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NEGÓCIOS & TIC – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO ANO IX - NÚMERO 29 - 2015

TELECOM

Operadoras embarcam na era disruptiva com cloud computing

VIVIANE SOARES, DIRETORA DE PRODUTOS E PRÉ-VENDAS PARA O MERCADO CORPORATIVO DA TELEFONICA VIVO

TI & VAREJO

Omnichannel, market place e IoT são os principais temas nas agendas dos CIOs

As máquinas podem superar a inteligência humana?


A quarta edição do TI & Varejo reuniu um time renomado de especialistas e líderes das principais redes varejistas do País.

Pudemos colher ótimas visões de diferentes varejistas sobre o tema IoT, fato que ajudará na forma de como vamos encarar os desafios desta tecnologia Ageu Pedro Junior, Senior IT Manager da Via Varejo

É muito prazeroso participar deste evento! A cada ano, o TI & Varejo aborda tendências e assuntos relevantes que agregam valor aos participantes Joaquim Garcia, CIO Global da International Meal Company


O conteúdo foi extremamente relevante. Esse tipo de iniciativa enriquece nosso trabalho e promove networking de ótima qualidade André Leal, coordenador Comercial da Cnova

O Congresso TI & Varejo abriu debates para questões como crise, redução de custos, gestão e investimentos, que será muito importante na tomada de decisões futuras Nuno Portugal, gerente de Serviços Logísticos do Dia Group

Em 2016, você tem um encontro marcado com esse grupo! Mais informações: www.tievarejo.com.br contato@conteudoeditorial.com.br – 11-5049-0202


VISÃO www.decisionreport.com.br S E T E M B R O / O U T U B R O 2 01 5

DIREÇÃO E EDIÇÃO GERAL Graça Sermoud gsermoud@conteudoeditorial.com.br EDITORES ASSISTENTES Léia Machado lmachado@conteudoeditorial.com.br Alexandre Finelli afinelli@conteudoeditorial.com.br DESIGN / PRODUÇÃO Rafael Lisboa rlisboa@conteudoeditorial.com.br FOTOGRAFIA Izilda França

Crise combina com inovação? NUNCA A PALAVRA INOVAÇÃO esteve tão em alta nas organizações e presente na cabeça dos gestores. Em tempos de crise, a ordem é se reinventar e o cenário acaba sendo propício ao surgimento de ideias inovadoras e que tragam, ao mesmo

tempo, economia de custos e aumento de receita. A Tecnolo-

gia da Informação costuma ser uma aliada nesses momentos, pelo menos é o que reza a nova cartilha da “TI como serviço”. Por outro lado, já há algum tempo, as áreas de tecnologia

IMAGENS Freepik.com

estão em processo de transformação na busca por novos mo-

DIREÇÃO DE MARKETING Sergio Sermoud ssermoud@conteudoeditorial.com.br EXECUTIVO DE CONTAS Marcelo Augusto maugusto@conteudoeditorial.com.br EVENTOS Amanda Noritake anoritake@conteudoeditorial.com.br Paulo Amaral pamaral@conteudoeditorial.com.br Mayara Lourenço mlourenco@conteudoeditorial.com.br GERENTE ADM. FINANCEIRO Ricardo Dias rdias@conteudoeditorial.com.br

delos de operação para atender a demandas como mobilidade,

internet das coisas e outras tecnologias denominadas disruptivas. Pronto, essa pode

ser a combinação perfeita que permitirá às empresas adotarem novas soluções de TI que suportem modelos de negócios mais inovadores.

Neste momento, não dá para deixar de falar em cloud computing. Uma pesquisa

recente divulgada pela consultoria IDC corrobora essa visão ao medir a expectativa das

empresas em relação à computação em nuvem. Segundo o estudo, que envolveu 3.400 or-

ganizações em 17 países, a maioria das entrevistadas espera que a adoção de cloud computing gere um aumento de receita, maior eficiência e impulsione a inovação e adoção de tecnologias disruptivas.

Sendo assim, a expectativa é que os serviços globais em nuvem sejam responsáveis

por movimentar 118 bilhões de dólares até o final deste ano. No caso do Brasil, a estimativa é que a receita com negócios em cloud alcance 650 milhões de dólares em 2015, mas pule para 1,2 bilhão de dólar no final de 2017.

Apesar dos números impressionarem, existem alguns desafios na adoção de cloud

A revista Decision Report é uma publicação da Conteúdo Editorial, uma empresa de produtos e serviços editoriais na área de Tecnologia da Informação e Comunicação. A área de Produtos é responsável pela publicação da Decision Report e da Risk Report em versões impressa e on-line e as newsletters Decision Report Daily e Risk Report Weekly. Essa área também responde pela TV Decision e pelos eventos Decision Report Meeting e Decison Report Analysis. Na área de Serviços, a empresa oferece conteúdos sob demanda como revistas customizadas, websites, webTV, newsletters, e-learning, manuais, relatórios e pesquisas. Mais sobre a Conteúdo Editorial em www.conteudoeditorial.com.br

FALE CONOSCO: (11) 5049.0202

computing. Muitas empresas sabem o que esperar da computação em nuvem, mas não

possuem uma estratégia clara de adoção. A pesquisa identifica cinco estágios de matu-

ridade: provisório (ad hoc); oportunista; repetível; gerenciado e otimizado. As empresas que evoluem de estágios iniciais como ad hoc para modelos gerenciados e otimizados, alcançam resultados mais significativos.

E, nesse caso, os números também impressionam. Companhias que trilharam esse

caminho tiveram 10% de aumento na receita; os custos de TI registraram queda de 77%; a prestação de serviços e aplicações em geral alcançaram uma diminuição de tempo da ordem de 99% e os departamentos de Tecnologia da Informação aumentaram em 72% a capacidade de atender ao nível de serviço.

Tantos percentuais e tamanha expectativa se refletem no aumento do número de

ofertas em cloud por parte de provedores de serviços e fornecedores de solução em geral. Quase todos players de TI já migraram seu modelo de negócios para a nuvem, ofere-

cendo soluções tanto on premisse quanto via serviço. Ofertas como SaaS e IaaS são hoje portas de entrada para a computação em nuvem.

Enfim, o terreno está preparado do lado do lado de lá, só falta o lado usuário identi-

ficar qual o melhor caminho, calibrar o nível de expectativa e decidir como e por onde CONTEUDO EDITORIAL

CONTEÚDO EDITORIAL

começar. Talvez o tempo seja aqui e agora, no momento em que a crise abre espaço para

a reflexão e busca de modelos inovadores de produção, oferta e consumo de bens e serviCONTEUDO EDITORIAL

Av. Ibirapuera, 2.907 - Cj. 1.118 Moema - 04029-200 - São Paulo SP Tel/Fax: 11-5049-0202 www.conteudoeditorial.com.br

ços com mais eficiência e redução de custos.

CONTEUDO EDITORIAL

Graça Sermoud


VERTICAIS

E N T R E V I S TA

> PANORAMA

> B RADESCO

06 TI BIMODAL

07 TIC SAÚDE

24 Watson transforma

atendimento do banco

08 MERCADO DE SMARTHONE E PCs

10 ESPECIAL SAP

SUCCESS CONNECT 2015 12 ESPECIAL CONGRESSO E EXPOSIÇÃO TI & VAREJO 2015

MARCELO CAMARA, GERENTE DO DEPARTAMENTO DE PESQUISA E INOVAÇÃO DO BRADESCO

> IBM

26 Empresa inclui

computação cognitiva

na estratégia comercial

TENDÊNCIAS

> CLOUD COMPUTING

18 TECNOLOGIA IMPULSIONA

DISRUPÇÃO DIGITAL

FABIO SCOPETA, LÍDER DE IBM WATSON PARA BRASIL E AMÉRICA LATINA

DECISION REPORT 5


PA N O R A M A

INTERNACIONAL

SUCCESS CONNECT 2015

Três gerações e um ambiente digital EM BREVE, AS ORGANIZAÇÕES e as áreas de RH, em particular, estarão diante de um desafio nunca visto antes. Três perfis de profissionais, as chamadas gerações X, Y e Z, estarão convivendo em um único ambiente corporativo e, ao mesmo tempo, digital Garantir que essas gerações convivam em harmonia e ainda sejam produtivas será um dilema das equipes de gestão. Sem falar na necessidade de criar políticas de incentivo, treinamento e retenção de talentos, entre outras. Ao olhar para esse amanhã, o alerta é que as empresas comecem hoje a se preparar, até porque esse futuro não está distante. Como sempre, a TI pode dar uma mãozinha com soluções de gestão de pessoas voltadas para esse cenário. A SAP é uma das empresas que aposta nessa crescente demanda. No final de 2011, a empresa alemã fechou a aquisição da SuccessFactors, líder em Human Capital Management, por 3,4 bilhões. Hoje, a solução virou uma unidade de negócios dentro da gigante alemã e está integrada à plataforma de RH da própria SAP. Durante o Congresso SuccessFactors, em Las Vegas, a SAP mostrou os avanços do produto, dentro e fora da companhia, destacando a oferta em Cloud como uma das maiores vantagens do produto. A solução apresenta um conjunto de recursos para gestão de talentos, além de uma plataforma de Workforce planning e análise de indicadores de capital humano. Em entrevista à Decision Report, Emílio Mariño, VP de Human Capital Management Cloud para América Latina, fala sobre a evolução do SuccessFactors na região, destaca que a solução está direcionada a todo tipo de empresa e que a oferta tem como diferencial a simplicidade de aquisição e implementação, toda ela disponível em cloud.

