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especial arquiteto editorial projeto de concurso

estante

concursos


s

urbano

projetos de estudantes

agenda


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editoria

Internet, arquitetura e supermercado. 29 anos atrás Bernard Tschumi discute programa e desfaz a ideia de arquitetura enquanto ilustração em Arquitetura e Limites III. Há 20 anos não se vislumbrava a possibilidade de obter, em segundos, informação de qualquer parte do mundo, de qualquer coisa. Imagens em tempo real do CityLife, em Milão. Agora! A Iugoslávia acabava, a Croácia renascia. 1994: surge o 3LHD. 3 Lefthanders and a Hard Disk: somente um dos 4 sócios tolera computadores. Guerra com a Sérvia, nada de livros, economia estagnada. A internet como formação, e-mails para fabricante suíço... Memorial Bridge. Supermercado tirolês é mecenas, o mundo agradece. Era digital. E continua sendo: IBM em Timişoara, piauienses na Angola. Iraquiana, japonês e polonês-americano na Itália. Contemporaneu no Brasil. Latim. Espanha, Argentina, Romênia. Estonianos na Lituânia. Antes, ambos, URSS. Noruega, Austrália e Canadá. IDHs altos, respeito pelo local, pelo presente e pelo passado. Reaproveitamento com vistas ao futuro. Concreto aparente, superadobe, resort luxuoso, habitação popular. Diferentes culturas, propostas distintas. Um punhado delas aqui. É só escolher e colocar no carrinho. Não precisa passar no caixa. Equipe Contemporaneu

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Para dúvidas, sugestões, críticas, entre em contato com a Contemporaneu - arquitetura contemporânea pelo email: opiniao@contemporaneu.com Ano 01 Edição #02 Capa: Polyclinic ST Arquiteto: 3LHD

Editor Chefe: Gabriel Vespucci Diretora de Arte: Francis Graeff Fotógrafos desta edição: Damir ­Fabijanic, Iñigo Bujedo, Shai Gil, ­G ustavo Sosa Pinilla, Ovidiu Micsa, Marko Huttunen, Kaido Haagen, Kim Müller, Peter Bennetts, Lukas Schaller, Paul Ott, Thomas Jantscher, Günter R. Wett, Simon Rainer. Agradecimento: Andres Ojari, Bindya Lad, Diorella Fortunati, Djalma Lima, ­E lina Tenho, Kara Finlay, Kristine Øksendal, Lucas Felício Costa, Mladena Žarković, Natalia Glez. Matrelle, Nuno Diogo Lopes Serrão Soares da Costa, Ovidiu Micsa.

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estante

Renova Houses in S

Shigeru Ban, Complete Works 1985-2010

Roberto Bo LINKS BO

Philip Jodidio Taschen

Compilada com a colaboração do próprio arquiteto, esta monografia, de autoria de Philip Jodidio, expõe a carreira de Shigeru Ban desde a abertura de seu escritório em 1985, após trabalhar para Arata Isozaki e receber o diploma de arquiteto pela Cooper Union School of Architecture, em Nova Iorque. Além de excelente arquiteto, Ban utiliza de maneira original materias pouco convencionais para estruturar seus projetos para refugiados de catástrofes naturais como em Kobe e Nova Orleans. São 464 páginas que abordam todas as obras do arquiteto de 1985 até 2010.

Sistemas arquitetônicos contemporâneos Josep Maria Montaner Editorial Gustavo Gili

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Com 45 estudos de e mais de 1000 foto dade e estética se r de referências. Ren ainda com plantas dos arquitetos resp Esta obra é um imp inspiração para tod últimos conceitos e edifícios.

Sistemas arquitet porânea – desde partida a crise do ifícios e os valore reescreve a histó que se adaptem comum entre a a configura a cidad sua postura intele


ated Style

1000 x Architecture of the Americas

ottura OOKS

Verlagshaus Braun

e renovações contemporâneas tografias coloridas, funcionalireúnem neste completo livro novated Houses in Style conta baixas, croquis e comentários ponsáveis pelos projetos. portante guia de referência e dos profissionais interessados nos e tendências em renovação de

1000 páginas com 1000 projetos que vão do Canadá à Argentina, passando por projetos da América do Sul, Norte, Central e Caribe e pelos novos arquitetos que estão definindo a arquitetura contemporânea do continente americano. Nomes como Oscar Niemeyer, Daniel Libeskind, Alejandro Aravena fazem parte desta seleção que mostra projetos tanto em grandes cidades quanto em locais isolados. No livro também estão presentes informações de todos os projetos com nome do escritório e site, ano em que foi terminada a construção, tipologia e localização.

tônicos contemporâneos apresenta uma nova visão da arquitetura contemo início do século XX até o início do século XXI. Tomando como ponto de o objeto arquitetônico isolado, enfatiza especialmente as relações entre os edes do espaço público por eles definido. Baseando−se no conceito de sistema, ória recente da arquitetura segundo a capacidade dessa de desenvolver formas melhor ao contexto. Os exemplos estudados neste livro situam−se na escala arquitetura, o urbanismo e a paisagem, naquele âmbito em que a arquitetura de, e as obras nele analisadas são de autoria de arquitetos reconhecidos por ectual, humanista e contextualizada. contemporaneu #02 | 11


agenda Brasil Architectour - Seminário Internacional de Arquitetura para a Cultura e o Turismo 15, 16 e 17/09/2010 Gramado – Rio Grande do Sul

Mundo 12a Bienal de Arquitetura de Veneza 29/08/2010 a 21/11/2010 Veneza – Itália

4a Trienal de Arquitetura de Oslo 22/09/2010 a 01/10/2010 Oslo – Noruega

Congresso Internacional de Arquitetura Latinoamericana 06, 07 e 08/10/2010 Rosário – Argentina

Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo 11 a 17/10/2010 Medellín - Colômbia

