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Sessões Coordenadas PROGRAMA EDUCATIVO DE CURTA AÇÃO NO MANEJO DA ASMA EM NÍVEL AMBULATORIAL Asma brônquica é uma doença com uma alta prevalência em nosso meio e ao redor do mundo (5 a 10% da população). Durante as última décadas, houve crescente conhecimento sobre a fisiopatologia e tratamento desta doença. A despeito disso, as evidências mostram que houve um aumento da morbidade e da mortalidade por asma brônquica ao redor do mundo. Uma das razões apontadas para esta piora da estatística da asma é a inadequada divulgação destes avanços e de suas implicações no tratamento. O controle da asma depende da prescrição do tratamento pertinente, da disponibilização da medicação no sistema público de saúde e do uso correto dos dispositivos inalatórios. O projeto se desenvolve de forma continuada no ambulatório de asma do Serviço de Pneumologia do 2

HCPA, às segundas-feiras, das 12:30-16:00 h. A equipe executora do projeto de extensão envolve estudantes de graduação de Medicina, os médicos residentes responsáveis pelo atendimento assistencial e os professores orientadores. A ação de extenão tem por objetivo geral: a) Prosseguir esforços para desenvolver e aperfeiçoar processos assistenciais e metodologias para a avalição rotineira da gravidade e grau de controle da doença. b) Prosseguir na implantação rotineira da medida do PFE como parâmetro de avaliação objetiva “à beira do paciente”. c) Prosseguir no desenvolvimento de processo educativo interligado ao atendimento ambulatorial. d) Prosseguir em esforços de identificar fatores relacionados com o mau controle da doença e propor intervenções específicas. e) Construir interface com a pesquisa. O processo educativo é fundamental para o manejo da asma. Os programas convencionais de educação em asma possuem uma duração prolongada e abrangem um número restrito de pacientes. As evidências da efetividade de programas de curta du-


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ração no manejo da asma ambulatorial são precárias. Nessa etapa específica, o programa objetiva avaliar o efeito de um programa educativo de curta duração sobre o manejo ambulatorial da asma, melhorando a qualidade de atendimento, identificando os fatores associados com o não-controle da doença e fornecendo um processo educativo de curta duração. O uso efetivo de corticóide inalatório e a utilização correta dos dispositivos inalatórios são as prioridades no processo eductivo. Os pacientes asmáticos foram avaliados antes e depois do programa educativo de curta duração. Todos eram pacientes com diagnóstico de asma, atendidos ambulatorialmente. Os dados clínicos foram registrados utilizando questionário padronizado. Foram realizadas medida do pico de fluxo expiratório (PFE) e espirometria. O grau de controle da asma foi aferido de acordo com o proposto pela Global Iniative for Asthma (GINA). Todos os pacientes receberam uma orientação educativa de curta duração, imediatamente após o atendimento ambulatorial de rotina

para tratamento da asma. Em reconsulta de rotina, os pacientes foram submetidos a uma nova avaliação. Resultados: Foram estudados 111 pacientes, 30 masculinos e 81 femininos, com idade média de 53,0 anos. Na avaliação inicial, a asma era controlada ou parcialmente controlada em 35 pacientes e não-controlada em 76 pacientes; enquanto na reconsulta era controlada ou parcialmente controlada em 39 pacientes e não-controlada em 72 (p=0,026). O uso efetivo do corticóide inalatório aumentou significativamente de 101 pacientes para 105 pacientes.

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Sessões Coordenadas INOVAÇÕES NO PROJETO CRESCENDO COM A GENTE: CONTRIBUIÇÕES ATRAVÉS DO OLHAR DOS ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM INTRODUÇÃO: A atenção à saúde da criança configura-se como um campo interdisciplinar. Entre as diversas estratégias utilizadas nas ações que envolvem o encontro de diferentes saberes, pode-se situar o brincar, que é universal, constituindo-se numa atividade básica da criança e que deve estar presente em todas as situações de sua vida. Ele deve ser visto não apenas na perspectiva de recreação, mas como recurso terapêutico, que promove, além da continuidade do desenvolvimento infantil, a possibilidade de elaboração de experiências, funcionando como uma linguagem não-verbal de domínio da criança (MITRE, 2006). Quando a doença e a hospitalização surgem no viver da criança acarreta juntamente uma ruptura com sua 4

vida cotidiana, fazendo com que uma série de mudanças aconteça em sua vida e de sua família, ficando afastada de seu ambiente, seus familiares, amigos, brinquedos e escola, passando a conviver com pessoas e situações por vezes desconhecidas. E assim, o brincar constitui-se um meio eficiente para diminuir esse estresse, amenizar o sofrimento e por vezes tentar esquecer as sensações de dor. A recreação é um dos recursos mais significativos que as instituições de saúde podem e devem disponibilizar à criança e sua família, visto que colabora com a redução de morbidades emocionais e sociais, decorrentes da internação hospitalar. Ao brincar, a criança constrói o seu mundo de representações e de referências, ampliando e fortalecendo o seu patrimônio emocional, necessário para o enfrentamento de situações estressantes como a doença, a separação da família, os procedimentos invasivos, a dor física e/ou emocional e a hospitalização (MORSCH; ARAGÃO, 2006). A atividade lúdica e o brincar quando presente no viver da criança hospitalizada possibilita a expressão de sentimentos, idéias, preferências, afetos e hábitos. Assim, o Projeto de Extensão


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“Crescendo com a Gente” foi criado para proporcionar situações de brincadeiras e momentos de troca afetiva, desenvolvendo atividades recreativas que estimulam a manifestação lúdica das crianças hospitalizadas na internação pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em períodos do dia em que a sala de recreação não está funcionando. Constitui-se numa proposta cujo eixo norteador é o desenvolvimento do cuidado humanizado em pediatria, desenvolvendo atividades de brincadeira livre que estimulam a manifestação lúdica das crianças hospitalizadas, pois a necessidade de brincar não pára quando as crianças então doentes ou no hospital. Neste ano, a equipe executora está composta por 55 acadêmicos do curso de Enfermagem, inseridos no projeto desde os semestres iniciais, oportunizando um primeiro contato dos acadêmicos com o ambiente hospitalar desde o início da graduação. As atividades são desenvolvidas de 2ª à 5ª das 18h às 20h nas alas norte e sul do 10º andar do HCPA. Viabiliza o envolvimento entre acadêmicos, crianças e familiares, tornando-se uma experiência ímpar no processo acadêmico.

