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Ficha Técnica

Índice

Presidente

Daniela Silva Marketing

Marcel Silva Projeto Gráfico & Diagramação

Dudia Dsign Jornalista

Egle Leonardi Fotos

Depositphotos

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A importância da Qualificação Térmica de Embalagens

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A importância da Qualidade do Ar Comprimido e sua Eficiência Energética

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Especialistas revelam os desafios da Qualificação e Validação

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Como realizar uma Qualificação de HVAC eficaz e com Qualidade?

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Operação correta do hplc evita grandes prejuízos

Editorial Editorial Em 12/2014 criamos um Grupo e Página no Facebook com o objetivo de disseminar conhecimento específico na área de Qualificação & Validação, uma área, até então carente em artigos técnicos e publicações. Em 2017, lançamos um e-book de Perguntas e Respostas e iniciamos os grupos no WhatsApp, para profissionais da área interessados em adquirir e compartilhar conhecimento, vagas, dúvidas e cursos. Nossos grupos vêm crescendo e para comemorar com muita alegria, lançamos nossa 1ª Revista Digital no dia 1/3/2018 em um Evento em São Paulo no Hotel Mercure Jardins. Devido aos feedbacks superpositivos esta é a 2ª edição da revista para profissionais das indústrias Life Science que atuam na área de Q&V e desejam pesquisar assuntos relacionados. Nessa edição estamos publicando 4 artigos + uma entrevista com especialistas “experts” da área.

PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO FACEBOOK E NO WHATSAPP!

Aproveite esse material que foi preparado com muito carinho por nossa EQUIPE. Tenha uma ótima leitura! Grande Abraço,

Daniela Silva 3

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(11) 97143-0749 marketing@consultoriamd.com.br


A importância da Qualificação Térmica de Embalagens Atualmente um assunto que vem ganhando des-

tura seja o produto. Foi um grande avanço pois

taque na área de cadeia fria é sobre as qualifica-

assim as empresas possuem uma parametrização

ções térmica das embalagens.

e orientação adequada e correta para qualificar uma embalagem termicamente.

Por muitos anos esse assunto foi muito discutido entre os profissionais da área, pois não existia li-

Neste guia é orientado a forma correta para ter um

teratura sobre o assunto.

sistema qualificado das embalagens. Por exemplo: para qualificar uma embalagem são necessários

Dessa forma qualquer empresa podia-se qualificar

testes de Qualificação de Design, Qualificação de

da forma que achar adequada. Gerando com isso

Operação e Qualificação de Performance, neces-

grande conflito entre os profissionais da área.

sariamente nessa ordem. Como também qual deve

De fato ainda não existe, porém os órgãos regula-

ser a disposição e as quantidades dos registradores

dores estão se atentando cada vez mais sobre isso.

de temperaturas para ter uma embalagem robusta e completa. Outro ponto importante é sobre a necessidade de manter as disposições e as quantidades dos elementos refrigerantes uma vez que nos testes já serão definidos esses itens. Uma vez qualificada deve-se manter os mesmos requisitos, como o fornecedor da embalagem, o fornecedor do elemento refrigerante é até o isolante térmico que será utilizado. Uma vez mudado qualquer um desses parâmetros, deve-se realizar novamente a qualificação desta embalagem. Tam-

Atualmente o mais próximo que temos de orien-

bém são necessários os testes com carga mínima

tação sobre esse assunto é o GUIA PARA A QUA-

e carga máxima. E para os testes de Qualificação

LIFICAÇÃO DE TRANSPORTE DOS PRODU-

de Performance as embalagens devem ser subme-

TOS BIOLÓGICOS publicado oficialmente em

tidas a testes nas duas estações mais críticas do

12/04/2017 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

ano: verão e inverno.