GRAÇA SERMOUD: Qual o perfil e tamanho de empresa a quem o Sr. recomendaria a adoção de SuccessFactors? EMILIO MARIÑO: Todas as empresas que têm capital humano necessitam de uma solução como essa. A ideia é oferecer uma alternativa simples para resolver problemas complexos. A simplicidade está na oferta dos módulos em cloud, voltados para atender desde questões de recrutamento e seleção até programas de retenção de talentos. GS: Como ficam os clientes que já possuem o módulo de RH da SAP? Eles terão que migrar para o SuccessFactors? EM: Não necessariamente, as soluções se complementam. Hoje

6 DECISION REPORT

nós temos, por exemplo, folha de pagamento rodando no modelo tradicional e em SucessFactors, mas sem dúvida a vocação da nova solução é o gerenciamento de talentos. Eu diria que esses são os principais drivers de adoção, identificação, treinamento, valorização e retenção de profissionais. Com essa solução, as empresas podem inclusive aumentar a produtividade de seus talentos e alinhá-los a metas de crescimento. GS: E quem não tem SAP hoje na área de RH? Qual o desafio para adotar o produto? EM: SuccessFactors é uma solução agnóstica, pode ou não funcionar em ambiente SAP. Claro que no ambiente SAP existe uma integração nativa, mas nossa estratégia é ser 100% cloud. Nossa base tem a opção de continuar com a solução tradicional ou mudar. A nuvem traz flexibilidade e mobilidade, além de acenar custos atraentes e benefícios. GS: Da mesma forma que cloud, HANA virou uma palavra-chave no dicionário da SAP. Como fica o SuccessFactors em relação à essa arquitetura? EM: Sim, nossa estratégia está fortemente baseada em cloud. Ao mesmo tempo HANA é hoje a plataforma que habilita tudo. Com SuccessFactors não seria diferente. Mas é importante frisar que hoje temos os dois modelos, on premisse e cloud para várias soluções e muitas aplicações se integram em um modelo híbrido. A decisão é do cliente. GS: A solução está baseada em módulos, quais deles você destacaria como mais estratégicos? EM: A abordagem de SuccessFactors é estratégica, mas a solução possui todos os módulos do modelo tradicional só que com nova abordagem. Por exemplo, temos módulos de treinamento, mas com a visão de performance a partir de uma avaliação do perfil e das necessidades do empregado. Temos recrutamento e seleção, com a criação de perfis de usuários internos que podem ser aproveitados em outras funções. GS: Quais desses recursos na sua opinião seriam mais sensíveis às empresas? EM: As questões de RH estão hoje alinhadas à globalizado. A retenção de talentos é um dos maiores desafios em todo mundo. Muitas empresas já perceberam que as funções operacionais e os modelos apenas transacionais não são suficientes quando se


PA N O R A M A

trata de enfrentar desafios como produtividade, desenvolvimento e competência global. Em qualquer módulo, o que atrai na solução é a visão estratégica presente em todas as etapas. GS: Mas no caso do Brasil e de países da América Latina, seria possível identificar alguns drivers? EM: Destacaria as mesmas demandas de outras regiões, como retenção de talentos, mas acrescentaria a visibilidade. Nos modelos tradicionais de RH é muito difícil ter uma ampla visão dos recursos humanos e da performance da força de trabalho. Mover esse time e medir produtividade, desde os níveis mais gerenciais até os mais operacionais, com o objetivo de realocar recursos de um negócio a outro, está entre os grandes desafios. Eu pontuaria ainda um drive importante que é o Workforce Analytics presente no SuccessFactors. Esse módulo traz inteligência ao modelo de gestão de pessoas, promovendo análises fundamentais para tomada de decisões cada vez mais difíceis quanto se trata de pessoas. GS: Até agora falamos em recursos e vantagens para as empresas, mas o que os empregados ganham diretamente com o uso da solução. Os módulos são direcionados também aos funcionários?

INTERNACIONAL

SUCCESS CONNECT 2015

EM: Ótima pergunta, aí está uma grande mudança da solução. O empregado interage com a sistema todo o tempo, pode fazer o seu próprio plano de carreira e imputar suas avaliações ao mesmo tempo que a área gerencial. Isso facilita muito a seleção de recursos internos. GS: E qual o papel da área gerencial nesse processo? EM: O gerente pode avaliar as análises dos empregados e privilegiar essa mão de obra. O processo de seleção fica mais integrado e automatizado. Isso ajuda a tirar do gestor toda a responsabilidade pela ascensão ou não de um funcionário. Todos ganham nesse modelo. GS: Ouvindo parece simples, mas a implementação de uma solução como essa demanda uma mudança cultural, não? O processo de implementação é muito demorado? Requer muitos recursos de parceiros, como no ERP? EM: A implementação de um ERP demanda um outro nível de integração, totalmente diferente de um sistema de Human Capital. Ao mesmo tempo, estamos falando de uma solução em cloud. Complexidade não combina com cloud, não teria sucesso. É uma solução standard para todos, por princípio. GS: Sendo assim, a solução estaria disponível para empresas de pequeno e médio portes? EM: Temos clientes de cem empregados e duzentos mil empregados. O que muda são os módulos a serem implementados. Talvez recrutamento seja o mais sensível para uma determinada empresa. Não existem impeditivos para começar por esse ou aquele módulo. Funcionalmente somos muito diversificados, todas as empresas que têm recursos humanos precisam de uma solução de SucessFactors. GS: A solução é relativamente nova no mundo SAP e, além disso, enfrenta a concorrência. Como estão evoluindo os negócios na região América Latina? EM: Estamos crescendo de forma acelerada em todos os principais mercados da região, principalmente em nossa base instalada, mas temos avançado bastante também em novas contas.

E M Í L I O M A R I Ñ O , V P D E H U M A N C A P I TA L

GS: Especificamente no Brasil, mesmo diante de uma crise econômica e política, o Sr. vê as mesmas oportunidades? EM: Principalmente em crise, os processos de recrutamento, seleção e eventuais remanejamentos de mão obra exigem maior cautela. Além do mais sabemos que todas as crises passam e as empresas precisam sobreviver e continuar crescendo. z

M A N A G E M E N T C L O U D PA R A A M É R I C A L AT I N A D A S A P

DECISION REPORT 7


PA N O R A M A

NACIONAL

O CIO está preparado para a TI bimodal? SEGUNDO O GARTNER, OS GESTORES DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DEVEM SE ATENTAR PARA AS TRANSIÇÕES TECNOLÓGICAS E LISTA TRÊS PASSOS PARA ESSA TRAJETÓRIA

DE ACORDO COM RECENTE levantamento realizado pelo Gartner, o 2015 CIO Survey, muitas organizações já estão adiantadas na transição da era da industrialização do setor de TI para a era da economia digital, mas algumas práticas antigas ainda permanecem. Na visão do Gartner, uma abordagem ágil da TI bimodal exige que o setor abandone ações tradicionais e evolua os ambientes para um trabalho mais digital. Com o objetivo de auxiliar os CIOs nessa transição tecnológica, o Gartner listou três passos importantes. Impact 2020, nexo das forças e engajamento dos funcionários são as recomendações para o sucesso da IT Transformation. PLANEJAMENTO DE TI. A pesquisa aponta que 84% do planejamento dos CIOs ainda está fundamentado em uma margem de ação de dois anos. O aumento desse prazo contribui de forma mais estratégica para o sucesso da empresa no longo prazo. “Dada a expectativa de vida de muitos investimentos em tecnologia, isso também ajudará os líderes de TI a tomar melhores decisões de investimento”, afirma Matt Cain, Vice-Presidente e Analista Distinto do Gartner. “Aumentar o prazo permite que a organização ganhe vantagem competitiva, capitalizando a tecnologia emergente de forma mais cautelosa, assim como o capital humano e as tendências de consumo”, completa. O instituto recomenda um processo de planejamento chamado de Impact 2020. Com ele, é preciso identificar os resultados desejados para 2020 e então determinar habilidades, atitudes e expectativas da organização e dos funcionários. As empresas podem usar essas definições para localizar com precisão as tecnologias e serviços necessários a fim de alcançar bons resultados. Trabalhando com Tecnologia da Informação, Recursos Humanos, representações e instalações de negócios, o Impact 2020 permitirá às empresas uma síntese das tendências nessas áreas. TECNOLOGIAS PÓS-NEXO. Mobilidade, mídias sociais, computação em nuvem, big data, internet das coisas, máquinas pensantes, desenvolvimento humano, impressão 3D e robótica formam o nexo das forças, que, segundo o Gartner, não é uma realidade