O conhecimento das percepções dos estudantes sobre as repercussões do projeto em seu viver acadêmico e as melhorias possíveis de serem implementadas pode tornar a proposta ainda mais atraente e enriquecedora, à medida que possibilita à equipe coordenadora elementos para um repensar contínuo das melhores oportunidades a serem oferecidas aos acadêmicos durante suas vivências enquanto participantes da equipe executora. OBJETIVO: conhecer e compreender as percepções dos estudantes relativas à participação nas atividades propostas e as experiências vivenciadas enquanto integrantes da equipe executora do Projeto de Extensão “Crescendo com a Gente” e as sugestões de melhorias a serem implementadas. METODOLOGIA: por tratar-se de um estudo que visa captar a realidade, como esta é vivida e percebida pelos sujeitos envolvidos nos processos pesquisados, optou-se pela utilização da pesquisa com abordagem qualitativa do tipo exploratório descritivo, realizado através de entrevistas com pessoas que, segundo Gil (2002, p.41), “tiveram experiências práticas com o problema pesquisado”. Os sujeitos do estudo 5


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são acadêmicos de enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a partir do 1º semestre letivo do curso de graduação em Enfermagem, integrantes da equipe executora do Projeto. Na coleta de dados foi utilizado um questionário semi-estruturado composto por seis perguntas respondidas de forma dissertativa. Os materiais foram submetidos à análise de conteúdo com base em Bardin (2004) através de etapas que consistiram em: pré-análise, exploração do material e tratamento dos dados obtidos e interpretação. Em relação aos aspectos éticos, o projeto foi aprovado pela Comissão de Pesquisa da Escola de Enfermagem e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Os participantes foram esclarecidos quanto à finalidade e objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. RESULTADOS: em relação às percepções relativas à participação dos estudantes nas atividades propostas, emergem sentimentos de recompensa pelo envolvimento explicitado pelos estreitos vínculos estabelecidos entre as crianças e seus familiares no desenrolar das brincadeiras; o benefí6

cio do lúdico para a criança hospitalizada é visto como um aprendizado tanto para a vida pessoal como profissional dos estudantes; e o contato que se dá a partir do primeiro semestre com a rotina hospitalar constitui-se em manifestação unânime nos depoimentos. De acordo com as percepções dos estudantes, foram sugeridas melhorias para a qualificação da experiência vivenciada. Em decorrência houve um movimento da equipe coordenadora e executora para uma maior disponibilização de recursos materiais através da doação de jogos e brinquedos. e humanos através de um maior envolvimento dos profissionais do serviço de recreação terapêutica, que têm cooperado com o projeto. Nesse sentido, destaca-se a inclusão neste ano de uma oficina lúdica para os acadêmicos na sala de recreação conduzida pelos profissionais deste serviço. Reforçase assim o caráter da interdisciplinaridade nesta proposta de extensão. O desenvolvimento de atividades como confecção de materiais integrando as crianças na decoração das unidades para a festa junina, a organização de murais com fotos das crianças, as brincadeiras de roda, entre ou-


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tros confere espaços de descontração e alegria tanto para os acadêmicos quanto para as crianças. CONSIDERAÇÕES FINAIS: conhecer as experiências vivenciadas pelos acadêmicos, os sentimentos despertados e as necessidades percebidas, através de suas próprias manifestações, possibilita um repensar contínuo da proposta. Ao contemplar a inclusão de algumas estratégias em atendimento às sugestões fornecidas pelos acadêmicos propicia-se um clima de transformação continua conferindo um caráter dinâmico e criativo ao projeto. BIBLIOGRAFIA: BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. 3.ed. Lisboa: Edições 70, 2004. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MITRE, R.M.A. O brincar no processo de humanização da produção de cuidados pediátricos. In: DESLANDES, S.F. (Org.). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Fiocruz, Rio de Janeiro, 2006. MORSCH, D.S.; ARAGÃO, P.M. A criança, sua família e o hospital: pensando processos de humanização. In: DESLANDES, S.F. (Org.). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Fiocruz, Rio de Janeiro, 2006.

REPERCUSSÕES DO PROJETO CRESCENDO COM A GENTE NA HOSPITALIZAÇÃO INFANTIL: A ÓTICA DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM INTRODUÇÃO: é através da brincadeira que a criança constrói seu mundo de referências e desenvolve as ferramentas essenciais para vivenciar e superar os acontecimentos diários. Atividades lúdicas se constituem recursos facilitadores para o enfrentamento das adversidades suscitadas pela doença e pela necessidade de hospitalização. Ao ser hospitalizado, o infante é privado de sua rotina, submetido a um ambiente repleto de regras e restrições, além do medo e da ansiedade gerados por este mundo novo e pelas experiências oriundas de sua patologia. Esta situação pode gerar tristeza, solidão e até distúrbios de sono e de alimentação, levando a criança a vivenciar sentimen7


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tos de dor e sofrimento. O Projeto de Extensão “Crescendo com a Gente” foi criado por se entender que o amor, o carinho e o espírito lúdico são tão importantes quanto os medicamentos e devem estar presentes no período de internação infantil. A brincadeira no hospital, segundo Hockenberry (2006), gera relaxamento, ajuda a criança a se sentir segura, auxilia na diminuição das dificuldades da separação, facilita a liberação da tensão e a expressão dos sentimentos, encoraja a interação e o desenvolvimento de atitudes positivas em relação às outras pessoas. Assim, momentos de trocas afetivas entre as crianças e acadêmicos da Escola de Enfermagem da UFRGS criam um ambiente de brincadeiras, descontração e constante aprendizado. As atividades são realizadas com as crianças da Pediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), na faixa etária dos dois meses aos 14 anos, de segunda a quinta-feira (semanalmente), das 18h às 20 horas. Por ser uma atividade rica em aprendizado sobre o ambiente hospitalar para o acadêmico, considerou-se importante realizar uma pesquisa focada em conhecer as percepções 8

destes estudantes acerca das experiências vivenciadas e da relevância do projeto para o mundo vivido pela criança hospitalizada. OBJETIVO: conhecer as percepções dos acadêmicos acerca das experiências vivenciadas enquanto integrantes da equipe executora do Projeto de Extensão “Crescendo com a Gente” e a relevância do projeto para o mundo vivido pela criança hospitalizada. METODOLOGIA: trata-se de um estudo com abordagem qualitativa do tipo exploratório descritivo, realizado através de entrevistas com participantes do projeto. Os sujeitos da pesquisa são acadêmicos de enfermagem da UFRGS, integrantes da equipe executora da ação de extensão. Para a coleta dos dados foi utilizado um questionário semi-estruturado composto por seis perguntas respondidas de forma dissertativa.Os materiais foram submetidos à análise de conteúdo (BARDIN, 2004) através de etapas que consistiram em: pré-análise, exploração do material e tratamento dos dados obtidos e interpretação. Quanto aos aspectos éticos, o projeto foi aprovado pela Comissão de Pesquisa da Escola de Enfermagem e pelo Comitê da Ética em pesqui-


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sa da UFRGS. Os participantes foram esclarecidos quanto à finalidade e objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. RESULTADOS: Como resultados desta pesquisa emergiram três categorias descritivas que podem ser explicitadas como: o vínculo como conquista; o despertar da consciência criativa e as repercussões do lúdico nas vivências da criança durante a internação hospitalar. Quanto ao vínculo gerado entre as crianças e os acadêmicos, destaca-se o crescimento desta relação através da confiança e da afinidade, sendo este vínculo estendido também aos familiares. A família que acompanha a criança com a intenção de cuidá-la, sentese preocupada em contribuir para sua melhora e, ao sentir o clima de descontração e felicidade gerado pelas brincadeiras, envolve-se, segundo os acadêmicos, inserindo-se nas atividades lúdicas, dando contribuições e sugestões. O vínculo criado entre os estudantes e os pacientes é percebido claramente através do modo como aderem espontaneamente às atividades propostas, enriquecendoas a todo o momento com idéias inovadoras, visto que

este é um dos poucos momentos de escolha da criança dentro do hospital. No ambiente hospitalar, a maioria das decisões tomadas para as crianças é feita por adultos; as brincadeiras e outras atividades expressivas oferecem a elas oportunidades muito necessárias para fazerem as próprias escolhas. Mesmo quando uma criança escolhe não participar de uma determinada programação, foi concedida a ela uma escolha, muito provavelmente, uma dentre as poucas escolhas que ela teve oportunidade de fazer (HOCKENBERRY, 2006). Na segunda categoria, reúnem-se os significados que correspondem às percepções sobre o estimulo à criatividade dos infantes realizado por meio de brincadeiras interativas, onde todos têm a capacidade de serem sujeitos ativos durante as atividades. Outro ponto destacado é o modo como a brincadeira livre encanta e diverte as crianças em grupo, mesmo em tempos de tanta tecnologia. A infância é uma fase que deve ser contemplada por sensações novas e experiências com muita alegria e cor, por isto, algumas das atividades desenvolvidas resultam em materiais como desenhos que 9