Trienal de Arquitectura de Lisboa 14/10/2010 a 16/01/2011 Lisboa – Portugal

Interieur 2010 15 a 24/10/2010 Kortrijk - Bélgica

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Estudantes Concurso CBCA 2010 Inscrições até 30/07/2010

World Architecture Festival - Student Competition Inscrições até 31/07/2010

Archiprix International 2011 Inscrições até 01/08/2010

Arquitetos Making Space 2010

Inscrições até 08/08/2010

Royal Parks Foundation Drinking Fountain Envio do material até 22/09/2010

Arquitetos e Estudantes FORMCities Inscrições até: 15/08/2010

Playable10: International Design Competition Inscrições até 01/10/2010

2o Prêmio Suvinil de Inovação Inscrições até 10/10/2010

Divulgue um evento ou concurso: envie e-mail para mail@contemporaneu.com

concursos contemporaneu #02 | 13


3LHD Fotos: Damir Fabijanic


Centre Zamet: localizado na cidade de Rijeka, Croácia, o programa engloba 13 lojas, b ­ iblioteca, ginásio de handebol e praça pública.


O edifício conecta, através de seu espaço público, os diferentes níveis da topografia acidentada de seu entorno. A utilização dos elementos arquitetônicos em fita no sentido norte-sul delimitam os espaços públicos e privados. As duas primeiras fitas abrigam os espaços comerciais, a terceira, a biblioteca e o volume maior, o ginásio e o café.

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3LHD Os 51 mil azulejos que formam a cobertura do centro mostram a interação dos arquitetos com outros profissionais, utilizando padrões gráficos como estampa para a edificação, e a influência da paisagem natural croata, com a releitura das pedras gromača, comuns na região.

Estilistas, fotógrafos, cineastas, arquitetos. O que eles tem em comum? Para o escritório croata 3LHD, a colaboração entre os diversos campos das artes tem conduzido a reconhecimento e inúmeros prêmios para o estúdio que, em 16 anos de trabalho, já ganhou mais de 10 concursos nacionais e internacionais e possui uma extensa lista de segundos e terceiros lugares. Além da grande participação nos concursos, o escritório está entre o seleto grupo de arquitetos com a oportunidade de realizar grandes obras arquitetônicas e urbanísticas, a exemplo do complexo esportivo e cultural Centre Zamet, de 16.830 m2 e o projeto Riva Split, de mais de 14.000 m2, às margens do Mediterrâneo. contemporaneu #02 | 17


O ginásio de handebol, projetado para ser um espaço flexível, possui 2380 acentos retráteis. Para treinos, em que não é necessário a arquibancada, ela é escondida nas paredes dando lugar a duas quadras no sentido transversal. Para as competições, os acentos são expostos e utiliza-se a quadra principal, no sentido longitudinal. O espaço possui também área de imprensa, sala de reuniões, vestiários, auditório.

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A relação dos sócios Sasa Begovic, Marko Dabrovic, Tanja Grozdanic e Silvije Novak, que representam a nova geração da arquitetura croata, começou após receberem o primeiro lugar em uma competição em Zagreb, quando três estudantes de arquitetura e um arquiteto tiveram a necessidade de registrar o escritório. O nome 3LHD surgiu de uma brincadeira entre os sócios: significa 3 Lefthanders and a Hard Disk [três canhotos e um disco rígido], já que três dos sócios são canhotos e um apenas tinha paciência para mexer em computadores. Isso em meados de 1994, data da formação do escritório. Preocupados com a ligação entre obra e entorno, todos os projetos são discutidos pelos quatro sócios e seus colaboradores -ora fotógrafos, ora designers gráficos, estilistas, engenheiros- e a partir daí concebem o projeto de edificação enquanto experiência visual e sensorial. Suas influências são nitidamente as riquezas naturais da paisagem croata, além de filósofos como Manuel DeLanda e a própria história de seu país.


3LHD


Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo

Planta Baixa Primeiro Pavimento

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3LHD

Corte Longitudinal

Corte Transversal

Fachada Oeste contemporaneu #02 | 21


Polyclinic ST: fruto do concurso para construção do centro médico em Split, Croácia, o projeto recebeu primeiro lugar utilizando o programa de necessidades verticalmente, com áreas públicas no térreo e primeiro pavimento, clínica e administração nos cinco pavimentos superiores e estacionamento no subsolo.

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3LHD

Por se tratar de um país que viveu, recentemente, longo período de guerra, os arquitetos do 3LHD afirmam que a única maneira -enquanto estudantes e em início da carreira profissional- para obter informações sobre o mundo da arquitetura era através da internet, pela dificuldade de se conseguir livros. A internet, mesmo incipiente, não só possibilitou conhecer a

arquitetura mundial feita durante a década de noventa, mas também o contato com fornecedores de outros países. Desta forma, inclusive, foi possível a construção de um de seus primeiros e mais importantes projetos, o Memorial Bridge, já que a única forma de enviar os desenhos técnicos ao fabricante da estrutura de aço, na Suíça, era por e-mail.

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A fachada recebe um invólucro composto por faixas horizontais que tem função de proteger a edificação contra o sol, dar privacidade e, ao mesmo tempo, permitie que os espaços internos recebam iluminação natural.


3LHD O projeto para o centro desportivo da cidade de Bale, Croácia, enfrentou como principal desafio conectar a construção contemporânea com o entorno, repleto de edificações históricas em uma cidade predominantemente agrícola de 1000 habitantes.

A arquitetura e o urbanismo são tão importantes para os sócios do escritório quanto o design de interiores. Eles consideram inseparáveis os três níveis de escala no processo projetual, dependentes um do outro para completar o todo. Além disso, acreditam que no futuro, pelo aumento do preço dos imóveis e a escassez de terrenos, o papel do arquiteto será o de transformar espaços já construídos, aumentando a necessidade de pensar sobre o interior dos espaços. Enquanto o futuro não chega, esperamos que o escritório continue com seus projetos multidisciplinares e inspiradores para os arquitetos de hoje. contemporaneu #02 | 27


A inspiração para o projeto veio do kažun, um refúgio construído com pedras e utilizados por pastores para se refugiarem das altas temperaturas do verão. O ginásia serve tanto para a escola ao qual está conectado quanto para a população local, que possui acesso pela via pública.