8 DECISION REPORT

distante. A maioria dos CIOs entrevistados já começaram a investigar, ou até mesmo a implantar, algumas dessas tendências. A adoção será amplamente difundida e o que diferenciará as organizações será o modo de implementação. “Essa área deverá ser tratada com sensibilidade, para que o funcionário veja a tecnologia como uma vantagem que ajudará em seu desenvolvimento e, como resultado, o tornará mais importante para a empresa”, diz Matt Cain. ENGAJAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS. Os custos e os níveis de serviços com TI são os dois indicadores mais usados para verificar o desempenho do CIO. Ambos são remanescentes da era da industrialização do setor de TI. Neste caso, o Gartner aponta que os gestores devem demonstrar mais claramente a contribuição do grupo de TI nos resultados da empresa, promovendo novos indicadores com base em seu valor não financeiro e em sua contribuição para inovação. Esses indicadores auxiliarão a empresa a concentrar-se no engajamento dos funcionários, o que pode ser definido como o quanto os colaboradores estão dispostos a ajudar a atingir os objetivos da organização e a participar ativamente da comunidade. Trabalhando com o departamento de RH, a equipe de TI pode contribuir para o encorajamento dessa ação por meio da promoção de um ambiente de trabalho mais próximo ao do cliente, permitindo maiores níveis de colaboração, reconhecimento, bem-estar e transparência. “Expanda o foco do grupo de TI para além da tecnologia, da automação e da manutenção. Em um período de mudanças no ambiente corporativo, o engajamento dos funcionários se torna uma prioridade para garantir que a força de trabalho adote novos modelos de negócios”, completa o instituto. z

A NO T E! 3 84% do planejamento dos CIOs ainda estão fundamentado em uma margem de ação de dois anos.


E S P E C I A L T I & VA R E J O 2 0 1 5

Do backoffice ao ponto de venda A QUARTA EDIÇÃO DO CONGRESSO E EXPOSIÇÃO TI & VAREJO DESTE ANO LEVANTOU TEMAS DE EXTREMA IMPORTÂNCIA NAS AGENDAS DOS C’LEVELS DAS MAIORES REDES VAREJISTAS DO PAÍS. ASSUNTOS COMO O AVANÇO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO, INTEGRAÇÃO ENTRE LOJA FÍSICA E VIRTUAL, EFICIÊNCIA OPERACIONAL, OMNICHANNEL, REDES SOCIAIS E MARKET PLACE ESTÃO EM PAUTA! POR LÉIA MACHADO

O Varejo brasileiro é um dos setores que mais contribuem para a economia do País e não poderia ficar de fora da discussão sobre Tecnologia da Informação aplicada ao negócio. Até porque, as empresas varejistas enxergam na TI um diferencial competitivo de receita e interação com o cliente. Basta olharmos para o Ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo onde Carrefour é a companhia que mais faturou em 2014 e o Grupo Pão de Açúcar é a maior organização de Varejo. As 250 maiores redes varejistas faturaram R$ 454 bilhões no ano passado. cional de bens e consumo (exceto auto-

móveis e combustíveis) que é de R$ 1,23

O

250 maiores redes vare-

jistas do Brasil chegou a R$ 454 bilhões em 2014. A

informação é do Ranking

SBVC, realizado pela Sociedade Brasilei-

ra de Varejo e Consumo com o apoio da

vimento da economia do País”, aponta Eduardo Terra, presidente da SBVC.

Dentre as 250, 100 operam no canal

e-commerce. As três redes com maior faturamento por funcionário, ou seja, com

a melhor produtividade, são empresas

de e-commerce. A Privalia, em primeiro lugar, seguida por CNova e Wine. “Isso mostra que quando o Varejo vai para

o comércio eletrônico ele tem um dife-

rencial na produtividade”, diz Eduardo Terra. “Estamos presenciando um forte

movimento das redes varejistas irem

para o mundo digital, mas ainda é um processo. Acredito que no ranking do pró-

ximo ano veremos mais empresas com

operações no e-commerce”, acrescenta. No quesito investimento tecnológico,

O Carrefour é o primeiro colocado com

se unânime. “Produtividade e eficiência

to Brasileiro de Geografia e Estatística.

as 10 primeiras maiores empresas vare-

jistas, três pertencem ao Grupo Pão de Açúcar - GPA (CNova, Via Varejo e Multivarejo) com faturamento de 72,87 bilhões,

o que caracteriza o GPA como maior grupo

de Varejo do Brasil. Segundo o levanta-

mento, 94 das redes listadas tiveram receita acima de R$ 1 bilhão no ano passado.

instável, a agenda das varejistas é quasão as principais preocupações das em-

presas e a tecnologia é um pilar extre-

mamente importante. Os investimentos são pontuais, principalmente na automação dos centros de distribuição e na

área de logística”, completa o executivo.

COMÉRCIO ELETRÔNICO No campo do Varejo online, as vendas

“O Grupo Pão de Açúcar sozinho

também oscilaram no primeiro semestre

seja, tem mais colaboradores se com-

bshoppers, realizada pela E-bit e Busca-

emprega hoje 174 mil funcionários, ou

representam 36% do total do Varejo na-

parado à indústria automobilística (130

10 DECISION REPORT

quanto o Varejo contribui para o mo-

Terra acredita que, em ano de economia

KPMG, Varese Retail e BTR Educação e Consultoria. Juntas, as 250 organizações

go no Brasil. Os números mostram o

trilhão, de acordo com o IBGE – Institu-

faturamento de R$ 37,92 bilhões. Entre

faturamento bruto das

mil), que é uma referência de empre-

de 2015. Segundo dados da pesquisa We-

pé, a expectativa era que até o final de


2015, o e-commerce alcançasse um fatu-

crescimento, o comércio eletrônico no

que 83% dos e-consumidores responden-

primeiros seis meses do ano, esse mer-

móvel e a conexão por wi-fi em casa é o

ramento de R$ 43 bilhões, mas, segundo

Brasil atrai muitos consumidores. Nos

na Buscapé Company, as vendas online

cado faturou R$ 18,6 bilhões, avanço de

Pedro Guasti, VP Institucional Relations

devem avançar 15% até o final do ano com uma receita prevista para R$ 41,2 bilhões.

“De fato, o e-commerce também foi

impactado negativamente pela crise eco-

nômica. No final do ano passado, não imaginávamos que teríamos um PIB tão baixo e um cenário de desemprego no Brasil. Entretanto, mantemos a esperança de

16% na comparação com o mesmo período

de 2014. O País tem hoje mais de 103 milhões de pessoas com acesso domiciliar à

internet sendo que 74 milhões são usuá-

wi-fi no trabalho, em 39%; e por ope-

radoras, 36% pós-pago e 32% pré-pago.