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as crianças podem levar para os leitos, bem como painéis que ficam expostos nos corredores, modificando o ambiente hospitalar. O brincar representa uma forma eficaz de diminuir a angústia, pois nele a criança explora sua criatividade e reinventa o mundo, testando seus limites, liberando sua afetividade e emoção (COLLET; OLIVEIRA, 2002). A terceira categoria engloba as percepções dos acadêmicos quanto às repercussões do lúdico na avaliação positiva da criança em relação à hospitalização. Há crianças que se encontram sem acompanhantes, o que torna a internação ainda mais solitária e é nos momentos de brincadeira que estes pacientes poderão interagir de forma divertida, estreitando laços afetivos com os pares, trazendo pensamentos mais positivos para os momentos em que voltarem a ficar sozinhos. Ao brincar, a criança constrói um mundo de representações e de referências, ampliando e fortalecendo o seu aporte emocional, necessário para o enfrentamento de situações estressantes como a doença, a separação da família, os procedimentos invasivos, a dor física ou emocional e a hospitalização 10

(MORSCH; ARAGÃO, 2006). CONSIDERAÇÕES FINAIS: inserir o acadêmico de enfermagem na hospitalização pediátrica é uma experiência que possui muitos significados, pois permite que este visualize o modo como as crianças reagem aos estressores do ambiente hospitalar, bem como as melhorias trazidas através do contato com o brinquedo e com o brincar nesta proposta de acolhimento às manifestações infantis. Para que esta iniciativa mantenha seu caráter enriquecedor para as vivências acadêmicas, reforça-se a importância da pesquisa voltada a conhecer as experiências vivenciadas pelos estudantes, os sentimentos despertados e as necessidades percebidas, através de suas próprias manifestações, o que refletirá, também, na qualificação do que é ofertado para as crianças. BIBLIOGRAFIA: BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. 3.ed. Lisboa: Edições 70, 2004. COLLET, Neusa; OLIVEIRA, Beatriz Rosana Gonçalves. Manual de Enfermagem em Pediatria. Goiânia: AB, 2002, 339p. HOCKENBERRY, Marylin J. Wong Fundamentos de Enfermagem Pediátrica. 7 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, 1303p. MORSCH, D.S.;


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ARAGÃO, P.M. A criança, sua família e o hospital: pensando processos de humanização. In: DESLANDES, S.F. (Org.). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Fiocruz, Rio de Janeiro, 2006.

SAJU: PARTILHAR PARA INTEGRAR E APERFEIÇOAR O Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vem prestando um trabalho importante e de qualidade para a comunidade de baixa renda. Esse trabalho, no entanto, poderia ser desenvolvido com mais qualidade se houvesse maior integração entre sajuanos e maior conhecimento das atividades do SAJU pelos sajuanos. O SAJU é dividido em grupos que atuam independentes um do outro e que, muitas vezes, realizam trabalhos parecidos de formas diferencia-

das – algo que, se compartilhado, poderia enriquecer o trabalho de todos, mas que nem sempre acontece pela falta de contato entre os grupos. Dessa forma, é necessária maior integração entre os participantes do projeto, afinal se um grupo possui uma metodologia de trabalho que poderia ser vantajosa para outro, seria interessante que o segundo soubesse dessa metodologia. Compartilhamento de experiências entre grupos enriqueceriam ainda mais o trabalho do sajuano. A presente ação visa a construir essa integração e esse conhecimento por parte dos sajuanos, gerando, assim, maior integração entre os grupos e também a possibilidade de, a partir do resultado do trabalho, conhecer melhor a organização atual do programa para desenvolver projetos organizacionais que aperfeiçoariam o trabalho. A execução do trabalho será feita através do acompanhamento das reuniões semanais dos grupos por, no mínimo, duas semanas e, a partir disso, da emissão de um relatório com o que foi levantado, com apontamentos que poderiam ajudar na troca de experiências entre os grupos. 11


Sessões Coordenadas A CONTRIBUIÇÃO DA ASSESSORIA JURÍDICA UNIVERSITÁRIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA O presente trabalho visa a analisar a contribuição na formação acadêmica das atividades extensionistas desenvolvidas no Serviço de Assessoria Jurídica Universitária na Faculdade de Direito da UFRGS. Apesar do curso de Direito trazer em seu nome Ciências Sociais, acaba por deixar em segundo plano sua temática tanto pelo próprio curso, quanto pelos estudantes. Pelo grande esforço e tempo que demanda, é natural que o número de cadeiras destinadas às Ciências Jurídicas seja extremamente superior. Nesse contexto, os integrantes do SAJU buscam novas formas de encarar o direito voltadas mais para a comunidade, para o social. Com isso não quer deixar de lado o jurídico, mas sim criar bases humanas fortes e bem estruturadas para não encarar o Direito como mera sequência de leis e formalidades. O trabalho 12

se baseia numa formação humanística para bem compreender a realidade que nos cerca. É lastimável que formemos juristas sem essa base; juristas esses que movimentarão a Justiça do país. A assessoria popular abre a mente do estudante para pensar novas formas de resolver os conflitos existentes, acreditando mais na força que há na própria população. A emancipação popular é objetivo central do programa, ou seja, mesmo assessorando a comunidade, buscamos formas de a própria sociedade batalhar por seus direitos e se conscientizar de seus deveres. Por meio de capacitações, os participantes do SAJU desenvolvem o estudo direcionado às suas diretrizes, quais sejam, acesso à justiça, cidadania e direitos humanos, assuntos não desenvolvidos com a devida profundidade na graduação. O trabalho realizado no SAJU tem o objetivo de trazer para a realidade dos alunos a vida fora dos muras da universidade, não limitando a formação jurídica aos livros e a práticas em estágios. O trabalho faz o aluno interagir diretamente com a comunidade dentro e fora da universidade, tornando-a,


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de certa forma, realmente universal. O SAJU atua para que aqueles que precisam seguir tantas técnicas e regras jurídicas não se prendam no comodismo e no conformismo presentes na sociedade e tenham vontade de realmente trabalhar por justiça. Por fim, tal programa de extensão não contribui apenas na formação acadêmica e profissional, mas também na formação humanística de cada sajuano. A correta compreensão da realidade forma juristas mais bem preparados para lidar com as demandas sociais vigentes.

