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Ano 1 - Número 6 - Outubro/2013 - Distribuição nacional gratuita

Outubro Rosa mobiliza o mundo Cidadania com reflorestamento As batidas de um coração

Jovem amigo da criança Uma boa ideia pode mudar a vida de muitas crianças


Quando os negócios funcionam melhor, o mundo funciona melhor.

Como construímos um mundo de negócios melhor? O mundo de seus negócios, seus clientes, sua carreira, sua família, sua comunidade? Inspirando confiança nos mercados de capitais. Trabalhando com governos e empresas para promover crescimento sustentável. Encorajando o desenvolvimento das pessoas que são – e serão – os visionários, os realizadores, os vencedores. Estes são os pilares do mundo que queremos ajudar a construir. Começando com o seu. ey.com/betterworkingworld #BetterWorkingWorld facebook | EYBrasil twitter | EY_Brasil

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Expediente

Diretor: Paulo Pedersolli Editor Chefe: Maurício Cardoso - 1314/DF mauricio@revistacontextosocial.com.br Chefe de Reportagem: Jair Cardoso jair@revistacontextosocial.com.br Serviços Editoriais: Luana Gonçalves de Araújo Projeto Gráfico e Diagramação: Cláudia Capella Webdesign: Luiz Augusto Garcia Redes Sociais: Adriano Freire Publicidade: Juliana Orem Revisão: Denise Goulart Agências de Notícias: Brasil, Sebrae, USP, RTS, PORVIR

Carta ao leitor Depois do sucesso do Programa Prefeito Amigo da Criança – que este ano chega à sua quinta edição –, a Fundação Abrinq promove o Prêmio Jovem Amigo da Criança, criado para estimular os jovens a desenvolver iniciativas inovadoras que priorizem os direitos da criança e do adolescente. Nessa primeira edição, dez iniciativas foram selecionadas para a fase final que acontece em novembro. O Prêmio foi idealizado a partir da premissa de que os jovens brasileiros querem fazer a diferença e não apenas participar do que já está pronto e que, muitas vezes, eles sequer se identificam ou se sentem representados. “Os jovens desejam ser os protagonistas de mudanças efetivas. Todo jovem que tem uma boa ideia pode mudar a história de muitas crianças e a Fundação Abrinq quer dar a oportunidade para que essas ideias saiam do papel e virem realidade”. Outra premiação que estréia esse ano é o Prêmio Jovens de Responsa. Lançado pela Ambev para conscientizar a sociedade de que menor de idade não deve consumir bebida alcoólica, o concurso estimula os adolescentes a refletir sobre as consequências do uso indevido de bebidas alcoólicas e a atuar de maneira preventiva para que isso não aconteça.

Contexto Social Editora Ltda. Endereço: SHIN CA 9 Lt. 2 Bl. B Sala 15 Lago Norte/DF - 71503-509 Telefones: (61) 8455-6760 / 8479-0846 / 9115-0273 Matérias e sugestões de pauta: redacao@contextosocial.com.br revistacontextosocial@gmail.com Site: www.revistacontextosocial.com.br Tiragem: 25.000 exemplares Periodicidade: mensal

No Maranhão, a união de empresas e instituições sem fins lucrativos está estimulando o hábito da leitura em pequenos municípios. Juntas, Metso Paper South America, Susano Papel e Celulose, Instituto Ecofuturo e Instituto Ayrton Senna executam projetos educacionais que beneficiam milhares de crianças e jovens no estado. No Distrito Federal, crianças hospitalizadas, por longos ou curtos períodos, nas unidades pediátricas dos hospitais públicos mantêm os estudos em dia com atividades realizadas na classe hospitalar, local que conta com o apoio da Secretaria de Educação e garante acompanhamento pedagógico até que o paciente receba alta. Essas são apenas algumas matérias da sexta edição da revista Contexto Social. Seja bem-vindo e tenha uma boa leitura.

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TERCEIRO SETOR Parceria estimula projetos sociais Belo presente de aniversário Nem com moderação

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GESTÃO Cidadania com reflorestamento Poder Público sustentável

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CIDADANIA Irrigando Saberes Sociais

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Ano 1 - Número 1 - Abril/2013

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-

Ela comanda a política nacional contra a pobreza

A força das mulheres nos programas sociais da Sudeco Rota da Liberdade, turismo com inclusão social

Abril/2013

Ano 1 - Número 2 - Maio/2013 - Distribuição gratuita

POLÍTICAS Projeto pela poesia Outubro Rosa mobiliza o mundo O mundo contra o trabalho infantil Moradia com papel passado

Edições anteriores

Jorge Gerdau: Ÿ Sem educação o Brasil jamais

será verdadeiramente livre

AÇÃO SOCIAL Alimentos orgânicos no Terminal Verde Crianças internadas mantêm estudos em dia

Ÿ A realidade mundial exige a integração empresarial-acadêmica

20 21

ONG fiscaliza ações do governo Cultura de paz nas escolas

Maio/2013

EMPREENDEDORISMO Balsa de pesca para o Velho Chico

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INTERAÇÃO A primeira wikicidade brasileira

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SOBREVIVÊNCIA As batidas de um coração

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TECNOLOGIA Poço de Carbono Juruena

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CULTURA Herança histórica de Rio de Contas

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SUSTENTABILIDADE A arte como ferramenta ambiental

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INTERCÂMBIO Brasil é referência em alimentação escolar

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INOVAÇÃO Transformador “verde”

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MOBILIZAÇÃO Rede BioFORT no Brasil

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JUSTIÇA Vitória da conciliação

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ARTIGO Cinquentenário do Dia do Professor

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Ano 1 - Número 3 - Junho/2013 - Distribuição nacional gratuita

Sumário

CAPA Jovem amigo da criança

Gol de Letra do craque Raí Guardiões do Mar mobiliza cooperativas de reciclagem

Autistas interagem com tecnologia touch

CNA e Sebrae unidos no semiárido

Junho/2013

Julho/2013

Agosto/2013


Capa

Jovem

amigo da criança Uma boa ideia pode mudar a história de muitas crianças Criada em 1990 com o objetivo de mobilizar a sociedade para questões relacionadas aos direitos da infância e da adolescência, a Fundação Abrinq vem cumprindo sua missão disseminando projetos, ações e iniciativas de mobilização. Depois do sucesso do Programa Prefeito Amigo da Criança, que este ano chega à sua quinta edição, a Fundação lançou o Prêmio Jovem Amigo da Criança. Voltado para jovens estudantes de graduação e pós-graduação que possuam entre 16 a 29 anos, a premiação quer estimular os jovens a desenvolver iniciativas inovadoras que priorizem os direitos da criança e do adolescente através de projetos de atividades culturais, melhoria em co-

munidades e organizações, campanhas de conscientização e arrecadação, criação de plataformas, softwares, aplicativos e outras ações. Prêmio foi idealizado a partir da premissa de que os jovens brasileiros querem fazer a diferença e não apenas participar do que já está pronto e que, muitas vezes, eles sequer se identificam ou se sentem representados. “Os jovens desejam ser os protagonistas de mudanças efetivas. Todo jovem que tem uma boa ideia pode mudar a história de muitas crianças e a Fundação Abrinq quer dar a oportunidade para que estas ideias saiam do papel e virem realidade”.

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Capa

Estréia Nesta primeira edição do Prêmio, as dez iniciativas selecionadas para a fase final foram desenvolvidas nas cidades de São Paulo, São José dos Campos (SP) e Queluz (SP) Fortaleza e Nova Olinda (CE), Porto Alegre e Caxias do sul (RS); Anápolis (GO); Manaus (AM) e Itabuna (BA). Os projetos são voltados para a promoção da cidadania, mudança da realidade local, saúde das crianças, patrimônio cultural, cyberbullying, crianças portadoras de HIV, vídeos educativos, diagnóstico precoce de autismo e salas de bate-papo. Os finalistas foram avaliados e selecionados por um comitê de especialistas, baseado nos critérios de inovação e criatividade; replicação em outras realidades; rápida implementação, baixo custo de aplicação, abrangência do público-alvo e impacto mensurável. Os três projetos vencedores serão conhecidos no dia 14 de novembro, em São Paulo,

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durante o evento de apresentação dos resultados, prestação de contas, depoimentos das 10 iniciativas finalista e divulgação dos ganhadores.