Esse guia destina-se apenas para produtos Bio-

Além desse guia, atualmente os profissionais estão em uma grande expectativa com a publicação da

lógicos independentemente de qual tempera-

consulta pública 343, de 11 de maio de 2017, tam4


bém pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

grande avanço para uma área tão

Essa resolução possui o objetivo de estabelecer os requisitos de Boas Práticas de Distribuição e Armazenagem e Boas Práticas de Transporte de Medicamentos. Nela já são tratados todos os medicamentos em geral e é destinado às empresas que realizam as atividades de distribuição, armazenagem ou transporte de medicamentos. Nesta resolução é tratado todo processo em geral, como ter um armazém devidamente monitorado para armazenar os medicamentos, não só a temperatura como também a umidade. Já na parte de distribuição a norma diz que é necessário monitorar as condições de transporte relacionadas às especificações de temperatura, acondicionamento, armazenagem, umidade e luminosidade do medicamento, quando aplicáveis. Ou seja, da forma tratada na norma será necessário ter um registrador de temperatura e umidade a fim de comprovar que por todo o transporte os parâmetros mantiveram-se adequados. Portanto entende-se que tanto o Guia quanto a norma já são um

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carente e necessitada de informações.

Renata Curatolo

Farmacêutica Comercial e Técnica no Grupo Emba EPS


A importância da qualidade do ar comprimido e sua eficiência energética Hoje, denominada como a “4ª utilidade”, devido ao seu custo energético elevado, que representam em média 10 a 15% do rateio de todas as utilidades num parque industrial farmacêutico. Além disso, o controle e monitoramento dos seus contaminantes, o tornaram de grande importância nas indústrias onde o produto final possa ocasionar risco humano e/ou contato direto com produto e embalagens primárias (revestimento, leitos fluidizados, limpeza de utensílios, transporte pneumático etc.): farmacêuticas, veterinárias, alimentícias incluindo as atuais fabricantes de suplementos nutricionais, higiene, cosméticos, bem como processos onde o ar comprimido é utilizado como “ar de respiração”, seja ele de uso ocupacional e/ou medicinal.

concepção de pressão e vazão, a má qualidade de fornecimento poderá implicar em paradas produtivas por mau funcionamento devido a presença de contaminantes: desgastes de cilindros, queima de componentes eletropneumáticos etc. Portanto, aquelas industrias que possuem matéria-prima “in natura” que conjuntamente seu processo seja em batelada, a eventualidade de parada produtiva causará efeito “dominó” no custo final de produção e do produto final. Portanto, entendendo que a qualidade do ar comprimido, não está relacionada apenas ao ponto de uso, o estudo do tipo de geração (lubrificados e isentos de óleo), de secagem (refrigeração, adsorção, membrana) e filtração tanto na central de utilidades como nos pontos de uso (separadores “água-óleo”, coalescentes, absolutos etc.) poderá garantir efetivamente o processo produtivo e produto final.

Devemos considerar que o uso do ar comprimido nos componentes pneumáticos, que além da

Caso os contaminantes não sejam contidos na sua distribuição principal (partículas, umidade e/ ou condensado, óleo, microrganismos), os mesmos poderão ser arrastados e contaminarão a tubulação e os pontos das áreas produtivas, sejam elas classificadas ou não. Como exemplo, a falta de retenção de óleo no compressor, poderá comprometer visualmente embalagens translú-

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cidas, formando manchas amareladas. Em casos mais críticos a falta de monitoramento da temperatura do ponto de orvalho poderá promover a formação de condensado, consequentemente o crescimento microbiano e por fim, a formação de biofilme, além da formação de material oxidado ao longo de uma instalação de aço carbono. Em casos mais críticos, quando os contaminantes são visuais, tanto na Central de Compressores bem como nos pontos de uso, a ação corretiva deve ser imediata e de curto prazo. Em alguns casos, não há nem a necessidade da quantificação destes contaminantes (óleo, condensado e/ou particulados). Sendo assim, tornando os “POP´s” de manutenção dos equipamentos e substituição de elementos filtrantes como critério critico de análise e/ ou confeção. Visando, então, a adequar o desempenho do sistema já instalado ou não (projetos “sanitários”) é imprescindível a execução da Análise de Risco em todas as fases de Qualificação: Instalação, Operação e Desempenho, com base num bom dimensionamento de rede, com balanços volumétricos (impressores x tratamento x distribuição x demanda da fábrica) e consumo de energia elétrica (“Eficiência Energética) juntamente coma as normas e recomendações de referência (ISO, Farmacopeias, Órgãos Governamen-