DA ASSISTÊNCIA À ASSESSORIA JURÍDICA: DIFERENTES PERCEPÇÕES DA PRÁTICA EXTENSIONISTA DENTRO DA SOCIEDADE 1. Introdução: O presente estudo foi baseado no trabalho prestado pelo Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU) junto à população. Através deste programa de extensão, os estudantes buscam estender o conhecimento adquirido em sala de aula até a sociedade e, a partir desse contato, aprender o que não lhes é ensinado no meio acadêmico. O processo de construção do conhecimento (a partir da extensão) se desenvolve na prática, contribuindo para o protagonismo do extensionista, que busca, estuda e debate as suas próprias ações que objetivam facilitar o acesso efetivo à justiça e a garantia de direitos humanos mais fundamentais como a dignidade, direito à moradia, escola, entre outros. Dentro desta perspectiva, a 13


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facilitação do acesso à justiça pode ser desenvolvida através de duas formas diferentes, mas complementares, de extensão: a assistência e a assessoria. A primeira consiste em receber a demanda proposta pela sociedade, que, em muitas vezes, o recebimento resulta em processos judiciais. A segunda trata de promover uma conscientização das pessoas quanto aos seus direitos, através de oficinas e trabalhos desenvolvidos dentro de uma determinada comunidade, para que, assim, já munidas desse conhecimento, se tornem concretizadores dos seus direitos. 2. Métodos: 2.1 A assistência jurídica A assistência jurídica consiste no atendimento feito dentro dos muros da Universidade. É prestado atendimento para pessoas que não possuem condições de custear um advogado, para que possam receber uma assistência jurídica de qualidade, tanto no ajuizamento de ações, quanto no esclarecimento de dúvidas. Aquelas pessoas que procuram o SAJU já tem consciência sobre os seus direitos e estão à procura de uma ferramenta que possa ajudá-las na efetivação destes. Os estudantes, orientados por advogados, voluntários do 14

programa de extensão, prestam toda a assistência necessária à pessoa. O assistente e o profissional se preocupam em solucionar, em conjunto com o assistido, o problema levantado. Conseqüentemente, buscam a ferramenta jurídica ideal. 2.2 A assessoria jurídica Já a assessoria jurídica, ultrapassa os muros da Universidade e vai até a realidade do assistido. O escopo principal de ultrapassar o mundo teórico-acadêmico, alcançando o realismo-social, é o impacto gerado por essa mudança de panorama. Para se identificar com o problema de uma pessoa, é necessário que se entre em contato com o seu mundo, ouvindo os seus problemas e construindo coletivamente as respostas. Procura-se facilitar o acesso à justiça através da conscientização dos direitos de cada homem. Objetivando despertar uma identidade na pessoa, para que ela mesma se veja como um cidadão: um ser humano portador de direitos, bem como deveres. 3. Objetivos: 3.1 Enquanto assistente jurídico Atendimento de qualidade às pessoas que procuram o programa SAJU. Estender o seu conhecimento, até então teórico, à pratica, a fim de complementar o ensino


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fornecido dentro das salas de aula. 3.2 Enquanto assessor jurídico Quebra de paradigmas sociais: ver como o mundo é fora dos muros da faculdade. Fazer com que todos conheçam, dentro da sociedade, os seus direitos e quais os instrumentos necessários para que eles mesmos busquem a sua efetivação. 4. Resultados: 4.1 No âmbito da assistência A assistência jurídica dentro do SAJU não serviu apenas como um instrumento de prática jurídica, como um “escritório modelo” com a finalidade de capacitar futuros advogados. Através do contato com os problemas demandados, formou-se estudantes preocupados não só com a sua formação acadêmica, mas humana também. Isso resultou em atendimentos mais completos e qualificados aos assistidos, pois se buscou não só o ajuizamento de ações, mas a resolução de conflitos, também através meios extrajudiciais. Em casos mais delicados, como os que envolvem Direito de Família, criança e adolescente, foi feito um trabalho juntamente com a Faculdade de Psicologia, na qual formandos começaram a ajudar no atendimento, trazendo uma melhora significativa na qualidade deste, facilitando a

coleta de informações necessárias para a resolução do problema. 4.2 No âmbito da assessoria Enquanto o assistente permanece na sede do SAJU, prestando auxílio àqueles que o procuram, o assessor vai até o individuo, vai diretamente ao problema. Um dos problemas principais em se trabalhar com comunidades carentes, é o estigma incorporado pelos seus moradores: “Sou pobre, carente e favelado. Não tenho direito a nada, estou à margem da sociedade.” Através deste pensamento fica difícil articular com uma pessoa que não se vê como sujeito de direitos. O escopo das oficinas feitas com essas pessoas, primeiramente, era a conscientização dos direitos e deveres que todos nós possuímos, depois, era a identificação dos seus problemas, demandas comuns dentro de uma determinada região. Ao sentar e debater possíveis resoluções, coletivamente, nós víamos que a troca de conhecimento não era unilateral. A construção de uma solução, de uma resposta, era conjunta. Nós aprendíamos com eles, e eles conosco. A idéia de trabalho transformou-se: antes, era somente conscientizar as pessoas sobre os seus direitos e deveres, além de mostrar-lhe o 15


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caminho para a sua efetivação, mas agora é para construir juntos o caminho. Mostrar cada agente e instrumento jurídico existente e que pode ser usado. 4.3 A complementação da atividade do assessor e do assistente Juntos, o trabalho do assessor e a do assistente se complementam. O assessor faz uma troca de conhecimento com a comunidade, esta, ciente de seus direitos e instrumentos para garantir a sua efetivação, vai até o agente, os assistentes, para que esses possam demandar ações judiciais ou ajudar na formalização de acordos como em casos de regularização fundiária, usucapião, quando se trata de ações coletivas. Pouco se ajuda quando se é prestada somente assistência à comunidade: vamos resolver problemas pontuais, sem esclarecer dúvidas ou fomentar ações que reivindiquem direitos. Também pouco ajudamos, se trocamos conhecimento por experiência, buscamos e debatemos a respeito de soluções, conjuntamente, se não oportunizamos agentes para que facilitem o acesso à justiça. Precisamos buscar soluções, mostrar um caminho e percorrê-lo até o fim, num trabalho conjunto com a sociedade. 16

ENTRE O FORDISMO E O HUMANISMO: DILEMAS DE UMA ATUAÇÃO EXTENSIONISTA NO SAJU/ UFRGS Este trabalho visa realizar apontamentos e reflexões acerca da atuação como extensionista do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU), programa de Extensão permanente em Acesso à Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A partir do entendimento de extensão, “A extensão, como atividade fim da Universidade, é o processo educativo, cultural e científico que articula, amplia, desenvolve e realimenta o ensino e a pesquisa e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e sociedade. Este contato com a sociedade, que visa o desenvolvimento mútuo, estabelece a troca de saberes e tem como conseqüência a produção do conhecimento