O levantamento mostra ainda que

meses com um ticket médio de R$ 377,00.

estando dentro da loja física. Isso de-

nos uma compra online nos últimos seis Para a 32ª edição do relatório Websho-

pras que a Black Friday e o Natal proporcio-

sar alguns aspectos de comportamento

Mesmo com expectativas de menor

para 84% dos participantes; seguido por

14% efetuaram a aquisição de um pro-

ppers, a E-bit/Buscapé realizou uma pes-

narão para o setor”, aponta Pedro Guasti.

hábito mais comum de acesso à internet

rios ativos, aqueles que fizeram pelo me-

crescimento no Varejo online, principal-

mente pelo grande movimento de com-

tes possuem pelo menos um dispositivo

quisa com 2.204 internautas para analiquanto ao uso de dispositivos móveis

em compras online. O estudo aponta

duto através de um dispositivo móvel nota uma maior utilização dos apare-

lhos móveis nas lojas físicas durante o processo da compra tanto para pes-

quisa de produtos quanto de preços. “A jornada do cliente online certa-

mente será impactada de maneira cada

AS DEZ MAIORES EMPRESAS DE VAREJO E FATURAMENTO Empresa

Bandeiras

Segmento

Faturamento Bruto 2014

Faturamento Bruto 2013

Crescimento de vendas 2014

Carrefour

Carrefour, Carrefour Bairro, Carrefour Express, Atacadão, Supeco

Super, Hiper Cash e Conveniência

R$ 37.927.868.864,00

R$35.000.000.000,00

8,37%

Multivarejo

Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Extra, Extra Mini Mercado, Extra Super. Assai

Super, Hiper Cash e Conveniência

R$ 37.660.000.000,00

R$ 34.761.000.000,00

8,34%

3

Walmart Brasil

Walmart, Maxxi, Big, Bom Preço, Mercadorama, Todo Dia, Sam’s Club

Super, Hiper Cash e Conveniência

R$ 29.647.436.292,00

R$ 28.400.000.000,00

4,39%

4

Via Varejo

Casas Bahia, Ponto Frio

Eletro e Móveis

R$ 25.752.000.000,00

R$ 24.974.000.000,00

3,12%

5

Magazine Luiza

Magazine Luiza

Eletro e Móveis

R$ 11.504.700.000,00

R$ 9.692.400.000,00

18,70%

6

Cencosud Brasil Comercial LTDA

G. Barbosa, Prezunic, Bretas, Perini, Mercantil Rodrigues

Super, Hiper Cash e Conveniência

R$ 9.795.213.632,00

R$ 9.811.363.000,00

-0,16%

7

cnova.com

Casas Bahia.com, Ponto Frio.com, Cdiscount.com, Barateiro.com

Eletro e Móveis

R$ 9.461.000.000,00

R$ 4.817.000.000,00

96,41%

8

Lojas Americanas

Lojas Americanas, Americanas Express

Eletro e Móveis

R$ 9.413.000.000,00

R$ 9.400.000.000,00

0,14%

9

Grupo Boticário

O Boticário, Deodora, Quem disse Berenice, The Beauty Box

Drogaria e Perfumaria

R$ 9.300.000.000,00

R$ 8.000.000.000,00

16,25%

10

B2W Digital

Americanas.com, Submarino.com, Shoptime, Soubarato. com, Ingresso.com

Eletro e Móveis

R$ 9.095.000.000,00

R$ 6.964.800.000,00

30,59%

1

2

DECISION REPORT 1 1


ESPECIAL

T I & VA R E J O

vez mais intensa pelos dispositivos mó-

as experiências online para o mundo of-

dor se relaciona mais com a marca e isso

mãos dos consumidores em pratica-

lojas físicas está crescendo a cada ano.

hora de partir para o comércio online. “É

veis, afinal os smartphones estão nas mente 100% do tempo. Essa percepção

vale como chamariz para incentivar o investimento pelas empresas do Vare-

jo para o desenvolvimento de sites responsivos”, completa o diretor-executivo

da E-bit/Buscapé, André Ricardo Dias.

TI & VAREJO DEBATE A TECNOLOGIA QUE TRANSFORMA AS MAIORES REDES VAREJISTAS DO PAÍS Antenada com o atual cenário do Vare-

jo físico e online do Brasil, a quarta edição do Congresso e Exposição TI & Varejo, o maior evento focado no mercado de Tecno-

fline. “A projeção do impacto digital nas

Isso significa que vamos conviver com

um jeito novo de consumir, onde pode-

mos comprar online e retirar o produto em qualquer loja ou até mesmo receber a mercadoria onde quisermos”, diz.

Se a forma de consumo está mudan-

do, como fica o futuro das lojas físicas? Como abrigar as novas tecnologias interativas? Na visão do professor, são

Ricardo Pastore, professor da ESPM

e consultor em Varejo, abriu o evento falando sobre a influência do comércio

eletrônico nas lojas de rua. Na visão do especialista, os varejistas estão usando

mas isso vai acontecer a partir do momen-

to em que as redes varejistas encontrarem valor nesses processos somados à expe-

riência de compra”, pontua o professor.

ANÁLISE DE COMPORTAMENTO. E por

pecialistas discutindo tecnologias como o

tecnológica ao treinamento de pessoas.

Na visão de Luiz Shiro, consultor em

trônico e esse processo deve passar pela

que estão na agenda dos comerciantes.

para a integração entre físico e online,

to em várias frentes, deste a renovação

de responder, pois envolve investimen-

sencial e online. C’Levels, especialistas e

dias debatendo os mais diversos assuntos

ção digital. Eu vejo um caminho natural

falar em valor para o consumidor, o pai-

E-commerce, o Varejo físico tem que

fornecedores de soluções passaram dois

importante pensar em estratégias de atua-

muitas questões que não são simples

logia da Informação para o setor varejista,

reuniu 550 executivos entre público pre-

tem que ficar bem claro para o varejista na

ganhar o dinamismo do comércio eletecnologia. “Integrar canais não é fá-

cil, mas é um caminho de sucesso para o varejista. Se o Varejo conseguir levar

para o universo online a facilidade da

nel do Congresso TI & Varejo trouxe esbig data e soluções analíticas para perso-

nalizar a experiência de compra. Segundo Luciano Ramos, software reaserch da IDC,

há cinco anos, o mercado vem revolucio-

nado a oferta de soluções mais relevantes que se adequem ao novo momento de inte-

gração de diversas fontes de dados e maior interação com o cliente.

“Estamos vivendo um momento

experiência de compra no universo fí-

muito importante no comércio, mas

muito maior”, completa Luiz Shiro.

diz Ramos. “Com uso de big data, o

sico, o envolvimento com o cliente será Segundo Ricardo Pastore, o consumi-

que envolve uma série de desafios”,

céu é o limite”, acrescenta Dagoberto Hajjar, CEO na Advance Consulting.

Para Daniel Prando, diretor de TI e

“O COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL TRAZ UM CENÁRIO MUITO PROMISSOR PARA O VAREJISTA BRASILEIRO, E ISSO DEMONSTRA QUE A MULTICANALIDADE VEIO PARA FICAR” PEDRO GUASTI, do Buscapé Company

E-commerce do Grupo SBF, o big data ala-

vanca a experiência do consumidor. Para isso, a Centauro, que faz parte do grupo,

está trabalhando com essa tecnologia na parte de personalização com o obje-

tivo de entender melhor o consumidor. “Ofertamos os produtos persona-

lizados de acordo com a navegação do

usuário. Só conseguimos fazer isso com o big data, porém, o quesito capacitação é nosso maior desafio. Internamente, es-

tamos montando um time para atuar na análise da montanha de informações que estamos guardando”, completa Prando.

De acordo com Marcos Correa, CIO da

Dellavia Pneus, a rede varejista está no

início do uso de big data. “Por enquanto,

estamos em um processo embrionário,

1 2 DECISION REPORT


ESPECIAL

T I & VA R E J O

“OMNICHANNEL É MUITO MAIS DO QUE TECNOLOGIA, É CULTURA, PROCESSO E UMA NOVA FORMA DO VAREJO ENXERGAR SEU CONSUMIDOR. ISSO SIGNIFICA QUE O COMERCIANTE TEM QUE SER O MESMO, INDEPENDENTE DO CANAL” PAULO VASSALO, diretor de Governança de TI da Leroy Merlin

mas essa tendência está na nossa agenda

companhia precisa estar alinhado para

inclusive em sistemas na nuvem, dese-

dos por um player de mercado e usamos

Isso exige muito processo”, acrescenta.

car um bom parceiro tecnológico”, pontua

de investimentos. Hoje, somos amparaas informações não só nas vendas, mas

não criarmos um concorrente interno. “Quando criamos um novo canal de

também na abertura de novas unidades,

venda e relacionamento com nosso con-

jas em todo o País”, acrescenta Correa.

clientes, mas isso não significa que a

a fim de disseminar a nossa rede de lo-

OMNICHANNEL E MARKET PLACE. De fato, é desafiador criar uma estratégia de

negócio que atenda os mais variados perfis

de consumidor. Mas como os comercian-

tes estão se preparando para atuar diante dessa tendência? O Varejo precisa estar em

todos os canais? De que maneira o varejista pode trabalhar essa multicanalidade?

nhar estratégias de atuação e depois busJoaquim Garcia, especialista do setor.

Ainda dentro do tema de atendimen-

sumidor, é natural envolvermos novos

to em múltiplos canais, o Congresso TI

empresa é multicanal. Na minha visão,

debate: o market place. Os painelistas

omnichannel é muito mais do que tec-

nologia, é cultura, processo e uma nova forma do Varejo enxergar seu consumi-

dor. Isso significa que o comerciante tem que ser o mesmo, independente do

canal”, completa Paulo Vassalo, diretor de Governança de TI da Leroy Merlin.