Finalistas de São Paulo O projeto de São José dos Campos (SP), “A Nossa Escola de Atenas”, tem como objetivo despertar nos estudantes uma reflexão sobre o seu processo de aprendizado, por meio de uma exploração lúdica e provocativa da história de grandes pensadores da humanidade. As opiniões coletadas serão então reunidas e disponibilizadas para contribuir com a evolução da educação no Brasil. O projeto “Olho Vivo”, de Queluz (SP), visa ampliar o horizonte e despertar a visão crítica, promovendo assim o protagonismo infanto-juvenil, por meio de reuniões com os alunos sobre a realidade local e a construção de uma câmera fotográfica com material reciclável. A meta é

despertar os participantes para a continuidade das ações de registros da realidade e ainda de iniciativas de benfeitoria e melhoria do lugar onde vivem. Na capital paulista, o projeto finalista é uma plataforma para smartphone, tablet e web, desenvolvida para as famílias e os médicos, com o objetivo de realizar o acompanhamento da saúde de crianças de 0 a 5 anos atendidas pelo Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP). A ferramenta permitirá que as famílias acompanhem o quadro da criança através da introdução de dados relevantes de forma rápida e intuitiva. Na prática, o aplicativo funciona como uma versão digital da “Caderneta de Saúde da Criança”, associada a uma plataforma interativa voltada à puericultura e ao acompanhamento de eventuais afecções da infância.

Norte/Nordeste O projeto “A cidade tecendo cultura e arte”, de Nova Olinda, no Ceará, trabalha a educação patrimonial com crianças e adolescentes, proporcionando que eles conheçam os bens culturais, artísticos e educativos da cidade e se reconheçam como cidadãos integrantes. A ideia é estimular a construção de um inventário do patrimônio cultural material e imaterial a partir do olhar da criança e do adolescente. Em Fortaleza, o projeto “Não caia na rede” busca discutir com os adolescentes os riscos associados ao mundo digital e ensiná-los estratégias de prevenção e proteção frente ao cyberbullying por meio de um jogo de tabuleiro. O jogo envolve uma série de perguntas e respostas sobre o tema e será aplicado


Capa

com cerca de 160 adolescentes entre 11 e 15 anos em dois estados. Em Itabuna, na Bahia, o projeto “Videoteca da Criança” convidará escolas e creches para elaborarem vídeos educativos para um acervo público. Ao produzir um vídeo, a instituição receberá os outros vídeos disponíveis na videoteca e seguirá recebendo novas produções à medida que novos participantes aderirem à iniciativa, criando uma rede multiplicadora de materiais sobre os direitos das crianças. Representando a cidade de Manaus, o projeto “Uma boa história é uma história bem contada” tem como objetivo explicar de forma lúdica (história

em quadrinhos) para as crianças portadoras de HIV a importância da adesão ao coquetel de medicamentos antirretrovirais. A meta é aumentar o índice de adesão das crianças diretamente influenciadas pelo projeto em pelo menos 20%.

Sul Na capital gaúcha, o projeto “Polpoo: brinquedo para o diagnóstico precoce de autismo”, foi desenvolvido para auxiliar profissionais da área da saúde a detectarem o autismo em crianças de 1 ano e meio a 3 anos de idade, possibilitando a antecipação do tratamento e a melhoraria no desenvolvimento de capacida-

des comunicativas e cognitivas destas crianças. O projeto, “#tamojunto”, de Caxias do Sul (RS) quer despertar nos estudantes do Ensino Médio de escolas municipais e estaduais uma reflexão sobre sua importância na sociedade, através de bate-papos voltados para cidadania, mobilização e coletividade. A meta é disseminar o projeto pelo Brasil afora. A iniciativa desenvolvida na cidade de Anápolis, em Goiás, também é relacionada à cidadania. O “Jogo da Cidadania”, foi criado para despertar o interesse dos jovens pela promoção da cidadania em suas comunidades, estimulando a habilidades de concentração, percepção e o raciocínio lógico e crítico.

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Políticas

Projeto pela

poesia

Declamar poemas virou atividade escolar na Escola Estadual Professora Dulce Leite da Silva, no Jardim São Luis, zona leste de São Paulo, onde alunos do 1º ao 5º ano estudam a biografia e as obras de escritores nacionais consagrados, aprendem a declamar poemas e se apresentam para a comunidade escolar. A atividade faz parte do projeto de leitura “Poetas Doces Escritores”, que já está na quarta edição, e é um exemplo de como boas ações podem ampliar o acesso dos alunos de escolas públicas à cultura e ao conhecimento. Os ganhos que os alunos tiveram a partir do projeto são surpreendentes. Autonomia, autoconfiança, curiosidade, desejo de aprender e o interesse por grandes nomes da literatura são conquistas que não têm preço. Criado para promover a prática da leitura e escrita por meio de atividades que levem ao aprendizado da história da literatura, títulos, autores e temas de publicações, o “Poetas Doces Escritores” surgiu a partir da paixão da professora Cláudia Rodrigues pelos livros.

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A atividade é um exemplo de como boas ações podem ampliar o acesso dos alunos de escolas públicas à cultura e ao conhecimento 8

Escritora e poetisa, Claudia sonhava em compartilhar essa experiência em sala de aula por acreditar que, independentemente da idade, é possível a qualquer pessoa entender e apreciar poesia e outros gêneros literários. “As crianças podem compreender e gostar de poesia desde cedo”, enfatiza a professora e coordenadora pedagógica. Ela explica que os alunos ficam interessados no autor e se apropriam cada vez mais das histórias, melhorando a leitura, a escrita e o boletim. “As crianças não esquecem os poemas lidos e as notas escolares dos alunos que participam da ação melhoraram consideravelmente”, ressalta. No “Poetas Doces Escritores”, os professores também estudam o tema para que possam ensinar o conteúdo da melhor forma possível à classe. Segundo Claudia Rodrigues, “as leituras são fundamentais para o sucesso de nossos alunos leitores e escritores da nossa língua portuguesa”.


Políticas

Outubro Rosa mobiliza

o mundo

O câncer de mama é a doença que mais mata mulheres em todo o mundo. Para conscientizar a população feminina e a sociedade como um todo sobre o problema, prevenção e tratamento da doença, o Outubro Rosa mobiliza todos os segmentos da sociedade para ressaltar a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Segundo dados oficiais do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, de cada 10 mulheres diagnosticadas com a doença no Brasil, três morrem. Daí a importância dessa mobilização mundial que, durante todo o mês de outubro, promove uma série de ações e atividades voltadas ao diagnóstico do câncer. Em todo o mundo, prédios públicos e os principais pontos turísticos das cidades – locais de grande concentração de pessoas – são iluminados com luz cênica cor-de-rosa para destacar a força do movimento popular, iniciado na década de 90.

Origem O Outubro Rosa começou nos Estados Unidos e hoje é celebrado em várias partes do mundo. Recebeu esse nome em referência à cor do laço rosa distribuído pela Fundação Susan G. Komen for the Cure aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990, que passou a ser promovida anualmente na cidade. O sucesso foi tão grande que, desde então, em todo mês de outubro os moradores das cidades passaram a enfeitar as ruas com os laços rosas, especialmente em locais públicos, para sensibilizar a população sobre o câncer de mama. O laço rosa, assim como a cor, virou simbolo mundial da luta contra a doença. No Brasil, a primeira iniciativa pelo Outubro Rosa, foi a iluminação do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o

Obelisco do Ibirapuera), na cidade de São Paulo, em 2002. O Outubro Rosa dissemina a importância do autoexame para o diagnóstico precoce da doença, incentivando a mulher a apalpar regularmente os seios para identificar se há alguma anormalidade na pele, alterações no formato, abaulamentos ou retrações das mamas.