Corte Longitudinal

Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo

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3LHD

Corte Transversal

Planta Baixa Primeiro Pavimento contemporaneu #02 | 31


Lukas Schaller

Loja da rede em Wenns, テ「stria, projetada por Astrid Tschapeller e Rainer Kテカberl.


MPreis A rede de supermercados que investiu em tipologias diferentes em cada loja.


comercial

Günter R. Wett

O que você conhece de arquitetura comercial? Grande parte das marcas possuem padrões tanto gráficos como arquitetônicos para sua identificação imediata. Seguindo essa linha de raciocínio, a rede austríaca de supermercados MPreis fez o oposto e, a partir da década de oitenta, começou a se distinguir das demais por utilizar projetos arquitetônicos únicos em cada unidade da rede. Criada em meados da década de 20, em Innsbruck, a primeira mercearia da austríaca Therese Mölk foi gradativamente dando espaço para lojas maiores até que, em 1974, foi fundado o primeiro

supermercado da MPreis, sob a direção dos netos da sra. Mölk, com inovações na forma de comprar, hoje já consagradas, como o fato de cada pessoa circular com um carrinho e escolher os seus produtos sem mais ter que pedir para um funcionário atrás de um balcão. Sem seguir estratégias comerciais, a terceira geração da família no negócio chamou o arquiteto, Heinz Planatscher, para construir algumas novas unidades da rede. Com a amizade construída entre o arquiteto e os donos da empresa, Planatscher inspirou a rede a investir em espaços arquitetônicos qualificados.


MPreis

A geometria rígida e a grande quantidade de vidro utilizado no projeto de Dominique Perrault, foi inspirada na fábrica de cristais Swarovski, que fica próxima ao supermercado, em Wattens.


O edifício em Telfs, projetado por Peter Lorenz, é determinado por uma fita contínua e painéis de vidro.

Thomas Jantscher


comercial

Thomas Jantscher

Lukas Schaller

Lukas Schaller

“No início os arquitetos geralmente se recusavam a projetar supermercados, consideravam um trabalho inferior. Após a inspiração do sr. Planatscher começamos a trabalhar com jovens arquitetos locais. Agora é o contrário, os arquitetos nos procuram para ofe­recer as suas ideias com a esperança de realizar um projeto conosco”, afirmou Hansjörg Mölk. De arquitetos mundialmente famosos, como o francês Dominique Perrault, a locais, como Peter Lorenz, todos trabalham em conjunto com a equipe da Mpreis para desenvolver os projetos das novas unidades, tendo como ­diretrizes principais as grandes aberturas, iluminação natural, espaços abertos, pé-direito alto. O reconhecimento pelo zelo arquitetônico da empresa veio a partir de 1993, com prêmios nacionais e internacionais, mas o que firmou a relação arquitetônica da empresa foi o convite de representar a Áustria na Bienal de Veneza de 2004. A rede de supermercados concentra a maioria de suas lojas no Tirol, apropriando-se da paisagem dos alpes tiroleses e conformando seus projetos com o terreno para tirar maior proveito da vista e criando um espaço não só de compras, mas espaços agradáveis de convivência e contemplação. 38 | contemporaneu #02


MPreis

“Hoje, as pessoas no Tirol pensam no Mpreis quando passam por um edifício em constução, cheio de madeira, vidro, etc. Nós não colocamos um cartaz anunciando que ali será uma loja Mpreis. As pessoas ficam curiosas e nos associam com projetos modernos e diversificados. Todas as lojas são diferentes uma das outras, mas tem uma coisa em comum: o cubo vermelho, a logomarca da nossa empresa”, completou Hansjörg Mölk.

Página ao lado: Acima: MPreis Bahnhof, projeto de Rainer Köberl. Meio: MPreis Achenkirch, projeto de Giner & Wucherer. Abaixo: MPreis Niederndorf, projeto de Peter Lorenz. Nesta página: MPreis Matrei in Osttirol, projeto de Hans Peter Machné. Imagens: cortesia de MPreis

Paul Ott


CityLife Milรฃo, Itรกlia


urbano

Museu de Arte ­Contemporânea

Milão, capital mundial da moda e coração financeiro italiano, cidade que um dia foi capital do Império Romano do Ocidente e também do reinado de Napoleão, completará, até 2014, um dos maiores projetos de renovações urbanas da Europa. Já com as obras avançadas, em um tempo total de construção de 7 anos, Arata Isozaki, Daniel ­Libeskind e Zaha Hadid são os arquitetos


CityLife

r­esponsáveis pelo projeto do CityLife, um empreendimento que está sendo construído sobre 255 mil metros quadrados da antiga área de exposições da Feira de Milão. O antigo sítio da famosa Feira de Milão -desocupado em 2005, quando da inauguração do novo pavilhão para o evento na vizinha Rho- recebeu esforços desde 2003 a fim de evitar o abandono e transformar essa imensa área, próxima ao centro da capital da região da Lombardia. A primeira etapa consistiu em um concurso entre 8 consórcios de empresas européias que contavam com arquitetos como Norman ­Foster, Rem Koolhaas, Antonio Citterio, Renzo ­Piano, do qual foi declarado vencedor, em julho de 2004, o CityLife, uma associação de 5 empresas da construção civil italiana com projeto dos renomados arquitetos ­Arata Isozaki, Daniel Libeskind e Zaha ­ Hadid. O projeto vencedor propôs a construção de mais de 117 mil metros quadrados para comércio, 18 mil para serviços e 153 mil para área residencial, dividida em 1.125 apartamentos. Além de novos edifícios, a proposta incluia a recuperação

Residências Hadid

Residências Hadid

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CityLife

01 - Il Curvo - Projetada por Daniel Libeskind, a torre possuirá 170 me­ tros de altura. 02 - Il Dritto - Projeto de Arata Isozaki, possuirá 220 metros de altura. 03 - Lo Storto - Projeto de Zaha Ha­ did, possuirá 190 metros de altura. 04 - Museu de Arte Contemporânea Projeto de Daniel Libeskind, terá 8.000 m2. 05 - Palazzo delle Scintille - Espaço cultural e recreacional para crianças e adolescentes. 06 - Residências Hadid - 7 blocos de 5 a 13 pavimentos. 07 - Residências Libeskind - 9 blocos de 4 a 13 pavimentos. 08 - Parque público - será o terceiro maior da cidade, com 160.000 m2.