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tais podendo ser nacionais e/ou internacionais etc.). Portanto, a

Qualificação de Projeto com um bom guia de usuário de âmbito geral tornará seu sistema muito mais eficiente em todos os aspectos. Margarete Miyuke Nagata Gerente de Serviços Link Tecno


Entrevista especial:

Especialistas revelam os desafios da Qualificação e Validação

É fato que a qualidade dos medicamentos e de to-

maior para essa área, exigência de outras agências

dos os produtos farmacêuticos depende, de manei-

reguladoras e órgãos de fiscalização”, afirma o di-

ra contundente, da Qualificação e Validação. Em al-

retor-executivo da Conceito Q Consultoria e Au-

guns segmentos há a obrigatoriedade de qualificar

ditoria de Processos, Andre Santos. Ele defende

equipamentos e validar processos, entretanto, no

que, quem conseguir visualizar e implantar antes

Brasil ainda há atrasos nesse quesito, principalmen-

da normatização terá, com toda certeza, uma ima-

te se comparado aos países mais desenvolvidos.

gem muito melhor dos clientes. “Afinal, quem não

Para ouvir a opinião dos maiores especialistas no

quer adquirir produtos confiáveis, qualificados e

assunto, a diretora da MD Consultoria, Daniela

validados?”, indaga ele.

Silva, que é criadora e gerenciadora de grupos de

Daniela ouviu também o diretor Técnico da Enge-

Qualificação e Validação, entrevistou alguns pro-

news Serviços de Engenharia e Engefarma Con-

fissionais da área e obteve uma visão geral sobre

sultoria e Serviços, Luiz Alberto da Rocha Torres:

o tema. Ela destaca que é fundamental que os

“Desde a emissão da primeira RDC 134/2001, so-

profissionais envolvidos estejam sempre atuali-

bre BPF de medicamentos, é fundamental as em-

zados para acompanhar a evolução da produção

presas terem uma área de Qualificação e Validação.

farmacêutica.

Elas tiveram de se adaptar rapidamente para atender esta resolução e a consequência foi que muitas

“Acredito, com muita propriedade, que a área de

indústrias farmacêuticas fecharam ou foram adqui-

Qualificação e Validação será o diferencial para

ridas por outros grupos”.

novos mercados. Vejo um futuro com abrangência 8


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a RDC n 134/2001 foi publicada, os profissionais e a indústria farmacêutica não compreendiam em sua totalidade a necessidade e a importância dos estudos de validação. No entanto, atualmente, esse conceito de qualidade assegurada é respeita-

Já a diretora Técnica da Consultoria Farmacêuticas, Fernanda Bidoia, também dá sua visão sobre a legislação que regula a atividade. Ela destaca que, em termos gerais, há poucos guias e estudos de validação nacionais da Anvisa, e os poucos existentes estão desatualizados em comparação com os de outras agências regulatórias internacionais. “Para nos mantermos atualizados recorremos aos guias e normas internacionais, sejam eles do WHO, EMA, FDA, ICH, PDA, entre outros”.

do e amplamente compreendido por grande parte das indústrias farmacêuticas e pelos profissionais que nelas atuam. São poucas as empresas e profissionais que não utilizam os estudos de Qualificação e Validação como ferramenta de melhoria contínua e monitoramento de seus processos e sistemas. Ela vai além: “Infelizmente, ainda existem profissionais com grande falta de conceitos básicos de validação, incluindo a necessidade do acompanhamento de no mínimo três lotes consecutivos, por exemplo. A falta de comprometimento pode levar a uma interdição parcial, ou até mesmo total da empresa”.

Fernanda defende que a área de Qualificação e Validação está em constante mudança, e que novas regras, artigos científicos e estudos são frequentemente lançados: “Por isso, é necessário o aprimoramento constante, e cabe ao profissional de validação buscar o conhecimento em novos estudos, ou requalificação e revalidação”.