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Políticas

O mundo

contra o

trabalho infantil

É

possível avançar no combate ao trabalho infantil, mesmo quando o país atravessa uma crise econômica. A afirmação é da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, feita durante sessão plenária que discutiu o desafio global da erradicação sustentável do Trabalho Infantil. A plenária fez parte da programação da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil que reuniu mais de 1,3 mil representantes de 153 pa-

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íses em Brasília, para discutir propostas de erradicação do trabalho infantil e, especialmente, das atividades enquadradas como as piores formas dessa exploração. Tereza Campello ressaltou que crise econômica não é motivo para retroceder nas conquistas alcançadas. “O Estado deve ser ativo. Retroceder nos direitos sociais é um erro, vai levar a mais crise, a mais estagnação, a mais desemprego”, ressaltou. A educação também é, segundo a ministra, tema es-

tratégico para a erradicação do trabalho infantil no mundo. Para ela, garantir a oferta de educação com qualidade é o grande desafio para países pobres e em desenvolvimento. A ministra também destacou que a ação estatal deve ser multidimensional e integrada, aliando políticas de educação e de superação da extrema pobreza. Segundo Tereza Campello, o modelo de crescimento brasileiro está apoiado na inclusão dos cidadãos, com políticas como o aumento do salário


Para a ministra de Comércio Exterior e Cooperação Internacional da Holanda, Liliane Ploumen, o mundo já obteve algum progresso no combate às

piores formas de trabalho infantil, porém em velocidade baixa. Por isso, acredita que o objetivo de eliminá-las não será alcançado até 2016. Para ela, os gargalos não se encontram mais na legislação, e sim na conscientização popular. “As empresas devem tomar atitudes para evitar o trabalho infantil”, acrescentou. Ploumen ainda ressaltou que entrar nessa luta é dever de to-

dos. “Precisamos de um mundo livre do trabalho infantil. Só assim podemos trabalhar juntos para que os sonhos dos nossos países se realizem.” Jeroen Beirnaert, da Confederação Sindical Internacional (ITUC), disse que as escolhas de políticas sociais que combatam o trabalho infantil, como educação e proteção social, são mais importantes do que auxílios econômicos. Ele

reconheceu o papel importante do Brasil, que ataca as raízes das vulnerabilidades das crianças, como a pobreza. “A proteção social pode ter sua efetividade para que crianças possam ir para a escola por meio de programas de transferência de renda”. O representante da Organização Internacional de Empregadores (OIE), Octavio Carvajal Bustamante, disse que os empresários podem colaborar no combate, evitando a contratação de meno-

res de idade em toda a cadeia produtiva. Ele sugeriu uma parceria maior entre os governos, organizações e sociedade civil para aprimorar os marcos legais de combate ao trabalho infantil e estimular a inclusão produtiva. O indiano Kailash Satyarthi, da Marcha Global contra o Trabalho Infantil, observou que o trabalho diminuiu nos últimos 10 anos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.Ele apontou seis desafios emergenciais nos

quais os países devem concentrar esforços: educação; emprego; aplicação das leis; economia; meio ambiente; e ética. “Conclamo que esse documento de Brasília seja a proclamação de guerra contra o trabalho infantil. E essa guerra nunca será vencida se não houver um movimento internacional para isso. Provem que esta será a última geração que convive com o trabalho infantil”, provocou Satyarthi.

Guerra mundial

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Políticas

mínimo, o fortalecimento da agricultura familiar, o acesso a serviços públicos e a transferência de renda para pessoas em vulnerabilidade.


Políticas

Moradia

com papel passado

O Ministério das Cidades retomou o processo de seleção e contratação para o Programa Papel Passado, que apoia a regularização fundiária sustentável de assentamentos urbanos ocupados por população de baixa renda. Segundo o ministro Aguinaldo Ribeiro, já existe recurso de mais de R$ 100 milhões para essa nova etapa do Papel Passado. O programa busca a regularização do registro imobiliário em conjuntos habitacionais, ocupações espontâneas, loteamentos irregulares, sedes, vilas e distritos de municípios que ainda não tenham a situação jurídica regular. Afinal, ter o registro do seu imóvel é o desejo de todos os cidadãos brasileiros.

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Para tanto, o Papel Passado auxilia municípios, estados, defensorias públicas, entidades sem fins lucrativos e o Distrito Federal na implementação de planos de regularização fundiária capazes de garantir a segurança jurídica da posse dos imóveis e a integração à cidade dos moradores de favelas, loteamentos e conjuntos habitacionais irregulares. Por meio de convênio com o Ministério, municípios e estados recebem recursos para promover a regularização fundiária e capacitação técnica para assegurar a legalidade de todas as fases do processo. As áreas que terão a titulação dos imóveis no cartório são definidas pelos próprios gestores estaduais e municipais.

Parcerias A parceria é a principal estratégia do programa para remover os obstáculos da regularização fundiária. As parcerias firmadas com a Associação dos Notários e Registradores (Anoreg) e com o Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB) garantem a gratuidade do primeiro registro e a simplificação dos procedimentos cartorários. O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) também atuam como parceiros do programa, vabilizando a destinação de imóveis ociosos para programas habitacionais de interesse social e regularização fundiária.


Terceiro Setor

Parceria estimula

projetos sociais

A união de empresas e instituições sem fins lucrativos está estimulando o hábito da leitura em pequenos municípios do Maranhão. Juntas, Metso Paper South America, Susano Papel e Celulose, Instituto Ecofuturo e Instituto Ayrton Senna executam projetos educacionais que beneficiam milhares de crianças e jovens no estado. Os recursos financeiros são disponibilizados pelas empresas e gerenciados pelos institutos. Somente a Metso anunciou que investirá R$ 10 milhões em diversas parcerias. As ações em conjunto com o Instituto Ecofuturo incluem a criação de cinco Bibliotecas Comunitárias “Ler é Preciso” nas cidades de Governador Edson Lobão, São João Lisboa, Montes Altos, Cidelândia e Imperatriz. A meta é atender 30 mil usuários por ano. A parceria também prevê a criação de um portal de educação para a sustentabilidade e a implantação de uma Reserva Ecofuturo da fazenda Itabaiana

No ano passado, projetos beneficiaram mais de 40 mil crianças e jovens

– uma área com remanescente de floresta amazônica de aproximadamente 1,7 mil hectares no município de Açailândia, em área considerada Floresta de Alto Valor de Conservação.

Ayrton Senna A empresa também apoia quatro programas educacionais do Instituto Ayrton Senna no Maranhão: o Gestão Nota 10 oferece capacitação e ferramentas gerenciais para diretores de escolas; o Circuito Campeão introduz ferramentas de gestão da aprendizagem como

soluções concretas para estancar a má qualidade de ensino. Os programas Se Liga e o Acelera Brasil corrigem o fluxo escolar dos estudantes, combatendo a distorção idade/série e contribuindo para a redução da evasão escolar. No ano passado, estes programas beneficiaram mais de 40 mil crianças e jovens dos municípios de Estreito, Imperatriz, Porto Franco e São Pedro da Água Branca. Em 2013, a parceria está beneficiando estudantes das redes públicas de ensino de Governador Edson Lobão, São João Lisboa e Montes Altos.

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Terceiro Setor

Belo presente de

aniversário

O Instituto Nissan aproveitou as comemorações dos 212 anos de fundação da cidade de Resende, no Rio de Janeiro, para anunciar um presente de aniversário que será aberto em 2014: a construção de um Centro Educacional da Primeira Infância, destinado a crianças entre 3 meses e 6 anos de idade. A nova escola será construída numa área de 2.000 m² na região do Parque das Águas e beneficiará 170 crianças. A obra será iniciada em novembro e concluída no primeiro semestre do ano que vem, quando será doada à prefeitura municipal. Além da construção da escola, o Instituto se comprometeu a ceder os equipamentos e a financiar a manutenção da nova unidade educacional. Segundo a diretora de Assuntos Governamentais, Márcia Ribei-

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ro, o cuidado com a comunidade é uma marca registrada da empresa. “E dentro desse pilar, a educação é tratada com extrema relevância e a escola se insere completamente nesse objetivo”.