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urbano

Nesta página: ­Perspectiva do parque público, Museu de Arte Contemporânea e as torres comerciais. Página ao lado: Acima: Il Dritto, de Arata Isozaki. Centro: Lo Storto, de Zaha Hadid. Abaixo: Il Curvo, de Daniel Libeskind.

do Pavilhão 3 da antiga feira e sua transformação em espaço cultural e recreativo para crianças e adolescentes. As três torres serão marcos visuais para a cidade, cada uma assinada por um dos arquitetos, sendo a projetada pelo japonês Arata Isozaki a maior da Itália, com 220 metros de altura. A nova centralidade possuirá o terceiro mais extenso parque público da cidade, com 160 mil metros quadrados, e incluirá o Museu de Arte Con-


CityLife

temporânea, ambos projetados pelo polonês-americano Daniel Libeskind. Hadid e Libeskind também assinam a autoria dos blocos residenciais, com detalhes interessantes e tipologias inusitadas. Nenhum automóvel será visível, pois todas as 7 mil vagas de estacionamento serão subterrâneas, transformando o parque em um local sem carros e podendo ser acessado a partir de três estações de metrô. Um delas no coração do espaço, junto ao setor de serviços criado para dar maior autonomia aos moradores e trabalhadores da nova área de Milão. Apesar de não haver grande conexão entre os blocos residenciais, as torres de escritórios e o museu, o CityLife entrará na animada rota de arquitetura contemporânea da cidade, que já conta com obras conhecidas de Massimiliano Fuksas, Dominique Perrault e Mario Botta. Imagens: cortesia de CityLife

Acompanhe a obra em tempo real. contemporaneu #02 | 47


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projetos


Casa JD BAK Arquitectos

Mar Azul, Argentina Fotos: Gustavo Sosa Pinilla


149 m2

Uma construção rápida, com custos controlados, de baixa manutenção e integrada à paisagem. Tais exigências foram respondidas pelo escritório argentino BAK ­Arquitectos com a casa JD, inaugurada em 2009 e localizada em Mar Azul, a 100 quilômetros ao norte de Mar del Plata, Argentina. A intenção de utilizar o mínimo de recursos materiais e formais é, antes de uma opção estética, um princípio ético de utilização mais racional dos diversos meios disponíveis, segundo

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os arquitetos. E a incorporação à paisagem é de forma a pertencer a ela, sem domesticar a realidade existente. O baixo orçamento disponível e a necessidade de acelerar o tempo de ­execução, aqui, foram fatores decisivos nas decisões estético-construtivas. A proteção térmica entre a primavera ao outono [por ser uma casa de veraneio], a resistência à água, a baixa manutenção futura e a expressividade, são os requisitos


Casa JD

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149 m2

responsáveis pela escolha do concreto aparente como predominante na residência. O concreto, ao lado do vidro, obedece às solicitações formais, estruturais, funcionais e de manutenção. Há também a madeira, apenas no deck externo e degraus da escada que acessa a casa. Exceto cadeiras, sofás e camas, o mobiliário também é de concreto. Foi evitado qualquer tipo de paisagismo, não somente para a conveniência de não conservá-lo, mas também para não criar áreas contrastantes com as características naturais da paisagem do privilegiado ambiente. O terreno de 20m x 30m tem grande inclinação e possui mais de 30 ­pinheiros de grande porte. Tem a peculiaridade de estar bem acima do nível da rua, o que passa a ser ­vantagem pela privacidade e a possibilidade de se prever grandes aberturas. A desvantagem foi a dificuldade em se resolver o acesso ao terreno. Foi solicitada pelos clientes uma residência com utilização em grande parte do ano, com dois quartos e dois banheiros [sendo uma suíte] e uma área social grande o suficiente para constituir espaços para diferentes usos, para as situações de

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Casa JD

receber muitos hóspedes. A cozinha deveria ser integrada na área social e a área total construída não poderia exceder os 150 m2. O ­resultado formal é bastante interessante, podendo-se destacar a existência de três meios-níveis [quarto inferior, área social e suíte], a falta de peitoris nos decks e varandas, o quarto semienterrado e a continuidade espacial estimulada pelos elementos fixos internos de concreto [criado-mudo e guarda-corpo que viram bancos].

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Casa JD

A proposta de habitação foi concebida como dois prismas puros, localizados em uma clareira entre as árvores, que se cruzam em ângulos retos. Todas as áreas da área social estão ligadas através de grandes ­aberturas para os terraços com decks de madeira. No centro da planta, a intersecção dos dois prismas cria um espaço de pé direito duplo, onde está a escada. O entorno penetra na casa visualmente, no caso das janelas altas horizontais, junto ao teto, e materialmente, de forma radical, quando os pinheiros existentes perfuram certos ambientes.

