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oPiNiÃo Gustavo Caetano ceo da samba tech

Brasil É o 8º mercado de ott no mundo. como isso imPacta seus neGÓcios? Por meio do OTT, as opções de monetização aumentam e o produtor tem mais domínio sobre o conteúdo. Muito tem se falado sobre as barreiras do mercado, mas elas estão cada vez menores, o que atrai novos produtores de conteúdo VOCÊ SABIA QUE o Brasil, hoje, é considerado o 8º mercado de OTT (over- the-top) no mundo? Segundo pesquisa realizada pela consultoria Frost & Sullivan, a demanda OTT, em 2018, deverá aumentar consideravelmente devido ao uso de novas tecnologias. Para se ter uma ideia, em 2013, a receita do mercado de vídeo OTT chegou à marca de US$ 96 milhões, e a projeção para 2018 é que atinja US$ 783 milhões. Esses números comprovam que o mercado de OTT tem aumentado à medida que o de TV por assinatura tem diminuído. Ainda segundo a pesquisa, a TV paga, por exemplo, apresentou uma queda de 100,9 milhões de domicílios para 97,1 milhões, enquanto o vídeo OTT cresceu de 28 milhões para 50,3 milhões. No Brasil, o cenário não é diferente. O número de assinantes de TV Paga tem diminuído a cada dia por inúmeras razões. Uma delas, segundo a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), é a crise financeira, já que muitos dos assinantes pagam um valor alto por vários canais, que, na maioria das vezes, não são assistidos. Todo esse cenário corrobora para a popularização dos serviços de OTT, que nada mais são que entrega de conteúdo audiovisual e também de outras mídias por meio da Internet. Esses serviços oferecem inúmeros benefícios, como a facilidade de acesso, consumo de conteúdo em múltiplas telas, além de um preço mais acessível. Tudo isso sem contar a autonomia que o telespectador tem de assistir somente àquilo que deseja. Observando esse ciclo, os grandes produtores de conteúdo

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abranet.org.br junho / agosto 2017

têm buscado se adequar à realidade, ou seja, investir em serviços via streaming, como é o caso da Globo, que proporciona aos assinantes o GloboPlay e o GlobosatPlay. A Igreja Universal, por exemplo, também passou a investir em conteúdos digitais e lançou o Univer Video, um canal que distribui vídeos cristãos para um público que busca esse tipo de conteúdo. Outro exemplo recente é o da Amazon, que anunciou o lançamento de uma série original no Prime Video, serviço de streaming da empresa. Algo parecido aconteceu com a Fox, que retirou suas séries do Netflix para produzir o próprio serviço de streaming. Antigamente, as pessoas e as empresas que desejavam investir em conteúdo em vídeo, principalmente na Internet, tinham como principal canal de distribuição o Youtube. No entanto, a forma de se ganhar dinheiro nessa plataforma está restrita ao número de visualizações ou à veiculação de anúncios. Por meio do OTT, as opções de monetização aumentam e o produtor tem mais domínio sobre o conteúdo. Muito tem se falado sobre as barreiras do mercado, que, a meu ver, estão cada vez menores, o que atrai novos produtores de conteúdo. O valor da produção caiu e a infraestrutura tecnológica está cada vez mais disponível, o que facilita a entrada nesse mercado, além das plataformas que permitem a monetização desses materiais de forma simples e eficaz. Acredito que adaptar-se à realidade do mercado é fundamental para qualquer negócio que pretende ser inovador. Quando falamos do mercado de vendas e distribuição de conteúdo, por exemplo, o over-the-top é a tendência que deve se firmar pelos próximos anos. E acredito que em breve sejamos o primeiro país da América Latina no segmento de OTT. E aí, vamos observar o crescimento do segmento e começar a apostar as fichas em conteúdo de nicho? É um grande mercado a ser explorado e os resultados podem ser surpreendentes. Pense nisso!

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Revista Abranet . 21  
Revista Abranet . 21  

Convenção Abranet 2017 reuniu provedores de Internet na Bahia para debater não apenas o mercado, mas também a atual situação do Brasil. Leia...