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resultante do confronto com a realidade nacional e regional, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade. Além de instrumentalizadora deste processo dialético de teoria e prática, a extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social.” (art. 1º da resolução nº 26/2003 do CEPE), o SAJU busca, por meio de seus projetos vinculados, a aplicação do ensino jurídico promovido pela Faculdade de Direito/UFRGS aliado a pesquisas de doutrina e de jurisprudência realizadas a partir do protagonismo dos acadêmicos que integram o programa, o desenvolvimento de atividades com a sociedade, seja indo até ela em comunidades, escolas, e outros espaços, seja a recebendo na Faculdade de Direito/UFRGS, com vistas a refletir mudanças tanto no âmbito da sociedade, como também no âmbito acadêmico. Esta apresentação foca-se na segunda hipótese, a partir do projeto vinculado “A assistência no acesso à justiça”. No projeto “A assistência no acesso à justiça” o objetivo é prestar atendimentos individualizados na Faculdade de Direito/UFRGS a

pessoas hipossuficientes da Grande Porto Alegre por meio de estudantes que integram o SAJU e com a presença de advogados(as) nas áreas cível, criança e adolescente, trabalhista, família, penal, mulher (lei Maria da Penha), dentre outras áreas do direito, com um propósito e métodos que distinguem o programa da cadeira de ensino de prática jurídica oferecida pelas demais faculdades de Direito de outras Universidades. Diferencia-se na medida em que o atendimento é pessoalizado e reconhecida a pessoa como ser humano, e não mero “cliente”, bem como pela inexistência de tempo limite para atendimento ou de retornos, aliado a perspectiva de que a demanda só é recebida pelo projeto se ela for compatível com os valores éticos do programa – não se processa quem o busca fazer por má-fé, por exemplo. E neste sentido propõe-se a presente reflexão desta apresentação: até que ponto o caráter humanístico que se busca constantemente aperfeiçoar e aplicar encontra-se acessível frente a uma necessidade interminável e constante da sociedade que pressiona o programa a realizar atendimentos que, se não fosse a reflexão dos 17


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envolvidos, levá-los-ia a exaustão? O projeto “A assistência no acesso à justiça” do SAJU, fazendo uma analogia, dir-se-ia que é o pronto socorro da Faculdade de Direito. As pessoas estão sendo violentadas, sem comida, exploradas, sem serviços públicos básicos. E então te despejam com seus olhos toneladas de esperança, estudante com seus vinte anos aproximadamente. Busca-se tranqüilizála, “- vamos ver nossa agenda para que possamos ver uma data que possamos lhe atender”, e ela está lotada. É dia 5 de algum mês, e a agenda do mês que fora aberta no dia 1º encontra-se já preenchida. Uma das certezas afirmadas pelos integrantes do SAJU é que ele não se confunde com a atuação da Defensoria Pública, uma vez que enquanto esta presta atendimento a toda a população, independentemente da motivação das pessoas atendidas e da capacidade de prestar atendimento adequado a elas – uma vez que esta obrigação decorre de previsão legal –, em tal projeto do SAJU valoriza-se uma atuação que pela qualidade de seus atendimentos e teses jurídicas, construídas a partir da pesquisa e do ensino dos envolvidos no projeto, 18

possam ser agentes de transformação social. Desta forma, inevitavelmente é posto aos integrantes o dilema: atender “sem parar” frente à imensidão de pessoas que possuem os seus direitos fundamentais violados, atendimento este que, se feito sem controle, com o tempo torna-se repetitivo, extenuante e ausente de reflexão, isto é, “fordista” em sua concepção clássica; ou atender humanisticamente em seu pleno sentido, conhecendo o nome e o rosto das pessoas, criando laços que vão além dos casos, dedicando-se de tal forma que o direito violado de outrem se torna o seu direito violado de ruptura da justiça constante em nosso ordenamento jurídico, isto é, “humanista” em sua concepção plena. Afinal, qual é o custo a ser pago para efetivação de direitos previstos no ordenamento pátrio que os estudantes estão dispostos a sacrificar? Está nele incluído uma prática ausente de reflexão, buscando-se exclusivamente a eficácia? A resposta é em parte um “não”, na medida em que se criam mecanismos gerais no SAJU a fim de evitar uma super exposição dos estudantes e de reflexões e relatos feitos no Conselho Deliberativo do programa – órgão


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que congrega os monitores de todos os grupos. Mas ela é também em parte um “sim”, na medida em que algumas violações não são passíveis de ignorá-las ou de pedir para que o demandante volte daqui a um mês. E então se assumi o caso e se vai a pesquisar e estudar e a ligar para pessoa e chamar pelo nome e contar sobre o andamento processual. E então se atende mais casos, e se vai a pesquisar e estudar, a ligar para pessoa... E então você tem mais casos do que idealmente pretendia. E então você tem vidas na sua vida de estudante que contém uma série de expectativas que não se quer frustrar. Aflora o dilema de buscar o ajuste humanístico de a pessoa não se tornar cliente, mas também não deixar que outras pessoas tenham suas vidas e expectativas violadas. Tal ajuste mostra-se, em verdade, dinâmico e em parte imprevisível, uma vez que as relações, sejam elas com a sociedade, sejam elas com a Universidade – professores não aceitam prorrogar prazo de trabalho dado inesperadamente porque você ficou escrevendo uma petição de 20 folhas nos dias em que teria que se dedicar ao trabalho – mostra-se a dificuldade e o quanto

ainda é preciso refletir, registrar e aprimorar. E não se está a afirmar, felizmente, que tal sobrecarga em determinado momento de atuação no projeto – uma vez que dinâmica – prejudica as pessoas que buscam o SAJU – uma vez que há advogados(as) e monitores supervisionando, mas sim que o trato com as pessoas perde em parte o seu caráter humanístico, impondo novos desafios, pois uma prática impessoal não serve aos propósitos do programa, de formar juristas a partir de uma prática engajada, humanista e crítica do direito. E tal formação mostra-se desafiante a partir deste dilema, em que somos postos a escolher entre “clientilizar” e humanizar desde o início de nossa formação acadêmica, ou, ainda, a humanizar um número grande de vidas contidas em nossos casos. Se sempre haverá um limite entre uma prática fordista e humanista, sempre há de se poder lutar para que a barreira da indiferença seja posta um pouco mais distante do que antes se encontrava, até encontrarmos o seu novo limite e lutarmos novamente para rompê-la. 19


Sessões Coordenadas A CONTRIBUIÇÃO DO SERVIÇO DE ASSESSORIA JURÍDICA DA UFRGS PARA O ACESSO À JUSTIÇA A Justiça vem sendo cada vez mais procurada para a resolução de conflitos entre particulares. O aumento da demanda, no entanto, não está acompanhado de novas contratações e pouco se aposta em novas técnicas. O resultado é a morosidade e então não são atendidas as aspirações dos litigantes. Este trabalho concentra-se em apontar os três maiores problemas do Judiciário enfrentados no SAJU, a saber, o formalismo jurídico, a interferência na esfera familiar e a morosidade da Justiça, e apresentar as soluções adotadas no Serviço. O Poder Judiciário possui uma estrutura rígida, intrincada de formalismos. Desde a arquitetura, passando pelas roupas e com especial ênfase na linguagem, a Justiça isola-se da contemporaneidade, e por conseqüência, da população mais carente. Expressões em latim, palavras de um português arcaico e tecnicismos 20

estão fora do vocabulário de leigos e assustam a maioria das pessoas. Para realmente atender às demandas da sociedade, o Direito precisaria despir-se de formalismos desnecessários. No SAJU, busca-se esclarecer o cliente acerca das fases do processo e dos termos técnicos, aproximando-o do universo jurídico. A interferência nas relações familiares talvez seja a mais delicada das tarefas de um juiz. A mera aplicação da lei na guarda de um filho, por exemplo, pode trazer dezenas de implicações subsequentes e uma decisão errada certamente aumentará os conflitos naquele lar. Buscando a melhor solução para a criança, no SAJU, sempre tentamos a conciliação: chamam-se pai e mãe para uma conversa, na qual são levantadas as opções de guarda e pensão alimentícia, unindo possibilidade dos pais e bemestar da criança. Cerca de metade dos casos são resolvidos assim, por acordo em seguida homologado em frente ao juiz. Uma solução apresentada pelo Poder Judiciário para das celeridade aos processos são os Juizados Especiais. São órgãos menores, de competência limitada, com menos formalidades e nos quais as partes não necessitam ser acom-


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panhadas de advogado. No SAJU, busca-se utilizar, sempre que possível, pela solução rápida de uma lide que poderia demorar mais de um ano na Justiça Comum. Por ser formado e coordenado por estudantes, são objetivos do SAJU estar em consonância com as mais avançadas técnicas de solução de conflitos, libertar-se do formalismo exacerbado e aproximar-se cada vez mais da comunidade.