Término da Construção: 2009 Área construída: 149 m2 Área do terreno: 600 m2 Arquitetos: María Victoria Besonías, Luciano Kruk contemporaneu #02 | 61


149 m2

Planta Baixa Subsolo

Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo

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Casa JD

Corte Transversal

Corte Longitudinal

Corte Transversal contemporaneu #02 | 63


Residência em Cabbagetown Dubbeldam Design Architects

Toronto, Canadá Fotos: Shai Gil

Um desafio típico em Toronto: alterar e atualizar edifícios residenciais existentes preservando, obrigatoriamente, o caráter histórico típico da arquitetura vitoriana na paisagem urbana. Cabbagetown é uma das maiores áreas contínuas e conservadas de habitação vitoriana na América. É lá que se encontra esta casa geminada de 125 anos de existência, objeto de estudo e intervenção do Dubbeldam Design Architects até 2008, data do término das obras.


214 m2

O projeto de reforma resultou numa bem-sucedida valorização do imóvel. Basicamente operou-se sobre os principais imperativos além da preservação da fachada principal. Melhorar a iluminação e ventilação [são comuns no estilo vitoriano ambientes escuros e que beiram a insalubridade] e ampliar e modernizar a residência, tudo a custos reduzidos, eram as prioridades dos contratantes do escritório canadense.

Dois foram os procedimentos mais evidentes. Primeiramente, a demolição dos fundos da edificação -parte que não é protegida pelos órgãos locais de preservação do patrimônio- para dar lugar a um ­ anexo visivelmente contemporâneo, todo envidraçado na orientação sul, intensificando a entrada de sol nos meses de inverno. De relevância semelhante é a adição de um terceiro pavimento, que ocupa quase


Residência em Cabbagetown

a totalidade do perímetro da casa. Interessante notar como o terceiro andar não prejudica a face principal da fachada, sendo invisível aos olhos do pedestre. A casa ganha em área e conforto ambiental com os novos complementos. Além disso, são eliminados corredores e divisões internas da parte antiga com o intuito de aumentar a fluidez, para a circulação das pessoas e do ar. Isso sem falar no ganho de luminosidade, com uma clarabóia central acima da nova escadaria, agora vazada. A clarabóia, além de promover mais luz natural, também responde por uma importante perda de calor, se aberta. O pavimento a mais permitiu a criação de uma ­biblioteca e uma sala mais íntima no andar intermediário, que garantiu grandes áreas integradas. Revertido o enclausuramento e mantida a pele vitoriana, a [enfim] confortável e saudável residência atende às normas patrimoniais, agrada aos defensores do aspecto históricoarquitetônico -representado pela fachada conservada- e estimula os entusiastas do diálogo entre antigo e atual, de maneira simples, elegante e nada ostentatória. contemporaneu #02 | 69


214 m2

Término da Construção: 2008 Área construída: 214 m2 Arquitetos: Dubbeldam Design Architects

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ResidĂŞncia em Cabbagetown

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Svarmisk Resort & Spa Grant Amon Architects Mount Beauty, Austrรกlia Fotos: Peter Bennetts


Svarmisk Resort & Spa

Este inusitado conjunto de edificações de dois pavimentos faz parte do Svarmisk Resort & Spa, um complexo voltado ao ecoturismo com inspiração escandinava localizado na pequena cidade de Mount Beauty, no sudeste da Austrália, entre Camberra e Melbourne. Conta hoje com seis apartamentos de 1, 2 ou 3 quartos, em 2 ou 3 an-

dares. Construído em 2007, os arquitetos buscaram interferir minimamente no local. Foram reutilizados concreto e tijolos triturados para os muros de contenção e a madeira de pisos, paredes e forros do resort foi reaproveitada dos edifícios que ali existiam.

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900 m2

Para evitar o desperdício de energia elétrica, os apartamentos -voltados para o norte- possuem grandes janelas que permitem a entrada de luz natural durante o dia e, aliado com ventilação cruzada e isolamento eficiente, dispensam a utilização de climatizadores durante a maior parte do ano. O paisagismo e a arquitetura respeitam cuidadosamente o relevo natural, as árvores exóticas e indí-

genas e os contornos da floresta. A expressividade dos edifícios chama a atenção pela grande quantidade de aberturas, assimetria, mistura de materiais e cores, ângulos fortes, pilares fora do prumo. Curiosamente, em planta baixa os projetos são bastante regulares. Todos os edifícios do resort possuem sistema de captação de água pluvial para utilização em vasos sanitários e jardins.


900 m2 Término da Construção: 2007 Área construída: 900 m2 Arquitetos: Grant Amon, Grant Dixon, Beth Courtney Orçamento: Slatterys Australia Consultor Energia Elétrica: Canville Holdings Consultor Ambiental: Third Ecology Paisagismo: Land Design Partnership Consultor Estrutura: Felicetti Planejamento: Urban Edge Consultants Design Gráfico: Chimera Design

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O prédio isolado sinaliza a entrada do resort. Trata-se de um centro de acolhimento com serviços. É solto do terreno e seu programa define para o térreo as funções de recepção, foyer, café e loja. No pavimento superior um apartamento com terraço para o ­gerente, que pode ser convertido em uma unidade de serviços de saúde. A recepção é acessada através de uma pequena ponte sobre o riacho que cruza o terreno.


Svarmisk Resort & Spa

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900 m2

Implantação

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Svarmisk Resort & Spa

Fachada Norte

Fachada Oeste

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900 m2

Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo

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Svarmisk Resort & Spa

Planta Baixa Primeiro Pavimento

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Embaixada Estoniana em Vilnius 3+1 architects

Vilnius, Litu창nia Fotos: Kaido Haagen


1312 m2


Embaixada Estoniana em Vilnius

Um concurso de arquitetura propiciou a construção deste edifício duplamente pioneiro. Além de ser a primeira embaixada da Estônia desde sua independência [em 1991], é o primeiro edifício em Vilnius, capital da Lituânia, especialmente concebido para ser uma embaixada – até a 2ª Guerra Mundial, a capital lituana era Kaunas. Com cerca de 600 mil habitantes, Vilnius é a maior cidade do país e foi notícia em 2008 por conta de outro concurso: o novo Guggenheim Hermitage Museum, vencido pela iraquiana Zaha Hadid.