Futuro O prefeito José Rechuan elogiou a postura da Nissan, que mesmo antes de iniciar suas atividades no município contribui diretamente para o beneficio da população. “Se quisermos mudar a história da nossa cidade não há outra ação que não seja pela educação”. Criada em junho desse ano, o instituto reúne ações de responsabilidade social tendo como pilares a promoção da mobilidade, sustentabilidade e a educação como forma de contribuição para o desenvolvimento da sociedade. Nesta

primeira etapa, o instituto atuará no Rio de Janeiro, Resende, São Paulo, Jundiaí e São José dos Pinhais (PR). Segundo o presidente executivo do Instituto, Sidnei Álvares, a educação é o melhor caminho para promover o desenvolvimento e fortalecer a cidadania. “Queremos colaborar para oferecer à sociedade um novo modelo de educação capaz de possibilitar diferentes oportunidades e delinear um novo futuro para os jovens”.

Escola atenderá 170 crianças de 3 meses a 6 anos de idade


Terceiro Setor

Nem com

moderação Jovens de Responsa. Esse é nome do novo prêmio lançado pela Ambev para conscientizar a sociedade de que menor de idade não deve consumir bebida alcoólica. O concurso estimula os adolescentes a refletir sobre as consequências do uso indevido de bebidas alcoólicas e a atuar de maneira preventiva para que isso não aconteça. A ação vai premiar aqueles que criarem as melhores peças audiovisuais com o tema “O que pega bem para evitar o consumo de bebida alcoólica antes dos 18 anos?”. Ou seja, as produções devem apresentar formas de tratar o assunto de jovem para jovem, com uma linguagem própria desse universo. A iniciativa é uma extensão do projeto Jovens de Responsa que, desde 2010, em parceria com 21 organizações não governamentais, promove ações para prevenir o consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade. Com apoio e acompanhamento da Ambev, as ONGs desenvolvem atividades culturais, esportivas e lúdicas para estimular atitudes conscientes nos jovens das comunidades onde atuam.

Prêmio “A criação do prêmio é um desdobramento do trabalho bem sucedido que temos realizado com o projeto Jovens de Responsa. É um passo a mais que estamos dando. Agora, além do trabalho direto com as ONGs, queremos mobilizar os jovens de todo

o Brasil”, afirma Ricardo Rolim, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e comunicação da Ambev. O concurso é aberto a jovens (de 13 a 17 anos) de todo o Brasil e abrange quatro categorias: fotografia, música, vídeo e ilustração. As inscrições vão até o dia 29 de outubro e devem ser feitas por meio de um aplicativo hospedado na fanpage naresponsa (www. facebook.com/naresponsa). Além do Jovens de Responsa, a Ambev mantém os programas Supermercado de Responsa, que visa evitar que menores de idade consigam comprar bebidas alcoólicas em supermercados, e o Bar de Responsa, que já treinou cerca de 100 mil profissionais que trabalham em bares, restaurantes e eventos para que eles se tornem multiplicadores do consumo responsável.

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Gest達o

Cidadania com

reflorestamento

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Gestão

Que tal ter sua própria floresta para gerar renda e

preservar o meio ambiente? A proposta é ousada, mas vem sendo executada com sucesso pelo programa Florestas Plantadas destinado a pequenos agricultores do Acre e que tem a seringueira como carro-chefe. A ideia de plantar uma floresta para cada produtor começou a ser implantada em 2010, quando o governo do estado convenceu pequenos produtores rurais, principalmente seringueiros, a utilizar parte de suas terras para se dedicar ao reflorestamento de áreas degradadas que, após alguns anos, possam gerar renda. A partir do momento que o produtor rural se compromete a cuidar de uma floresta plantada sua única obrigação é zelar por ela. As mudas e a assistência técnica são fornecidas gratuitamente pela Secretaria Estadual de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof). Em apenas dois anos de atividade, o Florestas Plantadas já agregou 936 famílias e distribuiu mais de 1 milhão de mudas de seringueira e de árvores frutíferas de alto valor econômico para a região, como graviola, acerola, banana e maracujá.

Viveiros As primeiras mudas clonadas de seringueira – que crescem mais rápido e são mais resistentes – foram adquiridas em 2007 de produtores de São José do Rio Preto (SP). Hoje, oito viveiros produzem mais de 1,7 milhão de mudas, que em breve atenderão novos produtores. O processo de aprimoramento genético das mudas (o enxerto) leva de oito a dez meses para poder ser entregue aos produtores. Só o viveiro Amazônia Viva, o maior do Acre, localizado em Senador Guiomard, produz hoje 800 mil mudas em 10 hectares exclusivos para reprodução de seringueiras Entre Brasileia e Assis Brasil fica outro grande viveiro, onde Sérgio Laélio produz 350 mil mudas, em 11 tipos de clones (variações). “A seringueira clonada é mais forte, resistente a doenças e possível de cortar mais cedo que a seringueira nativa”, explica. O produtor Isaias Flores tem sua floresta plantada na Comunidade Iracema, em Assis Brasil. Seus

três hectares dedicados a seringueiras, em consórcio com árvores frutíferas, estão dando resultados e ele já consegue retirar R$ 800 por mês da área. As seringueiras de Isaias ainda levarão um tempo para produzir. São sete anos de crescimento para o primeiro corte, mas quando estiver com a produtividade em alta, sua pequena floresta poderá gerar uma renda mensal de pelo menos R$ 2,3 mil.

Meio ambiente Com o Florestas Plantadas, o seringueiro não terá mais que acordar de madrugada e cruzar a floresta nativa durante o dia inteiro para cortar as seringas da região. Ele pode cortar seringa no quintal da sua casa, gerando renda, qualidade de vida e preservação ambiental, já que a seringueira realiza um importante trabalho ecológico. Ela é uma das plantas que mais sequestra o carbono da atmosfera por meio da fotossíntese no processo de constituição de seu tronco, galhos e folhas, contribuindo significativamente com a neutralização dos gases de efeito estufa. Ela também nutre o solo, recuperando áreas degradadas pelo pasto ou outras práticas agrícolas, inclusive em terrenos com até 35% de declividade. “As pessoas não tem visto o quão bom é essa política de produção e extração sem danificar a natureza”, reforça o viveirista Sérgio Laélio, “Muita gente diz: ‘mas eu vou ter que esperar uns oito anos pra cortar seringa, mas esquece que quando começar não vai parar”.

A proposta vem sendo executada com sucesso pelo Programa Florestas Plantadas destinado a pequenos agricultores do Acre 17


Gestão

Poder Público

sustentável

O programa Atibaia Município Sustentável foi oficialmente iniciado com a primeira reunião dos Agentes Municipais de Sustentabilidade promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da cidade paulista. Agora, os agentes vão mobilizar e conscientizar os servidores públicos sobre a importância das práticas sustentáveis. Idealizada pelo secretário Lívio Giosa, o programa prevê uma série de iniciativas voltadas para o uso consciente da água e da energia elétrica, redução do consumo de papel, combate ao desperdício e economia de material, entre outras ações. A mobilização dos servidores públicos é apenas o

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primeiro passo do programa. Posteriormente, ele será estendido às entidades do terceiro setor, empresas e sociedade em geral. Segundo o secretário, a ideia é atingir o maior número de pessoas, de forma que haja uma maior conscientização sobre as questões de sustentabilidade. “Primeiramente, desenvolveremos medidas envolvendo o Poder Público, que é responsável pelas políticas públicas sociais que tratam, coletivamente, de ações de transformação voltadas para a educação, saúde, habitação, transporte, entre outros”, ressalta o secretário. Além da questão ambiental, a economia gerada pelo projeto permitirá que a prefeitu-

ra amplie seus investimentos no município. “Atualmente, a prefeitura conta com cerca de 200 departamentos distribuídos em vários espaços públicos. Mensalmente, o consumo de energia elétrica de todos esses espaços está em torno de R$ 415 mil. Se conseguirmos, por meio dessas medidas, reduzir o consumo em pelo menos 10%, teremos economizado cerca de R$ 41,5 mil por mês, que poderão ser investidos em diversos setores”, exemplificou o secretário. A prefeitura distribuirá cartilhas e materiais informativos para reforçar e consolidar a implantação dessa nova cultura no Poder Público.