AVALIAÇÃO PARA A PROPENSÃO DE CONSUMO DE ÁLCOOL EM ESCOLARES O uso indevido de bebidas alcoólicas é considerado um grave problema de saúde pública. No ano de 2004 foi criada uma política do Ministério da Saúde para a Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Tal ação visa conter o crescente avanço do uso de drogas e álcool na população brasileira (ALMEIDA; OLIVEIRA; PINHO, 2008). Não

obstante, pouco aborda sobre o tratamento de crianças e adolescentes que enfrentam tal situação ou dependência. Por se tratar de um período de vulnerabilidade a influências a adolescência se constitui uma fase de constantes transformações físicas e, também, sociais para os indivíduos, pois recebem diferentes influencias. Em vista disso, o projeto objetiva avaliar a inclinação dos adolescentes a utilizar bebidas alcoólicas, já que esta é uma pressão subliminar que se inicia desde muito cedo na vida de um jovem – mais precisamente, na adolescência (SOLDERA et al., 2004). Com intuito preventivo para abordar os jovens quanto a informações e, ainda, encaminhamentos a outros profissionais (como psicólogos) aos casos em que as estimativas de dano aos indivíduos estiverem evidentes Para tanto será realizada uma consulta de enfermagem a fim de considerar se o jovem possui influências que o induzam a utilizar algum tipo de bebida alcoólica – quer pelo meio familiar ou quer pelo meio social, já que esses são fatores preponderantes para o uso de drogas e bebidas alcoólicas (SOUZA; ARECA; SILVEIRA FILHO, 2005). A consulta transcorrerá em um lugar 21


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privado, onde estará presente apenas o(a) adolescente e a acadêmica de enfermagem afim de preservar um ambiente propício para compartilhar as informações pessoais que lhe serão abordadas sem cunho discriminatório de demais pessoas. Será norteada através de um histórico de enfermagem (composto por anamnese e exame físico do indivíduo), préestabelecido e já utilizado nas atividades da extensão. Caso seja constatado a propensão ao uso de álcool será realizado um encaminhamento para o serviço de psicologia associado ao Núcleo de Atenção a Saúde da Criança e do Adolescente (NASCA) Lomba do Pinheiro o qual a escola pertence. Com o intuito de auxiliar esse grupo etário em relação a vulnerabilidade para o uso do álcool se faz necessário, atuar precocemente, triando jovens potencialmente propensos, para que haja uma superação desses fatores preponderantes que interferem na constituição saudável de qualquer indivíduo. Os profissionais devem estar com o olhar atento para a prevenção dos agravos e não simplesmente atuar quando o dano já está instaurado, favorecendo ao adolescente um crescer com qualidade de vida. 22

PROMOVENDO A SAÚDE EM ESCOLARES Introdução: Segundo a Organização Pan-americana de Saúde (1995), a promoção da saúde na área escolar parte de uma visão multidisciplinar e integral do ser humano, considerando as pessoas em seu contexto familiar, comunitário, social e ambiental. Pelas características desse período de desenvolvimento a criança e o adolescente podem estar expostos a riscos desnecessários que com nosso auxílio podem dar-se conta de qual a melhor maneira de agir para minimizar estes riscos ou situações de vulnerabilidade para cada momento de vida. Salienta-se também que nesse momento de vida muitas dúvidas aparecem relativas aos mais variados aspectos da vida humana e estas dúvidas podem ser atenuadas com ajuda de profissionais da saúde. Acreditamos que no ambiente escolar o indivíduo, em determinadas etapas da vida, apreende atitudes e habilidades que são articuladas às suas experiências vivenciadas no cotidiano. Essas conquis-


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tas orientam o aluno para o reconhecimento e expressão de suas necessidades, possibilitando a oportunidade de refletir sobre seu papel histórico e colaborando para possíveis transformações por intermédio da consciência e mudança social (LEONELLO; L’ABBATE; 2006).Objetivo: oportunizar ao acadêmico de enfermagem a convivência com crianças préescolares, escolares e adolescentes, bem como seus familiares e com os professores, desenvolvendo em parceria com essa comunidade, atividades que promovam a qualidade na saúde e que previnam doença ou situações que levem às doenças e descrever as atividades desenvolvidas por esses acadêmicos para a promoção de saúde. Metodologia: Para fins desse trabalho utilizam-se como ferramentas a consulta de enfermagem, observações em locos, entrevistas, testes de pré-triagem (auditivas, visuais, de coluna), palestras e/ ou oficinas que, nessa faixa etária tornam-se relevantes para minimizar possíveis agravos no processo de aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo e psicomotor da criança e adolescente como temas relativos a higiene corporal, oral, gestação na adolescência, violência infantil, DST’s, entre ou-

tros. Resultados: Existem enfermidades que se manifestam de forma insidiosa e que podem ser detectas precocemente pelos profissionais de enfermagem. Através da realização das consultas de enfermagem é possível identificar possíveis agravos, sendo esses escolares encaminhados para consultas com profissionais especialistas, sendo estes odontólogos, pediatras, psicólogos, oftalmologistas dentre outros. Torna-se importante ressaltar que a construção de alternativas de viver saudável são efetivadas quando realizadas com os sujeitos respeitando suas realidades de viver. Portanto, o projeto é de relevância para formação dos acadêmicos de enfermagem e pode contribuir para a mudança da sociedade, na medida em que pode se comprometer com produção de conhecimentos e formação de profissionais cidadãos. Também oportuniza ao profissional de enfermagem vivências e experiências sensibilizando-os para reconhecer as limitações de cada um tentando compreender, esclarecendo dúvidas e buscando soluções. Praticando a educação em saúde o profissional estará contribuindo e dispondo para o bem estar individual e de toda uma comunidade. 23