A escandinávia tem um importante papel no processo de constituição da arquitetura da Estônia, casa do 3+1 Architects, escritório vencedor do projeto da embaixada. A geografia ajuda a entender o motivo: Helsinki fica a menos de 100 km da capital Tallinn. Ainda nas primeiras décadas do século 20, os finlandeses Armas Lindgren e Eliel Saarinen realizaram importantes projetos no mais setentrional dos três países bálticos. A sobriedade e o funcionalismo modernos do também finlandês Alvar Aalto e do dina­ marquês Arne Jacobsen, porém,

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1312 m2

exerceram a mais forte influência na arquitetura estoniana, a partir dos anos 60. O que se percebe na atualidade é a união desta marca nórdica com elementos locais. O projeto vencedor, de 1996, destaca-se por aspectos simbólicos e pela organização dos espaços internos, dispostos em sete meios-níveis [o edifício tem três andares e meio de altura]. Cada meio-nível possui uma função distinta, o que facilita a fluidez, o reconhecimento e a circulação - evitando corredores. Do corpo principal é projetado um volume

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Embaixada Estoniana em Vilnius

de um andar e meio que abriga o salão principal e outras atividades de serviço. O deslocamento dos pisos é refletido no desalinhamento das aberturas - do centro em direção às extremidades. A fachada principal é revestida com placas de calcário cuidadosamente moduladas em relação às janelas. O material da fachada, aliás, evoca dois elementos de tradição estoniana. O calcário, ao lado da madeira, são historicamente usados no país, sendo o primeiro em edificações urbanas e fortificações e o segundo largamente utilizado como referência ao antigo rehetare [barndwelling ou celeiro-moradia] do campo. Além disso, a pedra cinza apresenta tons da centáurea-azul, a flor-símbolo da Estônia [cuja representação já foi, inclusive, banida durante a ocupação soviética] que empresta sua cor à listra superior da bandeira, acima da branca e da preta. Seu envoltório simples, com tirantes de aço estruturando as paredes de vidro leitoso, resguarda o interior optando por exibir apenas os eventos internos através da observação do acender e apagar das luzes. Esse caráter defensivo é contemporaneu #02 | 91


1312 m2

Projeto: 1996-1997 Término da Construção: 1998 Área: 1312 m2 Arquitetos: Markus Kaasik, Andres Ojari, Ilmar Valdur, Inga Raukas.

característico de uma embaixada, pelas suas demandas de segurança. Mesmo com tal restrição e além do seu significado político, o prédio intensifica a presença da Estônia na Lituânia - já indicada pela proximidade física e pela intensa negociação de itens como veículos, alimentos preparados, bebidas, fumo, maquinaria e metais. Na virada do milênio, porém, a terra onde nasceu Louis I. Kahn passava a exportar também arquitetura contemporânea.


Embaixada Estoniana em Vilnius

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1312 m2

Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo

Planta Baixa Primeiro Pavimento

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Embaixada Estoniana em Vilnius

Corte Transversal

Corte Longitudinal contemporaneu #02 | 95


46 Habitações Sociais

46 Habitações Sociais ACXT

Barakaldo, Espanha Fotos: Iñigo Bujedo

Assim como a vizinha Bilbao, a cidade de Barakaldo, na Espanha, está investindo em projetos arquitetônicos para requalificar áreas que ficaram abandonadas pela falência de diversas empresas após a crise industrial da década de 80. A siderúrgica AHV, em 1996, que chegou a atingir a posição de maior empresa espanhola, é um desses exemplos. Barakaldo decidiu revi­ talizar o terreno de uma das antigas sedes da empresa, à beira do rio Ibaizabal, e transformá-la em área residencial, comercial e criar um parque público com ampla área esportiva.

Dentre os edifícios residenciais, ­destaca-se o projeto do escritório espanhol ACXT, agraciado com primeiro lugar no concurso de anteprojeto para habitações sociais, promovido pelo Governo Basco. O edifício, separado em dois volumes a partir do primeiro pavimento, possui 4 circulações verticais independentes, sendo três para o bloco localizado na parte leste do terreno e uma para o bloco localizado a oeste, que possui seis unidades habitacionais acessíveis a portadores de necessidades especiais.

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7597 m2

Construção: 2004 - 2007 Área: 7.597 m2 Arquitetos: Ana Morón + Javier Pérez Uribarri.


46 Habitações Sociais

A forma proposta com dois blocos alinhados nas extremidades do terreno, pouco usual, apresenta inúmeras vantagens em relação aos edifícios com apenas uma torre central, pois, desta forma, todos os 40 apartamentos do bloco maior possuem aberturas para leste e oeste, ge­ rando boa iluminação natural e circulação cruzada de ar. Para tornar os blocos independentes, há um jardim seco entre eles, apenas com alguns canteiros com árvores para garantir a privacidade dos apartamentos que dão acesso direto ao pátio. Os dois volumes são revestidos em painéis de concreto, sendo o menor em preto, para dar continuidade à base da edificação que se estende por todo o terreno e abriga as 4 entradas mais o espaço comercial. O segundo bloco foi revestido na cor verde, para um diálogo com as árvores da praça, e as fachadas sul e leste são revestidas com sistema de isolamento Coteterm.