FALTA LEGISLAÇÃO Para Vicente, o Brasil está engatinhando na área normativa, se comparado a qualquer outro país que possui normas e legislações mais avançadas. O especialista acredita que esse é um gap muito grande que o País tem de cobrir. A farmacêutica Comercial e Técnica do Grupo Emba EPS, Renata Curatolo, concorda: “Falta muito ainda por porte dos órgãos reguladores sobre esse assunto. Uma área de extrema importância, que não possui legislação especifica, é a de qualificação, armazenagem e transporte de medicamentos, seja carga seca ou cadeia fria”. Apesar das críticas, parece haver luz no fim do túnel. O sócio diretor da LTL Serviços, Luciano Silva, vê o segmento bem amadurecido: “Temos portarias da Anvisa que preconizam o que é necessário, além de muitas normas nacionais e internacionais que descrevem melhor os processos. Contudo, essa

RECONHECIMENTO DA INDÚSTRIA Para o diretor técnico da Validacon Soluções Integradas, Marcelo Vicente, a área de Qualificação e Validação cresceu e se desenvolveu muito nos últimos anos: “As indústrias farmacêuticas querem a garantia de que o produto manterá todas as suas características, qualidade e eficácia”. Fernanda concorda com ele. Ela diz que logo que 10


é uma área em constante movimento, muito dinâmica. Mesmo estando amadurecidos, ainda temos muitas lacunas a serem preenchidas quanto ao conhecimento e disseminação da atividade”. Torres também tem esperança em uma evolução: “Há diversos órgãos que nos auxiliam, como a Anvisa, FDA, WHO, ICH etc., mas ainda existem muitas dúvidas, e o ideal é sempre usar o bom senso, procurando manter a qualidade do produto”.

citação técnica; 3) Falta de recursos materiais (equipamentos analíticos para o laboratório, por exemplo) e de mão de obra, para que os estudos de validação e qualificação possam ser executados. Com relação à falta de normas, Renata evidencia sua maior dificuldade: “Qualificação de embalagens, com absoluta certeza, é uma área que precisa urgentemente de uma norma, pois possui, no máximo, um guia orientativo da vigilância, e somente para produtos biológicos”. Torres também ressalta seus problemas com relação à falta de normas, já que a área de utilidades farmacêuticas está sendo muito visada. “Temos muita dificuldade em definir qual a classe do ar comprimido, de acordo com a ABNT NBR 8573-1:2013, que devemos utilizar para cada produto”. “Apesar de todas as dificuldades e atrasos enfrentados no Brasil na área de Qualificação e Validação, estamos no caminho da capacitação. Vale destacar que os consultores que são dedicados ao tema têm grande contribuição a dar para a indústria no sentido dessa evolução”, finaliza Daniela.

DESAFIOS DA ÁREA Daniela Silva sabe muito bem quais são os desafios da Qualificação e Validação, e os especialistas entrevistados por ela também! Importante ressaltar que, frequentemente, surge uma exigência nova, e as áreas não estão preparadas e não possuem colaboradores suficientes para atender às demandas. Assim, é necessário que as indústrias recorram às consultorias externas. Segundo Fernanda, há três grandes dificuldades e desafios nas empresas: 1) Falta de guias e normas nacionais atualizados sobre alguns temas de validação; 2) Falta de comprometimento e interesse dos profissionais na busca pelo aperfeiçoamento e capa-

Matéria jornalística por: Egle Leonardi 11


Como realizar uma qualificação de HVAC eficaz e com qualidade? A sigla HVAC, que vem do inglês “Heating, Ventilation and Air-Conditioning” faz uma referência direta aos sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado utilizados em ambientes produtivos, como, por exemplo, nas indústrias farmacêuticas e cosméticas. Realizar uma qualificação dos sistemas de HVAC é uma exigência importante para essas indústrias, pois garante uma higiene adequada para o ambiente, além de evitar possíveis contaminações cruzadas, preservando, assim, a qualidade dos produtos destinados ao público consumidor. A certificação de HVAC é resultado de um trabalho sério e comprometido de qualificação, que tem por objetivo realizar os testes necessários e planejar o ambiente para oferecer a melhor condição possível de operação, especialmente em salas limpas e salas classificadas da indústria farmacêutica.

