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AgroColuna

CONSORCIAÇÃO DE CULTURAS S

Sistema já foi criticado no passado, mas custos mais baixos e conscientização mostram vantagens e lucratividade

er pequeno produtor não significa plantar apenas para subsistência. Ser pequeno é mostrar que também é possível ser responsável com a terra onde se planta e se colhe e, mais, é ser agente de mudança e transformação. Isso é possível, por exemplo, por uma técnica que, embora não seja nova, tem se mostrado solução inteligente para o presente e futuro: a consorciação de culturas ou consórcio de culturas. O sistema nada mais é do que o plantio de duas ou mais espécies em uma mesma área ou safra, onde uma se beneficia da outra para controle de pragas e doenças, aumento de produtividade e renda e consequente redução de custos, com recuperação e/ou conservação do solo. Na prática, uma mesma máquina é utilizada para plantar duas diferentes culturas e o sistema de irrigação não precisa ser deslocado ou adaptado, o que resulta, também, em otimização de tempo. De modo geral, os resultados e benefícios vêm a longo prazo, mas a falta de informação ainda gera descrença. No Brasil, apenas na década de 70 esses aspectos começaram a ser mensurados por meio de pesquisas e a mostrar que 40

a opção por multiculturas não era destinada apenas para quem possuía poucos recursos para investir na plantação. Felizmente, nos últimos anos, a consorciação de hortaliças a grãos tem ganhado adeptos em todo o país, e o que se tem visto é a melhoria de cenário em casos em que antes a monocultura degradava paulatinamente o solo. Um case de sucesso é o da consorciação de macadâmia e café, resultado de uma parceria entre a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), que mostrou um aumento de 10% na produção de café e em 176% da macadâmia nas cinco primeiras safras. Mas como qualquer sistema, o consórcio exige que o produtor tenha conhecimento e orientações corretas para evitar prejuízos e desgastes. O ‘segredo’ está na escolha da área a ser plantada, considerando região e caraterísticas de solo e metereologia, além da combinação de culturas permanentes e anuais adaptáveis, para que uma não prejudique a outra; no cuidado com pragas

e doenças; e na adubação controlada, entre outros pontos. Sem informação, pecados como a retirada ou queima dos restos culturais geram desperdício de dinheiro e recursos, já que estes são uma fonte natural de recarga dos nutrientes da terra.

WANDER RODRIGUES CAVARZAN

CEO da Bonanza Agro Apresentador do programe-te na Record News sobre o agronegócio www.bonanzaagro.com

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Magazine AgroFest - 31ª Edição  

Magazine AgroFest - 31ª Edição JUNHO/JULHO 2019 - Distribuída em São José do Rio Preto/SP e mais 34 cidades da Região. www.magazineagrofest...

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