Cidadania

Irrigando

Saberes Sociais

Capacitar moradores e lideranças comunitárias na busca do desenvolvimento das comunidades. Esse é objetivo do Projeto ‘Irrigar Saberes Sociais – Por uma Cidadania Participativa’, uma iniciativa do Centro de Assessoria ao Movimento Popular (Campo) em parceria com o MetrôRio e o Instituto Invepar. Focado na gestão e no empreendedorismo social, o projeto quer estimular a participação das comunidades na gestão de políticas, programas e projetos sociais junto às organizações governamentais, empresariais e da sociedade civil. Com duração de 10 meses, o projeto é composto por oito oficinas, de oito horas cada, com a proposta de qualificar cerca de 100 pessoas de comunidades de 15 bairros da Zona Norte da cidade, atendidos pela Linha 2 do MetrôRio.

Voz ativa A gestão social começou a ganhar espaço a partir dos anos de 1990, quando governos e empresas reconheceram a importância de ouvirem as

comunidades na elaboração de suas políticas públicas e seus projetos de responsabilidade social. Mas para que essa interação surta efeito, moradores e lideranças precisam de conhecimento para reconhecer as diferentes características das esferas e organizações do estado, do mercado e da sociedade civil. O conhecimento é pré-requisito para consolidar as conquistas da cidadania e enfrentar os novos desafios da participação da sociedade civil. Nas oficinas, os alunos aprenderão a fundamentar e desenvolver práticas de trabalho no campo social; a entender e disseminar o empreendedorismo social e a captar recursos – seja do setor público ou privado – para aplicação no desenvolvimento comunitário. Todas as oficinas serão gratuitas, incluindo material didático, e realizadas na Sala de Treinamento do Mezanino da Estação Estácio do MetrôRio. A ideia é que após o curso os participantes atuem como multiplicadores de conhecimento e mobilizadores de ações e projetos voltados para suas comunidades.

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Ação social

Alimentos orgânicos no

Terminal Verde O Consórcio que administra o Terminal Rodoviário Interestadual do Distrito Federal implantou um projeto que preserva a natureza, estimula a alimentação saudável e investe na qualidade de vida. Implantado há seis meses, o Terminal Verde transformou parte do jardim do entorno do empreendimento em uma horta orgânica cultivada pelos próprios funcionários, que se revezam nos cuidados da horta. Além de promover a integração do quadro funcional, o programa ensina técnicas de cultivo de verduras, frutas e temperos e incentiva o consumo de produtos livres de agrotóxicos. As primeiras colheitas de alface, couve, rúcula, cebolinha, coentro, tomate, pimenta, limão, maracujá, entre outros alimentos, já aconteceram. A compra das mudas e sementes é custeada pelo Consórcio. O trabalho é executado durante o expediente, sob o olhar atento do jardineiro Adailton Nunes da Silva, que compartilha seu conhecimento da terra com os colegas de trabalho.

Produção orgânica O Terminal Verde não utiliza adubos químicos e agrotóxicos. A horta é totalmente tratada com adubo orgânico produzido no jardim do entorno do Terminal. “Todas as folhas e caules recolhidos após a poda dos jardins são depositados em um canteiro

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com dois metros de profundidade, onde descansam por no mínimo 60 dias, até se transformarem em uma compostagem adequada para ser utilizada como adubo nos canteiros da horta”, explica o jardineiro Adailton. As verduras, frutas e temperos cultivados no terminal são utilizados no preparo das refeições dos próprios funcionários, que começam a levar os ensinamentos do Programa para casa. “Alguns participantes do Viver Verde já estão cultivando temperos e verduras em casa, e incentivando pais e vizinhos a fazerem o mesmo”, ressalta a gerente do Terminal Interestadual, Vera Suhett.

Além de promover a integração do quadro funcional, o programa ensina técnicas de cultivo e incentiva o consumo de produtos sem agrotóxicos


Ação social

Crianças internadas mantêm estudos em dia

No

Distrito Federal, crianças hospitalizadas, por longos ou curtos períodos, nas unidades pediátricas dos hospitais públicos mantêm os estudos em dia com atividades realizadas na classe hospitalar, local que conta com o apoio da Secretaria de Educação e garante acompanhamento pedagógico até que o paciente receba alta. “Quando o paciente é admitido na classe hospitalar, entramos em contato com seu professor. Nesse momento são repassadas todas as informações sobre o nível de aprendizado do aluno para, assim, propormos as atividades que serão trabalhadas durante o período de internação”, explica a professora Érika Maria-

na Gomides, responsável pela classe hospitalar do Hospital do Gama. De acordo com a docente, quando não é possível estabelecer o contato com a escola – quando o paciente reside fora de Brasília –, a criança é avaliada para que sejam trabalhados os conteúdos necessários, de forma diversificada, para que todos se sintam acolhidos.

Relação familiar O pediatra Marcus César Petindá Fonseca explica que para crianças e adolescentes, o ambiente hospitalar é estressante porque está relacionado a dor, frustrações e sofrimentos. “Além

dos conteúdos escolares, o serviço oferece momentos de lazer e descontração onde o paciente encontra forças para reagir à doença”, ressalta. Érika Gomides acrescenta que o trabalho também auxilia no estreitamento das relações familiares. “Muitas das atividades que são realizadas na classe hospitalar estimulam a participação dos pais. Isso proporciona um vínculo mais afetivo, uma vez que eles estão perto da criança nas tarefas.” Além do acompanhamento pedagógico são realizadas atividades, como pinturas, trabalhos com colagem e dobraduras, desenhos livres, desenhos temáticos, jogos, literatura, música, mostra de filmes, entre outras.

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Empreendedorismo

Balsa de pesca para o

Velho Chico

O mês de outubro começou bem para os pescadores que integram o projeto de Inclusão Produtiva no município de Santana do São Francisco, em Sergipe. Eles receberam mais um importante equipamento de piscicultura que irá favorecer o manejo e a despesca de peixes cultivados na região: uma balsa coberta flutuante. Executado pela Secretaria Estadual da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o projeto já distribuiu balança plataforma, balança eletrônica, máquina seladora, máquina de fabricação de gelo, comedouro e ração. Os equipamentos e insumos são necessários para a criação de peixes (Tilápia) em tanques-redes. Além de Santana do São Francisco, o projeto integra os mu-

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nicípios de Pirambu, Telha, Ilha das Flores, Neópolis e Graccho Cardoso, beneficiando cerca de 200 pequenos produtores familiares da piscicultura. O projeto já resultou na comercialização de 27,5 toneladas de tilápia, sendo 6,5 toneladas do empreendimento de Santana de São Francisco.

Boas notícias Além do novo equipamento, o Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou a compra de uma tonelada de peixes cultivados nos municípios de Telha, Santana do São Francisco e Ilha das Flores e a distribuição de kits de divulgação para a comercialização do pescado nas feiras livres. Segundo o superintendente do Ministério, José Heriberto Pinheiro Vieira, a compra dos peixes cultivados nesses municípios é uma

forma de investir nas regiões onde há potencial para a pesca e, acima de tudo, fortalecer a piscicultura familiar, dando condições para que essa classe trabalhadora sobreviva da pesca de forma digna. O projeto de piscicultura busca promover a geração de renda para famílias ribeirinhas do Rio São Francisco com mecanismos capazes de favorecer as potencialidades já existentes no Estado e incrementar economicamente os perímetros urbanos e rurais.