Como realizar os testes de qualificação de HVAC? Os sistemas de HVAC são fundamentais para a manutenção da qualidade dos produtos farmacêuti-

cos, já que são responsáveis por preservar as condições ambientais ideais para a manipulação dos produtos e para a operação dos trabalhadores do setor. Manter um sistema de ar condicionado eficiente e em conformidade com normas técnicas é uma maneira de evitar a presença de contaminantes no ambiente produtivo, como microrganismos. Além disso, garante mais produtividade à planta industrial. Estes sistemas precisam ser planejados com absoluto rigor, por uma equipe competente de engenheiros e profissionais capacitados. Dessa forma, o ambiente produtivo da indústria farmacêutica fica preparado para cumprir as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e receber o certificado de qualificação. Alguns aspectos são muito importantes no planejamento dos sistemas HVAC das indústrias farmacêuticas, como, por exemplo: • O controle de temperatura; • Os sistemas de renovação, troca e limpeza do ar; • O controle de umidade;


• As diferenças de pressão no ambiente. O controle e o monitoramento das condições ambientais proporcionadas pelos sistemas de HVAC também são atividades essenciais para plantas farmacêuticas. Todos os processos e sistemas devem respeitar às normas nacionais da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), além de normas internacionais da American Society of Heating. Uma regulamentação importante é a NBR ISO 14.644, que trata dos testes que precisam ser realizados em áreas limpas e dos dispositivos importantes para a prevenção e controle de qualquer tipo de biocontaminação. Por regra, as principais normas que regem o setor têm como objetivo conservar a limpeza e a qualidade do ar nas áreas de fabricação e armazenamento de produtos farmacêuticos. Alguns critérios devem ser seguidos durante a realização da instalação ou da manutenção dos sistemas HVAC. De acordo com as determinações da ANVISA, estes sistemas devem fazer parte de todos os ambientes produtivos fechados, com o uso de tecnologias apropriadas para manter a qualidade do ar e garantir conforto à equipe de trabalho. Neste sentido, os sistemas precisam evitar a contaminação do ar exterior que entra no ambiente e remover qualquer microrganismo com potencial contaminante do ar. Essa operação deve ficar sob a responsabilidade de engenheiros especializados. As indústrias também precisam investir em tecnologias para o tratamento do ar, sistemas de filtragem, arrefecimento, renovação, ventilação, umidificação e desumidificação do ar.

O que as indústrias farmacêuticas precisam para garantir a qualificação de HVAC? Para que um sistema de HVAC seja considerado eficiente, ele precisa estar em conformidade com os níveis de proteção estabelecidos pela ANVISA para Sistemas de Tratamento de Ar e Monitoramento Ambiental na Indústria Farmacêutica. Algumas especificações são fundamentais para o bom funcionamento dos sistemas e precisam ser consideradas tanto na fase da montagem do sistema quanto antes e durante a operação do mesmo. Confira alguns pontos importantes que devem ser levados em conta: • É preciso ter um bom manual de operação e manutenção; • É fundamental estabelecer as especificações funcionais e técnicas 13

do sistema; • É necessário realizar testes de estanqueidade e integridade, ajustes de temperatura e umidade, testes de balanceamento de pressão e vazão de ar; entre outras exigências. Todas as informações referentes aos sistemas de HVAC devem constar na documentação da indústria. Somente dessa maneira será possível validar e qualificar os sistemas, evitando qualquer possibilidade de contaminação nos ambientes. Além disso, como rotina da indústria farmacêutica, é recomendada a realização periódica de monitoramento microbiológico, análises de amostragens de ar, ações preventivas e corretivas. Vanderlaan Ap. Barbosa Diretor Técnico VLX Engenharia


Operação correta do hplc evita grandes prejuízos A tecnologia mais avançada e eficiente quando se trata de controle de qualidade de medicamentos e desenvolvimento de métodos analíticos é a cromatografia líquida de alta eficiência - técnica analítica para a qual é utilizado, no mundo todo, o equipamento HPLC.

ração entre a substância que se pretende analisar (analito) e os componentes principais necessários para a análise, ou seja, a fase móvel, a fase estacionária e o sistema de detecção do equipamento. “Além disso, é necessário que se tenha senso crítico para interpretar resultados e também facilidade em aprender a utilizar softwares, já que o resultado das análises é obtido por meio de relatórios específicos gerados pelo sistema que controla o equipamento”, ressalta Andrade. Para o pesquisador da Libbs Farmacêutica, Lucas Sponton, o HPLC é um sistema muito sensível e que exige cuidados, mas é muito robusto se for operado de maneira consciente. Via de regra, a principal habilidade é o domínio no preparo adequado das soluções e na detecção de bolhas e vazamentos. “Conhecer a miscibilidade entre as fases móveis também é importante para garantir a adequabilidade da análise e prolongar a vida útil do sistema cromatográfico”, destaca ele.

