda muito potencial para crescer: das atuais 20 milhões de sacas

consumidas no país, estimase que apenas 1 milhão de sacas sejam de cafés especiais. O diretor da Faemg, Breno Mesquita, afirmou, também em nota, que, além de apresentarem uma boa rentabilidade, os cafés especiais não estão sujeitos às oscilações da bolsa de valores. “O Brasil sempre se destacou como um grande produtor de café commodity, que é cotado na Bolsa de Nova York e, por isso, sofre com as diferentes variações do mercado. Até mesmo uma alteração climática interfere no seu valor”, afirmou, ressaltando que o Brasil precisa mostrar a qualidade de seu produto. (Fonte: Estadão Conteúdo)

Informativo Coopercam Julho Agosto 2015  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you