Sandra Turchi, diretora da Digita-

& Varejo trouxe um novo assunto para o discutiram o conceito dos shoppings virtuais e como ofertar a melhor experiência

de compra. Hoje, os centros comerciais estão transformados e contam não só

com lojas, mas com espaços de convivências e entretenimento. Mas como esse

modelo se aplica no ambiente virtual? Segundo André Leal, coordenador Co-

Segundo Pedro Guasti, do Buscapé

lents, diz que cada canal deve ser usado

mercial da Cnova, o conceito de market

traz um cenário muito promissor para o

ção, ou seja, redes sociais são para re-

físico e traz vantagens para as três par-

Company, o comércio eletrônico no Brasil

varejista brasileiro, o que demonstra que

a multicanalidade veio para ficar. “O Varejo pode desenhar estratégia de atuação em todos os canais de atendimento e com-

pra, porém, é importante que exista um entendimento do papel do canal online dentro do negócio, para que não haja um

de acordo com seu propósito de atualacionamento e e-commerce para vendas. “Antes do varejista optar por ser

ou não omnichannel, ele precisa dese-

nhar suas estratégias de atuação, mas a abordagem pode ser diferente, de acor-

do com o perfil de cada canal”, aponta. “Hoje, temos muitas opções de softwa-

desentendimento interno”, aponta o exe-

res gratuitos, desde banco de dados a fer-

é visto como um ‘puxadinho’ dentro da

o varejista brasileiro precisa testar mais

cutivo. “Em muitos casos, o e-commerce empresa. Na minha visão, todo o core da

1 4 DECISION REPORT

ramentas de analytics. Na minha opinião, as tecnologias, buscar amadurecimento,

place é bem parecido com o shopping

tes envolvidas. “Para o consumidor, o benefício é que ele encontra uma vasta gama de produtos em um único espa-

ço. Na ótica do varejista, o principal benefício é o tráfego. E para o market

place, a vantagem de expansão do por-

tfólio de produtos é gigantesca”, apon-

ta. Na Cnova, o market place atua desde 2013 para as marcas Extra, Ponto Frio e

Casas Bahia. O tráfego dos portais chega a 65 milhões de visitantes por mês.


ESPECIAL

T I & VA R E J O

A Dafiti também está trabalhando

de interação. A quarta edição do Congresso

contrar um sentido para essa estratégia.

de TI, Rodrigo Rodrigues, a marca foca

mídias sociais nas estratégias de venda e

o varejista quanto para o consumidor”,

esse conceito. De acordo com o diretor

sua estratégia em cinco operações na América Latina, onde cada loja opera de forma independente com seus pró-

prios fornecedores. “Essa primeira fase é bem recente e já podemos mensurar

resultados positivos. A próxima onda é

TI & Varejo também falou sobre o papel das

relacionamento, além da forte tendência da internet das coisas (IoT). Hoje, não tem como o Varejo ignorar o potencial de atendimento ao cliente por meio das plataformas como Facebook e Instagram.

“O Brasil é o terceiro maior país no

“O valor tem que ser percebido tanto para diz Ageu Pedro Junior, sênior IT Manager

da Via Varejo. Segundo ele, o que mais impacta na adoção da internet das coisas é o modelo financeiro em como rever-

ter o investimento em lucro e imagem. Seja nas mídias sociais, nas lojas fí-

viabilizar a eficiência operacional, fize-

ranking de usuários do Facebook. Ou

sicas ou no comércio eletrônico, o fato é

ano passado para suportar tudo isso.

esse canal fora da estratégia”, aponta

constante transformação. Essa metamor-

mos uma grande troca de sistemas no

Na sequência, reforçaremos outras categorias do Varejo como cama, mesa,

banho e linha para bebês, por exemplo.” “A moeda do market place é o tráfego.

Mas ainda precisamos superar alguns desafios como explicar para o consumidor esse conceito e mostrar para ele que se

trata de um shopping, mas no ambiente

virtual”, acrescenta Fátima Bana, head

seja, não tem como o varejista deixar Julliano Moretti, especialista do setor.

“É um espaço em que o Varejo deve utilizar e ele tem diversas formas de fazer

isso. Na ótica do consumidor, é um canal importante para ser ouvido, se ele quer

chamar a atenção de um varejista é só

IOT E MÍDIAS SOCIAIS. Como o consumidor está no centro das atenções, nada me-

lhor do que contar com novas ferramentas

“O VAREJISTA BRASILEIRO PRECISA TESTAR MAIS AS TECNOLOGIAS, BUSCAR AMADURECIMENTO, INCLUSIVE EM SISTEMAS NA NUVEM. ALÉM DISSO, É PRECISO DESENHAR ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO EM CADA CANAL E DEPOIS BUSCAR UM BOM PARCEIRO TECNOLÓGICO” JOAQUIM GARCIA, especialista do setor.

brando para garantir a eficiência operacional com uma boa gestão de processos.

“Temos feito alguns ensaios de revisão

fase de preparar as pessoas, principal-

canal também para vendas e trabalha-

e entregas personalizadas”, completa.

pelos comerciantes que estão se desdo-

O Groupon Brasil é uma empresa

de relacionamento”, completa Moretti.

guimos oferecer a mesma experiência

ofertar programas de pontos, promoções

cada vez mais digitais, mas também

de processos e a tecnologia está presente

bem ativa nas redes sociais, princi-

de um shopping físico, mas podemos

fose é vivida não só pelos consumidores,

publicar uma reclamação na sua página

of internet e mestre em comportamento

de consumo. “Nesse espaço, não conse-

que o Varejo brasileiro está diante de uma

palmente no Facebook. “Utilizamos o

mos integrados com a informação do

nesse caminho. Além disso, estamos em

mente os líderes, para lidarmos bem com o cenário de instabilidade econômica”, diz

Laércio Aro, diretor de TI da Lojas Avenida. “Estamos em fase de implantação de

usuário e fazemos um cruzamento de

solução via satélite para alcançar a meta

Borges, head de Marketing da empresa.

nossas operações. Além disso, criamos

trado como grande impulsionadora de

lojas, o que traz disponibilidade e agili-

interesses na plataforma”, diz Bruno Já a internet das coisas tem se mos-

negócios, porém, desafia o varejista a en-

de menos de 1% de indisponibilidade nas

um ambiente mais colaborativo entre as

dade na ponta para o cliente”, completa.

Na visão de Nuno Portugal, gerente

de Serviços Logísticos do Dia Group, o

momento atual do Varejo brasileiro traz

uma oportunidade de arrumar a casa.

“Estamos encarando esse período mais complexo na economia com melhoria nos

processos internos a fim de apresentar um bom resultado financeiro”, aponta.

Mas como continuar investindo em

tempos de crise? “O cliente quer cada vez

mais coisas e nós temos que atender a esse pedido. Normalmente, o consumidor

quer algo simples e o comerciante precisa achar o equilíbrio entre novas ferramentas e essa simplicidade. Isso exige uma mente aberta do Varejo com inciativas tecnológicas adequadas”, completa Portugal. z

DECISION REPORT 1 5


TELECOMUNICAÇÕES FOCO: COMPUTAÇÃO NA NUVEM EM ALTA NA ESTRATÉGIA DAS OPERADORAS

Cloud está no centro da disrupção

digital

O AVANÇO DAS OFERTAS DE COMPUTAÇÃO NA NUVEM NO PAÍS TORNA A TI CADA VEZ MAIS CONVERGENTE COM O MERCADO DE TELECOMUNICAÇÕES E IMPULSIONA OFERTAS CORPORATIVAS DE OPERADORAS COMO EMBRATEL, OI E TELEFONICA VIVO POR LÉIA MACHADO

16 DECISION REPORT


TELECOMUNICAÇÕES

DE ACORDO COM UM RECENTE

hoc (temporária, provisória), oportunis-

repetível, gerenciada ou otimizada. “O

la Cisco, as organizações em todo mundo

Segundo o levantamento, as empresas

e também o latino-americano - têm evo-

levantamento da IDC, encomendado pe-

buscam na computação em nuvem não só eficiência e redução de custos, mas

também um impulso à inovação, ao cres-

cimento e à disrupção. O estudo revela que 53% das 3.400 empresas entrevista-

das em 17 países esperam que a adoção da cloud computing gere um aumento

de suas receitas ao longo dos próximos

dois anos. Entretanto, o dado também representa um desafio para muitas com-

panhias, já que apenas 1% delas dispõe

ta, repetível, gerenciada e otimizada. que aumentam sua maturidade de nuvem do nível mais baixo - ad hoc - para os

mais altos, apresentam resultados sig-

nificativos. As receitas aumentaram em

10,4%; os custos de TI registraram queda de 77%; a prestação de serviços e aplicações de TI tiveram uma diminuição de

99% do tempo; e os departamentos de TI

CURTO PRAZO, AS OFERTAS DE CLOUD COMPUTING TERÃO UMA

PARTICIPAÇÃO CADA VEZ MAIOR NA RECEITA DA EMPRESA”, ADRIANA COUTINHO VIALI, diretora-executiva da Embratel

vem, embora ainda sem uma visão clara

por onde começar”, aponta Marco Sena, diretor de Desenvolvimento Mercado de Cloud da Cisco para América Latina.

