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Origem e perfil

O s m é d i c o s a c re d i t a m q u e a c a u s a d o TO C pode ser biológica – uma di s f u n ç ã o e m u m c i r c u i t o n e u r o n a l e q u e e nvolve os núcleos da base e a r e g i ã o c o r t i c a l ó r b i t o f r o n t a l . F e r r ã o c o m enta que a disfunção nesses cir c u i t o s c o s t u m a e n v o l v e r a s e r o t o n i n a , um neurotransmissor. Existe ai n d a a c a u s a p s i c o s s o c i a l – e v e n t o s t r a u máticos, perdas e quadros de p r e s s i v o s . A g e n é t i c a t a m b é m t e m s i d o estudada. Geralmente, pa ci e n t e s c o m TOC p o s s u e m a l g u m f a m i l i a r que também tem a doença. O T r a n s t o r n o O b s e s s i v o C o m p u l s i v o p ode aparecer em qualquer pe s s o a , m u i t a s v e z e s n a a d o l e s c ê n c i a , m a s também pode começar na in f â n c i a . “H á p e s s o a s q u e , a n t e s d e e v i d enciarem sintomas de T OC, m o s t r a m - s e p e r f e c c i o n i s t a s , m a s i s s o n ã o chega a ser uma regra. O tra n s t o r n o p o d e a c o m e t e r t o d a s a s r a ç a s e ocorrer em todos os países do m u n d o ” , o r i e n t a o p s i q u i a t r a .

Doenças relacionadas

Segundo Ivonete, todos nós temos manias, mas quando comprometem nossa vida podem ser indícios de TOC. As manias são passageiras e precisamos diferenciá-las dos tiques e outras patologias, como por exemplo a Síndrome de Tourette, caracterizada por movimentos involuntários do corpo e que pode incluir vocalizações; ou a Tricotilomania, em que a pessoa arranca cabelos e pelos. “Além disso, cerca de 90% dos pacientes com TOC também terão algum quadro depressivo e aproximadamente 70% terão alguma outra doença dos transtornos de ansiedade, como o pânico, a fobia social e o transtorno de ansiedade generalizada”, completa Ferrão.

A solução

O primeiro passo para tratar o TOC é aceitar seus sintomas sem realizar as compulsões. Isso é adquirido com a ajuda da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Com o tempo, o paciente aprende a se controlar e acaba com as compulsões e obsessões. “O tratamento deve ser medicamentoso e psicoterapêutico, ou seja, acompanhado por um psiquiatra e um psicoterapeuta. O psiquiatra administrará a medicação e o psicoterapeuta ensinará a lidar com os pensamentos, comportamentos e emoções”, orienta Ivonete. Os remédios mais utilizados são os chamados inibidores da recaptação da serotonina, como a fluvoxamina, fluoxetina, paroxetina, sertralina, citaloprame e escitalopram. Segundo Ferrão, eles podem levar até quatro meses para fazer efeito. Cerca de 60% dos pacientes melhoram bastante, 20% tem resposta parcial e 20% não melhoram. “Para estes últimos 20% há outras estratégias, como reforçar a medicação usando-se outro remédio associado, aumentar as sessões de TCC ou até mesmo realizar um procedimento neurocirúrgico”, finaliza o psiquiatra.

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