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46 Habitaçþes Sociais

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7597 m2

Planta Baixa Subsolo 2

Planta Baixa Subsolo 1

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46 Habitaçþes Sociais

Planta Baixa Primeiro Pavimento

Planta Baixa Sexto Pavimento contemporaneu #02 | 103


7597 m2

Fachada Oeste

Corte Transversal

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46 Habitaçþes Sociais

Fachada Norte

Corte Transversal contemporaneu #02 | 105


City Business Centre Andreescu & Gaivoronski Associated Architects TimiĹ&#x;oara, RomĂŞnia Fotos: Ovidiu Micsa


10500 m2

Timişoara é uma cidade com cerca de 320 mil habitantes, no extremo ocidental do território romeno, próxima das fronteiras com Hungria e Sérvia. É considerada a porta de entrada da Romênia para a Europa Ocidental. Em uma área degradada, próxima ao centro antigo, que está este centro de negócios, o City Business Centre, projetado pelo escritório Andreescu & Gaivoronski Associated Architects. Os dois edifícios de escritórios já concluídos são a primeira e segunda fase de um conjunto de cinco edifícios, que substituem, passo a passo, a indústria têxtil existente em um terreno de 14 mil metros quadrados. O terceiro edifício está em obras e o conjunto é previsto para 2012. Funcionam no empreendimento o braço regional de algumas firmas multinacionais, como Microsoft România SRL, IBM, PricewaterhouseCoopers, Vodafone Romania e RBS Bank. A configuração dos ambientes é simples, caracterizada por uma sobreposição de camadas funcionais: subsolo com estacionamento e espaços técnicos, piso térreo e mezanino dedicados a serviços de 108 | contemporaneu | julho 2010


10500 m2

varejo e cinco andares para escritórios. O mezanino define um componente dominante horizontal que integra o todo com terraços verdes transitáveis sobre ele. Com duas peles, a fachada permite um espaço entre elas para o acesso à manutenção. Vidro, mármore e madeira composta predominam no interior. A gestão e o controle das perdas de energia é exemplificada na automação dos brises da fachada através de um sistema inteligente, o BMS [Building Management Systems], que coordena o fecha-

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mento e a abertura das lâminas de vidro de acordo com aspectos meteorológicos, tudo através de sensores. A estrutura é modulada por vigas de aço e pilares mistos, permitindo vãos de 11 metros, que tornam o espaço interno mais flexível. Os pilares mistos são aqueles que combinam um ou mais perfis de aço com o revestimento ou o preenchimento de concreto. A combinação dos dois materiais em pilares mistos propicia além da proteção ao fogo e à corrosão, o aumento da resistência do pilar.


City Business Centre Término da Construção: 2008 Área: 10500 m2 Arquiteto: Andreescu & Gaivoronski Estrutura: H.I. STRUCT Engenharia Hidráulica e Aquecimento: Daro Proiect e AGASI Engenharia Elétrica: CAPABIL Gerenciamento da obra: S ­ CHNEIDER ELECTRIC R ­ OMANIA e IMSAT C ­ UADRIPOL


10500 m2

Planta Baixa Segundo Pavimento

Implantação

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City Business Centre

Planta Baixa Terceiro Pavimento

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10500 m2

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City Business Centre

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Universidade Ă˜stfold em Halden Reiulf Ramstad Architects

Remmen in Halden, Noruega Fotos: Kim MĂźller


28000 m2

No outono de 2005, a Universidade Østfold mudou-se para suas novas instalações em Halden, Noruega. Para isso, foi necessário um plano de ampliação e renovação das instalações existentes. Ficou a cargo do escritório norueguês Reiulf Ramstad Arkitekter [RRA] o projeto arquitetônico que promoveu uma estreita integração entre o novo e o atual, sublinhando o contraste entre

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seus volumes usando prismas geométricos simples e material diferente nas fachadas do novo bloco central. Dimensionada para 3 mil estudantes, a escola consiste nas faculdades de Ciências Sociais e Línguas Estrangeiras, Ciências da Computação e ­Faculdade de Educação. O edifício remodelado foi construído na década de 70 e exigiu uma reforma considerável e imediata para atender


Universidade Østfold em Halden

às ­ necessidades futuras da escola expondo seus espaços internos comuns, tratados como pequenas ágoras. Pairando sobre os outros edifícios de tijolos, na direção leste-oeste, um volume revestido de madeira abriga, entre outras funções, as salas de aula. Poderia ser visto como um edifício solto e independente do todo, mas é justamente o elemento de articulação, a coluna vertebral de todo o complexo, devassável inter-

namente. A escolha cuidadosa de materiais contrabalanceia cores e materiais quentes, como a madeira e o tijolo, com concreto e vidro. As múltiplas aberturas nas fachadas envidraçadas não prejudicam a eficiência energética dos edifícios, mas, ao contrário, reduzem a necessidade de luz artificial. Formado na Itália em 1991, Reiulf Ramstad é o proprietário e principal diretor do RRA, estabelecido como


Universidade Østfold em Halden

empresa em 1995. A filosofia de trabalho do escritório, percebida na Universidade Østfold, visa evidenciar as tensões entre global e local, natural e artificial, espaço real e virtual e entre a imobilidade e a mudança, acomodando a diversidade e o tempo no espaço arquitetônico. Ao mesmo tempo normatizado e flexível, permite muitas formas de organizar circulação, zonas e atividades. E acomoda o espírito inquieto da sociedade humana, característica fundamental do ambiente acadêmico e da própria arquitetura.

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28000 m2 Projeto: 1998-2002 Construção: 2004-2006 Área: 28000 m2 Arquiteto: Reiulf Ramstad Architects Engenheiro Estrutural: Dr Techn. Kristoffer Apeland Engenheiro Mecânico: Erichsen & Horgen engineering Engenharia Eletricista: Støltun Engineering Interior: Reiulf Ramstad Architects Paisagismo: Multiconsult 13.3 landscaping

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Universidade Ă˜stfold em Halden

Planta Baixa Pavimento TĂŠrreo contemporaneu #02 | 127


de


projetos e estudantes


projetos de estudantes

Centro de Cirurgia de Ambulatório de Espinho Disciplina: Projecto I Período: 8o e 9o Instituição de ensino: Universidade Lusíada do Porto Nome: Nuno Diogo Lopes Serrão Soares da Costa email: nsoaresdacosta@gmail.com Cidade: Porto, Portugal


Nuno Diogo Lopes Serrão Soares da Costa

Organograma

Implantação contemporaneu #02 | 133


projetos de estudantes

Planta Baixa Primeiro Pavimento

Planta Baixa Segundo Pavimento

Planta Baixa Quarto Pavimento

Planta Baixa Quinto Pavimento

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Nuno Diogo Lopes Serr達o Soares da Costa