Segundo Sena, o número de provedo-

para essa aceleração da computação em

se consolidando como maiores mercados

DE QUE, EM

ram a considerar a computação em nu-

Em relação ao grau de maturidade,

atender ao nível de serviço (SLAs).

A pesquisa identifica cinco estágios

“ESTAMOS BASTANTE CONFIANTES

Nesse período, muitas empresas começa-

res de cloud e integradores também cres-

os Estados Unidos são líderes com 34%,

de maturidade de adoção da nuvem: ad

luído bem rápido nos últimos dois anos.

aumentaram em 72% a capacidade em

de uma estratégia de nuvem otimizada

e 32% não possuem qualquer estratégia.

mercado brasileiro de cloud computing –

seguidos pela América Latina com 29%,

de empresas com estratégias de nuvem

ceu muito no último ano, contribuindo

nuvem no Brasil. “Em muitos casos, os modelos SaaS e IaaS são as portas de entrada para a computação em nuvem, permitindo uma redução de TCO, maior agi-

lidade de expansão sob demanda e uma redução de tempo para o lançamento de inovações”, completa Sena.

DADOS IMPULSIONAM CRESCIMENTO Outro estudo da IDC também aponta

que os serviços globais na nuvem serão responsáveis por movimentar US$ 118 bi-

lhões em 2015. A receita estimada para o Brasil deve chegar a US$ 1,2 bilhão até 2017. Neste ano, a expectativa é de investimentos em torno de US$ 650 milhões.

De fato, a adoção do cloud computing vem avançando em passos largos no Brasil e a oferta de serviços e soluções na nuvem engloba um grande ecossistema de fornecedores e provedores, envolvendo inclusive, as operadoras de telecomunicações.

Segundo Adriana Coutinho Viali,

diretora-executiva da Embratel, a demanda por serviços em cloud tem sido

impulsionada pelo crescimento explosi-

vo dos dados, pela necessidade de acesso

de forma segura de qualquer lugar e a qualquer hora e pelo crescimento do mercado de dispositivos móveis.

Essa movimentação levou a Embra-

tel a criar uma estratégia de oferta de serviços de cloud e hosting gerenciado.

Adriana explica que o produto da ope-

1 8 DECISION REPORT


de telecom e a estimativa é que o evento

“TEMOS PERCEBIDO O INTERESSE

tenha um fluxo de mais de 3 milhões de

mensagens SMS a serem enviadas por

CRESCENTE DOS NOSSOS

mais de 7,5 milhões de torcedores.

CLIENTES POR INFRAESTRUTURA COMO SERVIÇO E AS OFERTAS DE

OFERTA E DEMANDA. Na visão de Roni

SOLUÇÕES EM NUVEM SÃO

Wajnberg, diretor de Soluções de TI B2B da Oi, o atual momento do mercado bra-

O CARRO-CHEFE DO NOSSO NEGÓCIO”

sileiro com oscilação na política e econo-

RONI WAJNBERG, diretor de Soluções de TI B2B da Oi

mia leva as empresas a buscarem soluções

que ofereçam redução de custo aliada à

produtividade. Por esse motivo, o cená-

rio é favorável ao crescimento e adesão ao cloud computing no Brasil. “Adequar

as ferramentas a cada perfil de cliente é o caminho que a Oi segue para atender

nossa base com uma oferta convergente entre TI e Telecom”, aponta Wajnberg.

Em 2012, a operadora iniciou uma

nova estratégia de atuação da unidade de negócios corporativos, priorizando produtos de TI. A companhia foca seu

portfólio de nuvem no Oi SmartCloud,

onde já foram investidos mais de R$ 52 milhões desde sua criação. Para atender ao mercado B2B, além das soluções de TI a empresa oferece um portfólio que engloba também serviços tradicionais de telecom como mobilidade, dados e voz.

O diretor conta que a Oi está amplian-

radora mais adequado às demandas das

na receita da empresa”, completa.

lução que permite oferta de nuvens pri-

bém para montar sua infraestrutura tec-

bilidade e desempenho de data centers

dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Como forne-

organizações é Data Center Virtual, sovadas e híbridas com a mesma confiaconvencionais, porém com possibili-

dade de interconexão entre ambientes híbridos e com custos operacionais comprovadamente menores.

Hoje, a Embratel possui uma cartei-

ra de clientes diferenciada, que abrange diversos setores da economia brasileira,

como Indústria, Saúde, Finanças, Varejo, Manufatura e Governo. “Estamos bastante confiantes de que, em curto

prazo, as ofertas de cloud computing terão uma participação cada vez maior

A Embratel está se preparando tam-

nológica a fim de suportar o operacional

cedora e patrocinadora oficial de Telecomunicações, a empresa está trabalhando

nas etapas de testes para os Jogos, com equipes multidisciplinares de engenheiros, técnicos e especialistas para o gerenciamento do Technology Operational Center (TOC) e nas Venues (locais de provas). A Embratel disponibilizará para pontos de

WiFi, Internet 3G e 4G, além de um data

center próprio para hospedar os servidores e dados do Comitê Rio 2016. Essa infraes-

trutura conta com 358 quilômetros de rede

do a capacidade de infraestrutura dispo-

nível em seu data center em São Paulo, um dos cinco que a companhia mantém

no Brasil, para atender à demanda por

serviços de cloud computing no País. O

projeto, que começou em junho e será


TELECOMUNICAÇÕES

deste ano, a Oi registrou aumento de 20% “OS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES SE JUNTARAM ÀS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS DE

CLOUD COMPUTING E ISSO AUMENTOU NOSSA CAPILARIDADE”,

VIVIANE SOARES, diretora de Produtos e Pré-Vendas para o Mercado Corporativo da Telefonica Vivo

na receita de dados e TI em comparação com o primeiro trimestre de 2014.

a necessidade do empresariado. Aposta-

em estágios diferentes de adoção desse

estratégia comercial está de acordo com

mos nesse setor com portfólio de soluções, serviços e ferramentas de seguran-

ça, tudo em cloud, que visam mitigar riscos de cyber ataques em empresas de todos os tamanhos”, completa o diretor.

na área da TI e conquistou um espaço

dados corporativos e TI cresceu 3,3% no primeiro semestre em relação a igual período do ano anterior, devido principal-

mente à renovação de grandes contratos e

serviço, o que justifica esse movimento

de ampliação do data center da Oi em São Paulo”, acrescenta Wajnberg.

Cerca de 15% dos clientes corporativos

da base usufruem dos serviços de TI da companhia. A estratégia voltada para esse segmento tem trazido bons resultados,

continua o diretor. No primeiro trimestre

20 DECISION REPORT

setor corporativo e a cloud computing é uma grande alavanca nessa estratégia”, completa Viviane.

O destaque do portfólio da operado-

conta com uma série de aplicativos sob deconectividade e escalabilidade. A ideia da

Telefonica Vivo é ser uma forte concorrente no mercado de nuvem. A companhia

conta hoje com uso de data center próprio

e está em conformidade com as principais certificações do mercado.

“Os serviços de telecomunicações se

e TI atingiu mais de R$ 1,4 bilhão.

viane. “Já estamos consolidados na ofer-

também cresceu muito dentro da Telefo-

dos clientes por infraestrutura como

para avançar nas soluções de TI para o

juntaram às soluções tecnológicas e isso

“A área de computação em nuvem

Temos percebido o interesse crescente

na nuvem pública. Temos muito espaço

conquista de novos clientes. No primeiro

semestre, a receita de dados corporativos

vem são o carro-chefe do nosso negócio.

ções menos críticas e as PMEs apostam

manda e inclui sistemas de segurança,

mesmo período de 2014. Já a receita de

res às do mercado e as soluções em nu-

porte usam a cloud híbrida com aplica-

a empresa contabilizou 3,8 milhões de

número 1,2% superior se comparado ao

“A Oi vem crescendo a taxas superio-

modelo, empresas de grande e médio

ra é o Vivo Cloud Plus 3.0. A ferramenta

acessos fixos no segmento empresarial,

de todos os portes.

de maturação. Temos diversos clientes

significativo com a compra da Vivo e da

GVT. No segundo trimestre desse ano,

fraestrutura como serviço) para clientes

“O mercado de nuvem no Brasil está

em constante avanço e vive um processo

fonica Vivo, vem expandindo a operação

à Oi novas vendas da oferta de IaaS (in-

serviços e soluções de cloud computing.