Sessões Coordenadas HORTO COMO POSSIBILIDADE DE REAPROXIMAÇÃO ECOLÓGICA HOMEM-NATUREZA Constantemente se percebe dois fatos nas comunidades modernas: o primeiro é o distanciamento das novas gerações da natureza e, o segundo como conseqüência do anterior, a perda de saberes tradicionais seculares como, por exemplo, a utilização de plantas medicinais, aromáticas e condimentares no cotidiano familiar. O projeto Horto Experimental Cruzeiro do Sul Como Campo de Práticas de Atenção Primária em Saúde proporcionas a reaproximação comunidade-natureza ao estimular e, ao mesmo tempo, provocar o interesse das pessoas pela vida existente na área cultivada. Além de propostas do âmbito de educação ambiental temos também como objetivo a manutenção do conhecimento tradicional relativo a utilização de plantas com propriedades medicinais e condimentares. De acordo com a Organização Mundial 24

da Saúde que, em 1978, orientou os 154 países membros a utilizarem plantas medicinais na atenção primária em saúde. Isso ao notar que a maioria da população as usava e havia dificuldade ao acesso a medicamentos. Em 2003 a OMS percebeu erros graves no cultivo, beneficiamento e uso das plantas e editou o manual de Boas Práticas Agrícolas (BPA) para seu cultivo. A reaproximação da comunidade moradora da região onde está situado o Horto Medicinal à natureza e saberes tradicionais é proporcionada da seguinte forma: através de oficinas desenvolvidas semanalmente com as crianças locais realizam-se atividades como identificação das ervas pelo tato e olfato, exploração da mesofauna presente no horto, manejo do minhocário. Também são exercitadas técnicas de propagação de plantas como a estaquia. Para o enraizamento vigoroso das estacas estamos utilizando o hormônio de crescimento radicular auxínico ácido indol butírico (AIB) extraído no próprio horto colhemos Tiririca, uma planta espontânea rica naquele ácido, e no liquidificador com álcool de cereais 70% obtemos a calda enraizadora a qual


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borrifamos no substrato onde ocorrem o desenvolvimento das réplicas. Com as pessoas mais velhas que freqüentam o horto são trocadas muitas informações em relação ao manejo das ervas bem como seu beneficiamento para utilização. O amparo dado pela equipe do Posto de Saúde da Família às atividades é um fator determinante para o sucesso que estamos obtendo nos resultados, pois gera maior integração entre as pessoas envolvidas no projeto: funcionários do PSF, bolsistas e comunidade. Como conseqüência das atividades propostas e realizadas, semana após semana percebe-se um crescente interesse pelo cultivo e manutenção do horto. A consciência de respeito ao meio ambiente é facilmente notada através de simples porém grandiosas atitudes como, por exemplo, recolher plásticos que, com as chuvas e ventos, acabam sendo depositados na área de cultivos e de atividades sócio-educativas. Outro resultado notado é o crescente número de crianças participantes nas oficinas.

PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO AOS PACIENTES ADOLESCENTES E ADULTOS COM FIBROSE CÍSTICA DO HCPA A fibrose cística, que já foi considerada uma doença da infância, é agora também uma doença do adulto. O aumento da longevidade resultou em mais problemas médicos relacionados com a idade e com a própria doença. O crescente número de adultos com fibrose cística resultou em aumento da necessidade de cuidados médicos. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) se constitui em um centro de referência para tratamento da doença. Em outubro de 1998, foi instituída uma equipe multidisciplinar para tratar os pacientes com idade igual ou maior que 16 anos. O atendimento assistencial está estabelecido com uma equipe multidisciplinar composta por profissionais 25


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das seguintes áreas: medicina, psicologia, fisioterapia, nutrição e enfermagem. Para que sejam atendidos objetivos acadêmicos de extensão, pesquisa, ensino de graduação e pós-graduação, geração e multiplicação do conhecimento, um programa de extensão formal tem desempenhado o papel de servir de estímulo propulsor para alcançar essas metas. Por essas razões, desenvolveu-se um programa multidisciplinar com enfoque em melhorar a qualidade do atendimento, gerando e propagando o conhecimento sobre a doença. A FC é uma doença complexa que exige uma abordagem holística para o seu tratamento. A utilização do modelo de abordagem multidisciplinar para tratar a doença se fundamenta na observação de que a formação de centros abrangentes de cuidados em FC está relacionada com o progressivo melhor prognóstico dos pacientes. O regime terapêutico padrão para a doença pulmonar inclui: a) antibioticoterapia, b) higiene das vias aéreas e exercício, c) agentes mucolíticos, d) broncodilatadores, e) agentes anti-inflamatórios, f ) 26

suporte nutricional e g) suplementação de oxigênio. O tratamento da doença extra-pulmonar envolve, quando necessário, a abordagem da insuficiência pancreática exócrina, da doença hepática crônica, do diabete melito, da osteoporose e da infertilidade masculina. O processo educativo é fundamental para que o indivíduo adulto compreenda a sua doença e para que saiba a finalidade do tratamento e como realizá-lo corretamente. Embora os aspectos educativos sejam abordados de rotina pela equipe multidisciplinar, sempre ficam dúvidas que precisam ser esclarecidas em outros foruns educativos. Na fibrose cística, a predisposição à infecção respiratória se apresenta como um aparente paradoxo biológico. Em nível sistêmico, a imunidade do hospedeiro com FC é robusta, sem anormalidade da imunidade celular ou humoral Em nível local, as defesas do trato respiratório são anormais predispondo às infecções Ressalta-se que a fibrose cística tem um fator limitante para que os grupos educativos tradicionais de pacientes sejam realizado: o controle


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de infecção rigoroso que segrega os pacientes entre si para evitar a infecção cruzada dos diferentes patógenos bacterianos presente nas secreções respiratórias. Além disso, constatamos que a maior parte dos pacientes do programa de adultos com fibrose cística utiliza a internet de alguma forma na sua vida diária. Essa lacuna educativa motivou o desenvolvimento de uma plataforma educativa interativa, utilizando a rede de aprendizagem Navi da UFRGS. Essa plataforma foi desenvolvida pelo bolsista de extensão com a cooperação dos profissionais da equipe multidisciplinar. Ela deverá ser progressivamente aperfeiçoada para ocupar o espaço da necessidade educativa, buscando a melhor compreensão da doença pelos pacientes, a finalidade e técnica das modalidades terapêuticas e a otimização da adesão ao tratamento. Durante as consultas regulares no ambulatório da Zona 12 do HCPA, nas sexta-feiras (segundo turno), os pacientes serão convidados a participar do programa educativo. Se aceitarem, receberão usuário e senha para acesso à

plataforma. Os profissionais da equipe multidisciplinar estarão convidados a participarem, pelo menos uma vez por semana, das discussões nesse sistema. No futuro, um projeto de pesquisa sobre adesão e avaliação da educação será acoplado a essa atividade. Conclusão: A utilização do modelo educativo à distância, utilizando uma plataforma eletrônica, pode contribuir para melhorar o conhecimento da doença e seu tratamento, otimizando a adesão ao tratamento. Essa estratégia deverá ser avaliada objetivamente através de um projeto de pesquisa.