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Planta Baixa Terceiro Pavimento

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i Planta Baixa Sexto Pavimento contemporaneu #02 | 135


projetos de estudantes

Corte Longitudinal

Corte Transversal

Fachada Rua 39 136 | contemporaneu #02


Nuno Diogo Lopes Serr達o Soares da Costa

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projetos de estudantes

CAU360° Conselho de Arquitetura e Urbanismo – GOIÁS Disciplina: Projeto de Arquitetura III Professores: Dra. Ludmila Rodrigues de Morais e Ms. Lucas Jordano Instituição de ensino: Universidade Estadual de Goiás Nome: Lucas Felício Costa email: lucascosta.arq@gmail.com Cidade: Goiânia, Goiás


Lucas Felício Costa

Implantação contemporaneu #02 | 139


projetos de estudantes

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Lucas FelĂ­cio Costa

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projetos de estudantes

Planta Baixa Primeiro Pavimento

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Lucas FelĂ­cio Costa

Planta Baixa Quarto Pavimento

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projetos de estudantes

Corte AA

Corte BB 144 | contemporaneu #02


Lucas FelĂ­cio Costa

Corte CC

Fachada Noroeste contemporaneu #02 | 145


d


projeto de concurso


concurso

A House in Luanda Lima Mourão - Arquitetura, Urbanismo e Design Luanda, Angola

A proposta do escritório piauiense Lima Mourão - Arquitetura, Urbanismo e Design, sediado em Teresina, para o concurso internacional A House in Luanda – Patio and Pavilion, segue as exigências do certame, destaca-se pela simplicidade e pelo baixo custo e baseia-se em preceitos de sustentabilidade. Promovido pela Trienal de Arquitetura de Lisboa em conjunto com a Trienal de Luanda, o concurso tem por objetivo selecionar a melhor 148 | contemporaneu | julho 2010

proposta de habitação unifamiliar com pátio, capaz de abrigar famílias em situação de grande carência compostas de 7 a 9 pessoas [pais, 3 a 5 filhos e 2 avós]. Deve levar em conta as características locais e adaptar-se a terreno plano na periferia de Luanda. Em termos quantitativos, há as seguintes limitações: área construída de 100 m2, em lote de 250 m2 e com o custo máximo de 25 mil euros. Capital da Angola, Luanda é a terceira maior


A House in Luanda

cidade lusófona do mundo -atrás apenas de São Paulo e Rio- e sofre pelo intenso processo de explosão demográfica e seus consequentes problemas de mobilidade e déficit habitacional. Um trecho do regulamento diz assim: “Pretende-se que seja criado um modelo replicável que traduza a especificidade social, econômica e cultural de Luanda, querendo que este modelo ‘faça tecido urbano’, utilizando sistemas, práticas e materiais correntes da arquitetura local. O sistema de construção deve privilegiar a lógica de sustentabilidade, podendo considerar-se a construção em etapas ou mesmo o recurso à auto-construção por parte dos seus futuros moradores, desejando-se uma atitude prospectiva associada a uma componente evolutiva do modelo”. É proposto o sistema de mutirão dada a simplicidade construtiva das técnicas adotadas, Os fechamentos e as fundações são em superadobe, tecnologia criada nos anos 80 pelo iraniano radicado na Califórnia Nader Khalili, extremamente econômica devido ao aproveitamento da terra proveniente do próprio local como matéria primordial da construção. contemporaneu #02 | 149


concurso

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A House in Luanda

Resulta também em rapidez construtiva e conforto térmico. Aliados ao superadobe foram propostos sistemas sustentáveis para uso e gerenciamento sistêmico de água, esgoto e produção de orgânicos como o canteiro biosséptico (fossa de bananeiras) e a captação de água de chuva para irrigação de jardim cultivável, visando economia nos meses de chuva (de março a junho). O programa resume-se a estar com varanda de entrada integrada à cozinha, área de serviço, 4 quartos e banheiro, circulação lateral externa e jardim interno -também tido como área de ampliação futura, e recuo lateral no acesso principal, permitindo a posterior integração de uma garagem, comércio ou outro uso. São oferecidas possibilidades de crescimento [mais cômodos, garagem, loja], da associação de duas ou até quatro unidades habitacionais, formando um grande pátio interno e de alteração de uso [por exemplo, um centro comercial no qual cada cômodo se torna um ponto comercial

e todos são acessados pelo pátio interno, uma área de integração arborizada]. A adaptação ao clima local, quente e seco, com pouca umidade, é refletida na saída de ar quente por cima da cobertura do corredor externo, na ventilação cruzada dos ambientes e na permeabilidade do solo. Os arquitetos estimam o custo em 60% do exigido no concurso, seria cerca de R$ 470,00 o metro quadrado.

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concurso

Corte Longitudinal

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A House in Luanda

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Ar Quente

Sala de Estar Cozinha Área de Serviço Dormitório Banheiro Canteiro Biosséptico Pátio Interno

Ventilação Natural

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info@shaigil.com Canadรก

Shai Gil fabijanic@fab.hr Croรกcia

Damir Fabijanic


ovidiu.micsa@gmail.com Rom锚nia

Ovidiu Micsa

fot贸grafos

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gustavo@sosapinilla.com.ar Argentina

Gustavo Sosa Pinilla


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inigo@inigobujedo.com Espanha

Iùigo Bujedo marko@markohuttunen.com Finlândia

Marko Huttunen


kaido@haagen.ee Est么nia

Kaido Haagen

fot贸grafos

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pb@peterbennetts.com Austr谩lia

Peter Bennetts


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Contemporaneu - arquitetura contemporânea #02  

Nesta segunda edição a revista Contemporaneu apresenta o escritório croata 3LHD, que une bom humor e criatividade em seus projetos de difere...

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