“Esse avanço demonstra que nossa

EXPECTATIVA NAS ALTURAS. Já a Tele-

concluído em setembro, vai possibilitar

nica Vivo está na casa de dois dígitos nos

nica Vivo e tem grande representatividade na nossa receita”, aponta Viviane Soares, diretora de Produtos e Pré-Vendas

para o Mercado Corporativo da operadora. Segundo ela, o crescimento da Telefo-

aumentou nossa capilaridade”, diz Vita de serviços de e-mail, banco de dados e hospedagem. O próximo passo é entrar

em uma camada mais especializada em software as a service com aplicações de

gestão empresarial, contabilidade, pa-

gamentos e recursos humanos. Tudo em nuvem”, finaliza. z


s

E N T R E V I S TA MARCELO CAMARA, GERENTE DO DEPARTAMENTO DE PESQUISA E INOVAÇÃO DO BRADESCO

“Quanto mais digital, mais humano” Na visão de Marcelo Camara, gerente do Departamento de Pesquisa e Inovação do Bradesco, para as empresas serem mais digitais, o ideal é que elas se tornem mais humanas, prevendo a necessidade dos clientes e tratando-os de forma personalizada

A última pesquisa da Febraban apontou que, em 2014,

negócio. “Esse é o fato importante. É apenas o início.

as despesas e investimentos em tecnologia pelos

Nosso prognóstico é que a computação cognitiva vai

bancos foram de R$ 21,5 bilhões e, mesmo em um mo-

causar um impacto tão grande daqui em diante quanto

mento de menor crescimento econômico, os aportes

o mainframe determinou no passado”, aponta.

financeiros continuam crescendo 16%, acima da taxa da inflação que está em 11% ao ano. Esses investimentos representam uma preocupação dos bancos com a qualidade do serviço oferecido aos clientes em plataformas online. 92% de todas as transações realizadas no banco Bradesco, por exemplo, são feitas por meio de canais digitais. Os números de transações via Bradesco Celular também são expressivos, em 2014, a instituição contabilizava um total de 6 milhões de clientes ante 3 milhões no início do ano, um crescimento de 100%. Outra aposta do Bradesco é a computação cognitiva. O banco foi o pioneiro no País a fechar parceria com a IBM

Em entrevista à Decision Report, Marcelo Camara fala como o Bradesco está treinando o Watson para compor a equipe de relacionamento com o cliente e do avanço das iniciativas digitais. Decision Report: De onde surgiu a ideia de contar com um supercomputador para o atendimento ao cliente?

Marcelo Camara: As demandas que o negócio recebe são

cada vez mais desafiadoras e as áreas de apoio como a TI de-

vem subsidiar esse cenário trazendo tecnologias que facilitem

o atendimento dessas demandas. A criatividade aqui é o limite. Ao adotar uma máquina capaz de fazer interferência e tirar conclusões inusitadas sobre o tema no qual foi treinada,

nós também devemos adaptar nossa maneira de pensar e lidar

para contar com o supercomputador Watson. Graças a

com a tecnologia.

essa iniciativa, a língua portuguesa foi escolhida como

DR: Com o Watson, o Bradesco ficará ainda mais digital?

um dos primeiros idiomas do Watson juntamente ao

MC: Sim, cada vez mais! A estratégia do Bradesco sempre

inglês, espanhol e japonês Segundo Marcelo Camara, gerente do Departamento de Pesquisa e Inovação da instituição, a estratégia de adotar a computação cognitiva tem o objetivo de trazer um conjunto de novas ferramentas para as áreas de

22 DECISION REPORT

tendeu ao digital, desde à adoção do primeiro computador de grande porte da América Latina à construção do primeiro

Internet Banking do Brasil. O Watson tem característica de

servir no futuro como um novo canal de relacionamento. É

a primeira tecnologia que traz a um computador atributos

verdadeiramente humanizados e isso não se reflete apenas


DR: Como o Watson está evoluindo dentro do Bradesco? Ele está aprendendo rapidamente nosso idioma e nosso jeito de interpretar as palavras?

MC: Muito rapidamente. E é impressionante não só

o entendimento e uso de vocabulário, mas também

a compreensão de ideias e contextos diferentes, às vezes sutis. Por exemplo, o Watson vai entender as expressões “segurar o carro”, “realizar prejuí-

zo” ou “tomar uma posição” na situação em que elas se inserem e poderiam ser mal interpretadas fora do contexto.

Mas há muito ainda a ser feito e testado. A meta é que o Watson seja capaz de interagir

com públicos que usem gírias, maneirismos e

até sotaques diferentes, mesmo que todos falem

português do Brasil.

DR: Qual é o maior desafio no processo de apren-

dizagem e como isso impacta nas equipes internas

do Bradesco?

MC: O gargalo é justamente assimilar a nova tecno-

logia e apontar por onde podíamos começar. Como é pos-

sível aplicar a computação cognitiva em diversas frentes, a

escolha teve de ser muito bem ponderada. Por isso apontamos o Watson para uma área interna, bem delimitada e controlada no ambiente do Bradesco. Nesse modelo, teremos um benefína apresentação de conteúdo e conversação, mas também nos

cio imediato de eficiência, o Watson já assimilará informação

processos de aprendizado, reflexão e tomada de decisão.

que poderá ser usada diretamente com clientes e nos familia-

Daqui adiante, para as empresas serem mais digitais, deverão

em outras áreas.

ser mais humanas, prever a necessidade dos clientes e trata-los de maneira mais personalizada. O Watson agrega todas essas tarefas e vai ajudar a continuarmos sendo um banco cada vez mais digital e com inovação.

DR: Você acredita que a computação cognitiva é o passo mais avançado em termos de inovação tecnológica?

MC: Essa tecnologia será o instrumento para empresas e

pessoas expandirem seus potenciais. Estamos na fronteira da computação. Sabemos que é embrionária, mas identificamos um grande potencial, por isso mesmo, quisemos investir ainda nesse momento zero do Watson no Brasil. Graças a essa iniciativa, a língua portuguesa foi escolhida como um dos

rizaremos com a tecnologia para expandir de forma assertiva

DR: O Watson já atende sozinho um cliente Bradesco? MC: Ainda não, mas é um dos objetivos no futuro. No entanto, o “sozinho” é relativo. Para atender nossos clientes, o

Watson precisa de um treinamento prévio a fim de conhecer

tudo e continuar atualizado sobre determinado assunto. Ou seja, será necessário que nosso time mantenha-se fazendo a curadoria das informações e conhecimento do Watson. Como

há sempre algo novo para aprender, o supercomputador não

vai parar de evoluir, mas para isso vai precisar da atenção de seus tutores.

DR: E quais são os próximos passos do Watson no Bradesco?

primeiros idiomas do Watson juntamente ao inglês, espanhol

MC: Vamos aprofundar o treinamento sobre os temas es-

mento de áreas específicas do Bradesco.

próximas implementações serão planejadas a partir daí. z

e japonês. Além disso, o Watson está assimilando o conheci-

colhidos inicialmente para dar start à operação em 2016. As

DECISION REPORT 2 3


E N T R E V I S TA FABIO SCOPETA, LÍDER DE IBM WATSON PARA BRASIL E AMÉRICA LATINA

As máquinas podem superar a inteligência humana? Em entrevista à Decision Report, Fabio Scopeta, líder de IBM Watson para Brasil e América Latina, fala como a companhia está trabalhando para ampliar a estratégia de computação cognitiva no País

Quando o supercomputador da IBM, o Watson, derrotou dois participantes do famoso programa norte-americano de perguntas e respostas, o Jeopardy!, em 2011, não imaginávamos que as máquinas poderiam avançar tão rapidamente na área de computação cognitiva. À época, o Watson – nome concedido em homenagem ao fundador da empresa, Thomas J. Watson, - derrotou os desafiantes Ken Jennings e Brad Rutter, os maiores vencedores do programa, respondendo rapidamente às questões graças ao software DeepQA (desenvolvido pela própria IBM), que funciona junto ao SUSE Linux Enterprise Server. O Watson analisa grandes volumes de dados e processa a informação por meio da compreensão da linguagem natural, gerando hipóteses baseadas em evidências e aprendizado. Hoje, o Watson fala fluente o inglês norte-americano e está aprendendo japonês, espanhol e português brasileiro, uma vez que a máquina chegou ao Brasil há menos de um ano e já é um caso de sucesso dentro do Bradesco.