O projeto busca promover a geração de renda para famílias ribeirinhas


Interação

A primeira

wikicidade

brasileira

Imagine uma cidade transposta para um plano digital interativo. Um espaço onde seria possível conhecer a história do local, saber que fatores formam sua realidade atual e discutir que medidas devem ser tomadas para um futuro melhor. Parece ficção, mas isso existe e atende pelo nome de Portoalegre.cc, a plataforma que transformou a capital gaúcha em uma wikicidade. O “cc” do nome vem do termo Creative Commons, um tipo de licença de propriedade intelectual, criado para compartilhar conteúdos culturais com todos. Assim, todo este projeto pode ser utilizado por qualquer um para também fazer um wikispot de um lugar na sua cidade. Wikicidade é um termo que costuma ser definido como um “espaço virtual que encoraja a participação e a colaboração dos cidadãos” e um “ambiente de troca de ideias, sugestões e reivindicações”. Criada como um projeto da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Usininos) em parceria com a Prefeitura, a plataforma utiliza esse conceito

para representar e mostrar como funcionam os 82 bairros da cidade.

Navegar é preciso No site, é possível navegar pelo mapa, marcar e apontar situações que fazem bem ou mal à cidade, como uma esquina com publicidade exagerada, zonas de alagamento, falta de segurança, um local onde se pode jogar futebol, rotas que apresentam melhor iluminação, entre outros. Esses conteúdos ficam disponíveis na página e podem ser publicados em redes sociais. Além disso, o blog do projeto publica textos sobre os fatores mais importantes do relacionamento na cidade online. O objetivo da wikicidade é reunir compartilhamento de dados e informações sobre serviços públicos e história local em um espaço de cocriação. Assim, os usuários/cidadãos podem participar efetivamente e viver a cidade de forma mais ampla, mesmo que de maneira virtual.

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Sobrevivência

As batidas de

um coração Taxa mundial de mortalidade infantil caiu 47%

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mortalidade infantil no Brasil caiu 77% entre 1990 e 2012, de acordo com o Relatório de Progresso 2013 sobre o ‘Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada’, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No mesmo período, a taxa mundial de mortalidade infantil caiu 47%. Em números absolutos, a redução significa que morrem 17 mil crianças a menos por dia. Segundo o estudo, em 1990, a taxa de mortalidade infantil no Brasil era 62 para cada mil nascidos vivos. Em 2012, o número caiu para 14, o que coloca o país em 120º lugar no ranking entre mais de 190 países. A lista é decrescente e quanto mais à frente, maior o índice de mortalidade. O Brasil teve melhora em todos os índices apurados. No ranking do Unicef, o país está atrás de outros desenvolvidos como Finlândia, Japão, Cingapura, Noruega e Islândia – primeira colocada no ranking. Os cinco países com os piores índices de mortalidade infantil estão no continente africano: Serra Leoa, Angola, Chade, Somália e Congo. Na avaliação da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

(SDH/RS), a pesquisa mostra os acertos das políticas públicas voltadas à infância no Brasil, mas também demonstra o tamanho do desafio que o país tem para melhorar ainda mais esses índices. “A redução da mortalidade infantil no Brasil, em níveis superiores aos avanços internacionais, representa mais vida para as nossas crianças. Esses dados mostram um país que está realizando políticas de combate à miséria e garantia sociais, sobretudo às crianças. Mas o desafio é imenso e vamos seguir trabalhando para resultados ainda melhores”, afirmou Rosário.

Milhões de vidas A taxa de mortalidade infantil calcula a probabilidade de morte entre o nascimento e os 5 anos de idade a cada mil nascimentos. Ela compõe a expectativa de vida ao nascer, que faz parte do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e é um dos indicativos mais usados para mensurar o desenvolvimento dos países e nortear a elaboração de políticas púbicas. De acordo com o Unicef, a redução da taxa de mortali-

dade se deve ao maior acesso a tratamentos de saúde e tratamentos mais eficazes, combinado ao comprometimento político dos países. O destaque para a queda do índice mundial é a aceleração da redução das taxas de mortalidade infantil entre 1990 e 1995 – especialmente na África, que teve queda de, pelo menos, metade de suas taxas desde a década de 1990. Em 1990, a taxa de mortalidade infantil mundial era 90 para cada mil nascidos vivos e atualmente caiu para 48. Há duas décadas, as estimativas eram que mais de 12,6 milhões de crianças abaixo dos 5 anos morriam por ano. Hoje, essa média caiu para 6,6 milhões. Ainda assim, o fundo alerta para a possibilidade do não cumprimento das metas do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, referente à redução da mortalidade infantil. “Sem progressos mais rápidos na redução de doenças que podem ser prevenidas, o mundo não vai cumprir a meta até 2028 – 13 anos depois do prazo, e 35 milhões de crianças terão morrido entre 2015 e 2028 – crianças que poderiam ter vivido caso conseguíssemos cumprir essa meta”, informou o relatório.

Fonte: Ministério da Saúde

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Sobrevivência

A


Tecnologia

Poço de Carbono

Juruena

O projeto Poço de Carbono Juruena, desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Aderjur) com patrocínio da Petrobras, foi reconhecido como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil. Uma tecnologia social é aquela que visa solucionar um problema social de forma simples, de baixo custo, que seja de fácil replicação e que tenha impacto social comprovado. O projeto Poço de Carbono começou a ser implantado em janeiro de 2010 e atualmente envolve mais de 260 famílias de Juruena, no Noroeste de Mato Grosso. A adesão dos agricultores ao projeto é espontânea e vem aumentando com os resultados obtidos pelos participantes. Sua meta é plantar 1,5 milhão de espécies frutíferas e florestais nativas da Amazônia. Além das mudas, os agricultores recebem orientação técnica, capacitações, insumos e participam de intercâmbios em outras experiências consolidadas na região.

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Castanha do Brasil O projeto também incentiva a Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam) e a Associação de Mulheres Cantinho da Amazônia (AMCA), que trabalham com a castanha do Brasil e seus derivados. Para garantir a sustentabilidade, os técnicos do projeto ajudam a viabilizar projetos com instituições como a Conab, através dos quais 40 mil pessoas passaram a receber derivados de castanha do Brasil, como farinha, biscoitos, macarrão, azeite e doce da amêndoa. Tudo isso para garantir a conservação da floresta, através da valorização de produtos florestais não madeireiros e do uso múltiplo dessas áreas. A certificação é um reconhecimento às melhores iniciativas do Brasil e faz parte do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social acontece a cada dois anos. Desde 2001, a Fundação já identificou mais de 500 tecnologias sociais que estão cadastradas em sua base de dados online e disponíveis para consulta.