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Sessões Coordenadas CUIDADO E PREVENÇÃO À CRIANÇAS HOSPITALIZADAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA:UM DESAFIO NO TRABALHO DE ENFERMAGEM INTRODUÇÃO: A violência é um problema que atinge a infância brasileira de forma que se constitui uma das principais causas de morte nesse período. Existe um aumento crescente no número de crianças hospitalizadas em decorrência da violência em suas diferentes manifestações. Isso é um fenômeno que se estabelece por inúmeros fatores e coloca o hospital como centro de referência para o atendimento dessa problemática. Segundo o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA, 2000) anualmente 6,5 milhões de crianças sofrem algum tipo de violência doméstica, 18 mil são espancadas diariamente e 300 mil crianças e adolescentes são vítimas de incesto no Brasil. Frente a esta alarmante realidade existe a real ne28

cessidade de formar profissionais cada vez mais habilitados para identificar, tratar e prevenir esse grave problema de saúde coletiva. Principalmente, profissionais engajados com a temática específica da violência intrafamiliar, uma vez que a maioria das políticas públicas que são voltadas para a questão da violência contra a criança e o adolescente ainda não se deteve na análise a respeito de como uma família que apresenta violência em sua dinâmica interna deve ser compreendia e inserida dentro de um contexto que envolve uma complexidade de determinantes culturais, sociais e econômicos. A enfermagem pela proximidade e os vínculos constituídos com a criança cumpre uma função importante na detecção do tipo de violência sofrida. Ao exercer os cuidados necessários para cada criança vítima de qualquer modo de violência que interna em um hospital constatase que essa é uma realidade desgastante e difícil de ser enfrentada diariamente pelos enfermeiros em seu cotidiano de trabalho, uma vez que são os profissionais da saúde que passam 24h em contato direto com a criança e sua família. Assim, nesse sentido Algeri (2007) salienta que “cabe aos


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enfermeiros, ao desenvolverem suas atividades de cuidado, educação e pesquisa, sobretudo, acreditar que são agentes essenciais na transformação desse grave problema. ”O enfermeiro é o elemento da equipe de saúde que faz o elo de ligação entre a criança, família e os outros profissionais de saúde. Por sua apresentação multifacetada, na maioria dos casos, a violência intrafamiliar, exige uma intervenção especializada e combinada de diferentes profissionais. Assim, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre conta com um Programa de Proteção à Criança, desde 1986, formado por uma equipe multiprofissional que atende crianças em situação de violência. Nesse Programa desenvolve-se o Projeto de Extensão Atendimento e Prevenção às crianças vítimas de violência. OBJETIVO: O projeto visa à modificação e a interrupção dos comportamentos familiares agressivos como o hábito comum da maioria dos brasileiros de bater nos filhos como uma forma de educar. A atividade é destinada as crianças e suas famílias, assim como para os acadêmicos de Enfermagem, Medicina, Serviço Social e Psicologia. Demonstra um compromisso da universidade com a formação

específica e atualizada dos alunos para intervir em relação a situações inerentes a essa problemática. METODOLOGIA: Através da discussão grupal em torno da cidadania e ampliação dos direitos sociais das crianças e adolescentes brasileiros, propicia-se uma reflexão que conduza à estratégias de enfrentamento. Problematizando a temática busca-se ampliar o saber na troca de experiências. Abordam-se aspectos relativos à violência e suas implicações para a prática profissional na área da saúde. Apresentam-se os indicadores para detecção de cada tipo de violência, assim como os comportamentos específicos da criança e da família em situação de violência. Contemplam-se as conseqüências neuropsicológicas no crescimento e desenvolvimento infantil. A questão da intencionalidade do fenômeno da violência é enfatizada no sentido da interferência que pode ter em relação as estratégias de intervenção. Discute-se a perspectiva da vulnerabilidade individual, social e programática. Defini-se a legislação através do estatuto da criança e do adolescente e as implicações éticas para os profissionais de saúde. O projeto ocorre através da revisão de 29


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conteúdos teórico-prático sobre Violência, Família, Saúde e Educação. Os alunos desenvolvem as atividades através de entrevistas, observações, registros e acompanhamento com os profissionais aos pacientes, neste caso: crianças vítimas de violência e suas famílias. O desenvolvimento do projeto ocorre através das reuniões semanais da Equipe do Programa de Proteção do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Discussão de Caso Clínico. Seminários e Cursos de Capacitação. Elaboração de Pareceres e Laudos. Realização de Visitas Domiciliares. Abordagem das famílias através de Oficinas e encaminhamentos. Há realização de trabalho em parceria pertinente a cada caso atendido: Ministério Público, Conselhos Tutelares, Departamento Médico Legal, Escolas, Postos de Saúde. RESULTADOS: O trabalho desenvolvido pela equipe de saúde e especificamente pela equipe de enfermagem fortalece os vínculos familiares no sentido de vencer a problemática intrafamiliar diagnosticada, de forma a capacitar as famílias para a aquisição de estilos de vida mais saudáveis e para a multiplicação desses conhecimentos em suas comunidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Além 30

da preocupação em oferecer para a comunidade alternativas concretas na busca do atendimento de suas necessidades, a possibilidade de realizar estudos sobre o tema passa necessariamente pela atitude de aprofundar em análises e reflexões, via pesquisa, nessa área, por uma compreensão de que a troca de conhecimentos, a discussão, são fundamentais para o melhor exercício profissional. Percebe-se que o profissional ao enfrentar a problemática da violência contra à criança, no processo de cuidar, constrói experiências e conhecimentos, tornando-se crítico e responsável pelo processo de intervenção problematizadora para mudança dessa situação, ou seja, em situação de violência oferecendo subsídios práticos para diminuição e erradicação do problema. BIBLIOGRAFIA: CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. (CONANDA) Encontros de articulação do conanda com os conselhos tutelares. Brasília (DF): CONANDA;2000. ALGERI ET AL VIOLENCIA INTRAFAMILIAR CONTRA CRIANÇA NO CONTEXTO HOSPITALAR E AS POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO, REVISTA DO HCPA 2007; 27(2): 57-60.


Sessões Coordenadas INFECÇÃO VIRAL RESPIRATÓRIA EM PACIENTES ATENDIDOS EM SALA DE EMERGÊNCIA Introdução: Infecções respiratórias virais são responsáveis por níveis significativos de morbidade e mortalidade. Vários vírus podem causar infecções respiratórias em adultos. O VSR e o vírus influenza A são dois dos patógenos virais mais comumente identificados em idosos e pacientes de alto risco hospitalizados por sintomas respiratórios agudos nos meses de inverno, acarretando custos consideráveis, devido ao aumento do número e da duração das hospitalizações. Objetivos: Descrever a prevalência de infecção viral respiratória em adultos atendidos na sala de emergência. Material e Métodos: Estudo transversal, incluindo pacientes adultos com sintomas respiratórios há menos de 5 dias. Foi coletado aspirado de nasofaringe e o material foi enviado para a identificação de vírus respiratórios através do teste de imunofluorescência indireta

(IFI). Resultados: No período de 12 de novembro de 2008 a 30 de abril de 2009 foram atendidos 7845 adultos na emergência do HCPA. Destes, 1403 foram atendidos por sintomas respiratórios. Foram incluídos no estudo 72 pacientes que apresentavam sintomas respiratórios há menos de 5 dias. A média de idade dos pacientes foi de 53,7 anos (DP: 17,5 anos). Quarenta e cinco (62,5%) eram do sexo feminino e havia 51 (70,8%) brancos. As comorbidades mais comuns foram HAS (23 pacientes, 31,9%), DPOC (14 pacientes, 19,4%) e asma (21 pacientes, 29,2%). Os sintomas mais comumente relatados foram: tosse, dispnéia, dor torácica, sibilância, febre e coriza. A IFI foi positiva em 3 pacientes (2 parainfluenza tipo 3 e 1 parainfluenza tipo 2) (prevalência 4,2%). Conclusões: Considerando os resultados parciais, encontramos até o momento uma prevalência de infecção viral respiratória menor do que a encontrada em estudos prévios.

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sessões coordenadas - décimo salão de extensão