Em entrevista à Decision Report, Fabio Scopeta, líder de IBM Watson para Brasil e América Latina, fala como a companhia está trabalhando para ampliar a estratégia de computação cognitiva no País.

24 DECISION REPORT

Decision Report: De que maneira a estratégia de com-

putação cognitiva está avançando no Brasil? Quais frentes a IBM está focando?

Fábio Scopeta: A operação do Watson no Brasil começou

em outubro do ano passado com o estabelecimento de um time local. De lá para cá, estamos trabalhando em três

pilares: aprendizagem do idioma português brasileiro; oferta de soluções de computação cognitiva para clientes no Brasil; e construção de todo ecossistema no setor.

O Watson é composto por um portfólio com mais de 30 serviços ou APIs cognitivas, sendo que boa parte delas já estão

disponíveis no idioma português brasileiro. A API mais co-

nhecida é a DeepQA, que foi o serviço utilizado no programa Jeopardy!. Esta aplicação, atualmente, está apreendendo

o português falado no Brasil e este é um processo bastante complexo, pois a aprendizagem de outro idioma por um sis-

tema de computação cognitiva é gradual, se assemelhando ao ser humano. Além de aprender 300 mil palavras do idio-

ma – mais do que o dobro do que os linguistas afirmam ser necessário para uma pessoa considerada fluente –, o Wat-

son será treinado a compreender não apenas os significados das palavras (semântica) em diferentes contextos, mas tam-

bém as regras que regem as construções das frases (sintaxe). A IBM iniciou com o Bradesco o primeiro projeto para uso da

computação cognitiva no Brasil e treinamento do sistema. O supercomputador está aprendendo não só o idioma, mas tam-

bém como realizar um atendimento aos clientes do Bradesco. O sistema está sendo treinado por meio de diversos documentos disponíveis no Bradesco, sem envolvimento de dados confiden-


será responsável pela difusão do conhecimento, mentoria

dos professores que ministrarão as aulas da disciplina e pelo conteúdo técnico, ambiente de treinamento, desenvolvi-

mento e experimentação, disponibilizando softwares para criação de aplicações na área.

Nosso laboratório local também está inserido nessa estratégia.

Um exemplo é o projeto para uso da computação

cognitiva para gerenciamento e exploração de

recursos naturais, que incluem as indústrias de

Petróleo & Gás, Biocombustíveis, Mineração e Água. A empresa conta com o apoio do Conse-

lho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para 10 bolsistas de estudo de pós-doutorado participarem da iniciativa.

Os pesquisadores trabalharão no projeto entre

dois e três anos. O objetivo desta pesquisa em

que os alunos estarão envolvidos é construir uma

plataforma de software comum capaz de integrar

múltiplos sistemas cognitivos que deem suporte

à tomada de decisão de negócios nas áreas de des-

coberta, exploração e produção de recursos naturais.

DR: Quais empresas brasileiras estão testando e imple-

mentando essa tecnologia?

FS: Os interesses das organizações estão concentrados em três tipos de uso. Engajamento, quando o sistema cognitivo é uti-

lizado na interação com as pessoas. A primeira fase do projeto ciais de clientes do banco. Os atendentes do time do Telebanco

da IBM com Bradesco está dentro deste universo.

serão os “professores” do sistema e, em seguida, passarão a fa-

Na descoberta, quando o sistema cognitivo é utilizado para

a responder corretamente às questões dos clientes.

tes. Este modelo é utilizado em laboratórios de pesquisa para

zer a curadoria permanente da informação ajudando o Watson Em paralelo, estamos negociando com outras instituições no País para implantação de novos projetos em diferentes segmentos da indústria, como Saúde, Varejo, Educação e Seguros

DR: E a criação desse ecossistema também inclui parceria com outras empresas ou instituições de ensino?

FS: Sim. Em julho deste ano, anunciamos um acordo com universidades brasileiras para formação de profissionais

especializados em computação cognitiva. Com a iniciativa, serão introduzidas disciplinas relacionadas ao tema em

cursos de graduação e pós-graduação, mestrado e doutorado de diversas áreas. O programa começa com a participação

descobrir novas combinações que nunca foram pensadas anajudar os cientistas a descobrirem novas possibilidades de pes-

quisa. Outro exemplo popular é o Chef Watson, que utiliza a computação cognitiva para fazer recomendações culinárias.

Para chegar neste resultado, o sistema leu o banco de receitas da Bon Appétit (um dos maiores sites de receitas do mundo) e foi treinado para entender as melhores combinações químicas

entre os alimentos e que tipo de gosto costuma agradar os humanos. O Chef Watson já está disponível gratuitamente na

internet, em inglês. O projeto também virou livro, chamado

Cognitive cooking with Chef Watson, que reúne 65 receitas com combinações inéditas de ingredientes.

da ESPM, do Insper e da Universidade Presbiteriana Ma-

Por fim, o interesse das empresas em usar o Watson está na

contemplados até o final de 2016. Na parceria, a IBM Brasil

utiliza a computação cognitiva para recomendar aos médi-

ckenzie. A expectativa é que mais de 600 estudantes sejam

tomada de decisão. Um exemplo é o Watson Oncology, que

DECISION REPORT 2 5


E N T R E V I S TA

cos tratamentos contra o câncer. A proposta é que o Watson

Necessidades mais sofisticadas - como encriptação de

mostre para o profissional da saúde qual tratamento é o mais

mensagens em tempo de guerra – demandaram um novo

qual rumo será adotado. Seu banco de dados inclui milhares

tarefas complexas. Nascia a segunda era da computação, o

recomendado para o paciente e este caminho ajudará a decidir de pesquisas científicas na área, além de históricos reais de

pacientes com a doença. Na prática, o médico reúne todas as informações necessárias sobre o paciente e as fornece ao Watson,

que responderá com os possíveis tratamentos e suas chances de cura. O Watson Oncology é treinado continuamente pelo Memorial Sloan Kettering Center Cancer (MSK), dos EUA.

DR: A tecnologia cognitiva é um passo muito avan-

çado do que já temos hoje em termos de inovação?

FS: Sim, a IBM acredita que com a computação cogniti-

va entramos na terceira era da computação. No século 19, iniciou a primeira era com máquinas que tinham um só

propósito, contar. Até a década de 40, esses sistemas mecâ-

nicos ajudaram os humanos a executar desde tarefas simples - como o de uma máquina registradora - até o censo demográfico de um país.

tipo de sistema que pudesse ser programado para executar

período dos sistemas programáveis, o modelo tradicional que conhecemos hoje. Tanto os grandes computadores que ocupavam uma sala inteira quanto um smartphone são

exemplos deste mesmo modelo computacional. As apli-

cações que usamos hoje são programadas para seguir um conjunto de regras definidas: se acontecer isso faça aquilo, caso contrário, faça outra determinada coisa.

Esse modelo não é capaz de lidar com a explosão de dados gerados pela nova dinâmica social e de negócios que estamos experimentando. Estimamos que 90% dos dados disponíveis

no mundo hoje foram criados apenas nos últimos dois anos e

que 80% deles são desestruturados, ou seja, estão no formato próprio para a forma que os humanos processam informação: blogs, tweets, artigos, papers, anotações médicas, etc.

Para lidar com todos esses dados e avançar na solução de problemas complexos como doenças, a pobreza e o esgotamento

de recursos naturais, precisamos de sistemas capazes de simular a forma que os humanos pensam e interagem. O intuito

é que possam extrair conhecimento dentro um conjunto de dados tão vasto que levaria décadas para ser analisado por

nós humanos. Estima-se que as respostas conseguidas pelos sistemas cognitivos irão alcançar um grau razoável de precisão e correção. Por isto, serão úteis para a tomada de decisão em várias atividades produtivas.

DR: O que você espera dessa tecnologia para os próximos cinco anos?

FS: A evolução do Watson caminha na direção de se aproxi-

mar cada vez mais da forma que os humanos se comunicam

entre si e desenvolver sentidos que ampliem sua capacidade de compreender o ambiente a sua volta. Isso tudo já acontece através de sensores que no futuro podem ter uma capacidade

maior que dos seres humanos. Esperamos também que sua habilidade de raciocinar e gerar hipóteses evolua a pontos de conseguir nos ajudar a resolver problemas humanos cada vez mais complexos.

O Watson está disponível na nuvem que visa transformar a re-

Livro de receitas desenvolvido pelos chefs do Instituto de Educação Culinária de Nova York (ICE) e os pesquisadores da IBM

26 DECISION REPORT

alidade das empresas na terceira era da computação cognitiva.

Hoje, as aplicações podem ser acessadas no Bluemix – plataforma como serviço (PaaS) da IBM – e qualquer desenvolvedor pode trabalhar em sua própria aplicação. z


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