O Ephar Instituto de Excelência Farmacêutica possui uma estrutura de peso com diversos equipamentos em sua matriz e vem disponibilizando cursos práticos para a operação do HPLC, em conjunto com o ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico. De acordo com o diretor do Ephar, Poatã Casonato, a operação do HPLC, de forma correta e com planejamento adequado, é o principal diferencial para que se possa atingir resultados e cumprir metas estabelecidas:

“É necessário ter bastante cuidado na preparação do equipamento antes da utilização, bem como no preparo das amostras a serem analisadas, para que a análise seja efetiva e assertiva”.

Prejuízo grande com a operação incorreta

O gerente de Desenvolvimento Analítico da Halex Istar Indústria Farmacêutica, Elvis Pimenta de Andrade, afirma que um analista que opera esse tipo de equipamento precisa ter conhecimento básico em química para que possa entender os conceitos principais de uma análise de HPLC, que são a inte-

A má operação do HPLC pode gerar prejuízos significativos para o laboratório, pois se não forem tomados os cuidados adequados e feita a preparação correta do equipamento, a análise pode ser comprometida, gerando retrabalhos (reanálises) com perda de dinheiro e de tempo pela ocupação extra do equipamento.

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que o corpo técnico esteja sempre atualizado em relação às novas tecnologias do mercado em termos de equipamentos.

“Além disso, o ponto mais crítico da má operação é a parada de equipamentos por problemas técnicos provenientes de mau uso, já que ele é muito sensível e a falta de cuidados na sua operação pode comprometer algumas peças, que são de alto custo e que requerem, às vezes, longos prazos para substituição, causando grandes impactos na produtividade do laboratório analítico”, explica Andrade.

No entanto, Andrade acrescenta a isso a necessidade de conhecimento das novas legislações da Anvisa, com destaque para a cobrança que vem sendo feita em termos de avaliação de impurezas e produtos de degradação em medicamentos, o que é fundamental para a garantia de segurança e eficácia do produto que se pretende comercializar. “Isso demanda bastante conhecimento da equipe técnica, o que é adquirido com treinamentos frequentes e aprofundados no assunto, e depende inclusive do avanço tecnológico dos equipamentos, como o HPLC, que é a principal ferramenta de trabalho destinada ao propósito maior de comprovação da qualidade dos medicamentos”, afirma ele.

Sponton acrescenta, dizendo que, além da perda de reprodutibilidade e aumento das reanálises, a má utilização do sistema eleva os gastos com reagentes, amostras e consumíveis, reduzindo a vida útil do sistema. De acordo com Casonato, para manter um HPLC em bom estado de conservação e qualificado, de maneira a atender aos requisitos das agências reguladoras, a empresa teria um gasto aproximado de R$ 25 mil ao ano. “Este seria o valor cobrado em contratos de manutenção por fornecedores do equipamento ou por empresas credenciadas para a qualificação do HPLC”, revela ele.

Assim, a qualificação dos operadores é fundamental. Sponton assegura que utilizar o equipamento adequadamente prolonga sua vida útil e de seus consumíveis, e torna as análises mais reprodutíveis. “Isso aumenta a integridade dos dados e permite que um histórico mais robusto seja criado, além de crescer a produtividade do laboratório, uma vez que as reanálises diminuem”, finaliza o pesquisador.

Treinamentos constantes O diretor afirma que o principal desafio atualmente para os laboratórios de controle de qualidade e desenvolvimento de métodos analíticos é fazer com

por Egle Leonardi

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Revista digital QV | Ano 1- n° 2  
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