Cultura

Herança histórica

de Rio de Contas

Tombada como monumento nacional desde 1980, a cidade de Rio de Contas, localizada no centro-sul baiano, na região da Chapada Diamantina, agrega sua visibilidade histórica às novas tecnologias digitais. Seu website interativo (www.acervoriodecontas. ufba.br) está “bombando” e mobilizando novos colaboradores a cada dia. Criada pela Provisão do Reino de Portugal em 1745, a cidade é uma das mais antigas da Bahia e ainda preserva traçado urbanístico original, com praças e ruas amplas, igrejas barrocas, monumentos públicos e religiosos em pedra e casario em adobe. “O objetivo é não só divulgar a herança e o patrimônio histórico-arquitetônico, mas interagir com municípios, pesquisadores, gestores públicos e interessados”, ressalta o idealizador e coorde-

nador do projeto, Fabiano Mikalauskas. Atualmente, o acervo conta com 569 imagens, 42 panoramas interativos da cidade e 75 desenhos técnicos das fachadas das edificações do Centro Histórico. E a tendência é que o acervo cresça ainda mais: “Contamos com uma rede de colaboradores que vem crescendo e atualmente estamos com cerca de 290 usuários cadastrados”, comemora Fabiano, que também é mestre em arquitetura e professor universitário. No ar desde 2011, o site é fruto de dois anos de pesquisa de conservação e restauro realizada no programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia. A página virtual reúne fotografias antigas e contemporâneas, croquis cortados de fachadas e monumentos, de-

poimentos de personagens locais e modelos em 3D de imóveis tombados e das paisagens do município. Ao se cadastrar no site, o usuário pode contribuir com documentos, dados e informações sobre a história da cidade. A iniciativa foi vencedora do programa de editais da Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

Rio de Contas é uma das mais antigas cidades e ainda preserva traçado urbanístico original 27


Sustentabilidade

A arte como

ferramenta ambiental

O movimento não se resume a seus integrantes. Na prática, todas as pessoas que se manifestam artisticamente por meio de temas socioambientais fazem parte, mesmo sem saber, desse movimento que acontece em todo o Brasil.

Cidades sustentáveis

C

riado durante o III Fórum Social Mundial, em 2003, o movimento artístico-cultural EcoArte alia arte e criatividade para promover a destinação correta do lixo, incentivar o consumo consciente e melhorar a qualidade de vida nas cidades. O movimento agrega dezenas de artistas de teatro, música, dança, artes plásticas e arquitetura, em diversas atividades de sensibilização e educação ambiental.

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Integrante da Rede Mobilizadores e pioneira do EcoArte, a atriz Karina Signori ressalta a importância da arte na formação de cidadãos conscientes e responsáveis: “historicamente, a arte é um instrumento sensibilizador e de transformação social”. Ela explica que o EcoArte utiliza diferentes manifestações artísticas para ecoar uma cultura ecológica e fortalecer a cidadania.

Por meio de intervenções cênicas, palestras teatralizadas e vivências, o EcoArte promove reflexão e incentiva práticas simples que podem melhorar a realidade, como o aproveitamento da água da chuva, produção de alimentos em quintais agroflorestais e a destinação adequada dos resíduos. Também divulga e estimula práticas como compostagem e minhocário para os resíduos orgânicos, que correspondem a cerca de 50% do “lixo” das grandes cidades; a transformação do óleo de cozinha em sabão e a correta destinação dos resíduos eletrônicos. “O movimento incentiva cada um a se colocar no lugar do outro para, juntos, construirmos uma sociedade mais solidária e cooperativa”, enfatiza a atriz, que cobra maior apoio às iniciativas voltadas para a construção de cidades mais sustentáveis. “Como o projeto aborda temas de interesse público, esperávamos ter mais apoio dos órgãos públicos e de outras entidades que trabalham com essas temáticas”, lamenta. Para Karina Signori, a formação de parcerias é fundamental para que a arte ajude ainda mais a vencer esses desafios.


Intercâmbio

Brasil

é referência em alimentação escolar O programa brasileiro de Alimentação Escolar poderá servir de modelo para outros países do continente. Ele foi apresentado no evento sobre Iniciativas Comunitárias para Saúde Cardiovascular nas Américas (Buena Salud América), realizado em Bogotá, na Colômbia. Segundo o coordenadorgeral de Cooperativismo e Organização Econômica da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), Manuel Bonduki, além de favorecer o desenvolvimento econômico e social dos territórios, a iniciativa estimula a construção de hábitos alimentares saudáveis, “que são a melhor forma de prevenir doenças crônicas não transmissíveis em todas as faixas etárias”. Bonduki ressaltou a abrangência nacional do programa, que diariamente fornece alimentação para 48 milhões de estudantes em mais de cinco mil municípios brasileiros, com gestão participativa e descentralizada.

ções, priorizando assentamentos de reforma agrária, comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas. No ano passado, foram adquiridos cerca de R$ 200 milhões em produtos da agricultura familiar que foram direto para a alimentação de alunos e alunas das escolas públicas do País. “Se a boa alimentação é um pilar fundamental para a boa saúde, devemos usar políticas públicas para incentivar os agricultores a produzir de maneira saudável, descentralizada e socialmente justa”, enfatizou Manuel Bonduki. O encontro internacional foi promovido pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), Ministério da Saúde da Colômbia

e apoio da Fundação de Saúde das Américas (Healthy Foundation Américas) com o objetivo de compartilhar práticas de sucesso em todas as Américas.

O programa estimula a construção de hábitos alimentares saudáveis

Produção social O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é calcado na Lei 11.947/2009 que determina a utilização de no mínimo 30% dos recursos repassados pelo FNDE para a aquisição de alimentos produzidos por agricultores e empreendedores familiares rurais ou de suas organiza-

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Inovação

Transformador “verde” Na subestação Cidade Industrial, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, já é possível observar os benefícios da utilização do transformador “verde”, que utiliza óleo vegetal para isolar e refrigerar o equipamento, em substituição ao óleo mineral. Além de potencializar a performance do transformador, o óleo vegetal é não-tóxico e 99% biodegradável. A nova tecnologia é resultado de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da Cemig em parceria com a ABB, líder global em tecnologias de potência e de automação. O resultado do projeto, inédito mundialmente, foi preencher um transformador com 100% de óleo vegetal combinado com Nomex, material isolante de última geração, que proporciona um ganho de até 40% na potência de transformadores.

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O óleo vegetal é um derivado de produtos agrícolas, sintetizado a partir de uma base orgânica. Já o óleo mineral é derivado do petróleo, cujo processo de refino produz elevado índice de emissão de CO2, principal causador do efeito estufa.

200 anos De acordo com o engenheiro e gerente do projeto, Júlio Henrique Guimarães, a temperatura é a principal responsável por acelerar a degradação da isolação e reduzir a vida útil do transformador. Ele explica que a combinação de Nomex com óleo vegetal permite que o equipamento suporte uma elevação maior de temperatura sem perda de vida útil. “Com essa combinação, o equipamento pode durar até 200 anos, o que equivale a cinco ve-

zes a vida útil de um transformador convencional”, estima. Julio Henrique ressalta, ainda, que o óleo vegetal é fonte renovável de energia, biodegradável, reciclável e de fácil descarte, podendo ser considerado uma revolução em fluidos isolantes para transformadores, pois apresenta características como alta estabilidade térmica e ponto de combustão muito acima dos óleos minerais. Além disso, proporciona mais segurança na operação e reduz riscos de incêndio em subestações.

Utiliza-se óleo vegetal para isolar e refrigerar o equipamento


Mobilização

Rede BioFORT no Brasil

A Rede de biofortificação de alimentos (BioFORT), coordenada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos, está ganhando corpo no Brasil e no exterior. A Rede existe desde 2003 e envolve cerca de 150 pesquisadores de várias unidades da Embrapa, universidades e institutos de pesquisa estaduais e federais. Utilizando técnicas de melhoramento genético convencional, ou seja, o cruzamento de plantas da mesma espécie, os pesquisadores conseguem obter cultivares com maiores teores de zinco, ferro e pró-vitamina A, que combatem a deficiência de micronutrientes no organismo. No Brasil, os estados que apresentam maior carência nutricional são o Maranhão e Sergipe. Por isso, eles foram os primeiros a receber os projetos de alimentos da Rede BioFORT. As ações já se expandiram para o Piauí, Minas Gerais e Rio de Janeiro e agora avançam para o Espírito Santo. A Rede BioFORT também está presente em cerca de 40 países da América Latina, do Caribe, da África e Ásia “A Rede é uma grande aliança mundial”, explica o vice-coordenador da BioFORT, José Luiz Viana de Carvalho. Ele estima que pelo menos 30% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência nutricional provocada, principalmente, pelo baixo teor de ferro e zinco na alimentação.

Alimentos biofortificados combatem deficiência de micronutrientes A escolha de cultivares com maiores teores de ferro, zinco e pró-vitamina A se deu porque, segundo Carvalho, “essas são as maiores carências mundiais em relação à fome oculta”. Outra seria a carência de iodo, “mas essa já está sendo bem atendida pelo programa do sal, que deu muito certo no mundo”, lembrou o pesquisador. No Brasil, os principais objetivos da Rede é aumentar o valor nutricional da merenda escolar e fortalecer a agricultura familiar.

Fome oculta A deficiência de micronutrientes, conhecida como “fome oculta”, afeta uma em cada três pessoas no mundo. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revelam que somente a deficiência de vitamina A atinge 30% da população infantil global. No Brasil, esse número é 13%. Fonte: Embrapa.

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Justiça

Vitória da

conciliação

O cenário não lembrava, nem

de longe, um ambiente típico de moradia familiar. Nas dependências abandonadas da antiga Fundação Navantino Alves, em Belo Horizonte, a força do tempo arraigou dezenas de pessoas, entre elas bebês, crianças e idosos. Dividindo espaço entre paredes rachadas, fiação exposta, sujeira e escuridão, moradores protagonizaram, durante anos, um triste panorama de injustiça social mantido, em parte,

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pela omissão do Estado e pela morosidade do Judiciário. Após 17 anos de embates judiciais, uma ação incomum de iniciativa da juíza federal substituta Dayse Starling, em exercício da titularidade da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais (SJMG), colocou um ponto final na ocupação indevida da antiga fundação. Graças à conciliação, todos os envolvidos no longo e desgas-

tante processo puderam comemorar um desfecho emblemático. A saída forçada e truculenta – comum nesse tipo de situação – deu lugar a uma desocupação voluntária das famílias, que, pelo acordo, receberam condições de iniciar uma nova vida, com mais dignidade.

Origem Com dificuldades financeiras e quase 100 funcionários para


Justiça

manter, a fundação entrou em processo de falência. Após tentativa frustrada de recuperação, com aporte de recursos públicos, o Ministério Público Estadual ingressou com a ação judicial. Enquanto o processo engatinhava na Justiça Estadual, em 1996, os primeiros moradores, uma família de ex-funcionários da fundação, passaram a ocupar um dos prédios, provisoriamente, como forma de compensação pelos salários atrasados. Era o início de um problema que, mais tarde, seria amplificado e se tornaria um dos grandes

complicadores de todo o processo judicial. Tão logo chegou à 7ª Vara Federal, em março de 2011, a juíza Dayse Starling tomou conhecimento do processo e de sua complexidade. Motivada com a ideia da conciliação, a magistrada determinou, como primeiro passo, uma inspeção judicial para conhecer, de perto, a real situação dos moradores e cadastrar as famílias residentes nos edifícios. Conhecendo a realidade, a juíza federal abriu diálogo com os moradores, conquistou a confiança deles e debruçou-se sobre o processo para encontrar um meio de garantir a desocupação sem deixar as famílias ao relento.

Solução pacífica Ainda em 2011 surgia o primeiro indicativo de que isso seria possível. Em agosto daquele ano, durante uma audiência de conciliação, o Grupo Santa Casa manifestou interesse em in-

corporar o passivo e o ativo da fundação. Em setembro de 2012, a Defensoria Pública da União apresentou proposta de acordo para a desocupação, acompanhada de um estudo social das famílias. Em abril de 2013, nova audiência de conciliação batia o martelo sobre o fim pacífico da Fundação Navantino. O Grupo Santa Casa se comprometeu a liquidar o passivo trabalhista e todas as dívidas tributárias e ainda reservou R$ 585 mil para ajuda de custo aos moradores dos prédios. Para garantir uma desocupação humanizada, as famílias em situação mais vulnerável foram separadas e tiveram a oportunidade de inclusão em programas habitacionais. Parte delas conseguiu financiar a casa própria pelo programa Minha Casa Minha Vida. Outras passaram a receber um aluguel social de R$ 500,00 por seis meses. Além disso, foi montada uma ampla rede de serviços para atender às necessidades específicas de cada família. Na avaliação da juíza, o desfecho do processo é um exemplo de como a conciliação pode resolver problemas aparentemente insolúveis. O sucesso alcançado na desocupação da Fundação Navantino sinaliza que, em outros casos de igual complexidade, a pacificação e o diálogo também poderão se sobrepor ao conflito.

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Artigo

Cinquentenário do

Dia do professor evidencia significado da profissão

O transcurso do cinquentenário da

instituição oficial do Dia do Professor no Brasil, em 15 de outubro, deve ser comemorado de modo muito especial por alunos, seus pais e toda a sociedade. Afinal, a missão de ensinar viabiliza que as crianças e os jovens apropriem-se do patrimônio do conhecimento, o bem mais relevante para que possam exercitar a cidadania de modo pleno, desenvolverem boas carreiras profissionais e terem vida de melhor qualidade. Como se sabe, a celebração do Dia do Professor oficializou-se pelo Decreto Federal nº 52.682, assinado pelo presidente da República, que, à época, era João Goulart. A matéria foi publicada no Diário Oficial da União em 15 de outubro de 1963 e instituiu feriado escolar nacional, com o propósito, definido em seu artigo terceiro, de “promover solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”. O 15 de outubro foi eleito pelo governo para a comemoração oficial

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devido ao fato de nesse dia, no ano de 1827, o imperador D. Pedro I ter editado o decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil. A iniciativa foi muito importante, pois determinou a criação das chamadas escolas das “primeiras letras” em todas as vilas e cidades do Brasil. Estabeleceu-se, dessa maneira, o princípio do ensino básico gratuito como um direito universal de todos os brasileiros. Tal direito surgiu ancorado na devida importância que se deve dar aos professores, cujo significado e carreiras são tratados com ênfase no Decreto Imperial de D. Pedro I. Chama bastante a atenção nesse documento histórico a sua atualidade quanto aos parâmetros do aprendizado, ao definir com clareza a missão crucial do ensino: “Desenvolver a capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo”. Desde então, os professores brasileiros dedicam-se bravamente ao

cumprimento dessa missão transformadora da vida de seus alunos. Foi com justiça, portanto, que o presidente Jango, atendendo a uma grande corrente nacional, oficializou o Dia do Professor, há 50 anos, reiterando o significado da profissão para os brasileiros e o País. No tocante ao aprendizado, conforme o conceito inscrito no Decreto Imperial há 186 anos, muito se evoluiu na ciência da didática e da pedagogia. Na construção do aprendizado, os professores têm nos livros grandes aliados. As obras didáticas apresentam o conteúdo curricular de maneira cada vez mais clara, de fácil compreensão e de modo atrativo para os alunos. As paradidáticas, literatura e temas gerais inserem os estudantes no universo cultural do Brasil e do mundo, ampliam seus conhecimentos gerais, despertam e aprimoram sua capacidade de escrever e compreender e os situam, como cidadãos, em seu tempo e sociedade. Mais recentemente, o e-book agregou ainda mais valor a esse processo, ampliando as possibilidades de pesquisa, interatividade e agilidade na busca de informações e dados. É mais um avanço à disposição dos docentes e seus alunos. Contudo, no transcurso do cinquentenário da instituição oficial do Dia do Professor no Brasil, é importante refletirmos sobre a formação dos docentes, que precisa ser cada vez mais de excelência, de modo que possam cumprir sua importante missão na formação das futuras gerações. Afinal, os mestres são o grande e decisivo elemento para que o Brasil possa atender com eficácia ao dever constitucional de prover ensino de qualidade a todos os seus filhos!

Autor: Nelson Azevedo, administrador de empresas, é o diretor da unidade de negócios do Sistema de Ensino da Editora FTD.


Ajudando a construir um país melhor

Disseminar políticas, iniciativas e ações sociais capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da população brasileira. Essa é a nossa missão. Promover o desenvolvimento humano é um grande desafio da sociedade atual.

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Contexto Social 6ª edição